Blog do José Cruz

Busca

31/08/2011

Na capital da Copa, "falta reagente para exame de sangue"

        Na capital da República e da Copa 2014, pacientes do Hospital de Base, o principal da rede pública de Brasília, recebem o seguinte laudo dos exames de sangue a que se submeteram recentemente:

        “Falta reagente no momento”

        Agora, além da espera de até cinco horas por uma consulta;

        ... de até dois meses para receber um medicamento;

        ... dos corredores entupidos de pacientes, deitados até no chão pela falta de macas...

        ... os hospitais de Brasília também estão com "falta de reagentes" para um simples exame de sangue.

        E o médico que se vire para o diagnóstico do pobre paciente-contribuinte.  

        A grave denúncia foi revelada pelos jornais locais da Rede Globo.

Enquanto isso...

        A poucos metros do Hospital de Base, cresce a obra do novo estádio Mané Garrincha, para a Copa 2014, com capacidade para 75 mil pessoas, custo de mais de R$ 1 bilhão.

        Ali, o número de funcionários foi aumentado para trabalho em jornada prolonada, em detrimento de obras hospitalares e em escolas.

        A propósito, a rede pública escolar do Distrito Federal está com déficit de 500 professores. Mais de três mil alunos estão com as aulas comprometidas.

        O governador do Distrito Federal, que é médico, chama-se Agnelo Queiroz.

        Mas alguns eleitores-contribuintes já o chamam de Agnulo Queiros...

        Quanta maldade!

Por José da Cruz às 12h41

Estratégia emergencial para Rio 2016

        Em maio de 2006, o nome de Fabiana Murer começou a ganhar espaço na imprensa, quando bateu o recorde sul-americano do salto com vara – 4,55m –, em meeting internacional, no estádio Mangueirão, em Belém.

        Ao final dos saltos, Fabiana, ainda na pista, telefonou para o técnico, Elson Miranda. Emocionada, contou sobre o seu feito continental.

        Elson estava em São Paulo. Ele não foi convidado para acompanhar sua atleta ao evento paraense. A atleta ainda não era famosa, apesar de há algum tempo vir mostrando evolução. Quantas "Fabianas" ainda vivem situação idêntica em suas carreiras, Brasil afora? quantas constroem suas passdas no anonimato silencioso e de dificuldades, ao lado de seus persistentes técnicos? quantas serão valorizadas só quando chegarem ao pódio internacional?

        Desde que se colocou entre as 10 primeiras do ranking mundial, Fabiana recebe R$ 6 mil mensais da CBAt, para ajudar na sua programação de atleta.

        Paralelamente, o Comitê Olímpico Brasileiro anuncia que pagou os treinos de Fabiana na Itália, além de ter comprado dois colchões para seus treinos no Brasil. Os tempos são outros e a atleta merece.

        Mas é assim que o COB passou a agir com os atletas de várias modalidades, com potencial para serem finalistas nos Jogos Rio 2016: adotando-os e oferecendo tratamento VIP, que inclui técnicos estrangeiros, treinamentos no exterior, equipamentos em dia, etc.

        Porque, na verdade, não há mais tempo de se formar uma geração de atletas altamente competitivos para a Olimpíada do Rio de Janeiro. Agora, o mínimo a fazer é dar tratamento diferenciado aos tecnicamente capazes.

        Farto em recursos financeiros do Estado, é assim que o Brasil esportivo promove seus recursos humanos, de forma “emergencial”, porque faltou o elementar planejamento, e a Olimpíada está aí. E temos um Ministério do Esporte, é oportuno lembrar...

        A situação é tão grave, que a própria Confederação Brasileira de Atletismo, tem um link em sua página “Atletismo rumo ao Rio 2016”. Por que não se fala em Londres 2012? Porque são pouquíssimos nomes de destaque para a delegação e a frustração pode ser grande.

        Por mais eficaz que possa ser a emergencial estratégia do COB, ela revela o fracasso do atual modelo que envolve o governo federal e o sistema nacional do esporte, pois privilegia a poucos e desperdiça talentos ainda em fase de formação. Principalmente os que não têm a persistência para saltos mais ousados, como os de Fabiana, e, desanimados, param no meio do caminho.

        E quem responde por este prejuízo de frustração humana e desperdício esportivo?

Por José da Cruz às 09h23

O futebol é uma máfia

        Em plena evolução das denúncias de corrupção internacional envolvendo o  presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o ex-vice-presidente de Futebol do Internacional, Roberto Siegmann, revela dados sobre os bastidores do Colorado, as negociações dos clubes com a Rede Globo para a transmissão do Campeonato Brasileiro e a dimensão dos podres do esporte.

        “O futebol é uma máfia”, afirmou ele aos repórteres Felipe Prestes e Milton Ribeiro, do site Sul 21, de Porto Alegre. O entrevistado é juiz do Trabalho e diretor do Foro Trabalhista da capital gaúcha.

         - Por que os grandes clubes e as federações reelegem sistematicamente o Ricardo Teixeira? Qual é a vantagem? De que forma ele aglutina os dirigentes? – indagaram os repórteres. 

         “O futebol é uma máfia. Não tem nada mais parecido com a máfia do que o futebol. O futebol funciona, aqui e em nível internacional, em cima da troca de favores. Como a máfia funciona pela troca de favores. Então como é que as pessoas se elegem? Os presidentes das federações se elegem como? Ora, botando um gramado num campo do interior, abrigando as delegações em um hotel quando vão jogar fora de casa. Então, mediante pequenos favores, eles obtêm os votos tornando-se figuras absolutamente imbatíveis dentro de uma estrutura que não é nada democrática. A estrutura do futebol é tão antidemocrática que o presidente da Confederação Sul-Americana (Conmebol), Nicolás Leoz – que será mumificado na liderança do futebol sul-americano – tem uma declaração muito antiga de cada federação obrigando-se por si e por seus sucessores a votarem nele. É o restabelecimento da monarquia. E é assim na FIFA e nos países. Para quem gosta de Direito, há uma coisa fantástica. Sabemos que todas as nações são soberanas, com seu próprio Direito, sua Constituição, etc. Porém, o futebol tem uma estrutura própria que se sobrepõem às leis de cada país. Se a FIFA decidir punir um clube no Brasil, não adianta recorrer a ninguém.”

        A entrevista completa está aqui.

Por José da Cruz às 23h03

30/08/2011

Atletismo: a verba e o pódio

        O quadro de medalhas em Mundiais de Atletismo nos revela um dado interessante: em sete eventos, entre 1983 e 1999, o Brasil conquistou oito medalhas. Em apenas um deles, 1993, Stuttgart, não foi ao pódio.

        Porém, de 2001, quando a Caixa passou a patrocinar a Confederação de Atletismo e, no mesmo ano, começaram os repasses da Lei Piva, participamos de seis campeonatos mundiais, conquistando medalhas em apenas três. Ou seja, cresceram os recursos financeiros e os pódios foram reduzidos. 

        Deve-se considerar, inclusive, que antes da "era dos recursos públicos", nossos atletas conquistaram três medalhas num só evento, 1999, Sevilha. Era uma época em que, além das dificuldades financeiras, nem se falava em "Bolsa Atleta"...

            

ANOPAÍSMEDALHA     ATLETAPROVA
1983HelsinqueBronzeJoaquim Cruz800m
1987RomaBronzeZequinha Barbosa800m
1991TóquioPrataZequinha Barbosa800m
1993StuttgartSem med.  
1995GotemburgoBronzeLuiz A. dos SantosMaratona
1997AtenasBronzeClaudinei Quirino200m
1999SevilhaPrataClaudinei Quirino200m
  PrataSanderlei Parrela400m
  BronzeRevezamento4 x 100m
2001EdmontonSem med.
2003ParisPrataRevezamento4x100m
2005HelsinqueSem med.  
2007OsakaPrataJadel GregórioSalto triplo
2009BerlimSem med.  
2011DaeguOUROFabiana MurerSalto c/vara

        O Revezamento 4x100m, bronze em Sevilha, tinha Raphael Oliveira, Claudinei Quirino, Edson Luciano e André Domingos. Já em Paris, 2003, o quarteto correu com: Vicente Lenilson, Edson Luciano, André domingos e Cláudio Roberto Souza.

Por José da Cruz às 16h55

Dia de Fabiana Murer. Show e história no atletismo mundial

             Mais uma vez as mulheres salvam a pátria do atletismo brasileiro.

        Depois do ouro olímpico de Maurren Maggi, no salto em distância, agora Fabiana Murer, 30 anos, conquista o pódio internacional, no Campeonato Mundial de Atletismo, em Daegu, Coréia do Sul.

        Ao contrário da bicampeã olímpica e mundial do salto com vara, Elena Isinbaeva, Fabiana demonstrou uma confiança e ousadia impressionantes, na prova desta manhã. Visivelmente, ela estava preparada técnica e psicologicamente para conquistar a inédita medalha de ouro em Mundiais.

        Depois de dois saltos – 4,60m e 4,65m – a brasileira ignorou o sarrafo nos 4,70m e optou por ir direto para os 4,75m. Passou fácil na primeira tentativa e colocou Elena Isinbaeva na pressão, e a russa errou.

        A brasileira passou a liderar a prova, num evento em que a campeã mundial de 2009, Ana Rogowska, deu adeus antes de o sarrafo chegar aos 4,75m. Todas as grandes saltadoras estavam na prova.

        Mais: a brasileira estava literalmente mergulhada na competição, numa demonstração como há muito não se via num atleta nacional em estádio lotadíssimo.

        E o atletismo brasileiro, enfim, está “salvo”.

        O presidente da Confederação de Atletismo, Gesta de Melo, já pode olhar para os parceiros, que investem R$ 15 milhões no atletismo, este ano, e sorrir...

        Graças à sua gestão, o  Brasil, enfim, se igualou a Botsuana.

Por José da Cruz às 09h23

29/08/2011

Oscar Pistorius: velocidade sem barreiras

         Em outubro de 2006, já destaque mundial do atletismo paraolímpico, entrevistei Oscar Pistorius, quando ele projetava disputar uma prova de nível olímpico.

        O sonho tornou-se realidade nesta segunda-feira, cinco anos depois daquela entrevista. Ele correu a semifinal dos 400m do Campeonato Mundial de Atletismo, em Daegu.

        Pistorius marcou 46s19, não se classificando à final. Seu desempenho, porém, equivale ao atual segundo lugar no ranking brasileiro adulto, liderado por Anderson Freitas, com45s81.

        No entanto, o principal questionamento é: as próteses impulsionam as passadas e contribuem para um rendimento superior aos dos demais atletas de nivel olímpico?

           

        A seguir, o resumo da reportagem com Oscar Pistorius, no Correio Braziliense, em 15 de outubro de 2006:

        Como você descobriu que tinha potencial para ser corredor?

        - Na escola, eu jogava críquete, pólo aquático, tênis e rúgbi. Durante uma partida de rúgbi, machuquei seriamente o joelho, e os médicos recomendaram que eu passasse para o atletismo. Foi aí que começou minha carreira. Um ano depois, em 2004, tive a sorte de estar na equipe paraolímpica sul-africana, nos Jogos de Atenas.

        Há planos para disputar uma competição olímpica?

        - Acredito que os atletas deficientes têm condições de se classificar  para uma olmpíada, desde que seja dada essa oportunidade. Não é um objetivo fácil, tratando-se de um deficiente, mas eu farei o meu melhor para isso. Acredito que terei mais condições na prova de 400 metros.

        Que percentual de seus resultados se deve à tecnologia das próteses e quanto vem de seu desempenho físico?

        - As próteses têm um papel grande em meus desempenhos, é claro. Sou um atleta da equipe Ossur (fabricante de próteses, na Islândia), que me apóia para eu compensar a deficiência de um atleta biamputado. Corro apoiado em lâminas de fibra de carbono, que são usadas por qualquer outro atleta que não tenha pernas. Há um equilíbrio bem claro entre a preparação física e a prótese.

        A impressão é que suas pasadas são maiores do que as dos atletas sem deficiência, que correm sem próteses. É isso mesmo?

        - Ainda não medi minhas passadas para comparar com a de outros atletas. Minha equipe ainda não fez a investigação desse aspecto técnico, mas é uma pesquisa interessante.

        Como você perdeu os pés?

        - Eu nasci sem a fíbula (osso abaixo dos joelhos, na parte lateral da perna). Meus pais decidiram pela amputação quando eu tinha 11 meses de idade. Não sou um deficiente. Apenas não tenho os pés. Essa é a minha filosofia de vida. Não tenho nenhum problema em falar de minha deficiência, até porque eu sou tão capaz quanto qualquer outro ser humano.

Por José da Cruz às 19h39

Botsuana faz história no Mundial de Atletismo

                

         Aí está a bandeira da República de Botsuana , país da África Austral, limitado a oeste e norte pela Namíbia, a leste pelo Zimbábue e a sul pela África do Sul.   População: 1,9 milhão, do tamanho do Distrito Federal.

        É para lá que vai a primeira medalha de ouro do país em histórias de Mundiais de Atletismo. Feito da velocista Amantle Montsho, campeã dos 400m, com 49s56, seguida da favorita norte-americana Allyson Felix, 49s59.

        O Brasil ainda tem chances de pódio, com Fabiana Murrer, amanhã, no salto com vara, e com os revezamentos 4x100m e 4x400m.

Evolução e regressão

        Professor Fernando Franco, do Centro de Estudos de Atletismo,  me enviou a seguinte mensagem:

        O brasileiro Lázaro Borges chegou ao Mundial de Atletismo com um salto de 5,80m, feito em fevereiro. Na prova que disputou, há pouco, no estádio de Daegu, saltou 5,65m.

        Já o cubano Lázaro Borges entrou na prova com 5,75, seu melhor resultado deste ano. Saiu da prova com 5,90m e a medalha de prata no salto com vara.

        “Lázaro não foi treinar na Itália, mas em Cuba”, ironizou Fernando Franco.

Balanço

        Terminou o terceiro dia de competições do 13º Mundial de Atletismo.

        Saldo: duas varas quebradas. Nunca tinha visto nada igual, com riscos para os saltadores, inclusive.

        Participação polêmica de Oscar Pistorius, sul-africano amputado da parte inferior das pernas, que disputou os 400m usando duas próteses. Na terceira série, Pistorius terminou em último lugar, com 46s19. Os classificados à final correram na casa dos 44s/45s.

        Finalmente:

        O cubano Dayron Robles quis ser esperto e deu um chega pra lá no chinês Xiang Liu, no último obstáculo dos 110m, com barreiras. O vídeo mostra que o toque de braço foi proposital e desequilibou Liu, qua saiu da disputa pelo segundo lugar.

        Resultado: a direção da prova desclassificou o cubano Robles, e Xiang Liu ficou com a medalha de prata (13s25), na prova vencida por Jason Richardson, com 13s16.

        Amanhã, quarto dia do Mundial de Atletismo: além da brasileira Fabiana Murrer, teremos a volta da russa Elena Isimbaieva, depois de um ano longe dos grandes eventos.  

Medalhas

        No quadro de medalhas, os Estados Unidos lideram com oito conquistas, sendo quatro de ouro, três de prata e uma de bronze.     Quênia em segundo – dois ouro, duas prata e dois bronze. Rússia tem quatro medalhas, uma de ouro, duas de prata e um bronze. Seguem, pela ordem, Jamaica, China, Etiópia e Botsuana, todos com uma medalha de ouro.

Por José da Cruz às 11h04

28/08/2011

O judô no caminho da gestão profissional

         O judô retorna do Mundial de Paris com seis medalhas, sendo cinco nas disputas individuais e segundo lugar por equipes.

        É o melhor resultado da história da modalidade, que investe R$ 5 milhões na preparação da equipe nesse último ano do ciclo olímpico, informam seus dirigentes.

        Paralelamente, a direção da CBJ anuncia que montará base de treinamentos na Europa, para os judocas pesos-pesados. E que o Mundial por equipes, em 2012, será em Salvador.

        Mais: antes de embarcar para a França, os diretores da Confederação de Judô realizaram um seminário com todos os patrocinadores – Sadia, Infraero, Bradesco, Cielo, Suzano, Scania, Ticket e Mizuno. Fato raríssimo, quem sabe inédito, no esporte olímpico nacional.

        Juntei essas informações para mostrar que os pódios nos tatames de Paris são resultado além do treinamento exclusivo dos judocas.  

        Observa-se que há planejamento e investimento voltados ao fortalecimento e valorização da modalidade, inclusive com a adesão de novos patrocínios.

Balanço

        Não tenho informações suficientes para avaliar em detalhes a gestão da atual diretoria. Mesmo porque, os balanços financeiros da CBJ não estão disponíveis em sua página na internet, apesar de ter um link específico. Mas não há documentos de fácil acesso. Logo, falta a transparência dos recursos públicos repassados à Confederação.

        Porém, levantei alguns dados, que permitem concluir que, ao contrário de outras épocas, agora há dinheiro para trabalho de longo prazo.

        Repasses das loterias federais (Lei Piva):

        2009 – R$ 2,9 milhões

        2010 – R$ 3,2 milhões

        Patrocínios

        Infraero. em 2011: R$ 3,6 milhões.

        Lei de Incentivo ao Esporte:

        Entre 2008 e 2011: R$ 9,3 milhões.

        Porém, a exemplo de outras modalidades, cresce a reclamação: “Não há recursos para desenvolver a base”.

        Enfim, diante do desempenho positivo do judô em tatames internacionais, ainda é real – e crônica – a falta de apoio para a iniciação, justamente a categoria que precisa evoluir para renovar as equipes adultas.

        Fica a impressão de que a CBJ trabalha exclusivamente com as equipes de representação, isto é, as seleções. Então, quem cuida dos que tem potencial, mas ainda não chegaram às seleções? Quem explica sobre isso?        

        Finalmente, assim como o vôlei, presente na maioria das finais internacionais, o judô demonstra estar no caminho da gestão profissional do esporte. Que o seu modelo sirva de exemplo para outras modalidades, a fim de que os resultados sejam efetivos diante da fartura dos recursos disponíveis.

Por José da Cruz às 21h59

Maurren decepciona e fica em 11º no salto

        Uma das raríssimas esperanças de medalha brasileira no Mundial de Atletismo, Maurren Maggi, terminou a competição em decepcionante 11º lugar, em Daegu, Coreia do Sul, na manhã deste domingo.

        Depois de ter se classificado à final com a melhor marca, 6,89m, a campeã olímpica queimou os dois primeiros saltos, e foi sob pressão para o terceiro.

        Resultado:  irrisórios 6,17 metros, marca de treino, numa prova em que o melhor salto foi da americana Brittney Reese, com 6,82m, ouro garantido já na primeira tentativa, pois queimou os cinco restantes. A russa Olga Kucherenko ficou com a prata, 6,77m. A representante da Letônia, Ineta Radevica ficou com o bronze, 6,76m.

        Já nos 400m, Geisa Aparecida fez 51s87 na sua série e também encerrou participação no evento.

        Assim, as esperanças de pódio brasileiro ficam reduzidas aos dois saltadores com vara, Fabiana Murrer e Fábio Gomes, além dos revezamentos masculino e feminino.

        É muito pouco, uma miséria, para um país com o potencial do Brasil, em que não faltam recursos financeiros para preparar equipes altamente competitivas.

Por José da Cruz às 07h50

Fabiana Murrer está na final do salto com vara

        Com 4,55m, Fabiana Murrer classificou-se entre as 12 finalistas do salto com vara, no Mundial de Atletismo, em Daegu, Coreia do Sul.

        A estrela da prova, a russa Elena Isinbaeva, também passou à final, igualmente com 4,55m. Decisão será na terça-feira, às 7h (de Brasília).

        Já no masculino, o paulista Fábio Gomes da Silva disputará hoje à noite a final do salto com vara. É a segunda vez que ele chega à decisão em Campeonato Mundial de Atletismo.

        Na marcha, Caio Bonfim terminou em 22º lugar, entre 38 concorrentes. O outro brasileiro na prova, Moacir Zimmermann foi desclassificado.

Final

        Às 6h15 (de Brasília) deste domingo, Maurren Maggi estará na final do salto em distância, classificada com 6,89m. A americana Britney Reese, com 7,19m, e a russa Darya Klishina, com 7,05, são as principais adversárias da brasileira.

Vergonha

        No país dos Jogos Olímpicos 2016 a SporTV não transmitiu as provas da manhã e tarde do segundo dia do Mundial de Atletismo, na Coreia do Sul.

        Transmissões só pela manhã (noite em Daegu), quando não há lutas nem replay do futebol para encherem a telinha...

        Que vergonha!

Por José da Cruz às 00h20

Rodolfo Fernandes

        O fim de semana ficou triste com a morte de Rodolfo Fernandes, 49 anos, diretor de Redação de O Globo.

        Foi meu companheiro de redação no Jornal de Brasília, nos anos 1980, onde ele, ainda jovem, já revelava talento para a reportagem política. Tinha escola, seu pai, Hélio Fernandes, que por muitos anos dirigiu a combativa Tribuna da Imprensa.

        O jornalismo perde um grande profissional, um grande amigo. Que pena.

        Leia mais, aqui

 

Por José da Cruz às 23h15

27/08/2011

O espírito esportivo de Sogelau Tuvalu

        Do Blog do Laguna obtive as informações para esta mensagem

        O Campeonato Mundial de atletismo não é um evento apenas para as estrelas da modalidade.

        Para contrastar com o fenômeno jamaicano, Usain Bolt, o principal nome a ser batido, é da Samoa Americana que se apresentou um jovem e robusto velocista, Sogelau Tuvalu.

        Com apenas 17 anos, Tuvalu fez sua primeira prova internacional nos 100m exatamente neste Mundial.

        Com esforço, ele terminou sua série eliminatória em último lugar, com o tempo de 15s66, o pior entre todos os competidores que estão na Coréia do Sul.

        Mas, sem dúvida, o desempenho do jovem atleta reflete o espírito esportivo, e, para ele, o importante, de fato, é competir.

        Acompanhe aqui a bateria eliminatória de Sogelau Tuvalu.       

Por José da Cruz às 22h31

Mundial de Atletismo:Maurren e Fábio Gomes estão na final

      No primeiro dia de provas do Mundial de Atletismo só as mulheres do Quênia já garantiram seis medalhas: três na maratona, que abriu a competição, e três nos 10.000m, encerrados há pouco.

      Maurren Maggi, com 6,86m classificou-se à final do salto em distância. Keila Costa (6,56m) está fora do evento.

      Geisa Coutinho  avançou à semifinal dos 400, com 52s15, prova que será disputada às 6h55 de domingo, horário de Brasília.

       No masculino, Fábio Gomes, com a marca de 5,65m, no salto com vara garantiu vaga na final, segunda-feira, às 7h25 (de Brasília).

        Kleberson Davide venceu a quinta série preliminar dos 800m (1min46s06) e passou à semifinal, domingo, às 6h, de Brasília.

        Fabiana Murrer estreia no Mundial às 21h15 deste sábado, no salto com vara. Boa sorte.

Por José da Cruz às 10h42

Mundial de Atletismo: Quênia domina maratona feminina

E acabam de sair as três primeiras medalhas

Final da Maratona feminina

Quênia domina o pódio

          Ouro         Edna Kiplagat             2h28min43s

          Prata        Priscah Jeptto             2h29min00s

          Bronze     Sharon Cherop          2h29min14s

Resumo:

          Primeiro dia de competições em Daegu – Coreia do Sul (12h à frente de Brasília):
          Nenhuma atleta brasileira participou da maratona.
          Nenhum canal de televisão brasileiro (aberto ou fechado) transmitiu a maratona feminina.
          É o Brasil Olímpico rumo a 2016 !

Por José da Cruz às 23h52

Ministério Público Federal enquadra o cartola doidão

Do blog de Juca Kfouri

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE JOINVILLE/SC
RECOMENDAÇÃO

         O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pelo Procurador da República infrafirmado, no exercício de suas atribuições constitucionais e legais,respaldado, em especial, no art. 6º, inciso XX, da Lei Complementar nº 75/93, e CONSIDERANDO

1. competir ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Carta Magna, promovendo as medidas necessárias à sua garantia, conforme prescrito pelo art. 129, II, da Constituição Federal, e arts. 5º, I, “h” e art. 6º, V, c/c art. 7º, da Lei Complementar nº 75/93;

2. que a Federação Catarinense de Futebol (FCF) lançou em seu endereço eletrônico uma Nota Oficial, na qual veta (censura prévia) qualquer manifestação nos estádios catarinenses contra a Confederação Brasileira de Futebol –CBF – ou seu Presidente, Ricardo Teixeira.

3. que a FCF ameaça impedir a entrada ou retirar dos estádios catarinense torcedores que manifestem contra a CBF ou seu Presidente.

4. que tal Nota fere de morte o direito de livre expressão de pensamento e manifestação, garantido em diversos Tratados e Convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, além da Constituição Federal.

5. que incumbe ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL promover as medidas necessárias para a proteção do interesse público, sendo os principais instrumentos de atuação a expedição de RECOMENDAÇÕES, a instauração de INQUÉRITOS CIVIS e o ajuizamento de AÇÕES CIVIS PÚBLICAS;

Dessa forma, O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL RESOLVE:

RECOMENDAR,

à Federação Catarinense de Futebol e ao Estado de Santa Catarina, representado pelo Sr. Sadi Lima, que

a) revogue a determinação de inviabilizar o exercício do direito a crítica e manifestação de pensamento.

b) afaste a determinação de impedir a entrada nos Estádios, ou retirar dos Estádios, torcedores que estejam exercendo seu direito a crítica e manifestação de pensamento.

Ao Estado de Santa Catarina que não impeça a entrada, ou retire dos estádios, torcedores que estejam exercendo seu direito constitucional de crítica e manifestação de pensamento.

Por derradeiro,

         ADVERTE que o não atendimento da presente RECOMENDAÇÃO ensejará a adoção das medidas legais cabíveis.

Salienta ainda que as providências adotadas em virtude desta recomendação deverão ser imediatamente informadas a esta Procuradoria da República, ou, no máximo, em 48 horas.

Joinville/SC, 26 de agosto de 2011.

Mário Sérgio Ghannagé Barbosa
Procurador da República

 

 

Por José da Cruz às 23h31

O cartola Doidão

Por Alberto Murray Neto

        Mesmo com a criação da internet, quando estou fora do País, confesso que não fico absolutamente atualizado sobre as coisas que se passam na terra natal. Vejo uma coisa, ou outra, detenho-me naquilo que me parece mais relevante.

        Hoje, li uma manchete que pensei que fosse blague. Cliquei em cima da notícia e lá estava ela. Um presidente de alguma federação de futebol qualquer andou dizendo que não permitiria manifestações nos estádios contra Ricardo Teixeira. O sujeito deve ser um imbecil. Uma parvoíce dessas somente pode partir de uma mente insana.

        Em primeiro lugar, o tal cartola não é dono do estádio. Se o jogo fosse no quintal da casa dele, até concordo que pudesse exigir o traje dos torcedores, como aqueles convites que recebemos com o R.S.V.P e a indicação da indumentária. Mas o futebol brasileiro, apesar de tudo, ainda não chegou a esse nível.

        Em segundo lugar, o ilustre dirigente não tem poder de polícia, nem mandado judicial, nem coisa alguma que dê exequibilidade à sua idéia.

        Mais importante que tudo é o sagrado direito de livre manifestação que a Constituição Federal nos garante. A expressão pública e pacífica, seja ela a favor ou contra alguma coisa, é altamente benéfica e necessária.

        O cretino do cartola, no fundo, sabe que a sua ameaça é uma bravata. Muito embora eu lhes possa afiançar que essa gente gostaria imensamente de arrancar nossas tripas a cada vez que discordamos deles.

        O tal presidente quis dar uma puxada de saco na CBF e em seu presidente, ainda que isso lhe custasse a pecha de idiota.

        Pois então que se faça o contrário. Que as torcidas dos dois times levem aos estádios camisetas, faixas, bandeiras e vuvuzelas para protestar contra o establishment do futebol brasileiro.

Por José da Cruz às 23h16

26/08/2011

Mundial de Atletismo: chances mínimas de pódio para brasileiros

         O Brasil não terá representantes na maratona e nos 10.000m femininos, que abrem o 13º Campeonato Mundial de Atletismo, hoje, às 21h (de Brasília), em Daegu, na Coreia do Sul.

        Com uma delegação de 29 atletas – sendo 15 masculinos – o Brasil disputará o evento com poucas chances de pódio.

        Inclusive Maurren Maggi, ouro olímpico no salto em distância, nos Jogos de Pequim, com a sétima marca do ano (6,89m), revelou que sua meta não é o Mundial da Coreia, mas os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro, um evento inexpressivo, como se sabe, que ela deverá dominar com facilidade

        O professor Fernando Franco, do Centro de Estudos de Atletismo, avalia, com base no ranking da temporada, que nas provas individuais apenas Fabiana Murrer tem 30% de chances de pódio, no salto com vara.

        Fabiana é a sétima do ranking deste ano, com 4,71m, e terá seis concorrentes que já saltaram mais de 4,70m em 2011. Prova fortíssima com resultado em aberto e expectativa para o desempenho de Yelena Isinbaieva, quarta marca do ano (4,76m). A líder do ranking é a norte-americana Jennifer Suhr, com 4,91m.

        Já os revezamentos – 4x100m, masculino e feminino e o 4x400m feminino – podem surpreender, pois têm bom desempenho na temporada.

        “Mas vão depender de um acidente de percurso dos quartetos favoritos dos Estados Unidos, Jamaica e Inglaterra”, disse o professor Fernando Franco.

        A SporTV anuncia a transmissão ao vivo das provas do Mundial de Atletismo.

        Acompanhe os resultados pelos sites:

        Oficial e da Confederação Brasileira de Atletismo

Por José da Cruz às 20h26

Em dois anos, Ministério do Esporte dobra valor do contrato com Consórcio Copa

         Enquanto os órgãos de fiscalização do governo investigam denúncias de fraudes no Ministério do Turismo, seria oportuno que o Tribunal de Contas ou a Controladoria Geral da União também analisassem o contrato do Ministério do Esporte com a empresa “Consórcio Copa 2014”.

        O contrato entre o Ministério e o Consórcio foi assinado em 30 de julho de 2009, no valor de R$ 13,2 milhões.

        Um ano depois, em junho de 2010, um aditivo acrescentou 25% ao valor do contrato, isto é, mais R$ 3,3 milhões.

        Finalmente, em abril deste ano, mais 45% -- R$ 7,5 milhões –  de aumento ao valor do contrato.

        Resultado:

        O Consórcio Copa 2014, com sede em São Paulo, praticamente dobrou o valor do contrato original, chegando a R$ 24 milhões.

        O interessante é que o Consórcio, criado em 2009, até hoje, dois anos depois, não tem uma página na internet para que se possa acompanhar os trabalhos de "serviços de apoio ao gerenciamento para organização e realização da Copa do Mundo 2014".

Por José da Cruz às 12h24

25/08/2011

Grêmio: estádio de primeira e time de segunda...

         São preocupantes os atrasos nas obras dos estádios das cidades-sedes da Copa 2014. Mas, no Sul, o presidente do Grêmio, Paulo Odone, ataca na contra-mão e pede para ir devagar com a construção da Arena Tricolor, informa "O Bairrista", jornal humorístico, na capital gaúcha.

        Com o time em acentuado declínio no Campeonato Brasileiro, o cartola teme que o estádio fique pronto e o Grêmio esteja na segunda divisão, no dia da inauguração da nova casa Tricolor ... Bricadeiras à parte, faz sentido, para a alegria colorada, principalmente.

        Como me informam dois leitores gaúchos, "O Bairrista" é pura gozação, e em momento oportuna brinca com um fato real. Mesmo porque, o Grêmio sabe muito bem o que é uma "segundona"

        A notícia do “O Bairrista”, publica, inclusive, a foto do "estádio de primeira"...

               

       Atualizado às 11h50

Por José da Cruz às 21h19

Comitês Populares da Copa e da Olimpíada reúnem-se em Brasília

         Representantes dos Comitês Populares das cidades-sedes da Copa 2014 e Olimpíada 2016 reúnem-se em Brasília sábado e domingo próximos.

        A plenária será aberta às pessoas e organizações interessadas em fortalecer as discussões e articulações sobre os impactos desses megaeventos, como as questões sociais, ambientais, financeiras, culturais e, principalmente, as autoritárias desapropriações.

        Os Comitês Populares defendem que as oportunidades que a realização da Copa e da Olimpíada poderão trazer para as cidades-sedes não se concentrem em benefícios de restritos grupos da sociedade.

        A plenária será no Centro Cultural Brasília, com a seguinte programação:

Sábado: dia 27

9h             Chegada
9h30         Debate - A formação do Estado de Exceção para e após os             megaeventos
11h           Informe dos Comitês Populares locais
12h30       Almoço
14h           O sentido estratégico da luta contra os impactos excludentes dos megaeventos
14h30       Trabalho em grupos
15h30       Plenária de apresentação dos trabalhos em grupos
17h45       Apresentação do Portal da Copa e Olimpíadas elaborado pelo IPPUR
18h30       Encerramento do dia.

Domingo: dia 28

9h             Apresentação da síntese do dia anterior
9h30         Trabalho em grupo
10h30       Plenária de apresentação dos trabalhos dos grupos
10h45       Debate e encaminhamentos a partir das indicações dos grupos
12h30       Almoço
13h45       Definição da organicidade da Rede Megaeventos – Articulação Nacional
16h           Encerramento

Contatos da organização
Francisco De Filippo - xicocf@yahoo.com.br
Rosilene (Jubileu Sul) - rosilene@jubileubrasil.org.br

Por José da Cruz às 20h56

A opaca transparência da Copa 2014

Por Walter Guimarães

Da Associação Contas Abertas

            Os últimos dados inseridos no Portal da Transparência para a Copa da CGU foram de dois convênios do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), com valores de R$ 5,2 milhões e R$ 2,5 milhões, firmados com a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Renovadoras e com a Embratur, respectivamente.

            Ambos foram publicados no dia 10 de agosto. Uma semana antes foi a vez de seis contratos também voltados para o Desenvolvimento Turístico. Dois são com a F.J. Produções, que somados chegam a apenas R$ 20,9 mil, e outros quatro com a Fundação Getúlio Vargas, totalizando R$ 2,9 milhões.

            A reportagem completa está aqui.

Por José da Cruz às 08h32

24/08/2011

Copa 2014: desapropriações provocam invasão do Ministério do Esporte

        As desapropriações para as obras da Copa 2014, desalojando centenas de famílias, Brasil afora, estão se tornando gravíssimo problema social, sem que o governo tenha a dimensão do tamanho da confusão em que está metido.

        Ao final da tarde desta quarta-feira, cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Nacional de Resistência Urbana fizeram manifestação no Ministério do Esporte. Invadiram o prédio com ameaças e exigiram uma reunião com o ministro Orlando Silva. Foram atendidos.

        “O coordenador da Frente de Resistência Urbana, Lacerda Santos, disse que os trabalhadores que viviam próximo às regiões onde há obras para a Copa do Mundo estão sendo desalojados sem um plano governamental para realocá-los”, afirma reportagem no portal do Correio Braziliense.

        Na reunião com Orlando Silva, ficou acertado que será criado um grupo para “dialogar com os movimentos e fazer um mapa das intervenções já ocorridas, para definir o que poderá ser feito”.

        Representantes dos ministérios do Esporte, da Justiça, Cidades, Direitos Humanos e Secretaria Geral da Presidência da República deverão integrar a comissão que cuidará, tardiamente, do assunto.

Omissão

        É claro que este não é um tema exclusivo do Ministério do Esporte, mas é nesse órgão que está o Comitê Organizador da Copa do Mundo. Logo, bateram na porta certa.

        E bateram tão “delicadamente” que veio abaixo a enorme porta de vidro da entrada principal do Ministério do Esporte ... Os seguranças ficaram acuados diante das ameaças invasoras.  

        Ou seja, enquanto o ministro gasta milhões de reais para combater a violência nos estádios, enfrenta no seu próprio ambiente de trabalho a indignação nacional, fruto da omissão e imprevidência do governo nesta questão específica.

        Com esta ação, os atingidos pelas desapropriações dimensionam a gravidade do problema.

        Mais: escancaram, principalmente, como o governo federal está despreparado e sem planejamento para promover a Copa 2014. O que não é novidade. Mas, agora, transformam-se em ação agressiva e perigosa as reportagens que há muito denunciam a truculência nas desapropriações nacionais.

Por José da Cruz às 22h18

Basquete: ficaram as boas lembranças

         É do extremo sul do Rio Grande que chega a mensagem de meu amigo Carlos Alex Soares, autor do blog Mais baquete.  

        Professor de educação física e abnegado pelo basquete – mesmo enfrentando as mazelas do esporte do interior – Alex lembra que ontem completamos 24 anos da histórica “travessura” da Seleção Brasileira, ao derrotar os Estados Unidos, no Pan de Indianápolis.

De virada! 120 x 115.

        “Parabéns a Marcel de Souza, Oscar, Gerson Victalino, Pipoka, Israel, Paulinho Villas Boas, Guerrinha, Cadum (Cadum Turismo), Maury, Rolando Ferreira, Silvio e André Stofell”, escreveu Alex.

“Parabéns a comissão técnica comandada por Ary Vidal e José Jose Medalha (Victor Garcia, Dr. César de Oliveira e Dr. Paulo de Rossi).”

Cabe a pergunta, Alex:

Que evolução tivemos na modalidade, aproveitando aquela inesquecível geração, antecedida por outra, também brilhante, de Ubiratan, Amauri, Mosquito, Wlamir, Rosa Branca, Succar, Jathyr?

Ficaram as lembranças.

Por José da Cruz às 10h35

Bolando Ideias

O Sesc de Campinas, SP, promoveu, ontem, mais um encontro de seu programa mensal “Bolando Idéias”.

Tive a honra de dividir o espaço com o companheiro Juca Kfouri. Foi ótimo, pois ouvir seus depoimentos, com boa dose de ironia e humor, é sempre um aprendizado.

Durante 90 minutos, debatemos com cerca de 200 pessoas - a maioria universitários -, que ainda acreditam num país esportivamente desenvolvido e a sociedade com oportunidades de se exercitar. Não temos isso. O foco, há muito, é o alto rendimento, onde poucos se beneficiam política e economicamente, como tenho demonstrado em várias mensagens.

Observo que, apesar da nossa fortíssima cultura futebolística, é crescente o interesse do público em debater as questões gerais do esporte.

Os grandes eventos estão chegando e, com certeza, influenciarão na sociedade como um todo.

Por isso, o debate e a crítica não podem se limitar aos jornalistas. O envolvimento popular nas discussões é decisivo para ajudar, principalmente, a combater a corrupção pública e os abusos dos gestores espertos e de ocasião.  

Por José da Cruz às 09h57

23/08/2011

Quem fiscaliza o dinheiro do esporte?

        A comissão do Ministério do Esporte que regulamenta a Lei Pelé debate sobre a distribuição de recursos financeiros públicos e a elaboração de um anteprojeto de lei para a criação do “Fundo Nacional”. Motivo das propostas: aumentar o percentual de repasses das loterias federais para o esporte.

        Desde que a Lei 10.264 foi sancionada, em 2001, as loterias repassam 2% do que arrecadam para os comitês Olímpico e Paraolímpico. Para os olímpicos, que ficam com 85% da fatia, é muita grana. Foram R$ 142 milhões, em 2010.

        Já aos paraolímpicos – que em breve vão se chamar “paralímpicos” – são destinados 15% do rateio, que em 2010 correspondeu a apenas R$ 25,4 milhões. A diferença é enorme, não entendo.

        O que entendo é a voracidade como cartolas e gestores do governo conversam sobre “mais dinheiro para o esporte”.

        Será que esses senhores têm noção de quanto é injetado dos cofres públicos anualmente? Com certeza, não têm! Ou fingem que não sabem e querem mais, porque o próprio Ministério do Esporte não tem o comando sobre o assunto.

Fontes de recursos

        São várias fontes a jogar grana no esporte de rendimento:

1. Orçamento do Ministério do Esporte

2. Lei de Incentivo ao Esporte

3. Lei das Loterias (essa dos 2% que agora querem aumentar o percentual)

4. Oito estatais financiando os dois comitês e 20 confederações

5. Bolsa Atleta

Tudo somado, representou R$ 1,7 bilhão, em 2010;

        E não podemos esquecer que das loterias também saem recursos para a Confederação Brasileira de Clubes, via Ministério do Esporte, dinheiro destinado aos clubes formadores de atletas.

Alerta

        Paralelamente, cresce a “gritaria silenciosa” de técnicos e atletas para a “falta de dinheiro” na base, na iniciação, nos atletas juvenis, na geração 2016!!!

        Atenção Ministério Público, Controladoria Geral da União, Tribunal de Contas da União, Câmara dos Deputados, Senado Federal! Atenção! Investiguem o destino da verba pública para o esporte. Não apenas o rateio, mas a aplicação efetiva dos recursos. De-ta-lha-da-men-te!

        Enquanto muitos jovens atletas se queixam – e outro tanto até encerra carreira prematuramente – da falta de recursos para seus programas, o Comitê Olímpico encerrou 2010 com saldo positivo em caixa de R$ 48 milhões só da Lei Piva!    

        Mais: observem, que na medida em que crescem os valores dos recursos públicos regride o desempenho de várias modalidades no contexto internacional. Qual o motivo? Quem explica?

        Afinal, já que o Ministério do Esporte é incompetente para tais respostas, que os órgãos de fiscalização atuem imediatamente, antes que políticos e governo aprovem novos recursos sem se saber para quê.

        Podemos estar diante de um desperdício espetacular de verbas públicas pela falta de uma política efetiva de esporte, em que todos os envolvidos pedem, ganham mas os resultados são limitadíssimos. É verdade que a Lei Piva tem prestação de contas abertas. Mas quem mostra o balanço sobre as demais fontes de recursos?

        Afinal, a transparência deve ser total e que não fique apenas entre os entes envolvidos.  O que se pede não é favor a ninguém, mas o cumprimento de uma obrigação de quem é gestor do bem que não lhe pertence, do bem público.

Por José da Cruz às 07h43

22/08/2011

Copa 2014: Romário quer Câmara investigando problemas das desapropriações

            Depois de entrevistas na semana passada, o deputado Romário foi hoje à tribuna da Câmara para denunciar sobre desmandos no processo de desapropriações para a Copa 2014.

            “Acompanho com apreensão as notícias sobre o modo como têm sido realizadas, em alguns casos, as desapropriações para a realização das obras. Há denúncias e queixas sobre falta de transparência, a falta de diálogo e de negociação com as comunidades afetadas, no Rio de Janeiro e em diversas capitais. Há denúncias também de truculência por parte dos agentes públicos. Isso é inadmissível, Senhor Presidente, e penso que esta Casa precisa apurar essas informações, debater esse tema. Não podemos nos omitir.”

            Romário citou um estudo das Nações Unidas sobre o assunto, em que a relatora, Raquel Rolnik, sugeriu que as desapropriações sejam interrompidas até que as autoridades garantam a devida transparência nas ações de despejo. “Remoções têm que ser chave a chave”, disse a relatora.

            “Ou seja, morador só sai quando receber a chave da casa nova” – completou o deputado.

Por José da Cruz às 18h58

Mundial de Judô: confira as chaves dos brasileiros

Do site da CBJ

        Felipe Kitadai (60kg), Leandro Cunha (66kg) e Sarah Menezes (48kg) serão os primeiros brasileiros a pisar no tatame do Palais Omnisport de Bercy, em Paris, sede do Campeonato Mundial de Judô 2011, de 23 a 28 de agosto.

        Com a possibilidade de inscrição de dois atletas por categoria, o “Super” Mundial de Paris apresenta números impressionantes: 880 judocas de 132 países. No peso leve masculino (73kg), serão 95 atletas em ação.

        A categoria com menos inscritos é o pesado feminino, com não menos impressionantes 37 inscrições. O recorde de países, porém, ainda pertence ao Mundial do Rio de Janeiro, em 2007, quando lutaram judocas de 138 nações.

Delegação

       O Brasil será representado por 19 atletas:

Feminino:

Sarah Menezes (48kg), Erika Miranda (52kg), Rafaela Silva e Ketleyn Quadros (57kg), Mariana Silva (63kg), Maria Portela (70kg), Mayra Aguiar (78kg), Maria Suelen Altheman (+78kg).

Masculino:

Felipe Kitadai (60kg), Leandro Cunha (66kg), Bruno Mendonça (73kg), Leandro Guilheiro e Flavio Canto (81kg), Tiago Camilo e Hugo Pessanha (90kg), Luciano Correa e Leonardo Leite (100kg), Daniel Hernandes e Rafael Silva (+100kg). 

       Site da Confederação Brasileira de Judô

       Confira as chaves de todas as categorias e os adversários dos judocas brasileiros 

       Site oficial da competição

       Entrando no clima

Band Sports, SporTV e TV Esporte Interativo anunciam transmissão ao vivo  

Por José da Cruz às 18h30

Natação: geração brasileira para 2016 regride no Mundial Júnior

            A geração brasileira para a Olimpíada Rio 2016 terminou em 17º lugar o Campeonato Mundial Junior de Natação, com apenas uma medalha de bronze e três posições abaixo, comparativamente ao Mundial de 2008. O pódio isolado foi de Arthur Mendes Filhos, nos 100m borboleta.

        No evento, realizado em Lima (Peru), os Estados Unidos sagraram-se campeões, com 11 ouro, 8 prata e 3 bronze, seguidos da equipe Japão, vice, com sete medalhas de ouro, e Canada, em terceiro lugar, com quatro ouros. Países sem tradição na natação terminaram à frente do Brasil: Egito, Eslovênia, Croácia e Grécia.
Equipe feminina
        Na penúltima edição, em Monterrey, as brasileiras chegaram a quatro semi-finais e a uma final. Agora, a única brasileira no evento, Carolina Bergamaschi, terminou em sétimo lugar os 50m livres. N
a edição anterior, sete brasileiras disputaram a competição. Mais: se no Mundial de Monterrey 2008 o Brasil disputou as três provas de revezamento feminina, desta feita, sequer formou uma equipe de revezamento.
Natação masculina
        O Brasil chegou a seis finais e a seis semi-finais em Lima 2011. O mesmo número de finais do último mundial júnior (Monterrey 2008), mas com redução de 33% de participações em semi-finais, se comparado ao desempenho do último mundial da categoria, com nove semi-finais.

        Outro dado chama atenção:

        Com a aproximação de um grande evento, como os Jogos Olímpicos, é praxe o país sede ter crescimento gradual no desempenho nas diversas modalidades olímpicas, sobretudo na geração de atletas que comporão sua equipe no ano da realização do Jogos.  Entretanto não é isso que se verifica com a natação brasileira. Pelo contrário, observem no quadro resumo, abaixo:

EDIÇÃO

OURO

PRATA

BRONZE

LUGAR

Rio 2006

1

3

1

10º

Monterrey 2008

--

1

1

14º

Lima 2011

--

--

1

   17º

Atualizado às 10h15

Por José da Cruz às 07h44

20/08/2011

Pan 2007: TCU ainda trabalha em nove processos

          Em menos de dois meses, a delegação brasileira disputará o Pan-Americano de Guadalajara, no México.

        Parece que foi ontem, mas lá se vão quatro anos da realização dos Jogos no Rio de Janeiro, sem que se tenha um balanço geral e do legado esportivo que, efetivamente, ficou daquele evento de R$ 3,6 bilhões.

        E já estamos de olho em 2016...

        Pois, até hoje, o Tribunal de Contas da União ainda trabalha em nove processos, dos 36 que foram gerados do Pan 2007, referente a gastos públicos federais.

        O assunto, sob o comando do ministro Walton Alencar Rodrigues, é demorado, mesmo.

        Para evitar injustiças, são encaminhados centenas de questionamentos, investigações, audiências, pedidos de provas que justifiquem os gatos, enfim, pois o nó é grande e apertado. Apesar da falta de experiência dos gestores do Pan, conforme se lê nos relatórios, a escandalosa confusão armada é ato de profissionais. 

        Para complicar, a turma do Ministério do Esporte não colabora muito para ver o relatório final dos processos.

Vergonha

        Antes de se aposentar, o então ministro do TCU, Marcos Vilaça, deixou um relatório até onde conseguira avançar nos assuntos do Pan.

         Leiam o que ele escreveu:

        “Por fim, lamento o excessivo tempo que o Ministério dos Esportes tem levado na análise dos contratos e convênios do Pan. Essa demora embaraça o trabalho do TCU e impede o trâmite mais ágil dos processos atualmente em curso nesta Casa, impossibilitando dar contas à nação, com a agilidade que a sociedade requer, dos atos praticados e dos gastos realizados. Registro, ainda, meu reconhecimento à dedicação, competência e entusiasmo com que os técnicos desta Casa enfrentaram a presente missão.”

        Diante disso, fiquemos no aguardo. Acompanho o assunto para trazer informações. Mas aconselho paciência. E se tiverem uma cadeira por perto ...

Por José da Cruz às 18h12

19/08/2011

Mundial de Natação júnior: Brasil já tem uma medalha...

        A geração de natação para os Jogos Rio 2016 disputa o Mundial Júnior, no Peru.

        Até agora o Brasil tem uma medalha, bronze, conquista de Arthur Mendes Filho, nos 100m borboleta.

        Fora do pódio, o melhor resultado brasileiro foi um quarto lugar, no revezamento 4x100m livres, masculino.

        Na classificação geral, em quatro dias de competições, os Estados Unidos lideram com nove medalhas (seis de ouro, duas de prata e uma de bronze). Em segundo lugar estão os garotos do Japão, com três ouro, três prata e dois bronze.

        Com a medalha conquistada por Arthur Mendes, o Brasil está em 12º lugar.

E vem aí...

28º Campenato Mundial de Judô

     23 a 28 de agosto – Paris

     Sorteio das chaves: 2ª feira, às 9h (de Brasília)

Campeonato Mundial de Atletismo

     27 de agosto a 4 de segembro

     Daegu – Coreia do Sul

10º Torneio Pré-Olímpico de Basquete

     30 agosto a 11 de setembro - Mar del Plata

     Brasil na chave do Canadá, Venezuela, Cuba e República Dominica

     Estreia dia 30, às 14h (de Brasília), contra a Venezuela, com transmissão da SporTV 

Por José da Cruz às 18h29

Lei de Incentivo beneficou 778 mil pessoas. E daí?

                Entre 2007 e 2010 o esporte foi beneficiado com R$ 425 milhões, através da Lei de Incentivo ao Esporte.

            Foram alcançadas espetaculares oito milhões de pessoas, sendo 778.000 de forma direta. Dados oficiais do Ministério do Esporte.

            Como o maior volume de recursos destinou-se ao esporte de rendimento, é de se supor que o dinheiro contribuiu para que se tenha um potencial de atletas aptos a se candidatarem a grandes eventos.

            Vejam estes dados:

            - Os quatro principais beneficiados pela Lei de Incentivo são o Circulo Militar da Vila Militar (R$ 30 milhões), Minas Tênis Clube (R$ 27,7 milhões), Comitê Olímpico (R$ 27 milhões) e Esporte Clube Pinheiros (R$ 25 milhões).

            Em quarto lugar aparece o São Paulo F.C, com R$ 25 milhões;

            - Natação, judô, tênis, atletismo, basquete e ginástica foram as modalidades mais contempladas com os recursos da lei.

            - Se, dos 778.000 beneficiados pela Lei de Incentivo separarmos apenas 1%, teremos um potencial de 7.700 atletas. Que seleção poderíamos  formar em várias modalidades com tal quantidade de talentos?

            Mas onde estão esses atletas? Que evolução apresentaram? E que contribuição deram para o crescimento do esporte nacional?

            Quantos técnicos, fisioterapeutas, nutricionistas, professores de educação física, psicólogos do esporte, enfim, foram alcançados pelos recursos da Lei de Incentivo ao Esporte?

            Mais:

            Minas Tênis, de Belo Horizonte, e Pinheiros, de São Paulo, são os clubes que concentram a maior parte dos atletas olímpicos. E a maior parte do dinheiro dos projetos que aprovaram foi aplicada na “preparação de atletas olímpicos”.

            Logo, é preciso saber como as confederações de Natação, Judô, Atletismo, Ginástica, etc usaram suas verbas de patrocínio estatal – também dinheiro público – e das loterias federais, conhecida como Lei Piva. Porque para os clubes sociais formadores de atletas não houve qualquer direcionamento da Lei Piva.

Sugestão

            Quatro anos depois da vigência da Lei de Incentivo, está na hora de o Tribunal de Contas da União fazer uma rigorosa auditoria neste projeto específico. E avançar à aplicação dos demais recursos destinados ao Comitê Olímpico e confederações, para que se tenha um balanço das verbas públicas aplicas no esporte de rendimento.

            Até para saber se não está ocorrendo desperdício em projetos inexpressivos, quem sabe inexistentes, como ocorreu com o Segundo Tempo, já que a fiscalização do Ministério do Esporte não é lá essas coisas.

Por José da Cruz às 23h54

18/08/2011

Copa 2014: transparência também está atrasada

         Três órgãos de governo começaram a discutir sobre a melhor forma de dar transparência os gastos públicos com projetos da Copa do Mundo, num trabalho integrado com os governos das cidades-sedes.  

         No centro da mesa da “Câmara de Transparência da Copa 2014” estavam representantes do Ministério do Esporte, Controladoria-Geral da União (CGU) e Advocacia-Geral da União (AGU). Estranhei a ausência do Tribunal de Contas da União no encontro específico para afinar detalhes de um trabalho integrado.

         Também não compareceram representantes dos governos do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

         No discurso, o objetivo é permitir que a sociedade, em geral, tenha acesso a todos os gatos públicos. Na prática, a história é outra e a maioria dos dados ainda não está disponível.

         Até o ministro-relator da Copa no TCU, Valmir Campelo, já se manifestou, em dois relatórios, sobre as dificuldades de obter tais informações junto ao Comitê Gestor, no Ministério do Esporte.

         Agora, a assessora da CGU, Fátima Rezende, também deixou claro que a página de transparência da Copa só pode ser atualizada “a partir do envio de informações pelo Ministério do Esporte”.

         Dois órgãos oficiais publicam o que é possível sobre o assunto. Confira: CGU e TCU.

         Porém, está claro que, até agora, não há um sistema nem uma rotina eficientes, capazes de disponibilizar nos portais todos os atos relacionados à Copa, apesar da instantaneidade que a internet oferece na troca de informações.

         Assim como a maioria das obras de concreto, também o sistema de transparência da Copa está atrasado.      

Por José da Cruz às 22h09

Rio, a Capital Mundial dos Esportes?

Por Lars Grael

As Olimpíadas não podem ser apenas uma festa midiática e de duração de três semanas

Mediante o projeto apresentado no Conselho Empresarial do Desenvolvimento do Esporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro, tenho a fazer a seguinte provocação:

        Acho que a proposta é um desafio para todos nós.

        A Cidade Maravilhosa, para ser a “Capital Mundial dos Esportes”, precisa, antes, ser a Capital Brasileira dos Esportes, e, não é! Pode ser na capacidade de sediar grandes eventos, e neste quesito é!

  • Precisa ter o índice de 100% das Escolas Públicas (Municipais e Estaduais) com Quadras Esportivas, Professores de Educação Física (bem remunerados) e Educação Física + Esporte regular em pelo menos 3 aulas semanais. Referência? São Caetano do Sul/SP.
  • Precisam ter um programa público de esporte, atividade física e saúde preventiva de combate ao sedentarismo. Referência? Santos e Sorocaba/SP.
  • Necessário ter um programa exemplar de esporte para a Terceira Idade e para os Portadores de Deficiência. Referência? Volta Redonda/RJ.
  • Precisa ser um estado que busque a liderança nas Olimpíadas Escolares do Ensino Fundamental; do Ensino Médio e dos Jogos da Juventude. Referência razoável? São Paulo.
  • Integrar os espaços esportivos ociosos dos clubes com a comunidade. Referência? Piracicaba/SP.

        Precisamos que estas ações ocorram não apenas na cidade do Rio, mas em toda a região metropolitana. Porque não em todo o estado?

        Muitas outras ações o Rio já pratica e até de forma exemplar. Precisam integrar todas estas ações acima. Precisam mostrar que o esporte é para todos. Que o esporte inicia na escola. Precisa ser maravilhosa para sua população! Esta referência teria que ser o Rio.

        As Olimpíadas não podem ser apenas uma festa midiática e de duração de três semanas.

        Não apenas o quadro de medalhas que o Brasil fatalmente irá ascender.

        Não apenas a festa para o gringo gostar e falar bem do Brasil. Isto tudo também é importante.

        O verdadeiro legado, acho que está nas premissas mais puras e sócio-educacionais, como as enumeradas acima.

Por José da Cruz às 19h57

A difícil decisão no país olímpico

        Um dos momentos mais difíceis enfrentados pelos atletas, em geral, é o da decisão para encerrar a carreira. Principalmente para quem se acostumou aos grandes eventos, ao pódio internacional, porque a transição é da fama para o silêncio. Muitos, até para o anonimato.

        E lá se foi o dia em que o mais premiado atleta do país – e o mais premiado na vela mundial – anunciou que se afastava de vez das disputas olímpicas.

        Reparem que a saída dos velejadores Torben e seu parceiro, Marcelo Ferreira, não foi decorrente de problemas técnicos, forma física, etc. Nada disso.

        A dupla parou por falta de orçamento para cumprir um calendário difícil e altamente competitivo do iatismo olímpico. 

        Mas, afinal, que pais esportivo é o nosso, onde situações dessas ocorrem como se, de fato, faltassem recursos ao movimento olímpico?

        Como explicar gastos de R$ 90 milhões de dinheiro público para uma candidatura olímpica e o desprezo a atletas vitoriosos e de condutas exemplares?

        Que manifestações ou reação tivemos do Ministério do Esporte, do Comitê Olímpico ou da Confederação Brasileira de Vela sobre a decisão extrema de Torben e Marcelo?

        Pois o silêncio revela como é cínica a relação entre cartolas e atletas. Os discursos, os aplausos e abraços têm locais e horas programadas: o pódio, onde se esgotam os “apoios”.

        E, se assim agem com quem fez história no esporte internacional, que  ações  esperar para os jovens atletas, para os que estão iniciando e sonhando?

        É assim que constroem um país olímpico?

        A propósito, sugiro visita ao Projeto Grael, de educação pelo esporte, onde se pode constatar a extensão do trabalho de um atleta vitorioso.

Por José da Cruz às 08h13

17/08/2011

Rio 2016: Notícias reais. E tristes

          Prestem atenção nestas duas notícias:     

          Torben Grael, o maior medalhista olímpico do Brasil está fora da disputa por uma vaga na Olimpíada de Londres. Ele e Marcelo Ferreira, seu parceiro na classe Star, não encontraram patrocínio para viabilizar a campanha.

        E esta:

        “Vamos fazer uma olimpíada em casa e nos saltos ornamentais não temos em quem investir. Não existe nenhum tipo de investimento nos atletas da base.”

        A primeira notícia, que em março divulguei no blog, está em O Globo de hoje. E chama atenção esta manifestação de Torben:

        "A gente tentou um pouco, mas não encontrou muito apoio e aí fica difícil de fazer campanha olímpica".

        Com cinco medalhas e não tem “apoio”?  O que dizer dos que ainda não chegaram ao pódio?

        Entre 2009 e 2011, a Confederação Brasileira de Vela e Motor teve R$ 7 milhões disponíveis, verba pública.

        É muito? Pouco? Não sei, pois não conheço o planejamento da confederação. Mas é vergonhoso ver atletas com a história olímpica de Torben e Marcelo Ferreira se despedirem do esporte de forma tão lamentável, principalmente em tempos de vacas gordas.

Saltos

        A segunda notícia foi uma declaração do técnico Giovani Casilo, ao repórter Luiz Roberto Magalhães, no Correio Braziliense de hoje.

        Giovani formou três atletas olímpicos: Silvana Neitzke, César Castro e Hugo Parisi, todos de Brasília.

        E sua declaração confirma como estamos perdidos em termos de gestão: “Não existe nenhum tipo de investimento nos atletas da base”.

        Com a palavra a  Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro.

        Algo a declarar? Duvido!

        O deputado Popó, que agora preside a Frente Parlamentar Mista de Esporte bem que poderia se interessar por investigar esses "legados".

Por José da Cruz às 11h58

Copa 2014: a Frente da ilusão

        O deputado Popó aderiu ao modismo político e entra na era da fiscalização.

A novidade é que ele não fiscalizará obras da Copa, mas “legados”. Ou seja, vai fiscalizar o que ainda não existe.

Para isso, reativará hoje a Comissão Parlamentar Mista do Esporte, reunindo deputados e senadores, num só grupo de interesses comuns.

        Desde que o Brasil conquistou a sede do Mundial 2014, fiscalização tornou-se ação da moda. Como se o Tribunal de Contas e a Controladoria Geral da União não fossem suficientes para identificar as falcatruas que já ocorrem nas obras, Brasil afora.

        A Comissão de Turismo e Esporte, por sua vez, tem um grupo que viaja pelas 12 cidades sedes para “fiscalizar”. Ao final, farão um relatório que será lido, aprovado e arquivado. É próprio do Legislativo, produzir documentos, gerar notícias e esquecer o assunto. Lembram da CPI da CBF Nike?  Da CPI do Futebol? Tudo momentâneo.

        Se Popó quiser agir de fato, que  comece lendo os relatórios do Tribunal de Contas sobre os desmandos no Pan 2007. Que investigue sobre os legados que estão no Rio de Janeiro.

        Em seguida, o deputado deve questionar o Ministério do Esporte sobre que política de esportes implantou no país, a partir de 2003? E quanto de dinheiro saiu dos cofres públicos para sustentar o COB, CPB e confederações? Se o ministério não tiver os dados eu posso informar.

        Que trabalho integrado existe a partir dos clubes, dos governos municipais e estaduais? Que políticas públicas de esporte tempos para a comunidade, em geral? Que destino foi dado aos estádios e áreas esportivas do Pan 2007?

        O que temos é uma elite que consome muito dinheiro público, sem um órgão gestor central. Assim, discursar sobre “legado” diante dessa realidade é uma afronta à comunidade esportiva e perda de tempo das excelências. Na prática, essa história de Frente Parlamentar é invenção de quem não tem proposta séria para o setor. Como se diz nos corredores burocráticos de Brasília, “se queres empurrar um assunto com a barriga cria uma comissão...”

        Finalmente: antes de fiscais eficientes, deputados e senadores são correligionários e amigos de governadores, prefeitos e, principalmente, dos cartolas. Logo, não vão fiscalizar nem questionar coisa alguma.

Por José da Cruz às 10h00

16/08/2011

Maracanã e Corinthians serão os estádios mais valorizados

         Maracanã e Corinthians são os estádios da Copa 2014 mais valorizados para negócios de “naming rights”, estimados em R$ 300 milhões cada um. Trata-se de algo ainda novo no Brasil, que consiste em dar o nome de um investidor à arena esportiva.

        Segundo o especialista em marketing esportivo, Amir Somoggi, da BDO RCS, os contratos de naming rights para os 12 estádios que vão sediar a Copa podem produzir cerca de R$ 1,5 bilhão em 20 anos, isto é, média de R$ 78 milhões/ano.

        “O naming rights é uma receita estratégica muito útil para novas arenas, não apenas para ampliar as receitas do estádio, mas também para auxiliar no financiamento da obra”, explicou Somoggi.

        O terceiro estádio mais valorizado neste sistema é o Mineirão, R$ 220 milhões para 20 anos. Fonte Nova, com R$ 120 milhões, aparece em quarto lugar no ranking. Em seguida, quatro estádios têm cotação de R$ 90 milhões cada um: Mané Garrincha, Beira rio, Arena da Baixada e Arena Recife.

        Verdão, no Mato Grosso, e Arena das Dunas, em Natal, são os estádios com menor cotação, R$ 60 milhões cada um, sempre para contratos de duas décadas.

        Os maiores contratos de naming rights do mundo encontram-se nos Estados Unidos. Destaque para a parceria entre o time de beisebol New York Mets com o Citigroup. Valor do contrato: US$ 400 milhões em 20 anos, isto é, metade do valor investido para a construção da arena. 

Por José da Cruz às 22h03

Doping: Eduardo De Rose explica sobre o caso Pedro Solberg

Na Folha de S.Paulo

Por Daniel Brito

“Não tenho contato nem contrato, não defendo o atleta”

MÉDICO NEGA TER QUESTIONADO O TRABALHO DO LABORATÓRIO OLÍMPICO DO RIO NO CASO DE DOPING DE PEDRO SOLBERG, DO VÔLEI DE PRAIA           

        O médico Eduardo de Rose, 68, maior autoridade brasileira em doping, afirmou não ter desqualificado o Ladetec, único laboratório do país autorizado a realizar testes, no caso de Pedro Solberg, 25, atleta do vôlei de praia.
       Flagrado com o esteroide androstano em maio, o jogador foi suspenso preventivamente pela FIVB (Federação Internacional de Vôlei).
Após e-mail de De Rose à entidade, a sanção foi revogada até o julgamento, que deve ocorrer em setembro.
       No texto, com cópia para a Wada (Agência Mundial Antidoping), que fez o teste, e o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), o médico diz no primeiro parágrafo não estar "totalmente convencido" de que o resultado da contraprova estava "tecnicamente correto."
       Por telefone à Folha, De Rose, que representa a ABA (Agência Brasileira Antidoping) negou ter apontado erro no Ladetec, e sim na cadeia de custódia -procedimentos que visam manter a integridade da amostra de urina.
No caso de Solberg, ela era de responsabilidade do instituto sueco IDTM, que tem a chancela da Wada.

Folha - Por que o senhor pediu à FIVB que fosse revogada a suspensão de Pedro Solberg?
Eduardo de Rose
- Talvez não tenha ficado claro, mas minha preocupação é que o atleta já estava julgado e já estava suspenso. Ele não foi julgado, mas, quando tu dá uma pena sem julgamento, já está dando a decisão.

Mas a suspensão provisória não é procedimento-padrão em casos de teste positivo para esteroide?
O padrão da suspensão depende da substância, do método. Existem substâncias que, se forem encontradas na amostra A, como esteroide anabólico, diurético, estimulante, não tem discussão. O simples fato de a FIVB ter aceitado, não porque fui eu que fiz [o pedido], significa que a ponderação tem alguma base de verdade.

Mas na urina de Solberg foi detectada a presençade um esteroide.
Tem razão. Há diversos trabalhos científicos que mostram que esse esteroide [androstano] pode sair de uma contaminação bacteriológica. Se tem uma dúvida na cadeia de custódia, fica complicado. São dúvidas. Pode ser que eu tenha me expressado mal, porque não sou tão fluente em inglês [o e-mail para a federação internacional foi enviado em inglês].

Por que o senhor afirmou que não estava convencido de que o resultado do exame estava tecnicamente correto?
Eu disse que tinha algumas dúvidas em relação ao processo e não que o resultado técnico do Ladetec não estava correto. Que o processo, desde a coleta até o resultado, tinha algumas dúvidas. Minha visão do doping é muito para o lado do atleta. Só pedi para a federação de vôlei tirar a suspensão provisória. E se punirmos um atleta que não tinha que ser punido, que não está errado?

Solberg disse que o senhor mandou o e-mail à federação internacional por conta própria. O senhor confirma essa informação?
Ele falou errado, porque não há e-mail [dele], ele nunca me telefonou, nunca me procurou. Não quero comentar como esse caso chegou a mim. Mas veio, vamos dizer, na Agência Brasileira Antidoping. Não tenho contato nem contrato com o atleta. Não tenho nada a ver com a defesa dele, só estou fazendo minha função na agência.

A função da agência não é combater o doping?
Não estou fazendo isso porque o atleta se diz inocente, porque estaria louco fazendo para todo mundo. Porque 90% dos atletas flagrados em exames se consideram inocentes. Minha obrigação é interferir quando vejo que há alguma dúvida. Se tiver 99% de certeza e 1% de dúvida, já tenho dúvida. Se há a dúvida, é correto que eu sugira à FIVB que repense a suspensão provisória. Não fiz pedido para o atleta ser absolvido.

Mas o senhor não agiu assim em casos semelhantes. Por que a diferença de tratamento foi adotada agora?
Não é tanta coisa assim o que eu fiz. Talvez você tenha razão, talvez não seja a forma habitual que eu atue, mas me pauto pelo que é correto. Ficaria chateado se, por um problema técnico, um atleta fosse julgado culpado. O que o vôlei decidir, eu vou apoiar. Vamos ver como evolui esse caso, vou pedir que você me dê um crédito condicional.

Por José da Cruz às 08h43

Mundial Junior de Natação: renovação limitada

        Depois do Mundial de Xangai, quando a natação feminina do Brasil regrediu, em comparação ao Mundial de Roma, 2009, agora temos mais uma demonstração da falta de renovação no feminino: apenas uma mulher, Carolina Bergamaschi, está na delegação de 13 atletas que disputa o Mundial Junior – de 15 a 17 anos –, a partir desta terça-feira, em Lima.

        Segundo a CBDA, o grupo está menor “porque os índices foram mais fortes”.

        Sem dúvida, é um critério. Mas se tivéssemos massificação no esporte, em geral, com certeza as seleções  teriam atletas com índices à altura de campeonatos mundiais.  

        Afinal, não faltam recursos para a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, que conta com patrocínio dos Correios (R$ 10 milhões em 2011),  das loterias federais, Lei de Incentivo ao Esporte etc, totalizando R$ 15 milhões para sua programação.

        Mas a questão é: a quem compete massificar o esporte? Às confederações? Às federações?  clubes? Ministério do Esporte? Tribunal de Contas? CGU?

        Evidencia-se, mais uma vez, que o dinheiro público concentra-se na cúpula, na elite, deixando a base desprovida. O resultado é este: faltam atletas para uma seletiva forte.

Por José da Cruz às 23h52

15/08/2011

Universíade em Brasília, um sonho iluminado

        Agnelo Queiroz assumiu o governo do Distrito Federal em janeiro. Em oito meses no cargo, já fez três viagens ao exterior, visitando sete cidades.

        Seus assessores garantem que não é treinamento para ele se candidatar a ministro do Turismo. Ainda bem, pois só lembrar o tempo em que foi ministro do  Esporte...

        Em abril, Agnelo foi a Buenos Aires. Em maio, fez o roteiro Lisboa, Madri, Frankfurt e Paris. Visitando estádios de futebol!

        Agora, China. Na falta do que fazer por aqui, o governador foi candidatar Brasília à sede da Universíade 2017.

        Argumento do distinto senhor: “Esporte movimenta a economia”.

        Reparem que o governador não vê na prática esportiva a oportunidade de melhor formação intelectual e do do caráter dos jovens. Não! Ele pensa logo no dinheiro.

Abandono

        É uma proposta esdrúxula, pois as praças esportivas da Capital da República estão num abandono impressionante. Pior: não há um projeto para o desenvolvimento do setor que sustente a proposta de receber a Universíade, um evento gigantesco. Como Agnelo não tem noção do contexto, viaja nas propostas isoladas. Literalmente, viaja. Depois...

        Enquanto isso, o curso de Educação Física da Universidade de Brasília está há 10 anos sem pista de atletismo e há quatro anos com as piscinas vazias. Falta dinheiro para recuperação. Que tal?

        Claro que o Governo do Distrito Federal não é o responsável pelos problemas da UnB.

        Mas isso mostra como o esporte na cidade, tanto na estrutura física como humana, são tratados. E a proposta para receber a Universíade não pode ser dissociada da área acadêmica. Será que Agnelo conversou com o conselho de reitores das universidades de Brasília para candidatar a cidade ao grande evento? Duvido!

Enquanto isso...

        Diariamente a capital da República tem apagões de energia elétrica. Na sexta-feira, comprometeu a área comercial, setores Hoteleiro, de Rádio e Televisão e, principalmente, os serviços de saúde dos hospitais centrais.  

        A situação é gravíssima, precária, há anos. Com uma dívida milionária da Companhia Energética de Brasília (CEB), o Governo do Distrito Federal paga R$ 100 milhões anuais, só de juros, informa o Correio Braziliense de hoje.

        Ou seja, devedores e sem planos para melhoras corremos o sério risco de nos jogos da Copa 2014 faltar energia. Mesmo assim, já somos candidatos à Universíade.  

        E na campanha eleitoral falavam que Agnelo era o “iluminado”... 

Por José da Cruz às 12h04

14/08/2011

Remo contratará mais dois técnicos estrangeiros

         Com a colaboração de desportistas do setor, encaminhei uma entrevista ao presidente da Confederação Brasileira de Remo, Carlos Reeberg, a fim de atualizar os leitores sobre esse importante esporte, que tem na remadora Fabiana Beltrame o principal destaque da modalidade.

        Fabiana ganhou a medalha de ouro na etapa de Hamburgo da Copa do Mundo, na disputa do skiff peso leve.

        Paralelamente, o remo passa por um momento importante no histórico Estádio da Lagoa, no Rio de Janeiro, cedido pelo governo do Estado para investimentos particulares, limitando o espaço para a prática esportiva. Isso é grave, pois o interesse comercial se sobrepõem às necessidades dos atletas e do esporte em geral.

        Vamos às respostas de Reeberg. O espaço está disponível para o bom debate.

 

COOPERAÇÃO ALEMANHA BRASIL

        Temos um acordo com a Alemanha, por ser o único país que nos procurou oficialmente, logo no início de nossa gestão, em janeiro de 2010. E antes de nos procurar, a Federação Alemã de Remo obteve o aval da FISA (Federação Internacional de Remo). Isso prova que a intenção deles era séria. Representantes de um outros países estiveram, depois, no Rio, agendaram conosco dois encontros, e desmarcaram os dois. A Alemanha tem agido com uma seriedade enorme, no trato com a CBR. Além disso, tem o melhor remo do mundo, com 40% mais medalhas em Olimpíadas e Mundiais do que qualquer outro país. Foram técnicos alemães os responsáveis pelo crescimento do remo em muitos dos países que agora lutam pelo título de potencia mundial. Estou certo de que fizemos a melhor escolha.

 

CONTRATAÇÃO DE TÉCNICOS

        Vamos contratar mais dois técnicos estrangeiros, para treinarem a seleção brasileira, e já temos garantia de recursos para isso. O processo de seleção já vem há vários meses. Temos pessoas muito competentes no exterior nos ajudando na identificação desses profissionais, mas não é fácil convencer um bom técnico a deixar seu país e mudar-se (muitas vezes com família) para o Brasil, ainda sem tradição de grandes resultados. Além disso, nossa procura é um tanto restritiva, pois procuramos por profissionais alinhados com a escola alemã de treinamento (embora não necessariamente de nacionalidade alemã), pois é esta a escola que a CBR adotou, e na qual está proporcionando aperfeiçoamento a técnicos brasileiros.

 

RECRUTAMENTO DE NOVOS TALENTOS

        Sua concretização exige recursos financeiros, humanos, equipamentos e instalações. Por mais que queiramos, isso levará bastante tempo até que o Brasil reúna todos esses pré-requisitos. Ainda não encontramos patrocinador que queira apostar no recrutamento de talentos. Num país onde a massa praticante é muito pequena, faltam barcos e técnicos, e as instalações pertencem a clubes nem sempre interessados em formar atletas para a seleção brasileira, pois o caminho a percorrer é muito longo. A Inglaterra, citada, tem mais de 600 clubes de remo e mesmo assim seu programa de descobrimento de talentos ainda não apresentou nenhum resultado, apesar de estar funcionando há mais de quatro anos e ter atraído milhares de jovens. Na China, idem. É só ver os resultados de ambos nos últimos quatro campeonatos mundiais de juniores. De 2008 até 2011, a Inglaterra ganhou duas provas em mundiais, e a China somente uma. No mesmo período, a Alemanha, que não tem nenhum programa especial, ganhou 25 medalhas de ouro. Disso se tiram as seguintes lições: 1)uma grande massa praticante ainda é fundamental; 2) o interesse de clubes em fazerem atletas para a seleção nacional, em vez de se contentarem em vencer seu campeonato estadual; 3) o alto nível de capacitação dos técnicos que lidam com adolescentes; 4) o interesse dos atletas em treinar para serem campeões mundiais. Quem conhece remo sabe que um remador alemão que não tem um título mundial ou olímpico não é ninguém.

 

SELEÇÃO BRASILEIRA NO PAN-AMERICANO

        O técnico da CBR foi afastado do processo de formação das guarnições que irão ao Pan, devido às suas permanentes indecisões. Queria deixar para decidir a formação de algumas guarnições somente no México, às vésperas do Pan, quando precisávamos confirmar esses nomes até 1º de agosto. Essa indecisão, que já vinha de muito tempo, acabou por irritar atletas, técnicos e dirigentes em geral. Tínhamos prazos para serem cumpridos perante o COB e o Comitê Organizador do Pan, e não podíamos ficar esperando indefinidamente. Os atletas são os mesmos desde que o treinador foi contratado, em 2009. Já dava para saber quem servia e quem não servia.

Ele foi substituído por uma comissão técnica composta pelos técnicos principais dos três clubes cariocas (Vasco, Flamengo e Botafogo) que juntos forneceram 80% da seleção. Foi aberta uma eliminatória nacional e quem venceu, garantiu a vaga.

 

INFRAESTRUTURA PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA

        Desde fevereiro de 2011 vimos atuando em conjunto com a Prefeitura de Maricá (RJ) para a construção de um centro de treinamento para a seleção brasileira de remo, na Lagoa do Boqueirão, daquela cidade. O projeto já está em fase de revisão. O terreno já está reservado. Lá o remo terá a infraestrutura de que precisa.

 

ESTÁDIO DE REMO

        Durante oito anos, lutamos para que o estádio fosse destinado exclusivamente para o remo. Perdemos. Nem o Ministério Público do Rio de Janeiro conseguiu qualquer coisa, apesar da enorme quantidade de ações movidas contra a concessionária. A CBR tem campeonatos a realizar. Além dos Brasileiros anuais, tem o Sul-americano de 2013, o Mundial de juniores de 2015 e a regata olímpica em 2016. Não pode ficar chorando sobre o leite derramado, ainda mais porque ninguém está interessado nessas lamúrias, nem o Município, muito menos o Estado, que é o proprietário do estádio e decidiu ceder seu uso a uma empresa privada.

 

CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

        Toda tentativa de realização de assembléia feita em desacordo com o estatuto da CBR e a ética será repudiada.

Por José da Cruz às 21h54

Números que não se explicam

Por Fábio Fonseca Figueiredo

De Viena (Áustria)

        Os recentes movimentos de contestação social promovidos por jovens europeus possuem como inspiração um manifesto denominado “Indignai-vos” (Editora Leya Brasil), escrito pelo diplomata francês Stéphane Hessel.

        Em poucas e desconcertantes páginas, Hessel conclama os jovens, mas não somente eles, a que se indignem contra as injustiças sociais, que se indignem contra governos que cedem a pressões e exigências de bancos e entidades privadas... Enfim, que se indignem contra as mazelas do mundo atual.

        Apesar do discurso dos legados econômicos da Copa de 2014, existem números que não se explicam. Tomemos como exemplo alguns deles. José Cruz informa em seu blog que, para as obras do Maracanã, já foram contratados R$ 705,6 milhões, para uma obra que tinha previsão de se gastar R$ 600 milhões. Os R$ 105,6 milhões a mais gastos ainda não foram explicados ao Ministério Público.

        O que não se pode esquecer é que em 2007 o Maracanã passou por uma grande reforma para receber os Jogos Pan-americanos, algo em torno de R$ 400 milhões... Será que em 2007 a CBF não poderia ter realizado uma reforma nos moldes do que exige a Fifa? E então os mais de R$ 400 milhões gastos para o Pan foram demolidos com a nova reforma.

Por que 68 mil espectadores?

        O estádio Arena das Dunas, na ensolarada cidade de Natal/RN, será posto de pé por quase 800 milhões de reais. Posso estar enganado, mas como economista gosta de calculadora, vamos fazer conta. Se tomarmos como parâmetro a equipe do ABC, que devido à sua ótima campanha na série B do campeonato brasileiro possui arrecadação satisfatória para os padrões do futebol potiguar, se o Arena das Dunas estivesse pronto hoje e a equipe do ABC quisesse alugar o estádio, o aluguel sequer pagaria a manutenção do próprio estádio. Ressalte-se que o ABC possui um estádio próprio e, portanto, economicamente não é viável alugar um estádio para mandar seus jogos.

        O América, atualmente na terceira divisão, e o Alecrim, lanterna do seu grupo na série D, dificilmente lotam estádios em suas partidas do campeonato potiguar de futebol... Por mais simpática que seja Natal, dificilmente Rolling Stones, Paul McCartney, U2, Lady Gaga e Madonna se apresentarão no Arena das Dunas, de forma que a arena multiuso se converterá em um gigantesco elefante branco cravado na Cidade do Sol.

        Em uma engenharia econômica difícil de entender mesmo para economistas, Carlos Alberto Sardenberg explica que o Itaquerão, campo do Corinthians, estará operacional para receber jogos para 48 mil espectadores (com capacidade para ser ampliado para 68 mil, conforme exigência da Fifa para a abertura de sua Copa), por nada menos que R$ 820 milhões.

         Apesar de ser o clube mais popular de São Paulo, o Timão tem média de público abaixo de 20 mil espectadores, se consideramos todas as competições de que o clube participa. Portanto, para que construir um estádio tão grande para um público que dificilmente estará presente? Por que o BNDES financia tal obra se numericamente se prova que não será necessário um estádio para 68 mil espectadores?

Indignai-vos!

        O discurso oficial justifica os gastos públicos para a realização da Copa de 2014 ressaltando os legados econômicos desse evento. Já que são cifras tão satisfatórias para o país, pergunto: qual o percentual do PIB que será gasto para a realização da Copa de 2014 (gastos diretos, ou seja, financiados pelo BNDES, e gastos indiretos, através de isenção de impostos para as obras diretamente relacionadas com a Copa)?

        Os gastos públicos para a realização da Copa de 2014, entenda-se, da Copa dos Teixeira-Havelange, serão muito maiores do que os previstos e, como economista, posso afirmar que serão praticamente impossíveis de ser mensurados devido à sangria do dinheiro público que já corre país afora. Devemos estar atentos a tais gastos, que bem poderiam ser usados em educação e saúde de qualidade, em meio ambiente equilibrado, em segurança pública... Portanto, indignai-vos contra a Copa dos Teixeira-Havelange!

Fábio Fonseca Figueiredo é PhD em Geografia e economista

Por José da Cruz às 20h43

Não deixe o remo morrer

 

A paixão por corrida aumenta cada vez mais.

A paixão pela natação aumenta cada vez mais.


A paixão pelo skate aumenta cada vez mais.
E o remo?
Enquanto a gente se esforça para promover o remo, a empresa Glen Enterteinment Comercio Representações e Participações Ltda fecha o Estádio de Remo e agora cobra um preço caro pelo estacionamento.
O que dizer aos dirigentes que, por ação ou omissão, estão permitindo o fim da paixão popular pelo remo?
Se você é apaixonado pelo remo, cobre uma atitude digna do presidente do Botafogo Futebol e Regatas, Clube de Regatas Vasco da Gama, Clube de Regatas do Flamengo, Comandantes da Marinha, Federação e Confederação de Remo.
Fale, escreva, grite, participe.
Divulgue este e-mail.
Não deixe o remo morrer.

Clique aqui, conheça a luta pelo Estádio de Remo
Ouça o que dizia e o que diz o atual presidente da Confederação de Remo, Wilson Reeberg

Por José da Cruz às 17h40

A droga que mascara o doping

Transcrito da revista Veja

Por Helena Borges

       Um jogador flagrado com uma carta de baralho escondida na manga terá enormes dificuldades para provar que não tinha intenção de trapacear. Na mesmíssima situação encontra-se um atleta reprovado em exame antidoping por ingestão de diurético. Usda para ocultar a presença de anabolizantes, hormônios e estimulantes proibidos, a substância foi largamente empregada nos Jogos de Pequim, em 2008. Na ocasião, o número de atletas flagrados com diuréticos praticamente triplicou em relação à edição anterior – um aumento que superou o de todas as outras modalidades de doping. Até agora, no entanto, as autoridades esportivas vêm fazendo vista grossa ao uso da substância, como mostrou o caso do nadador Cesar Cielo. Flagrado no mês passado com resquícios de furosemida no organismo, o mais potente dos diuréticos, Cielo foi brandamente punido com uma advertência, o que desencadeou protestos da Federação Internacional de natação e de outras entidades do esporte mundial.

       A furosemida faz parte do submundo esportivo há décadas, mas, até recentemente, seu uso estava circunscrito sobretudo a lutadores de boxe, halterofilistas e judocas. Como proporciona rápida perda de peso – embora seja contraindicada para esse objetivo – ela era procurada por esses atletas como intuito de lhes garantir o ingresso em categorias de competidores mais leves (a ginasta Daiane dos Santos, flagrada no exame antidoping com furosemida em julho de 2009, afirmou que havia tomado o diurético para emagrecer – foi suspensa por cinco meses). O avanço dos diuréticos sobre outras áreas do espore começou a ser observado  principalmente depois de 2005. Nesse ano, a Agência Mundial Antidoping (Wada) incluiu 55 novas  substâncias em sua lista negra e aumentou a frequência dos exames fora de época de competições. A partir daí, a incidência do uso da substância disparou.

       Os diuréticos têm efeito rápido. Menos de uma hora depois de serem ingeridos, eles formam uma espécie de capa impermeabilizante sobre os canais que filtram água e nutrientes nos rins. O órgão passa então a apenas eliminar líquidos, sem reabsorver praticamente  nada. O resultado é o aumento no volume de urina – e a diluição de rastros de outras drogas. Como o diurético é eliminado em sete horas, atletas chegam a tomar até três comprimidos por dia na semana que precede as competições para garantir sua ação caso tenham de se submeter a um teste. “Essa dosagem é absurda e pode trazer efeitos colaterais sérios”, alega o gastroenterologista Sabino Loguércio, especialista em doping. Na lista das seqüelas mais comuns, figuram males como desidratação, câimbras, tontura, pressão baixa e arritmia. A persistência no uso pode provocar a retenção de ácido úrico nas extremidades do corpo, seguida de inchaço e dor, e até levar à perda da audição.

       No mundo esportivo, dá-se como certo que outras técnicas para escamotear substâncias ilegais, bem mais sofisticadas, já começaram a ser usadas por atletas. Entre elas, destaca-se uma geração de drogas indetectáveis no exame e outras que conseguem alterar a estrutura do DNA do esportista para acentuar determinadas características que possam lhe ser favoráveis (esse último conhecido como doping genético). São métodos ainda caros e restritos a uma minoria – tanto que a Wada jamais flagrou casos do gênero. Afirma Jomar Souza, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte: Os diuréticos ainda são, de longe, a alternativa mais fácil e acessível”. Amplamente prescritos para tratar hipertensão, eles são vendidos nas farmácias brasileiras sem receita médica e a menos de 15 reais a caixa de comprimidos.

       Hoje, a pena máxima para os atletas que consomem diuréticos é de dois anos de suspensão. Para as outras substâncias  proibidas, dois anos é o patamar mínimo. Mesmo dentro da Wada, há divergências  quanto ao grau de punição que seria adequado a esse tipo de caso, mas boa parte das autoridades  ali tende AA condescendência para com os atletas. Um de seus mais antigos integrantes, o brasileiro Eduardo De Rose, diretor do departamento antidoping do Comitê Olímpico Brasileiro, poderá: “Não devemos partir do pressuposto de que todo esportista que usa diuréticos está necessariamente tentando driblar o exame”. No caso de Cesar Cielo, a Wada alegou que a opção pela simples advertência foi fruto da dúvida provocada pela baixa concentração de furosemida detectada no nadador (que se saiu com a pouco crível alegação de que a substância havia sido misturada “por engano” aos suplementos alimentares que ele havia encomendado a uma farmácia de manipulação).

       Dado que a proliferação dessa modalidade de doping constitui ainda  um fenômeno recente, é compreensível que haja dificuldade em arbitrar sobre ela. Mas é preciso lembrar que a disseminação do uso de diuréticos é um indicador claro de que a prática de ingerir drogas para aumentar rendimento esportivo segue em franca ascensão. E já atingiu patamares tão elevados que pode ter vidado parte do jogo. “É impossível chegar hoje à elite do esporte sem tomar nada, nem sequer um suplemento. As rotinas de treinamento são duras, a competição é acirrada. Os próprios  treinadores  incentivam o doping”, relata a VEJA uma ex-nadadora que já competiu em Olimpíada. Foi graças ao uso de esteróides que a velocista americana Marion Jones atingiu nos Jogos de Sydney, em 2000, uma performance espetacular: conquistou duas medalhas  de bronze, três de ouro e o título de mulher mais rápida do mundo. Sete anos mais tarde, ao se aposentar, Marion confessou ter tomado a droga e acabou presa por seis meses. Seu caso suscitou pela primeira vez um debate global  sobre a indissociabilidade entre esporte e doping. “Nenhuma modalidade em doping zero”, reconheceu na ocasião o ex-presidente da Wada, Dick Pound.

       Esportistas buscam superar-se e superar os que vieram antes deles – ou seja, almejam quebrar recordes. Para isso, atuam sempre no limite de sua capacidade física. A exibição desse esforço descomunal para fazer o que ninguém antes fez é o espetáculo que fascina o público – e que atrai os patrocinadores. Mas , na busca pela superação, as drogas  podem surgir como o único caminho possível. E, como afirma o químico americano Don Catlin, que comanda o maior laboratório certificado pela Wada com sede nos Estados Unidos: “Os diuréticos funcionam como um salvo-conduto para todas as outras substâncias ilegais”. Fazer vista grossa a eles é admitir que o esporte está irremediavelmente dependente das drogas.

Por José da Cruz às 12h29

Agora, vai?

Pela ordem:

       Andrew Jennings detona o escândalo de corrupção na Fifa, com suspeitas de envolvimento de Ricardo Teixeira e João Havelange;

       A presidente Dilma Rousseff nomeia Pelé “Embaixador da Copa” para enfrentar o poder da CBF e se afastar cada vez mais do presidente RT;

       Deputado Romário lança um site e a matéria de destaque são as denúncias de Andrew Jennings contra Ricardo Teixeira;

       Passeatas se tornam rotinas nas capitais, protestando contra os 22 anos de permanência de Ricardo Teixeira à frente da CBF;

       A Globo, enfim, faz valer sua “carta de princípios jornalísticos” e também detona RT, justamente a emissora que o cartola dizia temer;

       A emissa carioca recupera a história do contrato fraudulento para o jogo Brasil x Portugal, quando Arruda, o corrupto, desgovernava Brasília.

             

Olha a dupla aí. Teixeira nos passos de Arruda

       O que falta?

                 Intensificar as manifestações de torcedores, levando-as aos estádios: "Fora Ricarto Teixeira"!

                A CPI do CBF, mas com abrangências às falcatruas nas obras da Copa.

                Agora, vai?

Por José da Cruz às 00h45

13/08/2011

O doping contaminou as instituições?

        Estranho o silêncio do Comitê Olímpico Brasileiro e do Ministério do Esporte no mais recente escândalo sobre doping no Brasil, envolvendo a suspensão da pena ao jogador Pedro Solberg, do vôlei de praia.

        Principalmente porque a confusão envolve o Ladetec, laboratório credenciado pela Agência Mundial Antidoping (Wada), elogiadíssimo pelas autoridades nacionais, mas, agora, sob suspeitas da principal autoridade no assunto, o médico Eduardo De Rose.

        Ao afirmar à Federação Internacional de Voleibol que não tinha certeza se o resultado do exame de Solberg estava tecnicamente correto, De Rose levanta uma questão perigosíssima.

        Afinal, o Ladetec tem ou não capacidade para análises de tal importância? Ele é capaz de errar de forma tão elementar diante de assunto tão sério? Com que extensão, há quanto tempo?

        Também estranhamente, sem ouvir os diretores do Ladetec a Wada deu crédito a De Rose e eliminou a suspensão provisória do jogador. Tornou-se mais uma instituição a duvidar do laboratório carioca.

        Inicialmente, cabe a pergunta: trata-se de um caso de “fritura” explícita? Com que objetivos? O de desacreditar um órgão e criar outro, para os exames antidoping, de olho nos Jogos 2016? Ligada e sob o comando de quem?

Caso institucional

        Os casos de doping colocam sempre o atleta no topo do noticiário, pois ele é o principal agente do escândalo.

        Agora, quem está em evidência são as instituições governamentais, olímpicas e acadêmicas, por acusação ou omissão.

        O Ladetec se estruturou com milionários recursos do Ministério do Esporte – que é omisso, como já escrevi, sobre as questões do doping. E foi pela capacidade de seus diretores e técnicos, reconhecidos por todos os segmentos do esporte, que o Ladetec ganhou credenciamento da Agência Mundial Antidoping.

        Porém, ao ter o resultado de um exame questionado por uma autoridade do nível de De Rose e não receber manifestação das instituições brasileiras que o acreditam, entra no rol das entidades suspeitas. Mas sem que lhe tenha sido dada oportunidade de se manifestar. E isso é gravíssimo.

        O COB, que seguidamente invoca o “espírito olímpico” para exaltar o “jogo limpo”, não pode silenciar. Deve exigir imediata investigação deste episódio, a fim de se saber se estamos diante de um laboratório de fundo de quintal ou de mais uma mentira de atleta, que busca fugir da punição de direito.

        A independência dos laboratórios antidoping é fundamental para a lisura dos exames em atletas. A própria criação da Wada foi neste sentido, para que se tirasse dos comitês olímpicos o vínculo direto do controle antidoping, evitando proteções de ocasião, como ocorreram com atletas norte-americanos.

        Porém, a independência exige responsabilidade dos órgãos afins, para que as punições aplicadas não fiquem sob suspeitas de maracutaias, hoje tão comuns em outros segmentos da sociedade, contaminando atletas e dirigentes.

        O caso em questão coloca a credibilidade do esporte olímpico em jogo. Exige reação e clareza nos resultados para evitar a desmoralização pública.

Por José da Cruz às 16h54

12/08/2011

Copa 2014: em novo relatório, TCU alerta para os "elefantes brancos"

 

        O Tribunal de Contas da União voltou a alertar que em quatro cidades-sedes há riscos da rentabilidade gerada pela arena não cobrir seus custos de manutenção, devido à pouca tradição com o futebol: Natal, Manaus, Cuiabá e Brasília.

        Os dados constam do mais recente relatório do TCU, de 8 de agosto, em que o relator, ministro Valmir Campelo, também afirma que são “frágeis e inseguras as informações gerenciadas pelo Ministério do Esporte”, referente ao acompanhamento das obras para a Copa 2014.

Ociosidade

          Valmir Campelo faz referência aos dados de um seminário sobre legados da Copa do Mundo, em que evidencia os riscos das obras mal planejadas, como as das quatro cidades citadas. Diz ele:

        “No seminário World Cup Infrastructure Summit 2010, o palestrante da LCA Consultoria Econômica lembrou que algumas cidades, que já sediaram eventos esportivos, ficaram com legado de dívidas e de infraestruturas ociosas, tanto por causa da copa de futebol quanto dos jogos olímpicos, corroborando, portanto, a importância de se gerenciar bem os riscos dessa natureza, principalmente porque os investimentos envolvem recursos públicos. Muitas vezes, em função do cronograma apertado de obras, os custos superaram em muito as estimativas iniciais. O palestrante também apontou como custo intangível relacionado à Copa o efeito crowding-out sobre o fluxo normal de turismo (turistas que viriam ao país, mas adiam seus planos por conta dos preços inflacionados durante o evento).

         Leia o Relatório do TCU

         https://contas.tcu.gov.br/portaltextual/MostraDocumento?lnk=(2000/2011+e+plenario)%5bidtd%5d%5bb001%5d

 

Por José da Cruz às 21h49

Fora RT uniu Gremistas e Colorados

Em 6 de agosto, em Porto Alegre

Protesto contra Ricardo Teixeira

uniu

Gremistas e Colorados

SÁBADO - 13 DE AGOSTO

A MANIFESTAÇÃO É EM SÃO PAULO

ÀS 14h

EM FRENTE AO MASP

Por José da Cruz às 21h12

Tá chegando a hora

SÃO PAULO ENTRA EM CAMPO

O FUTEBOL BRASILEIRO NÃO PODE TER DONO

FORA RICARDO TEIXEIRA

 

Sábado – 13 de agosto

Às 14h

Concentração: Museu de Arte de São Paulo (MASP)

Por José da Cruz às 18h30

DOPING: De Rose questiona laboratório olímpico

Na Folha de S.Paulo

Médico coloca em dúvida exame positivo de atleta do vôlei de praia feito pelo Ladetec

Por DANIEL BRITO e MARIANA BASTOS

        A maior autoridade brasileira em doping pôs em dúvida o trabalho do único laboratório credenciado para fazer teste antidoping no país.
        A Folha teve acesso a um e-mail enviado por Eduardo de Rose, chefe do doping no COB (Comitê Olímpico Brasileiro), para a FIVB (Federação Internacional de Vôlei).
        No texto, ele diz não estar "totalmente convencido" de que o resultado da contraprova de Pedro Solberg, atleta do vôlei de praia flagrado com o esteroide androstano, estava "tecnicamente correto."
O e-mail também foi para Wada (Agência Mundial Antidoping), COB e CBV (Confederação Brasileira de Vôlei).
        As afirmações do médico colocam em dúvida o Ladetec, único laboratório do país credenciado pela Wada e único apto hoje a realizar os testes da Copa-14 e da Rio-16.
        "A confirmação da amostra A foi adiada duas vezes por problemas técnicos no laboratório no Rio e (...) não estou totalmente convencido de que o resultado analítico adverso foi tecnicamente correto", escreveu De Rose, após saber que a amostra B confirmou o resultado positivo.
        O médico diz que o caso gera preocupação no Brasil não só por Solberg, 25, ser um dos melhores atletas de vôlei de praia mas também por ele ser filho de uma "lenda" do vôlei, a ex-jogadora Isabel.
        Em sua mensagem, o médico lança dúvida sobre a cadeia de custódia das amostras (procedimentos usados para evitar que as amostras sofram qualquer tipo de dano), colhidas em 30 de maio, uma segunda-feira, na casa do esportista. De Rose disse que a urina foi entregue ao Ladetec três dias depois.
O transporte da urina não é atribuição do laboratório, e o exame foi feito pela Wada.
        "A coleta só chegou ao laboratório na quinta, apesar de o regulamento recomendar que ela seja entregue o mais rápido possível", disse Solberg à Folha, por e-mail.
        "Por que o laboratório não exigiu a cadeia de custódia se o regulamento fala tão claramente que ela deve estar sempre junto com a amostra?"
        De Rose afirmou ainda que o resultado dos testes pode ser diferente do apresentado pelo Ladetec. "(...) Alguns especialistas (...) que analisaram os dados da amostra A também mencionaram que não encontraram elementos para suspender o atleta."
        Com base nisso, o médico pediu à FIVB que retirasse a suspensão provisória imposta ao atleta até seu julgamento. O pedido foi atendido.
        "Devido à possibilidade de terem ocorrido irregularidades na realização do exame, a FIVB decidiu cancelar a suspensão imposta ao atleta até o julgamento do caso", afirmou, em nota oficial, a CBV.
        No e-mail, De Rose sugere que os resultados sejam submetidos à confirmação de laboratórios de Montréal (Canadá) ou Colônia (Alemanha). "Se esse resultado analítico adverso for confirmado por outros especialistas (...) vou aceitá-lo e apoiar todas as decisões da FIVB", disse.
        A reportagem tentou contato com De Rose, mas não obteve resposta. Francisco Radler, coordenador do Ladetec, preferiu não se pronunciar ainda. Consultada, a Wada não deu resposta.

Por José da Cruz às 10h28

O doping, as suspeitas e a omissão do Ministério

         Em 20 de julho, encerrando a discussão sobre o caso Cesar Cielo, escrevi que via os bastidores do esporte de rendimento cada vez mais sob suspeita.  

        Agora, 20 dias depois, já temos três novos casos de doping, cada um com suas peculiaridades, julgamentos e decisões: a judoca Taciana Lima, Geisa Arcanjo, do arremesso de peso, e, o mais barulhento, envolvendo Pedro Solberg, do vôlei de praia.

        Diante da possibilidades de falhas graves no procedimento do exame de Pedro, pelo laboratório Ladetec, no Rio, a Federação Internacional de Vôlei  revogou a suspensão preliminar do jogador.

        O assunto é gravíssimo e tem péssima repercussão internacional. Afinal, somos um país olimpico.

Omissão I

        Porém, enquanto crescem os casos de doping, o Ministério do Esporte se omite de forma espantosa. 

        Em 6 de junho último, o ministro do Esporte, Orlando Silva, recebeu em seu gabinente autoridades internacionais do Comitê Olímpico Internacional e da Agência Mundial Antidoping. Reparem bem: não foram técnicos do laboratório da esquina!!! Foram autoridades dos dois principais organismos internacionais do olimpismo que cuidam do assunto, que saíram de seus países para verem como estão as coisas no Brasil!

        Na reunião, Orlando Silva disse que o projeto de lei para criar a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) iria logo para o Congresso Nacional.  

        Em 2009 já havia feito o mesmo discurso. Mas, até hoje...

        Às ilustres autoridades, Orlando Silva disse, também, que o governo financiaria a ampliação do Ladetec, justamente o laboratório que é suspeito de ter falhado num exame antidoping.

        Agora, gente do governo me diz que for provada negligência no exame de Pedro Solberg, o Ladetec poderá perder o credenciamento da Wada. E lá se foram alguns milhões de reais, pois aquelas instalações foram financiadas pelo Ministério do Esporte, já para o Pan 2007.

Omissão II

        A questão do doping é, antes de tudo, de educação. E não há no Brasil uma só campanha neste sentido. Raríssimas confederações tratam do assunto em suas páginas. O tema é escondido, camuflado o quanto se pode. Verdade seja dita: a Confederação Brasileira de Atletismo vai fundo e escancara mesmo.

       Já na página do Ministério do Esporte as raríssimas referências sobre “doping” tem a seguinte citação "histórica"...

        “No Brasil, as decisões do Conselho Nacional do Esporte com relação ao controle do doping são exemplo da sintonia do governo

brasileiro e dos dirigentes esportivos com a tendência mundial de restrição às práticas desleais e desonestas para burlar índices e

resultados.”

        E sabem quem assina esta preciosidade? Agnelo Queiroz. Ou seja, quando ainda era ministro, há cinco anos... Que tal?

        Mais:

        A última “Resolução” do Ministério do Esporte sobre o assunto doping é de novembro de 2005!!! E para comunicar sobre as drogras proibidas pela WADA para 2006... Estamos em 20111. Há seis anos, portanto, o Ministério do Esporte, de Orlando Silva é omisso nas questões do doping. Omissão total.

        Diante de mais essa negligência oficial, reforço que continuarei a ver todas as questões de “doping” com elevadíssima suspeita.

 

Por José da Cruz às 23h51

11/08/2011

A furosemida volta a atacar. Agora, no judô

A judoca Taciana Lima, da Sogipa, de Porto Alegre, testou positivo para furosemida. O exame foi realizado no dia 25 de junho, logo após ela ter conquistado a medalha de bronze na Copa do Mundo de São Paulo.

Em entrevista ao jornal gaúcho, Correio do Povo, Tacina garantiu que não ingeriu nenhuma substância proibida.

Eu não sou criança, tenho 27 anos, compito desde os 15. Nunca tomei nada”.

Furosemida é a mesma substância que contaminou o suplemento do nadador Cesar Cielo, absolvido em instância máxima.

Taciana é a segunda do Brasil na categoria até 48kg, atrás da titular Sarah Menezes. Ou seja, atleta com potencial olímpico já para 2012.

Como as excelências afirmam, “no doping, cada caso é um caso”.

Portanto, vamos aguardar para ver em que “caso” o processo de Taciana se enquadrará e, assim, poderemos comparar ao tratamento dispensado no caso Cielo.

Por José da Cruz às 11h04

Relatório da ONU sobre esporte, desenvolvimento e paz

       Em 2003, a ONU divulgou o relatório “Esporte para o Desenvolvimento e a Paz”.

       O documento analisa os benefícios da atividade física em diversos segmentos – educação, saúde, economia, desenvolvimento sustentável etc – e se tornou referência de palestrantes, principalmente, que exploram a seguinte informação:

       “Nos Estados Unidos da América, onde o sedentarismo foi responsável por um gasto de US$ 75 bilhões em custos médicos em 2000, estima-se que cada dólar (US$ 1) gasto em atividades físicas resulta em um ganho de três dólares e vinte centavos (US$ 3,20) em custos médicos. No Canadá, estima-se que a atividade física aumenta a produtividade de cada trabalhador por ano ao equivalente de Can$ 513, resultante da redução de faltas, de rotatividade e de acidentes de trabalho, assim como um aumento na produtividade. Consequentemente, o esporte resulta não somente em benefícios positivos para indivíduos, mas também em benefícios econômicos significativos para negócios, comunidade e nações”.

        É o estudo do gênero mais atualizado que conheço com a chancela das Nações Unidas. Com atraso – perdão, leitores – divulgo os links solicitados. Confiram:

No original

http://www.unep.org/sport_env/documents/taskforce_report.pdf

Em português:

http://www.pitangui.uepg.br/nep/documentos/ESPORTE%20E%20PAZ.pdf

Aos estudiosos sobre o assunto, boa leitura.

No Twitter: @blogdojosecruz

Por José da Cruz às 23h32

10/08/2011

Contagem regressiva

 

Faltam:

3 anos para a Copa

12 estádios

Uma Seleção

(Mensagem no Facebook)

Por José da Cruz às 21h52

Doping: mais uma "advertência"

        O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) manteve a decisão da Comissão Disciplinar Nacional (CDN), e aplicou “advertência”  à atleta Geisa Arcanjo, campeã mundial juvenil do arremesso de peso.

        Ela foi flagrada por uso de hidroclorotiazida, droga proibida no esporte, em julho do ano passado.

        O caso subiu para o plenário do Tribunal porque a Agência Nacional Antidoping (ANAD), da CBAt, entrou com recurso contra a decisão da CDN.

        Porém, por unanimidade, os membros do STJD entenderam que "a substância encontrada não trouxe ganho de rendimento para a atleta.”

        Coincidentemente, o atletismo repete a história de Cesar Cielo, punido em instância máxima, inclusive, com leve “advertência”.

        Coincidência, também, mas como Cielo Geisa ganhou valorizada medalha de ouro internacional, mas que deverá devolver à IAAF, mesmo com pena mínima de advertência.

        Hidroclorotiazida é um diurético que pode mascarar outras substâncias proibidas. No dia 19 de julho último, o ciclista russo Alexandr kolobnev foi afastado da Volta da França por ter sido flagrado pelo uso de hidroclorotiazida.

        No caso de Geisa estamos, novamente, diante do que os entendidos chamam de “cada caso é um caso”.

        Particularmente, mantenho a convicção de que o doping ganhou novos rumos. O problema não é mais o atleta se dopar e ter isso comprovado em exame. A questão é esperar pela decisão das excelências, que, com autoridade jurídica, vão avaliar se a droga contribuiu ou não para o desempenho do atleta.

Exageros

        Será que o pessoal do Ministério do Turismo que meteu a mão na grana pública precisava ser algemado pela Polícia Federal? Uma advertência não resolvia a parada, não?       

Por José da Cruz às 16h17

Jennings reforça denúncias contra Ricardo Teixeira

        Romário - Quais são os documentos que você tem para provar que Teixeira - e Havelange - aceitaram suborno?

        Andrew Jennings - Para o nosso programa, em novembro do ano passado (na BBC de Londres), consegui uma lista de 165 subornos pagos pela ISL, a maioria a funcionários da FIFA - os US$ 100 milhões. Nós mostramos a lista na TV - destacando os nomes de Ricardo Teixeira e João Havelange. Tenho mais evidências de que Teixeira tinha aceitado cerca de US$ 10 milhões por meio de uma empresa chamada Liectenstein Sanud.

        Leia a entrevista completa com o jornalista inglês Andrew Jennings no site de Romário, que acabou de entrar no ar. Aqui.

Por José da Cruz às 13h05

09/08/2011

Ministério do Esporte paga a conta de clubes de futebol

Na audiência pública sobre segurança nos estádios, na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, o deputado Romário denunciou que o Ministério do Esporte assumiu compromissos dos clubes de futebol, contratando, instalando e dando manutenção serviços de monitoramento de imagens dos torcedores.

Pelo serviço, o Ministério do Esporte está pagando R$ 48,3 milhões.

Lei

A exigência do circuito interno de TV está no Estatuto do Torcedor, desde 2003. Há oito anos, portanto.

“Os estádios com capacidade superior a 10 mil pessoas deverão manter central técnica de informações, com infraestrutura suficiente para viabilizar o monitoramento por imagem do público presente”.

Mas os dirigentes não cumpriram a lei, o Ministério do Esporte não fiscalizou e, pior, assumiu o compromisso.

Orçamento

Os R$ 48 milhões já estão no orçamento deste ano.

O Ministério do Esporte aplicará numa conta que não lhe pertence o mesmo que destinou para a Bolsa Atleta 2011. Ou 10 vezes mais do destinado ao programa social “Pintando a Liberdade”, de recuperação de detentos, na fabricação de material esportivo.

Novos rumos

Este fato eu já havia contato aqui várias vezes, mas agora passou a ser questionado por um personagem de importância no esporte e na política nacionais, o ex-artilheiro Romário.

“Pelo Estatuto do Torcedor, essa é uma obrigação do clube e não do Ministério do Esporte. Por que esse gasto sem necessidade do ministério”? – questionou o deputado, na audiência pública sobre “segurança nos estádios”.

“Estamos encarando isso como uma questão de programa de segurança pública nacional integrada”, respondeu Sérgio Velloso, assessor especial de futebol do Ministério do Esporte.

Os escândalos nacionais se sucedem com tanta freqüência, que fatos graves como esses no Ministério do Esporte passam despercebidos, mas o desperdício de dinheiro é inegável.

Segurança pública sendo tratada no Ministério do Esporte?

E ainda há outra vergonha, que tratarei em nova mensagem, referente ao cadastramento dos torcedores, com mais uma fortuna saindo do Orçamento do Ministério do Esporte.

Assim, enquanto economiza no bolso da cartolagem, o ministro Orlando Silva repassa a fatura ao torcedor-contribuinte.

Agora vai. 

Por José da Cruz às 22h33

Site do Romário estreará entrevistando Andrew Jennings

        Fora das quatro linhas, o agora deputado Romário usará a autoridade de parlamentar para fiscalizar e dar transparência aos gastos com projetos da Copa 2014.

        O resultado de seu trabalho estará num site, que ele lançará amanhã, em Brasília.

        De saída, ele apresentará uma entrevista com o jornalista inglês Andrew Jennings, que desvenda denúncia de corrupção internacional, envolvendo o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o ex-presidente da Fifa, João Havelange.

        Depois de Pelé, embaixador da Copa, agora é Romário que vai estar de olho em RT, o eterno...

Link

        Um link no site remeterá o leitor para um assunto específico – portadores de deficiências –, motivo da presença de Romário no Parlamento, conforme tem afirmado.

        Futebol e Copa à parte, Romário quer marcar sua estreia como político com a aprovação de leis que beneficiem os deficientes, uma população em torno de 20% dos brasileiros.

        O deputado optou por essa atuação inspirado em Ivy, sua filha de seis anos de idade, portadora de Síndrome de Down.

Boa sorte

        Decidido como nos bons tempos em que entrava na área adversária, Romário demonstra disposição no trabalho na Câmara dos Deputados.

        Chegou ao Congresso e ocupou logo seu lugar “na janela” do gigantesco ônibus do Legislativo. E é aí que ele quer eliminar a imagem de “deputado aventureiro”, como chegou a ser criticado, logo que venceu o pleito de 2010.

        Romário comparece às reuniões da Comissão de Turismo e Desporto, pergunta, debate, troca informações, questiona e em pouco tempo ganhou desenvoltura até para presidir sessões, como vice-presidente da Comissão.

        Porém, como 500 e tantos parlamentares, Romário depende da orientação partidária, o PSB, no caso, da base de apoio ao governo.

        Ou seja, deputados e senadores não têm autonomia para vôos independentes, pois devem obediência à liderança. E isso poderá frustrar o deputado.

        Quando isso ocorrer, Romário enfrentará o conflito íntimo entre a liberdade que deseja para agir como representante popular e a obrigação de se sujeitar às orientações partidárias.

        Coisas da política que ele não conheceu em campo, mesmo na dureza de seus marcadores. Ali, na manha e na marra, ele decidia sozinho.

Por José da Cruz às 13h16

Copa 2014: Ministério do Turismo na rota da corrupção

        Um dos mais importantes ministérios na preparação da Copa 2014, o do Turismo, entra na onda de escândalos por corrupção, no governo federal, que já fez estragos na Casa Civil, Transportes, Denit, Agricultura...

        A Operação Voucher prendeu hoje de manhã 32 pessoas em Brasília, São Paulo e Amapá, entre elas o secretário-executivo do ministério, Frederico Silva da Costa.

        As denúncias são de desvio de recursos públicos por meio de emendas de parlamentares.

        Mas há suspeitas de que bom dinheiro para projetos da Copa também foram parar em bolso alheio.

Copa 2014

        Por conta de projetos da Copa 2014, R$ 40 milhões já foram aplicados pelo Ministério do Turismo, que terceiriza seus serviços contratando “consultorias”.

       Confira o destino da grana, com informações obtidas no Portal da Transparência.

       Mas atenção: apenas o primeiro contrato da lista está no olho da corrupção no Ministério do Turismo, detonada pela Polícia Federal.

       Porém, a fartura como que se contratam consultorias privadas evidencia o despreparo do governo – que já se observa no Ministério do Esporte – para receber os megaeventos esportivos

Objeto: Implementar a segunda etapa do projeto Escola Virtual dos Meios de Hospedagem no âmbito do Programa Bem Receber Copa.

Favorecido: Instituto Brasileiro de Hospedagem - IBH
Valor: R$ 17.410.520,00

Objeto: Concessão de apoio financeiro para a realização do projeto "Expresso Brasil na Copa".
Convenente: Associação de Desenvolvimento Sócio Educativo e Cultural da Bahia - ADESC
Valor do convênio: R$ 3.000.000,00

Objeto: execução, por parte do Instituto Nacional América - INA, de cursos de qualificação social e profissional na área de Turismo, a fim de capacitar e preparar os educandos para atender as recentes conquistas do país (ser sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016).

Favorecido: Instituto Nacional América
Valor: R$ 3.158.384,00
 

Objeto: apoio técnico e pedagógico, gestão, monitoramento e avaliação "Programa Bem Receber Copa".
Favorecido: Fundação Getúlio Vargas
Valor: R$ 3.600.000,00
 

Objeto: qualificação para profissionais do segmento de alimentação e bebidas no âmbito do programa Bem Receber Copa.
Favorecido: Federação Nacional de Hotéis Restaurantes Bares e Similares
Valor: R$ 9.982.423,20
 

Objeto: organização e execução da infra-estrutura e logística para realização do evento: reunião de trabalho do programa bem receber Copa 2014, dia 19/04/10.

Favorecido: F.J. PRODUCOES LTDA
Valor: R$ 20.420,48

Objeto: Pagamento da N.F. - fatura - 074578 de 29/03/2010 - referente - ao programa de capacitação de profissionais do turismo para Copa do Mundo - 2014. Contrato - 02/2010.

Favorecido: Fundação Getúlio Vargas
Valor: R$ 596.660,30

Objeto: Programa de capacitação de profissionais do turismo para Copa do Mundo - 2014. Parcela 02/04 do contrato - 002/2010.
Favorecido: Fundação Getúlio Vargas
Valor: R$ 894.990,46

Objeto: Pagamento da N.F.S/fatura - 077493 de 18/06/2010 - referente - ao estudo de mapeamento estratégico do turismo para a Copa do Mundo/FIFA no Brasil em 2014. Parcela 01ª. Do contrato - 006/2010.
Favorecido: Fundação Getúlio Vargas
Valor: R$ 702.000,00

Objeto: Pagamento da N.F.S/fatura - 080538 de 06/07/2010 - referente - ao estudo de mapeamento estratégico do turismo para a Copa do Mundo/FIFA no Brasil em 2014. parcela 02ª. do contrato - 006/2010.
Favorecido: Fundação Getúlio Vargas
Valor: R$ 702.000,00

Por José da Cruz às 11h02

Governo ainda não sabe quanto custará a Copa do Mundo

              A dois anos de receber a Copa das Confederações e a três da Copa do Mundo, o governo ainda não sabe o orçamento geral dessas aventuras.

            Ao ser indagado no programa Roda Viva, da TV Cultura, sobre quanto vai custar a festa para o Brasil, o ministro do Esporte, Orlando Silva, discursou mas não citou um só número. E provocou da apresentadora do programa, Marília Gabriela, a seguinte afirmação:

            - Ministro, a verdade sobre isso é que ainda não há números fechados... Confere?

            Irônico, Orlando Silva sorriu.

            E ficou claro que o Brasil está mesmo perdido nessa história de gastos públicos para os megaeventos que estão chegando. Inacreditável!

Importante

            De resto, sabe o que Orlando Silva disse de importante aos entrevistadores?

            “O Brasil vai realizar o Mundial de Futebol”

            Ufa! Ainda bem. Eu já imaginava o pior...

            O ministro repetiu velhos e cansativos discursos, alguns debochados, até.

            Por exemplo, sobre o atraso nas obras dos aeroportos:

            “Por que não se construiu antes”? – indagou o jornalista Augusto Nunes. Afinal, o governo está no comando desde 2003...

            - O importante é que estamos fazendo agora! – respondeu Orlando Silva.

            Agora? Quando os terminais já estão com seus limites esgotados e movimentos 20% acima do previsto?

            Enfim, Orlando Silva é assim mesmo. Um político que tem a capacidade de dar respostas rebuscadas para fatos que não existem.  E tenta iludir o telespectador de que o governo é superior à Fifa nas relações sobre a Copa.

            Com tal desempenho, não deixa o governo da presidente Dilma em má situação. Talvez por esse desempenho ele continue ministro.        

Por José da Cruz às 00h38

08/08/2011

Violência nos estádios volta ao debate na Câmara dos Deputados

       A violência das torcidas nos estádios é o tema que será debatido nesta terça-feira, na Comissão de Turismo e Desporto, da Câmara dos Deputados. A partir das 14h, no plenário 5.

       Participarão do debate: o tenente coronel do 2º Batalhão de Polícia de Choque do Estado de São Paulo, Carlos Celso Savioli; o professor de Sociologia da Universidade de Taubaté, Carlos Alberto Máximo Pimenta; o Presidente da Federação Mineira de Futebol - FMF, Paulo Schettino; o Diretor do Departamento de Segurança e Prevenção da Federação Paulista de Futebol, Coronel Marcos Marinho; o Assessor Especial de Futebol do Ministério do Esporte, Alcino Reis Rocha; e o Promotor de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Pedro Rubim Borges Fortes.

       O Diretor de Competições da Confederação Brasileira de Futebol, Virgílio Elísio da Costa Neto, também foi convidado, mas até ontem à noite não havia confirmado presença.

Por José da Cruz às 19h56

Bolsa Atleta: saem os contemplados, com oito meses de atraso

         A 70 dias de começar os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara e a quatro meses de se encerrar o ano de 2011, o Ministério do Esporte divulga,  somente hoje, o nome de 942 contemplados com a Bolsa Atleta de... 2010!

        A relação dos contemplados está aqui

        Acabaram com o problema? Nada disso!

        Até ser concluído o processo, assinatura de contrato etc, lá se vão mais dois meses. Resultado: dinheiro lá pra outubro ou novembro. E o treinamento e competições rolaram o ano todo...

Detalhe

        Os bolsistas foram classificados com base no desempenho esportivo de 2009. Alguns nem estão mais competindo. Mas, assim mesmo, vão ganhar a a bolsa, numa temporada importantíssima, que antecede a Olimpíada de Londres-2012.

        Boa parte da equipe que vai aos campeonatos mundiais de patinação artística, por exemplo, não foi contemplada, o que demonstra a necessidade urgente de o Ministério do Esporte atualizar seus critérios para evitar prejuizos, injustiças e desperdícios.    

Por José da Cruz às 13h22

Orlando Silva no Roda Viva: chance para explicações

        Os preparativos para a Copa 2014 são temas do programa Roda Viva, hoje, com o ministro do Esporte, Orlando Silva. O comando será da jornalista Marília Gabriela.

        Na TV Cultura // Às 22h15

        Na bancada de entrevistadores estarão os experientes jornalistas Augusto Nunes e Paulo Moreira Leite, Vladir Lemos (apresentador e editor-chefe do Cartão Verde), e Cida Damasceno, editora-chefe de O Estado de S.Paulo.   

Por José da Cruz às 11h43

06/08/2011

Doping é ganância pelo dinheiro, diz Havelange

        Sugiro a leitura da entrevista de João Havelange ao portal www.memoriaolimpica.com

        Há verdades, por exemplo: “O Ministério do Esporte não tem força nenhuma”.

        Outra, oportuníssima, sobre doping:

        “O que aconteceu é que o grande atleta olímpico, hoje, não é amador. Cada um quer se apresentar e chegar e, para poder ganhar mais dinheiro, muitas vezes faz aquilo que a lei não lhe permite. Mais uma vez, é o dinheiro. É a loucura pelo dinheiro. A gente, às vezes, tem choque ao ver aqueles que foram pegos neste problema que é grave... Todo mundo quer aparecer. No final, vai ser propaganda de A, B ou C, ou vai ganhar um contrato.”

Visão capitalista

        Com a visão do futebol capitalista, expandindo-se a custo do dinheiro público, Havelange também apresenta manifestações suspeitas e propícias para o debate.

        Por exemplo:

        “No Brasil, parece que é uma desonra ter  Jogos Olímpicos”.

O que é desonra?

        Desonra, excelência, é um país com um ministério que há oito anos não disse a que veio, a não ser para se tornar repassador de dinheiro, mas sem ter política definida para o setor;

        Um ministério cabide de empregos em detrimento de um quadro técnico, especializado em políticas públicas, prioritariamente;

        Desonra é um país financiador do esporte de alto rendimento, mas que nem diagnóstico do setor consegue realizar há mais de 30 anos para definir as prioridades e metas;

        Desonra é ver a academia afastada do debate olímpico, em todos os seus valiosos seguimentos, como já ocorreu no Pan-Americano;

        Desonra é enfrentar uma Olimpíada sem termos definido política básica de esporte, integrada por municípios, estados, clubes;

        Desonra é receber a Olimpíada de 2016 e não sabermos, até hoje, sobre o destino do dinheiro superfaturado no Pan 2007;

        Desonra é não termos o balanço financeiro do Pan, que consumiu R$ 3,4 bilhões, e ver o governo colocando mais de R$ 50 bilhões em dois megaeventos;

        Isso sim, Senhor Havelange, é desonra, e tanto mais que poderia escrever, num país que desperdiça, principalmente, as oportunidades da atividade física e do esporte como instrumentos de formação de caráter dos jovens.  

Por José da Cruz às 20h20

05/08/2011

O dinheiro do esporte - 2010

        O esporte de rendimento contou em 2010 com recursos públicos na ordem de R$ 1,7 bilhão em 2010, dinheiro vindo de quatro fontes: orçamento do Ministério do Esporte, Lei de Incentivo ao Esporte, patrocínio de oito estatais e loterias federais.

        Os recursos são descentralizados aos órgãos executores. A Lei Piva, por exemplo, que corresponde a 2% das arrecadações das loterias federais, repassa o dinheiro diretamente às entidades contempladas – os comitês Olímpico, que fica com 85%, e o Paraolímpico, com 15%.

        Já a Lei de Incentivo ao Esporte tornou-se de fácil acesso às entidades esportivas, desde 2007. No entanto, apesar de o Ministério do Esporte contar com R$ 300 milhões anuais para aplicar em projetos educacionais, de rendimento e de lazer, pouco mais de 50% são captados no mercado, conforme o demonstrativo abaixo.  

        Finalmente:

        observe que as loterias administradas pela Caixa Econômica são grandes financiadoras do esporte, pois além da Lei Piva e da Loteria Esportiva, ainda repassam boa parcela ao Ministério do Esporte, que rateia o valor entre as secretarias de Esporte estaduais, conforme legislação específica.

FONTES DE RECURSOS

2010

VALOR - R$

Ministério do Esporte - Orçamento

802.483.223,24

Empresas estatais - patrocínios

158.700.000,00

Lei Incentivo Esporte (captados)

189.169.580,10

Lei Piva (2% das loterias) ao COB e CPB

169.018.000,00

Loterias - repasse ao Min. Esporte

369.126.000,00

Loteria Esportiva- repasse clubes futebol

34.135.000,00

Total

  

1.722.631.803,34

No twitter: @blogdojosecruz

Por José da Cruz às 19h02

O obscuro controle oficial da verba pública para o esporte

        Ao dar crédito às mensagens recebidas, cujas indagações transcrevo mas preservo o nome dos remetentes, lembro que é, de fato, obscura a realidade das finanças do esporte olímpico brasileiro.

       Temos o balanço anual da Lei Piva, mas de resto não há visibilidade para o uso das verbas públicas pelas confederações.

       E os patrocinadores estatais também não se esforçam em demonstrar como seus investimentos contribuem para a evolução do esporte em seu processo integral e não de rendimento exclusivo.

       A recente declaração do ginasta Diego Hypólito – na mensagem anterior – de que “não recebe da Confederação” é oportuna para voltar ao assunto.

       Na memória: Diego não está isolado.

       Quando retornou ao Brasil com a medalha de ouro olímpica, o nadador Cesar Cielo também declarou que a conquista não era mérito da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, pois não recebera qualquer contribuição para seus treinos.

       Depois, atendido em sua pretensão, mudou o discurso, mas deixou o depoimento histórico.

       Atento a essas manifestações, volto aos questionamentos de sempre:

1.  se a maioria dos clubes ou pais são responsáveis pela formação do atleta, como me afirmam, e nele fazem investimentos principalmente nas categorias de base;

2.  se o Comitê Olímpico Brasileiro investe milionários recursos da Lei Piva nas confederações, conforme demonstrações que faz, anualmente;

3.  se as estatais (Banco do Brasil, Caixa, Petrobras, Infraero, Casa da Moeda, BNDES, Correios e Eletrobras) investem milhões em projetos de 20 confederações;

4.  se a Lei de Incentivo turbina os cofres de várias confederações, natação entre elas;

5.  se o Ministério do Esporte também destina milhões às confederações para “preparação de atletas para eventos internacionais”...

6.  para que projetos são aplicados todos esses recursos?

7.  os atletas das categorias “iniciação”, “menores” e juvenis” são contemplados nos programas da diferentes confederações?

8.  por se tratar de verba pública, o Ministério do Esporte tem o controle desses investimentos?

9.  o Tribunal de Contas da União audita o uso desses recursos ou apenas os da Lei Piva?

10.     e como explicar que o Ministério do Esporte, mesmo com o orçamento em dia, não paga nem sequer a Bolsa Atleta de 2010 para mais de 100 competidores que vão ao Pan de Guadalajara, mas já anuncia a inscrição para os bolsistas de 2011?

 Mas, enfim, somos um país olímpico.

Amanhã, apresentarei as fontes de recursos públicos para o esporte olímpico

Por José da Cruz às 07h21

04/08/2011

Diego Hypólito reclama: falta dinheiro

         Conversando pela internet, o ginasta Diego Hypólito, irônico, desabafou:

        “Parabéns à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) por, em um ano antes das Olimpíadas, não fazer contrato com os principais atletas.”

        A notícia foi divulgada nesta quarta-feira pela repórter Ana Cláudia Felizola, do Correio Braziliense.
        “Minha maior chateação é com a questão contratual da Confederação com os atletas”, afirma. “Recebo do meu clube e de meus patrocinadores, mas o que eu mais faço é competir pela Seleção e não recebo nada para isso”, argumenta.

        A reportagem completa está aqui

Análise

        Não é a primeira vez que um atleta olímpico reclama das relações com sua confederação. Jade Barbosa teve problemas com a CBG, inclusive para realizar uma cirurgia na mão.

        Mas o caso que ganhou maior destaque foi com Cesar Cielo, que retornou com ouro da Olimpíada de Pequim e criticou a “falta de apoio” (leia-se dinheiro) da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos.

        Depois de uma conversa de Coaracy Nunes com o campeão, Cielo silenciou, sorriu e mudou o discurso. Foi o “valorizado milagre do diálogo”. 

A questão é a seguinte:

        Esses episódios demonstram como ainda somos amadores nas relações entre atletas, clubes, federações, confederações e patrocinadores.

        Assim como Cielo, Diego tem um clube, o Flamengo, que lhe paga. E também recebe do patrocinador. O próprio ginasta afirmou isso.

        Mas como se dá a relação quando um atleta é convocado para a Seleção Brasileira? E se o patrocinador for diferente do clube de origem, como é recompensado o atleta pela exibição da marca que é obrigado a vestir? Imagino que seja esta a questão de Diego.

        As situações variam entre as confederações e este não é um assunto aberto. Afinal, qualquer revelação sobre grana alertaria os fiscais da Receita Federal. E também não é assunto de mercado quanto ganha um judoca, um velocista do atletismo, um nadador de maratonas aquáticas, um ginasta, um jogador de vôlei e por aí afora.

Origem do dinheiro

        Porém, em todos os casos, os atletas são remunerados com verba pública, isto é, saída dos cofres do governo federal, pois a economia do esporte é altamente estatizada.

        A Confederação de Ginástica, por exemplo, tem R$ 18,5 milhões disponíveis este ano: R$ 8 milhões de patrocínio da Caixa, R$3,3 milhões das Loterias Federais e R$ 7,2 milhões do Ministério do Esporte.

        Com este episódio, mais uma vez se evidencia a fartura dos recursos para o esporte de rendimento e as suspeitas relações trabalhistas com seus atletas.

        E quem fiscaliza isso? O Ministério do Trabalho? O do Esporte? O Comitê Olímpico? O patrocinador? O Conselho de Atletas do COB? O Tribunal de Contas?

        Aliás, está aí um bom assunto para uma auditoria do TCU, sobre a gestão dos recursos públicos do esporte. São várias as fontes – da Lei de Incentivo, inclusive – mas as reclamações se sucedem. Veladas, na maioria, mas no trombone, como fez Cielo e, agora Hypólito são raras.

        E se mais não ocorre é  por medo de represálias – reais –, bem maior que a indignação de muitos.

Por José da Cruz às 23h33

03/08/2011

Copa e Olimpíada têm meio bilhão de reais no orçamento do Ministério do Esporte deste ano

        Em mais um artigo referente ao dinheiro público do esporte, conto nesta mensagem sobre a grana disponível este ano no orçamento do Ministério do Esporte para os megaeventos.

        Além dos R$ 90 milhões gastos na vitoriosa candidatura carioca às Olimpíadas 2016, divulgados no comentário anterior, R$ 307 milhões serão destinados em 2011 ao “apoio à implantação de infraesturutra para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos”. 

        Outros R$ 123,6 milhões estão reservados para a estrutura e funcionamento do consórcio “Autoridade Pública Olímpica”, cujo presidente é o ex-ministro das Cidades, Márcio Fortes (PP).

Copa 2014

Já para “apoiar a realização da Copa Fifa 2014”, o Ministério do Esporte garantiu R$ 111,8 milhões no seu orçamento 2011, sendo que R$ 8,3 milhões já foram pagos, e R$ 22,2 milhões podem ser liberados a qualquer momento, pois estão empenhados.

Pan 2007

        Honrando o dito popular – “devo e não nego pago quando puder...” –, o Ministério do Esporte salda este ano contas referentes ainda ao Pan 2007.

        Por ordem do ministro Orlando Silva, foram liquidados R$ 712,5 mil de faturas atrasadas. São os chamados “restos a pagar”.

        Outros R$ 466,3 mil estão na fila do caixa esperando a ordem “pague-se” para encerrar as despesas do evento realizado há quatro anos e que consumiu R$ 3,6 bilhões dos cofres públicos, num rastro de suspeitas de ilegalidades e superfaturamentos identificados pelo Tribunal de Contas da União.

Enquanto isso...

        ... o Ministério do Esporte dá o calote em mais de 100 atletas classificados para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, daqui a dois meses.

        Insisto nessa informação porque a Bolsa Atleta emperrada é referente a 2010!!!! E não falta dinheiro para honrar o compromisso. Falta gestão, competência, responsabilidade.

        Porque, até a agência de publicidade que produziu anúncios enaltecendo o programa Bolsa Atleta já recebeu R$ 3 milhões dos R$ 44 milhões disponíveis para 2011.

Opção

        Nove anos depois de o Ministério do Esporte ter sido criado e sempre nas mãos do PCdoB, observa-se a evidente opção da pasta pelas atividades de alto rendimento, onde se concentram os atletas de elite, em detrimento de programas voltados para as comunidades sociais e escolas.

        Agora vai. E o “legado” vem aí ... prepare o bolso! 

No twitter: @blogdojosecruz

Por José da Cruz às 00h05

02/08/2011

Rio 2016 consumiu R$ 90 milhões do Mínistério do Esporte, em dois anos

            Os R$ 30 milhões pagos pelo governo do Estado e Prefeitura do Rio de Janeiro para a festa da Fifa, no sábado, são apenas um terço do que o governo federal gastou para a candidatura Rio 2016.

            Em apenas dois anos – 2008 e 2009 –, o Ministério do Esporte destinou R$ 90 milhões a projetos coordenados pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que coordenou a elaboração do dossiê de candidatura.

            As informações sobre os gastos oficiais são da Controladoria Geral da União.

            Comparativamente, o valor da candidatura Rio 2016 corresponde a três vezes o orçamento original da Bolsa Atleta para 2011 (R$ 30 milhões).

Faturas

            A conta mais cara custou R$ 18 milhões, gastos com consultorias internacionais, financiados pelo Ministério do Esporte.

            A segunda maior despesa foi de R$ R$ 12,9 milhões pagos à Fundação Instituto de Administração, de São Paulo, para “elaborar estudo sobre o legado dos Jogos Pan-Americanos e apoio na implantação do plano estratégico de ações governamentais na elaboração do dossiê com vistas à candidatura dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016”.

De graça

            Sem exageros, os 36 processos analisados pelo Tribunal de Contas da União sobre os gastos com os Jogos Rio 2007 contam em detalhes sobre os “legados do Pan”. Gratuitamente.

Mais consultorias

            O segundo contrato mais dispendioso da candidatura carioca saiu por R$ 11,9 milhões, pagos à Fundação Getúlio Vargas. Objetivo: “consultoria técnica especializada na elaboração de sistema de orçamentação e de estudos em instalações esportivas e acomodações”.

                        Já a equipe de recursos humanos que trabalhou na elaboração do dossiê de candidatura custou R$ 6,6 milhões aos cofres públicos.

Finalmente

            Os R$ 90 milhões gastos na candidatura Rio 2016, pagos em 2008 e 2009, são cinco vezes o valor que a Confederação de Desportos Aquáticos (CBDA) recebe do Estado para seus projetos anuais, via patrocínio dos Correios, Lei de Incentivo e loterias federais.

            Com certeza, depois dos Jogos Rio 2016, outra consultoria será contratada para conhecermos os “legados” do evento que será bilionário.

            Antecipadamente, porém, não se pode ignorar que o esporte brasileiro nada, mesmo, em muito dinheiro.                       

Por José da Cruz às 00h46

01/08/2011

Escândalos

        Depois do escândalo no Ministério dos Transportes (de Valores), novas denúncias de corrupção revelam a promiscuidade dos partidos políticos com órgãos do Executivo:

No Ministério do Exército

        Um grupo de engenheiros e contadores do Ministério Público Militar apontou indícios de fraude em 88 licitações feitas pelo Exército para executar obras do Ministério dos Transportes. As suspeitas levam a desvios de recursos públicos no valor de R$ 11 milhões. (Folha de S.Paulo – repórter Marco Antônio Martins)

No Ministério da Agricultura

        O administrador Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá, autorizou pagar R$ 8 milhões a uma empresa fantasma. Em seguida, foi exonerado da direção financeira da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do Ministério da Agricultura. “A Conab é pior do que o Dnit...”, detonou Jucá, antes de sair.  (Veja – repórteres Hugo Marces, Gustavo Ribeiro e Paulo Celso Pereira)

No Ministério das Cidades

        O Partido Progressista atua no Ministério das Cidades de forma similar ao PR  no Ministério dos Transportes. Recursos irregulares, segundo o Tribunal de Contas da União, recebem recursos  liberados pelo tesoureiro do PP, Leodegar Tiscoski. (IstoÉ – repórter Lúcio Vaz)

         Já no Ministério do Esporte ...

        No momento, o principal escândalo é o calote da Bolsa Atleta, deixando na mão mais de 100 atletas, desde 2010.

        Os recursos estão disponíveis, mas a irresponsabilidade na gestão dos recursos públicos revela-se tão grave quanto à corrupção, que se divulga com fartura incomum.

Por José da Cruz às 11h58

Mundial de Natação: avaliação final

      Por Walter Guimarães

      Na avaliação da equipe brasileira no Mundial de Xangai, a Confederação de Desportos Aquáticos (CBDA) coloca que, “além das três medalhas, o país esteve em três finais e sete semifinais”.

            Para não ficar confuso com o dado da mensagem anterior, explico que numerei os “semifinalistas” e “finalistas”, ou seja, os nadadores que passaram pelas eliminatórias, diferentemente da Confederação, que numera as provas.

            Chamo a atenção para a colocação do Brasil, em quarto lugar no quadro de medalhas. Mas caimos assustadoramente em número de finalistas, comparativamente ao Mundial de 2009, quando tivemos 18. Agora, apenas seis.

            A seguir, os nadadores (em negrito, as provas descritas pela CBDA):

Semifinal - Feminino:

Daynara de Paula - 10º lugar nos 50m Borboleta

 

Semifinais - Masculino:

Bruno Fratus - 1º lugar nos 50m Livres

César Cielo - 2º lugar nos 50m Livres

César Cielo - 1º lugar nos 50m Borboleta

César Cielo - 5º lugar nos 100m Livres

Felipe França - 2º lugar nos 50m Peito

Thiago Pereira - 5º lugar nos 200m Medley

Felipe França - 14º lugar nos 100m Peito

Nicolas Oliveira - 13º lugar nos 200m Livres

Leonardo de Deus - 15º lugar nos 200m Costas

Leonardo de Deus - 13º lugar nos 200m Borboleta

Kaio Almeida - 10º lugar nos 200m Borboleta

Henrique Rodrigues - 14º lugar nos 200m Medley

 

Finais - Masculino

César Cielo - 1º lugar nos 50m Borboleta

César Cielo - 1º lugar nos 50m Livres

Felipe França - 1º lugar nos 50m Peito

César Cielo - 4º lugar nos 100m Livres

Bruno Fratus - 4º lugar nos 50m Livres

Thiago Pereira - 6º lugar nos 200m Medley

            Chama atenção o fato de que, com este desempenho, o Brasil teria apenas quatro  finalistas nas Olimpíadas, pois as provas de 50m Borboleta e 50m Peito não fazem parte do programa olímpico.

            Por falar em finais, segue a soma de finalistas por países, junto com a diferença em relação ao Mundial de Roma-2009. Vale ressaltar que foram 40 finais em provas de piscina. Na competição em “água aberta”, ou maratona, não há eliminatórias.

            Assustador o resultado brasileiro. Caiu da quarta posição para a 16ª, com 12 finalistas a menos.

             Vale destacar os resultados da Austrália, que mesmo sem o mesmo número de medalhas de ouro do que o Brasil (três) possuem muito mais chances, pois não dependem apenas de dois nomes (se levar em conta provas olímpicas, apenas um), como é o caso do Brasil.

            Já comentamos sobre renovação. Será que o Sr. Coaracy Nunes poderia nos dizer onde ela está?? Será mesmo que Carlos Nuzman & Cia acreditam que iremos nos tornar uma potência olímpica diante desse panorama?? E o Ministro do Esporte, acredita que poderemos ficar entre os 10 primeiros colocados no quadro de medalhas da Rio-2016??

 

Finalistas 2011 por países (entre parênteses, finalistas em Roma 2009)

1º) Estados Unidos: 53 finalistas  (46)

2º) Austrália: 34 finalistas  (30)

3º) China: 27 finalistas  (16)

4º) Grã-Bretanha: 23 finalistas (26)

5º) França: 19 finalistas  (17)

6º) Japão: 18 finalistas  (14)

7º) Canadá: 14 finalistas  (13)

8º) Holanda: 13 finalistas  (8)

9º) Hungria: 12 finalistas  (16)  

9º) Alemanha: 12 finalistas  (14)

16º) Brasil: 6 finalistas (18)

17º) Espanha: 5 finalistas (9)

Por José da Cruz às 08h26

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.