Blog do José Cruz

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31/07/2011

A natação brasileira e o quarto lugar no Mundial

Por Walter Guimarães

           Com a desistência do Thiago Pereira na prova de 400m Medley, e fora o debate sobre o caso “César Cielo, Nicholas Santos, Henrique Barbosa e Vinícius Waked” analiso a performance da equipe brasileira no Mundial de Xangai. Faço isso mais como um “amateur”, de quem gosta de esportes aquáticos. Tomei como parâmetro os resultados do Mundial de Roma-2009.As justificativas do desempenho ficam para os especialistas.

           Apesar de duas medalhas de ouro a mais (4 x 2), o quarto lugar brasileiro não condiz com desempenho de “equipe”. Principalmente, porque apenas uma medalha - nos 50m livre - era de prova olímpica. 

Pódios

         Roma 2009: 2 de ouro, 1 de prata e 1 de bronze

-  César Cielo: 50m Livres – ouro; César Cielo: 100m Livres - ouro

-  Felipe França: 50m Peito - prata

-  Poliana Okimoto: 5km - Maratona - bronze

         Xangai 2011: 4 de ouro

-  César Cielo: 50m Livres e 50m Borboleta

-  Felipe França: 50m Peito

-  Ana Marcela Cunha: 25km – Maratona

Semifinais e finais - Feminino

         Roma 2009: 7 semifinais e 4 finais

         Xangai 2011: 1 semifinal e nenhuma final

Masculino

         Roma 2009: 16 semifinais e 14 finais

         Xangai 2011: 12 semifinais e 6 finais

Revezamentos

Feminino

         4x100m Livres - Brasil em 13º lugar (não competiram em Roma-09)

         4x100m Medley - Brasil em 17º lugar (Em Roma, ficaram em 8º)

         4x200m Livres - não competiram em ambos Mundiais

Masculino

         4x100m Livres - Brasil em 9º lugar na eliminatória (Em Roma-09 ficaram em 1º na eliminatória e em 4º lugar na final, perdendo para Estados Unidos, Rússia e França. Em Xangai-11, além destes três países, ainda ficaram atrás de Itália, Austrália, Alemanha, África do Sul e Grã-Bretanha, sem conseguir chegar na final)

         4x100m Medley - Brasil em 14º lugar na eliminatória (Em Roma-09 ficaram em 5º lugar na eliminatória e em 4º lugar na final. Perderam espaço para: Holanda, Japão, Canadá, Polônia, Grã-Bretanha, França, África do Sul, Itália, Rússia e China. Já havia ficado atrás dos Estados Unidos, Alemanha e Austrália)

         4x200m Livres - Brasil em 14º na eliminatória (Em Roma, 2009, 10º)

Crescimento na Prova

Roma 2009 - Feminino

            Total de 7 eliminatórias para semifinais: 6 (86%) melhoraram e 1 (14%) piorou

         Total de 4 semifinais para finais: 1 (25%) melhorou e 3 (75%) pioraram

Xangai 2011

         Total de 1 eliminatória para semifinal: 1 melhorou

Masculino

         16 eliminatórias para semifinais: 12 (75%) melhoraram e 4 (25%) pioraram

         14 semifinais finais: 9 (64%) melhoraram, 4 (29%) pioraram e 1 repetiu o tempo

Xangai 2011

         Total de 12 eliminatórias para semifinais: 7 (58%) melhoraram e 5 (42%) pioraram

         Total de 6 semifinais: 3 (50%) melhoraram e 3 (50%) pioraram.

continua

Por José da Cruz às 17h04

A Lei Geral da Copa e a submissão nacional

      A futura Lei Geral da Copa do Mundo vai significar a submissão do Brasil aos interesses da Federação Internacional de Futebol Associados (Fifa). A conclusão é do promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, do Plano Integrado de Atuação do Futebol do Ministério Público de São Paulo.

      “A Lei Geral da Copa vai instituir entre nós um estado de exceção. É um momento em que uma série de garantias hoje constitucionais deixarão de ter vigência”, afirmou ele em entrevista ao portal Congresso em Foco.

     Confira aqui a reportagem do jornalista Eduardo Militão.

Por José da Cruz às 11h03

30/07/2011

Copa do Mundo e Cesar Cielo

        O companheiro Walter Guimarães enviou a seguinte mensagem, sobre gastos da Copa do Mundo e Cesar Cielo, da mesma forma que um leitor tratou o assunto. Com ótima argumentação, como sempre, merece repercutir. Vamos lá:

        Cruz, estes números (sobre o orçamento do Ministério do Esporte e as verbas para a Copa do Mundo) são importantes para mostrar às pessoas que ainda acreditam que a Copa e os Jogos Olímpicos serão ótimos para o país, na verdade serão sensacionais para meia dúzia de pessoas.

        Como é interessante ler as mensagens de seus leitores. Você mostra a clara falta de critérios para o gasto público e já vem gente falar do doping do Cielo.

        Então vamos ao debate:

        Sr. Luiz Fernando Oliveira, repasso um comentário sobre o caso Cielo. Autor do comentário: Diretor-executivo da FINA (deve entender alguma coisa de natação, imagino) - Cornel Marculescu:

        "Se tem um bom advogado, a pessoa se safa", e complementa com a máxima: É difícil de explicar aos atletas porque um dia é preto e outro é branco. Como explicar que se pode ir de uma simples advertência, que não significa nada, a dois anos de punição pela mesma substância??".

        O debate continua ...
        Walter Guimarães

Por José da Cruz às 21h18

A Copa dos milhões

       Um simples ou emocionante jogo de futebol, como o último Santos x Flamengo, que reativa a alegria e beleza do esporte, torna-se chato, burocrático e suspeito quando nas malhas dos espertos do serviço público.

       O Portal da Transparência revela pérolas desses meandros orçamentários-esportivos, ao exibir os gastos do Ministério do Esporte com projetos voltados para o Mundial da Fifa, que hoje faz sua primeira festa no Rio.

Preciosidade

       Tome fôlego, leitor, e leia os objetivos do seguinte contrato, firmado entre o Ministério do Esporte e a Calandra Soluções, empresa especializada em "gestão de conteúdo":

       “Serviços de implantação da solução de gestão de informações participação colaborativa que será adotada para acompanhamento e controle do Plano Diretor da Copa”.

       Entendeu? Pois não precisa.

       O texto é claro e bem redigido pelo burocrata da Esplanada dos Ministérios... E a contratação da Calandra ocorreu porque o Ministério, criado em 2003, não tem equipe, não tem pesoal capacitado, especializado para realizar o trabalho afim. Assim, foram desembolsados R$ 1,4 milhões, pagos a Calandra.

       E a Copa nem começou...

Contradições

       No país em que não sairia um tostão dos cofres públicos para a organização do Mundial de Futebol, só do Ministério do Esporte serão consumidos R$ 170 milhões, entre 2010 e dezembro deste ano.

       Boa parte da grana – R$ 24 milhões –  será destinada ao Consórcio Copa, para desenvolverem o “apoio ao gerenciamento para organização e realização da Copa do Mundo Fifa 2014”.

       O interessante é que o Consórcio Copa, desde 2009 em parceria com o Ministério do Esporte, ainda não tem nem sequer portal disponível para se conhecer o trabalho que realiza já há dois anos. Confira: http://www.consorciocopa2014.com.br/

       O contrato original com o Consório era de R$ 13,2 milhões. Mas dois termos aditivos já foram realizados, um em 2010 e outro este ano, jogando a despesa para R$ 24 milhões.

       Criado em julho de 2009, o Consórcio tem sede à rua Santo Antônio, n.184, 13º andar, São Paulo, e é integrado pelas seguintes empresas:

- Galo Publicidade, Produção e Marketing LTDA
Representante : José Moacir Galo Santos

- Value Partners Brasil LTDA
Representante: Alberto Antonioli
- Value Partners Management Consulting LTDA
Representante: Alberto Antonioli
- Enerconsult S.A
Representantes: José Carlos de Souza e Castro Valsecchi e Manuel Eduardo Pizarro Lazo.

Monitoramento

       Outro contrato, que custou R$ 10 milhões ao Ministério do Esporte, foi firmado com a Fundação Getúlio Vargas, para “prestação de serviços de monitoramento de projetos para a Copa das Confederações de 2013.”

       Ou seja, o Ministério do Esporte não tem pessoal técnico capacitado para “monitorar” projetos de futebol.

       Em outro contrato, a FGV faturou mais R$ 4 milhões para “acompanhar a implantação do Sistema Nacional de Controle de Acesso e Monitoramento de Torcedores em Estádios de Futebol”.  

       O assunto entrou na cota “Copa do Mundo” e, mais uma vez, fica evidente a falta de pessoal capacitado na pasta do ministro Orlando Silva

Brasileiro é bonzinho!

       Na Copa do Mundo da África do Sul, a Confederação Brasileira de Futebol, do senhor Ricardo Teixeira, promoveu uma exposição de seu acervo futebolístico.

       E quem pagou a conta de R$ 600 mil? o ministério de Orlando Silva, claro.

Memória

       Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Copa não consumiria um tostão. Que seria a Copa com parcerias da iniciativa privada.

       Contrariando a versão oficial, recorro ao orçamento do Ministério do Esporte deste ano.

       Sabem quanto está reservado a título de “Apoio à realização da Copa do Mundo Fifa 2014” : R$ 111 MILHÕES.

       Desse total, R$ 22 milhões estão empenhados, isto é, na boca do caixa para pagar. E R$ 8,3 milhões já foram efetivamente pagos.

       Agora vai... ou melhor, tá indo!

      

Por José da Cruz às 00h30

29/07/2011

Você pensa que a Copa é nossa?

        Comitês Populares da Copa no Rio, São Paulo, Brasília e Manaus realizarão passeatas e manifestações no mesmo momento em que estarão sendo sorteadas as chaves para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, neste sábado, às 10h, na Marina da Glória.

        “Você pensa que a Copa é nossa?” é o tema do movimento carioca, no Largo do Machado.

        Em São Paulo, no mesmo horário, os manifestantes se reunirão em frente à estação Corinthians-Itaquera do metrô para o ato “Copa pra quem?”.

        Os ativistas querem denunciar a privatização do patrimônio público, o impacto das intervenções nas cidades-sede e as violações de direitos humanos que ocorrem no país em razão do megaevento, como a remoção forçada de famílias de suas residências. 

Rio de Janeiro: “Você pensa que a Copa é nossa?”

Sábado // Às 10h

Local: Largo do Machado

 São Paulo: “Copa pra quem?”

Sábado // Às 10h

Local: em frente à estação Corinthians-Itaquera do metrô

Brasília -- manifestação popular

Sábado – Às 10h

Local: plataforma superior da Rodoviária

Manaus – Audiência pública

Domingo – Das 13h às 18h

Local: Assembleia Legislativa de Manaus

Por José da Cruz às 17h43

Ministério do Esporte: pessoal de palavra

       Em 2008, o Ministério do Esporte, de Orlando Silva, lançou a seguinte campanha para divulgar o programa Bolsa Atleta:

Antes de vencer, nossos atletas precisam ganhar

Conquistar os Jogos Olímpicos é assim: a gente investe agora para ver os resultados lá na frente

Vencer no esporte pode exigir uma verdadeira corrida: mas não precisa ser sempre com obstáculos

       Quem elaborou as frases de efeito foi a empresa Fields Comunicação Ltda, de Brasília.

       Este ano, a Fields continua agência do Ministério, e receberá R$ 22 milhões por um contrato até julho de 2012. No total, o Ministério do Esporte tem R$ 44 milhões para gastar com publicidade, em 2011. 

Enquanto isso...

       O orçamento da Bolsa atleta para 2011 é de R$ 48 milhões.

       Faltam 75 dias para a abertura dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, México.

       Mais de 100 competidores do karatê, patinação, boliche etc não receberam absolutamente NADA da Bolsa Atleta DE 2010!!! Estamos em 2011, é bom lembrar...

       E o que dizem as excelências do Ministério do Esporte?

Prezado Atleta,  

... “Ainda não temos data prevista de quando sairá a divulgação da próxima lista. O programa Bolsa Atleta trabalha para que isso ocorra o mais breve possível.”

      Dizem isso desde o início do ano.

Milhões para a Copa

      Já para "apoiar " a Copa 2014, o Ministério do Esporte destinou R$ 17 milhões em 2010 e R$ 111 milhões este ano.

       E Lula disse que não sairia um tostão dos cofres públicos... 

       Também disse que a Bolsa Atleta ajudaria a quem não tivesse dinheiro para crescer no esporte.

       Taí pessoal de palavra.

Por José da Cruz às 13h00

Maracanã: a obra continua

         O procurador da República, Maurício Andreiuolo, deverá entrar com ação para embargar a obra de reforma no Maracanã, anunciou ontem, depois de audiência pública, no Rio.

        Na reunião, com o superintendente estadual do Iphan, Carlos Fernando de Souza, ficaram dúvidas se a demolição da cobertura não contraria o tombamento do estádio.

“Há indícios de que o Iphan autorizou mal a realização dessa obra”, disse o procurador. A cobertura será substituída para cumprir exigência da Fifa.

Particularmente, não acredito que a obra será interrompida. A força do capital do futebol é superior às medidas e interesses de preservação dos patrimônios do país.

O procurador fala em “indícios”, ou seja, ainda não está convencido de todo. E, se entrar com a tal ação para interromper a reforma, não há certeza de que o juiz responsável acolha a proposta, diante dos compromissos de prazos do país com a Copa do Mundo.

Mais uma vez saímos atrasados na defesa dos interesses nacionais e acabamos atropelados pelo “progresso” do futebol, goela abaixo.

Como escrevi, audiências públicas ajudam para dar satisfação ao contribuinte. Fica a sensação de que um tema de interesse popular foi debatido democraticamente. Só isso. Resultados práticos, mesmo...

No Congresso Nacional, quando as excelências querem apoiar um projeto antipático promovem uma "audiência pública". Lavam as mãos e o projeto continua, como se tivesse o aval dos que aqui vieram debater.

Por José da Cruz às 09h58

28/07/2011

Guga, enfim, é lembrado para projeto olímpico

        A Academia Larri Passos, em Camboriú (SC), será convertida em centro de formação de atletas para as Olimpíadas de 2016.

        Na fase inicial do projeto, 14 jogadores serão convocados, podendo chegar a 20 tenistas até o fim de 2011.

        O projeto, com apoio do Comitê Olímpico, foi anunciado hoje pelo ministro Orlando Silva e o presidente da Confederação de Tênis, Jorge Lacerda, ao lado de Larri Passos e do tricampeão de Roland Garros, Gustavo Kuerten. O projeto custará R$ 2 milhões, este ano.

        Guga e seu ex-técnico, enfim, são lembrados para se integrarem a um projeto de formação de atletas olímpicos.

        Joaquim Cruz também está em Brasília. Mas não é para acerto com um grande projeto de atletismo. Visita à família e retorno aos EUA, onde está vinculado ao Comitê Olímpico de lá. Americanos espertos...

Por José da Cruz às 12h55

Maracanã: audiência pública, hoje

         É hoje, a partir das 14h, a audiência pública sobre as obras no estádio do Maracanã. A reunião foi convocada pelo procurador do Ministério Público Federal, Maurício Andreiuolo.

        Leia aqui a convocação.

        A iniciativa da reunião partiu da Frente Nacional dos Torcedores

        Mas é bom lembrar que nem sempre as audiências públicas são eficientes e suficientes para sustar um determinado trabalho, no caso as obras no Maracanã.

        Porém, fica evidente a insatisfação de muitos pela forma como a reforma do estádio foi conduzida e, principalmente, por não se saber, até hoje, quanto custará aos cofres públicos do Rio a preparação do estádio para a Copa 2014.

        Enquanto isso: #foraricardoteixeira!

Por José da Cruz às 00h50

27/07/2011

Potência da ilusão

        Vou para um tema que ainda é recente e continua atual no contexto do nosso esporte olímpico.

        No domingo, o Brasil conquistou os 5º Jogos Mundiais Militares, no Rio.

        Saltou do 31º lugar nos Jogos de 2007, na Índia, com apenas três medalhas – nenhuma de ouro – para a liderança mundial, com 114 conquistas. Superamos potências como China, Alemanha, Itália e Ucrânia.

        Belo feito, mas qual o motivo dessa evolução?

        Investimento das forças armadas na preparação de nossos militares atletas?

        Melhores condições de treinamentos para a identificação de talentos e o encaminhamento ao alto rendimento?

        Uma nova política de esportes que contempla o potencial humano do Exército, Marinha e Aeronáutica?

        Nada disso! O Brasil está na liderança dos Jogos Mundiais Militares graças ao contrato emergencial de atletas olímpicos do nível de Ketleyn Quadros, Jadel Gregório, Poliana Okymoto, Carla Moreno, Leandro Guilheiro, Flávio Canto, etc. Foram 200 os contratados. 

Atrativo

        Um comunicado das Forças Armadas informou que “esses atletas foram atraídos, principalmente, por condições favoráveis para treinamento e viagens, por boa infraestrutura”.

        Quer dizer que atletas desse nível estão sem “condições favoráveis” para cumprir seus treinamentos, a um ano dos Jogos Olímpicos de Londres?

Mas o que fazem, Comitê Olímpico e Confederações, com os milhões que recebem dos órgãos públicos, dinheiro que passa os R$ 200 milhões/ano?

        Voltemos à potência esportiva militar que, de repente, nos tornamos e é o que interessa, agora. 

        Por conta de uma estratégia ilusória, para não passarmos o vexame de perder em casa o Mundial Militar, apelamos para quem tem potencial na competição. Resultado: uma delegação turbinada por profissionais.

        E como estão os atletas efetivamente militares, que se prepararam para disputar em seu país e acabaram substituídos pelos emergenciais?

        Que ambiente vivem esses militares ignorados, ao lado atletas contemplados com soldos, sem passar pela dureza da vida de caserna?

        Pois é neste ambiente de “jeitinhos”, agora em nível militar, que nos preparamos para as Olimpíadas de 2016. Quem sabe, os Jogos da ilusão.

Por José da Cruz às 13h31

É hoje o dia: #foraricardoteixeira

Integrado à campanha #foraricardoteixeira, publico a mensagem que recebi.

“O que falar da CENSURA que a tag #foraricarteixeira está recebendo?

Todos os sites que analisam os números de tweets colocam a nossa tag com 10, 15x mais posts que a tag que está em primeiro lugar nos TTs Brasileiros.

Diversas pessoas, jornalistas e sites já estão divulgando isso, é um absurdo, é uma censura descarada, ajude-nos a divulgar esse absurdo por favor.

Este é um site que faz a contagem do número de TTs, faça o teste você mesmo: http://analytics.topsy.com/?q=%23foraricardoteixeira

 Grande abraço, Arthur 

 

Consulta

Fiz a consulta e acrescentei o nome de Felipe França, que aparece como o assunto mais comentado, para a análise comparativa, depois que ganhou a medalha de ouro, hoje, no Mundial de Natação.

      A diferença é enorme, a favor da campanha contra o cartola.

Faça a consulta comparativa Você mesmo, Leitor, e constate a que ponto chega a força e

influência da cartolagem da CBF:

http://analytics.topsy.com/?q=%23foraricardoteixeira

Por José da Cruz às 11h57

Pelé na Copa: homenagem ou estratégia?

         A nomeação de Pelé para “embaixador honorário” da Copa 2014 me parece  uma estratégia da presidente Dilma Rousseff para fugir de encontros públicos e festivos com Ricardo Teixeira.

        Ao mesmo tempo em que presta homenagem ao Atleta do Século, aproximando-o da organização da Copa, Dilma terá um destaque internacional em eventos em que a representação política é apenas protocolar.

        Mesmo com aprovação popular em alta, não é aconselhável que a presidente se arrisque ao lado do cartola da CBF. Corre o risco de ser vaiada, principalmente agora, quando cresce o movimento “#fora Ricardo Teixeira”.

Por José da Cruz às 23h30

26/07/2011

Da UNE direto para a Esplanada

        O noticiário da agenda governamental está centralizado nas últimas semanas no escândalo de corrupção promovido pelo  “Ministério dos Transportes de Valores” ...

Mas a notícia abaixo mostra como o governo transforma seus órgãos ministeriais em redutos de amigos, que agem na execução de projetos comunitários de oportuno apoio nas campanhas eleitorais.

O caso em questão não é exclusivo do Esporte nem deste governo. O PSDB agia da mesma forma. Depois, quando surge o escândalo, como o dos Transportes, motivado pela falta de compromissos morais e políticos, todos ficam estarrecidos. Mas já é tarde.

No Correio Braziliense

Por Júnia Gama

        Se confirmada a tendência verificada desde meados da década de 1990, Daniel Iliescu, 26 anos, o novo presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), não precisa se preocupar com o futuro profissional, mesmo que não termine a faculdade. Os seus antecessores eram, como ele, filiados ao PCdoB e garantiram bons empregos no governo — a maioria no Ministério do Esporte — após o término do mandato de dois anos na entidade estudantil, incluindo aqueles que abandonaram os estudos.
        Desde 1995, quando o ministro do Esporte, Orlando Silva, foi eleito presidente da UNE, a maioria dos estudantes que o sucederam na entidade passou a ocupar um cargo público, por indicação política. Quase todos, ligados ao esporte.
        Ricardo Capelli, que presidiu a instituição entre 1997 e 1999, após Orlando Silva, dirigiu o Departamento de Esporte Universitário do ministério, em 2003. Hoje, é presidente da Comissão da Lei de Incentivo ao Esporte da pasta. Wadson Ribeiro, secretário nacional de Esporte Educacional do ministério, foi presidente da entidade entre 1999 e 2001. Ele cursou três anos de medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), mas não concluiu os estudos. Ele acredita que sua presença na Esplanada se deve mais pela trajetória política do que pelos conhecimentos adquiridos na faculdade.
        Felipe Maia é uma das exceções: em vez do Ministério do Esporte, ocupou o cargo de ouvidor-geral da Agência Nacional de Cinema (Ancine). Gustavo Petta é o último ex-presidente da UNE a ocupar um cargo relacionado ao esporte. Sua irmã, Ana Cristina Petta, é casada com o ministro Orlando Silva. À frente da entidade estudantil entre 2003 e 2007, foi convidado, em 2009, para ser secretário do Esporte de Campinas (SP).
        Mostrando sua influência no governo, no ano passado, Petta foi convidado por Orlando Silva e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a organização da 3ª Conferência Nacional de Esporte, em Brasília. Este ano, Campinas foi a cidade escolhida para abrigar o centro esportivo Rede Nacional de Treinamento, com um investimento de R$ 15,2 milhões.

Continuidade
        Daniel Iliescu, que dá continuidade à hegemonia de 16 anos do PCdoB à frente da UNE, diz que “não saberia explicar esse acúmulo de ex-presidentes (da entidade) no ministério”, e afirma ser uma “escolha pessoal, que não diz mais respeito à UNE, porque essas pessoas não são mais da instituição”. O novo comandante da entidade afirma não ter pretensões de ocupar um cargo na pasta do Esporte. “Talvez isso sirva para tranquilizar as pessoas que achem que esse seja o caminho natural para ex-presidentes da UNE”, afirma. Iliescu, no entanto, não descarta a possibilidade de se dedicar à vida pública.
        Iliescu sinaliza que há outras diferenças entre suas percepções políticas e as de seus antecessores. O tratamento que pretende dar à prestação de contas dos repasses que a entidade recebe do governo federal é uma delas. Entre 2003 e 2009, foram mais de R$ 13,7 milhões recebidos para a realização de eventos em todo o Brasil. Além desse valor, a UNE recebeu mais R$ 30 milhões, em 2010, a título de indenização pela sede da entidade, desapropriada em 1964. Com esses recursos, a entidade vai construir sua nova sede, na Praia do Flamengo, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
        O Correio questionou o Ministério do Esporte sobre o motivo de ex-dirigentes da UNE, filiados ao PCdoB, estarem agora ocupando cargos na pasta. A assessoria de imprensa do ministro Orlando Silva afirmou que, como em qualquer ministério, há quadros políticos e quadros técnicos e que o ministro escolhe para trabalhar ao seu lado pessoas nas quais confia.

Por José da Cruz às 16h48

Cariocas fazem movimento público: Salvem o Maracanã!

            A Frente Nacional dos Torcedores marcou com o Procurador do Ministério Público Federal (MPF), Maurício Andreiuolo, uma audiência pública sobre as obras no estádio do Maracanã.

        Será na próxima quinta-feira, às 14h, na Av. Nilo Peçanha, 31, centro, Auditório do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro.

        O torcedor carioca apaixonado pelo histórico estádio está estarrecido com a parcial demolição do estádio. Pior: sem saber quanto vai custar o ousado investimento, pois até agora o valor da obra (que já consumiu R$750 milhões, só desta vez) os órgãos de fiscalização da Copa (TCU e CGU) não foram informados.    

        Os torcedores poderiam estender o convite para a audiência pública aos representantes dos 175 países que estarão no Rio para a festa de sorteio das eliminatórias promovidas pela CBF.

        Lamentavelmente, audiências públicas são atos protocolares, pois é muito difícil conseguir reverter o trabalho que realizam no Maracanã. Mas o interesse dos torcedores para "salavar o Maracanã" já é uma bela demonstração de interesse e carinho da comunidade pelo patrimônio de sua cidade.

        Enquanto isso: #foraricardoteixeira!

Por José da Cruz às 23h41

25/07/2011

Senador Requião escapa de ser advertido por agressão a jornalista

        Ao contrário de outras instituições que usam o recurso da “advertência” como penalidade expressiva, no Senado Federal tal tipo de punição vai para o arquivo morto.

        Foi o que determinou o presidente da casa, senador José Sarney, ao arquivar a representação do Sindicato dos Jornalistas do DF, solicitando “advertência” ao senador Roberto Requião.

        Em maio, Requião, do PMDB do Paraná, tomou o gravador de um jornalista da rádio Bandeirantes, apagou a entrevista e ameaçou agredir o repórter. Tudo  por que não gostou de ser questionado sobre o salário de ex-governador que recebia dos cofres paranaenses.  

        Com a decisão de nem mesmo advertir o corajoso senador pela covarde atitude parlamentar, Sarney abriu espaço para que outros políticos também se sintam à vontade para ameaçar jornalistas e, por extensão, a liberdade de imprensa.

        Isso que o homem é Academia Brasileira de Letras.

        Agora vai.

Explicação

        Esta é a terceira mensagem que publico entre às 16h30 e agora, 22h45. Procuro recuperar o tempo, pois tive problemas hoje cedo com o blog. Mas os técnicos do UOL, em São Paulo, me socorreram e agora está tudo bem.

         Problema, logo hoje, quando Cielo ganhou a primeira medalha de ouro no Mundial de Natação. Atrasado, mas aí vão os parabéns, assim como ao presidente da CBDA, Coaracy Nunes.      

Por José da Cruz às 21h29

Copa 2014: TCU alerta para superfaturamentos

        Quatro anos depois de o Brasil ter sido indicado para a Copa 2014 e a três anos da realização do evento – a proporção do tempo já é desfavorável à organização – o planejamento de setores como segurança, telecomunicações, tecnologias de informação, energia e saúde ainda é um mistério.

        O alerta é do Tribunal de Contas da União (TCU), em seu relatório de junho

Previssão de escândalos       

        Além da falta de cronogramas para esses investimentos, não se sabe quanto custará cada uma dessas etapas.

        A gravidade dessa falha do Ministério do Esporte, gestor do Comitê Organizador foi comunicada pelo TCU ao governo.

        Pior: o próprio Tribunal já prevê que pode se repetir o escandaloso desmando por ocasião dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. A conta estourada poderá vir parar na mesa do governo federal.

        Leiam o alerta do TCU

        “O Tribunal entendeu oportuno alertar a Casa Civil da Presidência da República e aos Ministérios do Esporte, da Fazenda e do Planejamento, Orçamento e Gestão sobre:

 

a.   a ausência de definição, até o momento, de qual seria o conjunto de obras consideradas essenciais à realização da Copa do Mundo de 2014, para as quais não se aplicam os limites de autorização de financiamentos a Estados, Distrito Federal e Municípios, conforme exceção prevista no art. 7º, § 3º, inciso IV, da Resolução do Senado Federal nº 43/2001, com redação dada pela Resolução nº 45/2010;

 

b.   a necessidade de estabelecer critérios objetivos para identificar quais obras devem ser consideradas como obras da Copa do Mundo de 2014, recomendando- -se que esse critério esteja diretamente relacionado à previsão dessas obras na matriz de responsabilidades;

 

c.   o risco de o modelo adotado de concessão e financiamentos a estados e municípios provoque elevação do custo total das obras e outras irregularidades e resulte em possível assunção do ônus pela União, com prejuízo da atuação dos órgãos federais de controle. 

        Ou seja, o governo não pode ignorar que as ações da Copa estão sem comando.

        Sem exagero, repete-se o escândalo do Pan 2007. E, ao contrário das ações da Copa, tudo muito bem planejado. Assim: 

a.   Atrasam-se as fases preliminares para que o tempo se esgote.       

b.   Em decorrência, os gestores, no caso o Ministério do Esporte, elimina etapas para cumprir cronogramas.

c.   Como os prazos serão menores, os preços aumentarão.

d.   E a conta vem parar no governo federal. Ou seja, no nosso bolso.

Por José da Cruz às 18h04

Começa a semana FORA RICARDO TEIXEIRA

       

        A cinco dias do sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo, este blog ingressa na campanha  #FORARICARDOTEIXEIRA

Megatwittaço

        O companheiro Juca Kfouri faz, desde semana passada, o chamado geral para o MEGATWITTAÇO da próxima quarta-feira, ao qual me associo, a partir da zero hora, até à zero hora do dia 28.

Caminhada

        No sábado, uma caminhada de protestos de torcedores, pelo Centro do Rio, terminará na Marina da Glória, onde será realizado o sorteio das dos grupos das eliminatórias do Mundial de 2014, com a presença de representantes de 175 países.

 

Divulgue o link: http://foraricardoteixeira.com.br/megatwittaco

 

Divulgue a hashtag #FORARICARDOTEIXEIRA

 

Siga os perfis @foraoficial e a fan page #FORARICARDOTEIXEIRA http://on.fb.me/qazU7r

 

Por Interacao às 10h11

23/07/2011

Custo das obras no Maracanã ainda é mistério

       Depois de vários meses com o noticiário centrado nas indefinições sobre o estádio do Corinthians – esta semana resolvidas –, para a Copa 2014, descobre-se que as obras no histórico Maracanã não têm nem sequer valor do “projeto básico” registrado na Matriz de Responsabilidade da Controladoria Geral da União.

       Porém, já foram contratados R$ 705,6 milhões, para uma obra que tinha previsão de gastar R$ 600 milhões.

       As informações são do repórter Walter Guimarães, do portal da Associação Contas Abertas.

       Na mesma matéria, Walter refere-se ao mais recente relatório do Tribunal de Contas da União, de junho último, onde é apresentado um balanço das várias frentes de investimentos – estádios, mobilidade urbana, aeroportos etc.

       Conheça o relatório do TCU.

Por José da Cruz às 18h50

Fim do caso

Manchete para 2016:

Encerrados os processos sobre o superfaturamento do Pan 2007.

Todos os responsáveis pelo rombo de

R$ 3,5 bilhões são exemplarmente punidos pelo Tribunal de Contas da União com...

ADVERTÊNCIA!

Por José da Cruz às 12h38

Por que não reagimos?

A propósito do momento político, econômico, esportivo institucional brasileiro, é oportuna a leitura do artigo abaixo, publicado na terça-feira passada, na Folha de S.Paulo.

FERNANDO DE BARROS E SILVA
        Por que os brasileiros não reagem à corrupção? Por que a indignação resulta apenas numa uma carta enviada à Redação ou numa coluna de jornal? Por que ela não se transforma em revolta, não mobiliza as pessoas, não toma as ruas? Por que tudo, no Brasil, termina em Carnaval ou em resmungo?

        A pergunta inicial não foi feita por um brasileiro -o que é sintomático. Foi Juan Arias, correspondente do jornal "El País" no Brasil, quem a formulou num artigo recente. "
Es que los brasileños no saben reaccionar frente a la hipocresía y falta de ética de muchos de los que les gobiernan?". Y entonces???

        Não existe resposta simples aqui. Em primeiro lugar, a vida de milhões de brasileiros melhorou nos últimos anos, mesmo sob intensa corrupção, e apesar dela. Ninguém que leve o materialismo a sério pode desconsiderar esse dado básico.
Além disso, o PT, na prática, estatizou os movimentos sociais. Da UNE ao MST, passando pelas centrais sindicais, todos recebem dinheiro do governo. Foram aliciados. São entusiastas e sócios do poder, coniventes com os desmandos porque têm interesses a preservar, como o PR de Valdemar e Pagot.

        Há ainda um terceiro aspecto, menos óbvio, que leva muita gente progressista a se encolher diante da corrupção. É a ideia introjetada de que qualquer movimento político ou mobilização contra a bandalha acaba sendo uma reedição do espírito udenista, coisa da direita ou que serve a seus propósitos. O lulismo soube explorar esse enredo, como se estivesse em jogo no mensalão uma disputa entre Vargas (o pai dos pobres nacionalista) e Lacerda (o moralista a serviço das elites).

        Lula nunca moveu uma palha para mudar o sistema político podre que o beneficiou. Com a corrupção sob seu nariz, preferiu posar de vítima da imprensa golpista. Enquanto isso, seus aliados, no PT ou à direita, golpeavam os cofres da Viúva, exatamente como sempre neste país. Está aí a gangue dos Transportes, na estrada há 10 anos.

Por José da Cruz às 10h57

Caso Cielo: o debate jurídico

        O assunto “Cielo” abre espaço no debate científico e ingressa na área jurídica.

        Refiro-me ao artigo do advogado paulista, Alberto Murray Neto, aqui publicado, sobre o julgamento dos nadadores brasileiros.

        A afirmação “sem delito não há pena” provocou a reação de dois leitores, abaixo, seguida da devida resposta do autor do artigo.

Alexandre escreveu:

“O experiente advogado cometeu uma impropriedade, pois juridicamente falando advertência é espécie de penalidade (pena leve, mas pena). O curioso é que qualquer estudante de direito sabe disto, mas se ainda restar alguma dúvida, basta entrar em um site de buscas e digitar as palavras "pena" e "advertência".

Henrique escreveu:

Com o devido respeito, quero acreditar que o Dr. Alberto Murray Neto tenha cometido um deslize ao afirmar que "mera advertência não é pena". Porque ele está dizendo, por outras palavras, que Fusca não é carro. A advertência é uma pena branda, mas é uma penalidade. Assim como a multa, a eliminação ou a suspensão por prazo. Todas têm natureza de pena. E a advertência gera efeitos: um deles - o principal, aliás - é exatamente caracterizar reincidência, o que complicou a vida do rapaz. Acompanho esse espaço, que considero importante, mas esse tipo de postura prejudica muito o debate, porque dissemina desinformação. É sempre preciso ter cuidado para que a postura crítica não leve a extremos; afirmações como essa atingem a credibilidade de quem a faz e de quem a repassa, pois é um erro grave e injustificável. Por isso prefiro acreditar que tenha sido apenas um deslize.

Resposta de Alberto Murray Neto

Caro Cruz,
        Obrigado pela mensagem e, por gentileza, encaminhe ao seu leitor que, aliás, é um leitor de qualidade, pois está afeito ao debate, questiona.
        No Ordenamento Jurídico penal, só há pena quando há contrapartida do delito cometido, seja ela privação da liberdade, ou prestação de serviços comunitários e multa. Levar um pito de um Delegado de Policia, ainda que ele lhe ponha isso por escrito, Juridicamente, não é considerado pena. A sociedade não se viu ressarcida pela violação da norma.

        No âmbito do direito desportivo, todos nós sabemos que advertência existe para quando o julgador não quer punir alguém, mas também não quer simplesmente lavar as mãos. Aí saem com essa de "advertência."

        Na prática, advertência não significa nada. A conseqüência jurídica do fato violado (e fato é direito), em uma advertência, é absolutamente nenhuma. Neste caso, ou se achou substância proibida e daí merece a pena de suspensão, ou se o atleta provou que a substância encontrada não é produto de negligência, ou culpa, não há que se falar em punição alguma.

        Para compreender profundamente a questão da interpretação teleológica da norma, sugiro ao Amigo leitor abster-se das pesquisas na internet e mergulhar nas obras e compêndios do Direito, a começar pela Introdução ao Estudo do Direito do Professor Miguel Reale e Direito Quântico, do Professor Gofredo da Silva Telles Júnior.

        De qualquer modo, como a ciência do Direito não é cartesiana, respeito muito a opinião do Leitor.
Abraço grande.

Alberto Murray Neto

Por José da Cruz às 23h12

22/07/2011

Muda a estrutura do Ministério do Esporte

        Oito anos depois de ter sido criado, o Ministério do Esporte se torna um órgão exclusivo do PCdoB, partido do ministro Orlando Silva.

        Com a reforma estrutural do ministério, hoje publicada no Diário Oficial da União, foi extinta a Secretaria Nacional de Esporte e Lazer, último reduto de resistência do PT no ministério.

        Os assuntos passam para a nova Secretaria de “Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social”.

São 36 cargos em comissão (DAS) que deverão ser preenchidos por correligionários do partido, claro.

Futebol na Esplanada

        A nova estrutural do Ministério do Esporte, no decreto nº 7.529, prevê também a criação da Secretaria Nacional do Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor.

        Alcino Reis Rocha, que já exercia o cargo de secretário do Futebol, desde 2009, quando a proposta para criar a secretaria foi encaminhada ao Palácio do Planalto, deverá ser confirmado.

        O decreto que apresenta a nova estrutura do Ministério do Esporte cria, também, uma representação no Rio de Janeiro, que já existia de fato.

Minha análise

        A reforma no Ministério do Esporte chega oito anos depois de sua criação. Ajustes e acertos são indispensáveis.

        Mas, no caso, Orlando Silva aproveitou a realização de dois megaeventos no Brasil – Copa do Mundo e Olimpíada – para promover as mudanças e, ao mesmo tempo, se livrar de um “entulho”, como me disse um comunista ligado a ele, referindo-se aos comissionados do PT na extinta Secretaria de Esporte e Lazer.

        A proposta de atualização da estrutura do Ministério do Esporte sofreu resistência do Palácio do Planalto, tanto que levou um ano e oito meses para ser aprovada. Entrou no governo Lula e só saiu com Dilma Rousseff, a que mais esperneava para não mudar nada, porque ela não gosta de Orlando Silva.

        Agora, o comando total do Ministério está nas mãos de Orlando.

Político, antes de gestor duvidoso, que é, ele saberá usar os cargos para contemplar seus mais fieis correligionários.

Serão novos funcionários que atuarão no fortalecimento regional do PCdoB, nos vários estados da Federação.

        Da mesma forma que faz o PMDB e como fez o PSDB, no governo passado, e como agem tantos outros partidos que dão sustentação ao governo no Congresso Nacional.

É o tal jogo do “é dando que se recebe...”, com riscos de corrupção e escândalos, como ocorre com o Partido da República, no Ministério dos Transportes.

        Porque, na prática, a estrutura orçamentária e os programas sociais do Ministério estarão a serviço do fortalecimento PCdoB.

        Agora vai.  

Por José da Cruz às 18h14

Três absolvições e uma condenação

Por Alberto Murray Neto

Os quatro nadadores do Brasil ingeriram, involuntariamente, furosemida.

Todos compraram o suplemento alimentar da mesma farmácia, em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo.

Pela mesma razão, os quatro atletas foram a julgamento relâmpago na Corte Arbitral do Esporte.

Os Árbitros entenderam que, de fato, o consumo de furosemida foi involuntário e que não houve negligencia.

Ou seja, a farmácia de manipulação errou e contaminou os comprimidos que eles tomaram.

Pois bem, se o CAS julgou que a furosemida encontrada nos atletas não foi culpa deles, todos, igualmente, são inocentes.

Então por que três deles foram absolvidos e um recebeu um ano de suspensão? Ah, porque ele é reicidente! Ora, se desta vez ele, segundo o CAS, não cometeu delito algum, ele não é reicidente de nada.

Sem delito, não há pena. Portanto juridicamente injusta e incongruente a suspensão de Wacked (mera advertência não é pena. Se o Tribunal os tivesse julgado culpados, teriam sido suspensos).

Outro ponto importante: Em sendo culpado a farmácia de manipulação, os quatro atletas têm uma baita ação de dano moral contra ela.

Vamos ver se eles processarão a farmácia. Eu certamente processaria. O fato foi gravíssimo e abalou a imagem deles. Merecem ressarcimento. Serão curiosos os desdobramentos do caso daqui por diante.

Alberto Murray Neto é advogado e assina o blog Alberto Murray Olímpico

Por José da Cruz às 16h21

O código que condena e salva, a velocidade do astro e o pódio

Na Folha de S.Paulo, hoje

LUÍS CURRO
EDITOR-ADJUNTO DE ESPORTE

        Cesar Cielo escapou de suspensão. Para o homem mais veloz da história da natação, uma vitória. Ele estará na piscina do Centro de Esportes Aquáticos de Xangai, na China, fortalecido mentalmente em seu intuito de renovar seus títulos mundiais.

        Para o mundo dos combatentes ao doping, um revés. Ao menos para o código da Agência Mundial Antidoping, que deveria ser repensado em alguns trechos, caso ele tenha sido levado em consideração no julgamento da Corte de Arbitragem do Esporte -espera-se que tenha.

        Está lá, no artigo 2º, que é "dever pessoal do praticante esportivo assegurar que não introduz no seu organismo nenhuma substância proibida. (...) Não é necessário fazer prova da intenção, culpa, negligência ou uso consciente por parte do praticante esportivo de forma a determinar a existência de violação das normas antidopagem".

        Logo adiante, o reforço: "Há uma violação [das normas antidopagem] desde que o praticante esportivo tenha, de forma intencional ou não, utilizado uma substância proibida independentemente de esse fato ter ocorrido por negligência ou por qualquer outro tipo de falha".

        Cielo, ao consumir suplemento de cafeína, assumiu o risco de algo dar errado. Deu.

        Foi propalada a versão de contaminação com um diurético, que é proibido por mascarar substâncias dopantes. Só que a contaminação foi posta em dúvida pela farmácia de manipulação, que negou erro de procedimento -conclui-se que a corte do esporte, se tinha essa informação, descartou-a.

        O campeão diz que não foi negligente e se defendeu dentro de seu direito. Consta do código, no artigo 10º: "(...) o praticante esportivo ou outra pessoa terão o direito (...), antes de ser aplicada qualquer suspensão (...), a apresentar os seus argumentos de forma a tentar eliminar ou reduzir a sanção a aplicar".

        E o texto enumera as "circunstâncias excepcionais" que podem ser apresentadas.

        (Ou seja, o código fala em responsabilidade do atleta sobre o que ingere, independentemente de culpa ou negligência -o que na teoria já o condena-, mas abre brecha para que se exima da responsabilidade. Discutível.)     

        No caso Cielo, a "circunstância excepcional" pode ter sido o próprio Cielo. "Eu sou a velocidade", argumentaria ele, parodiando o Relâmpago McQueen, da animação "Carros". Para o show continuar, isso basta, não?

        Só que casos que envolvem doping, veredictos à parte, costumam ser cruéis, demoram a ser esquecidos, e o Mundial é já. A aguardar o pódio. Caso Cielo ganhe, a lógica indica que o medalhista de prata olhe para o degrau mais alto e conclua: "Esse cara deveria estar suspenso. Eu sou quem deveria estar ali".

Por José da Cruz às 08h05

21/07/2011

Globo, CBF e COI, tudo a ver

        A filosofia nos ensina que devemos perguntar sobre todas as coisas, das mais simples às mais complexas. O método socrático, conhecido como “maiêutica”, implica que o pensamento se constrói a partir de uma questão, que elaborada/pensada se constitui em uma pergunta.

Conforme salienta a filósofa Marcia Tiburi, toda dúvida exercita-se pela pergunta, que se desdobra em muitas outras e para as quais não há uma única resposta. A proximidade da Copa de 2014 e Olimpíadas 2016 e o consequente direcionamento das políticas públicas para a realização dos dois megaeventos esportivos nos levam a pedir emprestada a maiêutica socrática para lançarmos perguntas sobre/para estes megaeventos.

Uma jornalista do jornal austríaco Derstandart comentou comigo que não há pergunta tola em jornalismo; por mais banal e torpe que pareça, a pergunta deve ser realizada.

Percebo um movimento interessante de parte da mídia brasileira que questiona e pergunta sobre as articulações políticas que se desenvolvem para garantir financiamento público para a realização da Copa de 2014 e Olimpíadas 2016.

Não raro, segmentos destacados da imprensa nacional vêm divulgando corriqueiramente os arranjos realizados pelo ministro dos Esportes para garantir a liberação de verbas para a construção de estádios para a Copa de 2014 e Complexo Olímpico no Rio de Janeiro. Tanto Ricardo Teixeira (presidente da Confederação Brasileira de Futebol), quanto Carlos Arthur Nuzman (presidente do Comitê Olímpico Brasileiro), são citados veementemente por seus supostos conchavos com prefeitos e deputados federais em troca de garantias/regalias para seus eventos.

Perguntem a Globo

Nessa maiêutica jornalística destaco os blogs de Juca Kfouri, José Cruz e Mauro Cezar Pereira, dentre alguns poucos outros. Não menos importante, o site de Andrew Jennings, jornalista britânico que há mais de três décadas se dedica ao jornalismo investigativo das grandes entidades internacionais que dirigem o esporte (Fifa e COI). Assim, o fato de o Brasil hospedar a próxima Copa e Olimpíada de 2016 faz com que este jornalista direcione suas investigações para nosso âmbito brasileiro.

        Em outra oportunidade, dissemos neste Observatório que a Globo é o primeiro poder no país. Sua influência nos diversos segmentos sociais e sobre os poderes constituídos da República faz desse meio de comunicação um dos mais poderosos instrumentos da democracia brasileira.

Em recente entrevista à revista Piauí, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, fala abertamente não temer as acusações contra a sua gestão visto que a proximidade com a Globo faz com que tais acusações não sejam divulgadas em horário nobre do Jornal Nacional. Em meio a uma verborragia de palavras de baixo calão, Teixeira ameaça os maiêuticos jornalistas com maldades durante a Copa de 2014.

Em seu blog, Xico Malta lança uma campanha curiosa: “Perguntem à Globo”. Nela, Malta disponibiliza Twitter e e-mail dos principais jornalistas esportivos da Rede Globo e pede para que questionemos o porquê de estes profissionais não divulgarem/comentarem/analisarem... ou pelo menos citarem, os processos, as acusações e as notícias sobre Ricardo Teixeira. Vale mencionar reportagem produzida por Andrew Jennings para a BBC, que escancara a participação de Ricardo Teixeira e seu ex-sogro João Havelange no escândalo de venda de votos na Fifa para a definição das sedes das Copas de 2018 e 2022.

Quais os legados da Copa e Olimpíadas?

Será que falta maiêutica jornalística a Galvão Bueno, Milton Leite, Alex Escobar, Sidney Garambone, Léo Batista, Tino Marcos, Cleber Machado, Ivan Moré, Mauro Naves, Bruno Laurance, Marcos Perez...?

Evidentemente que a Rede Globo, como entidade privada, necessita e preza o lucro econômico da sua atividade comercial. Entretanto, quando se trata de jornalismo, a ética da informação deve se sobrepor ao espírito do capitalismo. Ao não noticiar os acontecimentos políticos e econômicos que se sucedem para a realização da Copa de 2014 devido a contratos milionários de direito de transmissão de eventos, malgrado sua postura, a Globo exerce novamente sua função de primeiro poder no país. Desta feita, por não induzir o “povão” (desculpem o baixo calão) a perguntar a políticos que posam ao lado de Ricardo Teixeira e Carlos Arthur Nuzman: por que gastar tanto dinheiro público para a construção de equipamentos esportivos se a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 são eventos promovidos por entidades privadas internacionais e com fins lucrativos? Quais os reais legados que a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 deixarão para a população brasileira? Há alguma relação entre a crise econômica da Grécia e a realização dos Jogos Olímpicos de 2004? Será que o dinheiro público a ser gasto nos dois megaeventos esportivos poderia ser usado na melhoria da educação básica, no fortalecimento do setor público de saúde e na universalização dos serviços de saneamento do país?

Fábio Fonseca Figueiredo é professor de Geografia e economista, Viena, Áustria

Este artigo, enviado pelo autor, foi publicado originalmente no Observatório da Imprensa

Por José da Cruz às 19h44

Transporte e Esporte, nada a ver

Há um mês o Ministério dos Transportes não sai do noticiário político-trabalhista-policial.

A turma é acusada de levar “só” R$ 700 milhões e o governo já demitiu 16 diretores, assessores, enfim.

Deveriam se espelhar no exemplo do Pan 2007, que consumiu R$ 3,5 bilhões de forma transparente, exemplar, límpida.

Por José da Cruz às 15h36

As águas vão rolar

Foto de Patrícia Santos/AE

O país do esporte e da natação está de alma lavada.

Cesar Cielo e seus companheiros flagrados com furosemida no organismo são nadadores puros e cristalinos.

Agora, com certificado validando a decisão brasileira, que se fortalece na corte internacional. “Made em China”.

E desmoralizam este blogueiro que, mais do que nunca, vê os bastidores do esporte de rendimento com os olhos da suspeita.

Então, a culpada é a farmácia. Isso é coisa que se faça?

Imagino os assessores de Cielo, que, voz autoritária, me puxaram as orelhas. Devem estar aliviados. O patrão está salvo e os empregos também.

Melhor para Coaracy Nunes, o experiente cartola de 24 anos no poder da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. Ele é um dos comandantes da economia da natação, e tem em Cielo a estrela de brilho mais forte.

Por isso, Coaracy precisava de Cielo absolvido. É a garantia de medalhas para exibir a modalidade fortalecida e a CBDA, por extensão. Fora desse quadro, nem se ligam. Até se evitam, me contaram.

Mas Cielo também precisa de Coaracy. Tanto que, depois de chorar pela falta de gratificação, em 2008, voltou a sorrir logo após uma valorizada conversa com o experiente cartola.

Ambos saíram muito bem na foto.

E a FINA, que jogou duro, também sai vitoriosa. Terá nas piscinas de seu evento maior, o Mundial de Xangai, o campeão e recordista, limpíssimo, repito.

O sucesso do evento está garantido e valorizado.

As águas vão rolar.

Por José da Cruz às 10h57

A economia do futebol dependente dos cofres públicos

        O Corinthians não é o único clube paulista a receber verbas públicas para o seu estádio, conforme anúncio feito hoje pelo prefeito Gilberto Kassab e governador Geraldo Alckmin.

        Palmeiras, São Paulo, Limeira e Ponte Preta também são beneficiados, mas por dinheiro público federal, através da Lei de Incentivo ao Esporte.

Valores

        De janeiro de 2007 a dezembro de 2010, o Tricolor paulista foi o clube que mais se beneficiou das isenções fiscais, num total de R$ 24,6 milhões. E este ano já aprovou projeto para receber mais R$ 8 milhões.

        O dinheiro serve para formar atletas e, principalmente, obras, como construção de vestiários, alojamentos, etc.

        O Palmeiras, que já captou R$ 22 milhões, aplicou os recursos públicos em um de seus patrimônios, o Centro de Treinamento.

        As categorias de base também funcionam graças ao dinheiro que sai da cota do Imposto de Renda.

        Já a Ponte Preta usou R$ 8 milhões num projeto de “Desenvolvimento muscular e fisiologia aplicada ao esporte”.

        Outros R$ 373 mil, obtidos em 2008, foram para “Avaliação e prevenção de lesões no esporte”.

Lei de Incentivo

         Sancionada em dezembro de 2006, a Lei de Incentivo ao Esporte (nº 11.438) tem um valor de captação fixado anualmente, em torno de R$ 300 milhões. 

        Os contribuintes que têm imposto de renda a pagar podem optar por saldar a dívida ou destinar parte do valor para projetos esportivos, na seguinte proporção: 1% para pessoa jurídica e 6% para pessoa física.

        Os clubes, federações e confederações interessadas encaminham os projetos ao Ministério do Esporte que os aprova ou não, para posterior captação dos recursos financeiros.

        Entre janeiro de 2007 e dezembro de 2010 a Lei de Incentivo destinou R$ 424 milhões ao esporte.

Corinthians

        Agora, o Corinthians se beneficiará de uma lei municipal, além de R$ 70 milhões orçamentários do governo do Estado. 

        Os incentivos municipais funcionarão na forma de venda de certificados para quem desejar contribuir com as obras do Itaquerão.

        Os certificados são uma espécie de bônus, que abaterá o valor no pagamento do ISS, IPTU ou Imposto de Transmissão de Bens Imóveis. Ou seja, a Prefeitura abrirá mão do recebimento dessas parcelas em favor da construção de um estádio.

        Assim como na Lei de Incentivo ao Esporte, os certificados da Prefeitura de São Paulo e a contribuição do Estado às obras do Corinthians revelam que é dinheiro público financiando a iniciativa privada.

        Lembro que o futebol profissional é altamente dependente do dinheiro público. A própria Timemania é uma loteria criada para pagar a dívida de R$ 2 bilhões dos principais clubes para com a Receita Federal, INSS e Fundo de Garantia. 

        Agora, as obras de estádios também passam a onerar os cofres do município, do estado e da União. 

        Tudo em nome da Copa 2014, ano em que Ricardo Teixeira fará as maldades que desejar, como revelou à Revista Piauí. E, pelo silêncio que se fez, com o aval dos governos.

        Agora vai.

Por José da Cruz às 23h11

20/07/2011

Novo logo da Copa 2014

Por José da Cruz às 13h22

A saúde e o concreto

        Em Brasília, pacientes do Hospital Regional da Asa Norte esperaram nove horas – repetindo: nove horas – para serem atendidos, no domingo passado.

        Choros e gemidos na superlotada sala de espera. Faltavam médicos para atender à demanda.

        Mas a turma do governador Agnelo Queiroz, que é médico, se desculpou: “O movimento cresceu, muita gente vindo de fora ...”

        Mas a construção do novo estádio Mané Garrincha avança sem parar.

        Porém, deverá faltar dinheiro para alimentar o elefante branco de 75 mil lugares, que surge no cerrado da capital. O Tribunal de Justiça suspendeu a venda de uma área de 85 mil metros quadrados, na área central de Brasília, avaliada em R$ 700 milhões. O dinheiro pagaria parte das obras do estádio.

        Quantos hospitais se construiriam com R$ 700 milhões? quantos médicos seriam contratados? Quantas escolas... professores? Afinal, educação e saúde não são prioridades?

        Governar é por aí, mas Agnelo Queiroz, médico, fez a opção pelo concreto...

Por José da Cruz às 01h07

19/07/2011

Cielo, Coaracy Nunes e os rumos da natação

        O principal atleta brasileiro está sob pressão intensa. Na Corte Arbitral do Esporte, amanhã, será a palavra de Cesar Cielo contra a evidência de fraude, anunciada pela  Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, CBDA.

        Além de estar em jogo o futuro de um jovem atleta campeão olímpico, a decisão da Corte poderá influenciar nos rumos da natação brasileira.

        Por isso, faço uma retrospectiva sobre o atleta e o contexto de sua atuação no esporte brasileiro.

A revelação

        Em setembro de 2008, Cesar Cielo fez gravíssimas críticas à CBDA e, por extensão, ao presidente, Coaracy Nunes, há 23 anos no poder.

        Depois de afirmar que precisou de ajuda do pai para pagar os treinos nos Estados Unidos, assim manifestou-se o campeão, microfones abertos:

        "Eu estou falando isso tudo porque estou de saco cheio. Eles (dirigentes) vão ter que me aguentar, porque agora eu sou campeão olímpico”.

Disse mais:

        "A saída de Coaracy (da CBDA) já virou uma brincadeira entre nós (nadadores), porque com ele nada muda”.

        Quando foi para os Estados Unidos, em 2006, Cielo disse que perdeu o apoio da CBDA, patrocinada pelos Correios. O nadador retornou como campeão e abriu a boca. Agora, com autoridade. Corajoso o rapaz.

Surpresa

        Pois 24 horas depois dessas gravíssimas e ousadas manifestações, Cielo apareceu abraçado e sorridente com Coaracy Nunes, e já com o boné dos Correios, patrocinador da CBDA.

        Que argumentos usou Coaracy Nunes, para que um “rebelde” nadador trocasse a agressão verbal pelo abraço? O lamento pelo sorriso?

        Quem, até então, ousara desafiar o comando do poderoso cartola? Sobre esse diálogo nunca saberemos. Mas devem ter sido argumentos poderosos, palavras  convincentes, claro, de muito valor.

        Coaracy Nunes precisa de um atleta de ouro para coroar suas mais de duas décadas à frente da Confederação. Não podia tê-lo na oposição.

        Mais: ter Cielo nas piscinas é o chamariz indispensável para novos patrocinadores. A CBDA já tem os Correios e o Bradesco. É pouco. Quer mostrar que a natação é poderosa, e entre os esportes individuais pode superar o atletismo. A disputa silenciosa entre os cartolas dessas modalidades existe, nos bastidores, há muitos ciclos olímpicos.

        Por isso, Coaracy também está apreensivo. Se a pena da Corte Arbitral for mais pesada que a “advertência” aqui aplicada, Coaracy perderá em dobro: ficará sem o atleta de ouro e verá abalado o prestígio da instituição que dirige, pois tentou amenizar um caso grave para proteger o atleta ilustre.

        Caso contrário, ganharão - e festejarão - Cesar Cielo, a natação brasileira, Coaracy Nunes e, por extensão, o Comitê Olímpico, que terá um atleta de peso para a contabilidade do pódio dos Jogos de Londres 2012 e Rio 2016.

Por José da Cruz às 08h46

18/07/2011

Diretas-Já na CBF

Por João Carlos Assumpção

        Não, antes que pensem que estou querendo dar um golpe na CBF não estou, não. Só que não dá mais para aturar Teixeira e cia., não dá mais para aturar um sujeito que acha que a CBF é dele e a Seleção também.

        Como tirá-lo da CBF? Pela pressão popular, que pode começar e já está começando pelas redes sociais, deve ganhar as ruas, pressionar o governo…

        No Ministério dos Transportes a Dilma não mexeu? Se perceber que o povo não aguenta mais o que vê na CBF, as acusações e as denúncias levantadas pelas CPIs no início da década passada e as novas trazidas pelos britânicos em relação a supostas propinas da ISL, ex-parceira da FIFA, algo pode ser feito.

        Porque agora, por conta da Copa de 2014, muito dinheiro público vai estar em jogo.

        E a queda de Ricardo Teixeira, que está no comando da CBF desde 1989, passa pelos patrocinadores. Como disse o jornalista Andrew Jennings a respeito da FIFA, será que os parceiros da entidade, e aqui pergunto sobre os parceiros da CBF, estão felizes com seus dirigentes? O que acham de ver seus nomes envolvidos com uma confederação e um dirigente atolado por denúncias? Que diz que está literalmente cagando para a imprensa? Que faz o que quer com a seleção? E que os patrocinadores da CBF acreditam na sua inocência das acusações tanto que são seus parceiros? O que acharam da matéria da revista “Piauí”?

        E o governo, com Teixeira tendo se tornado um dos homens mais importantes do país? Dilma gosta dele? Quer tê-lo como principal aliado na Copa que vai acontecer em seu governo? Dilma não vai se mexer? Vai se calar? Não é seu perfil.

        O movimento  “Diretas-Já”, nos anos 80, começou assim… Devagarzinho, devagarzinho, até ganhar as ruas e aparecer no “Jornal Nacional”, tão temido por Teixeira. Aliás,  o único programa respeitado pelo dirigente. Mas que se tiver coisa ruim noticiada contra ele já mandou recado: marca jogos do Brasil em horários contrários aos interesses da Globo.

        A “Primavera Árabe” chega ao Chile, que faz um movimento parecido com o dos países árabes com uma série de reivindicações ligadas à educação. Pode chegar ao Brasil, pois temos muito a reivindicar, inclusive quando o assunto é esporte, afinal ainda somos o país do futebol. E queremos uma Copa limpa. E uma Olimpíada também. Não queremos um evento como o Pan, que deixou legado quase nulo e ainda teve o orçamento inflado de 400 e tantos milhões de reais para quase R$ 4 bilhões.

        Eu, pelo menos, não aguento mais Teixeira como presidente da CBF. Teixeira está desvalorizando a Seleção, ajudando a banalizar nosso futebol. Não, não dá mais. Simplesmente não dá mais.

Minha análise

        A carta do leitor João Carlos Assumpção é pura indignação. Como dezenas de mensagens que aqui publico.

        A CBF é responsável por um dos principais patrimônios culturais, a Seleção Brasileira, representante institucional do nosso país. Logo, não merecemos, de fato, dirigentes que não honram esta representatividade.

        Porém, a Confederação Brasileira de Futebol é uma entidade de direito privado. Tem autonomia jurídica e administrativa. E isso precisa ser respeitado, para que não se agrida os princípios da democracia.

        Qualquer medida que vise ao impedimento de Ricardo Teixeira compete, inicialmente, aos presidentes de federações estaduais. São esses presidentes que perpetuam o senhor Ricardo Teixeira no poder. E são eles que também devem se envergonhar de estarem ao lado de quem tem repercussão tão negativa mundo afora.

        E os patrocinadores, da mesma forma. Querem ter suas poderosas marcas vinculadas à gestão suspeita e acumulada denúncias de corrupção? Isso fortalece seus produtos? Não? pois então pressionem e exijam transparência, acima de tudo.

        Segue o debate

        José Cruz

Por José da Cruz às 19h08

CBF gasta com “despesas operacionais” o dobro do que destina ao futebol

 

A CBF  divulgou o seu balanço patrimonial e financeiro de 2010. A receita fechou em R$ 263,3 milhões. Mas ainda há R$ 73,4 milhões em “contas a receber”, como direito de transmissão, patrocinadores etc.

        A principal receita da CBF vem de patrocínios: R$ 193,5 milhões, que correspondem a 73% do total arrecadado. 

        Outras receitas: R$ 37,4 milhões de “partidas realizadas”; R$ 13,1 milhões de “direito de transmissão” .

Superávit

       Pagas as contas, a CBF terminou 2010 com um superávit de R$ 83 milhões. Presidida por Ricardo Teixeira, desde  1997, a CBF gasta mais com “despesas operacionais” – R$ 93,3 milhões – do que com a atividade fim, o futebol, que consumiu R$ 49 milhões, em 2010.

        É possível que nesses R$ 49 milhões estejam os cachês pagos aos jogadores e comissão técnica das Seleções masculina, feminina. Aguardo por uma análise contábil para poder dar mais detalhes.

Funcionários

        A CBF tem uma equipe de 125 funcionários, sendo 45 com ensino superior completo. Custo da folha de pagamento: R$ 22 milhões. de Imposto de Renda e encargos sociais, a CBF pagou o dobro do que gasta com a folha funcional: R$ 44,2 milhões. E com “serviços de terceiros” (não especificados) foram gastos: R$ 23,4 milhões.

 

      PATROCÍNIOS 2010

Nike                                  65.000.000,00

Banco Itaú                         29.159.000,00

Vivo S/A                            26.507.000,00

Ambev                               27.344.000,00

Volkswagen                         8.938.000,00

Proter @ Gamble                 8.481.000,00

DCSET Marketing                8.201.000,00

Marfrig Alimentos                7.661.000,00

TAM Linhas Aéreas               6.403.000,00

Cia Brasileira Distribuidora   5.211.000,00

Klefer Produções                    620.000,00

Por José da Cruz às 14h36

17/07/2011

A culpa é do gramado...

Brasil x Paraguai?

 

Fico com a manifestação de minha colega Janaina Lazzaretti (@janalazzaretti):

Não aguento esses comuns tentando jogar feito craque

Por José da Cruz às 18h48

Estão querendo enganar quem?

Nos jornais deste domingo

João Ubaldo Ribeiro*

        Li em algum jornal que a Fifa, essa organização da qual volta e meia se evola um odorzinho de mutreta, que lida com cachoeiras de dinheiro, cujas decisões são às vezes vistas como fruto de processos viciados e que, enfim, não é nenhuma casa pia, ameaçou fazer a Copa de 14 na Espanha, se as obras aqui não forem apressadas - ou até mesmo iniciadas, como dizem que é o caso de muitas. Por artes do caprichoso destino, isso pode interessar à Espanha, que tem estrutura e está pendurada. Pode interessar a toda a Europa, aliás, devido ao reflexo dos problemas espanhóis na economia do euro. E talvez o Brasil nem conseguisse ir aos jogos, porque os espanhóis poderiam aparelhar os aeroportos para otimizar sua já tradicional deportação de brasileiros.

        Apressar as obras significa, como também se divulga muito, relaxar controles sobre custos e gastos. Claro, qualquer que seja o resultado dos debates, todo mundo sabe que haverá roubo. Se for feita uma enquete, tenho certeza de que a grande maioria dos brasileiros acredita que vai haver roubo nessas obras, com sigilo, sem sigilo, de que forma for. Existirá sempre um jeito de roubar, entendido isto como faturamento fraudulento, propinas, desvios de materiais e serviços e, enfim, todo tipo de trambique aplicável, num repertório em que seguramente somos líderes mundiais.

        Sim, todo mundo está cansado de saber disso. Então para que tanta complicação inútil, se tudo vai ser mesmo garfado, sempre foi, desde que nos entendemos e ninguém tem problemas ao ganhar dinheiro desse jeito? Há tantos estádios a construir, tantos aeroportos a reformar, tantas obras públicas, tantas armações que podiam já estar rendendo grana e ficamos nessa demora ridícula, repetindo atos ou palavras que nunca resolveram nada. Tanto o que surrupiar já dando sopa aí e esse pessoal perdendo tempo em formalidades que todo mundo sabe que não servem para nada, a não ser para embalar o sono dos que as ouvirem, em forma de discursos, no Senado Federal. Não havia nem necessidade da mãozinha que a Fifa está querendo dar (ou meter).

        É difícil assistir a um noticiário de televisão em que não seja mostrado o desbaratamento e prisão (e imediata soltura, em questão de segundos) de pelo menos uma quadrilha que fraudava algum órgão público. Difícil, não, impossível; não me recordo de nenhum. Se qualquer político for acusado de ladrão numa roda de conversa, dificilmente alguém o defenderá com convicção, porque confere com o padrão que nos acostumamos a aplicar à nossa sociedade. Nenhum tipo de falcatrua ou sordidez nos surpreende e é bastante comum que, nessas conversas, alguém lembre uma história bem pior.

        E os parlamentares, se não são todos ladrões em sentido amplo, são beneficiários impudentes de uma abundância obscena de privilégios, a começar pelo imoralíssimo foro especial, que os põe numa acintosa classe acima dos governados, a quem não prestam satisfações e cuja vontade ignoram, se não coincide com seus interesses. Há sentido nas miríades de "ajudas", nos fantásticos seguros de saúde, nas generosíssimas viagens e em tudo mais de que desfrutam para mal e pouco trabalhar, isto quando trabalham? Os estrangeiros têm dificuldade em compreender como uma sociedade aceita esse deboche deslavado, que ainda lhe é impingido com arrogância e ostentação de poder. Não acho de todo descabida a semelhança que vejo entre esses privilégios e os da corte de Luís XIV, na França do século 18. De fato, como já disse aqui, o Estado entre nós não é o rei, que não temos; mas o Estado entre nós é dos governantes e a soberania é deles, respeitados os donos da economia.

        No serviço público, a falta de compostura e o nepotismo, embora hoje disfarçado pelos intrincados laços familiares dos brasileiros, são a regra. O que é público não é de ninguém, começando pelo material de escritório levado para casa e terminando pelos cartões corporativos. Ocupantes de cargos públicos de relevância se associam secretamente a empresas de "consultoria" e assim ganham fortunas, fazendo na verdade advocacia administrativa e tráfico de influência. Egressos do serviço público caem na mesma prática, pois o serviço público aqui não é para o público, mas para quem o presta, ou alega prestar. O serviço público é uma oportunidade para "se fazer". Comportam-se assim até os menos rapineiros, que se contentam em "colocar" um filho aqui ou acolá, ou bem encaminhar seu futuro depois da política, apesar de já bastante acolchoado por aposentadorias magnânimas e benesses liberais.

        E ninguém, afinal, é punido por nada. Se antes isso se aplicava somente aos ricos e poderosos, agora vale para todos. A melhor maneira de matar alguém no Brasil é ficar bêbado, pegar o carro e atropelar a vítima. Aí o atropelador se recusa a usar o bafômetro e vai para casa, responder a processo em liberdade, para, no caso difícil de vir a ser condenado, cumprir a pena também em liberdade. Embriaguez pode até virar atenuante, surto psicótico. Matar gente, aliás, é cada vez mais fácil, talvez mais que roubar. Matar bicho nem tanto, mas pega mal o sujeito sair dizendo que está sob a proteção do Ibama.

        É por essas e outras que eu digo: vamos parar com essa enrolação toda, que chega a nem ficar bem, parece sabotagem com a Seleção. Não já estamos exaustos de saber que, em ocasiões semelhantes, meteram a mão na granolina para valer? Não é assim que se faz e sempre se fez neste país, como costumava lembrar um grande líder nosso? Então vamos liberar logo essa grana e sossegar a rapaziada, corrupto também fica estressado. E, afinal de contas, não somos assim tão bestas, pensam que estão nos enganando, mas não estão. Nós sabemos de tudo e não somos bobos, somos apenas omissos, submissos, cínicos e cada vez mais moralmente insensíveis - ninguém é perfeito.

*João Ubaldo Ribeiro é escritor, membro da Academia Brasileira de Letras

Por José da Cruz às 16h08

16/07/2011

Cartolas, políticos e suas verdades

         Em dois anos e ao custo de R$ 486 milhões foi construído o Oriental Sports Center, parque aquático de Xangai que recebe o Mundial de Esportes Aquáticos, a partir de hoje.

        O monumento, de 347,5 mil m², ficou pronto em 28 de dezembro de 2010, quase sete meses antes do previsto.

   

Enquanto isso...

Julho de 2004 – na imprensa carioca:

        Rio das Ostras, Cidade da Natação

        Um projeto de mais de 12 anos está prestes a se concretizar.

        A Cidade da Natação, em Rio das Ostras (RJ), sairá do papel, parceria da Confederação de Desportos Aquáticos com a Prefeitura Municipal. Será construído um centro de treinamento formado por um complexo de piscinas para natação, pólo aquático, nado sincronizado e saltos ornamentais.

        Trata-se de uma idéia antiga do presidente da CBDA, Coaracy Nunes, que será realizada em Rio das Ostras, uma cidade da Região dos Lagos, no Estado do Rio de Janeiro.

        A construção do projeto custará R$ 16 milhões e levará 24 meses para ser erguido

Agosto de 2005

         CT no Rio vira grande aposta da CBDA

        Um centro de treinamento será construído em Rio das Ostras ao custo de R$ 20 milhões.

        O local da construção já foi escolhido e o processo de licitação deve começar em 60 dias.

Julho de 2007

        O Parque Aquático Maria Lenk, no Rio, que abrigará as provas dos Jogos Pan-Americanos, foi concluído ao custo de R$ 85 milhões.

        “Depois dos Jogos, as instalações serão adequadas aos padrões exigidos pelo Comitê Olímpico Internacional”, disse o ministro do Esporte, Orlando Silva.

        O ministro afirmou: “Após o Pan, o Parque servirá para o treinamento de atletas, além de abrigar competições nacionais e internacionais de alto nível.”

        Nada disso aconteceu.

Julho de 2011 ... 

 

Espaço reservado para a próxima mentira. Ops, desculpem, próxima notícia.

 

Por José da Cruz às 11h46

15/07/2011

A cara do Brasil

No Correio do Povo, Porto Alegre, 14 de julho de 2011

Por: Juremir Machado da Silva*

Ricardo Teixeira, o "capo" da CBF, é a cara do Brasil. A cara de um certo Brasil. Recebeu o cargo do sogro, o não menos opaco João Havelange. Gerencia aqui os negócios de uma das mais poderosas e asquerosas instituições internacionais, a Fifa, chamada popularmente de "Mafifa". Arrogante, medíocre, inculto e grosso, Teixeira tem sua posição garantida pelos esquemas que arma. Por um lado, vive da troca que estabelece com os presidentes das federações estaduais de futebol. Como na Idade Média, é uma relação de suserania e vassalagem. Como no Brasil que insiste em ser pré-moderno, é uma relação de rapinagem. Enquanto na Europa a venda dos direitos de transmissão dos campeonatos é feita em leilão com envelope fechado, aqui a CBF vira a mesa, desmoraliza o Cade, o organismo que deveria zelar pela transparência, e impõe a sua lei.

O perfil de Ricardo Teixeira, publicado pela revista Piauí, desmascara uma triste figura. Aparece um homem vulgar, repugnante e violento, que ameaça praticar maldades contra aqueles que o criticam e, certo da impunidade, garante que nada lhe acontecerá. Os presidentes dos clubes brasileiros são responsáveis pela longevidade dessa figura hedionda. Aceitam seu poder discricionário. Em 2005, quando o Internacional foi roubado em favor do Corinthians, não teve coragem de entrar na Justiça comum. Só as ditaduras bloqueiam o acesso à Justiça comum. Ricardo Teixeira é a cara do Brasil que, para ter uma Copa do Mundo e fazer negócios e negociatas, propõe sigilo para transações que deveriam ser as mais transparentes possíveis. É a cara de um Brasil despudorado, que defende sigilo eterno para documentos sensíveis e vive de sucessivos escândalos de corrupção.

É a cara do Brasil que cederá à Fifa, para ter uma Copa do Mundo cara e de importância duvidosa, parte da sua soberania. Em 2014, a Fifa assumirá o comando no país, inclusive com poder para revogar ou suspender leis. No Rio Grande do Sul, a lei que impede o consumo de álcool nos estádios será anulada temporariamente. Comerciantes legitimamente instalados em torno do Beira-Rio perderão o direito de trabalhar. Teixeira é a cara de um Brasil hipócrita, que diz não ter dinheiro para resolver os problemas crônicos de hospitais e escolas, mas, de repente, despeja recursos para construir estádios desnecessários e até vergonhosos, elefantes brancos por antecipação. Não me surpreenderei se Teixeira virar senador. Perfil não lhe falta. O futebol no Brasil, e em boa parte do mundo, é mafioso. Ouvi dizer que também existem senadores mafiosos. Será? Não posso acreditar.

Fico olhando, na televisão, para a cara do Ricardo Teixeira. Os olhos dele revelam um vazio imenso, um abismo, um buraco escuro, certamente explicado pela ausência de cérebro ou, na melhor das hipóteses, por um cérebro hipertrofiado, tendo desenvolvido somente a parte que faz cálculos inconfessáveis e absorve o besteirol do mundo. Para o Brasil começar a mudar só tem um jeito: expulsar da vida pública os Ricardos Teixeiras. Não é tarefa fácil. Valeria uma boa operação cartola. A milhão.

*Juremir Machado da Silva é jornalista, professor, escritor e pesquisador

Por José da Cruz às 16h21

14/07/2011

Copa 2014: a transparência da ilusão

          Surge mais um portal para acompanhando dos gastos com a Copa 2014. Agora, por iniciativa da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle do Senado Federal.

        Em 2009, a Comissão de Fiscalização da Câmara já havia lançado um portal com o mesmo objetivo. Pra nada.

        Tribunal de Contas e Controladoria Geral da União têm os seus sites funcionando. Capengas, mas funcionam.

        E quem diz que são capengas é a própria autoridade governamental, como Jorge Hage, ministro-chefe da CGU.

        “... alguns dados sobre a Copa, no Portal da CGU, estão desatualizados. Isso sim é verdade e se deve à precariedade do fluxo de informações que vêm dos Estados para o Ministério do Esporte e que cabe a este repassar à CGU, o que não vem ocorrendo, até aqui no ritmo desejável.”

        Também o TCU reforçou a fragilidade ministerial afirmando,  em relatório de 15 de junho, sobre o assunto Copa 2014:

        “O Ministério do Esporte não possui mecanismos que permitam a coordenação e consolidação de todas as ações do governo brasileiro".

        O meritório trabalho dos fiscais do TCU não é suficiente para o gigantismo dos empreendimentos que se realizam em 12 capitais. Falta um esquema integrado, articulado.

        Só assim teremos informações reais, efetivas, confiáveis e atualizadas que alimentem os portais afins e nos dêem garantia de que há controle, sim.

        Mas, enquanto isso não ocorrer estamos perdidos, sem a tal transparência que o então presidente Lula da Silva prometeu, em dezembro de 2009:

        "Todos os gastos públicos serão divulgados pela internet e acompanhados em tempo real".

        E até decreto, nº 7.034/2010, assinou, determinando que assim fosse.

        Quanta bobagem!  O principal legado do Pan 2007 para os megaeventos continua sendo o desmando no uso do dinheiro público.

Por José da Cruz às 19h44

Doping e o jogo da hipocrisia

       O professor Lino Castellani, da Unicamp, também coordenador do Observatório do Esporte me enviou a seguinte mensagem:

 

        “Por conta do assunto doping encaminho artigo que publiquei na Universidade do Futebol, tempos atrás, motivado pelo caso do Dodô. Tomo a liberdade de remetê-lo por entender que a tese central que nele defendo não vem sendo abordada. Reproduzo abaixo um trecho do artigo, em que a tese se explicita."

A tese

Por Lino Castellani


        "... Lendo as matérias jornalísticas e ouvindo os comentários sobre o assunto nos programas de TV, não pude deixar de ficar revoltado... Com a hipocrisia reinante em nossa sociedade!

        Hipocrisia sim! Pois não somos nós que exigimos a vitória a qualquer custo, atribuindo ironicamente a frase o importante é competir aos perdedores?

        A coisa funciona mais ou menos assim: Você é atleta e sabe que fama, sucesso e dinheiro vêm com resultados esportivos! Mas não com qualquer resultado, mas sim somente com a vitória. E você faz tudo o que está ao seu alcance para obtê-la. Submete seu corpo a um árduo treinamento físico, horas e horas a fio, abrindo mão, em plena juventude, de descobrir as loucuras da paixão, do amor, da vida... Sua cabeça não pode estar naquela menina/mulher ou menino/homem que faz seu coração como que pular pela boca, e sim na competição que se avizinha. Focado, dizem... Você tem que estar focado!

        Com os treinos vêm os resultados e deles, seu salário. Salário sim, pois você tem com o Esporte uma relação de trabalho. É... Você é um trabalhador da bola, das pistas, das barras assimétricas e coisas e tais...

        Mas eis que os resultados começam a ficar cada vez mais difíceis de serem obtidos e por mais que aumente a carga de treinamento, seu corpo já não responde a ele como antes... Mas você aprendeu que seu patrocinador só lhe patrocina porque você vende com suas vitórias o que ele deseja vender...

        Seu salário está intimamente vinculado a elas... As entrevistas e notícias de jornal estão diretamente ligadas ao seu sucesso...

        Então você diz: Tudo isso precisa continuar a existir, custe o que custar... Pronto! Está feito! Daí pro doping é um pulinho...

        Muitos sabem, mas fingem não ver o que está acontecendo com você. Afinal, você continua vencendo e dando o retorno que eles desejam... Aos produtores do produto que anuncia, aos dirigentes e torcedores do clube onde se encontra vinculado, ao país que une ufanisticamente sua bandeira às suas vitórias...

        Bem... Aí, um exame surpresa acusa aquilo que todos teimavam em não querer ver e... O mundo lhe cai sobre a cabeça! As mesmas pessoas que o glorificavam, agora lhe apontam o dedo acusando-o do crime mais vil: O uso do doping? Não! Ter se deixado pegar em flagrante, dando visibilidade a uma realidade que desejam mascarar, isso sim...

        Qual realidade? A única, insofismável: O doping não é manifestação patológica do esporte de alto rendimento e sim parte constitutiva de sua lógica.

        É isso. Simplesmente isso... O Esporte é uma prática social, portanto produto do trabalho humano, que traz em sua materialização as intencionalidades definidoras de nossas ações, as quais se dão em um determinado contexto e momento histórico. Neste ordenamento societário pautado pela exploração do Homem pelo Homem, somente a hipocrisia explica o ar de espanto e surpresa de muitos desavergonhados..." 

Por José da Cruz às 23h38

13/07/2011

Senado fará Seminário para avaliar preparativos da Copa 2014

        Representantes da Espanha e da África do Sul serão convidados para a 1ª Avaliação Parlamentar da Copa 2014, dias 14 e 15 de setembro, no Senado Federal. Eles vão explicar sobre os legados dos eventos que realizaram, respectivamente em 1982 e 2010.

        Afinal, como são ocupados os estádios que construíram? Há ociosidade? E quanto custa manter estes gigantes?

        A programação prevê quatro audiências em dois dias, proposta da senadora gaúcha Ana Amélia de Lemos, aprovada na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado.

        O tema da segunda audiência será “logística”, com representantes da Infraero, Anatel, setores de turismo e economia criativa.

        O segundo e último dia será mais quente: “estratégia e planejamento” abrirão os trabalhos. São etapas que não tivemos, apesar de sabermos desde 2007 que aqui será realizada a Copa 2014. Proposital? 

        Estou curioso para conhecer as desculpas do governo, via Ministério do Esporte.        

        Porém, uma das audiências que mais deverá atrair o público é justamente a de encerramento. Assunto: “fiscalização”.  Na mesa, representantes do Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União, Ministério Público Federal e Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

        Vamos aguardar. Quanto setembro vier.

Por José da Cruz às 22h46

Andrew Jennings apresentará no Senado denúncias contra Ricardo Teixeira e Havelange

        Dez anos depois de ter realizado a CPI do Futebol, o Senado Federal volta a vasculhar os bastidores desse esporte e quer saber mais sobre as denúncias de corrupção envolvendo dois figurões nacionais: Ricardo Teixeira e João Havelange.

        A partir daí, a Comissão de Educação, Cultura e Desporto do Senado Federal decidiu trazer a Brasília o jornalista inglês autor das denúncias, Andrew Jennings. Será em agosto.

        O requerimento para convidar Andrew Jennings, aprovado nesta terça-feira, foi apresentado pelos senadores tucanos Álvaro Dias (PR) e Paulo Bauer (SC).

Dúvidas

        A CBF é uma entidade particular, não recebe verba pública e, por isso, não está sujeita a auditorias do Tribunal de Contas da União ou ações da Controladoria da República.

        Daí, que ações poderá adotar o Senado, diante das denúnicas a Ricardo Teixeira? Mais: as obras da Copa não passam por suas mãos, pois estão sob a observação do Ministério do Esporte.

Realidade

        Porém, a CBF dirige uma instituição oficial, a Seleção Brasileira, um dos símbolos da nossa cultura.

        Os atletas desfilam com as cores do Brasil, cantam o Hino Nacional e a delegação se perfila diante da nossa Bandeira.

        É a representação nacional em campo. E em nome dessa instituição a CBF arrecada milhões de patrocínios (foram R$ 164 milhões, em 2009). Com que retorno para o nosso esporte em nivel social ou para o fortalecimento dos clubes mais pobres?

        No entanto, não se pode ignorar que é uma vergonha recebermos a Copa tendo à frente um comandante acusado de corrupto.

        Nada de incomum, porque Andrew Jennings tem demonstrado que futebol é por aí, mundo afora.  

        Assim, as excelências ficarão a par dos bastidores desse esporte e entenderão que o jogo da bola não é mais aquele praticado em tempos românticos. Agora, haja bola...

Memória

        Que ações efetivas evoluíram a partir dos resultados da CPI do Futebol do Senado, em 2001, quando se constatou frentes de corrupção em vários clubes profissionais?

        E que reações tiveram os parlamentares com a recente proposta para criar a CPI da CBF?

        Portanto, que a vinda de Andrew Jennings e seu discurso não sejam motivos apenas para municiar a oposição, mas que sugiram propostas efetivas para tirar os corruptos da jogada.

        Alguém acredita nisso?       

Por José da Cruz às 00h03

12/07/2011

Copa 2014: leia o relatório do TCU alertanto para a falta de ações do Ministério do Esporte

        Atendendo a pedidos dos leitores, publico o relatório do Tribunal de Contas da União que identificou falhas nas ações do Ministério do Esporte como principal gestor da Copa 2014.

        Segundo o relatório, a matriz de responsabilidades encontra-se desatualizada “no que se refere a prazos e valores de diversas obras de mobilidade urbana, estádios, portos e aeroportos.”

        À página 8 di relatório está a primeira advertência do ministro Valmir Campelo, relator dos assuntos referentes à Copa 2014.

        Diz ele:

        “Extra-se daí que o Ministério do Esporte não possui mecanismos de acompanhamento que permitam a coordenação e consolidação de todas as ações do Governo Brasileiro”.

        Na falta de pessoal qualificado para as missões, o Ministério do Esporte contratou empresa que realizam o trabalho que seria da sua competência. Porém, sem o acompanhamento do próprio ministério.

        O documento completo do TCU está aqui e é dividido em três partes: o relatório, o voto do ministro relator e o acórdão, que são as decisões aprovadas. 

Por José da Cruz às 16h27

Jornalista esportivo ameaçado de censura

Na semana passada conheci em São Paulo o companheiro Paulinho, que assina o “Blog do Paulinho” –  http://www.blogdopaulinho.net/, seu novo endereço.

        Ele teve a gentileza de prestigiar o debate promovido pelos organizadores do 6º Congresso de Jornalismo Investigativo, promovido pela ABRAJI.

Num sábado de manhã, ao lado de Mauro Cezar Pereira, da EPSN Brasil, 60 congressistas madrugaram, às 9h, para ouvir sobre nosso trabalho investigativo em torno das mazelas do esporte.

        Paulinho estava lá. Fiquei orgulhoso por ter meu trabalho reconhecido por este repórter, uma das referências no jornalismo investigativo.

        Com muita informação e boa análise, Paulinho incomoda os poderosos, corruptos, principalmente.

        Talvez por isso, ele anuncie que seu blog está ameaçado de censura, apesar de não ter sido notificado de qualquer processo.

        Faço este registro em defesa da liberdade de imprensa que, mais uma vez, é ameaçada em plena democracia nacional.

        Observem que em seis meses o governo federal demitiu dois ministros de Estado: Antônio Palocci e, recentemente, Alfredo Nascimento, dos Transportes. Em ambos os casos a ação preliminar partiu da imprensa, denunciando ações ilegais de quem ocupava cargos públicos.

        Fortaleceu-se o Executivo e a imprensa teve seu desempenho valorizado.

        Lembro, a propósito, o jornalista americano James Reston, morto em 1995, duas vezes vencedor do Prêmio Pulitzer:      

“A imprensa – dizia ele – deve se comportar como cão de guarda, rosnando contra os abusos dos poderosos, e não como cãozinho de estimação, que sacode o rabo quando vê o dono”.

 

http://blogdopaulinho.wordpress.com/

Por José da Cruz às 12h17

Caso Cielo: pressa no julgamento atrapalha a defesa

Por Alberto Murray Neto

Advogado

       O desejo de Cesar Cielo e da CBDA em apressar o julgamento do atleta é ruim para a sua defesa. Um laudo arbitral não sai assim em um estalar de dedos.

        O processo tem que ter o seu curso natural, para que todas as partes possam apresentar suas alegações, produzir todas as provas que desejar, prestar depoimentos, ouvir testemunhas, apresentar memoriais, de forma que os Árbitros possam formar a sua convicção.

        Olhando a júrisprudência dominante do CAS em casos exatamente iguais, a tendência é que Cesar Cielo seja suspenso por dois anos. Se o nadador acredita que possui elementos suficientes para elaborar bem a sua defesa, precisará de tempo para a produção de suas provas. E em um caso como esse, isso leva tempo.

        O mero depoimento de Cielo alegando que não teve culpa e tampouco foi negligente porque houve contaminação cruzada, não servirá para convencer o Tribunal de que deve ser absolvido. Se de fato houve contaminação cruzada, essa uma prova que seu Advogado deverá produzir.

        A tal farmácia de manipulação da cidade natal do nadador nega a existência de contaminação. Não se poderia esperar outra coisa da farmácia. Se assumisse o erro ficaria desmoralizada e sujeita a uma ação de perdas e danos.

        A defesa de Cielo precisa de tempo. O caso requer perícia técnica para comprovar contaminação (se é que ainda há algo a ser periciado). É necessário que os proprietários da tal farmácia e os profissionais que manusearam aquele lote de medicamentos prestem depoimentos.

        Se a defesa de Cielo, por exemplo, conseguir provar que ao mesmo tempo em que produzia as pílulas de cafeína do lote que foram parar no organismo do nadador, manuseava furosemida, aumentam as chances da produção da prova necessária para sustentar a tese da contaminação cruzada.

        O tempo corre em favor da defesa de Cielo. Apressar o julgamento não é bom para ele. A não ser que haja uma grande marmelada, o que não acredito que acontecerá.

        O CAS tem sido, até o momento, uma Corte séria e confiável. Absolver Cielo sem uma prova contundente e irrefutável de que houve contaminação cruzada, seria uma novidade no CAS.

Confira:

Blog Alberto Murray Olímpico

http://albertomurray.wordpress.com/

Por José da Cruz às 23h27

11/07/2011

Bolsa Atleta aos 41 anos e não aos 45, como publiquei

        Marco Aurélio Klein, do Ministério do Esporte, garante que nenhum maratonista de 45 anos recebe Bolsa Atleta, como publiquei.

        Pedi ao autor da informação, Professor Fernando Franco, que conferisse os dados.

        A resposta de Fernando Franco é a seguinte:

        “De fato, o maratonista Genilson Junior da Silva, hoje com 45 anos, recebeu a Bolsa Atleta “Estudantil” só até 2007, ou seja, quando tinha 41 anos. É o número 53 da listagem dos contemplados”.

Sugestão

        Feita a correção, aproveito o assunto para sugerir uma atualização de dados.

        A Bolsa Atleta começou a ser distribuída em 2005, isto é, há seis anos. Seria oportuno que o Ministério do Esporte revelasse quais os principais resultados alcançados e as melhores evoluções registradas. É uma forma de se avaliar a eficiência do programa. 

Por José da Cruz às 22h36

10/07/2011

Atletismo: geração 2016 é reprovada no Mundial até 17 anos

        Terminou o Mundial de Atletismo Menor, em Lille, na França.

No evento que reuniu atletas que deverão estar na Olimpíada Rio 2016, os Estados Unidos terminaram em primeiro lugar, com 16 medalhas, sendo seis de ouro, quatro de prata e seis de bronze.

Brasil

O Brasil conquistou apenas uma medalha: bronze no octatlo masculino.

Porém, a prova não é olímpica

E fomos apenas a duas finais em provas de pista, 100m  feminino e revezamento medley masculino, esta última também não olímpica.

No masculino, o Brasil não classificou NENHUM atleta para provas individuais de pista.

E nas provas de campo só participou da final de arremesso de peso feminino.

Quadro de Medalhas

Com este desempenho, os brasileiros ficaram em 30º lugar, atrás de “potências” como o Kenia (14 medalhas), Jamaica (9), Bahamas (4) e Etiópia (5).

Os atletas da Bahamas têm superado os brasileiros em todas as categorias, da base até a adulta.

Confira:

Berlim 2009 -  http://berlin.iaaf.org/results/medals/index.html    
Bahamas 22ª colocação  -  Brasil sem medalhas   

Osaka 2007 -  http://osaka2007.iaaf.org/results/medals/index.html
Bahamas 9ª colocação  -  Brasil 28º lugar

Enquanto isso...

        A Confederação Brasileira de Atletismo, há 22 anos dirigida por Roberto Gesta de Melo, tem patrocínio de R$ 15 milhões da Caixa,  em 2011. E receberá outros R$ 2,5 milhões das loterias, via Comitê Olímpico Brasileiro.

Por José da Cruz às 22h15

Bolsa Atleta premia maratonista de 45 anos

Recebi do professor Fernando Franco, do Centro de Estudos do Atletismo, análise sobre a Bolsa Atleta.

Fernando Franco é um estudioso da estatística do atletismo, buscando demonstrar com números reais como o Brasil ainda está longe das potências esportivas, apesar de ter 33 milhões de crianças matriculadas na educação básica.

Ou seja, não falta potencial  para explorar, mas diretrizes públicas que ajudem a dar melhor aproveitamento à fartura de dinheiro que se perde na burocracia da Esplanada dos Ministérios.

Confiram o texto de Fernando Franco:

São mais de 3.000 atletas de modalidades olímpicas e outras não olímpicas contemplados com a Bolsa Atleta.

No atletismo, categoria estudantil, de 2005 a 2010, foram cerca de 400 beneficiados.

Porém, apenas 210 atletas contemplados com a Bolsa do Ministério do Esporte estão no ranking brasileiro das categorias menor, juvenil, sub 23 e adulto, no masculino e feminino.

Agora, vejam que preciosidade:

Encontrei um maratonista nascido em 1966 contemplado com Bolsa Atleta. Se ele fosse o recordista do mundo, tudo bem. 

Mas não! O ilustre corredor, perto de completar 45 anos, recebe Bolsa do Governo Federal destinada a premiar e incentivar o crescimento de talentos.

Estou me referindo apenas aos maratonistas, mas é possível que tenhamos muitos "pangarés" premiados,  que não vão contribuir em nada para a evolução do esporte de competição.

Está na hora de o Ministério do Esporte fazer uma revolução nos critérios para distribuir a Bolsa.

Sugiro, por exemplo, que os contemplados sejam, prioritariamente, por resultados ou marcas e não por ser medalhista de Jogos Escolares.

 Esta realidade contrasta, por exemplo, com atletas que fazem as melhores marcas nos Mundial Menor, mas por não conseguirem medalhas ficam sem o benefício do governo.

Vários de nossos atletas fizeram suas melhores marcas no Mundial menor e não conseguiram medalhas e, por isso, ficam sem a Bolsa.

Esta realidade demonstra um desequilíbrio e atraso entre os objetivos da bolsa e o destino que é dado ao dinheiro, desvirtuando a formação de atletas a partir da base.

Por José da Cruz às 19h53

A Bolsa dos aflitos

        A 96 dias da abertura dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, mais de 100 competidores continuam sem saber se receberão a Bolsa-Atleta, do Ministério do Esporte. Detalhe: a bolsa é de ... 2010...

        Há poucos dias, o Ministério informava que faltavam recursos. Os recursos saíram. Foram remanejados R$ 8 milhões do seu orçamento para atender aos atletas das modalidades não olímpicas, mas que constam do programa do Pan.

        Consultei o Ministério sobre o assunto: estão trabalhando para divulgar a lista e posterior pagamento.

        Enquanto isso, muitos atletas suspenderam suas programações por falta de recursos, pois assumiram compromissos contando com o dinheiro, que é público e de direito, mas que não é pago. Os assuntos da Copa do Mundo devem estar exigindo tempo integral dos assessores do ministro Orlando Silva. E a Bolsa que espere.

Por José da Cruz às 08h40

09/07/2011

Ricardo Teixeira, o maquiavélico que intimida a República

        Na entrevista da ESPN Brasil, neste sábado, às 21h, o jornalista inglês Andrew Jennings, que investiga os suspeitos subterrâneos do futebol mundial, sugere que a presidente Dilma Rousseff peça explicações ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, sobre as denúncias de trambiques em que está metido, como divulgou a imprensa inglesa, principalmente.

        “Qualquer presidente faz isso, se há algum problema. Mas o Brasil parece agir de forma estúpida. Vocês não precisam disso. Vocês podem organizar a Copa sem Ricardo Teixeira. “Ele é a única pessoa nesse grande país com habilidades para organizar uma Copa do Mundo?  Isso é um insulto,” afirmou o inglês.

        Jennings é autor de quatro livros sobre corrupção poder e drogas no esporte. O último, “Jogo Sujo”, acabou de ser lançado no Brasil.

        “Ele (Teixeira) está lá (na CBF) pelo dinheiro, não pelo futebol. Teixeira tem um histórico de corrupção. Como ele pode ter o controle da Copa do Mundo em suas mãos?”, questiona.

Relações perigosas

        Na entrevista, da qual participei a convite dos companheiros da ESPN, expliquei a Mr. Jennings, que no Brasil se cultiva duradoura e fortalecida promiscuidade entre políticos e futebol.

        Tão fortalecida que um dos vice-presidentes da CBF está intimamente vinculado à cúpula da República. Trata-se de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado Federal, José Sarney, que comanda a base de apoio política do governo federal. Tudo em casa.

Perfil

        Enfim, é o Brasil do futebol, que se rende ao poder da bola, com a politicagem de joelhos diante da influência de um homem que se orgulha de chamar a imprensa de “vagabunda”.

        Porém, em seis meses de governo a presidente Dilma demitiu dois ministros, ambos denunciados por corrupção. E o ato extremo se deveu ao trabalho da imprensa que tanto medo provoca no senhor Teixeira.

        Mas ele prepara o troco maldoso aos jornalistas.

        Na entrevista à repórter Daniela Pinheiro, da revista Piauí, nas bancas, afirma o senhor Teixeira:

        “Em 2014 posso fazer a maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica.... e sabe o que vai acontecer? Nada!

        Como diz o repórter Roberto Naves, meu ex-colega de Correio Braziliense:

        “Nas mãos de Ricardo Teixeira, o futebol tornou-se um negócio altamente  enriquecedor”...

Por José da Cruz às 08h46

08/07/2011

Caso Cielo: as explicações jurídicas de um especialista

        Didático na explanação de um assunto complexo e com repercussão internacional, o advogado paulista Alberto Murray Neto responde aos questionamentos e dúvidas em torno do caso que envolve César Cielo e mais três nadadores.

        Para quem acompanha o assunto, a leitura deste post é indispensável, no blog do próprio Alberto Murray, que tenho o prazer de chamar, aqui.

Por José da Cruz às 10h34

07/07/2011

Doping: por que a FINA quer lavar as mãos?

Diante da decisão da Federação Internacional de Natação (FINA) de apelar Conselho Arbitral do Esporte (CAS) para julgar sobre o caso César Cielo, Henrique Barbosa, Nicholas dos Santos e Vinícius Waked, fica mais uma dúvida, que trago ao debate, por sugestão de um leitor.

A indagação preliminar é:

A FINA se pronunciou sobre o caso, depois de a CBDA ter aplicado advertência aos nadadores? Não.

Então, como pedir a ação do CAS, que é órgão de segunda instância, de recurso extremo, decisivo?

Memória

 Em 2006, a FINA agiu da mesma forma com a primeira denúncia envolvendo a então nadadora Rebeca Gusmão.

Resultado:

Os senhores do CAS devolveram o processo à FINA, lembrando que havia pendência na primeira instância: ou homologava a decisão do painel da CBDA ou apresentava outro despacho, antes de pedir a atuação do órgão máximo de apelação.

E a FINA realizou o seu Painel, punindo Rebeca com dois anos, contrariando a CBDA, que não havia aplicado pena.

Agora, repete-se o trâmite em novo processo.

Ou seja, se o Conselho Arbitral tomar alguma decisão ampliando a punição da CBDA, os nadadores brasileiros poderão alegar que não teve a oportunidade de se explicar ao painel da FINA.

Imagino que os senhores da Federação Internacional estejam sob pressão dos países top da natação. E em vez de julgar jogou a bomba - no bom sentido - na mesa do órgão imediato. 

Por que?

Por José da Cruz às 22h36

Rio 2016: turbulência nas raias do remo

Por Mônica Garcia

Do Esporte Terra

O técnico chefe da Seleção Brasileira, o francês José Oyarzabal, fez duras críticas a Confederação Brasileira de Remo (CBR), as federações estaduais, aos clubes, e também a alguns remadores brasileiros. Para ele, falta organização, infraestrutura, formação de novos remadores e, acima de tudo, amor ao esporte.

"Nos outros países há um objetivo maior que não é somente o clube. Para mim a motivação esportiva não tem nada a ver com dinheiro, aprendi isso na universidade de psicologia que fiz. O dinheiro pode ajudar a ter uma vida mais confortável. Mas aqui no Brasil até os remadores medianos recebem dinheiro. Na França, os atletas conseguem um convênio para trabalhar meio período e treinar duas vezes ao dia. Já aqui os remadores têm que receber salário, patrocínio e nada de trabalharem", criticou

A entrevista completa está aqui.

Por José da Cruz às 23h49

06/07/2011

Doping: palavras de especialistas

No Correio Braziliense, hoje

 Por Patrícia Banuth

Especialistas dizem que contaminação cruzada no caso de doping de Cielo é improvável 

http://www.df.superesportes.com.br/app/noticias/mais-esportes/2011/07/06/noticia_maisesportes,20270/especialistas-dizem-que-contaminacao-cruzada-no-caso-de-doping-de-cielo-e-improvavel.shtml

Por José da Cruz às 20h39

Poder,dinheiro e drogas no esporte moderno

         Participei nesta terça-feira da gravação do Bola da Vez, na ESPN. O entrevistado foi o jornalista inglês, Andrew Jennings. Ancorado pelo companheiro Eduardo Monsanto, o programa irá ao ar no próximo sábado ‘as 21h.

        Jennings é o autor de cinco livros sobre a influência do “poder, dinheiro, corrupção e drogas no esporte moderno”. Tudo documentado.

        Seu mais recente lançamento é  Jogo Sujo, sobre os bastidores da Fifa,  com pesados respingos na dupla brasileira, João Havelange e seu pupilo Ricardo Teixeira.

        Quem desejar entender sobre a farra do futebol fora das quatro linhas,  Jogo Sujo é leitura obrigatória.

        Para  mim, porém, a obra prima sobre a imundice praticada em nome do esporte é  “Os Senhores dos Aneis”, o primeiro livro da série, que Andrew Jennings escreveu em 1992. Há 19 anos, portanto,  cinco ciclos olímpicos, duas décadas...  Continua com uma atualidade impressionante.

        O livro resume “o mundo oculto dos homens engravatados, dos homens que manipulam o esporte segundo seus próprios objetivos”. 

Diz mais, este inglês da reportagem investigativa: “Não se lucra com atletas convictos de que o importante  é apenas competir” -- justamente a filosofia que imperou no Brasil por muitos anos, agora com mudanças visíveis.

Em resumo, Os Senhores dos Aneis  é um mergulho no “clube”, que é, segundo Jennings, “uma das sociedades fechadas mais poderosas, lucrativas e secretas do mundo. Por intermédio do Clube, um punhado de presidentes nomeados comanda o esporte mundial.”

E por ter lido e relido este livro, que lamentavelmente está esgotado, é que analiso com outros olhos o escândalo em que mergulhou, literalmente, a natação brasileira.

Por José da Cruz às 00h38

05/07/2011

Brasília: a Copa da irresponsasbilidade

Deputados federais da Comissão de Turismo e Deporto da Câmara visitam hoje o estádio Mané Garrincha,em Brasília, na série de vistorias que fazem nas 12 cidades sedes da  Copa 2014.

Vão encontrar um canteiro de obras movimentadíssimo e concretos avançando no espaço da capital da República.

Porém, não peçam ao governador Agnelo Queiroz o planejamento da cidade para receber a Copa 2014, pois isso não existe.

Também não peçam o orçamento do estádio, em particular, ou de todos os investimentos da cidade para o megaevento, pois isso também não existe.

E vamos combinar: não perguntem se houve licitação para a obra! Por favor, não façam esta pergunta...

        Quem constata a realidade é o Tribunal de Contas do Distrito Federal, expondo toda a irresponsabilidade governamental, de ontem e de hoje, diante de um projeto de mais de R$ 1 bilhão de reais só para o Mané Garrincha.

        Desde 2009 o Tribunal tenta conhecer o que existe sobre o assunto. Já fez vários pedidos, mas as respostas são escassas.

Entre os documentos enviados estão as obrigações assumidas com a FIFA, cópias de minutas de termos aditivos. Porém, tudo sem assinatura, impossibilitando, portanto, a comprovação de sua autenticidade.

O último relatório do Tribunal sobre o assunto é de abril deste ano. E foi assim que o conselheiro relator, Renato Rainha se manifestou:

“A resposta do GDF ao solicitado foi com diversas lacunas e falta de precisão. Observa-se que inexiste planejamento estruturado por parte do Governo do Distrito Federal para realização e acompanhamento das ações relacionadas á Copa 2014”.

Mais: no conjunto de documentos encaminhados pelo Governo do Distrito Federal, não constam informações sobre a eventual necessidade de aplicação de recursos públicos em outras áreas, como na de turismo, com a capacitação de pessoal local para a recepção dos visitantes internacionais.

O relatório do Tribunal revela um amadorismo surpreendente do governo distrital. Diz assim:

“Não se tem informações das razões que levaram à adoção de todas as ações em conjunto, quais os resultados e metas esperados com a sua implementação, os benefícios à população, a real necessidade em função do evento.

Ausentes, também, informações sobre a necessidade de aplicação de recursos públicos em outras áreas, consoante já apontado por este Órgão Ministerial e informado pela Inspetoria.

A título de exemplo: está a rede hospitalar adequadamente preparada para receber o número de turistas que irá aportar em Brasília?

Não se tem resposta direta para esta questão, mas a realidade atual já demonstra que sequer há condições para o atendimento, ao menos razoável, da população, quanto mais para atender nova demanda com a Copa do Mundo.”

Em outras palavras, estão brincando de fazer Copa 2014 e isso é uma irresponsabilidade que, com certeza, levará ao desperdício de dinheiro, muito dinheiro público.

O Senhor Agnelo deve explicações sobre esta vergonhosa situação que aflige, inclusive, o Tribunal de Contas do Distrito Federal.

Por José da Cruz às 01h05

04/07/2011

Doping: as dúvidas que ficaram

Nos a últimos três dias, convivo com um dos mais debatidos textos que já publiquei, em quase dois anos de blog. César Cielo na ordem do dia.

Recorde de acessos, passando dos 40 mil, e de mensagens prós e contras.

Alguns leitores, patriotas ao extremo, me criticaram por ter “julgado” e “condenado” o campeão olímpico César Cielo.

Não escrevi isso. Por favor, voltem a ler ao texto.

Além do mais:

1.   Quem ENCONTROU a droga no exame de urina foram laboratoristas;

2.   Quem APLICOU a “advertência branda” foi a CBDA.

3.   Quem DIVULGOU tais fatos foi a própria CBDA e assessoria de César Cielo.

4.   Quem ADMITIU, finalmente, que usou medicamento “contaminado”  foi o próprio atleta, denunciado por sua Confederação.

Não sou laboratorista, cartola ou assessor de imprensa dos órgãos envolvidos.

Portanto, repercuti a  notícia e, isso sim, fui incisivo na crítica à medida diferenciada da CBDA para com um atleta campeão, contrastando com punições mais duras aplicadas em outras ocasiõoes.

Há poucos dias, Fabíola Molina pegou dois meses de gancho por uso de droga proibida. Por que não recebeu "advertência branda", como Cieloo e cia?

Dúvidas

                Dos questionamentos recebidos, selecionei os seguintes, para que se mantenha o debate sobre um tema, pois dizem respeito a todos os desportistas.

    Afinal, os atletas flagrados construíram e mantêm suas carreiras acom verbas públicas. Logo, devem, sim, explicações que convençam sobre suas isenções e lisuras nas competições.

  1. Por que atletas com o mesmo histórico de César Cielo e os outros nadadores flagrados não foram beneficiados pela “advertência branda”, mas suspensos das competições?
  2. Se a Furosemida é um diurético que mascara o uso de outras drogas e, por isso, considerado doping pela Wada, como pode a CBDA aplicar a pena menor?
  3. Como César Cielo e os demais nadadores chegaram à conclusão de que o “suplemento” consumido estava contaminado com a substância proibida?
  4. Como César Cielo e demais nadadores respondem à negativa da Farmácia de que teria se responsabilizado pelo erro na formulação da droga?
  5. Se a Farmácia confirmar que agiu de forma correta, como as drogas foram parar nos organismos dos nadadores?
  6. Como os médicos da CBDA garantem  que “não houve culpa nem negligência dos nadadores flagrados”, se um deles, Vinicius Waked é reincidente,  e chegou a ser suspenso por dois meses, como divulgou a imprensa?
  7. Por que um atleta top, campeão olímpico, consome cápsulas de farmácias de manipulação?
  8. Qual é a composição das cápsulas? A CBDA recebeu a fórmula?
  9. Qual a probabilidade de no mesmo dia e hora a droga dopante ter sido (supostamente) manipulada quando foram feitas as cápsulas de cafeina?
  10. A farmácia em questão não tem um registro de produção, tipo dia tal produzimos x x e x medicamentos, para que se possa confirmar a contaminação ou não? A CBDA avaliou tal documento antes de emitir a pena de advertência branda?

Por José da Cruz às 09h23

03/07/2011

Itamar Franco

 Mais que um presidente, um brasileiro digno

Por Lars Grael

Com profundo pesar pela passagem do Presidente, Governador e Senador Itamar Franco, faço uma análise pela minha ótica simplória.

Político ético e habilidoso, Itamar deixa marca indelével na redemocratização do Brasil.

Sua trajetória nem sempre foi compreendida por todos. Meu amigo (companheiro da minha mãe Ingrid), o jornalista Evandro Paranaguá era admirador e fervoroso defensor do último Presidente das Minas Gerais.

Itamar assumiu a Presidência numa das mais graves crises institucionais da República. Recuperou a dignidade do governo e do serviço público, e pôs fim ainda, ao fantasma da inflação, ao implantar com seu Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, o Plano Real que gerou a estabilidade e prosperidade econômica ao nosso país.

Em 2001, já como Governador de MG, Itamar tinha uma frágil relação com o Governo Federal. Neste momento, o então Ministério do Esporte e Turismo do ministro mineiro Carlos Melles, lançou no Palácio da Liberdade o Programa Esporte na Escola. Eu era o Secretário Nacional de Esportes e mentor do programa, mas apenas um coadjuvante numa cerimônia com o ex Presidente, senadores e deputados.

Cheguei tarde em Belo Horizonte oriundo de um vôo atrasado de Brasília. Para minha surpresa, o cerimonial avisou que o Governador Itamar não começaria a cerimônia sem minha presença. Levantou-se para me abraçar e disse num abraço afetivo: "...não começaria a cerimônia sem sua presença. Por minha admiração por você e pela minha amizade pelo Coronel Dickson" (meu pai).

Itamar quase caía no esquecimento quando Aécio Neves emprestou seu prestígio político em MG para trazer como dobrada de candidatura, o Presidente Itamar Franco de volta ao Senado Federal.

Já em sua doença desde maio, hipotequei minha solidariedade ao digno Senador do PPS. Dona Ruth Hargreaves respondeu-me quanto à felicidade dele ao ler minhas palavras e disse que ele precisaria do meu depoimento e exemplo na sua recuperação.

Hoje após o seu aniversário de 81 anos e 17 anos do Plano Real, Itamar Franco faleceu deixando um exemplo de dignidade, espírito patriótico e coerência democrática.

O Presidente mais bem sucedido, quando o Brasil mais precisou.

Mirem no seu exemplo.

Por José da Cruz às 21h00

02/07/2011

Fabricante nega ter assumido erro e estuda processar CBDA

Na EDIÇÃO DE ESPORTES DA

FOLHA DE S.PAULO , hoje

         A farmácia Anna Terra, de Santa Bárbara d'Oeste (SP), não só negou ter confirmado à CBDA que as cápsulas de cafeína consumidas por Cesar Cielo e os três nadadores pegos no antidoping estavam contaminadas como estuda processar a entidade.

         A empresa, que não teve o nome divulgado pela confederação, irá estudar se entra com uma ação legal pedindo a reparação de danos.
Segundo o consultor do ISO 9001 Reginaldo Lante, autorizado pela proprietária Ana Tereza Cósimo de Souza a falar em nome da farmácia, o relatório diz que "a contaminação cruzada por suspensão de partículas é uma excepcionalidade, mas que não pode ser descartada. Sendo assim, é impossível dizer se houve contaminação".
         A versão da farmácia contraria o discurso da diretora- -adjunta de doping da CBDA, que disse que a empresa assumiu a falha. Sandra Soldan afirmou também que a contaminação aconteceu por problemas de higiene -resquícios de furosemida, substância proibida presente nos exames, teriam entrado em contato com a cafeína.
         "As manipulações foram feitas em cabines separadas e isoladas. Os tabuleiros sempre são higienizados após o uso. E não usamos um tabuleiro para duas fórmulas no mesmo dia", disse Lante, para quem a contaminação só poderia ocorrer pelo ar.
         O representante da farmácia estranhou a informação de que o material foi enviado ao Ladetec, laboratório carioca credenciado pela Wada, que confirmou a contaminação. Segundo ele, a família de Cielo havia dito que não tinha mais cápsulas.
Após localizar a Anna Terra, a reportagem tentou contato com os participantes do painel da CBDA e com o atleta, mas não teve resposta de nenhum deles. (DB, ML E RR)

Por José da Cruz às 19h55

RESPOSTA DO ATLETA

Recebi  a mensagem abaixo, que, de direito, trago para o espaço do blog. Não publiquei mais cedo porque estava em viagem e somente agora retomo ao contato com as mensagens.

“Sobre notificação da CBDA a atletas da seleção brasileira:

Quero dar minha posição a respeito de uma notificação de um painel realizado nesta sexta-feira pela CBDA, no Rio de Janeiro, sobre a presença da substância Furosemida, encontrada em alguns atletas da seleção brasileira que disputaram o Troféu Maria Lenk, em maio.

Durante o painel, todos os dados foram levantados e comprovada a presença da substância por meio de contaminação cruzada durante a manipulação de um suplemento (excepcionalmente, isso pode ocorrer, mesmo que observadas normas e protocolos de manipulação sob orientação da Vigilância Sanitária).

Sempre fiz uso desse suplemento e nunca um controle feito anteriormente apresentou problema. Pela segurança que tenho na utilização desse suplemento, creio que este resultado tenha sido um fato isolado. Por causa dessa mesma confiança, outros atletas também fizeram uso do suplemento. Fato que nos ensina muito.

No dia 26 de abril, quatro dias antes de começar o Troféu Maria Lenk, recebi uma carta da Usada, órgão oficial antidoping dos Estados Unidos, me parabenizando pelos resultados dos testes antidoping realizados em Michigan, durante o Grand Prix. Em nenhum momento fui imprudente ou negligente ou usei de imperícia.

Não uso nenhum tipo de medicamento ou suplemento sem me certificar da segurança de sua utilização. Em qualquer lugar do mundo em que esteja, consulto sempre meu médico e meu pai, que é médico, sobre os componentes de todo medicamento ou suplemento antes de ingeri-los.

Sou extremamente cuidadoso com isso e tenho a consciência tranquila de que não fiz nada para melhorar artificialmente meu desempenho. Pelo respeito, pela confiança depositada em mim e consideração que tenho pelo brasileiros e a comunidade da natação e do esporte, estou esclarecendo a situação.

Cesar Cielo“

Por José da Cruz às 00h14

01/07/2011

Cielo, o "resultado analítico" e a farsa olímpica

            Dependendo do atleta, doping tem uma nomenclatura.

            Maurren Maggi, que se recuperou e ganhou ouro olímpico, foi flagrada no “doping”.

            César Cielo, que já é ouro olímpico, testou positivo para a droga Furosemida, mas o assunto é tratado como “resultado analítico adverso para substância”.

            Ninguém fala em "doping". Quanta hipocrisia...

            Rebeca Gusmão foi doping. Testado e comprovado.

             Daiane dos Santos foi doping.

            O time de velocistas que acabou com a Equipe Rede de Atletismo foi doping. Tudo confirmado, todos punidos.

            César Cielo, Nicholas Santos, Henrique Barbosa e Vinícius Waked, com potencial para pódio em Londres 2012, foram só ADVERTIDOS, “porque não foi identificada culpa ou negligência por parte dos mesmos”.

            Ok, a culpa foi do aparelho do laboratório. Só pode ser!

Assim como na política...

            Enfim, é muito abuso da legislação antidoping e dos senhores dos anéis olímpicos para testarem os limites de nossa inteligência.

            Mais ou menos como acontece na política, em que as leis, feitas por deputados e senadores, preservam as excelências de culpabilidade, garantem foro privilegiado, manobras para adiar processos, enfim. O caso do Mensalão é exemplar.

            Assim no esporte: atletas consagrados e com potencial para o próximo pódio também são poupados. A lei garante. Porque não foi identificada culpa ou negligência...

            E diante dessas evidências que nos assustam, quem garante que a droga foi essa mesma? Que não houve má fé no consumo seja lá o que for?

            E quem nos garante, também, que esses senhores, daqui e do Canadá, estão falando a verdade ou iludindo a opinião pública?

            Afinal, é preciso preservar, também, os negócios milionários da marca “Cielo”.

Em resumo:

            Decisões como estas, que afrontam a nossa capacidade de raciocínio, contribuem para aumentar a desmoralização da já suspeita competição olímpica.

            A farsa está aí, escancarada.

Por José da Cruz às 15h56

O atraso no esporte. Mas somos um país olímpico...

            De cada 10 professores que atuam no projeto Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, apenas dois têm formação em educação física.

        A revelação é do professor Ernani Contursi, presidente do Sindicato dos Professores de Educação Física do Rio de Janeiro, em audiência pública na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados.

        Com um discurso indignado, Ernani Contursi mostrou como a categoria está, há muito, sem prestígio, a ponto de um programa do governo entregar a orientação de atividade física de crianças a pessoas inexperientes, sem qualquer preparo.

        Contursi veio a Brasília para a reunião de deputados que tratou sobre a regulamentação da Lei Pelé, e protestou devido à ausência de representantes dos professores na comissão instituída pelo Ministério do Esporte para regulamentar o documento.

        Voltou para o Rio de Janeiro sem a garantia de que o Conselho Federal de Educação Física integrará a comissão.

        Os atletas também ficaram sem representatividade na mesma comissão. Já o futebol tem dois interlocutores, um cartola e um dirigente sindical. De fato, somos o país da bola...

Atraso

        A discussão revela atrasos. Enquanto se discute sobre estádios de custos bilionários, só agora regulamenta-se a lei maior do esporte, que é de 1998...

        Pior, pois o governo nada sabe sobre a conveniência de alunos da rede pública praticarem educação física na escola. O tema não é discutido de forma integrada entre os órgãos afins, Educação, Esporte e Saúde. Como não foi nos governos de FHC, Collor, Itamar... 

        Enquanto isso, as crianças ficam privadas de uma atividade que, reconhecidamente, contribui para a qualidade de vida, da saúde, a melhoria do rendimento escolar, o desenvolvimento do intelecto, a formação do caráter, etc.

        Nossas autoridades precisam ultrapassar a barreira da hipocrisia e admitir que o esporte em nível de governo trata, prioritariamente, do rendimento. Os professores de educação física, desprestigiados a partir dos salários -- piso de R$ 780,00, no Rio -- que o digam.

        Não há preocupação alguma fora o esporte de rendimento. Nem programas.

        Ao contrário, o que existe, o Segundo Tempo, é motivo de investigação policial, pois muitos enriqueceram desviando o dinheiro do objetivo principal.

        Mas somos um país olímpico!

        Agora vai.

Por José da Cruz às 23h08

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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