Blog do José Cruz

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31/10/2011

Para evitar escândalos esportivos

 

Por Alberto Murray Neto

 

         O Brasil foi bem em mais uma edição dos Jogos Pan-Americanos. As medalhas devem ser muito comemoradas. É necessário, entretanto, ter a dimensão exata da competição continental.

         Boa aparição no quadro de medalhas não indica que o país está bem no quesito esporte.

         Apesar do enorme dispêndio de dinheiro público no alto rendimento, a nossa participação em Londres, no ano que vem, será apenas razoável, não muito diferente do que tem ocorrido em Jogos Olímpicos anteriores, em que os investimentos eram bem menores.

         Se o Brasil figura à frente do Canadá no número de medalhas no Pan, é incorreto dizer que temos uma nação esportivamente mais desenvolvida que eles.

         Lá, toda a população, desde a infância até a terceira idade, tem acesso gratuito à prática desportiva. E é isso que faz uma nação ser esportivamente forte. O Brasil ainda está muito distante desse patamar.

         O Brasil não avançou um metro sequer na formulação de políticas públicas para o desporto. A utilização sucessiva do Ministério do Esporte como elemento de barganha política e o desinteresse do Comitê Olímpico Brasileiro em adotar uma administração moderna, com regras claras de governança corporativa, fazem com que o esporte permaneça à mercê de sua própria sorte.

         O Ministério do Esporte é um mero repassador de dinheiro. E o Comitê Olímpico Brasileiro, preocupado em organizar grandes eventos, tem servido para, além disso, distribuir uniformes. São organismos que têm um fim em si próprios.

         Na estrutura do esporte brasileiro, as entidades batem cabeça. Na prática, não se sabe que atribuição compete a cada organização.

         A visão puramente dinheirista que norteia a direção esportiva do Brasil é deplorável. O esporte social, que deve ser o início de tudo, continua desamparado. Crianças da rede pública de ensino permanecem sem acesso à pratica esportiva. E não há nenhum movimento para alterar essa realidade. As prioridades do país nesse setor estão erradas.

         Não há vontade política de massificar o esporte. Enquanto isso, somos diariamente bombardeados com as cifras gigantescas que custarão aos cofres públicos a organização da Copa e da Olimpíada.

         Num país em que crianças não têm bola, pista, quadra ou piscina à sua disposição, o Estado gastará uma exorbitância em estádios de futebol e complexos esportivos que não servirão para nada.

         Daí a minha sugestão de que cada estádio que for construído para a Copa transforme-se em unidade de desenvolvimento de esporte em sua região. Com poucas modificações, podem ser transformados em pistas de atletismo.

         O Comitê Olímpico Brasileiro, financiado com muito dinheiro público, não divulga quanto ganham os seus funcionários de alto escalão, certamente bem mais que a Presidência da República. Também modifica os seus estatutos, blindando seus atuais gestores, de forma a tornar quase impossível a existência de movimento oposicionista.

         Diz-se entidade privada, mas tem seus caprichos nutridos com verbas públicas. E o achincalhe é que nenhuma autoridade estatal repudia essas violências jurídicas.

         Uma entidade que vive de dinheiro do povo não pode tirar desse mesmo povo o direito de concorrer aos cargos de sua direção. E é isso que faz o Comitê Olímpico Brasileiro.
Qualquer brasileiro no gozo de seus direitos pode ser candidato a presidente da nação. Mas não pode ser candidato a presidente de seu Comitê Olímpico. Uma verdadeira inversão de valores. O Brasil precisa alterar profundamente os conceitos que administram o esporte.

         Se não houver mudanças imediatamente, a Copa e Olimpíada, juntas, poderão ser o maior escândalo da história da República. Lembremo-nos do Pan-2007, que custou 1.000% mais caro aos brasileiros. E cujo legado para o povo é nenhum.

ALBERTO MURRAY NETO é advogado e diretor da ONG Sylvio de Magalhães Padilha, de apoio ao esporte e ao movimento olímpico.

Site: http://espn.estadao.com.br/albertomurrayneto

Twitter: @albertomurray

Por José da Cruz às 21h39

O nó da dignidade

            A posse do ministro Aldo Rebelo no Ministério do Esporte, agora à tarde, no Palácio do Planalto, ocorreu num ambiente de evidente cinismo e constrangimento político.

            No melhor estilo de Paulo Maluf, que consagrou a máxima “...eu não roubei”, o ex-ministro Orlando Silva saiu afirmando “... sou inocente”. E por palavras tão sinceras, acabou aplaudido de pé. Porém, os que assim agiram efusivamente não oferecem apoio no pior momento da crise que o derrubou. Sinceridade política é por aí ...

            “Orlando Silva fez um excepcional trabalho na liderança do Ministério do Esporte, do qual sou testemunha”, discursou a presidente Dilma. Ora, se foi excepcional, por que foi demitido?

            Cena patética: um ex-ministro de governo é acusado de corrupção em sua pasta. Os órgãos de fiscalização (TCU e CGU) confirmam a fraude; a polícia prende alguns envolvidos, que abrem o bico, entregam o serviço e detonam o escândalo; o Judiciário começa a agir. Mas, mesmo assim, Orlando Silva pede “provas”.

            Confesso que cheguei a me “fardar” para ir ao Palácio do Planalto acompanhar a transmissão de cargo. Porque, sem gravata, não se entra numa solenidade de posse, mesmo que ali estejam as evidências da corrupção pública. Mas atos extremos já foram tomados com seus personagens sem paletó e gravata. Getúlio Vargas estava de pijama, quando se suicidou; Jânio Quadros vestia uma bermuda "safari", quando fugiu da Presidência.

            Mesmo assim, desisti. E fiquei em casa vendo as cenas pela TV. Sem paletó, não precisei apertar o nó da gravata, o nó da dignidade. E que ninguém diga que sou um indigno, pois exijo provas.

Por José da Cruz às 16h17

Olímpicos receberam R$ 635 milhões dos cofres públicos, em dois anos

            O esporte olímpico brasileiro – terceiro lugar nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara – foi contemplado com R$ 635 milhões, entre dezembro de 2009 e outubro de 2011. Tomei por base os dois últimos anos porque foi quando o Ministério do Esporte abriu as torneiras de seu orçamento.

            A principal fonte – R$ 320 milhões – que turbinou os olímpicos é dos patrocinadores. São sete estatais investindo em 19 modalidades: Banco do Brasil, Caixa, Infraero, Petrobras, Casa da Moeda, Eletrobrás e Correios. Ao atletismo, a Caixa repassou R$ 10 milhões em 2010 e R$ 15 milhões este ano. Para a vôlei, futsal, tênis e vela o Banco do Brasil reserva R$ 60 milhões anuais.

Lei Piva

         Outros R$ 251 milhões vêm das loterias federais (Lei Piva), sendo R$ 143 milhões, em 2010, e R$ 108 milhões até setembro deste ano. Em torno de 40% desse recurso é rateado entre as confederações olímpicas.

Lei de Incentivo

         Já a Lei de Incentivo ao Esporte recheou os cofres do esporte com R$ 34,4 milhões, entre janeiro de 2010 e outubro de 2011. O Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo, é o principal captador para a formação de sua equipe olímpica: R$ 9,6 milhões, seguido pelo Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte, com R$ 6 milhões, outra importantíssima entidade formadora e fornecedora de atletas olímpicos.

         Entre as confederações, a de Judô captou R$ 6,3 milhões, seguido da Confederação de Desportos Aquáticos, com R$ 6,1 milhões. Golfe, rugby, tênis, tênis de mesa e hipismo também usaram a Lei de Incentivo ao Esporte para turbinar seus projetos.

         Já o Basquete, que recebe R$ 11 milhões anuais de patrocínio da Eletrobras, conseguiu R$ 2,8 milhões na Lei de Incentivo ao Esporte, enquanto o COB captou R$ 2,9 milhões.

Convênios

         Como se essa dinheirama não fosse suficiente, o Ministério do Esporte também abriu os cofres.

E lá se foram mais R$ 32 milhões, em dois anos, sendo R$ 14 milhões apenas para o Comitê Olímpico. A confederação de Basquete pegou mais R$ 2,1 milhões, o mesmo valor entregue à Confederação de Desportos Aquáticos. Tênis, hipismo, tênis de mesa, entre outras, também foram contempladas pela generosidade do ex-ministro Orlando Silva.

Dúvida

         Será que, quando abre os cofres, o Ministério do Esporte considera as outras  ricas fontes de financiamento às confederações desportivas?

Será que técnicos do Ministério do Esporte visitam as sedes das entidades contempladas para ver se os projetos estão em andamento? No Segundo Tempo não fizeram isso e a corrupção comeu solta. Virou caso de Polícia e derrubou um ministro!

Estado provedor

         É fácil constatar que o Estado tornou-se o grande financiador do esporte de rendimento nacional. O que em outros países é feito pela iniciativa privada, aqui é o cofre público que supre as necessidades da elite do esporte.

         E a evolução é  ficar “apenas” 10 medalhas de ouro distante de Cuba, nos Jogos Pan-Americanos, país que tem a mesma extensão territorial e população de Pernambuco? Show!

Certeza

         Diante das dúvidas ficam certezas:

         Não falta dinheiro ao esporte. Faltam – digo isso sempre que escrevo sobre o assunto – prioridades e metas e, principalmente, uma política de massificação e que inclua a escola no contexto do esporte nacional.

         Falta cumprir o artigo 217 da Constituição, “esporte é um direito de todos”— e não de uma elite, como acontece há anos.

         Mais: o  Ministério do Esporte não tem controle sobre o total de grana que é injetada no esporte de rendimento;

Nove anos depois de o PCdoB ter assumido o comando do Ministério do Esporte há fartura de dinheiro público – que faltou na era FHC, Itamar, Collor, Sarney etc.

Mas não temos a gestão centralizada da grana, o que sugere o desperdício com duplicidade de ações.

Clubes, confederações e Comitê Olímpico recebem de variadas fontes para os mesmos fins. Com certeza os atletas são os mesmos, o que sugere investigar se o dinheiro está sendo, efetivamente, usado para a atividade que é requerida.

Exemplo real

         Solonei Rocha da Silva, que ganhou a maratona pan-americana em Guadalajara, é fruto de uma política de formação de fundistas da Confederação Brasileira de Atletismo?

         Não! Solonei, campeão, era lixeiro e explorou sua resistência nesse ofício para se tornar atleta.

Enfim...

         Mesmo com tanto dinheiro, a turma beneficiada não se mobilizou para manter Orlando Silva na cadeira de ministro. Sinal de que a coisa estava muito feia...

Mas, com certeza, na posse de Aldo Rebelo, hoje, os cartolas estarão no Ministério do Esporte dando abraços e tapinhas nas costas. Depois, na sala ao lado, vão sorrir e esfregar as mãos, esperando pela liberação do próximo convênio.

Há 31 anos vejo este filme, chato, cínico e dispendioso para os nossos bolsos.

Por José da Cruz às 10h24

Dia de posse no Ministério do Esporte

                                  

                                 Aldo conseguirá fazer faxina no Esporte?

             Troca de comando no Ministério do Esporte nesta segunda-feira. O deputado federal Aldo Rebelo é o terceiro ministro, desde 2003, quando o PCdoB assumiu a pasta,

            Espera-se que dê rumos ao esporte.

            Até agora, o Ministério tornou-se doador ao alto rendimento, com farta distribuição de grana, além de praticar benemerências com projetos sociais, tipo Segundo Tempo. Para mudar, precisará de uma equipe de técnicos qualificados que, com trabalho sério, consigam tirar a pasta do noticiário policial.

            Sem exageros, hoje, é um ministério político e sem rumo. Ali está um cabide de empregos que honra o PCdoB, diante de seus adversários em outras pastas, como o PMDB, o PTB etc.

            Por isso, já existe uma turma de prontidão para começar a trabalhar com Aldo Rebelo. Faxina geral. Será?       

Por José da Cruz às 00h10

30/10/2011

Atletismo: sem esperanças para 2012

Por Nilson Duarte Monteiro

Técnico de atletismo

              

        O que eu vi do nosso atletismo, nos Jogos de Guadalajara, me deixa sem esperanças para termos uma medalha em Londres 2012.

        As marcas foram muito fracas, principalmente para os velocistas e saltadores, pois deveriam ter recordes nessas provas por causa da altitude, que favorece essas modalidades do atletismo.

        Mas só tivemos um recorde, o do revezamento 4x100m feminino.

        O salto da Maurren, na distância, não foi nada de excepcional, outra vez por causa da altitude, pois se fosse ao nível do mar o salto dela representaria o que foi em Daegu, ou seja, uns 6,50m.

        Resumindo, se essas foram as melhores performances dos brasileiros e se repetirem esses desempenhos em Londres, não teremos medalha alguma no atletismo, quem sabe uma final.

        Por tudo isso, a nossa única esperança é a Fabiana Murer. E vamos torcer para ela não amarelar na frente da Yelena Ynsimbayeva

Por José da Cruz às 16h51

Pan 2011: atletismo

Por Fernando Franco

Diretor do Centro de Estudos de Atletismo

 

            Como um país do tamanho aproximado de Pernambuco – 110.000km² - consegue superar o Brasil, de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, em eventos esportivos?

            Como é que Cuba, com 11 milhões de habitantes – assim como Pernambuco – ganha mais medalhas de ouro do que o Brasil,com seus 192 milhões de habitantes?

            Está aí um desafio para o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que amanhã assume, investigar.

            Mas que ele tenha sobre a mesa os valores atuais de milhões de reais que os cofres públicos injetam no esporte de rendimento.

Atletismo

            Vou me fixa no atletismo, modalidade de meu trabalho.

            O atletismo neste Pan não mostrou um resultado correspondente aos recursos financeiros gastos (orçamento anual de R$ 20 milhões).

            Tivemos dois recordes femininos da competição estabelecidos. No heptatlo com Lucimar, com 6.133 pontos ficando em 11º  lugar no ranking mundial. Mas para uma final olímpica deverá materializar mais de 6.600 pontos.

            O revezamento feminino, com 42s85, também fica em 11º lugar no mundo, não podemos deixar de frisar que estas mesmas atletas foram oitavo no último Mundial, em Daegu, este ano.

            Maurren, com 6,92 também foi uma grata participação.

            Entre os homens, não temos nenhuma participação de destaque. Não podemos deixar de comentar que os Estados Unidos e a Jamaica não levaram os seus melhores velocistas.

            A delegação dos Estados Unidos foi representada por atletas que figuram no ranking americano, em sua maioria depois do décimo lugar. Apenas Cuba, e logicamente o México, estavam com os seus melhores atletas.

            Não devemos nos enganar com as medalhas do atletismo nem neste nem em outro qualquer PAN. Com raras exceções os nossos atletas não figuram entre os 20 melhores a nível mundial em suas respectivas provas. Os revezamentos são em caso a parte, no 4x100 metros, tanto o masculino e o feminino. 

            No Rio de Janeiro, em 2007, com 85 atletas conquistamos 23 medalhas o mesmo número de 2011 com 62 atletas. Isso demonstrar que nem sempre a equipe mais numerosa e a melhor.         

        Outra analise e a comparação dos resultados, para uma constatação em qual evento, os resultados foram mais expressivos, se o de 2007 foi melhor que 2011, com o detalhe que o evento deste ano foi realizado em uma cidade 1.550 metros de altitude, o que favorece as provas de velocidade e saltos em distancia e triplo, como atrapalha as provas de corridas de fundo.

        Obviamente que para a CBAT foi um sucesso. Mas eu discordo, pois passados quatro anos em os mais de R$ 30 milhões investidos pela Caixa Econômica, deveríamos, como futura sede dos Jogos Olímpicos, ter demonstrado um desempenho acima dos cubanos.

        Mais: quantos atletas com idade menor de 22 anos estavam nesta equipe? Considerando a formação da equipe para 2016, já deveríamos ter um número bem expressivos de atletas materializando marcas, que nos indicassem  que, nos Jogos Rio 2016 poderemos assistir a vários competidores chegando à fase final de suas provas.

 

Por José da Cruz às 16h38

Sugestão de domingo: imperdível

            Não acompanhei os Jogos Pan-Americanos como deveria. As confusões no Ministério do Esporte ocuparam o meu tempo integralmente.

            Mas, amigos especialistas no assunto preparam uma avaliação para aqui debatermos, a partir dos resultados do Brasil, avanços e recuos.

            Enquanto isso, deixo como sugestão de leitura: “O Esporte pede desculpas”, no blog de Juca Kfouri.

            Imperdível.

Por José da Cruz às 10h29

29/10/2011

Escândalo no Esporte: sobram provas das falcatruas

             Sobram provas de irregularidades na execução orçamentária do Ministério do Esporte. Parece que só o ex-ministro Orlando Silva não sabia que estava sendo enganado. Deixou o cargo afirmando: “Não há provas”... “não há provas”.

            Opa! Como pode uma autoridade ministerial ignorar o que se passa nos gabinetes de seus assessores, por ele nomeados?

            O ex-ministro, por acaso, não tinha uma assessoria para atualizá-lo sobre as sessões do TCU e da CGU, onde as irregularidades do Segundo Tempo estavam sendo relatadas? Ninguém o informou? Se assim é, que vergonha! Que fragilidade a estrutura do gabinete ministerial! Não é de admirar que a corrupção ali encontrado ambiente propício para prosperar.

            Leia a reportagem de Soraya Aggege em Carta Capital desta semana: Questão de partido. Mais provas estão aí, Senhor Orlando Silva.

           Em resumo:

            “A cidade de Americana, no interior paulista, abrigará um dos principais focos das investigações. Administrado pelo PSDB, em aliança local com o PCdoB, o município foi um dos principais beneficiados pelos convênios do ministério. O MPF de Piracicaba mantém duas grandes investigações na cidade, focadas em possíveis fraudes e outras ilegalidades do Programa Segundo Tempo. Mas na quinta-feira 27 a situação se agravou. O MPF recebeu denúncias formais de possível envolvimento de políticos da legenda nos casos e em outras supostas ilegalidades. Há denúncias de que parte de pagamentos dos agentes do programa teria sido revertida para campanhas políticas do PCdoB ” – diz a reportagem de Soraya Aggege, em Carta Capital          

Por José da Cruz às 22h51

Escândalo no Esporte: mais revelações envolvem Agnelo Queiroz

            Depois de Veja, na semana passada, e Época, ontem, agora é a vez da revista IstoÉ mostrar como se desenvolvia o esquema de corrupção no Ministério do Esporte, com recursos do Segundo Tempo sendo surripiado da garotada.

            Está claro que, com a queda do ministro Orlando Silva, o PCdoB decidiu enfrentar o PT de Agnelo Queiroz, o ex-ministro do Esporte e atual governador do Distrito Federal.

            Assinada pelo repórter Cláudio Dantas Sequeira, o assunto tem o seguinte resumo, capaz de deixar vermelho de vergonha os comunistas históricos:

O esquema Agnelo

           Em vídeo, testemunha-chave conta bastidores da teia de corrupção montada no Ministério do Esporte pelo ex-ministro Agnelo Queiroz. Aparecem nomes e funções dos envolvidos na rede que desviou recursos públicos para ONGs de fachada e empresas fantasmas.

            A reportagem completa está aqui

Por José da Cruz às 16h27

Escândalo no Esporte: Agnelo na linha de tiro

ÉPOCA

Por Andrei Meireles, Marcelo Rocha e Murilo Ramos

            Uma investigação da polícia mostra que o governador de Brasília ajudou um PM a fraudar provas para se defender de denúncias de desvio de recursos

            Nos próximos dias, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) receberá um processo com nove volumes e quatro apensos, que corre na 10ª Vara Federal, em Brasília. As informações, a que ÉPOCA teve acesso, mostram que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), antecessor de Silva, é suspeito de ter se beneficiado das fraudes.

            A reportagem completa está aqui

Por José da Cruz às 00h04

28/10/2011

A força dos atletas: Desporto no gelo sob intervenção

       A Justiça do Rio de Janeiro acatou pedido de um grupo de atletas e afastou o presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), Eric Leme Walther Maleson, acusado de várias irregularidades à frente da entidade.

          Emílio de Souza Strapasson foi nomeado interventor. Ele conduzirá uma auditoria para apurar a realidade dos fatos.

          Esta é a segunda confederação esportiva sob intervenção. A primeira é a de Vela e Motor, há quatro anos sem eleição de um presidente.

          A seguir, a carta enviada pelos atletas do gelo, explicando os motivos da medida extrema de recorrerem à Justiça. E fica provado que a unidade dos atletas é fundamental para dar rumos à gestão do esporte. 

Carta à imprensa

         Você lembra o famoso filme Jamaica Abaixo de Zero?

         Então você sabe o que é o bobsled. E você também já deve ter visto em algum momento nos últimos 9 anos alguma matéria sobre uma equipe brasileira que teima em representar nosso país.

         E talvez, caso você seja muito curioso, deve saber que existem vários outros esportes de inverno praticados por destemidos brasileiros.

         Pois o assunto desta carta é a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo - CBDG.

        A CBDG abriga 7 diferentes esportes olímpicos de inverno, todos praticados no gelo. Desde o advento da Lei Piva, o COB se reorganizou em relação aos desportos que fazem parte do programa olímpico de inverno, e os dividiu em duas Confederações Nacionais. A CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve) e a CBDG (Confederação Brasileira dos Desportos no Gelo).

        No último dia 27, a Justiça do Rio de Janeiro atendeu ao pedido de um grupo de atletas e ex-atletas do Gelo que entraram na Justiça com um pedido de intervenção do seu atual presidente, o carioca Eric Leme Walther Maleson. Nada é o que parece. Apesar do nome, Eric nasceu no Rio, e apesar de ser o presidente da CBDG, ele vive em Boston (EUA).

A queixa?

        A princípio os atletas estavam descontentes com a alocação de recursos, a falta de investimento em treinamentos, equipamentos, a falta de um planejamento, mesmo a curtíssimo prazo. Em alguns casos o atleta era avisado que a viagem seria cancelada dias e até mesmo horas antes do embarque. A impressão era que a CBDG tinha um dono, e nada mais. Sua esposa americana é a voz da secretaria eletrônica que atende em Boston. Nenhum funcionário, nenhum plano, nenhum clube filiado, nenhum patrocínio na ultima década, nenhuma transparência.

         O valor para filiar um clube na CBDG custa a bagatela de R$ 45.000,00 (!) Isso mesmo!

Ao buscar os documentos da CBDG junto aos cartórios, a surpresa foi maior ainda. Os clubes que sustentam a CBDG são constituídos por parentes, não tem movimentação a mais de 10 anos, os estatutos da CBDG são descumpridos constantemente, as eleições da Confederação não tem legitimidade, as prestações de conta estão sempre com atraso (de ate 3 anos) , etc, etc, etc.

         Os atletas constituíram advogado, buscaram inúmeras provas e montaram um assustador relatório onde tudo é mostrado e provado com fartura de dados.

         São 14 anos de uma gestão incompetente, sem desenvolvimento, sem patrocínios, sem organização, sem planejamento e quase sem futuro.

        Convidamos todos a lerem o relatório em anexo. É uma obra prima de um dirigente que pensa que nunca ninguém descobrirá suas mazelas, sua incompetência. É a prova da tomada de uma entidade em beneficio próprio, do uso do público pelo privado.

        Contamos com a indignação de todos, com o apoio daqueles que não se conformam com a desonestidade.

        Sim, a CBDG não tem a expressão e representatividade de outros esportes, mas nem por isso deve perder em valor. É uma entidade que representa nosso pais em 7 modalidades Olímpicas, que abriga atletas obstinados e capazes. Eles tem orgulho de ser brasileiros, de competir pelo nosso pais, de buscar e batalhar por seus sonhos, por mais inusitado que seja.

Saudações esportivas

 

Edson Luques Bindilatti

Por José da Cruz às 22h49

27/10/2011

Megaeventos: R$ 5 bilhões disponíveis

            A Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória que disponibiliza R$ 5 bilhões às cidades-sedes da Copa 2014.

            O dinheiro virá do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS). Repito o valor: R$ 5 bilhões para obras – menos estádios – nas cidades do megaevento. A MP ainda será apreciada pelo Senado.

            A reportagem está na Folha de S.Paulo desta quinta-feira.

Mais:

            Há poucos dias o governo federal assinou decreto isentando a FIFA de impostos, assim como todos os órgãos a ela filiados. Medida que valerá já para a Copa das Confederações, em 2013. O governo anterior assumiu este compromisso quando da candidatura do Brasil e é preciso honrá-lo.

            Antes, o governo também editou o “barulhento” regime diferenciado para a contratação de serviços, uma forma de apressar as obras. E estamos atrasados porque não tivemos o elementar planejamento.

            E o Congresso Nacional já discute sobre facilidades para a FIFA operar no Brasil, inclusive com tribunal especial etc, etc, etc.       Ou seja, em nome do futebol, as facilidades saem às pressas, emergencialmente, facilitadamente, imediatamente!!

Enquanto isso...

            Em São Paulo, o estado mais rico do país, alunos ainda estudam em escolas de latas. São estruturas com chapas metálicas parecidas com contêineres.

            As salas de lata foram construídas em 1997 de  forma “emergencial”. Tornaram-se “permanentes”. Barulho, calor, frio, acústica, conforto... É assim, aos trancos e barrancos, que avança o nosso ensino básico.

            Aqui em Brasília, constroi-se um gigante de 70 mil lugares em tempo recorde. Não falta dinheiro.

            Mas, a 500 metros do moderno estádio, doentes sofrem na porta do principal hospital público da capital, por falta de atendimento. É a tal “opção pelo concreto”, sintetizando a vaidade do governador Agnelo. Ele repete os desmandos de seus antecessores, Arruda e Roriz, especialistas em obras monumentais e bilionárias. Deu no que deu.

Enfim...

            ... em nome do futebol as facilidades surgem e a tramitação de projetos é em tempo recorde!!

            Mas para comprar macas, colchões, ambulâncias, medicamentos, aparelhos de Rx, construir escolas, melhorar a vida dos professores...

Esgotos

            Dados do governo indicam que a coleta de esgotos é crítica nas 12 cidades-sede da Copa.

            Em cinco capitais – Fortaleza, Cuiabá, Recife, Natal e Manaus – o índice de atendimento é inferior a 50% de cobertura de esgotamento sanitário!!!!!!!!

            Manaus é a cidade-sede em pior situação, com apenas 11% da população atendida por rede coletora de esgotos.

            Quer dizer que precisamos receber uma Copa do Mundo para aplicar R$ 5 bilhões guardados, exatamente para atender tais necessidades da população?

            Quantos outros milhões estão escondidos sem uso, por falta de iniciativa do governo ou ação das excelências parlamentares?

            E já somos a oitava economia do mundo ...        

Por José da Cruz às 23h42

Boa sorte, Ministro

            O deputado federal Aldo Rebelo é o terceiro ministro do Esporte, em nove anos de governo PT. Agnelo foi o primeiro, Orlando Silva o segundo.

            Orlando Silva acertou na escolha porque o PCdoB não apresentou lista tríplice, como solicitou a presidente Dilma, mas apenas um nome, o de Aldo.

            E a UNE continua prestigiada na Esplanada dos Ministérios. Agora só falta Deus iluminar o caminho do novo ministro, como desejou Orlando, porque o foco do Palácio do Planalto estará, com certeza, voltado para o prédio ministerial.

            Aldo é da velha guarda comunista, do tempo em que a filiação partidária se dava, efetivamente, por ideologia e não por modismos de empolgados jovens. É tido como um homem correto e sério. Não mostra os dentes, como se diz. Sabe suprortar pressões sem se alterar. Demonstrou isso quando presidiu a CPI da CBF, em 2001, na Câmara dos Deputados

            Apesar de o nome de seu irmão, Apolinário, ter sido citado num dos escândalos do Segundo Tempo, em Brasília, isso não diminui o prestígio e a importância do deputado Aldo

CPI

            Acompanhei o trabalho de Aldo na Comissão de Inquérito da CBF Nike. O relator foi Silvio Torres, do PSDB paulista. E, mesmo sendo de partidos extremos, a dupla fez um ótimo trabalho. Ao final, escreveram um livro que se tornou preciosidade. Nem tanto pelas informações publicadas, decorrentes das quebras de sigilos bancários e ficais da CBF. Mas, principalmente, porque Ricardo Teixeira foi à Justiça e proibiu a circulação da obra, raríssima, a partir de então.

Convite

            Depois de 2001, voltei a entrevistar Aldo Rebelo em 2005, quando foi eleito presidente da Câmara dos Deputados.

            Mais recentemente ele me convidou para trabalhar na sua assessoria de imprensa. Conversamos muito, numa sexta-feira de manhã, em seu gabinete. E me contou boas histórias do livro que estava escrevendo. Ao final, não aceitei o honroso convite. Preferi continuar repórter. Sofrer é comigo...

O futuro

            Sinceramente, dou crédito ao trabalho de Aldo Rebelo. Tenho a impressão de que ele fará um bom trabalho. Tem o perfil de gestor que sabe se assessorar  com bons técnicos para que possa ser eficiente nas questões políticas.

            Espero, porém, que, prioritariamente, o ministro limpe a área como bom zagueiro, chutando de bico, se preciso, os que enlamearam o Ministério e comprometeram bons valores do dinheiro público. Waldemar Souza, Ricardo Leyser, Wadson Ribeiro, enfim, precisam sair já. Isso é indispensável.

            Que o novo ministro cumpra a Constituição Federal em seu artigo 217, que determina sobre o uso das verbas públicas para o esporte;

            Que crie uma comissão para analisar TODOS os convênios do Segundo Tempo, a fim de não prejudicar as ONGs que tem propósitos sérios e compromissos com o bem público.

            Desejo que o novo ministro dê novos rumos aos recursos da Lei de Incentivo ao Esporte, pois tem saído muita grana para bobagens.

            Que consiga, através do Conselho Nacional de Esportes, criar e implantar uma política de Governo,  e não de partido, como temos. Uma política em parceria com a Educação, Saúde, Meio Ambiente, Indústria e Comércio, Turismo, principalmente.

            Desejo, enfim, boa sorte, Ministro.

Por José da Cruz às 13h29

Crise no Esporte: a opinião de Lars Grael

            Ex-secretário nacional de Esporte e atleta exemplar, Lars Grael fez uma análise sobre o desempenho do esporte em nível da administração e gestão públicas.

            A retrospectiva que apresentou é oportuna para que melhor se entenda o momento pelo qual passa o esporte, intimamente vinculado à política nacional.

            Em resumo:

            “Dentro da minha ótica de ex-atleta olímpico (1984; 88; 92; 96), velejador (sempre serei), coordenador técnico da equipe olímpica de Vela (2000 e 2004) e ex-Secretário Nacional dos Esportes, faço alguns comentários sobre estas notícias divulgadas no site Terra (ver abaixo).

            O fato é que não concordo com a simplificação da lógica que o esporte "saiu do zero para o razoável".

            Muitos gestores contribuíram para a construção de uma política e para uma estrutura para o esporte brasileiro. Naturalmente que sempre além do zero e sempre muito aquém do ideal.”

            O artigo completo está no Blog do Lars. Boa leitura.

Por José da Cruz às 12h09

Crise no Esporte: "que Deus ilumine..."

            O ex-ministro Orlando Silva deseja que “Deus ilumine os caminhos” do correligionário e ministeriável Aldo Rebelo. Manifesta-se como se Aldo já estivesse confirmado para o cargo. Será?

         É evidente que Orlando torce para isso, pois manteria a turma de São Paulo à frente do Ministério e a UNE fortalecida, pois Aldo presidiu essa instituição. Para a comunidade esportiva teríamos um nome que conhece muito bem os bastidores do futebol, principalmente, pois presidiu a histórica CPI da CBF Nike. Saberia com quem está lidando.

         Porém, companheiros que cobrem o Palácio do Planalto e conhecem os bastidores da política informam que a presidente Dilma insiste no maranhense Flávio Dino, também do PCdoB, e atual presidente da Embratur.

         Advogado, ex-deputado federal, Dino perdeu a eleição ao governo do Maranhão para Roseana Sarney.

         Mas a indicação dele para o Ministério do Esporte poderia “desagradar” o senador José Sarney. Principalmente porque a pasta do Esporte oferece muita visibilidade, luzes, exposição na mídia, enfim.

         Talvez por isso e para ter o “concordo” de Sarney, o Palácio já tenha avisado que o futuro ministro deverá ficar longe das questões da FIFA.

         Inacreditável o que a política e os políticos escondem. Para termos um ministro do Esporte precisamos do “amém” de José Sarney, o mesmo que lustrou as botas dos militares nos anos de chumbo e agora está aliado ao PT. Além disso, onde está a independência dos poderes da República, já que a presidente não tem a liberdade de escolher seu assessor?

         Acredito que o momento é oportuníssimo para que a presidente Dilma criasse um Comitê de Copa apartidário, com gente que entenda o idioma do futebol internacional e, principalmente, de grandes eventos.

         Com isso, deixaria o Ministério do Esporte para cuidar do esporte internamente, pois são muitos os problemas, de gestão do orçamento e recuperação da imagem da instituição, sobretudo.

         E, como escreveu Lars Grael, que a escolha do ministro seja de alguém “que tenha compromisso com o esporte brasileiro, acima de compromisso com um partido político”.

         Assim, se chegamos ao ponto de pedir que Deus ilumine o futuro do esporte, que as luzes se voltem, prioritariamente, para os gabinetes do Palácio do Planalto, de onde sairá o nome que comandará o espetáculo.

Por José da Cruz às 11h09

RealGandula: bom para relaxar

        O repórter Roberto Naves sabe tudo sobre futebol. Com memória privilegiada, é conhecido por “DataNaves”. Resposta sempre em cima sobre os assuntos daqui ou do exterior.

            Naves respira com alma de torcedor crítico, e vê no futebol e fora dele a ocasião para fazer uma frase de efeito. Fez isso com muito humor enquanto esteve no Correio Braziliense, onde ele assinou a coluna “Gandula”.

            Agora, ele brinca com o “RealGandula”, no democrático Twitter.

          "Comentários irreverentes sobre futebol, corrupção e outros esportes genuinamente brasileiros", diz Naves.

            Deixo a sugestão para a leitura, também como um alívio à dureza do noticiário que aqui publico.

            Confiram:

               E o STF aceitou a denúncia por falta de provas... Bingo!

                 Leão estreou miando no São Paulo

                 Orlando Silva vai trabalhar com Milton Neves no Terceiro Tempo

                 Vasco será enquadrado na Lei Maria da Penha depois de bater Aurora

                 O líder do Campeonato Boliviano é uma droga e ainda virou pó

                 Devassa vai patrocinar o Ministério do Esporte

                 Ministro caiu antes do Atlético-MG e Cruzeiro

                 Romário recusa convite para ser ministro porque nunca gostou de entrar no Segundo Tempo

                 Tem mais mineiro na zona de rebaixamento ou no ministério de Dilma?

         E por aí vai...         

Por José da Cruz às 00h54

Esporte não é política

            Agora que o Ministério dos Esportes está sem comando, é hora de que o Governo coloque valor no esporte. Não estamos falando de valores que fizeram muitos ministros caírem, estamos falando de valores que fazem de qualquer pessoa um cidadão de bem.

            O primeiro é ter RESPEITO pela infância e juventude do Brasil. Em seguida fazer com que o governo JOGUE LIMPO com os programas incentivados em benefício da sociedade. Aí vem a EXCELENCIA , não esta "excelência" que está sentada no cargo, a EXCELENCIA em buscar o melhor para a construção da nossa sociedade através dos nossos jovens. E, claro, tendo AMIZADE pelo outro, tudo acontece.

            Não se pode esquecer que CORAGEM é para poucos, mas com DETERMINAÇAO o trabalho é INSPIRADOR.  Se buscarmos esta pessoa com estes valores para dirigir o esporte, o esporte será IGUAL para todos.

            Esporte tem
VALOR
.

Esta é a opinião do
MemoriaOlimpica.com

Por José da Cruz às 00h01

26/10/2011

Ministro interino liberou verba para programa não realizado

        Antes de se tornar ministro interino do Esporte, Waldemar Manoel Silva e Souza teve projeção nacional por ocasião de um rumoroso caso do Ministério do Esporte.

        Waldemar foi quem assinou o convênio com o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional, presidida por Mustafá Contursi, conforme denúncia do jornal O Estado de S.Paulo, há dois meses.

        O convênio, no valor de R$ 6.150.000,00 previa o cadastramento de 500 mil torcedores, integrando o programa Torcida Legal, do Ministério do Esporte.

        O trabalho, porém, não foi realizado e este foi mais um caso que começou a minar a sustentação no cargo do ex-ministro Orlando Silva.

Por José da Cruz às 23h32

Sai a criatura; entra o criador

            O secretário executivo de Orlando Silva, Waldemar Manoel Silva e Souza, foi confirmado ministro interino do esporte. Não mudará nada na pasta, até que a presidente Dilma encontre o titular. É de Waldemar o atual modelo de gestão do Ministério. A interinidade é, também, um “chega pra lá” nas pretensões da turma de São Paulo, que apostava em Aldo Rebelo para novo ministro.

            Nos bastidores do Palácio do Planalto, Flávio Dino (PCdoB), presidente da Embratur, e em Márcio Fortes (PP), ex-ministro das Cidades e atual presidente da empresa Autoridade Pública Olímpica, são cogitados para ocupar a pasta. Apostas, mais apostas...

Quem é?

            Waldemar foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, a histórica UNE, entre 1989 e 1991. À época, o presidente era Cláudio Langone, atualmente coordenando a Câmara de meio Ambiente da Copa 2014.

            No partido, Waldemar é conhecido como um “quadro técnico, extremamente capacitado”. Depois que deixou a UNE, ele atuou com determinação na organização do PCdoB no Rio de Janeiro.

            Foi Waldemar quem levou Orlando Silva e o hoje senador Lindberg Farias para a UNE, onde acabaram se elegendo presidente da entidade.

            Waldemar é uma pessoa discreta, pouca afeita a aparecimentos. Correligionários contaram que é dele o atual modelo de gestão do Ministério do Esporte. Deu no que deu...

            Esperamos que a presidente Dilma indique logo o novo titular, pois estamos com os megaeventos aí e não temos um interlocutor do governo à altura do diálogo, que exige muita dureza

Por José da Cruz às 20h07

Copa 2014: Brasil desperdiçou o tempo das oportunidades

         Professor de gestão do esporte, o paulista Amir Somoggi disse que o Brasil desperdiçou o tempo das oportunidades”, referindo-se à conquista da sede da Copa mas movimentando-se tardiamente na busca de parceiros para os milionários investimentos.

        “Não atraímos investimentos privados, nem geramos um ambiente de negócios saudável e duradouro para depois da Copa. Isso não volta mais; ficamos dependentes praticamente apenas de recursos públicos”, diz.

        A crise no Ministério do Esporte, os problemas com licitações, superfaturamentos e a Lei Geral da Copa são os principais problemas que o Brasil enfrenta, na avaliação do especialista.

        A entrevista completa está na edição de hoje do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba.

Por José da Cruz às 16h16

Vem aí o terceiro ministro do Esporte. Quem?

      Orlando Silva caiu. Ele enfrentou a crise sem apoio da comunidade esportiva

        Houve quem esperneasse quando o PcdoB ganhou o Ministério do Esporte, no primeiro mandato do governo Lula da Silva, em 2003. A então deputada comunista,Vanessa Grazziotin, agora senadora pelo Amazonas, afirmou que “esporte é uma coisa menor para o tamanho do PCdoB”.

        Mal sabia a parlamentar que, anos depois, o partido estaria envolvido com a preparação dos dois maiores megaeventos do esporte mundial, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, e às voltas com orçamentos e projetos espetaculares. Mas, também, mergulhado numa crise partidária e governamental que levou a presidente Dilma Rousseff a continuar a faxina na Esplanada dos Minitérios: Orlando Silva é o quinto ministro demitido por acusações graves de corrupção. E o primeiro da equipe a ser investigado pelo STF.

Missão

        Até hoje, nove anos de governo do PT, ainda não se sabe a que veio o Ministério do Esporte. Tornou-se eficiente repassador de verbas, mas sem objetivos definidos e sem uma proposta de trabalho integrado entre os beneficiados. Nada disso. E o Conselho Nacional de Esporte, o principal órgão de apoio ao gabinete ministerial, tornou-se um agrupamento de concordância aos atos do ministro, em vez de ser o espaço de discussão de políticas para o setor.

        O governo Lula da Silva foi farto na distribuição de dinheiro para o esporte, através da Lei de Incentivo, Bolsa Atleta, Timemania, patrocínio das estatais – BB, Caixa, ECT, Petrobras, Infraero, Casa da Moeda, Eletrobras e BNDES. Politicamente, foram três edições da Conferência Nacional do Esporte. Porém, com decisões ignoradas pela cúpúla ministerial.

        Dando apoio a essa estrutura de governo, o Brasil esportivo tem todas as suas instituições funcionando: comitês, confederações, federações, clubes. E todas elas contempladas com verbas públicas. Na Câmara e no Senado, comissões específicas e uma Frente Parlamentar do Esporte ajudam a aprovar robustos orçamentos anuais para o Esporte. Porém, de fraquíssimas execuções. Em 2010, por exemplo, o Ministério do Esporte gastou apenas 39% do R$1,8 bilhão disponível.

        E isso ocorre porque falta-nos o fundamental: metas, prioridades e planejamento. Não temos isso. Nunca tivemos. O Ministério tornou-se, antes, um abrigo de correligionários desocupados e inexperientes, em detrimento do concurso de técnicos para fortalecer o setor e dar rumo ao esporte nacional. E muitos desses amigos da casa aproveitaram seus cargos como trampolins eleitorais, apoiados por projetos sociais para promoções em suas regiões de interesse. Na prática, o PcdoB comporta-se como os demais partidos da base aliada, em que o PMDB, é o mestre-salas na ocuapação de espaços ministeriais e autárquicos, para projetar seus correligionários e fortalecer a sigla.

O início

        Agnelo Queiroz foi o primeiro ministro da pasta. Assumiu prestigiadíssimo. Afinal, como deputado federal, fora o autor formal – porque o autor intelectual fora outro – da Lei 10.264/2001, que destina 2% das loterias federais para o esporte, conhecida por “Lei Agnelo Piva”. E dinheiro, sabe-se bem, aproximam a todos, enquanto “amigos” ...

        Porém, Agnelo foi um fracasso. Enredou-se com benefícios do COB, no Pan de Santo Domingo, e ainda está envolvido num processo de liberação de R$ 25 milhões, desde os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

        Com Agnelo, assumiu Orlando Silva, um ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), que tinha duas missões: aproximar-se do gabinete ministerial, que consguiu, ao se tornar Secretário Executivo, até chegar ao posto máximo, e se livrar dos “companheiros” petistas. A longo prazo, fez isso.

        Apresentado como “o maior programa social do mundo”, o Segundo Tempo foi criado por Agnelo. Era a cópia de um projeto chamado “Esporte na Escola”, no governo Sarney. Porém, o Segundo Tempo tornou-se o ponto da discórdia e motivo principal da demissão do ministro Orlando Silva. Em 2005 surgiram as primeiras denúncias. A partir daí, vieram mais falcatruas.

        Foi assim que o então assessor Júlio Filgueiras apresentou o policial João Dias a Agnelo. Tornaram-se amigo e Dias foi contemplado com cerca de R$ 3,5 milhões para projetos do Segundo Tempo. O resultado dessa parceria é uma investigação policial e foco da demissão de Orlando. Em decorrência, Agnelo está na linha de tiro, suspeito de ter recebido propinas.

        Toda essa crise ocorre num momento de ampla exposição do país na mídia internacional. É péssimo, mas fica claro que a presidente Dilma está disposta a combater a corrupção governamental, herdada de anos e anos de república. E é muito bom ver tanta determinação.

Finalmente:

        Orlando Silva caiu. Nem tanto pela denúncia vazia, até aqui, de um policial. Mais pela fragilidade de seu gabinete, formada por inexperientes da UNE, acusados de irregularidades constatadas pelo Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral.

        Talvez por isso, Orlando tenha enfrentado uma semana de tiroteio sem receber apoio da comunidade esportiva: Comitês Olímpico e Paraolípico, confederações, federações, técnicos, atletas. Nada! Ontem, foi a vez dos parlamentares da base aliada abandonarem Orlando Silva. Seu debate sobre a Lei Geral da Copa, na Câmara, foi um desastre. Torpedeado pela oposição e frágil na defesa, ele já apresentava o perfil de que estava no fim. 

        E quem será o terceiro ministro do Esporte? Acredito que Aldo Rebelo. É nome respeitadíssimo no PcdoB e de confiança da presidente. Tem diálogo com a oposição e poderá representar o governo no entendimento com a comunidade internacional, diante dos compromissos que Copa e Olimpíada exigem.     

        Porém, independentemente do nome que for indicado para o ministério, será preciso uma ação enorme para limpar a máquina, infiltrada por interesses particulares e danosos ao bem público.

Por José da Cruz às 12h31

Enfim, Orlando Silva saiu

     Colegas que cobrem o Palácio do Planalto me informam que Orlando Silva jogou a toalha. Entregará ainda hoje a carta de demissão a presidente Dilma Rousseff.

     Este é o quinto ministro do atual governo que se afasta do cargo sob denúncia de corrupção.

     Acredito que diante do desgaste governamental e da longa parceria do PCdoB com o PT, o Ministério do Esporte continuará com os comunistas.

     E quem será o ministro? este é o debate do momento na cúpula do governo.

     Particularmente, acredito que a presidente Dilma optará pelo deputado Aldo Rebelo, nome histórico e respeitado no PCdoB.

     Vamos aguardar.

 

Por José da Cruz às 11h53

Quem vai tocar o barco?

      Foi extremamente constrangedora a apresentação do ex-ministro Orlando Silva, ontem na Câmara para debater sobre a Lei Geral da Copa

       Torpedeado pela oposição – como o PT fazia, nos tempos de FHC – Orlando ficou no corner, tal qual um ringue de boxe, sem que os parlamentares “amigos”, os correligionários, a base aliada, enfim, aparecesse para socorrê-lo.

       O mais inacreditável é que o Brasil esportivo tem uma enorme e séria agenda de compromissos para resolver que exigem muito diálogo, olho no olho, entendimento, acertos, avanços e recuos, sem que tenha um interlocutor confiável para tanto.

       O prejuízo do governo federal é enorme. Por conta das composições políticas – porque é só isso que mantém Orlando no cargo – o governo se desgasta e entra na mesma vala de desprestígio em que o Ministério do Esporte está mergulhado.

       Lamentavelmente, a importantíssima instituição “esporte” – quer no desenvolvimento intelectual e formação do caráter dos  jovens quer na participação do PIB brasileiro, já que a indústria do esporte cresce anualmente – está relegada a um debate de valeta, com acusações de aliados e parceiros íntimos de ontem, agora descartados porque o esquema pifou.

       Pior é observar o cinismo de tantos, como o governador do Distrito Federal, Agnelo, tentando disfarçar que está longe da sujeira, como se tudo não tivesse começado quando ministro, enquanto Orlando Silva ainda era secretário executivo, seu imediato.

       Que esses senhores não tentem esconder o sol com peneira, pois a sombra bate sobre seus atos. São responsáveis, inicialmente, por não atentarem para as ações do Tribunal de Contas da União, que alertou sobre  as irregularidades. Ignoraram. Portanto, que agora respondam por seus atos. De preferência longe de seus cargos, pois o Brasil esportivo precisa avançar.

       Falta saber: quem virá para tocar o barco?

Por José da Cruz às 11h47

O esporte na lama

        Olha a situação: a 960 dias para a abertura da Copa no Brasil a principal pauta brasileira sobre o evento envolve suspeitas de corrupção no Ministério do Esporte, investigações da Polícia Federal, inquéritos na Justiça. São fatos distintos, mas com atores importantes: o ministro Orlando Silva, o presidente da CBF e da Comissão Local da Copa 2014, Ricardo Teixeira, e o ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz, agora governador do Distrito Federal.

        É nesse ambiente de denúncias em várias frentes, com desconfiança de falcatruas disfarçadas de “apoio ao esporte”, que o inglês, Andrew Jennings, estará hoje no Senado Federal.

        Jennings é um experiente jornalista inglês que desde 1992 denuncia a corrupção no esporte olímpico mundial. Mais recentemente, ele investigou os bastidores da Fifa, quando conseguiu documentos que levam à suspeita de seus membros – entre eles Ricardo Teixeira – terem recebido propinas na comercialização de direitos da Copa do Mundo.

        A Fifa é uma organização criminosa. E posso dizer isso porque já investiguei a máfia, um sindicato de crime organizado. Trago ao Senado documentos, fatos contra Ricardo Teixeira”, disse Jennings. Ele entregou um dossiê a senadores da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, que o convidou para o depoimento de hoje, às 10h.

        Enquanto Jennings faz essas denúncias, a Polícia Federal, a pedido do Ministério Público, abre mais uma investigação contra Ricardo Teixeira, para apurar irregularidades no patrimônio da CBF, dirigida por Teixeira há 22 anos. A Polícia Federal já apura se o cartola cometeu crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Segundo Tempo

        Fora do futebol, a situação ferve no Ministério do Esporte. Avançaram as denúncias de corrupção com o programa Segundo Tempo, e a ministra Carmem Lúcia Antunes Rocha, do Supremo Tribunal Federal, abriu inquérito para investigar o envolvimento do ministro Orlando Silva e do ex-governador, Angelo Queiroz, no esquema.

        É nas mãos dessa gente que estão negócios milionários do esporte, diálogos importantes com parceiros internacionais, enfim. Confiança? Não precisa, pois o jogo é rasteiro.

        Como escreveu Andrew Jennings em seu primeiro livro – Os Senhores dos Aneis – em 1992, as emoções que o esporte transmite ao público escondem um ambiente de corrupção, poder e drogas, mundo afora.

Por José da Cruz às 07h27

25/10/2011

Orlando Silva beneficiou ONG quando ela já era suspeita de fraudes

             Os repórteres Filipe Coutinho e Fernando Mello, da Folha de S.Paulo, conseguiram o primeiro documento que estabelece ligação direta entre o ministro do Esporte, Orlando Silva, e o policial João Dias, beneficiado com R$ 3,6 milhões do Segundo Tempo, dinheiro que teria sido desviado de seus objetivos.

        Mesmo diante de auditorias do Ministério, que revelaram indícios de fraudes na primeira etapa do projeto de João Dias, em julho de 2006 Orlando assinou um despacho que reduziu o valor que a ONG beneficiada precisava gastar como contrapartida para receber verbas do governo, permitindo que o policial continuasse participando de um programa do ministério.

        O ministro do Esporte autorizou de próprio punho a medida.

Meu comentário

        Para os patrulheiros de plantão, ai está mais uma prova, diante das que já publiquei, mostrando que o Segundo Tempo é um foco de intensa corrupção, Brasil afora. 

         Neste caso, fica cada vez mais evidente que, um dia, João Dias teve suas ações qualificadas pelo ministério do Esporte. Hoje, ele é desqualificado... Traição entre amigos.

        Mas este é apenas o ponto de partida de um esquema maior, que só será totalmente decifrado depois de ouvirem o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e o ex-gerentão do Segundo Tempo, Júlio Filgueiras.

        Foi Júlio quem apresentou João Dias ao então ministro do Esporte, Agnelo Queiroz; e a confusão de hoje está centrada a partir dessa relação entre amigos.

Por José da Cruz às 08h24

24/10/2011

O que explica a permanência de Orlando Silva no Ministério do Esporte?

Para preservar o governador Agnelo Queiroz, do PT, presidente Dilma recuou da demissão

        Para melhor entender o momento na gestão do esporte brasileiro, sugiro a leitura do artigo do jornalista Ricardo Noblat, hoje, em O Globo.

        Ele analisa mais uma crise no governo da presidente Dilma, agora sob o enfoque da participação do PCdoB, aliado histórico do PT.

        Um dos motivos da permanência de Orlando Silva no comando do Ministério do Esporte está explicado neste parágrafo:

        “Que bala de prata guardava o PCdoB? Anote o nome dela: Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal, eleito pelo PT. Durante o primeiro governo de Lula, ainda na condição de membro do PCdoB, Agnelo foi ministro do Espore. O secretário-executivo do ministério era Orlando Silva. Pois bem: se Orlando fosse tragado pela lama que escorre no ministério, Agnelo também o seria. Palavra do PCdoB. Então  pensando melhor, Dilma preferiu deixar Orlando onde ele está...”

        O artigo completo está aqui

Por José da Cruz às 20h56

Presidente Dilma determina mudanças em diretorias Esporte

Objetivo é acabar com a farra dos candidatos que usam recursos do Ministério para campanhas eleitorais 

        A presidente Dilma Roussef condicionou a parmanência de Orlando Silva à frente do Ministério do Esporte  ao desmonte da máquna eleitoral que o PcdoB mantém na pasta.

        A reportagem, no Correio Braziliense, é de Alana rizzo, denise Rothenburg e Josie Jeronimo. 

        Um dos funcionários beneficiados pelo sistema  é Wadson Nathaniel Ribeiro, atual secretário de Esporte Educacional. No início do mês, publiquei mensagem mostrando como Wadson ganhou R$72 mil do Ministério do Esporte em “ajuda de custo”.

Diárias

         Agora, o jornalista Walter Guimarães levantou no Portal da Transparência dados sobre as diárias recebidas pelo distinto senhor. Mais: como Wadson, no exercício de cargo de ministro – na ausência do titular – destinou recursos para cidades de seu interesse eleitoral, o que configura abuso de poder, autoritarimso e uso da máquina pública para campanha eleitoral. Confiram: 

Por Walter Guimarães

        O secretário responsável pelo esporte EDUCACIONAL no Ministério do Esporte, Wadson Nathaniel Ribeiro, largou os estudos no terceiro ano do curso de Medicina, para “abraçar a política”. Uma pessoa que define que não precisa estudar para ser o ser político é quem toma conta do esporte educacional brasileiro.

        O que será que Wadson fala para diretores de escolas e reitores de universidades? E para os alunos? Algo como: “Estudem, se formem para ser alguém na vida, mas não esqueçam de praticar esporte. Se não der certo, vá ser político…”????

Números curiosos

        Segundo o Portal da Transperência, somente este ano, Wadson já recebeu R$ 66.351,11 em diárias…

        O curioso é que 10% das diárias – R$6.157,90 – foram pagas entre 10 de fevereiro e 23 de março, quando Wadson ainda não havia retornado ao Ministério, isto é, estava desempregado, pois ele saiu da pasta em julho de 2010 para concorrer a deputado federal, sem sucesso.

        Segundo as ordens bancárias no Portal da Transparência, os pagamentos foram a título de “diárias de colaboradores eventuais no país”. Isso mesmo, antes de voltar para Brasília, Wadson recebeu diárias por serviços prestados ao ministério. E o “colaborador eventual” viajou para Juiz de Fora – sua terra natal – Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Pesquisa

        Avancei na pesquisa, ao tempo em que Wadson foi secretário executivo, antes das eleições do ano passado, quando concorreu a deputado federal. Naquela ocasião, como secretário executivo do Ministério, ele era o imediato do titular.

        E foi assim, como ministro interino, quando Orlando Silva estava fora do país, que o Wadson viajou para várias cidades mineiras e liberou recursos.

        Trata-se de uma real comprovação de uso do cargo pública para campanha eleitoral, colocando em desvantagem os demais candidatos que não têm a estrutura ministerial para apoiá-los na liberação de verbas aos eleitores.

        Confiram as benemerências e visitas políticas, com discursos e entrevistas, de Wadson Ribeiro, enquanto ministro interino do Esporte:

Chácara-MG - liberação de R$ 145 mil para construção de praça esportiva e promessa de investimentos na ordem de R$ 2 milhões para a região - data: 23 janeiro 2009

Juiz de Fora (MG) – assinou convênio de qualificação de mão de obra para a Copa junto à Universidade Federal de Juiz de Fora, em 3 julho 2009.

Machado (MG) - Anúncio de investimentos, na primeira visita à cidade, em 19 junho 2009.

Belo Horizonte - Audiência na Assembéia Legislativa de Minas Gerais, em 17 junho 2009.

Viçosa (MG) Visita à Universidade Federal de Viçosa-MG, e  liberação de R$ 1,8 milhão – em 12 janeiro 2010.

Juiz de Fora (MG) Lançamento da participação da Universidade Federal de Juiz de Fora-MG na capacitação profissional para a Copa do Mundo - data: 8 julho 2009

Belo Horizonte - Entrevista coletiva em Belo Horizonte  sobre a escolha do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas - data: 3 outubro 2009

Anúncio de envio de kits esportivos para a cidade de Alfenas-MG - data: 19 junho 2009 

Finalmente:

        Ainda segundo o Portal da Transparência, Juiz de Fora,com 517 mil habiantes, principal base eleitoral de Wadson, recebeu R$ 3.375.939,44 em convênios, só este ano. para a cidade que tem 517 mil habitantes.

        Segundo o portal do PcdoB, Wadson é candidato a prefeito de Juiz de Fora, em 2012... Faz sentido, pois, o interesse em direcionar recursos para a cidade mineira.

        Já Belo Horizonte, com 2,3 milhões de habitantes – quatro vezes mais que Juiz de Fora –, recebeu menos em convênios, R$ 2.573.650,00.

        E Uberlândia, a segunda cidade mais populosa de Minas, recebeu este ano apenas R$ 170 mil em convênios, ou, 5% do repassado para Juiz de Fora.

Meu comentário

        Para quem pede provas sobre os desmandos no Ministério do Esporte aí está mais uma, de autoria de Walter Guimarães.

        Porém, isso não é exclusivo do PcdoB, o PMDB, o principal predador de cargos públicos neste país faz o mesmo nos ministérios que ocupa. A determinação da presidente Dilma deveria se estender a todas as pastas e autarquias, pois a festa é grande, num processo que é antigo e também muito utilizado pelos tucanos, na era FHC, principalmente. 

Por José da Cruz às 11h41

23/10/2011

Crise no Esporte: apoios e surpresas

        A última semana de outubro começa com o ministro Orlando Silva ainda no cargo. Mas, como interlocutor do governo federal para assuntos da Copa – ainda é? – como vai encarar  prefeitos, governadores e autoridades internacionais, depois do bombardeio de denúncias de corrupção na sua pasta?  Apesar de sua postura de atleta, Orlando está institucional e politicamente fragilizado. Pior: levou o histórico partido ao ridículo. Quem diria!

        Orlando diz que saiu fortalecido da audiência com a presidente Dilma. Porém, o que se observa é que, aos poucos, a presidente esvazia os poderes ministeriais.

        Primeiro, acabou com aquela coisa maluca da “Empresa Brasileira de Legado Esportivo”. Seria outro foco de corrupção,  que só para este ano tinha R$ 10 milhões para gastar.  

        Depois, entregou ao ex-ministro das Cidades, Márcio Fortes,o cargo de Autoridade Pública Olímpica, que Orlando Silva pleiteava com ardor incomum.

        Mais recentemente, Dilma transferiu a estrutura da Autoridade Pública do Ministério do Esporte para o do Planejamento.

        Isso significa que os grandes eventos serão tocados por estrutura à parte, deixando o Ministério exclusivamente com suas ações de rotina.

        Neste panorama de acusações e confusões, observei a ausência de apoios da comunidade esportiva.

        Orlando Silva enfrentou as turbulências sem uma manifestação pública sequer do Comitê Olímpico, dos Paraolímpicos, do Colégio Brasileiro da Ciência do Esporte, da Confederação Brasileira de Clubes, do Conselho Nacional de Atletas, do Conselho Federal de Educação Física, da Confederação de Desporto Universitário, da Confederação de Desporto Escolar, da CBF.... , cartolas em geral... Nada de solidariedade ao comandante maior do esporte nacional.

        Por que o silêncio de tantos?

        Porque sabem que a briga é política, antes de ser um desafio policial e judicial. E todos fogem de misturar seus nomes à confusão.

        E quanto mais os cartolas ficarem distantes dos assuntos de  “corrupção” melhor. Mas, se uma auditoria mergulhar no uso da verba pública no esporte de rendimento, com certeza as surpresas serão olímpicas, isto é, grandiosas. 

Por José da Cruz às 22h12

Segundo Tempo no MEC

Estudo que se raliza há seis meses poderá tirar o programa do Ministério do Esporte. Em 2007, porém, MEC dirigiu o programa "Brasil Alfabetizado" quando R$ 14 milhões foram desviados em convênios com ONGs.

        O Correio Braziliense publica hoje reportagem de Josie Jeronimo e Alana Rizzo sobre a transferência do programa Segundo Tempo para o Ministério da Educação.

        O Segundo Tempo, que desde 2006 é investigado como foco de corrupção no Ministério do Esporte, é um projeto social que oferece atividade esportiva às crianças, com reforço escolar e alimentação.

        As investigações realizadas por órgãos públicos indicam que boa parte das entidades conveniadas não cumpre o programado, com o dinheiro perdendo-se na corrupção.

        Uma investigação da Controladoria Geral da União já solicitou que R$ 50 milhões desviados do programa sejam devolvidos aos cofres públicos.

        A notícia completa do Correio Braziliense está aqui.

Por José da Cruz às 11h02

22/10/2011

Corrupção no Esporte: Veja exibe mais provas

Assessores de Orlando Silva ajudaram PM a burlar fiscalização

        A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado traz mais um capítulo do esquema de corrupção que transformou o Ministério do Esporte numa fábrica de dinheiro para o PCdoB - e também para políticos e entidades ligadas a ele.

        Depois de relatar, na semana passada, denúncias do policial João Dias Ferreira contra o ministro Orlando Silva e seus comandados, VEJA teve acesso a novas provas da maneira como a máquina do Esporte se corrompeu. São gravações de uma conversa de abril de 2008 entre João Dias e dois assessores próximos de Orlando Silva: Fábio Hansen, então chefe de gabinete da Secretaria de Esporte Educacional, que cuida do programa Segundo tempo, e Charles Rocha, então chefe de gabinete da secretaria executiva do ministério.

        Foi o próprio João Dias quem registrou a conversa. Militante do PCdoB e dirigente de uma ONG, ele havia sido pego de surpresa por um ofício do Ministério do Esporte, enviado à polícia militar, responsabilizando-o por irregularidades e desvios de dinheiro num convênio de sua entidade com o programa esportivo federal Segundo Tempo. Em sua visita aos assessores de Orlando Silva, ele cobrava uma solução para o problema. E a pressão surtiu efeito imediato.

        A gravação demonstra que Hansen e Rocha se esmeraram para arquitetar uma fraude que livrasse João Dias da investigação. "A gente pode mandar lá um ofício desconsiderando o que a gente mandou", propôs Charles Rocha. E Hansen completou: "Você faz três linhas pedindo prorrogação de prazo." Ele ainda explicou que esses pedido de prorrogação deveria ter data falsa.

        Nos dias seguintes, a operação foi realizada exatamente como programado. Os dois ofícios enviados à PM - o original e o que pede que a investigação seja esquecida - foram reproduzidos pelo site de VEJA.

        Alvejado pelas denúncias de João Dias, o ministro Orlando Silva passou a semana se explicando. Tentou desqualificar o acusador, qualificando-o de "bandido". A gravação obtida por VEJA mostra que figuras graúdas do ministério não pouparam esforços para beneficiar o "bandido" com uma fraude.

        Em depoimento no Congresso, Orlando Silva chegou a mencionar o vai-e-vem de ofícios entre o Esporte e a polícia militar, qualificando-o como procedimento administrativo regular. Também não é isso o que transpira das gravações.

        Sim, é verdade que um terceiro documento, informando sobre a abertura de uma auditoria nos convênios do policial, foi enviado à PM pelo ministério. Só que um ano e meio depois da inacreditável - e reveladora - reunião entre João Dias, Hansen e Rocha, que VEJA emiúça na edição desta semana.

Por José da Cruz às 10h57

Malfeitor profissional não deixa provas

Sérgio Siqueira

Jornalista

        Só os culpados têm interesse na morosidade da Justiça. Homiziam-se na presunção de inocência até que todos os vestígios desapareçam.

        Orlando Silva não teve audiência com Dilma ao apagar das luzes desta semana. Ele conversou Dilma. Usou com a primeira-presidenta o discurso que ela mais gosta de usar desde que pegou a faixa de Lula: - As provas, cadê as provas?!?

        O ministro que fez do Esporte um imenso Parque de Diversões de Orlando não se preocupa em dizer que é honesto, que não cometeu "malfeitos", ele só pede provas. Confia no seu taco.

        Nesta sexta-feira mesmo, 25 anos depois, médicos que matavam pacientes para retirada de órgãos - presumindo eutanásia - foram condenados a 17 anos e seis meses de cadeia. A retardada decisão foi em 1ª instância. Eles vão recorrer.... Em liberdade. Daqui a 25 anos a gente se fala.

        Desde 2005 corre por entre as colunas do STF o processo de Zé Dirceu e seus 40 mensaleiros. Hoje, eles são presumidamente inocentes; amanhã serão certamente absolvidos por caduquice processual. E jamais irão para trás das grades, como nunca serão inocentados.

        Nesse Brasil da Silva, quem presume inocência e pede provas sobre os "malfeitos" sabe muito bem que malfeitor profissional não deixa pistas.

 Sérgio Siqueira assina o blog Sanatório da Notícia

Por José da Cruz às 10h40

21/10/2011

O deboche político-esportivo

        São duas questões:

        A primeira é a denúncia de que Orlando Silva teria recebido propina, entregue na garagem do Ministério do Esporte. Sobre isso, ainda não há provas. E não haverá, segundo o ministro, pois não existiu o ato.

        A segunda denúncia é que o Segundo Tempo é um projeto corrupto, podre, que turbina candidaturas partidárias do PCdoB. Sobre isso há provas. Muitas. Dezenas. Centenas.

        O TCU identificou várias em 2006. Alertou, pediu providências. As falcatruas continuaram.

        A Controladoria Geral da União encontrou outras tantas. Pediu a devolução de R$ 50 milhões aos cofres públicos. Não voltou nada, até agora.

        O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que as irregularidades têm caráter nacional.

        Sobre isso, há provas de sobra. De auditorias e investigações oficiais.

        Mesmo assim, diante das evidências de que estamos sendo roubados, o homem se segura no cargo.

        É assim, num ambiente de denúncias, suspeitas de corrupção, falcatruas, de investigação judicial, inquéritos policiais, enfim, que um ministro de Estado cuida do esporte nacional. Mais: dialoga internacionalmente em nome do governo.

        O deboche político-esportivo é escancarado.    

Por José da Cruz às 21h15

A opção pelo concreto II

        O Jornal Nacional está mostrando a calamidade no serviço hospitalar de Mato Grosso. Algo que se repete Brasil afora.

        Em Várzea Grande, a segunda cidade do estado, Carla de Arruda, doente, foi em casa buscar uma cadeira. Caso contrário, receberia a medicação deitada no chão.  

        “A gente se sente um lixo. É tanto roubo por aí...” – desabafou.

        Em Cuiabá, capital de Mato Grosso, o governo constroi um estádio de futebol para 45 mil pessoas. Custo da obra: R$ 600 milhões.

Por José da Cruz às 20h50

Documentos mostram que mulher de Orlando recebeu dinheiro do governo por meio de ONG do PCdoB

 Do www.estadão.com 

        A informação teria preocupado a presidente Dilma Rousseff, que está reunida com o ministro do Esporte. Ele poderá deixar o Planalto na condição de ex-ministro.

        Será?

Por José da Cruz às 18h22

Mais provas, Ministro. Quem está mentindo?

         A mensagem a seguir publiquei no blog em 2010, mostrando como os projetos sociais do Ministério do Esporte turbinaram campanhas eleitorais de seus correligionários, assim como fazem outros partidos em vários ministérios.

         Os cinco municípios que mais receberam recursos do Ministério do Esporte em 2009 tiveram candidatos intimamente vinculados ao Ministério do Esporte, na eleição de 3 de outubro.

        Confirmou-se com esses dados oficiais que a máquina do governo trabalha, efetivamente, em favor de seus funcionários-candidatos.

        E a grana saiu, principalmente, para programas do Segundo Tempo, ou seja, usaram atividades sociais de interesse de comunidades pobres para vender a imagem ilusória de políticos de ocasião.

        Como costumo dizer, o esporte que se lixe.

         

Confira quem-é-quem:

1º) Campinas (SP)

Valor: R$ 10.035.239,92

Candidato: Ricardo Petta, a deputado federal pelo PCdoB. Petta foi presidente da UNE, ex-secretário de Esportes de Campinas (até abril de 2009); é irmão da mulher do ministro Orlando Silva, Ana Cristina.

Eleição 2010: 28º suplente, com 60.156 votos;


2º) Araraquara (SP)

Valor: R$ 9,8 milhões

Região de influência de Ricardo Petta;

 

3º) Manaus (AM)

Valor: R$ 4,7 milhões

Candidata: deputada Vanessa Grazziotim, PC do B

Eleição 2010: eleita senadora com 672.920 votos;

 

4°) Juiz de Fora (MG)

Valor: R$ 4 milhões

Candidato: Wadson Ribeiro, ex-presidente da UNE que largou a faculdade de medicina para ser secretário executivo do Ministério do Esporte até abril deste ano.

Eleição 2010:candidato a deputado federal teve 54.494 votos; 14ª suplência


5º) Maringá (PR)

Valor: R$ 3,7 milhões.

Região de influência de Ricardo Gomyde (PCdoB), ex-assessor do ministro Orlando Silva.

Eleição 2010: com 44.560 votos é o 12º suplente à Câmara dos Deputados

Fontes: Siafi e Tribunal Superior Eleitoral

Por José da Cruz às 17h23

Mais provas de falcatruas, Ministro, mais provas!

        O jornal Tribuna de Minas também publica novas matéria sobre irregularidades no Segundo Tempo, cujos repórteres, sei bem, trabalharam muito na apuração dos dados, sempre com o foco na suspeita de que alguma coisa estava errada, cheirava mal. 

        O resultado está aí. Em Juiz de Fora, cidade do secretário de Esporte Educacional Wadson Ribeiro, pré candidato a prefeito, em 2012, o Instituto Cidade recebeu boa grana para desenvolver o Segundo Tempo. Na prestação de contas da primeira parcela, os próprios técnicos do Ministério do Esporte identificaram irregularidades, inclusive com nomes duplicados de alunos, o que é gravíssimo. Mesmo assim, saiu mais grana para os conterrâneos.

        Um dos programas registrava a matrícula de 600 alunos, mas foram encontrados apenas 255... E a diferença do dinheiro ainda não foi devolvida aos cofres públicos.

        Leia a reportagem, mais uma oportuna contribuição ao ministro Orlando Silva, que não acredita em falcatruas no ministério que dirige.

Por José da Cruz às 12h07

A festa rola solta na Esplanada dos Ministérios

As provas de irregularidades no Segundo Tempo que o ministro Orlando Silva reclama não conhecer

Em O Globo

 

        O  Tribunal de Contas da União (TCU) constatou que o Ministério do Esporte deixou de analisar 1.493 prestações de contas de uso de recursos federais em convênios do ano passado avaliados em R$ 801 milhões, um crescimento de 7% em relação a 2009. Os números foram divulgados no Relatório de Análise de Contas do Governo Federal de 2010.

        Paralelamente, a Controladoria Geral da União informa que entidades, governos estaduais e prefeituras que firmaram convênio com o Ministério do Esporte, de 2006 até o primeiro semestre deste ano, terão que devolver ao governo federal R$ 49,19 milhões.        

        Esse dinheiro corresponde ao total de 67 convênios do ministério com essas entidades. Segundo a Controladoria Geral da União (CGU), os recursos foram mal gastos e não houve comprovação dos investimentos.

Minha análise

        A cada escândalo que surge na Esplanada dos Ministérios, constata-se  que os órgãos de fiscalização agem, informam e cobram. Isso quer dizer que os diretores do Ministério do Esporte  sabiam sobre as irregularidades, há muito tempo. E que providências tomaram para evitar que as falcatruas crescessem?

        Observem quem são quase 1.500 processos de prestação de contas sem análise. E a maioria deles envolve projetos que não se limitam a um ano, mas a várias temporadas. Logo, o dinheiro da etapa seguinte deve sair livremente, sem se saber se os compromissos estavam sendo cumpridos, metas atingidas etc. Com isso, facilita-se o desvio da grana, a corrupção, o enriquecimento ilegal dos espertos.

        E há outra gravidade:

        Quantos funcionários o Ministério do Esporte tem para fiscalizar as instituições conveniadas? Desafio apresentar relatório sobre isso. Desafio!

        E estamos falando de Segundo Tempo. Se o TCU e a CGU forem para a Lei de Incentivo ao Esporte, com certeza os números também serão surpreendentes. E se avançarem ao Bolsa Atleta aí a casa cai, pois a fiscalização é nula e quem comprova que o João das tantas, lá do Acre bolsista nacional, está mesmo em atividade?

        Portanto, o ministro Orlando Silva não está desgastado apenas pela acusação, sem provas, de que teria recebido propina na garagem do Ministério. Mas pelo conjunto de problemas de sua pasta, resultado da falta de gestão profissional.

        O que temos no Ministério do Esporte é uma administração altamente politizada, voltada para o fortalecimento do PCdoB. Isso é muito claro, pois mesmo diante da enorme crise não querem largar a cadeira. Aliás, o mesmo tipo de administração ocorre nas demais pastas, com outros partidos, porque a norma governamental sempre foi essa, dos tucanos, inclusive: todo o poder aos políticos e, então, a festa é grande e o estrago maior.

Por José da Cruz às 11h01

20/10/2011

Segundo Tempo: para reativar a memória

"Cara Cláudia

        Este projeto me foi entregue em mãos pelo Batista, secretário geral sindical. Foi elaborado pela nossa turma de Caixa do Sul, pelos metalúrgicos. Identificamos um erro no anexo IX, no nome do proponente. Vale a pena checar todo o projeto e orientá-los para fechar a proposta. Esse projeto deve ser priorizado, se houver problemas me ligue, por favor. Um abraço. Orlando Silva – Secretário Executivo do Ministério do Esporte"

        Para reativar a memória do agora ministro Orlando Silva, aí está um bilhete que ele passou à servidora da Secretaria de Esporte Educacional do Ministério do Esporte, onde funciona do programa Segundo Tempo. E mostra como o programa atendia prioritariamente a amigos partidários.

Seguinte:

        Para entender asdenúncias de falcatruas no Segundo Tempo, fartamente documentadas pela Controladoria Geral da União, é preciso investigar o o ex-funcionário Júlio Filgueiras, que coordenou este trabalho por longo tempo. Ele precisa ser ouvido na investigação que se faz.

        Filgueiras, ex-secretário nacional de Esporte Escolar,  é, segundo a revista Veja, quem apanhou de João Dias,  o policial que recebeu mais de R$ 2 milhões do Segundo Tempo e, agora, detonou os bastidores da corrupção. Dias, hoje tratado pelo ministro do Esporte como um “desqualificado”, foi “qualificado” pelo  Ministério, à época do ministro Agnelo Queiroz.

        Em 2008, quando a Polícia de Combate ao Crime Organizado entrou em campo para apurar denúncias de irregularidades em convênios, João Dias sentiu-se traído pelos camaradas, que passaram a cobrar dele resultados de um programa que não existia, apesar de o dinheiro ter sido liberado. Indignado, ele foi ao gabinete de  Júlio Filgueiras e deu “algumas coronhadas” no distinto senhor, como relatou à revista.  Depois, Filgueiras desapareceu do Ministério. Hoje, ele tem uma empresa -- Casa de Taipa Comunicação Integrada -- que elabora projetos esportivos. Para o Segundo Tempo, por exemplo. E os seus projetos são aprovados no Minsitério do Esporte? Por quem? a que custo para o proponente?

Puxadinho

        Em outubro de 2007, o TCU identificou que ONGs estavam recebendo dinheiro do Segundo Tempo sem terem aprovadas as contas da verba anterior. Para apressar a análise dos processos, Júlio Filgueiras  fez o seguinte: tirou os processos do prédio do Ministério e levou para duas salas alugadas na área central da cidade. Uma decisão ilegal, pois se tratava de repartição clandestina, pois não tinha autorização da Secretaria de Patrimônio da União. O puxadinho foi fechado em dois meses.

        Pior: as salas pertenciam à empresa Aplauso Eventos, que organizava festas e comemorações do Ministério do Esporte. Júlio fez um aditivo no contrato com a Aplauso para alugar as dependências e foi assim que ele pagava o aluguel.

        Mais: mesmo com concursados aprovados, contratou analistas que ganhavam o dobro dos funcionários do Ministério para analisar as prestações de contas. Outras irregularidades estão no relatório da CPI das ONGs, que demonstram como o dinheiro saía com facilidade para instituições suspeitas de não terem alunos.

Por José da Cruz às 21h03

Faltam debates para enfrentar os megaeventos esportivos

        Participei na Universidade de São Paulo – USP - de mais um debate sobre a preparação do Brasil aos megaeventos esportivos. O ambiente acadêmico, de intenso ensinamento e intercâmbio cultural, é excelente para este tipo de debate. Indispensável, até.

        O encontro, promovido pelo DCE Livre, foi na Escola de Comunicação e Artes, a tradicional ECA, que freqüentei muito, nos tempos de estudante de jornalismo.

        Auditório com cerca de 120 estudantes de várias faculdades, o que demonstra o interesse dos jovens pelos problemas – isso mesmo, problemas – que os megaeventos também trazem com suas emocionantes e milionárias programações de jogos e disputas de títulos.

        Dividi o tempo com a professora Katia Rúbio, orientadora do programa de Pós-graduação da Escola de Educação Física e Esporte da USP, uma autoridade em olimpismo. Katia escreveu e organizou 15 livros nos últimos 10 anos, sendo 10 deles na área de psicologia do esporte e estudos olímpicos. Agora, trabalha em mais um projeto, gigantesco, com lançamento em 2015, ao qual dedicarei um comentário especial. Sua contribuição à boa literatura do esporte brasileiro é espetacular.

        Mateus Novaes também estava na mesa, representando a Associação Nacional dos Torcedores, um movimento surgido em 2010 que combate a elitização do futebol.

        Mateus apresentou a “missão” do grupo, “para homenagear Garrincha, a alegria do povo”. Um dos pontos é a luta pacífica contra a elitização do futebol, que acaba excluindo o povão dos estádios. E, principalmente, as remoções de comunidades que ocorrem, Brasil afora, para dar lugar ao “progresso”, um desrespeito impressionante que ainda não teve a repercussão que precisa.

        Não há dúvidas de que as decisões sobre os megaeventos estão concentradas nas mãos de pouquíssimas pessoas. Uma elite. A sociedade foi excluída da opção de governo para se candidatar à Copa e Olimpíada. Por extensão, a Universidade nem sequer é consultada para contribuir neste projeto gigantesco de preparar o país para 2014 e 2016. 

        Mas somos obrigados a suportar as imposições da FIFA, de olho no lucro fácil, além de nos colocar subalternos com suas exigências de privilégios e exclusividades. 

        Os eventos estão aí, são irreversíveis, e precisamos conviver com esta realidade. Mas é indispensável o envolvimento da sociedade. Os debates ainda são poucos, precisam crescer. E o segmento acadêmico é o principal endereço para concentrar as discussões afins.

Por José da Cruz às 16h49

Copa das Confederações os rolos do esporte

        O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, viajou para Zurique, com assessores, para acompanhar a divulgação das sedes de abertura da Copa das Confederações e Copa do Mundo.

        O surpreendente é que o seu afastamento temporário do governo ocorre num momento difícil na vida do governador do Distrito Federal.

        Não fosse pelos gravíssimos problemas nas áreas de saúde, educação, segurança e energia elétrica que a capital da República enfrenta, Agnelo está no topo da onda de denúncias de corrupção no Ministério do Esporte, com investigações envolvendo o nome dele, do tempo em que era ministro.

        Confiram a notícia que está na página do Superior Tribunal de Justiça, que tem como título:  

STJ apura envolvimento do governador Agnelo Queiroz em desvio de verbas federais

 

    

Por José da Cruz às 15h05

19/10/2011

Crise no Esporte: as estranhas relações da família Petta

Por Lucas Marchesini
Do Contas Abertas

      Em meio à polêmica pela qual passa o Ministério do Esporte, mais ONGs ligadas ao PCdoB possuem seus contratos revelados. É o caso, conforme apurou o Contas Abertas, do Instituto Via BR. Em reunião no dia 16 de fevereiro de 2009, membros da Associação Maria Amor e Esperança (AMAE) saíram da entidade que passou a chamar-se Instituto Via Br. Ao mesmo tempo, entraram na instituição, entre outros, Adecir Mendes Fonseca e Delman Barreto da Silva, o último, atualmente, um dos conselheiros fiscais da ONG. Ambos filiados ao PCdoB de São Paulo.

Leia a reportagem

Por José da Cruz às 22h31

Crise no Esporte: Agnelo precisa se explicar

     Nas denúncias sobre propinas, o ministro do Esporte, Orlando Silva, centra sua defesa na regularidade de sua getão, irretocável,insuspeita, como diz. Enquanto isso, não podemos esquecer que o buraco é mais embaixo: há centenas de processos sob suspeita de desvios de bom dinheiro, grana que saiu dos objetivos dos programas para o bolso de espertos.

     E não adianta Orlando Silva dizer que tomou providências. Não tomou. A CGU pede a devolução de R$ 2,5 milhões de entidades que não honraram os contratos. O TCU, por sua vez, alertou para a fragilidade da fiscalização. Ou seja, a turma do Ministério do Esporte não estava nem aí para as facaltruas.

     Diante de tantas denúncias, notícias e desmentidos, algumas questões estão no ar. Vamos lá:

     O ministério tem uma equipe para fiscalizar as milionárias verbas aprovadas - perto de R$ 200 milhões - pela Lei de Incentivo ao Esporte?

     O dinheiro captado está sendo aplicado efetivamente ou é desviado, como ocorreu com o Segundo Tempo?

     Voltando aos gestores responsaveis - ou seriam irresponsáveis? - precisamos saber:

     Porque o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, se econde e foge de jornalistas diante da crise que teve origem quando ele era ministro?

     Sabe-se que João Dias é íntimo de Agnelo. E uma liberação de R$ 2,8 milhões como ocorreu em 2006, não é arte de decisão isolada, subalterna. Portanto, Agnelo sabia muito bem que aquele Segundo Tempo do amigo João Dias era um projeto disfarçado.

     Falando às claras, o governador Agnelo precisa parar de brincar de Copa do Mundo, numa capital mergulhada em gravíssimos problemas sociais e econômicos, para se explicar, prioritariamente, sobre o seu envolvimento nessa trama até agora muito suspeita e de desmentidos pouco confiáveis.

     E não é a primeira vez que Agnelo se enreda em confusões esportivas. Recentemente teve os seus bens bloqueados, por conta de uma operação de R$ 25 milhões, em 2003, referente ao Pan do Rio de Janeiro. Em 2003, recebeu diárias para ir aos Jogos de Santo Domingo, mas teve suas contas pagas pelo Comitê Olímpico, órgão que ele deveria fiscalizar, em vez de se beneficiar.

    Fugir de explicações de casos nebulosos é próprio dos políticos acusados de serem maus gestores. Mas quando as denúncias de envolvimentos em situações desse tipo se repetem, como ocorre com o senhor Agnelo Queiroz, as suspeita se multiplicam. E, ao se esconder, o acusado atiça a desconfiança maior.

     Portanto, por ser gestor público, responsável maior pelo uso do dinheiro alheio, é indispensável que o governador do Distrito Federal retorne logo da Suíça e venha se explicar, sobre os seus atos de antes e os de agora. No mínimo isso.

Por José da Cruz às 15h57

Dilma tira poder de ministro e assume as negociações sobre a Copa de 2014

Do www.estadão.com.br

        Por decisão da presidente Dilma Rousseff, o ministro do Esporte, Orlando Silva, não será interlocutor do governo nas negociações da Copa de 2014 e na tramitação da Lei Geral da Copa no Congresso. A partir de agora, as decisões relativas à Copa ficarão centralizadas no Palácio do Planalto, nas mãos da presidente e da chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. A decisão foi tomada diante do desgaste do ministro com a denúncia de que estaria envolvido num esquema de corrupção na pasta.

        Leia a notícia

Meu comentário

        É assim, de maneira elegante, que a Presidente Dilma sugere que Orlando Silva se despeça do cargo. Não há mais o que fazer. Pode defender sua honra fora do MInistério, mas sem dar prejuízos ao diálogo do esporte. Porque, turbinado por denúncias gravíssimas, sua credibilidade é zero para se manifestar e negociar em nome do governo federal em negócios internacionais.

        Esta realidade observei hoje, depois de seu depoimento na Câmara dos Deputados. Com apoios protocolares – cínicos, na maioria – Orlando Silva saiu do Legislativo convencido de que havia agradado, mas, no íntimo, sabia que os abraços recebidos eram de amigos ursos. As relações políticas são assim mesmo.

        Portanto, depois de perder o comando da Autoridade Pública Olímpica, que foi para o Ministério do Planejamento, e ver ruir o apoio do Palácio do Planalto, nada mais resta a Orlando Silva se não se despedir logo do comando do Ministério.     

Por José da Cruz às 00h18

18/10/2011

Crise no Esporte: chega de lero-lero

        Não fui ao depoimento do ministro Orlando Silva, na Câmara dos Deputados.

       Às voltas com uma viagem, fiquei trabalhando e acompanhando a confusão pela TV e Internet. Bela modernidade!

       O advogado paulista, Alberto Murray Neto me escreve, indignado com o fraquíssimo desempenho da oposição, diante de fatos tão graves.

       Não se assuste, Dr. Alberto. O Congresso Nacional é isso aí:

       Os parlamentares da base aliada alisam o depoente. É o comportamento histórico. Os opositores se omitem. Sabe o motivo? ninguém quer colocar sob risco suas emendas. Quem libera o dinheirinho valioso é justamente o ministro, enrolado ou não. Portanto, silenciar,mesmo na crise, faz parte do comportamento das excelências.

Aviso prévio

       A audiência estava para começar e o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) entrou no plenário, cochichou ao ouvido do deputado ACM Neto que se levantou e saiu com outros quatro parlamentares da oposição.

       Estranho, muito estranho, logo ele, correligionário de Orlando Silva?

       Mas, na verdade, eles foram avisado de que João Dias, o policial delator do time do bang-bang, estava no gabinete do senador Álvaro Dias.

      Em resumo: João Dias, o policial que já esteve preso e, agora, acusa Orlando Silva de receber propina do Segundo Tempo, oferece mais audiência que o ministro. Quem diria!

No Senado

     Amanhã é dia de Orlando ir ao Senado. Não haverá novidades. Quem poderá apresentar fatos inéditos é a imprensa, como já fez hoje.

     Diante disso, está um bate-boca chato e desgastante, capaz de indignar a presidente Dilma que, sabe-se, não é de contemporizar situações assim.

     Por isso, acredito que ela decida que é hora de Orlando sair, assim que cumprir o roteiro de depoimentos no Parlamento. Mesmo porque, não é bom para a imagem do Governo ter um ministro envolvido com a polícia e "bandidos" -- como ele mesmo afirmou -- sendo o principal interlocutor do Palácio do Planalto para assuntos da Copa. Por muito menos outros cinco ministros se foram...

     Como está, a situação é muita estranha. E de péssima repercussão internacional, claro.

Por José da Cruz às 18h22

Copa 2014: ligações insólitas

        Imagine o presidente da FIFA, Joseph Blatter, desde a Suíça telefonando para a sede da CBF, para falar com Ricardo Teixeira.

        E a secretária:

        “Desculpe, ele está depondo na Polícia Federal”...

        Como o assunto é urgente, sobre questões do Mundial de Futebol, o senhor Blatter telefona para o gabinete de Orlando Silva, ministro do Esporte

        E a secretária, gentil:

        “Desculpe, o ministro está depondo no Congresso Nacional”

        Então, no impedimento dos dois, com quem falará o senhor Blatter?

        Liga para Dilma, sugere um assessor

        "Não adianta. Ela está na África", responte Blatter.

        Quem sabe o Pelé?

        "Também tá fora. No Japão e eu nem sei o celular do Negão" - Blatter, já indignado

        Liga pro Agnelo, aquele lá de Brasília, aquele que quer abrir a Copa a qualquer custo...

        "Alô, Agnelo? ... Não? ... viajou também? ...  Pra Suíça? é onde estou!!!

         E agora? Vai?      

Por José da Cruz às 16h41

Crise no Esporte: Orlando quer levar Agnelo junto...

No Painel da Folha de S.Paulo

Renata Lo Prete

Organograma

        Além de adotar estratégia de exposição máxima, na contramão de colegas de Esplanada que já estiveram na berlinda, Orlando Silva (Esporte) não se absteve de trazer aos holofotes o personagem Agnelo Queiroz (PT), governador do DF e ex-titular da pasta quando da assinatura de um dos convênios com as ONGs envolvidas nas denúncias de corrupção. Na entrevista de ontem e em conversas com integrantes do governo, o nome do ex-comunista Agnelo apareceu reiteradas vezes na narrativa do ministro. No PC do B, há quem seja mais direto. "O Orlando pode até cair. Mas aí o governador do DF tem de cair junto", afirma um expoente da sigla.

         Tá quente

        O silêncio de Agnelo Queiroz, passados três dias da denúncia envolvendo o programa Segundo Tempo, chamou a atenção do Planalto. O governador está em viagem e só se pronunciou até aqui por meio de sua assessoria de imprensa.

Por José da Cruz às 10h59

Crise no Esporte: surgem negócios milionários

        O blogueiro Ricardo Perrone, do UOL Esporte, revela que o ministro do Esporte, Orlando Silva, comprou um terreno em Campinas, em outubro de 2010.

        Preço do negócio: R$ 370.000,00.

        Forma de pagamento: na boca do caixa

        O terreno está em área onde passam dutos da Petrobras. Por isso, poderá passar por processo de desapropriação, com valorização, claro.

        Já O Globo publica matéria sobre a sede que o PCdoB comprou em São Paulo.

        Preço do negócio:  R$ 3.300.000,00

        Origem dos recursos: Fundo Partidário e doações.

        Foi o primeiro prédio adquirido pelo PCdoB, fundado em 1922 e que, hoje, tem 102 mil filiados. E há outras sedes que foram adquiridas, me contaram.

        São negócios legais, imagino, pois estamos falando de pessoas sérias.

        O interessante é que esse tipo de noticiário surge sempre que uma autoridade pública – ministros, principalmente – está na corda bamba, sob forte tiroteio de má gestão de recursos públicos, acusações de corrupção etc, como é o caso de Orlando Silva.

        E o futuro desses senhores se conhece muito bem, inclusive no atual governo, em que cinco já tomaram o rumo de casa.     

Por José da Cruz às 10h45

Delator de esquema no Esporte afirma que negociou silêncio com ministro Orlando Silva

O Estado de S.Paulo       

          Em entrevista exclusiva ao Estado, antecipada no estadao.com.br, o policial militar João Dias Ferreira contradisse a versão do ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), sobre o encontro entre os dois e deu mais detalhes do esquema de corrupção na pasta. Ferreira afirmou que o ministro propôs pessoalmente, numa reunião em março de 2008 na sede do ministério, um acordo para que os desvios de verba envolvendo o Programa Segundo Tempo não fossem denunciados. O ministro havia dito que eles se encontraram uma única vez entre 2004 e 2005.

        “O encontro foi na sala de reunião dele, no sétimo andar do ministério”, detalhou o policial. Na segunda-feira, 17, ao saber das novas declarações de Ferreira, o ministro Orlando Silva manteve a versão do único encontro com o policial e ex-militante. “É mais uma calúnia. Ele não tem como provar isso (a reunião em 2008)”, disse Orlando ao Estado.

       Leia a reportagem

Por José da Cruz às 07h06

Governo cobra de ONGs R$ 26,5 mi por desvios no Esporte

        A cobrança para devolução de dinheiro de contratos irregulares de ONGs e governos com o Ministério do Esporte aumentou 5.020% nos últimos cinco anos, passando de R$ 44 mil para R$ 10 milhões, informa reportagem de Dimmi Amora, publicada na Folha desta terça-feira.

         Entre as irregularidades apontadas pela CGU (Controladoria-Geral da União), responsável por analisar os processos, estão compras superfaturadas, entrega de lanches em quantidades abaixo da prevista e contratação de empresas com sócios ligados às próprias ONGs que receberam recursos do ministério.

        Ao todo, 67 convênios do Ministério do Esporte foram considerados irregulares, somando R$ 26,5 milhões.

        O ministro do Esporte, Orlando Silva, é acusado de participação num esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que dá verba a ONGs para incentivar jovens a praticar esportes. A acusação foi feita à revista "Veja" pelo policial militar João Dias Ferreira.

Por José da Cruz às 07h00

17/10/2011

Crise no Esporte: deputada Manuela foge do assunto

          Deputada federal Manuela D´Ávila lavou as mãos e não manifestou apoio ao companheiro Orlando Silva. "As denúncias não me dizem respeito", afirmou ela no twitter, em conversa com seus seguidores. 

          Vamos ver se nesta terça-feira ela comparecerá à Comissão de Turismo e Esporte, onde o ministro irá depor sobre as denúncias de propinas no programa Segundo Tempo.

          Confira a reportagem publicada pelo jornal gaúcho Correio do Povo

Por José da Cruz às 23h09

Crise no Esporte: alertas do TCU passaram em branco

        No Relatório do Tribunal de Contas da União (Acórdão 521/2009 - TC 015.568/2005-1), foi ressaltado o grave risco da celebração de convênios que não atendem a finalidade pública ou aos objetivos da ação governamental e da ocorrência de prejuízos ou danos ao erário pela malversação ou desvio de recursos públicos em conseqüência de inexecução, ou execuções parciais.

        "Durante os trabalhos de monitoramento, constataram-se fragilidades na gestão do Programa Segundo Tempo, que podem comprometer sua sustentabilidade em função do risco de desperdício de recursos que propiciam. Observou-se, na seleção das entidades que receberão recursos por meio de convênios, a utilização de critérios subjetivos que ainda não foram institucionalizados. Foram apontadas deficiências na fase de análise técnica das propostas no que tange à apreciação dos planos de trabalho e termos de convênios, do custo dos objetos propostos e da capacidade técnico operacional das entidades proponentes para executá-los. Também foram verificadas fragilidades na fase de controle concomitante, relativas ao acompanhamento in loco da execução e implementação do programa".

        O ministro conhecia este relatório? Que providências determinou?

        Seus assessores leram? O que fizeram?

        Portanto, o episódio “João Dias” é conseqüência da falta de observância às determinações dos órgãos fiscalizadores.

        A indignação do ministro com as reportagens contrasta com a inoperância de sua equipe, relapsos no cumprimento de ações que evitariam chegar à desordem de agora.

Por José da Cruz às 22h38

Crise no Esporte: a turma do bang-bang

O ministro balança mas não cai

        Depois de ser acusado de “bandido” e “integrante de quadrilha”, o ministro do Esporte, Orlando Silva, deu o troco:

Alinhado num terno marinho, camisa branca e gravata vermelha, reagiu em tom indignado (parecia!):

“Mentiroso, bandido e criminoso é ele – João Dias”, o policial envolvido numa fenomenal confusão entre uma academia de kung fu, o Ministério do Esporte, o programa Segundo Tempo, denúncias de milionárias propinas que teria o PCdoB como beneficiário.

É neste nível de diálogo e com ingredientes de crime organizado, com investigação da Polícia Federal, que Orlando Silva cumpre sua rotina de ministro de Estado e homem forte no comando da Copa 2014.

Na coletiva que concedeu em Brasília, Orlando Silva apresentou números, providências para suplantar a crise e até elogios a um programa – o Segundo Tempo - conhecido por suas centenas de falcatruas, conforme identificou uma insuspeita auditoria do Tribunal de Contas da União.

O tiroteio é baixo, poucas vezes visto na Esplanada dos Ministérios, de históricos episódios de corrupção.

Orlando centra seu discurso nas acusações de João Dias. São as mais graves, sem dúvida. Mas desde 2005 que a imprensa divulga casos e casos de irregularidades com verbas do Segundo Tempo, que ficam pelo caminho corrupto, em vez de chegar às crianças beneficiadas.

0 fracasso é duplo: do programa social sem gestor eficiente e da imagem do Ministério do Esporte, por extensão do próprio governo federal, que não consegue passar um mês sem se atolar na lama produzida por seus ministros.

Amanhã, Orlando Silva vai à Câmara dos Deputados. Mais um roteiro inexpressivo, pois é nessa Casa da democracia, especialista em abençoar a corrupção, onde o cinismo impera.

Enfim, é gente desse nível que comanda o esporte no país...

Pior:

O ex-ministro Agnelo Queiroz, incentivador para que João Dias desenvolvesse o programa Segundo Tempo em Brasília, fugiu da raia.

Bem ao seu estilo, deu as costas para a crise e foi passear. Primeiro para Buenos Aires, já na quarta-feira, quando soube que a revista Veja traria reportagem bombástica envolvendo suspeitas de falcatruas por ele promovidas. Depois, para a Suíça, onde acompanhará a reunião da Fifa, que escolherá as cidades-sedes da abertura da Copa das Confederações, 2013, Mundial de Futebol, 2014.

Agnelo é isso: não tem estrutura para enfrentar as confusões em que se mete. Mas terá que ir ao Senado, convocado pelo senador Álvaro Dias, quem sabe numa audiência em que terá João Dias e Orlando Silva na mesma mesa.

A turma do bang-bang  promete farto tiroteio...

Assim como Atlético-MG e Cruzeiro, Orlando Silva também luta para se segurar no time de cima. Parece que se sustenta, e só fatos novos que a imprensa deverá publicar amanhã poderão fazer com que a estrutura ministerial balance. Mas, por enquanto, não cai.

Por José da Cruz às 19h50

Crise no Esporte: coletiva de imprensa

     O ministro Orlando Silva concederá entrevista coletiva às 17h, no Ministério do Esporte.

     Anteriormente,ele havia convocado uma reunião com o seu alto comando para o mesmo horário.

    O Conselho de Ética do Governo Federal está reunido no Palácio do Planalto e umdos integrantes, Sepúlveda Pertence, afirmou que as denúncias de corrupção no Ministério do Esporte "são muito graves".

     Nos bastidores políticos o nome da ex-prefeita de Olinda e atual deputada federal, Luciana Santos (PCdoB-PB)  que era a preferida da presidente Dilma logo no início do governo, é apontada como a sucessora.

     Agora vai?

Por José da Cruz às 15h43

Orlando Silva reúne-se com o alto comando do Ministério.Suspense!

            O ministro do Esporte, Orlando Silva, convocou o seu alto comando para uma reunião, às 11h, no auditório do próprio ministério.

        Depois, sem maiores explicações de seu gabinete, a reunião foi transferida para às 12h.

        Porém, uma nova chamada adiou o encontro para às 17h de hoje.

        Não há confirmação da pauta da reunião.

        Pode ser para o ministro apresentar defesa diante das denúncias de participar de um esquema de corrupção, com verbas do programa Segundo Tempo, como para se despedir da pasta, contou uma fonte, diante do ambiente tenso que vive o Ministério da Copa e da Olimpíada.

        Portanto, às 17h, no auditório do Ministério do Esporte, reunião do ministro Orlando com assessores.

        Fechado à imprensa.

Por José da Cruz às 11h39

Fifa quer definir até os nomes dos estádios

 Por Erich Decat

Do Correio Braziliense e Estado de Minas

        Em meio à controvérsia para definir qual legislação deverá prevalecer durante a Copa do Mundo de 2014, integrantes da Federação Internacional de Futebol, a Fifa, entregaram aos representantes das 12 cidades-sede uma proposta de projeto de lei que dá plenos poderes à entidade para alterar regras municipais e estaduais. O texto — ao qual a reportagem teve acesso com exclusividade — foi apresentado no início deste mês em encontro entre as cidades-sede e representantes da entidade internacional, no Rio de Janeiro.

        A autonomia sobre os estádios, prevista na proposta, inclui a prerrogativa de a Fifa poder alterar temporariamente os nomes dos estabelecimentos esportivos e de apenas ela ter exclusividade sobre o uso desses novos nomes.

        “Durante o período da competição, fica vedado o uso dos nomes temporários adotados pelos estádios pelas entidades públicas ou privadas a quem pertençam tais estádios ou por aquelas que os administram, pelos clubes a ele associados e por pessoas por eles licenciadas.”

        A reportagem completa está aqui.

Por José da Cruz às 11h21

16/10/2011

Segundo Tempo: os garotos que se lixem...

          Como previ, a reportagem do Fantástico não apresentou novidades nas denúncias de corrupção contra o programa Segundo Tempo. Em 2008 a Associação Contas Abertas já anunciava que a ONG Bola Pra Frente era, de longe, a que mais recebia dinheiro do Ministério do Esporte.

        O que existe de mais grave sobre este rolo no Ministério do Esporte está no relatório da investigação da Polícia de Combate ao Crime Organizado, de Brasília, pois houve apreensão de computadores onde estava gravado todo o esquema. Em decorrência, cinco prisões, entre elas do policial João Dias, que agora denuncia Agnelo Queiroz e Orlando Silva. Impressionante o nosso esporte...

        Agora, o mais grave na matéria da Globo foi a declaração do ministro Orlando Silva, que não serão renovados convênios com as ONGs.

        E o prejuízo dos garotos? Quem responde por esta frustração oficial? O programa para assim, de repente, na metade? E não se fala mais nisso, nos fraudadores, nos laranjas, nada? E o ministro  Orlando – e o ex, Agnelo Queiroz – não se orgulha de dizer que são mais de um milhão de crianças atendidas?

        Enfim, é evidente a falsidade e fragilidade do programa Segundo Tempo. O dinheiro sai, não há fiscalização, não se sabe se os alimentos são oferecidos à altura dos recursos liberados, se as atividades são executadas por professores capacitados, nada. É uma festa. É o Brasil olímpico e da Copa esbanjando estrutura, planejamento, confiabilidade, dinheiro...

        A propósito: vocês sabem como é feita a análise das prestações de contas do Segundo Tempo? vou contar nas próximas mensagens.        

Por José da Cruz às 22h16

Segundo Tempo: denúncias são antigas e a polícia já tem relatório sobre o assunto

        O ministro Orlando Silva pediu que a Polícia Federal investigue denúncias de corrupção no programa Segundo Tempo, depois que ele foi acusado de receber propina para o seu partido, o PCdoB.

    A denúncia, feita pelo policial João Dias, é gravíssima, mas o assunto de desvios de grana noMinistério do Esporte é antigo.   

    Em maio de 2010 a revista Época publicou sobre o assunto. A reportagem está aqui

    Portanto, se os indícios eram preliminares, segundo a Polícia de Combate ao Crime Organizado, cabe agora à Polícia Federal aprofundar a investigação e concluir sobre as suspeitas.

   A reportagem do Fantástico, hoje,  não deverá ter muitas novidades, se não exibir imagens do que já se havia escrito, depois fartamente documentado por outros órgãos da imprensa e até por uma auditoria do Tribunal de Contas da União.

    Em 2007, o então secretário de Esporte Educacional, João Ghizoni, reconheceu que o Ministério tinha poucos técnicos para fiscalizar os convênios. E o que se fez para corrigir as falhas?

   O que já se disse sobre o assunto:

1º/04/2007    O Globo     - Gols contra no Segundo Tempo 

05/03/2008    Veja A caixa-preta dos comunistas  

23/-4/2008    Veja – A fraude documentada 

1º/04/2010    Correio Braziliense  - Operação Shaolin prende cinco suspeitos de desviar dinheiro do Ministério do Esporte

31/05/2010    Época – Golpes, ONGs e a mala de dinheiro

         Como se observa, o ministro Orlando Silva sabia sobre as denúncias. Além do TCU, a imprensa alertou sobre fatos gravíssimos em sua pasta. Não tomou providências. Agora, está na corda bamba. Ou, como diz meu amigo Roberto Naves, de olha na tabela do Brasileirão: "Orlando Silva não é mineiro mas tá se segurando pra não cair..."

Por José da Cruz às 18h50

Crise no Ministério do Esporte: orçamento turbinado atiça desejos do PMDB

Copa do Mundo e Olimpíada consumirão R$ 900 milhões do Governo Federal, em 2012

        Ainda está na memória o discurso do ex-presidente Lula de que “dos cofres públicos, não sairá nenhum tostão para financiar a Copa do Mundo”.

        Acreditaram?

        Pois o orçamento do Ministério do Esporte para 2012 prevê R$ 230.000.000,00  – isso mesmo, 230 MILHÕES DE REAIS – para “Apoio à Realização da Copa do Mundo Fifa”.  

Mais:

        Outros R$ 20 milhões para “Promoção da Defesa dos Direitos do Torcedor e Apoio ao Desenvolvimento do Futebol Masculino e Feminino”.

        E R$ 16 milhões vão para o “monitoramento nos estádios de futebol para segurança do torcedor”.

        Que tal? É  dinheiro público na casa alheia. Segurança do torcedor é competência dos clubes e dos órgãos de segurança do Estado, diz o Estatuto do Torcedor, e não de um ministério criado para fomentar o esporte.

Crise

        O governo federal da presidente Dilma Rousseff, com as barbas de molho diante da gravíssima crise da economia mundial e ameaçando a população com novo imposto para enfrentar os precários serviços de saúde, abrirá os cofres em R$ 266 milhões para a festa do futebol profissional. Os empresários da iniciativa privada aplaudem sorridentes ...

        Já os cartolas, suspeitos e sonegadores, salvos pela Timemania para pagar o calote de R$ 2 bilhões aos cofres públicos, adoram o autor dessas idéias, o ministro Orlando Silva.

Ousadia milionária

        A farra com o dinheiro público é ousada.

        O projeto de Orçamento da União para 2012, já no Congresso Nacional para ser votado, prevê que o Ministério do Esporte entregará espetaculares R$ 474.000.000,00 – repito, R$ 474 MILHÕES  -- para “Apoio à implantação de infraestrujtura para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016”...

Mais e mais...

        Outros R$155 milhões estão previstos para o funcionamento da empresa Autoridade Pública Olímpica – agora no Ministério do Planejamento.

        Ou seja, são R$ 729 milhões para o país olímpico, que ainda não conhece o efetivo rombo financeiro do Pan 2007...

Enquanto isso...

        O Ministério do Esporte gastará R$ 44 milhões com publicidade institucional!!!

Coincidências

        Coincidência ou não, a crise anunciada no Ministério do Esporte, engrossada pelas denúncias de corrupção no Segundo Tempo, atinge o auge na semana em que a Fifa divulgará o calendário e sedes de aberturas da Copa das Confederações, em 2013, e Mundial de Futebol, 2014. E no centro da crise ministerial está o governador do DF, Agnelo Queiroz, defensor de Brasília para abrir a Copa. Porém, suspeito de envolvimento na corrupção do Segundo Tempo.

        Assim, se vier a ser a sede eleita, teremos no mesmo camarote ilustres representantes do esporte: Agnelo, Orlando Silva e Ricardo Teixeira. O futebol é capaz de promover imagens sem igual...

        Mas, interessa aos promotores tal exibição pública e mundial de "tão prestigiados senhores"? é aí que entram os interesses de São Paulo e Minas para abocanharem o privilégio de abrir a Copa, com se todos fossem isentos.

Olho grosso do político

        O Brasil tornou-se sede da Copa há quatro anos. As datas se esgotam sem ainda termos o elementar planejamento integrado com todas as frentes de investimento que os megaeventos exigem.

        Mesmo assim, o Ministério do Esporte – e o ministro Orlando Silva, em particular – ganhou destaque. O próprio Ministério foi surpreendentemente turbinado com uma Secretaria do Futebol para cuidar, entre outras tarefas, da “segurança do torcedor”, de histórica e legítima competência dos órgãos estaduais de segurança pública.

        Esporte reconhecidamente popular, eis uma das formas de o PCdoB se aproximar das massas. A parceria “futebol & política” nunca foi tão fiel, farta e ousada por aqui.

        E essa exposição, que tende a crescer com a proximidade das Copas arregalou os olhos dos principais adversários dos comunistas, o PT e PMDB.

        Assim, de “Patinho Feio” no início do primeiro governo Lula – Vanessa Graziotin, hoje senadora pelo PCdoB/AM, chegou a dizer que “Esporte é uma coisa menor, não nos interessa” – o Ministério do Esporte tornou-se objeto de desejo dos que buscam se aproximar simpática e emocionalmente do povão.

        E neste ambiente de orçamento turbinado, centenas cargos para apadrinhados e visibilidade pública que a crise ministerial tornou-se oportuníssima para uma possível faxina governamental, agora apoiada pelos interesses de ocasião do PMDB, reconhecido predador de cargos públicos em governos alheios.

        Correndo por fora, o PT esperneia, pois não se convence que um ministério com tal importância no contexto internacional esteja na mão de políticos de ocasião, presenteados com a pasta por serem parceiros históricos das causas – e “causos” –  de Lula da Silva.

        Como se observa, dinheiro e apetite políticos não faltam; mas, no bom português, o esporte que se lixe.     

Por José da Cruz às 11h14

15/10/2011

Segundo Tempo: Fantástico anuncia novas denúncias

        A Globo anuncia que o Fantástico de amanhã apresentará reportagem com mais denúncias sobre desmandos no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, desta vez envolvendo a ONG Pra Frente Brasil, intimamente ligada ao PCdoB.

        Estão se confirmando as reportagens sobre o assunto que escrevo desde 2006, no Correio Braziliense, inclusive sobre a ONG Pra Frente Brasil.

        E o agora governador Agnelo Queiroz manda avisar que, quando ministro, “tomou providências rigorosas para investigar os desmandos”.

        Mentira. Não fez nada. Se tivesse agido a situação não teria chegado a este ponto. Quem fez foi o TCU, quando identificou várias irregularidades e, mesmo assim, nenhuma providência.

        Seguinte:

        O pânico se instalou no Ministério do Esporte desde sexta-feira, quando a equipe do Fantástico anunciou que fazia reportagem sobre o Segundo Tempo e queria ouvir as explicações oficiais.

        Orlando Silva já estava no México, e outro bom de microfone que poderia falar, Ricardo Layser, acompanhou o ministro. Sobrou para o secretário Executivo, Waldemar Manoel Silva e Souza, o imediato do ministro.

        Apavorado com a situação e sem saber como agir diante da crise, bateu o pânico em Manoel, um jovem militante do partido. Resultado: chamaram um funcionário mais experiente, Wadson Nathaniel Ribeiro, secretário de Esporte Educacional para assumir o comando do Ministério.

        E quem é Wadson?

        É aquele ex-acadêmico de Medicina, que largou o curso para se tornar presidente da UNE e, depois, fazer carreira no Ministério do Esporte.

        Contei sobre Wadson há poucos dias, como ele chegou ao ministério, saiu para ser candidato a deputado federal, perdeu a eleição e retornou ao órgão. Entre idas e vindas, faturou R$ 72 mil de “ajuda de custo” para mudanças...

        Pior:

         há suspeitas de que ganhou diárias antes de ser funcionário do ministério, atuando como “colaborador”. O jornalista Walter Guimarães está pesquisando sobre isso para me dar detalhes.

        Finalmente:

        Fiquei impressionado com as imagens de TV, desde Guadalajara, da coletiva de Orlando Silva. Ele está desfigurado e desanimado, sem aquele pique de outras ocasiões.

        Imagino o fogo cruzado, do partido – que ainda não se manifestou – e da presidente Dilma, que há poucos meses andou fazendo uma faxina por aí...

        Ah, sim, começaram os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. E o Flamengo ganhou! Ufa! nem tudo está perdido...

Por José da Cruz às 21h40

Segundo Tempo: as explicações de Orlando Silva

 

NOTA À IMPRENSA

Ministro do Esporte aciona Polícia Federal

O ministro do Esporte, Orlando Silva, pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Polícia Federal investigue denúncias feitas pelo Sr. João Dias em entrevista à revista Veja. Orlando Silva espera com isso não deixar dúvidas sobre a falta absoluta de fundamentação das acusações feitas contra ele pelo entrevistado. “Tenho a certeza de que ficará claro de que tudo o que ele diz são calúnias”, diz o ministro do Esporte.

João Dias, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte, para atendimento a crianças e jovens, dentro do Programa Segundo Tempo. Como não houve cumprimento do objeto, não só o Ministério determinou a suspensão dos repasses, como o ministro Orlando Silva determinou em junho de 2010 a instauração de Tomada de Contas Especial, enviando todo o processo ao TCU. O ministério exige a devolução de R$ 3,16 milhões, atualizados para os valores de hoje.

A avaliação do ministro do Esporte é de que foi esse o motivo para João Dias fazer agora acusações de desvios de verbas do Segundo Tempo por um suposto esquema de corrupção no Ministério. Orlando Silva afirma com veemência ser caluniosa a afirmação de João Dias de que houve entrega de dinheiro nas dependências do Ministério e pretende tomar medidas legais. João Dias já é réu em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal, em decorrência das irregularidades na execução dos convênios denunciadas pelo Ministério do Esporte.

Em nenhum momento, o Ministério “amenizou” qualquer comunicado a Polícia Militar, como dá a entender o Sr. João Dias em entrevista a revista. Apenas considerou o rito do devido processo legal, que estabelece o direito de defesa do acusado. O comunicado final ao Batalhão da PM explicitou exatamente o que foi a medida tomada pelo Ministério do Esporte - a instauração de Tomada de Contas do TCU e pedido de devolução de recursos e demais medidas reparatórias cabíveis contra a ONG e o Sr. João Dias.

O Programa Segundo Tempo, que atende a mais de um milhão de crianças e jovens em todo o Brasil, é permanentemente auditado pelos órgãos de controle e qualquer denúncia consistente de irregularidade é apurada. O ministro Orlando Silva, desde que assumiu o Ministério, determinou o aperfeiçoamento constante do projeto, tanto do seu alcance como da forma de celebração dos convênios para sua execução. Em setembro passado, houve uma chamada pública, e a seleção final apenas contemplou entes públicos.

Minha análise:

       Os convênios do Ministério do Esporte com a Academia de João Dias foram assinados em 2005 e 2006. E só em 2010, cinco anos depois de assinado o primeiro termo, é que o Ministério entrou em campo? Cinco anos? Cinco anos de silêncio do órgão liberador da grana?

        Ora, se em 2006 o Ministério renovou o convênio é porque o de 2005 estava legal. O Ministério confirma que não houve problemas em 2005 e liberou novo dinheiro?

         E as demais denúncias de corrupção no Segundo Tempo, Brasil afora, serão objeto de investigação da Polícia Federal?

Finalmente

          Não é oficial, mas me contaram que a presidente Dilma ouviu o ministro atentamente, com o queixo apoiado sobre as mãos, que segurava uma vassoura, de olho na faxina que ainda tem pela frente...

Por José da Cruz às 18h32

Biscoito e sucos: Segundo Tempo dos espertos

         Em entrevista coletiva, o ministro Orlando Silva disse que conversou com a presidente Dilma Rousseff sobre a reportagem de Veja, revelando novo capítulo de corrupção no programa Segundo Tempo.

         Leia trechos da entrevista do ministro; do repórter Gustavo Franceschini, do UOL Esporte, em Guadalajara.

         Orlando desafiou os acusadores a apresentarem prova de que teria recebido dinheiro na garagem do Ministério do Esporte. E pediu a entrada da Polícia Federal no assunto.

         Tarde, ministro, muito tarde.

         Em fevereiro deste ano, uma série de reportagens do companheiro Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo, demonstrou, com fartura de provas, as mazelas do Segundo Tempo, Brasil afora. Vejam a foto de Dida Sampaio, de um dos programas do Segundo Tempo, no Piauí...

       

 Biscoito e suco

        Em 2006, eu estava no Correio Braziliense e produzi as primeiras reportagens mostrando que o dinheiro do lanche dos garotos ia para o bolso de espertos, disfarçados de desportistas. A resposta do governo: silêncio na Esplanada dos Ministérios

         E não foram apenas as reportagens que denunciavam os desmandos com dinheiro público.

         Em 2006, uma auditoria do Tribunal de Contas da União já denunciava, entre outras barbaridades, o seguinte:

         “Há núcleos do programa com infraestrutura física precária para a execução das atividades. Observou-se que, em alguns núcleos visitados, em Niterói/RJ, Barueri/SP e Olinda/PE, não há disponibilidade de instalações construídas para a prática esportiva, sendo utilizados terrenos baldios para o desenvolvimento das atividades”.

         Mais:

         “Muitos núcleos não têm recebido reforço alimentar adequado às necessidades dos beneficiários do programa. O Ministério do Esporte repassa recursos aos convenentes para a compra e distribuição de merenda para os núcleos. Entretanto, a pesquisa postal indicou que 28,4% dos núcleos nunca receberam reforço alimentar. Dentre os que receberam 39,2% disseram oferecer apenas biscoito com refrigerante ou suco, o que não atende ao objetivo do Segundo Tempo de promover hábitos saudáveis de nutrição."

Defesa

         Orlando Silva pode negar ter recebido a grana que João Silva o acusa. Mesmo porque, João Silva foi beneficiado do esquema. Esteve preso, inclusive, depois de uma investigação da Polícia de Combate ao Crime Organizado do DF, que aqui divulguei.

         Mas o ministro precisa responder pela irresponsabilidade de silenciar diante de várias denúncias, quando ainda era Secretário Executivo do Ministério do Esporte, então sob o comando de Agnelo Queiroz, outro que ignorou o esquemão.

Troco milionário

         Portanto, chegamos ao auge de um escândalo anunciado há cinco anos, sem que a autoridade pública tivesse determinado medidas para conter o roubo, o saque.

         Porque, se o dinheiro era repassado às ONGs, como demonstrou o TCU, e os espertos compravam biscoito e suco em vez de sanduiches e leite, alguém embolsou o troco... Troco milionário

         E se Orlando Silva ou Agnelo não receberam a grana, e alegam falta de provas, foram omissos e silenciaram, principalmente diante do alerta da autoridade fiscalizadora, o TCU que, já em 2006, mostrou o caminho do desvio da grana.

         E qual o motivo do silêncio? Heim?

         O espaço está disponível para responderem.

Por José da Cruz às 15h04

Agnelo Queiroz e Orlando Silva envolvidos em mais denúncias do Segundo Tempo

        A revista Veja publica mais um capítulo do nebuloso, do obscuro e suspeitíssimo programa Segundo Tempo, criação de Agnelo Queiroz, quando ministro do Esporte, e até hoje envolvido em denúncias de corrupção sem fim, fazendo a alegria de muito esperto.

        A reportagem, de Rodrigo Rangel, começa assim:

        Militante do PCdoB acusa Orlando Silva de montar esquema de corrupção – Segundo o policial militar João Dias Ferreira, ministro do Esporte recebeu propina nas dependências do ministério.

        Pior: tenho informações de que o Fantástico, amanhã, também tem novidades sobre o prédio número 1 da Esplanada dos Ministérios. Em tempos de Pan, o Ministério do Esporte está no pódio da vergonha.

Por José da Cruz às 11h34

Maracanã, o legado da dúvida e da dívida

        Parlamentares da Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados que recentemente visitaram as obras do Maracanã estão impressionados com a falta de precisão nos valores do projeto de reforma daquela área. E até apontam o histórico estádio como o que tem uma das reformas mais escandalosas nesta fase de preparação para a Copa 2014.

        E diante de um orçamento tipo montanha russa, de altos e baixo, a pergunta do deputado Otávio Leite ficou sem resposta: afinal, se o orçamento original de R$ 956 milhões caiu para R$ 705 milhões, depois de análise técnica do Tribunal de Contas da União, é porque algo estava errado: ou os valores estavam superfaturados ou o preço do material de construção baixou. Dúvida sem resposta oficial, pois o governador, Sérgio Cabral Filho, e o prefeito, Eduardo Paes, não deram as caras por lá.

        Porém, o que o TCU identificou na análise do orçamento original foi o que chamam de “sobrepreço”. Em outras palavras, itens superfaturados.

        E coube à principal autoridade presente, a secretária de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro, Márcia Lins, confirmar o que se previa: concluída a reforma, o Maracanã passará à iniciativa privada.

        Ou seja, a verba pública financia a reforma milionária e quando a arena começar a dar lucro, quem vai faturar é o empresário esperto. A que custo para o gestor público?

        Pior:

        Pensam que esta é a última reforma do Maraca?  Nada disso, pois já anunciam outra, para depois da Copa, a título de “adaptações para a Olimpíada 2016”...

        É o legado da dúvida e da dívida eternas. Em nome do esporte. Agora vai.

Por José da Cruz às 23h42

14/10/2011

Atletismo: recordista dos 10.000m flagrada no doping

        A Confederação Brasileira de Atletismo suspendeu a atleta Simone Alves da Silva por ter sido confirmado doping nas duas amostras da urina da competidora, coletadas em 3 de agosto último, durante o Troféu Brasil Caixa de Atletismo, em São Paulo.

        Os exames, realizados em laboratório canadense, confirmaram a presença da substância proibida Eritropoetina Rcombinante (EPO).

        Simone, que no Troféu Brasil havia batido recorde de Carmem de Oliveira nos 10.000m (31min16s56), terá duas semanas para solicitar o seu julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBAt, em conformidade com as regras da Federação Internacional de Atletismo (IAAF). 

Por José da Cruz às 16h57

Copa 2014: empresas têm 45 dias para se cadastrarem à isenção fiscal

         A Fifa e as empresas a ela vinculadas para a organização e realização da Copa das Confederações, em 2013, e Copa do Mundo 2014 estarão isentas de tributos federais na compra de bens e serviços relacionados aos eventos.

        As normas estão fixadas no Decreto nº 7578/2011, publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial da União, e repetem a medida aplicada em outros países que já sediaram a Copa do Mundo.

        Ainda não há estimativas do governo de quanto deixará de ser arrecadado diante das isenções fiscais.

        A partir de agora e em até 45 dias, as empresas e entidades envolvidas na organização das duas Copas – das Confederações e do Mundo – deverão se cadastrar para receber as isenções dos tributos federais.

        Uma instrução normativa da Receita Federal orientará sobre o procedimento. Estados e municípios envolvidos com os eventos também deverão editar normas de isenções de impostos coletados pelos governos estaduais e prefeituras.

        Leia mais

Por José da Cruz às 00h53

13/10/2011

Jogos Pan-americanos: ufanismo ou realidade?

        O hoje advogado e pós-graduado em Comércio Exterior e Direito Esportivo, Alan Pessotti foi atleta de natação, integrando a delegação brasileira em várias competições internacionais. Capixaba, ele nadou pelo Vasco, Flamengo e  na Itália. Especialista nos 100m peito, o auge de sua carreira foi entre 1996 e 2000, uma época em que a limitação dos recursos para o esporte contrasta com a fartura de agora.

        A partir de um comentário sobre a realização dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, sugeri que Pessotti escrevesse sobre a importância do evento para o nosso contexto esportivo.  O texto está a seguir, e o autor aborda o que aqui muito se discute: a pressão dos cartolas, as cobranças de clubes e patrocinadores, o ufanismo da imprensa diante de eventos nem sempre expressivos e, também, a “meritrocracia” usada pelo COB para a distribuição dos recursos da Lei Piva.

Confiram o texto:

        Estive nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg em 1999 como atleta da natação. Voltei sem medalha, pois tive uma contusão na virilha, durante a fase de aclimatação, nos Estados Unidos.

        Na ocasião, era atleta do Flamengo e fazíamos nove sessões semanais de treinos. Já na tal aclimatação passamos para 12, o que certamente causou a minha contusão. Aliás, estávamos lá gastando a verba do COB sem a mínima necessidade, pois não havia um fuso-horário considerável.

        Mas o que uma mera contusão tem a ver com a real importância dos Jogos Pan-americanos? Tudo. Ela tem a ver com a pressão colocada pela Confederação nos treinadores por resultados (o que fez com que meu técnico se equivocasse na parte final do treinamento). Os clubes pressionavam os atletas para demonstrar seu poderio perante os rivais em um hipotético quadro de medalhas clubístico, enquanto o COB pressionava as Confederações. E hoje a situação deve estar ainda pior, pois um dos critérios para a distribuição de verbas públicas é o rendimento de cada modalidade no Pan.

        Na época, minha preferência era ter participado das Universíades, competição muito mais forte e de nível realmente de altíssimo nível, perdendo em importância apenas para Olimpíadas e Mundial em piscina longa. Mas isto era impensável estando atrelado a um clube e submetido a vaidades de treinadores e dirigentes em uma época de disputas acirradas nos esportes olímpicos entre Vasco e Flamengo.

        É bom sermos campeões, o povo gosta de ver o Brasil vencendo. Dá muito mais audiência um brasileiro vencendo uma competição de nível duvidoso do que sendo finalista em um campeonato mundial.

        Mas falta ética para a grande parte da imprensa. No afã de maximizar os feitos brasileiros no Pan, simplesmente "esquece" de dizer quem são os adversários e, principalmente, quais adversários não estavam presentes.

        Muitas vezes falta ética também aos próprios atletas e treinadores, que omitem à imprensa e patrocinadores a real amplitude das vitórias. O resultado deste ciclo vicioso é uma série de desculpas esfarrapadas nas Olimpíadas. Afinal, para quem era um fenômeno como virou um atleta normal em um ano?

        A televisão, em maior grau dentre os veículos de comunicação, prima pelo ufanismo nacionalista e chega ao ponto de criar eventos pré-formatados para que o Brasil vença. De que vale um "Mundialito de Beach Soccer", "Jogos Mundiais de Verão", "Short Triathlon", "Desafio Internacional de Bolinha de Gude"? A resposta é muito simples: para o narrador poder chegar ao clímax berrando É DO BRASIL!!!!!!!!

        Pão e circo? O pão no Brasil atual é equivalente às "bolsas" que o governo dá à população carente e o circo hoje é o esporte. Simples assim.

Alan Pessotti, 38 anos, é o atual recordista sul-americano master dos 50m e 100m peito, 100m medley, 4x50m livre e 4x50m medley; e 1º do ranking mundial master, em 2006, 2007 e 2008. 

Por José da Cruz às 22h15

Agnelo e o rolo de R$ 25 milhões

        Envolvido numa espetacular operação de R$ 25 milhões, ainda do tempo em que era ministro do Esporte, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, conseguiu desbloquear os seus bens, indisponíveis desde maio.

        O bloqueio ocorreu por iniciativa do Ministério Público Federal, que acusou Agnelo de superfaturar o aluguel de 1.490 apartamentos da Vila Pan-Americana, por ocasião do Pan 2007-Rio.

        Quem alertou para a suspeita operação foi o Tribunal de Contas da União. Em 2004, Agnelo liberou R$ 25 milhões para pagar o aluguel dos apartamentos onde os atletas ficariam hospedados. Ou seja, repassou o dinheiro três anos antes, quando nem obra havia. E é proibido se pagar por aquilo que não se tem. Agnelo ignorou a regra.

        Segundo o TCU, se os atletas do Pan ficassem hospedados nos melhores hotéis do Rio de Janeiro, o Comitê Organizador faria uma economia de 38%  sobre o aluguel dos apartamentos da Vila do Pan.

Complicado

        Pior: o adiantamento dos alugueis levaram à suspeita de que os R$ 25 milhões serviram para fechar uma triangulação, cuja história contei, mas repito para que não fique no esquecimento.

        Seguinte:

        A construtora  da Vila do Pan, Agenco, precisava oferecer garantia  para financiar  R$ 187 milhões junto à Caixa Econômica. Mas não tinha a grana. Foi aí que Agnelo adiantou R$ 25 milhões ao Comitê Organizador dos Jogos, que teria repassado o dinheiro a Agenco. Feita a triangulação, puderam integralizar a garantia junto à Caixa. Esta é investigação que ainda está em andamento.

Explicação

        Agora,  Agnelo diz que, com a suspensão do bloqueio de seus bens fica claro que “não teve participação no esquema”.

        Cara de pau esse sujeito!

        Como uma operação de R$ 25 milhões, para pagamento do que ainda não existia, é fechada sem a participação da autoridade maior, no caso o então ministro Agnelo, hoje governador do Distrito Federal, pelo PT?

        Foi uma operação incomum, ínédita no ministério!!! E o dono da cadeira estava ausente do processo?

        Tá certo, façamos de conta que Agnelo fala a verdade e foi assim mesmo, ele não sabia. Escancara-se, então, toda a irresponsabilidade e omissão do gestor principal.

        De qualquer forma, sabendo ou não, Agnelo é isso aí. E Brasília que aguente.

Por José da Cruz às 00h07

12/10/2011

Pan 2011: patinação entre as modalidades preferidas

        Natação, ginástica e patinação são as primeiras modalidades que esgotaram ingressos para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara.

        Já no Brasil, patinação foi a última modalidade a receber a Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte. Os contemplados ficaram sem verba em 2010, e os valores deste ano começaram a ser pagos só em setembro, quando os atletas já estavam na reta final da preparação aos Jogos no México.

        O Pan começa amanhã, na aprazível Guadalajara, onde o Brasil realizou toda a campanha que o levou à final do tricampeonato, México, 1970.

        Mais informações: http://pan.uol.com.br/

 

Por José da Cruz às 22h51

Instalada na Câmara a Comissão Especial da Lei Geral da Copa

        A Câmara dos Deputados instalou ontem a Comissão Especial que discutirá o projeto da Lei Geral da Copa (nº 2330/2011), encaminhado pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional. Posteriormente, o projeto será votado no Senado Federal. A ata de instalação da Comissão está aqui. A próxima reunião está marcada para 18 de outubro, quando será discutida a pauta das sessões.

       Em linhas gerais, a Comissão tem o perfil de quem defenderá os interesses da CBF e, por extensão da Fifa. Em outras palavras: o governo fez a sua parte, endureceu o jogo em nome da "soberania nacional";  os parlamentares, por sua vez, discutirão, darão declarações, usarão os holofotes e, no voto, ficarão com os donos do jogo. É a minha opinião, vamos ver.

        Os deputados mais influentes da Comissão Especial são:

        PT – Vicente Cândido (SP), relator da Comissão é vice-presidente da Federação Paulista de Futebol;    

                Fábio Faria (PMN/RN) – ganhou vaga cedida pelo PT; o pai de Fábio, Robson Faria, dá nome a um torneio amador de futebol no interior do RN, a Copa Robinson Faria de Futebol.

         PSDB – Carlaile Pedrosa (MG) conselheiro do Atlético-MG, eleito para o posto até agosto de 2013.

        PMDB – Renan Filho (AL) – filho do senador Renan Calheiros, que defende os interesses da CBF.

         PP – Afonso Hamm (RS) – ex-goleiro do Grêmio Esportivo Brasil, de Pelotas. Foi presidente da Comissão de Turismo e Esporte da Câmara, em 2009.

         PR – José Rocha (BA) 3º vice-presidente da Comissão Especial. É defensor dos interesses da CBF, ex-presidente do EC Vitória.

        PSB – Romário (RJ) – ex-jogador de futebol. Ficará ausente por 15 dias para atuar como comentarista de uma emissora de TV durante os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. Ele autorizou descontar os dias de seu salário.

        PTB – Arnaldo Faria de Sá (SP) – ex-presidente da Portuguesa de Desportos, integra o conselho deliberativo do clube.

        PDT – André Figueiredo (CE) – é conselheiro do Ceará, que disputa a Série A do Brasileirão.

Por José da Cruz às 11h30

11/10/2011

O que está em jogo no Pan de Guadalajara

Por Ana Cláudia Felizola e Gustavo Marcondes

Do Correio Braziliense

        Os Jogos Pan-Americanos começam nesta sexta-feira cercados de desconfiança. Afinal, qual é a verdadeira importância da disputa em Guadalajara, no México? Para muitas modalidades, a resposta é desanimadora. Vôlei, basquete, futebol, judô e ginástica artística, entre muitas outras, não oferecem grande motivação aos competidores e as equipes embarcaram para o México recheadas de reservas. Para 12 esportes, no entanto, a briga vai ser bastante séria e os competidores encaram a pressão de poder carimbar o passaporte para as Olimpíadas de Londres, em 2012.

        Leia a reportagem

Por José da Cruz às 20h20

Chamada geral

12 DE OUTUBRO - às 10 horas

Em frente ao Museu da República - Esplanada dos Ministérios 

Brasília

2ª Marcha Contra a Corrupção

Pelo voto aberto em plenário

Pela vigência do projeto Ficha Limpa

Por José da Cruz às 19h57

Ministério garante os Centros de Treinamento de Atletismo. Será?

        No dia 5 de outubro, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) anunciou que fecharia dois centros de treinamentos, a cinco anos dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Motivo: falta de recursos. A notícia foi aqui divulgada.

        O dinheiro – em torno de R$ 10 milhões – são para os Centros Caixa Cefan, no Rio de Janeiro, Caixa Sesi de Uberlândia (MG); Caixa Prefeitura de São Paulo; e Centro Nacional de Treinamento Caixa Unifor, em Fortaleza.

        Um dos entraves para o atraso no processo foi a mudança na legislação.

        “O decreto 6.170/2007, substituído pelo de número 7.568/2011, mudou as regras de convênios da União com entidades privadas sem fins lucrativos. Agora, o convênio com a CBAt precisa se enquadrar na nova legislação para ser efetivado”, informou o Ministério do Esporte.

        Imediatamente, o Ministério também publicou uma nota afirmando que o problema estava resolvido e o contrato será assinado logo.

        Será?

        A CBAt depende dessa verba para manter os centros em funcionamento e, inclusive, técnicos estrangeiros que aqui estão, me informou o presidente Roberto Gesta de Melo.

        Continuarei atento a este assunto, mas se bem conheço a burocracia governamental, a grana vai demorar a sair. Independentemente da assinatura do convênio, é preciso saber que o Ministério do Esporte tem recursos disponíveis para honrar o compromisso. 

        No bom português: pode haver previsão no orçamento, mas faltar a grana no caixa...

Por José da Cruz às 12h10

10/10/2011

Enquanto a Copa não vem

        Quem ainda não teve o desprazer de transitar pelos principais aeroportos brasileiros, aí está a amostra do caos instalado.           

                    

                    Na falta de cadeiras, a escada é a alternativa, na sala de espera,

                       em Guarulhos, São Paulo

                

                  E se faltar escada, a Infraero acomoda o passageiro no confortável chão ...

                  

                  Já no Galeão, Rio, a espera na fila do café pode durar até 12 minutos ...

                As fotos são minhas, em recente viagem por aí, com boa dose de paciência e outro tanto de indignação.

                Imagino que as autoridades da Copa 2014, no Governo ou fora dele, estejam viajando em jatinhos particulares, pois diante do caos instalado demonstram desconhecer a confusão em que o usuário está metido. E não há sinais de solução a curto prazo. Ou seja, o desrespeito continua no país da Copa e da Olimpíada. 

             Agora, não vai...                         

Por José da Cruz às 22h06

“Peladas” de deputados pagas com verba pública

         O Globo de domingo publicou reportagem dos repórteres Juliana Castro e André Souza sobre um time de deputados federais reforçado por estrelas do esporte: Romário, Danrlei e Popó.

        A pretexto de estarem praticando “ação social”, os deputados usam recursos da verba indenizatória para despesas de viagens.

A notícia é a seguinte: 

        Quase tão tradicional quanto a pauta trancada no Congresso é a partida de futebol dos deputados federais às terças-feiras, em Brasília. Tanto treino resultou em um time, com políticos do governo e da oposição, que percorrerá o país promovendo partidas beneficentes, com a presença do tetracampeão Romário (PSB-RJ) e do ex-campeão mundial de boxe Acelino Popó (PRB-BA).

        Por enquanto, a equipe participou somente de um jogo, em São Luís, contra o time da Assembleia Legislativa do Maranhão, no dia 6 de agosto. O evento contou com a presença do deputado e humorista Tiririca (PR-SP), que não deve participar das próximas partidas porque grava programas de TV nos fins de semana, quando acontecem as peladas. Participaram ainda do jogo o ex-goleiro Danrlei (PTB-RS), que jogou na linha, o delegado Protógenes (PCdoB-SP) e o filho do senador Renan Calheiros, Renan Filho (PMDB-AL).

        O primeiro estado a receber o grupo é também a base eleitoral do organizador das partidas, deputado federal Fernando Escórcio (PMDB-MA). E é o próprio peemedebista quem revela como alguns colegas percorreram os mais de dois mil quilômetros entre a capital federal e São Luís: com passagens aéreas compradas com a verba indenizatória.
Para Romário, gastos são compensados com ações beneficentes
        Segundo o deputado Fernando Escórcio (PMDB-MA), pelo menos 26 parlamentares foram ao jogo entre deputados federais e o time da Assembleia Legislativa do Maranhão. Informações do portal da Câmara mostram que dois deputados marcaram passagens de ida ou volta para São Luís em datas próximas ao evento: Romário e Domingos Sávio (PSDB-MG). O Baixinho emitiu um bilhete no dia 7, no valor de R$506,66, para um trecho entre a capital maranhense e Brasília. Já o tucano, emitiu no dia 5 um tíquete de R$413,34, para uma viagem entre São Luís e Belo Horizonte.

        A Câmara informou que, após usarem a verba indenizatória, os deputados têm meses para lançar os dados no sistema. Ou seja, o número de parlamentares que usou a verba com esse fim pode ser maior.

        A Casa não vê irregularidades porque o ato que regulamenta a chamada Cota para Exercício da Atividade Parlamentar diz que a verba pode ser usada em “ações necessárias ao legítimo exercício do seu mandato”. O GLOBO entrou em contato com Domingos Sávio, que não retornou. Já Romário disse que o objetivo da viagem é mais importante que o valor da passagem:

        — O futebol é secundário. O objetivo é visitar as instituições e doar o que for arrecadado com o jogo. Uma passagem de ida e volta não custa nem R$1 mil e não é proibido pela Câmara. Quando não é possível usar a verba indenizatória, pago do meu bolso. Eu ia de qualquer jeito — disse o Baixinho.

Partida arrecada R$46 mil: doação para Apae e hospital

        Escórcio também não vê problema. Para ele, a verba ajuda a viabilizar um evento beneficente:

        — Qual seria o cachê para o Romário participar de um evento desses? — questiona ele, lembrando que o ex-jogador não cobrou para participar do jogo.

        No caso da partida no Maranhão, foram arrecadados R$46 mil, doados à Apae e ao Hospital do Câncer, instituições também visitadas pelos parlamentares.

        Outras partidas já estão agendadas: dia 29 de outubro será a vez de Canoas (RS), cidade do presidente da Câmara, Marco Maia. Em 19 de novembro, a equipe vai a Imperatriz (MA), a pedido do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. O dinheiro arrecadado será doado a instituições de caridade locais.

        Popó fez um gol na vitória por 3 a 2, no Maranhão. Os outros dois foram de Romário.

        — Sou do PRB Jovem, presidente da Frente Parlamentar do Esporte, a gente está sempre fazendo algumas coisas beneficentes — diz Popó, um dos que joga nas peladas de terça-feira.

        A pelada semanal é organizada pelo deputado Júlio Delgado (PSB-MG) e acontece há quase dez anos.

        — Há três legislaturas a gente, sempre quando termina a sessão, vem aqui descontrair um pouco. É para a gente dar uma desestressada da atividade do Congresso — diz ele.

Por José da Cruz às 15h48

09/10/2011

Ainda resta uma esperança

     Num rápido roteiro por três cidades, estive em São Paulo, onde fui assistir a uma palestra do advogado Alberto Murray Neto, sobre Copa do Mundo, Olimpíada e os impactos na economia nacional. E, por gentileza do palestrante, entrei no debate com outro jornalista, Ary Pereira Jr, companheiro de muitas coberturas, hoje no Terra.com.

     O encontro foi no tradicional colégio Santo Américo, no Morumbi, onde a prática esportiva é comum em todas as séries.

     Fiquei surpreso com o que vi. Fundado em 1951 por monges beneditinos húngaros, o colégio mantém, até hoje, a filosofia de transmitir a cultura aliada às manifestações artísticas e esportivas, para o desenvolvimento espiritual e intelectual integrados.

     O surpreendente é que isso é real. A atividade física e a prática esportiva são paralelas ao ensinamento curricular.

     Conversei com ex-alunos -- Alberto Murray é um deles -- e com professores de educação física que me contaram como isso é possível, com até três aulas por semana. E se isso ocorre com as escolas particulares, Brasil afora, porque não nas escolas públicas? Mas é aí que patinamos, pois só 10% delas têm uma quadra, que é o mínimo, para desenvolver a atividade esportiva.

Sobre a palestra

     Alberto Murray, que conhece muito bem os bastidores do olimpismo mundial, acredita que a Criação de uma Agência Nacional do Desporto poderá ser a saída para os desmandos que se praticam no país em nome dessa manifestação física com repercussões no econômico e social. "Mas uma Agência não atrelada à política ou políticos", defendeu o palestrante.

    É oportuno lembrar, que as agências reguladoras vinham muito bem, até que o ex-presidente Lula da Silva decidiu intervir politicamente. Não aceitava as decisões técnicas e invadiu esses órgãos com seus apadrinhados políticos partidários. A desordem está aí, escancarada.

     O esporte, em particular, tornou-se atrativo para os que vêem no Ministério a forma de ganhar dinheiro fácil. E conseguem! Não duvidem que, em breve, outros partidos comecem a disputar com o PCdoB o espaço daquela área. A briga vai ser grande, pois por conta de Copa e Olimpíada muita grana vai rolar por ali. Literalmente "rolar..."

     Enfim, é o contraste do jogo da esperteza com o que vi em São Paulo -- e que ocorre em outras escolas públicas, claro: o ensino, a educação como prioridades e, aí sim, o desporto em todas as suas manifestações integradas à formação cultural dos jovens. Isso é possível. Porém, em nivel de governo ainda é uma proposta que patina no debate acadêmico.

     Mas, enfim, ainda resta uma esperança...

Por José da Cruz às 09h37

07/10/2011

O doping em festa: abranda, abranda!

   

     A Corte Arbitral do Esporte acatou pedido do Comitê OIímpico Americano e redefiniu a validade "regra 45". A norma, estabelecida em 2008, proibia a participação de atletas flagrados em doping e suspensos por seis meses ou mais, na edição seguinte da Olimpíada. A decisão, ontem, foi da entidade máxima no esporte.

        Ou seja, quando se acreditava que a luta contra o doping era para valer, as autoridades maiores dizem que era de brincadeirinha.

        A Corte Arbitral do Esporte é a mesma que isentou o brasileiro Cesar Cielo de culpa, no famoso caso da das cápsulas contaminadas.

        O norte-americano LeShawn Merrit, campeão olímpico dos 400m rasos nos Jogos de Pequim é um dos beneficiados. No Brasil, a norma também libera o velocista BrunoLins, dos 200m.

Tá explicado

        No início do ano, o técnico de atletismo Nilson Duarte Monteiro, colaborador deste blog, escreveu que a dureza no combate ao doping tinha dias contados, pois estava a caminho um "libera geral".

        Nilson, um estudioso e investigador sobre o assunto, conversa com o mundo para fazer sua análise. Não é a primeira vez que acerta em cheio. Está aí a decisão da Corte: nada de punição longa.

        As disputas do esporte, com valorizadas transmissões de televisão, de patrocinadores milionários e marcas famosas não pode se dar ao luxo de ficar dois anos sem os seus expoentes, turbinados ou não.

        Abranda, abranda!

Por José da Cruz às 17h10

Soberania nacional

Por Carlos Heitor Cony

Na Folha de S.Paulo, ontem

RIO DE JANEIRO - Que está complicado, está. Além do atraso nas obras e do orçamento mal calculado que torna as despesas da Copa cada vez maiores, surgiu agora um problema complicadíssimo, que envolve inclusive a soberania do país.

Não conheço em detalhes os acordos firmados entre a Fifa e o Brasil. Acredito que sejam os de rotina, mas todos sabemos que a goela da instituição que regula o futebol é voraz, não deixa pedra sobre pedra.

Houve tempo (não sei se ainda é) em que a Fifa tinha mais membros do que a ONU. É poderosa politicamente e rica o bastante para impor condições. Supõe-se que sejam condições técnicas, de infraestrutura, operacionais. Acontece que cada país -no caso, o Brasil, sendo como é, uma República Federativa- é composto por Estados cujas leis locais devem ser cumpridas.

Pelo que se sabe, a cúpula da instituição não deseja abrir mão das rendas de cada jogo e não aprova que idosos e estudantes possam comprar ingressos por preço inferior ao oficial. Não parece, mas o assunto chegou a ser discutido com a própria Dilma em seu giro pela Europa. Evidente que a nossa presidente invocou a soberania nacional. Mesmo assim, a questão ficou para ser acertada em encontros posteriores.

Sabe-se também que a Fifa está preocupada com o organograma das obras e pode criar tais e tantas exigências, as quais, no limite, darão pretexto a um cancelamento da Copa de 2014 no Brasil.

Oficialmente, nada foi feito até agora, mas há correntes dentro da instituição que já ameaçaram um rompimento do contrato desde que suas pretensões não sejam atendidas.
Que as obras da Copa estão atrasadas e mal programadas, estão. Mas o Brasil é Ph.D em matéria de fazer certos milagres. O que não pode é submeter sua legislação aos interesses dos cartolas que mandam e desmandam no futebol.

Por José da Cruz às 08h57

05/10/2011

Estádio de luxo e o "legado antecipado"

            O Governo do Distrito Federal tem R$ 274,3 milhões no orçamento deste ano para aplicar nas obras de construção do novo estádio Mané Garrincha.

            Desse total o GDF já gastou R$ 136,6 milhões, isto é, cerca de 50% do disponível.

            Os dados são oficiais. O dinheiro saiu sem dificuldade para as empreiteiras.

            Como o estádio completo custará R$ 650 milhões, segundo o próprio governo, até agora foram pagos apenas 20% do total.  Os restantes 80% deverão entrar nos orçamentos de 2012, 2013 e 2014.

Saída

            Para enfrentar esta dívida, o governo do Distrito Federal já está anunciando que aumentará o IPTU de 2012 em 7,5%.

            Ou seja, a conta da Copa começa a chegar ao bolso do contribuinte... E o tal “legado antecipado”...

Enquanto isso...

            Sem quartos ou leitos, dezenas de doentes espalham-se pelos corredores do Hospital da Asa Norte, um dos principais da cidade. Deitados no chão frio.

            É ali, em situação precária e desviando das infiltrações de água da chuva, que doentes, velhos, inclusive, são atendidos pelo serviço público do governador Agnelo Queiroz. Que é médico.

Caso de Justiça

            Os desmandos se estendem à educação e se tornam caso de Polícia e de Justiça.

            Há três semanas um aluno morreu ao tocar um fio de energia elétrica, numa escola da cidade. Agora, a 5ª Vara da Fazenda Pública determinou a transferência de 950 alunos de um colégio com estrutura de amianto, material que coloca sob risco a saúde e a integridade física dos estudantes e professores.

Para concluir

            O futebol de Brasília, que contará com um moderníssimo estádio de 75 mil lugares, tem apenas um time na Série D do Campeonato Brasileiro, o Gama, e outro na Séria C, o Brasiliense.

            São times de quarta divisão e estádio de luxo para receber, no máximo, cinco jogos da Copa 2014.

            A coerência e opções de Agnelo impressionam.

Por José da Cruz às 22h09

Doping: Simone espera pela análise da Amostra B

       A maior fundista brasileira desde Carmem de Oliveira foi flagrada no doping do Troféu Brasil de Atletismo, diz a revista Runner´s.

       Simone Alves da Silva foi pega pelo uso de EPO (Eritropoietina), hormônio que aumenta a capacidade de transporte de oxigênio no sangue.

       A notícia completa está aqui.

       Obtive a informação de que a atleta já pediu para ser analisada a amostra B, em laboratório canadense. Só então é que se terá uma manifestação oficial da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), pois houve casos em que a segunda avaliação apresentou resultado diferente da primeira.

Por José da Cruz às 19h12

Atletismo fecha dois centros de treinamentos a cinco anos dos Jogos Rio 2016

        O futuro do atletismo, modalidade nobre do esporte e que deu origem ao movimento olímpico, está pelas tabelas.

        E a cinco anos da realização dos Jogos Rio 2016 dois de seus três centros de treinamentos vão fechar as portas. Motivo: falta dinheiro no país do futebol.

Comunicado

        A decisão foi comunicada oficialmente ao Ministério do Esporte, por email, no sábado passado, pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), ao diretor de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser Gonçalves.

        Assim:

Por solicitação da Presidência desta entidade, informamos que esta Confederação está desativando, em função da falta de recursos para manutenção do Programa, o Centro Nacional de Treinamento de Atletismo Caixa CEFAN/MB, com sede no Rio de Janeiro, RJ, bem como está reduzindo o funcionamento do Centro Nacional de Treinamento de Atletismo Caixa Sesi com sede na cidade de Uberlândia, MG, pelas mesmas razões. Abaixo, encaminhamos-lhe, para conhecimento, mensagem recebida do ex Coordenador do CNTA Caixa CEFAN/MB, do Rio de Janeiro.

Atenciosamente,

Martinho Nobre

Superintendente Técnico da CBAt

 

Enquanto isso

         O diretor do Centro de Treinamento do Rio de Janeiro, Pedro Ferreira da Silva, já se despede do cargo.

       A pedidos já estou tomando todos as providências de desligamento necessárias e retomo agora as minhas funções anteriores, continuando no trabalho de contribuir em fazer o nosso atletismo não só crescer... mas acontecer!!

        Será?

Futuro

        Estou fazendo contatos com a direção da CBAt para saber quantos atletas serão atingidos pela medida extrema, qual o valor necessário para a manutenção dos treinos etc.

Dúvida

        Minha dúvida é que, em janeiro deste ano, o presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, realizou assembleia em Manaus quando aprovou o orçamento da entidade. Só de patrocínio da Caixa são R$ 15 milhões disponíveis.

        Na ocasião, nenhum problema foi apresentado, estava tudo muito bem, aplausos, apoios e planos maravilhosos para o crescimento do atletismo.

        Afinal, que planejamento é esse que nove meses depois de aprovado vai para o espaço?

Por José da Cruz às 08h38

04/10/2011

Como ganhar dinheiro fácil e se tornar político sem muito esforço

          Entre abril de 2007 e maio de 2011, o mineiro Wadson Nathaniel Ribeiro faturou R$ 72.561,00 do Ministério do Esporte, além do salário mensal.

Os valores, pagos em quatro parcelas, são repasses legais, mas traduzem a esperteza dos burocratas que ocupam cargos públicos para ganhos fáceis por conta do contribuinte.

Mais: mostra como a legislação favorece o drible, a voltinha, a vantagem de poucos no uso do dinheiro público, na busca de votos para um cargo eletivo, onde o principal prêmio é a “imunidade parlamentar”.

Nesta jogada, Wadson se dá muito bem, fazendo do Ministério um joguete de ocasião, um trampolim que a turma da UNE, liderada por Orlando Silva, sabe muito bem explorar.

A novela

Quando em abril 2007 mudou-se de Juiz de Fora (MG) para Brasília, nomeado para secretário Executivo do Ministério do Esporte, Wadson Nathaniel Ribeiro recebeu R$ 8.080,00, como “ajuda de custo”.

Dez dias depois, um segundo depósito, também de R$ 8.080,00, foi realizado pelo Ministério do Esporte para Nathaniel. Justificativa: “ressarcimento de ajuda de custo”.

Passou o tempo e Wadson, que era o imediato do ministro Orlando Silva, saiu candidato a deputado federal pelo PCdoB mineiro.

É um claro exemplo de uso do cargo em benefício político, comum em outros ministérios.

Como candidato a deputado, Wadson não poderia continuar vinculado ao Ministério do Esporte. E foi “exonerado” pelo amigo, ministro Orlando Silva. E recebeu mais R$ 22.863,76 em sua conta corrente, a título de “Ajuda de custo por exoneração”.

Com a ajuda dos convênios que assinou e dinheiro repassado, quando secretário do Ministério do Esporte, Wadson fez 54 mil votos, mesmo assim insuficientes para se eleger.

Mais grana

Para não ficar na rua da amargura, Wadson foi reempregado pelo caridoso ministro. Ganhou o cargo de Secretário Nacional de Esporte Educacional.

E como veio de Juiz de Fora (MG) para Brasília, recebeu mais R$ 33.538,08 para “ajuda de custo”.

Quem é?

Wadson é um ex-aluno de Medicina, curso que não concluiu, pois acabou presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), quando descobriu as facilidades que teria na vida pública.

No Ministério, ele usa a pasta para viajar por municípios mineiros, assinar convênios, encontrar-se com prefeitos, fazer discursos e, assim, ir turbinando a próxima campanha.

E tudo isso está muito claro no site do PCdoB, que já anuncia Wadson como candidato do partido a prefeito de Juiz de Fora, na eleição de 2012. Confira

Aí está um caso evidente de uso de cargo público para promoção política, pois viaja às custas do Ministério do Esporte, anuncia convênios e, na hora de ir embora, recebe “ajuda de custo” para sair e outro tanto para voltar.

Ou seja, a matrícula no curso de Medicina foi apenas um disfarce para chegar à UNE, onde fez trampolim para a Esplanada dos Ministérios, que, indiretamente, banca sua campanha política.

Escrevi ao distinto senhor perguntando se esta forma de ganhar dinheiro e o uso do cargo público para objetivos próprios o deixam confortável diante do discurso da moralidade pública.

Sem resposta.

Pois é nas mãos dessa gente que está o esporte brasileiro. Esperar o quê?

Por José da Cruz às 09h57

02/10/2011

Ação entre amigos

Na Veja  

Panorama - Holofote 

Antes com ONG, agora sem ONG

Por Otávio Cabral

         A atriz Ana Cristina Petta, mulher do ministro do Esporte, Orlando Silva, recebeu 32 mil reais do Instituto Via BR, uma ONG de militantes do PCdoB, para trabalhar em um documentário pago pelo Ministério da Justiça.

        Questionada sobre outro convênio de 272.000 reais entre o Via BR e o ministério do marido, ela resolveu devolver o dinheiro. Ana diz que rescindiu o contrato para afastar suspeitas. Apesar de, na pessoa jurídica, dividir endereço com a ONG, Ana afirmou não saber que os amigos eram financiados pela pasta do Esporte.

        Para evitar novos embaraços – e escândalos como o descoberto  no Ministério do Turismo – , Orlando silva decidiu que seu ministério só firmará parcerias com instituições governamentais. Em 2012 os mais de 80 milhões de reais previstos para o Programa Segundo Tempo serão distribuídos apenas entre prefeituras, governos estaduais e órgãos federais.

Minha análise

        Estou localizando o contrato de R$ 272 mil para ver se, de fato, foi rescindido.

        Orlando Silva está no Ministério do Esporte desde 2003, sendo que a partir de 2007 assumiu o comando da pasta. E sabe que sempre houve corrupção no Segundo Tempo, que firmou vários contratos com instituições suspeitas, inclusive envolvendo o ex-ministro Agnelo Queiroz num caso nebuloso ainda sem solução.

        No entanto, só agora, depois de oito anos no poder, Orlando Silva decide que convênios do Segundo Tempo só sairão com órgãos governamentais. É muito atraso na tomada de decisões para evitar roubo de dinheiro público.

Por José da Cruz às 20h04

Copa do Mundo de Rugby

        Publico informações sobre a Copa do Mundo de Rugby, uma das mais novas modalidades olímpicas, que vai conquistando simpatizantes brasileiros, onde já temos campeonatos regionais e nacionais com bons resultados na evolução do esporte.

        Por exemplo, nos últimos três anos, a Seleção Brasileira masculina adulta saiu do 45º lugar para o 27º, no ranking internacional da modalidade.

Por Márcio Duailibi

A Irlanda atropelou a Itália por 36x6, neste domingo, em Dunedim, na Nova Zelândia, na última partida da fase de grupos da Copa do Mundo de Rugby.

Com o resultado, os irlandeses conquistaram o primeiro lugar do Grupo C, deixando a Austrália em segundo.

Na última partida do Grupo D da Copa do Mundo, País de Gales marcou nove tries e humilhou a frágil Fiji por 66x0, no Waikato Stadium, em Hamilton, na Nova Zelândia.

Enquanto isso...

        Na Liga Interior de São Paulo

Pasteur B 24x12 São Carlos

         7º lugar: Pasteur-B

        8º lugar: São Carlos, na Taça Ouro;

Wallys–Jundiaí 25x12-Piratas (Americana-SP)

        Campeão: Wallys

        Vice-campeão: Piratas, na taça Ouro

Para saber mais:

       http://rugby.2016.zip.net/

        http://www.brasilrugby.com.br/

Por José da Cruz às 11h52

01/10/2011

Copa e Olimpíada: a ganância pelo poder

          O advogado paulista, Alberto Murray Neto, sugere debater sobre o acúmulo de cargos de Carlos Arthur Nuzman. Como presidente do COB, ele se tornou presidente do Comitê dos Jogos 2016. E repete Ricardo Teixeira, cabeça da CBF e líder da Copa 2016, como se não houvesse mais ninguém confiável ou competente para tocar os megaeventos.

         Tal duplicidade de funções reflete a cultura da cúpula do desporto nacional, caracterizada por prolongadas gestões e falta de transparência nas finanças.  E se torna a extensão do Poder Executivo federal, com Orlando Silva ministro do Esporte e, paralelamente, chefão do Comitê Organizador da Copa do Mundo.

         Esta concentração de cargos, indício de ganância pelo poder, revela o amadorismo que temos na gestão do esporte. Amadorismo que se identifica, também, pela ausência de diálogo entre os órgãos afins e o chega pra lá na universidade, alijando-a do debate das principais questões dos megaeventos.

         Se há um segmento que o COB e a CBF poderiam se orgulhar de incluir no legado é aproximarem-se da área acadêmica, da pesquisa, inclusive.

         O que impressiona neste distanciamento é que o COB, em particular, é um órgão altamente subsidiado pela verba pública. Logo, deveria oferecer, voluntariamente, uma contrapartida, propiciando a divisão de ensinamentos valiosos, vindos da promoção de um bilionário megaevento esportivo.

         É neste contexto que seguidamente alerto para a nossa “desordem institucional no esporte”. Temos órgãos em profusão, mas não temos objetivos comuns. Porque, egoisticamente, cada um busca os recursos financeiros sem que se tenha um projeto integrado e de longo prazo de promoção e valorização do esporte, seja ele de lazer ou de rendimento.

         E o Ministério do Esporte, que deveria ser o centralizador e formador dessa política é omisso, pois sua prioridade é o fortalecimento partidário – no caso, o PCdoB. E o esporte que se lixe, no bom português.

         Isso tudo – e a corrupção denunciada em relatórios do TCU  - é evidente, muito claro.  Há um espetacular desperdício de verbas e talentos, sugerindo o aparecimento de e de aproveitamentos de ocasiões; falta-nos um trabalho integrado para o desenvolvimento do esporte. E o egocentrismo das autoridades, mais interessadas no acúmulo de cargos e poder, é impedimento real para o diálogo que nos falta.

         Lembremo-nos do péssimo exemplo do Pan 2007, cujo balanço final ainda não fechou... A elementar prestação de contas que deveria ser pública é oculta, exclusiva de poucos que, para evitarem críticas, também silenciam.

         Qual o legado do Pan para o segmento escolar do Rio de Janeiro? Qual o legado das instalações para a comunidade carioca? Que grandes eventos foram realizados naquelas áreas nos últimos quatro anos? Qual o projeto integrado da prefeitura do Rio com as federações e clubes para a identificação de talentos?

         Tais fatos deveriam ser respondidos pelas autoridades que hoje se duplicam nos poderes institucionais do esporte; pelos políticos que ajudaram a gastar bilhões, irresponsavelmente, em detrimento de outras prioridades da população, entre elas o esporte educacional.

Por José da Cruz às 16h52

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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