Blog do José Cruz

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30/11/2011

Estádios, aeroportos, mobilidade e ...

 Walter Guimarães

            Quando se fala em Copa 2014 as preocupações se voltam para obras, prazos de entrega e transparência de gastos. Isto faz sentido, principalmente pelas notícias dos últimos dois anos, quando recursos começaram a passear por mãos alheias ao evento em si, como foi o caso dos cursos profissionalizantes em estados que nem mesmo irão receber jogos.

            A desculpa para tais gastos é que as seleções poderão escolher centros de treinamento em localidades fora das cidades-sede. Mas quais preocupações estão sendo levadas em conta em relação a tais centros?

            Comissões da FIFA visitaram estádios de pequeno e médio portes para saber quais poderão servir como campos de treino. Em Brasília, visitaram o Augustinho Lima (Sobradinho), Cave (Guará), Boca do Jacaré (Taguatinga) e Bezerrão (Gama). Desses, os dois últimos são os que possuem melhores instalações, mas talvez apenas o Bezerrão pudesse receber uma seleção a médio prazo. Mesmo assim, precisando de reformas, do gramado às salas de musculação, das piscinas às salas de imprensa. Teria alguém preocupado com isto?

            Na África do Sul, a Seleção Brasileira foi disputada por resorts e hotéis. Acabou num clube de golfe, reformado durante meses para receber a turma da CBF. Com exceção das principais seleções, sempre convidadas por grandes “bandeiras hoteleiras”, como serão tratadas as delegações com pouco chamativo mercadológico. Por exemplo, se as seleções classificadas para 2014 fossem as mesmas de 2010, onde ficariam alojados marfinenses, hondurenhos e sérvios??

            Espera-se que não haja improvisos, como a utilização de academias de ginástica comerciais, como acontece em algumas cidades sem estrutura específica para recepcionar equipes esportivas. Sendo assim, algumas cidades podem ter problemas, e, honestamente, não tenho escutado qualquer debate sobre o tema.

Preocupação

            Uma cidade sede que preocupa é Cuiabá, onde estive há menos de dois meses. Mas, mesmo Brasília precisa começar a se mexer. Clubes particulares à beira do Lago Paranoá já foram usados para treinamentos de seleções estrangeiras em jogos de eliminatórias. Mas numa Copa do Mundo as coisas são um bem diferentes. A privacidade é fundamental, bem como a qualidade da estrutura física e do gramado, que precisa ser  do mesmo nível dos que serão colocados nos estádios.

            A esta preocupação some-se os recursos financeiros necessários para tais espaços. Não deveriam os valores e competências de execução constarem da tal Matriz de Responsabilidade, que se mostra um instrumento mutável a cada novo amanhecer?

Por José da Cruz às 23h32

Deputados protestam pela alteração do nome do estádio Mané Garrincha

Por Cristina Bravo

         A Comissão de Turismo e Desporto da Câmara enviou nesta quarta-feira moção ao governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), protestando pela alteração do nome do Estádio Mané Garrincha para Estádio Nacional de Brasília.

         O presidente da CTD, deputado Jonas Donizette (PSB-SP) afirma no documento que a alteração do nome do estádio “desfaz homenagem histórica a um dos principais atletas do futebol brasileiro e mundial”.

         A sugestão da Comissão é a de que seja adicionado ao nome “Estádio Nacional” o nome Mané Garrincha, ficando assim chamado de Estádio Nacional Mané Garrincha.

         “Entendemos que seria uma forma de contemplar as intenções do GDF sem, com isso, desfazer a honrosa e merecida homenagem a um dos atletas mais queridos do povo brasileiro, respeitando as nossas mais caras tradições da história futebolística e a nossa memória nacional”, disse Donizette.

         O estádio Mané Garrincha será a principal arena de Brasília e vai abrigar a abertura da Copa das Confederações da Fifa, em 2013. Suas obras estão orçadas em R$ 671 milhões e, até o momento, já foram gastos R$ 180 milhões, segundo dados do Tribunal de Contas do DF (TCDD), que vistoriou as obras no dia 19 de novembro último.

         O estádio terá capacidade para 70 mil pessoas e vai abrigar sete jogos da Copa 2014, o mesmo numero de jogos do estádio Maracanã, no Rio de Janeiro . As obras tiveram início em agosto de 2010 e segundo o secretário executivo do Comitê Brasília 2014, Cláudio Monteiro, será inaugurado no dia 31 de dezembro de 2012, às 11 horas.

Cristina Bravo é assessora de imprensa da Comissão de Turismo e Desporto Câmara dos Deputados

Por José da Cruz às 21h49

E agora, governador?

         Encerro os comentários sobre a candidatura de Brasília aos Jogos Mundiais Universitários – Universíade 2017 – fazendo uma correção ao que publiquei, na segunda-feira: o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, escreveu e gravou mensagem de apoio à ousada proposta do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.  O apoio foi apresentado à Federação Internacional de Esporte Universitário (FISU).

E agora?

         Agora, Agnelo anuncia, desde a Bélgica, onde esteve na reunião da FISU, que manterá a aplicação de R$ 350 milhões na recuperação das piscinas da Universidade de Brasília (UnB), há cinco anos vazias por falta de verbas para manutenção.

         Não faça isso, governador. Use esta verba em outros projetos para as comunidades carentes do Distrito Federal.

          A UnB está intimamente vinculada ao Ministério da Educação. É do orçamento de lá que deve sair o dinheiro para manter o parque esportivo da Universidade de Brasília.

         Mais: a UnB tem dezenas de fornecedores que poderiam participar, legalmente, de um projeto com base na Lei de Incentivo ao Esporte, com os recursos sendo destinados à recuperação do parque esportivo.

         Outra forma de resolver o problema sem precisar das escassas verbas do Distrito Federal, seria a bancada de Brasília na Câmara dos Deputados (oito parlamentares) fazer uma emenda coletiva das verbas disponíveis, também para este tipo de investimentos. Isso é possível e a ocasião é agora, antes de votar o Orçamento da União para 2012.

         Com isso, os R$ 350 milhões do Governo do Distrito Federal poderiam ser aplicados em outras iniciativas do esporte. Que Agnelo deixe de ser o soberano e reúna os setores afins para traçar um plano de esporte para a cidade – nunca tivemos isso. Assim, poderá dar rumos bem definidos ao dinheiro que dispõe.

Realidade

         Hoje mesmo, pela manhã, vi dois professores da Fundação Educacional do Distrito Federal correndo para uma agência, onde pegariam os bilhetes aéreos para que a delegação brasiliense pudesse viajar a Curitiba. É na capital paranaense que serão realizadas as Olimpíadas Escolares (entre 15 e 17 anos), de 2 a 11 de dezembro.

         Ou seja, nossos dirigentes educacionais sabem desde o ano passado a data e o local do evento, mas só agora, vésperas da competição, é que a burocracia dos gabinetes autorizou a compra dos bilhetes de viagem.

         Até então, os atletas classificados para as 12 modalidades das Olimpíadas Escolares (atletismo, basquete, ciclismo, futsal, ginástica rítmica, handebol, judô, natação, taekwondo, tênis de mesa, voleibol e xadrez), não sabiam se iriam representar o Distrito Federal.

         Também isso, a desordem na administração do esporte, precisa ser revista, antes de o governo buscar eventos importantíssimos como uma Universíade.

Mais exemplos

         Tivemos o triste episódio do Mundial de Patinação Artística, amplamente divulgado e debatido. Também comentei sobre as garotas de escolas públicas que representaram o Distrito Federal no Brasileiro de Ginástica Rítmica, em Belém, com todas as despesas – viagem, hospedagem, alimentação etc – pagas pelos pais. Mas. no desfile das delegações e nos seus uniformes, elas exibiram a bandeira do Distrito Federal.

         Tudo isso contribui para explicar a perda da sede da Universíade 2017 no Distrito Federal, pois demonstra nosso amadorismo no setor.

         Acredito que quando as autoridades da FISU visitaram Brasília, há um mês, observaram que aqui tudo está por construir. Inclusive o atleta, o principal elemento em qualquer projeto esportivo. Como em governos passados, é cada um por si. Que Agnelo aprenda a lição e seja humilde, a ponto de reunir um conselho de especialistas que de rumos ao nosso esporte.

Por José da Cruz às 12h05

2ª Corrida e Caminhada Venceremos a Corrupção

           Termina no dia 2 de dezembro, sexta-feira próxima, o prazo de inscrições na “2ª Corrida e Caminhada Venceremos a Corrupção”, que será realizada dia 11 de dezembro, às 9h, no coração do poder da República, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

            A prova terá duas distâncias: 4km e 10km. E para os que não tiverem fôlego, mas disposição para protestar e combater a corrupção, caminhada de 1km.

            Comemorativa ao Dia Internacional Contra a Corrupção, que ocorre dia 9 de dezembro, a corrida é um trabalho voluntário de profissionais da área de fiscalização e controle a cargo do Poder Público, ligados a entidades representativas de classe:

            União dos Auditores Federais e de Controle Externo (Auditar), Associação Contas Abertas, Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do TCU (Sindilegis).

            As inscrições, online, podem ser feitas aqui

Por José da Cruz às 08h37

29/11/2011

Brasília perde na votação para sede da Universíade 2017

         Taipé venceu a disputa com Brasília e sediará a Universíade 2017. A decisão foi hoje à tarde, em Bruxelas, na assembléia da Federação Internacional de Esporte Universitário (FISU).

         A Universíade é considerada a Olimpíada Universitária, que reúne cerca de oito mil atletas de 150 países, em disputa de 24 modalidades esportivas, a maioria do programa olímpico.

         Com a derrota – que custou mais de R$ 3milhões aos cofres públicos, entre projetos e viagens –, o governo do Distrito Federal poderá rever suas prioridades.

Caso tivesse conquistado a sede dos Jogos Universitários, Agnelo Queiroz mudaria os rumos dos principais programas da cidade, conforme declarou no discurso de apresentação de Brasília.

Porque, “a partir de hoje, a Universíada 2017 é nossa prioridade”, afirmou o governador Agnelo, em discurso na assembléia da FISU.

As já precárias situações dos transportes, educação, saúde e segurança do Distrito Federal passariam a ser assuntos menores, com inevitáveis e graves prejuízos à população, principalmente a mais necessitada da capital da Republica.

Apoios tardios

         O apoio do governo federal, que só ontem, 28 de novembro, enviou carta à FISU, e a ausência de manifestação oficial do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) pesaram para a derrota de Brasília. Além, claro, da precária estrutura esportiva da cidade, constatada por membros da FISU, que aqui vieram, há um mês.

Luxo e lixo

         Integrantes da delegação nacional em Bruxelas disseram que a apresentação de Brasília “foi um luxo”. A transmissão da solenidade foi em tempo real pelo twitter.

         A expressão sugere comparar com o “lixo” do esporte da cidade, em nível governamental.

Primeiro, pelo desinteresse de colocar a atividade física como uma das metas da educação escolar, um problema crônico de governo a governo; em segundo lugar, pelo abandono  das quadras de esportes nas cidades satélites e no próprio Plano Piloto; finalmente, pela total ausência de políticas de esportes em todas as suas manifestações – lazer, educacional e rendimento.

         No entanto, é esta cidade, com crescentes índices de criminalidade e mortes no trânsito, de constante corrupção política, de incontrolável consumo de drogas até por crianças e adolescentes abandonados, nas barbas dos poderes da República, que o governo concorria a evento de custo bilionário.

 A previsão oficial era de investimentos de R$ 1,3 bilhão, mas a expectativa de especialistas é que os Jogos em Brasília não custariam menos de R$ 4 bilhões, tendo em vista a total carência de áreas esportivas na cidade. Ainda bem, perdemos!

Por José da Cruz às 17h05

Com crise na saúde, educação e segurança DF quer investir R$ 1,3 bilhão na Universiade 2017

         Os investimentos do governo do Distrito Federal para receber a Universíade 2017 serão de RR$ 1,3 bilhão, revela o repórter Daniel Brito, na edição de Esportes da Folha de S.Paulo

         O valor divulgado pelo governo não é confiável, pois o estádio Mané Garrincha, para a Copa 2014, orçado em R$ 650 milhões, deverá passar do R$ 1 bilhão.

         Brasília compete à sede da Universíade com a cidade de Taipé, capital de Taiwan, e a escolha por 28 membros da Federação Internacional de Esporte Universitário (FISU), será hoje, por volta das 14h (de Brasília).

         O apoio do Governo Federal à candidatura de Brasília saiu apenas ontem. Uma carta da presidente Dilma Rousseff ao presidente da FISU  apóia a pretensão do governador Agnelo Queiroz “nesta maravilhosa Brasília”.

         Só esse fato já demonstra a forma equivocada como o GDF se candidata a um evento internacional, pois o principal apoio é manifestado apenas 24 horas antes – por email – à entidade maior do desporto universitário.

Enquanto isso…

         A “maravilhosa cidade” à qual se refere a presidente Dilma foi inundada ontem, depois de mais uma chuvarada, devido à fala de limpeza nos bueiros.

Na Asa Norte, um dos principais bairros da capital da República, até ônibus e caminhões ficaram ilhados por mais de duas horas. Numa das áreas, oito carros de passeio foram cobertos pela inundação.

O governador Agnelo Queiroz, no cargo desde janeiro deste ano, não conseguiu diminuir os assaltos e criminalidade em Brasília. Algumas escolas públicas fecharam as portas e encerraram as aulas dois meses antes do final do ano letivo, pois estavam em condições de sério risco à integridade dos alunos. Nos hospitais as filas crescem na mesma proporção que diminui o atendimento médico, faltam medicamentos e até resultados de exames laboratoriais foram suspensos devido à falta de tinta para a impressora…

Agnelo Queiroz está em Bruxelas na sua sexta viagem ao exterior em 11meses.

Por José da Cruz às 10h42

28/11/2011

Candidatura do DF à Universíade custou R$ 2,5 milhões

          O governo do Distrito Federal gastou R$ 2,5 milhões no dossiê de candidatura de Brasília aos Jogos Universitários de verão – Universíade 2017, cuja  escolha da cidade ocorrerá nesta terça-feira, em Bruxelas.

         É lá que está o governador Agnelo Queiroz, desde sábado, com uma delegação de desocupados, fazendo campanha na tentativa de derrotar Taipé, em Taiwan, a única concorrente do Distrito Federal.

         A Universíade é considerada a Olimpíada Universitária, fortíssima competição, na qual o Brasil tem pouca tradição. No evento deste ano ficou em 18º lugar, com 16 medalhas, duas de ouro.

         Talvez por isso – e por entender que realizar eventos internacionais não são prioridades, diante de outras necessidades públicas – o Governo Federal não tenha gravado mensagem de apoio à candidatura da cidade.

         Assim, se Brasília sair vitoriosa nessa disputa, Agnelo estará comprometendo boa parte do orçamento do Distrito Federal nos próximos anos e entregando um pé de abacaxi para os futuros governadores.

         

          Pista de atletismo da UnB, que apoia a Universíade em Brasília: 10 anos de total abandono

             

             Piscinas da Fac. de Educação Física da UnB: cinco anos vazias. Falta dinheiro para recuperá-las

Especulação

         A meta de Agnelo nessa aventura não é tornar Brasília uma cidade universitária-esportiva, pois para isso é preciso bancar uma competição que custará alguns bilhões de reais aos cofres públicos.

         O governador do PT vê na competição universitária a oportunidade de ocupar novas áreas públicas da cidade, negociando com especuladores imobiliários para a construção da Vila dos Atletas, por exemplo.

         A região Lúcio Costa, próxima do Guará, é uma das áreas que está na mira dos especuladores, que engrossam, assim, a torcida pela vitória da capital da República. E como construtoras são financiadoras de campanhas políticas, Agnelo está no caminho desejado pelos políticos sem escrúpulos.

 Enquanto isso...

         A equipe de ginástica do Centro Interescolar de Educação Física (Cief), órgão da Secretaria da Educação do Distrito Federal, classificou-se em terceiro lugar no recente Campeonato Brasileiro de Ginástica Rítmica, em Belém, depois de disputar com representações de 10 estados.

Porém...

         Para que as garotas pudessem viajar, quem bancou as passagens, os uniformes, o hotel e alimentação foram os senhores pais, num ato que se tornou rotina no esporte do Distrito Federal, pois o governo não tem política de apoio às representações das diferentes modalidades.

Ou seja

         Enquanto o governador viaja em projetos mirabolantes e sem perspectivas de resultados expressivos para o esporte local – ganharão os oportunistas e espertos investidores – os atletas têm que se virar vendendo rifas e confiando no orçamento dos pais para representar a cidade em eventos nacionais.

         É o descaso explícito de Agnelo Queiroz.

Por José da Cruz às 23h12

A bronca oportuna de Jackie Silva

        “Existe esse grande negócio chamado Olimpíada, mas nesse cenário cada um está apontado para um lado. Como atleta olímpica, tenho que estar dentro desse movimento olímpico, mas, até agora, não me sinto parte dele”

        Jacqueline Silva, ouro nas Olimpíadas de Atlanta -1996 no vôlei de praia, ao lado de Sandra Pires.

        Disse mais:

        “Muito do que acontece é culpa dos atletas. Nesse negócio do ministro do Esporte (denúncias que culminaram na queda de Orlando Silva), nenhum atleta falou nada. Foi como se o que estava acontecendo não importasse. Está errado”.

        As manifestações de Jackie Silva – a primeira brasileira, com Sandra Pires, a ganhar uma medalha de ouro olímpica para o Brasil – estão na excelente reportagem de Luiz Roberto Magalhães, na edição de hoje do Super Esportes do Correio Braziliense.

        A reportagem é grande e não consegui disponibilizar o link. Por isso, transcrevo alguns trechos da manifestação da ex-atleta. Confiram:

        Legado Olímpico

        “O que eu gostaria que acontecesse é que o legado fosse algo que não é palpável. O melhor que poderia ficar para os brasileiros não está nas obras. O país deveria trabalhar esse momento para desenvolver a educação. Deveria dar ao esporte a importância que ele tem. O Brasil tinha que fazer de tudo para usar a exposição das Olimpíadas do Rio nesse sentido”.

        Projetos

        “Tem uns três anos que eu tento colocar o vôlei dentro das escolas e não consigo”... “O que mais me irrita na vida é a falta de educação. Isso trava tudo o que nós conseguimos. O esporte precisa ser veículo de educação que tem que ser”.

        Movimento Olímpico

        “O movimento olímpico poderia ser revolucionário, se houvesse uma mudança no modo de pensar o papel do esporte no Brasil. Se ele fizesse parte da vida de todos os brasileiros, não só dos atletas, aí sim, teríamos uma revolução”.

        Atletas

        “Muito do que acontece é devido aos atletas. Em todos os grandes avanços que foram conquistados  no país nessa área, os atletas estiveram presentes. Eu participei disso, na época da Lei de Incentivo ao Esporte. A força, ali, estava nos atletas. Eles são heróis. Eles têm credibilidade”.

        Ministério do Esporte

        “O Ministério do Esporte é a nossa casa. É onde tudo começa. Lá, tinha que existir uma comissão com os atletas. Mas os próprios atletas não se colocam nessas discussões”.

 Memória.

        No governo FHC, época do Ministério do Turismo e Esporte, havia uma Comissão Nacional de Atletas, idealizada pelo então secretário nacional de esporte de alto rendimento, Lars Grael, e com expressiva representatividade.

        Com o passar do tempo, os atletas tornaram-se dependentes do Ministério, que subsidiava as passagens e hospedagens a cada reunião. Isso criou um constrangimento no grupo, quando precisava se posicionar contra uma decisão governamental.

        Lars Grael sugeriu que a Comissão se tornasse independente, a fim de agir de forma livre, independente. A idéia ficou apenas nisso e, com o tempo, o grupo se desarticulou.

Como está

        Desde 2009 há uma Comissão de Atletas no Comitê Olímpico, porém com forte influência da estrutura comandada pelo presidente Carlos Nuzman.

Tanto, que o primeiro presidente não foi eleito, mas indicado, Bernard Rajzman, ex-jogador de vôlei da geração de prata.

Da comissão fazem parte atletas como Hortência (basquete), Doda Miranda (hipismo), César Cielo (natação), Daiane dos Santos (ginástica), Hugo Hoyama (tênis de mesa), Natália Falaviga (taekwondo), Rogério Sampaio (judô), Sandra Pires (vôlei de praia), entre outros.

No entanto, em dois anos, qual foi a contribuição dessa comissão ao esporte nacional com repercussão nos atletas em geral?

Quantas vezes cada um deles se reuniu com seus colegas de modalidades para discutirem questões e problemas afins?

Com a influência do COB e do presidente Bernard, intimamente vinculado à estrutura do Comitê, os atletas tem independência para tratar dos assuntos que afligem a classe?

Enfim, parece-me que essa comissão segue os mesmos rumos da que existia nos tempos de FHC: apenas para constar diante do Comitê Olímpico Internacional.

 

Para saber mais: http://albertomurray.wordpress.com/2009/04/17/

Por José da Cruz às 15h44

27/11/2011

A irresponsável gestão de Agnelo Queiroz

                 Quando assumiu o governo do Distrito Federal, em janeiro deste ano, Agnelo Queiroz  anunciou que, se Brasília não abrisse a Copa do Mundo de 2014, determinaria a redução da capacidade do novo estádio Mané Garrincha, de 75 mil lugares para 40 mil.

        Disse mais: que aqui se construía um dos estádios mais baratos do país, R$ 671 milhões.

        O governador mentiu.

        Em abril passado noticiei que os R$ 671 milhões eram apenas para os gastos com o concreto. E que o custo total da obra ultrapassaria R$ 1 bilhão. Vieram os desmentidos. Em vão.

        Documentos oficiais enviados à Promotoria da Defesa do Patrimônio Público indicavam que ainda faltavam licitações para o gramado, iluminação, cadeiras, vidraças, elevadores,  enfim, todo o “recheio” para que o estádio seja aprovado pela Fifa.

        No sábado, o companheiro  Vinicius, do UOL Esporte, publicou a notícia sobre a licitação para as obras de cobertura do Mané Garrincha. Valor estimado de R$ 175,8 milhões. Com isso, chegaremos, por enquano, a R$ 846 milhões. E ainda faltam as licitações do gramado, iluminação, tecnologia de informação etc.

        Mais:

        Brasília não abrirá a Copa, será São Paulo. E o estádio terá mesmo 75 mil lugares, nada de redução como havia anunciado Agnelo. Isso numa cidade em que o Campeonato Candango tem mil testemunhas por jogo. Serão 74 mil lugares às moscas... 

        Pior:

        Não temos clubes na Série A nem na Série B do Brasileirão. Portanto, é um desperdício o que esse governador faz com a verba pública, em detrimento de necessidades urgentíssimas, como tirar do caos o sistema hospitalar e dar condições de uso a dezenas de escolas imprestáveis para o aprendizado da criançada.

        Mas, mesmo assim, ele se manda para a Europa onde defenderá, amanhã, a candidatura de Brasília à sede da Universíade 2017.

        Agnelo e outros irresponsáveis que o acompanham nessa aventura suicida não têm noção do que é uma Universíade. O governador e seu secretariado foram incapazes de receber condignamente um Campeonato Mundial de Patinação – encerrado no sábado – e querem trazer um evento que é a porta de entrada de atletas de nível olímpico.

        Mais uma vez assume compromissos para gastos com obras, alegria das empreiteiras, enquanto, repindo seus antecessores de péssima memória , Roriz e Arruda,não oferece mínimas condições para a formação educacional e do caráter dos jovens.    

Por José da Cruz às 23h37

Mundial de Patinação: vitórias e decepções

         No encerramento do 56º Campeonato Mundial de Patinação Artística, ontem em Brasília, o público vibrou com a apresentação do brasileiro Marcel Stürmer, que terminou o evento em segundo lugar, categoria sênior, atrás do italiano Dario Betti. Marcel consegue o melhor resultado do Brasil na categoria Sênior.

         Porém, os aplausos foram divididos com vaias ao governo do Distrito Federal. Assim no encerramento como na abertura.

         Com guarda-chuvas e sombrinhas abertas nas arquibancadas, o público ironizou o desleixo do governador Agnelo Queiroz, diante das goteiras no ginásio Nilson Nelson, local da competição.

         A chuva voltou a interromper as disputas, repetindo cenas dos 15 dias anteriores, quando os patinadores precisavam desviar da água sobre a pista, para treinar ou competir. Pior: o desempenho técnico de experientes patindores ficou visivelmente prejudicado. Mas o prejuízo maior ficou com a imagem de Brasíilia e, por extensão, de seus governantes, deputados distritais, representantes na Câmara e no Senado federais. Omissos, irresponsáveis.

         Leia mais sobre o Mundial de Patinação

Enquanto isso I...

         A repórter Ana Cláudia Felizola, que fez competente cobertura de todo o evento para o Correio Braziliense teve dois prejuízos: enquanto trabalhava no Ginásio Nilson Nelson, no sábado, os ladrões levaram duas rodas de seu carro,no estacionamento externo, luz do dia, e total ausência de policiamento num evento internacional.

      

        

Enquanto isso II

         ... o governador do Distrito Federal, que vergonhosamente se escondeu do Campeonato Mundial de Patinação Artística, viajava para Bruxelas.

         Ele vai defender a capital da República como sede da Universíade 2017.

         Incompetente e irresponsável esse Agnulo Queiroz. Incapaz de conservar o patrimônio esportivo da cidade, ele quer onerar os cofres públicos com um evento milionário como a Universíade. Logo em Brasília, onde não existe um só projeto do governo voltado para o desporto escolar ou universitário. A prioridade é olho no dinheiro que vai rolar.

         Ainda bem que não teve o apoio do governo federal. A turma da Esplanada sabe muito bem quem é esse cara, que, por sinal, está sendo investigado por corrupção ainda do tempo em que foi festeiro ministro do Esporte.

Por José da Cruz às 09h31

2a Corrida e Caminhada Venceremos a Corrupção

            Termina no dia 2 de dezembro o prazo de inscrições na 2ª Corrida e Caminhada Venceremos a Corrupção, que será realizada no coração do poder da República, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

            A prova terá duas distâncias: 4km e 10km. E para os que não tiverem fôlego, mas disposição para protestar e combater a corrupção, caminhada de 1km.

            A corrida é o resultado de um trabalho voluntário de profissionais da área de fiscalização e controle a cargo do Poder Público, ligados a entidades representativas de classe:

            União dos Auditores Federais e de Controle Externo (Auditar), Associação Contas Abertas, Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do TCU (Sindilegis).

                As inscrições podem ser feitas aqui

               

Por José da Cruz às 08h54

26/11/2011

Ministro Aldo Rebelo suspende 25 nomeações funcionais

            O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, suspendeu o pacote de nomeações de 25 servidores públicos, que ocupariam cargos de confiança (DAS), cujos nomes divulguei na mensagem anterior. As indicações estavam em análise de rotina no Palácio do Planalto, mas Aldo pediu devolução ao seu gabinete.

            A informação é do próprio ministro, que me telefonou no final da tarde desta sexta-feira para comentar sobre a publicação que fiz, revelando um dado surpreendente:

            “A  escolha desses nomes foi do ministro anterior (Orlando Silva). Pedi ao Palácio para devolver a relação e vou reavaliar cada nome antes de concretizar as nomeações”, afirmou.

            Porém, Mariléia dos Santos, a Michael Jackson, escolhida por Aldo Rebelo está confirmada na coordenadoria dos assuntos de futebol feminino.

Decisão

            A decisão de Aldo Rebelo de suspender as nomeações é oportuna. Porque, se as nomeações se concretizassem os assessores não teriam identidade com o perfil do novo ministro, que assumiu com a proposta de renovar. E, por gratidão, teriam um vínculo maior a Orlando Silva.

            Além disso, o ministro daria continuidade à prática da gestão anterior, de nomear filiados partidários sem considerar a qualificação técnica, justamente a área em que o ministério é extremamente carente.

            Por exemplo, o ex-deputado federal Edmilson José Valentim dos Santos (PCdoB-RJ), não se reelegeu na última eleição, mas estava indicado para a Gerência de Projetos, na Representação Estadual no Rio de Janeiro. Foi contemplado pelo amigo Orlando Silva, numa espécie de “compensação pela derrota eleitoral...” fortalecendo o cabide de empregos em detrimento de quadro funcional qualificado que a pasta exige.

Mudanças e esperança

            Esta foi a primeira vez que um ministro do Esporte me telefona, nos últimos sete anos. Isso significa novos tempos na pasta, onde tive portas fechadas nas gestões de Agnelo Queiros e Orlando Silva.

            A situação era tão grave que o chefe de gabinete de Agnelo, Cláudio Monteiro, ameaçou demitir quem conversasse comigo. Ele ficava irado com as críticas que eu fazia às bobagens de Agnelo, agora governador do Distrito Federal.

            Para não causar constrangimentos a ninguém, tirei o Ministério da rotina de visitas. E continuei realizando meu trabalho, pois as principais  fontes de informações eram – e continuam – o Diário Oficial, os corredores do Congresso Nacional e o Palácio do Planalto.

            Aldo Rebelo, ao contrário, abre as portas ao diálogo e isso é ótimo para melhor se fundamentar as críticas. Faz isso porque é próprio de seu perfil político.

            Aldo Rebelo me lembra Caio Carvalho, que foi ministro de FHC. Ele tinha o hábito de conversar com jornalistas, fora de cerimônias. Uma vez a cada 15 dias convidava um determinado repórter e, sem pauta ou perguntas prévias, deixava a conversa rolar solta, valorizando as relações democráticas do poder com a imprensa.

Por José da Cruz às 00h39

25/11/2011

Michael Jackson, ex-Seleção, comandará o futebol feminino no Ministério do Esporte

            O Ministério do Esporte entrará em campo para cuidar do futebol feminino. A chefe do setor é uma especialista da bola: Mariléia dos Santos, a Michael Jackson, que defendeu a Seleção Brasileira em dois Mundiais e uma Olimpíada. Ela assumirá a coordenadoria geral do setor. O nome de Mariléia (DAS 101.4) está no Palácio do Planalto para ser analisado. É de lá que sai o “ok” para a contratação.

             Outros 25 nomes foram encaminhados pelo ministro Aldo Rebelo ao Palácio do Planalto, indicados para diversos cargos. Na mesma ocasião é feita uma consulta ao Ministério Público para saber se o indicado tem alguma pendência com o governo. Adianto os nomes, com os respectivos DAS,  em análise no Palácio:

Amália Medianeira Dombroski Araújo – DAS 101.3

            Coordenação de Implementação do Dept.  de Gestão de Programa de Educação, Lazer e Inclusão Social

André Luiz de Souza Oliveira - DAS 102.2

            Assistente do gabinete do secretário Nacional de  Esporte de Alto Rendimento

Andrea Carvalho Alfama - DAS 101.4           

            Coordenação de Monitoramento e Avaliação de Programas da Secretaria de Esporte Escolar

Andréa Nascimento Ewerton - DAS 101.4

            Coord.do Dept.de Gestão de Progr de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social

Antônio Sérgio da Silva Mendes Júnior - DAS 101.3

            Coordenador-geral de Monitoramento e Avaliação  De Programas e Projetos

Bruno Flávio Souza do Amparo – DAS 102.2

            Assistente da Coordenação de Monitoramento e Avaliação de Programas e Projetos

Dagmar Emanuella Batista Sampaio – DAS 102.2

            Assistente da Coord.  de Acompanhamento de Controle e Fiscalização Sec. Esporte Educacional

Edmilson José Valentim dos Santos - DAS 101.4

            Gerente de projetos na Representação do Rio

Elizalva Ferreira Coelho – DAS 102.2

            Assistente da Coordenação de Prstação de Contas do Departamento de Gestão Interna

Jaqueline Lopes Cavalcante    - DAS 102.1

            Assistente técnica da Coordenação de Bolsa Atleta

Josiane Lima Paiva  - DAS 101.3

            Coord.-Geral de Planejamento de Acompanhamento 

Karla Katchiúcia Vilela P.C.Coelho - DAS 1013

            Coordenadora de Fiscalização e Controle do Departamento de Defesa dos Direitos do  Torcedor

Leudiene Júlia da Silva - DAS 101.3

            Coordenação Geral de Formalização do Dept.de Gestão de Programa Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social

Lívio Letanio A. guerra Nogueira - DAS 102.1

            Assistente técnico da Assessoria Técnica do Gabinete do Ministro

Marcos Antônio da Silva Grande - DAS 102.3

            Assessor técnico da Secretaria Executiva do Gabinete do Secretário

Maria Cristina Sakay – DAS 101.2

            Coord.Geral de Desenvolvimento da Política de Financiamento ao Esporte

Mônica Iacy Penedo Paim - DAS 101.3

            Coord. De Avaliação de Convênios de Programas de Esporte Educacional, Lazer e Inclusão Social

Natália Morena Silveira Cardoso – DAS 102.2

            Assistente da Coordenação de Infraestrutura do Dept. de Planejamento e Gestão Estratégica 

Priscila Campos Figueiredo Nefes – DAS 102.1

            Assistente técnica do Secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor

Raphael da Rocha Pinto - DAS 102.3

            Coordenador-geral de Futbol Profissional

Sabrina Régia Bastos Pessoa – DAS 102.1

            Assistente técnica da Coordenação-Geral de  Prestações de Contas

Sarah Estefânia Castro – DAS 102.4

            Cargo de caráter transitório na Representação Estadual no Rio de Janeiro

Valéria Amaro de Souza – DAS 102.2

            Assistente da Coordenação-Geral de Prestação de Contas

Waldir Dimas Geraldo – DAS 102.1

            Assistente técnico da Coordenação de Apoio e Capacitação de Eventos Esportivos.

Por José da Cruz às 01h24

24/11/2011

A vergonha internacionalmente escancarada

          O campeonato mundial é o momento maior de qualquer modalidade.  É quando os melhores atletas se reúnem numa espécie de olimpíada exclusiva daquele esporte. E é isso que Brasília recebe ao sediar o Campeonato Mundial de Patinação Artística.

             Porém, a vergonhosa recepção às delegações de 36 países e 1.080 atletas, que aqui comentei há uma semana, repercute internacionalmente, como propaganda gratuita e altamente negativa dos governos federal e distrital e das autoridades do esporte em geral. E, por extensão, do próprio Comitê Olímpico Brasileiro. Apesar de não ser modalidade do programa olímpico, a Confederação de Patinação é filiada ao COB, integra os Jogos Pan-Americanos e, como tal, deveria merecer atenção da entidade maior do esporte brasileiro no momento em que recebe o principal evento.

Por tais omissões, falta de diálogo e desleixo na sede do governo Central e ao lado do Ministério do Esporte, evidencia-se, lamentavelmente aos olhos do mundo esportivo, o nosso despreparo na recepção na gestão de grandes eventos.

E que ninguém ouse vir com desculpas ou explicações. Não há espaço para esta vergonhosa situação. Se alguma ação reparadora fosse possível, deveriam indenizar os atletas que atravessaram o mundo em dispendiosas viagens.

Repercussão

Em seu site, a Federação Italiana de Patinação – a mais influente do mundo - criticou a vergonhosa situação, agravada pelas chuvas que inundaram várias vezes a pista do ginásio Nilson Nelson, local do evento.

“Ontem foi escrita uma das piores páginas da patinação artística”, escreveram os italianos, com razão, referindo-se ao alagamento da pista do ginásio.

No lugar de patinadores com suas belezas plásticas e coloridas coreografias entraram baldes para aparar água das goteiras e cones de alertas para os locais inundados. Que vergonha! Mas isso demonstra a falta de cuidado  dos governos para com o patrimônio público e expõe o país da Copa 2014 e Olimpíada 2016 ao vexame planetário.

Deprimente

A cena mais deprimente foi quando o sexagenário presidente do Comitê Internacional de Patinação Artística, James Pollard, mesmo na elegância de seu alinhado terno e gravata, ajudou a enxugar a pista de competições, na ânsia de não ver o seu evento ir por águas abaixo. A imagem, publicada no Correio Braziliense de hoje nos enche de vergonha e tristeza.

Estrela

         O evento trouxe a Brasília o italiano Patrick Venerucci, “a lenda das oito rodas”, como definiu a repórter Ana Cláudia Felizola, em reportagem no Correio.

         Venerucci foi “consagrado 11 vezes consecutivas como o melhor patinador do planeta e,hoje, treina a filha, Sara.

         “Para Patrick Venerucci, as goteiras no Ginásio Nilson Nelson, que prejudicam o desempenho dos atletas no Mundial, são  inexplicáveis”, diz a reportagem.

         Em seu perfil em uma rede social da internet, Patrick usa de humor para lidar com a situação. Além de fotos do presidente do Comitê Internacional de Patinação Artística (CIPA), James Pollard, secando a pista, há comentários de outras pessoas trocando o nome da entidade para, por exemplo, “Comitê Inernacional de Patinação Aquática”.

         “Ontem  -- diz a reportagem de Ana Cláudia – se repetiu o problema que já havia paralisado a competição no domingo. Deta vez, os horários ao sofreram ajustes, mas os patnadores precisaram treinar desviando de cones e de panos de chão espalhados pela pista. Alguns chegaram a escorrer e cair no piso molhado”.

           Sinceramene, é muito triste ler e escrever sobre este momento. Sinto-me também responsável por não ser tão incisivo em minhas críticas diante das irresponsáveis adiministrações que se sucedem na gestão do dinheiro público.

Por José da Cruz às 13h01

Os paratletas são assim, surpreendentes

            O Brasil paraolímpico retorna dos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara com o primeiro lugar: conquistou 197 medalhas, sendo 81 de ouro, 61 de prata e 55 de bronze.

            Evito a análise técnica desse desempenho,  pois não acompanho a modalidade com a mesma assiduidade de antes. Cobri os Jogos Paraolímpicos de Sydney, em 2000, e tive a noção da força do esporte no contexto social e da economia doméstica dos deficientes.

            Agora, mesmo distante da rotina dos paratletas, posso concluir que a conquista de medalhas em 12 das 13 modalidades disputadas em Guadalajara é indicativo de time eficiente. E o resultado confirma em nível continental os pódios em campeonatos mundiais, que colocam os brasileiros no topo do ranking. Parabéns aos atletas, técnicos, dirigentes etc.

            Os assuntos dos esportes olímpicos dominam este espaço, mas no caso paraolímpico estamos falando, também, de rendimento. Nossos competidores disputam contra iguais e o resultado que trouxeram revela que a preparação a que se submetem é eficiente. Portanto, merecem nossa atenção e aplauso.

            Ora, se os olímpicos têm lá suas dificuldades – e que dificuldades!!! – para se tornarem campeões, imaginem o que se passa com um cadeirante ou com um velocista cego, com um deficiente mental jogador de basquete, por exemplo. A começar pelas despesas, em dobro,  pois muitos dependem de uma companhia em seus deslocamentos, sofrem com a falta de espaços e material específicos para treinarem etc. E o que dizer da iniciação no paradesporto ou do paradesporto escolar? Temos isso como política de Estado?

            Por isso, o fato de o desporto paraolímpico estar no topo das América, não quer dizer que este é um país com programas e de resultados para deficientes. Não é. Há boas intenções, promessas. E discursos, claro, como os que ocorrerão no retorno da delegação, em recepções palacianas.

            Que recursos os deficientes em geral têm para se deslocarem pelas ruas? Que opções de empregos lhes são oferecidas? Nossas escolas estão preparadas para receber essa parcela da população que busca instrução e cultura? Há professores qualificados para atender à massa de deficientes mentais, cegos, amputados, enfim, que chegam à escola?

            Mais: que espaços esportivos existem no Brasil para projetos de massificação de deficientes e, aí sim, poder mostrar a eles o caminho da reinserção social, independentemente de pódio?

            Então, uma coisa é o Comitê Paraolímpico aproveitar os recursos que recebe das loterias federais via Lei Piva e do patrocínio das Loterias Caixa e preparar equipe altamente competitiva. Outra é o Brasil desperdiçar talentos por falta de programas específicos, de oportunidades e, em decorrência, tornar sem sentido o princípio de que “todos são iguais perante a lei”. Lamentavelmente, não são.

Memória

            Antes de viajar para Sydney, nas Paraolimpíadas de 2000, entrevistei vários paratletas de Brasília. A conversa com essa gente é emocionante. São lições de vida sem igual. Como a que tive com Jairo Blanck.

            Gaúcho, teve a perna esquerda amputada, aos 18 anos de idade. Câncer. Recuperou-se da cirurgia, passou o tempo e veio morar em Brasília.

            Integrado à cidade, Jairo dedicava os sábados para as peladas. Ele é peladeiro de uma perna só. Goleiro, dos bons, já fazia isso antes da amputação. Vi Jairo em atuação, com uma agilidade impressionante, o que me motivou entrevistá-lo. Depois do jogo, a conversa rolou solta, com chimarrão de boa erva por ele preparado.

            Lá pela tantas, enquanto contava causos e mais causos, o goleiro de uma perna só me fez revelação. Uma revelação tão impressionante que acabou no primeiro parágrafo de minha reportagem, publicada no Correio Braziliense:

            - Tchê, vou te contar um negócio. Eu sou o único goleiro do mundo que não tomo gol pelo meio das pernas...

            Os paratletas são assim, surpreendentes .

Por José da Cruz às 01h16

22/11/2011

Supresa! O balanço do Pan 2007 existe!

             Motivo de freqüentes críticas neste espaço devido à falta de divulgação, o balanço dos gastos públicos dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro está concluído, há muito tempo, e de posse do Tribunal de Contas da União.

            A revelação foi do secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, em decorrência do comentário que fiz, há poucos dias, de que até hoje, quatro anos depois daquele evento na Cidade Maravilhosa, ainda não sabíamos quem gastou o quê.

            Oficialmente sobre o assunto conheço o relatório do ex-ministro do TCU, Marcos Vilaça. Antes de se afastar do cargo, ele apresentou um documento revelando que o Pan 2007 custou R$ 3,4 bilhões aos três entes federativos, União, Estado do Rio de Janeiro e Município do Rio.

            Eu já havia pedido o balanço do Pan ao Comitê Organizador dos Jogos, ao Ministério do Esporte e ao próprio TCU. Em vão.  “Documento reservado”,  me responderam. Estranhei. Afinal, os gastos são públicos.

            Agora,  contribuindo para a transparência ao assunto, Leyser me disse que enviaria uma cópia do relatório. Vamos ver se, enfim, teremos os dados oficiais revelados.           

Por José da Cruz às 23h40

Futsal, patinação e um mamute

Por Walter Guimarães 

            Lembro bem do Mundial de Futsal de 2008, quando o Ministério do Esporte também forçou para Brasília ser sede, e a última reforma foi feita no ginásio Nilson Nelson. Naquela época, o certo teria sido realizar os jogos em Jaraguá do Sul-SC e em Carlos Barbosa-RS, cidades que "respiram" futsal. Mas não. Por politicagem, para se mostrarem para os diretores dos Correios e do Banco do Brasil, patrocinadores da modalidade, e assim poderem distribuir credenciais para toda a trupe, os nossos gestores resolveram fazer os jogos em Brasília e no Rio de Janeiro.

            Me incomoda este desrespeito com os profissionais que lutam anos por um esporte e na hora de organizar um grande evento são deixados de lado. É só pegar a lista dos times que fizeram as finais dos últimos 15 campeonatos brasileiros de futsal e verificar que apenas duas vezes estiveram presentes times do Rio e nunca qualquer agremiação candanga chegou perto da final.

            Ao contrário, o Rio Grande do Sul teve 15 participações em finais (50%) e Santa Catarina teve sete (23%). Ainda estiveram presentes times de Minas Gerais, por quatro vezes, além de um time paulista e outro paranaense. Se considerarmos a Liga deste ano, é preciso incluir mais um gaúcho (Carlos Barbosa) e outro paulista (Santos).

            Aliás, o número de times/estado da Liga de 2011 ficou da seguinte forma:

 

         São Paulo: 6

         Santa Catarina: 4

         Paraná:  4

         Rio Gde do Sul 3

         Minas Gerais                2

         Rio de Janeiro  2

         Distrito Federal: 1

         Goiás:            1

         Quase 50% dos times, na verdade 11 de 23, são da Região Sul, excluída na escolha das sedes do Mundial de 2008.

         Lembro ainda que a falta de público daquele evento de 2008, em Brasíliam foi notória. Para não ficar mal com a FIFA, o Governo do Distrito Federal retirou alunos das salas de aula do ensino público para encher as arquibancadas do ginásio, o mesmo onde agora se realiza o Mundial de Patinação.

         Nada contra estes jovens estudantes irem aos jogos, muito pelo contrário, mas será que isto iria acontecer em uma cidade que cada morador sabe as regras da modalidade de cabeça??

         Os meninos da mesma idade de cidades apaixonadas por futsal tiveram que assistir os jogos da televisão, como os torcedores que acompanham as notícias de suas equipes, da mesma forma como são acompanhadas as notícias dos times de futebol de campo nas grandes capitais.

         Agora foi a vez da patinação artística. Sei que há décadas a modalidade é praticada na capital, mas sem dúvida não é o “grande centro”.

         A turma do ex-ministro do Esporte, de carreira política próxima à do governado Agnelo Queiroz, deve ter pensado que poderia usar o evento para mostrar serviço, ou mesmo para se aproximar das embaixadas na véspera de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada. Mas não poderia acontecer outra coisa senão o vexame. Público ridículo em um ginásio mais ridículo ainda. Dá vergonha entrar nos banheiros do Nilson Nelson, isso porque foram reformados há três anos.

 

            Já dá mesmo para imaginar o que acontecerá com o novo estádio Mané Garrincha daqui a 10 anos se tais gestores do esporte no DF continuarem.

            Não consigo nem mais chamar tal arena esportiva de um futuro “elefante branco”, pois com certeza será algo mais esdrúxulo, algo como um “Mamute Albino”.

           

Memória

            Aproveito o oportuno artigo do jornalista Walter Guimarães, para recuperar a memória de um fato ocorrido no Mundial de Futsal, em Brasília, cujo orçamento tinha números e informações com enormes desencontros.

            Naquela ocasião, o jornalista Luiz Roberto Magalhães, do Correio Braziliense, encantou-se com o mascote do evento, um simpático e colorido papagaio, que os organizadores batizaram de “Parangolé”.

 

       

            Curioso, Luiz Roberto foi ao dicionário para saber algo mais sobre o bichano. E encontrou a seguinte definição no dicionário Houaiss:

            “Parangolé – conversa sem pé nem cabeça; comportamento desonesto para ludibriar alguém”.

            Sem comentários.

Por José da Cruz às 14h50

21/11/2011

Eu sou você, amanhã

            O vexatório episódio do Mundial de Patinação, em Brasília, não deve ser analisado de forma isolada, mas no contexto de uma cidade que há anos sofre com o desgoverno de muitos e a esperteza de outro tanto de políticos.

            É uma triste e assustadora realidade na qual enquadramos, também, a Câmara Legislativa, cujos deputados, omissos, estão preocupados mais com suas questões pessoais – de olho na próxima eleição – do que com as necessidades coletivas da capital da República. Ora, se as “excelências” não estão nem aí para o caos na saúde, educação e segurança, por que se preocupariam com um ginásio enferrujado pelo tempo?

            Logo, a falta de conservação do ginásio de espores Nilson Nelson, onde se realiza o Mundial de Patinação, é reflexo do desleixo do gestor público, de ontem e de hoje. E, por mais que autoridades do esporte tentem justificar as falhas verificadas no Mundial – evitando se indisporem com políticos locais e nacionais –, alegando falta de recursos financeiros para o evento, a conclusão é real: o Campeonato Mundial de Patinação, encaminhado desde 2007, esteve nas mãos de inexperientes e irresponsáveis gestores.

            Por conta disso, Brasília ficou exposta na triste vitrine do vexame internacional. Aqui estão os órgãos do governo local, ao lado dos ministérios e dos poderes da República. Não se pode admitir que as etapas do projeto fossem falhando e o assunto não chegasse à mesa das principais autoridades, no caso o governador do Distrito Federal e ministro do Esporte. Só esse travamento no andamento do processo já demonstra como ainda somos amadores e despreparados. Pior, pois diante do gigantismo de um evento de 1.100 atletas de 36 países  ainda precisamos enfrentar a fúria dos espertos corruptos, que buscam vantagens  principalmente no caos.

            Lamentavelmente, esta realidade está no contexto maior do que aqui comentamos há anos: temos instituições esportivas de sobra; não faltam recursos financeiros, mas somos extremamente carentes de eficientes gestores. Está aí o “legado” dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Triste “legado”, a começar pela falta de uma prestação de contas públicas, de um balanço transparente. Vergonhosamente TCU, Ministério do Esporte e Comitê Organizador escondem os valores de quem financiou o bilionário evento, o público.

            E é assim, aos trancos e barrancos e na certeza de que a impunidade é a garantia dos espertos, que estamos nos preparando para a Copa do Mundo e Olimpíada 2016.

            O contraste entre o caos e o real está frente a frente: enquanto o ginásio Nilson Nelson – com seus 25 mil lugares – e demais instalações do Conjunto Esportivo desabam pela falta de conservação, o poder público investe mais de R$ 1 bilhão na obra do estádio de futebol. Algo como se desgastado ginásio dissesse ao novo Mané Garrincha, um em frente ao outro: “Eu sou você, amanhã...”   

Por José da Cruz às 23h31

Mundial de Patinação. O desabafo de quem viveu a tragédia

             Transcrevo mensagens que recebi de leitores. A maior vergonha foi escancarada neste domingo, na abertura do Mundial de Patinação, na qual a principal autoridade não compareceu: o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, receoso de ser vaiado. Com certeza seria.

            Com a palavra o Ministério do Esporte, a Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação e o Governo do Distrito Federal. O que os senhores não fizeram é um desrespeito aos atletas, técnicos e dirigentes que vieram de 36 países.

            Não estamos falando de uma competição regional, cujos problemas emergenciais se resolve pela proximidade de todos, mas de um evento mundial, com numerosas delegações que se deslocaram para o desconforto, que conviveram com a desatenção  e que aqui conheceram o improviso rasteiro, que entristece a todos nós. 

                            

Balde

Estava lá, foi terrível, as meninas caindo por deslizarem nas poças d´água, tiveram que parar, ficaram um tempão esperando, vergonha total pra Brasília isso, já sabiam que nessa época sempre chove, o evento valoriza mais a cidade e deixam a desejar dessa maneira, desconcertante ver aquele balde imenso. Nos treinos em que houve chuva, os patinadores tinham que desviar do balde, decepção geral, como moradora da cidade eu só tenho a lamentar, pelas equipes, técnicos, familiares...muito triste isso..
Luciana

Sonho

Qualquer desportista sonha com o dia em que participará de um mundial. Com minha filha não foi diferente. Ela apostou neste sonho e eu também. Um sonho bonito, mas manchado pelo desrespeito. Quem não tem condições de algo não deve se habilitar a fazê-lo. Nós, pais de patinadores, vimos desmoronar nossos sonhos e também nossos filhos nesta pista, com sérios prejuízos psicológicos e materiais. Como brasileiros, confiantes num futuro melhor, vimos também este sonho desmoronar, tamanho foi o descaso na organização deste evento. Certamente que estas notícias se espalharão pelo mundo. Uma vergonha. Para quem viaja além dessa nossa terra, já fica pensando o que responder quando interrogado sobre o assunto! E, neste caso, dizer o quê sobre o nosso País?
Rejane

Despreparo

Com certeza esse foi o primeiro e também será o último evento desse tipo no Brasil, um total despreparo e desinteresse do governo do DF, onde esteve e o que foi feito pelo Ministro dos Esportes? afinal é o nome do nosso país que está lá, todos sabiam do problema das goteiras todos sabiam do Mundial e o que o governo fez? deu "calote" na empresa que iria fazer o reparo. Eu fico imaginando que imagem esses mais de 1000 atletas de fora pais irão levar do Brasil. Além de banheiros quebrados, mosquitos, lanches de qualidade duvidosa, atletas obrigados e esperar por mais de 2 horas, até decidirem o que seria feito, muitos com passagem marcada, compromissos, etc serem obrigados a permanecer mais 1 dia p competir, infelizmente eu só tenho a lamentar pela imagem do Brasil e pela Patinação.
Angélica

Desprezo

Tiveram 4 anos para se organizar. Evento mundial onde o Brasil vem se destacando. É uma modalidade levada a sério pelo mundo. Aqui, nosso país a desprezou. Foram sugeridos outros municípios com estrutura e know-how em eventos maiores. Mas o que falar, o que dizer, é a cara de "brasília" capital do "brasil". Evento sem água, sem banheiros, sem papel higiênico. E falam em olimpíadas, em copa do mundo. Será que damos conta de fazer um campeonato inter-bairros de jogo de botão?
André

Esquece

Agora, todos percebem o pq de a CBHP não gostar de divulgar eventos! é que não tem condições e nem preparo para isso, ninguém sabe, ninguém vê assim é melhor, não precisam dar satisfações a ninguém, só que dessa vez foi diferente, campeonato de qualquer jeito, o importante é receber as inscrições e vender uniformes, segurar vagas em hoteis , fazer casadinho entre passagem hotel e ingresso, não se preocuparam em buscar algo melhor....mês que vem o pessoal esquece e quem criticou será banido do esporte!
Nininha

Por José da Cruz às 00h17

20/11/2011

Mais um vexame em Brasília: suspenso o Mundial de Patinação

             A capital da República voltou a dar vexame internacional nesta noite, quando os organizadores do Campeonato Mundial de Patinação suspenderam o evento, devido às goteiras no Ginásio Nilson Nelson.

            A forte chuva que caiu em Brasília entrava com força pelas frestas do teto do ginásio. A pista molhada colocou sob risco a integridade física dos atletas, que começaram a cair em suas apresentações.

            Por volta das 19h45 os organizadores suspenderam as provas, quando se apresentava a equipe da Argentina. Italianas e brasileiras já tinham passado pela pista.

            Esta é a segunda vez em uma semana que a capital da República se expõe ao vexame internacional. Aqui estão delegações de 36 países no maior evento da patinação.

            Na segunda-feira, as delegações encontraram o ginásio Nilson Nelson imundo, com banheiros quebrados e sem segurança. Durante a semana, a Secretaria de Esporte entrou em ação de forma emergencial, para tentar dar condições de uso ao ginásio, em péssimo estado de conservação.

            É em Brasília, cidade onde os principais patrimônios históricos estão abandonados – o ginásio Cláudio Coutinho está prestes a desabar – que será realizada a Gymnasiade, evento da Federação Internacional de Desporto Escolar, que reunirá 45 países.

            A Gymnasiade no Brasil tem o apoio do governador Agnelo Queiroz, do Ministério do Esporte, e Associação Brasileira das Agências de Viagens do Distrito Federal. Todos ausentes na solenidade de ontem, no Ginásio Nilson Nelson, sob pena de serem vaiados.

Por José da Cruz às 22h41

19/11/2011

O ministro está trabalhando. Mas...

          Em pleno sábado, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, está trabalhando. Fez isso no feriado de terça-feira. Hoje, ele se reuniu com a organização dos Jogos Rio 2016. Ontem, conversou com a turma da Secretaria Nacional de Alto Rendimento. E ainda encontra tempo para ir ao twitter e responder aos seus leitores, entre eles este humilde repórter, que o provocou:

        “Ministro, o problema não é o alto rendimento, mas a base, a iniciação”.

Leitor

        A propósito, recebi de um leitor o seguinte comentário, que já publiquei no blog, reportando-se aos milhões de reais que os cofres públicos destinam ao esporte de alto rendimento, vindos do orçamento do ministério, Lei de Incentivo, sete estatais patrocinando 22 modalidades, Bolsa-Atleta e Lei Piva.

        Confiram a mensagem de José da Silva:

        Em nenhum outro país do mundo clubes de futebol arrecadam milhões da Lei de Incentivo, são patrocinados por estatais, possuem ajuda para cumprir com suas obrigações fiscais (Timemania) e ganham apoios financeiros para construção de seus estádios de futebol, como aqui!

         Agora, se o Esporte de Alto Rendimento (EAR) é altamente financiado pelo Estado, me responda:

        - Onde estão os nossos Centros de Alto Rendimento, os Centros de Treinamento e os de Desenvolvimento de Talentos?

        - Que seguro saúde possui os atletas?

        - Que apoio educacional e de formação profissional estão à disposição dos atletas?

        - Que apoio da ciência do esporte nossos atletas recebem?

        -Que apoio financeiro, sem atraso e burocracia, chega aos atletas?

        - Quantos Centros de Formação para Treinadores existem no país?

        - Os recursos dos convênios do Ministério do Esporte chegam realmente aos atletas? Se chegam, porque muitos reclamam?

        - Para que servem debates, estudos e relatórios produzidos pela Conferência Nacional do Esporte, se os mesmos não são colocados em prática?

Mais

        Se o COB recebe recursos da Lei Piva (mais de R$ 100 milhões este ano) e da Lei de Incentivo, porque ser contemplado com outros 10,8 milhões do Ministério do Esporte, em 2011, conforme convênios registrados na página do Portal da Transparência?

        Porque o Ministério está repassando dinheiro às confederações, se elas já são contempladas com verbas da Lei de Incentivo e da própria Lei Piva?

        O Ministério está (atenção Ministro) fiscalizando a real aplicação desses recursos? Porque, se observarmos as justificativas, observaremos que a destinação é comum e isso sugere duplicidade de aplicação de verbas em projetos afins.

        A Confederação de Desportos Aquáticos (CBDA) é exemplo real: recebe da Lei Piva, já captou mais de R$ 5 milhões da Lei de Incentivo e recebeu R$ 1 milhão do Ministério do Esporte.

Finalmente:

        Quem cuida da base do esporte no país? E qual a instituição ali aplica recursos? Os clubes? As federações? As confederações? O Comitê Olímpico? A CBDU? A CBDE?

        E como será a participação da Confederação Brasileira de Clubes neste contexto, já que também passou a ser contemplada com verba pública para “formação de atletas”?

        Na gestão do ministro anterior tentei respostas a essas indagações. Em vão.

        Bom domingo a todos.

Por José da Cruz às 16h27

18/11/2011

Matriz de responsabilidades dos Jogos 2016 será lançada em março

           A exemplo  da Copa 2014, os Jogos Olímpicos Rio 2016 terão “matriz de responsabilidades”.

             O documento, a ser lançado em março de 2012, detalhará as competências da União, Estado e Município do Rio de Janeiro, em termos de obras, valores e origem dos recursos financeiros.

            Na coletiva desta quinta-feira, em que o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, recebeu  o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Márcio Fortes, foi oficializado o retorno do consórcio APO ao seu espaço de origem, depois de uma temporada no Ministério do Planejamento.

Orçamento

            Márcio Fortes não citou números, mas o orçamento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro prevê gastos e investimentos de R$ 38,7 bilhões, valor projetado para 2016, conforme o relatório oficial da candidatura do Rio de Janeiro.

            O orçamento, porém, está passando por uma atualização,por membros do Comitê Organizador e autoridades da área econômica do governo federal.

            Os R$ 38,7 milhões estão divididos em duas categorias: o orçamento COJO (do Comitê Organizador dos Jogos) e o não-COJO (que são os compromissos dos governos, como segurança, transportes, Vila Olímpica, etc).   

            Atualmente, o consórcio Autoridade Pública Olímpica – formado por representantes da União, da Prefeitura e do Governo Estadual do Rio de Janeiro – funciona em duas cidades: Brasília e Rio, com uma estrutura de 15 funcionários. Porém, 181 cargos estão disponíveis. Em 2012, a APO terá um orçamento de R$ 80 milhões para despesas gerais. Nesse valor não estão incluídas os gastos com “pessoal”.

            Segundo Márcio Fortes, 47% das instalações estão prontas para receber os Jogos Olímpicos. Porém, um dos problemas que preocupa é o da manutenção.

            “A desvantagem de se concluir muito cedo os locais dos jogos é a necessidade de mantê-los até o dia do evento”, afirmou.

            A revelação demonstra como estamos distantes da real gestão dos grandes eventos. Ou: o Pan não serviu para nada!

            Enfim, esta manifestação do presidente da APO sintetiza a filosofia dos megaeventos no Brasil: construir pelo construir, pois a ausência de programas públicos voltados para os jovens é evidente.

Legados

            Assim como a Copa do Mundo, também para os Jogos Rio 2016  repete-se a rotina do Pan-2007: construir. A prioridade é o concreto, pois isso envolve relações de políticos com empreiteiras, que são as maiores financiadoras de campanhas eleitorais. Conseguem entender o alcance da filosofia do “construir”?

            Os principais legados negativos do Pan 7–, que levou ao esbanjamento de R$ 3,4 bilhões;

            - a ausência de calendário que aproveitasse as áreas esportivas com eventos atrativos nas várias modalidades. Ao contrário, as praças ficaram às moscas;

            - e, principalmente, a falta de um programa de formação de atletas, apesar da fartura de recursos aplicados pelo governo federal no alto rendimento em dois anos: R$ 685 milhões. O dinheiro é gasto de forma desordenada pelas instituições afins, sem que o Ministério do Esporte tenha o controle. É exigir muito, pois sobre isso o Ministério, oito anos depois de ter sido criado, não tem nem sequer  metas e prioridades.

            A coletiva de ontem no Ministério do Esporte foi acompanhada pelo secretário nacional de Esporte Alto Rendimento, Ricardo Leyser Gonçalves, justamente quem deveria responder a essas questões gravíssimas.

            Ricardo Leyser foi o representante do governo federal na trágica gestão do Pan 2007. E deverá ter lugar de destaque no consórcio da Autoridade Pública Olímpica.

            Agora vai.

Por José da Cruz às 07h42

17/11/2011

Depois da chuva, mosquitos invadem Mundial de Patinação

            Depois da chuva, que expôs a fartura de goteiras no ginásio Nilson Nelson, ontem foi a vez de os mosquitos invadirem a pista do 56º Campeonato Mundial de Patinação, que se realiza em Brasília, até o dia 27.

            A competição foi paralisada e voluntários entraram em ação para espantar os invasores da área de apresentação dos competidores. A foto foi publicada no portal do SuperEsportes, do Correio Braziliense.

             

            O Mundial de Patinação reúne 1.080  atletas de 32 países. Até domingo serão disputadas as provas da categoria Júnior. Depois será a vez da categoria Sênior, a principal da modalidade, de 21 a 26 de novembro. O acesso do público ao evento é gratuito.

            É na categoria Sênior que está inscrito o principal brasileiro  na modalidade, o gaúcho Marcel Stürmer, tricampeão pan-americano. Marcel chegou ontem à cidade e foi ao ginásio Nilson Nelson para conhecer o local da competição e confraternizar com os colegas.

               Informações atualizadas podem ser acompanhadas aqui

                Confira o site oficial da Federação Internacional de Patinação

                Confederação Brasileira de Hóquei e Patins

 

Por José da Cruz às 21h40

Autoridade Pública Olímpica

            O presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Márcio Fortes, reúne-se pela primeira vez com o novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

            Às 17h os dois vão conceder entrevista à imprensa. Fontes próximas do governo me informaram que deverá ser anunciado o retorno da APO à estrutura do Ministério do Esporte.

            Em julho último, pouco antes da crise ministerial que culminou com a queda de Orlando Silva, a presidente Dilma Rousseff havia transferido a APO para o Ministério do Planejamento.

            Agora, a se confirmar a volta dessa empresa às suas origens, fica evidente a falta de confiança do Palácio do Planalto na equipe que era dirigida pelo ex-ministro Orlando Silva.

            De outra parte o ministro Aldo Rebelo se fortalecerá política e institucionalmente. Porém, precisará ter um controle muito grande para que os cargos da APO não sejam invadidos por apadrinhados do PCdoB, pois para preparar o país aos Jogos de 2016 precisa-se de uma equipe altamente profissional.

Por José da Cruz às 15h46

A reforma que tanto se espera

            Psicóloga e doutora pela Faculdade de Educação da USP, Katia Rubio enviou mensagem pelo celular, depois de conhecer os três novos diretores do Ministério do Esporte, escolhidos por Aldo Rebelo, na terça-feira:

            “E agora, vai”?

            Autora de 15 livros na área de psicologia do esporte e estudos olímpicos, Katia sabe o que significa um Ministério politicamente fortalecido e tecnicamente bem definido. É tema comum de nossas conversas, várias ao longo deste ano. Sempre com a esperança de que, “um dia, vai...”

            A minireforma que Aldo Rebelo fez no Ministério do Esporte atende, prioritariamente, às necessidades daos megaeventos que vêm por aí. Os nomes escolhidos são qualificados para o diálogo internacional, também, e isso dará credibilidade ao governo, justamente o que nos faltava, como já escrevi.

            Internamente, a questão é outra.

            Os ministérios, Esplanada afora, servem de moedas de trocas com o Palácio do Planalto. É o tal “toma lá dá cá” ou “é dando que se recebe”.

            Com isso, a presidente Dilma – como ocorreu com Lula, FHC, Itamar, Sarney etc – garante maioria no Legislativo. Ou seja, aquela história de “independência dos poderes da República”... é bobagem mesmo!

            Portanto, com este panorama de troca de favores, não se poderia esperar uma reforma ministerial profunda. E o Ministério do Esporte continuará, sim, cabide de empregos para desecupados do PcdoB. É a regra do jogo, há anos...

            O ministro não mexeu, por exemplo, na estrutura da Lei de Incentivo ao Esporte, como se ali não houvesse problemas. Há. Graves problemas. Para que se tenha ideia, foi aprovado, por exemplo, projeto de R$ 4 milhões para o Mundial de Patinação, que se realiza em Brasília, quando R$ 600 mil seriam suficientes, me contou gente experiente. Ainda bem que não captaram nada dos R$ 4 milhões, mas é uma denúncia séria e precisa ser investigada. Isso sem falar nas relações de Julio Filgueiras, ex-diretor do Ministério e hoje comandando empresa que elabora projetos de esportes, depois aprovados pelos ex-amigos de trabalho...

            Também a Secretaria Nacional de Alto Rendimento manteve-se intacta. Ali continua Ricardo Leyser, filiado ao PcdoB. Deve ter sido a compensação ao partido, diante de outra demissão, a de Wadson Ribeiro, pré-candidato à prefeitura de Juiz de Fora (MG), para onde mandou muita grana do Segundo Tempo.

            Ricardo Leyser foi o homem do ministério no conturbado e suspeitíssimo Jogos Pan-Americanos de 2007.

            Suspeitíssimo porque, até hoje, quatro anos depois, nem o Tribunal de Contas da União, com sua estrutura de especialistas, conseguiu chegar a uma conclusão global das dezenas de irregularidades que ocorreram no evento de R$ 3,4 bilhões: pagamento de notas fiscais em dobro; pagamento por material não recebido; pagamento a mais para material de menos, superfaturamento, uma festa.

            Assim, se já era o favorito de Orlando Silva para ser o representante do governo no grupo para a Olimpíada Rio 2016, Leyser se fortaleceu na estrutura de Aldo Rebelo e, por extensão, valorizou o próprio PCdoB.

            Em nível de governo Leyser tem a história do Pan, sabe detalhes de cada um dos 36 processos que estão no TCU. Além, claro, de ter adquirido “experiência” em grandes eventos, fundamentais para o sucesso de missão tão nobre. Tenho dúvidas sobre o que ocorreria, caso Ricardo Leyser fosse demitido...    

Porém...

            São duas questões principais: o Ministério do Esporte ainda não disse a que veio. Oito anos depois de o PcdoB ter assumido a pasta, continua sem uma política de Estado. Tem apenas programas isolados e desarticulados das pastas da Saúde, Educação, Indústria e Comércio, Turismo etc.

            Com o espaço que ganhou, o Ministério tornou-se fiel repassador de recursos – milionários recursos – para vários beneficiados que atuam, também, desarticuladamente. Portanto, paralo à gestão dos megaeventos, Aldo Rebelo tem a obrigação – desculpe a ousadia, Ministro, mas espera-se isso do Senhor – de dar rumo ao Ministério do Esporte. Conseguirá?

Em segundo lugar:

            Ao dar prioridades para o esporte de alto rendimento e futebol profissional, o governo optou pelo “concreto”, em detrimento do desporto escolar, como determina a Constituição Federal, em seu artigo 217.

            É preciso repetir: o desporto escolar foi abandonado no governo do PT. E as Olimpíadas Escolares realizadas pelo COB tornaram-se evento elitista para justificar os recursos específicos da Lei Piva.

            Portanto, para quem veio da relatoria do difícil projeto da reforma do Código Florestal, como o deputado Aldo Rebelo, assumir a pasta do Esporte é um desafio enorme, diante do gigantismo dos eventos que vêm por aí e dos gravíssimos e históricos problemas acumulados em oito anos na pasta que ele assumiu.

            Assim, seria oportuno que o ministro desse continuidade aos diálogos que inaugurou com Lars Grael e Cafu, pois ex-atletas e gestores desse nível vivem a realidade do esporte aqui embaixo, onde ainda não chega a verba oficial.

            Procure ouvir Bebeto de Freitas, ministro. É um dos expoentes da gestão do nosso esporte, com longa vivência internacional,  mas há muito esquecido pela elite do olimpismo. Um desperdício o ostracismo de Bebeto;

            Chame o advogado paulista Alberto Murray Neto, que bem conhece o olimpismo mundial além de estar envolvido com um bem sucedido projeto social de atletismo na Fundação Sylvio de Magalhães Padilha – ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro;

            E a a própria professora Katia Rubio, pesquisadora e autora, reconhecida internacionalmente. Katia, que tem vivência intensa com atletas de ontem e de hoje, para as pesquisas que realiza.

            Finalmente, Ministro, vá às comunidades onde o esporte é desenvolvido na base, sem um só tostão dos cofres públicos. Ali, o Senhor terá uma aula de abnegação  dos técnicos e poderá avaliar o sonho de quem espera, um dia, ser atleta. O improviso e o entusiasmo dessa gente o motivarão, com certeza, a uma reforma de verdade no Ministério pelo qual tanto esperamos, mas que há oito anos frustra os desportistas em geral.

Por José da Cruz às 07h55

16/11/2011

Gol contra: o desperdício das oportunidades

             Motivada pela escolha de Brasília para ser uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014, a professora Ana Cristina Silveira Chaves idealizou o projeto “Um gol de educação na Copa de 2014”.

            Para tanto, passou utilizar a estrutura do Centro Interescolar de Línguas, tradicionais instituições de ensino de idiomas para estudantes da rede pública, criado em 1975. O objetivo do projeto é formar estudantes que atuarão como voluntários, na recepção aos estrangeiros no Mundial de Futebol.

            Com a realização do Campeonato Mundial de Patinação, até o próximo dia 27, em Brasília, a professora Ana Cristina decidiu colocar seus alunos à disposição do evento.

            Afinal, aqui estão 1.080 atletas de 36 países, e intérpretes são muito bem-vindos, claro. Ganhariam os visitantes, os alunos teriam oportunidade para desenvolver o idioma que aprendem e valorizariam a recepção da Capital da República.

            Acreditamos que alunos de escolas públicas, falando um idioma estrangeiro fluentemente e com conteúdo será um excelente cartão de visitas do nosso país para o restante do mundo na ocasião da Copa de 2014”, explicou a professora. “É uma excelente oportunidade de mostrar a qualidade da educação no Brasil”

            Em vão! Devido à precariedade financeira da organização do evento e o desinteresse do Governo do Distrito Federal em ser parceiro da competição internacional, os alunos não participarão como intérpretes.

             As explicações oficiais estão neste ofício, assinado pela professora Ana Cristina, que publicamos na íntegra porque o link que remetia ao mesmo deixou de funcionar:

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
DIRETORIA REGIONAL DE ENSINO DE CEILÂNDIA
CENTRO INTERESCOLAR DE LÍNGUAS DE CEILÂNDIA
Memo Nº156/2011 Ceilândia, 08 de novembro de 2011.
Do: CILC
Para: SEEDF/ DREC/ CILs
Assunto: Cancelamento da participação dos voluntários do Projeto Um Gol de Educação na Copa de 2014 no Mundial de Patinação Artística

        Informamos que a participação dos voluntários do Projeto Um Gol de Educação na Copa de 2014 no Mundial de Patinação Artística, que acontecerá
no Ginásio Nilson Nelson, na cidade de Brasília, DF, no período de 13 a 27 de novembro de 2011, foi cancelada.

        A organização do evento não disponibilizou transporte, alimentação e uniformes para os alunos, professores e coordenadores voluntários do
projeto, inviabilizando, dessa forma, a participação efetiva dos voluntários dos 8 (oito) Centros Interescolares de Línguas do DF – CILs (CIL 1 de Brasília, CIL 2 de Brasília, CIL Guará, CIL Taguatinga, CIL Brazlândia, CIL Gama, CIL Sobradinho, CIL  Ceilândia) no referido evento.

         Agradecemos a compreensão de todos que se prontificaram a participar, esperando contar com sua disponibilidade para futuros eventos do interesse
do projeto.

         Atenciosamente,

        Ana Cristina da Silveira Chaves - mat. 25. 301-4
        Idealizadora e coordenadora do projeto junto à SEEDF

Atualizado às 20h35

Por José da Cruz às 14h59

15/11/2011

Brasília: vergonha e vexame internacionais

            Brasília foi vergonhosamente reprovada no primeiro teste de um evento internacional de esportes.

            Sede de sete jogos da Copa do Mundo e recentemente eleita para receber as Olimpíadas Escolares Mundiais (Gymnasiade), em 2013, e candidata à Universíade de 2017, o governo do Agnelo Queiroz fracassou ao acolher o  Campeonato Mundial de Patinação Artística.

            O evento, com 1.080 atletas de 36 países – China, Estados Unidos, Itália, Nova Zelândia, Alemanha, Holanda, França, Índia, Austrália, Brasil etc – de ontem até o dia 27, na capital da República, tem uma infraestrutura que envergonha brasilienses e brasileiros diante dos visitantes.

Água

            O treino da tarde de ontem e da manhã desta terça-feira foram suspensos. Brasileiros e estrangeiros ajudaram a espalhar baldes na pista de 46x27m, devido às goteiras na cobertura do principal ginásio da cidade, o Nilson Nelson, com capacidade para 25 mil pessoas.

            Chamada para socorrer o evento de um festival aquático a empresa responsável se negou realizar o trabalho. O governo do Distrito Federal não pagou o último conserto da cobertura. Calote.

            Os sanitários do ginásio são do nível de mercado público:  sujos, fedorentos, quebrados, paredes riscadas, portas quebradas.  Garotas de algumas delegações perguntavam aos seguranças – que não entendiam o idioma estrangeiro –  “onde encontrar papel higiênico”,  me relatou a mãe de uma atleta, vermelha de vergonha com o que assistiu.

       

             Faltaram baldes para acumular a água das goteiras

Orçamento

            O mundial de patinação – modalidade que tem no gaúcho Marcel Stürmer tricampeão pan-americano o expoente nacional – estava marcado para Blumenau (SC). O ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, pediu para trazer o evento para Brasília, e ofereceu “apoio” aos dirigentes.

            Um projeto de R$ 4 milhões foi aprovado pela Lei de Incentivo ao Esporte, mas nenhum tostão foi captado. E começaram as despesas e dificuldades.

            Os R$ 600 mil que viriam do Ministério do Esporte ficaram na promessa e os problemas cresceram com o desinteresse explícito do Governo do Distrito Federal.

            Para transportar 1.800 atletas entre os hotéis e o local da competição, Agnelo Queiroz autorizou  um ônibus e uma Van. E ainda cobrou R$ 6 mil pelo aluguel do ginásio com goteiras e instalações imundas.

Serviços

            No local do evento, o vistoso Ginásio Nilson Nelson, no Eixo Monumental, não há uma só referência ao Campeonato Mundial que reúne os maiores patinadores do mundo, entre eles os favoritos italianos.

            Estados Unidos, Argentina e Brasil completam o TOP da modalidade. As delegações estão sem apoio turístico, pois assim como a Secretaria de Esporte e a de Cultura, também a de Turismo ignorou o Mundial,  que reúne dois mil estrangeiros em Brasília por duas semanas.

            Um bar com lanches de qualidade duvidosa  era visto sob suspeitas por dirigentes, técnicos e atletas estrangeiros, que ali buscavam algum alimento, antes da abertura do evento.

            O vice-presidente da Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação, Alexandre de Almeida Filho, está atônito. “Este Campeonato Mundial poderia ser um evento teste para Brasília, pois aqui estão atletas, técnicos, árbitros e dirigentes de 30 nacionalidades”, lamentou o dirigente, numa tristeza evidente ao apresentar Brasília diante do mundo da patinação.  

            Voluntárias, mães de atletas supriram com dificuldades a falta de estrutura que o Governo de Agnelo Queiroz não ofereceu ao evento. Elas prepararam, por exemplo, as placas com nomes dos países, que foram usadas no desfile das delegações.

            Alguns pais de atletas de cotizaram e socorreram a CBHP, além de US$ 50 mil da Federação Internacional da modalidade, para as despesas emergenciais.

            Na delegação brasileira os problemas não são menores. Para representar o país, cada atleta precisou pagar R$ 500,00 pelo uniforme da competição.  Mas somos um país olímpico...

            Brasil, o país da  Copa 2014 e da Olimpíada 2016 é amador na estrutura governamental do esporte, e expõe isso vergonhosamente aos estrangeiros que nos visitam.

            Na sede do poder da República e do Ministério do Esporte, o vexame é internacional.  Aqui, liderados pelo governador Agnelo Queiroz, secretários da Educação, Cultura, Esporte, Turismo etc foram reprovados no vestibular de um grande evento.

             Pior: foram irresponsáveis, antes de serem incapazes.  

            Vocês nos envergonham!

Por José da Cruz às 22h06

Copa 2014: obras de mobilidade urbana receberam apenas 1,3% do previsto

Do Contas Abertas

Por Dyelle Menezes

         As obras de mobilidade urbana são parte importante do legado da Copa do Mundo de 2014. Mas, em termos orçamentários, o setor não deu o ponta pé inicial. A rubrica “mobilidade urbana”, administrada pelo Ministério das Cidades (MC), desembolsou apenas 1,3%, dos quase R$ 650,2 milhões previstos para serem aplicados este ano.

            Desconsiderando os dispêndios com os “restos a pagar”, compromissos assumidos em gestões anteriores, apenas 0,02% foram realmente pagos.

            A reportagem completa está aqui.

Por José da Cruz às 16h00

Bom feriado

Enquanto preparo outra mensagem sobre as mudanças no Ministério do Esporte, desejo aos leitores um ótimo feriado

Por José da Cruz às 11h02

A polêmica soberania da FIFA sobre o Estado

Do Blog do Noblat 

FIFA versus Dilma

            Por Joaquim Falcão 

            Mas afinal, quem manda no Brasil? Em principio não é nem Dilma nem a FIFA. É a Constituição. Portanto, a disputa jurídica entre elas tem de ser analisada a partir da Constituição. E é fácil de entender.

            Para ter a Copa, o Brasil apresentou através de seu então presidente Lula um compromisso formal com a FIFA, obrigando o Brasil a oferecer onze garantias tais como permissão de trabalho, de entrada e saída, isenção de impostos para a FIFA, segurança e proteção, indenização.

            Por sua vez, o presidente da FIFA, Blatter, obrigou-se também diante do Brasil, a realizar a Copa no Brasil e a outra serie de ações.

            Agora a FIFA quer vender bebida nos estádios. O que nossa lei proíbe. Não quer meia entrada para jovens e idosos. O que nossa lei garante.

            O artigo completo está aqui

Por José da Cruz às 10h52

14/11/2011

Aldo Rebelo dá equilíbrio técnico-político à gestão do Ministério

 

      A primeira – quem sabe a única – grande reforma nos gabinetes do Ministério do Esporte, após a crise institucional que culminou com o afastamento do ex-ministro Orlando Silva, foi anunciada pelo ministro Aldo Rebelo, nesta tarde, em Brasília.

      O perfil dos três novos secretários – sem filiação partidária – tem forte relação com a área internacional, justamente onde o governo brasileiro atuará nos próximos seis anos devido à realização da Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

        Paula Pini será a secretária-executiva, que na hierarquia de governo é o cargo imediato ao do ministro de Estado. Ela entrará no lugar de Waldemar Manoel Silva e Souza, que já se afastou do órgão.

      O diplomata Carlos Henrique Cardim assumirá a Assessoria Internacional no lugar de Ana Prestes.

     Já na Secretária de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social – onde está o programa Segundo Tempo – um almirante da Marinha, Afonso Barbosa, ex-diretor da Escola de Guerra Naval, será o comandante.

     Ao contrário das especulações, Aldo Rebelo optou por um gabinete mais técnico e menos político. Em compensação, manteve Ricardo Leyser, filiado ao PCdoB, na Secretaria de Alto Rendimento. E nesse cargo não pretende mexer, conforme informou na coletiva de hoje.

Quem é quem

Paula Pini – Secretaria Executiva – especialista em desenvolvimento urbano, com mais de 20 anos de experiência em operações de financiamento de agências multilaterais. Desde 1998, ocupa o posto de especialista sênior para o Desenvolvimento Urbano no Banco Mundial, em Washington. É graduada pela Universidade de Paris – Sorbonne, onde também fez mestrado em Desenvolvimento Rural. Paula Pini já ocupou posições de coordenação na Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos e no Consórcio Nacional de engenheiros Construtores. Atualmente, é executiva do Banco Mundial para assuntos da África.

Carlos Henrique Cardim – Assessor Internacional. Diplomata, já ocupou cargos na Noruega (onde foi embaixador, até 2011), Paraguai, Estados Unidos, Venezuela, Chile e Argentina. É professor do Instituto Rio Branco e do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi assessor do ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República (1997) e de diretor do Centro de Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência e Tecnologia (1999). É doutor em Sociologia pela USP.

Afonso Barbosa – Secretário de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social fez carreira na Marinha, de onde se retirou em 2007, no cargo de vice-almirante. Foi assessor parlamentar da Presidência da República na Constituinte de 1988. Ex-diretor de Política e Estratégia do Ministério da Defesa.

Minha análise

           A formação do novo gabinete do Ministério do Esporte tem o perfil que a presidente Dilma Rousseff tentou dar ao seu governo, sendo obrigada, porém, ceder às prioridades políticas.

          Com os nomes agora escolhidos, além de afastar alguns assessores intimamente ligados à política de seus estados, como Wadson Ribeiro (PCdoB/MG), que comandava o Segundo Tempo, Aldo Rebelo, que traz a experiência de ser deputado federal, deu equilíbrio à proporção técnica-política. Manteve um filiado ao PCdoB – Ricardo Leyser – numa secretária de expressão, a de Alto Rendimento, e se assessorou de profissionais experientes, dando à pasta e ao governo credibilidade nas ações e relações internacionais preparatórias à Copa e Olimpíada.

         Com isso, Aldo Rebelo também reduziu a influência da União Nacional dos Estudantes (UNE), da qual foi presidente, com a saída principalmente de Waldemar Manoel de Souza e Wadson Ribeiro. Acredito que os cargos de assessorias serão preenchidos por titulares experientes, diante da missão que o Ministério tem pela frente. Assim, sem perder a característica de ser um “ministério do PCdoB”, Aldo dá novo rumo à pasta, oito anos depois de o partido ali ter chegado. Mas acredito que para esta mudança foi decisiva a "orientação" da presidente Dilma Rousseff.

Por José da Cruz às 18h10

Ministério do Esporte

     O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, concederá coletiva às 16h para informar os nomes que vão compor sua equipe.

     O anúncio ocorre 14 dias depois de o deputado Aldo ter assumido o cargo no lugar de Orlando Silva, que saiu sob fortes indícios de corrupção, principalmente no programa Segundo Tempo, que estão sendo investigados.

Por José da Cruz às 14h40

13/11/2011

Copa 2014: sobrinho de Blatter lucra com venda de ingressos

          A empresa familiar que vincula o presidente da Fifa, Sepp Blatter, a seu sobrinho, Philippe Blatter, foi premiada com os 450.000 melhores ingressos para a Copa de 2014, no Brasil, apesar da desastrosa performance de seu programa de hospitalidade corporativa, na Copa da África do Sul, no ano passado. A informação está no site do jornalista inglês Andrew Jennings, que recentemente esteve no Senado Federal revelando os bastidores da corrupção no futebol mundial.

        Os irmãos mexicanos Jaime e Enrique Byrom fazem negócios com a venda de bilhetes da FIFA desde 1986. Eles possuem 85% da Match Hospitality – que negociará os ingressos - , enquanto Phillippe Blatter tem 5% na parceria. O grupo Dentsu, de japoneses, ex-sócios na empresa de marketing e agora falida ISL, suspeita de ter pago propinas de US$ 100 milhões para dirigentes esportivos, principalmente na FIFA, tem 5% de participação no negócio.

        O Hospitality são áreas especiais e luxuosas nos estádios, reservadas para torcedores VIPs, poderosos empresários internacionais e influentes políticos.

        Segundo Jennings, não há concorrência para definir quem venderá os ingressos desses privilegiados espaços nos estádios. A FIFA anunciou que “após uma avaliação, a Match Hospitality mostrou-se a candidata mais adequada”.

        Além da Copa no Brasil, a FIFA estendeu a concessão do Hospitality para a Rússia 2018 e Qatar 2022. Ou seja, mesmo que Blatter venha a se afastar da FIFA, os melhores ingressos para as próximas copas do mundo continuarão nas mãos da família.

         Informações confidenciais indicam que os irmãos Byrom lucrarão com a venda dos ingressos “para as 250 maiores empresas e pessoas com alto patrimônio" – interessadas em aproveitar as emoções do futebol em negócios e decisões políticas.

        O ingresso mais caro neste sistema será em suítes que ofercem estacionamento privativo, serviço de hotel de primeira linha e as boas vindas de belas garotas. Alguns preços já foram anunciados – chegando a US$ 2,3 milhões para suites de luxo no Rio, São Paulo e Belo Horizonte.

        Os irmãos Byrom têm 12.000 bilhetes Hospitality para o jogo de abertura, em São Paulo. Se o Brasil avançar na competição, mais 20.000 ingressos estão nas mãos da dupla privilegiada por Blatter.

        Segue o jogo, e se o Brasil passar às quartas-de-final, mais 20.000 bilhetes estão com os irmãos. Na fase semi-final eles têm 24.000 ingressos garantidos para os dois jogos. Para a  Final no Rio eles têm pelo menos 12.000.
Fracasso

       Na África do Sul, no ano passado, o Byrom receberam 380 mil ingressos no pacote de “hospitalidade”. Para a Copa o Brasil, serão 70.000 a mais. Assim, eles esperam recuperar o prejuízo que tiveram na Copa 2010, estimadas em 50 milhões de euros.

Por José da Cruz às 21h13

Ministério do Esporte: duas semanas, e Aldo não mudou a equipe

         O repórter Erich Decat assina reportagem no Correio Braziliense de hoje: “O dilema de Aldo é montar a equipe”.

            As dificuldades para contratar são os baixos salários oferecidos e os recentes escândalos na Esplanada. Os bons profissionais não querem ter seus nomes vinculados a uma região do Executivo onde toda semana surge um escândalo de corrupção.

            A reportagem completa está aqui.

            Porém, o ministro Aldo, que amanhã completa duas semanas no poder, sem alteração nos cargos chaves, poderia se voltar para os funcionários da Casa. Há muitos com excelente formação. E, por serem de funcionários de carreira têm mais ardor ao trabalho que realizam. São responsáveis na execução do bem público. Ao contrário dos que vêm de fora, correligionários e políticos de ocasião, apenas para preencher o cargo e faturar o salário.

            Enquanto não trocar os principais assessores, o Ministério do Esporte continuará como casa suspeita de irregularidades, investigada que é por profunda corrupção que ali se instalou, com um ex-diretor, inclusive, Júlio Filgueiras, que se transformou em empresário da área de esportes, usufruindo das amizades para aprovar seus projetos. E o ministro Aldo Rebelo sabe sobre tudo isso.

Por José da Cruz às 17h29

Patrimônio do governador Agnelo Queiroz aumentou 413% em quatro anos

       A reportagem da revista Época – “Chantagens, propinas e contradições” – está aqui

Por José da Cruz às 10h08

0s bastidores do tráfico

Meu encontro com Nem

RUTH DE AQUINO

           Impressionante depoimento de Nem, duas semanas antes de ser preso, à repórter Ruth de Aquino, da revista Época:

       Tráfico - “Sei que dizem que entrei no tráfico por causa da minha filha. Ela tinha 10 meses e uma doença raríssima, precisava colocar cateter, um troço caro, e o Lulu (ex-chefe) me emprestou o dinheiro. Mas prefiro dizer que entrei no tráfico porque entrei. E não compensa.”

            Leia a entrevista.

Por José da Cruz às 09h58

12/11/2011

Segundo Tempo: Instituto Cidade – Convênio extinto tem alimento estocado

 PF encontra fardos de comida não utilizados por entidade; presidente alega “eficiência, controle e organização”

Do jornal Tribuna de Minas
Por Daniela Arbex e Táscia Souza

Alimentos que deveriam ter sido entregues a seis mil crianças e adolescentes inscritos em 60 núcleos do programa esportivo Segundo Tempo, cujo convênio entre o Ministério do Esporte e o Instituto Cidade expirou em setembro deste ano, foram encontrados ontem à tarde pela Polícia Federal (PF) nas dependências da entidade.

Mais de cem fardos com sopa, pudim e refrescos são mantidos em depósito localizado no mesmo prédio da organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), no Centro de Juiz de Fora. Apesar de os produtos ainda estarem na validade, chama atenção a quantidade de material que não chegou ao seu destino: meninos e meninas em situação de vulnerabilidade. O presidente do instituto, José Augusto da Silva, afirmou que o estoque de alimentos não demonstra má gestão de recursos públicos e nem número de alunos em quantidade inferior ao acordado em convênio com o Ministério do Esporte e, sim, "eficiência, controle e organização" na prestação do serviço. Segundo ele, como foi a primeira vez que a instituição fez esse tipo de compra, foram adquiridos gêneros alimentícios em quantidade maior do que a necessária, a fim de garantir o atendimento de todos os participantes do projeto. Antes da ação dos agentes federais, ainda pela manhã, José Augusto compareceu à sede da PF, onde prestou depoimento sobre a aplicação dos R$ 9,5 milhões repassados para a Oscip, entre 2006 e 2010, pelo Governo federal.

Amostras dos produtos foram recolhidas pelos agentes federais e se somam aos 16 malotes de documentos e mídias eletrônicas apreendidos quinta-feira no Instituto Cidade, na residência de José Augusto e na fábrica de material esportivo, após operação deflagrada para apurar supostas irregularidades nos convênios firmados entre o Ministério do Esporte e a entidade. "Vamos checar item por item e questionar situações como essa e outras denunciadas em reportagem da Tribuna. Quem estiver envolvido será chamado para se explicar. Os fatos serão descortinados e, se chegarmos a conclusão que houve desvio de recursos, vamos atrás do caminho do dinheiro", declarou o delegado chefe da PF, Cláudio Dornelas.

Questionado pela Tribuna sobre as sobras de comida, José Augusto garantiu que a meta de atendimento foi alcançada. "Os alimentos foram oferecidos em quantidade suficiente para atender a todos. Como temos um estoque central e fazemos a distribuição, isso demonstra controle, que fomos eficientes e organizados, a fim de não faltar lanche para ninguém. As sobras foram comunicadas ao Ministério do Esporte e serão recolhidas pelo órgão. Provavelmente, o ministério vai entregar esses produtos em escolas", diz. José Augusto não soube explicar o motivo pelo qual o ministério ainda não procedeu a busca dos gêneros estocados há pelo menos dois meses, já que o convênio número 01978/2009, cujos repasses federais chegaram a R$ 2.365.116, teve sua vigência finalizada em 2 de setembro de 2011.

Sopas prontas estão entre os itens incluídos pelo instituto no cardápio do programa . "O programa fala em lanche. Entendíamos que tínhamos que buscar uma alimentação mais rica", explicou José Augusto. Apesar de tanto as sopas quanto os refrescos necessitarem de água para serem consumidos, muitos núcleos do programa não contavam com infraestrutura para preparação dos lanches. O presidente do Instituto Cidade discorda e garante que os espaços dispunham de infraestrutura mínima. Naqueles com maior precariedade, os lanches eram feitos, segundo ele, nos centros comunitários.


José Augusto é ouvido por 3 horas

Marcado para 10h30, o depoimento do presidente do Instituto Cidade, José Augusto da Silva, na Polícia Federal, se estendeu pelo início da tarde de ontem e foi acompanhado por dois advogados. Na chegada à sede da PF, dez minutos antes do horário, ele demonstrou incômodo com a situação, mas afirmou estar tranquilo. Ouvido por quase três horas pelo delegado Ronaldo Guilherme Campos, que preside o inquérito, José Augusto disse ter respondido a todas as perguntas. Embora tenha considerado o depoimento "normal", ele se recusou a falar sobre o teor dos questionamentos da PF, alegando que a investigação corre em "segredo de Justiça".

"Prestei todas as informações solicitadas. Vamos aguardar agora o desenrolar das investigações e os novos contatos",disse, garantindo, mais uma vez, que pretende colaborar com o trabalho dos agentes. Procurado pela Tribuna, o delegado Campos afirmou que não iria se pronunciar neste momento. No entanto, já se sabe que as declarações serão confrontadas com o vasto material recolhido pelos agentes um dia antes, a partir de mandado de busca e apreensão deferido pela 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Juiz de Fora. Campos já havia afirmado, na quinta-feira, que os levantamentos iniciais do inquérito já demonstram "frontal discrepância entre o montante dos repasses financeiros e a precariedade dos núcleos abrangidos pelo programa do Esporte (Segundo Tempo)". Dos R$ 9,5 milhões repassados pelo ministério ao Instituto Cidade, R$ 4,3 milhões foram destinados à manutenção de 90 núcleos esportivos comunitários na cidade e região, referentes ao Segundo Tempo entre 2006 e 2011.

Embora a PF descarte qualquer motivação política para deflagrar a operação, a ação teve repercussão nacional, já que a expectativa é que a investigação alcance homens de confiança do ex-ministro Orlando Silva, entre eles Wadson Ribeiro, atual Secretário Nacional de Esporte, Lazer e Inclusão Social. Ele assina a maior parte das liberações de recursos para a Oscip de Juiz de Fora. "A investigação não observa partido político, credo, nem cor. Todos que participaram serão ouvidos", afirma o chefe da PF, Cláudio Dornelas, sem citar nomes neste momento.

Por José da Cruz às 20h55

11/11/2011

Copa e Olimpíada terão verba suplementar de R$ 361,2 milhões

            O dinheiro foi liberado pelo Decreto presidencial de quinta-feira passada, a título de “crédito suplementar”.  

            Um dos programas mais escandalosos do Ministério do Esporte, que prevê a instalação de circuito de TV em estádios de futebol, para o controle de torcidas, consumirá R$ 13 milhões. Trata-se de uma exigência do Estatuto do Torcedor, determinando que os estádios instalem tais circuitos fechados. Diante da omissão dos cartolas quem vai pagar a conta é o contribuinte. Impressiona a facilidade como o governo federal libera recursos para o futebol profissional, atividade altamente rentável e, pior, não cumpridora das determinações, como neste caso especíico da segurança nos estádios.

            Para a preparação e organização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos foram destinados  com R$ 340,4 milhões, segundo o mesmo decreto.

Enquanto isso...

            ... para o projeto de funcionamento de Núcleos de Esportes Recreativos e de Lazer, no Estado de São Paulo, estão reservados míseros R$ 250 mil... Justamente projetos que beneficiam comunidades carentes de lazer são as que menos recebem.

            Apesar dessa miséria para projetos sociais, é preciso ficar atendo para ver as regiões em que serão aplicados, pois é comum o dinheiro ser destinado para zonas eleitorais onde estão candidatos ligados ao partido do ministério doador da grana.

 

Por José da Cruz às 22h02

10/11/2011

Polícia Federal apreende material do Segundo Tempo em Juiz de Fora

            Uma semana depois da queda do ministro Orlando Silva, Wadson Ribeiro – pré-candidato à Prefeitura de Juiz de Fora, em 2012 – continua titular da Secretaria de Esporte Educacional do Ministério do Esporte. Enquanto isso, a Polícia Federal investiga o desvio de dinheiro do Segundo Tempo para abastecer campanhas eleitorais do PCdoB, e apreendeu computadores, documentos e arquivos na casa de José Augusto da Silva, em Juiz de Fora (MG), nesta quinta-feira.

            José Augusto, que em 2010 foi um dos coordenadores da campanha de Wadson Ribeiro (PCdoB) para a Câmara dos Deputados, é o presidente do Instituto Cidade, ligado a uma fábrica de material, fornecedora do programa Segundo Tempo.

            A informação é do repórter Marcelo Portela, correspondente de O Estado de S.Paulo em Belo Horizonte.

            Diz a notícia:

            No ano passado, José Augusto foi um dos coordenadores da campanha para deputado federal de Wadson Ribeiro (PCdoB), braço direito do ex-ministro do Esporte Orlando Silva, que deixou o cargo após série de denúncias de desvio de recursos em convênios, principalmente do programa Segundo Tempo. José Augusto foi intimado para prestar depoimento no inquérito ainda nesta sexta-feira, 11.           

            O material encontrado encheu 16 malotes e, segundo o chefe da PF em Juiz de Fora, delegado Cláudio Dornelas, foi apreendido com autorização da Justiça para evitar que possíveis provas de desvio "se perdessem no tempo". A instituição instaurou inquérito para apurar suspeita de desvio de recursos do Segundo Tempo por parte do Instituto Cidade, que recebeu nos últimos anos aproximadamente R$ 9,5 milhões do Ministério do Esporte.

            De acordo com o delegado, há suspeita de uso de recibos fraudulentos, notas fiscais frias e superfaturamento de produtos comprados com a verba federal e a polícia investiga a possibilidade de os recursos terem sido desviados para abastecer campanhas eleitorais do PCdoB. "Há indícios de que recursos não foram aplicados no Segundo Tempo", disse o policial.

            Ainda segundo Dornelas, deve ser formada uma força-tarefa de peritos contábeis da PF para analisar a documentação e a polícia não descarta a possibilidade de realizar novas buscas. Com relação à suposta participação de outras pessoas no esquema, o delegado afirma que todos que forem citados nos documentos ou depoimentos serão chamados para serem ouvidos.

            Assim termina a reportagem de Marcelo Portela:

            “Além de agentes da PF, as buscas na fábrica também tiveram a participação de auditores do Ministério do Trabalho, já que os funcionários são contratados por meio de uma cooperativa, mas o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da entidade não está registrado na Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg) e será investigada a legalidade dos contratos”.

Memória

             Na semana em que o Ministério do Trabalho tropeçou em denúncias de corrupção, provocando revelação afetiva do ministro, Carlos Lupi, ao declarar seu “amor” pela presidente Dilma Rousseff – o que um político é capaz para se manter ministro... – a notícia de investigações nas suspeitas de fraudes no Ministério do Esporte demonstra que a Polícia Federal está agindo. As denúncias de corrupção no Segundo Tempo não ficaram no esquecimento.

            Até agora, a reforma ministerial não ocorreu. Os colaboradores de Orlando Silva, que caiu por não agir com rigor contra as denúncias de corrupção, continuam nos seus cargos. O esquema não foi desmontado e é nesse ambiente que trabalha o ministro Aldo Rebelo.

Por José da Cruz às 23h35

Neymar, o Santos e o mundo

No Correio Braziliense

Bernardo Scartezini

            Esta aqui é só para que tu vejas como o Brasileiro-2011 é um troço de maluco: o grande craque e o goleador máximo do certame não jogam por nenhuma equipe ainda a disputar o caneco.

            Estou a me referir, claro, a Neymar e Borges, os melhores jogadores do Santos a esta altura do campeonato. Mesmo que o alvinegro praiano, num clima Renato Gaúcho, esteja apenas a “brincar” neste Brasileiro. Desde de que venceu a Libertas-2011, o Santos meteu o boi na sombra e faz hora para enfrentar o Barcelona, em dezembro, no Mundial de Clubes. Isso, claro, se nenhum Mazembe aparecer...

            Se a ideia era tirar o pé, faltou avisar a Borges e Neymar.

            Borges foi contratado com o Santos já campeão da Libertadores e chegou disposto a fazer valer sua entrada no time mais quente das Américas. Não parou de meter gols. E ninguém nem se lembra mais de Zé Love, o antigo centroavante de pé torto. Até Neymar, parceiro de dancinhas do Zé Love, parece estar ainda mais à vontade agora que encontrou Borges.

            Menino Neymar tanto aprontou que foi parar na lista da Fifa de candidatos a Melhor de 2011. Ele é o único jogador entre os 23 indicados que joga fora da Europa. Os mais cínicos dizem que se trata de uma média da Fifa com o país da Copa de 2014. Bem, pode até ser. Não seria a primeira vez que a cartolagem, movida pelas razões erradas, acerta em cheio.

            As chances de Neymar na eleição da Fifa são pequenas. Não que tenha muita gente jogando mais do que ele por aí. Tem o Messi, o Cristiano Ronaldo, o Iniesta, talvez o Schweinsteiger ou o Rooney... Quem mais?

            As chances de Neymar são pequenas, porque poucos gringos viram Neymar alucinar por estas bandas. A melhor chance que o moço teve de aparecer para o mundo inteiro, na recente Copa América, ele não aproveitou. (Luizito Suárez aproveitou e já voltou embalado para o Liverpool, se bobear termina a eleição na frente do santista.)

            Neymar merece desde já toda a sorte na votação da Fifa e merece ser o Craque do Brasileiro-2011 porque em momento algum desta temporada ele sossegou. Nem quando o time do Santos passou a andar em campo para ver se dezembro chegava mais rápido. Nem quando pegou aviões seguidos para jogar no México, na Costa Rica, no raio que o parta. Nem quando esteve sem Paulo Henrique Ganso ao seu lado, e olha que ele esteve sem Ganso praticamente o ano inteiro.

            E Neymar ainda foi um dos protagonistas do melhor jogo de futebol do ano, ao lado de seu companheiro Borges e de seu ídolo Ronaldinho Gaúcho. O Santos x Flamengo do primeiro turno do Nacional, na Vila Belmiro. O terceiro gol do Santos naquela noite é um dos momentos mais sublimes da arte contemporânea: Neymar dando o drible da vaca em Angelim na meia-lua e tirando do arqueiro Felipe num toque sutil uma fração de segundo antes de Junior Cesar chegar num carrinho.

            Neymar está na capa do Pro Evolution Soccer 2012 e já passei algumas tardes brigando com o joystick, tentando fazer qualquer coisa próxima àquilo. À toa, claro.

Por José da Cruz às 20h24

Licença quase nada poética para atacar Pelé

Na Folha de S.Paulo

Por RODRIGO BUENO

PELÉ É MITO, e atacar algo assim é sempre uma missão complicada, mesmo para quem tem senso crítico e para quem não se intimida diante do maior jogador de futebol de todos os tempos.

Falar mal do Edson muitos já falaram. Mas não farei isso com meu velho amigo. Estive no lançamento do livro "Primeiro Tempo", que mostra o início da trajetória do Rei. A coletiva foi saborosa, com o intocável tocando em diversos assuntos.

Pelé cometeu uma série de equívocos, alguns por desinformação, uns por desrespeito, o que me parece de fato deselegante (não acho que tenha sido com a Xuxa).

O Rei sugeriu que Messi visse "Pelé Eterno". Boa dica, mas não dá para ele repetir duas vezes que "Messi já tem 15 anos de carreira".

Talvez o melhor do mundo atual (só 24 anos de idade) tenha isso pela frente.
Não dá para Pelé dizer que o "Real Madrid nunca foi campeão do mundo" (o Mundial nasceu muito por conta do Real, o primeiro vencedor, em 1960) nem tratar Di Stéfano com o desdém que demonstrou. "Não sei se voltou à Argentina depois", soltou sobre o Senhor mais reverenciado em Madri.

A Majestade do futebol vive ainda de sua imagem e deveria ter cuidado ao praticamente se colocar como responsável pela Copa nos EUA, pela divisão da Copa de 2002 entre Japão e Coreia, pela realização da Copa da África do Sul (por ter levantado US$ 25 mi com Bill Gates e Bono Vox) e pela Copa de 2014 no Brasil (era candidato único, barbada).

Claro que a crítica mais fácil é dizer que Pelé quase posa de advogado de Ricardo Teixeira e do ex-ministro Orlando Silva, dupla sobre a qual "não há provas", e que defende as ingerências da Fifa no país. Mas o que doeu mesmo foi ver o maior nome do futebol desconhecer e/ou desvirtuar tanto a história de seu belo esporte.

Rodrigo Bueno, jornalista e comentarista de TV, analisa o futebol internacional desde 1997. Formado em jornalismo, trabalha na Folha desde 1995, participando de coberturas importantes, como a Olimpíada de Atlanta (1996).

 

Por José da Cruz às 12h18

09/11/2011

Neymar, o craque do Banco?

          O companheiro Ricardo Perrone antecipou em seu blog que o Banco do Brasil deverá desembolsar em torno de R$ 3 milhões para o cachê do craque Neymar, que se tornará garoto propaganda da estatal. O Santos não confirma a parceria, mas faz sentido.

           Guga Kuerten e o Robert Scheidt fazem parte do time institucional do BB que, sem dúvida, tem uma estrutura de marketing sem igual. A parceria de 20 anos com o vôlei é exemplo de profissionalismo e de resultados. É um negócio real com vantagens para as duas partes. Há algum tempo o Bradesco tentou desbancar o Banco do Brasil dessa parceria. Não conseguiu.

            Um leitor atento me questionou sobre a fartura de dinheiro de uma estatal destinada a um jogador de futebol. Comento a partir das informações que disponho, independentemente da confirmação da parceria.

            No ano passado, o Banco do Brasil destinou R$ 56 milhões para  marketing esportivo. São R$ 60 milhões este ano.

            O dinheiro destina-se a projetos de marketing esportivos –  há outro tanto para projetos culturais – que as estatais reservam em seus orçamentos, a título de “investimentos”.

            Ao contrário de “antigamente”, não é mais “apoio” ou “ajuda” ao esporte. São aplicações que prevêem retornos de imagem para o investidor, agregando credibilidade e resultados a partir da exposição da imagem vitoriosa de seus “craques”.

            Os Correios fazem isso com os desportos aquáticos e futsal; a Infraero tem parceria com o judô, a Petrobras aplica em cinco modalidades; Caixa e atletismo são parceiras há 10 anos... e por aí vai.

            Dizem os profissionais de marketing que “esporte provoca emoções e emoções vendem”. Deve ser verdade.

            A permanência de Neymar no Brasil é, por extensão, o fortalecimento do nosso futebol – de transparência opaca e maltratado pela cartolagem  – e um prêmio ao torcedor. Ter Neymar  atuando por aqui até a Copa de 2014 sugere que os clubes invistam no fortalecimento de suas equipes. E os campeonato se tornarão mais atrativos e valorizados. Porque, antes da paixão, como “antigamente”, futebol é, agora, um grande negócio.

            Resta saber se as demais estatais também vão investir no futebol. E o quanto esta iniciativa do Banco do Brasil motivará a participação da iniciativa privada nos negócios da bola.

            Sugiro, a propósito, a leitura do blog do companheiro Erich Beting, especialista no assunto “marketing”. 

Enquanto isso...

            Ronaldinho Gaúcho não recebe os R$ 750 mil da Traffic há dois meses. O Flamengo, que chegou atrasar sua parte (R$ 250 mil mensais) está em dia.

            Vai entender o futebol e suas jogadas de marketing... 

Por José da Cruz às 21h33

08/11/2011

Que país é este?

          Influenciado pelo documentário de Vladimir Carvalho – “Rock Brasília”, memória à obra de Renato Russo – faço a pergunta, mas com a certeza de que não terei respostas:

            Afinal, que país é este?

            Que país é este, em que um deputado federal assume o Ministério do Esporte para lhe devolver credibilidade e respeito institucional, mas preserva os diretores de ontem, suspeitos de envolvimentos em atos ilegais?

            Que país é este em que um ministro de Estado tem o compromisso de corrigir vícios burocráticos para evitar a corrupção ministerial e, paralelamente é escalado para conduzir o difícil diálogo sobre organização de uma Copa do Mundo, como se falássemos de um simples “jogos escolares”?

            Que país é este em que as autoridades maiores desrespeitam a Constituição Federal ao destinarem milhões de reais ao desporto profissional, em detrimento das prioridades do desporto escolar?

            Que país é este em que o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, recebe doação de campanha da Fratelli, do grupo Ambev – subsidiária da cerveja Budwiser, oficial da Copa –, e nessa condição vai dialogar com as autoridades da Fifa?

            Que país é este em que deputados beneficiados com ajuda de campanha da Fratelli (Budwiser) agora vão decidir sobre a Lei Geral da Copa, como nos revela o companheiro Perrone, em seu blog

            Que pais é este em que a universidade, apesar de reunir todos os segmentos do movimento esportivo, no ensino e na pesquisa, está alijada do diálogo que prepara os megaeventos no país?

            Que país é este que subsidia o esporte de alto rendimento enquanto gestores da verba pública se perpetuam no poder por mais de 20 anos, como se não houvesse inteligência além de suas cabeças?

            Que país é este que, depois de o governo aplicar R$ 700 milhões no desporto olímpico, não tem perspectivas de evolução nos Jogos de Londres, comparativamente à Olimpíada de Pequim?

            Que pais é este que concentra o dinheiro público na elite do esporte, deixando ao abandono os projetos de iniciação?

            Que país é este que transforma um ministério em cabide de empregos para desocupados partidários, incapazes de concluir o estudo universitário?

            Que país é este em que o atleta, base da pirâmide da estrutura esportiva é omisso nos temas de seu interesse, demonstrando a falta de compromisso no contexto da sua atividade?

            Que país é este que, quatro anos depois, ainda não sabe qual foi o gasto efetivo e o rombo real dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro? Pior, sem que as contas tenham a transparência demonstrada no discurso oficial.

            Enfim, da poesia indignada de Renato Russo – “nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado” – ressurgem indagações, as mesmas de ontem e de governos passados.

            “O tempo não para”, escreveu Cazuza, outro poeta que transformava em versos as frustrações políticas de sua juventude que, por extensão, são as de hoje. Assim:

            “Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades” ...

Por José da Cruz às 23h13

Olho neles!

            Foram destaques no futebol. No gol, Danrlei tornou-se ídolo gremista e conquistou confiança política. No ataque, Romário dispensa comentários. Deley, lembram? apoiador do Fluminense nos anos 1980, habilidoso, passes precisos.

            A lembrança desses ex-jogadores, hoje deputados federais, vem a propósito de duas manifestações recentes: Danrlei e Romário admitem candidaturas às prefeituras de Porto Alegre e Rio de Janeiro, respectivamente, na eleição de 2012.

            Futebol e política são parceiros fieis, há anos. Além da CBF, que por bom tempo motiva a Bancada da Bola, os irmãos Perrella –  Alvimar e Zezé –  que o digam.

            O futebol profissional, ambiente de mascarados e traidores, não é escola para a formação de políticos que contribuam para mudar o perfil do Congresso Nacional e, por extensão, valorizar a classe parlamentar. Porém, o eleitor depositou, pelo voto, confiança nesta geração que se consagrou em campo e agora chega aos legislativos, Brasil afora, para tentar mudar a péssima imagem de nosso poder Legislativo.

            Por isso, surpreende que parlamentares de primeira eleição, como Danrlei e Romário, que nem um ano de mandato cumpriram, ousem se apresentar como possíveis candidatos ao Executivo municipal.

            Que experiência de gestão do bem público tem esses senhores?

            Que convivência na difícil relação política-partidária os credencia a tanto? Danrlei, inclusive, 10 meses depois de eleito, trocou de partido, saindo do PTB para o novo PSD de Gilberto Kassab!  

            O que Danrlei e Romário entendem de execução orçamentária para assumirem compromissos de difíceis rotinas comunitárias em tão imortantes capitais?

            Que explicações, enfim, darão aos seus eleitores, que confiaram em mandatos integrais no Congresso Nacional e, três anos antes do final, já falam em sair de suas cadeiras?

            Famosos em campo, eles ainda nem se mostraram eficientes parlamentares. Romário, mais ousado, ensaia discurso de oposição tendo o foco em Ricardo Teixeira, “o impopular”, por isso alvo fácil para aumentar o Ibope do Baixinho. Mas o deputado carioca ainda é tímido em propostas efetivas para que o esporte se torne, efetivamente, instrumento complementar à formação educacional e do caráter dos jovens.

            Fora das quatro linhas, outro ex-destaque do esporte, Acelino Popó, também busca luzes para continuar brilhando. Há dois meses, ele fez uma festa para reativar a Frente Parlamentar do Esporte, grupo de deputados e senadores que carregam a mesma bandeira, mas de atuação inexpressiva. A solenidade foi mais um ato de e para políticos baianos. E só. Porque, em plenário, principalmente na Comissão de Turismo e Esporte, Popó tem passagens efêmeras. E nas poucas vezes que lá comparece sua participação é opaca. Mas não se surpreendam se ele também aparecer como candidato a uma prefeitura de seu estado.

            Portanto, uma coisa é o ídolo de ontem, suado, empenhado e vibrante. Outra é o parlamentar engravatado, sisudo, amparado por votos que pavimentam carreira política. Por isso, seus mandatos não são isolados, mas de eleitores, principalmente, e dos partidos que confiaram nos seus discursos e propostas. E é a esses que os senhores deputados devem explicações, sob pena de serem derrotados no próximo vestibular das urnas.

Por José da Cruz às 08h24

06/11/2011

Novas sugestões à agenda do Ministro do Esporte

             Volto às sugestões ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, enviadas por um atento leitor:

            - Abandono da rede dos Centros de Excelência – CENESP, instalados em oito universidades públicas. Esses centros concentram parte da elite de especialistas em esporte (na maioria doutores),que estão absolutamente à míngua de recursos para desenvolver suas tarefas. Exatamente o contrário do que ocorre com várias ONGs suspeitas de corrupção. O desperdício da cultura acadêmica voltada para o desenvolvimento do esporte é evidente.

            - Atualizar a composição do Conselho Nacional de Esportes para que atue como órgão assessor de fato ao gabinete do ministro. 

            - Lei de Incentivo ao Esporte: necessidade de reformular os processos de concessão, fixando modalidades prioritárias. Há informações de que não faltam no Ministério funcionários que oferecem assessoria para elaborar projetos ou adaptá-los às exigências da lei.

            - Conferência Nacional do Esporte: leitura das decisões dos três eventos já realizados, pois ali estão fixadas as prioridades para a pasta, nunca obedecidas. Mesmo com o aparelhamento do ministério e das conferências, tem muita coisa importante nesses documentos.

            - Estrutura funcional: desmontar urgentemente a estrutura viciada que ficou com a saída de Orlando Silva. O processo de corrupção que ali se instalou não é trabalho isolado e tem objetivos políticos que extrapolam os interesses do esporte nacional.

            Finalmente – e atenção, Senhor Ministro:

            Mande fiscalizar, por favor, o contrato com o Consórcio Copa 2014, empresa de São Paulo, sem transparência, apesar de receber muito dinheiro dos cofres públicos.

            Há dois meses, o repórter Roberto Pereira de Souza, do UOL Esporte, vasculhou este assunto. O preço original do contrato, de R$ 13,1 milhões, em 2009, saltou para R$ 40 milhões. Estranho, muito estranho. Se ao menos se soubesse o resultado dos serviços que presta...

Por José da Cruz às 21h18

Ministério do Esporte investe R$ 753 mil em pista sem uso

 O Estado de S.Paulo         

            O professor Antonio Lopes Ribeiro, presidente da Fundação de Apoio ao Menor de Feira de Santana,  é parceiro antigo do Ministério do Esporte. Nos últimos oito anos, levou R$ 60 milhões da pasta em convênios dos programas Segundo Tempo e Pintando a Liberdade/Cidadania. Ele é personagem de dois inquéritos no Ministério Público por irregularidades no uso do dinheiro da pasta.

            A reportagem completa de Leandro Colon está aqui:

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,ministerio-do-esporte-investe-r-753-mil-em-pista-sem-uso-,795026,0.htm

Por José da Cruz às 09h31

Agenda: Lei da Copa terá Ricardo Teixeira e Valcke, no debate

                                  Expectativa: será que Ricardo Teixeira e Jèrôme Valcke, virão à Comissão que debate sobre a Lei Geral da Copa, terça-feira, na Câmara dos Deputados? Confira a programação de novembro.

2ª feira – 7 de novembro

            São Paulo é a última das 12 cidades-sedes a receber a visita do Fórum Legislativo da Copa 2014. Organizado pela Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados em parceria com a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, do Senado.

             9h -  Fórum com a apresentação da matriz de responsabilidades da cidade, na Assembleia Legislativa seguida de debates.

            12h – Almoço com autoridades políticas e esporivas

            14h – visita às obras do estádio Itaquerão.

            16h30 – audiência do governador Geraldo Alckmim aos parlamentares do Fórum

            Informações: http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/ctd

3ª feira – 8 – Plenário 1

            9h - Lei Geral da Copa – Câmara dos Deputados – audiência pública com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira e o secretário geral da FIFA, Jèrôme Volcker

            Informações: http://www.camara.gov.br/internet/ordemdodia/integras/935386.htm

 Sábado – 12 a 14

            III Congresso Brasileiro de Psicologia do Esporte – A psicologia no processo da formação do atleta

            Local: Escola de Educação Física – Universidade de São Paulo

            Informações: http://www.abrapesp.org.br/noticias.php?id=21

De 16 a 18 de novembro

            1º Congresso Internacional sobre Gestão do Esporte

            Promoção da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília

            Informações: http://gepafi.tempsite.ws/fefunb/ 

Por José da Cruz às 09h20

05/11/2011

Questão de justiça - memória

            Juca Kfouri publica em seu blog um “para não esquecer”, referindo-se ao ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz, que saúda João Dias com um sonoro “meu mestre”.

            João Dias, sabem, pegou R$ 3 milhões no Ministério do Esporte para desenvolver o Segundo Tempo. Nas barbas do governo transformou a grana em riqueza pessoal. A confusão cresceu e as suspeitas são de que parte do dinheiro foi para o bolso de muita gente e do PCdoB. As investigações continuam e o STJ já abriu processo para julgar o assunto

            Volto a este assunto por questão de justiça.

            Em janeiro de 2003, Agnelo Queiroz assumiu o Ministério do Esporte, logo no primeiro ano do governo Lula.

            Naquela ocasião, Juca escreveu um artigo alertando que não se esperasse nada do ministro. De deputado fiscalizador e atuante, tornou-se amigo da cartolagem em geral e se aproximou logo de Ricardo Teixeira. Foi o começo da desmoralização, pois não manteve a distância e autonomia que o cargo exige.

            Telefonei para Juca Kfouri para comentar sobre seu artigo. Eu estava em um restaurante com um amigo, Luiz  Roberto Guimarães, também jornalista. E sugeri, numa conversa entre amigos, que desse um tempo, que acreditasse. Eu ainda tinha confiança em Agnelo, diante do que representou à sociedade, como deputado.

            Juca concordou com um “Ok, vamos deixar o homem trabalhar”. Mas alertou: “Tu vais te decepcionar com este sujeito”.  Não esperei muito e a previsão se confirmou. As investigações da polícia, hoje, mostram que, enquanto eu pedia "trégua" a um jornalista precavido, Agnelo já articulava com João Dias...

            Em seguida veio o Pan de Santo Domingo, e foi aquele escândalo, que relatei no Correio Braziliense: Agnelo ganhou diárias do Ministério para ir ao evento,  mas teve suas despesas pagas pelo Comitê Olímpico Brasileiro, órgão que ele deveria fiscalizar...

            Faço este registro por questão de justiça ao alerta de Juca Kfouri, oito anos atrás. E para demonstrar como a política e políticos atuam em nossas rotinas. Com apoio de João Dias, tantos outros espertos e o voto popular, Agnelo transformou-se governador do Distrito Federal. Foi a minha vez de alertar: “não confiem neste sujeito”. Aprendi a lição!

            Está aí. Dez meses de mandato e já se fala no impeachment de Agnelo Queiroz.

Por José da Cruz às 18h24

04/11/2011

Aldo Rebelo rescinde contrato milionário com cartolas do futebol

            Quatro dias depois de ter assumido o Ministério do Esporte, o ministro Aldo Rebelo marca o primeiro gol. Gol a favor: mandou rescindir o contrato com o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional.

            Trata-se do sindicato que, em dezembro do ano passado, recebeu R$ 6,1 milhões para realizar o cadastramento de torcedores paulistas, mas não realizou o trabalho. Ainda bem!

            A decisão está no Diário Oficial da União, edição de hoje. Agora falta acompanhar como vai ocorrer a devolução dos R$ 6,1 milhões aos cofres do Ministério. Como nada acordado foi cumprido, a grana deve voltar logo às origens.

EXTRATO DE RESCISÃO

ESPÉCIE: Extrato de Rescisão ao Convênio nº 750511/2010.

CONCEDENTE: União, por intermédio do Ministério do Esporte - CNPJ 02.961.362/0001-74.

CONVENENTE: SINDICATO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES DE FUTEBOL PROFISSIONAL - CNPJ: 04.658.668/0001-81.

OBJETO: O presente Instrumento tem por objetivo a Rescisão do Convênio nº 750511/2010, firmado em 30 de dezembro de 2010, entre o Ministério do Esporte e o SINDICATO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES DE FUTEBOL PROFISSIONAL E SUAS ENTIDADES ESTADUAIS DE ADMINISTRAÇÃO E LIGAS.

DATA DE ASSINATURA: 27 de outubro de 2011.

SIGNATÁRIOS: WALDEMAR MANOEL SILVA DE SOUZA Secretário Executivo-ME, CPF: 377.643.655-72, WADSON NATHANIEL RIBEIRO, CPF: 033.330.476-40, Secretário Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social e MUSTAFÁ CONTURSI GOFFAR MAJZOUB Presidente do Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional e suas Entidades Estaduais de Administração e Ligas, C.P.F: 029.906.368-20.

Por José da Cruz às 18h01

Contribuição à agenda do ministro Aldo Rebelo

            Para que os assuntos do esporte em nível federal não fiquem no esquecimento, diante de escândalos que se sucedem na Esplanada dos Ministérios, relacionei alguns  pontos que me parecem os mais urgentes. E, modestamente, contribuo com a agenda do novo ministro Aldo Rebelo.

Futebol

            O secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, Alcino Reis, concedeu entrevista à GloboNews, hoje à tarde. Falou obviedades.

            Alcino é um ex-assessor de Orlando, o ministro que saiu do governo sob suspeita de corrupção. Inocente, ele está sendo investigado.

            Foi sob o comando de Orlando Silva e Alcino Reis que o Ministério repassou suspeitos R$ 6,1 milhões ao Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional. Suspeito porque o dinheiro serviria para financiar um trabalho que não foi realizado, assunto debatido nacionalmente no mês passado, ponto de partida para fragilizar a gestão do ex-ministro.

            Assim, seria oportuno que o ministro Aldo se manifestasse sobre a orientação para recuperar os R$ 6,1 repassados ao futebol profissional, para absolutamente nada.

Xadrez

            Qual a orientação do ministro sobre o processo que envolve a Federação Paulista de Xadrez – recebeu R$ 5 milhões para um programa de fachada do Segundo Tempo em Americana (SP)? A procuradora federal Heloisa Maria Fontes Barreto, de Piracicaba, investiga o assunto. O inquérito policial é o de número 25-0193/2010.  

Repasses e transparência

            Onde foram aplicados, efetivamente, os R$ 6 milhões repassados à Confederação Brasileira do Desporto Universitário? As prestações de contas estão disponíveis para caracterizar transparência no uso de tanto dinheiro?

            E os R$ 5 milhões para a Confederação Brasileira do Desporto Escolar, foram aplicados em que projetos?

            Que providências o Ministério do Esporte tomará diante da falta de ocupação da maioria das instalações usadas nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, já que quase todo parque foi construído com verba federal?

            Qual a orientação do ministro para que se crie a Agência Brasileira de Combate ao Doping, que o ministro anterior empurrou com a barriga, desde 2003, apesar dos insistentes pedidos do Comitê Olímpico Internacional e da Wada, considerando que seremos sede olímpica em 2016?

            Qual a orientação do ministro Aldo Rebelo para controlar a farta distribuição de recursos – via convênios –  às confederações, já contemplados com verbas da Lei Piva, Lei de Incentivo e patrocínios das estatais?  

            A secretaria de Esporte de Alto Rendimento tem o controle da aplicação de R$ 650 milhões nos dois últimos anos?

            Enquanto elaboro outra "memória', coloco esta à disposição do Senhor Ministro.

Por José da Cruz às 15h47

Copa 2014: camarotes custam até R$ 4 milhões

            Já estão à venda camarotes nos estádios para a Copa 2014, informa o repórter Martín Fernandez, na edição de Esporte da Folha de S.Paulo.

Já os ingressos populares, para o povão, serão vendidos a partir de agosto de 2013, pela internet. Os camarotes são vendidos pela Traffic e o Grupo Aguia.

Cinco tipo de pacotes estão à venda, sendo o mais caro no valor de US$2,3 milhões, cerca de R$ 4 milhões. A empresa que desembolsar esta grana poderá levar até 26 pessoas aos 19 jogos que serão programados para São Paulo, Rio e Belo Horizonte.

Ainda segundo o repórter, “há pacotes para todos os jogos numa única cidade (de R$ 4.000 a R$ 3 milhões) e para seguir apenas um time (até R$ 53 mil), menos a Seleção Brasileira, que tem um pacote à parte.

Um outro pacote reserva ingressos s[o para os jogos semifinais e final, ao preço de R$ 36 mil, no câmbio atual.

Por José da Cruz às 11h36

03/11/2011

Lars Grael veio apenas conversar com Aldo Rebelo

Do blog de Lars Grael

ESCLARECIMENTO 

 

     Apenas para arrefecer as especulações veiculadas na mídia hoje, esclareço o seguinte:
     Fui convidado para visitar o Ministério do Esporte em visita ao recém empossado Ministro Aldo Rebelo.
     Foi uma visita cordial aonde eu expus meu ponto de vista quanto ao papel institucional do Ministério, seus desafios e principais objetivos. Tivemos uma conversa muito parecida em 2002 quando eu ainda era Secretário Nacional dos Esportes e o Dep. Fed. Aldo Rebelo era um parlamentar atuante e relator de CPI do Futebol.

     O Ministro está numa fase de ouvir diversas opiniões de esportistas, ex-atletas, dirigentes e profissionais de educação física, antes de definir sua política que marcará sua gestão.     

     Fiquei feliz em constatar que o Ministro dos Esportes está determinado a priorizar o desporto educacional, conforme preconizado no Art. 217 da Constituição. Não tratamos de convites e cargos, até mesmo porque eu não poderia aceitar em função dos meus compromissos como velejador e palestrante.
     Ao Ministro Aldo Rebelo, desejo pleno sucesso em sua gestão e que conduza esta importante pasta com o sentimento público que sempre norteou sua trajetória. Que o Esporte na Escola seja priorizado em sua gestão.
     Terá todo meu apoio e respeito.
     No mais, preciso é treinar após conquistar ontem o Vice-Campeoanto do Hemisfério Sul da Classe Star. O evento foi amplamente dominado pela excelente dupla Robert Scheidt e Bruno Prada.
     Bons Ventos,
     Lars Grael
Homem do Mar

http://larsgrael.com.br/blog.asp

Por José da Cruz às 22h17

Jogada de mestre

            A se confirmar a notícia do convite para que Lars Grael assuma a Secretaria de Esporte Educacional, o ministro Aldo Rebelo começa seu trabalho com uma jogada de mestre.

            Lars é atleta vitorioso, tem passagem com lisura pelo Ministério do Esporte. Foi como Secretário de Alto Rendimento que criou o Projeto Navegar, em parceria com a Marinha, logo incluído no Segundo Tempo. Porém de duração efêmera, pois naufragou no comando da turma que assumiu o Ministério com o ex-ministro Agnelo Queiroz, em 2003.

            Ter Lars Grael em seu gabinete significa Aldo Rebelo poder exibir um desportista reconhecido internacionalmente; contar com a adesão de um gestor ficha limpa, coisa rara na Esplanada dos Ministérios.

            Porém,  mergulhado numa crise institucional que levou à porta da rua o ex-ministro Orlando Silva, o Ministério precisa muito mais do que um nome de peso como o de Lars Grael. Precisa de reestruturação enorme em suas secretarias e órgãos auxiliares; precisa do concurso de uma equipe técnica, apartidária, para assumir postos chaves como a  Secretaria Executiva e a de Alto Rendimento, principalmente essas. Se isso ocorrer, aí sim, teremos a certeza de que a recuperar a credibilidade da pasta do Esporte é prioridade de Aldo Rebelo. Caso contrário, teremos a mesmice e o retrocesso do esporte em nivel governamental.

           Finalmente: o perfil de Lars Grael, por sua história de atleta e gestor, é para ministro de Estado. Mas ao abrir mão de filiação partidária, há bom tempo, ele deixou claro que havia encerrado sua participação como homem de governo, para dar prioridade à vela, essa sim, sua paixão declarada.

Por José da Cruz às 21h13

O sonho olímpico

Por Bernardo Scartezini

Correio Braziliense

            * O antigo ministro sai jurando inocência, o novo ministro chega cumprimentando o antecessor por seu trabalho. Enquanto no Pan-Americano de Guadalajara-2011 a delegação brasileira fecha a campanha em terceiro lugar — atrás dos Estados Unidos e também de Cuba.

            * Nada de se estranhar. O Brasil historicamente fica atrás de Cuba nos jogos. Nada de se estranhar não fosse o Brasil um país de dimensões continentais e de mais de 190 milhões de habitantes, não fosse Cuba uma ilha de 11 milhões de pessoas. E não estivesse o Brasil rumando para ser a “sexta economia do mundo”, não estivesse Cuba patinando há décadas em autoritarismo e em embargos econômicos.

            * Nada de se estranhar se um projeto olímpico não fosse ostentado como salvaguarda para o Rio-2016, como a panaceia para diversos problemas sociais e urbanos. E não fossem o investimento recorde do governo federal e das empresas públicas nos últimos anos.

            * Orlando Silva saiu do Ministério do Esporte jurando inocência diante das acusações de receber dinheiro desviado do programa Segundo Tempo, que deveria incentivar a prática esportiva na escola pública — e talvez encontrar um ou outro atleta entre a meninada. Ainda há que se ver se, de fato, Orlando Silva levou algum na história. O que ficou claro é que ele foi omisso ao fiscalizar o destino do dinheiro público. Boa parte dele teria sumido em ONGs ligadas ao partido do ministro, o PCdoB.

            *A presidente Dilma Rousseff, atenta à opinião pública, fritou Orlando Silva num par de semanas. Mas Dilma também está atenta ao equilíbrio de forças que a sustenta entre companheiros & adesistas. Por isso não tirou o PCdoB do ministério, mesmo o partido sendo personagem do suposto esquema. E daí Aldo Rebelo assumir o cargo todo cheio de dedos. A ver se o novo ministro irá sanear o que por lá encontrar...

            * Que o rastilho de pólvora vem chegando em Agnelo Queiroz, a se crer no noticiário dos últimos dias. Agnelo é ex-ministro do Esporte e lá foi chefe de Orlando Silva. Em sua gestão, surgiu o Segundo Tempo. Agnelo é um incentivador das Olimpíadas e da Copa no Brasil desde a primeira hora. Hoje governador do Distrito Federal pelo PT, é o responsável pelo Estádio Nacional de Brasília, arena para 70 mil pessoas numa cidade cujos times de futebol frequentam a terceira e a quarta divisões nacionais.

            * Erguer um estádio é até fácil. Aprovam-se leis, cria-se uma licitação, contratam-se empresas — e seja o que Deus quiser. Formar uma geração de atletas vencedores nas mais diversas modalidades, no entanto, é mais complicado. Reportagem de ontem na Folha de S. Paulo aponta que a média de idade dos medalhistas brasileiros em Guadalajara é de 26 anos. Muitos serão balzaquianos em 2016.

            * A saltadora Maurren Maggi, 35 anos, em entrevista à ESPN Brasil esta semana, disse não ter o que reclamar do governo federal, do governo paulista, da confederação de atletismo e dos patrocinadores. Disse que até viaja de classe executiva. É o devido tratamento a uma campeã olímpica. Mas e as novas Maurrens? Existem?

Por José da Cruz às 16h59

Ministério do Esporte: o problema é mais embaixo, mas nada de mudanças até agora

            O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, ainda não fez mudanças na equipe que herdou de Orlando Silva.

             No Diário Oficial da União desta quinta-feira não consta qualquer mudança na estrutura da pasta: nenhuma exoneração, nenhuma nomeação.

            Ou seja, os assessores de Orlando, envolvidos em denúncias de corrupção continuam em seus cargos.

            Apesar de a imprensa ter se concentrado em irregularidades no programa Segundo Tempo é preciso lembrar que há dúvidas na execução de convênios e no bom uso de verbas da Lei de Incentivo ao Esporte etc.

            É difícil entender como o ministro conseguirá dar conta de uma carregadíssima agenda com assuntos da Copa 2014 sem ter na retaguarda uma equipe eficiente e confiável. Porque, até aqui, só trocou o titular do ministério e isso não basta, pois o problema está mais embaixo.

Por José da Cruz às 10h29

02/11/2011

Triste dialética

Na Folha de S.Paulo, ontem

Editorial
            A cerimônia de posse do novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, do PC do B, deu um novo sentido ao termo "dialética". A julgar pelo tom dos discursos, o afastamento do antigo titular da pasta por suspeitas de corrupção já traz em si sua própria negação, que assume a forma de desagravos e elogios ao ex-ministro e sua sigla.
            Se tudo não passou de uma intriga contra Orlando Silva, como sugeriram vários oradores no ato realizado anteontem, a presidente Dilma Rousseff não deveria tê-lo afastado nem dado posse a Rebelo.
            Tampouco precisaria suspender os repasses de verba a 2.670 convênios do governo com ONGs - isto é, todas menos as que atuem na saúde, na proteção a testemunhas ou que operem há mais de cinco anos sem irregularidades.
            Se a mandatária o fez, é razoável supor que as suspeitas tenham pelo menos alguma base real.
            Sendo assim, a manutenção do PC do B à frente da pasta resulta numa "aufhebung" (síntese, superação) inquietante, pois a agremiação vê-se liberada a prosseguir com o aparelhamento do ministério -agora sob "nova" gerência.
            Como disse a presidente, "perco um colaborador, mas preservo o apoio de um partido cuja presença no meu governo considero fundamental". Estamos, portanto, ao que tudo indica, diante de uma daquelas mudanças providenciadas para nada mudar.
            "Fundamental" para o governo, o PC do B segue em sua saga de equívocos históricos. O partido, como se sabe, foi incapaz de romper com o stalinismo mesmo quando se demonstraram os crimes do ditador, em 1956. Seis anos depois, abraçou um segundo tirano, Mao Tsé-tung, quando este passou a atacar a desestalinização em curso na União Soviética.
            Foi sob essa dupla inspiração, acrescida de delírios revolucionários, que o partido se embrenhou na aventura guerrilheira do Araguaia. Quando a China, enfim, começou a livrar-se do fardo maoísta, a partir de 1976, os comunistas do Brasil, preservando o culto a ditadores, esqueceram Pequim para cair nos braços de Enver Hoxha, líder stalinista da Albânia.
            Com o fim de Hoxha e do comunismo no mundo real, o PC do B passou a viver de uma aliança predatória com o PT e da ocupação de entidades, como o Ministério do Esporte ou a UNE (União Nacional dos Estudantes), com sua máquina de carteirinhas.
            Ou seja, num passo dialético final, trocou Stálin e o que restava de ideologia por migalhas de poder e um punhado de cargos e benesses.

Por José da Cruz às 23h07

Olimpismo: nova publicação para a biblioteca brasileira

                             

        Porto Alegre nesta quinta-feira e São Paulo no sábado próximo. E a literatura olímpica brasileira ganha mais uma publicação, para contribuir com o indispensável debate neste período de preparação aos Jogos Rio 2016. 

            “Os estudos olímpicos e o olimpismo nos cenários brasileiro e internacional” tem a assinatura da jornalista e psicóloga paulista, Katia Rubio, professora associada da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.  

            Pós-doutorada em Psicologia social pela Universidade Autônoma de Barcelona, Katia já escreveu 15 livros nas áreas de psicologia do esporte e estudos olímpicos.

            Desta vez, o livro tem Roberto Maluf de Mesquita, da Academia Olímpica Brasileira, como coautor. Ele é professor da Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto da PUC, em Porto Alegre, a capital gaúcha que promove o lançamento do livro nesta quinta-feira, às 20h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa.

            “Neste livro buscamos resgatar a história da Academia Olímpica Brasileira (AOB) que visa congregar os estudiosos do Olimpismo no Brasil, bem como expressar a nossa visão sobre o processo de criação e desenvolvimento do Movimento Olímpico em âmbito mundial e brasileiro”, explicam os autores.

            “Percebemos que os Estudos Olímpicos representam muito mais do que a História dos Jogos Olímpicos da Antiguidade e da Era Moderna, visto que em suas manifestações é possível vislumbrar as complexas relações implicadas nas edições quadrienais dos Jogos Olímpicos, seja de Verão ou de Inverno.”

            Conheci a Professora Katia em 2008, quando lançou o livro “Joaquim Cruz – Estratégias de preparação Psicológica: da Prática à Teoria”.

            O testemunho do campeão foi analisado pela autora sob diferentes enfoques da carreira de atletismo de Joaquim, como, como preparação aos grandes eventos, a ansiedade, motivação para o esporte, as superações etc.

            Num país de cultura esportiva predominantemente futebolística, ainda são raros os títulos sobre o olimpismo. Por isso, divulgo com prazer mais esta contribuição dos autores ao desporto de rendimento.

Lançamento
Dia 03/11
– Às 20h – Na sala João Neves da Fontoura (Plenarinho) da Assembleia Legislativa, Porto Alegre.

Dia 05/11, às 16h, no CEU Jaguaré. Avenida Kenkiti Simomoto, 80 - Vila Jaguara, São Paulo.

Por José da Cruz às 19h51

A bizarra despedida de Orlando Silva

O Globo - Editorial

            Algo parecia não fazer sentido na saída festiva de Orlando Silva do cargo de comissário-mor do PCdoB no Ministério do Esporte, substituído, por evidências de corrupção, pelo deputado Aldo Rebelo, do mesmo partido.

            A despedida, convertida em ato de desagravo a Orlando Silva, não tinha características de desfecho de uma crise em que o ministro ficou mais do que exposto — tanto que saiu —, ao não conseguir responder às denúncias de uso de ONGs para surrupiar dinheiro do contribuinte e transferi-lo ao caixa dois partidário e/ou de pessoas físicas.

            Tratado como se tivesse sofrido grande injustiça, Orlando Silva chegou a merecer palavras especiais mesmo de quem achou que ele não poderia continuar, a presidente Dilma Rousseff. “Orlando Silva não perde meu respeito...” Mas preferiu afastá-lo, por ele não ter conseguido impor uma “agenda positiva”.

            Era mesmo impossível ofuscar a “agenda negativa”. O escândalo começou — como costuma acontecer em tramoias nos subterrâneos da política — com um dos beneficiários de desvios milionários do Programa Segundo Tempo, o ex-PM e ex-militante do PCdoB João Dias, também dono de ONG, sentindo-se traído.

            Desgostoso, denunciou o esquema à revista “Veja”, no qual haveria o envolvimento direto de Orlando Silva.

Alguns dias de atenção da imprensa profissional sobre a plantação de ONGs em torno do Esporte descerraram um cenário de grande falta de cuidado na liberação de recursos públicos. Mais do que isso, deixaram à mostra sinais fortes de fraude.

O fato de militantes do PCdoB povoarem a direção de ONGs irrigadas pelo ministério com dinheiro do contribuinte denuncia o crime político-financeiro, para o qual era imprescindível haver a conivência da cúpula do ministério.

            Como já acontecera, no governo Dilma, nos Transportes, na Agricultura e no Turismo. E continua a ocorrer em algumas outras pastas, prováveis futuros escândalos.

            Os estatutos do PCdoB estabelecem que o bom comunista continua a obedecer a determinações do partido mesmo em cargos públicos.

            Sintomático que Aldo Rebelo tenha declarado que ministro é função de Estado. Já tem missão para adotar na prática a interpretação correta de cargo público: rever todos os convênios assinados pelo ministério.

            Dilma não evitou a participação calorosa na festa de Orlando Silva, mesmo com o ex-ministro acionado pelo Ministério Público Federal, na companhia do antecessor, Agnelo Queiroz, junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Tampouco o fato de a Controladoria Geral da União (CGU) cobrar do ministério a comprovação de gastos de R$ 49 milhões feitos em convênios a partir de 2006 constrangeu a presidente.

            Na essência, o mesmo comportamento ocorreu em demissões anteriores, em que a presidente se derramou em elogios ao PR de Alfredo Nascimento e ao PMDB de Wagner Rossi e Pedro Novais.

            A própria Dilma, na festa de Orlando, deu a chave da charada: “Perco um colaborador, mas preservo o apoio de um partido cuja presença no meu governo considero fundamental.”

            É devido a esta visão, pela qual vale tudo para manter a base parlamentar, que Dilma resolve ela própria envergar a saia justa de fazer mudanças necessárias no ministério, mas com o risco de deixar tudo na mesma.

Por José da Cruz às 11h55

01/11/2011

A coisa pública e a privada

(República, vem do latim res = coisa + pública)

Affonso Romano de Sant´Anna

 Entre a coisa pública

            e a privada

            achou-se a República

            assentada.

Uns queriam privar

            da coisa pública

            outros queriam provar

            da privada,

            conquanto, é claro,

            que, na provação,

            a privada, publicamente

            parecesse perfumada.

Dessa luta intestina

            entre a gula pública e a privada

            a República

            acabou desarranjada

            e já ninguém sabia

            quando era a empresa pública

            privada pública

            ou

            pública privada.

Assim ia a rês pública: avacalhada

            uma rês pública: charqueada

            uma rês pública, publicamente

            corneada, que por mais

            que lhe batessem na cangalha

            mais vivia escangalhada.

            Qual o jeito?

            Submetê-la a um jejum?

            Ou dar purgante à esganada

            que embora a prisão de ventre

            tinha a pança inflacionada?

O que fazer?

            Privatizar a privada

            onde estão todos

            publicamente assentados?

            Ou publicar, de uma penada,

            que a coisa pública

            se deixar de ser privada

            pode ser recuperada?

-Sim, é preciso sanear,

            desinfectar a coisa pública,

            limpar a verba malversada,

            dar descarga na privada.

Enfim, acabar com a alquimia

            de empresas públicas-privadas

            que querem ver suas fezes

            em ouro alheio transformadas.

Do livro "O lado esquerdo do meu peito", do poeta, cronista e ensaista mineiro Affonso Romano de Sant´Anna

Por José da Cruz às 23h35

Cuba: potência esportiva

                 O artigo a seguir foi escrito em maio de 2004. Há sete anos, portanto. E continua atual. Até porque, se mantém o feroz embargo econômico dos EUA a Cuba, que já dura duas décadas; faltam verbas para a manutenção das escolas e para a importação de equipamentos modernos para o esporte.

                Porém, a filosofia de oferecer aos alunos uma atividade física saudável, complemento da instrução pedagógica é a mesma de décadas. Prova de que política de esporte de Estado não é apenas jorrar verbas no alto rendimento, nem jogar recursos públicos pelo ladrão.

          O texto é do professor de Educação Física, Vanderlei Wosniak, de Blumenau, Santa Catarina.

            Confira:

         Cuba, 11 milhões de habitantes, 11 milhões de esportistas. Uma história que começou há 45 anos, num discurso.

            "Nosso nível esportivo é muito baixo. Temos que tentar elevá-lo rapidamente."

            Fidel Castro disse isso 29 dias depois de ter chegado ao poder com a Revolução Cubana, em 1959. Treze anos depois, nos Jogos Olímpicos de Munique, nascia uma nova potência olímpica: Cuba. Desde então, os cubanos ficaram sempre entre os dez primeiros no quadro de medalhas.
            A crise econômica que o país enfrenta desde o fim da União Soviética, o isolamento político e ainda o bloqueio econômico dos Estados Unidos não afetam o desempenho esportivo.

            Nos últimos jogos olímpicos, em Sydney, no ano 2000, Cuba ficou em nono lugar no quadro de medalhas: 11 de ouro, 11 de prata e 7 de bronze, uma posição à frente da rica Grã-Bretanha.

            O segredo desse sucesso esportivo está escondido em prédios de aparência feia. Não há dinheiro para a manutenção, mas, lá dentro, crianças aprendem a ser atletas.

            Em Cuba, o principal instrumento para se praticar esportes não é uma bola, uma chuteira, uma sapatilha, uma raquete, mas sim a carteira escolar.

            "Não se concebe um bom esportista que não seja um bom aluno", ressalta Javier Sotomayor, que conquistou a medalha de ouro no salto em altura nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992.

            Aos 5 anos, uma criança escolhe uma modalidade e passa a praticá-la diariamente na escola.
            Se tem sucesso, aos 8 anos vai para uma escola formada de atletas. É a pirâmide cubana. À medida que o aluno avança nos estudos vai sendo avaliado como atleta. Até que, na Universidade do Esporte, só chegam os atletas de alto rendimento.

            Em uma turma de tiro com arco, de uma escola em Havana, as condições são precárias, mas o que faz diferença é a formação.
"Quando se tem vontade de seguir adiante, se põe toda a capacidade de inteligência, de perseverança. Essa é a característica do povo cubano", comenta Ana Quirot, bicampeã mundial nos 800 metros rasos.

            Quem não tem o talento para ser atleta continua na escola normal e segue praticando alguma modalidade.

            "O mais importante para nós não são as medalhas, mas o ser humano e o melhoramento da qualidade de vida e que o esporte possa ser algo importante na educação das novas gerações de cubanos", enfatiza Alberto Juantorena, que conquistou duas medalhas de ouro no atletismo, nas provas de 400 e 800 metros rasos, nas Olimpíadas de Montreal, em 1976.

            Havana, 18h de uma terça-feira. Cerca de 3 mil pessoas estão na Cidade Esportiva, uma área pública de lazer. Não estão competindo, estão simplesmente praticando esporte, muitos esportes. Ao fundo, uma frase que explica tudo: "Cuide de sua saúde, pratique esporte."

Por José da Cruz às 21h16

Investigue mais, ministro Aldo. O buraco é mais embaixo

             O ministro Aldo Rebelo, que hoje cumpre sua primeira agenda oficial no Ministério do Esporte, tem um compromisso prioritário com o seu partido, com o desporto em geral e com a Nação: limpar o Ministério do Esporte dos corruptos que infestam a pasta.

            Antes de tratar dos sérios assuntos da Copa do Mundo, o ministro precisa se inteirar sobre os convênios assinados por seu antecessor. São milhões de reais repassados para centenas de entidades – que não são ONGs,  mas, nem por isso, muitas, fogem da suspeição de envolvimento em gravíssimas falcatruas.

            Antes de mergulhar nos assuntos da Copa, o ministro Aldo tem a obrigação de mandar uma equipe investigar sobre a aplicação dos recursos da Lei de Incentivo ao Esporte.

Pouco divulgada, é aí que se concentram gravíssimas suspeitas de desvio de muita grana, sem que o Ministério tenha a noção do que está ocorrendo, pois não há fiscalização alguma. O Segundo Tempo começou assim, apesar dos alertas do Tribunal de Contas da União. Deu no que deu.

            Antes de receber autoridades da FIFA, o ministro Aldo precisa proibir qualquer relação do Ministério do Esporte com empresas de ex-funcionários, como a Casa de Taipa, de Julio Filgueira, especialista na elaboração de projetos esportivos que, mais tarde, são aprovados por seus ex-colegas do Ministério do Esporte, entre eles pessoas de sua intimidade.

            O paulista Filgueira é ex-secretário de Esporte Educacional de Orlando Silva. Antes, foi secretário de Esportes da então prefeita Marta Suplicy, em São Paulo. Mais tarde, ocupou o mesmo cargo na Prefeitura de Guarulhos.

            Foi como secretário de Esporte Educacional que Filgueira criou o “puxadinho”, o suspeito aluguel de salas na área comercial de Brasília, para ali instalar o “controle” do Segundo Tempo.

Surra

Num dos entreveros do escandaloso Segundo Tempo – que está respingando fortemente no governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz -  Filgueira apanhou muito de João Dias, o delator do esquema de corrupção no Ministério do Esporte.  

Nessa ocasião, o chefe de gabinete do então secretário Educacional Filgueira era Fábio Hansen, que agora aparece nas gravações de João Dias, orientando-o como fraudar a prestação de contas do SegundoTempo, para aliviar a barra do amigo Agnelo Queiroz.

Depois da surra, Filgueira deixou a pasta no final de 2009 e abriu a Casa de Taipa, usando a influência e amizades colecionadas ao longo de sua carreira em prefeituras e governo federal, para oferecer serviços de assessoria ao esporte.

Para que recupere a credibilidade do Ministério do Esporte e de seu partido, o PCdo, principalmente, o ministro Aldo Rebelo precisa limpar a área. E a sujeira não está concentrada apenas no Segundo Tempo.

Por José da Cruz às 09h26

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

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Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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