Blog do José Cruz

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31/05/2011

Manutenção do COB custa o dobro do valor aplicado no desporto escolar e universitário

        As loterias federais contribuíram com R$ 142,7 milhões para o desenvolvimento do esporte nacional em 2010, apenas no cumprimento da Lei 10.264/2001, conhecida por Lei Agnelo Piva.

Desse total, R$ 24 milhões (13%) foram para despesas de manutenção do Comitê Olímpico Brasileiro, com sede no Rio de Janeiro. O valor supera os R$ 21,8 milhões destinados ao desporto escolar e ao universitário, e é o dobro do aplicado em projetos de fomento.

A lei

Criada em 2001, a Lei 10.264/2001 repassa 2% das loterias federais para os esportes olímpicos e paraolímpicos. Os números constam do balanço da Lei Agnelo Piva,  divulgados ontem.

Balanço

        No total, o COB recebeu R$ 142,7 milhões, em 2010.      Conforme o balanço, R$ 45,7 milhões financiaram projetos das confederações (13%).

        Em dezembro de 2010, o COB registrou um saldo positivo de R$ 36,8 milhões, a título de “fundo de reserva”, garantia para saldar “restos a pagar”.

Análise

        É expressiva – e crescente – a participação das loterias federais nos projetos do esporte de rendimento, com repasses que se renovam, desde 2001.

        Outras fontes contribuem para o esporte, como o orçamento do Ministério do Esporte, a Lei de Incentivo e o patrocínio de oito estatais a 17 modalidades.

Falha

        Porém, o esporte de rendimento ainda carece de um balanço geral que concentre a destinação de todos os recursos, isto é, das diferentes fontes. Só assim seria possível uma avaliação efetiva sobre o real aproveitamento do dinheiro público na busca das metas fixadas.

        Este trabalho, indispensável, deveria ser tarefa do Ministério do Esporte que, no entanto, é omisso.

        É uma falha gravíssima, pois recentemente comentamos sobre o balanço de 2010 da Confederação de Basquete, com resultado de falência, fosse ela uma entidade empresarial. No entanto, a mesma confederação recebe recursos da Lei Agnelo Piva, mas precisa realiza empréstimos bancários com juros de até 51% ao ano. Estará o dinheiro público pagando juros a bancos privados como o Itaú e Bradesco? Quantas confederações enfrentam a mesma realidade?

        Enquanto isso, o COB, que é o gestor de uma lei para o desenvolvimento do esporte, fechou o ano de 2010 com saldo em caixa de R$ 48,6 milhões disponíveis para três frentes:confederações e desportos escolar e universitário, e mais R$ 36,8 em fundo de reserva.

        Enfim, não surpreende. Há muito escrevo que não faltam recursos para o esporte. A década foi riquíssima. Mas falta uma gestão integrada, já que a economia do esporte é altamente estatizada. Porém, sem metas e objetivos bem definidos entre as entidades públicas e privadas.

O balanço do COB de 2010 está aqui

Por José da Cruz às 00h42

29/05/2011

A Copa e os políticos

       A presidente Dilma Roussef deverá se reunir amanhã com prefeitos e governadores dos estados e cidades-sedes da Copa 2014. O encontro está programado há um mês. 

       A revista Veja que está nas bancas anuncia no Panorama Radar que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não irá.

       Diz assim:

       “Kassab recebeu um aviso do Palácio do Planalto: é melhor arranjar outro compromisso e não aparecer”.

       Motivo do recado:

       “Gilberto Kassab teria prometido investigar sobre um suposto vazamento de informações do caso Palocci, oriundo da Secretaria Municipal de Finanças. O Planalto esperou em vão”.  

       Apesar disso, acredito que Kassab aparecerá. Ou mandará representante, no mínimo.

       Já passou da hora - há muito - de a presidente Dilma Roussef olhar na cara de cada governante e exigir responsabilidade nas suas ações para a Copa 2014.

       De qualquer forma, confirma-se o que tenho escrito: os problemas da Copa 2014 são, antes de tudo, políticos; envolvem prefeitos, governadores, Ministério do Esporte e Palácio do Planalto.     

       Amanhã será mais um capítulo dessa novela.  E, ao final, todos se abraçarão escondendo as desavenças e jurando que são amigos para sempre.

Por José da Cruz às 20h57

Copa 2014: estádios baratinhos

        Um dos problemas para o atraso nas obras do Itaquerão é o alto orçamento: R$ 1,51 bilhão.

        Para reduzir os gastos os projetistas tiraram cerca de 50 mil metros quadrados de uma área que era destinada ao estacionamento da arena, informa o Painel da Folha de S.Paulo deste domingo.

        Mas, se quiserem reduzir mais, consultem o governo do Distrito Federal.

        Aqui, o estádio de 72 mil lugares que está sendo construído é baratinho, apenas R$ 650 milhões.

        E sabem como economizaram?

        Não cotaram os preços da grama, da cobertura, do placar eletrônico, dos elevadores, das cadeiras, do sistema de iluminação ...

        Está aí a receita. Afinal, tudo isso não faz a mínima falta num estádio moderno, não é mesmo?     

        Depois, no dia da inauguração, vem a notícia: "Estádio cutou R$ 1,5 bilhão"! Mas aí tá todo mundo feliz, é dia de festa e a bola vai rolar.

        E bota bola nisso...

Por José da Cruz às 12h12

Ainda o Barcelona — o futebol do futuro

Por Sérgio Siqueira

Do blog Sanatório da Notícia

        Então tá, não sou rico nem nada, não moro na Europa e tenho um televisor razoável na sala: munido de pipoca, guaraná e um band-aid no calcanhar acomodei-me na poltrona da sala. Sozinho, como gosto de ver futebol.

        E, por 90 minutos, mais um século de intervalos inteligentes, comentários e reportagens vi 51 polegadas da “final da década”, uma boa idéia! Tanto é que não precisei desembolsar 5 mil euros para que os cambistas me deixassem entrar no templo sagrado de Wembley.

        Precavidos, os dois times entraram em campo sem saber para quem é que Lula – o corintiano mais roxo do mundo nessa horas - enviara, na véspera, uma de suas mensagens de boa sorte dizendo para quem estaria torcendo.

        Para os donos do Barcelona e do Manchester, o esporte por esporte é uma tremenda bola fora.

        Ainda nem se realizara o sorteio da Mega-Sena de R$ 37 milhões desse glorioso sábado e Barcelona e Manchester United já tinham faturado 20 vezes mais do que o bolão que a Caixa bate todo santo dia aqui no Brasil. Faz sentido, esse é o Programa de Aceleração do Crescimento do Patrimônio deles lá.

        A saída de bola já foi, de cara, um bolão de euros para o lado adversário que impediu o lançamento para a rede de negócios do Barcelona. Os britânicos roubaram o lance e chutaram o business para a zona do agrião da Catalunha, onde queriam investir com profundidade.

        A grande jogada, no entanto – merecedora de cartão vermelho - passou em brancas nuvens: Joseph Blatter foi envolvido vergonhosamente por um drible de mestre da tabelinha imbatível Ricardo Teixeira/João Havelange. Nenhum dos juízes teve forças para impugnar o lance. Até porque tudo ocorreu fora das quatro linhas.

        Por isso mesmo, Blatter pensa acionar seu departamento de marketing e negociar o lance com as maiores redes mundiais de TV na base do “Vale a Pena Ver de Novo”.

        Logo deu para ver: Messi, o pibe argentino que nasceu para o futebol na Espanha é para o Barcelona, o Pelé que Palocci representa para o governo brasileiro: um estrondoso sucesso econômico; Messi não é uma arma do Barça; é um Baú da Felicidade.

        Daí pra frente, o Barça impôs seu estilo de jogo “o que é do homem os bichos não comem”. Pegava a bola e não largava.

        Aos pouquinhos, como bom telespectador que não é fanático pelo Barcelona, mas é brasileiro com muito orgulho, com muito amooor, descobri o segredo do time espanhol: Daniel Alves! Sem ele, Messi não seria quem e nem o que é e o Barcelona não jogaria nada.

        Para o presidente do clube inglês, “o Tetra do Barcelona não se compara com o inesquecível Tri do Manchester”. Gosto é gosto; é que nem política e futebol: não se discute.

        Ninguém está falando nisso, mas a derrota deixa a impressão de que se instalou uma pesada crise no Manchester. Nada, no entanto, que se compare ao rebuliço de um kit gay, ou que a Marcha da Maconha não possa resolver.

Pronto, feito o carreto!

        Só depois do jogo é que me dei conta: acabei não assistindo à tal “final da década”. O que vi na TV foi o choque entre duas grandes fábricas de dinheiro grosso. O Manchester jogou seus 48,8 milhões de euros contra os 39,1 milhões do Barcelona. Dinheiro velho, na verdade, posto que esse total de quase 90 milhões de euros se refere apenas ao que eles faturaram no ano passado.

        Cada jogo do Manchester leva, assim por baixo, 76 mil torcedores ao estádio e gera coisa de 3,5 milhões de libras em receitas que curam qualquer dor de cabeça.

        As apresentações do Barcelona – ele não joga, dá show – geraram apenas no ano passado, mais de meio bilhão de euros – receita que dá e sobra para pagar os gastos salariais do clube que ultrapassam 235 milhões de euros.

        Os ganhos com marketing do Barça pularam de 25,3 milhões de euros em 2003 para 120,9 milhões em 2010. Uma evolução patrimonial de 378% só nessa zona do agrião.

        Note-se que esse crescimento se deu em oito anos – tempo igual ao que cada um dos dois últimos presidentes da República levaram para endividar o Brasil.

        Os cartolas do Manchester não se abatem. Para compensar os prejuízos de mercado que a derrota proporciona desde já, pensam em contratar um consultor técnico.

        Não se iluda, porém. Não, nem o Barcelona e nem o Manchester United, pensam em contratar Palocci como técnico dos seus Programas de Aceleração de Crescimento do Patrimônio.

        Ah, sim... Informação de bastidores: Barcelona e Manchester United já estão se digladiando uma vez mais. A disputa agora é pela contratação do herdeiro de Neymar. Ainda que seja uma menina, eles já projetam a primazia das próximas edições da Copa do Mundo de Futebol Feminino.

        Barcelona e Manchester não se preocupam apenas com os seus PACs esportivos; para eles o futebol do futuro é tão importante que exige até um rigoroso planejamento familiar. O pai de Neymar já mandou ele parar com certas atividades extra-campo!

RODAPÉ - Se você quer falar sério sobre o futebol e suas circunstâncias, leia os blogs do Cruz e do Juca Kfouri.  Por aqui, a minha pipoca acabou. Vou ver se janto no vizinho. Ele estava torcendo para o Manchester.

Por José da Cruz às 11h31

28/05/2011

Copa 2014: sem comando e sem rumo

       Matéria de Rodrigo Farah, no UOL Esporte: o ministro do Esporte, Orlando Silva disse que “São Paulo tem que acordar e preparar um estádio”.

       Surpreendentemente é a mesma citação feita por ele há dois anos.

E fixou novo prazo:

       "O limite para São Paulo mostrar o que pretende em 2014 será julho, quando as autoridades da Fifa estarão por aqui.”

E citou os responsáveis:

         “A responsabilidade é das autoridades. É um erro achar que o Corinthians deve assumir essa responsabilidade”, disse.

         Opa! Isso é grave! Significa que os governos – do município, Estado e União – devem colocar dinheiro na obra de um estádio particular? Exatamente o contrário do que havia pregado o ex-presidente Lula?

         Afinal, onde está a iniciativa privada?

Sem rumo

         A verdade é que o Brasil da Copa está perdido, inclinado, sem rumo. Não temos um Gabinete forte institucional, técnico ou politicamente falando.

         Não temos nem Gabinete da Copa, para ser real.

         Já o presidente do Comitê Local, Ricardo Teixeira, está apagando incêndio na Suíça onde o seu nome é citado por escândalos de subornos financeiros junto à  Fifa.

         A presidente Dilma Rousseff, por sua vez, está enroladíssima com o enriquecimento suspeito de seu ministro Palocci. Assim, cadê tempo para cuidar dos assuntos da bola?

         E falta expressão política ao ministro Orlando Silva para se impor junto aos governantes de estados e municípios sedes da Copa, onde a disputa partidária é visível e de chutes na canela.

         Logo, continuamos na mesma. Sem  comando e sem rumo.

Por José da Cruz às 18h20

Barcelona: mão na taça e na grana

        Com a vitória de 3 x 1 sobre o Manchester, o Barcelona conquistou o título europeu, que a cada ano registra recordes milionários na movimentação financeira.

        Na penúltima temporada, por exemplo, a UEFA repassou 746,4 milhões de euros, aos 32 clubes participantes. O valor representou um crescimento de 28% em relação a 2008-09 e 71% superior aos valores que os clubes receberam na competição de 2005-06.

        As informações são do analista paulista, Amir Somoggi, da empresa de BDO RCS Auditores Independentes.

        Antes do balanço desta temporada que se encerra, quem lidera as receitas da UEFA é a Inter, de Milão, com 48,8 milhões de euros. O Manchester vem em segundo, com 45 milhões de euros, e o Bayern de Munique com 44,9 milhões. O Barcelona é o quarto no ranking, 39,1 milhões.

        “Disputar a final e conquistar ou não o titulo da competição não se resume somente a um aumento ou redução de uma remuneração fixa oferecida pela UEFA. O maior impacto para os finalistas está na exposição global do jogo, e os impactos que essa ampla audiência gera para os negócios dos clubes”, avalia Amir Somoggi.

Por José da Cruz às 17h55

Fifa acende luz amarela para Copa-14

Do blog de Marcondes Brito

        Em comunicado oficial, a Fifa tornou pública a sua preocupação com o atraso nas obras de infraestrutura da Copa do Mundo no Brasil, em 2014:

        “É crucial que todos os locais que sediarão a Copa do Mundo da Fifa tenham infraestrutura adequada, que atenda aos milhares de espectadores e possibilite que eles se movimentem pela cidade para irem a um jogo. Se esse não for o caso, não poderemos sediar jogos nessas cidades”, diz o secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke.

        O artigo completo está no seguinte endereço, entre os meus favoritos:

http://blogs.band.com.br/marcondesbrito/2011/05/27/fifa-acende-luz-amarela-para-copa-14/

Por José da Cruz às 11h19

Desafio

            O que começará primeiro:

         1) - 0s treinos de Adriano?

         2) - As obras do estádio do Corinthians?

         3) - A transparência nas contas da Copa 2014?

Por José da Cruz às 10h42

27/05/2011

A FIFA, a CBF e a falta de transparência no dinheiro do futebol

         Se havia algum receio para instalar a CPI da CBF, com temor de provocar desgaste nacional no país da Copa e da Olimpíada, agora não há mais empecilho para tal.

Os escândalos do futebol internacional, a partir da entidade maior, a Fifa, provocam reações no governo da Suíça para conter a voracidade da cartolagem sobre o dinheiro público, principalmente.

Os jornais europeus de hoje informam: o Parlamento Suíço determinou que a Federação Internacional de Futebol, a poderosa Fifa, dê transparência às questões financeiras do futebol.

Mais: que inclua na atualização de suas normas para aceitar auditorias externas.

A senadora Geraldine Savary, do parlamento suíço, apresentou um projeto de lei que obriga as entidades esportivas com sede naquele país a publicarem suas contas.  “Não há como continuar desse jeito”, disse a senadora.

Além da Fifa, o Comitê Olímpico Internacional tem sede na Suíça e deverá se submeter à norma.

Evasão de divisas

A exigência se fundamenta no seguinte: as entidades do esporte têm benefícios fiscais na Suíça. Mas crescem as suspeitas de evasão de divisas, a partir da própria Fifa.

Nos últimos dias também cresceram as denúncias de corrupção na poderosa entidade do futebol, envolvendo 24 membros de seu Comitê Executivo, todos acusados de corrupção, recebimento de propinas na venda de seus votos.

No Brasil

        O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, está na Suíça. Ele está entre os acusados de recebimento de propinas. Teixeira é o presidente do Comitê Organizador Local da Copa 2014, que não libera informações transparentes sobre as operações financeiras da entidade.

        Na rotina dos clubes profissionais filiados à CBF, o futebol tornou-se nos últimos anos um grande beneficiado dos cofres públicos.

Além de contar com recursos da Timemania, que destina dinheiro para cobrir um rombo de R$ 3 bilhões nas contas do fisco – a Lei de Incentivo Fiscal financia a formação de jogadores profissionais que, ao entrarem no mercado, enriquecem os cofres de entidades privadas.

Ministério do Esporte

Mais recentemente, até o Ministério do Esporte envolveu-se no assunto ao contratar uma empresa para promover o registro de torcedores. Em outro projeto, vai instalar circuito fechado de televisão em estádios privados para conter a violência.

Como se observa, o dinheiro público está financiando o futebol nacional, mas a transparência dessas ações, a partir do próprio Ministério do Esporte, é suspeita.

E as dúvidas crescem na medida em que cartolas, políticos e gestores governamentais se envolvem em torno dos assuntos da bola, cada um com seus objetivos específicos.

Assim, a partir dos escândalos internacionais, com repercussões internas junto à CBF, promotora da Copa do Mundo de 2014, e o envolvimento do Ministério do Esporte nas questões específicas de uma atividade particular e altamente rentável, não há mais como o Congresso Nacional se omitir.

É inadiável a investigação sobre tais ações, principalmente porque em seguida virão as Olimpíadas e aí começa outra história.

Por conta da Copa no Brasil, os Ministérios do Esporte, Turismo e Cultura já aplicaram, até agora,  R$ 80 milhões em “projetos”.

Agora vai?

Por José da Cruz às 11h23

26/05/2011

Bolsa Atleta: não olímpicos ainda esperam lista oficial

Faltam 141 dias para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, México, de 14 a 30 de outubro. Pouco mais de quatro meses.

Mas o Ministério do Esporte ainda não divulgou a lista dos bolsistas das modalidades não olímpicas, como boliche, caratê, softbol e patinação, que fazem parte do programa do Pan.

Os bolsistas receberão os valores retroativos a janeiro, informou a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento.

O problema é que os atletas dessas modalidades tiveram que se preparar durante todo o semestre sem esse importante apoio financeiro. Muitos sacrificando seus programas de treinamento por falta de recursos. E, por extensão, o desempenho final, no Pan.

Isso é real no nosso esporte.

Por José da Cruz às 17h07

25/05/2011

Jogo de dominó quer status de esporte

        O jogo de dominó está perto de ganhar status de “esporte”.

        Foi sobre isso que o presidente da Federação Internacional de Dominó, Lucas Guittard, conversou com autoridades do Ministério do Esporte. Está no site www.esporte.gov.br   

        Em janeiro deste ano foi fundada a Confederação Brasileira de Dominó, com sede em Brasília. O endereço eletrônico é: http://www.conbrad.org.br/

        O presidente Guittard disse que, além de integrar os parceiros o jogo “ajuda a retardar a manifestação de doenças degenerativas, como o Mal de Alzheimer e o de Parkinson”.

        A possibilidade de realização do Campeonato Mundial de Dominó de 2014, no Brasil, também fez parte da pauta do encontro.

        A notícia oficial não diz se "dominó" será tratado na Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento.

        Adeptos do jogo de bolinha de gude, festival de pipas, corrida infantil com pernas de pau, palavras cruzadas e sudoku ainda não encaminharam pedido para também terem o selo oficial de “status de esporte”. 

Por José da Cruz às 19h00

Deputado Ratinho retira projeto de “ torcida única” em estádios

        O deputado Ratinho Júnior retirou da pauta da Comissão de Turismo e Esporte o projeto de lei que limita o acesso de torcida única a jogos de futebol.

        O relator do projeto, deputado Danrley, que era contrário à proposta, disse que o deputado pediu a retirada do projeto para “discutí-lo mais, antes de sua votação”. Ratinho não compareceu à reunião de ontem, na Comissão de Turismo e Esporte.

        Conforme o projeto, que aqui já se debateu, o clube que vendesse ingressos para mais de uma torcida seria punido com a perda de campo por seis meses, no mínimo.         

        O objetivo da medida, segundo o autor, era acabar com o confronto entre torcedores e, assim, tentar reduzir a violência nas praças de esportes.

Por José da Cruz às 18h20

Basquete: vitória só dentro da quadra; fora, o desrespeito de sempre

Talitha Kalix – jornalista

Ver a equipe de basquete de Brasília comemorar o bicampeonato em casa é emocionante para o apaixonado por esporte. A noite desta terça-feira teria sido inesquecível para mim, se não fosse pelo gosto amargo que ficou do desrespeito dos organizadores do evento com a torcida, que bateu recorde e gerou a maior bilheteria do campeonato: o ginásio Nilson Nelson estava superlotado, com muita gente além da capacidade, comprometendo a segurança de todos. A renda, como de costume, não foi divulgada...

A SporTV anunciou que 18 mil pessoas compareceram à partida decisiva. O site da Fifa diz que o ginásio, reformado em 2008 para o Mundial de Futsal, tem capacidade para 16.600 pessoas. Se a informação procede, havia, no mínimo, 1.400 pessoas acima do permitido no Nilson Nelson. 

Sem a informação oficial dos organizadores, não dá para saber… Mas constatei que o Estatuto do Torcedor mais uma vez foi ignorado: na entrada do ginásio, os segurança não devolviam o canhoto do ingresso para os torcedores. Quando pedi, responderam que “não precisava”. Assim, o ingresso que eu comprei e usei ficou intacto, podendo ser reutilizado. E eu fiquei sem meu comprovante, como manda a lei.

Já dentro do estádio, com todos os lugares ocupados, as escadas e corredores ficaram apinhados de gente, impedindo a circulação. Eu e tantos outros torcedores, que chegamos cedo prevendo que a casa estaria lotada, nos vimos impedidos de circular durante o jogo: não havia como sair do lance da arquibancada onde estávamos. Se houvesse qualquer tipo de emergência, o Nilson Nelson seria palco de uma tragédia horrorosa.

No fim, a conquista esportiva brilhante dos jogadores do UniCeub/BRB ficou ofuscada. Se Brasília pode se orgulhar de ter um basquete de altíssimo nível, o melhor do Brasil, no campo da organização, a irresponsabilidade dos dirigentes continua imperando. Saí do ginásio triste.

Por José da Cruz às 10h21

Basquete faz a festa na quadra, enquanto revela escândalo nas suas finanças

        Parabéns à equipe Brasília que conquistou o bicampeonato nacional do Novo Basquete Brasil, com vitória de 77 x 68 sobre Franca, fechando a série com três vitórias e uma derrota.

        Ginásio Nilson Nelson lotado – 18 mil pessoas, na capital da República. A competição toda foi assim, público sempre em cima, confirmando a popularidade do basquete num campeonato ainda limitado a poucos e privilegiados estados.

Balanço

        Faço essa observação para voltar a um assunto que havia prometido: a gestão financeira da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

        Afinal, porque um esporte com tal popularidade e apelo televisivo e ótimos patrocinadores tem uma administração fracassada?

        Reporto-me ao balanço de 2010 da CBB, que revelou um déficit de R$ 2 milhões, isto é, quase o dobro do resultado negativo registrado em 2009.

        Pior: esse déficit corresponde a 92% dos ativos – todos os bens da Confederação.

Análise

        Uma análise do professor Jorge Eduardo Scarpin, para o excelente blog Bala na Cesta (http://balanacesta.blogspot.com/), assinado pelo companheiro Fábio Balassiano, conclui que o montante de dívidas de curto prazo da CBB, para 2011, passa dos R$ 5 milhões.

Juros de 51%

        Talvez isso justifique os empréstimos de R$ 4,2 milhões junto aos bancos Itaú e Bradesco, a juros que chegam a fenomenais 51,11% ao ano.

        Palavras do auditor Jorge Eduardo Scarpin, que é doutor em Ciências Contábeis e Administração:

        “Os juros altíssimos significam que os bancos estão querendo ganhar rios de dinheiro em cima da Confederação de Basquete? Errado. Isso significa que são empréstimos, provavelmente, sem garantias, com elevado riscos de calote. Neste caso, a taxa de juros é alta para quem quer que seja”.

E daí?

        Ocorre que a Confederação Brasileira de Basquete –como tantas outras – é altamente estatizada em suas finanças, mas sem qualquer fiscalização governamental no uso dos recursos.

        O dinheiro é repassado pelo Ministério do Esporte, pela Lei Piva (via Comitê Olímpico Brasileiro) e, principalmente, pela patrocinadora, a Eletrobrás, que em 2010 destinou R$ 11,4 milhões à CBB.

        Ou seja, o Governo, por várias fontes, entrega milhões de reais para gestores que levam a confederação à falência. Isso mesmo. Fosse a CBB uma empresa privada estaria fechando as portas. Mesmo assim, seus diretores nem sequer são questionados sobre essa gestão fracassada, de alto risco na operação do dinheiro público.

Adiantamentos

        É nesse panorama que a Confederação ainda faz empréstimos a seus diretores, pois tem a receber R$ 236 mil, a título de “adiantamentos”.

        E o que diz o Ministério do Esporte sobre isso, através de sua Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento?

        E o Comitê Olímpico Brasileiro, sobre tal balanço?

        E a Eletrobrás, que renova o contrato sem questionamentos maiores?

        E o presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Carlos Nunes, que não responde às indagações que lhe envio há dois anos?

        Lamentavelmente é a realidade fora de quadra, que contrasta com a festa desta noite, no final do Campeonato, em Brasília. E pensar que temos um Ministério do Esporte...

Por José da Cruz às 00h09

24/05/2011

Lei Pelé será regulamentada 13 anos depois. Mas atleta não opina

       Depois de 13 anos, a Lei nº 9.615/98 – conhecida como Lei Pelé – será, enfim, totalmente regulamentada.

       Mais de uma década de vigência, várias reformas – a maioria exigida pela cartolagem do futebol – e a lei tornou-se um enorme remendo. Mas sem regulamentação total, o que significa ter vários artigos inúteis, pois não se sabe como aplicá-los. Treze anos... mais de uma década...

       Agora, uma comissão de 11 pessoas (lista abaixo), nomeada pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, já está trabalhando na regulamentação. Antes tarde...

Atletas

       O estranho é que os atletas não estão representados na comissão. A Lei Pelé trata do esporte em geral e das relações dos atletas com os clubes ou empresas, dos contratos, seguros etc. Mas nenhum atleta está no grupo que vai regulamentar a lei.

       Já o segmento dos ex-atletas é representado por Rinaldo José Martorelli. Ex-goleiro do Palmeiras ele é o presidente do Sindicato dos Atletas de São Paulo.

       Mas, e atletas na ativa? nenhum na comissão! Mesmo porque, a realidade do futebol não é a mesma dos esportes individuais, como natação, atletismo, tênis de mesa...

       Ou seja, a Lei Pelé, que interessa aos atletas será regulamentada sob a ótica dos cartolas, burocratas, dirigentes e advogados do esporte.

Reunião

       A primeira reunião foi na semana passada, em Brasília, presidida pelo secretário executivo do Ministério do Esporte, Waldemar de Souza.

       O grupo terá até 4 de julho – 60 dias – para apresentar um anteprojeto, que será encaminhado ao Congresso Nacional.

A comissão    

   I - Alcino Reis Rocha;

   II - Álvaro Melo Filho – advogado de esportes

   III - Andrew Parsons – presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro

   IV - Arialdo Boscolo – presidente da Confederação Brasileira de Clubes

   V- Márcia Beatriz Lins – Secretária de Esportes do RJ

   VI - Mustafa Contursi – conselheiro vitalício do Palmeiras

   VII - Ricardo Leyser – secretário nacional de Alto Rendimento

   VIII - Rinaldo José Martorelli – presidente do Sindicato de Atletas de São Paulo

   IX - Sérgio Lobo – representante do Comitê Olímpico

   X - Waldemar de Souza – Secretário executivo do Ministério do Esporte

   XI - Wladimyr Vinycius Camargos – advogado, relator do projeto.

   Próxima reunião: 2 de junho

 

Por José da Cruz às 23h30

23/05/2011

Copa e Olimpíada: "Porto Maravilha" terá debate público, no Rio

         O projeto “Porto Maravilha”, de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, uma das metas para a Copa 2014 e Jogos Olímpicos de 2016, terá audiência pública nesta terça-feira, 24 de maio.

        “Impactos do Porto Maravilha sobre o Direito à Moradia” é o tema central dos debates, que serão realizados na Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, órgão do Ministério Público Federal.

        Em 7 de junho, outra audiência pública abordará sobre “Os impactos das obras para a Copa e Olimpíada no Rio”.

        As audiências públicas são resultado de iniciativas comunitárias, como o Comitê Popular da Copa e Olimpíada, junto ao Ministério Público Federal.

Programe-se e participe:

        Dia:  24 de maio

        Horário: 14h

        Local: Ministério Público Federal – Av. Nilo Peçanha 31, auditório (6º andar) – Rio de Janeiro

O projeto

        Lançado no ano passado, o Projeto Porto Maravilha é uma parceria entre os governos federal, estadual e municipal para revitalizar a Zona Portuária do Rio de Janeiro.

Porém, há dúvidas sobre o impacto  dessas mudanças na população carioca, principalmente da área comercial. Daí a importância da audiência pública, pois os promotores das áreas de patrimônio público e meio ambiente, por exemplo, poderão agir para promover as correções necessárias no projeto.

Por José da Cruz às 18h09

Agora vai...

Angeli exibe o lado trágico do humor

Por José da Cruz às 14h57

A Copa de 2038 ...

             Na revista Veja desta semana, reportagem de Kalleo Coura com o mais recente balanço sobre o atraso nas obas dos estádios para a Copa 2014.

         Diz o seguinte:

        “Mantidos os atuais padrões de gestão, organização e investimento, o Brasil tem todas as condições de fazer uma belíssima Copa do Mundo, mas só em 2038”.

         Em resumo:

        “O único estádio que vem mantendo o ritmo de execução de orçamento adequado é o Castelão, de Fortaleza”

         Afinal, quem responde por essa desordem,  junto à Fifa?

a) O Palácio do Planalto?

b) Os governadores dos estados da Copa?

c) Ricardo Teixeira?

d) Os prefeitos das cidades sedes?

e) O ministro do Esporte?

f)  O presidente do BNDES?

g) A Controladoria Geral da União?

h) A Secretaria de Futebol do Ministério do Esporte?

i) A Câmara dos Deputados?

k) O Senado Federal?

l) O Tribunal de Contas da União

Por José da Cruz às 23h48

22/05/2011

A Autoridade Pública Olímpica e o jogo político

            Quando desembarcar no Rio de Janeiro, em 7 de junho, para mais uma avaliação sobre os Jogos de 2016, a delegação do Comitê Olímpico Internacional ainda não terá uma autoridade brasileira para dialogar em nível governamental. Pelo menos oficialmente.

            Dois meses depois de convidado para assumir a presidência do consórcio Autoridade Pública Olímpica (APO), o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não foi nomeado para o cargo pela presidente Dilma Rousseff.

            Para que Meirelles seja nomeado, o Senado Federal precisa aprovar o seu nome, depois de argüição pública, conforme a Lei 12.396, de 21 de março última, que criou a APO.

            E por que o atraso?

            Há quem garanta que Meirelles e o seu partido, o PMDB, insistem para que o cargo da APO tenha nível de ministro. Como o governo resiste à proposta criou-se o impasse.

            Outro argumento: Meirelles seria candidato à prefeitura de São Paulo, na eleição do ano que vem, com o apoio do PSD, de Gilberto Kassab. Ou seja, ele teria que deixar as funções para participar da campanha.

            Por isso, não seria oportuna a nomeação, e o Palácio do Planalto já estaria buscando outro nome. E isso é complicado, pois a Autoridade Pública Olímpica é um consórcio entre os governos federal, estadual do Rio de Janeiro e o municipal. Imaginem a dificuldade para chegar a um  nome de consenso.  

            Até a crise envolvendo o ministro Antônio Palocci estaria contribuindo para a demora na ação do Senado.  

            Independentemente dos motivos, o governo falha no compromisso com o Comitê Olímpico Internacional, com riscos de atrasos nos cronogramas, por falta indecisões.

            E quando tudo isso se resolver, ainda assim teremos outra disputa, que poderá significar novo atraso: no Senado, a comissão de Constituição e Justiça disputa com a de Educação, Cultura e Esporte o direito de sabatinar o nome indicado para Autoridade Pública Olímpico.

            E no dia em que esse nome for aprovado começará, enfim a ser montado o gabinete da Autoridade Pública Olímpica: 160 cargos estão disponíveis. Novas disputas, claro.

            Como se vê, os legados dos Jogos Pan-Americanos, em 2007, não foram suficientes para que avançássemos nas relações do esporte. Mesmo diante de compromissos internacionais tão sérios, a classe política continua fazendo o seu jogo. E que jogo!

Por José da Cruz às 00h16

21/05/2011

Futebol: a esdrúxula proposta do deputado Ratinho

         É do deputado federal Carlos Roberto Massa Júnior – ou simplesmente Ratinho Júnior – o projeto de lei que proíbe a venda de ingressos para os torcedores de dois clubes que disputam determinada partida.

        Flamengo x Fluminense com torcidas frente a frente? Nem pensar!  Grêmio x Internacional, Corinthians x São Paulo? Nada disso!

        Para evitar confronto de torcedores, a excelência teve a brilhante idéia de promover jogos com torcida única. É o jogo da torcida isolada.

        Deputado paranaense pelo Partido Social Cristão (PSC), Ratinho Júnior – filho do apresentador Ratinho (SBT) – busca resolver os problemas de segurança pública eliminando o que há de mais tradicional no futebol mundial, o torcedor.

Argumento       

        Já em sua segunda legislatura parlamentar, Ratinho Júnior argumentou em seu projeto de lei: “Os alarmantes episódios de violência nos estádios brasileiros exigem medidas drásticas e urgentes”.

        Mas entre as medidas, Ratinho Júnior não esgotou as ações do sistema de segurança pública, por exemplo, prevista no próprio Estatuto do Torcedor.  Simplesmente foi pelo lado mais simples: proíbe que a torcida vá ao estádio.

        E a brilhante proposta surge no momento em que, de olho na Copa, se constroi gigantes de concreto para até 75 mil pessoas...

Salvador da pátria

        O projeto de lei de Ratinho foi cair nas mãos do deputado Danrlei, ex-goleiro do Grêmio, que sabe muito bem sobre a histórica importância das torcidas nos estádios.

        Como relator do projeto, Danrlei preparou parecer que apresentará na sessão da próxima terça-feira, na Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados.

        Em resumo: o deputado gaúcho estudou a legislação e considerou a proposta inconstitucional. Ele sugere “rejeição” ao projeto de lei. Arquive-se, pois.

Estupidez

        De estupidez chega essa do Ministério do Esporte, que atropela a Polícia e os sistemas de Segurança Pública municipal e estadual para cadastrar torcedor.

        No dia 5 de maio escrevi sobre isso:

        O Ministério do Esporte gastará R$ 6 milhões para cadastrar torcidas organizadas.

        Quem fará o trabalho é o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional, que receberá R$ 6 milhões.

Dúvida

        Gostaria muito de saber se na ficha cadastral do torcedor consta o endereço de quem se registra.

        Em caso positivo, será que o PCdoB, partido do ministro Orlando Silva, não usará esse espetacular cadastro que está sendo construído já na eleição municipal de 2012, para a remessa de propaganda de seus candidatos?  Quem pode garantir que isso não ocorrerá?

        Afinal, por que a Secretaria de Segurança Pública dos estados não se envolvem nesse trabalho? Compete ao governo federal registrar nome de torcedor e fiscalizar seu comportamento? O Ministério tem esse poder policial, invadindo, inclusive, as competências de estados e municípios?

        E essa invasão não sugere a desmoralização dos demais setores de governo que são preparados para esse trabalho com a obrigação de desenvolvê-lo?

        Assim como o projeto de lei de Ratinho Júnior, esse programa de R$ 6 milhões é estranho, muito estranho... E tudo em nome do futebol.

        Agora vai. 

Por José da Cruz às 09h30

20/05/2011

Copa 2014: Contratos com a Caixa Econômica chegam a R$ 4,4 bi

        O jornalista Walter Guimarães, da ONG Contas Abertas, pesquisou junto a Controladoria Geral da União sobre os recursos públicos para a Copa 2014 e concluiu, entre outras realidades:

        "Os valores de financiamento e investimento para as obras de estádios, mobilidade urbana, aeroportos, portos e segurança somam R$ 23,7 bilhões. Do total, estados e municípios já contratados R$ 11,2 bilhões, ou seja, 47% do valor disponível."

        A reportagem completa está aqui 

Por José da Cruz às 23h50

19/05/2011

São Paulo sem Copa

Na Folha de S.Paulo, hoje

Editorial

Empreiteira eleva custo da obra do Itaquerão, expõe fragilidade da preparação do evento e amplia as dúvidas sobre participação da capital

        São cada vez mais preocupantes as notícias sobre a preparação do país para a Copa de 2014.
        As autoridades têm sido pródigas em declarações desencontradas. O que causa maior apreensão, no entanto, são as evidências de que as obras - nas arenas esportivas ou na infraestrutura das cidades - estão atrasadas, vão custar mais do que o previsto e, em muitos casos, não devem ficar prontas em tempo hábil. Um misto de vexame com descalabro.
        Tome-se o caso de São Paulo, particularmente delicado. Em reunião sexta-feira na sede do governo do Estado, a construtora Odebrecht anunciou que o custo do estádio do Corinthians, o Itaquerão, está estimado agora em R$ 1,07 bilhão, e não mais em R$ 650 milhões (64,6% mais que o valor inicial). A variação se justificaria pela descoberta de problemas no tipo de terreno onde, supostamente, um dia existirá uma arena.
        Apresentado à conta, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) manteve a posição de não comprometer dinheiro público na construção de um estádio privado. Seria absurdo se fizesse diferente. O governo já vai investir R$ 350 milhões em obras do entorno.
        Há a suspeita, segundo revelou a Folha, de que o impasse envolvendo o estádio seja parte de manobra do governo federal para levar a abertura da Copa para Brasília e responsabilizar tucanos pela exclusão de São Paulo.
        Seria, de fato, muito estranho se a maior cidade do país, aquela que dispõe da infraestrutura mais adequada à realização de um evento desse porte, tivesse participação secundária na Copa do Mundo.
        Também é fato que a escolha da arena paulistana esteve desde o início comprometida por interesses pouco republicanos.  A CBF vetou o estádio do Morumbi. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ato contínuo, indicou a Odebrecht para construir o estádio do Corinthians, misturando o pessoal, o público e o privado.
        O Itaquerão já deverá contar com empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES, mas isso não basta para garantir a Copa em São Paulo. Será preciso encontrar a tempo uma solução que não enterre ainda mais dinheiro do contribuinte na empreitada confusa.

Por José da Cruz às 21h01

Copa 2014: “O governo de SP ainda não atingiu o seu limite”

Os repórteres Bernardo Itri e Eduardo Ohata entrevistaram o ministro do Esporte, Orlando Silva. Ele falou sobre o impasse na construção do estádio do Corinthians, indicado para receber os jogos da Copa do Mundo.

“O governo do Estado e a prefeitura, neste momento, correm contra o tempo para conseguir abrigar a abertura do Mundial de 2014. São Paulo vai ter que andar muito rápido,” afirmou o ministro.

Minha análise

        Não há como ignorar que nos bastidores dessa interminável discussão está uma disputa política-partidária que passa pela preparação das eleições municipais do ano que vem.

        E a falta de um Comitê da Copa em nível governamental contribui para a situação, que inclui, vexatoriamente, o principal estado da nação.

        Como ministro do Esporte, Orlando Silva não pode fugir do debate. Aliás, tem obrigação de incentivá-lo, como tem feito, é verdade, pois é o principal interlocutor do governo federal no assunto.

Mas ele participa, também, com interesse político, pois o PCdoB, seu partido, deverá ter candidato à prefeitura Paulista, no ano que vem ou, no mínimo, apoiar o nome que vier a ser indicado pelo PT. Ou seja, quanto mais o prefeito Gilberto Kassab se desgastar com o assunto “Copa”, melhor.

Cresce, assim, o jogo de empurra entre os governos do Estado e Município, prolongando o impasse e colocando a “locomotiva” do país na contra-mão do megaevento.

        Em nível estadual, o PSDB de Geraldo Alckmin lava as mãos. Não foram os tucanos que inventaram esse negócio de Copa no Brasil e, mesmo sem expressar, essa turma não está preocupada se São Paulo vai abrir ou não a Copa de 2014.

Ou seja, se a cidade ficar fora, o responsável pelo vexame será o prefeito e seu novo partido, o PSD.  Mas como Gilberto Kassab vai colocar dinheiro público num investimento privado e que beneficiará apenas um clube?

Afinal, quem inventou esse negócio de "novo estádio"? A jogada foi esperta, e o autor, agora fora da discussão, deve estar rindo muito, enquanto aguarda o momento de colher os possíveis dividendos políticos.

 

A entrevista com Orlando Silva na Folha de hoje está aqui.

Por José da Cruz às 15h23

Ministério do Esporte gasta R$ 397 mil com aluguel, no Rio de Janeiro

       É de R$ 33 mil mensais o aluguel de dois andares para a representação do Ministério do Esporte, no Rio de Janeiro.

       As salas, à rua Barão de São Francisco nº 117, são ocupadas por funcionários da Secretaria Nacional de Alto Rendimento do Ministério.

       A renovação do aluguel, com o Banco do Brasil, dono do imóvel, é recente e vigora até 5 de maio de 2012.

       Valor total do contrato: R$ 397.475,27.

       A informação está no Diário Oficial desta quarta-feira.

Comparação

       Para que se tenha uma idéia do que isso significa, comparo o valor do aluguel com o da Bolsa Atleta Nacional, que paga R$ 925,00 mensais a cada um dos 2.163 contemplados.

       Em resumo: não fosse o tal aluguel, o Ministério do Esporte poderia contemplar mais 430 competidores, de preferência nas categorias de base, justamente onde mais faltam recursos públicos, motivo para que muitos encerrem suas carreiras prematuramente.

       Mas é só comparação, claro. Afinal, deve ter mesmo muito trabalho no Rio. Dois andares, de repente, pode até ser muito pouco.           

Por José da Cruz às 00h57

18/05/2011

Copa 2014: Orlando Silva ainda desfalca time das negociações

        O ministro do Esporte, Orlando Silva, ainda desfalca o time de negociações para Copa 2014, principalmente no que diz respeito ao atrasadíssimo projeto para o estádio do Corinthians.

Ele está com o tornozelo imobilizado para se recuperar de uma fratura, ocorrida no último sábado e, por isso, reduziu o ritmo de trabalho. Não há registros na agenda oficial.  

Orlando Silva foi atendido em São Paulo, onde se encontrava por ocasião do acidente, e não em Brasília, como divulguei. Daí a opção pelo tratamento da capital paulista, segundo sua assessoria. Amanhã ele retornará a Brasília.

A propósito, se aqui estivesse, o ministro não poderia ser atendido no Hospital de Base, por exemplo, pois os equipamentos de RX estavam quebrados, até ontem.

Enquanto isso...

Não faltam recursos para obras esportivas, e segue em ritmo acelerado a construção do novo estádio Mané Garrincha, que terá custo de mais de R$ 1 bilhão, segundo previsões extra-oficiais.

Uma das etapas do atual projeto e a contratação de especialistas em picaretas para derrubar a arquibancada que resistiu a duas detonações de dinamites, no domingo.

 

Por José da Cruz às 16h50

17/05/2011

Copa 2014: deputado Romário quer explicações de Ricardo Teixeira. Agora é tarde

        O deputado Romário, do PSB-RJ, quer que o presidente do Comitê Organizador Local da Copa 2014, Ricardo Teixeira, venha à Câmara dos Deputados explicar sobre alterações no contrato com a Fifa, incluindo novas exigências às cidades-sedes.

        “Não podemos deixar que a Fifa pense que é a dona do Brasil”, afirmou Romário,  lembrando que os estádios que servirão para cinco ou seis jogos na Copa 2014.

        Na última vez que esteve à frente de Ricardo Teixeira, na Comissão de Educação, no Senado, Romário foi dócil.

        Teve a oportunidade de pedir esclarecimentos sobre o nebuloso caso da transmissão dos jogos do Brasileirão, pela TV. Silenciou e fez perguntas óbvias.

        Os questionamentos de Romário podem até ser válidos, mas chegam tarde. Há muito o Brasil assumiu compromissos que, à época, não tiveram qualquer objeção do Congresso Nacional. Ao contrário, aplausos.

Visitas

        Na segunda-feira, Romário visitou as obras no estádio do Atlético-PR. Ele acompanhou parlamentares da Comissão de Turismo e Esporte num giro pelas cidades-sedes. O grupo já havia visitado Recife e Natal. Ao final do roteiro será apresentado um relatório sobre o estádio das obras dos estádios e aeroportos das sedes para 2014.

 

A julgar pela cara, Romário não está satisfeito com o que anda vendo, nas andanças pelas sedes da Copa 2014.

O presidente do conselho deliberativo do Atlético-PR, Gláucio Geara, conversa com o deputado Jonas Donizette. Ao lado de Romário, o deputado Danrlei. (foto de Ernani Ogata)

Por José da Cruz às 22h54

A curiosa história do Convênio 171

          O processo que o procurador da República, Édson Abdon Filho, do Rio de Janeiro, move contra o ex-ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, pelo pagamento antecipado de alugueis na Vila Pan-Americana, é indício de um escândalo maior, que revela como, no jogo de interesses da República, é possível resolver problemas em cima da hora.

Resumidamente:

        Em 2004, a empresa Agenco precisava contrair empréstimo de R$ 189 milhões junto à Caixa para construir a Vila Pan-Americana, residência dos atletas do Pan 2007. Mas não tinha os 15% exigidos como garantia.

        Foi quando o então ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, antecipou o pagamento do aluguel dos apartamentos, com valores projetados para junho de 2007. E liberou, três anos antes de receber os serviços, R$ 25 milhões ao Comitê Organizador do Pan – Co-Rio, que repassou a Agenco. Concluída a triangulação, estava garantido o dinheiro da garantia junto à Caixa.

        Em nota oficial sobre o assunto, assim se manifestou o Co-Rio, nesta segunda-feira:

        “O CO-RIO ressalta que sua participação neste empreendimento limitou-se a repassar integralmente e de imediato recursos de forma a viabilizar a construção da Vila Pan-americana.”

        Ou seja, o dinheiro público financiou a iniciativa privada; espécie de socorro de emergência feita de forma suspeita à luz das regras, normas e leis da getão do dinheiro público.

        Obtive informações de que tudo foi feito com o aval do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fim de que as obras da Vila não atrasassem e, assim, comprometessem o sucesso do Pan.

Transação

        Com o apoio dos companheiros da ONG Contas Abertas obtive o documento referente a essa transação, disponível no Sistema Integrado de Administração Financeira - Siafi. 

        Pois o convênio firmado entre o Ministério do Esporte e o Comitê Organizador para ajudar a Agenco está registrado sob o número 171.

        E a ordem bancária em favor do Co-Rio, emitida no dia 17 de dezembro de 2004, tem a seguinte justificativa:

IMPORTANCIA QUE SE EMPENHA DESTINADO A ATENDER DESPESAS COM O CONVENIO 171/04, OBJETIVANDO ATENDER DESPESAS COM HOSPEDAGEM/ALOJAMENTO DAS DELEGACOES QUE  PARTICIPARAO DOS JOGOS PAN-AMERICANOS E PARAPAN-AMERICANOS RIO 2007.            

        A título de curiosidade, o artigo 171 é famoso no Código Penal brasileiro”. Curiosidade, repito.

        De repente, alguém gosta de fazer uma aposta na banca da esquina, e está aí um bom palpite de centena: 171 na cabeça. Boa sorte.  

Por José da Cruz às 11h30

Estádio Mané Garrincha: Duro na queda III

                Escavadeiras, tratores e picaretas. É assim que o Consórcio Brasília, responsável pela obra do novo estádio Mané Garrincha, na capital da República, vai tentar colocar no chão o que resta da antiga estrutura, depois de duas tentativas, em vão, de detoná-lo com implosões.

No Correio Braziliense, hoje:

        Após o insucesso em derrubar as arquibancadas do antigo Mané Garrincha, o processo de demolição deve continuar com o uso de equipamentos mecânicos em boa parte da estrutura. Ela resistiu neste domingo (15/5) a duas tentativas de implosões, pois alguns dos explosivos (com peso de aproximadamente 250 kg) não detonaram.
        Segundo o Consórcio Brasília, responsável pelas obras no Estádio Nacional de Brasília, a estrutura passará pelo descalçamento (nome técnico para a demolição) com o uso de máquinas, numa data ainda indefinida. Também existe a possibilidade de utilizarem outros métodos, como até mesmo uma terceira implosão, mas tais ações só serão divulgadas depois que a equipe de consultores terminar a análise no local.

        O resto das obras no canteiro do Estádio Nacional recomeçará nesta terça-feira, pois havia sido paralisado para a demolição das arquibancadas. O próprio consórcio e a Novacap garantem que o cronograma (entrega até dez/2012) e o custo total (R$ 670 milhões) segue inalterado apesar dos contratempos.

Por José da Cruz às 08h46

Ainda sobre o ciclismo

Da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) recebi a seguinte nota oficial, assinada por seu presidente, José Luiz Vasconcellos:

         A direção da Confederação Brasileira de Ciclismo fez uma reunião, na quinta-feira (12), com representantes do Banco do Brasil e mostrou como trata o assunto doping – “sem esconder nada”. Explicou onde sempre estiveram e estão publicadas no site da CBC as decisões, mostrou o número de exames que vem fazendo nos últimos anos nos eventos internacionais do calendário,  (181 exames que custaram R$ 278.400,00 nos últimos três anos). 
       Além disso, enfatizou que todos os atletas com teste positivo foram penalizados e, ou já cumpriram, ou estão cumprindo suas penas. O objetivo da reunião foi mostrar que a CBC não tem interesse em esconder nada. Se a entidade não quisesse divulgar doping não faria tanto investimento em controles e julgamentos. Uma partida de futebol, por exemplo, tem apenas 4 exames realizados, enquanto uma prova, como a Volta de São Paulo, somam mais de 20 exames. Portanto, ao contrário do que equivocadamente foi noticiado, “os pedais são controlados”.
      Também deixou claro que não é a UCI que faz os exames, mas a CBC. A UCI só recebe os resultados, encaminhando os controles positivos do laboratório, nos solicitando para abrir processo e realizar o julgamento conforme manda a lei. 
      O resumo da reunião junto ao Banco do Brasil foi mostrar que está sendo trabalhado o controle do doping, penalizando quem infringiu a regra e publicando no site oficial. O Banco do Brasil recebeu uma documentação de mais de 600 páginas e ficou de analisar o que fará em relação à renovação do patrocínio ao ciclismo, já que o contrato venceu em novembro do ano passado. 
      Ficou claro que a parceria é de fundamental importância para o esporte que disputa  54 medalhas nos Jogos Olímpicos – é, ao lado do judô, a terceira modalidade em número de medalhas, depois do atletismo e da natação. 
      A eventual falta de renovação do patrocínio trará muitas dificuldades para este final de ciclo olímpico. A entidade está sem receber verba do patrocínio há seis meses, o que evidentemente está provocando naturais problemas de planejamento e orçamento.

Por José da Cruz às 23h55

16/05/2011

Agnelo Queiroz é processado por superfaturamento no Pan 2007

DF TV, jornal local de Brasília da Rede Globo, acaba de divulgar a seguinte notícia.

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro processou o ex-ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, atual governador do Distrito Federal, e ainda outros réus, por superfaturamento no aluguel antecipado da Vila do Pan por dez meses, em 2007, ano dos Jogos Panamericanos no Rio.

Na ação, o MPF relata que o custo do aluguel de 1.490 apartamentos da Vila do Pan cresceu 62% sobre o orçamento inicial (de R$ 15,4 milhões, pelo valor de mercado, para R$ 25 milhões), como demonstra relatório do Tribunal de Contas da União (TCU).

O MPF informou que os réus estão sujeitos às penas fixadas na lei de improbidade administrativa: ressarcimento do dano, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa e proibição de contratar temporariamente com o poder público.

A ação, proposta pelo procurador da República, Édson Abdon Filho, tramita na 21ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Segundo o MPF, Queiroz cometeu improbidade ao se omitir na fiscalização do uso de verbas públicas.

"Fica clara a intenção de lesar os cofres públicos em benefício de terceiro", afirmou o procurador.

Entenda o caso

 Sobre este assunto, publiquei a seguinte mensagem, no dia 28 de abril último:

Rio 2007: o Pan ainda não acabou

        Sete anos depois do início das obras da Vila Pan-Americana, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, o Tribunal de Contas da União está perto de encerrar mais um nebuloso caso que envolve muito dinheiro.

        Para construir os edifícios da Vila – 17 torres de 10 andares – que hospedou os atletas do Pan 2007, no Rio, a empresa Agenco precisava financiar R$ 189 milhões junto à Caixa Econômica. Porém, deveria apresentar garantias de R$ 31 milhões, correspondente a 15% do valor do empreendimento.

        Era o ano de 2004, e o então generoso ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, autorizou o pagamento antecipado do aluguel de 1.480 apartamentos da Vila. Valor do repasse ao Comitê Organizador do Pan 2007: R$ 25 milhões.

        Agnelo, hoje governador do Distrito Federal, atropelou a legislação. No bom português, deu uma banana para a lei 4.320/1964, que determina que só se paga depois dos serviços prestados. Mas, na certeza de que ficaria impune, ele mandou pagar assim mesmo, três anos antes... 

        Porém, as suspeitas do TCU são, também, de que houve uma triangulação com dinheiro público para financiar a iniciativa privada.

        Em resumo: o Ministério do Esporte antecipou o pagamento dos alugueis e os R$ 25 milhões recebidos pelo Comitê Organizador acabaram sendo a garantia que faltava a Agenco para obter o financiamento da Caixa.

Por José da Cruz às 12h38

Copa 2014: Mané Garrincha, duro na queda

          Antes da tentativa de implodir o estádio Mané Garrincha, ontem, em Brasília, o vice-governador, Tadeu Filipelli discursou, sem saber que presenciaria ao fiasco do ano. Ele estava sob uma proteção onde eram servidas bebidas e salgadinhos.

        Palavras de Tadeu Filipelli, com o dedo no detonador:

        “O passo que nós damos hoje (no domingo) assegura cada vez mais que o nosso cronograma de obras está ok, que estamos avançando e estamos em comparação com os demais estados estamos em dia e podendo, inclusive, antecipar o cronograma. E isso aumenta, de forma muito positiva, a chance de fazer a abertura da Copa das Confederações aqui no Distrito Federal”.

        Tadeu Filipelli é vice-governador de Agnelo Queiroz.     

        Agnelo, por sua vez, está na Europa.

        Depois de ter ido a Buenos Aires, ele agora visita Alemanha, Espanha, França e Inglaterra. Conhecendo estádios. Em cinco meses de governo, já fez cinco viagens ao exterior.

Explicações

NOTA À IMPRENSA

        “O Consórcio Brasília 2014, responsável pela reforma do estádio Mané Garrincha, vem esclarecer aos veículos de imprensa sobre a demolição das arquibancadas:

- O descalçamento da estrutura (termo técnico utilizado para este tipo de demolição com uso de explosivos) não ocorreu após dois comandos dados pelos engenheiros destacados para a operação;

- A partir da não ocorrência do descalçamento, conforme planejado pelo Consórcio Brasília para as 15h30 deste domingo (15/mai), os técnicos contratados para o serviço procederam uma vistoria para detectar as possíveis causas;

- Feita a vistoria, foi constatado que houve interrupção na linha de acionamento (cordel detonante) dos explosivos. Apenas parte deles foi detonada;

- Embora não seja comum, em todo tipo de descalçamento dessa magnitude existe a probabilidade da interrupção na detonação;

- O Consórcio concluirá sua vistoria e análise dos procedimentos, juntos aos técnicos contratados, nesta segunda-feira, quando será divulgada a nova data para a conclusão do descalçamento - que acontecerá com a maior brevidade possível;

- O Consórcio esclarece que todos os procedimentos foram feitos com absoluto respeito às normas de segurança, postura que continuará embasando todas as etapas do processo.”

        Então, na próxima, vai?

Por José da Cruz às 07h26

15/05/2011

Desfalque antes da Copa: ministro Orlando Silva fratura o tornozelo e passará por cirurgia

            O ministro do Esporte, Orlando Silva, abriu mão dos serviços médicos de Brasília, onde mora, e vai para São Paulo, amanhã, submeter-se a uma pequena cirurgia.

            Orlando Silva fraturou o tornozelo num acidente doméstico, neste sábado, segundo sua assessoria.

            Antes do acidente, o ministro estava em São Paulo participando de reunião com Gilberto Kassab, Geraldo Alckmin e Andrés Sanchez, sobre a obra do Estádio do Corinthians, conforme informou o companheiro Vitor Birner.

            Mas não é verdade que teriam chutado a canela do ministro durante a reunião.

            Mesmo porque discussões sobre Copa do Mundo não chegam a esse nível. Quanta maldade! Ele se machucou em casa, mesmo!

Por José da Cruz às 21h20

Copa 2014: do além, a força do Mané

Por Walter Guimarães

       Agora comecei a ficar realmente preocupado.

       Nem mesmo derrubar as arquibancadas velhas eles conseguiram! Será que irão conseguir levantar uma nova???

       E os custos dessa "falha", serão pagos com dinheiro público ou a empresa responsável irá pagar o prejuízo??       

      Será que é falta de picareta ou as bombas estão sendo usadas para outras finalidades, como arrombar os tais cofres públicos???

Por José da Cruz às 18h31

Mané, inacreditável!

Do site do Correio Braziliense 

Após duas tentativas fracassa a demolição do estádio Mané Garrincha

        A demolição da arquibancada do Mané Garrincha na tarde deste domingo não teve êxito.

        Por volta de 15h30, os engenheiros acionaram o sistema de bombas, mas, apesar da poeira e do barulho, a estrutura permanece de pé.

        De acordo com Dagoberto Ornelas, gerente de operações do consórcio responsável pela obra, a primeira das três linhas de fogo -- para fazer o “descalçamento da arquibancada” -- não surtiu o efeito esperado.

        De acordo com Ornelas, a primeira linha de fogo deveria ter abalado as estruturas da arquibancada para que, em seguida, fossem acionadas as outras duas. O gerente de operações afirmou também que a intenção é demolir o local ainda hoje.

        A demolição visa atender às exigências da Federação Internacional de Futebol (Fifa), a antiga será demolida para construção de uma nova. T

        Trata-se do cumprimento de mais uma etapa dentro do cronograma de obras, iniciadas em julho do ano passado, e mantém Brasília na frente da disputa pelo jogo de abertura da Copa de 2014.

Por José da Cruz às 18h14

Copa 2014: detona o estádio, porque a saúde já desabou

        No início de 2007, três semanas depois que assumiu o governo do Distrito Federal, o então governador José Roberto Arruda implodiu um hotel inacabado no Lago Norte. Apertou o detonador e tudo desabou.

        Três anos depois, Arruda também desabou, implodido do poder sob acusação de comandar um esquema de corrupção que ficou conhecido como “Mensalão do DEM”.

A vez de Agnelo

        Neste domingo, Agnelo Queiroz dá continuidade a esse macabro roteiro das demolições. Ele determinou implodir o que resta do Estádio Mané Garrincha e soterrar parte da história esportiva de Brasília.

        Ex-comunista, hoje fervoroso católico, ansioso por beijar o anel papal, Agnelo enterra dinheiro público num gigante de concreto com 75 mil lugares. Custo da irresponsabilidade: mais de R$ 1 bilhão.

        Agnelo – nome de origem latina que significa “cordeiro” – determinou detonar o Mané Garrincha na mesma ocasião em que os jornais da Capital da República anunciam que “saúde continua em estado grave”.

        A notícia está no Correio Braziliense, jornal aliado ao governo do Distrito Federal. Ou seja, nem quem apoia Agnelo já consegue ignorar a gravidade do problema de saúde na capital da República.  

Prioridade: detonar

        André Luiz Moraes Nascimento Júnior, de 11 meses, internado em hospital público do  Distrito Federal, está sem medicamentos essenciais para se manter vivo, segundo o Correio Braziliense.

        Agnelo Queiroz, governador, é médico.

        E cumpre o mesmo roteiro de Arruda, que começou o governo detonando dinamites ...

Por José da Cruz às 12h31

14/05/2011

O perigoso jogo do esporte e a omissão do Governo

        O presidente da Confederação de Ciclismo, José Luiz Vasconcellos esteve em Brasília para se explicar junto ao Banco do Brasil, ex-patrocinador da modalidade, e Ministério do Esporte, sobre as confusões envolvendo o assunto doping, que a ESPN divulgou e aqui repercuti.

        Afonso Morais, também jornalista, participou da conversa. Ex-ciclista, ele conhece bem sobre o esporte em geral e o ciclismo em particular.

        “Houve mal entendidos”, conclui Vasconcellos.

        Claro. A partir da União Ciclística Internacional que divulgou uma lista furada e precisou pedir correções à imprensa, mas sem reduzir a gravidade do fato.

        Esse episódio, associado às ameaças que tenho recebido de anônimos ciclistas, mostram que o esporte está se tornando perigosíssimo e vai além das disputas de quem é o melhor.

        E ainda faltam cinco anos para os Jogos Olímpicos do Rio...

Realidade

        Por conta disso, visitei os sites das 30 confederações de esportes olímpicos. Afinal, como as demais modalidades tratam o assunto doping, intimamente do interesse de suas gestões e de seus atletas, envolvendo compromissos internacionais do governo brasileiro?

        Pois apenas sete das 30 confederações fazem referência ao tema “doping” em seus sites: Triatlo, Atletismo, Futebol, Golfe, Ciclismo, Desportos Aquáticos e Vôlei.

        E o basquete, ginástica, levantamento de peso, judô, tênis, enfim, fazem exames em seus atletas? Há algum competidor nas demais 23 modalidades que tenha sido flagrado e cumpre suspensão nesta temporada ou na passada?

        Não se sabe, porque não há uma só informação sobre o tema. O assunto é tratado assim, relaxadamente. A maioria das confederações nem sequer publicam o link para o site da Agência Mundial Antidoping (Wada)!!!

        E entre os motivos para todo esse desleixo está o preço de um exame antidoping, até R$ 1.600,00. Paupérrimas porque o dinheiro que recebem do governo não deve ser suficiente, e as confederações não têm grana para um trabalho efetivo e sistemático de combate a essa mazela.

Surpresas

        Das confederações que visitei os sites, a de Atletismo (CBAt) e a de Futebol (CBF) são as mais transparentes.

        A CBAt tem um link bem visível e publica, inclusive, o nome de todos os atletas que foram testados em competições e fora delas. Veja aqui

        Já na página da CBF o assunto está escondido no link “CBF”, mas divulga as resoluções dos casos positivos, a data do exame etc. Porém, apenas os casos mais recentes. Não há informações passadas. Confira.

As outras cinco confederações que têm a expressão “doping” em seus sites, fazem apenas referência ao regulamento de antidopagem, como a de Vôlei, que alerta:

“Poderão ser controlados até dois jogadores por equipe em cada jogo”.

Decisões estranhas

O próprio Ministério do Esporte, que tem a obrigação de cuidar do assunto não está nem aí para o que não é feito pelas entidades que esse órgão deveria fiscalizar.

Ao contrário, o ministro Orlando Silva prefere gastar dinheiro financiando com recursos públicos cadastramento de torcidas organizadas.

Por que o governo tem que se envolver numa área que pertence à iniciativa privada, como os clubes do futebol e está sob jurisdição do o município e do estado, inicialmente, e da segurança pública, por extensão?  

Muita estranha essa intromissão milionária do Ministério do Esporte, muito estranha.

Enquanto isso...

Continuo recebendo ameaças de ciclistas anônimos por tratar do assunto doping.

Por orientação de advogado fiz registro na Polícia Civil, que tem especialistas para rastrear emails terroristas, como os recebidos dos seguintes remetentes:

       Edu Roscado   - roscado@balhe.com.br

       Marco Antonio - marcoantonio32@hotmail.com 

       pedro dopado  -  pedro@PEDRO.COM.BR    

Por José da Cruz às 09h32

13/05/2011

Copa 2014: comunidade de Natal se organiza para fiscalizar gastos públicos

        Crescem as mobilizações comunitárias para discutir sobre obras para a Copa do Mundo que afetarão diretamente a população.

        O I Seminário Comitê Popular Copa 2014 Natal será realizado neste sábado, 14 de maio, em Natal, RN.

        Os debates serão com representantes da comunidade acadêmica, Controladoria Geral, Ministério Público, Tribunal de Conta, Rede Nacional de Advogados e Advocacia Popular, buscando organização para exigir, também, transparência nos gastos públicos.

Experiências

        Na sessão da tarde, os representantes do Comitê Popular Copa 2014 de Fortaleza apresentarão “Experiência de ação popular nas ações da Copa 2014”  

        Encerrando a programação, serão criadas frentes de atuação para cumprir uma agenda que envolve os seguintes temas:

        1. Transparência e acesso à informações;     

        2.  Projetos: Mobilidade, Estádio, Aeroporto – Implicações para a cidade e  para a população;

        3. Desafios, parcerias e estratégias de ação.

Local: Sindicato dos Policiais Civis do Rio Grande do Norte – Av. Rio Branco, nº 825 – Cidade Alta // Fone: 3222 7779

Início: Às 9h

Por José da Cruz às 10h09

12/05/2011

Doping: Ministério do Esporte ficou na promessa

Dois anos depois de o ministro Orlando Silva ter anunciado a criação da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), a pasta do esporte volta a falar sobre o assunto, agora movida pelas recentes notícias que envolvem ciclistas brasileiros, flagrados em exames antidoping.

A ABCD, anunciada quando diretores da Agência Mundial Antidoping (Wada) visitaram o Brasil, em 2009, receberia investimentos de R$ 7 milhões. Estou pesquisando para ver quanto o Ministério do Esporte aplicou no combate ao doping, no ano passado.

Mesmo com o discurso oficial, o assunto é tratado superficialmente no site do Ministério do Esporte (www.esporte.gov.br). A única referência está na “Comissão de Combate ao Doping”, criada pelo Conselho Nacional do Esporte, em 2009, cuja composição e atribuições estão aqui.

Memória

Há sete anos já era assim, discursos e promessas:

“O Brasil é uma das referências mundiais no controle de dopagem de atletas”.

Discurso do então ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, em 2004. Estamos em 2011....

Enquanto isso...

        ... o Ministério anuncia que fará testes nos 3.162 competidores olímpicos e paraolímpicos beneficiados pela Bolsa Atleta.

“As confederações fazem seus exames em competições. Nós faremos o nosso controle fora de competição”, afirmou Marco Aurelio Klein, da Secretaria de Alto Rendimento do Ministério do Esporte. A medida consta do termo de adesão à Bolsa Atleta, assinado pelos contemplados.

O Laboratório de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico, Ladetc, com sede na Universidade Federal do Rio de Janeiro, será o órgão executor dos exames.

Agora vai?

Por José da Cruz às 18h42

Inglaterra pede que FIFA mude

Acusada de corrupção, entidade exige provas de britânicos

Na Folha de S.Paulo, hoje

Cartolas pedem dinheiro ou títulos por votos, países-candidatos oferecem ajuda a projetos de eleitores, interesses políticos, espionagem.

São esses os elementos presentes nas escolhas das sedes das Copas de 2018 e 2022, segundo os políticos e a imprensa ingleses. Seu país foi derrotado no pleito -Rússia e Qatar venceram.

Os indícios de corrupção no processo levaram o governo britânico a pedir mudanças na Fifa e a cogitar desligamento da entidade.

São oito membros atuais ou antigos do Comitê-Executivo da Fifa envolvidos nas denúncias. Sob pressão, o presidente da entidade, Joseph Blatter, exige provas.

"Há um desejo de tentar trabalhar para mudar a Fifa. Se a Fifa se demonstrar incapaz, eu me atreveria a dizer que todas as opções são possíveis", afirmou o ministro do Esporte da Inglaterra, Hugh Robertson, à BBC.

Ele sugere à entidade repetir a revolução no COI (Comitê Olímpico Internacional), iniciada na década de 90. Houve mudanças de regras e expulsão de membros após escândalo de venda de votos na escolha de Salt Lake City para a Olimpíada de Inverno.

Na ocasião, o governo dos EUA interveio por meio de comitê no Congresso. Foi no parlamento britânico que lord David Triesman, ex-presidente da federação inglesa e espécie de senador no país, acusou quatro cartolas da Fifa de pedir dinheiro ou títulos em troca de votos por 2018.

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é um dos acusados de querer trocar benefício por apoio. Ele nega.

Em carta à federação inglesa, a Fifa reivindica provas. "Pedimos que mandem um relatório completo com qualquer ou toda evidência", diz o texto. Blatter quer acabar a investigação antes de 1º de junho, data em que tentará se reeleger à presidência.

"Não podemos dizer que vamos tirar isso da cabeça e lidar com isso depois. Precisamos investigar imediatamente", disse à TV Al Jazira.

As acusações envolvem seu concorrente Mohamad Bin Hamman, do Qatar, na eleição da Fifa. Segundo o "Sunday Times", a candidatura do país distribuiu dinheiro a cartolas africanos.
Documentos da postulação árabe mostram ainda promessas de apoio financeiro a projetos de dirigentes argentinos, africanos e malaios, todos com votos.

Os ingleses, diga-se, também se comprometiam a investir em países pobres.

Também foi comum a espionagem entre candidaturas no hotel da Fifa em Zurique, às vésperas da eleição, afirma o "Daily Telegraph".

A Inglaterra contratou empresa para vigiar rivais, e outros candidatos espionaram até com diplomatas.

Cartolas negam acusações. O Qatar também. Blatter quer encerrar o caso. Mas o escândalo já se estende por sete meses. E nada mudou.

Por José da Cruz às 11h33

11/05/2011

Copa 2014: reunião pública em São Paulo, nesta quinta-feira

        O Movimento Nossa Itaquera promove nesta quinta-feira, dia 12, o 1º Seminário sobre o Desenvolvimento da Zona Leste de São Paulo.

        Na ordem do dia: “Impactos da Construção do Estádio do Corinthians e Copa 2014”. Fomento, formação e capacitação de mão de obra também estão no roteiro dos debates.

        Às 19h

        Local: auditório da Faculdade Santa Marcelina – Itaquera

Por José da Cruz às 22h05

Rio 2016: acordo isenta COI até de ações na Justiça

 

O Estado de S.Paulo, hoje

 

WILSON TOSTA

O repórter Wilson Tosta, do jornal O Estado de S.Paulo, teve acesso a um dos mais reservados documentos do esporte mundial, o contrato firmado entre o Comitê Olímpico Internacional (COI) com a prefeitura de uma cidade sede da Olimpíada, no caso a do Rio de Janeiro.

A exemplo do que já foi divulgado sobre os compromissos do Brasil junto à FIFA para receber a Copa do Mundo 2014, fica explícita a submissão nacional aos donos desses megaeventos.

A reportagem está no Estadão de hoje e detalha o documento que foi assinado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), do COI, Jacques Rogge, e do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, também presidente do Comitê Organizador dos Jogos (COJ).

Segundo o contrato, assinado em 2009, estão previstas “imunidade em ações judiciais, reembolso integral de impostos ao órgão internacional - até no exterior - e 20% dos lucros.”

Conforme Wilson Costa, “aparentemente, o contrato não foge do padrão utilizado em outras Olimpíadas. Mas ainda assim impressiona pela quantidade de poderes que dá ao COI, em contraste com as obrigações impostas à prefeitura carioca. A administração municipal do Rio de Janeiro é mencionada, basicamente, como detentora de deveres a cumprir, ao lado do COB (designado no texto como CON, Comitê Olímpico Nacional) e do COJ (mais tarde batizado Rio 2016).”

"A Cidade, o CON e o COJ abdicam aqui a aplicação de qualquer provisão legal sob as quais possam reivindicar imunidade contra ações legais, arbitragem ou outros procedimentos legais (I) introduzidos pelo COI, (II) introduzidos por terceiros contra o COI... Essa renúncia se aplica não apenas à jurisdição, mas também ao reconhecimento e aplicação de qualquer julgamento, decisão ou concessão de arbitragem", diz a cláusula 79.

A determinação contrasta com outro dispositivo, o da Cláusula 9, pelo qual a Cidade, o CON e o COJ "renunciam à propositura de qualquer ação judicial em face do COI e de seus executivos, membros, diretores, funcionários, consultores, procuradores e demais representantes com vistas ao ressarcimento de danos, inclusive de quaisquer despesas resultantes de ações ou omissões do COI relativamente aos Jogos, bem como na hipótese de cumprimento, descumprimento, infração ou extinção deste Contrato".

Custo zero

As isenções de impostos são abordadas na Cláusula 50: "Pagamentos a serem recebidos pelo COI ou por certos terceiros. A Cidade e/ou o COJ assumirão todos os tributos, inclusive diretos e indiretos, sejam eles impostos retidos na fonte, impostos de importação ou exportação, impostos sobre valor agregado ou quaisquer outros tributos indiretos, atuais ou futuros, devidos em qualquer jurisdição sobre um pagamento a ser feito ao COI ou a qualquer terceiro pertencente ou controlado pelo COI, direta ou indiretamente, inclusive a Olympic Broadcasting Services S.A. e a Television and Marketing Services S.A. do COI com relação às receitas geradas relativas aos Jogos."

Detalhista, o texto deixa claro que serão os brasileiros os responsáveis pelo recolhimento de impostos devidos pelo COI ou de seus "terceiros indicados", seja no Brasil, na Suíça (onde fica a sede da entidade) ou em qualquer outro país.

A Cláusula 9 fixa: "O COI não confessará responsabilidade por nenhum dano a ser ressarcido a terceiros." Em caso de processo, caberá à prefeitura, ao CON e ao COJ bancar a defesa do COI. A prefeitura foi procurada, mas não se manifestou sobre o contrato.

Por José da Cruz às 10h41

10/05/2011

Copa 2014: debate popular começa por Belo Horizonte

        Começa por Minas Gerais o debate sobre os impactos negativos da realização da Copa do Mundo de 2014.

Sexta-feira e sábado próximos, em Belo Horizonte, o Comitê Popular dos Atingidos pela Copa realizará o primeiro seminário para debater sobre o assunto.

        “A realização da Copa 2014 é apresentada pelos governos como uma grande celebração da estabilidade econômica que o país vem alcançando. Aproveitam-se da paixão do Brasileiro pelo futebol para criar um clima de oba oba, e tudo é festa”, diz a mensagem dos organizadores.

Diz mais:

“No entanto, as exigências da Fifa para a realização dos jogos ultrapassam leis estaduais, municipais e até a Constituição Federal. Paralelamente, políticos e empresários mal intencionados aproveitam para privatizar prédios e terrenos públicos além de superfaturar gastos oficiais.”

O assunto vem ao encontro do que temos publicado neste espaço, em particular quanto às prioridades governamentais.

Assim, os indignados com essas decisões políticas já têm um fórum para debater e protestar.

Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa 2014

Seminário

Dias: 13 e 14 de maio

Local: Faculdade de Direito da UFMG (Av João Pinheiro, 100)

Entrada: gratuita, por ordem de chegada

Programação – Paineis

Dia 13 de maio – às 18h

Os Megaeventos e as violações aos direitos humanos e sociais

Dia 14 –    Às 9h A cidade de exceção e a Copa do Mundo

Às 11h – Mobilidade urbana para quem?

Às 14h – Grupos de trabalho

Às 18h – Impactos de ordem econômica e urbanística decorrentes da realização do Mundial no Brasil

Informações:

www.atingidoscopa2014.wordpress.com

http://comitepopularcopapoa2014.blogspot.com

Por José da Cruz às 11h15

09/05/2011

A escola, a saúde e o gol da Copa: olé!

        Uma equipe do Fantástico viajou por sete estados e visitou dezenas de escolas em 28 cidades, entre elas uma de Novo Gama, Goiás, a 40km da Praça dos Três Poderes, na Capital da República.

        Nas escolas, o cenário da reportagem era comum: despensas, cozinhas e refeitórios que atendem ao programa da merenda escolar.

        As imagens eram de horrorizar: baratas e formigas misturadas aos alimentos; gatos passeando pelas cozinhas e robustos sapos acomodados em armários úmidos e imundos. Outros gatos, mais saudáveis, freqüentam as prefeituras envolvidas com um gigante esquema de corrupção ...

        A Merenda Escolar tem R$ 3 bilhões anuais do Ministério da Educação, para alimentar 45 milhões de estudantes. Boa parte dessa grana vai para o bolso da máfia, Brasil afora.

Futebol e fome

        Em Natal, onde o governo do Estado constroi um estádio de futebol por R$ 500 milhões, a reportagem trabalhou num dia em que a temperatura chegou aos 33 graus. A escola não tinha água nem alimentos para a merenda. Só açúcar na despensa. Vencido.

Com fome e com sede, as crianças foram mandadas embora às 2 da tarde.

Lixo

        Na cidade de Nazaré (BA), os repórteres mostram crianças recebendo um prato com macarrão. Não suportam a primeira garfada e jogaram tudo no lixo.

        Na Bahia, sete prefeitos foram presos recentemente, envolvidos na máfia da merenda escolar. Foram todos soltos.

Propinas

        Uma testemunha revelou aos repórteres do Fantástico que a sua empresa pagava propinas, comissão média de 10%, rendendo até R$70 milhões ano para a corrupção política-emprearial. Tudo para vender produtos vencidos e de má qualidade.

Enquanto isso...

        O principal jornal da capital da República, o Correio Braziliense, intensifica a campanha “Brasília merece”!

        Tendo como símbolo os “Caras pintadas”, o jornal quer que a cidade receba o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014.

        Surpreendentemente, o mesmo jornal não publica uma só informação sobre a precariedade dos serviços públicos da Capital, hoje bem mais grave do que o registrado nos suspeitíssimos mandatos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda.

        No Mané Garrincha, de fato, as obras do colossal estádio – que custará mais de R$ 1 bilhão – para 75 mil pessoas avançam. Ali, não faltam dinheiro e entusiasmo. Mas a cidade não tem um só time na primeira nem na segunda divisões do Campeonato Brasileiro.

Aulas?

        Pior: quatro meses depois de iniciado o período letivo, o governo de Agnelo Queiroz não conseguiu colocar todas as crianças em sala de aula. Faltam dois mil professores, revelou o Jornal de Brasília, bem mais ousado nas críticas ao governador Queiroz, que o concorrente Correio Braziliense.

        Nas regiões mais pobres do Distrito Federal, onde a merenda escolar deveria ser a única alimentação reforçada para a maioria dos estudantes, o cardápio diário tem bolachas e água disfarçada de suco.

Mas o estádio está lá, imponente, contrastando com o desleixo do poder público para com frentes prioritárias da população.

Pela popularidade do futebol estamos num jogo de vale tudo. Até deixar criança sem salas de aula, alimentação e dignos serviços de saúde pública.

A máfia é forte e poderosa, e age, também, disfarçada de Copa do Mundo.

Por José da Cruz às 11h38

08/05/2011

Mais R$ 14 milhões... e vai rolar a festa

        O mais novo episódio financeiro com o aval do Ministério do Esporte, que supera os desmandos com as verbas do programa Segundo Tempo, envolve um gasto de fenomenais R$ 14.017.261,45.

        A beneficiada com tanta grana foi a empresa Iso Expert, para “serviço de detecção, prevenção e reação a fraudes e uso indevido de marcas do ministério”.

No Diário Oficial da União:

EXTRATO DE CONTRATO N 37/2010

Nº Processo: 58000000303201092. Contratante: SUBSECRETARIA DE PLANEJAMENTO, - ORCAMENTO E ADMINISTRACA. CNPJ Contratado: 10318969000169. Contratado : ISO EXPERT INTERNACIONAL LTDA - Objeto: Prestação de serviço de detecção, prevenção e reação a fraudes e uso indevido de marcas do Ministério de Esporte. Fundamento Legal: Lei 8.666/93. Vigência: 07/05/2010 a 06/05/2011. Valor Total: R$14.017.261,45. Fonte: 100000000 -2010NE900348. Data de Assinatura: 07/05/2010.

Na revista Veja

       A questão sobre tal contrato é mais grave, como revela Lauro Jardim, que assina a coluna Radar, na Veja desta semana. Diz o seguinte:

Contrato confuso 1

       “Duas semanas atrás, o Comitê Olímpico Brasileiro    recebeu um estranho e-mail de uma tal de Isso     Expert. Embora ameaçador no tom, parecia    brincadeira. O texto dizia que a marca rio 2016 tinha        dono e não poderia ser utilizada porque era marca regitrada. Como o COB é o óbvio proprietário da             marca, ninguém ali deu muita atenção.

Contrato confuso 2

       Por trás desse e-mail, esconde-se uma curiosa   história: a tal Iso Expert foi contratada há um ano pelo Ministério do Esporte por nada menos que 14 milhões      de reais para um “serviço de detecção, prevenção e        reação a fraudes e uso indevido de marcas do    ministério”. Ou seja, fizeram um contrato milionário    com uma empresa que não sabe sequer que a Rio       2016 não pertence ao Ministério do Esporte. Quem se        aprofundar na história vai encontrar confusão. Por     exemplo: a Iso afirma que o contrato inclui a proteção da marca Rio 2016. O ministério diz que não.”

        Em resumo: agora vai.

 

Por José da Cruz às 12h09

07/05/2011

Copa 2014: o angustiante calendário da construção civil

        O cronograma  esportivo da construção civil está apertadíssimo. De olho no calendário, faltam 26 meses para a realização da Copa das Confederações, em 2013, evento que abrirá, oficialmente, os festejos da Copa do Mundo no Brasil, um ano depois.

        Com a participação de oito seleções – Brasil, sede, e Espanha, campeã mundial já estão confirmados – o evento serve, também, de teste para que todos os segmentos envolvidos possam fazer as correções para o evento maior, em 2014.

        A matéria completa que escrevi para o Contas Abertas está aqui.

Por José da Cruz às 15h52

DOPING: Ciclismo muda versão sobre atletas irregulares

Na Folha de S.Paulo, hoje

 

CBC diz publicar nome de flagrados em testes


        A CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo) mudou a versão sobre os casos de doping jamais divulgados pela entidade no ano passado.

        Em nota oficial, o presidente em exercício da CBC, Paulo Schmitt, afirmou que os atletas flagrados em testes feitos pela confederação foram punidos e seus nomes publicados na página da entidade na internet.

        O presidente da CBC, José Luiz Vasconcellos, está em um congresso na Colômbia. Em e-mail enviado à Folha na quarta-feira, contudo, o dirigente justificou a não divulgação dos irregulares.

        "Entendemos que a publicação é um assunto pessoal do atleta e da equipe. No site da UCI não há divulgação de atleta penalizado em qualquer parte do mundo. Só cumprimos procedimentos conforme os regulamentos", escreveu, citando a União Ciclística Internacional.

        A emissora de TV a cabo ESPN Brasil chegou a divulgar os nomes de atletas que testaram positivo em exames feitos pela UCI em competições internacionais no país.

        Mas, ontem, a união ciclística lançou comunicado à imprensa informando que nem todos os atletas da lista haviam testado positivo.

        O chefe de comunicação da UCI, Enrico Carpani, informou à reportagem que só são tornados públicos os nomes de casos "extremos".

        O código da Wada (Agência Mundial Antidoping) - do qual o Brasil é signatário - exige, no entanto, que os casos positivos sejam publicados. (DANIEL BRITO)

Por José da Cruz às 15h14

06/05/2011

Ciclismo: a versão oficial. Mais um desmentido

 Paulo Schmitt, vice-presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) divulgou nota dizendo que está surpreso com as notícias “inverídicas” referentes ao assunto doping no ciclismo.

“De forma absolutamente irresponsável, as reportagens ousaram dizer, sem ao menos nos consultar oficialmente ou acessar o nosso site, que a CBC estaria escondendo e engavetando casos de doping de atletas brasileiros”.

Senhor Paulo:

Entrevistei o presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo.

Foi o Senhor José Luiz Vasconcellos, em entrevista que me concedeu, que negou que Clemilda, por exemplo, estivesse suspensa por doping, mas “por comportamento antidesportivo”, conforme publiquei.

Disse mais: “os nomes dos atletas punidos não aparecem no site da Confederação seguindo orientação da União Internacional, para evitar exposição pública”.

Surpreendentemente, agora, aparecem os nomes no site da Confederação?

Três dias depois de ter sido divulgada a primeira denúncia, pela ESPN, o Senhor divulga a nota e mostra o caminho das pedras para se chegar aos registros de doping? Três dias?

Então, o presidente da Confederação não sabia da existência desse link com os nomes envolvidos em doping?

Desculpe, mas vou insistir, di-da-ti-ca-men-te:

O presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo, Senhor José Luiz Vasconcellos, não sabia que os casos de doping estavam na página da entidade que ele dirige?

Ninguém avisou à autoridade maior da CBC que os processos estavam lá, tudo organizado como HOJE o Senhor nos demonstra?

Claro que ele não sabia. Tanto que declarou: “não divulgamos os nomes para evitar exposição pública”.

Que tal?

Mais

Sua nota de esclarecimento não fala o porquê de a Confederação não ter informado ao Ministério do Esporte sobre os casos de doping. Afinal, precisavam agir no caso dos bolsistas punidos!

E o Senhor silenciou sobre isso. Sua nota não faz referência sobre tal omissão.

Da mesma forma não houve comunicado ao Banco do Brasil.

O banco soube do episódio pelo noticiário da ESPN e por este blog! Isso é real, Senhor Vice-Presidente.

Responsabiliadades

O Senhor também afirma que “atletas flagrados no exterior não cabe à CBC divulgar as decisões da União Internacional”.

Mas não são atletas confederados no Brasil, Dr. Paulo?

Não são competidores em potencial para integrar uma equipe nacional em uma olimpíada, por exemplo?

Esses atletas não recebem apoio da Confederação para se manterem em provas no exterior?

Assim, ignora-se o comportamento de um atleta que credenciado pela CBC só porque ele não está no Brasil?

E essa a prática na Confederação?

Lava-se as mãos para assunto tão grave, em que as próprias instituições, Confederação e União de Ciclismo não se entendem. Falam e desmentem?

Exames

O Senhor revela que a CBC “investiu R$ 278 mil em  181 exames de controle de dopagem nos últimos três anos”.

        Faça as contas: média de 60 exames por ano. Cinco exanes por mês.

        Quantas provas mensais temos no Brasil? E só cinco exames?

        De resto, concordo quando afirma, por exemplo, que “a Confederação é uma instituição séria, dirigida por pessoas sérias” etc e tal. Acredito, dou crédito.

        Mas, aí estão os fatos. E, a partir de agora os leitores já podem consultar o assunto na página da CBC, pois o roteiro foi revelado. Estava tão bem guardado que nem o Presidente Vasconcellos sabia chegar lá.

Por José da Cruz às 19h55

Doping: o esporte, a fraude e a farsa

         Referente ao episódio “doping no ciclismo”, aqui amplamente divulgado, transcrevo a nota da ESPN e, ao final, faço análise sobre o assunto.

“Nesta semana os canais ESPN apresentaram uma lista de ciclistas flagrados por doping, desde 2009 até 2011, que não tiveram seus nomes divulgados pela Confederação Brasileira.

        A informação nos foi passada pela União Ciclística Internacional (UCI), através de sua assessoria de imprensa. No primeiro comunicado, a UCI divulgou os nomes de 16 ciclistas.

        Hoje, pela manhã, Enrico Carpani, assessor da entidade, que tem sede na Suíça, enviou comunicado oficial corrigindo algumas informações apresentadas na primeira lista.

Diz a nota da União Ciclística Internacional:

A UCI tinha recebido amostras atípicas do laboratório credenciado da Agência Mundial Antidoping, com uma clara indicação para os ciclistas Diego Ares e Sherman Trezza de Paiva.

A investigação para os dois ciclistas não resultou numa descoberta analítica adversa. Assim, não há potencial violação à lei antidoping para os dois ciclistas em questão.

Por favor, corrijam imediatamente a informação sobre esses ciclistas.

Na lista há outros dois atletas cujos casos ainda estão em andamento – para os quais foram reportados a presença de substâncias específicas. São eles, Flávio Ribeiro Junior e Rogério dos Reis.

A UCI também esclarece que os ciclistas não são suspensos preventivamente das provas – e a pena para eles pode ser reduzida para uma advertência de até dois anos.”

É importante ressaltar que a informação divulgada pelos canais ESPN foi passada pela própria entidade internacional.

Na primeira lista envidada à produção do programa “Histórias do Esporte”, Diego Ares aparecia como flagrado por uso de EPO, na Volta Ciclística Internacional de Campos, realizada no dia 8 de agosto de 2009, no Rio de Janeiro

Já Sherman Trezza, que não teve a substância divulgada pela UCI, testou positivo numa prova disputada em 11 de abril de 2010, na Guatemala.

De qualquer forma, a lista atualizad pela UCI informa: são 12 atletas confirmados, dois absolvidos e dois sob investigação.”

Minha análise

        Feitas as correções, de direito, isso não diminui a gravidade do episódio. Ao contrário, escancara a forma como o esporte olímpico internacional está sendo tratado.

        Não estamos nos baseando em informações de um clube da esquina de uma cidadezinha do interior. Mas de dados “oficiais” da principal entidade do ciclismo mundial e, por isso, com autoridade e crédito para divulgar nomes de quem está afastado do esporte por uso de doping.

        Portanto, é frágil e suspeita essa instituição. Internamente, nossa fragilidade não é menor. Sob argumento de poupar atletas punidos, a Confederação Brasileira de Ciclismo não divulga informações e, consegue, assim, abafar um gravíssimo fato, como se isso não fosse de interesse público. Afinal, a Confederação Brasileira de Atletismo é subsidiada por verbas federais. Logo, sua gestão deve ser transparente.

        Além disso, estamos tratando com pessoas que fizeram uso de drogas proibidas. Logo, devem ser enquadradas na legislação específica que pune tais crimes. Com que receitas compraram as drogas? Que profissional assinou tal receita? O uso de doping não consta do Código Penal, apenas em legislação específica, o que estimula a prática do uso de substâncias proibidas porque, está claro, que pelo silêncio das autoridades “o crime compensa”.

        Em Brasília, Marco Aurélio Klein, do programa Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte, me informa que os nomes divulgados tiveram o benefício suspenso, até que a Confederação se explique oficialmente.

        Mas a decisão do Ministério se dá com base numa denúncia e não num documento oficial da Confederação Brasileira de Ciclismo, pois essa nem sequer ao seu patrocinador, o Banco do Brasil, comunicou o fato.

        O episódio, enfim, revela o nível do esporte olímpico e suas relações institucionais e com os principais atores, os atletas. Há poucos dias o noticiário foi sobre atletismo, que não esconde nomes dos envolvidos com doping. Agora é o ciclismo. E as demais modalidades?

Como diz o inglês Andrew Jennings, em seus livros investigativos sobre os bastidores olímpicos, o esporte convive, há muito, com a fraude e a farsa.

Em resumo, é preciso, sim, ter cuidado ao divulgar nomes de envolvidos com doping, como escreveram alguns leitores. Mas a partir de um comunicado oficial da entidade máxima do esporte o crédito é imediato, até solicitação contrária, como ocorreu. Quantas outras correções virão?

Por José da Cruz às 16h07

Execução orçamentária do Ministério do Esporte está abaixo do realizado em 2010

Conforme dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) – órgão do governo federal –, o Ministério do Esporte dispõe de R$ 2,5 bilhões em seu orçamento para este exercício. No entanto, aplicou apenas R$ 177,9 milhões, contra R$ 188,4, registrados entre janeiro e abril de 2010.

A diferença é pequena, em torno de R$ 10 milhões a menos, mas deve-se considerar que a pasta do ministro Orlando Silva conta, agora, com um orçamento mais robusto que o anterior, quase R$ 1 bilhão a mais para seus diferentes programas.

A matéria completa está no site do Contas Abertas, aqui.

Por José da Cruz às 13h09

Doping: escândalo no ciclismo envolve 16 atletas

         A ESPN Brasil divulgou ontem que mais oito atletas brasileiros, flagrados por uso de doping, cumprem pena de suspensão internacional, desde 2009.

        É o maior escândalo brasileiro de todos os tempos envolvendo competidores de uma só modalidade, o ciclismo: duas temporadas e 16 casos identificados.

        A investigação sobre o escândalo foi dos repórteres Roberto Salin e Marcelo Gomes, da ESPN Brasil. Eles obtiveram a lista dos atletas punidos, junto à União Internacional de Ciclismo, quando preparavam reportagem para o programa “História do Esporte”.

        Na quarta-feira, a dupla já havia divulgado outros oito nomes, cujos exames testaram positivo em 2010.

Mulheres e mentiras

        No grupo, duas mulheres estão suspensas, Clemilda Silva e Flávia Oliveira. Em 27 de março, entrevistei o presidente da Confederação de Ciclismo, José Luiz Vasconcellos. Ele negou o doping de Clemilda e disse que a suspensão foi por “comportamento antidesportivo”, durante uma prova, na Itália. Mentiu.

        A versão oficial é que a principal atleta brasileira, inclusive com participação em olimpíadas, está afastada das provas por uso de doping, segundo a União Internacional de Ciclismo, entidade máxima da modalidade.

Silêncio

        No Brasil, a Confederação de Ciclismo silenciou sobre os nomes dos punidos, mantendo segredo até agora, para preservar a identidade dos faltosos e evitar constrangimentos ao patrocinador, o Banco do Brasil.

        A medida, porém, contribui para iludir os parceiros comerciais. A direção de Marketing do BB soube sobre o escândalo a partir das informações da ESPN. Em decorrência, o patrocinador avalia sobre a conveniência de continuar apoiando a modalidade. Até ontem à tarde não havia decisão oficial sobre o assunto.

        A Confederação de Ciclismo se mantém com recursos públicos vindos das loterias federais, via Comitê Olímpico Brasileiro, patrocínio do Banco do Brasil e do orçamento da União. Na semana passada, por exemplo, o Ministério do Esporte repassou R$ 2,1 milhões à Confederação.

        Já o valor recebido das loterias, em 2010, ainda não foi divulgado, o que deverá ocorrer em breve, segundo a assessoria do Comitê Olímpico.

        A lista liberada pela União Internacional de Ciclismo é a seguinte, com o respectivo ano de punição:

2009

Clemilda Silva, Flávia Oliveira, Ricardo Queiroz Ortiz, Sidnei Silva, Justino Borges Ribeiro e Carlos França.

2010

Pedro Nicácio, João Paulo de Oliveira, Lucas Onesco, Jair Fernando dos Santos e Edson Marcos de Carvalho.

Por José da Cruz às 01h27

Ceará atropela trem vermelho e preto

              

        Torcida do Flamengo tenta colocar o trem nos trilhos, com o apoio de vários cearenses.     

Por José da Cruz às 00h53

05/05/2011

Felipão já sabe como eliminar o Coritiba

Por Sérgio Siqueira 

        Como gaúcho bonachão e balaqueiro barbaridade, Luiz Felipe Scolari tem duas pérolas tiradas da guaiaca, depois da atropelada de 6 x 0 que o Palmeiras sofreu no Paraná:

        1ª) Não tá morto quem peleia;

        2ª) No jogo de volta, em São Paulo, é só trocar seis por meia dúzia pra decidir nos pênaltis...

              ... e correr para o abraço!


Sérgio Siqueira assina o blog Sanatório da Notícia 
 

Por José da Cruz às 22h11

As suspeitas relações do Ministério do Esporte com a segurança do futebol

        Ao mesmo tempo em que divulga as ações preliminares para o esquema de segurança da Copa 2014, o Ministério do Esporte repassa R$ 6 milhões para o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional, em São Paulo.

        O dinheiro se destina ao programa de cadastramento de torcidas organizadas, uma invenção que pode ter bons objetivos, mas operada pelo Ministério do Esporte é muito suspeita.

        Suspeito dessas relações do Ministério com o Sindicato, porque é muito dinheiro para um cadastramento que não é obrigação nem competência do governo federal.

    O Estatuto do Torcedor (Lei 10.671/2003) diz em seu artigo 14 que a responsabilidade pela segurança do torcedor em evento esportivo é do clube que tem o mando de jogo.

Diz mais: que os dirigentes devem solicitar ao Poder Público agentes de segurança para dentro e fora dos estádios, por ocasião de jogos.

        Eventos esportivos são iniciativas privadas, com promotores que ganham dinheiro, que vendem imagens, que têm lucros com patrocínios, ingressos etc. Agora vem o governo federal, via Ministério do Esporte se intrometer num negócio particular e vai financia cadastramento de torcedor? Isso não seria mais adequado à Secretaria de Segurança Pública do Estado? E tudo ao custo de R$ 6 milhões?

Suspeito, muito suspeito!

        Pior: o Ministério do Esporte também vai comprar, implantar e pagar a manutenção de um sistema de controle de imagem por circuito fechado de TV, nos estádios com capacidade superior a 10 mil pessoas.

        Mas isso é obrigação dos clubes!!! Está no Estatuto do Torcedor. Portanto, é mais uma exorbitância do Ministério do Esporte, aplicando dinheiro público na iniciativa privada.

        O que o governo deveria fazer, não faz, que é exigir dos cartolas o cumprimento da Lei de Incentivo, aprovada há cinco anos. Mas, além de não fazer isso, ainda vai suprir a falta de ação dos clubes?

         Por tudo isso, tais gastos e repasses para “segurança” tornam o assunto suspeito, muito suspeito.

A pretexto de “garantir segurança”, o ministro Orlando Silva trata do assunto como se fôssemos ingênuos, a ponto de acreditar que o governo federal desce de sua hierarquia de autoridade fiscalizadora para se revelar executora de projetos de “segurança de estádios”. Ignorando, inclusive, a competência de estados e municípios para cuidarem desse assunto.

Suspeito dessa operação, e aí está o indicativo para que o Tribunal de Contas da União e Ministério Público Federal acompanhem o processo, a fim de evitar mais um milionário desperdício de dinheiro, como ocorre em muitas iniciativas da pasta do Esporte. 

Por José da Cruz às 15h54

Ciclismo poderá perder patrocínio do Banco do Brasil

        O silêncio do presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo,  José Luiz Vasconcellos, abafando oito casos de doping, em 2010, poderá decretar o fim do patrocínio do Banco do Brasil, cuja direção de marketing soube sobre o escândalo – divulgado inicialmente pela ESPN –  por este blog.

        O contrato entre a estatal e o ciclismo terminou em outubro do ano passado, mas técnicos do Banco do Brasil analisam o pedido de renovação de parceria BB-CBC.

        Agora, porém, levarão em conta estes novos episódios para decidir sobre a continuidade do patrocínio da estatal ao ciclismo, conforme informação da assessoria do próprio Banco do Brasil.  

        A decisão sairá nos próximos dias.       

Por José da Cruz às 00h47

Libertadores da América

Por José da Cruz às 23h53

Falcão, o comentarista que não veste Prada

Por Sérgio Siqueira

      O primeiro tempo de Inter x Penharol terminou com o marcador de um a zero para o time gaúcho que jogava em casa. O Colorado foi para o vestiário classificado para a próxima fase da Copa Libertadores da América.

        Paulo Roberto Falcão foi para o túnel aplaudido. A bem da verdade - é preciso que se diga -, a coisa mais bonita no futebol exibido pelo Internacional era a elegância do treinador, nos gestos, no andar, no olhar perdido de visão penetrante, na combinação do azul profundo com a camisa social e das duas peças com a calça e os sapatos de cromo alemão, próprios de uma boa festa-baile.

        Na volta ao gramado, aos cinco minutos do segundo tempo, os uruguaios já tinham virado o placar: 2 x 1.

        Foi então que o Beira-Rio em peso se deu conta que os jogadores do Inter haviam entendido perfeitamente a preleção de Paulo Roberto Falcão. Foi a tal "voz do vestiário".

        Agora, a torcida colorada sabia mais: enfim, Falcão era o Renato Gaúcho que os cartolas e as torcidas organizadas do Internacional tanto precisavam. Apenas mais elegante.

        Azar que o diabo não veste Prada. O Penharol despachou o Inter. Não é nada, não é nada, essa foi a primeira grande vitória de Renato Gaúcho no estádio Beira-Rio.

        Mais do que darem adeus à Libertadores, os torcedores colorados já começam a sentir a ressaca da Lua de Mel com Falcão que, como técnico de futebol, nunca passou de um comentarista que segue o script.
 

Sérgio Siqueira assina o blog Sanatório da Notícia

http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/

Por José da Cruz às 23h13

04/05/2011

Transparência escondida

        Incentivado pelo governo federal a fiscalizar os gastos públicos com a Copa 2014, passei a acompanhar as auditorias do Tribunal de Contas da União sobre o assunto.

Porém, ao contrário do divulgado, esbarrei logo no primeiro processo, que recebeu “tratamento sigiloso de todos os anexos”.

Ou seja, os detalhes onde estão as possíveis maracutais são "sigilosos". Como fiscalizar o que não é público?

Transparência e clareza nas contas do governo é assim que se trata, escondendo.

Como doping no ciclismo, ninguém sabe, ninguém viu, até que repórteres curiosos e persistentes descobrem a farsa.

Agora vai.

Por José da Cruz às 17h50

Escândalo: União Internacional de Ciclismo pune oito brasileiros por uso de doping. Confederação escondeu o fato

              O maior escândalo de doping no país tem nova modalidade recordista, o ciclismo, com oito envolvidos em 2010. Todos já foram julgados e estão suspensos das competições oficiais pela União Internacional de Ciclismo (UIC). O caso estava em silêncio, até agora.

         Depois do atletismo, que em 2009 teve revelado um esquema com sete atletas, todos de nível olímpico, o ciclismo assume a liderança  nessa triste disputa, mas com uma diferença brutal: a Confederação Brasileira de Ciclismo escondeu os casos, que só foram descobertos pela persistência de dois repórteres paulistas, Roberto Salin e Marcelo Gomes, da ESPN Brasil.

O roteiro

        Em 27 de março deste ano contei neste blog sobre o doping do ciclista Pedro Nicacio, de Pindamonhangaba, suspenso de provas desde julho do ano passado, mas cuja punição até então era um mistério.

        No dia seguinte, 28 de março, os repórteres Marcelo Gomes e Roberto Salin me entrevistaram, num papo de rádio que durou cerca de meia hora. A dupla se entusiasmou com a denúncia e foi à luta. Resultado: descobriram que o presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo, José Luiz Vasconcellos encobria o maior escândalo sobre o uso de doping que se tem notícia no país.

        A notícia completa sobre o assunto, com impressionantes depoimentos de atletas, vai ao ar no dia 28 de maio, pela ESPN. Mas o briefing do “pedais descontrolados” – título da reportagem – divulgado no sábado à noite, está aqui. 

        Mas, afinal, porque silenciar diante da fraude? Porque a direção da Confederação Brasileira de Ciclismo não divulgou o nome dos atletas suspensos pela entidade máxima do ciclismo mundial?

        Simplesmente para evitar expor em escândalo o nome e a marca de seu patrocinador principal, o Banco do Brasil, cujo valor repassado do apoio à Confederação de Ciclismo não é revelado.

        Ironicamente, alguns dirigentes, como José Luiz Vasconcellos, evitam expor o nome de seus atletas ao escândalo. Na versão oficial, é o motivo do silêncio.

        Mas os atletas agiram de forma fraudulenta. Pior, usando recursos públicos, no caso do patrocinador Banco do Brasil!  Merecem ficar escondidos?

        Diante disso, ficam as seguintes questões:

1.   Há casos semelhantes em outras confederações, que também escondem os nomes de seus atletas punidos?

2.   A Confederação de  Ciclismo comunicou este gravíssimo fato ao Comitê Olímpico Brasileiro?

3.   Da mesma forma, informou ao patrocinador, Banco do Brasil?

Em caso positivo, porque todos silenciaram? Cumplicidade?

Mas se a CBC não divulgou, sua direção continua merecendo crédito diante desse escândalo?

Por José da Cruz às 23h46

03/05/2011

Gambiarra olímpica

         De um atento telespectador e colaborador deste blog recebi a seguinte mensagem, por volta do meio dia de hoje:

“A instantes da largada da prova dos 4x50m livre do Troféu Maria Lenk de natação, no Parque Júlio Delamare, Rio, o bloco de  partida do campeão Cesar Cielo está solto e não conseguem encaixá-lo, provavelmente por estar estragado / quebrado.  Agora tentam, bisonhamente, apertá-lo com um alicate. Imaginem essa "gambiarra" sendo mostrada para todo mundo em 2016?”

Meu comentário

Pode parecer bobagem, mas estamos falando do principal evento de natação do país! Seletivo aos Jogos Pan Americanos de Guadalajara e Mundial de Esportes Aquáticos em Xangai, China!

Lembro que a piscina do moderníssimo parque Maria Lenk não foi usado porque o placar eletrônico pifou.

E isso ocorre não por falta de grana, pois a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos recebe de várias fontes, inclusive do Brasdesco, Caixa Econômica, Lei de Incentivo, Orçamento do Ministério do Esporte...

Por exemplo, no dia 12 de abril, o Ministério do Esporte repassou R$ 1 milhão para a CBDA justamente para “compra de equipamentos para modalidades olímpicas de desportos aquáticos”.

Brincadeira, claro, mas de repente foi com esta grana que também compraram o alicate que salvou a largada de Cesar Cielo na prova de hoje.

Quem diria, no país olímpico dependemos de um alicate, usado na hora da prova, para que o recordista mundial faça uma largada segura!!!

Por José da Cruz às 18h38

O "legado" está vazio

        Monumentos dos Jogos Pan-Americanos de 2007, o Parque Aquático Maria Lenk, o Velódromo e a Arena Multiuso têm manutenção anual de R$ 4 milhões, dinheiro que sai dos cofres públicos, via Comitê Olímpico Brasileiro.

Mas todos esses gigantes estão vazios. De eventos e de atletas.

        A denúncia é do repórter Guilherme Coimbra, do UOL Esporte, revelando espetacular desperdício das instalações – é o tal “legado”... – e, em decorrência, a irresponsabilidade dos governantes e dos gestores do esporte.

A situação no Rio é grave, pois até o principal evento de natação nacional, o Troféu Maria Lenk, está sendo disputado no Parque Júlio Delamare, Maracanã. Motivo: o placar pifou. Deve ser por inatividade, imagino.

        A reportagem de Guilherme confirma a falta de políticas públicas para o esporte e de projetos integrados dos governos federal, estadual e municipal.

        Enquanto isso, o Ministério do Esporte disfarça alguma ação com o tal de “Segundo Tempo”, outro sumidouro de dinheiro e incentivador de campanhas políticas para o PCdoB.

        Aqui no Distrito Federal, o curso de Educação Física da Universidade de Brasília está há quatro anos com a piscina vazia para reforma. Quatro anos!!! O dinheiro acabou...

        A gestão do esporte público é um desmando, uma tristeza, uma vergonha. Mas somos olímpicos, sorridentes e abraçados, lembrando a imagem que ganhou o mundo quando o Rio foi anunciado sede dos Jogos 2016.

Por José da Cruz às 15h37

Copa 2014: mais enredos; mais promessas de mudanças. Será?

        Esgotou-se no sábado o prazo para o PC do B apresentar a presidente Dilma Rousseff um nome do partido para substituir a Orlando Silva, no Ministério do Esporte. Tenho informação que o acordo foi cumprido e três nomes estão à disposição presidencial.

        Se o PC do B não fizesse o encaminhamento, Dilma teria liberdade para indicar o novo ministro. Ou seria ministra?

        Este panorama é real. No Palácio do Planalto comentam, inclusive, que as substituições chegariam a outros ministérios.           

        Porém, os envolvidos nas possíveis mudanças são políticos e seus partidos, insaciáveis senhores e instituições sempre atrás de cargos, onde se revelam os predadores do orçamento público.

        Logo, qualquer alteração na equipe de governo depende de dezenas de acordos, acertos bilaterais, promessas e compensações, principalmente. E se um ou outro escolhido for de parlamentar, a situação piora, pois aí entra a análise sobre o respectivo suplente, o seu partido, a oportunidade, vantagens e desvantagens de o distinto chegar ao Legislativo.

        No esporte, especificamente, está muito claro que não é mais possível o país se preparar para a Copa do Mundo sem um gerente específico, que fale com a autoridade em nome do governo central e tenha competência para fazer cumprir o cronograma de obras.

        O que existe, desde que conquistamos a sede do Mundial de Futebol, em 2007, é um ministro dividindo atribuições com o Ministério do Esporte. E só!

        Essa desordem, que expõe mundialmente a nossa fragilidade – ou seria irresponsabilidade? – como gestores, revela o desinteresse e a falta de compromisso político governamental sobre as questões desse importante segmento da economia – o esporte, em geral – com repercussões enormes também no orçamento da União.       

        Com pneumonia, a presidente Dilma Rousseff repousa. As ações, agora, estão adiadas.

        Mesmo porque, para tratar de assuntos da Copa e seus enredos, paralelamente às questões políticas, é preciso muita saúde e disposição.

        E que enredos a esperam, Presidente!

Por José da Cruz às 08h42

02/05/2011

Cara presidente,

Na Veja 

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO 

         Como o mundo inteiro sabe, a Fifa não é flor que se cheire. É uma entidade tão milionária, e tão abusada no uso de seus poderes, quanto são milionários e abusados seus dirigentes.
        Não foi a senhora que inventou essa história de sediar a Copa do Mundo. Foi o Outro. Ele é que era, e continua sendo, louco por futebol. Ele é que criou na cabeça um Brasil tão grande e influente que terminaria com a crise do programa nuclear do Irã, arbitraria a paz entre árabes e israelenses, ganharia um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e, para encerrar, como a última firula do artilheiro antes de fazer o gol, sediaria o Mundial de 2014. A senhora, ao contrário, e mil desculpas se for engano, aparenta se aborrecer mortalmente diante de um jogo de futebol. Também não é crível, simplesmente não cabe no seu perfil, que acredite no mesmo Brasil fantasioso do Outro. Se deu a entender que sim, isso ocorreu apenas no período eleitoral, em que, como no Carnaval, tudo é permitido.

        "Falo, falo, e não digo o essencial", escrevia Nelson Rodrigues. O essencial é o seguinte: por que não desistir?

Não seria a primeira vez. A Colômbia, escolhida para sediar a Copa de 1986, jogou a toalha três anos antes, e o torneio mudou para o México. O Brasil não vive a mesma crise econômica nem as ameaças do terrorismo esquerdista e dos cartéis da droga que atormentavam a Colômbia no período. Em contrapartida, temos colossais problemas de infraestrutura de transportes e, se não enfrentamos crise econômica, não nos sobra dinheiro para erguer estádios já nascidos com a marca de elefantes brancos, como, com todo o respeito, os de Natal, Manaus e Cuiabá.

        Os aeroportos já são um caso perdido, segundo estudo do Ipea, um órgão aí da sua cozinha. Nove, entre os treze que servirão ao evento, de acordo com o estudo, não ficarão prontos a tempo. Na semana passada, num gesto que soa a desespero, pois contraria um dogma de seu partido, o governo abriu a possibilidade de privatização dos novos terminais. Mesmo que seja para valer, não serão dispensadas, é claro, as concorrências, os contratos, as licenças ambientais, sabe-se lá mais o quê.

        Mas, suponhamos que de certo, e o prognóstico do Ipea não se confirme. Muito bem, o distinto público consegue desembarcar nos aeroportos. Suponhamos que num dos aeroportos paulistas. Novo desafio: como chegar à cidade? Não há trens, e as estradas vivem congestionadas. Como este é um exercício de boa vontade, suponhamos mais uma vez que consigam. Problema seguinte: como chegar ao estádio do Corinthians, no bairro de Itaquera, o escolhido da Fifa? A linha de metrô que o serve está saturada, e o tráfego nas avenidas com o mesmo destino é de fazer chorar. Mas suponhamos, mais uma vez, que de certo. Enfim, chegamos. Mas... aonde? A um terreno baldio. O estádio do Corinthians não é mais que uma hipótese. Nem quem vai pagá-lo se sabe.

        "Falo, falo, e não digo o essencial." O essencial desta missiva, senhora presidente, é sugerir-lhe uma estratégia. Se lhe parece humilhante desistir assim, na lata, a sugestão é a seguinte: brigue com a Fifa. Enfrente-a. Como o mundo inteiro sabe, a Fifa não é flor que se cheire. É uma entidade tão milionária, e tão abusada no uso de seus poderes, quanto são milionários e abusados seus dirigentes. Pega bem enfrentá-los. Brigue para que reduzam suas incontáveis exigências. Que aceitem a reforma de estádios existentes em vez de pedirem tantos novos. Que assumam parte das despesas. A Fifa está com a corda no pescoço tanto quanto a senhora. Na melhor das hipóteses, eles romperão com o Brasil e partirão para uma alternativa de emergência. A culpa não será da senhora, mas da arrogante inflexibilidade que demonstraram. Na pior, que já nos é favorável, reduzirão as exigências e arcarão com parte dos custos. A senhora já tem assunto demais com que se preocupar. Precisa livrar-se desta, com perdão pela expressão, herança maldita.

        Em paralelo, e com cuidado, a senhora trataria de reduzir o absurdo número de doze cidades-sede para os jogos. A questão exige mais cuidado porque mexe com interesses locais e porque aqui não foi a Fifa, foi ele, o Outro, que assim quis. Com a mente intoxicada de Brasil Grande e o olho nos dividendos eleitorais, ele quis agradar ao maior número de gente possível. Agiu, na manipulação do futebol, como faziam os governos militares. Na África do Sul as sedes foram nove; nos EUA, outro país continental, também nove. Abater o número de sedes diminui despesas e poupa o público do excesso de deslocamentos. Senhora presidente, ainda lhe sobra espaço político para agir. Tal qual estão postas as coisas, as alternativas são colapso absoluto, fiasco total ou fiasco parcial.

Por José da Cruz às 11h37

01/05/2011

A tabela hipócrita entre a política e o futebol

        Com o apoio de oito empresas e liderados pelos grupos “Movimento Brasília Merece” e “Diários Associados”, o Correio Braziliense de hoje lança a campanha “Os Caras Pintadas estão de volta”.

        Coloridos rostos – ou caras – enfeitam a capa do jornal anunciando que “é hora dos brasilienses ganharem visibilidade nacional e internacional”.

        Objetivo do barulho: Brasília ser a sede do jogo inaugural da Copa do Mundo de 2014.

A outra cara de Brasília

        Durante a semana, as emissoras de televisão da Capital da República exibiram deprimentes imagens do abandono da rede hospitalar do Distrito Federal. Cento e vinte dias depois de o governador petista, Agnelo Queiroz, ter assumido, a situação é mais grave que nos tempos dos ex-governantes, Joaquim Roriz ou José Roberto Arruda. Agnelo é capaz desse recorde.

        Velhos recebem soro deitados no chão, porque não há macas!!! Outros, estão inconscientes em cadeiras espalhadas pelo meio da balbúrdia e do barulho, naquele ambiente escuro e imundo.

        Numa sala em que o teto havia desabado algumas horas antes, uma paciente declarou que sua cirurgia fora remarcada pela quinta vez em duas semanas.

        As cenas se repetem nos demais hospitais públicos da cidade, transmitindo total insegurança aos que ali vão se socorrer. O risco de morte é iminente pela falta de assistência.

Viajante

        No mesmo dia em que estas notícias eram divulgadas pela televisão, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz – um dos que ajudou a criar o desastroso “legado” do Pan 2007 – viajava para Buenos Aires. Lá, o doutor foi conhecer um estádio de futebol. Quer algo similar no Mané Garrincha, que reconstroi em Brasília, ao custo de R$ 700 milhões. Outro tanto será gasto no gramado, cobertura, cadeiras, iluminação etc... As suspeitas de fraudes nos trabalhos que se realizam são investigadas pelo Ministério Público.

        Por que uma viagem à Argentina para conhecer um estádio de futebol, e não  a um moderno hospital público do país que servisse de exemplo sobre gestão eficiente?

        Pois é nessa realidade que um grupo de pessoas – quem sabe beneficiadas por valorizados planos de saúde – lança o movimento “Brasília Merece”. E que a capital “precisa ganhar a visibilidade no cenário nacional e internacional”.

        Sinceramente, não sejamos cínicos. Porque a imundice que nos entristece – e mata – está escancarada e sem campanha pública e colorida para mudá-la.

        O futebol profissional, há muito, tronou-se instituição sinônimo de fraude, de corrupção, de malandragens, de negócios ilegais, de trambiques entre gestores e políticos. E é nesse ambiente que o governador Agnelo Queiroz se envolve para dar visibilidade a Brasília. E com o apoio de Caras Pintadas, de histórica lembrança, mas, agora, de péssimo oportunismo e vínculo político.

        Sugiro que esse Caras Pintadas visitem por 30 minutos – apenas isso, meia hora – os hospitais de Brasília. Nem precisam ir às escolas públicas para terem visão maior dos nossos problemas. Com certeza a campanha de vocês, que demonstra entusiasmo, alegria e vitalidade, mudará os rumos.

        Aí sim a cidade poderá ganhar visibilidade que defendem, pela solidariedade de seu povo saudável.

        Porque, até aqui, a imagem é triste e deprimente. Pela incompetência da gestão governamental que se acumula há anos, a saúde pública perde de goleada para a tabela hipócrita – e suspeita – que une a política ao futebol.

Por José da Cruz às 11h37

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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