Blog do José Cruz

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30/09/2011

O Ministério da Bola

        Se vale o ditado “em time que está ganhando não se mexe”, suponho que a equipe da Secretaria de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, do Ministério do Esporte, não estava jogando aquela bola, não.

        Assim como o técnico, que age em campo durante os 90 minutos, também o ministro do Esporte, Orlando Silva, mexeu na equipe da Secretaria de Futebol trocando cinco assessores, conforme divulgou o Diário Oficial da União desta sexta-feira.

        E entregou a uma mulher, Renata dos Santos, a responsabilidade de coordenar o setor de “Futebol Profissional”.

        O novo time tem a seguinte escalação:

LUCIANO PORTILHO MATTOS – Coordenador-Geral de Políticas de Fomento do Departamento de Futebol Profissional;

REJANE VIEIRA URANI vai assessorar Luciano, no setor de  Políticas de Fomento de Futebol Profissional;

LUENE GOMES SANTOS – Coordenadora-geral de Fiscalização e Controle do Departamento de Defesa dos Direitos do Torcedor;

SÉRGIO GOMES VELLOSO foi nomeado para assessorar o Secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor deste Ministério; e

RENATA DE CASTRO FERREIRA DOS SANTOS ganhou o cargo de Coordenação-Geral de Futebol Profissional.

        Agora vai?

        Não sei. Aliás, não sei o que um órgão do governo federal tem que se meter numa atividade privada, altamente devedor aos cofres públicos. E, por extensão, o mesmo ministério se envolve com segmentos que não lhe dizem respeito, como “defesa do torcedor”.

        E para que serve o Procon?  É difícil entender como o ministro defenderá o torcedor se anda abraçado com a cartolagem.

        Por que o ministro não aplica a mesma eficiência para um assunto preocupante e de efeitos desastrosos, como o doping, onde estamos atrasadíssimos no cumprimento  de normas internacionais?

        Esta semana, aliás, a Câmara dos Deputados debateu durante oito horas seguidas o assunto “doping e educação”, com especialistas de vários estados.

        Orlando Silva foi convidado e compareceu ao Congresso Nacional, mas passou longe da sala de debates, pois foi lá para discutir sobre Copa do Mundo.

        Como se observa, assuntos da bola, no bom sentido, claro, têm prioridade no Ministério do Esporte. 

Por José da Cruz às 18h25

A valorização do concreto

        A saúde é direito de todos, diz a Constituição.

        E daí?       

        Daí que um senhor de 80 anos foi rejeitado na porta de um pronto socorro de São Paulo, ontem.

        Novidade?

        Nenhuma. Apenas o flagrante da televisão mostrando o que há muito é comum, Brasil afora.

        Em Brasília, como no Rio de Janeiro, as ambulâncias do Corpo de Bombeiros não desembarcam mais as macas, só os pacientes.

        Motivo:

        faltam macas em hospitais e os enfermeiros se negam devolvê-las, pois não há onde acomodar os doentes ...

        É o Brasil Olímpico e da Copa do Mundo.

        Como não se indignar diante do evidente desrespeito humano e da valorização do concreto?

Por José da Cruz às 08h28

29/09/2011

Doping: que cada um responda por seus atos - I

Por Luiz César Cunha Lima - Advogado

      Doping é uma questão de saúde dos atletas? A conduta deve ser criminalizada? O doping é, sim, uma questão de saúde dos atletas. Em 2005, a Unesco adotou a Convenção Internacional Contra o Doping no Esporte, segundo a qual compete à Unesco  “realizar futuras e fortes ações de cooperação destinadas a eliminar o doping no esporte, cujas consequências à saúde dos atletas, o fair play, a eliminação da fraude e o futuro do esporte são os objetivos fulcrais.”

        A rigor, o combate ao doping existe para proteger a saúde do atleta que se recusa a utilizar meios ilícitos, pois não há competição possível entre um atleta dopado e um não dopado: o dopado sempre vencerá.

        Os atos acontecidos na prática esportiva ou em decorrência dela podem ser julgados em diversas esferas: esportiva, criminal, administrativa etc. No aspecto meramente esportivo, o doping pode ser sancionado interna e externamente.

        Internamente, os casos de dopagem podem ser julgados pelos órgãos previstos na Lei 9.615/98 (Lei Pelé), com fundamento na própria Lei Geral sobre Desporte, no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBDJ), no regulamento da competição, nos estatutos da entidade de administração do desporto ao qual os envolvidos estão vinculados etc.

        Externamente, os casos de doping podem ser julgados, por exemplo, pela Corte Arbitral do Esporte e pelos órgãos da entidade internacional de administração do desporto.

        A responsabilização pelo uso de métodos ou substâncias proibidas, todavia, não se cinge ao aspecto estritamente esportivo. É possível apenar os culpados nos âmbitos criminal e administrativo, entre outros.

        A idéia de enquadras o doping nas fronteiras do Código Penal foi inicialmente apresentada em meados do Século XX, pelos eméritos professores Nélson Hungria e Aníbal Bruno, com espeque nas lições dos doutos Vicenzo Manzini e Magalhães Noronha, para quem o doping deveria ser interpretado como uma espécie de estelionato.

        Na visão dos ilustres mestres, ao utilizar substâncias ou métodos proibidos o atleta estava a se comportar como o estelionatário: alguém que visa a obter uma vantagem ilícita. Esta visão vigorou durante décadas.

        Essa interpretação, contudo, possuía mais efeito teórico do que prático, pois raramente o atleta era submetido às instâncias judiciais estatais, às quais compete decidir se determinado comportamento pode ser interpretado como crime ou infração legal.

        “O que acontece no esporte é resolvido no esporte”, era o dito popular em que os atletas, treinadores  e dirigentes esportivos embasavam sua decisão de não aplicar as lições dos professores Nélson Hungria e Aníbal Bruno.

        O incremento do esporte desde as duas últimas décadas do século passado, especialmente, foi de tal sorte grandioso que ampliou os reflexos da atividade esportiva aos mais diversos campos da atuação humana: saúde, marketing, direito etc.

Mitos modernos

        Os cada vez maiores contratos de patrocínio, de licença de uso de imagem, de direito de arena, etc transformaram os atletas em verdadeiros mitos modernos. As competições ganharam enorme importância. As somas movimentadas pelo esporte, incluindo as decorrentes de bolsas de apostas legais ou ilegais  são cada vez mais robustas. O dinheiro é chamariz da ilegalidade, e as crescentes quantias financeiras movimentadas pelo esporte atraíram oportunistas e fraudadores das mais diversas espécies.

        A crescente complexidade da organização esportiva acrescentou personagens à ribalta do desporto, especialmente o de rendimento. É inconcebível imaginar, nos tempos atuais, um atleta de destaque sem o apoio de uma equipe multidisciplinar: médicos, treinadores, preparadores físicos, fisiologistas, psicólogos, nutricionistas e advogados.

        Em razão disso, a interpretação segundo a qual o doping era praticado apenas pelo atleta, o qual, por isso, deveria ser o único punido, foi paulatinamente modificada. Estes novos atores também podem e devem ser responsabilizados por seus atos, em todas as instâncias.

        O médico que ministra substâncias dopantes a um atleta é passível de ser sancionado pela Justiça Desportiva, por sua entidade de classe (Conselho Federal e Regional de Medicina) e, especialmente, pelo Poder Judiciário.

        As esferas de responsabilidade são independentes, motivo pelo qual a punição (ou absolvição) em uma instância não exime (nem obriga) condenação nem absolvição em outra.

        Diversos são os casos nos quais restou comprovada a responsabilidade da equipe de apoio ao atleta e a forte ligação entre o doping e o perigosíssimo mundo do crime comum.

Continua...

Por José da Cruz às 14h23

Doping: que cada um responda por seus atos - final

Por Luiz César Cunha Lima – Advogado  

O caso Balco

         O mais emblemático exemplo disso foi o célebre “Caso Balco”, que envolveu o laboratório de exame sangüíneo californiano Bay Área Lab Co-Operative (“Balco”), a companhia de suplemento nutricional Snac System Incorporated, dirigida por Victor Conte Jr., James Valente, vice-presidente da Balco, Greg Anderson, personnal trainer na Califórnia iferson (“Valente”) " um grnade esquema de distribuç traficantes.que buscava drogas dopantes na Balco e as distribuía a atletas profissionais, e Remi Korchemny, treinador em São Francisco.

        Em setembro de 2003, agentes do FBI descobriram que a Balco estava distribuindo substâncias dopantes a atletas e treinadores. As substâncias eram indetectáveis ou muito difíceis de serem detectadas em testes antidoping de rotina. Os envolvidos foram julgados e condenados em 2005, inclusive por lavagem de dinheiro.

        A utilização “individual” de substâncias dopantes jamais teria sido motivo forte o suficiente para despertar o interesse do FBI, órgão destinado a apurar assuntos de grande relevância.

        O Caso Balco, portanto, evidenciou uma maior complexidade no esquema de distribuição de substâncias dopantes. O doping estava se aproximando cada vez mais da estrutura organizacional das redes transnacionais de distribuição de narcóticos.

        A burla por meio da dopagem é um estratagema destinado, frequentemente, a angariar, de modo ilícito, quantias gigantescas em bolsas de apostas e no desenvolvimento, ainda que inadequado e nocivo à saúde, de produtos da indústria farmacêutica.

        A época da inocência está sepultada. O esporte contemporâneo não comporta mais uma visão pudica da chaga denominada doping. Problemas novos exigem novos modelos de análise e de combate. Não se pode comparar o doping genético, por exemplo, com a antiga prática de ingerir raízes e ervas.

        Os outrora quase ingênuos e, em muitos casos, pouco eficazes meios de burlar a vitória por mérito na prática esportiva foram gradualmente substituídos por uma vasta e complexa rede destinada a fabricar campeões artificialmente.

        Defender a responsabilização criminal em casos de doping não significa, todavia, crucificar o atleta, último elo de uma longa cadeia que engloba diversos profissionais das mais distintas áreas do conhecimento.

        Não seria justo, portanto, sancionar apenas a ponta dessa cadeia. Todos os envolvidos devem, sim, ser responsabilizados; inclusive, e principalmente, os que comandam as redes de distribuição de substâncias dopantes e aqueles que manipulam terceiros com fins exclusivamente financeiros, entre os quais apostadores, dirigentes esportivos e toda a malta que intenciona enriquecer por meio de fraude no esporte.

        A indústria farmacêutica também possui sua dose de responsabilidade, pois amiúde as substâncias dopantes são distribuídas com sua conivência e por seu interesse. Por vezes, o atleta nada mais é do que uma cobaia humana na qual os líderes da megamultibilionária indústria farmacêutica testa (ou aplica de maneira inadequada) substâncias ainda não aprovadas pelos órgãos competentes.

        A questão da responsabilização deve englobar, também, a diferenciação entre as chamadas “drogas sociais” e as substâncias dopantes em sentido estrito. Um atleta dependente de uma droga “recreativa” deve, sim, ser responsabilizado, pois escolheu experimentar a substância proibida e deve arcar com as conseqüências de seus atos.

        Se o esporte é saúde, e o atleta é o mais importante personagem do esporte, a saúde do atleta deve ser a principal questão de todos os que militam no esporte.

        Sancionar apenas o atleta, contudo, é flertar com a conivência de uma vasta gama de profissionais (médicos, fisioterapeutas, treinadores, psicólogos, profissionais de educação física, advogados, etc.) e de pessoas (dirigentes esportivos, representantes da indústria farmacêutica, apostadores, etc.) sem os quais o atleta dificilmente conseguiria acesso a substâncias e a métodos proibidos.

        Longe de ser uma vítima, pois fez uma escolha consciente e deve sofrer suas conseqüências, o atleta é apenas, na grande maioria dos casos, mais um entre diversos atores passíveis de responsabilização em casos de doping.

        Um tratador de cavalo de corrida que ministra uma substância dopante no animal deve ser responsabilizado nas esferas desportiva e criminal.

        Um treinador que fornece hormônios de eqüinos a um adolescente deve ser responsabilizado nas esferas desportiva e criminal, com todos os agravantes de um crime praticado contra uma criança ou adolescente.

        Um fisiologista que indica substâncias dopantes a um atleta com a finalidade de ganhar ilegalmente dinheiro em um site de apostas deve, sim, ser responsabilizado nas esferas desportiva e criminal.

        Uma sociedade madura é aquela em que o cidadão responde por seus atos. Tentar limitar as deletérias conseqüências do doping aos aspectos estritamente esportivos significa ignorar o amplo leque de áreas englobadas pelo desporto moderno. Que cada um responda por seus atos.

Palestra apresentada no Seminário de Legislação Desportiva e Doping no Esporte, em 28 de setembro, na Comissão de Turismo e Desporto da Cãmara dos Deputados

Por José da Cruz às 13h45

28/09/2011

Doping: atrasado, o governo patina na legislação

       Foi um dos mais ricos seminários que participei este ano, pelo nível dos debatedores e qualidade de informações sobre o tema “Legislação Desportiva e o Doping  -- das Escolas ao Alto Rendimento”.  No plenário, a maioria era de alunos e professores de Educação Física e advogados.

        O evento, promovido pela Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, com o apoio do Conselho Federal de Educação Física (Confef), demonstrou a gravidade do problema –  “doping”  - e o distanciamento do governo, omisso na questão e ausente dos debates.

        No site do Ministério do Esporte, na internet, não há informações sobre o assunto. Já a participação do órgão no seminário limitou-se a uma declaração do secretário de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, que foi embora em seguida.

        Leyser repetiu bobagens que Orlando diz desde 2007, mas sem qualquer evolução. Algo como “Estamos atentos a este assunto”...  E, “mandaremos ao Congresso Nacional um projeto de lei para criar a Autoridade Brasileira de Controle de Depagem (ABCD)”  – como se isso fosse tudo e o assunto não estivesse ligado, também, à área educacional. 

        A ABCD é um compromisso do governo, desde quando o Rio de Janeiro se candidatou à sede olímpica, em 2008. Até hoje as excelências do Ministério do Esporte não concluiram o projeto,  que será votado na Câmara e no Senado Federal. Ainda discutem se a Agência será uma autarquia ou um órgão vinculado ao próprio Ministério do Esporte.

        O deputado André Figueiredo, que propôs o seminário, reconheceu que a legislação brasileira é “tímida e voltada para o esporte de rendimento”, ou seja, sem abranger as academias, fonte de venda de drogas proibidas, como anabolizantes, e sem ter controle dos atletas das categorias de base, onde é comum a prática de doping.

        Continuarei neste assunto, pois há informações importantes para divulgar.

 

Por José da Cruz às 21h30

Copa 2014 e Doping, os debates de hoje no Congresso Nacional

        Dia de bons debates no Congresso Nacional, nesta quarta-feira:

        Na Comissão de Turismo e Esporte, seminário sobre “Legislação Desportiva e Doping Desportivo – da Escola ao alto rendimento”.

        Programação e inscrições, aqui

        A promoção é da própria Comissão de Esporte, da Frente Parlamentar da Educação Física pelo Desenvolvimento Humano e apoio do Conselho Federal de Educação Física e Ordem dos Advogados do Brasil.

Copa 2014 - Avaliação

        Já no Senado Federal, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte promoverá a “1ª Avaliação Parlamentar da Copa 2014, hoje e amanhã.

        A partir das 9h, abrindo com os seguintes palestrantes:

        Lamartine Pereira da Costa Diretor do Grupo de Pesquisas em Estudos Olímpicos da Universidade Gama Filho – RJ (UGF) e organizador e autor do livro Legados de Megaeventos Esportivos

           Holger Preuss – Professor Doutor de Economia do Esporte e Sociologia do Esporte da Universidade Johannes Gutenberg em Mainz – Alemanha e Especialista Internacional em mega-eventos esportivos – impacto econômico

Confira a programação geral

Por José da Cruz às 00h11

27/09/2011

Afinal, para que servem as Conferências Nacionais do Esporte?

         Nos últimos oito anos foram realizadas três Conferências Nacionais do Esporte. A última, em 2010, quando se encerrou o mandato de Lula da Silva, o ex-presidente que criou estas reuniões, justamente para orientá-lo sobre as políticas de esporte de seu governo.

        Mas, enfim, qual a importância dessas conferências na formulação de políticas públicas de esporte, se o Ministério do Esporte não segue as orientações das plenárias?

        É sobre estas questões que a pesquisadora Lia Polegato Castelan defendeu dissertação de mestrado em Educação Física, na Unicamp: “O papel das Conferências Nacionais do Esporte na configuração da política esportiva e de lazer no governo Lula”.

        Lia, que foi orientada pelo professor Lino Castellani Filho, leu os documentos e decisões que saíram dessas reuniões nacionais e traçou paralelo com a norma aprovada e a ação de governo. E não encontrou, por exemplo, qualquer orientação para o Brasil receber uma Copa do Mundo ou Olimpíada. Logo, as decisões foram de governo, bem longe das “consultas às bases”.

        As decisões dos congressistas nas três conferências sempre foram no sentido de orientar o governo para aumentar as ações do Estado nas manifestações esportiva,  educacional e de participação. Os conferencistas aprovaram medidas para inverter a lógica histórica de investimentos massivos nas atividades de rendimento, como se observa desde 2001, ainda no governo FHC.

        Lia lembra que as deliberações das Conferências Nacionais do Esporte foram no sentido de contenção dos investimentos estatais nas confederações, federações e clubes, “que não exerçam democracia interna nem ofereçam transparência no uso dos recursos públicos”.

        A notícia completa sobre este trabalho de Lia está aqui.

Por José da Cruz às 20h53

O Estádio Mané Garrincha e a prepotência do governador

          O jornalista Walberto Maciel, que durante muitos anos cobriu futebol,  é o mais recente brasiliense a se indignar com a ousadia do governador Agnelo Queiroz, que tenta driblar a memória da população do Distrito Federal.

         Pior, ao trocar o nome de “Estádio Mané Garrincha” para “Estádio Nacional de Brasília” -- como divulga na propaganda oficial --, Agnelo atropela a homenagem a um dos maiores ídolos da história do futebol.

         Agnelo age como seu antecessor, o ex-governador José Roberto Arruda, que responde a dezenas de processos por corrupção. Foi de Arruda esta idéia maluca de “Estádio Nacional”.

         Agora, Agnelo governa como se fosse o dono do patrimônio da cidade, da história da cidade, o que tudo pode.

         Insiste na estúpida mudança de nome do estádio, como se a população, os torcedores, os admiradores de Mané fossem calar diante da inoportuna e grosseira agressão.

         Como não tem memória – até esqueceu suas propostas de campanha –, Agnelo não sabe muito bem quem foi Mané Garrincha. Nem que ele fez o jogo de despedida aqui em Brasília,  num domingo triste para todos nós.  

         É grande o carinho dos brasilienses por esse craque, ídolo em campo e de inesquecíveis lições de humildade, mas que, agora, corre o risco de ter seu nome apagado da homenagem que recebeu, diante da arrogância e prepotência de quem está no poder.

Por José da Cruz às 08h28

26/09/2011

Paraolímpicos: a campanha de João

         Em mais um artigo da série sobre atletas paraolímpicos, publico hoje o depoimento de um ciclista brasiliense, João Schwindt, que colecionou resultados internacionais importantes nos últimos meses.

         Porém, a exemplo de outros competidores, João enfrenta a falta de dinheiro para ter equipamento adequado ao seu nível técnico, o que demonstra como nossa estrutura ainda está distante da ideal. Leia o depoimento do já vitorioso ciclista (uniforme verde,na foto). 

              

Ciclista de competição

Meu nome é João Schwindt. Aos 14 anos de idade sofri um atropelamento, quando andava de bicicleta, em Brasília, que resultou no comprometimento de grande parte dos movimentos do meu braço direito.

Passou o tempo e, mesmo com limitações física,  me tornei ciclista de competição. Hoje, aos 34 anos, participo de provas tanto na categoria convencional quanto no paraciclismo, pois a lesão me classifica na categoria C5, o que me permite ser um atleta paraolímpico. No paraolimpismo, os atletas disputam em classes, conforme o grau de seu comprometimento físico.

Dentre grandes resultados que obtive, destaco o primeiro lugar na Copa do Mundo de ParaCiclismo, no Canadá, em Junho de 2011, o terceiro lugar no Mundial de ParaCiclismo, em agosto de 2010, também no Canadá.

Já no Campeonato Mundial de Paraciclismo em Estrada, em Roskilde, na Dinamarca, ganhei a medalha de bronze na prova contra-relógio da clase C5, com o tempo de 41min41s. Nesta prova, o campeão foi o italiano Andre Tarlao, que completou o percurso em 41min13s e garantiu o bicampeonato mundial. Michael Gallagher, da Austrália, ficou em segundo lugar.

Em nível nacional, sagrei-me campeão Brasileiro de ParaCiclismo, em julho deste ano, repetindo o título de 2009. Com estes resultados e a orientação do técnico Romolo Lazzaretti, acabei sendo convocado para os Jogos Paraolímpicos de Guadalajara, no México.

No dia 13 de novembro disputarei a prova contra-relógio. Nesta competição, cada ciclista larga individualmente, com diferença de um minuto. Vence quem cumprir o percurso no menor tempo.

Já nos dias 15 e 16 vou para as provas de pista – de 1km e 4km, perseguição –, realizadas num velódromo. Finalmente, dia 19 a prova de estrada.

Metas

Diante desses desafios, o que busco?

Inicialmente, busco suporte financeiro que possa me auxiliar na compra de uma bicicleta de competição para as provas de contra-relógio de competição.

Atualmente só possuo bicicleta para a prova de estrada, e dependo de bicicleta emprestada para correr as provas de contra-relógio. Foi o que aconteceu no Mundial da Dinamarca. Foi o apoio de um amigo que me permitiu disputar a prova e ganhar o bronze. Quem sabe, se eu tivesse o meu próprio equipamento eu não tivesse um resultado melhor?

Por José da Cruz às 21h43

Copa 2014: o legado real

Por Walter Guimarães 

        Estive em Cuiabá na última sexta-feira para conhecer o programa Ação Integrada pela Qualificação e Inserção Social dos Egressos de Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho, realizado com o Consórcio Santa Bárbara/Mendes Junior, responsável pela obra da Arena Pantanal.

        Sem dúvida, conheci algo que posso chamar de legado.

        Pude ouvir a história de dois ex-trabalhadores escravos, resgatados de fazendas da região, e que agora ajudam na construção do estádio e receberem qualificação profissional, além de poderem se alfabetizar. No final do dia fui me encontrar com os outros alunos, antes deles entrarem na aula do dia: Como administrar melhor o seu dinheiro.

        Mas é uma pena saber que o legado social destes trabalhadores não deveria ser necessário existir.

        Pensar em trabalho escravo nos dias de hoje, assusta. Pensar que é preciso de uma obra atípica para que estas pessoas possam se alfabetizar, também assusta.

        Descer do avião e esperar a mala chegar em uma sala minúscula, com apenas duas diminutas esteiras de bagagem, assusta.

        Perceber que o “conjugadinho” do aeroporto Marechal Rondon não será provisório, mas sim “ad eternum”, também assusta.

        Se um evento como a Copa do Mundo não é capaz de reestruturar o aeroporto da capital matogrossense, o que será preciso para ser feita uma reforma definitiva?? Fica difícil achar uma resposta.

        Andar pelas ruas, ser abordado por uma senhora na esquina do Hospital Municipal que implorava para tentarmos fazer com que o marido fosse atendido, assusta.

        Conversar com comerciantes informais que se sentem ameaçados de serem deixados de lado, também assusta.

        Pena que para nossos políticos que se vestem de organizadores da Copa, os legados se remetem àS ruas, avenidas, estações de trem ou de metrô, além das já familiarizadas letrinhas VLT ou BRT.

        Mas, mesmo com tantos problemas que ainda estão por vir, não posso deixar de mandar um abraço fraterno para o Seu Divino e para o Seu Manoel, dois vencedores, dois bravos brasileiros que finalmente podem dormir numa cama, podem fazer refeições como seres humanos e podem, finalmente, assinar seus nomes e quem sabe, em pouco tempo, serem retirados das estatísticas do IBGE no que tange a taxa de analfabetismo.

        Isso é legado, meu amigo Cruz.

          

           Obras do Estádio de Cuiabá: R$ 596,7 milhões, sendo R$ 392 milhões financiados pelo BNDES

Por José da Cruz às 07h07

25/09/2011

Doping e Copa do Mundo, temas em debate na Câmara e Senado

        Confirmado para quarta-feira, 28 de setembro, o seminário “Legislação Desportiva e Doping Desportivo – da Escola ao alto rendimento”,  na Câmara dos Deputados.

       Programação e inscrições estão aqui

       A promoção é da Frente Parlamentar da Educação Física pelo Desenvolvimento Humano, com apoio do Conselho Federal de Educação Física e Ordem dos Advogados do Brasil.

Copa 2014 - Avaliação

       Já no Senado Federal, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte promoverá a “1ª Avaliação Parlamentar da Copa 2014, quarta e quinta-feira próximas.

       Confira a programação

Por José da Cruz às 19h35

Atrasos e falta de controle ameaçam legado da Copa

Na Folha de S.Paulo, hoje

Governo não consegue acompanhar andamento de obras associadas a evento

Cidades-sede admitem organizar jogos com a infraestrutura atual e recorrer a feriados para minimizar problemas

MARIANA BARBOSA e RODRIGO MATTOS

DE SÃO PAULO

          Quase quatro anos após o Brasil ser escolhido como sede da Copa de 2014, o governo perdeu o controle do andamento das obras ligadas ao evento e pôs em risco o legado de infraestrutura que ele poderia deixar para o país.
Divulgado há 11 dias, o balanço mais recente do governo sobre os projetos da Copa já está desatualizado. Prazos indicados no documento não batem com informações das cidades-sede, e outros soam irreais diante dos problemas que as obras têm enfrentado.
Autoridades que acompanham os preparativos para a Copa já falam em organizar os dias de jogos com a estrutura hoje disponível, sem contar com as novas obras.
          A promessa do governo de entregar nove estádios no final de 2012 também já caiu por terra, com novos atrasos.
No capítulo transportes, há problemas como o do monotrilho do eixo norte/leste de Manaus. Além de sofrer questionamentos da CGU (Controladoria-Geral da União), a obra pode estourar o prazo.
          A previsão do governo do Amazonas é de início das obras em novembro de 2011 e conclusão em maio de 2014, dois meses antes da Copa. O governo reconheceu que pode não concluí-la a tempo.
"Obras grandes como essa sempre podem estourar o prazo. Mas [se o prazo for estourado] será concluído mesmo depois", afirmou o coordenador para Copa 2014 de Manaus, Miguel Capobiango.
          Em Recife, o secretário estadual da Copa, Ricardo Leitão, prevê o começo da execução de quatro projetos para o início de 2012. O governo federal, para novembro.
          O discurso das cidades-sede é o de que a maioria das obras não são imprescindíveis para a realização dos jogos. "Se houver dificuldade, focamos só na obra do acesso ao estádio", disse Leitão.
Representantes das seis cidades ouvidas pela Folha admitiram que podem trabalhar com feriados em dias de jogos para atenuar problemas.
"Podemos criar um ponto facultativo para os funcionários públicos que trabalham naquela região do Beira-Rio", contou o secretário de mobilidade urbana de Porto Alegre, Vanderlei Cappellari.
          São Paulo fala em feriado na abertura da Copa. E em reduzir o fluxo de pessoas em metrô e trem para não atrapalhar o público dos jogos.
Nos aeroportos, o Brasil já perdeu a chance de deixar um legado, de acordo com os especialistas. "Agora estamos correndo atrás da demanda", afirmou o professor Elton Fernandes, da Coppe/UFRJ.
          Dos 13 terminais da Copa, 7 devem ter a capacidade ampliada com instalações provisórias, os puxadinhos. "Eles têm um custo muito inferior e dão conta do recado", diz Jaime Parreira, diretor de engenharia da Infraero.
Não falta dinheiro federal. Até agora, são R$ 6,5 bilhões para aeroportos, R$ 8 bilhões para mobilidade urbana e R$ 400 milhões por estádio.
Ainda assim, das 49 obras de mobilidade urbana da Copa, só 9 começaram. Oito dos 13 aeroportos iniciaram reformas. E pelo menos cinco estádios vão estourar o prazo inicial fixado pela Fifa.
          A situação gera incômodo na entidade. "Estamos preocupados com qualquer atraso, por qualquer razão", afirmou o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, por meio de sua assessoria.
          Por contrato, a Fifa pode tirar a Copa do Brasil na ausência de melhorias no sistema de transporte. O histórico da entidade sugere que é improvável que isso ocorra, mas o discurso dos dirigentes da Fifa certamente mudou.
Em 2007, relatório da Fifa concluiu que a infraestrutura do país era adequada e só viu problemas em Cuiabá e Natal. Quatro anos depois, a infraestrutura disponível para os jogos na maioria das cidades-sede é a mesma.

Modificar obras é natural, afirma governo

União diz monitorar com atenção projetos da Copa, que balanço é retrato atual e espera mais impulso em obras

          "Obras de infraestrutura estão sujeitas a interferências externas de natureza diversa, de modo que é natural ocorrer alterações no decorrer do processo de implantação."
          Essa é a explicação do governo federal para mudanças em cronogramas de projetos de mobilidade urbana nas cidades-sede da Copa, assim como a defasagem de pontos do balanço do Mundial.
          A resposta foi dada pelos ministérios do Esporte, do Planejamento e das Cidades.
Os prazos das obras foram fornecidos pelos governos locais, estadual e municipal, disseram as pastas.
De acordo com o governo federal, o documento reflete "o avanço das obras até aquele momento de divulgação". E explicou que, além disso, existe um monitoramento constante.
          O governo reafirmou prazos para início e conclusão de obras nos projetos de mobilidade urbana de Recife e do monotrilho de Manaus.
Em relação ao VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Cuiabá, os ministérios afirmaram estar monitorando o cronograma proposto pelo governo de Mato Grosso.
          Sobre o projeto de mobilidade de Salvador, a informação é que "as três esferas de governo estão em fase final de entendimentos no âmbito do PAC de Mobilidade Grande Cidade e, em breve, será anunciada a solução a ser adotada para o município". O projeto foi alterado, com troca de ônibus por metrô.
          Em uma análise geral das obras de mobilidade urbana, o governo diz que "existem níveis diferenciados de andamento, dependendo da cidade e do tamanho do projeto". E avalia que "alguns temas dentro da mobilidade urbana exigem atenção".
Mas o governo disse que "existe um compromisso das cidades para dar mais impulso ao andamento das obras".
Em relação aos estádios, o governo só admite revisão do prazo de entrega do Maracanã, feito após a divulgação do balanço da Copa. Os outros dados são de responsabilidade de Estados e prefeituras.
          Mas os ministérios ressaltaram a parceria com eles "de modo a garantir a entrega das obras no prazo estipulado".
Não há previsão de exclusão de obra do programa do governo e o próximo balanço sairá em janeiro de 2012. (MARIANA BARBOSA E RODRIGO MATTOS)

Por José da Cruz às 17h21

Rugby paraolímpico: Brasil é bronze no Pan de Bogotá

         O rugby é a mais nova modalidade coletiva dos paraolímpicos a fazer história internacional.

        Depois de cinco jogos, a equipe brasileira de rugby em cadeira de rodas conquistou a medalha de bronze no Campeonato Panamericano da modalidade, encerrado ontem em Bogotá.

        Com vitória sobre o México (69 x 31), os brasileiros ficaram atrás dos Estados Unidos, campeão, e Canadá, vice. Na campanha, vitórias brasileiras sobre a Argentina e Colômbia.

Olímpicos

        Já entre os olímpicos, continua na Nova Zelândia a Copa do Mundo, acompanhado  pelo “Blog do Rugby.2016”.        

        Confira os destaques do noticiário também nos seguintes endereços, de brasileiros que estão naquele país:

http://www.youtube.com/watch?v=IHQL7cBrzNU

http://www.youtube.com/watch?v=SGIsa9LX2Tk&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=tW4WWXfsHPs&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=tZWGgPmUMXg&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=AZ-dyyceguA&feature=related

Por José da Cruz às 11h34

24/09/2011

Governo desafia as exigências da Fifa: quem vencerá?

         A “dureza” do Palácio do Planalto na redação do projeto da Lei Geral da Copa (Nº 2.330/2011) vai trazer dor de cabeça para o governo.

        Por isso – e até para evitar que a Fifa tire a Copa do Brasil –, o texto terá que ser mudado na Câmara ou no Senado, onde o projeto de lei aguarda análise e votação.

        O alerta sobre os desencontros entre Governo e Fifa, que coloca em risco a Copa no Brasil, é dos jornalistas Jorge Luiz Rodrigues e Maurício Fonseca em O Globo, hoje. 

        Em resumo:

        A cláusula 7.7 do contrato, assinado pelo governo brasileiro – à época do presidente Lula da Silva – estabelece que a Fifa poderá retirar a Copa do Brasil “caso as leis e regulamentos necessários para a organização do Mundial de 2014 não tenham sido aprovados, ou caso as autoridades competentes não estejam cumprindo as garantias governamentais exigidas.”

        Se os compromissos são exagerados é outra história. Deveriam ter sido questionados à época em que o Brasil se candidatou, quando sabia que deveria cumprir várias extravagâncias. Mesmo assim, ousou. Descumprir as regras, agora, é colocar o governo numa enrascada fenomenal e expor o país a vexame internacional.

Confiança

        Dizem os colunistas de O Globo que a Fifa também perdeu a confiança no comandante da Copa, o ministro do Esporte, Orlando Silva.

        Há duas semanas, o companheiro Roberto Pereira de Souza, do UOL Esporte, publicou reportagem mostrando irregularidades no contrato do Ministério do Esporte com o Consórcio Copa 2014, contratado para fazer o trabalho que é competência do próprio Ministério. Mas a  fragilidade da equipe de governo no comando das ações da Copa é evidente.

Espaço

        Paralelamente, Orlando Silva vem perdendo espaço na estrutura governamental.

        Recentemente, perdeu o comando da Autoridade Pública Olímpica, que foi para o Ministério do Planejamento. E a presidente Dilma mandou acabar com a Empresa Brasileira de Legado Esportivo, comandada por Orlando Silva, para absolutamente nada. Mesmo assim, tinha R$ 10 milhões à disposição...

Recomposição

        Portanto, o governo terá que se reorganizar se não quiser enfrentar o jogo duro da Senhora Fifa... Tira Orlando do comando, e coloca, quem sabe, Henrique Meirelles, do PMDB, e ex-presidente do Banco Central, que chegou a ser cogitado para o cargo.

        No Congresso, o PMDB disputa com o PT a relatoria do projeto da Lei Geral do Esporte – cargo importante para promover as emendas que atendam às exigências da Fifa.

        Se assim for, tudo ficará resolvido, política e futebolisticamente falando.

        Mais: Dilma Rousseff, que não queria Orlando Silva no Ministério do Esporte, o alijará mais do sistema, enquanto turbina o principal partido aliado, o PMDB.

        Será que a Fifa entende esta linguagem interna, muito própria do Brasil? Sei lá, mas a semana, fora das quatro linhas, promete.

Por José da Cruz às 13h26

23/09/2011

PAN 2007 - Procuradoria acusa fraude de R$ 11,3 milhões no Parque Maria Lenk

 Na Folha de S.Paulo - Esporte

        Cinco ex-dirigentes da Prefeitura do Rio e três empreiteiras são alvo de ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF).

        A Procuradoria aponta irregularidade de R$ 11,3 milhões na construção do Parque Aquático Maria Lenk.

        Para o procurador Alexandre Ribeiro Chaves, o valor refere-se a um aditivo ao contrato feito de forma ilegal.

        O consórcio Parque Aquático Pan 2007, formado pelas empresas Delta Construções, Sanerio Engenharia e Midas Engenharia, venceu a licitação para as obras de fundação, estrutura e acabamento por R$ 48,7 milhões.

        A notícia completa está aqui

Por José da Cruz às 18h57

22/09/2011

Copa 2014: Senado realizará seminário de avaliação

        Será nas próximas quarta e quinta-feiras – 28 e 29 de setembro – a 1ª Avaliação Parlamentar da Copa 2014, iniciativa da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal.

        Foram convidados 17 debatedores -- todos confirmados -- para os temas afins, divididos em quatro audiências públicas.

        Minha curiosidade, porém, é para a participação do ministro do Esporte, Orlando Silva, na quinta-feira. Ele falará sobre “Estratégia e Planejamento”.  É justamente isso que o Tribunal de Contas da União mais tem reclamado em seus relatórios: o improviso em várias frentes de trabalho devido à falta de planejamento.

        Na mesma mesa com Orlando Silva estará o representante da Federação Nacional de Economia Criativa, Edgar Andrade, e dirigentes dos governos do estado do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. O moderador deste seminário será o senador Paulo Bauer.

        A programação do seminário contempla as principais frentes de organização da Copa, como a Infraero, Anatel, Confederação Nacional do Comércio, Sindicato das Empresas de Arquitetura e Engenharia, etc.

        Porém, o melhor está reservado para a quarta e última audiência, dia 29 de setembro, a partir das 11h05, cujo tema é “Fiscalização”.

        Na mesa, o secretário executivo da Controladoria Geral da União, Luiz Augusto Fraga Navarro de Britto Filho, o secretário adjunto de Planejamento do TCU, Marcelo Luiz Souza da Eira, o coordenador do grupo de trabalho da Copa no Ministério Público Federal, Athayde Ribeiro Costa , José Antônio Moroni, do Instituto de Estudos Socieconômicos  (INESC), e o presidente do Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (CONFEA), Marcos Túlio de Melo. A moderadora deste tema será a senadora gaúcha Ana Amélia. 

       A programação completa está aqui.

Por José da Cruz às 22h47

Comando da Comissão da Lei Geral da Copa ficará com o PT e PMDB

        Está na mesa do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT/RS), o ato criando a Comissão Especial que analisará o Projeto de Lei nº 2.330/2011, conhecido como “Lei Geral da Copa”.

        O documento, elaborado pelo Governo Federal, foi encaminhado ao Legislativo na última segunda-feira, com o pedido de “prioridade” para ser votado na Câmara e Senado até o final do ano.

        O passo seguinte será a formação da Comissão, com 25 integrantes, indicados pelos líderes partidários.

        O PT e o PMDB indicarão quatro representantes cada, segundo a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados. O número de representantes é proporcional aos integrantes das bancada na Casa. Os dois partidos também dividirão os principais cargos da Comissão, a presidência e a relatoria.

        Pelo critério da proporcionalidade, o PSDB poderá indicar três deputados. Já o PP, DEM, PR e PSB participarão com dois parlamentares, cada. Finalmente, PDT, PTB, PSC, PRB, PCdoB  e o bloco minoritário PV/PPS, indicarão um representante, cada, para integrar a Comissão Especial.

        A Comissão Especial será criada porque, se seguisse a tramitação normal, o projeto de Lei da Copa passaria por sete comissões – Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; Relações Exteriores; Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; Defesa do Consumidor; Turismo e Desporto; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça – atrasando significativamente seu encaminhamento ao Senado.

        O projeto da Lei Geral da Copa estabelece os limites, poderes e responsabilidades dos entes envolvidos com a promoção e organização do Mundial de Futebol, em 2014, além de temas gerais como valores dos ingressos, venda de bebidas alcoólicas, direito de imagem, exclusividade de uso dos símbolos da Copa etc.

Por José da Cruz às 19h24

21/09/2011

Copa 2014: normas da Fifa garantem acessibilidade aos deficientes físicos

         As construções ou reformas de estádios, portos e aeroportos para a Copa 2014 seguem as normas para garantir tranqüilo acesso às pessoas deficientes?

        Afinal, em torno de 20% da população brasileira tem um tipo de deficiência – física, auditiva, visual ou mental. E as áreas para os grandes eventos esportivos estarão em condições de receber este público?

        Dois estudiosos mergulharam na legislação, nas determinações da Associação Brasileira de Normas Técnicas e, principalmente, nas exigências da Fifa, para escrever um artigo onde são analisadas as questões específicas de interesse dos deficientes.

 

        Os autores são Alexandre Guimarães, consultor do Senado Federal para as temas do esporte e turismo, e Pedro Vieira Carneiro, estudante de engenharia civil da Universidade Católica de Brasília.

        “As edificações, no que tange a acessibilidade, podem ser caracterizadas de três formas: adaptável, adaptada ou adequada, dizem os autores do trabalho. E explicam:

        “É adaptável, quando as características do espaço, edificação, mobiliário, equipamento urbano ou elemento podem ser alteradas para que se torne acessível;

        É adaptada, quando as características originais foram alteradas posteriormente para serem acessíveis;

        E é adequada, quando características foram originalmente planejadas para serem acessíveis.

        Essas definições são sobremodo relevantes quando se falar de obras para a Copa do Mundo: todas as reformas em estádios, aeroportos e portos devem se apresentar como adaptadas; já as novas construções devem ser adequadas.

        O texto completo está aqui.

Por José da Cruz às 18h53

O suspeito abandono do Governo aos programas de combate ao doping

        Há poucos dias escrevi sobre a longa falta de ações do Ministério do Esporteem programas de combate ao doping.Ontem, o repórter Ary Cunha, de O Globo, publicou reportagem sobre as dificuldades do mais importante laboratório do país, o Ladetec, no Rio de Janeiro, credenciado pela Agência Mundial Antidoping (WADA).       “Referência mundial no combate ao doping, o Ladetec convive com a falta de apoio oficial, além de críticas e indiferença. Estudo revela que laboratório carioca precisa de mais R$1,3 milhão só para analisar amostras”, diz a reportagem.

Mais

        “Desde 2008, o Brasil se comprometeu com a WADA a criar sua Agência de Controle Antidoping (ABCD), que ainda não saiu do papel.    “Até novembro de 2009, havia no Ministério do Esporte a tese de que o controle de doping não fazia parte da diretoria de alto rendimento. Houve investimento por conta do Pan, em cima da hora, mas o controle de doping estava sem pai nem mãe. De uns tempos para cá é que começamos a ser ouvidos - afirma o diretor do Ladetec, Francisco Radler.”

Suspeita

        Porém, uma declaração de Radler ao repórter Ary Cunha – “O COB nunca quis saber do laboratório” – surpreende, e deve ser analisada com outros fatos para melhor se entender a situação:

        - A falta de ações do Ministério do Esporte, que contribuem para desprestigiar o Ladetec, e;

        - A recente polêmica provocada pelo médico Eduardo de Rose, do COB, questionando o desempenho do laboratório carioca, constrangendo-o, internacionalmente, inclusive, ao duvidar da eficiência dos exames ali realizados, no episódio do jogador Pedro Solberg, do vôlei de praia.

        Diante disso, suspeito que o COB montará seu próprio laboratório, para os Jogos 2016. Já tem médico especialista para dirigir – De Rose - e não lhe faltarão recursos públicos para os equipamentos, diante da grandiosidade do evento e dos compromissos internacionais do Brasil com o setor. Caso contrário, o que justifica tanto bombardeio ao Ladetec, num evidente intuito de desprestigiá-lo?

        Porém, não podemos esquecer dos milhões de reais que o Ministério do Esporte investiu no Ladetec, para a compra de equipamentos, por ocasião do Pan 2007.

        Está aí mais um “legado do desperdício” praticado pelo Ministério do Esporte, especialista em gastar sem planejamento.

Por José da Cruz às 07h37

Força aos jovens talentos da natação

            Um dos principais centros públicos de esportes em Brasília é o Cief (Centro Interescolar de Educação Física), tradicional área central da Secretaria de Educação, com espaço para prática atletismo, natação, vôlei, basquete, judô, ginástica, etc.

            É no Cief que treina João Victor Caballero, de 9 anos, que no domingo conquistou a medalha de bronze nos 50m costas, categoria mirim (46s52), no Troféu Kurosa de Natação, disputado na cidade mineira de Ipatinga.

            Faço este registro por dois motivos: incentivo à nova geração, patrocinada por pais de jovens talentos, e destacar a importância das áreas públicas para a prática esportiva, como o Cief.

            Muito se discute sobre a importância das escolas na identificação de atletas. Porém, o que fazer quando se tem um garoto com potencial, considerando que para sua formação será preciso estrutura adequada? E quem financiará a carreira do jovem talento, se ao Estado compete tão somente a prática do esporte sob o enfoque educacional e pedagógico e, no máximo despertar no aluno o interesse pela competição?

            E se os pais do jovem não tiverem condições de financiar a carreira de atleta, quem responderá pelo desperdício de um talento e frustração de um jovem competidor?

            Além de João Victor, outros três alunos de Brasília participaram do evento mineiro: Ana Eliza Machado Martins Chaves (Mirim) Luiz Felipe Machado e Enzo Lucas Passos (Petiz), da escola de natação e Cultura Física, do professor Fábio Vieira.

            O Troféu Kurosa é uma homenagem ao professor de natação Toshiaki Kurosa, japonês que foi para Ipatinga a convite da parceria entre Usiminas e a Nippon Steel, e se tornou um dos precursores da natação no clube. Toshiaki Kurosa também dá nome ao parque aquático da Usipa, construído em 1974, onde foi realizada a competição em piscina olímpica.

Saiba mais sobre o Troféu: http://www.usipa.com.br/hotsites/kurosa/index.asp

Por José da Cruz às 23h25

20/09/2011

Copa 2014: gastos com obras cresceram 28,7%

        O custo geral dos gastos com obras para a Copa 2014 evoluiu 28,7%, entre janeiro e setembro deste ano. Em valores absolutos, passou de R$ 23,8 bilhões para R$ 30,6 bilhões. Mobilidade urbana, com aumento de R$ 4,4 bilhões, foi o setor que apresentou maior crescimento nos gastos (37,5%), no mesmo período. Segue-se o aumento de R$ 1,3 bilhão nos custos dos estádios, ou seja, 23,2 sobre a previsão de janeiro.

        O estudo da evolução dos gastos com a Copa é do jornalista Alexandre Sidnei Guimarães, consultor legislativo do Senado Federal para as áreas de Esporte e Turismo.

        O trabalho comparativo foi elaborado com base em dois documentos do Ministério do Esporte, produzidos nos últimos nove meses: “1º Balanço das Obras da Copa do Mundo FIFA 2014”, de janeiro deste ano, e “Situação dos Preparativos do País para a Copa do Mundo FIFA 2014”, apresentado à imprensa no último dia 14.

        “Em alguns casos especificados no texto, utiliza-se a comparação com dados do Portal da Transparência – Copa 2014, da Controladoria-Geral da União (CGU).

        Por fim, acrescentou-se o valor R$ 3,2 bilhões do PAC - Mobilidade Grandes Cidades, anunciado no dia 16 de setembro, para mais três obras em Belo Horizonte”, explicou Alexandre.

        “Sobre os estádios, especificamente, o custo das obras do Beira-Rio, em Porto Alegre, foi o que apresentou maior elevação nos custos, subindo de R$ 154 milhões para R$ 290 milhões (88,3%)”, disse o autor do trabalho.

        Outros grandes aumentos absolutos estão nas reformas da Fonte Nova (Salvador) e do Maracanã, R$ 192,2 milhões e R$ 103,9 milhões, respectivamente.

Aeroportos

        Já nas obras de aeroportos, a elevação dos custos foi de R$ 901,4 milhões (ou 16,2%) no período – janeiro a setembro. O Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, apresentou o maior crescimento de custos, R$ 233,2 milhões (67,4%) sobre o número revelado em janeiro.

        Os aeroportos de Fortaleza-CE (Pinto Martins), de Belo Horizonte-MG (Confins), de Manaus (Eduardo Gomes) e do Rio de Janeiro (Galeão) também tiveram elevação acima da média. Somente as obras em Recife tiveram variação negativa, de R$ 1,5 milhão (7,5%).

Portos

        Quanto às reformas de sete portos, previstos na Matriz de Responsabilidade, constatou-se uma elevação de R$ 158,2 milhões, isto é, 21,4%. Na realidade, a elevação ocorreu em apenas dois terminais marítimos: Santos (SP), com aumento de R$ 114,1 milhões (ou 96%), e Mucuripe (CE), R$ 44,1 milhões (ou 40,7%).

        “Espanta o aumento de 142,3% nos custos das obras de mobilidade urbana em Cuiabá, onde, com apenas duas frentes, tivemos R$ 695 milhões em valores absolutos”, analisou Alexandre.

        No Rio de Janeiro, com apenas uma obra, o salto foi de 17% (R$ 273,6 milhões); e, em Porto Alegre-RS, em 10 obras previstas, a elevação foi de 11,2% (R$ 53,8 milhões). Manaus, também com apenas duas obras, teve elevação de custo de R$ 148,3 milhões (ou 8,8% entre janeiro e setembro).

        Seis cidades (Belo Horizonte, Brasília, Natal, Recife, Salvador e São Paulo) não apresentaram variações nos custos de obras de mobilidade urbana no período em análise.

Erro

        “O total apresentado como investimentos em mobilidade urbana, à página 4 do documento publicado pelo Ministério do Esporte no último dia 14 de setembro, é de R$ 12.112,8 bilhões, mas com um erro de soma nos valores apresentados. O total correto dos é consideravelmente superior, cerca de R$ 1 bilhão a mais, R$ 13.112,7 bilhões”, explicou Alexandre.

        “O objetivo desta análise é produzir um comparativo dos custos e ressaltar que há um aumento nos valores, mas sem críticas aos responsáveis. É apenas uma análise numérica dos dados oficiais passados pelo Ministério do Esporte, complementados pelos dados do Portal da Transparência”, disse o autor.

Por José da Cruz às 13h32

Planalto acaba com maracutaia olímpica

 Governo extingue Empresa de Legado Esportivo, que renderia bons salários aos ministros do Esporte e do Planejamento

 O Globo, hoje

        Criada em agosto do ano passado para tocar projetos para as Olimpíadas do Rio, a Empresa Brasileira de Legado Esportivo Brasil 2016 será extinta antes mesmo de começar a funcionar.

        A informação foi confirmada pelo Ministério do Esporte, na noite desta segunda-feira, depois que O GLOBO questionou a pasta sobre pagamentos que seriam feitos a integrantes do conselho administrativo sem que a estatal estivesse em funcionamento.

        O resultado das atividades até agora é um prejuízo de R$ 109.019,36, computado no relatório de administração 2010, a ser pago aos ministros Miriam Belchior (Planejamento) e Orlando Silva (Esporte), fora mais seis funcionários graduados do governo federal.

Valores seriam creditados

        Os valores, referentes a cinco meses de 2010, ainda não saíram do cofre, mas seriam destinados a pagamento, conforme explicação do ministério na última sexta-feira.

        Miriam, Orlando e os demais integrantes teriam direito a R$ 2.975 mensais, a título de participar de reuniões para definir os rumos da instituição. Com base nas regras, cada um já poderia receber R$ 26,7 mil referentes a este ano. No total, seriam R$ 214,2 mil em honorários acumulados de janeiro a setembro.

        Questionado desde sexta-feira pelo GLOBO, o Ministério do Esporte relatou que, embora não pagos, os valores seriam creditados nas contas dos conselheiros tão logo a empresa entrasse em funcionamento porque eles tinham participado de reuniões no final do ano passado para tratar da criação da empresa.

        Apenas que em 2010 teriam sido quatro reuniões do Conselho de Administração. A assessoria de imprensa do ministério do Esporte informou que a empresa será extinta, porque o governo federal concluiu que já existe uma estrutura suficiente para cuidar das Olimpíadas do Rio fora da Pasta.

        Além de Miriam e Orlando, integram o Conselho de Administração o secretário executivo do Ministério do Esporte, Waldemar de Souza, espécie de vice do ministro; Aline Dieguez Barreiro de Meneses Silva e Miguel Ragone de Mattos, ambos servidores federais. Do Conselho Fiscal, fazem parte Jefferson Luis Bittencourt (Tesouro Nacional), José Weber Holanda (Advocacia Geral da União) e Wladimyr Vinycius de Moraes Camargos (consultor Jurídico do Ministério do Esporte).

        Recém-publicado, o balanço 2010 da Empresa Brasileira de Legado Esportivo Brasil 2016 registra que, apesar da criação, "não há o que relatar-se no que concerne ao desempenho operacional da empresa, uma vez que não foram realizadas atividades previstas em seu estatuto".

        Nas demonstrações de resultado, aparecem como únicas despesas a remuneração dos conselheiros, que foram debitadas do patrimônio líquido. A empresa foi criada para elaborar e revisar estudos e projetos para o governo federal, estados e municípios, além da Autoridade Pública Olímpica (APO). Ela também tinha missão de tocar obras. 

Por José da Cruz às 12h10

Governador Agnelo: a ousadia do equilíbrio

        No dia 16 de agosto, o governador Agnelo Queiroz distribui 300 bicicletas para alunos do Recanto das Emas, cidade próxima ao Distrito Federal.

        Era a primeira entrega do programa “Caminho da Escola”. Objetivo: facilitar o percurso dos alunos que moram em áreas sem transporte coletivo.

        Mas era tudo de brincadeira.

        

        Agnelo até andou de bicicleta, simulando seriedade ao projeto...

        O jornal local da TV Globo descobriu que, encerrada a cerimônia para as fotos e discursos, os alunos devolveram as bicicletas, que estão guardadas num galpão.

        O repórter ouviu alguns alunos. A tristeza da garotada era evidente. Como o governador não explicou os motivos dessa reviravolta, fica evidente que a solenidade não passou de uma encenação, de um ato enganador. Pior: enganando crianças, estudantes, levadas a acreditar que a presença do governador dava seriedade ao projeto.

        E essa brincadeira oficial é praticada na cidade que reconstroi o estádio Mané Garrincha, com capacidade para 75 mil lugares e custo superior a R$ 1 bilhão.

Enquanto isso...

        Cinco Vilas Olímpicas, idealizadas no governo passado, de José Roberto Arruda, estão concluídas para atender à população carente do Distrito Federal.

        São áreas para a prática de várias modalidades esportivas em regiões sem espaço para o lazer da comunidade.

        Porém, as Vilas estão fechadas, numa agressão à população que vê o espaço público sem utilidade alguma, apesar de ali terem sido investidos alguns milhões de reais.

        E é com gestão desse tipo que o governador Agnelo candidata Brasília à sede da Universíade, em 2017... sem ter noção do que significa o histórico evento. Agnelo é ousado ao brincar com a população, equilibrando o seu governo em projetos inexpressivos.

Por José da Cruz às 23h29

19/09/2011

União assume responsabilidade sobre danos que causar à Fifa

        O projeto de Lei Geral da Copa 2014, redigido pelo Governo Federal, via Ministério do Esporte, chega hoje ao Congresso Nacional, onde será apreciado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

        Tratam-se das garantias do governo  à Fifa, oferecidas inicialmente por ocasião da candidatura do Brasil à Copa do Mundo de Futebol .

        O texto completo está aqui

       Segundo o projeto de lei,  "a União responderá pelos danos que causar, por ação ou omissão, à FIFA, seus respectivos representantes legais, empregados ou consultores, na forma do artigo 37, parágrafo sexto da Constituição" 

        Mais:

        Confirma-se o que se publicou por ocasião da candidatura brasileira, ou seja, a União assumirá os efeitos da responsabilidade civil perante a FIFA, seus representantes legais, empregados ou consultores por todo e qualquer dano resultante ou que tenha surgido em função de qualquer incidente ou acidente de segurança relacionado aos Eventos, exceto se e na medida em que a FIFA ou a vítima houver concorrido para a ocorrência do dano.”

        Alguns compromissos estão na legislação brasileiro, mas há detalhes referentes à ordem tributária, por exemplo, específicas para o evento, que precisam ser adaptadas.

        Os temas tratados no projeto de lei são os seguintes:

        a) Procedimento especial no INPI para proteção às marcas e símbolos relacionados aos Eventos;

        b) Colaboração da União com Estados, DF e municípios para que haja exclusividade da FIFA em atividades comerciais e de promoção comercial nas áreas dos Eventos;

        c) Titularidade da FIFA sobre os direitos referentes à imagens, sons e radiodifusão relacionados aos Eventos;

        d) Criação de tipos penais para condutas referentes a práticas que atentem contra a proteção das marcas e símbolos relacionados aos Eventos, inclusive o marketing de emboscada;

        e) Estabelecimento de sanções civis para outras práticas atentatórias à proteção de marcas e símbolos relacionados aos Eventos;

        f) Procedimento simplificado para concessão de vistos de entrada para estrangeiros que trabalharão ou assistirão aos Eventos;

        g) Procedimento simplificado para concessão de permissões de trabalho para estrangeiros que trabalharão nos Eventos;

h) Estabelecimento de regras para a responsabilidade civil da União para atos referentes aos Eventos;

        i) Possibilidade de contratação de apólice de seguros para cobertura referente à responsabilidade civil da União ou da assunção de efeitos da responsabilidade civil;

        j) Definição referente à exclusividade da FIFA para a disposição do preço dos ingressos dos Eventos, bem como de critérios para cancelamento, devolução e reembolso de entradas;

        k) Regulação da forma como a AGU poderá atuar nos processos em que a FIFA for parte;

        l) Isenções em custas judiciais nos órgãos da Justiça mantidos pela União;

        m) Reafirmação do papel daUnião relativo aos serviços de segurança, saúde, vigilância sanitária, alfândega e imigração;

        n )Disposições acerca da aplicação da Lei Pelé e do Estatuto do Torcedor durante os Eventos.

       Para saber mais, consulte o Portal da Copa, na página do Ministério do Esporte, de onde tirei as informações para esta mensagem.

Por José da Cruz às 12h21

18/09/2011

O tênis perde, e o esporte patina na desordem institucional

 

         Com a derrota para a equipe russa, na repescagem da Copa Davis, o tênis brasileiro continua no mesmo lugar.

        São oito anos longe da elite mundial, dois ciclos olímpicos, e uma miséria de talentos revelados. O exemplo de Guga ficou na história, lembranças ...

        Afinal, quais foram as iniciativas para massificar a prática do tênis nas últimas décadas? Assim como as demais modalidades, qual é o projeto para revelarmos atletas em quantidade para termos equipes altamente competitivas?

        Volto à questão elementar, para a qual faltam resposta:

        A quem compete massificar o esporte no Brasil? Às confederações? Federações? Ministério do Esporte? Comitê Olímpico? Clubes?

        É inacreditável como estamos atrasados e, por isso, perdidos, apesar de contarmos com um Ministério do Esporte, milhões de recursos financeiros, patrocínios, lei de incentivo... e milhões de jovens aptos à prática esportiva.

        Chegamos ao cúmulo de o Comitê Olímpico assumir atletas com potencial, a fim de prepará-los adequadamente aos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, como se essa fosse sua responsabilidade maior.

        E o que isso significa?

        Significa constatar que há uma desordem institucional, para a qual nossas autoridades fecham os olhos e silenciam, adiando o diálogo para dar rumo ao esporte de rendimento;

        Significa falta de confiança do COB nas confederações, que contam com recursos, mas sem estrutura e, por isso, sem resultados?

        Significa falta de técnicos? Falta de entrosamento com clubes para receberem e treinarem atletas, formando-os aos grandes eventos?

        Enfim, o Brasil olímpico é isso aí, orgulhoso de receber os Jogos de 2016, mas temeroso de um fiasco por falta de políticas sérias, bem definidas e de longo prazo. E, com tempo escasso, todos correm, desordenadamente, porque até agora não tivemos o elementar e indispensável planejamento. 

Por José da Cruz às 21h15

17/09/2011

O movimento paraolímpico, 10 anos depois

Por Antônio Tenório

          Para compararmos a evolução do movimento paraolímpico no Brasil devemos partir da criação do Comitê (CPB), com o então presidente, João Batista, ousado nas uas propostas para desenvolver o esporte. 

         Foi de João Batista a idéia de levar jornalistas brasileiros às Paraolímpiadas de Sydney, em 2000, que muito ajudaram a divulgar o resultado dos brasileiros. Naquela ocasião, o Banco do Brasil se aproximou do Comitê, dizendo que os nossos problemas estavam solucionados. Mas não foi bem isso que vimos. Porém, o movimento não ficou desamparado, pois a Caixa Econômica tornou-se parceira, até hoje.

         De 2000 até hoje, isto é, 11 anos de trabalho, a população em geral sabe que temos deficientes que praticam esporte e, principalmente, com resultados internacionais.

         Pelo voto, Vital Severino substituiu a João Batista na presidência do CPB. E em 2001 uma lei aprovada no Congresso Nacional reforçou nosso trabalho. Foi a Lei Agnelo Piva, destinando dois por cento das loterias federais aos movimentos olímpico e paraolímpico.

         Essa lei (nº 10.264/2001) fez a diferença. O Comitê comprou salas num prédio central de Brasília e ali instalou sua administração, próximo dos órgãos de decisão do Governo Federal.

         Já os atletas passaram a receber bolsas para treinar, contribuindo para que vários atletas se destacassem, entre eles Ádria Santos, no atletismo, e Clodoaldo, na natação.

         Mas, mesmo com esta evolução, o movimento continuava financiando viagem de jornalistas para cobrirem Jogos Paraolímpicos, ou seja, os feitos dos atletas ainda não despertavam nos órgãos de imprensa interesse por uma cobertura própria.

         Os resultados que os atletas conseguiram nos Jogos de 2004, em Atenas, nos aproximou mais da Caixa Econômica, que passou a investir anualmente.

         Naquele evento, no histórico país berço do esporte olímpico, já não eram apenas Ádria e Clodoaldo e eu a buscarem títulos, mas Daniel Dias e André Brasil na natação, principalmente, fizeram o Hino Nacional tocar várias vezes. E saímos do 20º lugar para o 14º no ranking paraolímpico mundial. Porém, continuávamos esbarrando no preconceito da imprensa de ir cobrir os Jogos Paraolímpicos, por iniciativa própria.

         O tempo passou, e os resultados estão aí demonstrando que para evoluir basta lutar juntos, direção do CPB, atletas e patrocinadores.

         E foi assim que um jovem, que era o secretário do Comitê Paraolímpico, Andrew Parsons, elegeu-se presidente, dando novo perfil à gestão e conquistando outros patrocinadores, como a Infraero e Uniodonto.

         Esperamos desse novo presidente que a evolução possa ser conjunta. Administrando seriamente os recursos financeiros dos parceiros, como vem fazendo, e criando novos projetos para evolução do movimento paraolímpico.

         Cito, por exemplo, o Projeto Ouro de onde já surgem novos talentos. E também do Circuito Loterias Caixa.

         Esperamos que no próximo ParaPanamericano, em Guadalajara, possamos terminar a campanha à frente de países como Estados Unidos e Canadá.

         Mas, esperamos, principalmente, que a imprensa brasileira, desta vez, possa ir com recursos próprios, para que tenhamos igualdade na divulgação dos movimentos olímpico e paraolímpico.

         Neste sentido, a evolução ainda é pequena, mas nós, atletas brasileiros ainda somos gigantes pela própria natureza.

Antônio Tenório é tetracampeão paraolímpico de judô para cegos. 

Por José da Cruz às 17h42

Rugby: o Brasil entra na jogada olímpica

        O noticiário sobre o rugby ainda não entrou na rotina da cobertura da imprensa, mas a modalidade tornou-se olímpica e vai estrear nos Jogos Rio 2016.

        Márcio Duailibi, apaixonado pelo esporte, me envia informações sempre atualizadas sobre a modalidade, que divulgo para contribuir com a popularização do rugby.

        Márcio é ex-atleta com passagem pela seleção juvenil do Brasil, depois jogando na Universidade de Southampton, na Inglaterra. Mais tarde, já no Brasil, ele atuou como técnico e incentivador da modalidade.

Jogos Pan-Americanos

        Rugby 15, isto é, com 15 jogadores, é a versão mais tradicional da modalidade. Mas o Rugby 7, que será disputado nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, na categoria masculina, cresce no Brasil.

        A Seleção Brasileira está no Grupo B do Pan-Americano e enfrentará a Argentina, o Canadá e o Chile.

        Segundo as normas do torneio, todas as equipes avançarão ‘as quartas-de-final, com o primeiro de cada grupo enfrentando o quarto, e o segundo pegando o terceiro. Com isso, a dificuldade maior do grupo do Brasil é atenuada.
        Os jogos serão disputados no pequeno estádio de Tlaquepaque, subúrbio de Guadalajara, nos dias 29 e 30 de outubro, os dois últimos dias de competições do Pan.
         Grupo A: México - Estados Unidos – Uruguai e Guiana
         Grupo B: Argentina – Canadá – Brasil e Chile
 

Mais informações:

http://pan.uol.com.br/ 

http://rugby.2016.zip.net 

www.cob.org.br/guadalajara2011/calendario/index.asp 

http://www.brasilrugby.com.br 

Entrevista com Márcio Duailibi 

         Como está nossa Seleção adulta?

        Márcio Nossa equipe adulta masculina vem fazendo jogos muito bons, mas ainda longe de ser uma equipe de nível Mundial, apesar de melhor preparada. Já temos uma geração boa e bem assistida.

         Qual a modalidade que vamos disputar em eventos oficiais?

        A modalidade que vai aos Pan de Guadalajara e aos Jogos Olímpicos Rio 2016 é a “seven”, isto é, de sete jogadores, e não a de 15, mais tradicional no mundo. Em fevereiro, nossa equipe masculina ganhou da Argentina pela primeira vez na história (7 x 0, pelo Sul-Americano, em Bento Gonçalves, RS).  No feminino, somos donos da categoria oito vezes campeã sul-americana.

         Temos um Campeonato Brasileiro?

        Campeonato da Primeira Divisão, chamado de Super 10, com participação do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, e Campeonato da Segunda Divisão (Copa do Brasil), além de campeonatos regionais.

         Há interesse de atletas pela modalidade?

        Aumenta consideravelmente o número de atletas em todos os estados, com ajuda das federações locais.  Com a Copa do Mundo na TV, mesmo sendo em canal fechado, e a exposição em outras mídias, as pessoas começaram a entender algo a mais no rugby e não do futebol americano.

        Como está o trabalho de  iniciação no esporte?

        Existem pólos de excelência, mas se destacam os trabalhos realizados em São Paulo, São José dos Campos, interior do Rio de Janeiro, Curitiba e Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. 

Por José da Cruz às 13h00

16/09/2011

Copa 2014: Agnelo se abraça ao amigo Ricardo Teixeira

        Enquanto as principais autoridades do país se escondem de Ricardo Teixeira, evitando aparecer com quem é suspeito de práticas corruptas, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, corre ao encontro do cartola para um lambe-botas vexatório e humilhante, como mostra a foto oficial, nos jornais de hoje.

   

        Já a presidente Dilma Rousseff foge de solenidades onde está Ricardo Teixeira. Não fica bem para a imagem dela se encontrar com um cartola que enfrenta campanha nacional pedindo o seu despejo do comando da CBF, a tradicional “Fora Ricardo Teixeira”.

        A propósito, com medo de que Agnelo convidasse Teixeira para a festa dos 1000, em Brasília, a presidente Dilma saiu da cidade, foi prestigiar a solenidade em Belo Horizonte, longe da dupla dinâmica...

        Mas Agnelo não se preocupa com a imagem de governador do Distrito Federal, e repete encontros de seus antecessores, José Roberto Arruda e Joaquim Roriz, ambos afastados da política e respondendo a dezenas de processos por corrupção.

Suspeitas

        São 3.000 operários tocando a obra de construção do Estádio Mané Garrincha. E mais 1.000 à noite.

        Já imaginaram esta força de trabalho concentrada na recuperação de hospitais e escolas, prioritariamente?

        Não é demais lembrar que três mil alunos estão com os estudos comprometidos por falta de instalações adequadas ou de professores.

        Agnelo diz que o dinheiro para a obra do Mané Garrincha (R$ 650 milhões, só a estrutura de concreto) sai da venda de terrenos do governo, no setor hoteleiro. No entanto, até agora, nenhum terreno foi vendido. Então, de onde vem a grana para tocar a obra que exige a força de quatro mil trabalhadores?

        Estranha esta operação, mas propícia para que o Tribunal de Contas do Distrito Federal ou o Ministério Público investiguem a mágica das contas públicas de Agnelo.

Por José da Cruz às 12h16

15/09/2011

As contribuições do deputado Popó ao desenvolvimento do esporte olímpico nacional

        O deputado Popó não ficou na audiência pública de ontem, na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, quando o alto comando do Comitê Olímpico Brasileiro apresentou o esquema de preparação da equipe para os Jogos de 2016, no Rio de Janeiro.

        Porém, Popó entregou ao companheiro, deputado Romário, as perguntas que gostaria de fazer ao presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.

        Romário encaminhou o assunto com um alerta:

        “São perguntas que o Popó deixou. Não são minhas, entendido?” Diante da concordância de todos lascou:     

        “Porque os atletas que perdem suas competições nas Olimpíadas retornam logo para casa? Eles não poderiam ficar com a delegação até o final dos Jogos?

        “Não seria possível premiar os atletas medalhistas nos Jogos Rio 2016 com um apartamento na Vila dos Atletas a ser construída? Pelo menos os medalhistas de ouro...”

        Com estas perguntas maravilhosas, diante da grandiosidade dos problemas que temos pela frente, observa-se que não fez qualquer diferença estar na audiência pública. O nível do “debate” foi por aí.

        Depois, o deputado Deley também se manifestou, mas foi puro elogios ao comando do COB e nada de perguntar, por exemplo, onde serão os jogos de golfe na Olimpíada 2016? Sabem que ainda temos o local e isso já preocupa os organismos internacionais da modalidade?

        E houve até uma deputada, cujo nome não lembro – nem fiz questão de guardar – que alertou: “A imprensa é treinada para criticar”.

        Sinceramente, deputada, diante dessa atuação parlamentar não precisa treino, não. É só ficar olhando a manifestação das excelências que o texto surge “livre, leve e solto...

Por José da Cruz às 18h09

Romário quer futevôlei na Olimpíada. Parlamentares não conseguem debater sobre Rio 2016

        Numa audiência pública para debater sobre a preparação do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos de 2016, com a equipe do comitê organizador, liderada por Carlos Arthur Nuzman, o deputado Romário ignorou a pauta coletiva da Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados e fez um apelo em causa própria: incluir o futevôlei, esporte que pratica com regularidade, depois que se afastou do futebol profissional.

        O deputado não gostou de saber que o pedido deve partir da CBF à Fifa, inicialmente, e pediu apoio ao presidente do COB, Carlos Nuzman, que aceitou e prometeu ajudar. 

        Na prática, beach soccer e futsal estão à frente das pretensões do futevôlei, e a possível inclusão de nova modalidade só para os Jogos de 2020, ou seja, quando Romário estará com 54 anos.

        O deputado havia preparado uma pauta interessante para tratar na audiência com o Comitê Organizador dos Jogos, mas a exemplo dos demais parlamentares transformou a audiência em perguntas e respostas, sem debates ou apresentação de argumentos consistentes. Ficou evidente o despreparo do Parlamento para enfrentar temas importantíssimos, como a Olimpíada e Paraolimpíada no Brasil.

        Sobre a exposição dos membros do Comitê Organizador dos Jogos, evidenciam-se os seguintes assuntos, que confirmam os debates que realizamos neste espaço:

        Não devemos esperar evolução da equipe brasileira nos Jogos de Londres-2012, em comparação com o desempenho na Olimpíada de Pequim (17º lugar, com 15 medalhas);

        A força de trabalho está concentrada na equipe para 2016, quando o COB projeta o Brasil entre os 10 primeiros no quadro de medalhas;

        A falta de centros de treinamentos dificulta o encaminhamento de jovens talentos, que encerram a carreira, prematuramente, pela omissão do governo federal na elaboração de uma política pública de esporte. A Alemanha tem 29 escolas de esporte; a Grã Bretanha dispõe de sete centros de alto rendimento; a China tem três mil escolas de esporte e 300 centros de elite.

        Ou seja, falta um projeto de formação de atletas. O que temos são iniciativas isoladas e pouquíssimos clubes com investimentos limitados.

        Ainda hoje, Século XXI, discutimos sobre a prática de educação física nas escolas; não sabemos sobre os limites de atuação de clubes, federações, confederações e Comitê Olímpico diante dos atletas.

        A quem compete formar atletas? E para onde encaminhá-los quando demonstram potencial na modalidade escolhida?

        A falta de centros de treinamentos é evidente, mas a questão nem sequer é discutida pelo governo ou Congresso Nacional.

        A cinco anos de receber os Jogos Olímpicos damos uma demonstração de amadorismo tão grande que expõe a irresponsabilidade governamental, via Ministério do Esporte, omisso totalmente nesta questão.

        O que temos hoje é um Ministério do Esporte prioritariamente político e profundamente envolvido com outro evento grandioso, a Copa do Mundo;

        Temos um governo preocupado com o “doar” recursos financeiros, mas sem um plano de atuação integrado entre todos os entes institucionais que atuam no esporte: clubes, federações, confederações e comitês.

        O atleta que consegue chegar à elite, ao topo do rendimento, terá cobertura financeira e atenção especial para estar competitivo em 2016, pois o Comitê Olímpico vai “cuidar” de sua carreira. O que é uma vergonha, pois trata-se de uma ação emergencial diante da fragilidade de nosso sistema como um todo.

        Mas as excelências estão mais preocupadas em incluir novas modalidades em olimpíadas. 

        Sinceramente, foi uma demonstração vergonhosa de omissão do Parlamento diante do gigantismo dos eventos que estão chegando, e para os quais há um despreparo governamental impressionante.

Por José da Cruz às 08h23

Educação Física em debate no Congreso do Colégio Brasileiro da Ciência do Esporte

        Realiza-se em Porto Alegre, até domingo, o XVII Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte (CONBRACE) E O IV Congresso Internacional de Ciências do Esporte (CONICE).

        Quem me informa é o professor Pedro Athayde, secretário distrital do Colégio Brasileiro de ciências do Esporte (CBCE/DF), entidade que promove os eventos, que estão entre os mais importantes congressos das sociedades científicas da área.

        Pedro está em Alegre, onde o tema central dos debates é em torno da “Ciência & Compromisso Social: implicações na/da Educação Física e Ciências do Esporte”. O assunto é oportuníssimo, principalmente para um país que receberá a Olimpíada e Paraolimpíada. Propício, principalmente, para incentivar autoridades do governo federal a tratarem do assunto com a seriedade que merece.

        O XVII CONBRACE e IV CONICE têm como objetivo debater os temas polêmicos da Educação Física e que perpassam o cotidiano dos professores/profissionais da Educação Física e Ciências do Esporte, dentre eles a promoção de Megaeventos Esportivos no país.

Por José da Cruz às 23h19

14/09/2011

Copa 2014: só falta Mano Menezes acertar a Seleção

        Afora a natural euforia, própria da grandiosidade do evento, há poucas novidades no balanço da Copa 2014, apresentado pelo governo federal, hoje, em Brasília.

        Porém, sob a visão oficial, tudo estará pronto a tempo, inclusive as ampliações e adaptações dos já caóticos terminais aeroportuários.     

        Com uma informação bombástica: “Teremos a melhor Copa do Mundo de todos os tempos", prevê a ministra Miriam Belchior, do Planejamento. A notícia completa da reunião, assinada pela repórter Camila Campanerut, está aqui.

        Enfim, depois de ler relatórios oficiais e ouvir manifestações alvissareiras de representantes federais, estaduais e municipais, a sensação é que a única coisa que não está bem para 2014 é a Seleção do técnico Mano Menezes.

        A reunião de hoje foi burocrática e cansativa. Cheia de números, valores e datas e explicações, apresentados às pressas, como se a constatação visual que se tem, Brasil afora, não revelassem o lado oposto da oficialidade.

        E para enfeitar a apresentação, o ministro Orlando Silva é um ótimo mestre de cerimônias. Especialista em frases de efeito, ele consegue suplantar todos os problemas com um jogo de palavras que, na euforia do discurso, pode até soar bem, mas é de um vazio sem igual.

        A prolongada greve de 16 dias dos operários que trabalham no estádio do Maracanã é ótima para Orlando Silva, pois “demonstra que a mobilização dos trabalhadores ocorre porque a economia está aquecida”.

        No mesmo tom de entusiasmo, o ministro afirmou que as dificuldades enfrentadas servem para testar a “vitalidade institucional”.

        Dito assim, como num palanque eleitoral, Orlando arrancou aplausos dos puxa-sacos, que o acompanham por onde discursa. Entre abraços e sorrisos, o ministro encerrou mais um ato de encenação da pré-Copa, da qual ele é o capitão, apesar das suspeitas de várias irregularidades da equipe que comanda, denunciadas pelo Tribunal de Contas da União.

Por José da Cruz às 22h05

13/09/2011

A farra secreta e pedagógica da Copa 2014

        As suspeitas de irregularidades em contratos para a Copa 2014 se processam com velocidade maior que a prevista. Sem exagero, é a continuidade da farra dos Jogos Pan-Americanos 2007, pois daquela confusão ainda não se tem o balanço oficial final. E, quem sabe, nem se terá...

Escândalo

        O escândalo mais recente é resultado de uma persistente investida do repórter Roberto Pereira, do UOL Esporte, que decidiu decifrar a parceria do Ministério do Esporte com o Consórcio Copa 2014, criado exclusivamente para prestar assessoria ao governo, já que a turma do ministro Orlando Silva não está capacitada para tanto.

        Há dois anos eu já havia suspeitado dessa parceria, que chamei de “nebulosa”.

        Em primeiro lugar, porque, dois anos depois de assinado o contrato, até hoje o tal Consórcio não disponibilizou página na internet, que continua “em construção”.  

        E, principalmente, porque, do contrato original de R$ 13 milhões, o Ministério do Esporte aumentou o valor em 80%, passando para R$ 24 milhões. Motivo: “Houve ampliação qualitativa de seu objeto”. Ou seja, o Consórcio assumiu novos compromissos, informou a assessoria do ministro Orlando Silva.

        E que compromissos são esses?

        Não se sabe, porque há um “contrato de confidencialidade”, como revela Roberto, com base nas entrevistas que realizou.

        Portanto, as informações prestadas pelo Ministério do Esporte sobre o assunto são burocráticas, vazias e que em nada contribuem para  esclarecer o gasto federal de R$ 24 milhões de forma sigilosa...

Irregularidades

        O TCU já identificou várias irregularidades. Os auditores, inclusive, propuseram multa a quatro funcionários do Ministério.

Mas...

        O ministro-relator do TCU, Valmir Campelo, não acatou a proposta legal, alegando que a função do TCU “é pedagógica” ... Ou seja, orientar o servidor faltoso para que da próxima vez cumpra a lei na condução do bem público. Como se essa não fosse a sua obrigação permanente.

        Esquece Valmir Campelo que é o mesmo Ministério, o mesmo ministro, Orlando Silva, do PCdoB, a mesma turma que fez a festa do Pan, há quatro anos, agindo de forma irresponsável, suspeita, inclusive, pois houve pagamentos por serviços não prestados, superfaturamentos! Uma farra tão grande que até hoje 10 processos aguardam julgamento do Tribunal.

        E, agora, “pedagogicamente” e em sigilo repete-se a festa. E ainda nem falamos em Olimpíada...

        Leia aqui a reportagem de Roberto Pereira, à qual dei pequena contribuição

Por José da Cruz às 11h39

Terceiro terminal do Aeroporto de Guarulhos deveria estar pronto em 1998

        A três anos da realização da Copa do Mundo confirma-se a previsão, amplamente debatida: o regime de urgência seria fartamente usado para evitar etapas importantes de obras com dinheiro público, como as licitações, o que se transforma na porta de entrada para o superfaturamento, a fraude.

        Ontem, um dia depois de a presidente Dilma Rousseff ter afirmado, em entrevista ao Fantástico, que não haverá caos nos aeroportos nacionais e que tudo está em dia até 2014, a 6ª Vara Federal determinou a paralisação da construção do terceiro terminal do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. O pedido foi encaminhado pelo Ministério Público.

        A obra começou em julho, sem licitação, sob o argumento de “urgência, devido à proximidade da Copa do Mundo 2013”.

        Resposta da juíza, que concedeu a liminar:

        “Está claro que a urgência alegada não é fato excepcional, e na se origina de caso fortuito, de uma situação de calamidade pública, nada disso. É uma necessidade pública já existente há anos, que só agora se visa atender com pressa, com urgência, alegando-se prejuízos à população, se não realizada a obra em  180 dias”. 

        Na verdade, o terceiro terminal deveria ter entrado em operação em 1998... há 13 anos, portanto.

        Mas problemas com a liberação da área atravessaram vários governos estaduais, com o PSDB desde 1995, até serem regularizados para, então, começarem as obras. Emergenciais...

Por José da Cruz às 08h14

12/09/2011

Recordista de medalhas critica omissão da iniciativa privada

         Sugiro a leitura da entrevista com Hugo Hoyama, representante do Brasil no tênis de mesa em cinco olimpíadas e recordista em Jogos Pan-Amnericanos, com de 14 medalhas, nove de ouro.

         Lá pelas tantas, diz o atleta:

        “Espero que, com 2016, cresça mais o apoio do governo e de empresas privadas para que os atletas tenham melhores condições. Sofri muito com isso.”

         A entrevista completa aos repórteres do Memória Olímpica está aqui

Por José da Cruz às 21h31

11/09/2011

Autoridade Pública Olímpica passa para o Ministério do Planejamento

        Despencou o prestígio do Ministério do Esporte diante do Palácio do Planalto. Na quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff determinou que todas as ações da Autoridade Pública Olímpica passam imediatamente à responsabilidade do Ministério do Planejamento.

        A decisão está no Decreto nº 7.560/2011, publicado no Diário Oficial de sexta-feira.

        A Autoridade Pública Olímpica, com autoridade administrativa e financeira, é um consórcio formado pela União e governos Estadual e Municipal do Rio de Janeiro, para gerenciaram as ações dos Jogos Olímpicos 2016.

        É a segunda decisão da presidente Dilma que esvazia afeta o prestígio do Ministério do Esporte e, por extensão, do PCdoB, do ministro Orlando Silva - que chegou a ser apontado para o cargo de presidente do consórcio. Não passou de especulação, pois a presidente Dilma optou por Márcio Fortes, ex-ministro das Cidades, para comandar o órgão, com sede no Rio de Janeiro. O orçamento da APO para 2012 está previsto em R$ 155 milhões.

        O projeto original da APO, elaborado pelo Ministério do Esporte, previa preencher 484 cargos. Porém, o Congresso Nacional  aprovou apenas 181 cargos e o presidente Márcio Fortes já anunciou que em 2012 trabalhará com apenas um terço desse potencial, ou sejam, 60 profissionais. 

Por José da Cruz às 22h45

A vitória dos atletas e o lado oculto da gestão do basquete

            Uma coisa é a vitória transparente e vibrante, na quadra. A outra é a conta oculta do caixa. O basquete vive esta dualidade.

            Faço estas colocações no momento da euforia coletiva, lembrando que a festa de ontem, na Argentina, tem triplo significado: a merecida promoção e valorização do atleta nacional; prêmio ao torcedor apaixonado, que há 16 anos não vibrava com o basquete, como agora; e, nos bastidores, euforia dos cartolas e empresários, que usam o dinheiro público, com transparência opaca, na execução de suas metas.

Memória

            Recentemente, o repórter Daniel Brito publicou, na Folha de S.Paulo, que a Confederação Brasileira de Basquete, dirigida por Carlos Nunes,  transferiu a gestão administrativa e técnica para a Brunoro Sports Business , do empresário José Carlos Brunoro. Nada disso foi divulgado pela CBB.Resultados e dúvida

            Independentemente dos resultados positivos alcançados pela empresa, como a classificação brasileira aos Jogos de Londres 2012, ficam três questões: qual o custo dessa terceirização?  quem recolhe os impostos, a Brunoro Sports ou a Confederação de Basquete? se a terceirização revelou-se eficiente, para que serve a Confederação Brasileira de Basquete, que se omite na obrigação de ser gestora da modalidade?

            Lembro que a parceria da CBB com a Brunoro Sports é financiada por dinheiro público, verba oficial, grana do caixa dos contribuintes!  Foram R$ 15 milhões em 2010, outro tanto este ano, da Eletrobrás, Lei de Incentivo, loterias federais, etc.

            E quanto rendem as transmissões da SporTV? quem recebe o dinheiro, a Confederação de Basquete ou a Brunoro Sports?

            É o tal lado opaco da gestão financeira que deixam dúvidas, e sobre isso o presidente Carlos Nunes foge das respostas há mais de dois anos. O silêncio torna-se suspeito.

           Insisto: o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União precisam investigar esta relação empresarial, feita às custas de muita grana pública. Quem tem responsabilidade sobre o quê?

            E que o Ministério do Esporte questione sobre a importância da terceirização da gestão dos cartolas. De repente, pode ser oportuna uma reformulação no Sistema Nacional de Esporte, eliminando-se a estrutura das confederações e tornando-se profissional a gestão do esporte pela iniciativa privada. Mas que andem pelas próprias pernas, sem auxílio da muleta financeira do Estado.

Por José da Cruz às 12h27

10/09/2011

Obra da Arena do Grêmio poderá ter verba de deputados federais

 Por Geraldo Hasse 

          Porto AlegreComemorando 108 anos, o Grêmio abriu nesta tarde de sábado as obras da sua arena multiuso no bairro Humaitá, em Porto Alegre, para jornalistas e sócios (65 mil atualmente). A Radio Gaúcha transmitiu direto de lá o seu Show de Bola. Foi o início de uma campanha para "vender" o empreendimento esportivo-imobiliário que vai fazer da Construtora OAS a administradora do patrimônio gremista por duas décadas.

          A "globalização" do Grêmio já começou: nenhum dos quatro engenheiros responsáveis pela obra é gaúcho. São dois baianos, um mineiro e um paulista. Dos 1,2 mil empregados em ação em dois turnos, 90% são de fora do Estado. Alguns meses atrás houve paralisações por iniciativas dos peões e embargos determinados pelo Ministério do Trabalho. Agora parece que está tudo em ordem, embora muitos torcedores continuem reclamando da parceria Gremio-OAS (nada de novo nas beira-rios de Porto Alegre: o Internacional também entregou o ouro para a Construtora Andrade Gutierrez, mineira).

          Além do estádio, serão construídas no Humaitá 16 torres residenciais e um centro de eventos e compras com 30 mil metros quadrados. Ainda não foi iniciada a venda de 130 camarotes e 7 008 cadeiras do estádio, anunciado como "o melhor e mais moderno da América Latina", com capacidade para 60 mil torcedores e "à disposição da Fifa para utilização nas suas competições oficiais". Mais claro impossível: se o Inter não conseguir aprovação da Fifa para a ampliação e reforma do seu Gigante da Beira-Rio, o Grêmio está pronto para entrar em campo.

          Para ajudar a arrecadar fundos, o clube vai esticar até o final de setembro os festejos de aniversário com almoços e jantares inclusive no Rio e em Florianópolis. O custo total do empreendimento é estimado em R$ 560 milhões. No mês passado foi alterado de R$ 170 milhões para R$ 260 milhões o financiamento do BNDES. O Tesouro do Estado deu incentivos fiscais de R$ 30 milhões. A prefeitura já começou obras viárias no entorno. A Companhia Estadual de Energia Elétrica já está fixando postes de concreto para a passagem dos cabos de energia. E tudo indica que virá ajuda de cima: o ex-goleiro gremista Danrlei, eleito deputado federal pelo PTB, admitiu numa entrevista ao vivo à Rádio Gaúcha que teve uma conversa séria com a direção do OAS, assumindo o compromisso de tudo fazer na Câmara Federal para cavar emendas em favor da arena da zona norte.

          Apertada de um lado pelo rio Gravataí, em cujas margens corre a Free Way, a arena gremista está sendo construída num varjão descampado onde ainda pastam os cavalos dos moradores da favela vizinha, quase todos dedicados à catação e reciclagem de lixo.

Por enquanto, o novo reduto gremista briga com um charco de difícil acesso, mas ao lado do estádio foi construído um mirante denominado Espaço do Torcedor. Ficou lotado. Foi uma festa em que faltaram capacetes para todos os visitantes interessados em percorrer a obra, ainda em fase da concretagem.

 

          Embora tudo esteja ainda muito cru (um terço concluído), o presidente Paulo Odone marcou a inauguração do estádio para o dia 15 de novembro de 2012, no fim da corrida eleitoral pelas prefeituras. Aliviados com a recuperação do time, que saiu da zona do rebaixamento para a Segundona, os gremistas estão eufóricos com a obra que está mudando a paisagem próxima ao aeroporto Salgado Filho -- os aviões passam em cima do complexo gremista.

          Eta lugarzinho complicado. Também numa beira-rio, a obra do "monumental do Humaitá" confunde-se com a construção das alças dos viadutos da BR-448, que dentro de alguns meses vai despejar ali, na outra pista da Free Way, a um quilômetro da Ponte Getúlio Vargas (Travessia do Guaíba), o trânsito do Vale dos Sinos, que hoje congestiona quase permanentemente a BR-116 ao longo de Esteio, Canoas, Sapucaia, São Leopoldo e Novo Hamburgo.

Para acompanhar as obras: 

http://www.arenadogremio.blogspot.com/ e http://www.gremio.net/

Por José da Cruz às 20h05

Sede da Copa 2014, Brasília dá tratamento de choque NA educação

Garoto de 9 anos morreu na quinta-feira, depois de tocar um fio de eletricidade desencapado, numa escola pública do Paranoá, no Distrito Federal.

        A morte de um jovem aluno em pleno ambiente de estudo é o saldo mais trágico até agora na educação da capital federal. Reflete o desmando do governo de Agnelo Queiroz, que consegue superar, mesmo com apenas nove meses no poder, os desastrados antecessores José Roberto Arruda e Joaquim Roriz, ambos respondendo a processos por corrupção e formação de quadrilhas.

Repercussão

       O Correio Braziliense, repercute fato, na edição de hoje, informando que seus repórteres visitaram 12 escolas públicas e, dessas, “sete apresentam risco aos estudantes, como fios desencapados e vidraças aos pedaços”.

        É nesta cidade, sob o comando do mesmo governador, que se constroi um estádio de futebol para 75 mil torcedores. Além disso, o alvissareiro governador reivindica a sede da Universíade, em 2017.

Depoimentos

        A reportagem do Correio reflete o sucateamento da educação no Distrito Federal. Leiam o seguinte:

        “No Centro Educacional Darcy Ribeiro, no Paranoá, parte do alambrado da escola foi remendado com arame farpado. No interior do colégio encontra-se fiação elétrica sem a proteção adequada”.

        “Já a Escola Classe 401, do Recanto das Emas, funciona há 11 anos improvisada em salas com paredes de madeira, com fiação velha. “No tempo seco, dispensamos os alunos mais cedo, porque tememos incêndios. Se começa fogo na escola, nós não vamos conseguir salvar as crianças”, alerta a diretora.

        Enquanto isso, as obras para o futebol, em ritmo acelerado, consumirão mais de R$ 1 bilhão do bolso dos contribuintes. Há poucos metros do gigantesco e inoportuno estádio, o Hospital de Base de Brasília não consegue realizar indispensáveis exames de sangue nos pacientes. Motivo: faltam reagentes.

        É por tudo isso que até os correligionários de Agnelo já o chamam de “Agnulo” Queiroz, assim como o PDT, que lhe oferece apoio, já anuncia distanciamento. Segundo o senador Cristovam Buarque, há muita omissão e falta de iniciativas prioritárias no governo do Senhor Queiroz.

       

      PDT deixará de apoliar Agnelo (à direita),

      amigo de José Sarney e Joaquim Roriz

Por José da Cruz às 11h36

09/09/2011

Legião estrangeira

Por Leonardo Meireles
        Há uma coincidência nos melhores resultados esportivos brasileiro mais recentes. Observem:

        César Cielo, na natação, por exemplo, construiu sua carreira nos Estados Unidos, com treinadores norte-americanos e australianos;  

        Fabiana Murer, no salto em altura, é treinada pelo ótimo Elson Miranda, mas tem consultoria do ucraniano Vitaly Petrov, desde 2001.

        A xará, Fabiana Beltrame, campeã no remo, tem o francês
José Oyarzabal como técnico.

        E na noite de quarta-feira, o basquete masculino brasileiro conseguiu o feito de bater a Argentina na casa deles, pelo Pré-Olímpico de Mar del Plata. E quem estava comandando do banco? O argentinol Rubén Magnano.

        É um caminho para o esporte brasileiro socorrer-se de técnicos estrangeiros?

        É o melhor caminho?

Explicação

        No site do Comitê Olímpico Brasileiro, na parte da prestação de contas da Lei Agnelo-Piva (sic), a explicação oficial é de que, sim, é o melhor caminho, e apresenta a explicação:

        “A contratação de técnicos estrangeiros permitiu a melhoria do nível de treinamento dos atletas e a transferência de conhecimento. O interesse dos técnicos estrangeiros de vir para o Brasil demonstra o crescimento do esporte nacional”.

        Em 2000, eram nove treinadores gringos no comando de nossas seleções. Em 2010, o número cresceu para 52.

        Mas vamos ignorar os 16 técnicos dos times de desportos na neve e no gelo – dificilmente teríamos profissionais gabaritados minimamente nessas áreas. Vamos ficar com 36 das outras modalidades.

        E aí surgem perguntas: o treinador estrangeiro realmente possui algum tipo de conhecimento que o treinador brasileiro não possui?

        Em caso positivo, o que fazemos com os nossos treinadores? Deixamos de lado ou o encaminhamos para cursos no exterior, a indispensável reciclagem?

        A propósito, nos anos 70, quando o assunto “esporte” estava vinculado ao Ministério da Educação, técnicos de atletismo brasileiros passaram por longo treinamento na escola Alemã.

      O professor Mário Cantarino, decano entre eles, estava no grupo. Pois nos anos seguintes foram os melhores do atletismo nacional, mesmo numa época de "cofres vazios”.

        Esquecemos que, aqui, também existem profissionais capazes de realizar um trabalho de qualidade?

        Esquecemos que centenas de abnegados, como o professor Giovani Casilo, dos saltos ornamentais, em Brasília, sofrem com a falta de estrutura? Com a falta de apoio para eles mesmos se atualizarem?

        Que programa, afinal, temos neste sentido, agora em tempos de recursos públicos à vontade?

        Não é uma questão de xenofobia esportiva: ótimo aprender com treinadores tão qualificados, como os técnicos cubanos que, com suas próprias dificuldades, conseguiram vencer no mundo do boxe.

        Também não é o caso de colocar técnicos na frente dos atletas, com destaques de estrelas – como acontece no futebol.

        É simplesmente dar crédito, valorizar profissionais que suportaram os piores momentos – da falta de recursos – e, PR isso, merecem atenção como os atletas.

        Gente que carregou nas costas a formação de diversos campeões, inclusive bancando despesas de transportes, alimentação, enfim, e, agora, ainda na dificuldade, continuam descobrindo estrelas.

        Mas que não podem “ajudar” além disso porque não possuem a chance para progredir, em tempos de cofres cheios de recursos públicos.

        Que as conquistas dos atletas brasileiros também venham com o crescimento dos treinadores. Eles são fundamentais, e não podem ser ignorados na importância que tiveram e têm para o nosso esporte em geral.

 

Leonardo Meireles é jornalista, cobriu os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004      

Por José da Cruz às 09h01

08/09/2011

Espaço aos paraolímpicos

             A partir de hoje, dedicarei espaço mais frequente aos paraolímpicos. Que em breve se chamarão “paralímpicos”. Em 2016, teremos as “Paralimpíadas” do Rio. Pode ser moderno, mas não soa bem.

            Em 2000, estive nos Jogos de Sydney, de onde guardo inesquecívels lições passadas pelos então campeões Rosinha e Ádria, do atletismo, Antônio Tenório, do judô, e, principalmente, do professor Kleber Veríssimo, diretor técnico do Comitê Paraolímpico, à época.

 

            Passou o tempo. Uma década, o movimento cresceu. No domingo, o Comitê Paraolímpico encerrou as Paraolimpíadas Escolares 2011, com participação de 1.800 atletas e técnicos, revelando o gigantismo desse movimento.

            E se os olímpicos têm dificuldades para formação e evolução no esporte, imagine os paraolímpicos, com suas necessidades especiais para deslocamentos e acessos, ausência de espaços específicos para treinos, áreas e materiais limitados, pequeno número de professores especialistas no assunto, falta de adaptações das cidades brasileiros, etc. 

Mundial

            Aproveito para divulgar notícia do ciclismo, enviada pelo jornalista Wilson Teixeira, apaixonado pela modalidade.

             A equipe brasileira de ciclismo disputa a partir de hoje o Campeonato Mundial, em Roskild, Dinamarca, com chances de conquistar os melhores resultados dos últimos oito anos. A  previsão é do técnico da equipe, Romolo Lazzaretti, italiano radicado no Brasil, um ex-campeão europeu em velódromo.

            De acordo com Lazzaretti, os resultados conquistados nos últimos anos pelos ciclistas brasileiros em provas de estrad, Soelito Gohr, Lauro Chaman e João Schwindt - credenciam a equipe a sonhar com pódios.

            Soelito Gohr, de Santa Catarina, é, atualmente, o bicampeão mundial de estrada (2009/2010). Lauro Chaman, de São Paulo, sagrou-se campeão da Copa do Mundo deste ano. João Schwindt, de Brasília, foi terceiro colocado na prova de estrada no Mundial de 2010. Boa sorte a todos.      

 

Por José da Cruz às 00h27

07/09/2011

Combate à corrupção: 30 mil protestam em Brasília

 O povo apareceu!         

           A maior manifestação pública brasiliense contra a corrupção foi realizada hoje na Capital da República, confrontando no mesmo ambiente, a Esplanada dos Ministérios, a euforia patriótica do desfile militar, com a indignação coletiva diante do crescimento da impunidade dos corruptos, agentes públicos e políticos em geral.  

  Num ato pacífico e democracia explícita, mobilizando perto de 30 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, a marcha “Brasil contra a corrupção” surgiu de um grupo de jovens estudantes e professores. Eles usaram as redes sociais para divulgar o evento, e tiveram sucesso.

            “Pelo Facebook tínhamos a adesão de cinco mil pessoas, mas este público agora nos surpreende”, disse a professora Cecília de Oliveira, uma das iniciadoras da Marcha.

        

            Os alegres caras-pintadas voltaram às ruas, desta vez tendo como parceiros jovens de preto, que usaram o luto em protesto à corrupção, motivados, principalmente, pela recente votação que manteve o mandato de deputada federal de Jaqueline Roriz.

Alerta

            O resultado da marcha, acompanhada por 1.600 policiais, deixa um alerta às autoridades públicas, ministros dos tribunais superiores, deputados, senadores, e políticos do Distrito Federal: não brinquem com a paciência popular! E não creiam que a juventude é passiva diante dos atos corruptos que praticam e nos envergonham.

            A mobilização rápida, através da internet, foi aprovada com eficiência neste feriado de 7 de Setembro. Por isso, os organizadores já pensam em nova passeata, quem sabe em 15 de Novembro – Proclamação da República.

Lavação no Esporte

            Logo que saíram em direção à Praça dos Três Poderes, os manifestantes pararam em frente ao prédio do Ministério do Esporte, o primeiro da Esplanada.

            Na pasta comandada pelo ministro Orlando Silva, os manifestantes usaram água e vassouras para lavar, simbolicamente, um dos órgãos do governo acusado de vários atos de corrupção.

Fora Ricardo Teixeira

            Durante a caminhada, uma enorme bandeira quadriculada se destacava: “Fora Ricardo Teixeira”. A frase tornou-se símbolo nacional de rejeição ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol e presidente do Comitê Organizador da Copa 2014.

            A manifestação do feriado deixa várias lições e motivo para otimismo:

            Partiu de um grupo de jovens – e esses eram maioria na Esplanada dos Ministérios;

            Foi um movimento apartidário e sem a adesão de órgãos de classe, fortalecendo a tese de que foi manifestação pública espontânea, revelando o grau de indignação popular.

            A passeata ocorreu numa via em frente ao palanque em que estava a presidente Dilma Rousseff, acompanhando o desfile militar. Mas, apesar das faixas indignadas contra os corruptos, a manifestação foi em tom respeitoso às instituições da República. E os poucos que tentaram sair do roteiro foram chamados pelos organizadores, que, assim, conseguiram chegar ao final do movimento num ambiente pacífico.

            Os populares que assistiram ao desfile militar atravessaram o canteiro da Esplanada e aderiram à caminhada contra a corrupção.

            Diante disso: atenção, políticos em geral: “o povo apareceu”.

                

Por José da Cruz às 15h36

06/09/2011

A doce vida de Walter Feldman, em busca de informações olímpicas

            Walter Feldman, ex-secretário de Esporte do prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, mora em Londres, há cinco meses.

            Com salário mensal de R$ 11 mil, Feldman coleciona informações sobre os Jogos Olímpicos de 2012, que repassa ao seu chefe político.

            Como se sabe, os Jogos de 2016 serão no Rio, mas São Paulo terá um valiosíssimo arquivo de informações. Para nada.

            Leia a reportagem de Ricardo Mendonça na revista Época, desta semana, e entenda como se gasta dinheiro público em projetos inúteis.

Por José da Cruz às 15h39

7 de Setembro de 2011

O eleitor vai às ruas de Brasília

Por José da Cruz às 15h13

Governo beneficia sonegadores de impostos

Memória: para não ficar no esquecimento

        São freqüentes as denúncias de escândalos no Brasil, e para que alguns deles não fiquem no esquecimento, vamos reativar a memória.

            Refiro-me à escandalosa parceria entre o Ministério do Esporte e o Sindicato do Futebol, presidido pelo cartola Mustafá Contursi Goffar Majzoub. Da diretoria do sindicato faz parte Weber Magalhães, que também é vice-presidente da CBF para a região Centro-0este.

            E daí?

            Daí, que o Sindicato dos Cartolas, que atraiu o interesse do ministro Orlando Silva, representa clubes que sonegaram R$ 2 bilhões em pagamentos do Imposto de Renda, INSS e FGTS.

            O convênio Ministério-Sindicato, para cadastrar jogadores, custou R$ 6,2 milhões aos cofres federais – até agora para absolutamente nada, pois o projeto continua na estaca zero, como denunciou o jornal O Estado de S.Paulo.

            Pior, a parceria fere princípios da legalidade da administração pública. Foi concretizado, por exemplo, apesar do parecer contrário da advogada Elzita Maria de Lima, da Consultoria Jurídica do Ministério do Esporte.

            Em 14 de dezembro de 2010, Elzita alertou, através da Nota nº 6451/2010, que “o convênio não preenche os requisitos legais para a sua celebração...”

Ousadia

            Surpreende, também que, na ousada parceria, o termo de “capacidade técnica” exigido para executar o trabalho foi apresentado pela própria instituição convenente!

            Ou seja, o Sindicato do Futebol, diretamente interessado em colocar a mão nos R$ 6,2 milhões, apresentou um documento dizendo que está “apto a executar um trabalho que nunca foi realizado em qualquer lugar do mundo.”  

            Já a Instrução Normativa nº 1/97, da Secretaria do Tesouro Nacional, proíbe repasses de verbas públicas para entidades classistas, como o Sindicato do Futebol, mas o Ministério do Esporte ignorou a lei e foi adiante. Sobre isso, a Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas estão investigando.

Relações perigosas

            Sob o aspecto institucional, insisto que é constrangedor para o governo federal apoiar-se num sindicato de cartolas para desenvolver projetos que nem são da competência do Ministério do Esporte, o que também é gravíssimo.

            Acredito que aproximação tão íntima e envolvendo recursos públicos, seja caso inédito na história da República. E isso é vergonhoso, pois o Sindicato do Futebol é uma instituição de espertos, que não transmite confiança, conforme ficou muito claro nas CPIs do Futebol e da CBF, no Senado e Câmara dos Deputados, em 2001. E para cobrirem o calote de R$ 2 bilhões em impostos convenceram o governo a criar a Timemania, loteria que ajuda a fechar o buraco da dívida.

            E irá mais dinheiro milionário para os clubes de futebol, pois o Ministério do Esporte comprará, instalará e dará manutenção ao circuito fechado de TV para controlar torcedores, uma exigência do Estatuto do Torcedor, mas de competência clubística e não do governo federal.

             Ou seja , é com esse tipo de gestor, que deveria estar sob fiscalização, que o Ministério do Esporte se relaciona de forma tão amiga, tão próxima, tão íntima, tão economicamente atrativa.

             Agora vai.

Por José da Cruz às 07h55

05/09/2011

Mais dinheiro, menos resultados

"Atletismo brasileiro alcança número menor de medalhas no período em que conseguiu patrocínio fixo do que as obtidas nas décadas de 1980 e 1990"

            Excelente a entrevista da repórter Ana Cláudia Felizola, na edição de Esportes do Correio Braziliense, hoje.

            Ela conversou com Martinho Nobre dos Santos, superintendente-técnico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), que analisou o desempenho da delegação de 30 brasileiros no Campeonato Mundial de Daegu, encerrado no domingo.

            Confira a entrevista e as explicações oficiais para o pífio desempenho brasileiro.

 Ana Cláudia Felizola

            O Mundial de Daegu terminou ontem e, para casa, o Brasil trouxe o ouro inédito conquistado por Fabiana Murer, no salto com vara. Essa, porém, foi a única medalha da campanha. Mais do que isso: se, entre 1983 e 1999, em sete edições do Mundial, o atletismo brasileiro conquistou oito medalhas, depois desse período o cenário mudou. O país só conseguiu uma prata em 2003 e outra em 2007. Dos Mundiais de Edmonton-2001 e Berlim-2009, os atletas nacionais voltaram de mãos vazias.

            Ainda assim, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) afirma que a modalidade não estagnou ou regrediu. Em entrevista ao Correio, o superintendente-técnico Martinho Santos explicou que a onda de bons resultados nas décadas passadas ocorreu sem investimento da entidade, que, à época, não era patrocinada. Além disso, segundo ele, a CBAt não embarca para um mundial ou Olimpíada com uma expectativa criada sobre número de medalhas, apesar de reconhecer que eram esperados mais brasileiros nas finais deste ano, na Coreia do Sul.

            Ana CláudiaO Brasil só conquistou uma medalha no Mundial deste ano, com a Fabiana Murer. A Confederação tinha expectativa de fazer uma campanha melhor? O que faltou?

            Martinho Nobre – A CBAt não atua com esperança de medalhas, porque elas, em Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais, nunca têm endereço certo. Temos trabalhado sempre com o maior número de finalistas nesse tipo de competição. Assim é melhor, pois qualquer um dos finalistas sempre terá a oportunidade de chegar ao pódio. Basta verificar o número de líderes de rankings mundiais e de medalhistas em edições anteriores que não conseguem repetir os resultados. Muitos nem sequer vão às finais. Esperávamos, sim, um número maior de finalistas, o que não ocorreu. Todos tiveram e têm o máximo apoio possível da Confederação, nada deixou de ser atendido. No retorno ao Brasil, evidentemente, faremos uma análise técnica apurada para verificar onde temos que alterar e o que cabe aos treinadores e atletas também modificarem em seus trabalhos.

            AC – Entre 1983 e 1999, o atletismo brasileiro conquistou oito medalhas em mundiais. Depois dessa data, porém, só tivemos uma prata em 2003 e outra em 2007. Em 2009, ninguém medalhou. Isso indica que a modalidade no Brasil está em uma curva descrescente?

            MN – Não. Em 1983, o atletismo era representado pelo grupo de atletas do professor Luiz Alberto de Oliveira, nos Estados Unidos. Entre eles estava campeão olímpico Joaquim Cruz. Esse grupo era apoiado por patrocinadores privados e individuais diretamente, não havia qualquer participação da CBAt nesse processo. Posteriormente, tivemos a entrada do grupo do professor Jayme Netto Junior, de Presidente Prudente, que também propiciou grandes resultados. Esses dois grupos receberam, na medida do possível, apoio da CBAt à época. A partir de 2001, quando firmamos a parceria com a Caixa Econômica Federal, é que a CBAt pôde começar a esboçar um planejamento para a melhoria de resultados, o que vem ocorrendo ao longo desses anos. Antes de 2001, a CBAt obtinha patrocínios sofridos, em valores pequenos e que não permitiam um trabalho maior no desenvolvimento geral da modalidade.

            ACE por que, mesmo assim, não vemos mais resultados?

            MN – Tudo isso seria mais fácil se existisse em nosso país um programa nacional de desenvolvimento do esporte, principalmente nas escolas. Massificando o esporte, certamente a chance e a oportunidade para a descoberta de novos valores seriam infinitamente maiores. O atletismo brasileiro vem crescendo ao longo dos últimos anos, ainda que não em alta velocidade como alguns creem que as coisas sejam, pois a preparação de um atleta para ser campeão olímpico e mundial é muito longa e demorada. Temos tido sempre excelentes resultados em competições internacionais de menores e juvenis, graças a uma ampliação do apoio dado aos centros de descoberta de talentos, onde a base de nosso esporte começa a ser realizada. Esse trabalho será para o futuro.

            ACComo a Confederação pretende substituir nomes como de Fabiana Murer e Maurren Maggi nos próximos anos, tendo em vista que teremos a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil em cinco anos?

            MN – A CBAt não substitui ninguém. Os atletas evoluem de acordo com seu treinamento e resultados obtidos e, evidentemente, eles têm um ciclo atlético de alto rendimento, que difere em cada um e também de acordo com o tipo de prova. A Confederação trabalha para que os novos valores descobertos se tornem grandes campeões internacionais. Essas novas estrelas irão surgir com o trabalho de apoio aos atletas e treinadores que possuímos hoje, além da manutenção do apoio à base do atletismo.

            AC Por que demorou tanto tempo para que o Brasil tivesse um ouro mundial?

            MN – Várias vezes chegamos aos mundiais com atletas que tinham possibilidade de conquistar medalhas, mas elas não saíram. Isso ocorre com todos os países. Esperamos que outras venham rapidamente. Olhando no quadro de medalhas do Mundial, temos uma de ouro e estamos em 11º lugar, empatados com Botsuana. Mas também estamos empatados com o Japão, a Nova Zelândia e a Polônia. Além disso, atrás de nós estão Cuba, França e Espanha, para citar alguns. Logo, só a medalha não reflete o investimento e o desenvolvimento de uma modalidade.

            AC Podemos esperar um futuro promissor do atletismo brasileiro?

            MN – Com certeza, basta olhar os resultados do último Troféu Brasil de Atletismo, onde uma geração de jovens atletas venceu provas com marcas excelentes. Eles serão as gerações 2016 e 2020. Temos confiança de que nossas participações só tendem a evoluir. O Projeto de Mini-atletismo da CBAt, destinado à educação física escolar, encontrou forte apoio nas secretarias estaduais e municipais de esporte e está disseminando a prática de atletismo nas escolas. Isso nos faz prever um grande salto em pouco tempo. Estatísticas e curiosidades

Comparação

            Enquanto o Brasil tem 8,5 milhões de km² e uma população de mais de 192 milhões de habitantes, Botsuana tem uma área de 581 mil km² e 1,8 milhão de pessoas. Mesmo com tanta diferença nas dimensões, os dois países terminaram o Mundial de Atletismo deste ano empatados, com uma medalha de ouro cada. A campeã do país africano foi Amantle Montsho, nos 400m rasos. Já a do Brasil foi Fabiana Murer, no salto com vara.

Por José da Cruz às 12h45

04/09/2011

Segundo Tempo: Polícia Federal investigará denúncias de irregularidades apontadas pelo TCU

             A repórter Izabelle Torres, da revista IstoÉ, teve acesso aos relatórios preliminares do Tribunal de Contas da União, que apontam três tipos de irregularidades nos convênios do programa Segundo Tempo,do Ministério do Esporte:

a) Falta de prestação de contas das ONGS sobre os recursos recebidos nos últimos três anos;

b) Falta de estrutura e capacitação técnica de diversas entidades selecionadas para a realização das tarefas determinadas pelo governo e, o que mais chamou a atenção dos auditores:

c) Cobrança indevida de taxas administrativas das prefeituras que demonstram interesse em participar do projeto.

Grave

            “São irregularidades graves”, diz o procurador do Ministério Público no TCU, Marinus Marsico.

            Como o Tribunal não pode quebrar sigilos bancários, as investigações serão remetidas nos próximos dias para a Polícia Federal.

             “O objetivo é descobrir o destino final do dinheiro entregue às ONGs, seja pelo governo federal, seja pelas prefeituras cobradas indevidamente”, afirma Marsico.

            Procedimento similar deu origem à Operação Voucher, que levou o Ministério Público Federal a denunciar 21 pessoas do Ministério do Turismo.

            A reportagem completa está aqui.

Por José da Cruz às 21h59

Atletismo, hora de mudanças

Por Alberto Murray Neto

Da ONG Sylvio de Magalhães Padilha

              Depois do retumbante fracasso do atletismo brasileiro nos Jogos Olímpicos de Beijing, em 2008, Gesta de Melo, presidente da CBAt, enigmático, saiu-se com a seguinte pérola: "Fora o Brasil, somente cinco países tiraram uma medalha de ouro.". O que quis dizer o eterno mandatário do atletismo brasileiro? Que estamos entre as cinco maiores potências do atletismo mundial?

            O espaventoso insucesso da delegação brasileira que competiu no mundial de Daegu é mais uma demonstração de que o atletismo do Brasil segue cambaleante, trôpego, rumo a lugar nenhum.

            Repulsiva a forma como o vultoso dinheiro público que entra nos cofrinhos do COB e da CBAt são administrados. Os resultados obtidos pelo atletismo durante a longa permanência de Gesta no poder são sintomáticos da falta de competência para criar uma política para a modalidade. As medalhas obtidas hoje em dia, com grandes delegações, são as mesmas que se obtinham antigamente, em que o Brasil participava dos torneios com equipes reduzidas e sem recursos.

            Campeonatos mundiais e Jogos Olímpicos não são lugares para "ganhar experiência." Isso se faz em meetings e outras competições. Olimpíada e campeonatos mundiais são o coroamento da vida do atleta. Devem participar somente quem realmente têm condições de chegar, pelo menos, às semi finais.

            Os índices e critérios que a CBAt adota para compor as formações do Brasil são políticos, decorrentes do estado de vassalagem que impregnou a entidade. Uma pena que os técnicos e atletas tenham receio de dizer o que pensam, seguros que são de que se o fizessem, seriam severamente retaliados. Não há democracia no esporte.

            É hora de o povo brasileiro rebelar-se, com veemência, contra os dirigentes que recebem muito dinheiro público e que o administra de maneira tão incompetente.

            Confederações e Comitê Olímpico não são cartórios de um só. Não podem ter um fim em si próprio.

            É urgente que o governo federal encampe a luta por mudanças dramáticas nas arestas carcomidas que ainda sustentam o esporte nacional. A começar por exigir, legalmente, regras claras de governança corporativa na gestão desses organismos.

Por José da Cruz às 21h40

Sinceridade e a ditadura dos cartolas

Fabiana Murrer

Campeã Mundial do salto com vara, em entrevista ao jornal Lance deste domingo

“Há uns três anos visitei umas meninas onde eu treinava ginástica artística. Elas falaram que depois da ginástica queriam ir para o salto com vara. Teve uma que até chegou a fazer teste. Há gente querendo fazer salto com vara, mas há poucos locais para se treinar no Brasil. Este é um dos problemas da modalidade, porque é preciso um bom colchão, entre outras coisas, e tudo isso acaba dificultando”

Previsão

        É possível que depois desta sincera declaração, o presidente da CBAt, Gesta de Melo, tenha uma conversa reservada com Fabiana Murer e a proíba de dizer a mesma coisa outra vez.

        O presidente da Confederação de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes, agiu assim com Cesar Cielo. Silenciou o campeão, lembram?

        É a ditadura da cartolagem que perdura em plena democracia.

Por José da Cruz às 20h39

Onde está a jovem geração do atletismo?

        Atletas que conquistaram pódios internacionais nas categorias menores regridem em suas marcas e, muitos, nem sequer conseguem vaga para o Mundial de Daegu. Confira:

Thiago Carahyba – 27 anos – campeão mundial de menores do salto em distância,  em Debrecen 2001. Quarto lugar no 110m com barreiras, também no Mundial Menor de 2001. Sem índice, não viajou para Daegu.

Júlio César de Oliveira – 25 anos – Ouro no Campeonato Mundial de menores, no lançamento do dardo, em Sherbrooke 2003, e medalha de bronze na mesma prova no mundial junior de Grosseto 2004. Sem índice, não viajou para Daegu.

Cleiton Sabino - 23 anos - bronze no salto em distância e no octatlo no Mundial de menores de Marrakesh 2005. Não viajou para Daegu

Juliana Paula de Azevedo – 28 anos – medalha de bronze nos 800m rasos no Mundial de Kingston 2002. Sem índice, não viajou para Daegu. Atualmente é recordista brasileira dos 1.500m.

Franciela Krasucki – 23 anos – 4º lugar nos 100m rasos nos mundias de menores de Sherbrooke, 2003, e Marrakech 2005; oitavo lugar no revezamento 4x100m em Daegu

Vanda Gomes – 23 anos – prata no Mundial junior nos 200m (23s50), em Pequim 2006; em Daegu, ficou na 1ª rodada eliminatória dos 200m, marcando 23s70; oitava no quarteto de revezamento 4x100m

Rosângela Santos – 21 anos – vice-campeã mundial de menores nos 100m rasos em Ostrava 2007: última colocada da sua bateria semi-final dos 100m e oitava no revezamento 4x100m

Bárbara Leôncio – 19 anos – ouro nos 100m, no Mundial de menores de Ostrava (República Checa), em 2007. Não disputou o Mundial de Daegu.

        Ou seja, atletas com excelentes resultados nas categorias de base e com potencial para progredirem ou não foram ao Mundial de Daegu ou não conseguiram avançar em suas provas.

        Ou que aconteceu com tais atletas?

        Bárbara Leôncio, por exemplo, a mais recente promessa, que completará 20 anos em outubro, e que emocionou o ex-presidente Lula quando o Rio de Janeiro conquistou a sede olímpica?

        Afinal, o que faltou a essa geração?

        “Apoio”? que tipo de apoio? Falta de técnico? Orientação na carreira?

        Ou, foi a falta de um centro de treinamento, nos moldes do Instituto Australiano dos Esportes, que concentra os melhores do país para trabalho integrado em condições técnicas atualizadas?

        E quem responde por essas deficiências? O Ministério do Esporte? a Confederação de Atletismo? O Comitê Olímpico?

Por José da Cruz às 17h29

Também deve ser a água...

 Walter Guimarães

Jornalista 

        Entre a década de 1970 e 1980 perguntaram ao “escocês voador” Jackie Stwart qual a explicação dos brasileiros serem tão rápidos nas pistas de automobilismo.

        A resposta: “deve ser a água que eles bebem”.

        Quem sabe este não é o mesmo motivo para os caribenhos serem tão rápidos no atletismo. Enquanto o Brasil conseguiu apenas duas finais em provas de pista (reforço, apenas “de pista”), pequenas ilhas e países do Caribe conseguiram nada menos de 37 finais.

        Sem dúvida devemos comemorar o 6º lugar do Bruno Lins nos 200m e o 8º do revezamento feminino nos 4x100m, mas é muito pouco para o país que sediará os Jogos Olímpicos daqui quatro anos.

        A Jamaica – com novo recorde mundial no revezamento – é um caso a parte: participou de 22 finais. Mas o Brasil, ficar atrás de Trinidad Tobago e ao lado de Granada e de São Cristovão e Névis, assusta.

        Somando a área de todos os 11 países caribenhos finalistas, são apenas 275.300 km², algo perto de 3% dos 8,5 milhões  nosso país. Já a população deles chega perto de 33 milhões, ou 17% dos brasileiros.

        Desta forma, realmente deve ser a água que eles bebem, mas também pode ser uma política correta para este esporte.

 

Participação discretíssima 

Fernando Franco

Do Centro de Estudos de Atletismo

        Foi uma participação discretíssima, como eu havia previsto, pois quem não tem resultado numa temporada não é no Mundial que vai ocorrer a grande evolução.

        A medalha foi para quem tinha real possibilidade, Fabiana Murer. Mas destaco Bruno Tenório, nos 200m, indo para a final, surpreendentemente.

        Os demais atletas da delegação brasileira realizaram as maras que normalmente fazem em competições nacionais. Registro a evolução do revezamento 4x100m feminino, que terminou em oitavo lugar em sua primeira participação em Mundial.

        Mas, caso as garotas queiram conquistar pódios, deverão correr os 100m abaixo dos 11s20. E não apenas uma vez, como no momento da obtenção do índice, mas várias vezes na temporada.

Por José da Cruz às 15h27

Atletismo: continuamos dependentes de raros talentos periódicos

        O Brasil saiu do 13º Campeonato Mundial de Atletismo com um  ouro, brilhantemente conquistado no salto com vara pela paulista Fabiana Murer, e na 11ª posição no quadro geral de medalhas.

        Ficou atrás do Quênia, Jamaica e Etiópia, e empatado com Botsuana, Granada, Japão, Polônia e Nova Zelândia.

        Em 28 anos e 13 edições de Mundial de Atletismo, ao ar livre, (a primeira edição foi em Helsinque, 1983), agora, em Daegu, foi nossa etreia em pódio de ouro, feito de uma mulher.

        A valorizada conquista chega exatamente no ano que se completa o primeiro decênio da Lei Piva, que destina recursos das loterias federais para o esporte olímpico e, também, 10 anos de patrocínios da Caixa à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

Placing Table

        Já pela classificação “Placing Table”, da IAAF, que atribui pontos da 1ª a 8ª colocação em cada prova, o desempenho do Brasil foi mais tímido: terminamos na 23º lugar: sexto com Bruno Lins, nos 200m, oitavo, com Fábio Gomes da silva, no salto com vara e oitavo no revezamento 4x100m feminino.

        Com tal desempenho, ficamos novamente atrás do Quênia, da Jamaica e da Etiópia e, também, de da África do Sul, Marrocos e Trinidad e Tobago.

Involução...

        Outro dado que chama a atenção é que de 1983 a 1999 o Brasil conquistou oito medalhas (três de prata e cinco de bronze). E somente na edição de 1993, em Stuttgart, não tivemos no pódio.
        Já de 2001 a 2011, quando a CBAt conta com patrocínio da Caixa e recursos da Lei Piva, o Brasil subiu ao pódium apenas três vezes – duas medalhas de prata e um ouro. Ou seja, em termos de premiação, o desempenho era melhor nos tempos das “vacas magras”...

Fato raro

        Nestas conquistas há um fato raro: em seis edições as conquistas foram alternadas.

        Ou seja, desde 2001, seis edições, portanto, o Brasil não conquista pódios consecutivos em Campeonatos Mundiais de Atletismo (quadro abaixo)

        Assim, se for mantida a escrita de uma década – com valorizados patrocínios financeiros, repito –, não teremos pódio no Mundial de Moscou 2013. Será?

 

Desempenho do Brasil em Mundiais, no decênio

2001 - Edmonton Sem medalhas

2003 - Paris Prata – Revezamento 4x100m

2005 - Helsinque
Sem medalhas

2007 – Osaka – Prata – Jadel Gregório (triplo)

2009 - Berlim Sem medalhas

2011 - Daegu Ouro – Fabiana Murer (salto c/vara)

 

Atletismo feminino
        No atletismo feminino o Brasil chegou quatro finais (salto com vara) e a três semi-finais em Daegu 2011, o mesmo número de finais da última edição, Berlim 2009.

        Em provas de pista o Brasil só chegou a uma final: o revezamento 4x100m.

        E em provas de pista individuais, NENHUMA brasileira chegou conquistou vaga em uma final.

        A propósito, o professor Fernando Franco, do Centro de Estudos de Atletismo, previu este desempenho, conforme reportagem publicada no Correio Brasiliense, no início do Mundial. Da mesma forma, previu com exatidão o fraco desempenho no masculino, baseado nos tempos e marcas da temporada que ele analisou e projetou para Daegu.

        Já na maratona - prova nobre do atletismo - não tivemos sequer uma atleta representando o Brasil, assim como nos 10.000m e 5.000m, apesar da fartura de provas de rua de nosso calendário anual.
Atletismo masculino
        No atletismo masculino o Brasil chegou a duas finais e a três semi-finais em Daegu 2011, o mesmo número de finais da última edição do mundial de atletismo (Berlim 2009) e duas semi-finais a mais em relação ao mundial anterior.

        Em provas de pista o Brasil só chegou a uma final: os 200m rasos. E, assim como no feminino, nenhum atleta nas provas de fundo.

Por José da Cruz às 11h53

03/09/2011

A evidente pobreza de nosso esporte olímpico

        Com 26 estados e um Distrito Federal, o esporte olímpico brasileiro ainda se concentra nas regiões mais ricas do país.

        A mais recente prova dessa realidade é a fortíssima participação de atletas do Rio de Janeiro e de São Paulo nas delegações de atletismo ao Campeonato Mundial, que termina neste domingo, e na equipe de natação que vai aos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro.

         Rio de Janeiro e São Paulo dominam as delegações com tal facilidade, a ponto de, no atletismo, dos 29 atletas que estão no Mundial da Coreia do Sul, 25 pertencem a equipes paulistas.

         Rio Grande do Norte, Brasília e Santa Catarina participam apenas com um atleta cada estado.

Natação

        A natação, por sua vez, formou a delegação para o Pan-Americano de Guadalajara com atletas de apenas três estados: Rio, São Paulo e Minas Gerais.

        A pobreza na modalidade espalha-se pelas demais unidades da Federação. Vergonha!

        Com esta realidade, prova-se que há um enorme desperdício de talentos, devido à falta de uma política de esporte no país.

        Porque, quanto mais concentrado for a prática de uma determinada modalidade, menor a chance de se fazer uma seleção altamente competitiva, pois corres-se o risco de alijar competidores de outros estados, que não cresceram no ranking pela falta de oportunidades, decorrentes da ausências de políticas específicas para o esporte.

        Mas que não se diga que isso ocorre pela falta de recursos financeiros. Absolutamente! Dinheiro há muito, insisto, mas não temos gestores competentes nem um Ministério interessado em mudar esta realidade.

        O interesse ministerial com as questões do futebol é mais explícito, inclusive exibindo relações suspeitas com cartolas sindicais. Porque futebol e política têm tudo a ver. Principalmente na época da eleição e das contribuições para as caixinhas partidárias.

Por José da Cruz às 18h11

02/09/2011

Basquete: a transparência ofuscada

        O repórter Daniel Brito assina reportagem na Folha de S.Paulo, hoje, mostrando que a Confederação Brasileira de Basquete terceirizou a gestão técnica e administrativa da modalidade.

        A reportagem completa está aqui.

        Ou seja, o presidente Carlinhos não manda nada, entregou tudo à empresa paulista Brunoro Spots Business, do empresário José Carlos Brunoro. O valor do contrato não foi revelado pelas fontes que falaram a Daniel Brito.

        Nada contra a profissionalização da gestão de uma modalidade altamente popular, como o basquete. Mas observem que a conta está sendo paga pelo governo federal! Ou seja, com o NOSSO dinheiro! Lei de Incentivo, dinheiro do Orçamento do Ministério do Esporte, das loterias, da estatal Eletrobrás, enfim.

        E isso reforça a falta de comando do nosso esporte, que tem a sua economia praticamente estatizada.

        E como estamos falando de instituições particulares, até onde é competência do governo colocar grana em esporte de rendimento, que tem condições de andar com as próprias pernas?

        Mais do que nunca o Congresso Nacional precisa rever a Lei Pelé – que recentemente passou pela centésima atualização... mas não resolve a questão da independência financeira das confederações esportivas.

        Paralelamente, as confederações escondem suas despesas, tornando suspeito o uso do dinheiro público e que, por isso mesmo, exige-se transparência total.

        Há poucos dias, a Confederação de Basquete foi assunto muito debatido neste espaço, a partir da divulgação de seu balanço, onde nada aparecia sobre repasses a Brunoro Sports.

        Vieram desmentidos oficiais, mas a verdade é revelada nesta reportagem da Folha. Ou seja, balanços são peças burocráticas, apenas para constar e faz de conta que está tudo muito bem. E não está.

        Está aí mais um tema para os eficientes auditores do Tribunal de Contas da União e fiscais da Controladoria Geral da União.

        Bem que o deputado Romário, que tem se mostrado tão interessado nas questões do esporte, poderia apresentar um projeto de lei, em regime de urgência, determinando que as confederações escancarem suas contas, de forma muito clara e transparente, para que não fiquem dúvidas nem suspeitas sobre o uso do dinheiro público.

Por José da Cruz às 17h44

O show das Fabianas

         O calendário esportivo brasileiro ficará marcado como “a semana das mulheres, a semana das Fabianas”: a paulista Fabiana Murrer, campeã mundial do salto com vara; e a catarinense Fabiana Beltrame, campeã do mundo no skiff simples leve, em Bled, na Eslovênia.

        Os dois títulos são inéditos na história do esporte brasileiro. E, apesar de a prova da remadora não ser olímpica, já temos duas fortíssimas candidatas ao título de “Atleta do Ano”, promoção do Comitê Olímpico Brasileiro.

        Em fevereiro deste ano, entrevistei a catarinense Fabiana Beltrame, matéria publicada neste blog.

        Eram 8h30 de um sábado de muito sol, e ela saía da água depois de duas horas de remadas num skiff, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio. Na garagem de barcos, o também remador, Gibran Cunha – marido e treinador – esperava, com a filhinha Alice, pela remadora.

        Hoje, no pódio da Eslovênia, Alice estava no colo da mãe-campeã. Além do desejo de festejar com a filha, entendo que o gesto de Fabiana como uma homenagem à filha.

        Ainda sem entender tanta movimentação, Alice suporta a ausência da agitada rotina de Fabiana, dividida entre treinos, academias, entrevistas, enfim. Assim, a valorizada medalha de ouro, conquistada em isoladas remadas de Fabiana, torna-se coletiva, de família.

         

                    Fabiana e Alice, depois de um treino, na Lagoa

Alento e alerta

        A vitória de Fabiana Beltrame é um alento para o esporte brasileiro, em geral, e o remo, em particular.

        A conquista do pódio é, antes, vitória isolada da atleta, cuja formação começou como a da saltadora Fabiana Murer, sem muitos recursos, sacrifícios, limitações, equipamentos inadequados. E só quando chegaram ao destaque internacional é que surgiram os “apoios”.

        Mais:

        Esta vitória internacional deve servir como ALERTA ao governo do Estado e Prefeitura do Rio de Janeiro, principalmente, para as limitações que a empresa Glen está impondo aos remadores, depois que assumiu a gestão do Estádio do Remo, na Lagoa Rodrigo de Freitas.  

        O momento é oportuníssimo para que o Ministério Público, inclusive, reveja os termos desse contrato, que dá prioridade ao comércio, ao ganho fácil em área pública, em detrimento do desenvolvimento do esporte.

Por José da Cruz às 12h19

É tenso o ambiente no Ministério do Esporte

        Ficou tenso o ambiente no Ministério do Esporte, depois da denúncia de irregularidades no convênio de R$ 6,2 milhões, firmado com o Sindicato das Associações de Futebol, para cadastramento de torcedores do estado de São Paulo.

        Na prática, o ministério pagou por um trabalho que já vinha sendo realizado pela Federação Paulista de Futebol, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.

        Funcionários do Ministério contaram que há suspeitas de que parte dos R$ 6,2 milhões – ainda intactos na conta do sindicato – indenizaria a Federação Paulista, pelo cadastramento até agora realizado. Ou seja, em vez de o Sindicato executar o trabalho, compraria o registro já em andamento.

Erros

        Porém, há erros na origem do convênio, como o que afronta a Instrução Normativa nº 1/97, da Secretaria do Tesouro Nacional. O artigo oitavo dessa Instrução proíbe repasses de verbas públicas para entidades classistas, como o Sindicato do Futebol, o que poderá inviabilizar a parceria do Ministério do Esporte, além de provocar um inquérito administrativo para esclarecer quem tomou a iniciativa do ato. Sobre isso, a Controladoria Geral da União deverá se manifestar logo.

Benefício

        Em nível político, um parlamentar da base do governo me falou sobre a possibilidade de o PCdoB, partido de Orlando Silva, se beneficiar do cadastro dos torcedores na próxima campanha eleitoral, enviando mensagem de seus candidatos. Como o Ministério é o órgão pagador do convênio junto ao Sindicato do Futebol, o acesso do partido aos nomes e endereços cadastrados seria facilitado.

Contramão

        O tenso ambiente no Ministério do Esporte se agravou porque as relações do ministro Orlando Silva com cartolas do futebol ocorreram no momento em que a presidente Dilma Rousseff evita os dirigentes, principalmente o comandante maior, Ricardo Teixeira. E toda essa confusão envolvendo a pasta que comanda os projetos da Copa 2014 já repercute no Palácio do Planalto.

Explicações

        Hoje, depois de alguma resistência, o secretário nacional de futebol, Alcino Reis Rocha, conversou com os jornalistas e disse que “não há motivos” para suspender o convênio que ele assinou, junto com o secretário executivo do Ministério, Waldemar Manoel Silva, e o cartola Mustafá Contursi.

        Paralelamente, o ministro Orlando começou a dar explicações, como ocorreu com outros quatro ex-ministros, que recentemente entraram na “faxina” do Palácio do Planalto: Antônio Palocci, da Casa Civil,  Alfredo Nascimento, dos Transportes, Nelson Jobim, da Defesa e Wagner Rossi, da Agricultura.

        Hoje, Orlando já se explicou à Controladoria Geral da União e ao Tribunal de contas. Na semana que vem, irá ao Congresso Nacional, onde, apesar da forte base parlamentar do governo, o PCdoB sofre acirrada oposição do PT.

Por José da Cruz às 23h02

01/09/2011

Ministério do Esporte paga despesas do futebol profissional

        Já havia escrito sobre isso, várias vezes. Mas diante da reportagem publicada hoje no jornal O Estado de S.Paulo, volto ao assunto.

        Trata-se do convênio de R$ 6,2 milhões, entre o Ministério do Esporte e o Sindicato das Associações de Futebol Profissional, liderado pelo ex-cartola, Mustafá Contursi.

        O dinheiro se destinará ao cadastramento de torcedores do estado de São Paulo, no projeto para combater violência nos estádios. O mesmo ocorrerá em outras regiões do país.

        Não entro no mérito das denúncias do jornal, porque isso será trabalho para o Tribunal de Contas, Controladoria Geral da União ou da Polícia Federal, se for o caso.

        Porém, registro outro fato gravíssimo no mesmo Ministério do Esporte, que é a destinação de verba pública para equipar estádios de futebol com circuitos fechados de TV, controle das torcidas.

        Ora, isso é responsabilidade dos clubes! O Estatuto do Torcedor  assim “determina”! O próprio ministério divulga a ordem em sua página oficial

        E porque os clubes não cumprem a lei, o governo gastará mais de R$ 100 milhões em equipamentos, instalações a manutenção?

        Como o Ministério do Esporte explica  o artigo 14 do Estatuto do Torcedor, que atribui aos clubes a responsabilidade pela segurança dos torcedores?

   Afinal, em que nível está a autoridade de ministro Orlando Silva, que se curva diante da explícita desobediência da cartolagem, e age no seu lugar?

        Enfim, como entender a presidente Dilma Rousseff, que exige rigor e limitações nos gastos públicos diante das dificuldades de caixa, mas na pasta do Esporte o esbanjar em área privada é possível? O Palácio do Planalto concorda com tais extravagâncias?

        Mais:

        Cabe ao Ministério do Esporte, um órgão do Poder Executivo Federal, se envolver com cadastro de torcedor de futebol?

        A equipe do ministro Orlando não tem nada mais importante para se ocupar do que se meter num negócio que é exclusivo da iniciativa privada?

        Não é prioritário elaborar uma política de esportes, definindo competências de municípios, estados, União, clubes, confederações etc, para dar um ordenamento mínimo às várias esferas que atuam no setor, e deixar o futebol cuidar de suas mazelas?

        Ao cadastrar torcedor, o ministério não extrapola sua competência e invade responsabilidades de organismos específicos, como as secretarias de  Segurança dos Estados?

        O pior é constatar que, diante desses fatos, o Conselho Nacional do Esporte não se manifesta. 

        Agora vai.

Por José da Cruz às 23h42

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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