Blog do José Cruz

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20/12/2011

Mudança de rumo

Prezado Leitor,

Seguindo orientação da área técnica do UOL, este blog está mudando para novo endereço, a partir do primeiro minuto desta quarta-feira, 21 de dezembro: http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/

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Agora vai.

Por José da Cruz às 16h21

19/12/2011

A fragilidade de Ricardo Teixeira e aproximação de Romário

             Protocolar, política e educadamente, Romário argumenta que foi ao encontro de Ricardo Teixeira atendendo a convite do amigo – agora porta-voz da CBF – Ronaldo. Pode dizer que o encontro foi, também, para interceder pelos segmentos sociais, como o dos deficientes, que ele defende.

            Porém, continuo com a pulga atrás da orelha. Romário é a voz do futebol, no Congresso Nacional, que repercute na mídia. E este não é o melhor momento para Ricardo Teixeira tê-lo como opositor. 

            É sintomática a aproximação, justamente na semana em que RT se afastava da assembléia da FIFA e da liderança – temporária, diz o cartola – do Comitê Organizador da Copa.

            Fora dessas frentes, Ricardo Teixeira se fragiliza e facilita a articulação para ressuscitar a proposta de uma CPI da CBF.

Deve ser por isso que o senador mineiro, Zezé Perrela, o eterno líder do Cruzeiro, faz campanha velada para lançar um possível candidato à CBF. Ninguém fala oficialmente sobre isso, mas o experiente cartola movimenta-se neste sentido. Bem ao estilo mineiro, trabalhando em silêncio.

É neste panorama que vejo mais um motivo para a aproximação de Romário à CBF. Mas a realidade desse encontro só saberemos em 2012, durante a atuação parlamentar do Baixinho – com o devido respeito, excelência.

Enquanto isso...

            Relendo o relatório da CPI da CBF Nike, realizada em 2011, encontrei a seguinte preciosidade, com informações a partir da quebra de sigilos bancário e fiscal:

            A CBF efetuou transferências para o exterior no mercado flutuante, tipo 04, no período de novembro de 1995 a março de 2001, no valor de US$9.738.423,02, sendo US$ 2.123.850,55 a título de Capital Brasileiro de Curto Prazo – Operações com ouro, representando 21,81% das transferências no mercado flutuante.

            “Essas operações trazem informações incompletas, pois não indicam qual o país de destino nem o nome do recebedor no exterior. Chama atenção também o fato de serem os únicos contratos da CBF, ao longo do período janeiro/1995 a março/2001, a serem realizados na moeda dólar-ouro.

            “Cabe, portanto, solicitar ao banco que efetuou a operação, (o HSBC Bank Brasil S.A., na época Banco Bamerindus) e à própria CBF, através de seus representantes, informar o país de destino desses recursos, assim como o recebedor no exterior.

            “Ricardo Teixeira, ao depor, não soube explicar o motivo dessas transferências em dólar-ouro. Posteriormente, em correspondência de 19 de abril último (2001), informou apenas que “os saldos da conta corrente da CBF no Bamerindus eram automaticamente aplicados sem risco, já que extratos anexos demonstram que as taxas anexas eram prefixadas”. Continuou sem explicar os motivos de a CBF ter feito essas transferências para o exterior e para quem” – encerra o capítulo sobre o assunto.

Entenderam?

            A CBF, entidade “sem fins lucrativos”, fazia aplicações e remessas para o exterior já em 2001 !!!  Mas não se sabe para onde nem para quem.

            E o dinheiro dessas remessas e aplicações foi obtido em nome de uma instituição do nosso patrimônio cultural, a “Seleção Brasileira”, que é a galinha de ovos de ouro da CBF. Apresenta-se com as cores nacionais, desfila com a Bandeira Nacional Brasileira e entoa o Hino Nacional de nosso país. Mas nenhuma parte dos lucros que obtém reverte em favor de projetos para projetos sociais infantis que usem o futebol como instrumento. Ao contrário, parte da grana foi parar no exterior...

            O relatório da CPI, cujo trecho transcrevi aí em cima, é assinado pelo atual ministro do Esporte, Aldo Rebelo, então deputado federal, e por Silvio Torres, à época também deputado.

Cópias do documento foram enviadas à Polícia Federal, Banco Central, Receita Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas, Procuradoria Geral da República, Presidência da República, enfim. Há 10 anos, uma década. E nada aconteceu.

Agora, com RT sob fogo cruzado e fragilizado politicamente, são argumentos assim que incentivam alguns parlamentares a recriar a CPI da CBF. Se isso acontecer, vamos ver qual será a atuação do deputado Romário, principalmente.

Por José da Cruz às 10h02

18/12/2011

Regressão histórica

 Como não sou especialista em futebol, ficarei só na repercussão do que vi na TV e do que ouvi depois do jogo. Foram manifestações tão evidentes que até nos envergonham como penta-campeões mundiais.

Por exemplo, ao ser indagado se o nível econômico do futebol europeu era o diferencial sobre o brasileiro, para a qualidade de jogo apresentada pelos espanhóis, Guardiola respondeu que o time do Barcelona “tem custo euro zero”... Ou seja, o time é formado em casa, na base, com dois ou três vindo de fora!

E sobre o nível técnico apresentado este ano ele se voltou ao Brasil de outras décadas. “Vocês (brasileiros) jogavam assim” ...

Sem comentários.

Quando morava em Brasília, Nilton Santos já alertava para o fim dos campos de peladas, que ele adorava freqüentar. Era ali que se descobriam os futuros craques.

Hoje, são as luxuosas e numerosas peneiras. O garoto precisa pagar para ser avaliado. Quantos talentos que não têm nem como chegar ao campo da seleção ficam sem a oportunidade de se exibirem?

O que o Barcelona mostra em campo é o que a Seleção tricampeão exibia. Toque de bola. E o Santos não tem isso. Ao contrário, queria se livrar da bola, tirá-la de seu campo. Sufocado, não conseguiu.

Não é oportuno ficar avaliando se Messi é melhor que Neymar. Ambos são craques, cada um no seu time. A avaliação é: as escolinhas de futebol são eficientes? Com toda a sofisticação e turbinadas por dinheiro da Lei de Incentivo ao Esporte – só o São Paulo F.C já levou mais de R$ 25 milhões – são melhores que os campos de pelada?

E nossos técnicos, que ficam vomitando esquemas e armações, são práticos nos treinamentos para dizer que a bola precisa ir de pé em pé, com precisão, como o Barcelona demonstra?

Parece ser tudo muito simples, mas é uma lição renovada que recebemos, revelando como regredimos no tempo.

Muricy Ramalho está começando a entrevista. Lá vem explicações, mas elas estão lá atrás, nas origens que nos esquecemos.

 

Por José da Cruz às 16h18

Não havia espaço para zebra

Por Geraldo Hasse

            Si, como no, 4 a 0 foi pouco.

            Neymar amarelou, Ganso entrou na roda, Edu Dracena estava tresnoitado e por aí se foi esse tosco Santos do Muricy, que nunca pareceu tão parvo.

            Fuso horário? Frio? Grama sintética? Noites maldormidas em colchões orientais? Saudade da família? Pressão das "moscas torcedoras"? Assédio da marquetagem?

            Há mil desculpas para a derrota, mas todas as adversidades eram previsíveis, a começar pela excelência do Barcelona, que faz todo mundo de joão-bobo, mas em movimento rumo ao gol.

            É inacreditável que uma equipe técnica milionária não

tenha o antídoto para uma estratégia tão rasteira. Parecia que o Santos tinha sido contratado como sparring.

            A cada patacoada brasileira no exterior fica claro que o futebol canarinho abisonhou-se na dança dos milhões. As estrelas não correm atrás do prejuízo porque, para elas, não faz diferença perder ou ganhar. Seus salários são sagrados e, em último caso, taí a Justiça do Trabalho para lhes dar ganho de causa, justamente a eles que se tornaram parceiros-cúmplices das manifestações mais extremadas do Capital, como a Lavagem de Dinheiro e outras jogadas.

            O Brasil estás prestes a adaptar leis para agradar a Fifa, promotora da Copa do Mundo 2014, e não há quem ouse colocar o guizo no rabo do gatão.

            Agora, voltar do Japão com quatro nas costas é como passar a noite num baile e não pegar ninguém. O time do Barcelona deu uma aula de futebol, disse Neymar logo após o jogo, com a tranquilidade de quem se adaptou perfeitamente ao chip de bom menino que passou a usar nos últimos meses.

            "Que a derrota sirva como lição", disse ainda o novo prodígio da propaganda brasileira, mas quem acredita que as estrelas da Vila tenham tempo para calçar as chuteiras da humildade?

 

* Por uma TV a cabo vimos no final da tarde de sábado o GP Carlos Pellegrini, no hipódromo de San Izidro em Bs Aires. Vinte e três cavalos em 2.400 m. Na reta final, faltou meia cabeça para o brasileiro Veraneio alcançar o argentino Expressive Halo. Já sabíamos que não havia espaço para zebra.

 

Geraldo Hasse, jornalista gaúcho, é colaborador deste blog 

Por José da Cruz às 12h04

A queda da cartolagem

            Justamente na ocasião em que o Brasil se prepara para receber os maiores eventos esportivos mundiais, Copa 2014 e Olimpíada 2016, os dois principais expoentes do esporte do país se afastam de seus cargos, sob ameaças de revelações bombásticas.

            Primeiro foi João Havelange, que saiu da assembléia do Comitê Olímpico Internacional (COI). Motivo: suspeita de corrupção o levaria a julgamento, com risco de expulsão do órgão. Seria um vexame olímpico ao até então “respeitado” ex-presidente da Fifa.

            Assim, o processo que denunciaria Havelange por atos corruptos, envolvendo propinas pagas pela empresa de marketing, ISL,  foi suspenso. Algo como ocorre no Congresso Brasileiro: quando o deputado sente que não tem saída, renuncia e escapa da degola. A turma é esperta, aqui e lá fora...

            Agora, Ricardo Teixeira afasta-se da Fifa e do Comitê Organizador da Copa, “até janeiro”...  A notícia foi divulgada por Blatter, como que exibindo um troféu por tirar o brasileiro da luta pela presidência da Fifa.

Enfraquecimento

            Não há dúvidas de que a queda de Havelange – depois de um reinado de quase meio século no esporte – enfraqueceu Ricardo Teixeira. E está claro que, assim como o Comitê Olímpico Internacional, também a Fifa tem documentos que incriminariam Mister Teixeira, tornando-o candidato à expulsão sumária.

            Enfim, os dois brasileiros estão vergonhosamente fora de seus principais cargos, depois que jornalista escocês, Andrew Jennings, expôs ao mundo o esquema de corrupção no Comitê Olímpico Internacional e Federação Internacional de Futebol, Fifa.

            E não são fatos novos! Desde 1992 Jennings já denunciava a malandragem para escolher cidades-sedes e as relações perigosas com empresas de marketing para que todos ganhassem, e muito!

Ousadia

            Pois é neste exato momento de enfraquecimento de Ricardo Teixeira, que o ex-craque Romário vai ao encontro do distinto senhor. O cartola está em debandada, como quem foge da polícia para não ser preso, e o deputado arrisca seu prestígio ao lado do ex-patrão, suspeito de corrupto e de jogar sujo?

            Romário não precisava ir a RT pedir ingressos da Copa para deficientes, como alegou. Poderia ter apresentado emenda na discussão da Lei Geral da Copa, na Câmara dos Deputados. A CBF teria que cumprir o decidido.

            Em resumo: quem poderia supor que chegaríamos ao final do ano com este quadro de debandada explícita?

            O pior é que, afastados, encerram-se os processos, deixando a impressão que somente os dois são os culpados. E nós, brasileiros, nunca saberemos os reais motivos da “expulsão voluntária” das excelências. Nem o valor do lucro.

Por José da Cruz às 00h25

17/12/2011

Messi x Neymar

Por Geraldo Hasse

            O choque do século? Pode ser. Se o argentino é um reloginho preciso, o brasileiro é um bailarino espetacular. Temos aí um pega equivalente ao de um Federer contra Nadal. Ou algo como um dos grandes duelos de box da história. Sempre lembrando que o jogo final da Copa Toyota não é um mano-a-mano, mas um choque entre 22 atletas orientados por dois treinadores e preparados por equipes enormes, das quais fazem parte fisicultores, médicos, psicólogos e o diabo.

            Por isso ninguém quer perder este Barcelona x Santos, mesmo sabendo que a beleza original do futebol está sendo esmagada – irremediavelmente, talvez – pelo excesso de manipulação imposta pelo dinheiro.

            Entonces: se o estrelismo deixar, se o nervosismo permitir, se outros ismos não interferirem, talvez tenhamos um partida memorável. Pela lógica, dá Barcelona, mas a zebra pode entrar em campo de preto-e-branco, assim como se vestiu de colorado em 2006.

             O Santos é uma lenda, mas o time espanhol reinventou o futebol, tornando-se a base da seleção campeã do mundo de 2010. Joga simples, bola no chão, com os jogadores trocando passes e se deslocando. Tem dois ou três craques, Messi no esplendor, mas a maior parte do time tem regularidade e precisão. ]

            Vi grandes equipes jogando mais ou menos assim, a começar pelo Santos de Pelé, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Cruzeiro de Dirceu Lopes, o Inter de Falcão-Carpegiani, o São Paulo de Dario Pereyra-Pedro Rocha, o Atlético Mineiro de Paulo Isidoro e outros “tisius”, como falou Telê Santana.

            Diante de times assim quase irresistíveis, a tentação dos adversários é dar porrada. Messi e Neymar são safos, mas nunca se sabe. O Santos não é o favorito, mas pode engrossar, desde que Muricy comece por mandar alguém virar a sombra do narigudinho genial, mas sem apelar para a violência. Com Messi sem espaço, o jogo pode ficar interessante de se ver.

            No mais, que Ganso chute e Neymar corra com a bola. Seria muito bom ver os meninos da Vila se esquecer dos seus carros chiques, seus brincos de diamante, as roupas de grife, os cabelos pintados, contratos milionários, carreiras estelares. Dentro de campo, como ensinaram Pelé e outros Santos (Djalma, Nilton etc.), o que vale é bola na rede.

            Um abraço e bom jogo, galeras!

Geraldo Hasse, jornalista gaúcho, é colaborador deste blog.

Por José da Cruz às 18h21

Cala a boca, Edson

             Ótimo artigo na revista ESPN, deste mês. Confira:

Por Caio Maia
            Coloquemos a culpa no Edson, esta figura que habita o corpo que um dia foi de Pelé. Edson, agora, é “embaixador” da Copa do Mundo no Brasil, aquela que aconteceria sem dinheiro público. E que acontecerá quase que só com ele, uma boa parte indo parar nos bolsos errados.

            É natural, porém, que Edson se empolgue com a possibilidade e ver no Brasil a competição que Pelé venceu três vezes, e cujo significado e simbolismo conhece tão bem. Se empolgar com a Copa, entretanto, é uma coisa, servir de escudo para Ricardo Teixeira, outra totalmente diversa. Até porque, Edson foi colocado neste papel justamente para que Teixeira parasse de bancar o imperador. Ninguém pediu a ele que defendesse o cartola, nem isso faz qualquer bem à Copa 2014.

            Quando diz que “nada foi provado contra Ricardo Teixeira”, Edson demonstra, além de subserviência, desconhecimento. Não conhece, pelo jeito, o Código Civil, que define como prova:  I – Confissão; II documentos; III – testemunha; IV presunção; V – perícia. Ou seja, há numerosas e abundantes provas contra Ricardo Teixeira, ainda que ele não tenha sido condenado por causa delas.

            Pelo menos, Edson não foi ao extremo de, como Ronaldo, dizer que não se faz Copa com hospital. O que, diga-se, é a mais pura verdade. Nem se faz hospital com Copa, apesar do que se quer fazer crer. Não se faz nada, aliás, com Copa, a não ser dinheiro para a meia dúzia de sempre. Mas teremos Copa, e continuaremos sem hospitais.

            Pelé e Ronaldo, porém, ao parecem preocupados com isso. Fariam bem em pelo menos ficar quietos.

Caio Maia é diretor de Redação da ESPN Revista

Por José da Cruz às 18h03

16/12/2011

A grande decisão presidencial

      Excelente notícia do Palácio do Planalto para este final de ano:

         A presidenta Dilma Rousseff vetou o uso de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para obras da Copa do Mundo e Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

         A proposta, aprovada pelas excelências parlamentares, envolvia verba de R$ 5 bilhões que, com certeza, faria a festa de muita empreiteira e políticos amigos.

Justificativas

         “Os empreendimentos – Copa e Olimpíada – já possuem linhas de crédito disponíveis para o seu desenvolvimento”, argumentou a presidenta.

Mais:

         “A proposta desvirtua a prioridade de aplicação do FGTS, que deve continuar focada nos setores previstos na Lei, que demandam elevado volume de recursos e são fundamentais para o desenvolvimento do país”.

         Os setores da saúde e educação, principalmente, agradecem por tanta lucidez presidencial na gestão do bem público.

         São decisões assim que contribuem para que cresça a confiança na Presidenta Dilma, como mostram as pesquisas.

         Enfim, será que vai?

Por José da Cruz às 17h37

Os negócios suspeitos do futebol e o apoio oficial

            Notícia extra-oficial: depois de uma reunião com o ministro do Esporte, Aldo Rabelo, o secretário nacional de Futebol, Alcino Reis Rocha, teria apresentado o pedido de demissão “irrevogável”, me contaram.

            Alcino era um dos remanescentes da turma do ex-ministro Orlando Silva. Ele incentivou o contrato com o Sindicato das Associações de Futebol, no polêmico episódio para cadastrar torcedores.

            Pelo serviço, que não foi realizado, o Ministério do Esporte desembolsou R$ 6,5 milhões. Logo que assumiu, há 50 dias, o ministro Aldo Rebelo determinou a devolução da grana. Não sei se o dinheiro já retornou às origens.

Negócio privado

            Independentemente da confirmação da saída de Alcino Reis, a questão principal é: qual o motivo para o Ministério do Esporte, um órgão do Poder Executivo Federal, se envolver com um negócio privado como o futebol? Um negócio suspeito de falcatruas milionárias? Um negócio que, explorando as emoções que oferece ao torcedor, aproveita-se para promover a lavagem de dinheiro, como foi mostrado em investigações da Polícia Federal?

            O ministro Aldo Rebelo sabe muito bem o que é o bastidor dessa instituição bilionária. Ele presidiu a histórica CPI da CBF Nike , em 2001, e escreveu um livro contando sobre as trapaças que encontrou. À época, suas entrevistas eram indignadas, quando se referia às dezenas de irregularidades encontradas com as quebras de sigilo bancário e fiscal da CBF e de vários clubes.

            Pois é essa instituição, suspeita de encobrir crimes financeiros, como relataram autoridades fiscais, recentemente, em Brasília, que o governo dá cobertura financeira. Primeiro, criando uma loteria – a Timemania – para que os clubes paguem o calote ao Imposto de Renda, INSS e Fundo de Garantia. A dívida supera os R$ 2 bilhões. Porém, entre 2008, quando começou a funcionar, e 2010, a Timemania repassou miseráveis R$ 68,4 milhões aos cofres públicos. A cartolagem ri à vontade.

            Além disso, o Ministério do Esporte privilegia a instituição “futebol” com recursos públicos da Lei de Incentivo ao Esporte. Só em 2010 foram destinados R$ 29,7 milhões. Boa parte do dinheiro para os tais negócios suspeitos denunciados pelos fiscais do governo. Outro tanto vai para a formação de jogadores que, depois, são negociados no exterior, enriquecendo o bolso dos agentes internacionais. Em resumo, é o Estado financiando um negócio rentável e  altamente suspeito em sua legalidade.

            O Brasil sagrou-se pentacampeão mundial sem que o Estado ou os governos se envolvessem com a gestão do futebol. Quando muito recepcionava os campeões no Palácio do Planalto. Agora, apóia um negócio que deveria ser fiscalizado por ele, Estado. Mas não é. Ao contrário, tornaram-se parceiros íntimos.             

Por José da Cruz às 08h44

15/12/2011

Onde andará Gabiru?

No Correio Braziliense

Por Bernardo Scartezini

            Será que o Muricy Ramalho tem conseguido conciliar o sono? Não me refiro ao fuso horário. Hoje é quinta-feira. A esta altura dos acontecimentos, quando você, incauto leitor, estiver a ler esta coluna, o time do Barcelona estará passando/terá passado a patrola sobre o Al Sadd, o desafortunado campeão catariano que lhe cruzou o caminho no Mundial de Clubes. Qualquer resultado diferente de um sacode do Barcelona pode ser encarado como uma hecatombe de proporções mazembísticas.

            O que nos leva a Barcelona x Santos, jogo mais antecipado do ano como a final do Mundial. O campeão europeu chegando numa vibração diferente daquela do campeão sul-americano. Afinal, ainda no último sábado, o Barça esteve a bater o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Uma vitória de virada que levou a equipe catalã à ponta do Campeonato Espanhol.

            Já o Santos, cá entre nós, há quanto tempo não vinha levando a sério seus compromissos? No Brasil, temos a mania, um tanto por conta do calendário, um tanto por desleixo, de colocar o boi na sombra depois de vencer a Libertadores. Passar meses e meses por conta do Mundial de dezembro. O Santos fez figuração no Brasileiro-2011, fiando-se na glória conquistada.

            Ou seja, enquanto o Santos passou à larga boa parte da temporada, o Barcelona vem babando. Pergunte ao Mourinho. Claro que, na hora H, a rapaziada santista vai correr atrás da pelota. Nem que seja por instinto de preservação. Mas será que o botão de liga/desliga é assim fácil de fazer funcionar? Será que o Barça não entrará naturalmente mais ligado na partida? Qual foi mesmo a última grande atuação do Santos?

            Receio que estes últimos meses tenham aumentado um pouco mais o abismo que separa as equipes. O abismo que é também o abismo entre este Barcelona e os demais times do planeta. Pois o Barça é tudo isso que conhecemos — e também vai sempre um pouquinho além disso.

            Gostamos de dar ênfase ao Messi, por ser tremendo craque, mas o Barça é todo um coletivo, uma engrenagem à perfeição. Iniesta y Xavi ganharam recentemente a companhia de Fábregas y Sánchez. O que era bom ficou melhor. A turma da frente não guarda posição, morde a saída adversária, gosta de ter a bola pra si, sabe manejá-la sem pressa, não erra passes. Um pouco mais atrás, uma troca de olhares entre Puyol, Piqué y Busquets é o suficiente para que mudem de lugar e façam o time assumir outra movimentação, outra formação. Sem que Guardiola precise trocar jogadores.

            (Aos 42 minutos da segunda etapa, no Bernabéu, Daniel Alves abre como ponteiro e Puyol parte com a bola pela direita. O placar marca 3 x 1 — eles seguem atacando.)
            Só não me pergunte como o Muricy vai fazer isso parar. Muricy, pela onda que tira e pelos cobres que recebe, deve saber mais do que eu. Talvez tenha falado sério ao dizer para seus jogadores se divertirem. Ou talvez monte uma retranca grossa lá atrás e fique esperando Neymar resolver. Eu não apostaria meus tostões nisso. Mas se deu certo pro Inter do Gabiru...


Bernardo Scartezini escreve às quintas-feiras no Super Esportes

Por José da Cruz às 18h35

Heroínas olímpicas brasileiras

          Sugiro a leitura do artigo da professora Katia Rubia, psicóloga e escritora sobre assuntos olímpicos. Ela participou da audiência púlbica de ontem, na Comissão de Turismo e Esporte, na Câmara dos Deputados.

         Seu artigo começa assim:

         Que a história das mulheres no esporte é uma grande aventura que mescla drama e emoção acima da média, ninguém duvida. Desde sempre essa situação envolveu luta por direitos, condições mínimas de igualdade e a superação do preconceito seja ele racial, econômico ou de gênero.”

         ...

         E termina assim?

         Entendo que vivemos novos tempos para a mulher na sociedade e no esporte. Tempos esses que ainda não expressam de fato a importância que as mulheres passaram a ter para o esporte brasileiro, e para isso basta ver a curva ascendente de participação nas últimas edições dos Jogos Olímpicos e os resultados obtidos pelas atletas brasileiras na última edição olímpica em Pequim. Mas acredito que essa é uma condição irrefutável. E espero que dirigentes, técnicos e patrocinadores tenham a sabedoria de enxergar esse cenário para não retardar ainda mais esse processo que tem rendido bons frutos. A ignorância pode ser perdoada. A má intenção não.”

         O artigo completo está aqui

Por José da Cruz às 12h30

14/12/2011

Eu vejo o futuro repetir o passado

       Numa reunião histórica – pelo nível dos debatedores e importância dos temas abordados –, que reuniu algumas de nossas estrelas do olimpismo, a Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados expôs hoje os extremos do poder Legislativo: é a indispensável Casa para o debate das grandes questões brasileiras; mas está muito atrasada no encaminhamento das políticas para o esporte.

Sequência

        As dificuldades enfrentadas por Aída dos Santos, quando foi a única mulher na delegação aos Jogos de Tóquio, 1964 (quarta colocada no salto em altura) continuam hoje, meio século depois, apesar das evoluções técnicas, independência feminina e expressivo volume de dinheiro aplicado no setor.

         Passou o tempo, e os resultados das atletas olímpicas vieram e evoluíram, mais por insistência e persistência das mulheres do que por ações integradas de todos os agentes envolvidos, como família, clubes federações, governos etc.

Crescimento

         A participação feminina em olimpíadas, por exemplo, revela a predominância de projetos para a categoria masculina.

         "Dos 1.678 atletas que já representaram o Brasil em olimpíadas, apenas 390 foram mulheres", disse a psicóloga e pesquisadora Katia Rubio, da Universidade de São Paulo.

         "Porém, apesar desse distanciamento, a proporção das conquistas de medalhas – considerando o número de eventos que participaram – é favorável ao sexo feminino: 16% x 13%  dos homens.

Realidade

         No contexto da formação e projeção de atletas, a representante do Ministério da Educação, Clélia Brandão, deu a dimensão da realidade da nossa precariedade em termos de políticas públicas para o setor:  apenas 56,7% das escolas brasileiras têm uma quadra esportiva. Pior: dessas, apenas 40,3% têm um professor de educação física à disposição dos alunos! Que tal?

Propostas

             É neste panorama que Cássia Damiani, do Ministério do Esporte entrou no debate de hoje com propostas que demonstram como estamos perdidos, apesar de já sermos um país olímpico.

         Na falta de uma política integrada de governo para ações pedagógicas-esportivas visando, prioritariamente, a formação cultural e do caráter dos jovens, e, em seguida, o alto rendimento, a pasta do ministro Aldo Rebelo anuncia que fortalecerá o futebol feminino, uma atividade ignorada pela CBF, porque não é rentável.

         Sob o ponto de vista político, faz sentido, pois o futebol tem espetacular apelo. E, pelo abandono da mulheres futebolistas, a iniciativa ministerial pode se tornar numa oportuna peça de campanha eleitoral. Entenderam?

Bastidores

         Primeira brasileira a conquistar medalha de ouro olímpico (1996), Jaqueline Pires, levou a discussão na reunião de hoje para os bastidores do esporte.

         Campeã no vôlei de praia, ela questionou, na década de 1990, o pagamento de salários aos atletas da Seleção masculina, pela Confederação de Vôlei, o que não ocorria com as mulheres.

         Sua ousada atitude lhe custou o abandono das autoridades, fechando-lhe as portas para qualquer atuação no Brasil, numa prática que se repete ainda hoje com quem fizer crítica ao sistema de gestão do nosso esporte olímpico.

         O assunto é grave, um desrespeito aos princípios democráticos, pois tira da discussão – por ameaças e medo – o principal elemento da prática esportiva, o atleta. Sob este enfoque, o esporte não tem nada a ver com “educação”: é censura real e triste.

Preconceitos

         A reunião se encaminhava para o final quando a professora Katia Rubio, autora de 15 livros na área da história e psicologia do esporte, trouxe à mesa temas ignorados nos debates: o preconceito racial e assédio sexual.

         “Na entrevista com uma ex-atleta, ela me revelou que foi assediada pelo técnico durante quatro anos”, revelou Katia, dando a dimensão do problema.

         Por tudo isso, aqui contado resumidamente, é que a reunião de hoje na Comissão de Turismo e Esporte tornou-se histórica. Porque levantaram questões  graves, mas que não são discutidas por atletas,  técnicos, dirigentes e muito menos pelos políticos. Ficou o ar a idéia de que com este ponto de partida “agora vai...” Será? duvido!

Repetição

         Mas, mesmo em ritmo de Olimpíada 2016, patinamos na solução de problemas sérios e antiguíssimos, enquanto o Estado se omite de abrir a caixa preta do esporte para lhe dar o rumo efetivo que exige. Não de "mais recursos financeiros, mais apoio", mas de metas, prioridades e gestão. Na falta disso, inventa entrar numa área que não lhe compete, o futebol.

         Este panorama me leva, mais uma vez, aos versos do poeta Cazuza, em uma de suas expressões maiores da nossa música, em “O tempo não para”:

         Eu vejo o futuro repetir o passado

           Eu vejo um museu de grandes novidades...”

Omissão

           Deley, Romário, Danrley e Popó -- todos ex-atletas -- não participaram da reunião de hoje. Romário e Popó estiveram no local do encontro, mas com passagens efêmeras. 

Por José da Cruz às 20h50

A ONU fracassou!

            O companheiro Mozart de Carvalho publicou no facebook discussão que circula na rede. E eu transporto o assunto para este espaço.

            A ONU resolveu fazer uma pesquisa em todo o mundo. E enviou carta para o representante de cada país com a pergunta:

            "Por favor, diga honestamente qual é a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo".

            A pesquisa foi um grande fracasso. Sabe por quê?

            Todos os países europeus não entenderam o que era "escassez".

            Os africanos não sabiam o que era "alimento".

            Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre o que era "opinião".

            Os argentinos mal sabem o significado de "por favor".

            Os norte-americanos nem imaginavam o que significava "resto do mundo".

            O Congresso brasileiro está até agora debatendo o que é "honestidade".

Por José da Cruz às 11h58

13/12/2011

As mulheres e o esporte de rendimento

            Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964, a carioca Aída dos Santos foi a única mulher na delegação brasileira. Terminou em quarto lugar no salto em altura.

            Ousadas, elas avançaram. Nos Jogos de Pequim, em 2008, dos 277 atletas brasileiros 133 eram mulheres.

            Melhor: com duas medalhas de ouro, uma de prata e três de bronze. Conquistas inéditas no atletismo, judô e taekwondo.

            Hoje, aos 74 anos, Aída estará em Brasília, para fazer uma análise sobre esta evolução em quase meio século olímpico. Ela participará do debate sobre “As mulheres no esporte”, às 15h, na Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados.

            Aída dividirá a mesa de debates com outras estrelas nacionais: Jaqueline Silva (vôlei de praia), Leila Barros (vôlei) e Amanda Miranda (futebol).

            Das competidoras para a área acadêmica, e a representante será a jornalista, psicóloga e escritora Katia Rubio, da Escola de Educação Física e esporte da Universidade de São Paulo. Autora de 15 livros acadêmicos na área da psicologia do esporte e estudos olímpicos, Katia é referência nacional e internacional em estudos olímpicos.

            O programa desta tarde, como se observa, oferecerá teoria e prática conjugadas sobre mulheres no esporte. Sabemos do que elas são capazes. Mas nos faltam programas para que o potencial brasileiro feminino tenha evolução e representatividade maiores, a partir da prática da educação física nas escolas públicas nacionais.  

     

    Aida dos Santos com garotos do

    Insituto que ela dirige, em Niterói

Por José da Cruz às 23h40

Corinthians é campeão, também, em público. Disparado!

              Apesar de o Campeonato Brasileiro de Futebol ter sido um dos mais disputados dos últimos anos, o público nos estádios não teve o crescimento proporcional às emoções, que levaram a decisão do titulo para a última rodada.

            O público da Série cresceu apenas, 0,4% em relação a 2010.  E, comparado a 2009, o melhor ano até hoje no critério de “pontos corridos”, a queda de público foi de 16%.

            “Uma das principais razões para isso foi o início das obras para a Copa 2014 no Maracanã e Mineirão, refletindo nos jogos de clubes importantes”, analisou Amir Somoggi, da BDO RCS, a quinta maior empresa de auditoria no país.

Campeão

            O Corinthians foi o campeão em público, levando 557.252 torcedores aos seus jogos, seguido do Bahia, com 432.087, e São Paulo, em terceiro lugar, com 408.210 mil pessoas. O Flamengo foi apenas o quarto colocado, com 389.473, e o Internacional fechou o “top five” com 345.565 torcedores.

            Já o Vasco da Gama, vice do Brasileirão, ficou em sétimo lugar: 320.895 pessoas, atrás do Coritiba, em sexto, 339.989.

Números

            Os principais números do Campeonato Brasileiro 2011 são os seguintes:

Receitas

            Renda bruta total                             R$ 117,7 milhões

            Renda bruta média p/partida        R$ 309,6 mil

            Renda líquida total                         R$ 68,2 milhões

            Renda líquida média p/partida     R$ 179,6 mil

Público

            Público total                           5,7 milhões

            Média de público                 14.976

            Preço médio ingressos (bruto)     R$ 20,79

            Preço médio ingressos (líquido) R$ 12,05

           

            Em resumo:

            Os clubes brasileiros continuam com baixo número de torcedores nos estádios, mesmo os que figuram no topo do ranking de público e renda da competição.

Evolução da renda

            Já em termos de renda, “as últimas edições da Série A mostram uma constante evolução do preço médio do ingressos, segundo Amir Somoggi. “Isso contribuiu para que o Campeonato Brasieiro não apresente queda tão acentuada na renda bruta com vendas de ingressos”, explicou.

            O preço médio dos ingressos em 2011 cresceu 4% em relação a 2010 e 125% comparados co 2005.

            “Na Europa, há muito tempo, os clubes perceberam que a diversificação de serviços nos estádios é fudamental para que as receitas por torcedor evoluam e não fiquem restritas somente à venda dos ingressos dos jogos”.

            Segundo Somoggi, “embora tenhamos um campeonato extremamente competitivo em campo, nossas ações de marketing para levar público aos estádios ainda são da “era da pedra lascada”.

Por José da Cruz às 19h47

Lei Geral da Copa: excessos de concessões à FIFA

          A Câmara dos Deputados deverá votar até quarta-feira o projeto de lei que fixa regras gerais nas relações do Brasil com a FIFA, para a Copa do Mundo 2014.

         É a conhecida “Lei Geral da Copa”, cujo relator, deputado Vicente Cândido (PT-SP), já apresentou texto substitutivo. Se aprovado na Câmara, o documento vai ao Senado Federal, mas com previsão de voto só para março de 2012.

         Um dos especialistas no assunto, o jornalista Alexandre Guimarães, analisou o projeto substitutivo. Consultor legislativo do Senado Federal, onde trabalha com assuntos ligados ao esporte e turismo, Alexandre vê “um retrocesso” o fato de o relator propor venda de bebida alcoólica em estádios, contrariando o Estatuto do Torcedor. Confira:

Você fez uma análise rigorosa do Projeto de Lei da Copa e do substitutivo que deverá ser votado nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados. Qual a mudança mais significativa que observou entre o primeiro relatório, divulgado na sexta-feira, e o de agora?

Alexandre – algumas mudanças tornaram mais preciso o texto de alguns dispositivos, mas a grande piora foi a liberação da venda de bebidas alcoólicas por ambulantes nos Estádios, com certeza. Mudança que será feita também ao Estatuto do Torcedor, e isso é um retrocesso. Deveríamos, seguindo a própria idéia estabalecida no art. 30 item “i”, do Substitutivo, fazer uma campanha séria "Por um mundo sem armas, sem drogas e sem violência", mostrando ao mundo que no Brasil não utilizamos bebidas alcoólicas nos Estádios. Drogas lícitas ou ilícitas não combinam com esportes.

Porque a contrariedade?

Alexandre Sou totalmente contrário, e sou um apreciador de bebidas alcoólicas. Mas não é, por isso, que apoio que seja liberado mais pontos de vendas de bebidas, em especial, nos Estádios. O Brasil já passou por sérios problemas entre torcidas quando era liberado. Além do mais, como ficará o depois das partidas? A Lei Seca vai ser revogada também, ou vamos acreditar que todos os torcedores não dirigiram depois de beber? Bebidas não combinam com esporte.

Não lhe parece perigoso garantir visto de entrada no país a todos que adquirirem ingresso para os jogos, inclusive sem o pagamento de taxas?

Alexandre – Tenta-se melhorar o texto, criando-se alguns critérios, mas ainda é muito frouxo o texto. Perigosíssimo é, principalmente porque não vemos ações de segurança sendo desenvolvidas. Não estamos treinando nossos policiais para o combate ao terrorismo. E quanto à liberação de taxas, já fizemos muitas concessões para a FIFA. Escutei uma comparação muito boa esses dias: estamos abrindo nossa casa para a festa de casamento da filha de um amigo e pagando toda a festa!

A FIFA garantiu 300.000 ingressos para idosos e estudantes. Como no Mundial teremos 64 jogos, isso dá a média de 5.000 ingressos por jogo. Não é pouco?

Alexandre É menos de 10%. Além do mais, se o texto for aprovado como está, a justiça tem de se preparar para o tanto de ações para julgamento da inconstitucionalidade do dispositivo, liminares liberando pessoas usarem seu direito de meia entrada etc.

 Além da Lei Geral da Copa, em 2010 o governo já havia feito concessões à FIFA ao abrir mão de pagamentos de impostos, às entidades a ela agregadas. Qual a sua avaliação?

Alexandre Há um excesso de concessões e liberações para a FIFA. Não é à toa que seja uma das entidades mais ricas do mundo e esteja sempre envolvida em suspeitas de corrupção. Promover um evento em que só se tem lucro é o sonho de qualquer um, mas é uma realidade para a FIFA.

E sobre a liberação de bandeiras, propostas no relatório, mexendo na proibição estabelecida no Estatuto do Torcedor?

Alexandre – Acho que as pessoas esqueceram que foi por algum motivo sério que surgiu essa proibição. A violência nos Estádios só volta a ser incentivada. Todos sabem que, quanto maior a possibilidade de levar objetos aos estádios, que possam causar danos a outras pessoas, maiores também serão as chances de aumento da violência.

Por José da Cruz às 00h45

12/12/2011

Os megaeventos esportivos, os abusos públicos e o alerta popular

          O primeiro grande alerta extra-governamental sobre graves problemas que serão provocados com a realização da Copa do Mundo e Jogos Olímpicos no Brasil acaba de ser divulgado. É o “Dossiê da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa”

         Trata-se de um relato sintetizando dezenas de reuniões realizadas por representantes de entidades que analisaram os megaeventos esportivos no Brasil, sob o enfoque dos abusos e violações dos direitos humanos. Eles abordam questões como direito à moradia, ao trabalho, meio ambiente, mobilidade urbana, segurança, etc.

         A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e Olimpíada fala do “lado obscuro dos megaeventos”, como, por exemplo, 170 mil famílias que estão na iminência de perder o direito à moradia, para dar lugar às monumentais obras da Copa.

         Confira o relatório

Por José da Cruz às 18h48

A valiosa vaga olímpica brasileira

            Sobre o recente pedido de demissão de João Havelange do Comitê Olímpico Internacional e o limite de idades dos membros desse órgão, o advogado paulista Alberto Murray Neto, que conhece o assunto, enviou o seguinte e esclarecedor comentário:

           Todos os membros da Assembléia Geral do COI que entraram até 1965 são vitalícios. É o caso de João Havelange.

           Os que entraram até o final de 1999, devem sair aos 80 anos. Depois disso, têm que sair aos 70 anos.

           O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman é membro na quota destinada a 15 presidentes de Comitês Olímpicos Nacionais. Se ele sair do COB, sairá automaticamente do COI. E aos 70 anos tem que sair do Comitê Olímpico Internacional, ainda que seja presidente do COB. Havelange, não. A vaga era dele, pessoal e vitalícia.

Importante notar que as vagas não são de países. São de pessoas. Os membros são embaixadores do Olimpismo em seus respectivos países. É o inverso da ONU.

          Provavelmente algum brasileiro será escolhido novo membro do COI, daqui a algum tempo. O Brasil é sede Olímpica e não seria correto não ter um brasileiro no Comitê.

Por José da Cruz às 07h19

11/12/2011

Exemplo popular na 2ª Corrida Venceremos a Corrupção

         O maranhense José Rodrigues dos Santos Júnior foi muito feliz ao simbolizar em protesto solidário sua chegada na 2ª Corrida Venceremos a Corrupção, hoje de manhã, em Brasília.

         Aos 24 anos, ele era o mais preparado para vencer a prova, com pouco mais de 31 minutos, no circuito de 10km, com largada e chegada na Esplanada dos Ministérios.

         Porém, Júnior decidiu acompanhar o ritmo de seus amigos e companheiros de treino, Paulo César e José Lima. Correram juntos todo o percurso, e foi assim, de mãos dadas e erguidas, que os três cruzaram a linha final da prova, que teve 1.200 participantes.

Exemplo

         “A melhor forma de simbolizar a luta contra a corrupção é a união”, resumiu José Júnior, orgulhoso de ter dado a sua contribuição ao movimento pacífico contra os ladrões do dinheiro público.

Ausência

         Ao contrário de 2010, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, não compareceu, nem para a prova de 10km nem para a de 4km nem para a caminhada, mais uma vez prestigiada pelo ex-jogador de basquete, Pipoka.

         Corredor de fim de semana, Agnelo participa da maioria das provas na cidade. Agora, na contra-mão do apelo da corrida de hoje – de combate à corrupção – ele não deu as caras, neste domingo de chuva em Brasília.

         Investigado pela Polícia Federal por denúncias de irregularidades praticadas quando ainda era ministro do Esporte, agora Agnelo corre da Polícia, no bom sentido, claro, porque ele jura que não há nada que o incrimine.

         E eu acredito, com certeza, mas a Justiça que decida a parada.

Comemoração

         Comemorativa ao Dia Internacional Contra a Corrupção, que ocorreu dia 9 de dezembro, a corrida e caminhada são trabalhos voluntários de profissionais da área de fiscalização e controle a cargo do Poder Público, ligados a entidades representativas de classe:

União dos Auditores Federais e de Controle Externo (Auditar), Associação Contas Abertas, Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do TCU (Sindilegis). Para saber mais, aqui

Livro

         A chegada da corrida foi em frente ao prédio do Congresso Nacional, onde ocorrem alguns dos maiores escândalos envolvendo desvio de recursos públicos do país.

         Sobre isso, volto a sugerir a leitura do livro do companheiro Lúcio Vaz – “A ética da malandragem”, que ele escreveu a partir das reportagens que fez ao longo de sua carreira, contando sobre o desvio de muita grana, envolvendo nomes públicos e famosos da República.

        

         Depois de longo período no Correio Braziliense, Lúcio está de volta à Folha de S.Paulo. E anuncia para fevereiro o lançamento de mais uma publicação, também revelando os últimos casos de corrupção no país, que ele cobriu.

Por José da Cruz às 12h11

10/12/2011

A próspera família de Agnelo

Na revista IstoÉ 

         O repórter Cláudio Dantas Sequeira publica reportagem na revista IstoÉ, com base em investigações da Policia Federal.

         A reportagem começa assim:

         O inquérito que apura o envolvimento do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, num esquema de desvio de verbas do Ministério do Esporte deverá atingir também sua família.

         A Polícia Federal e o Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) do Ministério Público do DF investigam o aumento vertiginoso do patrimônio da mãe, dos irmãos e até de um sobrinho de Agnelo.

         Delegados e procuradores querem entender como a família do governador, que sempre fez questão de enfatizar sua origem humilde, passou a ostentar em apenas três anos mais de R$ 10 milhões em bens.

         O texto completo está aqui       

Por José da Cruz às 13h14

2ª Corrida e Caminhada Venceremos a Corrupção

         A entrega dos kits aos inscritos na 2ª Corrida e Caminhada Venceremos a Corrupção será neste sábado, das 9h às 18h, em frente ao Congresso Nacional, local da largada da prova, amanhã.

         A corrida, no domingo, terá dois percursos: 4km e 10km.  E os indignados com a corrupção, mas que ainda não tem preparo físico para a corrida, poderão participar deste “protesto pacífico” na caminhada  recreativa de 1,1km.

         O local desses eventos é o Centro do poder da República, a Esplanada dos Ministérios, em cuja área final situa-se a Praça dos Três Poderes: Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto, sede do Governo.  

Livro

         A chegada será em frente ao majestoso prédio do Congresso, arte de Oscar Niemeyer, mas palco dos maiores escândalos envolvendo desvio de recursos públicos do país. Foi com base em muitos desses episódios que o jornalista Lúcio Vaz escreveu o livro “A ética da malandragem”. Lúcio, ex-Correio Braziliense, hoje na Folha de S.Paulo, redigiu ótimo texto a partir de fatos reais de corrupções, entre deputados e senadores, mostrando como são as armações de abusadas excelências...

Atores e sarau

         Atriz da TV Globo, Suzana Pires – a jornalista Marcela, na novela Fina Estampa – e o ator Marcelo Novaes serão estrelas da classe artística no programa de manifesto contra a corrupção. Bem-vindos a Brasília.

        

         Neste sábado, das 19h às 22h, jovens  que promoveram a marcha contra a corrupção em Brasília, a primeira, no dia7 de Setembro, com 25 mil participantes, estarão no local da largada da prova realizando um “sarau democrático”, com boa música e poesias. Painéis vão exibir fotografias das marchas já realizadas.

         Comemorativa ao Dia Internacional Contra a Corrupção, que ocorreu  dia 9 de dezembro, a corrida e caminhada são trabalhos voluntáriso de profissionais da área de fiscalização e controle a cargo do Poder Público, ligados a entidades representativas de classe:

        União dos Auditores Federais e de Controle Externo (Auditar), Associação Contas Abertas, Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do TCU (Sindilegis).

 Para saber mais: http://www.venceremosacorrupcao.com.br/sobre.php

Por José da Cruz às 09h11

09/12/2011

Ministério do Esporte: ação entre amigos

        O novo secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luís Fernandes, nomeado esta semana pelo ministro Aldo Rebelo, é ex-diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE) e integra o Comitê Central do PCdoB. Perfil perfeito para o cargo. A UNE é a instituição que na era Orlando Silva teve alguns de seus ex-dirigentes ocupando os principais cargos na casa. Espécie de loteamento institucional.

        Luis assumiu no lugar de Paula Pini, do Banco Mundial. Anunciada como nova secretária-executiva, ela agradeceu e não aceitou a proposta de Aldo Rebelo, depois de conhecer as limitações para o trabalho profissional que realizaria, como liberdade para escolher seus assessores.

Quem é?

        Graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos e com mestrado e doutorado, Luis Fernandes já ocupou a secretaria-executiva do Ministério da Ciência e Tecnologia e a presidência da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

        Porém, por mais competência e experiência técnicas do novo secretário, o vínculo de Luís Fernandes com o PCdoB será decisivo, principalmente, para poupar correligionários que atuam no Ministério do Esporte, suspeitos de grossa corrupção.

        Com isso, a expectativa de faxina que se esperava do ministro Aldo Rebelo transformou-se numa limpeza superficial, representada por uma legítima ação entre amigos.

        Assim, tenham certeza, não vai! E o ministro Aldo Rebelo fica sem motivo para comemorar neste Dia Mundial de Combate à Corrupção. Bem ao contrário do que dele se esperava.       

Por José da Cruz às 20h31

Copa 2014: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço

Por Alexandre Guimarães 

         A Copa do Mundo no Brasil já pode ser aclamada como a mais controversa de todos os tempos. Agora, a discussão surge com relação ao Projeto de Lei nº 2.330/2011, a chamada Lei Geral da Copa, cujo relatório apresentado pelo Deputado Vicente Cândido (PT-SP) deve ser votado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados no próximo dia 13.

         O Substitutivo apresentado traz entre avanços e regressos dois pontos que chamam atenção por serem, pelo menos, contraditórios.

         Primeiramente, com louvor, acrescenta-se um Capítulo que trata de “Campanhas Sociais nas Competições”; e o art. 30, inciso I, pretende que seja divulgada uma campanha com o tema social “Por um mundo sem armas, sem drogas e sem violência”, bela iniciativa, mas estranhamente contraditada por outros dispositivos acrescentados na proposição.

Bebidas

         No texto, o artigo anterior (art. 29) tira qualquer dúvida sobre a permissão da venda e do consumo de bebidas alcoólicas nos Estádios durante a Copa das Confederações 2013 e a Copa do Mundo 2014, ela passa a ser permitida livremente “em bares, restaurantes ou estabelecimentos similares nos locais dos eventos”.

         Alguém pode argumentar que não há problema, é apenas para essas competições, para satisfazer a sede dos turistas que em seus países estão acostumados com a bebida nos Estádios. Argumento falacioso, porém bastante utilizado nos últimos dias.

         Ademais, muito melhor do que expor que uma dos patrocinadores das competições é uma das mais vendidas cervejas do mundo.

         No entanto, não é só isso. Para que não haja a discriminação com as demais competições nacionais, o Substitutivo do projeto de lei propõe um passo atrás na questão das bebidas alcoólicas: em seu art. 34, acrescenta um art. (13-B) ao Estatuto do Torcedor, passando a permitir o mesmo para as competições nacionais.

         Por que retroceder? O álcool não é droga? Sou consumidor de bebidas alcoólicas e fumante. Aprendi que ambas são drogas lícitas, mas não deixam de ser drogas.

         Pesquisas nacionais e internacionais mostram que álcool e cigarros estão ligados e estes são portas de entrada ao uso de outras drogas ilícitas. No Brasil, segundo pesquisas, cerca de 52% dos brasileiros com mais de 13 anos (isso mesmo, desde os menores!) que ingerem bebidas alcoólicas também fumam.

         A Organização Mundial de Saúde diz que cerca de 2,5 milhões de pessoas morrem vítimas do álcool no mundo todos os anos.

         No mundo atual, não se compreende que ainda haja competições esportivas que tenham por patrocinadores bebidas alcoólicas ou marcas de cigarro, tanto que estes já foram abolidos de todas, até da tradição da Fórmula 1, onde vimos nossos mitos serem campeões em carros que eram cópias de embalagens de tradicionais cigarros.

         Ou o mundo está se conscientizando de que não se deve mais fazer publicidade, ainda que implícita, de drogas (mesmo das lícitas) ou o lobby das cervejarias é melhor do que o lobby do tabaco!

         Como já disse, sou apreciador de bebidas alcoólicas e fumo charutos (sei dos males que me faz e sou contra o incentivo a que mais pessoas bebam e fumem!); no entanto, amo futebol e estar em presente nos jogos! Nada melhor do que a vibração da torcida no Estádio! E, nos últimos anos, aprendi, como os demais torcedores, que posso torcer sem estar alcoolizado!

         Não vi nenhum torcedor morrer pela abstinência do álcool durante uma partida de futebol, mas vi diminuir substancialmente confusões e violência nos estádios. Será que há alguma relação com os avanços que o Estatuto do Torcedor trouxe ao futebol nacional?

 

Alexandre Guimarães é jornalista e Consultor Legislativo do Senado Federal das áreas do Esporte e Turismo

Por José da Cruz às 17h58

O esporte e o Dia Internacional de Combate à Corrupção

       Hoje é o Dia Internacional de Combate á Corrupção. O Brasil na festa, claro.

       Matéria prima corrente deste blog, lembro a data transcrevendo a mensagem que recebi de um leitor, Gabriel.

       Ele se refere à expectativa de mudanças no Ministério do Esporte, a partir da chegada do ministro Aldo Rebelo, depois que o órgão se envolveu em enorme crise, culminando com a saída do então ministro Orlando Silva.

       Veio o deputado Aldo Rebelo, experiente político, com a missão de devolver ao ministério e ao seu partido, o PCdoB, a respeitabilidade perdidas pelas denúncias de corrupção. Além da missão de recuperar a credibilidade institucionais.

       Quase dois meses depois, as mudanças não vieram, e isso é péssimo.

       O resumo de tudo isso está na mensagem de Gabriel, que publiquei no espaço específico dos leitores, mas, agora, para lembrar o Dia Internacional de Combate à Corrupção, divulgo no espaço principal do blog.

       Gabriel se refere a Paula Pini, funcionária do Banco Mundial, anunciada por Aldo Rebelo para a Secretaria Executiva do Ministério do Esporte, mas que desistiu antes de assumir.

       Confiram:

       Paula Pini veio a Brasília e aqui ficou por alguns dias. Inclusive, teve reuniões diretas com seus futuros comandados, a cúpula do Ministério onde foi apresentado quais eram todos os programas da pasta e como a máquina funcionava.

       Paula descobriu o tamanho da confusão;  descobriu uma estrutura mal elaborada, onde propicia o desperdício de dinheiro público e a corrupção como:    

       a) quadro de funcionários públicos federais defasado e insuficiente;

       b) quadro de funcionários terceirizados;

       c) consultorias em abundância, tudo em boa parte contratado sem licitação, com salários enormes se sobrepondo aos pagos pelo setor público, tudo indicado pelo partido.

       d) estrutura organizacional absurda, que leva ter dois ministérios um dentro do outro, porque existem setores em duplicidade, como a ASCOM (Assessoria de Comunicação) que tem uma estrutura de jornalistas oficiais, do quadro do governo, com salários de três mil reais, que entram por concurso, e a estrutura de uma empresa contratada com jornalistas ganhando até quinze mil mensais, indicados pelos amigos."

Meu comentário:

       Acredito que o autor da mensagem seja funcionário do Ministério do Esporte, pois dá detalhes específicos do órgão que, refletem a realidade.

       Sobre a questão da Assessoria de Comunicação:

       De fato, na gestão do então ministro Orlando Silva foi contratada a FSB, por licitação. Por sinal, anunciei com três meses de antecedência que a FSB venceria a disputa. Venceu.

       Porém, discordo de Gabriel no que diz respeito “à indicação de jornalistas por amigos”.

       Conheço boa parte dos que lá estão trabalhando e posso garantir que são profissionais de primeira linha. Sérios e idôneos, prestando serviço de qualidade, com presteza e, principalmente, ajudando o gabinete de Aldo Rebelo a recuperar a imagem do órgão junto à imprensa em geral. Disso sou testemunha.

       De resto, lamento mesmo que a estrutura montada por Orlando Silva, que provocou a série de denúncias de corrupção – muitas já comprovadas pela Controladoria Geral da União – não tenha sido desmantelada.

       Por isso, o segmento esportivo em nível governamental ainda não tem muito a comemorar neste Dia Internacional de Combate à Corrupção.

       Por enquanto, só boas intenções, pequenas mudanças e discurso. Falta ação decisiva, efetiva.

Por José da Cruz às 11h56

08/12/2011

O lado criminoso do futebol e a omissão oficial

      

            O seminário sobre a lavagem de dinheiro no futebol, hoje encerrado no Ministério da Justiça, em Brasília, foi uma oportuna aula de atualização sobre como este esporte, de paixões e emoções, esconde o fortalecimento do crime muito bem organizado.         

         E, apesar das instituições oficiais disponíveis, o governo está distante do combate a essas ações, tornando o Brasil um dos paraísos dos agentes do crime financeiro internacional.

         “Uma cifra negra domina o futebol mundial com elevados índices de criminalidade, num esquema que legaliza ativos", disse Arthur Lemos Junior, promotor de Justiça em São Paulo, um dos especialistas no tema e palestrante do seminário.

         “O mundo do futebol, subsidiado por verbas públicas, é um mercado fechado à fiscalização governamental. Um mundo autônomo, inacessível “, afirmou Ricardo Andrde Saadi, diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional.

Pior:

         Não há clareza na fiscalização, a legislação é insuficiente para enfrentar a realidade, a justiça demora e contribui para tornar casos insolúveis. Assim, muitas transações de jogadores para o exterior são feitas na clandestinidade.

         O Ministério do Esporte, por exemplo, que dispõe de um Conselho Nacional, também para propor ações de combate à lavagem de dinheiro no setor, se omite oficialmente, pois nunca discutiu este assunto. Vergonha!

         Em 2007, mais de mil jogadores de futebol se transferiram para o exterior, segundo a CBF. Porém, apenas a metade das transações foi registrada no Banco Central. As suspeitas são de que boa parte desses negócios não se realizou, e os registros na CBF são disfarces que envolvem recursos da lavagem de dinheiro.

         O mais famoso episódio no Brasil foi o envolvimento em 2007 da direção do Corinthians com a máfia da empresa MSI, liderada pelo russo Boris Berezovsky, com o iraniano Kia Joorabchian atuando como laranja.

         A dupla operou livre e impunemente no Brasil, com transações de US$ 32,5 milhões. O processo esta sem solução da Justiça de primeiro grau.

Omisão
         "O futebol é vulnerável aos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas e tráfico de jovens, principalmente de países e famílias pobres," disse Brigitta Maria Jacoba Slot, consultora do Banco Mundial no tema “lavagem de dinheiro”.

         Brigitta foi a principal palestrante do seminário. Ela é autora do primeiro e único relatório mundial sobre o assunto, “A lavagem do dinheiro através do futebol”.

         Para esse esquema internacional, contribuem corruptos donos de clubes, a vulnerabilidade dos países pobres que buscam no futebol uma forma de ganhar visibilidade, a exploração de jogadores e apostas em casas especializadas.

         Os investidores interessados em lavar dinheiro, segundo Brigitta, se aproximam de clubes com má gestão e endividados. Com ofertas de boas somas, tornam-se parceiros para consolidar a fraude. A partir daí, com o apelo das emoções que o futebol oferece, os dirigentes ganham prestígio social até se aproximarem dos poderes constituídos.

         No Brasil isso se verifica, por exemplo, com cartolas se elegendo deputados ou senadores. Uma vez no Legislativo, ganham imunidade e influenciam no rumo da legislação que interessa e fortalece esse mundo obscuro.   

         O seminário em Brasília foi uma iniciativa da Enccla (Estratégia Nacional de Combate à corrupção e à Lavagem de Dinheiro).

Realidade

         As informações que autoridades de vários setores do governo trouxeram ao seminário, não são novidades. Em 2001, as CPIs do Futebol, no Senado, e da CBF Nike, na Câmara dos Deputados, identificaram a lavagem de dinheiro de vários clubes e federações, evasão de divisas, sonegações fiscais e tráfico de menores para o exterior. Não houve uma só punição.

         Uma legislação foi proposta, que levou 10 anos para ser votada. É a “nova Lei Pelé”, recentemente aprovada no Congresso Nacional e sancionada pela presidente Dilma Rousseff. Porém, totalmente retalhada da proposta original, não tem um só artigo para combater o crime organizado da lavagem de dinheiro no esporte.

         Banco Central, Polícia Federal, Ministério Público, Promotorias, Ministério da Justiça, Tribunal de Contas da União, enfim, são organismos capacitados para agir contra este mundo obscuro.

         Porém, a ação de seus agentes enfrenta limitações diante do poder e do apelo “emotivo” do futebol, da legislação inadequada e insuficiente, e até das decisões judiciais em favor de réus.

         Assim, como é que vai?

Por José da Cruz às 17h47

07/12/2011

Estádio Mané Garrincha ficará pronto depois da Copa das Confederações

            O Governo do Distrito Federal (GDF) pisou na bola mais uma vez e já demonstra que o cronograma das obras do novo estádio Mané Garrincha não é a maravilha que anunciam na propaganda oficial.

         Um ofício da Novacap –  órgão do GDF que acompanha a execução da obra –  ao Tribunal de Contas da União informa que o estádio será concluído só em julho de 2013.

         Ou seja, 15 dias depois da abertura da Copa das Confederações, marcada pela Fifa para 15 de junho de 2013, justamente para o estádio Mané Garrincha.

         O documento com esta previsão oficial consta do último relatório do TCU, aprovado quarta-feira passada, e diz o seguinte:

         "O 2º Balanço da Copa 2011 do Ministério do Esporte, publicado em setembro de 2011 e disponível no sítio eletrônico www.esporte.gov.br em 5/10/2011, registra que a conclusão dessa obra será em dezembro de 2012, mas o próprio governo local, por meio do ofício nº 1766/2011 da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (peça 75), afirma que a previsão de término é julho de 2013."

         Entenderam? Não estou falando de “me disseram”, “contaram”, “parece que...”. Nada disso! O documento existe e está num relatório oficial do principal órgão fiscalizador das obras da Copa 2014.

Datas

         O comunicado da Novacap ao TCU é de 28 de setembro, desmentindo, assim, a previsão do governador Agnelo Queiros.     Duas semanas antes, o governador afirmara em entrevista coletiva que o estádio seria inaugurado em 31 de dezembro de 2012, às 11 horas.

         Além de ser um típico caso de péssima comunicação entre órgãos do mesmo governo, fica claro que alguém mente diante de uma situação muito séria, pois os compromissos são de Estado,  assumidos junto à rigorosa FIFA.

Sugestão
         Na próxima inspeção que fizerem em Brasília, sugiro que as autoridades da FIFA realizem duas visitas: ao GDF e à Novacap, para conhecerem as previsões de cada um. E, na dúvida, que perguntem ao ministro Valmir Campelo, do TCU.

Por José da Cruz às 18h32

Ministério do Esporte: desfalque na cúpula

         Um mês e uma semana depois que assumiu o cargo, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ainda não fez a “varredura” que se esperava, para recuperar de todo a credibilidade do órgão, onde se acumulam graves denúncias de corrupção, sob investigação policial.

        A liderança de Aldo na pasta é um indicativo de que a conversa é outra. Mas não é tudo, pois continua o aparelhamento deixado por seu antecessor, Orlando Silva, principalmente nos setores responsáveis por liberações de recursos.  

        Enquanto isso, a economista Paula Pini, funcionária do Banco Mundial, desistiu de ocupar a secretaria executiva.

        Depois de passar uma semana em Brasília e conhecer seu possível local de trabalho, ela agradeceu ao ministro, alegou “questões pessoais” e foi embora.

        Para o seu lugar virá Luís Fernandes, graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Georgetow (EUA), com mestrado e doutorado.

        Luís Fernandes tem experiência no cargo: foi secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia e presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), de 2007 a 2011.

Faxina

        Até agora, a única demissão de peso da gestão anterior foi a de Wadson Mathaniel Ribeiro, que era o secretário de Esporte, Educação e Lazer.

        No seu lugar assumiu o vice-almirante Afonso Barbosa, que terá o programa Segundo Tempo sob o seu comando, justamente o que provocou denúncias de corrupção e queda de Orlando Silva.

        Já o ex-secretário executivo da pasta, Waldemar de Souza, que era o imediato de Orlando Silva, continuará no ministério, agora como “assessor especial” de Aldo Rebelo

Desfalque

        A desistência de Paula desfalca o time técnico que Aldo Rebelo queria formar e enfraquece o diálogo internacional, diante dos compromissos dos megaeventos que estão chegando.

        Técnica por excelência, Paula Pini deve ter observado que trabalharia num órgão altamente político, com boa parte de funcionários indicados por interesse partidário, que costumam ser preservados nas mudanças de chefia.

        É oportuno lembrar que o último secretário-executivo sem vínculo partidário no Ministério do Esporte foi Gil Castello Branco, na gestão do ex-ministro Agnelo Queiroz, hoje governador do Distrito Federal, pelo PT.

        Gil foi para o cargo – o segundo na hierarquia ministerial – por competência técnica e por ser amigo íntimo de Agnelo, com o qual trabalhou muitos anos na Câmara dos Deputados.

        Porém, a pressão do PCdoB – de Orlando Silva, principalmente, fizeram com que Gil pedisse para sair, nove meses depois da posse. Agnelo não honrou a fidelidade de amizade, gesto que repetiu com outros assessores.

        A disputa entre técnicos e políticos ainda é um dos graves problemas na Esplanada dos Ministérios, e fortíssima influência partidária sobre os ministros para a colocação de apadrinhados em cargos altamente valorizados, contribui para o enfraquecimento do órgão e a conseqüente perda de credibilidade.   

Por José da Cruz às 07h58

O Comitê Olímpico Internacional e a vaga do Brasil

          Quando completar 70 anos, em 2012, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman terá que deixar a cadeira que ocupa no Comitê Olímpico Internacional.

         E quem será o seu substituto? O advogado Alberto Murray Neto faz uma análise de alguns nomes, mas defende, ao final, que o Brasil estaria muito bem representado por Torben ou Lars Grael.

         Confirma o artigo de Murray Neto, em seu blog

                http://albertomurray.wordpress.com/              

Por José da Cruz às 05h34

06/12/2011

Justiça debate sobre lavagem de dinheiro no futebol

         Enquanto os bastidores do futebol fervem lá fora, com a FIFA ameaçando denunciar o decano do esporte mundial, João Havelange, por aqui o Ministério da Justiça abre o debate sobre um dos temas mais polêmicos do esporte: “lavagem de dinheiro no futebol”.

         Especialista neste assunto e consultora do Banco Mundial, Brigitte Slot, apresentará um relatório nesta quarta-feira, às 9h, no Ministério da Justiça.

         PhD em Economia, Brigitte, vinda da Holanda, abrirá o seminário programado pela Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro.

         O seminário será coordenado pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, da Secretaria de Justiça do ministério. Nos debates estarão Fausto Martin de Sanctis, desembargador federal do TRF da 3ª Região, que já foi juiz federal da Vara especializada em crimes financeiros, em São Paulo.

         Geraldo Magela Siqueira, da Gerência Normativa de Câmbio e Capitais Internacionais do Banco Central do Brasil também será debatedor.

Oportuno

         O assunto é oportuníssimo. Há muitos anos se fala – as CPIs do Futebol e da CBF Nike constataram – que o futebol é atividade que contribui para enriquecimento ilícito, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

         Mas lá se vão 10 anos daquelas investigações da Câmara e do Senado Federal...

         Agora, autoridades nacionais e estrangeira vão apresentar relatos oficiais sobre o tema, quem sabe ponto de partida para que o torcedor em geral comece a conhecer sobre os podres que o jogo da bola esconde.

Por José da Cruz às 19h06

A visão "simplista" do esporte

       O leitor Izaias comentou o artigo do jornalista Walter Guimarães, aqui publicado, sobre os quatro estádios para a Copa 2014, com aproveitamento duvidoso no pós-evento.

Disse Izaias:

       “Mais uma vez leio uma análise simplista em seu blog ... se fosse desse jeito a Copa do Mundo deveria ser só no RJ, SP, Minas quem sabe na Bahia ou em Recife, e o RESTANTE do país continuaria no subdesenvolvimento.”

Explicação

       Não se trata de defender este ou aquele estado, mas da oportunidade de se construir obras com utilidade para uma semana, 10 dias no máximo, e depois se tornarem imprestáveis.

       As instalações do Pan 2007, quatro anos sem uso por equipes ou população, não são exemplos recentes, reais e tristes dos desmandos do poder público-olímpico?

       A escolha das sedes da Copa foi uma decisão – uma jogada, para usar a expressão correta – do então presidente Lula, contemplando estados e candidatos de interesse do Planalto.

       Como explicar construir estádios onde o futebol agoniza, há anos, como Brasília, por exemplo? Ou Manaus, Cuiabá, enfim?

Prioridades

       Mas se faz isso por decisões políticas e em detrimento de prioridades da população, como a área de saúde.

       A capital da República tem uma população extremamente carente de atendimento médico por falta de recursos. Mas aqui se constrói um estádio, com impressionante empenho, de mais de R$ 1 bilhão para receber “sete”!!!! jogos – exultam os que esbanjam, e disso se orgulham.

Simplicidades

       A análise da qual Izaias reclama não é simplista.

       Simplista são tais visões, como a dele ou a de Ronaldo, que em sua primeira manifestação oficial como homem forte de Ricardo Teixeira – e bota forte nisso... –, alertou que uma Copa do Mundo “não se faz com hospitais, mas estádios.”

       Quanta sabedoria, como se fôssemos ignorantes nesta questão!

       Talvez Izaias, como Ronaldo, esteja coberto por valiosos planos de saúde que os afasta do suplício e da porta da morte do serviço de saúde pública.

       Isso sim, Izaias, é “subdesenvolvimento”. Na saúde pública, lamentavelmente, a população ainda vive no submundo da miséria e vítima do desrespeito do gestor político.

       Portanto, o que se discute neste espaço é a forma como os megaeventos foram assumidos, sem responsabilidade – repito, os gestores públicos e civis foram irresponsáveis –, sem planejamento, sem previsão de aproveitamento das dezenas de arenas que se constrói Brasil afora e no Rio de Janeiro, em particular, para os Jogos 2016; sem planos, programas ou políticas públicas para a população jovem usar estas áreas. Não temos isso porque não temos diálogo entre os segmentos que, espertamente, tocam as obras. É aí que mora o perigo, Izaias, pois com essa visão “simplista”, facilitas a ação corrupta dos que nos exploram, há anos, a pretexto de que estão trabalhando “pelo bem do esporte”.

Por José da Cruz às 15h24

Lei Geral da Copa: relatório sai hoje

         O relator da comissão especial que discute a Lei Geral da Copa (PL 2330/11, do Executivo), deputado Vicente Cândido (PT-SP), vai apresentar seu parecer nesta terça-feira, às 14h30, no Plenário 9. A previsão é de que o colegiado vote o relatório na quinta-feira, dia 8.

         Leia a notícia completa da Agência Câmara

Por José da Cruz às 07h51

05/12/2011

Desporto escolar: "O Estado foi omisso", afirma Aldo Rebelo

            O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, reconheceu publicamente que o Estado foi omisso no planejamento e execução de políticas para o desporto escolar.

            “Temos que nos preocupar com o esporte escolar. O Estado foi omisso nessa área. As escolas do Nordeste, por exemplo, não contam com nenhuma infraestrutura para a prática desportiva. As Olimpíadas nos fazem pensar nessa situação e tentar corrigi-la por meio de uma política definida.”

             A manifestação foi num seminário realizado hoje no Rio de Janeiro, conforme a notícia a seguir.             

            

Ministério do Esporte

Da Assessoria de Imprensa

           

            Rio – O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, participou na manhã desta segunda-feira (05.12), no Rio de Janeiro, do 5º Seminário “Rio Cidade Sede – Não é para os atletas que as Olimpíadas já começaram”, realizado pelos jornais O Globo e Extra, no Centro de Convenções da Bolsa de Valores. Sob o tema “O papel do governo federal no orçamento dos Jogos”, o ministro abriu o evento com uma palestra em que detalhou as ações para garantir o sucesso da competição e o legado para a sociedade.

          Segundo o ministro, as Olimpíadas são oportunidade para valorizar o esporte como fundamento do desenvolvimento social e humano. “O principal legado é a permanência, a continuidade. Devemos ampliar os horizontes do esporte e consolidá-lo na mentalidade do povo brasileiro, além de garantir melhorias na infraestrutura da cidade, do estado e do pa ís.”

          Aldo Rebelo destacou as ações do ministério para estruturar e financiar modalidades esportivas, como o Bolsa-Atleta, a Lei de Incentivo ao Esporte e a Lei Agnelo/Piva: “O Bolsa-Atleta é o maior programa do mundo de patrocínio individual de atletas. A presidenta Dilma Rousseff nos orienta para ampliar o alcance, com o objetivo de transformar o Brasil numa potência olímpica”.

Esporte escolar
          O ministro destacou que a participação do poder público nos Jogos Rio 2016 não se limita aos R$ 23,2 bilhões previstos no orçamento da competição, relativos ao planejamento e à execução de obras e serviços. “Temos que nos preocupar com o esporte escolar. O Estado foi omisso nessa área. As escolas do Nordeste, por exemplo, não contam com nenhuma infraestrutura para a prática desportiva. As Olimpíadas nos fazem pensar nessa situação e tentar corrigi-la por meio de uma política definida.”

          De acordo com Rebelo, o sucesso dos Jogos Rio 2016 depende do esforço de cooperação entre município, estado e União: “Para isso foi criada a Autoridade Pública Olímpica (APO), um consórcio diferenciado, que tem a experiência e a inteligência de Márcio Fortes em seu comando”. O ministro ressaltou a importância da medida tomada pela presidenta Dilma no mês passado, que transferiu a coordenação da APO do Ministério do Planejamento para o Esporte. “Após uma fase de estruturação do órgão, é natural que o processo de execução fique a cargo do Ministério do Esporte.”

          Aldo Rebelo apontou como outra importante ação do governo federal a criação da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), no último dia 30 de novembro: “O Brasil demonstra com firmeza que está investindo no esporte limpo”.

Integração
          Aldo Rebelo avaliou o impacto econômico dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, que extrapola o Rio de Janeiro: “Um estudo da Fundação Instituto de Administração (FIA) aponta efeitos positivos sobre 55 setores da economia, no município, no estado e no país. Estive em Vitória há alguns dias e vi que o Espírito Santo se prepara para também participar das Olimpíadas. Temos já instalados ou em preparação vários centros olímpicos, do Amazonas ao Rio Grande do Sul.”

          Para reforçar a necessidade de integração, o ministro lembrou convênio assinado na semana passada entre o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o Exército para a preparação de atletas brasileiros visando aos Jogos de 2016: “Temos de aproveitar a cultura, a inteligência e a infraestrutura esportiva das Forças Armadas. O mesmo se aplica às universidades, que atualizam o estado da arte e a prática da educação física”.

Meio ambiente
          Também participaram do seminário desta segunda-feira o diretor de Sustentabilidade dos Jogos Olímpicos Londres 2012, Dan Epstein, o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcio Fortes, a presidente da Empresa Olímpica Municipal, Maria Sílvia Bastos Marques, e o diretor-geral do Comitê Organizador Rio 2016, Leonardo Gryner.

          Epstein defendeu o investimento em ações de preservação ambiental no planejamento orçamentário das Olimpíadas. Fortes, Maria Síliva e Gryner debateram a “Responsabilidade na construção e gestão do planejamento orçamentário dos Jogos Rio 2012”.

Por José da Cruz às 21h42

04/12/2011

Os elefantes estão chegando...

            O jornalista Walter Guimarães faz mais uma análise sobre os quatro mais polêmicos estádios da Copa 2014, agora com base em dados finais e oficiais dos campeonatos brasileiros.  Sobre isso, mas sem cintar o nome dos estádios ou das capitais, o Tribunal de Contas da União já alertou, em um de seus relatórios, que estamos diante de “elefantes brancos”, isto é, obras com serventia apenas o Mundial de Futebol. E ninguém age para conter este abuso dos poderosos que ajuda a empobrecer os cofres públicos.

Três mamutes e um elefante – I

 

Por Walter Guimarães

 

            Com o encerramento das séries B, C e D do Campeonato Brasileiro é possível análisar os públicos das partidas em três estados e no Distrito Federal, previamente definidos como futuros proprietários de estádios fantasmas.

            Esta análise se baseia apenas nos jogos disputados em campeonatos nacionais, ou seja, no período de maio a dezembro.  Vale lembrar que, no debate das cidades-sede, muito se falou da possibilidade de times de tais capitais galgarem espaço no futebol nacional. Neste ano, apenas o Rio Grande do Norte teve um time na série B, no caso o ABC de Natal, todos os demais jogaram as séries C e D.

Amazonas

            Times na Série C: nenhum

            Times na Série D: Nacional (Manaus) e Penarol (Itacoatiara)

            Total de partidas: 9

            Total de público no AM: 5.287

            Média do estado: 678

            Total de público em Manaus: 1.986 (4 jogos)

            % de todo o público de Manaus em relação à capacidade da Arena Amazonas:

            4,1%

            Média por jogo em Manaus: 497 pessoas

            % da média de Manaus em relação a capacidade da Arena Amazonas: 1,0%

Análise:

            O maior público do Nacional, time da capital amazonense, foi de 905 pagantes, no jogo contra o Vila Aurora-MT. Mesmo nas duas partidas envolvendo os times do estado, o público médio não passou de 911 “testemunhas”. Neste ano, o Penarol passou para a segunda fase da série D, quando foi eliminado pelo Independente-PA. O público da partida decisiva foi de 813 torcedores. Ou seja, nada demonstra que a médio, ou mesmo a longo prazo, o estado venha a ter uma equipe com capacidade de preencher ao menos a metade da capacidade da Arena Amazonas. Mamute Albino com certeza !!!

Distrito Federal

            Time na Série C: Brasiliense

            Times na Série D: Gama e Formosa

            Total de partidas: 15          

            Total de público: 23.977

            % de todo o público do DF em relação a capacidade do Mané Garrincha: 33,8%

            Média do DF: 1.598

            % da média do DF em relação a capacidade do Mané Garrincha: 2,3%

Análise

            O Distrito Federal é um caso a parte. Não há qualquer time que represente a cidade de Brasília de fato, mas apenas times das, antigamente chamadas, cidades-satélite. Faço esta distinção, pois as equipes que poderiam mandar jogos no novo Mané Garrincha seriam o Brasília e o Legião FC, este que deve disputar novamente a 1ª divisão distrital no ano que vem. No Candangão-2011, o Brasília teve a média de 386 pagantes, nos jogos como mandante, e também vale lembrar que o time só disputou a série D de 2010 porque nenhuma equipe de Goiás se dispôs a fazê-lo. Mesmo assim, os “tradicionais” Gama e Brasiliense, este pela série C, e mais o Formosa, representante de uma cidade goiana, só conseguiram levar 24 mil torcedores, somados todos os 15 jogos disputados, o que equivale a um terço do estádio que está sendo construído com capacidade para 75 mil pessoas. Outro Mamute Albino !!!

Continua...

Por José da Cruz às 23h01

Três mamutes e um elefante - II

Por Walter Guimarães

 

Mato Grosso

            Time na Série C: Luverdense (Lucas do Rio Verde)

            Times na Série D: Cuiabá (Cuiabá) e Vila Aurora (Rondonópolis)

            Total de partidas: 17

            Total de público: 11.226

            Média do estado: 660

            Total de público em Cuiabá: 2.763 (7 jogos)

            % de todo o público de Cuiabá em relação a capacidade da Arena Pantanal: 6,5%

            Média em Cuiabá: 395

            % da média de Cuiabá em relação a capacidade da Arena Pantanal: 0,9%

Análise

            O que chama atenção com a situação do Mato Grosso é o fato do time do Cuiabá ter chegado á semifinal da série D, e mesmo assim o maior público nas quartas-de-final, contra o Independente-PA, com 862 pagantes (repito, maior público). Na semifinal, contra o recordista de público Santa Cruz-PE, apenas 479 testemunhas foram ao estádio, e imagino que alguns “loucos pelo Santa” saíram de Recife para torcer na capital matogrossense. A soma do público das sete partidas do Cuiabá se acomodariam em 6,5% da Arena do Pantanal. Mamute Albino, com toda certeza.

Rio Grande do Norte

            Time na Série B: ABC (Natal)

            Times na Série C: América (Natal)

            Times na Série D: Alecrim (Goianinha) e Santa Cruz (Santa Cruz)

            Total de partidas: 32

            Total de público: 134.472

            Média do estado: 4.202

            Total de público em Natal: 104.614

            % de todo o público de Natal em relação a capacidade da Arena das Dunas: 232,5%

            Média em Natal: 5.812

            % da média de Natal em relação a capacidade da Arena das Dunas: 12,9%

Análise

            O estado terá dois times na série B no ano que vem, com a manutenção do ABC e o acesso do América, da C para a B. Neste ano, o América utilizou o estádio da cidade de Goianinha, a 50 km da capital, e conseguiu a média de 3.775 torcedores.

            As porcentagens da média e da soma de público de Natal em relação à capacidade da Arena das Dunas foram bem mais altas do que às outras analisadas. Em todo caso, vale lembrar que o público dos 18 jogos em Natal (a última partida do ABC foi em Recife-PE), corresponderia a menos de três jogos de casa cheia no novo estádio. Mesmo assim, sem dúvida, RN é o estado que pode ter “apenas” um Elefante Branco, com potencial para voltar a ter um time na elite do Brasileiro às vésperas da Copa do 2014.

 

 

Por José da Cruz às 22h57

Com justiça!

Parabéns, corinthianos!

Bela homenagem ao Doutor!

 

Por José da Cruz às 19h31

Havelange renuncia ao COI dias antes de possível expulsão

Na Folha.com

 

DA ASSOCIATED PRESS

         O ex-presidente da Fifa, João Havelange, 95, renunciou ao Comitê Olímpico Internacional (COI) dias antes de a entidade anunciar decisão sobre casos de corrupção ocorridos dos últimos anos e que envolvia o nome do brasileiro, segundo revelou a agência de notícias "Associated Press".

         Ex-genro do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, Havelange, membro da entidade olímpica há 48 anos, era um dos homens mais influentes do esporte mundial. O brasileiro apresentou sua carta de renúncia na última quinta-feira.

         A ação acontece poucos dias antes de o comitê de ética do COI recomendar sanções pesadas contra Havelange no caso envolvendo a agência ISL, que trabalhava com o marketing da Fifa.

         Havelange, membro do COI desde 1963, está sob investigação por supostamente receber um pagamento de US$ 1 milhão (cerca de R$ 1,7 milhão) da ISL. Dois outros integrantes do COI, Lamine Diack e Issa Hayatou, também estão sob investigação, mas devem sofrer sanções menores.

         A suspensão de dois anos ou até mesmo a possível expulsão era esperada na reunião da próxima quinta-feira no conselho executivo do COI, em Lausanne, na Suíça.

         Com sua renúncia, o caso de ética contra ele deverá ser arquivado.

         Havelange tornou-se o primeiro dirigente de fora do continente europeu a ganhar a eleição para o cargo mais alto da Fifa. Para isso, ele rodou o mundo atrás dos votos de africanos e asiáticos, continentes que, naquela época, não tinham representação na entidade mundial do futebol.

Minha análise

         O caso “Havelange” foi denunciado pelo jornalista escocês, Andrew Jennings, que há muitos anos persegue a veracidade de informações sobre o pagamento de propinas a poderosos cartolas,  para influenciarem em decisões de interesses comerciais.

         Em recente depoimento no Senado Federal, Jennings – autor do livro “Jogo Sujo – os bastidores da Fifa” – reafirmou que não duvidava do envolvimento de Havelange e do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no caso do pagamento das propinas, pela ISL.

         Segundo o jornalista, a Justiça da Suíça concluiu as investigações em junho último, mas não divulgou as conclusões a pedido de advogados da Fifa.

         Espero que a renúncia de Havelange divulgada pela AP não iniba a Justiça suíça de dar publicidade sobre o assunto.

         E, a se confirmarem as informações, evidenciam-se, por persistência de um jornalista,  as imundices que os grandes eventos do esporte escondem do público, iludindo os torcedores.

Por José da Cruz às 16h57

Na festa das decisões o dia ficou muito triste

            O dia mais festivo do nosso futebol nesta temporada ficou triste com a morte de Sócrates, o Magrão.                                 

         Estive com Sócrates apenas uma vez, num debate na TV Câmara, sobre a importância do futebol para a formação social dos garotos, antes de se tentar transformá-los em jogadores. Foi uma aula do Doutor Sócrates.

         E ficam as lembranças do Craque e líder das inesquecíveis Seleções de 1982 e 1986.

                    

        

 

Por José da Cruz às 10h09

03/12/2011

Doping: órgão de controle não tem data para estrear nem orçamento

Na Folha de S.Paulo

Governo cria agência, mas só no papel

Por DANIEL BRITO

          O governo federal desengavetou o projeto de criação da ABCD (Agência Brasileira de Controle de Dopagem) e o levou ao papel por decreto da presidente Dilma Rousseff.

          Mas o órgão não tem nem sequer uma data predeterminada para entrar em ação. Tampouco uma estimativa de custos de investimentos.

"A ABCD tem um orçamento em elaboração", disse o Ministério do Esporte, por meio da assessoria de imprensa.

          A pasta anunciou que a agência terá 24 cargos. A estrutura de pessoal tramita na Câmara dos Deputados.

          A notícia está aqui

Por José da Cruz às 11h40

Copa 2014: transparência é um negócio obscuro

         Sobre a tão divulgada “transparência nas contas das obras da Copa”, transcrevo um pequeno trecho do mais recente relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), aprovado na quarta-feira, referente às inspeções dos auditores.

Confiram:

         “Vale destacar que todas as informações circunstanciadas pelo presente levantamento estão fundamentadas em documentos, mas, ainda assim, podem não descrever com exatidão a realidade dos fatos,uma vez que existem limitações e características intrínsecas ligadas aos gastos da Copa do Mundo, quais sejam:

a.   vários entes federados (União, Estados e Municípios) são signatários das Matrizes de Responsabilidades da Copa do Mundo de 2014, consequentemente, algumas obras não podem ser fiscalizadas diretamente pelo Tribunal de Contas da União, pois são executadas com recursos municipais ou estaduais (mobilidade urbana e estádios);

b.   governos estaduais e municipais podem ter informado dados imprecisos ou desatualizados;

Mais:

         “Não foi publicada pelo Ministério do Esporte a Matriz de Responsabilidade referente ao segundo ciclo de planejamento envolvendo ações de telecomunicações, hotelaria, segurança, etc”.

         O relatório, assinado pelo ministro Valmir Campelo é, antes de tudo, o perfil das dificuldades para o acompanhamento das despesas públicas, para as quais o então presidente Lula da  Silva prometeu transparência total, instantânea!

         Mas, afinal, qual o interesse dos governos informarem “dados imprecisos ou desatualizados”? Não são gestores do bem público? Não devem satisfação à comunidade que os elegeu?

         O abuso e desrespeito são evidentes, mas à constatação do TCU não se observa ação dos demais entes fiscalizadores, como a Controladoria Geral da União, Ministério Público ou o Congresso Nacional. Omissão total.

Mobilidade urbana

         Sobre “mobilidade urbana” diz o ministro Campelo, textualmente:

         “A situação me preocupa”.

         Por quê?

         Porque são 54 operações de financiamento da Caixa e somente oito – reparem bem, pouco mais de 10% - têm contrato para execução da obra assinado.

         “Dessas oito, apenas em quatro operações o primeiro desembolso havia sido efetuado. Outras três ações tinham licitações em andamento; mas 24 não haviam iniciado seus procedimentos licitatórios. Em quatorze obras não existia sequer o contrato de financiamento”

E daí?

         “... Temo que esas intervenções de mobilidade, a serem inevitavelmente realizadas às pressas, baseiem-se em projetos sem o devido amadurecimento quanto ao seu detalhamento técnico; e mesmo quanto á sua viabilidade. Preocupa-me o risco de conceber uma herança que não corresponda às reais necessidades da população ao término dos jogos.”— escreveu Valmir Campelo em seu relatório

         Entenderam?

         O ministro alerta que poderão ser realizadas obras desnecessárias – é o que chamo de “legado do desperdício”. E, se isso ocorrer, sem o devido “detalhamento técnico”. Ou seja, as etapas legais são ignoradas e o superfaturamento é facilitado.

Finalmente:

         É o quarto relatório do ministro Valmir Campelo com alerta ao Ministério do Esporte, que ainda não liberou a matriz de responsabilidade referente ao segundo ciclo de planejamento da Copa, envolvendo ações de telecomunicações, hotelaria, segurança, etc.”  

          O primeiro ciclo diz respeito às responsabilidades assumidas pela União, estados e municípios para obras de estádios, aeroportos e mobilidade urbana.

         E faltam menos de 1.000 dias para a bola rolar.     

 

Por José da Cruz às 00h35

02/12/2011

Olimpíada foi prenúncio de crise grega, dizem analistas

                 O leitor Robert Silva alerta para a reportagem do jornalista Thomas Pappon, da BBC Brasil em Londres:

                “Olimpíada foi prenúncio de crise grega, dizem analistas”.

                A escalada de custos, a falta de controle nas obras e o abandono generalizado do legado físico da Olimpíada de Atenas 2004 foram sinais da tragédia financeira que estaria por vir, a crise de débito grega, na opinião de especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

              A notícia completa está aqui

Por José da Cruz às 10h33

E agora, com Ronaldo, vai?

            O Brasil foi indicado para a sede da Copa do Mundo em 30 de outubro de 2007. Há quatro anos, portanto.

            Agora, faltando praticamente três anos para a abertura do evento -- e dois para a Copa das Confederações - , nossas autoridades continuam atualizando comissões de um lado e outro.

            Há poucos dias a presidente Dilma Rousseff colocou Pelé como o “Embaixador da Copa”. Ao mesmo tempo, para se poupar, resolveu o seu problema de diálogo – ou falta de ... – com Ricardo Teixeira: Pelé passou a ser o porta-voz do Palácio do Planalto para assuntos do Mundial 2014.

            Ontem, Ricardo Teixeira escalou Ronaldo para integrar o Comitê Organizador Local (COL).  E não sei distinguir se a sua primeira manifestação no cargo foi uma bobagem ou um deboche: “Esta Copa é do povo brasileiro...” Sem comentários.

            Assim, RT também resolveu o seu problema de diálogo com a imprensa, de quem ele não gosta. E Ronaldo será o seu porta-voz.

            Já li sobre vários eventos da Copa e Olimpíadas, e observei que em outros países houve trabalho integrado do governo com as autoridades do esporte para receber os eventos. Aqui, além de dissociado,  há disputas políticas, porque a gestão do nosso futebol impõe este tipo de relacionamento.

            Acuado pelas denúncias internas – e até por investigações que não prosperaram na CPI da CBF Nike, em 2001 – e as externas, que vêm do jornalista inglês Andrew Jennings, Ricardo Teixeira precisa sair do foco do noticiário, para não ficar mal na fita diante da Fifa. Apesar desse órgão do futebol internacional também não ser flor que se cheire.

            Mas o que temos é isso: as duas maiores personalidades do futebol brasileiro de expressão internacional – Pelé e Ronaldo –  estão jogando em times opostos, porque Palácio do Planalto e CBF não se bicam, mesmo!

            As relações de ontem, incentivadas pelo então presidente Lula, são rejeitadas agora, com razão, pela presidente Dilma, que evita aproximações de quem é suspeito e investigado por corrupção, evasão de divisas etc.

            E é neste ambiente, turbinado, por vezes, por provocações de outra estrela, o agora deputado Romário, que o Brasil esportivo se prepara para o megaevento de 2014.

            E agora, com Ronaldo, vai?

Por José da Cruz às 00h03

01/12/2011

Só mesmo assim...

 

Por Roberto Naves

Comentários irreverentes sobre futebol, corrupção e outros esportes genuinamente brasileiros

     Acabou o sonho da tríplice vice coroa do Vasco

     A CBF está tão bagunçada que até o Eurico Miranda apareceu para reclamar

     Ronaldo garante que vai fazer um bico no COL

     Ricardo Teixeira volta a roubar a cena ao indicar Ronaldo para o COL

          Leia mais no Real Gandula

Por José da Cruz às 23h09

2a Corrida Venceremos a Corrupção: inscrições até amanhã

            Amanhã, 2 de dezembro, é último dia de inscrições para a 2ª Corrida e Caminhada Venceremos a Corrupção, que será realizada no dia 11 próximo, no coração do poder da República, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

            A prova terá duas distâncias: 4km e 10km. E para os que não tiverem fôlego, mas disposição para protestar e combater a corrupção, caminhada de 1km.

            A corrida é o resultado de um trabalho voluntário de profissionais da área de fiscalização e controle a cargo do Poder Público, ligados a entidades representativas de classe:

            União dos Auditores Federais e de Controle Externo (Auditar), Associação Contas Abertas, Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do TCU (Sindilegis).

As inscrições podem ser feitas aqui

Por José da Cruz às 19h05

Governo cria a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem

         Sete anos depois que tratou do assunto pela primeira vez, o Brasil cria, enfim, a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), órgão vinculado ao Ministério do Esporte e que deverá promover o combate ao uso de drogas no esporte, de acordo com as regras da Agência Mundial Antidoping (WADA), protocolos e compromissos assumidos pelo governo.

         A estrutura da Agência está publicada no Diário Oficial de hoje, através do decreto presidencial 7.529/2011.

         Para que a ABCD funcione, foram criados 24 cargos, a serem preenchidos de acordo com as necessidades do órgão, previstos no projeto de lei 2.205/2011, atualmente na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados.

         Até o projeto ser aprovado, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, poderá designar funcionários do próprio Ministério para as tarefas afins.

         Para saber mais, aqui

Por José da Cruz às 15h06

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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