Blog do José Cruz

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31/03/2011

Manaus terá arena para público fantasma

         Voltando às informações sobre as sedes da Copa e seus estádios maravilhosos, apresento dados oficiais sobre o público no Campeonato Amazonense deste ano.

        Os números e comentários, do jornalista Walter Guimarães, servem para mostrar como o futebol desperta pouco interesse por lá, onde está sendo erguido a majestosa Arena da Amazônia, capacidade para 25 mil pessoas e  orçado em R$553 milhões.                              Projeto GMP

A estupidez em números reais

        Mesmo com a campanha ruim no primeiro turno, o Rio Negro teve a terceira maior média de público do Campeonato Amazonense, até a 8a rodada.

        Em três partidas como mandante, de sete disputadas, 1.822 torcedores do Alvinegro pagaram ingresso e geraram R$ 15,5 mil de receita ao clube. O Galo, como é conhecido, teve média de 607 torcedores pagantes por jogo, e renda média de R$ 5,1 mil.

        À frente do Galo, ficaram o rival Nacional, média de 705 torcedores/jogo, e o Penarol, com média de 973 torcedores por jogo na Velha Serpa.

        Diante desses números inexpressivos, fica evidente que a escolha de Manaus foi decisão política e sem qualquer preocupação com o futebol. No estádio que se constroi serão realizadas apenas quatro jogos pela Copa do Mundo.

Público dos times do Amazonas - 2011

CLUBES                        TORCEDORES

Penarol (Itacoatiara)           973

Nacional (Manaus)              705

Rio Negro (Manaus)            607

Princesa dos Solimões (Manacapuru) - 607

Operário (Manacapuru)                      577

São Raimundo (Iranduba)    386

Fast (Manaus)                     371

América (Manaus)               144

Sul América (Manaus)         128

Já no Campeonato Paraense de 2011

CLUBES                           TORCEDORES

Remo (Belém)                    13.600

Paysandu (Belém)                5.271

Tuna Luso (Belém)               2.823

Cametá (Cametá)                 2.736

São Raimundo (Santarém)    2.211

Independente (Tucuruí)        2.122

Castanhal (Castanhal)          1.224

Águia de Marabá (Marabá)      813

        Ou seja, o time de pior público no Pará (Águia de Marabá) teria a segunda melhor média do Amazonas. Isso é um desrespeito com quem gosta de futebol.

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Por José da Cruz às 18h38

A saúde dos atletas olímpicos

 

O Comitê Olímpico Brasileiro quer avaliar a forma física e o estado geral de saúde de 900 atletas aptos a integrarem a delegação aos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro, e iniciar a preparação para 2012 e 2016.
        Na quinta-feira, o médico-chefe do COB, João Granjeiro, acompanhado por outro médico, Dr. Gustavo, reuniu-se com o Comitê de Artroscopia e Traumatologia do Esporte, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, em São Paulo.

Especialistas de cinco Centros de Referência em Medicina Esportiva participaram além da USP: Santa Casa de São Paulo, a UNIABC, Universidade Federal de SP (UNIFESF) e o Hospital do Coração (HCor).

“Procuramos essas entidades em função da excelência de serviços que prestam”, informou a assessoria do COB.

Proposta
        Um médico paulista especialista em medicina esportiva,  presente ao evento, me resumiu o assunto.
        As consultas e exames realizados por médicos especialistas em medicina do esporte deveriam ser através do SUS, isto é, gratuitos.

A assessoria do COB diz que não é isso, e espera, inclusive, pela apresentação das propostas das entidades consultadas aos serviços que devem ser realizados.

        Indagado sobre as possibilidades de o grupo Bradesco – patrocinador oficial do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 – participar do pool, já que os exames e o trabalho de avaliação são dispendiosos, Dr. Grangeiro sugeriu: “Esqueçam o acordo com o Bradesco.”

Critérios

        Quem estava na platéia observou que houve um certo constrangimento no diálogo, pois os representantes do COB não disseram, claramente, o que desejavam dos especialistas nesse intercâmbio dispendioso.

        Porém, Dr. Gustavo adiantou informações para facilitar o inercâmbio. Por exemplo, que os atletas a serem avaliados deverão ser divididos em quatro grupos:

1.  - os que se têm certeza de bons resultados no Pan-Americano. Esses precisam de avaliação e acompanhamento mais freqüentes;

2.  o segundo grupo é composto por atletas que "talvez" tenham resultados. Se tiverem bons desempenhos até julho, poderão passar para o primeiro grupo;

 3.    já o terceiro grupo é formado por atletas que cumprem o contrato e competem porque conseguiram vaga, cravaram índices e vão disputar suas provas, mas não estão entre os favoritos;

4.    finalmente, o quarto grupo reúne as “esperanças” de bons atletas. Para esses dois últimos grupos basta realizar avaliação preliminar.

Para que se tenha uma idéia sobre esta divisão, Dr. Gustavo revelou que nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, César Cielo pertencia ao terceiro grupo.

Considerações

Diante disso, é indispensável considerar:
       1. – o trabalho que o COB propõe não é de pesquisa, mas ação de órgãos públicos ou credenciados pelo SUS. Logo, espera-se que tais serviços sejam, de fato, remunerados, para não prejudicar o atendimento público, durante o tempo da avaliação de 900 atletas. 

2. - Não podemos ignorar que, devido à deficiência médica-hospitalar dos nossos serviços de saúde, em todo o país, a média de espera para uma tomografia na rede pública, por exemplo, é seis meses...
       3. – o portal do Comitê Organizador Rio 2016 têm como “patrocinador oficial” o Banco Bradesco e Bradesco Seguros. Trata-se do principal banco particular do país.

       4. – além disso, são parceiros do COB multinacionais de peso, como a GE, Panasonic, Samsung, Visa, Omega, Coca Cola, McDonald´s etc.
       Ora, diante desse potencial econômico, posso concluir que o COB não precise, como afirma, se socorrer da gratuidade de serviços públicos de saúde.

Mesmo porque, as confederações que formam o Comitê Olímpico também têm boas fontes de recursos, ao contrário do que ocorria até 2000, quando obter financiamento para o esporte de rendimento era uma dificuldade espetacular.

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Por José da Cruz às 16h43

Pan 2007: feliz aniversário! E a investigação continua

      Perto do quarto aniversário dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro e já rumando para o Pan de Guadalajara, em outubro, vários processos ainda são analisados pelo Tribunal de Contas da União sobre aquele evento, que teve custo total de R$ 3,4 bilhões, a maior parte bancada pelo governo federal.

             

      E o secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser Gonçalves, continua enrolado. Na semana passada, o TCU rejeitou os argumentos e justificativas do secretário para irregularidades encontradas pelos fiscais em um dos mais escandalosos processos do Pan 2007, o de número TC 020.983/2007-7.

      Trata-se de um contrato para o fornecimento de instalações temporárias, conhecidas por “overlay”, em firmado entre o Ministério do Esporte e a empresa Fast Engenharia e Montagens S.A.

      O assunto já foi debatido neste espaço, mas faço rápida memória, pois agora está chegando ao final a Tomada de Contas Especial, isto é, uma rigorosa varredura em todas as contas, notas, faturas, visitas aos locais para contar materiais e equipamentos etc.

Diferenças

      Nessas visitas, os fiscais do Tribunal constataram “fornecimento de bens e serviços em quantidades diferentes das do contrato, com possibilidade de dano ao erário”.

      Quando os fiscais constataram que havia erros entre as quantidades de equipamentos contratadas e forncedidas, o TCU determinou a suspensão do pagamento das contas. E é isso que agora está em julgamento final.

Diz o relatório do tribunal:

      “Já na Vila Pan-Americana a equipe verificou a inexistência de 244 unidades de aparelhos de ar-condicionado, decorrente da diferença entre as 1.033 unidades contratadas e as 789 unidades fornecidas, das quais, inexplicavelmente, 389  unidades não se encontravam instaladas, mas, isso sim, armazenadas no subsolo dos Blocos 11 e 12 da Vila Pan-Americana, acondicionadas e embaladas da forma como deixaram a fábrica.” Cálculo do prejuízo:R$ 880 mil.

      Outra irregularidade foi sobre o fornecimento de assentos plásticos para o Complexo de Deodoro e arenas na Praia de Copacabana, local da prova de triatlo e jogos de vôlei de praia e triatlo.   

      Foram contratadas 19.347 unidades de assentos plásticos. Porém, faltaram 7.013 unidades, conforme constatado in loco pela equipe de fiscalização do TCU.

      Este item, se medido integralmente, implicaria prejuízo aos cofres públicos na importância de R$ 4.089.210,17.

Atrasos

      Em 2009, o então relator do processo, ministro Marcos Vilaça, já aposentado, assim se manifestou sobre o assunto, em geral:

      “Outro aspecto digno de nota foi a pouca colaboração observada entre as três esferas de governo envolvidas – federal, estadual e municipal –, por vezes em decorrência de divergências partidárias.”

Disse mais o ministro:

      “A atuação do CO-RIO também deve ser objeto de ressalvas. A entidade, de caráter privado, teve dificuldade em gerir de forma adequada os recursos públicos recebidos por meio de convênio, e em adequar-se às exigências e prazos da Lei de Licitações.”

      “Neste ponto sou categórico. O Ministério do Esporte, a quem cumpria o papel de principal ator governamental na gestão dos Jogos, foi o maior responsável pelo planejamento precário que permeou o evento. O Estado, o Município e o CO-RIO também são responsáveis”.

E concluiu:       

      “Por fim, lamento o excessivo tempo que o Ministério dos Esportes tem levado na análise dos contratos e convênios do Pan. Essa demora embaraça o trabalho do TCU e impede o trâmite mais ágil dos processos atualmente em curso nesta Casa, impossibilitando dar contas à nação, com a agilidade que a sociedade requer, dos atos praticados e dos gastos realizados.”

      Entenderam? É a estratégia para passar o tempo e tentar ver se o processo acaba em pizza.

     O processo do TCU está aqui.

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Por José da Cruz às 00h12

30/03/2011

Doping: Bagio está fora das competições por dois anos

        O marchador catarinense José Alessandro Bagio foi suspenso por dois anos pela Comissão Disciplinar Nacional (CDN) da Confederação Brasileira de Atletismo. Ele testou positivo em controles de doping, em 2010.

        Bagio usou a substância proibida 19-Norandrosterona, em teste fora de competição, em 9 de setembro, em Timbó (SC), e em 15 de setembro, durante o Troféu Brasil de Atletismo, em São Paulo (SP).
        O advogado do atleta, Emerson de Lima, pediu pena de “ADVERTÊNCIA”, o mínimo previsto na legislação. Não levou.

Mas...

        Há uma semana, a Comissão Disciplinar Nacional da CBAt puniu APENAS com ADVERTÊNCIA a atleta Geisa Arcanjo.

        Será que foi porque Geisa testou positivo numa prova de CAMPEONATO MUNDIAL juvenil, no Canadá, quando ganhou ouro no arremesso de peso?

        Ou a diferença de punições é porque Bagio foi flagrado em dois exames, realizados em apenas uma semana.

        Ora, se fizessem um segundo exame com Geisa sete dias depois ela também não acusaria o mesmo resultado de uma semana atrás?

        Ou será porque o exame da campeã foi feito no exterior, e isso tem algum valor inclusive para atenuar a pena?

        De repente, prova internacional é mais valorizada...

        Enfim, não vou ficar imaginando situações, mas que é ridículo é.

        Doping é doping. E ter dois pesos e duas medidas é beneficiar quem também errou, quem fraudou.

        Em resumo, o atletismo, que se sustenta com verbas federais, com dinheiro público, está desmoralizado.

Por José da Cruz às 12h15

Está decidido, Brasília ganha um elefante, branco ou albino

             

Por Walter Guimarães

        O Governo do Distrito Federal enviou uma verdadeira “tropa de elite” para a primeira Audiência Pública promovida pelo CREA. Estavam lá o vice governador Tadeu Filippelli, o secretário de Transportes, José Walter, e o presidente da NOVACAP, a Companhia Urbanizadora da Capital Federal, Maurício Canovas. Pelos discursos do trio pode-se confirmar que o Estádio Nacional de Brasília terá 70 mil lugares.

        O evento foi aberto pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, que inicialmente pensou apenas em fazer a abertura solene do evento, mas com o jeito político de sempre, acabou falando, até demais.

         Mostrou ansiedade pelos relatórios que das 12 audiências que o CREA promoverá nas cidades-sedes, até o final de junho.

        “Estes documentos poderão auxiliar em ajustes necessários dos projetos”, disse o ministro.

        Mas como assim, ajustes nos projetos?? A Copa “é amanhã”, como disse o Blatter, e ajustes serão bem vindos?? Devem ser ajustes como o feito no Complexo Maria Lenk no Rio, quando tiraram a cobertura das piscinas e deixaram apenas nas arquibancadas, por não dar tempo de fazer tudo.

        O ministro confirmou, ainda, que o Pan 2007 serviu como “aprendizado”. Pelo visto, foi um grande aprendizado, pois tudo está sendo repetido na Copa. E por fim, disse que a presidente Dilma exigiu balanços públicos dos gastos a cada três meses. Agora é esperar para ver.

        Depois, foi a vez do vice governador Tadeu Filippelli deixar extrapolar toda vontade de receber o jogo de abertura. Todos os atrasos de obras foram explicados com a “crise política” dos últimos 17 meses no DF. Mas a frase que marcou o seu discurso foi sobre o Estádio Nacional. “Vai virar um elefante branco, tudo bem”. Como assim tudo bem?? Como assim “depois veremos o que fazer”??

        Já o secretário de Transportes, José Walter, apenas listou as obras do PAC da Copa e do PAC 2 para o DF na questão da mobilidade urbana, sem entrar na questão do estádio, mas milhões e milhões de reais e dólares foram enumerados.

        Para reafirmar o discurso de que realmente serão 70 mil lugares para o elefante, branco ou não, mas se não for, será albino, o presidente da NOVACAP, Maurício Canovas, começou a enumerar os problemas das outras cidades postulantes à abertura. Como se Brasília fosse a cidade perfeita para tanto.

        O problema são as afirmações colocadas como verdades, mesmo irreais. Canovas afirmou que o mundo para no jogo de abertura, mas a final “somente os aficcionados e a população dos países envolvidos” assistem. Ledo engano, a maior audiência dos últimos anos em eventos esportivos foi a final França x Itália, na Copa da Alemanha. As outras finais também superaram outros jogos. Ainda garantiu um elevado número de partidas de futebol no Estádio Nacional, pois “receberá jogos das Olimpíadas e dos Jogos da Juventude, que a cidade irá postular”. Quantos jogos seriam esses, talvez 10, no máximo 15. Não, não são muitos.

        Finalmente, ao defender a não redução para 40 mil lugares, o presidente da NOVACAP afirmou que a redução do montante gasto seria de “apenas 20%, no máximo 30%” do valor do estádio para 70 mil.

        Caro Canovas, isso é “apenas” um valor entre R$ 135 milhões e R$ 200 milhões. Isso sim são muitos, muitos reais.

Por José da Cruz às 07h56

29/03/2011

A frase da Copa

“Depois a gente vê o que se faz com este elefante branco”

Do vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli, referindo-se ao Estádio Nacional de Brasília, no pós-Copa

Filipelli é um político bem sucedido. Foi deputado distrital, federal, senador, é vice-governador e quer ser o manda-chuva daqui a quatro anos.

Esteve sempre muito próximo de pessoas influentes e famosas, muito famosas e enroladíssimas:

É amigo íntimo de Joaquim Roriz ...

... de Arruda e Paulo Octávio

  ... e de Agnelo!

Por José da Cruz às 18h32

Copa 2014: Carta aberta à Presidenta Dilma Roussef

Por José Roberto Bernasconi

Presidente da Regional São Paulo e coordenador dos Assuntos da Copa do Sindicato da Arquitetura e Engenharia 

Prezada Presidenta Dilma Rousseff

 O Brasil foi escolhido pela Fifa como sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014, decisão anunciada em 30 de outubro de 2007, em Zurique, em cerimônia da qual participaram o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 12 governadores de Estado, representantes de Ministérios e do Senado, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, entre outras autoridades.

Desde essa data, já decorreu um longo tempo – exatos três anos e quatro meses. Estamos, portanto, na metade do prazo, mas infelizmente ainda longe de termos concluído a metade das obras necessárias à realização da Copa e, principalmente, para deixarmos um legado positivo dos investimentos para a sociedade brasileira.

O Sinaenco é uma entidade que, desde 2007, vem realizando estudos, como o “Estudo sobre a situação dos estádios brasileiros”, no qual analisou a situação de 29 estádios em 17 capitais e que foi divulgado à imprensa em 1º de novembro de 2007; seminários, como os promovidos pelo Sinaenco em 17 capitais candidatas a sediar uma chave da Copa, em 2008 e 2009, que contou com a participação de autoridades, entidades da cadeia produtiva da construção civil, entre outras, e resultou numa publicação –“Vitrine ou Vidraça – Os desafios do Brasil para 2014”, lançada em evento público em junho de 2009.

Além disso, o Sindicato, que congrega mais de 18 mil empresas de arquitetura e engenharia de projetos de todo o país, vem alertando, há quatro anos, para a importância do planejamento e do bom projeto para embasar um programa de obras de infraestrutura, esportiva e geral, para que o país tenha boas obras, construídas com qualidade, no prazo certo e ao custo adequado.

"É fundamental que a senhora, presidenta Dilma Rousseff, chame para si a liderança do processo das obras relacionadas à Copa 2014 e Olimpíada 2016"

A radiografia atual das obras necessárias à boa realização da Copa 2014, porém, mostra um quadro preocupante. Boa parte das obras de infraestrutura geral ainda não deslanchou e, em relação aos estádios –obviamente essenciais para a realização de um Campeonato Mundial de Futebol– há situações muito preocupantes, como as de Natal e, em especial, São Paulo, a maior cidade do país e pré-definida como local do jogo inaugural da Copa.

A capital paulista é a única que reúne hoje todos os requisitos para sediar o jogo de abertura do Campeonato Mundial de Futebol da Fifa. Mas patina no quesito básico para isso –a construção do estádio com capacidade e condições para essa abertura.

É importante ressaltar que o compromisso de realizar –bem– a Copa 2014 foi assumido pela autoridade máxima brasileira, o ex-presidente Lula, em nome do país. Esse é, assim, um compromisso de Estado para com a Fifa, com os brasileiros e com os bilhões de espectadores de todo o planeta que estarão com suas atenções voltadas para o Brasil, antes e durante a Copa 2014.

Ao assumir a Presidência da República, a senhora tornou-se a fiadora desse compromisso firmado pelo seu antecessor, em nome do país. 

Por isso, é fundamental que a senhora, presidenta Dilma Rousseff, chame para si a liderança do processo das obras relacionadas à Copa 2014 e Olimpíada 2016, com a autoridade conferida pelo voto popular, e, também, pela sua reconhecida capacidade executiva-gerencial, demonstrada ao longo dos diversos cargos públicos que ocupou ao longo de sua carreira pública.

"Estamos na metade do prazo para a realização da Copa e restam cinco anos para a Olimpíada. E ainda é possível termos obras de qualidade"

        Presidenta Dilma:  A senhora é a única pessoa, com poder decisório e de mobilizar recursos, e com legitimidade e autoridade incontestável em relação aos demais ocupantes de cargos públicos (ministros, governadores, prefeitos, responsáveis pela Autoridade Pública Olímpica, entre outras) envolvidos com a preparação do Brasil para a Copa 2014 e Olimpíada 2016.

É, por isso, a autoridade que pode cobrar a necessária celeridade no desenvolvimento de bons projetos de arquitetura e engenharia, em sua etapa final (projeto executivo), que contemplam as melhores opções técnico-econômicas e definem, entre outros, os cronogramas e os custos das obras.

Os projetos executivos permitem aos administradores o total controle do andamento das obras, afastando improvisações e sobrepreços comuns em empreendimentos públicos desenvolvidos no afogadilho do “temos de fazer de qualquer jeito e a qualquer preço”. Se a improvisação é “filha” da falta de planejamento e dos bons projetos, o descontrole é o “pai” dos desperdícios, cujo ônus recai sobre a sociedade como um todo.

Sem essa liderança e a cobrança dos responsáveis por parte da Presidência da República, corremos cada vez mais o risco de 2014-2016 repetirem 2007. Não pode ser esquecida a lição dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro – quando obras orçadas inicialmente em R$ 400 milhões transformaram-se em fantásticos R$ 3,4 bilhões e, pior, gerando apenas alguns “elefantes brancos” e nenhuma melhoria na infraestrutura. E isto aconteceu porque, apesar das advertências, faltaram planejamento, projetos executivos e gestão eficiente nas obras do Pan-americano do Rio.

O planejamento falho, a falta de projetos executivos e a gestão ineficiente fizeram com que se repetisse uma cena clássica no Brasil: os governantes locais alegaram o prazo exíguo para solicitar recursos federais volumosos, não previstos para obras realizadas no afogadilho, sem a qualidade necessária, com riscos de acidentes e problemas sérios de manutenção, no futuro, e a um custo exorbitante, comparado ao previsto originalmente. As lições do Pan 2007 não devem ser menosprezadas, sob pena de vermos a história se repetir, desta vez quase como uma “crônica da tragédia anunciada”. 

Por isso, presidenta Dilma, se o ditado popular diz que é melhor as coisas acontecerem “antes tarde do que nunca”, a sabedoria trazida pela experiência e pela observação acurada da nossa história recente recomenda dizer que é muito melhor que as coisas aconteçam “antes cedo do que tarde”.

Estamos na metade do prazo para a realização da Copa 2014 e restam ainda cinco anos para a Olimpíada 2016. E ainda é possível termos obras de qualidade, a custos adequados e no prazo exigido, desde que a senhora, presidenta Dilma Rousseff, exercite a sua liderança de forma clara e construtiva para que sejam desenvolvidos bons projetos e obras para estádios, aeroportos, portos, saneamento e mobilidade urbana, entre outras. As mais de 18 mil empresas de arquitetura e de engenharia consultiva brasileiras têm um papel fundamental a desempenhar nesses projetos e obras –e oferecem seu conhecimento e experiência para que, juntos, sob sua liderança, governos, iniciativa privada e a sociedade, consigamos deixar o tão ambicionado legado para as futuras gerações de brasileiros.

Para saber mais: http://www.copa2014.org.br/

Por José da Cruz às 17h47

"Depois a gente vê o que faz com este elefante branco"

O jornalista Walter Guimarães, colaborador deste blog, acompanha ao meu lado a audiência pública em Brasília sobre a Copa do Mundo 2014.

É dele o seguinte texto:

Complemento alguns pontos da primeira parte da audiência:

Elefante branco

Ouvir do vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli, que “a luta para a Abertura da Copa continua e depois veremos o que fazer. Vai virar um elefante branco, tudo bem,”... é de assustar.

Protocolo

          Já o ministro do Esporte, Orlando Silva, fugiu bravamente de falar sobre os problemas, deixando claro que estava ali para fazer a abertura da série de audiências públicas que o CREA realizará em todas as cidades sedes.

 Já o senador Crivella, do Rio de Janeiro presente na mesa, também utilizou a desculpa de "crise política" para os problemas do Pan. Agora ficou fácil, tudo será "crise política", mas lembro bem que na hora de saber que iria sediar tais eventos, todos se beijaram, abraçaram, choraram, mas pelo visto por outros motivos.

Esperança

Vamos esperar o período da tarde desta audiência pública, quando alguns órgãos fiscalizadores estão agendados. Mas, de antemão, fui informado que apenas a CGU confirmou presença. Uma pena, já que TCU e Ministério Público foram motivos de críticas no período da manhã.

Por José da Cruz às 14h11

Copa 2014 – Problemas do Brasil repercutem na imprensa internacional

São oito horas no superlotado aeroporto de São Paulo. Os passageiros Curie e Marvin, vendo todas as cadeiras ocupadas ao seu redor, juntam-se a dezenas de outros viajantes e se sentam no chão.

De repente, um misterioso líquido cor de café começa a escoar para fora de uma sala, nas proximidades dos passageiros.

"Oh, Jesus!" Curie exclama, observando manchas do tal líquido na calça de seu terno.

"Eu odeio este lugar", suspira o executivo da área farmacêutica norte-americana, apontando para a pintura descascando na parede do aeroporto, as luzes fluorescentes piscando e, sobretudo, multidões em volta. "Você acha que um país como o Brasil poderia corrigir isso agora?" – indaga um viajante.

De fato, cenas assim estão, supostamente, para se tornar uma coisa do passado por aqui.

O Brasil planeja investir mais de US$ 1 trilhão nesta década em projetos de construções, para transformar o lamentável estado dos aeroportos, estradas e outras infraestruturas e, assim, preparar o país para sediar a Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Há oportunidades para os investidores estrangeiros, a fim de garantir a posição do Brasil entre as economias emergentes e mais dinâmicas do mundo.

Na realidade, as expectativas são desagregadas. A infraestrutura grandiosa que o Brasil planeja parece que fica muito aquém das ambições da presidente Dilma Rousseff, segundo um inquérito da Reuters com grandes projetos de construção, e entrevistas com quase duas dezenas de líderes políticos, investidores, grupos de fiscalização do governo e outros.

Até alguns dos principais assessores de Dilma Roussef já começam a colocar dúvidas nessas metas.

"Nós precisamos começar a controlar as expectativas das pessoas", disse o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que está supervisionando os preparativos para a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. "A idéia de que nós estamos tentando compensar 30 anos sem investimento em infraestrutura em apenas quatro anos."

Há numerosos projetos de grande visibilidade, de uma longa lista de problemas, incluindo a corrupção, burocracia, falta de recursos e - sobretudo - uma manifesta falta de liderança e conhecimento específico.

De acordo com algumas estimativas independentes, menos da metade dos grandes projetos previstos em nível nacional serão concluídos no prazo.

Salvo a presidente Dilma Rousseff e outros assessores agirem com rapidez para superar os obstáculos, os investidores poderão repensar alguns de seus planos da longo prazo.

Os atrasos também levantam questões sobre se as expectativa são demasiadas elevadas para as democracias emergentes, incluindo a Índia, África do Sul e outros. Elas tentam manter o ritmo com demanda em expansão de suas classes médias, mas falta a capacidade da China para implementar soluções rápidas.  

Assim, muitos grandes projetos estão atrasados, tanto que Pelé, a lenda do futebol brasileiro, advertiu, já em fevereiro, que o Brasil arrisca "a sua própria vergonha" durante a Copa do Mundo.

O estádio que sediaria jogo de abertura do torneio em São Paulo não teve sequer seu projeto lançado, resultando em uma briga pública com a FIFA, o organismo do futebol mundial.

Mas isso é apenas o problema mais visível. Pelé e outras autoridades prevêem que as redes de tráfego rodoviário e aéreo, comunicações e outros sistemas podem simplesmente entrar em colapso, sob o peso da demanda extra durante a Copa, se as obras não avançarem a um ritmo que o Brasil, até agora, não mostrou que ser capaz de impor.

 

Por José da Cruz às 12h20

Presidente Dilma cobrará de prefeitos e governadores os atrasos para Copa

        A presidente Dilma Rousseff reunirá governadores e prefeitos para cobrar eficiência e agilidade nas obras para a Copa do Mundo 2014.

        Ainda não há data, mas será em breve, segundo o ministro do Esporte, Orlando Silva, na abertura da Audiência Pública que hoje se realiza em Brasília, promovida pelo CREA DF, para debater sobre a falta de cumprimento dos cronogramas de obras, principalmente.

        Na mesma reunião a presidente Dilma determinará total transparência nos gastos públicos, um dos itens que é falho nos órgãos afins, como o Ministério do Esporte, Tribunal de Contas e Controladoria Geral da União.

        O puxão de orelhas da presidente será oportuno. Há situações graves. Por exemplo, dois anos depois de ter sido indicada uma das 12 sedes da Copa, Brasília ainda não tem um grupo executivo. O assunto continua sendo tratado exclusivamente no gabinete do governador Agnelo Queiroz.

        O vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli, disse que os atrasos em geral se devem às sucessivas crises políticas em Brasília. Nos últimos 17 meses a cidade teve cinco governadores!

Corrupção

        Além da limitação de recursos há casos de corrupção. O projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) tem ilegalidades no projeto de licitação, segundo o vice-governador. Há disputas judiciais que só serão definidas em abril.

        Filippelli destinou a maior parte de seu discurso para defender Brasília como sede de abertura da Copa do Mundo. E sinalizou que o novo Mané Garrincha deverá ter mesmo 70 mil lugares. É um exagero para uma cidade sem um só clube de expressão nacional e, pior, com um campeonato em que a média de público é de 200 gatos pingados.

Atrasos e problemas

        Diante desse quadro geral – que Brasília é a síntese das demais cidades-sedes – o presidente do CREA DF, Francisco Machado, alertou que as obras em Brasília estão, de fato, atrasadas,  “e isso deverá encarecer os projetos”, disse ele.

        “A Copa não se resume à construção de estádios. Por isso, ainda temos dúvidas sobre quantos passageiros desembarcarão na cidade durante o evento? Como esse público será transportado até o Setor Hoteleiro? Quantas delegações vão treinar no Distrito Federal? Quantos centros de treinamentos temos para atender essas delegações? Como está sendo preparada a segurança que atuará durante o mês da Copa – 14 de junho a 14 de julho de 20104?

        Voltarei com novas informações sobre a reunião. Mas, até agora, nenhuma novidade para recuperar o tempo perdido foi dito. Portanto, continuamos empacados.

Por José da Cruz às 10h34

28/03/2011

COPA 2014 – Audiência pública em Brasília

   Terça-feira - 29 de março     

   Local: CREA/Brasília - 901 Sul (ao lado da Conab)

 

HORÁRIO

TEMA

8h30

Receptivo

9h as 9h45

Abertura solene com autoridades

· Ministro do Esporte, Orlando Silva

9h45 as 10h

 

Diagnóstico do Fórum da Copa de 2014 do Crea-DF

· Presidente do Crea-DF, engenheiro Francisco Machado

10h as 12h

Painel 1

INFRAESTRUTURA

Estádio, aeroporto e mobilidade urbana

· Secretaria de Transportes (ST-DF)

· Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic)

· Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero)

12h as 14h

Intervalo para almoço - livre

14h as 15h30

Painel 2

ESTÁDIO NACIONAL DE BRASÍLIA

· Projeto do estádio: Castro Mello Arquitetura Esportiva

· Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap)

· Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB)

15h30 as 16h

Intervalo para café

16h as 17h30

Painel 3

LEGADO E VOLUNTARIADO

· Comitê Organizador Local (COL)

· Embaixada da África do Sul e Embaixada Britânica

· Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (CET/UnB)

17h30 as 19h

Painel 4

CONTROLE E FISCALIZAÇÃO

· Controladoria Geral da União (CGU)

· Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT)

· Tribunal de Contas da União (TCU)

· Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

 

Por José da Cruz às 18h13

A crítica de Joaquim Cruz e a realidade sobre o dinheiro público para o esporte

Revista Veja desta semana apresenta entrevista com Joaquim Cruz, ouro nos 800m dos Jogos Olímpicos de 1984.

      Diz ele:

      “Todo mundo parece estar usando o esporte para servir a si próprio. Deixamos de investir na base e agora não temos quantidade nem qualidade”.

      A manifestação sugere uma retrospectiva sobre o assunto. 

        Desde 2001 o esporte recebe dinheiro, muito dinheiro, do governo federal. Loterias, Lei de Incentivo, patrocínio as estatais, Bolsa-Atleta, orçamento do Ministério do Esporte etc.  

        E volto à tecla antiga: cada um faz seus planos, suas metas. Até o COB começou a adotar atletas para o polimento final e, assim, tentar levar o Brasil ao Top 10 do olimpismo mundial.

        A meta do Top 10 foi fixada pelo Ministério do Esporte na III Conferência Nacional do Esporte, em 2010. A reunião, de quatro dias, não teve representante do COB nem das confederações, o que demonstra a falta de diálogo e entrosamento entre os órgãos que fazem o esporte nacional. Mesmo porque, a reunião foi mais uma afirmação política-partidária do que para debater sobre a realidade do segmento. Enfim...

Memória

        2000 - até aí, anos de reinado do governo Fernando Henrique Cardoso, não havia dinheiro regular para o esporte. Era apenas o Orçamento da União, uma miséria.

        2001 – É sancionada a Lei 10.264, que destina 2% das arrecadações das loterias para os Comitês Olímpico e Paraolímpico. Em 2010 isso representou R$ 143 milhões ao COB.

        2005 – Surge a Bolsa Atleta – hoje são cerca de três mil contemplados.

        2006 – O governo cria a Lei de Incentivo ao Esporte e coloca R$ 300 milhões disponíveis para captação, via Imposto de Renda.

        2010 - O Ministério do Esporte anuncia R$ 90 milhões para 18 modalidades, mas o dinheiro nunca foi liberado. Ficou na promessa.

        2011 – Na “Era PT” de governo federal, o esporte chega a oito estatais financiando 30 modalidades olímpicas e paraolímpicas: Banco do Brasil, Caixa, Petrobras, Infraero, Eletrobras, Correios e, mais recentemente, Casa da Moeda e BNDES

Dúvidas

        O que seguidamente questiono é o quanto cada órgão recebe das várias fontes para o quê?

Claro que o dinheiro é aplicado em projetos específicos. Mas temos que considerar o seguinte: as confederações não tem despesas com uniformes, pois a Olympicus é patrocinadora oficial do COB; há recursos dos patrocinadores, da Lei de Incentivo, da Lei Piva e, finalmente, os atletas têm a Bolsa do Ministério do Esporte.

Ou seja, é dinheiro de muita fonte para um mesmo fim.  

        Estamos a quatro dias do mês de abril e ainda não temos o balanço anual dos recursos da Lei Piva de 2010. O COB, que faz essa prestação de contas a cada início de ano, promete os resultados do ano passado para breve.

        E o Ministério do Esporte tem o controle sobre o total destinado a cada confederação? Quem faz essa fiscalização para que faça projeções sobre o futuro do esporte no país?

        Pois não temos nada disso. Apesar de o Estado ser o grande financiador do esporte de rendimento, a gestão do dinheiro é na base do “cada um por si”.

        Aliás, o Ministério do Esporte até que tentou tomar as rédeas dos gastos, mas uma “rebelião silenciosa”, em setembro do ano passado, sufocou a pretensão de Orlando Silva. Não sei se para o bem ou para o mal, pois contar com fiscalização do Ministério do Esporte? Sei não.

Contarei brevemente sobre isso, pois é mais um capítulo triste da nossa realidade esportiva.

Por José da Cruz às 16h13

Copa 2014: gastos, prazos e o otimismo exagerado

          O jornalista Alexandre Guimarães fez uma esclarecedora palestra sobre os desafios de infraestrutura e recursos humanos para a Copa 2014 e Olimpíada 2016.

        Aos alunos da Universidade do Distrito Federal – UDF –, em Brasília, Alexandre, consultor Legislativo do Senado Federal, especialista na área de esportes, também apresentou números atualizados sobre o atual estágio das obras nos 12 estádios que receberão os jogos da Copa do Mundo.

Visitas

        Depois de visitar as cidades-sedes e conhecer de perto a realidade de cada obra, Alexandre afirma que a Arena Multiuso Cuiabá – o Verdão – é o estádio que está com as obras mais atualizadas em comparação ao cronograma. A conclusão da obra está prevista para dezembro de 2012.

        Em compensação, a Agência da Copa de Mato Grosso (Agecopa) contratou, sem licitação, empresa que acompanhará desapropriações em Cuiabá para abrir espaço às obras de mobilidade urbana. Custo do negócio: R$ 2,5 milhões.

        Indagado sobre possíveis cortes de sedes, Alexandre evita se manifestar. Assunto polêmico, claro, que ninguém gosta de prever. Ele prefere esperar pelas próximas visitas da Fifa, quando se terá um panorama mais atualiza sobre o assunto.

        Porém, pela exposição do especialista, fica claro que, se a FIFA optar por reduzir de 12 para 10 o número de sedes, Manaus e Natal são fortes candidatas ao corte oficial, devido o atraso, elevados custos dos estádios e a falta de tradição em futebol, como é o caso, também, de Brasília e Cuiabá.

Número de projetos e

investimentos públicos (em R$ bilhões) 

Mobilidade   Estádios/      Portos      Aeroportos    Total

Urbana          entorno

  50                 12             7       25             94

R$ 11,9           R$ 5,6              R$0,7      R$5,6            R$23,8

        Outros R$ R$ 700 milhões serão investidos em 111 projetos de hotelaria, via BNDES e Caixa, totalizando R$ 24,5 bilhões, com recursos do orçamento federal, financiamentos e recursos locais, isto é, dos estados e município-sedes.

Impactos econômicos

        Sobre os impactos econômicos previstos com a realização da Copa do Mundo no Brasil, Alexandre Guimarães têm dúvidas sobre os cálculos apresentados pelo Ministério do Esporte.

        Segundo estudo realizado, a Copa impactará indiretamente o PIB do Brasil em aproximadamente R$ 135 bilhões.

        Para chegar a esse valor, os estudiosos usaram o mesmo índice aplicado por ocasião da Copa do Mundo da Alemanha.

        “O efeito multiplicador do turismo não pode ser o mesmo para o Brasil, considerando a localização geográfica dos dois países, principalmente”, disse Alexandre, que é, também,  especialista na economia de turismo.

         Ele considera outro fator importante para reduzir o entusiasmo das autoridades nacionais: na época da Copa de 2014, entre 13 de junho e 13 de julho, os principais navios de recreio deverão estar cumprindo rotas na alta estação européia, pelo Mediterrâneo e, também, Caribe, o que contribuirá, significativamente, para reduzir o fluxo de turistas ao Brasil.

Por José da Cruz às 14h55

Dúvidas sobre a Copa e as Olimpíadas

Em O Globo, ontem

Os preparativos para a Copa e as Olimpíadas preocupam setores da sociedade civil, principalmente quanto ao legado que os megaeventos deixarão ao país. O custo dos estádios já cresceu 57,6%.

Será que o futuro vai chegar?

Problemas nos preparativos para o Mundial e as Olimpíadas levam a sociedade a se perguntar se o país saberá aproveitar a chance de transformar para melhor a vida do brasileiro

Fábio Juppa

Se o Brasil é o país onde o futuro já chegou, como definiu Barack Obama, os preparativos para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016 são sinais de um incômodo retrocesso. Quase quatro anos depois de ter assegurado o direito de organizar o Mundial e a alguns meses do segundo aniversário da vitória da candidatura olímpica, o Brasil do discurso e o da prática seguem desalinhados. Um fala em desenvolvimento e mudança. O outro desnuda o atraso, alerta para os custos elevados, a ineficácia dos órgãos públicos e uma participação da sociedade nas decisões à beira da inexistência que a faz se perguntar se a chance de transformar a vida do brasileiro comum terá escorrido pelo ralo político ao fim dos Jogos do Rio.

- Vamos realizar tanto a Copa como as Olimpíadas com eficiência, mas isso não significa que estejamos sabendo aproveitar da melhor forma essa janela de oportunidades - responde o economista Sérgio Besserman, que, como carioca, vê nos eventos a oportunidade de consolidação da marca do Rio por décadas, mas se mostra ressabiado com a qualidade do legado que a cidade terá. - É preciso aplicar conhecimento nesse objetivo.

Atrasos x custos

O temor de Besserman é também o de atores de diversos segmentos que acompanham com atenção os dois processos. Primeira no cronograma, a Copa do Mundo é um sonho aflitivo. Após a severidade do relatório de fevereiro do Tribunal de contas da União (TCU), que condenou atrasos em obras de estádios, infraestrutura e a lentidão do Ministério do Esporte na entrega das matrizes de responsabilidade para intervenções em portos e aeroportos, o planejamento do evento e sua execução foram novamente postos em xeque.

Os custos, bancados na maioria dos projetos pelo governo federal, exigem atenção. Treze meses após a divulgação do orçamento para construção e reforma de estádios, os valores de cinco deles - Mineirão (Belo Horizonte), Fonte Nova (Salvador), Maracanã (Rio), Arena da Amazônia (Manaus) e Cidade da Copa (Recife) - já estão 57,6% mais caros, de acordo com cálculo feito pelo GLOBO com base em dados originais fornecidos em janeiro de 2010 pelo ex-governo Lula. Saltaram de R$2,6 bi para R$4,1 bi. Nos casos de cidades como Manaus e Cuiabá, a sombra dos elefantes brancos tende a crescer à medida que a areia escorrer pela ampulheta.
- O que houve no Estádio Mané Garrincha depois daquele Brasil e Portugal de dezembro de 2008? - indaga Gil Castelo Branco, fundador e secretário geral da ONG Contas Abertas, lançando luz sobre o estádio de Brasília, outra obra faraônica de R$671 milhões.
Por mais transparência

Criado pela Controladoria Geral da União (CGU) como instrumento de controle social dos investimentos públicos, o site Copa 2014, hospedado no Portal da Transparência, é uma iniciativa que ainda não presta o serviço a que se propõe. Sua desatualização fere o princípio da transparência, ainda visto pelo Estado mais como inimigo do que aliado. As planilhas de execuções orçamentárias e prazos da reforma do Mineirão são um bom exemplo. Sobre aquela que é considerada a obra mais avançada, a última atualização de valores contratados e executados é de 6 de agosto do ano passado. A responsabilidade de repasse das informações é dos órgãos envolvidos - Ministérios do Esporte, Turismo, Cidades, e BNDES, governos estaduais e municipais - que não têm encaminhado os dados no prazo previsto pelo decreto presidencial assinado pelo ex-presidente Lula.

- Já conversei com o Orlando Silva. É o ministério do Esporte que centraliza esse processo - explica o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage.

Orlando Silva é evasivo ou nada diz sobre os atrasos. Para ele, a transparência está a caminho, com a criação de escritórios onde equipes ligadas à pasta passariam a fazer o monitoramento dos dados:

- Queremos ter equipes em cada cidade-sede para tornar a atualização frequente.
Mobilidade urbana

O olhar intruso, às vezes, é mais revelador. Em apenas um fim de semana, Obama identificou problemas e uma oportunidade. Firmou um acordo pelo qual os americanos passarão a auxiliar o Brasil na realização da Copa e dos Jogos. Já sua visão de que a governança já deixou de ser uma pedra nos caminhos do país rumo ao desenvolvimento soou como mero exercício de diplomacia.

        Com eleições municipais em outubro de 2012, a possibilidade de que projetos referentes aos megaeventos esportivos virem tema de discussão política, atrasando-os e os encarecendo, nunca pode ser desconsiderada.

- O diálogo entre as esferas é fundamental, mas em época de eleição tudo vira motivo de polêmica - afirma Gil.

Após longo período de inanição na questão da mobilidade urbana sustentável, o Brasil se vê diante de uma oportunidade histórica para mudar o panorama. As exigências da Fifa por projetos como metrôs, VLTS e BRTS jogam a favor da melhora da circulação nas áreas metropolitanas. Apesar da tradição de Salvador de não conduzir bem obras grandiosas, o projeto de BRT da cidade pode trazer benefícios significativos para a capital baiana. Já o de Brasília fará atendimento mais qualificado em relação ao que hoje atende às cidades satélites.

- Não queremos que o Estado mostre capacidade de gerar eventos, mas legado - avisa o coordenador do escritório de Brasília da Agência Nacional de Transporte Público (ANTP), Nazareno Stanislau Afonso. - Nosso interesse é operar o que já foi feito, não dá mais para abrir discussão.
Crítica à falta de debate

A falta de debate sobre os projetos, porém, é o que mais tem incomodado o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), Sérgio Magalhães, membro do Conselho de Legado das Cidades, criado pelo prefeito Eduardo Paes para tratar da herança olímpica. Na visão dele, a ausência de discussão pela sociedade tem induzido a decisões centradas, autocratas, poucos transparentes, que ignoram a identidade cultural e a representatividade coletiva de cada cidade-sede, indo na contramão da tendência nas principais metrópoles mundiais.

- Os eventos deveriam gerar debate, de onde surgem as melhores propostas - diz, citando o concurso público do Porto Olímpico, que selecionou 87 entre os mais de mil projetos inscritos. - Decisões importantes não podem ficar restritas a um administrador, por melhor que ele seja.

Por José da Cruz às 10h42

27/03/2011

Ao contrário do atletismo, ciclismo esconde casos de doping

        Na quinta-feira passada, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) divulgou a suspensão por dois anos do atleta Lourival do Nascimento Libaneo. O corredor foi flagrado em exame antidoping

        Este é um dos raros comunicados que se lê nas páginas oficiais das nossas confederações. Porque, quando o assunto é doping, cada entidade adota uma postura. Umas divulgam para que o assunto se torne público. Outras escondem e evitam a exibição do nome do atleta.

        A Confederação Brasileira de Ciclismo, por exemplo, não divulga absolutamente nada sobe os casos de doping que julga ou dos que são avaliados no exterior.

        O presidente da Confederação, José Luiz Vaconcellos, diz que o exame pertence ao atleta ele deve decidir sobre divulgar ou não.

Caso brasileiro

        No sábado, conversei longamente com Vasconcellos. Ele me confirmou que, de fato, o atleta Pedro Nicacio, de Pindamonhangaba, está suspenso desde julho do ano passado, por uso de droga proibida.

        Porém, a Confederação de Ciclismo segue a orientação da União Internacional de Ciclismo e não divulga isso em seu portal.

Suspeitas

        Com essa postura, crescem as suspeitas quando um atleta desaparece das competições.

        Por exemplo, a goiana Clemilda Fernandes está sem competir desde fins de 2009.

        Mesmo assim, ela foi contemplada com a Bolsa-Atleta internacional. É o segundo caso escandaloso que mostra a fragilidade do sistema implantado pelo Ministério do Esporte.

        Segundo Vasconcellos, a brasileira, destaque do nosso ciclismo e integrante da equipe olímpica, não foi suspensa por doping, mas por “comportamento anti-desportivo”.

        Numa determinada prova, na Itália, Clemilda foi acusada de prejudicar a vitória de uma concorrente. Julgada, acabou punida pela União Internacional de ciclismo: dois anos fora das competições.

        Mas nem esse fato, longe de ser um caso de doping, segundo o presidente da CBCiclismo, foi divulgado no Brasil. Por que?

Explicação

        Ora, o ciclismo tem o patrocínio do Banco do Brasil. E o banco preza muito a sua imagem, evitando que ela seja associada a escândalos. Seria uma tragédia de marketing.

        Além disso, não é uma boa vincular casos de doping de atletas a um patrocinador que é importantíssima empresa governamental. Logo, escondem os casos. E faz de conta que está tudo limpo.  

        Mas, justamente por serem recursos públicos é que os resultados de todos os exames deveriam ser divulgados.

        Nossos atletas, há bom tempo, são supridos por verbas oficiais. Logo, devem explicações de seus atos. E se falharam na forma de competir, ludibriando os adversários por métodos fora da ética esportiva, que respondam por essa falha, para que se possa diferenciar entre o bom e o mau competidor.

        Há casos de outros atletas no ciclismo, campeões em suas provas, inclusive, que “sumiram” dos eventos.

        Mas não há informações oficiais sobre eles. Continuo investigando.

        Enquanto isso, façamos de conta de que estão todos bem, apenas, digamos, descansando...

Por José da Cruz às 22h03

Polo Aquático quer independência e pode criar Liga Nacional

        O médico Jorge Pagura, diretor de Polo Aquático da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), afastou-se do cargo.

        Alegou dificuldade de tempo e, principalmente, seu envolvimento com a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude de São Paulo, onde é titular, além das atividades médicas que exerce.

        “Estar na Secretaria e continuar exercendo a minha profissão de Neurocirurgião ,torna escasso o meu tempo livre”, disse Jorge Pagura em mensagem que me enviou. 

Crise

        Coincidência ou não, seu afastamento ocorre num dos momentos mais difíceis das relações entre a modalidade e a direção da CBDA, presidida por Coracy Nunes.

        Enquanto isso, clubes, atletas e técnicos trabalham para a criação de uma Liga de Polo Aquático, instituição legal prevista na Lei Pelé (9.615/98).

        Porém, para ter seus atos validados, a Liga precisaria ser reconhecida pela CBDA, que não está disposta ao divórcio. No mesmo rumo iriam outras modalidades, hoje congregadas na CBDA, como saltos ornamentais.

        Liderado pelo Pinheiros e Fluminense e adesão de 80% dos praticantes de polo, cresce a movimentação para que a liga se torne realidade.

        Mesmo porque, a se confirmar essa tendência, a CBDA não terá alternativa, a não ser reconhecer a nova instituição, sob pena de ficar sem representante nos eventos internacionais.

        O interessante é que a crise ocorre quando a modalidade passa a receber mais recursos – R$ 628 mil –, vindos da Lei de Incentivo ao Esporte.

        Ao mesmo tempo, o pólo tem um técnico estrangeiro contratado em tempo integral o Croata Goran Sablic.

        De qualquer forma, a resistência da Confederação de Desportos Aquáticos revela a determinação dos atuais dirigentes em manterem as rédeas do poder, mesmo contra a vontade daqueles que, efetivamente, fazem o esporte, os atletas e técnicos.

        É o que chamo de “ditadura do esporte”, pois a pretensão de criar uma liga é isntrumento legal e está de acordo com a legislação.

        Para saber mais: http://www.touca14.blogspot.com/

 

Por José da Cruz às 19h35

Segundo Tempo: depoimento voluntário

        Mensagem que publiquei, mas transcrevo neste espaço para maior divulgação.

        "Moro em Maranguape - CE e fui estagiário do Segundo Tempo em Maracanaú, cidade vizinha. Lá, a secretaria é do PC do B, assim como o atual prefeito de Maranguape que recebeu recentemente o programa.

        Todas as irregularidades que observam por aí existia em Maracanaú, que perdeu o convênio, provavelmente por prestação de contas, e agora Maranguape se prepara para também dar seu rombo.

        Já se foram dois meses e nada de camisas, pagamento dos estagiários, nem merenda, nem material esportivo, e alguns núcleos ainda não efetivaram... e o pior, quem coordena?

        Estarei de olho, volto com novidades. Me inscrevi para um novo convênio em Maracanaú agora como professor. Já faz um ano e ainda não iniciaram, deve ser por que a Secretaria de Educação que deveria receber o programa não é aliada do Assistência Social (PC do B). Coincidência???"

Por José da Cruz às 11h03

26/03/2011

Harrison Dillard – As Coisas Boas Vêm Para Quem as Aguarda

Por Alberto Murray Neto

 

http://albertomurray.wordpress.com/

       Na segunda metade da década de 40, o melhor homem dos 110 metros sobre barreiras chamava-se Harrison Dillard, dos EUA.

       Campeão Nacional de seu País, era o favorito disparado para ganhar a medalha de ouro Olímpica na prova de sua especialidade, nos Jogos de Londres, em 1.948.

       Nas eliminatórias norte-americanas, entretanto, uma fatalidade afastou-o da possibilidade de competir naquele evento. Dillard tropeçou na primeira barreira, perdeu seu rumo e a concentração, bateu em mais duas barreiras e cambaleou até a sétima barreira, quando teve que parar. Seus adversários, compatriotas, tomaram seu lugar na delegação dos EUA.

       Dillard era discípulo de Jesse Owens, a quem conheceu aos 13 anos de idade e de quem ganhou a primeira sapatilha de corridas.

       Embora Dillard estivesse fora da prova de sua especialidade, os 110 metros sobre barreira, queria, de todas as formas, estar em Londres.

       Foi assim que resolveu participar das eliminatórias em uma outra modalidade, da qual nunca fora especialista, os 100 metros rasos. Dillard correu e classificou-se para os Jogos Olímpicos de Londres nos 100 metros rasos.

       Na capital da Inglaterra, surpreendeu o mundo tornando-se campeão olímpico dos 100 metros rasos, com o tempo de 10s3, igualando o recorde olímpico.

       Mas o que Dillard queria mesmo, era vencer aquela prova à qual dedicou todas as suas energias durante anos, os 110 metros sobre barreiras.

       Esperou quatro anos. Correu e venceu a eliminatória dos EUA. E, em Helsinki, em 1.952, Dillard finalmente conquistava o seu sonho. Tornava-se campeão olímpico nos 110 metro sobre barreiras, com tempo de 13s7, recorde olímpico.

       Tornou-se o único Atleta da história Olímpica a vencer a prova dos 100 metros e dos 110 metros sobre barreiras.

       Na entrevista coletiva Dillard disse:

        “Atingi a vitória para a qual preparei meu coração. Coisas boas vêm para aqueles que as esperam.”

Por José da Cruz às 17h16

Segundo Tempo: CGU entra em campo para investigar escândalos

        A Controladoria Geral da União escalou cinco auditores para um balanço geral – espécie de auditoria rigorosa, de fato – nos convênios do programa Segundo Tempo, dirigido pelo Ministério do Esporte.

        Frequentador assíduo das manchetes com perfil policial, o Segundo Tempo transformou-se numa das maiores vergonhas de projetos sociais do Governo nos últimos anos, cujas investigações já resultaram, inclusive, em prisões e dezenas de processos judiciais, Brasil afora.

        Os auditores já estão trabalhando no “puxadinho” do Ministério do Esporte, que fica na Quadra 511 Sul, em Brasília.

        É nesse prédio que se concentra o alto comando do Segundo Tempo, e onde estão os processos de prestações de contas, matéria prima do trabalho dos auditores.    

Por José da Cruz às 11h55

Copa  2014: A crise dos aeroportos

 

Por Sérgio Siqueira

 

        Os repórteres Fernando Dantas e Glauber Gonçalves assinam reportagem no site do Estadão sobre o grave problema que teremos com o atraso nas obras nos aeroportos.

         “Não vai dar nem para olimpíada'' – diz a manchete.

        Em resumo:

        “Estudo do Ipea prevê que obras em aeroportos não ficarão prontas nem para 2014 nem para 2016. As obras nos aeroportos brasileiros não ficarão prontas a tempo de atender a demanda da Copa do Mundo de 2014 nem da Olimpíada de 2016, prevê estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A avaliação dos pesquisadores é que, com projetos ainda inacabados, não será possível cumprir os prazos para entregar as obras para os eventos esportivos.”

        O texto completo está aqui

 

Meu comentário

A GRÉCIA É AQUI

        Aquela farra toda de abraços e queijos e... vinhos, em maio de 2009, quando Joseph Blatter declarou que o Brasil seria  a sede da Copa levou às lágrimas Lula que então encarnava a presidência, Ricardo Teixeira, Arthur Nuzman, Orlando Tapioca, Eduardo Paes, Pelé, cartolas e aloprados diversos. Era choro de olho grosso.

        Todos sabiam que a grana era muito alta e a capacidade de realização muito baixa.

        Não é por uma questão de tempo que as obras não saem do papel. É que tem muita gente olhando o olho grosso dos vivaldinos de sempre.

        Copa e Olimpíada já têm o selo de garantia de um dos maiores micos da história esportiva do mundo. Ou então - você decide - de um dos maiores rombos financeiros de um país.

        O povo grego paga há sete anos os descalabros dos Jogos Olímpicos de 2004 e vai pagar ainda por mais 40 anos os elefantes brancos erigidos pela ganância de um governo irresponsável e vigarista que se contentou com uma Olimpíada e nem quis uma Copa de quebra.

        O Brasil é, hoje, a Grécia de 2004. Com a Olimpíada por acréscimo.

        O povo - se essa loucura for levada adiante - vai pagar a conta desses filhinhos da pátria rica, por mais de meio século. (Sérgio Siqueira)

Por José da Cruz às 11h19

Inacreditável! depois da Bolsa-Atleta, vem aí o “Vale-Esporte”

Da Agência Câmara

       Tramita na Câmara o Projeto de Lei 82/11, do deputado Weliton Prado (PT-MG), que institui o vale-esporte, no valor de R$ 50 por mês, para os trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos (atualmente, R$ 2.725). O objetivo é permitir que comprem ingresso para competições esportivas.

       Segundo o texto, a empresa que fornecer o vale poderá descontar até 10% do valor do benefício (R$ 5 por mês) da remuneração do empregado. Em troca, poderá deduzir a despesa no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) até o limite de 1% do tributo devido.

       A proposta determina que o gasto com o vale-esporte seja classificado como despesa operacional para fins de apuração do IRPJ. A possibilidade de dedução no imposto valerá até a declaração de 2014.

Interesse por competições

       Prado argumenta que o esporte vem ganhando espaço na rotina das pessoas, pelos benefícios que traz à saúde física e mental. Isso amplia o interesse em competições esportivas. "O vale-esporte vem preencher essa exigência, uma vez que o salário médio do trabalhador brasileiro não basta para satisfazer essa necessidade", afirma.

       De acordo com a proposta, o vale terá que ser fornecido em meio magnético, não terá natureza salarial, não constituirá base para a incidência do FGTS nem será incluído no rendimento tributável do beneficiário.

       Os empregados que ganham acima de cinco mínimos poderão ter acesso ao benefício, mas só depois que forem atendidos os que ganham abaixo dos cinco salários. Além disso, o desconto na renda será maior (20% a 90%, dependendo da remuneração).

Tramitação

       O projeto tramita em caráter conclusivo (se aprovado nas Comissões não vai ao plenário, mas direto ao Senado) e será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Turismo e Desporto; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Por José da Cruz às 23h24

Segundo Tempo: mais um inquérito civil

 

        O procurador da República, Daniel César Azeredo Avelino, mandou instaurar inquérito civil para identificar os irresponsáveis que fraudaram mais um convênio do Segundo Tempo, o de nº 244/2006.

        Desta vez, o prejuízo foi de 4.400 crianças do Instituto Amazônia de Integração e Desenvolvimento, com sede no Pará, que deveria ter implantado 22 núcleos do Segundo Tempo.

        O inquérito preliminar começou a pedido da Controladoria Geral da União, para saber se os R$ 699,5 mil que o Ministério do Esporte destinou para o Instituto foram, realmente, aplicados. O que descobriram até aqui é gravíssimo e a conversa passa a ser com a Justiça.

        Diante da fartura com que se divulgam fraudes no Segundo Tempo, dos casos de polícia já registrados e dos inquéritos judiciais em andamento começo a me convencer de que o programa foi criado mais para enriquecimento de muitos, de forma ilegal e disfarçado de atividades sociais para as crianças.

         Mas como não há crime que sempre dure...

Por José da Cruz às 23h04

25/03/2011

Esporte de alto rendimento tem situação "preocupante", segundo relatório do TCU

     Sob o ponto de vista dos fiscais e ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) "é preocupante" a execução orçamentária do Ministério do Esporte, conforme relatório recentemente divulgado. Entre 2003 e 2009, o Ministério executou -- isto é, gastou, efetivamente -- 14%, em média, do do dinheiro que dispunha para projetos de alto rendimento.

Diz o relatório:

     "Outra questão relevante é que, em 2009, houve descontinuidade no financiamento de ações estruturantes para o desenvolvimento do Esporte de Alto Rendimento, como detecção e avaliação de atletas e fomento à infraestrutura, que tiveram execução (créditos liquidados) zero. Um país que pretende estar entre as dez maiores potências olímpicas não pode restringir seus investimentos à concessão de bolsas para atletas."

     Durante alguns meses, os fiscais do Tribunal mergulharam nas contas do “Programa Brasil no Esporte de Alto Rendimento”, justamente onde estão os recursos para as ações dos Jogos Rio 2016.
Transcrevo algumas conclusões para que os leitores acompanhem como não é desperdício de tempo o que aqui temos comentado.

Itens do Relatório do TCU

       “Considerando apenas os recursos geridos pelo Ministério do Esporte, observa-se uma alocação crescente de recursos orçamentários (Lei Orçamentária + créditos adicionais) nas ações do Programa "Brasil no Esporte de Alto Rendimento - Brasil Campeão" no período de 2003 a 2009, passando de R$ 8 milhões para R$ 65,9 milhões. Também se observa um crescimento dos recursos empenhados e pagos no período.

     Contudo, a capacidade de execução do Ministério do Esporte de 2003-2009 não acompanhou tal crescimento, considerando as despesas liquidadas no exercício (Gráfico 2B). Em média, a liquidação da despesa orçamentária foi de 14% do orçamento previsto. Em 2009, o nível de execução orçamentária (créditos liquidados) foi de 17%.

     Constata-se que a ação estruturante de maior materialidade do programa vem sendo a Concessão de Bolsa-Atleta, que contribuiu para o incremento do gasto nas ações estruturantes do esporte de alto rendimento observado entre 2003 e 2009. Considera-se esse incremento positivo, porém ainda persistem limitações na sua capacidade de execução orçamentária, uma vez que com valores orçados em R$ 41,1 milhões (2008) e R$ 40,4 milhões (2009), a execução (créditos liquidados) foi de R$ 1,5 milhão (7%) e 9,9 milhões (25%), respectivamente.

     Deve-se ressaltar ainda o volume dos restos a pagar pagos num determinado exercício comparado com o liquidado no mesmo exercício. Por exemplo, na ação de Concessão de BolsaAtleta gastou-se R$ 23.645.172,50 com restos a pagar em 2008 e apenas R$1.482.075,00 com despesas do exercício corrente. 

     Ora, Os restos a pagar pagos num determinado exercício correspondem a despesas de exercícios anteriores, o que significa que os atletas beneficiados pela ação estão recebendo o benefício com bastante atraso. Os atrasos relativos ao Bolsa Atleta serão objeto de análise no item 5.3 desse relatório. Ressalte-se que o mesmo se repete com as outras ações.

     Outra questão relevante é que, em 2009, houve descontinuidade no financiamento de ações estruturantes para o desenvolvimento do Esporte de Alto Rendimento, como detecção e avaliação de atletas e fomento à infraestrutura, que tiveram execução (créditos liquidados) zero. Um país que pretende estar entre as dez maiores potências olímpicas não pode restringir seus investimentos à concessão de bolsas para atletas."

     Esta é uma parte do relatório, estarrecedor que me reservo não comentar. 

     Mas mostra o que tenho criticado insistentemente: falta gestão no Ministério do Esporte, um orgão que se tornou altamente político e, por isso, sem rumo. Perigosíssimo para as pretensões de um país que receberá os Jogos Olímpicos em cinco anos. 

Por José da Cruz às 12h27

Grandes eventos no Brasil - desafios da infraestrutura e dos recursos humanos

      Consultor legislativo do Senado Federal, o jornalista Alexandre Sidnei Guimarães faz uma esclarecedora palestra, hoje, em Brasília.

        Especialista na área de esportes, ela falará sobre os grandes eventos no Brasil – Copa 2014 e Olimpíada 2016 – abordando os desafios da infraestrutura e dos recursos humanos.

        Alexandre é autor de dois importantes e atualizados estudos elaborados para a área legislativa:

        Rio 2016, e agora? Oportunidades e desafios (nº67)

        Bolsa-atleta eleva o desempenho de seus beneficiários? (nº 50)

        Roteiro da palestra:

         Horário: 19h

         Local: Centro Universitário UDF (704/904 Sul) – sala T-09

         Público: por tratar de um assunto diversificado, como recursos humanos em grandes eventos, a palestra é aberta a estudantes e profissionais de vários segmentos, como Direito, Jornalismo, Psicologia, Turismo, atletas, técnicos, gestores do esporte etc. 

Por José da Cruz às 07h56

O caso do Senhor Orlando Problema Silva

       Sugiro a leitura do comentário sobre o atual momento político-esportivo nacional, a partir do comando do ministro Orlando Silva e com repercussões constrangedoras no partido dele, o PCdoB, no mês em que copleta 89 anos

        Por Sylvio Costa

 

Por José da Cruz às 23h01

24/03/2011

Entraves burocráticos no país olímpico

Fatos reais no quotidiano da Esplanada dos Ministérios

Capítulo I

        Em outubro de 2009, o Ministério do Esporte pediu que 14 confederações e os Comitês Olímpico e Paraolímpico apresentassem projetos para desenvolver suas modalidades, com vistas aos Jogos de Londres-2012, e Rio-2016.

        Foi um pedido “urgente”, com prazos curtíssimos. Mesmo assim, todos cumpriram o solicitado e esfregaram as mãos: aí vem grana!

Capítulo II

        Em janeiro de 2010, a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento anunciou a aprovação de R$ 90,1 milhões para 14 confederações.

        No rateio do dinheiro R$ 11,8 milhões iriam para o Comitê Olímpico, e R$ 12,1 para os paraolímpicos.

Capítulo III

        Março de 2011, 15 meses depois da entrega dos projetos: o dinheiro ainda não saiu. Nem notícias da algazarra feita em outubro de 2009.

        Pior: os projetos para os tais R$ 90,1 milhões estão defasados em valores e prazos, principalmente, e, por isso, prejudicados nas metas fixadas. 

        Algumas confederações que estavam no rateio dos R$ 90 milhões, se prepararam para a gestão do dinheiro. Contrataram funcionários e equipamentos. Um ano depois, abortaram o esquema.

Capítulo IV

        Enquanto isso...

        A execução Orçamentária do Ministério do Esporte em 2010 foi de irrisórios 36,7%. Isso equivale dizer que dos R$ 2 milhões disponíveis as excelências deixaram de aplicar R$ 63% dos recursos.

Capítulo V

       Na segunda-feira passada, no mesmo dia em que o BNDES anunciou patrocínio de R$ 10 milhões à Confederação Brasileira de Canoagem, o Ministério do Esporte anunciava R$ 11,9 milhões para a mesma modalidade.

        Dizia a notícia oficial, na página do Ministério do Esporte:

        “Os quase R$ 12 milhões destinados à canoagem pelo Ministério do Esporte fazem parte de uma força-tarefa organizada pela pasta, em dezembro de 2010, quando foram repassados R$ 90 milhões a 55 projetos esportivos”

Enredo oficial

        Não se deixe enganar: os R$ 90 milhões foram apenas anunciados, mas nada foi “repassado”, até hoje.

        Agora, as autoridades ministeriais anunciam R$ 10 milhões para a canoagem.

        Assim, se a canoa não virar...  

Por José da Cruz às 17h06

Atletismo: CBAt somente adverte campeã mundial pega no doping

Na Folha de S.Paulo, hoje

        A CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) anunciou que a atleta Geisa Rafaela Arcanjo, 18, será punida com uma advertência por ter testado positivo em exame antidoping feito em julho do ano passado.

        O caso foi julgado na noite de anteontem, em Manaus, pela CDN (Comissão Disciplinar Nacional), 1ª instância da Justiça Desportiva da CBAt.

        Na urina de Geisa, foi detectada a substância hidroclorotiazida, proibida pela Wada (Agência Mundial Antidoping). O exame foi realizado em 20 de julho, dia em que ela conquistou a medalha de ouro no arremesso de peso, com 17,02 m, no Mundial juvenil disputado no Canadá.

        A substância, diurética, pode mascarar a presença de estimulantes que melhorem a performance dos atletas.
        Geisa perdeu a medalha de ouro. Desde 1994, o Brasil não tinha um campeão mundial juvenil. Na contraprova, ela testou positivo novamente, para a mesma substância.
        A atleta estava fora das pistas desde outubro e poderia ser suspensa por dois anos.
        Geisa disse ter tomado produtos para emagrecimento, como chá verde e óleo de cártamo, sem avisar os técnicos.
        "Era a primeira vez dela, e não havia a intenção de melhorar desempenho. Por isso, recebeu advertência", disse Edson Rosas, do CDN.
        "Os exames antidoping no Brasil não detectam se os diuréticos mascararam uma substância usada para melhorar o rendimento do atleta", declarou Rosas. O teste de Geisa, contudo, foi feito no Canadá.

        A maratonista Maria Zeferina Baldaia, campeã da São Silvestre em 2001, e José Alessandro Bagio, flagrados em exames em 2010, vão a julgamento na semana que vem.

Meu comentário

        A notícia acima mostra como uma decisão contribui para incentivar jovens atletas a fraudarem resultados e, assim, iludirem a legislação sobre doping.

  1.         A atleta testou positivo;
  2.         O medicamento está na lista dos proibidos pela WADA;
  3.         A punição seria suspensão por dois anos.

        Mas a Comissão Disciplina da CBAt diz que “é a primeira vez...”

        Pior: “o remédio não era para melhorar o resultado”!

        É o que chamo de “cinismo olímpico”.

        E porque a benevolência?

        Porque, se fosse suspensa, Geisa desfalcaria ainda mais a já fragilizada equipe feminina de atletismo. Assim, deixa a garota ganhar ouro, dopada, mesmo. (José Cruz)

Por José da Cruz às 11h32

Mocinhos & bandidos

No Correio Braziliense, hoje

Por Bernardo Scartezini

         Dizem que o Vicente Feola cochilava durante os jogos. Essa estória deve ser cascata, claro. Uma deliciosa cascata. O barrigão e o ar bonachão de Feola conferem adorável credibilidade à lenda. Mas só de imaginar que aquela Seleção de 1958 era tão especial que seu técnico poderia tranquilamente puxar um ronco no banco...    
        Serve para a gente pensar um bocadinho. Não damos valor demais para os treinadores? Nas vitórias e nas derrotas?
        Se treinador ganhasse jogo, o Palmeiras teria sido campeão todos esses anos. Seus últimos treinadores: Muricy Ramalho, Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Mais grife assim, na cidade de São Paulo, só se tu deres uma volta pela Oscar Freire. Acontece que o Palmeiras não ganha nada há uns bons anos, e a frigideira ali está sempre a postos.
        Luxemburgo, quinhentos paus por mês, também está em baixa faz um tempo. Mandado embora de Palmeiras e Santos, fugiu de um Atlético-MG em chamas antes de cair na Gávea. Mal e mal, salvou o Flamengo do rebaixamento no Nacional, ganhou o primeiro turno do Estadual e agora voltou a ser o tal.
         Fluminense e Botafogo, ao contrário dessa turma, cumpriram boa temporada em 2010. Foram mais longe do que teria sido de bom senso esperar. Agora veja a ironia: o sucesso de ontem ajuda a causar a crise de hoje.
        No centro das crises, os técnicos. Claro. Quase sempre é assim. Um deles é bom demais para o clube. O outro é ruim demais para o time.
        O Fluminense era aquele “time de guerreiro” lutando para não cair em 2009. Transformou-se em um time de futebol capaz de sobreviver à gincana de oito meses do Brasileiro mantendo-se nas primeiras colocações. Um baita trabalho de Muricy Ramalho. Daí o Muricy, oitocentos paus por mês, foi tratado como sábio, profeta. Deu no que deu. Saiu falando mal da administração, da estrutura, etc. E o presidente do clube a concordar com tudo. Muricy virou o senhor da razão. Mesmo tirando o corpo fora na hora mais difícil.
        É curioso como Joel Santana viveu um processo semelhante. Ele assumiu o Botafogo depois de uma taca do Vasco no Carioca-2010. Contra todos prognósticos, o time foi campeão de turno & returno. Depois, chegou à última rodada do Brasileiro com chances reais de conseguir vaga na Libertadores. Foi a melhor campanha do clube desde 1995.
        E isso tudo enquanto o suposto maestro da equipe, Maicosuel, esteve sempre fora de ação, gravemente machucado. Renato Cajá assumiu a regência. Mas bastou pingar uns cobres da China e foi-se embora o Cajá. Maicosuel ainda está de molho, só que agora é Joel que vai embora. Uma dura despedida. O presidente do clube garante que as portas estarão sempre abertas para ele. Joel, trezentos paus por mês, diz estar magoado pela cobrança excessiva da torcida. O relativo sucesso de 2010 fez alguns botafoguenses acharem que o time ficou melhor que o técnico. Joel virou o bode expiatório. Mesmo diante de um elenco que não lhe dá alternativas de jogo.
        Mas talvez Joel não seja ruim... E talvez Muricy não seja tão bom.

Bernardo Scartezini escreve às quintas-feiras no Super Esportes do Correio Braziliense

Por José da Cruz às 10h28

O ministro, a fala e a farsa

 

       Cheguei há pouco de viagem e fui ler as notas taquigráficas do depoimento do ministro do Esporte, Orlando Silva, hoje, no Senado, gentilmente enviadas pelo companheiro jornalista Walter Guimarães.

       Confesso que depois de quatro parágrafos meu estômago embrulhou. Não se sei se conseqüência da correria do dia ou devido o discurso do ministro.

       Quem tiver coragem, aí vai o link.

       http://web.me.com/wrvg/esporte/senado.html

Gravidade

       O Brasil esportivo passa por um gravíssimo momento, em que sobra dinheiro e faltam gestão, competência e responsabilidade. Na próxima mensagem contarei sobre preciosidades encontradas pelo Tribunal de Contas da União, neste sentido.

       No entanto, as excelências comportam-se hoje como políticos amestrados, com perguntas medrosas e argumentação inexpressiva.

       E, assim, cumpriu-se o que afirmei na matéria de apresentação: “Ministro do Esporte falará no Senado. E daí?”

Omissão

       O presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto é o senador Roberto Requião, do Paraná. E é nesse estado que está um centro de treinamento de ginástica, com quatro atletas da equipe olímpica, mas sem dinheiro e perto de fechar as portas, por questões de brigas políticas da direção da Confederação Brasileira de Ginástica.

       Perguntei à Caixa sobre esse problema, já que é a estatal patrocinadora da ginástica brasileira.

       Resposta:

       “Nós apenas damos o dinheiro à Confederação e não nos envolvemos com a sua aplicação”.

       Ou seja, os desmandos que se praticam com o dinheiro público não interessam ao doador. Diante dessa informação, imagino que nem seja preciso apresentar projeto de aplicação dos recursos. É o desinteresse oficialmente escancarado.

       Pois diante de tudo isso, Roberto Requião nem tocou nesse assunto nem em outros que colocam o Ministério, inclusive, em páginas policiais, devido as fraudes no projeto Segundo Tempo.

       Assim, o baiano deve ter saído do Senado crente de que agradou, e as excelências encerram a sessão acreditando que ouviram relatos importantes.

       A farsa continuará na próxima semana, quando será a vez de Orlando Silva repetir a jogada na Câmara dos Deputados. Vou viajar de novo, claro!

Por José da Cruz às 00h28

23/03/2011

Ministro Orlando discursará no Congresso Nacional. E daí?

        O ministro do Esporte, Orlando Silva, vai ao Congresso Nacional nesta quarta-feira.

        Às 10h falará na Comissão de Educação, Cultura e Desporto do Senado. Às 14h será a vez de apresentar seus argumentos à Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados.

        O tema é comum nas duas casas: o Brasil e os preparativos para os megaeventos de 2014 e 2016.

        Lamentavelmente não poderei acompanhar os depoimentos do Ministro Orlando. Ele sempre deixa boas dicas para comentar. Contradições, principalmente. Estou no Rio, debatendo justamente sobre o assunto que, no Conresso, o ministro repetirá a mesmice de outras apresentações no Legislativo. E ficará tudo igual, pois os Senhores Parlamentares estão alheios 'a gravidade dos problemas do nosso esporte. Além disso, eles não têm interesse em constranger ministros com perguntas difíceis.

       Assim, os senadores, principalmente, perdem a ocasião de realizar uma sabatina à altura da realidade e das necessidades do esporte nacional, onde sobra dinheiro, falta gestão e acumulam-se irresponsabilidades por anos.

       Mas nossos ilustres senadores são despreparados porque são desinteressados sobre o assunto que vai consumir mais de R$ 50 bilhões dos cofres públicos nos próximos cinco anos.

Trabalhos

        Dois excelentes documentos que podem subsidiar as excelências foram produzidos pelo Centro de Estudos da Consultoria do Senado Federal. Esse é um setor onde se encontra produção da melhor qualidade.

        Os estudos, da coleção “Textos para discussão” , foram elaborados pelo técnico de Alexandre Sidnei Guimarães, e tratam:

Nº 67 - Rio 2016, e agora? Oportunidades e desafios (nº67)

Nº 50 - A Bolsa-Atleta eleva o desempenho de seus beneficiários?   Análise do período 2005-2008 (nº 50).

        Tais documentos, redigidos a partir de exaustiva pesquisa, apresentam informações indispensáveis para que as excelências questionem Orlando Silva.

        Vou me fixar num deles, que é mais atual e trata de um assunto polêmico: a Bolsa Atleta.

        O trabalho de Alexandre Guimarães foi tão importante, que até o Ministério do Esporte teve a humildade de acolher sugestões ali apresentadas, para tentar dar um perfil de atualização ao programa que dirige. Por exemplo, implantar os percentuais de 85% das bolsas para atletas olímpicos e paraolímpicos e 15% para os demais.

        Porém, Alexandre questiona sobre a falta de fiscalização do Ministério do Esporte, para conferir se os atletas contemplados estão, de fato, com foco em competições de nível. “Não há esse acompanhamento e, por isso, falta transparência”, diz ele.

        Mais: é no paraolimpismo onde se concentra um grave problema. Os competidores cegos do atletismo necessitam de um guia para as corridas. E esses guias precisam ter o mesmo nível técnico de seus conduzidos. Porém, não são contemplados com a Bolsa, o que provoca um desestimula em muitos, prejudicando a carreira de outro tanto.

        “Observamos que faltam guias que queiram treinar. Os que estão aí são mais na base da boa vontade, da amizade, da ajuda mesmo, mas a questão é maior, é profissional, pois são atletas de nível internacional”, explicou Alexandre Guimarães.  

        Os interessados em conhecerem os “Textos para Discussão” do Senado Federal podem acessar a página www.senado.gov.br/conleg/textos_discussao.htm


Por José da Cruz às 06h53

Autoridade Pública Olímpica: agora é lei

         A Lei nº 12.396/2011, que cria a Autoridade Pública Olímpica (APO), consórcio formado pelos governos Federal, Estadual do Rio e o município do Rio de Janeiro, foi publicada hoje. 

         A APO  terá dois anos para ser extinta, isto é, em 2018. Garantia de emprego para muita gente.

         O texto completo para conhecer o assunto e debater está aqui. 

Por José da Cruz às 23h08

22/03/2011

Inacreditável! Brasil terá novo modelo esportivo. Em 2016

        O ministro do Esporte, Orlando Silva, antecipou ontem, no Rio de Janeiro, que 2016 será o ano do “ponto de partida para um novo modelo de estruturação e desenvolvimento do esporte no país”.

        Palavras do ministro, durante anúncio de patrocínio de R$ 10 milhões do BNDES à canoagem:

“Nós observamos 2016 como um ponto de partida para um novo modelo de estruturação e desenvolvimento do esporte no país. Mais importante do que chegar até 2016 bem é, a partir de lá, termos um desenvolvimento sustentado do esporte. Esse aporte do BNDES vai ter um impacto muito positivo para a canoagem no Brasil”

Modelo falido

        Mais importante que os resultados em 2016 é fixar novo modelo para o esporte, daqui a cinco anos?

        Pois fica muito claro que o ministro do Esporte, que está no Ministério desde 2003, inicialmente, como secretário do então ministro Agnelo, reconheceu que o modelo que ele comandou fracassou.

        E só vamos ter um novo modelo em 2016.

        Que tal?

Mais dinheiro

        Além do patrocínio de R$ 10 milhões do BNDES, a Confederação Brasileira de Canoagem terá recursos das loterias federais, via Comitê Olímpico, cujo valor ainda não foi divulgado.

Bolsa-Atleta

        A  canoagem é a quarta modalidade com mais beneficiados na Bolsa-Atleta, com 210 contemplados, atrás do Atletismo (501), Natação ( 366) e Judô (217).

        Mas até 2016 tudo isso será apenas “ensaio”, pois é a partir de então que teremos “um novo modelo”, segundo Orlando Silva.

        Tudo isso é real, oficial, mas me parece inacreditável!

Por José da Cruz às 13h14

O ciclismo, a Bolsa e a farsa

         Em dezembro de 2010 o brasiliense Rodrigo de Melo Brito da Silva, o Morcegão, fez sua última prova de ciclismo.

        “A Copa da República de Ciclismo marcou a despedida de um campeão. Rodrigo Morcegão deu as últimas pedaladas como atleta profissional”, anunciou o Bom Dia Brasil-DF, edição do dia 20 de dezembro. A família foi à Esplanada dos Ministérios: avó, mãe, mulher, filho “e até o cachorro”, disse o repórter da TV Globo.

          Há duas semanas, o Ministério do Esporte informou que Morcegão, mesmo aposentado, foi contemplado com Bolsa Atleta, categoria, Nacional, para a temporada de 2011.

        Bolsa para atleta aposentado? Decidi tirar a dúvida e liguei para o ex-atleta.

        Ontem mesmo, às 19h, por telefone, Morcegão me confirmou:   

        “Exatamente, parei de correr. Estava na hora”, afirmou.

        Às 19h e dois minuto, depois de ser indagado sobre o fato de ter sido contemplado com a Bolsa Atleta, Morcegão mudou a resposta imediatamente:

        “Não, não parei, não! Continuo correndo. Até já fiz um prova este ano...”

E agora?

        Agora é o seguinte:

        Morcegão, que foi ciclista de referência para muitos jovens, decidiu parar e parou.

        Mas como recebeu a Bolsa Atleta, deve participar de duas ou três provas por ano, coisa que ele fará com facilidade e sem qualquer compromisso de pódio.

        Apenas para justificar que continua competindo e faturar os R$ 925,00 mensais da Bolsa.

        Porém o esporte não contará com seu nome para integrar uma equipe de representação nacional.      

        Nada! Porque, agora, Morcegão finge que corre, e o Ministério do Esporte acredita que ele compete.

        Entenderam a farsa?

        Pois este é mais um capítulo do lado oculto do Brasil esportivo.

Por José da Cruz às 00h54

21/03/2011

Ajude a criar a CPI da CBF

        Contribua para a criação da CPI da CBF. Telefone para um deputado.

        Confira a lista dos parlamentares que ainda não assinaram o pedido da CPI.

        Trabalho de utilidade pública pela transparência no esporte, elaborado com o apoio do jornalista Walter Guimarães

         http://web.me.com/wrvg/cpi/telefones.html

 

Por José da Cruz às 17h12

Copa 2014: obras nos aeroportos recebem R$ 134 milhões; 2% do investimento previsto

O governo brasileiro, anfitrião da Copa do Mundo de Futebol de 2014, anunciou investimentos de quase R$ 5,6 bilhões nos aeroportos das 12 cidades que vão abrigar o mundial esportivo. Mas, até agora, dos recursos colocados à disposição da Infraero, somente R$ 302,2 milhões estão comprometidos com contratos e R$ 133,2 milhões foram efetivamente aplicados na melhoria ou na ampliação dos aeroportos, o equivale.

A notícia completa estã no portal da ONG Contas Abertas

Por José da Cruz às 15h42

Senado quer debate entre Ricardo Teixeira e Fábio Koff

Será no Senado Federal, um dos mais esperados debates entre os principais cartolas do futebol brasileiro: Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e Fábio Koff, do Clube dos 13.

A primeira parte desse encontro será amanhã, na reunião de amanhã da Comissão de Educação, Cultura e Desporto do Senado Federal, quando será votado requerimento da senadora Lídice da Mata, que convoca os dois presidentes – da CBF e do Clube dos 13 – para uma audiência pública.

O tema da audiência pública é: “aquisição dos direitos de transmissão de jogos de futebol”. Para tanto, a senadora também vai pedir que representantes das emissoras de TV que disputam esse direito também compareçam à audiência.

O requerimento deverá ser aprovado e, com de praxe, já se fixa a data para o “grande confronto”. Pacífico, claro, pois esses senhores não são de brigar em público, não.

Ministro

Já na quarta-feira, o ministro do Esporte, Orlando Silva, falará no Senado e na Câmara dos Deputados sobre a preparação do Brasil para receber os grandes eventos.

De manhã, ele irá na Comissão de Educação, Cultura e Desporto do Senado, às 10h. Às 14h30, na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados.

Lamentavelmente não poderei acompanhar o depoimento do ilustre ministro, pois estarei no Rio de Janeiro participando de um debate sobre a Copa 2014.

Mas vou recuperar o depoimento dele no eficiente sistema de informações que a Câmara dos Deputados dispõe na internet.

Por José da Cruz às 13h41

20/03/2011

Memória olímpica

        Relendo recortes de jornais e revistas encontrei esta preciosidade

        “O que acontece no Brasil é relacionado diretamente aos problemas do atletismo de um modo geral. Há 10 anos vocês não produzem alguém como Robson Caetano, que foi um grande adversário para mim nos 200 metros.”

        A frase é de Michael Johnson, ex-campeão olímpico dos 200m e 400m, em entrevista ao O Globo, em novembro de 2010. 

Para saber mais:

       Robson Caetano da Silva integrou uma geração sem Bolsa Atleta, sem Lei de Incentivo ao Esporte, sem Lei das Loterias e sem patrocínio estatal.

Principais conquistas:

Medalha de bronze nos 200m nos Jogos Olímpicos de Seul, 1988.
Medalha de bronze no revezamento 4x100m em Atlanta, 1996.

Tricampeão dos 200m na Copa do Mundo (Camberra, 1985 - Barcelona, 1989 e Havana, 1992).
Campeão Pan-Americano dos 100m e dos 200m em Havana, 1991.

Vice-Campeão nos 200m em Indianápolis, 1987.
Medalha de Bronze no 4x100m em Caracas 1983.

Bronze nos 200m no Mundial Indoor de Indianápolis, 1987.
Campeão dos 200m no Grand Prix da IAAF em 1989.

Por José da Cruz às 11h22

PC do B fatura com parceiros de 2014 e 2016

Na Folha de S.Paulo, hoje

Patrocinadores dão verba para partido do ministro do Esporte
RODRIGO MATTOS
        Patrocinadores da Olimpíada do Rio-2016 e da Copa de 2014 fizeram doações na eleição de 2010 para o PC do B, partido do ministro do Esporte, Orlando Silva Jr..
        O ministério participa da elaboração de leis que darão benefícios aos parceiros comerciais dos dois eventos. Ainda atua em negociações com a Fifa e o COI (Comitê Olímpico Internacional).
        Levantamento da Folha mostra que o PC do B recebeu R$ 940 mil de patrocinadores da Olimpíada e da Copa, contra nada no pleito de 2002.
        Os doadores foram a Coca-Cola, o McDonald's e o Bradesco. As duas primeiras empresas são patrocinadoras dos dois eventos, e o banco, apenas dos Jogos do Rio.
O dinheiro foi dado ao Comitê Financeiro Único do PC do B em três Estados: Amazonas, São Paulo e Rio. O que faturou mais foi o da a capital fluminense, sede da Olimpíada e da decisão da Copa.
        A Coca-Cola deu a maior fatia do dinheiro. Principal subsidiária da empresa no Brasil, a Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. doou R$ 450 mil aos comunistas. A Rio de Janeiro Refrescos Ltda., distribuidora na capital do Rio, deu R$ 100 mil.
        A empresa é a mais interessada nos eventos: está garantida no rol de patrocinadores principais da Fifa (até 2022) e do COI (até 2020).
        O PC do B recebeu R$ 350 mil do Banco Alvorada, controlado pelo Bradesco.
        No final do ano passado, o banco ganhou a concorrência para prestar os serviços financeiros e de seguros para a Olimpíada de 2016.
        A Arcos Dourados Comercio Ltda., nome do McDonald's no Brasil, doou R$ 40 mil aos comunistas.
        A rede de alimentação é patrocinadora oficial da Olimpíada desde 1976 e tem contrato até pelo menos Londres-2012. No caso da Copa do Mundo, seu contrato vem desde 1994 e está em vigor.
        As doações dos três patrocinadores olímpicos representam em torno de um sétimo do total ganho pelo PC do B nos Estados de São Paulo, Rio e Amazonas (sede da Coca-Cola), os que mais arrecadaram na última campanha.
        Feito em conjunto pelo Esporte e pela Casa Civil, a Lei do Ato Olímpico deu exclusividade a esses e outros parceiros do COI no uso de espaços de publicidade em áreas federais relacionadas aos Jogos-2016, como aeroportos. Foi aprovada no Congresso.
        A versão em estudo da Lei Geral da Copa, da qual o Ministério do Esporte também participa da gestação, prevê também limites de áreas exclusivas para patrocinadores da Fifa. Ainda determina prisão para quem tentar fazer marketing pirata com a Copa.
        Essas medidas estavam nas garantias dadas pelo governo à Fifa e ao COI em negociações das quais o ministério de Orlando Silva Jr. também participou. São imposições para receber os eventos.

 Verba para comunistas dispara em 4 anos
        As contribuições dos patrocinadores da Olimpíada e da Copa ao PC do B foram praticamente quintuplicadas da eleição de 2006 para a realizada no ano passado.
        O cálculo leva em conta recursos aos comitês financeiros únicos, sem considerar dinheiro aos candidatos.
        Há quatro anos, o partido recebeu R$ 194,6 mil da Coca-Cola, por meio das subsidiárias Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. e da Rio de Janeiro Refrescos Ltda.
        Foi o único patrocinador que deu dinheiro aos comunistas naquele pleito.
        Para 2010, o valor da doação da Coca-Cola foi a R$ 550 mil, um aumento de 182% em relação à eleição anterior.
        Como comparação, a contribuição eleitoral da empresa a todos os partidos apresentou um crescimento de 94% nesses quatros anos.
        O McDonald's não deu dinheiro a partidos em 2006, mas, no ano passado, doou R$ 40 mil ao PC do B.
        O Banco Alvorada, controlado pelo Bradesco, até deu R$ 60 mil ao partido, mas na época não tinha associação com Olimpíada ou Copa.
        Em 2002, o PC do B não ganhou nada dos parceiros dos Jogos do Rio e da Copa. Ainda houve salto na arrecadação do Comitê Financeiro Único do Rio, cidade-sede da Olimpíada-2016, multiplicada por oito em 2010 e chegando a R$ 3,2 milhões. (RM)

Por José da Cruz às 09h59

19/03/2011

"É Gol": com a marca União Futebol Clube

        Quando terminei de listar as cinco frentes de apoio do governo federal ao futebol brasileiro, na mensagem anterior, ficou a sensação de que faltava algo. E faltava, de fato.

        Ontem mesmo, já circulavam na rede informações sobre a "É Gol", a nova loteria para ajudar os clubes de futebol.

        Assim, atualizando a informação sobre a participação da União nas questões do futebol profissional, transcrevo a reportagem de João Domingos, na edição de hoje do jornal O Estado de S.Paulo. 

 

João Domingos

          Depois de criar a Timemania - loteria destinada a captar recursos para que os clubes paguem suas dívidas federais que atingiam R$ 3,25 bilhões no final de 2009, data do último levantamento -, a Loteca e a Lotogol, que distribuem recursos para as equipes por direito de uso de imagem, o governo dará mais uma mão ao futebol brasileiro. A Caixa Econômica Federal lançará segunda-feira, em São Paulo, outro programa de ajuda aos clubes, o "É gol".

         Trata-se de uma espécie de loteria que funcionará como um título de capitalização, semelhante à conhecida tele-sena do grupo Sílvio Santos.

         A capitalização "É Gol" será vendida nas 11 mil casas lotéricas do País. Custará R$ 6. Ao comprá-la, o apostador autorizará o repasse de R$ 3 (50% do título) para o clube do coração. Concorrerá, durante um mês, a cada semana, a prêmios que começarão com o máximo de R$ 50 mil na primeira semana e terminará com R$ 500 mil na última.

        De acordo com informações da Caixa, o dinheiro do "É Gol" não será vinculado ao pagamento das dívidas federais. O clube poderá fazer o que quiser com os recursos, desde a reforma de estádios e equipamentos à contratação de jogadores. A distribuição do dinheiro será proporcional aos títulos vendidos.

        Em março de 2008 o governo lançou a Timemania, o mais ambicioso plano para ajudar os clubes a pagarem suas dívidas. Mas a loteria foi um fiasco de arrecadação. Conseguiu apenas R$ 112 milhões no primeiro ano, cerca de 20% do total previsto, que era de R$ 540 milhões. No ano seguinte, foi pior, R$ 110 milhões.

        Como somente 22% do total arrecadado pela Timemania são direcionados para o pagamento das dívidas com a União - Previdência Social, Imposto de Renda e débitos com a Fazenda Nacional -, quase nada fica para os clubes. Em 2009, por exemplo, dos R$ 110 milhões arrecadados, apenas R$ 24,2 milhões foram entregues aos 80 clubes participantes.

        Naquele ano assim estavam os dez clubes mais endividados: Vasco, R$ 377,8 milhões; Flamengo, R$ 333,3 milhões; Fluminense, R$ 320,7 milhões; Atlético-MG, R$ 283,3 milhões; Botafogo, R$ 265,4 milhões; Corinthians, R$ 255,1 milhões; Palmeiras, R$ 197,2 milhões; Inter, R$ 176,9 milhões; Santos, R$ 175,5 milhões; e Portuguesa, R$ 155,5 milhões.

        Segundo a Caixa, quando a equipe adere à Timemania os repasses por uso da imagem pagos pela Loteca e pela Lotogol também são destinados ao pagamento das dívidas. Somando as três loterias, os valores entregues aos clubes nos três anos da ajuda do governo federal não chegaram ainda aos R$ 100 milhões, ou menos de menos de 3% do total da dívida com a União.

Por José da Cruz às 15h55

União Futebol Clube

    A União, pessoa jurídica de Direito Público representante do Governo Federal, destina:

1.   R$ 47 milhões da Lei de Incentivo ao Esporte para clubes profissionais.

2.   R$ 70 milhões para obras em estádios fora do Mundial;

3.   R$ 2 bilhões, calote fiscal dos cartolas que estão sendo cobertos pela Timemania;

4.   R$ R$ 73 milhões em equipamentos de segurança para estádios de futebol;

5.   R$ 700 milhões, previsão da isenção fiscal exigida pela Fifa para os parceiros da Copa 2014.

        É o governo federal financiando o futebol, rentável e de gestões duvidosas. A “torneira” do dinheiro público para financiar a construção de 40 estádios, conforme a reportagem de Rodrigo Mattos, na Folha de S.Paulo desta sexta-feira, não é o ponto final de um jogo milionário que ajuda a sustentar o futebol profissional. E também não termina na compra de equipamentos de segurança para estádios, denúncia que faço desde 2009, sendo essa uma obrigação dos clubes, por lei.

Lei de Incentivo

        Atualizei os dados referentes à Lei de Incentivo ao Esporte e constatei que a União já abriu mão de R$ 47 milhões de dinheiro do imposto de renda para aplicar em projetos de clubes de futebol.

        Dos 13 clubes, de apenas quatro estados – RS, SC, SP e RJ –, que já captaram recursos pela Lei de Incentivo, o São Paulo F.C é o líder: conseguiu R$ 24.685.408,00, entre 2007 e 2010. O dinheiro destina-se, também, para obras em estádios, mas, prioritariamente, para a formação de jogadores de alta performance.

Futebol e esgoto

 Uma vez revelados, esses jovens tornam-se produto de venda, uma das principais fontes de renda do tricolor paulista. Um estudo da consultora Crowe Horwat identificou que a venda de jogadores para o exterior é a segunda fonte de renda dos principais clubes nacionais, atrás apenas dos direitos de TV.

Evidencia-se, assim, o espetacular abuso com dinheiro público para com os milionário negócios do futebol, contrastando com a realidade de que apenas 51% da população tem acesso à rede de esgotos.

        A falta desse serviço de saneamento é responsável pela proliferação de doenças e, consequentemente, lotação dos hospitais públicos e óbitos. Quem responde por tais prejuízos humanos?

       Pois é nesse quadro de fartura e escassez – ou esbanjamento e necessidades – que o governo federal determina cortes orçamentários de R$ 50 bilhões, como ocorreu recentemente.

Beneficiados

        Por estado, os clubes mineiros são os principais “clientes” da Lei de Incentivo: Cruzeiro, Uberlância, Ipatinga, América e Atlético já usam esses recursos para “formação de atletas”.

        No clássico de Minas, o Atlético, com R$ 3,8 milhões, está em vantagem sobre o Cruzeiro, que conseguiu R$ 3,1 milhões.

        No Rio Grande do Sul, o Grêmio já captou R$ 1.155.852,00 para modernizar o seu Centro de Treinamento.

A Lei

        A Lei de Incentivo ao Esporte (nº 11.438/2006) dispõe de R$ 300 milhões anuais para aplicar em projetos esportivos.

        O dinheiro vem do imposto devido por pessoas físicas, que podem destinar até 6% do valor (1% para as jurídicas) para projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte.

        É dinheiro público que deixa de ingressar no orçamento da União para ser aplicado, por exemplo, em projetos sociais, educacionais e de saúde, em que nossas carências são enormes.

Cavalos e drogas

        A Lei de Incentivo ao Esporte, criada em 2006, contempla projetos em três frentes: educacionais, rendimento e participação. Porém, há estados que até hoje não conseguiram captar nem um real, como é o caso de Pernambuco. Evidencia-se, também, que as regiões mais ricas da Federação são as mais que mais aprovam projetos e captam recursos da Lei de Incentivo. A elitização do esporte sob o comando do Ministério do Esporte é evidente. Não fosse o dinheiro para o futebol profissional, também uma competição de cavalo da raça mangalarga”, levou R$ 218 mil – com licença, companheiro Rodrigo Mattos – “pelo ralo”.

        Por favor, não me entendam mal: tudo é legal, está na lei. Triste é observar que o Governo Federal – que diz ter foco no social – e o Ministério do Esporte não fixarem prioridades e metas para o uso de um dinheiro que falta em outras frentes.

        Por exemplo, 8,6% dos brasileiros entre 8 e 18 anos são usuários de crack, segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Depois vem aquele discurso de “esporte combate as drogas”. Falsidade? Hipocrisia?

Finalmente

        Diante dessa realidade, que demonstra gestão desastrosa do dinheiro público, o governo federal tornou-se o grande parceiro do futebol profissional, com muia verba, benefícios e isenções. 

        A cartolagem insaciável dá as boas vindas à União Futebol Clube.

Por José da Cruz às 01h10

Segundo Tempo: mais um caso de Polícia

        Sabem quem são Valter da Silva e Olivier Júnior, envolvidos com falcatruas no Segundo Tempo, como a que publiquei na mensagem anterior a esta? é uma dupla especialista no assunto, conforme revela uma reportagem que saiu em O Globo, em 30 de março de 2008.

         Justamente por serem perigosos, é de estranhar que, mesmo assim, o Ministério do Esporte tenha firmado convênio com os espertos.

        Isso só mostra a fragilidade com que o Segundo Tempo é executado, sem conseguir diferenciar entre gente séria e assaltantes. E, assim, o projeto social transforma-se em mais um entre os vários que já foram parar na investigação policial.

        A reportagem de O Globo foi publicada, também, no Blog de Juca Kfouri, onde fui buscar o texto, alertado pelo amigo Marcelo Ribeiro, atento observador de falcatruas e com ótima memória. Confiram:

 

Jogo pesado no Segundo Tempo
Ministério do Esporte comprova irregularidades em ONG com recursos para crianças carentes
Ary Cunha e Bernardo Mello Franco
RIO e BRASÍLIA

        Crianças andando de bicicleta ou jogando bola na calçada são as únicas atividades físicas esporadicamente visíveis em frente à Rua Sibéria, 844, em Bangu.

        É no endereço ocupado por uma casa de portão alto, pintura desgastada, telhado colonial e sem campainha que o Ministério do Esporte acreditava estar a sede da ONG Sociedade Humanitária de Assistência Social e Cultural (Sohasc).

        Entre 2004 e 2005, a entidade recebeu dos cofres públicos R$ 533.996,33 através do programa Segundo Tempo.

O dinheiro desapareceu e uma auditoria do ministério constatou a fraude que pode ter deixado até seis mil crianças e adolescentes sem aulas de prática esportiva e reforço escolar.

        Ao visitar os locais indicados no plano de trabalho, os fiscais do ministério não encontraram indícios do programa.

“Restou constatada a inexistência de núcleos em funcionamento e a inexistência de crianças atendidas”, diz o relatório de auditoria, feito a cinco dias do fim do convênio.

        De acordo com a auditoria, a Sohasc não desenvolveu qualquer atividade em sete das 11 comunidades a serem atendidas na Zona Oeste. Apenas 1.365 das 6 mil crianças que seriam beneficiadas pelo convênio 76/2004 foram cadastradas, sem provas de que teriam mesmo sido atendidas.

         Depois de três anos, o caso deve parar no Tribunal de Contas da União.

        A Sohasc teve sua primeira prestação de contas reprovada e, em edital publicado há três semanas no Diário Oficial da União, o ministério intimou o presidente da ONG, Valter da Silva Oliveira, a entregar nova prestação de contas ou devolver o dinheiro até o último dia 20.

        Oliveira, que assinou o convênio com o Segundo Tempo, em julho de 2004, ignorou as notificações sobre irregularidades e, segundo o ministério, encontra-se “em local incerto e não sabido”.

— Quando o projeto começou, houve muito atraso. O material que vinha do programa “Pintando a liberdade” (bolas, uniformes e outros itens), demorou três meses e eu fiquei situação delicada. Aí, eu saí três meses depois que assinou o convênio — afirma Olivier Ferreira Pinto Júnior, que ainda consta no site do Segundo Tempo como coordenadorgeral da Sohasc.

— Inscrevemos seis mil pessoas na associação de moradores da Favela do Barbante, em Campo Grande, mas o trabalho nunca começava.
Tráfico é usado como justificativa

        A casa que deveria ser a sede da Sohasc pertence ao vice-presidente Almir Gomes. No dia em que o prazo para a entrega de uma nova prestação se esgotou, ele afirmou ao GLOBO que não sabia que as contas da Sohasc haviam sido rejeitadas.

        — A prestação não foi aprovada? Não sabia disso — diz Gomes, negando ter sido procurado pelo ministério.

        — O trabalho foi feito. Não houve sacanagem.

        Para o ministério, porém, ainda há muito a ser esclarecido.

A Sohasc deixou de cadastrar os profissionais envolvidos e de apresentar relatórios exigidos no contrato.

        Os responsáveis pela ONG chegaram a atribuir as falhas de execução a problemas com o tráfico de drogas.

        Apesar das irregularidades, a entidade ainda tentou renovar o convênio por mais um ano em maio de 2005, sem sucesso.

        Um mês antes, o deputado Noel de Carvalho (PMDB-RJ) apresentara projeto de lei declarando a Sohasc como “Entidade de Utilidade Pública".

Por José da Cruz às 00h17

18/03/2011

Segundo Tempo: TCU determina a devolução de mais de R$ 550 mil aos cofres públicos

Os diretores da Sociedade Humanitária de Assistência Social e Cultural do Rio de Janeiro, Válter da Silva Oliveira e Olivier Ferreira Pinto Júnior, têm 15 dias para devolverem mais de R$ 550 mil aos cofres públicos, por falta de prestação de contas do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte.

A decisão – a segunda do gênero, este ano – é do Tribunal de Contas da União, que realizou uma tomada de contas especiais e comprovou a “não-comprovação da boa e regular apliação dos recursos federais, no valor de R$ 533.996,53, repassados à Sociedade, em 2004".

O dinheiro se destinava a um programa de inclusão social pelo esporte, para seis mil crianças, no Rio de Janeiro.

Os R$ 533 mil serão corrigidos e acrescidos de juros de mora, calculados desde a assinatura do contrato, isto é, em 2004.

Além disso, os diretores  deverão pagar multa de R$ 25 mil. O total da dívida poderá ser dividido em até 24 meses. 

Por José da Cruz às 19h22

Torneira

Na Folha de S.Paulo, hoje

 Ministério do Esporte dá dinheiro para 40 estádios e investe até no Machadão, que será demolido

RODRIGO MATTOS
DE SÃO PAULO

      Sob a gestão de Orlando Silva Jr., o Ministério do Esporte gastou com a reforma ou a construção de 40 estádios públicos pelo Brasil.
      É o que mostra levantamento da Folha em todas as cidades que receberam, em cinco anos, mais de R$ 500 mil no programa Esporte e Lazer na Cidade. Alguns projetos são apresentados por parlamentares, mas é a pasta que autoriza o projeto.
     Em relação ao investimento federal em arenas da Copa de 2014, o ministro sempre se mostrou contra. Mas a pasta investiu cerca de R$ 70 milhões em estádios que estão fora do Mundial, média de R$ 1,75 milhão em cada um.
Entre os estádios que receberam dinheiro, há projetos grandes, como o do Machadão, em Natal, que se tornou um exemplo de desperdício do dinheiro federal.
      O Ministério do Esporte repassou, em março de 2007, R$ 3,46 milhões para a arena, cuja reforma custou um total de cerca de R$ 17 milhões.
      Em outubro daquele ano, Natal foi incluída como candidata a sede no projeto do Brasil para receber a Copa.
      O plano da cidade envolve a demolição do Machadão e a construção da Arena das Dunas. A derrubada do antigo estádio está prevista para o final do Estadual-2011, provavelmente em maio.
      "Infelizmente, esse recurso foi inútil. Sei que há dez anos a prefeitura tentava fazer o trabalho, mas a verba só chegou naquela época", declarou o secretário especial da Copa no Rio Grande do Norte, Demétrio Torres.
      O secretário não quis comentar se a decisão da prefeitura e do ministério de investir no Machadão foi equivocada. Disse que não estava presente na administração pública naquela época.
Atualmente, o Machadão tem capacidade para 26 mil pessoas e vem sendo utilizado por América e Alecrim, ambos da capital potiguar.
      "Não tem sido preenchido. Em jogos como ABC x América ou em partidas da Série B, dá público de 15 mil a 20 mil. Mas o normal é ter uns 5.000", disse o presidente da federação do Rio Grande do Norte, José Vanildo da Silva.
      A partir de maio, após a demolição, esses times terão de jogar no Frasqueirão, cujo dono é o ABC, ou no Juvenal Lamartine, da federação.

Por José da Cruz às 12h07

17/03/2011

A ousada reforma esportiva que ainda nos falta

A Confederação Brasileira de Clubes (CBC) teve dupla conquista com a edição da Medida Provisória nº 502/2010, publicada hoje, no Diário Oficial da União.

Entidade com sede em Campinas, que congrega mais de 1.300 clubes sociais, a CBC passou a integrar o Sistema Nacional do Desporto, ao lado dos Comitês Olímpico e Paraolímpico.

E, melhor, receberá recursos das loterias federais, via Ministério do Esporte, encerrando um pleito que já durava três anos.

O dinheiro sairá do que o Ministério do Esporte recebe das arrecadações das loterias da Caixa.

Será o correspondente a 0,5%, o que significaria em torno de R$ 40 milhões, em 2010.

Luta pacífica

        Em 2008, um grupo de dirigentes de clubes sociais criaram o CONFAO (Conselho Nacional de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos), reivindicando participação nos recursos das loterias destinadas ao Comitê Olímpico Brasileiro.

        Chegou a ser discutido o aumento dos repasses de 2% par 2,5% ao COB e CPB, a fim de contemplar o CONFAO. A proposta não vingou.

        Nesse tempo, históricos clubes, como o Pinheiros e o Minas Tênis, os principais formadores de atletas no país, o lado da Sogipa e Grêmio Náutico União, em Porto Alegre, aprovaram projetos junto à Lei de Incentivo ao Esporte.

        Em rápido balanço que realizei encontrei este panorama

        Lei de Incentivo ao Esporte

         De 2008 a 2011

        E.C.Pinheiros (SP)               R$ 27.099.138,00

        Minas Tênis Clube (MG)       R$ 14.843.880,00

Balanço

Considerando o número de clubes filiados, com certeza os recursos que a Confederação Brasileira de Clubes receberá não serão suficientes para atender a todos os pedidos que receberá de seus associados. Mas é um ponto de partida.

Porém, essa é mais uma frente que ingressa no privilegiado clube de beneficiados pelo dinheiro público para financiar o esporte.

Faço esse registro lembrando que as fontes federais são altamente financiadoras do nosso esporte olímpico:

a)    Orçamento Federal

b)    Lei de Incentivo ao Esporte

c)     Lei Agnelo Piva

d)    Patrocínio de estatais

e)    Bolsa Atleta

E nesse volume de fontes, insisto, falta uma gestão central a fim de que se evitem a duplicidade de aplicações de verbas num mesmo projeto. Isso é plenamente possível, pois os executores também são diversos: clubes, federações, confederações, comitês e Ministério do Esporte.

Não chego ao extremo de afirmar que o Ministério do Esporte deveria ser o órgão centralizador. Pelo contrário, isso seria um risco diante da burocracia da máquina pública, dos riscos de contingenciamento de verbas orçamentárias a cada início de ano e, principalmente, devido os interesses políticos-partidários dos ministros que ocupam aquela pasta, desde o século passado.

Porém, fica demonstrado que o nosso “Sistema Nacional do Esporte” é qualificado financeiramente e capenga na gestão integrada dos fartos recursos que dispõe.

A disparidade evidente

O que ocorreu ao longo dos anos foi uma luta – pacífica, clara – do “cada um por si”.

E isso ocorre num país que está a cinco anos de receber a Olimpíada do Rio de Janeiro.

Pior: nas minhas andanças por pistas, piscinas, quadras a reclamação é comum, de atletas e técnicos que trabalham com a iniciação: “Não temos apoio. Falta dinheiro”. Algo que eu ovia em 2000...

Reconheço que a presidente Dilma valorizou o princípio democrático ao colocar a Confederação Brasileira de Clubes entre os que promovem o esporte de rendimento no país.

Mas o Governo Federal continua devendo uma reforma verdadeira na nossa legislação para dar fim às evidentes injustiças; para reduzir, no mínimo, a disparidade dos que muito têm, porque são da elite esportiva, contra os que nada possuem, por estarem na iniciação, na base e sem a quem recorrer.

O contraste é espetacular. Algo que reflete a própria economia e desigualdades sociais do país, com o principal da renda concentrado nas mãos de poucos e, por isso, privilegiados. 

Por José da Cruz às 17h42

Copa 2014: negócio entre amigos

Estádio da Copa em Natal custará três vezes mais aos cofres públicos

 

Por Anna Ruth Dantas

No Tribuna de Norte, hoje

 

O Governo do Estado pagará pela Arena das Dunas, que sediará os jogos da Copa do Mundo de 2014 em Natal, mais de R$ 1 bilhão. Embora o valor da obra seja de R$ 400 milhões, bancados pela construtora OAS através de recursos próprios e empréstimo junto ao BNDES, o desembolso dos cofres públicos potiguares para a empresa vai representar, ao término do contrato de 20 anos de concessão, o equivalente a três Arenas.

A engenharia financeira feita pelo Executivo para a construção da Arena das Dunas prevê repasses mensais durante 17 anos para a construtora. Esses repasses não terão qualquer ligação e/ou compensações com a possível receita auferida pela OAS da administração compartilhada do estádio.

Os primeiros três anos, quando o estádio estará sendo construído, é o chamado “período de carência” do contrato Governo/OAS.

A construtora é quem vai contrair o empréstimo de R$ 300 milhões oferecidos pelo BNDES e investir outros R$ 100 milhões, de recursos próprios, cobrindo o custo da obra.

A partir do primeiro ano de operação do estádio, ou seja, em 2014, o Governo começará a pagar os R$ 400 milhões a OAS.

 

A reportagem completa está aqui.

Por José da Cruz às 16h08

Presidente Dilma sanciona nova Bolsa-Atleta

        A presidente Dilma Rousseff sancionou ontem artigos que atualizam a lei maior do esporte, conhecida como “Lei Pelé” – nº 9.615/91.

        Entre as novidades está a criação de duas novas categorias da Bolsa Atleta. A seguir, a nova composição do programa, com os respectivos valores a serem pagos mensalmente aos contemplados:

        Bolsa Pódio*        R$ 15.000,00

        Bolsa Olímpica     R$   3.100,00

        Paraolímpica        R$   3.100,00

        Internacional       R$   1.850,00

        Bolsa Nacional    R$       925,00

        Bolsa Estudantil  R$       370,00

        Bolsa Base*        R$       370,00

*novas categorias

        Esses valores, contudo, serão pagos para os atletas que forem contemplados com a Bolsa a partir de 2012, pois terão como base para conquistar o benefício os resultados desta temporada.

Por José da Cruz às 13h10

Presidente Dilma veta expulsão do CBCE do Conselho Nacional de Esporte

          A presidente Dilma Rousseff sancionou a Medida Provisória 502/2010 – transformada em Projeto de Lei de Conversão (PLC), que atualiza a Lei Pelé, nº 9.615/2001.

        Entre os vetos da presidente Dilma um tem especial repercussão: o artigo 12-A, que tratava da nova composição do Conselho Nacional de Esporte.

        Na proposta original, elaborada pelo Ministério do Esporte, não constava mudança na formação desse órgão de assessoramento ao ministro.

        Porém, por iniciativa do deputado José Rocha, relator da MP, o Conselho passou a ter nova composição, inclusive com cinco representantes do segmento “futebol”, conforme publiquei ontem.

        O mais surpreendente, contudo, foi a retirada do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte do Conselho Nacional. Uma legítima “expulsão” desse importante organismo nacional.

        Foi atenta, contudo, a assessoria da presidente Dilma,  ao sugerir veto à esdrúxula decisão, tanto pela exagerada representatividade do futebol quanto pela expulsão do CBCE do Conselho maior do esporte nacional.

        Na prática, o Palácio do Planalto sempre consulta os órgãos afins para que se pronunciem sobre as peças aprovadas no Congresso Nacional. Assim, o Ministério do Esporte deve ter recebido o texto que estava para ser sancionado, a fim de sugerir vetos.

        Mesmo sem conhecer os detalhes da manifestação ministerial, suponho que tenha sido solicitado veto ao inoportuno artigo 12-A, pois essa mudança não constava da proposta original do Ministério, enviado em forma de MP ao Congresso Nacional, no ano passado.

        Também já escrevi ao deputado José Rocha (PR-BA), para saber oficialmente do relator sobre os motivos que o levaram a tomar a decisão extrema de expulsar um órgão de tamanha importância como o CBCE do Conselho Nacional do Esporte.

        Mesmo porque, José Rocha tem formação médica e, logo, sabe muito bem sobre a importância crescente da ciência do esporte na rotina desse segmento.

        Voltarei ao assunto assim que o deputado se manifestar. 

Por José da Cruz às 12h36

Ministério do Esporte em alta velocidade

 

        O puxão de orelhas que recebeu do Palácio do Planalto, ao assumido a liderança de ministério que teve o maior gasto com alugueis de carro – R$ 111,5mil, neste início de ano -, não assusta a pasta do ministro do Esporte, Orlando Silva.

        Na terça-feira, o Ministério empenhou R$ 735 mil para pagar à empresa Unique Rent a Car, pelo aluguel de carros que atendem aos serviços da representação  do Ministério do Esporte, no Rio de Janeiro, que fica na rua Barão de São Francisco, nº 177, Andaraí”.

        O empenho, isto é, a reserva do dinheiro para saldar a conta, foi lançado no Siafi – a contabilidade do Governo – às 11h55 de terça-feira, indicou a consulta feita pelos amigos da ONG Contas Abertas.

        Eficientíssimo,  já às 15h49 o Ministério do Esporte usava a primeira parcela do empenho e depositou R$ 36.753,69 na conta da Unique Rent a Car, a locadora sortuda.

        Fica a dúvida: que tanto trabalho tem uma representação do Ministério do Esporte no Rio de Janeiro que consome mais de meio milhão de reais transportando pessoas?

Por José da Cruz às 00h32

CPI da CBF. Ou seria CPI do Ricardão?

        Enquanto as obras de “mobilidade urbana” se arrastam em projetos;

        Enquanto estádios monumentais continuam em sonhos e devaneios;

        Enquanto o governo anuncia gastos de até R$ 33 bilhões em infraestrutura para os megaeventos;

        Enquanto a contagem regressiva para a Copa avança rápida e indica que faltam apenas três anos...

         ... o todo poderoso presidente da CBF, Ricardo Teixeira, divide seu tempo de principal gestor do Mundial de 2014 com visitas a parlamentares para tentar segurar uma incômoda CPI da CBF, que está caminhando rápida.

        Será que a Fifa suportará ver o principal candidato à substituição de Joseph Blatter sendo investigado por suspeitas de falcatruas?

        Que outro país que sediou a Copa do Mundo enfrentou situação tão constrangedora e vergonhosa?

        Veja o noticiário que selecionei neste fim de noite.

 

Na Folha UOL

        O deputado Romário (PSB-RJ) disse nesta quarta-feira que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deve ir à Câmara dos Deputados responder às acusações do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), que quer uma CPI para investigar a organização da Copa-2014.

        Leia mais, aqui 

 

Agência Câmara

"O futebol brasileiro merece uma investigação séria de tudo o que está sendo articulado para a importantíssima Copa do Mundo do Brasil de 2014, que não pode só ser um megaevento empresarial para enriquecer uns poucos", afirmou o deputado Chico Alencar, do PSol-RJ.”

        A reportagem completa está aqui 

Folha UOL

“Na tarde desta quarta-feira, Ricardo Teixeira foi à Câmara para pressionar o PR a abortar o pedido de abertura de CPI para investigar os contratos da entidade e organização da Copa-2014. O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) é o autor do pedido e recolhe assinaturas para viabilizar a instalação. É necessário o apoio de 171 deputados.”

Aqui o texto completo

Por José da Cruz às 23h07

16/03/2011

Muricy: encruzilhada entre o Santos e o pampa gaúcho

Por José Antônio Alves

        À distância, aqui de Brasília, sinto algo muito mais forte para que Muricy abandonasse o barco Tricolor no meio da Taça Rio e da Taça Libertadores, além do que já foi dito por meus colegas da imprensa esportiva.

        O fato de o clube não ter um centro de treinamento, como foi alegado, não me parece o ponto principal.

        Quem mora no Rio de Janeiro sabe que a cidade tem espaço para construir um CT. Por isso, os clubes se afastam cada vez mais do centro da capital. 

        O Fluminense aposta em Xerém, que fica perto do pé da Serra de Petrópolis, com boa estrutura. Mas a área foi recusada por Muricy.

        Já o Flamengo não usa a Gávea. Treina no Ninho do Urubu, em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio. Lá para as bandas do abandonado Autódromo.

        O América saiu do Andaraí e apostou na construção de um estádio na baixada Fluminense.

        É bom lembrar que Muricy, antes de acertar com o Fluminense, tinha conhecimento da estrutura dos clubes do futebol carioca, e em particular do Tricolor.

        Realmente, o Estádio das Laranjeiras está entregue às baratas. Mas,  foi nesse mesmo campo que Muricy treinou o time para ser campeão Brasileiro.

        Outra coisa:

        Muricy só não aceitou ir para a Seleção Brasileira porque  o Fluminense exigiu que ele cumprisse o contrato, o que acabou não acontecendo, diante de sua saída, agora.

        Além disso, esse negócio de o clube ter duas fonte pagadoras também influiu no elenco. Uns recebem em dia; outros, não.

        Mais: Deco e Fred, os maiores salários dos clubes, passam mais tempo no departamento médico, do que em campo. Isso certamente reflete no comportamento dos jogadores, no trabalho de equipe.

        Algo assim deve se passar na cabeça dos jogadores: “Ele (Deco) recebe 500 mil por mês e não joga; e eu que ganho 20 mil reais vou me matar".

        Está claro que existe uma crise política nas Laranjeiras e Muricy não soube conviver com isso. Ninguém é louco de abrir mão de um salário de aproximadamente 700 mil reais para descansar um mês, se não tiver encaminhado uma boa transferência para outro clube.

        Assim, diante desse panorama, o destino de Muricy está entre o Santos e o Internacional, de Porto Alegre.

        O Peixe está com treinador interino; Celso Roth, por sua vez, se fracassar na Libertadores, como na final do Mundial, será demitido. E pelo tamanho do clube gaúcho, Muricy tem perfil para assumir o Colorado dos Pampas.

        Entenderam a importância de um mês sem contrato?

José Antônio Alves, jornalista e vascaíno

 

Por José da Cruz às 22h43

Romário: a Excelência no comando

        Sério, compenetrado e com prerrogativas de vice-presidente – quem diria! – o  deputado Romário (PSB-RJ) presidiu por cerca de 20 minutos a sessão desta tarde da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, no impedimento do titular, Jonas Donizette, que precisou se ausentar por instantes.

        

             Romário dirige a sessão

        Assessorado pelo secretário da Comissão, James Lewis Júnior – funcionário de longos anos na Casa –, Romário saiu-se bem no rápido comando, num plenário em que estavam outros notáveis: o ex-pugilista Popó, o ex-goleiro do Grêmio, Danrley, e o ex-goleiro do Grêmio Esportivo Brasil, de Pelotas, Afonso Hamm, que já presidiu a Comissão de Turismo e Desporto. 

        Na defesa, a Comissão está ótima.

         

                   Danrlei e Afonso Hamm

        Romário demonstrou interesse pelos assuntos em discussão: formações de comissões para acompanhar  os preparativos aos megaeventos esportivos que  vêm por aí. E ficou acertado que na próxima terça-feira, o ministro do Esporte, Orlando Silva, irá à Comissão informar sobre como anda a Copa do Mundo sob o ponto de vista governamental.

Assinatura

        Mas a grande expectativa era saber se Romário assinará o requerimento do deputado Garotinho, que pede uma CPI para investigar a CBF. “Vou ver. Ainda não decidi”, disse, sério, no seu melhor estilo de não mostrar os dentes e falar o menos possível. No Congresso isso é bom. Quanto menos falar, menor  a chance de desmentir, mais tarde.

        No mesmo  momento da sessão na Comissão de Turismo e Desporto, Ricardo Teixeira circulava  no Congresso Nacional, já trabalhando para brecar a evolução da CPI da CBF.

        Sem despertar atenção nos movimentados salões do Legislativo, apenas da repórter Érika, do diário Lance interpelou o soberano cartola. Sem sucesso. Ricardo Teixeira “adora” jornalistas, principalmente do Lance, jornal que detonou o esquemão por ele armado na constituição do Comitê Olímpico Local para a Copa 2014.

        Já o ex-goleiro do Grêmio, Danrlei, depende da liberação de seu partido, o PTB, para assinar o pedido de CPI.

Opinião

        Particularmente, apesar de ver sempre como oportuna uma investigação dos bastidores do esporte nacional, acredito que dificilmente a proposta de Garotinho – logo quem!!! – vai evoluir.

        O deputado carioca dá  à questão enfoque de disputa política, procurando tirar de seu nome o foco de outras investigações.

        Além disso, a força de Teixeirão no Congresso Nacional, principalmente  agora com a Copa no Brasil, é poderosa.

        Basta uma conversa com o amigo presidente do Senado, José Sarney, cujo filho, Fernando, é vice da CBF para o Nordeste . O argumento? Ora, uma CPI repercutiria “mal para a imagem do Brasil”...e, pronto, tudo se resolve .

Garotinho poderá até conseguir as assinaturas que precisa para encaminhar o assunto. Mas precisará contar com o apoio  da Mesa da Câmara para emplacar. E, aí, Ricardo Teixeira conseguirá, também, convencer as excelências de que  será um momento muito ruim para isso – e para ele, principalmente, claro.  

Assim, começarão as retiradas de assinaturas de assinaturas do requerimento que pede a CPI, o que é  permitido pelo Regimento da Câmara.  Tal qual ocorreu com o pedido da CPI Olímpica, abortada no ano passado no Senado, justamente dessa forma: retirada do apoio de quem, antes, havia se manifestado a favor.

Quando isso ocorre, a desmoralização  do Congresso Nacional fica mais evidente e a repercussão no Brasil será a mesma, negativa, se tivéssemos a CPI. Fica na cara a enorme força que tem quem comanda o esporte no país, colocando de joelhos a principal Casa do Legislativo.

Por José da Cruz às 19h53

Romário entra em campo

        A Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados reúne-se hoje em sua tradicional reunião das quartas-feiras, com 12 requerimentos para votar. Entre eles, dois do estreante parlamentar, Romário.

        A maioria dos requerimentos pede a criação de comissão para acompanhar as obras da Copa e Olimpíada.

        Cuida-se do que se está construindo e do que virá. Mas ninguém dedica uma linha sobre o que temos e está abandonado, como os locais dos Jogos Pan-Americanos 2007.

        Abandonado de atletas, assim como estão ociosos os 1.555 clubes das ABBs, enquanto se fala na construção de centros olímpicos.

        Em Curitiba, um centro de treinamento de ginastas, modalidade em evolução, está sem verbas para cumprir o calendário dos ginastas, entre eles quatro da equipe olímpica nacional.Mas a Confederação Brasileira de Ginástica tem patrocínio da Caixa. E daí?

        As excelências, de terno e gravata, vão pedir, com discurso em tom de austeridade,  comissões de controle das obras.

Por conta disso vão viajar, muito, Brasil afora, para constatar o óbvio: gastos em profusão e atrasos sem fim.

        Mas sobre a mesa da Comissão de Turismo e Desporto não há um só requerimento para que se avaliem as condições do que há de mais valioso no patrimônio de um país, a nossa juventude, estudantes, atletas, competidores.

A formação educacional e do caráter dos jovens não têm o mesmo peso da estrutura metálica e de concreto dos elefantes que se arrastam por aí, carregando milhões de reais do orçamento público.

        Em resumo: nova legislatura, novos parlamentares. Não mudou nada. Há 20 anos cubro o Congresso Nacional. E é isso aí, sempre.

 PAUTA DA REUNIÃO DE HOJE

1º - Planejamento para 2011

2º - II Fórum Legislativo nas cidades sede da Copa de 2014

 

1 -    REQUERIMENTO Nº 1/11 - do Sr. Afonso Hamm - que "requer a constituição de Subcomissão para o Acompanhamento e Avaliação das Providências, Ações e Projetos Compromissados pelo País para a Realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014 no Brasil e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos em 2016 na Cidade do Rio de Janeiro".

       

2 -    REQUERIMENTO Nº 2/11 - do Sr. André Figueiredo - que "requer a criação de Subcomissão Especial para acompanhar a execução das obras nas cidades sedes da Copa do Mundo de 2014".

       

3 -    REQUERIMENTO Nº 3/11 - do Sr. André Figueiredo - que "requer a criação de Subcomissão Especial para acompanhar a execução das obras no Estado do Rio de Janeiro que irá sediar as Olimpíadas de 2016".

       

4 -    REQUERIMENTO Nº 4/11 - da Comissão de Turismo e Desporto - que "requer que seja convidado o Ministro de Estado do Esporte, Sr. Orlando Silva Júnior, para comparecer a Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados".

 

5 -    REQUERIMENTO Nº 5/11 - da Comissão de Turismo e Desporto - que "requer que seja convidado o Ministro de Estado do Turismo, Sr. Pedro Novais para comparecer a Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados".

 

6 -    REQUERIMENTO Nº 6/11 - da Comissão de Turismo e Desporto - que "requer que sejam convidados representantes do Comitê Organizador Local da FIFA para a realização da Copa do Mundo de 2014, para comparecer a Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados".

 

7 -    REQUERIMENTO Nº 7/11 - dos Srs. Valadares Filho e Romário - que "requer a constituição de Subcomissão Permanente, com a finalidade de acompanhar as ações a serem desenvolvidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e fiscalizar as ações a serem desenvolvidas por Instituições Privadas (Comitês Organizadores Locais) e Públicas da União, do Estado e dos Municípios para a organização da Copa do Mundo de Futebol FIFA 2014"

 

8 -    REQUERIMENTO Nº 8/11 - dos Srs. Romário e Valadares Filho - que "requer a constituição de Subcomissão Permanente, com a finalidade de acompanhar as ações a serem desenvolvidas pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), e fiscalizar as ações a serem desenvolvidas por instituições Privadas e Instituições Públicas da União, do Estado e dos Municípios para a organização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 na Cidade do Rio de Janeiro".

       

9 -    REQUERIMENTO Nº 9/11 - da Comissão de Turismo e Desporto - que "requer que sejam convidados representantes da Associação Clube dos 13 para comparecer à Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados".

10 - REQUERIMENTO Nº 10/11 - da Comissão de Turismo e Desporto - que "requer que sejam convidados representantes da Confederação Brasileira de Futebol para comparecer à Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados".

       

11 - REQUERIMENTO Nº 11/11 - do Sr. Valadares Filho - que "requer a realização de audiência pública para discutir a situação atual e o planejamento dos aeroportos nacionais visando o aumento de fluxo turístico previsto para os períodos da Copa das Confederações de 2013, da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpos de 2016.".

       

12 - REQUERIMENTO Nº 12/11 - do Sr. Valadares Filho - que "requer a realização de audiência pública para debater os Programas Regionais de Desenvolvimento do Turismo - PRODETUR".

Por José da Cruz às 11h09

Na Folha, hoje: Ministério premia atleta dopado


      Jornalista Daniel Brito, meu ex-colega de Correio Braziliense, assina reportagem na Folha de S.Paulo, hoje, repercutindo a notícia que aqui publiquei, segunda-feira, sobre a concessão de Bolsa-Atleta para ex-competidor pego o exame de doping, alertado que fui alertado pelo leitor e técnico de atletismo, Nilson Duarte Monteiro.

 

        Três dias depois dessa constatação, o nome de José Alessandro Bagio continua na lista dos contemplados pelo Ministério do Esporte, conforme a reportagem. Confiram: 

Catarinense da marcha atlética pode receber R$ 2.500 mensais do Bolsa Atleta

DANIEL BRITO
DE SÃO PAULO
   
 O primeiro nome da lista de contemplados do programa Bolsa Atleta do Ministério do Esporte é o do catarinense José Alessandro Bernardo Bagio, 29, da marcha atlética.
Ele foi suspenso das competições em dezembro de 2010 por ter sido flagrado em exame antidoping no qual acusou a presença do esteroide 19-Norandrosterona.

 

Com duas Olimpíadas no currículo, enquadra-se na categoria "olímpico" do programa do ministério. Ficou apto a receber R$ 2.500 mensais dos cofres públicos, tal qual os demais 182 competidores incluídos nessa classe.

O marchador mora em Timbó (SC), onde cursa educação física e treina. Até antes de ser flagrado, mantinha-se com R$ 1.400 mensais, de uma malharia e de uma metalúrgica que o patrocinavam. Seu julgamento será neste mês, em Manaus, sede da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).


Bagio não respondeu aos recados deixados pela reportagem no celular e em sua casa. Ao seu treinador, Carlos Morastoni, ele afirmou ter ingerido a substância em maio.


Os exames foram feitos em setembro, após uma denúncia anônima e em época posterior a Bagio ter submetido ao ministério o pedido para ser agraciado com a verba. "Acho justo que ele perca a bolsa", admitiu Morastoni.


O Bolsa Atleta apresenta uma incongruência grave.
Para receber a ajuda do governo, o atleta deve enviar a Brasília, no primeiro semestre de cada ano, os resultados da temporada anterior, que são analisados para a liberação da bolsa. Só que o dinheiro só sai no ano seguinte ao do envio do pedido.


Ou seja, há uma diferença de mais de um ano entre o desempenho nas competições e os vencimentos a receber.


Bagio já havia pleiteado a bolsa-atleta no ano retrasado, mas a falta de documentação o impediu de ganhá-la.


Ricardo Leyser, secretário nacional de esporte de alto rendimento, responsável pelo programa Bolsa Atleta, disse que o nome do marchador catarinense será cortado da segunda lista de contemplados, sem previsão para ser divulgada. E que o atleta não vai receber o dinheiro.


Leyser diz que a responsabilidade por informar quem são os atletas impossibilitados de receber a bolsa é das confederações desportivas.
"Não podemos impedir um atleta de receber a bolsa baseados em notícias de jornal", disse. "Confiamos nas informações passadas pelas confederações esportivas."


A CBAt, por sua vez, declarou que não poderia antecipar as decisões do ministério. "Só sei quem são os atletas contemplados pela bolsa quando a lista é publicada", defendeu-se Martinho Nobre dos Santos, superintendente técnico da confederação.


Ele lamenta que os nomes não sejam enviados às confederações, o que poderia evitar casos como o de Bagio. "Nós temos que ir ao Diário Oficial para saber quem são os competidores da nossa modalidade no programa."

Por José da Cruz às 10h58

15/03/2011

CT de Ginástica em Curitiba pode fechar portas por falta de verba

Quatro ginastas da Seleção Brasileira, patrocinada pela Caixa Econômica, estão na iminência de parar treinamentos.

Por Adriana Brum

Do jornal A Gazeta do Povo

            Curitiba – Sem resposta, sem verba e com risco de encerrar as atividades. Des­­sa forma, segue o principal centro de treinamento da ginástica artística do Paraná.

O Cegin (Centro de Excelência em Ginástica) ainda não recebeu a notificação oficial da Confede­­ra­­ção Brasileira (CBG) de que não contará mais com os R$ 437 mil anuais de pa­­tro­­cínio da Caixa Econômica Federal (CEF) para bancar o projeto Clube Caixa, que lapida talentos da modalidade para o alto rendimento.

        Em entrevista à Gazeta do Po­­vo, a presidente da CBG, Maria Lu­­ciene Resende, confirmou que a Cegin não receberá mais o valor pago, até então, pela Caixa Eco­­nômica Federal (CEF), patrocinadora da confederação. A justificativa é que não é possível destinar a verba a um clube privado. Mas, mesmo após 50 minutos de entrevista, não respondeu se a prerrogativa é decisão da própria CBG ou um pedido do patrocinador.

        O departamento de marketing da Caixa, por sua vez, informou que é responsabilidade do patrocinado definir a aplicação dos valores liberados.

        O contrato para o biênio 2011-2012 é de R$ 9,5 mi­­lhões e foi assinado em 28 de fevereiro. Desse valor, segundo Lu­­ciene, serão repassados ao Paraná R$ 169 mil neste ano, para a ma­­nutenção dos três Centros de Excelência voltados à iniciação es­­portiva de crianças e formação da base de ginastas. São R$ 125 mil à ginástica artística em geral e R$ 22 mil para a ginástica artística em Toledo. Outros R$ 22 mil vão para a ginástica rítmica na capital.

        “Não houve corte de recursos. Apenas apresentamos [à Caixa] os projetos da Confederação e os das federações. Foi aprovado o montante apresentado pela CBG, com valores para contemplar apenas o planejamento estabelecido pela Confederação”, afirma Luciene, em resposta à presidente da Fede­­ra­­­­ção Paranaense de Ginástica (FPRG) e ex-presidente da CBG, Vi­­célia Florenzano, que disse achar que o corte foi obra da confederação.

        Mesmo sem a verba, os treinos seguem no Clube Caixa. Entre as atletas, estão quatro ginastas da se­­leção brasileira, Harumy de Frei­­tas, Priscila Coelho, Bruna Leal e Ethiene Franco. “Se acontecer de não conseguirmos o dinheiro [com um novo patrocinador], não teremos outra saída. Teremos de fechar”, afirma a diretora técnica da FPRG, Eliane Martins.

        Ela reclama abertamente do descaso da CBG. “Até agora não fomos comunicadas oficialmente e, se não fosse pela nossa pesquisa na Caixa, estaríamos na ilusão de receber. Nem mesmo depois da reportagem [publicada pela Gazeta do Povo no dia 6/3, em que anunciava a perda do patrocínio da Cegin], entraram em contato. Se dependesse deles, ainda estaríamos nos iludindo, esperando esse montante”, diz.

Entenda o caso

De 2007 até o ano passado, a CBG repassava à Cegin a verba do patrocínio da Caixa Econômica Federal (CEF) ao projeto Clube Caixa, de suporte ao treinamento de ginastas com potencial competitivo.

 

No final de 2010, a Federação Paranaense de Ginástica (FPRG) encaminhou à CBG as planilhas de custo para o Clube Caixa em 2011. À Confede­­ra­­ção cabia repassar os dados para a CEF, como parte dos projetos da ginástica brasileira para o ano.

 

Na assembleia da CBG, no final de fevereiro, a presidente da FPRG, Vicélia Florenzano, viu no orçamento da confederação que não havia informações sobre o repasse para a Cegin. O diretor financeiro da CBG, Ary Resende, informou que era porque faltava a confirmação do valor do contrato com a Caixa para 2011.

 

O contrato foi firmado em 28 de fevereiro, no valor de R$ 9,5 milhões para o biênio 2011-2012. Há duas semanas, Vicélia entrou em contato com a Caixa e foi informada que o Clube Caixa não estava entre os programas que seriam atendidos via CBG para os próximos dois anos.

 

Até o momento, a Cegin não foi oficialmente comunicada do corte da verba. Sem ter como angariar novos patrocínios – as empresas costumam fechar seu orçamentos entre novembro e dezembro – , o Projeto Caixa, que atende 32 duas ginastas, sendo quatro da seleção brasileira, está sem verba para este ano. 

Por José da Cruz às 21h32

Atrasos para Copa e Olimpíada preocupam Câmara dos Deputados

 

Da Agência Câmara de Notícias

         A posse dos novos presidentes das comissões permanentes da Câmara reavivou a preocupação do Legislativo com o andamento das obras para a Copa do Mundo e para a Olimpíada, que serão realizadas no Brasil em 2014 e 2016, respectivamente. O tema teve destaque no discurso de pelo menos quatro novos presidentes, sendo que dois pretendem manter subcomissões específicas para acompanhar os investimentos.

        Em linhas gerais, as preocupações manifestadas estão listadas no relatório elaborado, no fim do ano passado, pela deputada Rebecca Garcia (PP-AM), relatora de uma subcomissão da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle que tratou dos investimentos públicos na Copa. O documento analisa o andamento das obras e alerta para riscos nos investimentos feitos em arenas, portos, aeroportos e mobilidade urbana, além de cobrar mais transparência nos investimentos.

        “Todos os alertas feitos naquela época estão atuais”, considera Rebecca Garcia. “É preciso que o Congresso Nacional e a sociedade conheçam o andamento dos trabalhos. O site do Ministério do Esporte e o da Controladoria Geral da União (CGU) são pouco claros, principalmente para a população em geral. É preciso que seja criado um meio de comunicação mais fluido e transparente e com canais de interlocução com o público para críticas, sugestões e denúncias”, disse.

Reativação
        O documento foi apresentado na conclusão dos trabalhos da subcomissão de acompanhamento dos recursos públicos federais destinados à Copa. O novo presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, deputado Sérgio Brito (PSC-BA), já defendeu a reativação do grupo nesta legislaturaEspaço de tempo durante o qual os legisladores exercem seu poder. No Brasil, a duração da legislatura é de quatro anos. . “Teremos uma fiscalização mais efetiva que as outras comissões, porque essa é nossa missão”, afirmou.

        Para isso, o deputado quer estabelecer parceria com o Tribunal de Contas da União e com a CGU. “Em toda fiscalização, o governo tem interesses, mas o que estiver errado temos de denunciar, investigar e fiscalizar, até para sanar os problemas”, afirmou.

        A Comissão de Turismo e Desporto também deverá criar subcomissão para o acompanhamento das obras. O presidente do colegiado, deputado Jonas Donizette (PSB-SP), também anunciou que pretende votar, nas primeiras reuniões, três requerimentos de criação de subcomissões semelhantes. A maior preocupação é garantir que os eventos esportivos deixem um legado para toda a população, especialmente nas áreas de mobilidade urbana e segurança pública.

Transportes
        Outro presidente que manifestou preocupação foi o deputado Edson Ezequiel (PMDB-RJ), da Comissão de Viação e Transportes. Em sua posse, ele afirmou que o volume de assuntos relevantes aumentará nos próximos anos em razão do Mundial de 2014 e dos Jogos de 2016.

        Ele lembrou que esses eventos reforçam ainda mais a necessidade de o Estado colocar à disposição da população diversos serviços de transportes, como rodovias, ferrovias (inclusive o trem-bala), portos e aeroportos. Preocupação semelhante demonstrou o presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano, deputado Manoel Junior (PMDB-PB).

Por José da Cruz às 21h14

Adriano, Edmundo, Euricão e vamos em frente

Por José Antônio Alves

Li os comentários dos internautas sobre uma hipotética ida de Adriano Imperador, para o Vasco.

Talvez, não tenha deixado claro sobre alguns ídolos que já declararam amor à camisa por seus clubes de coração e, mais tarde, vestiram as dos rivais.

Caso de Edmundo e Romário. Edmundo, por exemplo, se identificou muito com a camisa do Vasco, tanto que chegou a perder o emprego no Cruzeiro, após errar um pênalti, em São Januário. 

Sobre Roberto, no Flamengo: o ex-presidente rubro-negro, Márcio Braga, levou a camisa do Flamengo até Barcelona e lá anunciou a sua volta o Rio de Janeiro. Foi capa do Jornal dos Sports, na época.

Foi aí que Eurico Miranda entrou na jogada e trouxe Dinamite de volta para a Colina. Na sua reestréia, no Maracanã, o Vasco goleou o Corinthians, cinco de Roberto. Só para lembrar.

Mas a verdade é a seguinte.

Todos os clubes estão se reforçando para o Campeonato Brasileiro e o Vasco está parado.

Contratou Diego Souza, um jogador de altos e baixos, mas não deixa de ser um nome, um reforço de peso. Adriano ao seu lado poderia dar muita alegrias ao Vasco. 

Já sobre contratações, dívidas e endividamentos: Roberto Dinamite, todos os clubes devem, e uma dívida a mais, não vai significar nada, principalmente se tiver uma boa estrutura de marketing por trás. Ao contrário, pode até ser estratégia par o clube faturar mais.

Você, Dinamite, que sempre foi o ídolo da torcida, não pode deixar a presidência do Vasco sem um título grandioso. Chega de Segunda Divisão. 

 

José Antonio Alves 

Jornalista e vascaíno

Por José da Cruz às 17h27

Esporte perde para a cultura em investimentos das estatais

        Das cinco grandes áreas de investimentos das estatais em patrocínios, a da cultura foi a que mais conquistou recursos em 2010:  R$ 430,4 milhões.

Já nos ciclo de oito anos do governo Lula, entre 2003 e 2010, a área cultural faturou R$ 3,4 bilhões, disparada a líder entre as demais concorrentes: esporte, meio ambiente, social e eventos em geral.

Preferência

        Mesmo com o Brasil se tornando sede dos dois maiores eventos esportivos mundiais, a Copa do Mundo e Olimpíada, ainda assim os eventos culturais permanecem na preferência da destinação de recursos de patrocínio estatal. Os dados são da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).

        O segmento “esporte” recebeu investimentos de R$ 207,6 milhões, isto é, menos de 50% do valor destinado às iniciativas culturais, que receberam R$ 430 milhões.

        Nos oito anos de governo do ex-presidente Lula da Silva, o esporte foi contemplado com R$ 1.191,2bilhão, o segundo no ranking, atrás da área cultural, 3,4 bilhões.

        Banco do Brasil, Caixa, Infraero, Petrobras, Eletrobrás,  BNDES, Casa da Moeda, entre outras, estão na lista das 15 estatais (veja lista abaixo) que aplicam em projetos de marketing promocional.

        Conforme a Secom, não há informações individualizadas, isto é, quanto cada estatal destinou para as áreas afins. Isso faz parte de uma estratégia de mercado, em que não divulgar os números de investimentos em projetos de marketing e patrocínios é política das empresas.

Estatais

        As estatais que aplicam em projetos são as seguintes:

        Banco Amazônia     Banco do Brasil

        Eletrosul                Chesf

        Petrobras               BNDES

        Infraero                 Casa da Moeda

        Eletrobrás              Furnas

        Eletronorte            Eletronuclear

        Correios                Banco Nordeste

        Caixa               

Para saber mais:

        Leia aqui reportagem da repórter Amanda Costa, da ONG Contas Abertas.

Por José da Cruz às 16h32

Vasco da Gama: agora vai

        Depois que meu amigo e ex-colega de Correio Braziliense, José Antônio Alves, lançou Adriano para jogar o Vasco, recebi a ligação de um torcedor sugerindo a volta de Eurico Miranda à presidência do Clube.

        Agora vai

Por José da Cruz às 16h25

Adriano no Vasco

Por José Antônio Alves 

Adriano poderia ser a solução para o ataque do Vasco para o Campeonato Brasileiro.

Até agora o clube de São Januário não encontrou um jogador no mesmo nível do Imperador, que rescindiu seu contrato com a Roma, da Itália, pensando em voltar a vestir a  camisa do Flamengo, clube de seu coração.

Talvez, seja por este motivo que a diretoria do Vasco ainda não se manifestou sobre um possível interesse no Imperador. O que é uma bobagem.

O próprio Roberto Dinamite, atual presidente do Vasco, já vestiu a camisa do Flamengo, quando Márcio Braga tentou a sua contratação ao Barcelona, da Espanha.

Além disso, outros jogadores declararam amor por outros clubes. Edmundo, ídolo vascaíno, e Romário, já foram rubro-negros. Ronaldo, o gordinho, também revelou o seu amor pelo Flamengo e acabou virando corintiano.

Adriano não reforçaria só o ataque do Vasco, mas também o departamento de marketing do clube. E seria um importantíssimo reforço para Roberto Dinamite, que enfrentará eleição em junho.

No Flamengo, assim como o astro Ronaldinho Gaúcho, a presidente Patrícia Amorim também brilha pela ousadia de sua gestão. 

 

José Antonio Alves é jornalista e vascaíno

Por José da Cruz às 12h49

Cartolagem do futebol quer dominar o Conselho Nacional do Esporte

            Um desatento plenário de parlamentares acostumados a votar às pressas sobre o que não lê – e sem debater com tempo necessário – como foi o caso da Medida Provisória 502/2010, acabou aprovando uma espetacular agressão ao esporte nacional.

            Pela MP 502, que se transformou em  Projeto de Lei de Conversão nº 1/2011, a  força da CBF chega ao órgão máximo do Poder Executivo de seu íntimo interesse, o Ministério do Esporte.

            Conforme  PLC 1/2001 – na mesa da presidente Dilma Rousseff aguardando assinatura – o futebol profissional aloja-se no Conselho Nacional de Esporte com CINCO representantes.

            Não fosse pelo abuso de tentar influenciar no órgão máximo de decisões sobre o esporte, devemos considerar – ainda como gravíssimo – que os clubes de futebol já são altamente beneficiados por verbas públicas.

            Destaques para a Timemania, loteria criada para tapar o rombo de cartolas caloteiros junto ao fisco, e a Lei de Incentivo ao Esporte, que já beneficiou mais o futebol profissional que outras modalidades.

Confronto

            O problema maior na composição do novo Conselho Nacional de Esportes é que isso ocorre sem que se conheça os rumos para o setor; ou as prioridades e metas.

            O que temos são ações pontuais do Ministério do Esporte, que corre contra o tempo, com órgãos afins, para evitar o “vexame do pódio” nos Jogos de 2016. Pior: uma das prioridades constitucionais, que trata da educação de nossos jovens, passa ao largo desse ministério.

            A situação ministerial é tão grave, a partir de sua estrutura institucional e funcional, que a lista de Bolsa Atleta de 2010, somente ontem liberada – ainda incompleta – contempla um ex-competidor que foi afastado das pistas devido o comprovado uso de doping. Que tal?

            Pois esse Ministério foi omisso na tramitação da MP 502/2010, sem mobilizar a bancada do governo para evitar que essa agressão fosse aprovada.

            Ora, sabe-se muito bem o poder e a influência do futebol sobre os demais esportes. Principalmente, agora, às portas da Copa de 2014, quando o Senhor Ricardo Teixeira terá muitos de joelhos à sua frente, ansiosos por um espaço na galeria de honra dos notáveis do Mundial.

            Portanto, é perigosíssimo para o esporte brasileiro no seu contexto geral termos um conselho com tamanha penetração do futebol profissional. E isso demonstra como é cada vez mais urgente a discussão sobre uma reformulação geral no sistema, a fim de que o governo se manifeste – ou não – sobre a prioridade para o desporto educacional.  Mas isso não pode ser ação ou decisão isolada de ministério ou partidos.

Esperança

            Na prática de sanções presidenciais têm-se como rotina a análise minuciosa de toda a documentação que vai à assinatura do presidente da República.

            Acredito que os atuais assessores, atentos a essa barbaridade, alertem a  presidente Dilma, e, assim, consiga vetar o abuso da cartolagem do futebol.

A nova constituição do Conselho Nacional do Esporte, segundo o PLC 1/2001

O Ministro de Estado do Esporte, que o presidirá;
1 (um) representante da entidade nacional de administração do desporto da modalidade de futebol;
1 (um) representante de entidade nacional de administração do desporto;
5 (cinco) representantes de entidades de prática desportiva de regiões diferentes do País, sendo 2 (dois) deles da modalidade de futebol profissional;
4 (quatro) representantes de atletas, dos quais 2 (dois) de atletas profissionais da modalidade de futebol;
1 (um) representante do Comitê Olímpico Brasileiro;
1 (um) representante do Comitê Paraolímpico Brasileiro;
1 (um) representante dos árbitros;
4 (quatro) representantes do desporto educacional e do desporto de participação;
1 (um) representante dos secretários estaduais de esporte;
1 (um) representante da Confederação Brasileira de Clubes;
 1 (um) representante do Conselho Nacional de Educação Física.
§ 2º O presidente do Conselho terá como suplente o Secretário Executivo do Ministério do Esporte.

Por José da Cruz às 09h43

O ministro, o discurso e o populismo

         Publiquei na madrugada a análise do companheiro Walter Guimarães, que acompanhou pela internet, aqui de Brasília, o encontro do ministro do Esporte, Orlando Silva, com estudantes, em São Paulo.

         Com o título "Ministro do Esporte mantém chavões e recorre a 'estilo Obama' para entreter alunos", o repórter Thales Calipo, da  UOL, publica reportagem mostrando o perfil do palestrante durante o evento.

         Orlando, como de costume, exibiu-se com estilo populista – que agradava muito ao ex-presidente Lula –, suprindo, com isso, a falta de conteúdo de uma pasta, ainda esvaziada de política efetiva para o esporte.

         Confira o texto de Thales Calipo aqui.

Por José da Cruz às 08h36

Copa 2014: imprensa estrangeira repercute problemas no Brasil

O atraso nas obras, os desencontros e indecisões políticas, a falta de respaldo às operações bancárias  para a construção dos estádios para a Copa 2014 já repercute na imprensa internacional.

            Quem conta sobre o assunto são os companheiros da Sinaenco (Sindicato a Arquitetura e Engenharia), que tem um dos portais mais completos, fora os oficiais, de acompanhamento das obras da Copa. 

            O noticiário destaca que alguns estádios – entre eles o de Brasília – podem se tornar “elefante branco” ao findar os jogos do Mundial.

            Confira aqui o noticiário no exterior.

Por José da Cruz às 01h04

Ministro Orlando Silva revela-se mais político e menos esportista em encontro com universitários

Por Walter Guimarães 

            É preocupante o quadro do esporte brasileiro se forem levadas em consideração as palavras do ministro do Esporte, Orlando Silva, em palestra na Universidade Nove de Julho (UNINOVE), hoje à noite, em São Paulo.

            O tema, divulgado previamente foi: “O esporte no Brasil na era da Copa e da Olimpíada – O desenvolvimento do Esporte em São Paulo”. Acompanhei a fala ministerial via internet e me parece que o tema central passou ao largo.

O que foi dito?

            Inicialmente o ministro procurou passar os objetivos a serem alcançados com a realização dos grandes eventos esportivos no país. Pela ordem: 

  1. Promoção do país no exterior: “O mundo não nos conhece, pensam que somos apenas exportadores de commodities”  
  2. Melhorar a infraestrutura das cidades: “O foco é a mobilidade urbana, melhorar os transportes de massa”;
  3. Desenvolver  a cultura esportiva no Brasil: “O país tem déficit de infraestrutura esportiva” 

            Isso deixa clara a preocupação dos eventos como negócio.

            Outros pontos da noitada cultura-esportiva que anotei e merecem destaque foram: 

Abertura da Copa 2014

            Referindo-se à melhoria na infraestrutura das cidades, o ministro afirmou que “já temos dia e hora para o início da Copa, só falta estádio”. Disse isso olhando para os integrantes da mesa, entre eles o secretário de Esporte do Estado de SP, Jorge Pagura.

            Ao responder uma pergunta sobre a construção estádios, candidatos a  elefantes brancos no pós-Copa, o ministro não esqueceu da sua terra natal. “Salvador ainda pretende ser sede da abertura. Para tanto utilizaria instalações provisórias”, que seriam desmontadas após a Copa do Mundo. 

Bolsa Atleta

            Enfatizou que o Ministério teria liberado a lista com os atletas contemplados com tal benefício, mas não perdeu a oportunidade de cutucar Estados e Municípios para se juntarem ao governo federal no auxílio aos atletas. 

Jogos Olímpicos

            O discurso de uma boa participação brasileira na Olimpíada Rio-2016 parece mudar, ao afirmar que o evento é o “ponto de partida” para um novo modelo de esporte de alto rendimento.

            Ponto de partida? Impressionante, pois desde 2009 já se sabe que o país será sede. Por que não preparar o tal “ponto de partida” para 2012? 

Esporte e Educação

            A fala do ministro sobre o tema foi a melhor possível, pena não ser a realidade mostrada nos últimos anos. O discurso foi assim:

            “Com o PAC 2, escolas públicas com mais de 500 alunos receberão novas quadras ou terão suas quadras esportivas reformadas”.

            Entenderam? como se novas instalações fossem mudar a realidade, sem um trabalho e orientação pedagógicos voltados para essa prática. Além disso, o ministro nada falou sobre a contratação de professores para receber milhares de alunos nessas quadras. Deve faltar combinar com o Ministério da Educação, claro. 

Obras de mobilidade urbana em SP

            O ministro também comentou sobre as melhorias a serem feitas em São Paulo “que passam pelo bairro de Paraisópolis”, ao lado do estádio do Morumbi.

            Será que não haverá uma mudança para as proximidades de Itaquera, onde tudo leva a crer que será construído o novo estádio do Corinthians??

             Apesar que, se forem levadas em consideração as informações do portal do Governo para a Transparência da Copa, realmente as obras serão as localizadas na zona sul da cidade. Não foram feitas atualizações após a retirada do Morumbi.

            Assim, se a palestra realmente abordou o tema proposto, de mostrar o esporte brasileiro em tempos de grandes eventos, a situação continua preocupante.

            Mas se o evento na UNINOVE for levado em conta como mais um momento político, daí nada muda. 

Exemplo a seguir

            Isso fica claro quando se escuta que o estádio Fonte Luminosa, de Araraquara, é um exemplo de arena a ser seguido, somente porque o deputado estadual Edinho Silva, ex-prefeito daquela cidade, compunha a mesa universitária; ou: mesmo que precisemos construir arenas multiuso, como na Europa, onde alguns estádios recebem “entre 700 e 800 eventos por ano”, um dado totalmente inverídico, repassado pelo representante da Federação Paulista de Futebol, Rogério Caboclo. Para comprovar basta acessar o site do Stade de France, construído para a Copa de 1998.

 Para concluir

            Vale citar que o ministro Orlando Silva aproveitou para alfinetar o governador do Distrito Federal, seu ex-camarada de partido, Agnelo Queiroz, ao confirmar que ainda conversa com certos governadores. Sem se referir ao seu antecessor no Ministério do Esporte, Orlando lascou:

            “Camarada, faz um estádio menor, não há por quê ter um estádio para 70 mil torcedores…” 

            Taí o recado, Agnelo.

Walter Guimarães é jornalista e colaborador do Blog do Cruz

Por José da Cruz às 00h02

Ronaldo, para ministro do Esporte

            No novo CQC -- Custe o Que Custar --, que está no ar neste momento, na Band, o ex-craque Ronaldo Nazário é um dos âncoras.

            Depois de uma intervenção do deputado Romário, Ronaldo lascou:

                  “O esporte no Brasil está completamente abandonado”

            Como é que é?

            Completamente abandonado?           

            E dando a entender que é otimista, concluiu:

                 “É que sou muito preocupado com minha classe. A classe de  aposentado...”

            Agora, só falta a campanha: "Ronaldo para ministro do Esporte"...    

Por José da Cruz às 23h21

14/03/2011

Bolsa-Atleta: vem aí a terceira lista de contemplados

O Ministério do Esporte informa:

Vem aí a terceira lista dos contemplados com a Bolsa-Atleta 2010.

A primeira saiu no ano passado, com os nomes dos olímpicos e paraolímpicos.

A segunda lista é a de hoje. Já a terceira, “em data a ser divulgada”, contemplará os atletas das modalidades não olímpicas.

A informação, a seguir, é da Secretaria de Esporte de Alto Rendimento, do Ministério do Esporte, em resposta às perguntas que fiz.

“A lista ainda passará pelo Conselho Nacional de Esporte e será publicada em data a ser fixada. Trabalhamos para que seja o mais breve possível”.  

Bolsa e doping

            O atleta José Alessandro Bagio, apesar de constar da lista dos contemplados com a Bolsa Atleta hoje divulgada não receberá o benefício.

Atleta suspenso e sem competir não recebe bolsa. Por favor, veja nota no site do Ministério”, informou Marco Aurélio Klein, da Secretaria de Esporte de Alto Rendimento.

Ora, trata-se de um atleta “irregular”. Então, porque constou da lista?

Não deveria ter sido eliminado na fase de inscrição?  

Mais: minha consulta sobre o assunto – alertado pelo amigo e técnico de atletismo, Nilson Duarte Monteiro – foi feita pela manhã e a “nota” entrou no site do Ministério do Esporte às 14h50.

Lamentável a falta de humildade em reconhecer a falha.

Finalmente: mesmo os patrocinados já podem receber a Bolsa, ao contrário do que ocorria até agora. Isso porque o Ministério do Esporte já adotou a Medida Provisória 502, que permite aos bolsistas acúmulo de rendas.

Por José da Cruz às 17h57

Os rumos do esporte no Brasil

            Os rumos do esporte no Brasil serão debatidos hoje na Universidade Nove de Julho (Uninove), em São Paulo.

            O comando do debate será do ministro do Esporte, Orlando Silva, que na primeira parte da reunião fará palestra sobre o tema “O esporte no Brasil na era da Copa e da Olimpíada – O desenvolvimento do Esporte em São Paulo”.

            Local: Auditório do Campus Memorial

            Horário: 19h

            Informações: www.uninove.br

 

Por José da Cruz às 15h43

Ministros na corda bamba

O Globo de ontem publicou reportagem assinada pelo companheiro Gerson Camarotti, sobre o “descontentamento de Dilma com alguns ministros já chama a atenção em Brasília”

A reportagem “Ministros em alta e em baixa” diz o seguinte:

BRASÍLIA - Com menos de cem dias de governo Dilma Rousseff, a cotação de integrantes do primeiro escalão já chama atenção no meio político em Brasília, com ecos no Palácio do Planalto, e é uma sinalização clara para a primeira reforma ministerial do atual governo. O ajuste no primeiro escalão do governo Dilma pode ocorrer antes mesmo do prazo padrão "de validade", que é um ano de gestão. Em apenas dois meses de governo já corre nos bastidores uma avaliação informal da baixa atuação de alguns ministros: ou pela omissão ou por desempenho sofrível em crises pontuais ou mesmo pela ausência completa de desempenho. Mas também há um grupo de ministros que causou impressão acima da esperada na presidente Dilma.

Entre os que estão na coluna palaciana de "débitos" aparecem os ministros da Cultura, Ana de Hollanda, da Educação, Fernando Haddad, do Turismo, Pedro Novaes, dos Esportes, Orlando Silva, e até mesmo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. (grifo meu).

Já entre os que estão com cotação alta se destacam o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, que está muito afinado com Dilma, e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, que já mereceu elogios da presidente pela atuação ágil diante das tragédias ambientais pelo país.

Essa cotação é o principal indicativo do que ocorrerá na primeira dança das cadeiras da Esplanada dos Ministérios do governo, ressaltou ao GLOBO um interlocutor frequente da presidente Dilma. Desde a transição de governo, a primeira equipe já era considerada provisória. Isso porque Dilma teve que ceder aos interesses dos partidos políticos e aceitar várias das indicações feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nesses exemplos estão os ministros Fernando Haddad, Orlando Silva e Guido Mantega. A situação de Haddad ficou desconfortável ainda em janeiro, depois da crise por causa das falhas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Mesmo afinado com as determinações de Dilma, no auge da crise do MEC, ainda é grande o incômodo no Planalto com as sucessivas falhas.

A situação de Orlando Silva é ainda mais delicada. Dilma queria que o PCdoB tivesse indicado a deputada Luciana Santos (PE) para o Ministério dos Esportes, o que não aconteceu. Além disso, o Planalto identificou uma articulação de Orlando Silva, com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), para enfraquecer o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, escolhido por Dilma para o comando da Autoridade Pública Olímpica (APO). Para amenizar a crise, a cúpula do PCdoB teve um jantar com Dilma no Palácio da Alvorada há duas semanas. (grifo meu)

O titular da Fazenda foi aceito por Dilma por imposição de Lula e ela tem boa relação com ele, mas a presidente vai nomear para o cargo o atual secretário-executivo da pasta, Nelson Barbosa, na primeira oportunidade. No núcleo do governo, chamou a atenção o fato de Dilma ter desautorizado publicamente Mantega, ao falar de improviso pela primeira vez, por ocasião do anúncio do crescimento do PIB de 7,5% em 2010. Ela explicitou a preocupação do governo com a inflação depois de Mantega ter afirmado que o corte orçamentário não tinha a inflação como alvo direto.

Por José da Cruz às 13h09

Bolsa-Atleta: dúvidas que faltam esclarecer

           A fim de melhor informar os leitores e interessados sobre o assunto, encaminhei ao setor de Bolsa Atleta do Ministério do Esporte pedido de esclarecimentos sobre as seguintes dúvidas.

      1.  – José Alessandro Bagio está, de fato, confirmado como bolsista, apesar de suspenso por uso de doping, segundo a Confederação de Atletismo?


2. - a fim de calcular o percentual de atletas contemplados, quantos se candidataram à bolsa?


3. - sobre o pagamento de 2010: procede a informação de que 700 atletas não receberam o pagamento da Bolsa? Em caso positivo, qual o motivo?


4. – Qual o motivo de os caratecas e patinadores, por exemplo, terem ficado fora da lista dos bolsistas 2010? As candidaturas não preencheram os requisitos?

      5. – Procede a informação que a Justiça Federal do Rio Grande do Norte determinou a inclusão de um jogador de futebol de areia na lista contemplados pela Bolsa-  Atleta? É o mesmo futebol de 5?

Por José da Cruz às 12h39

Bolsa-Atleta contempla competidor suspenso por doping

       O atleta que abre a lista dos contemplados com a Bolsa-Atleta 2010, o catarinense José Alessandro Bernardo Bagio, foi suspenso pela Confederação Brasileira de Atletismo em 9 de dezembro de 2010, por uso de doping.

       Bagio, 13º lugar na prova de marcha atlética, nos Jogos Olímpicos de Pequim, abriu mão da análise da prova B de sua urina, que testou positivo para a substância 19-Norandrosterona, em duas ocasiões: fora de competição, na cidade de Timbó (SC) e em 15 de setembro de 2010, durante o Troféu Brasil, em São Paulo.

       Apesar dessa gravidade, Bagio receberá R$ 2.500,00 mensais, pois foi inscrito na categoria “Olimpíca”. A lista do Ministério registra o nome José Alexandre Bernardo Bagio, mas o correto é José Alessandro, conforme a Confederação Brasileira de Atletismo.

       Estou consultando o Ministério do Esporte sobre o assunto. 

Por José da Cruz às 09h57

Bolsa-Atleta: a lista dos contemplados, enfim!

       Com 73 dias de atraso, os nomes dos 3008 contemplados com a Bolsa Atleta de 2010 estão publicados no Diário Oficial da União de hoje e podem ser consultados nos seguintes endereços:

      http://www.esporte.gov.br/arquivos/snear/bolsaAtleta/potaria2203032011.pdf      

      ou

       http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=77&data=14/03/2011    

       A portaria, de número 22, é de 3 de março. Ou seja, confirma-se o que aqui publiquei: esperava apenas pela assinatura do ministro do Esporte, Orlando Silva, que demorou 11 dias para isso.

         Segundo o documento a Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Hoje, portanto. Mas não faz referência se serão pagos os valores atrasados de janeiro e fevereiro, nem diz nada a respeito ao pagamento dos bolsistas de 2009 que nada receberam em 2010. Sobre isso, consultarei o setor competente do Ministério do Esporte.

Por José da Cruz às 08h06

13/03/2011

A propósito da prática do panna knock out

Recebi dos advogados do Instituto Plataforma Brasil, que desenvolve o Panna Knock Out – espécie de futebol de rua –, com sede em São Paulo, “notificação extra-judicial” para que me retrate diante do que escrevi em fevereiro, quando critiquei a aprovação de projeto via Lei de Incentivo ao Esporte.

Se voluntariamente publicar um desmentido daquilo que assinei estarei contradizendo toda minha indignação sobre o assunto. E eu não sou de mudar idéias. Mesmo porque não houve desrespeito à modalidade ou aos seus diretores, mas ao Ministério do Esporte, conforme escrevi e agora reitero.
        Houve, antes do protesto veemente do jornalista, a indignação do contribuinte, do pagador de impostos, ao questionar sobre a destinação de recursos públicos para o esporte via Lei de Incentivo  administrada pelo Ministério do Esporte.
        Em resumo:

A matéria em questão – “Dinheiro público financia o Panna Knock Out Brasil” – refere-se à aprovação de projeto para captar R$ 785 mil destinados a desenvolver o esporte. Nada contra manifestações esportivas brasileiras ou não.

        Minha indignação, que persiste, é contra a forma de atuação do Ministério do Esporte, que reclama a falta de recursos para cumprir suas metas, e até atrasa o pagamento da Bolsa Atleta, como temos discutido neste espaço e, no entanto, contribui para financiar, com dinheiro de isenção fiscal, atividades de lazer.

        Ora, se o Panna Knock teve sucesso em suas pretensões de aprovar o projeto – apesar de não ter captado o valor correspondente, é verdade – é porque se enquadrou nos critérios exigidos pelo Ministério do Esporte. E aí é que, insisto: que critérios são esses que destinam dinheiro num lazer de rua, enquanto o país clama por falta de quadras, ginásios, pistas, piscinas, bolsas etc?

        A poucos metros do Ministério do Esporte, o Centro Olímpico da Universidade de Brasília tem áreas em total abandono. Faltam recursos para recuperar duas pistas de atletismo e duas piscinas. E a UnB é um órgão educacional ligado ao Governo Federal, como o Ministério do Esporte. E a histórica UnB, que mantém prestigiado curso de Educação Física, precisa alugar piscinas de clubes sociais para as aulas práticas de seus alunos.

        No entanto, o Ministério do Esporte ignora essa realidade. E, pior, pela mesma Lei de Incentivo ao Esporte financia clubes de futebol profissional, com milionárias verbas do imposto de renda que o governo abre mão: São Paulo, Santos, Ponte Preta, Atlético MG etc, estão formando jogadores com dinheiro público para,mais tarde, negociá-los e enriquecer seus patrimônios clubísticos. É o dinheiro da isenção fiscal financiando uma atividade altamente profissional e reconhecidamente rentável.

        Por isso, transcrevo o que publiquei naquela mensagem de fevereiro, quando questionei a destinação da verba pública em comparação com a seguinte realidade:

          1.   – a falta dinheiro para pagar a Bolsa Atleta;

2.   – a falta dinheiro para instalar áreas de esportes nas escolas;

3.   – a falta, prioritariamente, de escolas para muitos...

4.   – Num país em que o governo federal busca reduzir gastos cortando no Orçamento da União, como fez recentemente sob orientação da Presidente Dilma Rousseff.

        Diante disso, não há respeito na aplicação dos impostos que pagamos?

        Só isso serve para demonstrar – repetindo o que escrevi – nas mãos de quem está o rumo do esporte brasileiro, do país que receberá uma Olimpíada.

E até indaguei se, na tal aprovação, havia comissão. Não no sentido financeiro, como interpelam os advogados do Instituto Plataforma Brasil, mas uma comissão que julgue os processos dos candidatos aos recursos. Existe isso ou a decisão é individual de quem analisou cada processo?

Lendo a ata das reuniões do programa Bolsa Atleta constatei que há, sim, uma comissão específica, presidida por Ricardo Cappelli. Mas cada processo é analisado por um relator. Logo, a decisão, inicialmente, é individual, mas se torna coletiva ao ser aprovada pela comissão em reunião aberta.

Portanto, com o devido respeito aos senhores do Instituto Plataforma Brasil, está bem clara minha indignação com o Ministério do Esporte. Que não é de hoje nem apenas dessa ação, mas no conjunto de uma administração altamente politizada, que nos leva a situações de retrocesso na gestão da verba pública. De tal forma que a pasta do ministro Orlando Silva é incapaz de executar 50% de seu orçamento anual, ficando em míseros 39%, como ocorreu nos dois últimos anos.

Por José da Cruz às 21h20

Atletismo: já temos promessas para 2016. Agora vai?

Por Fernando Franco

      Sobre o programa da SporTV de sábado, mostrando os rumos do nosso atletismo para as próximas olimpíadas, fiz uma breve análise, que coloco em discussão.

Revezamento

      Fiquei triste com a declaração de que o revezamento 4x100m precisa de um atleta com 35 anos (Vicente Lenilson) para conseguir sucesso na prova. Mas, o que fizeram os técnicos que, em 10 anos, não descobriram ou treinaram alguém com mais de 30. Quando o Brasil foi  prata em Sydney, em 2000, algum dos quatro velocistas tinha 30 anos?  

Tecnologia

      Desculpe técnico Nakaya, mas creio que não é preciso uso de tecnologia para verificar a posição do atleta no bloco de partida e erros de postura na hora da saída para os 100 metros. Nossos melhores velocistas, entre eles o recordista na distância, Robson Caetano (10s), o técnico corrigia sua posição observando-o à uma distância de 15 a 20 metros. Robson continua recordista da prova.

Esporte na escola

      Chamou atenção a declaração do técnico Nélio Moura, de que a escola se afastou do esporte. Ele foi educado. Na realidade, foi o contrário: os filósofos da educação formal é que sumiram com a prática esportiva na escola.

Potencial e promessas

      Segundo a reportagem da SporTV, o Brasil tem 46 milhões de jovem de 0 a 15 anos. No entanto, só temos cinco promessas para 2016? Para efeito de cálculo, se ficarmos com o que chamo de “população de possíveis atletas”, ai incluídos nossos alunos da 5ª série ao 3° ano do ensino médio, temos em torno de 24 milhões de jovens, Brasil afora. No entanto, nossa força no atletismo para 2016 são apenas cinco promessas?

Conquistas

      Em 10 anos, entre 1999 e 2009, conquistamos oito medalhas em campeonatos mundiais menores. Já na categoria juvenil foram seis, entre 1986 e 2010, isto é, 24 anos. Prazos e conquistas são índices altos ou baixos para o tamanho de nossa população?É muito ou pouco? Se aprofundarmos a análise, vamos observar que, a falta de mais competidores e, consequentemente, de resultados está intimamente ligado à falta da prática de educação física na escola; ao limitado número de pistas de atletismo, etc.

Atletas

      Sobre as promessas para 2016: é oportuna uma volta ao passado recente, quando vários atletas já foram citados também como “promessas”. As marcas e números aqui citados são obtidas nas páginas da CBAt e IAAF. Entre parêntesis, a data de nascimento do atleta:

Masculino:

      Júlio César de Miranda (04.02.1986) – lançamento de dardo: em 2003, foi campeão mundial menor, com 81,16m com dardo de 700gramas, por onde anda?

      Cleiton Dias Sabino – (09.11.1980). 2005 foi medalha de bronze no Mundial menor no octatlo. Por onde anda?

      Thiago Carahyba Dias – (02.03.194): 2001, campeão no Mundial menor do salto em distância, com 7,72m. Por onde anda?

FEMININO

      Vanda Gomes – (07.11.1988) – 2005, 5° lugar no Mundial com 23s73, nos 200m. E 2° no mundial juvenil em 2006, com 23s59. Por onde anda?

      Rosangela Santos – 2007, segunda colocada nos 100m do Mundial Menor, com  11s46; 2008, ficou em quarto no Mundial Juvenil, com 11s63; A marca piorou. Por onde anda?

      Barbara Leôncio – (07.10.1991) – Em 2007, foi medalha de ouro no Mundial Menor, com 23s50, nos 200m. Em 2008, ficou em sexto lugar na semifinal dos 100m, com 11s76; em 2010: terceira na semifinal dos 100m, com 11s78; e quarta na semifinal dos 200m, com com 23s86.

      Duas atletas que se destacam na prova dos 100 metros, a partir de 2000:

      Tatiana Regina Inácio, 8° no Mundial juvenil de 2000, com 11s84;  em 2002 ficou em quinto lugar na mesma prova, com 11.79.

      Franciela Krasuski das Graças – em 2004, classificou-se na semifinal em sétimo, tempo de 11s96, nos 100m. Já nos 200 metros ficou em quinto, 5° com 24.22; foi sétima na final dos 100, com 11.71. Por onde andam Tatiana e Franciela?

      Observem que só citei atletas que competiram  a partir de 2000. Vários ficaram entre os finalistas nos Mundiais menores e juvenil. Mas não se destacaram na categoria adulta. 

Fernando Franco é pesquisador de esportes e do Centro de Estudos de Atletismo, que criou, em Brasília.

Por José da Cruz às 17h57

Camaradas

Na Folha de S.Paulo, hoje

Com Orlando Silva Júnior , maior programa do Ministério do Esporte quadruplica verba para sua base política em SP e beneficia aliados do PC do B

RODRIGO MATTOS
ENVIADO ESPECIAL A BOTUCATU, ITU E SÃO CARLOS

       Em cinco anos de gestão, o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., concentrou verbas do maior programa da pasta em prefeituras aliadas do PC do B em São Paulo, que compõem sua base política.
       O Esporte e Lazer na Cidade - programa de infraestrutura esportiva- quadruplicou o investimento em cidades paulistas, de R$ 9,5 milhões para R$ 42,7 milhões.
Das 13 cidades que ganharam mais de R$ 1 milhão em um ano, 11 têm o PC do B na coligação que venceu a última eleição municipal.
       Com Silva Jr., esses onze municípios receberam R$ 50,3 milhões para estádios, ginásios, quadras e praças.
       São cidades como São Carlos. Com cinco projetos aprovados, o município recebeu R$ 2,1 milhões em 2010.
       E os desembolsos devem aumentar, visto que o centro olímpico tem custo total de R$ 30 milhões. O ministério aprovou até agora R$ 2,9 milhões para pista de atletismo.
O PC do B é o aliado mais próximo do prefeito petista Oswaldo Barba, como havia acontecido com o seu antecessor, Newton Lima.
       "No governo federal, o importante é ter projeto", afirmou o secretário de Planejamento de São Carlos, Rosoé Donato. "Cidade de oposição também tem recebido."
Mas Donato reconheceu que São Carlos conta com a "simpatia" de Silva Jr., que já visitou a cidade duas vezes.
       Segundo o secretário, o prefeito "tem reconhecimento em Brasília". E cita a influência dos deputados federais petistas Newton Lima e Edinho Silva para obter verbas. Do governo estadual, do PSDB, não ganha nada.
       Ex-prefeito de Araraquara e aliado do PC do B, Edinho Silva obteve do ministério cerca de R$ 20 milhões em dois anos. Quase tudo foi para o estádio Fonte Luminosa, que abriga a Ferroviária, da segunda divisão do Paulista.
       Também está no círculo político do ministro o prefeito de Itu, Herculano Passos Jr. (PV). A cidade ganhou R$ 2,1 milhões no ano passado, uma parte dos R$ 4,8 milhões necessários para a reforma do estádio Novelli Jr.
       O PC do B também estava na coligação que elegeu Passos Jr.. Mas o secretário de esporte, Antônio Carlos Bertagnolli Jr., disse que o partido não o ajudou a obter verbas.
"O ministro é amigo pessoal do prefeito. O Orlando conhece bem a região, pois tem casa em Campinas", disse Bertagnolli, que ressaltou ter um projeto consistente.
       O prefeito havia prometido apoiar campanha do ministro a deputado federal. Como Silva Jr. não concorreu, Passos Jr. deu suporte à candidatura de Gustavo Petta (PC do B), cunhado do ministro.
       O irmão da mulher de Silva Jr. não foi eleito e continuou como secretário de Esporte em Campinas. O município fez um centro olímpico com R$ 7 milhões do ministério.
O acordo foi firmado no início de 2008, na administração de Hélio de Oliveira Santos (PDT). Um ano depois, Petta virou secretário.
       Apesar de ser administrada pelo PSDB, Botucatu recebeu R$ 1,7 milhão em 2010 para estádio e praça de esporte. O prefeito João Cury se elegeu com apoio do PC do B.
Tanto que o secretário de Esporte, Antônio Carlos Pereira, é do partido. Ele nega influência do PC do B na liberação de verbas.
       "Ajuda a relação política, mas tem que haver a necessidade do município", disse.
Sem ligação com o partido do ministro, São Paulo, capital, ganhou R$ 857 mil em cinco anos de gestão de Silva Jr.. Isso representa menos de 1% do total dado ao Estado.

 

Ministério nega motivação política para investimentos

       O Ministério do Esporte afirmou que não leva em conta os partidos nas gestões das prefeituras quando aprova projetos do programa Esporte e Lazer na Cidade.
       "Não há análise de coligação ou de partido político do prefeito para definir investimentos", afirmou a assessoria do ministério do Esporte.
       A declaração foi feita em relação ao dinheiro destinado a São Paulo e a todo país.
A pasta defendeu que o crescimento do dinheiro dado aos paulistas aconteceu juntamente com o aumento das verbas para municípios de outros Estados.
       "Cresceram os investimentos do ministério em todos os projetos e em todos os Estados. A participação do repasse do programa Esporte e Lazer na Cidade, em São Paulo, foi de 13,7% em relação ao Brasil, em 2010", disse.
       Hoje, São Paulo é o Estado que mais recebe dinheiro do programa do ministério.
A respeito do investimento no Estádio Novelli Jr., o ministério declarou que o projeto "cumpriu os critérios estabelecidos pelo Ministério".
       Questionada se o ministro Orlando Silva Jr. é amigo do prefeito de Itu, Herculano Passos Jr., a pasta respondeu que "a ação do ministro é impessoal". "O Ministério do Esporte tem relação institucional com as prefeituras."
       Sobre se as obras no centro olímpico de São Carlos estão atrasadas, o ministério disse que "essa avaliação deve ser feita pela prefeitura".
       Em relação ao secretário de Esporte de Botucatu, Antônio Carlos Pereira, que é do PC do B, a pasta afirmou que ele é "um excelente gestor".
       O Ministério do Esporte disse que o investimento no centro olímpico em Campinas já estava decidido em protocolo assinado em 2005, quando o ministro ainda era Agnelo Queiroz. O convênio oficial foi feito em 2008.
       "Gustavo Petta [cunhado do ministro] assumiu a secretaria de Esporte apenas em 2009. Campinas tem porte econômico, sendo a nona maior região metropolitana do país", afirmou.

 

Por José da Cruz às 17h22

Já temos cinco promessas no atletismo para 2016

         Num dos intervalos do programa sobre os rumos do atletismo, apresentados na noite deste sábado na SporTV, o professor Fernando Franco me telefona para anunciar que já escrevia sobre o que via na telinha. Pediu bom espaço neste blog para tratar sobre o assunto. Concedido, Professor. Suas análises são sempre bem fundamentadas e ótimas para debater.

        Programa bem elaborado, os companheiros da SporTV atacaram nos rumos do atletismo para 2016, pois para 2012 há poucas esperanças de bons resultados, justamente pela falta de nomes de expressão no esporte que deu origem às Olimpíadas.

        Para os Jogos do Rio de Janeiro estamos, hoje, preparando cinco  potenciais revelações. Cinco!

        O mesmo programa abriu afirmando que a última contagem do IBGE identificou que temos 46 milhões de brasileiros com menos de 15 anos. Mas tempos cinco atletas, repito, com potencial para 2016.

        Enquanto aguardo a análise do especialista em atletismo, fico aqui com minha avaliação de leigo: cinco? Que progresso!

Por José da Cruz às 23h52

Esporte e voluntarismo na Austrália

        No mesmo dia em Joaquim Cruz presenteou os leitores deste blog com um artigo sobre o esporte comunitário nos Estados Unidos, recebo um comentário do brasileiro Jorge Knijnik, professor titular em Desenvolvimento Pessoal, Saúde e Educação Física, na distante Austrália.

        Assim como Joaquim, Jorge mostra a importância da prática do esporte comunitário para o desenvolvimento e bem estar da população e, por extensão, para o fortalecimento do esporte.

        Bem vindo a este espaço de debate democrático, Professor Jorge. Obrigado por sua mensagem e pelo artigo que aqui vai publicado.

Por Jorge Knijnik *

        O grande historiador e filósofo do esporte, o australiano nascido em Adelaide, Daryl Adair, uma vez já chamou o esporte de “a vaca sagrada” da Austrália.

        Os brasileiros têm uma visão da Austrália sendo um “paraíso esportivo…”; talvez pela quantidade de medalhas olímpicas e pelo sucesso deste país no esporte de rendimento, ficamos achando que a Austrália deve ser ‘tudo de bom’ nesta área…

        Se você pegar seu carro e sair pelas ruas de Sydney e adjacências em um sábado ou domingo à tarde, irá ver centenas, melhor, milhares de crianças e jovens e adultos e gente de todas as idades, culturas, sexos, cores, jogando uma diversidade incrível de modalidades. Rugby (dois tipos diferentes), cricket, futebol (o ‘nosso’…), futebol australiano (sim, aqui joga-se Australian Football Rules, o ‘footy’), um jogo bem interessante, dezoito de cada lado!

        Com liga profissional, TV, bons salários e bastante gente jogando ‘for fun’ (por diversão), também; netball, baseball (e suas derivações) entre vários outros. No seu passeio, o visitante irá também ver centenas (isso mesmo) de grandes campos gramados (o que eles chamam de “oval’) ocupados por estas pessoas, espaços públicos comunitários para a prática esportiva.

        Para quem gosta, isso é muito legal! Muita gente olhando, jogando, se divertindo, competindo… Mas tem uma coisa que vai chocar o leitor brasileiro, principalmente se ele for professor de Educação Física (como eu, aliás) ou, nos tempos atuais, ‘profissional de EF’, com registro em algum Conselho Regional da área…

        Este esporte de final de semana, praticado por milhares de pessoas, é totalmente organizado, dirigido e coordenado por… voluntários!

        Isso mesmo, managers, organizadores, técnicos e professores são voluntários. Pais ou mães ou pessoas da comunidade que se voluntariam para tocar o time dos seus filhos e filhas; irmãos menores, amigos, tanto para dar treinos, preparar as tabelas, pintar as marcações dos campos, vender na cantina, arrecadar fundos para os clubes, fazer o churrasco, enfim, tudo o que se refere aos clubes onde o ‘esporte de base’, ou o esporte ‘participativo’ acontece,é tocado basicamente por voluntários, sem formação em EF! Aliás, pouca relação a EF tem com este esporte por aqui…
        Chocado? Revoltado? Acha que o Conselho Brasileiro deveria processar todos os sem-registro australianos?

        Olha, mas esta é a tradição aqui, o voluntariado, as pessoas fazendo coisas por sua comunidade. Eu, como bom professor de EF, estranhei no começo – onde estão os profissionais? O que este pessoal entende de movimento humano? Mas me voluntariei para ser técnico de um time de futebol Under -6… Foi uma farra, dirigir aquela molecadinha nos treinos semanais e nos jogos aos sábados de manhazinha … Jogamos mais de duas dezenas de joguinhos de ‘small-sided soccer’, 4X4 com campinho pequeno e golzinho em ‘ovals’ espalhados por Sydney… Sempre com uma intensa vibração da comunidade voluntária organizando tudo.

        Mas a pulga continuava atrás da minha orelha. Afinal, voluntários não entendem muito de esporte…

        A resposta veio neste verão, quando uma tragédia natural quase que destruiu a terceira maior cidade australiana: Brisbane, capital de Queensland, foi inundada pelo rio que corta a cidade. Eles chamaram isso de ‘Tsunami in-land’, realmente, horrível e impressionante a destruição…
        Momentos de tristeza e terror.
        Quando as águas abaixaram um pouco, as pessoas começaram a voltar para suas casas, alagadas, destruídas, cheias de lama, etc… E simplesmente começou um trânsito nas entradas da cidade, lotadas, entupidas por nada menos que 24.000 (isso mesmo, vinte e quatro mil) voluntários, que saíram de suas casas por toda a Austrália, pegaram seus carros, pegaram aviões, para ajudar a reconstrução da cidade… Velhos, mulheres, crianças, gente de todas as culturas, nacionalidades, sexos, idades… Algo lindo, impressionante, tocante!

        Ai eu entendi aonde nasce este espírito voluntário… É que nos campos esportivos se aprende muito mais do que técnicas esportivas ensinadas por profissionais, se aprende a construir uma alma comunitária!

        Na próxima vez, vou falar das maluquices que os australianos fazem sobre esportes… e compará-las com os sul-americanos… Quem será mais louco?

Jorge Knijnik é doutor em Psicologia Social (USP), e professor da School of Education at University of Western Sydney (Austrália). É autor de Gênero e Esporte – masculinidades e feminilidades (Apicuri)
Para saber mais:
http://www.apicuri.com.br/interna.php?ID_Materia=95

 

http://www.uws.edu.au/education/soe/key_people/academic_staff/senior_lecturer_jorge_knijnik

 

Por José da Cruz às 23h12

12/03/2011

O atletismo a cinco meses do Mundial da Coreia do Sul

      Às 22h deste sábado a SporTV apresentará reportagem sobre o atletismo brasileiro, a cinco meses da realização do Campeonato Mundial, em agosto, no estádio olímpico de Daegu (foto), na Coreia do Sul. 

        O repórter Marcos Peres e equipe trabalharam na produção do programa a partir do Troféu Brasil de Atletismo de 2010.

        O programa reporta-se ao escândalo do doping, em 2009, inauguração de pistas de atletismos e a apresentação de talentos cotados para o pódio em 2016.

        “Para 2012 o panorama não é animador”, reconheceu Marcos Peres, em entrevista ao Redação SporTV.

        Destaque para Caio César Fernandes, ouro no salto em distância nos Jogos da Juventude. É treinado por Nélio Moura, e tem potencial também para os 100m rasos.

        Tiago Braz, do salto com vara, com 16 anos, prata nas olimpíadas da juventude também é outro atleta que estará no programa de amanhã. Foi prata nos Jogos da Juventude.

         O professor Fernando Franco, do Centro de Estudos de Atletismo, em Brasília, acompanhará o programa e fará uma análise sobre o assunto, que aqui publicarei.

Por José da Cruz às 13h25

Esporte: um direito de todo mundo

      Com grande prazer publico um texto enviado pelo nosso campeão olímpico, Joaquim Cruz. Ele narra, com um pouco de alma emotiva de pai, como o esporte é praticado na comunidade e escolas norte-americanas. Nada difícil e que aqui, inclusive, poderia ser feito se tivéssemos, inicialmente, decisão de governo.     

        Confiram:       

       Neste mês de Março muitos jovens americanos têm a oportunidade de participar das finais de várias modalidades de esportes nas comunidades, escolas e clubes.

       Meus dois filhos, Kevin, de 17 anos, e o Paulo, de 14, praticam esportes na comunidade, escolas e clube, nesta ordem. O Ginásio da escola também serve para o Clube, no período após as aulas.

       No sábado passado, a equipe do meu filho mais novo foi campeã de basquete no campeonato promovido pelo Centro Comunitário no meu Bairro. O treinador voluntário foi o Kevin, pela segunda vez. O ginásio do Centro Comunitário estava lotado com famílias e amigos. O jogo foi super equilibrado e conseguimos vencer por três pontos.

       Na semana retrasada, a equipe do Kevin havia sido eliminada das finais do campeonato de basquete do segundo grau.

       Agora, para Kevin, o jogo rendeu a sua primeira vitória como treinador voluntário da comunidade. Isto terá um peso importante quando ele montar o currículo nas aplicações para as universidades, no final do ano que vêm.

       Para o Paulo, eu não sei ainda. Ele anda atrás do meu recorde de 48 pontos obtida numa final de basquete do segundo grau. Ele tem a mira afinada na linha de três pontos. Acredito que isto logo acontecerá.

       Para mim o jogo marcou o último ano dos meus dois filhos participando dos esportes para jovens na comunidade onde moramos. 

       Os seis anos custaram muitas horas de dedicação e muitos quilômetros rodados, mas também nos renderam e tem rendido experiências extraordinárias que ficarão marcadas para sempre em nossas vidas.

       Tanto o Kevin como o Paulo querem estudar e jogar basquete numa universidade.

       Eu não sei se eles seguirão carreira no esporte durante e após a faculdade. Mas eu e minha esposa temos certeza que a prática esportiva está firmemente incluída na vida deles.

       Moral da história: A prática do esporte deveria ser simples e acessível para todo mundo, inclusive para os nossos jovens estudantes brasileiros.

Nota do blogueiro:

Parabéns a Joaquim Cruz, que neste 12 de março completa 48 anos. Apesar de morar nos Estados Unidos, ele não perdeu o vínculo com suas origens, Taguatinga, onde mora sua família. Aqui em Brasília mantém uma ONG, que leva o seu nome, e atualmente atende a 150 garotos (foto), em parceria com a Caixa Econômica Federal e apoio da multinacional Nike.

 

 

 

 

Por José da Cruz às 00h23

11/03/2011

Copa do Mundo - debate em Brasília

Copa 2014 – Seminário

 

O Direito à Cidade e o Impacto dos Megaeventos

nas Comunidades do Distrito Federal

 

Dia 12 de março, sábado, às 14h

 

No Museu Nacional da República

 

José Cruz - jornalista esportivo, blogueiro do UOL

 

Carlos Vainer - Professor de Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Rural da UFRJ

 

Gilda Carvalho - Procuradora dos Direitos do Cidadão

Tânia Battella - Arquiteta

 

Representante do MST (moderador)

 

Local: Museu Nacional da República

 

Organização: Comitê Popular da Copa no DF

 

http://www.acopanodf.blogspot.com/

Por José da Cruz às 16h06

Olimpíadas 2016: cuidados psicológicos e físicos de policiais custarão R$ 9,6 milhões

       A preparação do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016 envolve um sofisticado programa que chega aos detalhes de cuidar, por exemplo, da “melhoria psicológica e física dos policiais militares”. Para tanto estão previstos investimentos de R$ 9,6 milhões, verbas dos governos federal e estadual

       A informação foi obtida no Portal da Transparência dos Jogos Rio 2016, elaborado por técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU). A exemplo do que ocorre com o controle dos gastos para as obras da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, a CGU disponibiliza planilhas de responsabilidades dos governos federal, estadual e municipal, com os respectivos prazos de execução e valores a serem investidos nas diferentes áreas.

       A reportagem completa, que escrevi com a colega Amanda Costa, da ONG Contas Abertas, está aqui.

Por José da Cruz às 10h51

Mais uma semana e a Bolsa Atleta continua um mistério no Ministério

        E lá se vai mais uma semana - três meses de atraso - sem que o Ministério do Esporte tenha divulgado o que é de sua obrigação: o nome dos contemplados com a Bolsa Atleta, para que comece, logo, o pagamento das parcelas devidas.

        A promessa, agora, é para segunda-feira que vem, quando será 14 de março.

Explicações

        Ontem, o diretor da Secretaria de Esporte de Alto Rendimento, Marco Aurelio Klein me telefonou. Educado, como sempre, ele é uma espécie de “relações públicas”. É o que tem o compromisso de mostrar que um problema não é tão grande assim e que tudo será resolvido.

        É o titular escalado para explicar a sobre a incompetência ministerial de forma a não deixar mal seus superiores. Fez o mesmo ao conversar com mães de atletas, aflitas e na expectativa de verem os nomes de seus filhos contemplados e recebendo a bendita bolsa.

        Os argumentos apresentados por Marco Aurélio, como já havia me dito pessoalmente, são todos válidos, inclusive a grandiosidade do programa, as dimensões do Brasil para as relações com atletas, a atualização de critérios etc, etc, etc.

        Mas nada justifica tratar o principal ente de um programa – o atleta – dessa forma. Principalmente na reta final de preparação para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em outubro, e  o Parapan em novembro.

        Acostumado, desde a juventude, ao terno, gravata, reuniões com pessoas influentes, ainda como dirigente da UNE, e, por isso, longe da realidade da prática e rotinas esportivas de um atleta de rendimento, o ministro Orlando Silva não tem noção do estrago na vida desportiva de muitos.

        Pela sua inexperiência no setor de esportes e, principalmente, como gestor público, ele é incapaz de imaginar tais problemas. Tanto é verdade que está há oito anos o Ministério e se envolve, ainda hoje, com disputas internas entre comunistas e petistas.

        Porque, na prática, é isso que ocorre  nos bastidores. Os petistas buscando consolidar seus limitados espaços, ameaçados por decisões ministeriais de perderam cargos aqui e ali, enquanto os comunistas não querem perder a boquinha que conquistaram por força do apoio do PCdoB ao governo central.

        Mas há uma evolução no Bolsa Atleta: na sua página (http://www.esporte.gov.br/snear/bolsaAtleta) um email em destaque está disponível para que os interessados tirem as suas dúvidas. duvidasbolsa@esporte.gov.br

        Mas a principal dúvida continua:

        E a lista dos contemplados, ministro?

Por José da Cruz às 09h37

Copa 2014: rendas de jogos em quatro cidades-sedes é abaixo da crítica

Por Walter Guimarães

 

        A repercussão do artigo que escrevi sobre a falta de público em algumas das cidades sede da Copa de 2014 deixa clara a diversidade dos pensamentos dos leitores do Blog do Cruz.

        Por isso, avancei nas pesquisas e mais um resultado divulgo agora, na tentativa de enriquecer o debate sobre a decisão governamental ao selecionar as 12 sedes para o Mundial que se aproxima.

        Além da média de público, publicado na mensagem anterior, a análise das rendas das partidas é importante para mostrar a movimentação da economia do futebol nas cidades de Cuiabá, Brasília, Manaus e Natal – sem tradição de grandes campeonatos –, bem como nas de Goiânia, Belém e Florianópolis, que batizei como “estádios fora da Copa”, apesar de terem competições bem mais atrativas que as quatro sedes acima.

Rendas líquidas

        Os números a seguir apresentados são as somas das rendas líquidas, ou seja, descontados os impostos e despesas com arbitragem e quadro das federações.

 

Soma das Rendas Líquidas nos Estaduais de 2011:

 

Cuiabá: R$ 2.754,26  //  4 jogos //  média: R$ 668,57

Brasília: R$ 110.282,74  // 40 jogos  //   média: R$ 2.757,07

Manaus: R$ 21.948,50  //  7 jogos  //  média: R$ 3.135,50

Natal: R$ 216.004,47  //  9 jogos  //  média: R$ 24.000, 50

 

Os “fora da Copa”:

 

Goiânia: R$ 647.219,92  //  15 jogos  // média: R$ 43.147,99

Belém: R$ 542.759,74  //  11 jogos  //  média: R$ 49.341,79

Florianópolis: R$ 839.508,97  //  11 jogos  //  média: R$ 76.319,00

 

Diante desses números, faço duas observações para melhore se entender  a realidade desta análise:

 

1.   A Federação Matogrossense não disponibilizou todos os borderôs dos jogos. Até a 5ª rodada foram disputados 7 partidas em Cuiabá, mas apenas 4 delas estão na análise.

 

2.   A situação da Federação Amazonense é mais caótica. Até o momento nenhum boletim financeiro dos jogos foi publicado no site, contrariando o Estatuto do Torcedor. Diversos emails foram enviados sobre a irregularidade, mas não houve qualquer manifestação. Para a análise foram somadas as rendas brutas e retirados 30% do total, valor mínimo de desconto apresentados nos borderôs dos outros estados.

 Finalmente:

Voltarei a este assunto para apresentar os números de público e renda das cidades em análise, nas competições da Copa do Brasil.

 

Walter Guimarães  é jornalista e pesquisador de assuntos sobre futebol

Por José da Cruz às 00h28

Matadores de ciclistas

Por Wilson Teixeira Soares 

 

        No sábado 26 de fevereiro, dia em que um desequilibrado mental arremeteu o veículo dele contra um grupo de ciclistas em Porto Alegre, um outro inconsequente do volante, no Lago Sul, ameaçou o ciclista Ivam Mello, coordenador do grupo Coroas do Cerrado. Nas barbas de quatro testemunhas que, incrédulas, foram constrangidas a acreditar no absurdo que presenciaram. 

        O motorista que investiu propositalmente contra a vida de um coletivo de ciclistas cometeu, pura e simplesmente, tentativa de homicídio. Como reconheceu o delegado encarregado de apurar a atrocidade. Crime praticado por motivo fútil. Futilidade ratificada por sua alegação de que se sentira ameaçado pelos ciclistas.

        Já o motorista que ameaçou a integridade física do coordenador do grupo Coroas do Cerrado assim agiu porque incomodou-se com o fato de Ivam Mello estar cruzando o leito da principal artéria do Lago Sul. Acometido por um achaque qualquer, investiu com seu veículo contra o ciclista, deixando claro que pouco estava a se importar se colocava a vida dele em perigo. 

         Dos dois episódios, de magnitudes diferentes mas de características doentias, nasce uma natural pergunta. Onde se localiza a raiz da violência que leve espécimes da sociedade humana a colocar em risco a vida de pessoas que não podem, no trânsito, defender-se de agressões pré-concebidas ou tomadas em virtude de impulsos elétricos patológicos?

         Na primeira metade do século passado, o gênio de Vittorio de Sica deu à luz uma obra de arte maior da cinematografia mundial, Ladrões de Bicicleta. Nas cidades brasileiras, uma história sobre bicicletas está, também, a ser escrita. Com sangue. Por matadores de ciclistas. Que atropelam ferem, matam e fogem, e que, ao fim e ao cabo, não se tornam objeto de penas severas, exemplares. Como as que são aplicadas na Europa aos motoristas que vitimam ciclistas.

         Eu não sou sociólogo, não sou antropólogo social e não sou, muito menos, psiquiatra. Exatamente em virtude disso, não tenho nenhum interesse em tentar entender as razões que levam motoristas a investir contra pessoas que estão pedalando. Na edição de segunda-feira 28 de fevereiro do Bom Dia Brasil, o jornalista Alexandre Garcia, ao comentar sobre outro episódio, o ocorrido em Porto Alegre, enfatizou a teoria de que muitas pessoas, quando ao volante de seus veículos, transformam-se em contrafacções de Mister Hide.  

         Somados os dois episódios, e centenas de outros mais que não chegam às páginas dos jornais nem ao noticiário das tevês, depreende-se, com meridiana clareza, que pessoas que nascem pedestres sofrem de algum tipo de distúrbio que as impulsionam a transformar seus veículos em armas para agredir quem exerce o direito de trafegar em via pública em veículo outro que não propulsionado a motor. 

         O assassinato de Pedro Davison é um exemplo fatídico, lastimável, ainda que paradigmático, dessa realidade. Que, para ser transformada, está a exigir não apenas a implantação de políticas de mobilidade urbana que privilegiem o cicloviarismo. Ações que abarquem a construção de ciclovias, a implantação de ciclofaixas e de acostamentos sinalizados, a fiscalização rigorosa do trânsito e a veiculação maciça de campanhas educativas.

         Combater a pré-disposição de pessoas que se dispõem a justiçar um ciclista porque esse, vezes muitas, pedalou a meio da calha de rolamento - o que não é adequado, mas em ocasiões inúmeras é necessário -, implica a revisão, urgente, das legislações referentes ao trânsito e ao crime. Para instar o Poder Judiciário a adotar punições severas contra os que agridem ciclistas e pedestres e motociclistas. 

         Porque condená-los apenas e tão somente a purgar os crimes que cometem por intermédio do pagamento de cestas básicas ou de serviços comunitários tem se revelado uma inutilidade. Inutilidade que não tem peso atômico suficiente para modificar o panorama de estupidez que transformou as vias públicas do país em palco de diuturna violência.  

 

Wilson Teixeira Soares, jornalista, ciclista, ex-conselheiro da Ong Rodas da Paz

Por José da Cruz às 23h35

10/03/2011

Atletismo: correção de valores

         Referente à informação que publiquei ontem, sobre os valores de patrocínio para a Confederação Brasileira de Atletismo, acabo de receber mensagem da assessoria da CAIXA atualizando os dados.

        Diz o seguinte:

        “Na verdade, os patrocínios são fechados sempre em biênio. Ou seja, onde está 2011, lê-se 2011/2012.”

        Então, ficamos como antes. O atletismo terá R$ 15 milhões de patrocínio nesta temporada e sabe que poderá contar com outros R$ 16 milhões em 2012.

        Apesar de minha nota ter como fonte dados oficiais da CAIXA, desculpo-me pelo erro de informação.

Por José da Cruz às 17h49

COMUNICADO URGENTE

    O sistema de e-mail do UOL está fora do ar.

    Desde hoje cedo não recebo mensagens.

    Não há previsão para solucionar o problema.

    Meu contato alternativo é:

     jcruzz0445@gmail.com

     0brigado, José Cruz

 

Por José da Cruz às 15h05

Carro alugado

No Correio Braziliense de hoje

Coluna Brasília-DF

Por Luiz Carlos Azedo

            Não passou despercebido do Palácio do Planalto o fato de o Ministério do Esporte, comandado por Orlando Silva, ter gasto quase R$ 146 mil com aluguel de carro.

        A despesa é uma das maiores do ano da pasta; supera os R$ 111,5 mil desembolsados até o início de março, segundo dados do Siafi, com aposentadorias, reserva remunerada e reformas.

        A irritação de assessores de Dilma Rousseff deve-se ao fato de que a despesa passa por cima da determinação de suspender contratações relacionadas a aluguel de veículos e reforma de imóveis no esfoirço para cortar o Orçamento em R$ bilhões.

Por José da Cruz às 11h30

O atletismo de ontem e o de hoje

Por Nilson Duarte Monteiro

Técnico  

        Comecei no atletismo precisamente em março de 1970, aos 12 anos de idade. Anos duros da ditadura, general Médici, tricampeonato no México, por aí vai.

        Na verdade, eu já havia sido apresentado ao atletismo dois anos antes, em 1968, através de um filme das olimpíadas de Roma, 1960. Foi quando me apaixonei pelo esporte vendo a vitória de Abebe Bikila na maratona.

        Pois bem, em 1970 o colégio onde eu estudava organizava todo ano as olimpíadas internas. Era um frenesi danado para a competição, que acontecia perto do final do ano.

        Eram duas agremiações internas do colégio, Bandeira Azul (a qual eu era integrante) e Bandeira Branca. As competições se pareciam com as que acontecem nas escolas dos Estados Unidos; a rivalidade era salutar, o colégio inteiro ficava envolvido na competição. Os melhores atletas do colégio eram selecionados para competirem nos Jogos Municipais, depois vinha o Estadual e finalmente o grande objetivo de todos os atletas envolvidos, os JEBs.

        Os Jogos Estudantis Brasileiros era uma verdadeira olimpíadas. Viajávamos de ônibus para onde eram realizados os jogos, ficávamos 15 dias alojados em colégios que eram transformados em alojamentos e refeitórios. Era uma consagração de jovens e tudo custeado pelos estados participantes.

        Era assim os anos 70 e 80, sem dinheiro público ou BolsasAatletas.

        No Troféu Brasil de Atletismo, as provas tinham várias eliminatórias. As  provas de fundo chegavam a ter duas baterias ou mais, tamanha a quantidade de atletas para competir.

        Hoje, as provas de fundo não chegam a uma dezena de atletas. Os estádios de atletismo lotavam, ao contrário de agora, quando quem está na arquibancada são os atletas que aguardam a hora de competir. É triste.

        Tudo isso acontecia sem Bolsa Atleta, sem dinheiro da Lei das Loterias, sem patrocínios de estatais, sem nada. O presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, diz que em 23 anos de sua ditadura o Brasil ganhou mais medalhas que nos 70 anos anteriores. Mas não diz quanto ganhou dos cofres públicos para faturar medalhas.

        A propósito, o presidente Gesta deveria se envergonhar, pois com o dinheiro que entrou nesses últimos 10 anos o atletismo deveria ter cinco vezes mais conquistas que nos 70 anos anteriores à sua gestão.  

        Eu teria vergonha dessa citação, pois nestes 23 anos que preside a CBAt e com o dinheiro que teve disponível, parece que Gesta se dedicou  mais ao seu museu olímpico, que cuida com muito carinho, do que com a evolução real do nosso atletismo.

Notas do blogueiro:

1.  - o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta de Melo, tem um museu olímpico com peças raras. Outros dois se dedicam ao mesmo hobby no Brasil, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, e o ex-presidente da ex-equipe Funilense de Atletismo, Sério Coutinho.

2.   – o espaço está disponível para o Comitê Olímpico Brasileiro comentar sobre as Olimpíadas Escolares, que conduz desde 2005.

Por José da Cruz às 09h11

Neymar, o bailarino

Por Sérgio Siqueira

     01.   Lá pelas fronteiras do tempo, quando alguém apontava um grande dançarino de tango, dizia que ele dava 27 passos diferentes com a mesma bailarina em cima de uma tijoleta. De Neymar hoje se pode dizer que, se ele quiser, dá 27 dribles no mesmo zagueiro em cima da marca do penalti. Joga por música.


02. O misto de narrador, comentarista e médico da Bandeirantes, Osmar de Oliveira queria, porque queria, que o técnico provisório do Santos tirasse Neymar "para descansar". Sua tese é que ele já tinha feito de tudo um pouco contra a Portuguesa e poderia ir mais cedo para o chuveiro.Incrédulo, reclamava que  não sabia por quê Neymar não era susbtituído. Elementar, meu caro: metade da torcida deixaria o estádio e todas as TV mudariam de canal.


03. Só o futebol de Neymar, me faz ficar atè à meia-noite diante de um aparelho de TV. Às vezes me esqueço de eliminar o som.


04. Neymar tem magia nos pés e um talento inatingível por meros craques de futebol. Armando Nogueira dizia que "se Pelé não fosse gente, seria bola". Neymar, se não tivesse nascido Neymar, seria Pelé.


05. Como o Rei, Neymar dribla pra frente e não dá um passe para trás. O futebol pós-Pelé, até que enfim, encontrou o Último dos Moicanos. 

Sérgio Siqueira assina o blog Sanatório da Notícia, entre os meus favoritos:

http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/

Por José da Cruz às 08h39

Hélio Rubens: uma entrevista com alma e emoção

        Um dos símbolos do nosso esporte, em geral, e do basquete, em particular, o técnico Hélio Rubens fala com a alma nesta entrevista ao repórter Rodrigo Alves, do blog “Rebote”, no site Globo.com.

        Fugindo à rotina das denúncias que aqui publico, eis uma notícia que merece destaque.

        Ela mostra o outro lado do esporte, em que o repórter conseguiu recuperar a trajetória de um profissional em sua íntima relação com a cidade de Franca, em São Paulo.

        A entrevista completa, permitida pelo autor, está aqui.

Por José da Cruz às 00h38

09/03/2011

Novidade: Caixa dobra o patrocínio ao atletismo

         A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) não deverá ter problemas financeiros nesta temporada, pois seu orçamento de R$ 20 milhões foi aumentado em pouco mais de 50%.

        Ao contrário do anunciado  pelo presidente da confederação, Roberto Gesta de Melo, na recente assembleia de Manaus – sede da CBAt –, a confederação receberá R$ 31 milhões de patrocínio da Caixa Econômica Federal, e não R$ 15 milhões, conforme o orçamento da entidade aprovado e aqui publicado no dia 4 de março último.

Novidade

        A surpresa foi revelada hoje, depois de uma consulta que fiz à Assessoria de Imprensa da Caixa. A resposta oficial foi a seguinte:

        Para 2011 a Caixa vai repassar em patrocínios:

        R$ 31.000.000,00 para a CBAt;

        R$  9.500.000,00 para a Confederação Brasileira de Ginástica;

        R$  2.000.000,00 para a Confederação Brasileira de Lutas Associadas.”

Orçamento

        O orçamento da CBAt aprovado na Assembleia de Manaus foi o seguinte:

Receitas  2011

Em R$ milhões

Caixa Econômica

15,0

Lei Piva

3,0

Patrocínios

2,0

Total

20,0

        Ou seja,  a Caixa dobrou o orçamento anunciado por Gesta de Melo e colocou mais R$ 1 milhão, elevando para R$ 31 milhões sua participação na entidade máxima do atletismo nacional.

        Com isso, o orçamento total da CBAt passará de R$ 20 milhões para para R$ 31 milhões e, é possível, nova assembleia seja convocada para decidir sobre a aplicação do novo valor.

        Devido a grande diferença entre os valores divulgados e os oficialmente informados pela Caixa, consultei a CBAt sobre o assunto que é, sem dúvida, ótima novidade para o esporte, em geral, e o atletismo, em particular.      .

Por José da Cruz às 20h14

Segundo Tempo: TCU manda devolver dinheiro

         A Fundação Vó-Ita, com sede em Arraias, Tocantins, pegou grana do Ministério do Esporte para implantar cinco núcleos do programa Segundo Tempo e não prestou contas dos gastos realizados.

        O Tribunal de Contas da União não perdoou. Além da multa de R$ 20 mil pelo evidente desleixo, “condenou” o Senhor Antônio Aires da Costa, que respondia pelo uso dos recursos, à devolução de R$ 274.588,20.

Foi fixado o prazo de 15 dias, “a contar da notificação, para o recolhimento da dívida aos cofres do Tesouro Nacional, atualizada monetariamente e acrescida dos juros de mora, calculados a partir de 23/1/2006 até a data do efetivo recolhimento."

        O acórdão do TCU está aqui.

Por José da Cruz às 18h53

O pódio da hipocrisia

       Hoje cedo fui ler o Diário Oficial da União. Depois, fui à página do Ministério do Esporte,na internet. Conferi emails, telefonemas, nada! Não havia uma só notícia sobre a divulgação da lista dos contemplados com a Bolsa Atleta de 2010, prometidas para segunda-feira.

Eu já esperava por isso, mas sempre há uma esperança.

Decisão

Na sexta-feira, ao ser indagada por uma autoridade do esporte paraolímpico nacional, uma secretária do gabinete do ministro Orlando Silva informou que a lista dos contemplados com a Bolsa Atleta, que aguarda assinatura para ser divulgada, “estava suspensa até segunda ordem”.

       Sabe-se lá os motivos, os bolsistas que esperem... Em resumo é isso.

       Volto a lembrar:

       Estamos em pleno período de disputas para a obtenção de vagas nas diferentes equipes aos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. Para muitos, já classificados, é a reta final dos treinamentos!

       É isso que chamo de irresponsabilidade ministerial. Depois, sou cobrado pela dureza das palavras.

Coisa séria

       Nas minhas andanças durante o feriadão de carnaval, obtive mais informações que mostram como a situação é crítica lá pelas bandas ministeriais:

       O funcionário do Ministério do Esporte que coordena o Bolsa Atleta é concursado, mas não recebe nada pelo cargo que ocupa.

       No serviço público há situações assim: quem estava na vaga de coordenador do Bolsa Atleta saiu, foi para outra sala, para outro setor do minitério, enfim. E levou o cargo para garantir a gratificação correspondente.

       Já o coordenador que entrou na vaga assumiu o ônus do cargo, a responsabilidade pelo intenso trabalho, as cobranças internas e externas naturais da função e da situação do programa, responde aos superiores que lhe exigem eficiência, mas não tem qualquer gratificação para tanto. 

Que tal?

Parabéns?

       A página do Ministério do Esporte apresenta hoje homenagem ao Dia Internacional da Mulher, ocorrido ontem.

       Acredito que a melhor homenagem seria a divulgação, atrasadíssima, das contempladas com a Bolsa Atleta.

       Não temos isso.

       Então, a homenagem às atletas é bobagem enorme, soa ridícula e debochada, digna de ir para o pódio da hipocrisia.

Por José da Cruz às 16h39

O indispensável - e já atrasado - diálogo para ordenar a gestão do esporte no Brasil

        O professor Fernando Franco, do Centro de Estudos do Atletismo, em Brasília, está concluindo mais uma avaliação sobre os resultados e projeções da modalidade nos últimos 10 anos. Divulgarei os resultados aqui.

        Enquanto isso, publico um artigo do advogado paulista , Alberto Murray Neto, que saiu em em seu blog em setembro do ano passado. Seis meses depois, não perdeu a atualidade. Ao contrário, vem em momento bom para reforçar o debate sobre o assunto atletismo.

        Cito o atletismo por dois motivos:

1.   - é o esporte nobre de uma olimpíada; o que tem o espaço mais valorizado na televisão internacional.

2.   é a modalidade síntese das demais, pular, saltar, correr, atividades físicas íntimas do ser humano.

        Por isso, o atletismo merece tanta atenção, e, por extensão, pelas dificuldades que passou até o início de 2001, quando o presidente da CBAt, Gesta de Melo, precisou se socorrer na bolsa de sua família, como ele diz, para manter o esporte ativo.

        Pois o atletismo, que tanto já debatemos, sugere outras mudanças, estruturais, no esporte em geral. Chegamos ao ponto em que não é mais possível conviver com a fartura de um lado e a escassez do outro.

        Que fartura? do dinheiro, público.

        No Brasil o esporte de rendimento é financiado quase que exclusivamente por dinheiro público: orçamento da União, loterias federais, Lei de Incentivo, patrocínio de sete estatais a 20 modalidades, Bolsa Atleta.

        E que escassez?

        A de atletas, principalmente, pela falta de programas de massificação do esporte. Judô, vôlei, futebol, vela, entre outros têm seus programas específicos que permitem renovações de valores  e, por extensão, de resultados. Escassez de instalações para treinamentos, enfim.

        E os demais? Bem, não sugiro avançar nisso, enquanto não definirmos quais as competências de todos os entes envolvidos, desde o governo federal com seus ministérios afins, as estatais, que patrocinam 20 modalidades, os governos estaduais e municipais, clubes, federações, confederações, comitês Olímpico e Paraolímpico, confederações escolar e universitária, comissões no Legislativo, enfim.

        Insisto: não temos estrutura ordenada do nosso esporte.

        Temos instituições em profusão e recursos financeiros suficientes. Mas o Ministério do Esporte não é o centralizador do diálogo e do indispensável intercâmbio entre os demais entes do esporte. Então, em termos de gestão integrada somos de um amadorismo assustador às vésperas de recebermos uma Olimpíada.

        Salvam-se algumas instituições em seus trabalhos isolados, entre elas os comitês Olímpico e Paraolímpico que se modernizaram administrativa e funcionalmente e estão há anos à frente de várias entidades, inclusive do Ministério do Espore.

        Mas, são essas instituições que dão o aval maior para recebermos eventos internacionais. Seria demais se não estivessem organizadas. Mas é estranho que isso não seja norma em suas filiadas.

A incrível evolução do atletismo no Brasil em 70 anos

Alberto Murray Neto

Setembro 19, 2010

        Em 1.927, aos 18 anos de idade, meu avô, Sylvio de Magalhães Padilha, jovem Atleta do Fluminense Football Club, recém iniciado no atletismo, quebrou seu primeiro recorde brasileiro. Foi no campeonato estadual do Rio de Janeiro, na prova dos 100 metros rasos, 10 segundos e 4 décimos.

        Desde então não parou mais. Foi inúmeras vezes campeão estadual, brasileiro e sulamericano de atletismo em várias provas. Especializou-se em provas sobre barreiras. Disputou duas olimpíadas, tendo em 1940 e 1944 sido prejudicado pela guerra, anos em que os Jogos Olímpico foram cancelados.

        Em 1.936, foi o primeiro Atleta da América do Sul a ser finalista olímpico em provas de atletismo. Em 1.939 recebeu da Helms Foundation o troféu de melhor Atleta das Américas. Seus recordes continentais duraram por quase trinta anos.

        Pois bem. O Troféu Brasil de Atletismo terminou hoje, dia 18 de setembro de 2.010. Pelos resultados vistos, cerca de 70 anos depois, apesar de todo o incremento tecnológico (naquele tempo meu avo corria em pista de carvão e sapatilhas pesadas), o melhor tempo de meu avô nos 110 metros sobre barreiras o colocaria em décimo lugar na competição mais importante do País. Isso mesmo, cerca de setenta anos depois.

        É vergonhosa a evolução do atletismo no Brasil. Principalmente após os milhões de dinheiro público que injetam nas contas da Confederação Brasileira de Atletismo (“CBAt”), provenientes dos repasses da Lei Piva e do patrocínio da Caixa Econômica Federal.

        Já é hora de promover alterações profundas no comando e na filosofia de trabalho da CBAt. Mas os atuais dirigentes da entidade não podem sair sem explicar ao povo brasileiro como e onde foram aplicados cada centavo do dinheiro público que receberam e porque não obtemos resultados à altura de nossas potencialidades.

Por José da Cruz às 09h07

08/03/2011

Atletismo: palavra de Joaquim Cruz

         “O problema do Brasil é que o esporte de base está fraco. Não tem esporte na escola. A base tem que ser consertada agora para que os resultados apareçam em 2020, 2024. Não dá mais tempo para 2016. O Brasil tem que buscar a renovação para acompanhar os outros países”.

         A manifestação, do medalha de ouro olímpica, Joaquim Cruz, está no Correio Braziliense de ontem.

         A reportagem é de Ananda Rope, que conversou com o ex-atleta, que mora há 30 anos nos Estados Unidos. 

         Joaquim lamentou a escassez de novos nomes no atletismo e afirmou estar preocupado com o futuro da modalidade no país.

         “Hoje, temos poucos atletas com chances reais de medalha para 2012 (Olimpíadas de Londres). Maurren Maggi (atual campeã olímpica do salto em distância) e Jadel Gregório (prata no salto triplo, no Mundial de Osaka, em 2007) estão na reta final da carreira. E a maior aposta tem 29 anos, que é a Fabiana Murer (atual campeã mundial indoor no salto com vara).”

         A entrevista completa está aqui

Por José da Cruz às 10h13

Marketing esportivo completa 25 anos com BB na liderança

Ontem, 7 de março de 2011, não foi apenas a segunda-feira de Carnaval.

Fora da folia, foi uma data importante para a história do marketing esportivo  brasileiro.

Poucos sabem, mas antes de a parceria com o vôlei se tornar duradoura e retumbante, o Banco do Brasil patrocinou a Confederação Brasileira de Basquete, entre 1986 e 1988, quando abriu as portas para mudar as relações entre o esporte e as estatais nacionais.

Quem conta o este capítulo de história ainda recente é o próprio idealizador daquela primeira parceria, um ex-basqueteiro e, depois, funcionário de carreira do Banco do Brasil, Heleno Fonseca de Lima.

Atualmente, Heleno requer na Justiça o reconhecimento daquela parceria, pois o Banco do Brasil conta a história do marketing na empresa a partir do vôlei, sob a alegação de que foi aí que começou uma relação  institucional efetiva.

Discussões à parte, a verdade é que, ontem, segunda-feira de Carnaval, completaram-se 25 anos do primeiro ato instituindo a Campanha de Marketing Esportivo do Banco do Brasil, assinado pelo então presidente, Camillo Calazans.

“Foi uma inovação, original e inédita na época, no Brasil e no Mundo, que objetivava patrocinar as Seleções Nacionais de Basquetebol e, além disto, promover o nome e a marca do Banco”, explicou Heleno Fonseca, em mensagem à atual direção do Banco do Brasil.

Assim, vestindo a camisa amarela com a marca do Banco do Brasil, os jogadores da Seleção Brasileira conquistaram o inesquecível título dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, com vitória sobre os Estados Unidos, por 120 x 115.

Oscar, 46 pontos contra os EUA, com a histórica camisa

Sugestão

Heleno sugeriu que a data 7 de março fosse comemorada pelo Banco com uma exposição retrospectiva dos “25 anos de apoio ao Esporte Brasileiro”, com fotos, documentos, históricos das atividades esportivas realizadas, relação dos títulos conquistados, edição de documentário sobre o assunto, palestras, conferencias, etc., e, sobretudo, tendo como foco o pioneirismo, a originalidade e a anterioridade, na época, desta criação. 

O  Banco não acolheu a proposta e, assim, a história de patrocínio de estatais ao esporte brasileiro fica seriamente prejudicada, o que é uma pena.

Daí este registro e minha modesta contribuição para que os pesquisadores tenham o outro lado da história oficial do marketing esportivo nacional.

Por José da Cruz às 00h10

07/03/2011

Bolsa atleta: Ministério do Esporte silencia sobre divulgação dos contemplados

        O Ministério do Esporte deveria divulgar hoje, segunda-feira de Carnaval, a lista dos contemplados com a Bolsa-Atlet,a categorias Estudantil, Nacional e Internacional. Não fez isso.

        Quem fixou a data foi o coordenador do setor, Marco Aurélio Klein, ao lado do secretario de Alto Rendimento, Ricardo Leyser Gonçalves, conforme mensagem que publiquei, na quinta-feira. Na página do Ministério do Esporte, nenhuma explicação.

        Leyser, inclusive, disse que a lista já estava na mesa do ministro Orlando Silva, esperando apenas o seu autógrafo. Cinco dias de espera. O ministro é muito ocupado.

        Talvez, ele nem saiba que em outubro teremos os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, e que o dinheiro da Bolsa, que ainda não saiu, serve justamente para o treinamento dos competidores nesta reta final de preparação física, psicológica e técnica. Para muitos, ainda há tempo para lutar por uma vaga nas seletivas. Boa sorte!

        Imagine, caro leitor, um atleta que elaborou o seu calendário para 2011 contando com a Bolsa Atleta e programou viagens, participação em competições no Brasil e no exterior e, agora, não cumpre suas metas?

Insisto na pergunta:

        Quem paga por tal prejuízo, ministro Orlando Silva?

        Na melhor das hipóteses, a relação dos contemplados sairá no Diário Oficial de quinta-feira. E o pagamento, na segunda-feira seguinte?

        Não sei. Se depender de outra assinatura ...

        E já será 14 de março.

Equipe

        Um assessor do Ministério próximo do gabinete superior me informou que no Bolsa Atleta trabalham 16 pessoas e, dessas, apenas duas são concursadas. Outras seis são estagiárias – divididas em dois turnos – e oito terceirizadas, através da empresa Brasfort, de Brasília.

        Ou seja, enquanto o governo gasta milhões com uma empresa fornecedora de funcionários para o Ministério do Esporte, centenas de concursados aptos a assumir seus cargos aguardam pela chamada, que nunca chega.

        Pior: seus concursos estão perto de caducar. Além do dinheiro jogado fora com todo o processo de seleção há frustração dos que acreditaram estar numa seleção séria. Não estavam.

Por José da Cruz às 13h48

Além dos estádios, para onde vai o dinheiro da Copa 2014?

        No sábado, publiquei notícia sobre os contratos não previstos na Matriz de Responsabilidade para a Copa 2014, que já chegaram a R$ 73 milhões.

        Entre outros beneficiados com contratos está a empresa FJ Produções, de Brasília, que recebeu a bagatela de R$ 20 mil para “organizar a reunião de trabalho” do programa ”Bem Receber Copa”. 

        Hoje, recebi de um amigo a reportagem que foi publicada em janeiro deste ano na revista Época, mostrando como a FJ Produções e outras empresas do setor evoluíram em Brasília. O título é: “Para uns, a vida é uma festa”. E diz, entre outras maravilhas:

        “Em um ano, a FJ aumentou seu faturamento de R$ 10 mil para R$ 4,9 milhões”.

        A reportagem que pode ser linda na íntegra aqui.

        Mas destaco o seguinte trecho:

        “... Abriu-se espaço para a expansão da Dialog e da FJ Produções Ltda., empresa de um ex-ciclista profissional chamado Jamil Elias Suaiden. A Dialog pulou de um faturamento de R$ 15 mil em 2006 para mais de R$ 6,5 milhões no ano seguinte. No mesmo período, a FJ subiu de R$ 19 mil para R$ 4,9 milhões. Era o começo de uma escalada que transformou a empresa de Jamil na líder do mercado desde o ano passado. No começo deste ano, a FJ ganhou a concorrência para uma ata de preços de R$ 95 milhões do Ministério da Educação. Conseguiu adesões de peso como a do Ministério da Saúde. A FJ não revela quantos clientes conquistou. Afirma que é segredo comercial.

        A ata do Ministério da Educação tem uma cláusula que, curiosamente, proíbe outros órgãos públicos, que queiram aderir ao contrato, de negociar descontos. Há, nessa ata, preços superiores aos de outras licitações. A empresa de Jamil Suaiden obteve autorização para cobrar R$ 25 por dia pelo aluguel do metro quadrado de auditórios, o preço mais alto numa comparação com concorrentes. Pela ata da Educação, a FJ recebe R$ 75 mil pelo aluguel de um auditório de 3.000 metros quadrados. A Open informou a ÉPOCA que seu preço pelo aluguel de um espaço com o mesmo tamanho é de R$ 18.200.

        Num evento do Ministério da Educação em abril deste ano, a FJ foi autorizada a reservar quartos para 130 pessoas num hotel fazenda próximo a Brasília com diárias superiores às cobradas de hóspedes no balcão. Em geral, ocorre o contrário: empresas de eventos sempre conseguem descontos. Outra disparidade de preço é verificada na diária de aluguel de uma mesa de som de 24 canais.      

        Pela ata da Educação, o valor autorizado para a FJ é de R$ 1.045. O mesmo equipamento é alugado pelo Exército por R$ 80 e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário por R$ 85. Procurado por ÉPOCA, o advogado da FJ, Jorge Ulisses Jacoby Fernandes, disse que não conseguiu localizar o dono da FJ para responder às indagações da revista.

        Concorrentes denunciaram ao TCU, por supostas fraudes, o contrato da FJ com o Ministério da Educação.”

Por José da Cruz às 12h30

06/03/2011

Copa em cidades com futebol fantasma

Quatro cidades-sedes para Mundial de 2014 têm público irrisório em seus estádios, em detrimento de capitais com tradição e torcidas numerosas 

Walter Guimarães

        Relatórios de entidades públicas e privadas mostram atrasos nas obras, como o revelou o Sindicato de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco). O Tribunal de Contas da União também já destacou deficiências em diversos pontos, inclusive na falta de projetos básicos de obras em andamento. Para a Copa, o tempo já urgiu.

        Mas sobre o atual quadro do futebol de cada sede, não há grandes preocupações. E aí vêm os “elefantes brancos”, termo proibido para os governantes dos 12 estados e cidades sedes. Para ele, é melhor dizer “arena multiuso”, em relação aos gigantes de concreto que nascem.

Cultura futebolística

        Para ajudar a entender a cultura futebolística, analisei o público e o histórico de cada sede nas competições estaduais e nacionais. Quatro delas continuam sendo questionadas: Cuiabá, Manaus, Brasília e Natal.

        Os números são do banco de dados da CBF e se referem aos torcedores que foram aos estádios e quantos jogos foram disputados nos Campeonatos Basileiros das Séries A, B, C e D, esta última criada em 2009.

        Os números assustam, comparados com outras cidades, historicamente conhecidas pela força de suas torcidas:  

Nº de torcedores em jogos da Séries A, B, C e D (2006-2010)

- Mato Grosso:  84.816 torcedores // 62 jogos // média: 1.368

- Amazonas:  215.735 torcedores // 68 jogos // média: 3.173

- Distrito Federal:  443.148 torcedores // 188 jogos // média: 2.357

- R.Grande do Norte:  1.105.306 torcedores // 183 jogos // média: 6.040

Os “fora da copa

- Pará:  1.004.215 torcedores // 152 jogos // média: 6.607

- Santa Catarina:  2.023.538 torcedores // 307 jogos // média: 6.591

- Goiás:  2.243.180 torcedores // 313 jogos // média: 7.167

        Percebe-se que apenas o Rio Grande do Norte está mais próximo de Pará, Santa Catarina e Goiás, ignorados na escolha das cidades-sedes.

        Outro questionamento é quando a soma de todos os torcedores dos últimos cinco anos no Amazonas, Mato Grosso e Distrito Federal chega a 744 mil pessoas, enquanto apenas no Pará mais de 1 milhão de torcedores compareceram aos estádio. Se é necessária uma sede amazônica para o desenvolvimento do turismo, Manaus não demonstra, no futebol, ter sido a melhor escolha.

        Que motivos deixaram de fora Goiás e Santa Catarina, quando mais de 2 milhões de pessoas foram aos seus estádios desde 2006, enquanto Cuiabá, que levou escassos 85 mil pessoas no mesmo período é escolhida.        

        E o que dizer sobre as médias de público dos campeonatos estaduais desse ano? Continuam com médias superiores as cidades deixadas fora de 2014, ainda com a exceção de Natal.

Média de público (Estaduais - 2011 / atualizado em 4 de março)

        Manaus:  626

        Cuiabá:  994

        Brasília:  1.208

        Natal:  3.089

Os “fora da Copa”

        Goiânia:  4.139

        Belém:  7.334

        Florianópolis:  7.514

Reforço das cortesias

        No atual campeonato Candango, 44% dos ingressos foram doados aos torcedores, na tentativa de turbinar o jogo. Em vão. Assim, se forem contados apenas os ingressos pagos, a média de público cairia de 1.208 para 674 torcedores. Mas aqui se constroi estádio para 70 mil pessoas...

       Fica evidente que o critério para a escolha das sedes não foi o da tradição futebolíticas, com repercussão no econômico. Mas o do interesse político regional de ocasião.

Fontes de Pesquisa: Sites da CBF e Federações Estaduais, jornal A Crítica, de Manaus.

Por José da Cruz às 13h36