Blog do José Cruz

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29/06/2011

A preocupante Copa cabalística

        São de envergonhar as manifestações do ministro Valmir Campelo, do Tribunal de Contas da União, referindo-se ao Ministério do Esporte, que é o Comitê Gestor da Copa do Mundo.

        Selecionei três parágrafos do mais recente relatório sobre o assunto. Leiam com atenção e vejam se não é para preocupar:

Primeiro alerta

        Alertar o Ministério do Esporte que a Matriz de Responsabilidade encontra-se limitada às ações do primeiro ciclo e desatualizadas no que se refere a prazos e valores de diversas obras de mobilidade urbana, estádios, portos e aeroportos, o que prejudica a sua utilização como instrumento  de planejamento e controle das ações preparatórias para a Copa do Mundo de 2014...”

Segundo alerta

        Extrai-se daí que o Ministério do Esporte não possui mecanismos de acompanhamento que permitam a coordenação e consolidação de todas as ações do Governo Brasileiro. Constata-se a existência de ações sendo realizadas por outros órgãos e entidades do Governo Federal sem o devido monitoramento do órgão coordenador do Comitê Geral da Copa (que é o Ministério do Esporte).

Terceiro alerta

        Além disso, não obstante ter sido informado que o Sistema de Monitoramento da Copa encontra-se em funcionamento desde maio de 2010, é possível afirmar que o sistema ainda não cumpre a finalidade almejada”.

        Que tal?

        Pois mesmo tendo um órgão com este perfil, de desempenho altamente duvidoso e comprometedor, o ministro Orlando Silva atreve-se a afirmar que o estudo do consultor legislativo do Senado, Alexandre Guimarães, aqui publicado, tem números “cabalísticos e sem fundamento”.

Resposta

        Para não deixar dúvidas, Alexandre Guimarães reapresentou hoje mesmo os valores que divulgou, com fundamentação valiosa: a fonte das informações obtidas para o seu estudo são todas oficiais.

        Portanto, sem fundamento é a opinião do ministro.

        Político com discurso afinado de acordo com as circunstâncias e conveniências, não se pode esperar muito de Orlando Silva, diante de fatos reais.

        Logo ele, contestar o estudo de quem trabalha sistematicamente no assunto e faz disso um controle diuturno para não se perder nas contas malucas do governo?

Confrontação de fatos

        Para quem tiver dúvidas sobre a realidade dos fatos, que confronte o estudo de Alexandre, reconhecidamente um profissional experiente e rigoroso nas suas análises, com o desempenho do ministro, principal gestor da Copa do Mundo.

        A avaliação não é minha, mas do Tribunal de Contas da União. Logo...        

Por José da Cruz às 21h52

Copa 2014: querem nos enlouquecer!

            O companheiro Vinícius Segalla é o autor da matéria manchete do UOL Esporte desta manhã:

            “Copa do Brasil custa mais caro que as três últimas edições somadas”. O texto completo está neste link.

            Vinícius repercutiu o ótimo estudo realizado pelo também jornalista Alexandre Guimarães, consultor Legislativo do Sendo Federal, que analisou números oficiais das copas do mundo do Japão/Coréia, Alemanha e África do Sul.

            No país do futebol, em que todos são técnicos e especialistas em estratégias para derrotar o próximo adversário, o torcedor-contribuinte transforma-se, de repente, no analista das contas públicas para as obras da Copa 2014.

            Isto é ótimo, pois envolve justamente quem está intimamente ligado às monumentais obras nas 12 capitais, o contribuinte pagador de impostos.

As dúvidas do TCU

            Indicado para ser o país sede em 2007, o Brasil esportivo continua com foco em três assuntos: estádios de futebol, aeroportos e mobilidade urbana. Porém, há muito mais com o que se preocupar, como a falta de planejamento nestes quatro anos que se passaram.

            E, afinal, como estão as demais frentes, os chamados “ciclos de planejamento”, como segurança, infraestrutura turística, tecnologia da informação, sustentabilidade ambiental, saúde, energia, telecomunicações? Onde obter dados atualizados se seus projetos nem constam da matriz de responsabilidade?

            Curiosidade de repórter? Nada disso!

 Quem questiona é o Tribunal de Contas da União (TCU), em seu relatório de monitoramento nº TC 023.291/2010-9, aprovado há pouco em plenário.

            Há duas semanas estive no aeroporto de Viracopos, Campinas. A conexão durou cerca de 2 horas. Neste tempo tentei acessar meu “laptóptero”. Em vão. Conversei com outros passageiros que passavam pela mesma angustia – sim, hoje em dia já nos angustiamos quando ficamos muito tempo longe da informação. E Viracopos é aeroporto auxiliar de Guarulhos!

            Enfim, é um momento preocupante, a três anos do megaevento. Que se torna mais grave quando lemos, por exemplo, as conclusões dos senhores ministros do TCU, referentes à ausência desses ciclos da Matriz de Responsabilidade – o documento que centraliza os projetos e define responsabilidades, de execução financeira, inclusive:

            “Sem o prévio estabelecimento das ações na Matriz é possível que diversas ações não previstas antecipadamente venham a ser definidas com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 de forma a elevar demasiadamente os custos anteriormente planejados”.

            Não é o replay do Pan 2007? Que tal?

            Ainda bem que hoje é quarta-feira, noite de futebol .... Todos às arquibancadas para gritar:  

“Querem nos enlouquecer!!!” 

Por José da Cruz às 11h13

28/06/2011

Arena gremista, o exemplo que não pegou

Por Wianey Carlet

Da Zero Hora

http://wp.clicrbs.com.br/wianeycarlet 

 

                        A pergunta que ninguém responde, pelo contrário, faz questão de ignorar, é esta:

Por que a arena do Grêmio, padrão FIFA, não custará mais do que R$ 400 milhões e todos os estádios que estão sendo erguidos para a Copa do Mundo custarão, no mínimo, o dobro, cada um?

Aliás, nem é preciso responder o que todo o mundo já sabe. Na arena do Grêmio, não entra dinheiro público.

É uma iniciativa privada. É uma realidade nauseante, mas que passa batida porque o povo brasileiro está anestesiado.

Faleceu qualquer vestígio de espírito crítico. Deixamo-nos roubar sem reagir. Como bois que seguem, cabeça baixa, pelo brete rumo a martelada fatal.

Triste, muito triste.

Por José da Cruz às 20h09

Lei Pelé e RDC movimentarão o Congresso, amanhã

            O ministro do Esporte, Orlando Silva, tem dois compromissos no Congresso Nacional, amanhã. Na Câmara e no Senado. Ambos no mesmo horário, às 14h30.

            Deve faltar a um deles. Ou se desculpa e não vai a nenhum. Manda representante e resolve.

Lei Pelé

            Na Câmara o debate é sobre a Comissão de Regulamentação da Lei Pelé (nº 9.615/98), que ficou sem representante da área de educação física.

            O Conselho Federal (Confef) mobilizou-se e conseguiu uma audiência pública para debater sobre o assunto e tentar recuperar a grave falha do Ministério do Esporte.

            Já os atletas também estão sem representantes na comissão, cujos trabalhos se encerram no próximo dia 6. Sem liderança, eles não conseguem se mobilizar. Nem fazem questão. Preferem o silêncio, mesmo sendo maioria no sistema nacional de esporte.

Licitações

            No Senado, a audiência pública na Comissão de Serviço e Infraestrutura será sobre a nova regra para licitações, a polêmica RDC. O Tribunal de Contas da União também foi convidado, mas ainda não se sabe quem será o representante.

Debate suspenso

            A propósito, a RDC seria debatida hoje na Comissão Mista de Orçamento.

            Porém, o presidente da Comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), cancelou o debate, porque somente o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) enviou representante.

            Infraero, Autoridade Pública Olímpica e Sindicato da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) não se manifestaram. Deixaram o senador falando sozinho. Lamentável.

Por José da Cruz às 17h37

Bolsa Atleta recebe reforço de R$ 8 milhões

            O Ministério do Esporte não tem mais motivos para atrasar o pagamento da Bolsa Atleta dos competidores das modalidades não olímpicas.

            O governo federal aprovou o reforço de R$ 8 milhões, a tal de “suplementação orçamentária”. Está no Diário Oficial desta segunda-feira.

            A grana atenderá, principalmente, aos bolsistas das modalidades como caratê e patinação, entre outras, que irão aos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro.

Cancelamento

            Na prática, os R$ 8 milhões foram remanejados de três projetos do próprio Ministério do Esporte:  “Implementação e Modernização de Centros Científicos e tecnológicos” abriu mão de R$ 5,4 milhões;  outros R$ 2 milhões vieram do “Funcionamento de Núcleos de Categorias de Base do Esporte de Alto Rendimento”. Finalmente, a “promoção e participação em competições internacionais” perderam R$ 600 mil.

Orçamento

            O Ministério do Esporte tinha R$ 40 milhões no orçamento para gastar com a Bolsa Atleta, este ano.

            Desse total, aplicou R$ 24 milhões, até maio. Restavam apenas R$ 16 milhões para chegar a dezembro.  Muito pouco. 

            Com orçamento turbinado, serão R$ 24 milhões para o segundo semestre. Acredito que, até o final do ano, será preciso novo reforço. É outra história. Ou novela.

            Mas, enfim, mesmo com atraso de seis meses, agora vai?

Por José da Cruz às 00h19

27/06/2011

Copa 2014: TCU alerta Palácio do Planalto sobre gravidade na gestão governamental

 Ao contrário do que tem discursado nos últimos dias, tentando desmentir a imprensa depois da repercussão negativa de uma entrevista do ministro do Esporte, Orlando Silva, o governo federal, cogitou, de fato, esconder informações de gastos da Copa do Mundo de 2014. A proposta foi citada no relatório de monitoramento do Tribunal de Contas da União (TCU), aprovado no último dia 15 de junho, pelo Plenário da Casa.

“Conforme o próprio Ministério do Esporte ressaltou à fl 164, a Matriz de Responsabilidades é um instrumento que, entre outros, possui o objetivo de permitir a transparência das ações governamentais. Nesse sentido causa estranheza a afirmação de que algumas ações seriam incluídas nesse instrumento de acordo com a conveniência do Poder Executivo enquanto outras ações sequer seriam incluídas. A transparência do processo restaria comprometida”.

O documento, encaminhado ao Palácio do Planalto, Ministério Público e Congresso Nacional, é mais um puxão de orelhas, acompanhado de um alerta sobre a gravidade das operações para a Copa 2014.

Segundo o Tribunal, o planejamento do primeiro ciclo foi estabelecido, apesar de indefinições para os estádios de São Paulo e Natal. Mas o mesmo não ocorre com o segundo e o terceiro ciclos e, mais uma vez, o Ministério do Esporte não esclarece os motivos.

Até aqui, estádios, aeroportos e mobilidade urbana dominam o noticiário e debates nacionais. Porém, as áreas de segurança, infraestrutura turística, sustentabilidade ambiental, saúde, energia, telecomunicações e plano de promoção do país ainda nem sequer foram incluídas na matriz de responsabilidade.           

A reportagem e o relatório do TCU estão aqui.

Por José da Cruz às 16h06

26/06/2011

Cala a boca, deputado!

            O Partido da República explorou a imagem do deputado Tiririca, na propaganda política, neste fim de semana.

            Apresentou-se vestido como se fosse para uma apresentação de circo.

            Lá pelas tantas, disse a excelência que, em Brasília, não trabalha com roupa de palhaço.

            E completou, irônico, como se debochasse do eleitor telespectador:

            Lá o negócio é sério”...

            Deputado de primeiro mandato demora muito – alguns nem conseguem – entender onde está trabalhando.    

            Agora vai!

Por José da Cruz às 18h18

Começou o Campeonato

Depois do Engenhão, também o São Paulo ficou sem energia.

            Agora sim, começou o campeonato

            Parabéns, Corintianos.

ATUALIZAÇÃO

São 22h e vou atualizar este post, pois tem muito torcedor que não entendeu a ironia.

        Se o São Paulo tivesse vencido, somaria 18 pontos, dispararia, contra 10 do Corinthians.

        Perdeu, ficou com 15 e o Corinthians enconstou, está a dois pontos do líder.

        Botafogo, Palmeias e Vasco, com 11 pontos, estão apenas quatro pontos do lider Tricolor.

       Portanto, começou o campeonato da emoção e não da desmotivação, de um time só, de uma torcida só, da disparada.   

Por José da Cruz às 18h06

Jogos Olímpicos: entrevista de Ben Johnson revela que a farsa continua

            “Vocês não sabem nada do que ocorreu naquele dia”, disse o ex-velocista Ben Johnson ao Esporte Espetacular, referindo-se ao escândalo do doping que lhe tirou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul, 1988 (100 metros).

            E continuaremos sem saber...

            Foi muito barulho da Rede Globo nas chamadas para o programa e pouca revelação, nesta entrevista com Ben Johnson.

            A única  novidade é suspeita: o velocista teria sido “sabotado” na hora de colher a urina para exame, por um assessor direto de seu principal adversário, Carl Lewis, dos Estados Unidos. Johnson suspeita que colocaram a droga nas garafas de cerveja que consumiu antes do exame.

            Como se sabe, Carl Lewis herdou a medalha de ouro de Johnson. Mas confessou, mais tarde, que também se dopava.

            Porém, nunca devolveu seus 10 troféus de velocista, porque o próprio comitê dos Estados Unidos escondeu a fraude, o que torna ilusório os resultados, a história e a festa do olimpismo mundial.

            “Doping era regra entre os velocistas”, reforçou Bem Johnson.

            Era?

Estranho

            O estranho é que a complementar a reportagem a Globo não etrevistou um dos principais personagens daquela prova em Seul, o brasileiro Robson Caetano, que estava na pista do Estádio Olímpico. Só porque Robson não é mais comentarista da emissora perdeu o espaço até em momentos jornalísticos como este?

            Robson terminou a prova em sexto lugar e, com a reclassificação, acabou com o quinto tempo.         

            Enfim, uma entrevista boba que não esclarece nem acrescenta nada à história do esporte.

            Como diz o inglês Andrew Jennings em seu livro “Os Senhores dos Aneis  – Poder, Dinheiro e Drogas nas Olimpíadas Modernas”:

             “O clube é uma das sociedades mais poderosas, lucrativas e secretas do mundo”.

            E os sócios do clube são os senhores dos anéis olímpicos. Pura farsa.

Por José da Cruz às 13h23

25/06/2011

O basquete brasileiro rumo a 2016

 

Do blog Giro no Aro

Por Guilherme Tadeu de Paula e Alfredo Lauria

Enquanto isso, dentro das quatro linhas...           

            Sabe o que aconteceu de mais relevante nas últimas semanas no basquete brasileiro? A convocação da seleção brasileira adulta? A interminável discussão sobre a naturalização  de Larry Taylor?  

            Nada disso. Infelizmente, o que tem ocorrido é uma triste sequência de derrotas para a Argentina em todas as categorias de base na temporada 2011. 

            Começou com a seleção Sub15, que perdeu na final do Campeonato Sul-Americano por 77 x 70 

            Em seguida, a derrota mais grave, na Copa América Sub16 (85 x 77), tirando do Brasil a chance de disputar o Mundial Sub17. Não chega a surpreender, já que essa geração já havia sido derrotada pelos argentinos na final do Sul-Americano Sub15 de 2010, por 71 x 65. Para piorar, a Argentina classificou-se para o Mundial e está revelando pelo menos dois craques nessa turma: Gabriel Deck e Lucio Reinaudi.

            Por fim, uma derrota ontem da seleção Sub17 em torneio preparatório para o Sul-Americano da categoria: 64 x 59. 

            Vale repetir: não adianta ter um super centro de treinamento, como o de São Sebastião do Paraíso, se não houver um plano de massificação da modalidade no país.

            Apesar de contar com uma população cinco vezes menor do que a nossa, a Argentina consegue trabalhar com uma quantidade de garotos bem maior do que a nossa, e o resultado é o que estamos vendo.

Com licença dos autores

           Hoje, a Seleção Brasileira sub-19 masculina derrotou a Argentina pela segunda partida do Global Games da Lituânia, por 77 a 71.

           Na sexta-feira,pela mesma competição, os brasileiros perderam para a Austrália, 88 a 64.

Por José da Cruz às 18h12

Copa 2014: o controle social das ações do governo

             Palavras do ministro do Esporte, Orlando Silva:

            Mas o governo é pago para governar. Governo deve fazer as escolhas adequadas ao seu entendimento e a sociedade julga se as escolhas foram corretas ou não e avalia nos processos eleitorais...”

            Esta é uma das respostas aos jornalistas Edna Simão, Leandro Colon e Rui Nogueira, em O Estado de S.Paulo, deste sábado, sobre  a preparação do país para a Copa 2016.

            Aproveito a mensagem que recebi do companheiro Walter Guimarães para responder ao ministro.

            Me desculpe Senhor Ministro, mas ninguém escolheu o PCdoB para cuidar do Esporte brasilieiro. Além disso, o controle social não é feito de quatro em quatro anos. Basta ver a reação de entidades civis para perceber que a escolha do sigilo no processo licitatório não é a "escolha adequada".

            Sugiro que leiam a entrevista.

           Enquanto isso,  leio um relatório oficial de controle das obas da Copa,  para aqui publicar,  contradizendo o discurso ministerial e mostrando que estamos num atraso preocupante para o megaevento.

Por José da Cruz às 12h05

24/06/2011

Copa 2014: orçamento dos estádios triplicou em quatro anos

As previsões se confirmam: os valores das reformas e construções de estádios para a Copa 2014, divulgados na candidatura brasileira, em 2007, saltaram de R$ 2,1 bilhões para mais de R$ 7 bilhões, a três anos do megaevento.

A divulgação desses valores é oportuna porque nos reporta aos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, em 2007, quando se registraram gastos totais de R$ 3,4 bilhões, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU). O orçamento original para preparar o evento era em torno de R$ 450 milhões.

A evolução orçamentária para a Copa 2014 chama a atenção de um estudioso sobre o assunto, o consultor legislativo do Senado Federal, Alexandre Sidnei Guimarães, que redigiu um importante documento para a história do esporte em geral e da economia da Copa do Mundo no Brasil, em particular.

Especialista nas áreas de Esporte e Turismo, Alexandre também acompanha os deputados da Comissão de Esporte, na visita às cidades sedes para 2014. Até agora, cinco já foram visitadas: Manaus, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba.

A entrevista com Alexandre e o texto que ele produziu sobre este assunto está no site do Contas Abertas. Confira.

Por José da Cruz às 15h29

A propósito de hackers

               NA FOLHA DE S.PAULO, hoje

   

Por José da Cruz às 12h57

Agressões no país da Copa

            A euforia pelo tricampeonato das Américas, conquistado pelo Santos , ofuscou um fato gravíssimo para um país sede de Copa do Mundo.

            A televisão mostrou o quebra pau entre jogadores, ao final do jogo com o Peñarol. E transmitiu a idéia de que era mais uma reação uruguaia. Não era.

            O responsável pelo entrevero foi o torcedor Eric Delbosque, de 18 anos, segundo o site “Santos Total”.

            O invasor é filho do delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Especializada de Atendimento ao Turista.

            Ou seja, enquanto o Ministério do Esporte gasta milhões para cadastrar torcedores, justamente para evitar cenas assim, gente íntima de delegados de polícia invadem campos de uma final de Libertadores para provocar adversários.

E é assim que nos preparamos, nos bastidores, para a Copa 2014.

Quantos torcedores, filhos ou parentes de autoridades terão acesso ao campo de jogo?

Por José da Cruz às 10h51

23/06/2011

Hackers invadem dados confidenciais do Bolsa Atleta

            Um dos mais importantes programas do Ministério do Esporte, o Bolsa Atleta, está sob suspeita depois da invasão de hackers aos computadores do órgão, nesta quinta-feira, quando foram acessadas fichas de atletas beneficiados.

            A assessoria do ministério afirmou que não houve nada de grave, apenas acessos “periféricos”. E tirou a página do ar, informando que está “em manutenção” (www.esporte.gov.br).

            Não é verdade. Foi uma invasão de gravidade, cuja autoria foi assumida pelo grupo de hackers denominado LulzSecBrasil.

            Dentre as informações do ministério tornadas públicas estão logins e senhas para a área restrita do site.

            “O grupo de hackers denominado LulzSecBrazil afirma no microblog Twitter ter copiado dados protegidos no site do ministério, mostrando supostas diferenças entre contribuições e recebimentos de dinheiro do governo federal em Estados que sediarão jogos da Copa do Mundo, em 2014”, informam os companheiros da Folha e Globo.com

            A seguir, um dos arquivos do Ministério do Esporte divulgado pelo grupo, cujos detalhes retirei:

EMAIL -> [neila*****@uft.edu.br]
LOGIN -> [*****611172]
NOME -> [Barb******]
SENHA -> [******]
EMAIL -> [fcoeri*****@hotmail.com]
LOGIN -> [02C******10]
NOME -> [Liga Despor*****]
SENHA -> [******]
EMAIL -> [tiradentese****@hotmail.com]
LOGIN -> [02GO07***010]
NOME -> [FEDERACAO GOIANIA DE GOLZINHO]
SENHA -> [******]
EMAIL -> [leandro*****@hotmail.com]
LOGIN -> [004***598]
NOME -> [Leandro *****]
SENHA -> [*******]

A FICHA DE UM DOS CONTEMPLADOS DIVULGADA,

CUJOS DADOS, CONFIDENCIAIS, RETIREI

Por José da Cruz às 20h24

Reforma do Maracanã sob suspeita do Tribunal de Contas do Estado do RJ

Jornal O Globo, hoje

        Uma inspeção do Tribunal de Contas do Estado (TCE) nas obras de reforma e ampliação do Maracanã - que são feitas pelo Consórcio Rio 2014, do qual a Delta Construções faz parte - mostra que o governo estadual pagou cerca R$ 8,7 milhões por projetos executivos que apresentam falhas, não foram aprovados ou sequer saíram do papel.

       O documento, ao qual O GLOBO teve acesso, revela ainda outras irregularidades, como o desembolso de R$ 226 mil acima do previsto no edital de licitação para o trabalho de transporte das cadeiras do estádio.

            Leia a notícia aqui

Por José da Cruz às 19h46

O jogo dos poderes e a pressão palaciana

            Conversei com a senadora Lúcia Vânia, do PSDB de Goiás, sobre a votação do projeto que está na Câmara e vai ao Senado tratando do Regime Diferenciado de Contratações, o famoso RDC, para dar rapidez às obras da Copa do Mundo.

            A íntegra da entrevista está publicada no site do Contas Abertas.

            Presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, Lúcia Vânia questiona, prioritariamente, a forma como o Palácio do Planalto trata o Legislativo, com grande número de medidas provisórias , pouco diálogo e usando a força da base de apoio para aprovar o que bem entende.

            O protesto faz sentido principalmente para que Câmara e Senado tenham o que lhes é de direito e deles se espera: independência. Não temos isso, há décadas.

            Porém, é oportuno lembrar que esta forma de governar não é prática exclusiva do PT, dos governos Lula ou Dilma. Aliás, o PT chegou ao poder com o discurso de que isso mudaria...

            O PSDB de Fernando Henrique Cardoso também tinha maioria no Congresso, como Sarney, Itamar... Collor peitou os parlamentares. Deu no que deu.

            Da mesma forma, FHC abusou de medidas provisórias. Editou 365. Foram 319 na era Lula. E já somam 14 de Dilma, em seis meses, mais de duas por mês, em média.

            Portanto, a senadora terá que aplicar sua experiência Legislativa para incentivar o diálogo com a oposição e tentar reformar o que for possível nas propostas do governo, entre elas o tal de RDC.

            É a regra do jogo, diálogo e negociação, antes do voto. Porque, um dia, os tucanos foram governo, quando os petistas faziam as mesmas reclamações de abusos do poder palaciano.

            É o jogo dos poderes da República, e o esporte entra aí e fica na dependência das decisões políticas.

Por José da Cruz às 12h47

Santos x Peñarol: do Spica ao celular

Por Sérgio Siqueira

E lá fui eu, de Spica colado na orelha, acompanhar no meu rádio portátil transistorizado o jogo final da Libertadores entre Santos e Peñarol.

Só escutei que os brasileiros tinham trucidado os uruguaios e ficado com a taça - quase tão importante quanto aquela de 1958, quando eles calaram o Maracanã.

Joguei o Spica para o ar e saí vibrando quando o speaker da Rádio Mundial narrou aos brados retumbantes: - Santos 3 x 0! Dois gols de Pelé! Brasil campeão da Libertadores!

Segundos depois, o torcedor ao lado, me devolvia o radinho portátil, que era o it da moda, já que naquele ano dourado de 1962 torcedor não jogava radinho na cabeça dos treinadores e ninguém tomava o que era dos outros assim na cara dura, na mão grande, cercado de tanta gente.

Ontem vi no telão do estádio e no meu celular, o Santos repetir com Ganso, Neymar e uma gurizada medonha, o feito de Pelé e seus Mengálvios.

O Santos meteu três gols jogando contra o mesmo Peñarol que mostrou a mesma disposição para bater, bater, até levar. Levou do Santos e da torcida ensandecida. Mas o placar foi mais apertado: 2 x 1. É que dois foram a favor e um foi contra. Mas foi só o Santos quem marcou. Pura arteirice da molecada santista.

O efeito, no entanto foi o mesmo. Pelé vibrando, como se fosse ainda 1962. E com um paletó vermelho-Santander que ofuscou a chave da Toyota que foi parar nas mãos de Muricy.

Nas imagens os brados retumbantes: - Santos campeão! Brasil campeão da Libertadores! Não joguei meu celular para o alto. Ninguém o devolveria.

Sérgio Siqueira é jornalista e pilota o excelente blog Sanatório da Notícia

http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/

 

Por José da Cruz às 12h18

SANTOS TRICAMPEÃO

PARABÉNS AOS QUE ESCREVEM

A HISTÓRIA DE UMA NOVA GERAÇÃO

DO NOSSO FUTEBOL

 

Por José da Cruz às 00h08

22/06/2011

RIO-2016 – Dilma indica ex-ministro das Cidades para a APO

Nome de Márcio Fortes será levado ao Senado  

Na Folha de S.Paulo

O ex-ministro das Cidades Márcio Fortes, ligado ao PP, aceitou o convite da presidente Dilma Rousseff para comandar a APO (Autoridade Pública Olímpica).

Ele estará subordinado a um conselho formado pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (representante da União), pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e pelo prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes. Meirelles foi nomeado como representante da União na última sexta.

Dilma já assinou a mensagem a ser enviada ao Senado, que deverá sabatinar o ex- -ministro das Cidades.

"O combinado foi que o Meirelles fica num cargo superior, como o representante da Dilma. Existe um conselho, que vai aprovar assuntos de maior importância, como orçamento e projetos. E, como numa empresa, tem o CEO, que faz o dia a dia e executa o que o conselho elabora", explicou o ex-ministro.

De acordo com Fortes, o prazo para a Olimpíada de 2016 não pode fazer o governo "ficar tranquilo" e se preocupar apenas com a Copa, que acontece em 2014.

"Não podemos confundir a Copa com a Olimpíada. Mas temos que trabalhar porque existe um limite de tempo".

O ex-ministro declarou ainda que está inteirado das obras, por conta da experiência que adquiriu no comando do Ministério das Cidades.

"A gente fala muito de obra, mas é preciso lembrar que Olimpíada é também competir para ganhar medalhas", afirmou Fortes.

Por José da Cruz às 10h13

21/06/2011

Copa 2014: qual a eficácia da fiscalização dos deputados?

          Quais as contribuições das vistorias parlamenares às sedes do Mundial, para que se tenha transparência nos gastos públicos?

Que ações são efetivamente desenvolvidas para evitar corrupção nos gastos com os gigantes de concreto?

Seguinte:

        No dia 6 de junho, 11 deputados de vários estados e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) visitaram os projetos de Belo Horizonte. Convidado especial, o ministro Valmir Campelo, do Tribunal de Contas da União.

Depois de reunião na Assembléia Legislativa e almoço com o governador tucano, Antônio Anastasia, o grupo caminhou no canteiro de obras do Mineirão e visitou o aeroporto de Confins.

Resumo

        “O deputado Valadares Filho confirmou a eficiência dos mineiros e considerou Belo Horizonte como parâmetro para as demais capitais que sediarão a Copa do Mundo”, diz o boletim oficial.

 “Estamos tranqüilos em relação a Belo Horizonte e parabenizo a organização por envolver todo o Estado no evento”.

Atenção

Já o presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, Jonas Donizette (PSB-SP), disse que a capital mineira mostrou-se a mais organizada e apresentou o cronograma de obras mais adiantado das quatro sedes – Manaus, Porto Alegre, Curitiba e Recife – visitadas até agora.

Bomba!

        Depois dos abraços, sorrisos, elogios e fotos para a posterioridade todos voltaram às suas rotinas.

        Em seguida, a bomba estourou.

Greve dos operários que trabalham no Mineirão.

Paralelamente, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais divulgou que “o volume de recursos aplicados na obras do estádio Mineirão tem indícios de irregularidades na ordem de R$ 29 milhões”.

Mais:

Ausência de licitação pública, pagamentos por serviços não executados, desvio de objeto do contrato e superfaturamento são irregularidades constatadas pelos auditores do estado mineiro.

Estão lembrados? Publiquei aqui a reportagem de Ezequiel Fagundes, do jornal Hoje em Dia.

Futebolisticamente falando, parlamentares e um ministro do TCU tomaram gol contra. Com o deputado-artilheiro, Romário, em campo.

Por José da Cruz às 18h43

Medalhista olímpico, Claudinei Quirino, filia-se ao PCdoB

        O PCdoB continua agregando nomes famosos aos seus quadros, de olho nas eleições municipais de 2012.

        Semana passada, por exemplo, o ministro do Esporte, Orlando Silva, deu um tempo nos seus inúmeros afazeres na Esplanada dos Ministérios e como líder das obras para a Copa 2014 para fazer, também, política.

        Orlando foi padrinho da filiação partidária do velocista Claudinei Quirino, que fechou o quarteto medalha de prata no revezamento 4x100m, nos  Jogos de Sydney.

        Claudinei está há muitos anos ligado a Prudente e, apesar de ser um homem simples, é bem articulado e carrega a fama de um medalhista olímpico. Sua trajetória esportiva tornou-se referência para as crianças, principalmente.

       

        Por tudo isso, é nome fortíssimo para concorrer ao cargo de prefeito, em 2012.

        Na mesma ocasião, outros dois desportistas ligados ao Projeto Talento Olímpico se filiaram ao PCdoB: Wilson Luces Fortes Machado e Jefferson Ferreira Lima.         

Por José da Cruz às 00h55

E a malandragem?

Na revista Veja, desta semana

J. R. GUZZO
        O Brasil vem se tornando, nos últimos anos, uma espécie de paraíso mundial da tapeação. O grande responsável por mais essa realização nacional é o governo, ou quem manda no governo, com o desenvolvimento de técnicas cada vez mais avançadas e eficientes para convencer a opinião pública de que coisas que todo mundo está vendo não existem - ou que existem coisas que ninguém consegue ver. Isso ajuda, e muito, todas as vezes que aparece uma história feia, que o governo quer esconder, ou quando ele decide fabricar uma história bonita, para mostrar méritos que não tem. Quase sempre a plateia acredita na mágica, bate palmas e diz, nas pesquisas de popularidade, que o governo é ótimo - ou, então, não mostra maior interesse no assunto, nem nas fábulas que a propaganda oficial está lhe contando. Não acredita nem desacredita; apenas não liga. O resultado é que o Brasil, hoje em dia, se transformou num dos países onde é mais fácil para o governo passar qualquer tipo de conto do vigário no público em geral.

        E a célebre "malandragem brasileira", onde foi parar? O brasileiro, segundo rezam as nossas lendas, mitos e folclore, gosta de se imaginar no papel do sujeito esperto. (O locutor esportivo Galvão Bueno, homem de reconhecida competência em identificar com exatidão o que o público gosta de ouvir, diz que todo jogador da Seleção Brasileira de Futebol, do goleiro ao ponta-esquerda, é "malandro", sobretudo quando o Brasil está ganhando; é um dos seus maiores elogios.) Mas, se o brasileiro é tão esperto assim, por que está sempre no papel do otário em todo relacionamento que tem com o governo? Por que o ex-presidente da República, por exemplo, tem certeza de que vão acreditar nele quando diz que o mensalão, um dos casos de corrupção mais bem comprovados da história brasileira, simplesmente não existiu? Deveria acontecer o contrário, justamente: o povão, com todo o seu jogo de cintura, não se deixaria enganar por uma conversa dessas. A explicação para o fenômeno pode ter sido sugerida da trinta anos atrás, talvez, pelo samba Homenagem ao Malandro, de Chico Buarque de Holanda. O compositor nos conta, ali, que quis fazer uma homenagem "à nata da malandragem"; foi então à Lapa, mas perdeu a viagem, porque descobriu que "aquela tal malandragem não existe mais". A triste verdade, diz a canção, é que o malandro, agora, é um pobre coitado que "trabalha, mora lá longe e chacoalha num trem da Central". Em compensação, esclarece o compositor, "já não é normal o que dá de malandro regular, profissional, malandro com aparato de malandro oficial". Este aí, sim, conclui o samba: "Nunca se dá mal". Os malandros trocaram de lugar, então? Deve ser isso.
       

        O fato é que vão se multiplicando em ritmo cada vez mais rápido, e com audácia cada vez maior, as histórias milagrosas para explicar todo tipo de coisa que não tem explicação. O clima, no fim, acaba ficando cômico. Uma das demonstrações mais recentes disso foi dada pelo ex-presidente Lula - um dos catedráticos na matéria, sem dúvida. Na sua atual carreira de palestrante para grandes empresas, que a cada negócio fechado o faz subir mais um degrau no mundo dos milionários brasileiros, Lula fez uma conferência para a Tetra Pak, multinacional do ramo de embalagens; recebeu, pelas informações disponíveis, 200000 reais. Não se trata, Deus nos livre, de "consultoria" do tipo que acaba de levar o ex-ministro Antonio Palocci à sua segunda ruína; é só palestra, certo? Mas acabou surgindo, nesse caso da Tetra Pak, uma questão enjoada: a empresa pediu ao ex-presidente que conseguisse uma redução de impostos para as embalagens de leite, e ele se comprometeu a tratar do assunto "com o companheiro Mantega". Estaria certa uma coisa dessas - um ex-presidente receber dinheiro de uma empresa e advogar para que ela pague menos imposto? Perguntado, Lula disse que estava batalhando para "levar leite de qualidade para a casa das pessoas". Ou seja, ele pede a todos que acreditem no seguinte: seu real interesse não foi receber os 200000 da Tetra Pak, nem atender ao pedido da empresa; o que realmente queria era ajudar o povo a comprar leite. Qual é o problema? Alguém aí vai duvidar?

        Palocci, como se sabe, caiu pelo conjunto da obra, mas um dos seus piores momentos foi meter-se numa história de devolução de impostos para uma construtora. Deve haver alguma diferença com o caso da Tetra Pak, claro. Qualquer hora dessas talvez nos digam qual é.

Por José da Cruz às 00h26

20/06/2011

Governo ainda paga faturas do Pan 2007

O UOL esporte lançou página específica sobre os Jogos Pan Americanos, de 14 a 30 de outubro, em Guadalajara, México.

Contribui com o espaço apresentando um balanço resumido sobre o Pan 2007, no Rio de Janeiro.

Ainda hoje, quatro anos depois, o governo tem uma fatura de R$ 36 milhões para saldar.

Confira aqui o artigo e a nova página do UOL Esporte.

Por José da Cruz às 18h31

Fabiana coloca o remo no pódio internacional

        O Bom Dia Brasil desta segunda-feira dedicou bom espaço para divulgar as conquistas das duplas brasileiras, masculina e feminina, no vôlei de praia.

        Mas nenhuma informação foi dada sobre uma das mais expressivas vitórias das mulheres no esporte: pela primeira vez uma brasileira conquistou medalha de ouro no remo, numa etapa da Copa do Mundo.

        Autora da façanha: Fabiana Beltrame, que, depois de vencer a eliminatória, no sábado, ganhou a disuta final de skiff peso leve, em Hamburgo, com 7min42s57 de remadas.

        Nas demais raias estavam as adversárias da Alemanha, Suécia, Argélia e Suíça.

        Foi um expressivo resultado na nova gestão da Confederação Brasileira de Remo, presidida por Wilson Reeberg, que substituiu um comando que durou 18 anos. As democráticas renovações na direção das entidades fazem muito bem ao esporte, sim.

        Entrevistei Fabiana há dois meses. Eram 8h30 da manhã, e ela saía da raia do Flamengo, na Lagoa Rodrigo de Freitas.

        Rotina dura, abnegada, de duas horas dentro d´água, no solitário skiff. O resultado de tanto esforço começa a sair e o time feminino do Brasil que já tem tantas vitoriosas, no atletismo, judô, vela, vôlei, taekwondo e futebol, conquista mais um pódio internacional.         

Por José da Cruz às 09h15

19/06/2011

Ação entre amigos - ou: o abuso do poder

        O Fantástico divulgou que mais de 70 médicos são acusados de receber salários sem trabalhar, no Estado de São Paulo.

        Entre eles o neurocirurgião Jorge Pagura.

        Pagura deveria dar expediente no Hospital de Sorocaba, mas não aparecia por lá.

        Jorge Pagura, além de médico, era secretário de Esportes do Estado de São Paulo, nomeado pelo governador Geraldo Alckmin.

        Envergonhado por ter sido descoberto que ganhava sem trabalhar, Pagura pediu demissão da Secretaria de Esportes.

        No país olímpico o esporte no principal estado da federação é tratado assim, como ação entre amigos. E, na outra frente de trabalho, os pacientes que se lixem ...

        Agora vai.

Por José da Cruz às 22h53

Copa 2014: a análise que faltava

Na Folha de S.Paulo

JANIO DE FREITAS
O lado sigiloso 

Não seriam as obras da

Copa e da Olimpíada que

Escapariam ao cartel tão

presente nos governos


        A PRÓPRIA PRESIDENTE da República sai em defesa do sigilo -com argumento inválido. Do alto de seu compromisso com a transparência, diz que fazer segredo dos gastos bilionários com a Copa e a Olimpíada é "para evitar a formação de cartel". Sendo pouco, o cuidado com o dinheiro público obterá ainda, com o segredo e seus complementos, "preços melhores" para as obras.

        Que ministros, líderes na Câmara e no Senado e outros exemplares políticos andassem por dizeres semelhantes, nada novo. De nenhum se ouvira comprometimento pessoal com a transparência, e o provável é que não se esperasse mesmo. Se todos os dias estoura escândalo em um ministério, com o passar de tantos anos é natural que se acabe entendendo para que e a quem servem, aqui, os chamados poderes públicos.

 

        O sigilo dos elementos da licitação, dos preços e dos custos subsequentes não pode impedir o cartel por dois motivos. Um é que o cartel das empreiteiras de grandes obras públicas já existe há muito tempo. Vem ao menos lá da ditadura, da década de 70, quando a Transamazônica e outras obras do tempo Médici-Andreazza foram cartelizadas.

        Se dera os passos iniciais no governo Juscelino, o cartel consolidou-se na ditadura e nunca mais se desfez. Domina a definição de prioridades governamentais em obras de grande porte, domina o Orçamento da União na origem ministerial ou nas emendas parlamentares, domina decisões licitatórias.

 

        O poder e a riqueza desse cartel, e, portanto, de seus componentes, ficou tão grande, que se tornou desproporcional às suas possibilidades e ambições. Suas partes extravasaram para outras atividades, como telefonia, mineração, siderurgia, petróleo, exportação, armamentos, agora tv a cabo, e muito mais. Tudo que possa ser fruto lucrativo de concessões públicas, licenças governamentais e isenção de impostos.

 

        Não seriam estádios, elevados, avenidas e metrôs, e demais projetos pretextados pela Copa e pela Olimpíada, que escapariam ao cartel tão presente no interior dos governos quanto os próprios governos. E até mais, em determinadas áreas governamentais. Do mesmo modo nas instâncias federal, estadual e municipal. É uma das faces do Brasil desconhecido. Sigiloso, digamos.

 

        O outro impedimento a negar o sigilo como fator "para evitar a formação de cartel" é de ordem operacional. O alegado é que as empreiteiras, sem conhecer a estimativa de gasto adotada pelo governo para cada obra, não podem fazer combinação de preços, própria dos cartéis.

 

        Mas a cartelização pode ser feita da mesma maneira, para divisão das obras entre as empreiteiras e as respectivas propostas de preço. Ao governo restará constatar que os preços ficaram acima ou abaixo de sua estimativa e, no primeiro caso, ceder, negociar ou refazer o processo seletivo. E ainda há, para maior facilitação ao cartel, as possibilidades abertas pela medida provisória com o tal Regime Diferenciado de Contratações Públicas: um drible na exigência de licitação para contratações de determinados serviços e obras.

 

        Convém registrar que a vocação do novo sigilo e seus complementos foi reforçada por alterações feitas (e aprovadas) na Câmara pelo deputado petista José Guimarães. Aquele de cuja existência se teve conhecimento fora do Ceará quando, em São Paulo, seu então assessor principal na Assembleia estadual embarcava de volta a Fortaleza com súbita e mal distribuída obesidade: US$ 200 mil na cueca e mais ou menos outro tanto de reais em outras partes. Nada a ver ainda com o enriquecimento da medida provisória.

 

        A Associação Nacional dos Procuradores da República e o procurador-geral, Roberto Gurgel, já sabem o que vão fazer, em companhia da OAB, nas ocasiões apropriadas.

Por José da Cruz às 12h24

18/06/2011

Desapropriações: o lado oculto da Copa

No Estado de Minas

Por Luciane Evans
        Em audiência pública ontem (quinta-feira) na Assembleia Legislativa, o secretário municipal de Obras e Infraestrutura de Belo Horizonte, Murilo Valadares, pediu paciência a 4,2 mil proprietários de imóveis que serão desapropriados para as obras da Copa’2014.

        Revoltados com a falta de acordo com a prefeitura, moradores das margens do Anel Rodoviário, principal alvo das remoções, ouviram do secretário que a definição sobre a remoção e a indenização de 3 mil famílias do corredor só ocorrerá quando for assinado convênio entre a prefeitura e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

        Conforme mostrou segunda-feira o Estado de Minas, faltam três anos para o campeonato mundial e a PBH, sem acordo com os proprietários de terrenos, está sendo acionada na Justiça, o que pode representar atraso nas construções, além da possibilidade de aumento das indenizações, já estimadas em quase R$ 650 milhões, praticamente o mesmo montante previsto para a obra de modernização do Mineirão.

        Durante a audiência, feita a pedido da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, deputados questionaram a prefeitura sobre o convênio com o Dnit, previsto há pelo menos dois anos. A comissão pediu que sejam levados em consideração os lados humano e social.

        O defensor público estadual Marcelo Ribeiro Nicoliello diz que as novas moradias devem ter qualidade igual ou melhor que as atuais.

        A defensora pública federal Giedra Cristina Pinto Moreira pediu que a prefeitura e o Dnit levem em consideração os interesses dos moradores.

        Uma dessas reivindicações é de que as famílias sejam removidos para casas e não apartamentos, porque muitos mantêm atividades comerciais em suas residências.

Por José da Cruz às 17h55

A indignada conversa de arquibancada

        De repente, o torcedor brasileiro desce da arquibancada, pega o trombone e grita, de olho na Copa 2014.

        Na falta de mobilizações de rua, como nos anos 80, quando Lula liderava marchas contra o regime militar e a censura, o palanque eletrônico é o ponto de encontro dos indignados. Ainda bem.

        Gritar para empurrar o time, ofender o técnico, o juiz, debater no boteco, criticar o artigo do cronista, o gol impedido, enfim, são rotinas que enriquecem as emoções do esporte.

        Mas, agora, o grito tem outro tom.

        O torcedor sente a ameaça da sua soberania invadida. O orgulho brasileiro está na iminência de ficar temporariamente sob a tutela de poderosas instituições que vão se beneficiar de muito do nosso patrimônio. Quem sabe, do que nem é oferecido ao contribuinte comum.  

        Ora, quando o Brasil se candidatou à sede da Copa do Mundo, sabia bem sobre a cartilha da Fifa. Assim como a do Comitê Olímpico Internacional. São instituições poderosíssimas, apoiadas por potentes parceiras:  Adidas, Nike, Coca Cola, Xerox, Visa e por aí vai. Isso enche o olho de governos, políticos e empresários. Mas a fatura é altíssima.

        No Brasil, em particular, futebol e política têm tudo a ver. Deputados se transformam em cartola e vice versa. Fazem do clube um trampolim. Em alguns casos são as duas coisas. Lembram de Eurico Miranda, Zezé Perrela? Hoje é Roberto Dinamite, cartola e deputado. Romário, por enquanto, e só deputado. Quanta confusão! Ou: pobre eleitor...

        Esta estrutura de dualidades, a partir da CBF, sempre teve defensores no Congresso Nacional. A família Sarney que o diga. No Legislativo, isso é garantia de que a pressa é amiga da correção...  Corrige-se a lei para ganhar tempo e pular etapas importantes de um projeto de obras onde o dinheiro público é indispensável.

        É neste panorama que ocorre a discussão sobre obras para a Copa 2014: licitações, empenhos, contratos, financiamentos, cronogramas, prazos, auditorias, etc ingressaram no vocabulário do torcedor mais indignado.  É o novo idioma na conversa de arquibancada.

        No governo, tudo é feito e discutido às pressas. Assim, a pretexto da falta de tempo e dos prazos esgotados passam as exceções. Atualiza-se por uma medida provisória a Lei das Licitações (nº 8.666) de forma apressada em sem discussão. É a forma, insisto, de compensar a falta de planejamento. Proposital?  Afinal, não foi em 2007 que recebemos a notícia da Copa 2014? Quatro anos...

        Mas esperar o quê de políticos?  Justamente isso: quanto pior melhor.

        Como disse um editorial que li ontem, mais ou menos assim: “A Medida Provisória que se discute (sobre licitações) é o habeas corpus para a bandalheira”.

        O governo se assusta e diz que “não é bem assim”. Discursa como se fôssemos burros e não entendêssemos a linguagem dessa gente.

Por José da Cruz às 13h17

Olimpíada 2016: Meirelles vai para o Conselho da APO

        Em plena ebulição sobre licitações públicas para a Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff nomeou Henrique Meirelles para representar a União no Conselho Público Olímpico.

        O Conselho é a entidade máxima da Autoridade Pública Olímpica (APO), formada pela presidente da República, governador do Estado do Rio de Janeiro e prefeito do Rio ou seus representantes.

        Com isso, outro nome deverá presidir a Autoridade Pública Olímpica, órgão mais de execução. É grande a disputa pelo cargo entre os partidos aliados. Em jogo, 181 cargos com salários entre R$ 5 mil e R$ 22 mil.

        Segundo parlamentares ligados ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma tem resistido aceitar que Orlando Silva acumule o cargo de ministro com a presidência da APO. Seria demais para quem já tem os afazeres da Copa 2014 em sua agenda.  

        Foi pela falta de um conselho, como o que teremos para os Jogos de 2016, que o Pan 2007 enfrentou gravíssimos problemas de relações políticas institucionais entre os três níveis de governo – municipal, estadual e federal.

        Em decorrência, houve atrasos no andamento das obras, pagamento das contas e, claro, influenciando no superfaturamento de vários contratos.

Por José da Cruz às 23h33

17/06/2011

A mentira oficial do ministro Orlando Silva

Está na página do Ministério do Esporte

... O Ministério do Esporte vai criar um sistema de monitoramento para que o público acompanhe toda a execução das obras necessárias pra Copa do Mundo, dando transparência ao processo, a fim de que a sociedade, a imprensa e os órgãos de controle, monitorem, em tempo real, os investimentos públicos.

Dessa forma, a sociedade será a principal cobradora, garantindo que as Cidades-Sede cumpram os prazos estabelecidos pela FIFA. Um sistema de monitoramento vai antever problemas que possam surgir durante o processo.

Leia aqui a íntegra da mentira

Por José da Cruz às 14h17

Censura governamental avança. Até o TCU se assusta!

Na Folha de S.Paulo

Governo esconde gastos com novas obras da Copa

Ministério do Esporte recua e não assegura mais divulgação de despesas na internet

Relator dos projetos do Mundial no TCU considera grave a falta de transparência dos gastos públicos


Por DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA

        O governo federal decidiu que não vai mais divulgar todos os gastos com obras e serviços contratados para a Copa do Mundo de 2014.
        Em ofício enviado ao Tribunal de Contas da União, o Ministério do Esporte avisou que a prestação de contas de novos contratos de valor estimado em R$ 10 bilhões vai depender da "conveniência do Poder Executivo".
        Esse é o segundo recuo do Planalto quanto à transparência das informações das obras da Copa.

        Anteontem, ele mudou a redação da nova Lei de Licitações e tornou sigiloso também o orçamento inicial. O projeto foi aprovado pela Câmara e ainda será examinado pelo Senado.
        Se a mudança for mantida, órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União só serão informados sobre as previsões de gastos se o governo achar conveniente, o que poderá prejudicar a fiscalização dos projetos, como a Folha mostrou ontem.
        Quando se candidatou a sediar a Copa, o Brasil se comprometeu com a ampla divulgação de suas despesas com o evento. "Todos os gastos públicos serão acompanhados pela internet por qualquer cidadão brasileiro ou do mundo todo", disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2010.
        O relator dos projetos da Copa no TCU, ministro Valmir Campello, considerou grave a predisposição do ministério em não prestar todas as informações.
        "Não vejo como tratar desse fluxo de informações sem uma ciência ampla de todas as ações envolvidas", escreveu em relatório analisado na quarta-feira. "[Isso] representa uma prévia assunção às cegas dos riscos envolvidos para a realização bem-sucedida do Mundial."  

Por José da Cruz às 07h52

Inacreditável! Basquete escapa de fiscalização do TCU

         Há um mês e pouco, o companheiro Fábio Balassiano, que agora está na equipe do UOL Esporte, apresentou detalhada análise do balanço da Confederação Brasileira de Basquete, que aqui repercuti.

        Em resumo: é uma entidade falimentar, fosse ela uma empresa. E faz empréstimos vultosos pagando juros de inacreditáveis 51%!

        Assustado e como brasileiro fiscalizador, Odair Viola, um basqueteiro atento, pediu que o Tribunal de Contas da União agisse. Afinal, a Confederação de Basquete é patrocinada pela Eletrobras e também  recebe recursos das loterias federais, via Comitê Olímpico, e do próprio Ministério do Esporte.

A resposta do TCU

Prezado Sr. Odair Viola,

        De fato, o Tribunal de Contas da União pode fiscalizar a aplicação dos recursos eventualmente repassados pela Eletrobrás à Confederação Brasileira de Basquete. No endereço do blog mencionado, localizamos o post relativo à entrevista com o presidente da CBB, relativamente ao balanço da entidade, que contém vários indícios de irregularidades. No entanto, foi possível notar, nas respostas do presidente da CBB, a preocupação com a devida utilização dos recursos públicos (que seriam os únicos valores que o TCU teria competência para fiscalizar), possivelmente já se prevenindo contra uma possível ação de fiscalização levada a efeito pelo TCU, ou pela CGU.

        A maior parte dos problemas detectados, para os quais se buscaram respostas com o presidente daquela entidade, não estão sob a jurisdição do TCU, como, por exemplo, a contratação do empréstimo em valor muito elevado, o aumento no gasto com pessoal, a ausência de remuneração na transmissão dos jogos etc.

        Cremos que haveria maior possibilidade de realização de uma fiscalização por parte do TCU caso houvesse algum indício de irregularidade no uso da verba de patrocínio concedida pela Eletrobrás. Nesse caso, pode ser feita uma denúncia formal ao TCU (conforme previsto no Regimento Interno, arts. 234 a 236 – http://portal2.tcu.gov.br/portal/page/portal/TCU/normativos/sobre_normativos/681912.pdf), situação na qual este órgão de controle terá a obrigação de analisá-la.

        Por último, cabe esclarecer que são inúmeras as demandas enviadas ao TCU para a realização de fiscalizações, e que o órgão não dispõe de recursos humanos suficientes para atender a todas elas. No entanto, quando a denúncia é feita de forma consistente, cumprindo os requisitos previstos no Regimento Interno do TCU, acima mencionado, o Tribunal terá a obrigação de se manifestar a respeito.

Atenciosamente,
Ouvidoria do TCU

Minha avaliação

        Conheço o trabalho dos profissionais do TCU. São exímios investigadores, minuciosos, didáticos na apresentação das auditorias. Dá gosto ler seus relatórios.

        Por isso, tinha expectativa de que fizessem uma auditoria na Confederação de Basquete. Mas fiquei surpreso com a resposta. Por exemplo:

A maior parte dos problemas detectados, para os quais se buscaram respostas com o presidente daquela entidade, não estão sob a jurisdição do TCU, como, por exemplo, a contratação do empréstimo em valor muito elevado, o aumento no gasto com pessoal, a ausência de remuneração na transmissão dos jogos etc.”

         Com o devido respeito, Caros Auditores do TCU, é aí que está o problema.

        O orçamento da Confederação de Basquete é constituído por recursos públicos: repasses do Ministério do Esporte, recursos das loterias, via COB, e patrocínio da Eletrobras. E que destino é dado a esse dinheiro? Porque a CBB precisa fazer empréstimos?

        E como paga esses empréstimos e juros, se não com a verba pública que recebe?

        O que está sob suspeita é justamente isso, a aplicação do recurso público. Isso não é suficiente para investigar?

        Por favor, Senhores Auditores, não percam tempo. Este caso é gravíssimo. Não é a ponta de um cubinho de gelo!

        Incluam em suas agendas, por favor – que sei, é volumosa diante da quantidade de órgãos que têm para fiscalizar – a Confederação Brasileira de Basquete.

        Incluam mais: todas as confederações, pois ali está o grosso do dinheiro do esporte saído de orçamentos públicos. Dará muito trabalho, mas valerá a penas para que tenhamos certeza de que o nosso dinheiro está sendo bem aplicado em projetos esportivos.

        A sociedade brasileira não pode prescindir do trabalho dos auditores do TCU. Eles são a esperança que nos resta na fiscalização do bem público, principalmente quando muito dinheiro está na fila para turbinar os megaeventos que por aí vem.

Por José da Cruz às 00h31

16/06/2011

Copa 2014: TCE vê superfaturamento no Mineirão

 

Do jornal Hoje em Dia, de BH

Por Ezequiel Fagundes  

O volume de recursos aplicados nas obras de reforma do estádio com indícios de irregularidades é de R$ 29 milhões

        Ausência de licitação pública, pagamentos por serviços não executados, desvio de objeto, jogo de planilha (esquema que permite aditivos de contratos sem necessidade) e superfaturamento. São as irregularidades verificadas pelo Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG) nas obras de reforma do Estádio do Mineirão, conforme relatório obtido com exclusividade pelo Hoje em Dia.

        Segundo a documentação preparada pelo TCE, o volume de recursos aplicados com indícios de irregularidades é de exatos R$ 29.378.102,19, o que representa 6,8% do total da verba que será destinada para concluir a obra, orçada inicialmente pelo governo mineiro em R$ 426,1 milhões, mas que pode bater na casa de R$ 1 bilhão ao final da Parceria Público Privada (PPP) com o consócio Minas Arena, que inclui a HAP Engenharia, Egesa e a Construcap.

        No relatório, o TCE aponta indícios de graves irregularidades no processo de licitação pública para a realização do projeto básico de engenharia e arquitetura do estádio.

        Pela quantia de R$ 17,8 milhões, foi contratado o escritório Gustavo Penna Arquiteto & Associados, com sede em Belo Horizonte, pelo sistema de inexigibilidade de licitação que, na prática, permite driblar a livre concorrência entre empresas.

        Por meio desse método, altamente questionável pelo Ministério Público Estadual (MPE), o Poder Público escolhe a dedo quem vai abocanhar contratos alegando que a firma vencedora possui notória capacidade técnica e presta serviços considerados exclusivos.

        Entre as cidades-sede, o projeto básico do Mineirão, até o momento, é disparado o mais caro do Brasil. Para se ter uma noção, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, foi destinado somente R$ 5,3 milhões para o mesmo serviço.

        Na Bahia, no Estádio da Fonte Nova, o custo foi menor ainda: R$ 2,2 milhões, segundo cálculos da Controladoria Geral da União (CGU). “São fortes os indícios de prática de crime contra a licitação”, afirma o relatório.

        Do montante fiscalizado, R$ 982.362,75 foi superfaturado. A irregularidade foi verificada numa série de contratos de fornecimento de material de construção e aluguel de serviços.

        No contrato de aluguel mensal de uma plataforma mecanizada, por exemplo, foram pagos R$ 24.017,94, enquanto o preço de mercado à época era de R$ 11.250, o que dá 114% a mais.

        Já no contrato de fornecimento, montagem e desmontagem de andaime metálico para a reforma da fachada do estádio foram pagos R$ 26,54 pelo metro quadrado, mas, segundo o TCE, o preço justo é de R$ 20,91.

        Os contratos fechados sem qualquer comprovação de que os serviços foram prestados geraram um rombo de R$ 1.427.436,06. Entre os itens analisados, um deles salta aos olhos. Trata-se do contrato para lixamento mecânico de estruturas em concreto, que já consumiu R$ 423.224,40, mas não foi executado.

        Em intervenções consideradas essenciais, como as obras de recuperação da estrutura, o TCE encontrou o chamado jogo de planilha, que causou um dano ao erário de R$ 1.276.666,88.

        Por esse sistema, as empresas adotam preços mais elevados em itens que podem ter acréscimos no decorrer da obra e preços mais baixos nos sujeitos a decréscimo, além de abrir caminho para sobrepreço nas etapas iniciais do cronograma e subpreço ao final da empreitada. Com isso, as empresas ganham as licitações com o argumento de que podem realizar a obra com preço mais baixo. Tempos depois, pressionam pela revisão para que as obras não sejam paralisadas. A Secretaria Extraordinária da Copa 2014 não comentou o assunto até o fechamento da edição.

        Em nota, o Governo de Minas se limitou a informar que já prestou todos os esclarecimentos ao TCE, mas não quis divulgar quais foram as medidas tomadas.

Por José da Cruz às 16h13

A Copa CENSURADA. Transparência é isso aí

        0 animal Edmundo está preso.

0perários mantém greve no estádio Mineirão.

Santos está a uma vitória da conquista da Taça Libertadores. Peñarol também.

Marchas pela legalização da maconha estão liberadas.

0 legado olímpico dos Jogos da Grécia chegou: crise financeira que ameaça a Europa.

        Mas uma manchete nos jornais desta quinta-feira é estarrecedora, como a da Folha de S.Paulo:

        “Governo quer esconder orçamentos da Copa 2014”.

        Diz a notícia de José Ernesto Credendio e Maria Clara Cabral:

        “A decisão foi incluída de última hora no novo texto da medida provisória 527 que cria o RDC (Regime Diferenciado de Contratações), específico para o evento”.

        “Com a mudança, não será possível ao público saber se a obra foi contratada acima ou abaixo do preço previsto. Não dará para afirmar, por exemplo, se a Copa 2014 estourou ou não o orçamento”.

Saque oficial

        Ou seja, é a oportunidade que faltava para que se realize o saque escondido, mas oficializado. É o incentivo que muitos esperavam para ganhar mais, legalmente.

        Pior:  saque no silêncio e com tarja em evidência no processo de fiscalização: “CENSURADO”

        Se já estava difícil acompanhar o orçamento das obras da Copa, devido o desencontro de informações oficiais entre o TCU e Controladoria Geral da União, agora ferrou de vez.

        É a mais espetacular agressão à sociedade, esconder as contas PÚBLICAS e ressuscitar a CENSURA! É o chamado projeto “Copa dois em um”.

Aumentos nos contratos

        A mesma medida provisória tem outra agressão que precisa ser combatida: a possibilidade de aumentar o valor de um contrato sem limite, na mesma licitação. Atualmente esses aditivos estão limitados a 25% para obras novas e 50% para reformas. Pela proposta do governo, mais um “liberou geral”.

Memória

        Quando assinou a matriz de responsabilidade – fixando o que competia aos governos municipais, estaduais e federal, em termos de gastos – o presidente Lula se orgulhou, discursando:

        “Não haverá investimentos públicos e esta será a Copa da Transparência”.

        Ao lado de Lula, Orlando Silva, concluiu: “Amém!”

        Agora vai.

        Fui!     

Por José da Cruz às 09h03

15/06/2011

Olimpíada: estagnação e evolução, às pressas

A direção do Comitê Olímpico Brasileiro não espera evoluir no quadro de medalhas nos Jogos de Londres, ano que vem, apesar de os recursos aplicados no esporte terem crescido significativamente no último ciclo olímpico: R$ 355 milhões vindos só das loterias federais, nos últimos três anos.

“Em Londres, deve ser algo parecido com os Jogos de Pequim”, disse Marcus Vinícius Freire, superintendente de Esportes do Comitê Olímpico Brasileiro, em encontro com jornalistas, na terça-feira, no Rio.

        Em compensação, quatro anos depois, nos Jogos Rio 2016,

o Brasil pretende avançar 13 posições no quadro geral de medalhas.

Isso quer dizer: sair da atual 23ª colocação, obtida em Pequim (três ouro, quatro prata e oito bronze), para se colocar entre os 10 primeiros do mundo, nas Olimpíadas do Rio. A meta é a mesma fixada na última Conferência Nacional do Esporte. Ousados?

Estratégia

Para tal evolução, além de manter o pódio nas modalidades em que já conquista medalhas – iatismo, vôlei, judô, futebol, natação, vôlei de praia, atletismo e taekwondo – será preciso estar entre os três primeiros em, pelo menos, em mais seis modalidades.

        E o foco para essa odisséia são os esportes que mais distribuem medalhas, conforme a estratégia do COB: atletismo (141 medalhas), natação (96), judô (48), levantamento de peso (45), tiro (45) boxe (44) e ciclismo (42).

        Paralelamente, concentrar recursos na preparação de atletas das categorias sub-23 e sub-18 com potenciais para chegarem a finais em 2016. Muitos desses atletas, inclusive, estarão na delegação brasileira em Londres. “Não para competir, mas para sentir o ambiente dos Jogos, da convivência na Vila dos Atletas e quebrar o impacto do primeiro grande evento”, justificou Marcos  Vinícius.

        A contratação de técnicos estrangeiros e o intercâmbio com outros países também faz parte da estratégia para o Brasil se tornar olímpico Top 10.

País  competidor

        A estratégia do COB é indispensável. Afinal, vamos receber os Jogos Olímpicos e precisamos mostrar que não somos apenas bons organizadores, mas competidores de ponta não apenas no vôlei, vela e futebol.

        Neste ponto é indispensável reconhecer que corremos contra o tempo e, mais uma vez, fica evidente a falta de uma política de esportes para o país. O Ministério do Esporte existe há nove anos...

O dinheiro, farto, sai para várias frentes, inclusive para as Confederações de Desporto Escolar e Desporto Universitário, assim como a histórica UNE, que não aplicam o dinheiro em projetos de longo prazo e sustentáveis, mas em convescotes lúdicos de fins de semana.

A ausência dos clubes do contexto hierárquico do sistema nacional de esporte e a total ausência do Ministério do Esporte nesta missão de promover o diálogo e intercâmbio são decisivos para a falta de um plano geral do esporte.

E mesmo que o Ministério venha a se envolver, como já está fazendo, ainda assim devemos temer  pelas ações projetadas, pois se trata de um órgão burocrático, sujeito às ações de governo  e, principalmente, de evidentes objetivos políticos partidários. E isso é perigosíssimo para o esporte de rendimento. Os exemplos do Segundo Tempo e a gestão da Bolsa Atleta respondem por este temor.

Oportunidades

Não nos faltam recursos, humanos, pricipalmente. Mas são raras as oportunidades para os jovens serem identificados e evoluírem. Faltam metas, prioridades, planejamento. Isso é tão antigo quanto o discurso da “falta de recursos”.

Em resumo, não temos o principal: comando central. É cada um por si, e vamos em frente.

Por José da Cruz às 10h12

14/06/2011

O lado triste e criminoso da Copa

        Passo diariamente pela pista em frente às obras do novo estádio Mané  Garrincha, na capital da República.

O ritmo de trabalho é alucinante e os alicerces do moderno gigante impressionam. Custo do concreto: R$ 650 milhões. Sem cobertura, sem gramado, iluminação, elevadores, cadeiras. Nada. O orçamento total passará de R$ 1 bilhão.

Enquanto isso...

         “Pelo menos duas pessoas morreram a cada dia à espera de um leito  em uma das 335 Unidades de Terapia Intensiva (UTI), na rede pública de Brasilia, em 2010.

         Repetindo: duas pessoas morrem diariamente em Brasília, por falta de atendimento adequado na rede PÚBLICA de saúde.

Caso de Justiça

          Foram contabilizados 1.014 mortes, o que representa 8% de todas as solicitações de vagas. Das 7.020 pessoas internadas nas UTIs em 2010, 1.103 sõ conseguiram a vaga depois de recorrerem à Justiça.”

         A informação é do repórter Valtermir Rodrigues, publicada no Jornal de Brasília.

         E diz mais,mostrando que a situação no atual governo,de Agnelo  Queiroz, não é diferente dos anteriores:

         “Há cinco dias, Deotado Mendes Gonçalves, 91 anos, morreu após aguardar quatro dias por um leito de UTI.”

         São dados reais da rotina hospitalar na capital do Brasil. E não é diferente nas outras 11 capitais sedes da Copa 2014.

         Mais de mil mortes em um ano, devido a precariedade nos hospitais públicos? E o da governo ainda prioriza estádio de futebol, numa cidade que não tem clube nem na Série A nem na Série B do Campeonato Brasileiro, e joga um campeonato regional inexpressivo?

Quem responde por estes crimes de gestão pública?

Por José da Cruz às 08h20

13/06/2011

A Seleção, o pote de ouro e a cultura brasileira

Guto, um dos tantos leitores que ajuda a manter este blog, graças ao seu acesso e comentários, enviou mensagem provocativa para um bom debate.

Diz assim:

“A CBF utiliza a marca mais famosa e valiosa do mundo do futebol, a marca BRASIL, tendo domínio exclusivo (?!?) explorado por Ricardo Teixeira”?

        Pois é, Guto. A Seleção é “Brasileira”, veste as cores nacionais, entoa o Hino Nacional e se perfila diante da Bandeira Nacional.

        Ou seja, é a representação do país através de um dos nossos principais símbolos culturais, o futebol.

        No entanto, uma instituição, a CBF, se beneficia exclusivamente do dinheiro que fatura em nome dessa marca da cultura nacional.

        Ocorre que a CBF e as demais confederações esportivas fazem parte do Sistema Nacional de Esporte.

        Como tal, são instituições regidas, inicialmente, pela Lei 9.615/98, a Lei Pelé, que lhes garante atuações administrativas e financeiras autônomas. Apesar de a maioria das confederações receberem verba pública são independentes na gestão.

        Acontece que, pela fama e prestígio conquistados, a Seleção Brasileira tornou-se valorizado produto comercial.

Balanço

        O balanço da CBF indica que a receita com patrocinadores saltou de R$ 104,7 milhões, em 2008, para R$ 164 milhões, em 2009, incremento de 57%. Que tal?

        Particularmente, acredito que o Congresso Nacional poderia discutir sobre a aplicação de parte desses recursos em projetos sociais, tendo o futebol como esporte básico.

        Seria a forma de vincular um produto altamente positivo na formação educacional dos jovens, principalmente os das regiões mais pobres e com poucas alternativas de prática esportiva

A questão é:

estarão as excelências dispostas a discutir este assunto, que significa mexer num riquíssimo tesouro, que há muitos anos é patrimônio financeiro – e suspeito – de poucos?

Por José da Cruz às 18h53

TV exibe o roteiro da corrupção no futebol

        O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, foi acusado de receber suborno US$ 9,5 milhões, quase R$ 16 milhões. Segundo repórteres da BBC, de Londres, houve acordo para devolver a grana. A notícia, divulgada na semana passada, repercutiu mundo afora.

        Ontem, o programa Domingo Espetacular, na TV Record, divulgou reportagem com os dois jornalistas que fizeram a denúncia, entre eles Andrew Jennings, que há muitos anos investiga os bastidores corruptos do futebol internacional.

        Os repórteres tiveram acesso a documentos secretos que envolvem o presidente da CBF.

        Veja a denúncia, que voltará a ser repercutida hoje à noite, no Jornal da Record, primeiro programa da série "Cartolas Jogo Sujo".

Por José da Cruz às 08h05

12/06/2011

Para os ingleses, o futebol brasileiro “morreu”

        A tradicional revista inglesa Four Four Two circula com manchete que decreta “Morte do Brasil”, referindo-se aos problemas do nosso futebol, dentro e fora de campo.

        Na ilustração, um escudo da Confederação Brasileira de Futebol com a sigla RIP? – “descanse em paz?”, do inglês “rest in peace”, mas sugerindo que o resurgimento do bom futebol é possível.

        Quatro problemas são apontados pela revista: futebol feio, os problemas para a Copa de 2014, a falta de estrelas e “seus melhores jogadores são zagueiros”.

        Entre os entrevistados estão o técnico Mano Menezes e Kaká.

        Os ingleses afirmam que, atualmente, o “os reis do samba” praticam um futebol feio e sem jogadores de expressão internacional.”

        Será?

Por José da Cruz às 18h25

Guga, dinheiro e saudade

        A semana marcou aniversários das vitórias de Gustavo Kuerten em Roland Garros, onde sagrou-se tricampeão em 2001.

        Um ano antes, entrevistei Guga, por ocasião dos Jogos Olímpicos de Sydney.

        Naquela Olimpíada, o Brasil não conquistou medalha de ouro. Na coletiva de imprensa, o presidente do COB, Carlos Nuzman, disse que não se faz um país olímpico sem dinheiro. A dependência do esporte de rendimento era exclusiva dos cofres públicos.

        Decidi escrever um artigo, a partir de respostas de atletas e ex-atletas a uma só pergunta: “O que falta para o Brasil se tornar uma potência olímpica”?

        Ao lado do técnico Larri Passos, Guga me atendeu no restaurante de um hotel, na praia de Bondi. Ele ouviu a pergunta, coçou a cabeça, enquanto preparara a respotas:

        - Pô, cara! Se o Brasil não sabe cuidar dos dentes dos guris nas escolas, como podemos pensar em política para sermos um país olímpico?

        A resposta e argumentação estão no artigo que escrevi – “O cavalo empacou” –, referência a Baloubet du Rouet, o milionário alazão conduzido por Rodrigo Pessoa, que frustrou a expectativa de conquista de uma única medalha de ouro na Olimpíada de Sydney.

        Sem entrar no mérito da resposta de Guga, lá se vão 11 anos dos Jogos australianos.

        O tempo passou. Ganhamos um ministério exclusivo para o Esporte, o dinheiro chegou. E muito. E daí?

        Daí que, agora, o ministro do Esporte nos diz que não esperemos grandes resultados dos Jogos Rio 2016, pois eles serão apenas o início de uma nova etapa para o esporte brasileiro.

        E o que ficou da era Guga, uma década, dois ciclos olímpicos depois?

        Onde evoluímos na gestão do esporte de rendimento a partir dos milhões de reais despejados nas contas de nossas confederações?

        Qual a ação efetiva de longo prazo, depois de três conferências nacionais de esporte, para que se tenha um ordenamento entre as instituições gestoras municipais estaduais, federais, públicas e particulares do esporte?

        Não há dúvidas de que desperdiçamos a era Guga para aqui se criar uma escola de tênis. E também não evoluímos no ordenamento político-institucional do esporte. O tempo passa, o dinheiro para o esporte cresce, mas os desperdícios são evidentes.

Por José da Cruz às 12h19

11/06/2011

A um mês do evento, Governo limita gastos dos Jogos Mundiais Militares

        A primeira grande competição que abre a série de megaeventos no Brasil até 2016 – os 5º Jogos Mundiais Militares – sofrem um duro tropeço orçamentário na reta final da preparação do evento, de 16 a 24 de julho, no Rio de Janeiro.

        O Decreto presidencial nº 7.446 “limita as despesas com diárias, passagens e locomoções” , e isso bate diretamente num dos mais importantes setores da organização: segurança das delegações estrangeiras e espectadores.

        A notícia completa está aqui.

       Acredito que, no momento em que colocou o decreto na mesa da Presidente Dilma Rousseff, o assessor não se apercebeu que a decisão atingiria, no seu contexto, um evento que tem a marca do próprio governo federal.

        Por isso, é preciso corrigir a falha. E é preciso agir rápido para evitar prejuízos à própria imagem do evento e, por extensão, do Brasil, o país anfitrião.

        Não se trata, como diz a notícia, de abrir créditos ou disponibilizar novos recursos. Nada disso! O orçamento existe. É apenas uma questão de adequar as limitações de seu uso, para que a segurança dos Jogos Militares tenha a execução planejada e que todos esperam. O governo, inclusive.

        O Brasil esportivo, que se prepara para a Olimpíada 2016, não pode voltar a ser amador na execução orçamentária do governo federal. Será que a incompetência oficial não se esgotou nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro? 

Por José da Cruz às 17h14

10/06/2011

Campinas, a corrupção e o esporte nas alturas

Da coluna Tiro Certo, no Jornal Local, de Campinas:

        Como publicamos em março, o PC do B de Campinas (SP) também pleiteia uma candidatura própria à Prefeitura.

        O nome que o partido coloca à disposição da coligação que elegeu Hélio é do ministro dos Esportes, Orlando Silva, como nos informou o secretário Municipal de Esportes e Lazer, Gustavo Petta.

        Em entrevista ao Jornal Local, Petta negou ter pretensões à Prefeitura, mas não negou que poderia ser candidato à vice-prefeito.    O vereador Sérgio Benassi (PCdoB) também pleiteia o Palácio dos Jequitibás.

Meu comentário

        Campinas é a cidade que mais verbas recebeu do Ministério do Esporte, nos últimos anos. É a campanha eleitoral antecipada.

        Com discurso de que “esporte é ferramenta social”, Orlando Silva usa o cargo, como tantos outros ministros, para pavimentar sua carreira política. Espertíssimo.

        E, mesmo que não saia candidato – porque, em política, o que se diz hoje não vale para amanhã –, a verba do esporte turbinará a campanha do cunhado de Orlando Silva, Gustavo Petta, que é o atual secretário de Esportes. De Campinas.

        Em nome do esporte, tudo em família.

Enquanto isso ...

        O atual prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT), está envolvido num enorme processo de denúncia de corrupção. Desvios acima de R$ 500 milhões.

        O vice-prefeito, Demétrio Vilagra, do PT, já fugiu com a mulher do prefeito, Rosely Santos. Procurados pela Polícia de Combate ao Crime Organizado.  

        O prefeito e o vice-prefeito se elegeram com o apoio do PCdoB.  

Por José da Cruz às 22h30

Olimpismo: Meio cheio, meio vazio

         Os repórteres Daniel Brito e Eduardo Ohata analisam sobre os recursos das loterias federais repassados ao Comitê Olímpico Brasileiro. Na Folha de S.Paulo, hoje.

        Conhecida como “Lei Agnelo Piva” – 2% das loterias vão para os olímpicos e paraolímpicos – a verba cresce anualmente, mas cai o percentual destinado às confederações. Mais: reduz, também, o recurso aplicado no desporto escolar e universitário

        O assunto “dinheiro do esporte” é aqui debatido constantemente. E está cada vez mais evidente a estatização dos recursos para o alto rendimento, porém sem rumos definidos a partir da área governamental.

        Não se pode ignorar que as loterias são apenas uma das fontes para o esporte: orçamento da União, Lei de Incentivo, Bolsa Atleta, patrocínios de oito estatais reforçam o caixa do esporte de rendimento, o que pode justificar a redução dos repasses do COB às confederações.

        Paralelamente, crescem as lamúrias do lado de baixo do esporte, os atletas iniciantes e seus técnicos. O chavão se repete: “o dinheiro não chega na base”. E isso revela como ainda somos amadores. Sobram recursos e falta um trabalho integrado de doadores e gestores.

        O Ministério do Esporte até que tenta, agora, fazer esse papel. Em vão. Não tem independência, é um órgão político, burocrático e, principalmente, sujeito às determinações dos gerentes da economia nacional.

        Por tudo isso, somos um país olímpico, riquíssimos em recursos humanos e financeiros e ainda extremamente frágeis na elementar estrutura esportiva, que tem séculos de história.

Por José da Cruz às 10h41

09/06/2011

Copa 2014: pão de queijo no Mineirão?

        Depois que Juca Kfouri divulgou que o Mineirão abrirá a Copa do Mundo de 2014, fui ouvir políticos. Porque, mesmo que já tenha sido feita a escolha do campo de jogo, tal decisão passa pela sucessão presidencial de 2014.

        Para os deputados da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados (CTD), que visitam as cidades sedes da Copa 2014, a disputa entre São Paulo e Belo Horizonte para abrir a Copa é inevitável.

Ninguém fala em Brasília, inclusive pela falta de expressão nacional do atual governador.

        A situação está assim:

Com o desentendimento entre Ricardo Teixeira e a direção do São Paulo FC, vetando o Morumbi, a novela ganhou apelo político partidário: a cisão do PSDB na última eleição presidencial, separando o candidato paulista, José Serra, do ex-governador de Minas, agora senador Aécio Neves.

Com isso, a abertura do Mundial de 2014 virou jogo de desejo das duas alas no ninho tucano. Mas será que combinaram isso com o PT e com o novo partido de Gilberto Kassab?

Frágil

        Derrotado na última eleição, sem mandato e, por isso, fragilizado politicamente, Serra vê crescer o prestígio de seu concorrente, o senador Aécio.

No campo de jogo, o Itaquerão, na capital paulista, é uma incógnita, enquanto o Mineirão avança no cronograma de obras, enchendo os olhos dos deputados que lá estiveram na segunda-feira.

        “O Mineirão está mais adiantado. A vantagem atualmente é dos mineiros”, afirmou o deputado Jonas Donizette, presidente da Comissão de Turismo e Desporto, referindo-se às possibilidades para o jogo de abertura. Jonas, Câmara dos Deputados, tropa de choque... Isso faz muito bem a RT.

É dando que se recebe...

        Para Aécio, pré-candidato ao Planalto, abrir a Copa 2014 no Mineirão – três meses antes do pleito presidencial – é, valorizadíssima estratégia de campanha articulada desde agora.

        E para Ricardo Teixeira, enredado em denúncias internacionais, inclusive, e sem saber o que lhe espera – uma CPI, por exemplo –, ter o apoio de um político como o senador mineiro, de olho no Planalto, é fundamental.

        Agora, é esperar a reação do PT e do novo PSD paulista, de Gilberto Kassab.

Mas diante do tabuleiro, hoje, Juca pode se preparar para saborear pão de queijo na tribuna de honra do Mineirão...

Por José da Cruz às 11h57

Parabéns, Vascaínos!

Aos Amigos vascaínos, sofredores de longos anos:

Enfim, comemorem!

Parabéns à torcida campeã da Copa do Brasil.

Que jogo!!!

Suportando a pressão, que título!!!

          

Por José da Cruz às 23h57

08/06/2011

Romário: gastos com estádios triplicaram

          Vice-presidente da Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados, o ex-artilheiro e agora parlamentar pelo PSB do Rio de Janeiro, Romário, afirmou que as despesas com obras dos estádios triplicaram desde a candidatura brasileira, em 2007.

“Quando o Brasil entregou a candidatura à Fifa a previsão de gastos com estádios era de R$ 2 bilhões. Agora, já chegamos a R$ 7 bilhões”.

        Em janeiro deste ano, o Ministério do Esporte havia previsto que os estádios consumiriam R$ 5,6 bilhões, sem contar com o custo do Itaqueirão, do Corinthians, em São Paulo.

        Com outros parlamentares da Comissão de Turismo e Esporte, Romário já visitou quatro capitais-sedes da Copa 2014: Manaus, Recife, Curitiba e Belo Horizonte. Nessas cidades eles colhem informações para um relatório que exibirá como está a situação em cada sede, inclusive nas obras de mobilidade urbana.

Enquanto isso...

        O companheiro Juca Kfouri divulga o seguinte em seu blog:

        Nenhum dos três confirmará, mas Ricardo Teixeira disse a Marconi Perillo, o tucano que governa Goiás, que já avisou ao seu amigo Aécio Neves que a abertura da Copa do Mundo será no Mineirão.”

        Diante disso, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, deveria determinar que se mude os rumos do Mané Garricha, reduzindo imediatamente sua capacidade de 75 mil para 42 mil pessoas, o que ainda é um exagero.

        Afinal, Agnelo, havia dito que Brasília precisava desse monstruoso estádio para concorrer à abertura da Copa. Agora, segundo a fonte de Juca, está definido: vitória dos mineiros.

        O jornalista Walter Guimarães, da ONG Contas Abertas, está levantando os números oficiais dos financiamentos públicos para estádios. Em seguida publicarei para que se tenham informações atualizadas. 

Por José da Cruz às 18h36

Olimpíada perde força comercial na TV

Na Folha de S.Paulo, hoje

 

Por 2016, NBC paga só R$ 71 mi a mais
TV dos EUA ganha direitos de transmissão do Rio com proposta pouco superior à de Londres-2012


Por MARIANA BASTOS

Em um cenário de recessão econômica, a emissora americana NBC não precisou oferecer muito mais do que desembolsou para os Jogos de Londres-2012 para garantir também os direitos de transmissão da Rio-2016.

Para ter a Olimpíada brasileira em sua tela, a NBC pagará US$ 1,226 bilhão (R$ 1,937 bilhão) ao COI (Comitê Olímpico Internacional). A quantia é só 3,8% - ou R$ 71 milhões - superior à oferecida pelos Jogos ingleses.

Entre Pequim-2008 e Londres-2012, o crescimento foi bem mais acentuado: 32%. A oferta moderada para transmitir a Olimpíada do Rio é um reflexo do prejuízo tomado nos Jogos de Inverno de Vancouver-2010. No evento, a NBC arcou com perdas de US$ 223 milhões (R$ 352 mi) em meio à crise nos EUA.

E as projeções para as receitas em 2012 também não são muito animadoras.

Em meio a esse cenário pouco otimista, o COI ofereceu às TV americanas a opção de adquirirem quatro Olimpíadas -Inverno (2014 e 18) e Verão (2016 e 20).
Por esse pacote, a NBC ofereceu US$ 4,38 bilhões (R$ 6,92 bilhões) e superou propostas de Fox e ESPN. Os direitos para o mercado americano, de longe a maior fonte de recursos do comitê e do Movimento Olímpico, envolvem TV, celular, banda larga e qualquer outra tecnologia que venha a ser inventada.

Dentro do pacote, chama a atenção o valor que será pago para transmitir a Olimpíada de Inverno de Sochi-2014. A emissora gastará US$ 775 milhões, US$ 45 milhões a menos do que pagou pelos direitos de Vancouver-2010.

Desde que começou a transmitir Olimpíadas, em Seul-1988, esta é a primeira vez que a NBC diminui o valor pago pelos direitos de uma edição subsequente.

Apesar disso, o COI comemorou ontem, em uma teleconferência, o acerto com a emissora americana, principalmente por já ter receitas garantidas para os Jogos de Inverno de 2018 e de Verão de 2020, cujas cidades-sedes ainda não foram definidas.

"A natureza de longo prazo desse acordo não só irá garantir a fantástica cobertura das Olimpíadas nos EUA como também dará mais estabilidade financeira ao Movimento Olímpico como um todo", disse Richard Carrión, membro do Comitê Executivo do COI que negociou os direitos de transmissão.

"Foi estrategicamente importante firmar uma longa parceria e ter os quatro Jogos", disse Brian Roberts, presidente da Comcast, empresa que controla a NBC.
Extremamente criticada nos EUA durante os Jogos de Pequim por não ter exibido ao vivo algumas das principais competições, a NBC garantiu que isso não ocorrerá novamente -deve transmitir por celulares ou internet.

"Disponibilizaremos todos os eventos, em uma plataforma ou outra, ao vivo", garantiu Mark Lazarus, editor de esportes da emissora.

Por José da Cruz às 12h20

Instituto Passe de Mágica – esclarecimento

        O Instituto Passe de Mágica agradece pelo espaço e pela oportunidade de esclarecer alguns pontos levantados pelo leitor Carlos Rufino em seu comentário a respeito do post “Petrobras faz avaliação das modalidades olímpicas que patrocina”, de 2 de junho de 2011.

        Em primeiro lugar, o valor citado para o Programa Petrobras Esporte & Cidadania, de R$ 245 milhões, inclui ações nas áreas de esporte educacional, esporte de participação e memória esportiva, além do esporte de rendimento.

        O valor gerido pelo Instituto Passe de Mágica será de cerca de R$ 100 milhões em um período de cinco anos. Isto representa aproximadamente R$ 20 milhões por ano no total, R$ 4 milhões anuais por modalidade ou uma média de R$ 330 mil mensais para cada esporte: boxe, esgrima, levantamento de peso, remo e taekwondo.

        Estes valores incluem viagens internacionais para a disputa de competições necessárias para o aumento do intercâmbio técnico – já foram 28 viagens para 20 países neste ano – e benefícios como alugueis de casas para alojamento dos atletas, bolsas-auxílio, vale-refeição, bolsas de estudo, assistência médica, assistência odontológica, seguro de vida e contra acidentes, que chegam – ou estão em via de contratação para que cheguem o mais rápido possível – diretamente aos 106 atletas hoje atendidos em onze estados.

        Além disso, o programa prevê 39 profissionais das áreas técnica e clínica, nove profissionais na unidade gestora e cinco profissionais especialmente alocados em cada confederação para facilitar o trâmite administrativo.

Origens

        O Instituto Passe de Mágica surgiu em 2004 como um projeto social de basquete que hoje atende a oito núcleos que beneficiam 920 crianças socialmente vulneráveis.

        No entanto, em 2010 foi criado um segundo núcleo dedicado ao trabalho com o esporte de alto rendimento. Nossa atuação dentro do Programa Petrobras Esporte & Cidadania é realizada apenas por esse núcleo de alto rendimento, mas, como esclarecemos no início do texto, o Programa também contempla o esporte de participação.

        Lembramos que a idealizadora do Instituto pode ter sido uma atleta de basquete, mas a ex-atleta e atual gestora esportiva formada em instituições como FGV, FIA e Trevisan já completou mais de 10 anos de experiência diária com mais de 15 modalidades diferentes.

        Finalizando, gostaríamos de parabenizar o blog por dar espaço à manifestação da sociedade. Sempre é bom vermos pessoas interessadas em confirmar se os recursos públicos (como são os recursos oriundos da renúncia fiscal) estão sendo bem cuidados.

        Reafirmamos que um dos principais valores do Instituto Passe de Mágica é a transparência, mas ainda não conseguimos, em função das nossas próprias demandas diárias, atualizar nosso site e publicar as principais informações institucionais do Programa, justamente para facilitar a consulta por todos os interessados. Esperamos corrigir isto em breve.

Atenciosamente

Paula Gonçalves – Diretora Executiva

Instituto Passe de Mágica

Por José da Cruz às 23h36

07/06/2011

Bolsa Atleta não rende votos

 A 150 dias dos Jogos Pan Americanos de Guadalajara, no México, competidores de seis modalidades ainda não sabem se foram contemplados com a Bolsa-Atleta de... 2010.

Karatê, patinação, beisebol, softball, esqui aquático e boliche são os esportes pendentes.  

Repete-se o problema dos bolsistas olímpicos e paraolímpicos, que tiveram situação de 2010 regularizada só em março deste ano, sob intensa pressão.  

Agora, seis meses depois de iniciada a preparação final de treinamentos para o Pan, o Ministério do Esporte ainda ignora o estrago dessa demora para esperançosos atletas...  

As autoridades ministeriais agem como se não tivessem obrigação de cumprir leis.

Leve-se em conta o seguinte:

1. A inscrição dos bolsistas foi em 2010; tiveram suas avaliações com base nos resultados obtidos em 2009. Estamos em junho de 2011... Nenhuma manifestação oficial. Nada!

2. - Nos últimos três Pan americanos só o caratê conquistou 21 medalhas para o país, sendo quatro de ouro, sete de prata e 10 de bronze.

3. - Há um mês, o Conselho Nacional de Esportes autorizou pagar os bolsistas até o limite R$ 6 milhões, isto é, 15%  do orçamento anual do programa (R$ 40 milhões) para 2011. Há um mês...

Enquanto isso...

        Nos cinco primeiros meses do ano o Ministério do Esporte gastou R$ 6 milhões com material esportivo para o programa Segundo Tempo, suspeitíssimo de corrupção em várias frentes e investigado até pela Polícia Federal.

        Gastou outros R$ 2,6 milhões em publicidade...

        A diferença é que o dinheiro do Segundo Tempo rende votos para os candidatos do Ministério em campanhas eleitorais. Há festa para distribuir a grana; discursos; doações de bonés e camisetas; fotos sorridentes dos senhores gestores, os candidatos de amanhã, notícias na imprensa.

        Foi assim na campanha passada para deputado federal. Será assim para a campanha para prefeito, em 2012. É a máquina do Estado a serviço de candidatos de ocasião. Fato comum na Esplanada dos Ministérios.

        Já a Bolsa Atleta não rende votos.

Tem poucos eleitores.  

O atraso no pagamento das mensalidades está pra lá de explicado.

Por José da Cruz às 00h08

06/06/2011

Jornal norueguês faz nova denúncia contra Ricardo Teixeira

        O presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa 2014, Ricardo Teixeira, voltou a ter o seu nome citado em mais um suposto escândalo do futebol internacional, desta vez relacionado ao mercado negro de ingressos.

        A denúncia é do jornal norueguês, Dagbladet, em sua edição de hoje, que indaga: “Porque os membros do comitê executivo da Fifa, Ricardo Teixeira e Nicolas Leoz, se encontraram na África do Sul com um dos maiores traficantes de bilhetes da Europa, no mercado negro?”

        A notícia, distribuida pelo site do jornalista inglês Andrew Jennings http://www.transparencyinsport.org/, diz que as imagens da reunião foram feitas por um cambista. Em 2006, Jennings já havia divulgado sobre o mercado negro de ingressos, e desde então investiga o assunto.

Leia a notícia aqui.

Mais sobre o assunto.

Por José da Cruz às 19h17

Copa 2014: debates no Rio e em Brasília

Projetos, rumos e perspectivas das obras da Copa 2014 são os temas dos debates desta terça-feira, 7 de junho, no Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), no Rio de Janeiro, e no Senado Federal, em Brasília.

O evento no Rio debaterá sobre a atuação federal, estadual e municipal nos projetos que envolvem estádios, infraestrutura, aeroportos, mobilidade urbana, controle e fiscalização.

Local: Av. Rio Branco, nº 124, 25º andar, da sede do Clube de Engenharia.

Horário: das 8h às 18h

Inscrições: gratuitas pelos telefones (21) 2179-2231 e 2179-2050 ou pelo e-mail copa2014@crea-rj.org.br

Público: profissionais e estudantes

No Senado Federal

        Afinal, a infraestrutura aeroportuária do Brasil terá, de fato, capacidade para cumprir adequadamente seu papel quando acontecerem os grandes eventos esportivos que o Brasil hospedará até 2016? Principalmente a Copa de 2014, quando se estima a visita de 500 mil estrangeiros?

        Esse é o tema que da audiência pública na Comissão de Infraestrutua do Senado Federal, nesta terça-feira, a partir das 14h, sob a presidência da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO).

        Estarão presentes o presidente da Infraero, Antonio Gustavo Matos do Vale, o diretor-presidente Interino da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Carlos Eduardo Pellegrino, e o ministro de Estado Chefe da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), Wagner Bittencourt de Oliveira.

Local: Comissão de Infraestrutura do Senado Federal

Horário: 14h

Ingresso: aberto ao público 

Por José da Cruz às 17h11

Terceirização, a saída milionária do governo

        O relatório sobre as contas do último ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, aprovado e divulgado na quarta-feira, pelo Tribunal de Contas da União, revela a fragilidade da força de trabalho do governo, sob o ponto de vista do vínculo empregatício.

Proibidos de realizar concursos, os órgãos do Executivo e do Legislativo terceirizam serviços de particulares. Só assim conseguem garantir o funcionamento da gigantesca máquina da burocracia nacional.

Uma dessas empresas é a Brasfort Administração e Serviços Ltda, com sede em Brasília, que em 2010 faturou R$ 64 milhões dos cofres federais.

 Os ministérios do Esporte, da Justiça, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal são alguns dos seus principais clientes.

Bolsa Atleta

A especialidade dos funcionários terceirizados varia de acordo com as necessidades dos clientes.

No Ministério do Esporte, que em 2010 pagou R$ 15,9 milhões a Brasfort, o programa Bolsa Atleta opera com 11 funcionários, todos vinculados a Brasfort.  

Os seus salários variam de R$ 580,00 a R$ 1.700,00 brutos, mensais. Seis desses contratados, isto é, mais de 50% da força de trabalho do Bolsa Atleta, ganham menos de R$ 700,00/mês.

Estranho

O estranho nesta relação contratual com o Ministério é que a empresa agenciadora nem sempre obedece a legislação federal nas suas relações com os contratados.

        Em 2009, por exemplo, quando renovou contrato com o Ministério do Esporte, a direção da Brasfort exigiu que os funcionários terceirizados renunciassem aos seus salários, para corrigir com valores menores, claro. Quem não se submeteu à medida acabou substituído.

        Outros três programas do mesmo Ministério também são socorridos por funcionários da Brasfort.

A gestão do programa Brasil no Esporte de Alto Rendimento já pagou R$ 792,5 mil à agência brasiliense.

Já o programa Esporte e Lazer da Cidade custa R$ 872 mil para contar com terceirizados. Porém, é a “Administração do Ministério” – aí incluídos serviços gerais –  que consome mais dos cofres públicos, R$ 7,5 milhões anuais, entregues integralmente a Brasfort.

Clientes de peso

        Além do Ministério do Esporte, outro cliente de peso da Brasfort é a Câmara dos Deputados, onde a empresa brasiliense faturou R$ 11 milhões em 2010, resultado de três contratos.

        O primeiro, de R$ 2,1 milhões, para “operação de elevadores”;

        Outros R$ 4,4 milhões para “remoção e arrumação de cargas, móveis e assemelhados”;

        Finalmente, um contrato de R$ 5 milhões para motoristas que servem aos parlamentares da Câmara.

Leia mais sobre "terceirizados" aqui.

Por José da Cruz às 11h40

Bala na Cesta, o endereço do basquete

        Bem vindo à comunidade do UOL o blog Bala na Cesta, do companheiro Fábio Balassiano.

        Carioca e apaixonado por basquete, Fábio sabe muito sobre o que escreve e, melhor, é um excelente crítico.

Isso ele demonstrou,  recentemente, ao analisar em detalhes o balanço financeiro da Confederação Brasileira de Basquete. Ou seja, é craque no texto dentro e fora das quatro linhas.

        Confira e inclua entre os seus favoritos: http://balanacesta.blogosfera.uol.com.br     

Por José da Cruz às 10h36

05/06/2011

“A Fifa está desconectada da realidade”

         Ele sabe do que está falando: o suíço Guido Tognoni conhece a Fifa muito bem. Como porta-voz e diretor de marketing esteve durante anos por dentro da organização. Tognoni chegou a atuar como braço direito do então secretário-geral Joseph Blatter, mas teve de deixar a Fifa pela primeira vez em 1995, após cair em desgraça com Blatter."

       Aqui, o link para a entrevista que Tognoni concedeu ao complexo de comunicação Deutsch Welle, da Alemanha.

Por José da Cruz às 22h08

Copa 2014: Curitiba cria Comitê Popular. Carta de apresentação

"Para não colocar os direitos humanos de escanteio.” 

       Copa do Mundo e Jogos Olímpicos são dois grandes eventos esportivos que serão recepcionados pelo Brasil em 2014 e 2016, respectivamente. Festejados por alguns e temidos por outros, eles podem significar tanto oportunidades para a cultura, o esporte e a infra-estrutura das cidades-sede, quanto ameaças de maior exclusão e violação de direitos às populações e comunidades locais, especialmente de baixa renda, já marginalizadas historicamente. O caminho a ser tomado depende dos interesses em jogo e de quem efetivamente terá direito de decidir sobre a forma de condução das preparações. A sociedade não pode ser mera espectadora de tudo isso.

 

       O próprio Estado brasileiro tem reconhecido que são fracos os mecanismos de controle sobre as apressadas operações para a Copa do Mundo de 2014. O Tribunal de Contas da União, por exemplo, apontou em seus últimos relatórios entre os problemas de gestão: descontrole orçamentário, falta de transparência dos atos públicos, superfaturamento de obras e irregularidades contratuais, riscos que correm as cidades-sedes do evento e suas populações. Se mesmo as instâncias administrativas encontram dificuldade em fiscalizar as ações locais e os possíveis desvios de finalidade, quais as vias oferecidas à sociedade como um todo para definir os rumos desse processo?

       Embora a maior parte das discussões atuais sobre o tema gire em torno do cumprimento de prazos e dos valores previstos para a execução dos projetos de infra-estrutura, movimentos sociais, organizações de direitos humanos e especialistas em planejamento têm outras preocupações.     

       Em muitas cidades, o Direito à Moradia Adequada, o Direito de Ir e Vir, o Direito ao Trabalho, o Direito ao Meio-Ambiente, o Direito à Dignidade e Integridade Física, vem sendo desrespeitados. A Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Ministério Público Federal (MPF) e vários outros órgãos já se manifestaram denunciando situações de despejo, intimidação, violência, transgressão de normas e garantias em regimes de trabalho degradantes e “higienização étnica e social”.

       Mas não é só: o direito à informação sobre a natureza das intervenções urbanas a serem implementadas nos próximos anos e seus impactos sócio-espaciais, não tem sido observado. Sem acesso aos projetos, as populações locais são afastadas do monitoramento das ações estatais e o tema é retirado do debate público, para tornar-se mera questão de metas. Porém, só o tiro-de-meta, como é sabido, não é gol.

       Essa postura levanta a questão: a quem servem toda a estrutura administrativa e os recursos disponibilizados nos diversos níveis federativos para a viabilização de um mega-evento como este? Até que ponto realmente todo o esforço institucional despendido pelo Estado brasileiro tem em vista a satisfação de interesses públicos?

       Não se trata de questionar a legitimidade da Copa, nem mesmo a vontade geral em recepcioná-la. Mas é preciso que o façamos de maneira lúcida, democrática e com repartição social dos benefícios e não apenas dos ônus, como vem sendo o padrão.

       Condições para oportunidades de investimento do capital não são demandas populares, mas exigências verticalizadas, contidas em acordos dos governos com entidades internacionais, como a FIFA. A obediência aos prazos é utilizada como discurso que pretende justificar posturas unilaterais e decisões tomadas sem audiências públicas, consultas prévias e estudos de impacto (orçamentário, ambiental e de vizinhança). Todavia, e se, aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo descobrirmos as falhas na nossa estratégia e os furos na nossa equipe? Nesse meio-de-campo embolado, qual o árbitro competente para julgar as faltas cometidas?

       Em Curitiba, a Lei Municipal n. 13.620/2010 concedeu ao Estádio Joaquim Américo Guimarães R$ 90 milhões em Potencial Construtivo para o financiamento de uma obra particular, enquanto a Lei Complementar n. 77/2010, na mesma linha, garante ampla isenção de ISS para a FIFA na cidade, demonstrando quem mais poderá lucrar  com o evento. Enquanto isso, comunidades pobres aguardam há anos a instalação de equipamentos públicos básicos como hospitais, creches, escolas e postos de saúde.

       Além disso, inúmeras obras já foram anunciadas, as quais demandarão despejos e desapropriações para serem concretizadas, como ao longo da Av. Comendador Franco (Avenida das Torres), no chamado “Corredor Metropolitano”, no entorno do Estádio do Clube Atlético Paranaense, etc. Trabalhadores informais, ambulantes e a população em situação de rua também sentem o aumento da repressão e da criminalização que pretende levar a cabo verdadeira “faxina social” na cidade. Para completar o quadro, foi instalado um Juizado Especial Criminal na “Arena da Baixada”, que sediará os jogos, e a Região Metropolitana de Curitiba em breve deverá receber as mesmas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) tão questionadas no Rio de Janeiro. Seremos responsáveis pela construção de um regime de exceção para a Copa do Mundo de 2014? Nesse sentido, o jogo político permanece desigual.

       As comunidades afetadas por essa movimentação pouca ou nenhuma garantia têm até o momento de que seus direitos serão respeitados. Se cidades mais caras, menos funcionais e mais excludentes são o resultado dessa partida, então não teremos saído do zero-a-zero. Com base nos princípios da gestão democrática, da soberania popular, da justiça fundiária e da função social da cidade, a sociedade, através do Comitê Popular da Copa em Curitiba, reivindica sua participação no processo decisório de maneira ampliada, com transparência e respeito aos direitos humanos de todos e todas sem distinções. Antes do lance final, não retiraremos nosso time de campo. 

1ª. Reunião do Comitê Popular da Copa em Curitiba:

Data: Terça-Feira, 21/06/2011, 19h

Local: APP Sindicato – R. Voluntários da Pátria, 475 - 14º andar, Ed. Asa – Curitiba

Contato: cpc2014curitiba@gmail.com

Por José da Cruz às 18h17

Autoridade olímpica ainda é uma ficção

O Estado de S.Paulo, hoje

Por João Domingos

''Criado'' há quase três meses, consórcio que controlará liberação de recursos da Olimpíada não saiu do papel.

        Leia a reportagem.

Por José da Cruz às 17h08

O futebol da bandalheira

Na Carta Capital desta semana

Por Mino Carta

          Já enxerguei no futebol o ópio do povo brasileiro, embora na adolescência chutasse com gosto não somente a bola, mas também tudo aquilo que se postava diante dos meus pés, inclusive pedras e latas, para desespero dos sapatos e da minha mãe. Que o futebol se prestou e se presta aos jogos da política e favoreceu e favorece o sossego dos herdeiros da casa-grande é inegável. Se Corinthians ou Flamengo ganham, a senzala exulta e esquece seus males.

          Hoje a minha visão mudou. Espanta-me a trágica simbiose entre futebol e corrupção. Futebol e interesses torpes. Futebol e dinheiro imundo e exorbitante. Futebol e crime, para ser mais preciso. O fenômeno é mundial antes de ser brasileiro, é  extraordinária, porém, a contribuição que alguns nativos ofereceram à metamorfose. João Havelange é primeiro motor, como diria Aristóteles, da transformação comandada do trono da Fifa, é o autor do big-bang.

          Foi Havelange quem introduziu e consagrou as manobras, os ardis, as artimanhas pelas quais alguém pode manter o cetro e multiplicar a bandalheira por intermináveis mandatos, e, na hora da aposentadoria, fazer seu sucessor previamente treinado para a tarefa. No caso, o suíço Joseph Blatter. Para ficar em perfeita afinação com este esquema de poder, contamos no Brasil com Ricardo Teixeira, fortalecido pelo apoio do ministro Orlando Silva, com o possível condão de não perceber a diferença entre uma sociedade mafiosa e uma entidade honrada e competente.

          O ministro talvez seja cidadão ingênuo. Temo, contudo, que se Totò Riina estivesse no lugar dos atuais próceres (aprendi a palavra ao ler, priscas eras, a Gazeta Esportiva e os monumentais comentários de Thomaz Mazzoni) certamente não faria melhor do que eles. Quero deixar claro que meu tempo de torcedor (do Palmeiras), encerrado ainda na juventude, remonta a uma fase do futebol mais ou menos romântica. Não me sai da memória uma foto que retrata Djalma Santos, finíssimo lateral-direito bicampeão do mundo (58 e 62), a caminhar para o vestiário com as chuteiras debaixo do braço enroladas em papel jornal.

          Há motivos de sobra para que o futebol seja encarado como uma transcendência verde-amarela, foi desforra contra qualquer, eventual sentimento de inferioridade e consagração de um estilo único, com a contribuição da fibra longa da musculatura do negro e da quantidade desbordante dos praticantes. O jogador brasileiro foi um extraordinário produto de exportação já em época romântica e é em meio à lavagem atual, com uma pausa sensível nas décadas de 70 e 80.

          Não convém iludir-se, no entanto. No Brasil e no mundo, a cartolagem tornou-se dona do futebol, com efeitos lamentáveis do ponto de vista técnico e tático, como sugeriria Mário Moraes, o comentarista- de 40 e mais anos atrás, parceiro de um locutor insuperável, Pedro Luiz, de sobrenome Paoliello. Jogava-se em primeiro- lugar pelo prazer, pela diversão, pelo espetáculo-. Pelo desafio. Hoje, em função da grana imponente, joga-se para ganhar a qualquer custo. Se for necessário, adequa-se o juiz às conveniências contingentes dos donos do poder. O prazer, a diversão, o espetáculo, o desafio, que se moam.

          Há súbitas, inesperadas, milagrosas exceções, a atuação incomum de um craque transcendental, ou o Barcelona mágico de Pep Guardiola. A regra, contudo, é outra, e dentro dela, obviamente, é que se pretende organizar a Copa no Brasil no prazo de três escassos anos. Os evidentes atrasos na preparação do evento podem ser corrigidos e são menos determinantes nas preocupações de CartaCapital relativas aos riscos a que o Brasil se expõe.

          Quando da vitória de Dilma Rousseff nas eleições do ano passado, não deixamos de fazer referência à má companhia em que se encontraria no momento de ser presidenta de um país campeão do mundo cinco vezes, chamado a organizar uma Copa depois de 62 anos. Renovamos o lembrete no momento em que os desmandos da Fifa de Blatter e dos seus apaniguados mais próximos e mais obedientes vêm à tona, a simbolizar o negócio escuso em que o futebol se tornou.

          Não deixo, enfim, de retornar às linhas iniciais, para dizer da minha avassaladora irritação a irromper quando o herdeiro da casa-grande, acostumado a açoitar o herdeiro da senzala ao menos moralmente, esfola as palmas de tanto aplauso ao celebrar o gol do ex-escravo, transformado no gramado, e ali apenas, em herói da brasilidade.

Por José da Cruz às 11h13

04/06/2011

O futebol e seu preço

Na Folha de S.Paulo, hoje

 Por WALTER CENEVIVA

        O secretário geral da Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado), Jérôme Valcke, disse que o Qatar "comprou" o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022.

        Tentou corrigir-se, mas as emendas posteriores de Valcke só pioraram a situação, nesses tempos em que a Fifa e outras entidades ligadas ao futebol e alguns de seus próceres mais destacados são envolvidos em denúncias de subornos pagos e até de subornos devolvidos.

        Nesse panorama se desenvolvem preparativos para a Copa do Mundo, que o Brasil concordou em realizar. Há milhões a serem gastos em obras necessárias (aeroportos e estradas, por exemplo), mas outras parecem destinadas a gerar "elefantes brancos", como já se viu na África do Sul e no Rio de Janeiro, para os Jogos Panamericanos.

        O leitor deve saber de outro lado dessa questão: atrasar obras tem sido forma de agitar a ansiedade pelo término delas e, assim, facilitar o sobrefaturamento. O estouro dos orçamentos não pode ser visto como fato corriqueiro.

        O precedente governador de São Paulo e o prefeito desta capital garantiram que nem um real sairia dos cofres públicos para assegurar jogos por aqui.

        Quando há isenções fiscais concedidas, os milhões nem mesmo entram nos cofres públicos. O Corinthians não quer a expansão de mais 20 mil lugares que depois não terá como preencher e da manutenção no novo estádio. Alguém vai ter que pagar a conta.

        A maior parte do povo quer a sede da Copa do Mundo, mas tem o direito de saber se tanta despesa no esporte profissional é legal.

        Ocorre que a Constituição aceita o patrocínio de certames esportivos, mas ninguém duvida que a seguridade social, com saúde, previdência e assistência social, é mais importante para seus usuários, mesmo que os gastos com a Copa sejam todos honestíssimos.

        Se o dinheiro a desembolsar em obras para um único evento do futebol fosse aplicado em hospitais, centros de saúde, na assistência aos seus segurados, aposentados, beneficiários do SUS (artigos 194 a 204 da Constituição) e em moradias para todos, seria melhor.

        Os recursos reduzidos da escola pública não permitem preparar o aluno para os embates da vida. Por isso mesmo cada brasileiro tem, mais que o direito, o dever de estar atento e emitir sua opinião a respeito, individualmente ou em seu grupo social, porque no fim de tudo o dinheiro sai mesmo de nosso bolso.

        As atuais pressões de gastos visam o esporte profissional, mas a Constituição privilegia a educação, direito de todos (artigos 205 a 214) e a cultura (215 e 216) e, ao tratar do desporto afirma a prioridade do esporte educacional e amador.

        O mesmo se diga de verbas para ciência e para a tecnologia, essenciais na melhora da vida do brasileiro. Apesar dessa ordem de preferências, nem as verbas dos Jogos Olímpicos competem com o futebol.

        O povo, tendo o pão e circo do futebol, vai sentir-se feliz, dizem os espertos. Não basta. Antes temos de saber se as entidades do futebol merecem confiança, na aplicação das verbas públicas e se é equilibrada a divisão dos recursos oficiais com outros interesses da população.

        Na esfera federal, a presidente Dilma deve evitar concentração excessiva dos recursos em um segmento da sociedade em detrimento de todos os outros.

Por José da Cruz às 21h27

Futebol: o emocionante Campeonato Candango

Por Walter Guimarães

Resumo do emocionante Campeonato Brasiliense de Futebol, encerrado há duas semanas, na capital da República, cujo governo constroi gigantesco estádio para 75 mil torcedores:

70 jogos

Renda total:    R$ 687.433,00

Média por jogo: R$ 9.820,00

Público total: 138.889 torcedores

Média de público: 1.984/jogo

Média de pagantes: 1.194/jogo

Público

Acima de 10 mil torcedores: apenas três partidas

Entre 5.000 e 10.000 torcedores: apenas um jogo

Entre 1.000 e 4.999 pessoas: 34 partidas

Com menos de 1.000 testemunhas: 32 partidas

Quatro jogos tiveram público inferior a 100 pessoas.

Curiosidades

        O público total do Campeonato Brasiliense (138.889 torcedores) corresponde a apenas duas lotações do novo Estádio Mané Garrincha

        Em Belém, apenas o jogo Remo x Paysandu, pelo primeiro turno do Campeonato Paraense, teve renda de R$ 701.160,00, com 35.852 pagantes.

        Dos oito clubes que disputaram o Campeonato Brasiliense de 2011, apenas quatro fecharam a temporada com balanço positivo.

       

Fonte: borderôs da Federação Brasiliense de Futebol

Walter Guimarães é jornalista investigativo e pesquisador sobre assuntos do futebol

Minha análise

        Enquanto o governador do Distrito Federal, o médico Agnelo Queiroz, investe uma fortuna no novo estádio Mané Garrincha, a população continua sem saber o que será feito desse gigante de concreto depois dos cinco jogos que receberá na Copa 2014.

        No discurso oficial, o governador petista diz que o estádio será utilizado para "shows", como se isso justificasse gasto de mais de R$ 1 bilhão. Mas o mesmo governo é incapaz de prever o custo total da obra, pois até agora nem planilha de preços unitários para o estádio foi apresentada, como já foi identificado por fiscalizações oficiais. 

        É a irresponsabilidade do governante que se expressa em vaidade pessoal, sem medir as consequências de tamanho desperdício orçamentário.

Por José da Cruz às 23h09

03/06/2011

TCU constata falta de metas para o esporte

          O relatório do Tribunal de Contas da União sobre o último ano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, divulgado na quarta-feira, analisou, também, os programas do Ministério do Esporte, entre eles os de alcance popular.

Relato

        “Constatou-se, entre outros problemas, grande contingente de crianças e jovens sem acesso à iniciação da prática esportiva, inexistência de um sistema de encaminhamento de talentos esportivos, insuficiência de escolas de prática esportiva, entre outros”, diz  o TCU.   

         A rigor, não há novidades nas constatações dos auditores do Tribunal. Mas ao publicar a informação confirmo, com a análise oficial, as críticas que faço sobre a falta de uma política para o setor. Oito anos de ministério do Esporte, milhões de verbas públicas aplicadas  e um enorme vazio nos rumos das principais manifestações: educacional, lazer e rendimento. 

Falta de metas

Ainda segundo o relatório do TCU: “Nos dois últimos exercícios, não foram estabelecidas metas ou indicadores oficiais para avaliação do desempenho da lei de incentivo ao esporte”.

        Sem comentários.

Prestações de contas se acumulam

Já na área administrativa, os problemas são comuns aos demais órgãos de governo na Esplanada dos Ministérios.

Por exemplo:

Em 2009, o Ministério do Esporte tinha um estoque de 1.391 processos de prestações de contas não analisadas, totalizando R$ 1,3 milhão em recursos públicos pendentes de avaliação.

Já em 31 de dezembro de 2010, eram 1.493 processos pendentes, com R$ 801 milhões aplicados, mas sem análise das respectivas prestações de contas.

A falta de funcionários adequados ao serviço público é um dos motivos para que as prestações de contas se acumulem. Mas, sobre a terceirização de funcionários comentarei a seguir.   

Por José da Cruz às 10h24

02/06/2011

O Brasil comprou a Copa?

Na Folha de S.Paulo

CLÓVIS ROSSI


         SÃO PAULO - Agora que o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, admitiu candidamente que o Qatar "comprou" a Copa do Mundo de 2022, vale perguntar se o Brasil comprou a Copa de 2014.
        Pergunta impertinente mas que tem toda a lógica, se o leitor acompanhar o breve histórico feito por Rob Hughes, patriarca do colunismo esportivo, que escreve para o "Times" de Londres mas tem sua coluna publicada também pelo "International Herald Tribune".
Hughes diz que o afastamento, por suspeita de corrupção, de dois altos dirigentes da Fifa (Mohamed bin Hammam e Jack Warner) "dá credibilidade às muitas pessoas de fora que vêm dizendo há anos que a Fifa é tão institucionalmente corrupta que ninguém pode salvá-la ou reformá-la".
        A hipótese de que a Copa veio para o Brasil pela corrupção institucionalizada fica reforçada pela descrição que o colunista faz de como evoluíram as coisas a partir do reinado do brasileiro João Havelange.

        Segundo Hughes, "Havelange ganhou poder basicamente por meio do sistema um-país-um-voto pelo qual a Fifa escolhe seu presidente -e ganhou-o substancialmente por persuadir pequenas federações nacionais na África e, depois, no Caribe e na Ásia, a votar por ele. Em troca, deu a elas dinheiro [da Fifa] para erguer suas próprias estruturas. Pagou por isso vendendo a joia da coroa do futebol, a Copa do Mundo", transformada em "um triângulo dourado (Copa, exposição na TV e patrocínio das corporações) que se autoperpetua".
        Só resta acrescentar que quem trouxe a Copa-2014 para o Brasil chama-se Ricardo Teixeira, que, além de presidente da CBF, é genro de Havelange, o construtor do "triângulo de ouro".
        É sempre possível que a Copa tenha vindo para o Brasil porque somos um país maravilhoso, de gente linda e amável. Mas você excluiria liminarmente outra hipótese menos glamourosa?

Por José da Cruz às 22h18

Petrobras faz avaliação das modalidades olímpicas que patrocina

Numa iniciativa rara entre as empresas estatais que investem no esporte nacional, a Petrobras realizará nesta sexta-feira a sua primeira reunião de avaliação e planejamento das modalidades olímpicas que patrocina.

O encontro, no Rio de Janeiro, terá a presença de atletas, entre eles a paranaense Natália Flavigna, do taekwondo, medalha de bronze nos Jogos de Pequim.

O programa Petrobras Esporte & Cidadania – com investimentos de R$ 245 milhões, até 2014 –, voltado para o alto rendimento, concentra cinco modalidades, coordenadas pelo Instituto Passe de Mágica, da ex-jogadora Magic Paula: boxe, taekwondo, remo, esgrima e levantamento de peso.

O gerente de Patrocínios Esportivos da Petrobras, Claudio Thompson, Newton Koji Uchida, do Ministério do Esporte, representantes das confederações e Magic Paula farão a avaliação, junto com os seguintes atletas: Roseli Feitosa, do boxe, Jaqueline Ferreira, do levantamento de peso, o remador João Hildebrando Júnior e a esgrimista Karina Lakerbai.

A reunião, às 15h30, será no Guanabara Palace Hotel (Av. Presidente Vargas, 392).

Por José da Cruz às 19h57

Ricardo Teixeira na Câmara dos Deputados

Por José da Cruz às 17h11

TCE aponta erros e suspende licitação do Estádio Independência

 Por Bruno Moreno

 Do jornal Hoje em Dia

Com suspeitas de irregularidade, TCE suspendeu licitação da segunda etapa da obra do estádio, em Belo Horizonte. A entrega seria em 2010, mas já não há garantias de que o trabalho termine este ano.

            A notícia completa está aqui.

Por José da Cruz às 16h11

TCU faz novo alerta sobre “elefantes brancos"

        O mais recente relatório do Tribunal de Contas da União sobre as obras para a Copa do Mundo de 2014 foi entregue no II Seminário de Fiscalização e Controle dos Recursos Públicos, na Câmara dos Deputados, realizado nesta quarta-feira, em Brasília.

        Os dados oficiais revelam como o país perdeu tempo, desde que conquistou a sede da Copa, em 2007, e não se preparou com planejamento adequado para receber o grande evento. “Estamos a 38 meses do início dos jogos e a construção de um estádio dura até 36 meses”, disse João Alberto Viol, do Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia Consultiva.

        O seminário reuniu representes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de auditores do Tribunal de Contas da União. Eles debateram sobre a forma de tornar cada vez mais transparente os gastos públicos.

Estádios

        Enquanto o secretário executivo do Ministério do Esporte, Waldemar Silva de Souza, garantia que os 12 estádios ficarão prontos a tempo para a competição de 2014, o representante do TCU, Marcelo Eira, alertava para o risco de termos “elefantes brancos”, ao final da Copa. Entre esses estádios estão os de Manaus, Natal, Cuiabá e Brasília.

        “Nenhum dos 12 estádios em construção tem capacidade abaixo de 40 mil espectadores. No entanto, alguns deles, como Cuiabá, Brasília, Manaus e Natal, não têm competições de futebol que justifiquem essa capacidade”, disse Marcelo Eira, secretário adjunto de Planejamento e Procedimentos do Tribunal de Contas da União.

Irregularidades

        Segundo o relatório do TCU, há vários casos de sobrepreços, isto é, valores acima dos de mercado.

        “A Arena Amazonas, por exemplo, ainda sem orçamento, registrou sobrepreço de R$ 71,2 milhões, numa amostra de R$ 200 milhões”, diz o relatório do Tribunal

        No Rio de Janeiro, o projeto de reforma do Maracanã ainda está sem orçamento...

        Já na ampliação do Aeroporto do Galeão, os técnicos do TCU identificaram sobrepreço de R$ 15 milhões na cotação de materiais. Se os valores não forem corrigidos registra-se o “superfaturamento”.

        Marcelo Eira alertou que, ao contrário dos estádios de futebol, aeroportos e projetos de mobilidade urbana, que têm matriz de responsabilidade bem especificada, ainda não há definições sobre outras áreas de importância, como as de Segurança, Saúde e Turismo.

Riscos

        Entre os riscos que o TCU registra nesta fase de preparação para a Copa está o desempenho da coordenação e supervisão de ações pelo Ministério do Esporte, assim especificado:

        “Ausência de informações tempestivas e desconhecimento de óbices que limitam o andamento normal das obras, com potencial prejuízo à adoção de providências para sanar os problemas relacionados ao cumprimento dos cronogramas pactuados”.

        Para saber mais sobre o relatório do TCU clique aqui

Por José da Cruz às 23h31

01/06/2011

Blatter, Werner, Valcke e a porcaria da Fifa

        O poço da FIFA parece não ter fundo. É infinito. A cada dia surge uma novidade que ajuda a colocar vários pontos de interrogação sobre a lisura daqueles que comandam o futebol mundial.

        Leia aqui o artigo do advogado paulista Alberto Murray Neto.

Por José da Cruz às 00h32

Copa e Olimpíada: fiscalização e controle

        Representando a ONG Contas Abertas, participarei nesta quarta-feira dos de debates sobre “Obras da Copa do Mundo e OIimpíada", às 15h, na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados. O painel faz parte do II Seminário de fiscalização e controle dos recursos públicos,  presidido pelo deputado baiano Sérgio Brito.

10h30 - 1º Painel: Avaliação da Eficácia da Estrutura do Poder Fiscalizatório no Brasil.
A Rede de Controle da Gestão Pública. Cooperação horizontal e vertical. Recuperação de créditos. Responsabilização de gestores e empresas envolvidas. Multas aplicadas. Acompanhamento dos processos judiciais.

Presidente da Mesa: Deputado Sérgio Brito

Expositores convidados:
Tribunal de Contas da União – Sr. Guilherme Henrique de La Rocque Almeida – Secretário-Geral de Controle Externo;

Controladoria-Geral da União – Sr. Valdir Agapito Teixeira – Secretário Federal de Controle Interno; Ministério Público junto ao TCU – Sr. Paulo Soares Bugarin – Subprocurador-Geral junto ao Tribunal de Contas da União; Advocacia-Geral da União - André Luiz de Almeida Mendonça – Procurador do Departamento do Patrimônio Público e Probidade Administrativa.
Debatedores:
Deputado Edson Santos , Deputado Anthony Garotinho, Deputado Ademir Camilo

14 horas - 2º Painel: A Fiscalização das Obras Públicas
Mecanismos de fiscalização de obras públicas. Paralisação de obras públicas com indícios de irregularidades graves. As mudanças propostas no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias 2012. Flexibilização da Lei de Licitações (Lei n.º 8.666/93).

Presidente da Mesa: Deputado Sérgio Brito

Expositores convidados:
Tribunal de Contas da União - Eduardo Nery Machado Filho – 3º Secretário de Fiscalização de Obras; Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados - Romiro Ribeiro - Consultor.

Debatedores:
Deputado Jorge Boeira, Deputado Moreira Mendes, Deputado Alexandre Santos

15 horas - 3º Painel: Obras da Copa do Mundo e Olimpíadas
Andamento das Obras. Medidas de controle adotadas. Caderno de Encargos. Privatização de aeroportos.

Presidente da Mesa: Deputado Sérgio Brito
Expositores convidados:
Tribunal de Contas da União - Marcelo Luiz Souza da Eira – Secretário-Adjunto de Planejamento e Procedimentos; Secretaria de Aviação Civil - Ministro de Estado Chefe Wagner Bittencourt de Oliveira; Associação Contas Abertas - José Cruz, Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) - João Alberto Viol – Presidente.

Debatedores:
Deputado Alexandre Santos – Relator da Subcomissão da Copa, Deputado Fernando Francischini, Deputado Nelson Bornier

Por José da Cruz às 23h29

Ministério do Esporte: agora em alta velocidade

        Depois de se responsabilizar pela segurança nos estádios de futebol, anunciando implantação de circuito fechado de TV, ignorando a obrigação dos clubes prevista no Estatuto do Torcedor;

        Depois de assumir o papel fiscalizador e até cadastrar torcedores, substituindo a competência das secretarias de Segurança Pública estaduais ...

        ... agora o Ministério do Esporte se responsabiliza pelo projeto do novo autódromo do Rio de Janeiro, que substituirá o atual, onde será construído o Parque Olímpico para os Jogos de 2016.

        A notícia está na página do Ministério do Esporte.

        Agora em alta velocidade.

Enquanto isso...

       ... a 105 dias dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, centenas de competidores ainda não viram a cor do dinheiro da Bolsa Atleta de 2010...

Por José da Cruz às 23h05

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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