Blog do José Cruz

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28/02/2011

Bolsa Atleta: tristes depoimentos

        Selecionei três mensagens, que publico a seguir.

        A primeira, por email, do pai de um atleta; a outra, em conversa por telefone e uma terceira no espaço de mensagens, no blog.

        As manifestações confirmam o desrespeito das autoridades (?) do Ministério do Esporte junto aos nossos atletas e, por extensão no descumprimento da lei federal que instituiu a Bolsa Atleta.

        Este é mais um setor que revela a desordem no Ministério do Esporte, abarrotado de denúncias de irregularidades na gestão do dinheiro público, a partir do programa Segundo Tempo.

        Essas denúncias repercutem, claro, no governo federal como um todo, justamente quando o Palácio do Planalto procura fortalecer a imagem de que pretende realizar um mandato sério e produtivo em favor da população. Mas quais as providências? Nehuma!

 

Recorde

        “É o Ministério do Esporte quebrando o seu próprio recorde!

        São 424 dias entre a última data possível (31 de dezembro de 2009) de os atletas obterem resultados que influenciassem na concessão da Bolsa de 2010 e hoje,  1º de março de 2011.

        O prazo para o recebimento das inscrições dos atletas deveria ter sido aberto pelo Ministério do Esporte em janeiro de 2010. Mas não! As inscrições só abriram em Julho... e a documentação ficou com prazo final de apresentação para Setembro.

        Ou seja, foram mais dois meses de atraso e mais de um ano perdido. Porque, até que seja liberado o benefício, que não deve ocorrer antes de junho, serão menos de quatro meses para os atletas treinarem "de verdade" usufruindo o justo recurso.

        Resumindo: dinheiro com atraso não serve para o esporte ... Os juros a se pagar por essa demora são preciosos segundos ou centímetros numa determinada prova. E isso ajuda a deixar o Brasil longe de medalhas.”

 

Conversa por telefone

        “No ano passado, o Ministério do Esporte liberou a primeira parcela referente a 2009 só no dia 22 de março.

        Porém, houve atletas que receberam só em maio, mas sem o dinheiro das parcelas atrasadas.

        A programação feita pelo atleta para treinar por um ano ficou reduzida a sete meses, pois o último pagamento da bendita Bolsa Atleta foi em dezembro.

        Atualmente, não estou treinando porque o dinheiro que eu tinha para isso acabou em dezembro. Sou candidato à Bolsa de 2010, mas não sei que rumo darei à minha carreira.” 

Mãe esperançosa

        “Meu filho é atleta de JUDÔ, sempre acreditando que a Bolsa-atleta seria para ajudá-lo, no entanto fica sempre esperando que o ministério do Esporte tenha verba para contemplá-lo.

        Estamos com esperança que ele receba novamente a bolsa, mas com a notícia de cortes no orçamento fica difícil de acreditar no órgão. Só quem é atleta e pai é que sabe o quanto faz falta a bolsa que o atleta tem por direito.

        Se eu pudesse comentaria para o mundo, como você tem feito. Não deixe cair no esquecimento a Bolsa atleta de 2010. Pois estamos esperando a lista de contemplados que foi divulgado para mim que sairia ate o final do mês de fevereiro. E nada.....”

Por José da Cruz às 22h41

Governo corta 64% no orçamento do Ministério do Esporte

        O Ministério do Esporte foi o segundo órgão do governo federal com maior corte no orçamento para 2011, atrás apenas do Ministério do Turismo.

O anúncio foi feito hoje pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que determinou corte geral de R$ 50 bilhões no Orçamento da União, para promover o “ajuste fiscal”, isto é, equilíbrio das contas públicas – receita e despesa.

Originalmente, o Ministério do Esporte havia alcançado o maior crescimento orçamentário para 2011, chegando a R$ 2,3 bilhões, 63% sobre o ano anterior.

Agora, com corte de 64%, o Ministério do Esporte terá R$ 853 milhões para gastar. Já o Ministério do Turismo sofreu um golpe maior, corte de 84%.

Esportes

Na prática, a medida do governo não afetará os principais programas do Ministério do Esporte, pois o aumento de 63% no orçamento deste ano foi em decorrência da inclusão de emendas parlamentares. Isto é, recursos que o governo destina para a construção de pequenos ginásios, quadras etc, nas regiões eleitorais dos deputados.

        Até agora o governo divulgou somente os ministérios e os valores cortados. Os programas atingidos serão conhecidos na edição de amanhã do Diário Oficial da União.

Moeda de troca

        Ao tomar a medida extrema, o governo abre uma frente de atrito justamente com os políticos, que terão a incumbência de votar as propostas que vierem do Palácio do Planalto.

        Mas, na verdade, a presidente Dilma Rousseff trabalha da mesma forma que governos passados: promove cortes – como os de hoje – que atingem as verbas dos políticos e fica com os recursos das emendas para liberar em futuras negociações, na hora de votar este ou aquele projeto de interesse governamental. É a chamada tese do “é dando que se recebe”, que vigora há anos na Esplanada dos Ministérios.

Por José da Cruz às 16h02

Bolsa Atleta 2010: dois meses de silêncio

         Estamos a 228 dias dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, cidade mexicana onde o Brasil fez história na campanha da conquista do tricampeonato mundial de futebol, em 1970.

        A competição será de 14 a 30 de outubro. Faltam sete meses para a delegação nacional viajar.

        Porém, até hoje, 28 de fevereiro, o Ministério do Esporte não informou quem são os contemplados com a Bolsa Atleta de 2010 – pagamentos serão feitos este ano – à exceção dos atletas olímpicos e paraolímpicos.

        O pessoal esbraveja quando uso expressões fortes, mas não há como fugir dessa irresponsabilidade ministerial.

        Os burocratas de gravata, ocupando confortáveis gabinetes, não têm a mínima noção do que significa um atleta ficar sem dinheiro para os seus treinamentos. E lá se foram dois preciosos meses. Repito: DOIS MESES, Senhor ministro Orlando Silva, que seus assessores ignoram o trabalho final de preparação de atletas que representarão o Brasil em evento continental!

Rigor

        O cronograma de treinamento de um atleta de nível nacional e, consequentemente, candidato à vaga para a equipe de Guadalajara é rigoroso.

Treinos, academias, viagens, competições, medicamentos, equipamentos, fisoterapeutas, nutricionistas, enfim, fazem parte de seu orçamento.

E é a isso que se destina o dinheiro que o Ministério do Esporte guarda, por caprichos da burocracia governamental, comprometendo toda uma programação, elaborada ainda no ano passado.

Obrigação

        A Bolsa Atleta não é um benefício, não é um apoio, não é uma ajuda. É uma obrigação prevista em lei federal. Porém, o descaso do Ministério do Esporte é evidente.

A lista dos contemplados com a Bolsa Atleta está pronta desde o ano passado, e o dinheiro do orçamento disponível.

No entanto, irresponsáveis diretores do Ministério do Esporte, estão se lixando para atender a esse compromisso legal. Como dizem os jovens, “não estão nem aí” para os atletas. 

Por José da Cruz às 11h54

0 exemplo de Fabiana Beltrame

Sábado passado fui à raia do Flamengo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro, acompanhar o final da primeira parte do treino da remadora Fabiana Beltrame.

Mesmo depois de duas horas e meia de remadas, rotina diária que começa às 6h da manhã, Fabiana me recebeu, dividindo a atenção às perguntas com carinhos em Alice, sua filhinha (foto).

Fabiana é atleta que entrou para a história do remo nacional prestigiada pela medalha de bronze conquistada em 2010, na última etapa da Copa do Mundo, em Lucerne, Suíça, categoria single skiff. Feito inédito para no país.

Há poucos dias, a remadora questionou sobre a demora na formação das equipes para as competições de 2011, mensagem que publiquei.

A resposta do presidente da Confederação Brasileira de Remo, Wilson Reeberg – também publicada – foi imediata.

Na conversa de sábado, Fabiana foi humilde em reconhecer que avançou ao fazer questionamento público, quando deveria ter se dirigido à confederação, inicialmente.

Transição

Desde o ano passado, o remo passa por transição, a partir da diretoria, renovando mandato que durou 16 anos; depois, com patrocínios da Petrobras e do Bradesco, reforçando outras receitas que dão à Confederação orçamento de mais de R$ 10 milhões, este ano. O valor representa aumento de 540% sobre 2010.

Encerrando o assunto:

1.   - são raríssimas as manifestações de atletas questionando as entidades às quais estão vinculadas. Fabiana foi corajosa e, como disse, agiu levada pela “ansiedade”, pois queria definir logo o calendário de 2011.

“O que todos nós que somos ou fomos remadores queremos é o melhor para esse esporte que tanto amamos”, resumiu Fabiana. “Minha intenção foi dar voz aos atletas que estavam ansiosos para saber notícias.”

2.   – raras, também, são as prontas respostas dos dirigentes, como o presidente Reeberg, que esclareceu os motivos da demora na divulgação das equipes, em texto que publiquei.         

         O diálogo valoriza as relações entre atletas e dirigentes e faz muito bem ao esporte. O remo, em particular, cresce com este exemplo.

Por José da Cruz às 23h25

27/02/2011

Copa 2014 terá 98,5% de dinheiro público

Na Folha de S.Paulo, hoje

Relatório do TCU mostra que setor privado só banca R$ 336 milhões dos R$ 23 bilhões em obras

Por SÉRGIO RANGEL

A Copa do Mundo da iniciativa privada ruiu. Um estudo do TCU (Tribunal de Contas da União) mostra que sairão dos cofres públicos 98,56% dos R$ 23 bilhões orçados para as obras de 2014.

Isso menos de dois anos após o presidente do COL (Comitê Organizador Local), Ricardo Teixeira, declarar que a maioria dos gastos do próximo Mundial seria bancada com dinheiro privado.

A maior parte das verbas virá dos bancos governamentais (Caixa Econômica Federal e BNDES) e da Infraero, estatal que administra os aeroportos do país. Juntas, as três empresas públicas investirão cerca de R$ 16,5 bilhões até a abertura da Copa.

Responsável por financiar as obras de mobilidade urbana nas 12 cidades-sedes, a Caixa irá repassar R$ 6,6 bilhões para os governos estaduais e municipais.

Já o BNDES investirá R$ 4,8 bilhões -R$ 1,2 bilhão em mobilidade urbana e R$ 3,6 bilhões para as arenas.
Segundo o estudo do TCU, a Infraero gastará cerca de R$ 5,1 bilhões para a reforma e a ampliação dos aeroportos.

O órgão federal não computou na conta os bilhões que os governos vão destinar para organizar o esquema de segurança do Mundial.

No trabalho realizado pelo TCU, a iniciativa privada aparece investindo apenas R$ 336 milhões, ou 1,44% dos R$ 23 bilhões do torneio. A verba não sairá de nenhuma empresa e virá dos cofres dos clubes que vão reformar ou construir estádios.

Internacional e Atlético- -PR já confirmaram que vão investir nos seus estádios para o Mundial. Segundo o órgão, os paranaenses vão gastar R$ 113 milhões na Arena da Baixada. Já os gaúchos destinarão R$ 133 milhões para reformar o Beira-Rio.

Em São Paulo, o Corinthians pretende construir uma arena em Itaquera.

O clube do Parque São Jorge ainda tenta viabilizar o novo estádio. Na conta do TCU, o Corinthians investirá R$ 90 milhões. A intenção da Fifa é realizar a abertura da Copa na arena de Itaquera.

A verba privada no Mundial é menos de 10% do que o BNDES vai usar para financiar os projetos das arenas.

Em 2007, quando o país ganhou o direito de abrigar a Copa pela segunda vez, a CBF, responsável pela candidatura brasileira na Fifa, estimou que o país gastaria pouco menos de R$ 2 bilhões com estádios. A conta atual já superou os R$ 5 bilhões.

A projeção de investimento dos brasileiros supera a cifra gasta pelos sul-africanos no Mundial-10. A África do Sul pagou R$ 3,9 bilhões para erguer dez estádios, dois a menos do que no Brasil.

Alguns dos projetos da África do Sul são arquitetonicamente mais ousados do que os brasileiros, como o do Soccer City, em Johannesburgo, além das arenas da Cidade do Cabo e de Durban.

Por José da Cruz às 08h34

25/02/2011

Copa 2014: a roubalheira anunciada

Leio na Folha de S.Paulo desta sexta-feira, 25, depoimento do presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, sobre os bastidores do nosso futebol e o racha entre os clubes, atraídos pelas negociações diretas com a TV Globo.

       Fábio Koff não diz, mas lendo o que assinou, imagino que, nas reuniões do Clube dos 13, esses senhores do futebol devam ir de terno, gravata e ... caneleiras.

Destaques

       Com licença, Juca Kfouri, mas reproduzo, a seguir, apenas dois breves depoimento de Fábio Koff:

       “Saio de sua casa (onde fica o escritório de Juca) honrado por nosso reencontro, disposto a ouvir as críticas que merecer e a lutar para, quem sabe, ajudar a evitar também a roubalheira que querem fazer em torno da Copa.”

       E conclui Fábio Koff:

       “Aliás, e o Orlando Silva Jr?

       Que decepção!

       Mas confio na Dilma. Ela não permitirá a farra que querem fazer”.

Por José da Cruz às 18h38

Gesta de Melo e PCdoB no "Histórias do Esporte", amanhã

Um dos mais bem produzidos programas de reportagem da televisão brasileira – Histórias do Esporte – vai ao ar amanhã, sábado, às 23h, na ESPN Brasil.

É a oportunidade de o torcedor acompanhar um pouco da realidade esportiva fora das quatro linhas e o ambiente dos que ainda não se tornaram famosos.

Os repórteres e produtores Marcelo Gomes e Roberto Salim antecipam o roteiro das reportagens, que é sugestivo, depois de uma semana em que o noticiário, fora do futebol, foi dominado por denúncias de corrupção (que novidade!!!) e abuso de poder dos cartolas (outra que ninguém sabia...).

Confiram

1.  O boxeador Lino Barros levou calote com um cheque sem fundos da Federação de Boxe do Mato Grosso do Sul.

2.  O renascimento de Fabiana Alves dos Santos, da seleção brasileira de Bobsled, abandonada pela Confederação de Desporto no Gelo, depois de um acidente na Alemanha.

3.   No Taekwondo, mestre Tilico, ex-técnico da Seleção Brasileira, cego de um olho, mostra como formar campeões.

4.  Roberto Gesta de Melo, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, fala sobre seus 23 anos de cartola.

5.  Um raio X dos escândalos do PCdoB, partido do Ministro dos Esportes, Orlando Silva. Novas denúncias de desvio de dinheiro público em benefício de políticos do próprio partido.

6.   A  equipe da ONG Contas Abertas, em Brasília, mostra como acompanha a execução do Orçamento da União, de olho nos gastos da Copa 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

7.   Bomba: Marco Antonio Ramos, advogado do Pedro Balikian, fisiologista envolvido no maior escândalo de doping da história do atletismo do Brasil, defende a liberação do doping com acompanhamento médico. Ele diz que todo atleta do alto rendimento faz uso de hormônios e anabolizantes.

Por José da Cruz às 10h25

24/02/2011

O esporte como instrumento de influência política

O passado recente – a partir de 2003 –, o  presente e o futuro – não se sabe até quando – do esporte nacional estão intimamente vinculados às decisões de especialistas do PCdoB.

São eles que, em vários setores do Ministério do Esporte, tomam decisões em todos os segmentos – educacional, lazer e rendimento.

Assim, enquanto muitas decisões repercutem negativamente na imprensa, escancarando os desmandos dos gestores de ocasião, a direção do partido reage e fala em “notícias plantadas”.

Para melhor entender o momento político-esportivo, leia o artigo a seguir, escrito por quem conviveu com os bastidores do PCdoB.

Por Marcelo Leandro Ribeiro

Renato Rabelo, dirigente máximo do PCdoB, é um obstinado. Vice-presidente da UNE na década de 60 e um dos articuladores da fusão entre a Ação Popular e o PCdoB, sempre foi um estrategista vigoroso. Habituado aos bastidores, sem a exposição dos detentores de mandatos ou mesmo dos dirigentes de outras siglas, teve a missão de assumir o comando do partido após a morte do lendário João Amazonas. E sob o lema de olhar mais para o partido iniciou uma guinada rumo à obtenção de suas posições atuais: o PCdoB saiu da CUT e construiu uma central sindical em que tem predominância política, manteve a direção das entidades do movimento estudantil, atingiu o Senado, obteve ministérios e chegou, com Aldo Rebelo, a ocupar a presidência da República por algumas horas de sonho.

Contudo, Renato, aparentemente, não perdeu uma característica dos velhos comunistas dos anos 60: a mania de perseguição.

Em entrevista conduzida pelo portal de seu partido, o dirigente esforça-se em demonstrar que as denúncias contra o Ministério do Esporte – inicialmente publicadas pelo jornal Estado de São Paulo- são inverídicas, e que em nada atingem o PC do B nem o ministro. Alega que foram plantadas.

Em outro trecho, porém, reconhece que os fatos citados pelo periódico são de conhecimento público. Sente-se perseguido e alega que tem gente grande interessada em criar turbulência entre o PCdoB e o governo. Ora, imagino o mal estar da presidente com as denúncias. E bem sabemos, Dilma nunca foi simpática a Orlando – talvez rememore os tempos em que ela era uma técnica subalterna do segundo escalão do governo e Orlando, já detentor de autoridade, a impor-se em reuniões com a arrogância que alguns funcionários do ministério alegam tê-lo contaminado.

Não precisamos explicar a Renato as formas como uma força política pode beneficiar-se financeira e politicamente de suas posições, e nem como grupos podem criar condições de aparelhamento através de estruturas como a capilarização propiciada pelo Segundo Tempo. 

Contudo, como explicar as constatações do Estadão? Como não iniciar debate sobre a atuação de quadros do PCdoB espalhados pelo Brasil e que aparecem nas reportagens como beneficiários de recursos que nem chegaram a transformar-se em sombra de projetos sociais? E a intrincada relação de vício administrativo do projeto com a contra-partida de prefeituras repassadas a ONG para manter o Segundo Tempo?

Achar que uma comissão do próprio ministério vai apurar algo é acreditar no impossível. As raposas estão tomando conta do galinheiro. E, vorazes, chupam os ovos alegremente. Não cabe mais ao ministério a apuração de nada. As denúncias já atingiram níveis preocupantes e merecem a atenção do Ministério Público e de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Marcelo Leandro Ribeiro – Especialista em Biossegurança, consultor de empresas

Por José da Cruz às 17h25

A péssima lição do atletismo brasileiro

        Circula na rede slogan que vem da Líbia:

        “Já passou a época que o rei comprava os súditos com dinheiro”.

        Enquanto isso, no poderoso Reino Amazônico...

        Numa assembléia em que a maioria dos 47 eleitores é subsidiada com dinheiro público, na forma de “apoio”, “auxilio” ou “reconhecimento”, o presidente  da CBAt, Roberto Gesta de Melo – dono da caneta e do cheque – aprovou suas propostas de mudanças no rumo do atletismo:

        Reeleição, AGORA, 24 anos depois de “gestão do Gesta” só uma vez.        E com voto secreto!

        É a chamada democracia da saída. Ou seja, só vale quando o rei está com o pé fora o trono.

Porque, nas duas décadas e meia que reinou, o jogo era o da continuidade. E ai de quem ousasse se opor!

Conversei várias vezes com Gesta de Melo sobre a continuidade  dos cartolas, num país em que até o presidente da República tem limitação de dois mandatos.

E ele sempre se manifestou contra a idéia de mudar o estatuto. Mas faz isso agora e proclama:

        "Este é mais um momento especial", disse Gesta de Melo.

        Especial para quem fica ou para quem sai?

Vergonha

        Senhores do esporte, atletas, técnicos, árbitros, gestores: a assembléia de Manaus é a síntese da vergonha total do nosso atletismo, ao lado das dezenas de notícias sobre doping nessa modalidade.

        Fora os presidentes das federações de Santa Catarina, Walmor José Battistotti Filho, do Rio de Janeiro, Lancetta, e de Brasília, a ex-atleta Carmem de Oliveira, que não se curvaram como sabujos às exigências do rei amazônico, os demais devem ter vergonha de encarar os seus atletas.

Os senhores são péssimos representantes, interesseiros de ocasião, que se curvam vergonhosamente ao poder maior, como agem os sem caráter.

É muito triste ver um dos símbolos do nosso atletismo, Nelson Prudêncio dos Santos, ao lado de Gesta de Melo,  como que lhe oferecendo aval às manobras da cartolagem.

Domínio

        Se a notícia sobre a limitação de mandatos e do voto secreto têm o seu valor, a forma e o momento em que foram adotadas escancara o domínio cativante que Gesta tem sobre seus súditos.

E isso é deplorável no mais nobre dos esportes mundiais. Vergonhoso, triste.

Como diz em seu blog o advogado paulista, Alberto Murray Neto, “nenhum ditador sai do poder porque é bonzinho. Sai porque a situação fica insustentável para ele”.

Pedido

Um pedido ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas da União, à Polícia Federal!

Façam uma varredura nas contas da CBAt desde que lá começou a entrar muito dinheiro,em 2001.

Sou contribuinte, pago impostos e foi daí que saiu a grana para engordar a conta da confederação, anualmente. Logo, tenho o direito de saber onde os recursos foram aplicados.  

Leia mais:

http://albertomurray.wordpress.com/

http://esporte.uol.com.br/atletismo/ultimas-noticias/2011/02/24/confederacao-de-atletismo-aprova-limitacao-de-mandato-para-presidentes.jhtm

http://www.cbat.org.br/noticias/noticia.asp?news=4482

Por José da Cruz às 12h35

Maracanã pode ficar sem dinheiro do BNDES

 

Alessandra Saraiva - Agência Estado

As irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na licitação das obras do Maracanã podem deixar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de fora do orçamento das obras de reforma do estádio do Rio de Janeiro.

O alerta partiu do diretor de Inclusão Social e Crédito do banco, Élvio Lima Gaspar, que também vê "com preocupação" o andamento das obras na futura arena de Itaquera e ainda em Natal.

Notícia completa:  

Por José da Cruz às 10h30

Depois do Segundo Tempo, prorrogação...

Da coluna de Cláudio Humberto

Pensando bem...

... o ministro Orlando Silva deveria pedir um tempo, após tantos escândalos no Esporte.

Seria muito bom, Cláudio, pois esse ministro já está na prorrogação...

 

Por José da Cruz às 10h03

23/02/2011

COB Cultural faz homeagem a João Havelange

       O Comitê Olímpico Brasileiro lança, nesta quinta-feira, o 40º título do selo COB Cultural. O homenageado é “O dirigente esportivo do Século XX – João Havelange”.

       Em 240 páginas, os organizadores do livro, José Mário Pereira e Silva e Marta Vieira, contam a trajetória deste ex-atleta que se tornou presidente da poderosa Federação Internacional de Futebol, quando deu à modalidade estrutura para se tornar um esporte com poderoso apelo de marketing e, em decorrência, de negócios bilionários.

       “Ninguém tem coragem de mexer com o futebol. Ninguém diz ´não´ao futebol”, diz Havelange, num dos capítulos do livro-homenagem.

       Por conta disso, autoridades mundiais se rendem aos comandantes do jogo da bola. Os legislativos, inclusive, como o brasileiro, abrem mão de valores expressivos de impostos, curvando-se às exigências do poder da bola.

E é com essa autoridade e a experiência de ter conduzido a realização de vários Campeonatos Mundiais que Havelange tem comentado sobre os atrasos nas obras para receber a Copa 2014.  

Hoje, o ex-cartola deverá renovar suas críticas. Das 18h30 às 18h50  ele atenderá a imprensa, antes do lançamento do livro, no Country Clube do Rio de Janeiro, em Ipanema.

Por José da Cruz às 22h56

Propostas do Confef para o esporte nacional

 

Por Jorge Steinhilber

Presidente Conselho Federal de Educação Física 

 

Nos dias 17 e 18 de fevereiro de 2011 o Jornal o Globo veicula matéria a respeito da posição do TCU sobre a questão do esporte relacionado ao apoio a jovens talentos a investimentos para atletas de alto rendimento e sobre a questão dos gastos.

Tomou a precaução de ouvir dirigentes esportivos no sentido de informar a população a respeito de tão relevante assunto, principalmente quando está a nossa porta o stunami esportivo – os mega eventos dos quais o Brasil será sede a partir deste ano – e a mídia tem a responsabilidade ética de contribuir para que o mesmo nãos seja apenas uma competição ou um evento em busca de medalhas e sim que sejam considerados os legados sócio-educacionais que podem e devem advir do momento em que o Brasil é a capital esportiva mundial.

As matérias veiculadas abordam quase que exclusivamente a questão relativa a recursos financeiros, sua distribuição e o fato do país almejar se tornar uma potência Olímpica.

O TCU, pela reportagem, abordou o viés dos gastos relacionados ao alto rendimento e a conquista desse patamar de potência Olímpica.

Contudo,acreditamos que outra visão também deva ser abordada e inserida no contexto da discussão pois tem tudo a ver com Política Pública e com o tônica de que o esporte não é só uma questão de competição, busca de medalhas e surgimento de ídolos (que são importantíssimos para qualquer país vez que estimulam a sociedade) mas sim com a busca da conquistas de campeões para a vida, a ferramenta esporte como estímulo à prática de atividades físicas aos jovens, idosos e mulheres, contribuindo para diminuir o sedentarismo e minimizar a epidemia de obesidade que assola nosso país, conforme pesquisa do Ministério da Saúde.

        Penso que deva ser, também, difundido o acerto do Governo Lula ao criar o Ministério do Esporte, órgão insistente até então. Certamente sendo um órgão governamental novo está em fase de consolidação e certamente com a sociedade, a mídia e as entidades esportivas participando e percebendo a importância do esporte como fator de desenvolvimento e contribuição para a formação cidadã, para a construção de um mundo melhor, para promover a educação, a saúde, o desenvolvimento e a paz, atuando de forma holística para desenvolver o corpo, a mente e o espírito e contribuindo para a preservação do meio ambiente será possível a elaboração de uma Política Nacional de Esporte que seja voltada para a sociedade e não apenas para distribuição de recursos financeiros.

        Importante ressaltar que esse processo vem sendo construído pela iniciativa do Ministério do Esporte em promover as Conferências Nacionais de Esporte. Já foram três edições e se o TCU e a mídia observarem os resultados, o que foi deliberado constatarão que o indicativo é o estabelecimento de uma Política Nacional de Esporte contemplando as três manifestações: Esporte educacional; esporte de participação e esporte de alto rendimento, com vários e importantes indicativos de como construir e implementar ações e programas tanto a nível da disciplina Educação Física escolar, do Esporte na Escola, das iniciações esportivas através de clubes e outras entidades, do fomento ao incentivo aos atletas e das atribuições do Conselho Nacional de Esporte.

        Acreditamos que o Ministério do Esporte não deva e constitucionalmente não possa limitar-se aos esportes Olímpicos. São várias as modalidades esportivas hoje que devem ser incentivadas pelo Governo Federal no sentido de ampliar a prática de atividades físicas pela população. Necessário um Plano Nacional integrado, no mínimo, pelo Ministério do Esporte, pelo Ministério da Educação e pelo Ministério da Saúde para que conquistemos o patamar de potência Olímpica no desenvolvimento do esporte como direito de todos e que o Brasil seja campeão de qualidade de vida.

        O Olimpismo e a educação Olímpica contribuem sobremaneira para que essas conquistas sejam alcançadas.

        Contudo, uma observação necessita de atenção: quais os dados existentes que possam subsidiar instituir uma Política Nacional de Esporte? Sem um diagnóstico efetivo estaremos correndo o risco de estabelecer Planos e Projetos calcados no senso comum ou em observações subjetivas.

 Concretamente temos o diagnóstico de 1971, de autoria do Prof. Dr. Lamartine Pereira da Costa, do Atlas do Esporte no Brasil, também da organização do Dr. Lamartine Pereira da Costa e do Sistema Conselho Federal e Regionais de Educação Física (CONFEF/CREFs) e de um trabalho efetuado pelo Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro a respeito da Educação Física nas Escolas.

        O TCU fez a sua parte no sentido de alertar para os gastos e desempenho dos recursos públicos quanto ao esporte de alto rendimento. O COB e as Confederações Esportivas têm feito sua parte no desenvolvimento desse esporte.

        O Brasil demonstrou credibilidade internacional ao conquistar a sede dos principais eventos esportivos mundiais, tais como a Copa Mundial de Futebol e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

Cabe agora uma ação nacional conjugando esforços dos órgãos governamentais federal, estaduais e municipais, da entidades privadas e civis bem como a mídia para o esporte de fato cumpra seu papel de ferramenta que contribua para a melhoria da qualidade de vida da sociedade, e com a democratização esportiva possam surgir potenciais esportivos para o alto rendimento.

Por José da Cruz às 22h32

A democracia dos espertos e a desordem no esporte

O ministro do Espore, Orlando Silva, saiu da reunião do Palácio do Planalto, ontem, com cara de garoto que fez algo errado, mas não está nem aí. Sabe que não vai acontecer nada com suas travessuras e de seus assessores na péssima gestão do Segundo Tempo. Protegido do PCdoB, o baiano continuará arteiro.

Pois foi inexpressiva a determinação de nossa Presidente Dilma para que Orlando se explicasse à imprensa, sobre as denúncias de corrupção explícita no programa Segundo Tempo.

Explicar-se para a imprensa, Presidente Dilma? A Senhora, seus assessores, o Ministério Público, a Polícia Federal, enfim, não têm curiosidade, no mínimo, de saber onde foram parar milhões de reais do NOSSO dinheiro, desviados de vários projetos que envolvem milhares de crianças?

Solução

       Mas, fiquemos tranqüilos. Orlado Silva abrirá uma sindicância para “apurar possíveis irregularidades”.

E como sindicância e nada se equivalem, antecipou-se, com esta  notícia, que a determinação da presidente foi de mentirinha... Nada que preocupe!

       Os membros da tal comissão de inquérito serão funcionários pagos pelo governo. É sempre assim na Esplanada dos Ministérios. E para não perderem o cargo funcional assinarão embaixo do que lhes for ditado. E os fatos estarão explicados e sepultados, enquanto muita gente dará risada apalpando o bolso, repleto de dignidade...

Mergulho na escuridão

            A corrupção do Segundo Tempo não é fato isolado. O Tribunal de Contas da União sabe que está na hora de começar um mergulho na escuridão das contas do nosso esporte de rendimento. Contratos, convênios, orçamento do Ministério do Esporte, Bolsa Atleta e Lei de Incentivo, são bombas armadas que, detonadas, farão o caso do Segundo Tempo ficar, de fato, em segundo e distante lugar.

E quando essa ação começar, a partir do TCU, para  demonstrar que, em 10 anos, milhões de reais foram jogados fora, revelando a incompetência da maioria os gestores esportivos, com certeza muito presidente de confederação antecipará eleições. Fugirão de suas responsabilidades, alegando que se trata de iniciativa democrática...

Enquanto isso, técnicos, atletas, profissionais de educação física, árbitros, pais de atletas, enfim, continuam em silêncio, avalizando a desordem no esporte.

Por José da Cruz às 17h16

Atletismo realiza hoje sua assembleia democrática

       Hoje é um dia importantíssimo para o esporte olímpico, em geral, e o atletismo, em particular.

       Em Manaus, realiza-se a assembléia da Confederação Brasileira de Atletismo – CBAt. É lá que o presidente, Roberto Gesta de Melo, há 24 anos no poder, apresentará proposta para mudanças no estatuto da entidade. Por exemplo, eleger o presidente da CBAt hoje e empossá-lo daqui a um ano. Tanto tempo, que foge à norma mundial, é para que o ilustre eleito ganhe experiência...

       Também, será apresentada proposta para “concessão de auxílio financeiro às filiadas (federações).

Auxílio

Reparem, no país dos Jogos Olímpicos trata-se, a cinco anos do evento, de “auxílio”, e não de investimentos em projetos nas instituições que trabalham diretamente com os clubes, onde estão os atletas.

       Além dos presidentes de federações estão aptos a votar representantes de clubes. Como se os clubes já não estivessem representados pelas federações.

       Entenderam a manobra?

       Gesta faz um ato de bondade, de cortesia, como se fosse o desdobramento da democracia, colocando clubes para votar e,indiretamente, fortalece sua trincheira com os votos que precisa para aprovar o que bem entende.

       Será que Gesta de Melo imagina que do lado de cá estão ingênuos, como muitos que o apoiam? Em caso positivo o ingênuuo é ele claro. Ou "ingênio". Ingênio e esperto. E, assim registramos mais um capítulo dessa estranha democracia do atletismo.

       E aprovando essas aberrações lá estarão ilustres nomes do nosso esporte, a sacudir a cabeça, obedientemente, como André Domingos, Cláudio Roberto Souza e por aí vai. 

       Foram os primeiros que respoderam ao pedido de Gesta de Melo para que enviassem apoio a ele, por escrito, logo que denunciei a farsa dessa eleição.

       E lembrar como, um dia, esses mesmo atletas se referiam à CBAt...  

Por José da Cruz às 01h54

Dilma manda Orlando Silva se explicar sobre denúncias de corrupção no Segundo Tempo

       A repórter Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo, informa de Brasília que "a presidente Dilma Rousseff aproveitou as denúncias de fraude envolvendo programas do Ministério do Esporte para enquadrar o PC do B, que comanda a pasta, e conter o apetite do partido por cargos." 

       A repórter informa, também, que a presidente da República mandou o ministro do Esporte, Orlando Silva, explicar sobre as acusações de gravíssimas irregularidades no programa Segundo Tempo.

        Leia a reportagem.

Por José da Cruz às 01h51

Cabide de empregos da Autoridade Pública Olímpica perde 329 cargos

Depois que saiu das mãos do Ministério do Esporte, a estrutura da Autoridade Pública Olímpica deixou de ser o cabide de empregos que se desenhava para contar, por enquanto, com equipe enxuta.

Dos 500 cargos previstos, o futuro titular do órgão, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meireles, terá 171 contratados.  Os cortes foram uma imposição do Palácio do Planalto.

A propósito, o  artigo 171 do Código Penal trata das punições para “estelionatários”, mas não há qualquer relação com o número de vagas para a APO. Coincidência, claro.

Segundo a repórter Ana Flor, da Folha.com, o ministro Antonio Palocci (Casa Civil), Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e Orlando Silva (Esporte) definiram, na tarde desta terça-feira, as mudanças no projeto que cria a Autoridade Pública Olímpica (APO).

Depois de o governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), e do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) pedirem mudanças no projeto à presidente Dilma Rousseff, o governo decidiu substituir o texto por uma versão negociada com os governos estadual e municipal.

Segundo o relator do texto na Câmara, Daniel Almeida (PMDB-BA), que participou da reunião dos ministros, o presidente da APO, cargo que deve ser ocupado por Henrique Meirelles, ficará abaixo de um Conselho Público Olímpico, que terá apenas três membros: a presidente da República, o governador do Rio e o prefeito do Rio - ou seus representantes.

Será este conselho, segundo o relator, que definirá a carteira de projetos para as olimpíadas - e não mais a empresa Brasil 2016, que poderá não sair do papel.

Por José da Cruz às 23h22

22/02/2011

Segundo Tempo faz água: a fraude escancarada

       Em entrevista ao O Estado de S.Paulo, a vereadora e ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues (PC do B) admitiu a cobrança das prefeituras para oferecer o Programa Segundo Tempo. Argumentou que precisa dos recursos para pagar a contrapartida de R$ 520 mil exigida pelo Ministério do Esporte.

Eis a reportagem

Por José da Cruz às 22h32

Segundo Tempo: cobrança ilegal de taxa de intermediação

Da série de reportagens sobre irregularidaes no Segundo Tempo, que o companheiro Leandro Colon publica em O Estado de S.Paulo, a de hoje é uma das que escancara o esquema mais escandaloso e revela o uso de um programa de governo em benefício partidário.

Diz o seguinte:

A organização não governamental (ONG) Bola Pra Frente cobra de prefeituras uma taxa de intermediação do Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, comandado por Orlando Silva, filiado ao PC do B. Documentos obtidos pelo Estado revelam que a entidade, dirigida por membros do partido, exige de prefeitos do interior paulista uma comissão para levar o Segundo Tempo para as cidades.

...

Para beneficiar 600 crianças na cidade de Cordeirópolis (SP) com o projeto do governo federal, a ONG Bola Pra Frente cobrou da prefeitura uma taxa mensal de R$ 15 por aluno. Segundo os documentos, a prefeitura teve de pagar R$ 90 mil no ano passado para a ONG, em parcelas mensais, num prazo de 10 dias, após o "recebimento dos serviços".

Leia aqui a reportagem.

Por José da Cruz às 22h15

Orlando Silva na marca do pênalti

        A coluna Painel, da Folha de S.Paulo, editada por Renata Lo Prete, divulgou a seguinte nota, no domingo:

Perdas e danos – Num momento turbulento para Orlando Silva, há quem enxergue uma ação, articulada por setores do Planalto e do PCdoB, de "resgate" do deputado federal Aldo Rebelo (SP). Seu desempenho na votação do salário mínimo ganhou elogios no governo.

       Em Brasilia, partidos de oposição ao governo  articulam-se no Congresso Nacional para investigar as contas do Ministério do Esporte, envolvido em dezenas de denúncias de corrupção do programa Segundo Tempo e com péssima gestão do Bolsa-Atleta.

       A uma semana de terminar o segundo mês do ano, o Ministério do Esporte ainda não divulgou a relação dos contemplados com a bolsa de 2010...

       Enfim, movimentações para colocar ordem no Ministério que tem a responsabilidade de conduzir a realização de uma Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil.

        De repente, sem conseguir ser eficiente em todas as frentes, Orlando Silva ficará cuidando só dos assuntos de 2014 (Autoridade Pública a Copa?) e abre espaço para outro político mais afinado com o perfil do governo da presidente Dilma Rousseff, como o deputado Aldo Rebello.

        E pensar que Orlando ainda brigou para ser Autoridade Pública Olímpica!!!

        Querem nos enlouquecer!

 

 

Por José da Cruz às 10h23

Segundo Tempo: farra com dinheiro público chega a Santa Catarina

        O repórter Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo revela mais uma espetacular fraude no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte.

        São constatações tão graves que o Palácio do Planalto – assessorado pela Procuradoria Geral da República, Controladoria Geral da União e Polícia Federal – deveria intervir urgentemente no Ministério do Esporte, órgão gestor do Segundo Tempo.

As denúncias, que vêm desde o tempo do ex-ministro Agnelo Queiroz, demonstram que o órgão dirigido por Orlando Silva, desde 2003 tornou-se uma caixa preta intimamente vinculada aos interesses do PCdoB.

Tem muita gente saqueando os cofres públicos, ganhando dinheiro fácil, e isso foi provado quando a Polícia de Combate ao Crime Organizado, em Brasília, prendeu cinco envolvidos no esquema, no ano passado. De cada investigação surge outra. Mas a maior que tive conhecimento envolve a Federação Paulista de Xadrez e a Prefeitura de Americana, em São Paulo.

        A reportagem de Leandro diz, entre outras revelações:

O Ministério do Esporte publicou em janeiro um convênio de R$ 16 milhões do Programa Segundo Tempo com uma entidade dirigida por membros do PC do B, em Santa Catarina, que não havia cumprido o prazo de convênio anterior com o próprio ministério para cuidar do mesmo projeto.

Presidido por Rui de Oliveira, filiado ao PC do B, o Instituto Contato teve seu contrato rescindido em dezembro, segundo decisão do ministério publicada no Diário Oficial da União, "tendo em vista o não cumprimento do objeto pactuado, quanto à realização das atividades constantes no Plano de Trabalho, e o não cumprimento das metas físicas e financeiras previstas no Plano de Aplicação".

Integrante da direção estadual do PC do B em Santa Catarina, Simone Fraga é quem coordena o Segundo Tempo, projeto usado como bandeira na campanha eleitoral passada de João Ghizoni, que foi assessor especial do ministro do Esporte, Orlando Silva, ambos filiados ao PC do B. Ghizoni tentou, sem sucesso, uma vaga no Senado.

Comunidades carentes (em Florianópolis) avisam que não querem mais continuar com o Segundo Tempo. "Foi vergonhoso. O Segundo Tempo não tem qualidade como projeto social. Quando nos procuram é uma maravilha, depois não fazem nada", reclamou Rosângela Amorim, presidente do Conselho de Moradores do Saco Grande, periferia da cidade.

        Leia a reportagem completa aqui

Por José da Cruz às 07h58

21/02/2011

CBAt quer levar atletismo às escolas

Da Assessoria de Imprensa da CBAt

Manaus – Apresentar aos responsáveis pela área esportiva dos Governos Estaduais um projeto para levar o Atletismo às escolas. Esse é o principal objetivo da reunião dos membros da Assembleia Geral da Confederação Brasileira de Atletismo com Secretários Estaduais de Esportes, marcada para a próxima quinta-feira 24, em Manaus. O encontro acontece um dia depois da Assembleia Geral da CBAt, que também será realizada no Cesar Business Hotel, na capital amazonense.

Nos encontros anteriores promovidos com secretários de esportes, várias conquistas foram obtidas para facilitar o trabalho das Federações Filiadas em seus Estados, como a cessão de local para funcionamento das Entidades, convênios para a realização de certames estaduais e ainda no deslocamento de seleções.

A presença dos secretários é importante, explica o presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo. Muitos falam, com razão, que é fundamental introduzir a prática esportiva nas escolas. Diversas vezes fiz esta proposta aos órgãos governamentais. Temos um projeto fácil de implementar o MINIATLETISMO, desenvolvido pela IAAF e na versão em português adaptado à situação brasileira, prossegue Gesta.

Vamos entregar aos secretários uma CARTILHA, com explicação detalhada para o desenvolvimento do MiniAtletismo, que é voltado para crianças de 7 a 12 anos. Praticamente não há custo, basta um espaço para que as crianças tenham acesso à iniciação ao Atletismo, que é o esporte-base e, por isso mesmo, servirá também para os que posteriormente preferirem se dedicar a outras modalidades. Todo professor estará, com a Cartilha, aparelhado para orientar os alunos a produzir o próprio material necessário. É também uma atividade lúdica e de educação ambiental, complementa o dirigente.

Por José da Cruz às 22h55

Confederação de Remo explica sobre programação para o Pan

Recebi do presidente da Confederação Brasileira de Remo, Wilson Reeberg, resposta à mensagem da remadora Fabiana Beltrame, que hoje publiquei.

Destaco, mais uma vez, a atenção com que o presidente da CBR tem atendido aos meus questionamentos, demonstrando sempre disposição ao diálogo. Eis a mensgem:

 

“A seletiva nacional terminou no dia 7 de fevereiro, e levamos até sexta-feira, dia 11,  corrigindo tempos para anular o efeito de ventos, revisando dados e formatando tabelas de modo a que o resultado fosse totalmente confiável. Na  segunda semana, agendamos uma reunião no COB para nos inteirarmos do seu planejamento referente ao Pan-Americano e confrontar com o nosso, adequando-o no que fosse necessário.

Por dificuldade de agenda, somente conversamos na última quinta-feira, dia 17. Em decorrência dessa reunião, estamos reavaliando o número total de atletas que serão convocados, quem vai treiná-los, aonde e quando.  

       Compreendo a ansiedade dos atletas, mas não se trata simplesmente de anunciar resultados.

       Gostaria de comentar algumas afirmações da Fabiana 

1ª) Que a maioria das seleções de outros países já está formada e treinando. 

Se ela estiver se referindo a algum país de clima quente,  é até possível. Mas nos países do hemisfério Norte, onde está o remo mais poderoso do planeta, os atletas estão, há meses, remando individualmente em remoergômetros, participando individualmente de competições nessa máquina e a partir de agora é que serão pré-selecionados em função dos resultados obtidos nas máquinas. Devido a temperaturas que hoje oscilam entre -10 e -30º C, é impossível por um barco na água. Dizer que a seleção já está formada está longe da realidade.

 

E por acaso os remadores brasileiros que estavam de olho numa vaga na seleção, estavam parados??? Não estavam eles treinando para o Campeonato Brasileiro de Remo Indoor? Não estavam em forma? Como explicar que os quatro remadores que foram representar o Brasil no CRASH-B (Mundial de Remo Indoor) voltaram com uma medalha de ouro e três de prata?

       Outro mito frequentemente divulgado é o das "guarnições formadas". Em qualquer país de remo desenvolvido onde existam três ou quatro remadores para formar um double ou um dois sem, eles vão disputar a vaga às vezes até a véspera de embarcar para o Mundial. Vejam o caso do "oito", o barco mais difícil de ser formado, justamente por envolver grande número de atletas. Qual o país que em fevereiro já tem sua guarnição definida? Nem o país campeão mundial do ano anterior a tem. Cada atleta passará meses lutando, a cada ano, tentando garantir um lugar no barco. 

       "Guarnição formada" só acontece quando os que a compõem são tão superiores aos demais, que não existe ninguém à altura de substituí-los. Analisem, estatisticamente, os vencedores dos mundiais e digam qual o percentual das que permanecem sem alterações de um ano para outro.

 

2ª) - Faltam menos de oito meses para os Jogos Pan Americanos.

Qual país do hemisfério Norte dispõe de oito meses para  preparar sua equipe para o Campeonato Mundial? Nenhum! Isso afeta o desempenho de seus atletas? Parece que não, porque são eles que realizam os melhores tempos do mundo. E qual país treina direto, atravessando de um ano para outro, só porque a Copa do Mundo começa em maio? Se o fizer, não haverá periodização do treinamento que resista. Muito menos atleta.

 

3ª) - Ainda não ficou esclarecido como e quando vão ser montadas as guarnições que representarão o Brasil nesse ano tão importante.

Esperamos começar o treinamento em março, assim que tivermos definido a logística e assegurado os recursos financeiros. O Brasil tem dimensões continentais, custa caro deslocar e manter atletas fora de suas cidades. O fato de a maioria dos atletas ser do Rio de Janeiro ajuda nos custos, sem dúvida, mas o que sobra ainda representa uma despesa muito grande para uma confederação que só herdou contas para pagar e tudo para fazer.

 

4ª) - Quais serão os benefícios para os 12 primeiros colocados e quando isso de fato vai começar a acontecer?

A informação está no site da CBR. Estamos trabalhando no preparo da documentação para apresentar aos atletas. Tudo isso é novo. Nada jamais existiu no remo. Tudo tem que ser criado e isso demora um pouco.

 

5ª) - E quem ficou de fora, como faz pra correr atrás do prejuízo?

Como informado nos critérios das seletivas (vide site da CBR), será dada aos não convocados a chance de desafiar a seleção brasileira, em data, local e condições que forem fixadas pela CBR. 

 

Wilson Reeberg

Por José da Cruz às 21h59

Remo: E agora?

                               

       Do blog “Donas da Bola” peguei a informação que transcrevo a seguir. É assinada pela catarinense Fabiana Beltrame, atleta do Flamengo, nossa primeira remadora em olimpíadas, Atenas 2004.

Fabiana, é bronze na Copa do mundo de Lucena, na Suíça e quarto lugar no Campeonato Mundial de Nova Zelândia. Leiam o seu comentário:

Já se passaram duas semanas da seletiva, e até agora não tivemos nenhum posicionamento da Confederação Brasileira. Enquanto a maioria das seleções de outros países já está formada e treinando, o Brasil mais uma vez, na minha opinião, já sai alguns barcos atrás. Faltam menos de oito meses para os Jogos Pan Americanos, isso sem falar nas Copas do Mundo e Campeonatos Mundiais, que já começam a acontecer em maio.

Ainda não ficou esclarecido como e quando vão ser montadas as guarnições que representarão o Brasil nesse ano tão importante. A seletiva foi feita, os atletas fizeram a sua parte, mas agora estão na expectativa. Quais serão os benefícios para os 12 primeiros colocados e quando isso de fato vai começar a acontecer? E quem ficou de fora, como faz pra correr atrás do prejuízo? São muitas perguntas, todas elas ainda sem resposta.

Gostaria muito de ver o país subindo no lugar mais alto do pódio, o que não acontece faz muitos anos. E acho que se as coisas não começarem a acontecer “pra ontem”, corremos o risco de não ver essa cena tão esperada novamente.

Vamos aguardar…

Por José da Cruz às 11h28

Segundo Tempo: explicações oficiais


     Referente  às reportagens de O Estado de S.Paulo sobre os desmandos no programa
Segundo Tempo, o Ministério do  Esporte publicou explicações que podem ser lidas aqui

Por José da Cruz às 10h45

ATLETISMO: Gesta empregou mulher, filho e cunhada na CBAt

Na Folha de S.Paulo, hoje

Presidente nega nepotismo, mas emprega família

Daniel Brito

Roberto Gesta empregou na confederação que comanda Hélio Gesta, que é seu filho, sua mulher, Maria da Conceição Aparecida Sales, e a cunhada, Gorete.

Hélio trabalhou de 2005 a 2010 como superintendente administrativo e financeiro da CBAt. Seu salário estava na casa dos R$ 10 mil, valor que gerou desconforto no alto escalão da entidade.
Maria da Conceição, casada com Gesta há mais de 20 anos, é diretora social, segundo o site da entidade.

Mas presidentes das federações apontam que Conceição é uma das responsáveis pela movimentação financeira da CBAt e trata das prestações de contas das afiliadas e votantes. Sua irmã, Gorete Sales, é auxiliar.

A confederação é mantida, em boa parte, com verba pública. A Caixa Econômica Federal injetou mais de R$ 85 milhões desde 2001. Somado ao arrecadado em igual período pela Lei Piva, a entidade recebeu valor superior a R$ 100 milhões.

Mesmo empregando filho, mulher e cunhada na entidade que administra, Gesta nega o nepotismo.

O presidente disse que o filho trabalhou na CBAt porque sua presença foi pedida em assembleia com federações e clubes associados. "Mas Hélio não queria ficar, sempre pedia para sair."

Sobre a atuação de sua mulher, Gesta afirma que o trabalho dela não é remunerado. "Se você encontrar alguém que queira trabalhar para nós de graça, pode me apresentar", falou.

Por José da Cruz às 08h37

20/02/2011

Segundo Tempo: fraude e farsa

No jornal O Estado de S.Paulo, hoje

Cercado por fraudes, Segundo Tempo turbina caixa e políticos do PC do B

Projeto do Ministério do Esporte só em 2010 distribuiu R$ 30 milhões a ONGs de dirigentes e aliados do partido; ‘Estado’ percorreu núcleos esportivos no DF, GO, PI, SP e SC e flagrou convênios com entidades de fachada, situações precárias e de abandono.

            A reportagem está aqui.

Por José da Cruz às 18h28

Carta aberta a Gesta De Melo

Por Alberto Murray Neto

São Paulo, 19 de fevereiro de 2.011.

Nunca tinha acessado o sítio da Confederação Brasileira de Atletismo ("CBAt"). Hoje o fiz. Disseram-me que Você havia emitido uma nota sobre o relatório do Tribunal de Contas da União, tornado público nesta semana o qual, com propriedade, constata que a despeito dos vultosos recursos públicos que abarrotam os cofres do esporte olímpico brasileiro, os resultados são desprezíveis. Assim, resolvi ler a tal nota.

Com todo acatamento, seu apontamento não poderia ser mais desavergonhado. A exposição de motivos do TCU atinge em cheio a cara da sua Confederação, confirmando a administração defeituosa que, ao longo de tantos, consumou-se sob a sua batuta. E sua reação às exposições de motivos do TCU restringe-se à bajular aquele Tribunal, como se a realidade desastrosa em que se encontra o esporte nacional passasse ao largo de suas responsabilidades.

Encaminho a Você esta carta aberta, para que ela estimule o debate. Incentive a reflexão. Provoque mudanças imediatas.

Se antes faltava dinheiro, o que agora não se tem é gestão. Dinheiro tem existido de sobra. E a verdade, da qual Você não poderá desviar-se, é que tendo recebido tanto dinheiro, os resultados obtidos foram parcos. Claro que, hoje, eles são um pouco melhores do que há vinte anos. Mas poderiam, não tenha nesga de dúvidas, que poderiam ser monstruosamente melhores vis-a-vis o volume de recursos que vem recebendo.

Sua análise sobre as constatações do TCU são, portanto, a expressão de alguém que parece desesperadamente acuado pelo turbilhão de críticas que recebe. E que, com receio de enfrentar a questão como deveria, limita-se a servilmente adular as autoridades públicas que, se tiverem anseio político, morderão os seus calcanhares.

Ao contrário do que fez, teria sido justo, correto, ter pedido demissão. Sim, ter tido a altivez necessária para compreender que seus projetos, assim como de seu patrão, fracassaram.

A CBAt é uma das Confederações mais ricas do País, seja pelo dinheiro público que recebe da Caixa Econômica Federal, seja pelos repasses da Lei Piva, com a qual tem sido agraciada. E, ainda assim, levou-se 24 anos para garimpar uma medalha olímpica dourada.

Se pudéssemos vislumbrar que, apesar de os resultados olímpicos terem sido ruinosos durante seu longuíssimo mandato, o atletismo tivesse massificado-se no Brasil, seria um alento. Mas nem isso ocorreu.

E não me diga, Você, que popularizar esta modalidade e torná-la acessível ao povo pobre, não é papel da Confederação. É, sim! E essa obrigação fica ainda mais evidente quando, repita-se, sua Confederação é sustentada por dinheiro público.

Caberia às Confederações, ao Comitê Olímpico, com o dinheiro que agora têm, buscar os poderes públicos para a realização conjunta de programas sociais desportivos de longo prazo. É assim que se constrói uma base sólida de onde, futuramente e de forma natural, em um País tão populoso quanto o nosso, surgirão os expoentes olímpicos. E Vocês não fizeram isso.

Inconstestável que as pouquíssimas medalhas que obtivemos ao longo desses 24 anos foram muito mais produto de esforços isolados, talentos naturais, do que decorrentes de um trabalho planificado, de longo prazo. A participação da CBAt nas parcas medalhas, senão nulas, foram irrisórias, desprezíveis.

Vocês erraram feio em suas prioridades. Lembro de reuniões havida no Comitê Olímpico em que seu patrão pedia às Confederações se empenham-se junto às suas Federações Internacionais para trazer eventos de grande porte para o Brasil.

Pensava eu, se com tanto dinheiro entrando nas contas do esporte olímpico, seria muito melhor se a orientação fosse outra. Em vez de pedir às Confederações um plano de massificação e detecção de talentos, os objetivos concentravam-se em sediar eventos.

Vocês perderam uma oportunidade de ouro (sem trocadilhos), de revolucionar o esporte do Brasil. Tem usado o dinheiro nas prioridades equivocadas.

Entendo que a questão é também ideológica. Alguns pensam no Brasil. Outros preferem dar atenção, antes de tudo, às entidades internacionais a que pertencem. Detesto a hipocrisia dos patriotas de plantão, normalmente pessoas inescrupulosas.

Trazer Jogos Olímpicos para o Brasil é uma vitória? No campo político, talvez, sim. Na esfera social, esportiva, certamente não.

Os Jogos Olímpicos não resolverão os problemas do Brasil, nem do Rio. Não fará do Brasil uma potência olímpica (muito embora eu ache essa expressão uma grande bobagem, um factóide).

Não é difícil compreender que o Brasil somente galgará, com frequência, os espaços dos pódios olímpicos quando o País avançar socialmente. Esporte não é medalha. Esporte é, antes de tudo, saúde, educação, cidadania. E é isso que Vocês não viram.

Mais uma vez, Você ensaia a sua saída. Acho que deveria tê-lo feito antes. Mas nunca é tarde para fazê-lo. Não existe democracia no esporte. E sua Confederação não é exceção. Duvido que um Atleta, ou Técnico que levantasse a voz contra sua gestão não sofreria retaliações, não estaria afastado de postos de destaque, não obstante a competência. Certo que a esses também seriam retiradas eventuais remunerações que recebem de sua Confederação e das quais dependem para sobreviver. Não faça como aquela fábula infantil, na qual o rei estava nú, ninguém tinha coragem de contar e ele, pateticamente, achava-se tremendamente bem vestido. A sua assembléia geral, posta como a solução de todos os seus problemas, tenha a máxima certeza, não reflete o que a comunidade do atletismo do Brasil pensa a respeito de sua longa permanência no poder.

Sugiro que amplie a consulta às bases. Promova uma revolução. Leve a cada clube, a cada competição a possibilidade de que todos os Atletas, Técnicos, Dirigentes, Médicos, Fisioterapeutas que são quem realmente fazem o atletismo do Brasil, expressem o seu pensamento pelo voto direto e secreto. Sua assembléia geral não reflete o pensamento do atletismo do Brasil. Nem o tal Fórum. Somente o voto direto, secreto, dará a resposta concreta das mudanças que realmente se fazem imperiosas no atletismo do Brasil, no Comitê Olímpico Brasileiro.

No Comitê Olímpico o casuísmo estatutário é gritante, deboxado. O artigo 26 do estatuto daquele Comitê impõe que somente podem ser candidatos a presidência e vice presidência quem já estiver em um dos poderes do próprio Comitê há, pelo menos, cinco anos. Por que Você acha que essa cláusula marota foi inserida no estatuto? Porque os atuais mandatário tem receio de uma disputa franca, aberta, democrática.

As entidades que Vocês presidem são entidades privadas e, assim, podem fazer o que bem querem com seus estatutos? Mas e o dinheiro que as sustentam, é público, ou privado?

O dinheiro é público. E lidar com dinheiro do povo é coisa da maior seriedade. Não há uma só contra partida social vinda de Vocês.

Alonguei-me nesta mensagem. Minha intenção era de, apenas e tão somente, demonstrar minha indignação com sua nota sobre o devastador relatório do TCU, que lhe atinge em cheio.

Mas os seus erros foram tantos, tamanhos e a vontade real é que Você realmente deixe o seu posto, que aproveito este momento para incitar a reflexão.

À exceção do Tênis de Mesa, tanto o Comitê, bem como as demais Confederações preferiram silenciar sobre o relatório do TCU. Lamentável que quando se é o momento de revelar as entranhas do esporte olímpico nacional, a opção da maioria esmagadora seja imitar o avestruz e enfiar a cabeça no chão.
Cordialmente.
Alberto Murray Neto

Por José da Cruz às 07h08

O TCU e o esporte

Mensagem da Confederação Brasileira de Atletismo
     Algum tempo atrás, a CBAt foi visitada por dois auditores do TCU. Daquela feita, ao invés das rotineiras inspeções de contas, tratava-se da análise do funcionamento da Entidade, o que estava sendo procedido em diversas outras Instituições, para apresentação de um relatório final com um diagnóstico sobre a realidade desportiva do País.
     É um trabalho pioneiro. O TCU abre uma nova fronteira e cria uma perspectiva real de avanço para o segmento desportivo, que carece de uma política nacional unificada, que vem sendo postergada há décadas. É atitude a ser prestigiada e festejada por todos. O TCU parte na frente, vai ao âmago. Procura mostrar caminhos e evitar problemas futuros.
     Tomei conhecimento de que há um relatório desse trabalho. Não o conheço. Li apenas um pequeno trecho publicado na imprensa. Mas deve servir de exemplo e suas orientações seguidas. Poderia haver um grande seminário com gestores esportivos e o TCU para amplos debates. É oportunidade preciosa demais para ser desperdiçada.
     O Ministério do Esporte, em 2011, tem dado sinais claros de que pretende reformular suas ações. Tem realizado reuniões com todas as Entidades de direção esportiva. Deve ser elogiado por isso. Mas precisa de muito mais, como conectar-se com urgência com as Pastas da Saúde e da Educação, para dizer o mínimo. Voltar-se para a ESCOLA primordialmente, com programas orientados para a prática esportiva para todos os estudantes da rede pública. Não é tarefa fácil. No entanto, se continuar sendo adiada, jamais seremos uma nação olímpica.
     Faz-se necessário sim reavaliar as atribuições dos diferentes organismos do sistema desportivo. O que compete a quem. Traçar prioridades e metas, não só de resultados técnicos, mas de mudança de estruturas.
Roberto Gesta de Melo – Presidente da CBAt

Trocando em miúdos:

            Ao afirmar que o trabalho do TCU é “pioneiro”, o presidente da CBAt revela a dimensão da gravidade do problema, pois a orientação para que se dê rumo ao esporte de rendimento vem de um órgão fiscalizador e não do gestor, no caso o Ministério do Esporte.

Reconhecimento público

O presidente da CBAt afirma que “o segmento desportivo carece de uma política nacional unificada, que vem sendo postergada há décadas”.

Ora, o Ministério do Esporte existe desde 2003, e já realizou três conferências nacionais justamente para definir prioridades e fixar metas.

            Porém, diante do relatório do TCU observa-se que, até agora, mostrou-se um órgão com prioridades políticas-partidárias e que as conferências realizadas foram perda de tempo e, principalmente, de muito dinheiro.

Na Conferência 2010, nenhum presidente de confederação compareceu, nem mesmo o COB teve representante. E não perderam nada, pois foi uma reunião de devaneios e de disputas entre grupos políticos do PCdoB e do PT.

Senhor Presidente:

Deixemos por uns instantes nossas desavenças de lado e vamos ser sinceros: não é isso que tenho escrito nos últimos 10 anos?  

Diante de sua declaração não está claro que a tal “desordem institucional” existe? isto é, a falta de relações interligadas e com atribuições bem definidas de cada órgão atuante ao desenvolvimento do esporte?

Constatação        

           Sou sincero, Senhor Presidente: apesar da tristeza dessa realidade constatada pelo TCU, fico feliz em ver o relatório do Tribunal confirmando TODAS as minhas denúncias ao longo dos anos. E, principalmente, vê-lo agora, – justamente o dirigente que tenho centrado minhas últimas críticas — alertando para a necessidade de uma reunião entre as entidades envolvidas no assunto, quando afirma:

            “Poderia haver um grande seminário com gestores esportivos e o TCU para amplos debates. É oportunidade preciosa demais para ser desperdiçada.”

           Longe de me vangloriar com isso, mas chamo a atenção de que não foi por falta de AVISOS que chegamos a esta situação.

            Discordo, contudo, da reunião com o TCU. A reunião tem que ser iniciativa IMEDIATA, URGENTE, INADIÁVEL do Ministério do Esporte com o Comitê Olímpico Brasileiro  e confederações, inicialmente. Com os demais órgãos ministeriais em seguida, e, também, com secretarias afins em nível municipal e estadual. Mas que o ministro tenha algo sustentável para apresentar e não discursos de ocasião.

Finalmente:

            Ao afirmar que “faz-se necessário sim reavaliar as atribuições dos diferentes organismos do sistema desportivo. O que compete a quem. Traçar prioridades e metas, não só de resultados técnicos, mas de mudança de estruturas”, tenho a impressão de que o Senhor até copiou essas frases de meus artigos escritos ao longo dos anos. Nada que o desmereça, pelo contrário!

           Alguém, enfim,  – e justamente quem tem divergências das mais rígidas frente aos meus escritos – se apercebe que o barco está navegando de lado, em mar agitado e sem comandante maior. E que é preciso ajustar as velas e contar com timoneiro firme para que se tenha o rumo desejado. Enfim, alguém, ainda que de forma acanhada, mas verdadeira, faz o alerta!

            Mas, observem todos: o ministério do Esporte, criado em 2003, “tem dado sinais claros de que pretende reformular suas ações”, afirmou Gesta de Melo em sua mensagem acima.

Só agora, oito anos depois dá sinais??? Que progresso!!!

            E, nesse tempo, ninguém se apercebeu da gravidade do problema? Nem COB nem outra confederação alertou o ministro de que era preciso corrigir os rumos? Se foi assim, então as relações entre nossos organismos do esporte precisam,  também, ser repensadas.

Quem sabe até tentaram alertar o ministro Orlando Silva, mas ficaram na dúvida: afinal, havia  algum rumo em curso?

Por José da Cruz às 00h53

18/02/2011

Os desmandos do esporte e a bajulação cínica

O presidente da Confederação de Atletismo, Roberto Gesta de Melo reconheceu, em depoimento ao jornal O Globo, edição de hoje, que as confederações desperdiçam dinheiro público diante da falta de políticas esportivas nacionais.

“Há uma boa vontade muito grande do ministério para discutir as políticas esportivas. Mas às vezes, desperdiçamos muitos recursos porque cada um faz algo diferente.”

A excelência amazônica fala a verdade, quando se refere ao desperdício e que “cada um faz algo diferente”. Isso eu já sabia e escrevi há muito tempo, referindo-me à desordem institucional do esporte. Mas a mesma excelência é cínica quando diz que “há uma boa vontade muito grande do ministério...”

Ora, ora, Senhor Gesta. O Senhor é um cartola com 23 anos grudado à cadeira para dizer uma bobagem dessas? Não há mais como esconder a realidade!! O Tribunal “descobriu” a farsa como se processa o diálogo da boa vontade!!! Está tudo constatado nos mínimos detalhes.

Como falar em “boa vontade” referindo-s e ‘a falta de gestão do PRINCIPAL órgão público do esporte? E qual o resultado dessas boas vontades, Senhor Gesta de Melo?

       Pior: mesmo diante do caos reconhecido e oficializado pelo Tribunal de Contas da União o senhor Gesta e tantos outros agem de forma bajulatória com a autoridade ministerial, num cinismo nunca visto na história olímpica do país.

Pois para quem tinha dúvidas sobre as denúncias da falta de política para o esporte no país, para a incompetência da gestão pública aí está o relatório do Tribunal e a reportagem dos colegas cariocas de O Globo, Ary Cunha, Carol Knoploch e Sanny Bertolo.

A triste realidade

E o que disseram os fiscais do TCU? A lição é dura e real:

       “Para um país que pretende estar entre as dez maiores potências olímpicas, evidencia-se que a atuação do Ministério do Esporte nos últimos anos esteve quase que restrita à concessão de bolsas para atletas, ficando outras ações importantes para o desenvolvimento e estruturação do Esporte de Alto Rendimento com investimentos reduzidos.”

Que tal? Pois tem mais:

“Mesmo assim, até a Bolsa-Atleta apresentou limitações na sua capacidade de execução orçamentária em 2008 e 2009: com valores orçados em R$ 41,1 milhões (2008) e R$ 40,4 milhões (2009), a execução foi de 51% e 25%, respectivamente.”

Ou seja, foram incapazes de gastar um dinheiro que estava disponível.

Cinismo olímpico

       Triste, também, nesse episódio é que nossos dirigentes, que deveriam enfrentar a realidade, agora, para dar rumos ao setor que padece justamente disso – falta de metas, prioridades, definições de competências – alegam desconhecerem  o relatório do TCU, como se já não soubessem do que ali está escrito.

Pois se os senhores precisam de um relatório do Tribunal para ter o balanço do esporte brasileiro, então a situação não é ruim, é trágica!

       Pois a reportagem publicada hoje no jornal O Globo, do Rio de Janeiro, dos repórteres Ary Cunha, Carol Knoploch e Sanny Bertoldo, traz depoimentos em que fica evidente o medo de entrar em choque com o Ministério do Esporte. Em resumo, ninguém sabe, ninguém viu. Assim:

1.- Comitê Olímpico – não leu o relatório, por isso não pode se manifestar;

2. – Confederação de Vôlei – nada a comentar;

3. – Confederação de Desportos Aquáticos--  nada a declarar;

4. - Ah!!! Mas teve a voz potente do Amazonas, Gesta de Melo, ainda presidente da Confederação de Atletismo, que me referi lá em cima.

5. – Confederação de Judô – Tem críticas aos “entraves burocráticos para a aprovação de projetos”.

6. – Confederação de Basquete – merece um capítulo em especial, pois seu diretor executivo, Luis Felipe Monteiro, esnoba o relatório do TCU.

“Não seriam necessárias críticas do TCU para se saber isso”...

Ora, Senhor diretor, não são críticas!!! São CONSTAÇÕES OFICIAIS DE DESMANDOS!!! Preste atenção!

E o restante que falou é de uma falta de coerência tão grade que vou poupá-los, leitores. Algo que me leva a lamentar nas mãos de quem está o esporte nacional.

Por José da Cruz às 23h21

“Ministério falha no esporte de base”

Na Folha de S.Paulo, hoje

OLÍMPICOS
Faltando cinco anos para a Rio-16, TCU aponta fracasso na detecção de talentos

Leia aqui a reportagem completa.

Por José da Cruz às 09h19

TCU: acesso ao esporte é precário

      O recente relatório do Tribunal de Contas da União analisando o atual estágio do esporte de alto rendimento, sob a ótica do financiamento do Estado, via Ministério do Esporte, mostra a precária realidade do país, a cinco anos de receber os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Constatação do TCU

“Embora não haja estatísticas do número de crianças e jovens inseridos em um processo formal de iniciação desportiva, e, por conseguinte, do número de crianças que estão excluídas, nem tenha sido possível fazer essa estimativa nessa auditoria, a análise das limitações encontradas nas principais formas de disponibilização de acesso à iniciação da prática desportiva é suficiente para concluir que o acesso é precário e não democrático.”

Tradição

Na prática, o governo herdou do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, um país sem qualquer estrutura para desenvolver o esporte de forma integrada, a partir do município e estados.

E, nove anos depois de comando do Ministério pelo PCdoB, a situação estrutural é a mesma.

Há mais recursos financeiros, mas a gestão é pavorosa, demonstrando que o órgão governamental trabalha com o foco político-partidário  em detrimento do técnico-institucional que se esperava.

Constatação oficial

Está no relatório do ministro Augusto Sherman Cavalcanti:

“No Brasil, tradicionalmente, as oportunidades de iniciação esportiva se encontravam principalmente nas escolas e nos clubes. Contudo, essas duas opções perderam a capacidade de oferta de vagas para a iniciação esportiva. A indisponibilidade da iniciação à prática desportiva para grande parte do público alvo termina por impedir a disseminação de uma cultura esportiva no país, além da exclusão de grande número de possíveis talentos dos sistemas de detecção para o esporte de alto rendimento.”

Escolas

       Nesse sentido, a pesquisa realizada pelo TCU com escolas públicas de nível fundamental e médio mostra que 79% das resposta mostram atividades lúdicas nas aulas de Educação Física.

“Especialistas na área relatam que algumas escolas, principalmente as particulares, passaram a oferecer a prática desportiva no contra turno, mas esse não foi o quadro para a grande maioria das escolas públicas pesquisadas pelo TCU. Segundo a pesquisa, 75% das respondentes afirmam que não realizam tais atividades no contra turno.”

Por José da Cruz às 00h21

17/02/2011

Escândalo: Ministério demora 417 dias para pagar Bolsa Atleta

 Os auditores do Tribunal de Contas da União constataram que o tempo médio entre a entrada de um pedido da Bolsa Atleta no Ministério do Esporte e o primeiro pagamento é, em média, 417 dias. Ou seja, mais de um ano.

Se o atleta estava no seu último ano de competição corre-se o risco de pagar para quem não está mais na ativa.

Pior: sete atletas da natação contemplados com Bolsa em 2009 não receberam absolutamente nada. Nem explicações do Ministério do Esporte.

 

Eis o relato dos auditores:

“Constatou-se que o tempo médio entre a entrada com a solicitação no Ministério do Esporte e o recebimento do 1º pagamento foi, em média, de 417 dias, ou seja, mais de um ano, considerado demasiadamente excessivo.

 

Nas opiniões manifestadas na pesquisa, atletas e representantes de confederações e federações esportivas corroboram da necessidade de tornar o processo de concessão mais ágil e tempestivo.

 

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos relacionou em ofício encaminhado ao TCU, sete atletas que apesar de estarem na listagem, não receberam a bolsa no ano de 2009. Para atletas carentes que utilizam os recursos da bolsa para custear seus gastos com alimentação e transporte, essa demora favorece o abandono do esporte e a procura por uma oportunidade no mercado de trabalho”

 

Resposta

        Deixo este espaço disponível ao ministro do Esporte, Orlando Silva, ou seus assessores se manifestar sobre mais esta aberração.

Por José da Cruz às 15h56

Bolsa Pódio será paga só em 2013

         Ao alardear que a Medida Provisória cria duas novas categorias, os burocratas do Esporte não informam que a Bolsa Atleta categoria Pódio (a mais valorizadas, com R$15 mil/mês) será paga somente a partir de 2013. O discurso do ministro Orlando Silva é ilusório,  enganador, pois quando anuncia o novo benefício dá a entender que será pago imediatamente. Não.

        Vejam o que diz a Medida Provisória 502/2010:

  Art. 8o  Os atletas serão beneficiados para um ciclo olímpico completo, sendo que a sua permanência no Programa Atleta Pódio será reavaliada anualmente, estando condicionada ao cumprimento do plano esportivo previamente aprovado pelo Ministério do Esporte e à permanência no ranqueamento, conforme disposto no inciso IV do art. 7o

§ 1o  Para efeito desta Lei, ciclo olímpico e paraolímpico é o período de quatro anos compreendido entre a realização de dois Jogos Olímpicos ou dois Jogos Paraolímpicos, de verão ou de inverno, ou o que restar até a realização dos próximos Jogos Olímpicos ou Jogos Paraolímpicos.

 Ou seja: o ciclo olímpico dos Jogos de 2008 termina em 2012, quando começara outro de quatro anos, como diz o parágrafo acima.

Relatório do TCU

O Relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União sobre o Esporte Nacional de Alto Rendimento (EAR), têm uma informação que exibe como o esporte é tratado de forma desleixada, Brasil afora.

Além das visitas que os auditores do TCU realizaram em várias cidades nacionais, distribuíram questionários sobre o assunto, via e-mail. No total, foram três tentativas de obter o maior número de respostas possíveis. O resultado assusta:

1.   Dos 2.949 questionários enviados a bolsistas, apenas 210 foram respondidos (7%);

2.   151 questionários às confederações e federações: apenas 30 respostas, ou 20%

3.   552 questionários a escolas públicas: 89 retornaram ao TCU (16%)

4.   23 questionários às federações de Desporto Escolar: 10 respostas, 44%;

5.   14 questionários a universidades, com 8 respostas, 57%.

Espertos

A Bolsa Atleta foi criada em 2004. Completará sete anos em junho. Todo esse tempo teve gestão exclusiva do PCdoB, que ignorou os vários alertas da comunidade esportiva para dar novos rumos ao programa.

        Ontem, 45 minutos antes de o Jornal Nacional, da Rede Globo, apresentar notícia sobre o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), identificando  irregularidades no Bolsa Atleta, o Ministério publicou em seu site informações referentes às mudanças no programa.

         Essas mudanças dão prioridade aos atletas olímpicos sobre as demais modalidades, e estão na Medida Provisória 502/2010, aprovada no Senado com alterações e, por isso, voltará à Câmara dos Deputados para nova apreciação.

Por José da Cruz às 12h23

16/02/2011

Bolsa Atleta: TCU confirma irregularidades

 Confirmando o que tenho denunciado há mais de um ano, o Tribunal de Contas da União encontrou inúmeras falhas no programa Bolsa Atleta, administrado pelo Ministério do Esporte.

Resumidamente: a desordem é reconhecida pelo órgão de fiscalização do governo.

O relatório sobre o assunto foi apresentado na sessão plenária do TCU, nesta quarta-feira, revelando o que eu já havia escrito:

“Um terço do investimento (R$ 40 milhões anuais) é destinado a esportes não olímpicos” – isto é, falta de prioridades do governo da República no país das Olimpíadas 2016.

Mais: os auditores do Tribunal identificaram  que é demasiado o tempo de espera para que os contemplados recebam o benefício. 

E que não há fiscalização na distribuição das bolsas. Ou seja, como eu já havia alertado, muita gente pode estar ganhando dinheiro sem que esteja habilitado.

Onde está o dinheiro?

Estamos há 12 dias de se encerrar o segundo mês do ano e, até agora, o Ministério do Esporte não divulgou nem sequer o nome de todos os contemplados com a Bolsa Atleta, referente a 2010.

É inacreditável que o principal órgão do governo federal, responsável por um programa de importância enorme para os competidores, não se aperceba que, assim agindo, acaba com a programação dos atletas, prejudica o ciclo de treinamentos.

Quantos atletas já dispensaram seus técnicos, nutricionistas ou deixaram de viajar para uma competição porque o MINISTÉRIO DO ESPORTE não liberou a grana?

Como o Ministério não responde aos questionamentos da imprensa, imagino que o dinheiro não saiu porque o ministro Orlando Silva está ocupadíssimo com a Copa 2014.

Há 10 dias ele viaja pelas capitais, fiscalizando as obras para o evento, enquanto os atletas ficam esperando pela “ajuda” do governo, como se não fosse sua obrigação atender ao que diz a lei.

Memória

No dia 3 de fevereiro, publiquei que o Ministério do Esporte gastou R$ 11,6 milhões, de 2010 até janeiro de 2011, com a empresa Brasfort Administração e Serviços Ltda, que fornece pessoal para atuar em vários setores do órgão, entre eles o Bolsa Atleta.

 Enquanto isso, centenas de concursados aptos, esperando por decisão do Ministério do Esporte para serem admitidos.

        No Bolsa-Atleta trabalham 16 funcionários, sendo APENAS dois concursados, 11 terceirizados e três estagiários.

       

Por José da Cruz às 22h32

Lei de Incentivo financiará projeto de César Cielo

“Após quase 5 anos nos EUA, atleta monta equipe no Brasil”

Para voltar a treinar no Brasil após quase cinco anos nos EUA, Cesar Cielo montou sua equipe de treinamento, que terá custo de R$ 1,9 milhão de acordo com Flávia Cielo, mãe do campeão olímpico e mundial. Verba que será utilizada para bancar o estafe de quatro pessoas e o material usado nos treinos.

        A notícia, no jornal Folha de S.Paulo, hoje, é do repórter Daniel Brito, meu ex-colega no Correio Braziliense.

        Em um país onde até o futebol profissional consegue verba pública para formar jogadores de futebol, essa inovação de César Cielo vem em bom momento.

        Mas, como se observa, o dinheiro do governo federal continua beneficiando a elite, a cúpula, em detrimento da base, da iniciação, justamente a que já é contemplada pela Lei Piva e patrocínios polpudos, como dos Correios à natação.

        A notícia completa de Daniel Brito está aqui.

Por José da Cruz às 12h44

Servilismo a Gesta de Melo desmoraliza o atletismo

                  Depois de Nelson Prudêncio dos Santos (duas medalhas olímpicas no salto triplo) , agora é a vez de André Domingos (prata no revezamento 4x100 em Sydney e bronze em Atlanta, 1996), a manifestar apoio ao presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo.

          O cordão dos puxa-sacos cresce, em repúdio ‘a notícia que publiquei, revelando como Gesta de Melo, mais de duas décadas no poder, quer, agora, sair pelas portas dos fundos da presidência da Confederação Brasileira de Atletismo.

          Exemplar na sua carreira de atleta e vida acadêmica elogiável, tenho, agora, decepção enorme com Nelson Prudêncio.

          Foram muitas entrevistas,  algumas na beira da pista, no CIEF, em Brasília, onde me contou belas passagens de sua carreira.

               Mas tornar-se vice-presidente da CBAt para não aceitar o cargo no impedimento do titular? Sinceramente, meu caro Nelson, que tristeza vê-lo fazendo esse jogo que atende aos interesses exclusivos de Gesta de Melo.

        Porque, ao lhe colocar como vice-presidente, esse cartola impediu que outro, ativo e com voz ativa, ocupasse a vaga. Usou o seu prestígio de medalhista olímpico para quê? Para que ninguém ousasse enfrentá-los nas urnas! Isso fica claro. Gesta cerca-se de que a ele se curva em favores.

        Sobre o apoio de André Domingos, cuja carta pode ser lida na página da CBAt (www.cbat.org.br), nada a declarar.

        A forma como esse rapaz se expressa não merece atenção, mas repulsa.

        Assim, não me curvarei a quem convive com servilismo tão baixo e desprezível.

Por José da Cruz às 08h02

15/02/2011

Ronaldo, hipotireoidismo e a Copa de 1998. Tudo a ver?

 Marcelo Leandro Ribeiro

Craque incontestável, Ronaldo, logo no início de carreira, chegou a ter a média de gols superior a de Pelé. Com suas arrancadas e dribles curtos impressionava e fazia-se junção de uma série de craques num corpo de menino: ao mesmo instante, tinha lampejos de Sócrates, de Zico ou mesmo Pelé.

A história, gloriosa sim, mas com requintes de novela mexicana, teve um dos seus capítulos mais importantes encerrados ontem. A carreira do jogador humilde, criado no subúrbio carioca, encerra-se com a revelação de um hipotireoidismo a acompanhá-lo.

        Ao anunciar que uma doença o cingiu por grande parte da carreira, Ronaldo propicia o inicio de uma interessante discussão: foram seus médicos negligentes em algum instante ou o próprio jogador quis correr o risco de atuar sob condições inadequadas, dispensando o tratamento devido e colocando-se em risco? 

Qualquer trabalhador que passe por um exame ocupacional de rotina e que tenha uma patologia identificada vai ser encaminhado a tratamento. Será que com o grande Ronaldo foi diferente?

Alegando não ter se tratado para que os medicamentos não aparecem em exames de antidoping, expôs-se de forma desnecessária, colocando sim sua vida em risco, pois a forma mais crônica da doença pode levar à consequências desastrosas.

        Ao revelar o hipotireoidismo, Ronaldo reacende outro debate: teria sido a doença a causadora de suas convulsões na final da Copa do Mundo em 1998? Sim, pois uma das fases mais violentas do hipotireoidismo pode apresentar uma desordem e eventual coma mixedematoso, que é o estágio avançado do hipotireoidismo não tratado.

Quando o doente apresenta esse quadro, verifica-se retenção de gás carbônico (hipóxia), desequilíbrio hidroeletrolítico e hipotermia. Outros sinais que podem estar presentes são  fraqueza progressiva, hiperventilação, hipotensão, intoxicação aquosa, hiponatremia, hipoglicemia e convulsão. 

Se por um lado temos agora eventuais respostas, outras perguntas surgem: desde quando os médicos sabiam da doença? Por que não forçaram Ronaldo a se tratar? A conduta dos profissionais nos clubes por onde o jogador passou foi adequada? Ele poderia seguir jogando normalmente e sem tratamento, mesmo sabendo da sua condição? Ou teria sido Ronaldo uma vítima da ganância midiática? Forçado a recuperar-se de cada uma das graves lesões que teve, quem sabe, lesões essas causadas por alterações fisiológicas e metabólicas relacionadas ao ganho de peso decorrente do hipotireoidismo; poderia o craque ter posto sua vida em risco em troca de vinténs?  

Ressaltando que não sou médico, portanto, não me encontro em condições de diagnosticar uma gripe que seja, mas os sintomas do hipotireoidismo em muito se confundem com manifestações relacionadas à atividades físicas severas: dores, câimbras, e outras comuns em qualquer atleta de alto rendimento, o que pode ter mascarado a real condição de Ronaldo.

De qualquer forma, essa situação toda demonstra o quanto ainda a medicina ocupacional tem que se desenvolver nos meios esportivos, dando limites a atletas e aos fortes interesses financeiros que dominam o segmento.

Marcelo Leandro Ribeiro – especialista em biossegurança

Por José da Cruz às 13h47

Olimpismo: falta pessoal capacitado para Rio 2016

        Sucessora de Luiza Parente, Soraya Carvalho foi uma importante ginasta na história brasileira desse esporte.

Na primeira entrevista que fiz com ela, em 1991, Soraya treinava no amplo ginásio do Minas Tênis Clube, em Brasília. Iluminação precária e aparelhos improvisados forjavam, mesmo assim, naquela época de vacas magras para o esporte, uma atleta que chegou a conquistar pódios internacionais.

        Na última vez que conversamos, há 10 anos, mais  ou menos, rendeu um perfil da carreira dela, encerrada precocemente, devido uma lesão antes da estréia nos Jogos Olímpicos de Atlanta, 1996.

Novos tempos

        Na semana passada, reencontrei Soraya Carvalho. Adulta, o sorriso espontâneo é o mesmo de menina meiga dos seus primeiros tempos de ginasta. Formada em Educação Física, ela é uma das 19 ex-atletas que trabalham no Comitê Olímpico Brasileiro.

A ex-tenista Miriam D´agostini, Agberto Guimarães, do atletismo, e Paulo Villas Boas, do basquete, entre outros, estão neste grupo.

Na prática, esses ex-atletas atuam junto às confederações, ajudando na elaboração do planejamento anual e na forma de melhor usar os recursos a elas destinados. Esse time poderia estar reforçado com Joaquim Cruz, nosso último medalhista de ouro olímpico em provas de pistas – 800 metros, Jogos de Los Angeles, 1984.

Depois de passar três semanas no Rio de Janeiro, com a família, no ano passado, a convite do COB, Joaquim e Comitê não chegaram a um acordo para a transferência do campeão, que mora há 30 anos nos Estados Unidos.

Pouco depois, o brasileiro assinou contrato com o Comitê Olímpico norte-americano para trabalhar diretamente com atletas. No Rio, Joaquim era sondado para atuar mais no planejamento e estratégias para 2016.

Em compensação, o filandês Steven Roush já trabalha no COB. Trata-se de um especialista com grande experiência, pois chefiou a missão dos Estados Unidos nas últimas cinco Olimpíadas e, agora, ajuda a planajar o evento em solo nacional. 

“A qualificação de mão-de-obra é um dos problemas que enfrentamos. O requisito básico é dominar o idioma inglês ou o espanhol, mas é difícil encontrar pessoal habilitado”, explicou Marcus Vinícius Freire, atleta da geração de prata do vôlei e atual superintendente executivo de Esportes do COB.

Para tentar suprir essa carência, a longo prazo, o COB promove cursos de gestão esportiva, com aulas presenciais e a distância, como o que encerrou semana passada. Dele participaram funcionários dos governos federal, estadual e municipal, da Caixa Econômica, patrocinadores do esporte, confederações, Forças Armadas, CBDU, CBDE, Comitê Paraolímpico e clubes esportivos. Um desses cursos será destinaddo a jornalistas.

Diálogo

Esta é a primeira vez que visito a sede do Comitê Olímpico Brasileiro, no Rio de Janeiro,  órgão do qual tenho divergências, mas sem me afastar do diálogo possível para esclarecer as dúvidas e melhor informar sobre os assuntos do setor.

Do  encontro também participaram o superintendente Administrativo e Financeiro do COB, Sérgio Lobo, o novo coordenador de Comunicação, diplomata Carlos Villanova – que atuou na área internacional da equipe do ex-presidente Lula da Silva –, o jornalista Cláudio Motta, que dirige a área de imprensa do Comitê, e Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, em Brasília, onde instalei minha trincheira de trabalho.

Estrutura

        A partir da conquista da sede olímpica, o COB passou a trabalhar com dois roteiros que exigem pessoal especializado em cada um: preparar os Jogos através do Comitê Organizador e a equipe de atletas para que alcance resultados na competição de 2016.

        O Comitê Organizador, que está sendo estruturado, dispõe de 150 funcionários. Serão 300, até dezembro próximo, e 3 mil, em 2016.

Em cada sala visitada observei que ali se trabalha com detalhado planejamento e exigente e rigoroso cronograma. Afinal, uma Olimpíada é a realização de 30 campeonatos mundiais simultâneos. Tudo com o acompanhamento da TV internacional que não admite atrasos nas provas e premiações.

É nesse processo que atuam os ex-atletas, relacionando-se cada um com cinco ou seis confederações, orientando-as quanto ao uso dos recursos financeiros que recebem, planejamento, prioridades, etc. “A cada três meses é feito uma revisão do projeto, avaliando-se as metas, se entraram novos recursos financeiros e o que fazer a partir daí”, explicou Marcus Vinícius.

Convênios

        Ao completar o primeiro decênio de repasses da Lei Agnelo Piva (2% das loterias federais aos Comitês Olímpico e Paraolímpico), a verba tem, hoje, controle on line do Tribunal de Contas da União (TCU).

        Isto é, os lançamentos de despesas ou repasses do COB às confederações são acompanhados, instantaneamente, pelos auditores do TCU.

        “Controlamos quatro mil processos da Lei Agnelo Piva por ano, Não há um só atrasado”, explicou Sérgio Lobo, que dirige a área financeira do COB.

        No ano passado, a Lei Piva rendeu R$ 130 milhões ao COB, valor que supre 30% das necessidades do esporte. O restante vem da Lei de Incentivo e patrocínios e Orçamento da União, via Ministério dos Esportes.

         Leia na próxima mensagem sobre os países que inspiram o Brasil Olímpico.


Por José da Cruz às 09h44

Bolsa Atleta 2010: contemplados sairão só no final do mês

        Outro dia, um tal de Felício escreveu com informação bombástica e soltando os cachorros: a lista com o nome dos contemplados com a Bolsa Atleta foi publicada às páginas 138 e 139 do Diário Oficial da União, de 13 de janeiro último.

        Imagino que esse Felício seja um desses aspones que o Ministério do Esporte contrata e paga – bem – para escrever bobagens, bem ao estilo burocrático, dizendo coisas para ninguém entender.

        Fui ao Diário Oficial da União, data e páginas sugeridas. Encontrei lá 68 atletas selecionados (veja aqui), mas são bolsistas do mês de novembro de 2009!!!

        No site do Ministério do Esporte – com uma desatualização espetacular – constam apenas os atletas das categorias Olímpica e Paraolímpica de 2010!!!

        Hoje, recebi a mensagem da mãe de um atleta que questionou o Ministério do Esporte sobre o assunto. Transcrevo a informação OFICIAL a ela enviada, para que observem que minhas críticas são procedentes. Aí vai:

        A documentação de inscrição da atleta em 2010 foi atendida, aguardar a lista de contemplado que esta prevista para o final de fevereiro. Atenciosamente, Equipe Bolsa Atleta.”

        Em resumo: “documentação atendida” quer dizer, tudo certo, tudo ok.

        Mas se o candidato receberá a bolsa é outra história, porque o Ministério do Esporte, que gastará este ano R$ 44 milhões com publicidade e R$ 48 milhões com futebol profissional não sabe se contará com R$ 40 milhões para a Bolsa Atleta.

       Além da tristeza que transmite com essa realidade, o Ministério do Esporte revela-se um órgão trapalhão, desarticulado e desatualizado.

É a desmoralização total da pasta do governo federal no país da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpico

Por José da Cruz às 01h11

14/02/2011

A vingança do Baiano

Ainda inconformado por ter sido ignorado para o cargo de Autoridade Pública Olímpica – que será ocupado por Henrique Meirelles, numa decisão lúcida da presidente Dilma Rousseff – o ministro do Esporte, Orlando Silva, prepara o troco, numa espécie de vingança política. A decisão é ousada e coloca Orlando e o PCdoB em real confronto com o Palácio do Planalto.

Estratégia

Está em curso no Ministério do Esporte a mudança na estrutura do órgão, até aqui tratada a sete chaves: a fusão de duas Secretarias Nacionais, a de Esporte Educacional com a de Desenvolvimento de Esporte e Lazer.

A secretaria que surgirá dessa união será para tratar dos programas sociais do Ministério.

Porém, a unificação acabaria com muitos cargos comissionados, principalmente na área de Esporte e Lazer, ocupados justamente por petistas, desde a época do ex-ministro Agnelo Queiroz.

Demissões de pestistas

A nova estrutura terá que ser avaliada pelo Ministério do Planejamento. E, se aprovada, Orlando Silva mandará passear 20 petistas, no mínimo, que há mais de oito anos têm cargos comissionados no comando da Secretaria Nacional de Esporte e Lazer.

Vingança

Nos bastidores do Ministério do Esporte essa estratégia se tornou conhecida como “A vingança do baiano” – referência à Bahia, estado de origem de Orlando Silva e ao fato de o ministro ainda não ter se conformado com a preferência de Dilma por Meirelles.

O mesmo grupo também deverá incluir na reforma a criação da Secretaria do Futebol, que hoje é apenas uma assessoria, mas consome mais dinheiro que a Bolsa Atleta.

            A reação, no tom de “vingança”, visa fortalecer o PCdoB e é desencadeada nos moldes de ação que espertos, como José Sarney e Renan Calheiros, agem no PMDB, confrontando as decisões de governo em benefício de seu partido.

Ocorre que o PCdoB ainda é um partido pequeno em nivel parlamentar, pois só tem 13 deputados e dois senadores, muito pouco para o tamanho da briga que Orlando Silva quer ter com o poder central da República.

Por isso, ainda nos corredores ministeriais, o cochicho entre funcionários é se a decisão de Orlando é ousada ou burra.

Sei lá, eles que se entendam...

Por José da Cruz às 09h49

13/02/2011

Rio 2016: trabalho, previsões e dúvidas

Sugiro a leitura da reportagem de Valéria Zukeran, publicada no jornal O Estado de S.Paulo deste domingo, sobre as chances do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2016.

        Valéria conversou com técnicos para traçar o perfil de algumas das principais modalidades olímpicas nacionais, até  os Jogos do Rio de Janeiro levando em conta o potencial e o tempo disponível para formar o atleta.

        A reportagem é oportuna para que se possa, depois, traçar um paralelo com as informações que publicarei sobre o trabalho que o Comitê Olímpico Brasileiro realiza, no sentido de mostrar uma equipe competitiva em 2016.

A reportagem de Valéria começa assim:

        O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) tem buscado se informar com especialistas sobre o que fazer para tornar o Brasil uma potência olímpica até 2016. Na recente apresentação da mais tradicional equipe de atletismo do País, a BM&F, o diretor, Sérgio Coutinho Nogueira, contou que foi um dos procurados pela entidade. "Eles me perguntaram o que poderia ser feito captar talentos e a criar um campeão para 2016. Minha resposta foi: "É tarde demais". Basta pensar que a Maurren (Maggi) levou 13, 14 anos das primeiras competições até que chegasse ao ouro em Pequim (no salto em distância)."

        A reportagem completa está aqui

Por José da Cruz às 23h28

A resposta de Gesta de Melo

Senhor Jornalista:

Li o texto publicado em seu blog do dia 12 de fevereiro, no qual são feitas referências a mim e à minha administração.

Sobre o assunto, faço as seguintes considerações:

1. Anos atrás, tornei público que não mais concorreria à Presidência da CBAt. Convidei, então, o Vice-Presidente Nelson Prudêncio para ser candidato à sucessão. Depois de conversar várias vezes com ele, o Professor Nelson, na presença do Jornalista Benê Turco, do Presidente da Federação Pernambucana, Warlindo Carneiro da Silva Jr., e do Presidente da ABRAFITE, Dr. Geraldo de Andrade Ribeiro Jr., explicou que não poderia aceitar a indicação, em virtude de seus compromissos acadêmicos.

É uma pena. Era uma escolha natural, pois é o atual Vice-Presidente. Seria excelente Presidente e o segundo medalhista olímpico a assumir a direção de uma Confederação desportiva no país, em todos os tempos, como lhe disse. Nelson Prudêncio tem perfil para assumir qualquer cargo diretivo, ligado ao desporto e a várias outras atividades. Uma afirmativa diferente é um acinte a ele e atribuí-la a mim uma inverdade.

2. Consultando posteriormente vários Presidentes de Federações e Clubes, treinadores e atletas, o nome do Professor José Antônio Fernandes, Presidente da Federação Paulista, parece ser o nome preferido para assumir um futuro mandato à frente da CBAt. Considero-o excelente candidato. Quem quiser se apresentar como alternativa, que submeta seu nome à apreciação da Assembléia eletiva.

3. Quanto a mudanças estatutárias, até dois anos atrás, as eleições dos dirigentes da CBAt eram realizadas um ano antes da posse. Houve alteração para que eleição e posse fossem simultâneas. O retorno à situação anterior foi estudado pela Comissão de Mudança de Estatuto, que preferiu não apresentar qualquer sugestão à próxima Assembléia Geral.

É questão que merece discussão. Por um lado, permitiria uma transição mais fácil para os novos mandatários, que poderiam entender melhor os mecanismos de funcionamento da Confederação e, no caso concreto, em razão dos Jogos Olímpicos no Rio em 2016, ganhar tempo para delinear os seus projetos. Por outro, poderia criar uma certa duplicidade de comando, senão agora, em ocasiões futuras. No meu entendimento pessoal hoje, é melhor que eleição e posse sejam simultâneas.

De qualquer forma, como se falar em mandato tampão ? As eleições têm de se realizar naturalmente e de maneira democrática, com tempo hábil pra apresentação de quaisquer postulantes. Qual é a sugestão que pode ser apresentada à Assembléia Geral, diferente dessas duas hipóteses? De qualquer maneira, o Poder máximo da Entidade decidirá. Onde há um golpe?

4. Jamais me referi a você como "jornalistinha de Brasília". Por quê o faria ? Posso discordar, parcial ou inteiramente, do que você escreve, mas não vejo razão para o desmerecimento gratuito ou a ofensa. A nada levam. Estranho você, que me conheceu bem e teve vários contatos comigo, me chamar de espertalhão ou fujão. Não o sou, pense você o que quiser.

5. Quanto a futuras acusações de irresponsável por fracassos técnicos de equipes de Atletismo, durante todos os anos de minha administração, sempre procurei atender às solicitações de treinadores e atletas e dar-lhes as melhores condições possíveis. Eles são os mais indicados para julgar o que foi feito. No nosso site, passarão a ser divulgados, em coluna especial, os números do Atletismo do Brasil, de antes e de agora.

6. Atualmente, existem três Centros de Treinamento de Alto Nível funcionando no País. Em Uberlândia, sob o comando de Luiz Alberto de Oliveira, Justo Navarro e outros treinadores cubanos. Em São Paulo, com Nélio e Tânia Moura. E em Fortaleza, com vários técnicos brasileiros e cubanos.

No Rio, está sendo implantado novo Centro, administrado por Pedro Ferreira Filho, campeão pan-americano do decatlo. Nesta semana, o cubano Julian Mejias passa a trabalhar lá, ao lado de excelentes profissionais da Marinha do Brasil. E brevemente dois treinadores ucranianos virão se somar a eles.

7. Minha mulher não é paga pela CBAt. Desde os longos anos em que a Confederação não tinha qualquer patrocínio e sobrevivia graças a recursos meus e de familiares, além do apoio de amigos, ela sempre ajudou, assim como várias outras pessoas, em cargos de Diretores. Essas funções não são remuneradas e não é fácil encontrar voluntários para o trabalho. Quantas e quantas vezes, faltou à CBAt apoio financeiro. Nessas horas, poucos ficam para colaborar.

Um filho meu trabalhou na Confederação. Atletas, treinadores e dirigentes podem dar um depoimento sobre a sua passagem na CBAt. Em novembro do ano passado, pediu para sair. Ganha bem mais e já havia recusado outras ofertas.

8. Todos os recursos recebidos pela CBAt são aplicados conforme os programas estabelecidos pelo Fórum e pela Assembléia, e atendem aos mais variados segmentos da modalidade, incluindo projetos de cunho social.

8. Vou continuar fazendo o melhor que posso pelo Atletismo. Criamos um mecanismo muito interessante na CBAt, que é o Fórum Atletismo do Brasil, no qual atletas, treinadores e dirigentes de Federações e Clubes (cerca de 200 pessoas) decidem como proceder sobre critérios e Programas, por meio de votação eletrônica. Quaisquer sugestões são levadas à apreciação desse Colegiado, discutidas e decididas. Penso que é o processo mais democrático e parece que isso incomoda a alguns. Estou à espera de novas propostas para submetê-las ao Fórum.
Roberto Gesta de Melo

Por José da Cruz às 17h02

Copa: preparativos abagunçados

         Em artigo publicado na edição de hoje do jornal O Estado de S.Paulo, diz, lá pelas tantas:

“...Um dos integrantes do governo Lula mantidos no cargo pela presidente Dilma Rousseff, o ministro do Esporte, Orlando Silva, ocupa o Ministério desde 2006, tendo sido responsável, na esfera federal, pelas obras do Pan-2007. No caso dos preparativos para a Copa, ele ainda não enviou ao TCU as "matrizes de responsabilidades" para as obras nos portos e aeroportos, elaboradas em julho do ano passado, "dificultando a transparência das ações", observou Campelo...”

        O artigo completo está aqui.

Por José da Cruz às 13h10

12/02/2011

Em plena democracia, Gesta de Melo quer dar golpe no atletismo

                O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roberto Gesta de Melo, prepara-se para deixar o poder um ano antes de encerrar o seu mandato e duas décadas depois de sucessivas e fracassadas gestões .

         Porém, em pleno regime democrático das instituições da República, entre elas as esportivas, o poderoso cartola amazonense quer aplicar um asqueroso golpe em seus pares: em vez passar o poder para o vice-presidente, o ex-saltador Nelson Prudêncio, o espertalhão Gesta de Melo quer impor um sucessor para cumprir o mandato de um ano que lhe falta.

A escolha já estaria feita e o mandato tampão seria de José Antônio Martins Fernandes, presidente da Federação de Atletismo do Estado de São Paulo.

Escrevi ao “Toninho”, como é conhecido, para que ele se manifeste sobre esta informação que recebi.

         Em manifestação pública, Gesta alegou que “Nelson não tem o perfil para o cargo” e, por isso, quer fazer uma “transição pacífica, já que não tem oposição na assembléia”. Entenda-se por “transição pacífica” a eliminação de eleição.

         Porém, algumas federações se apresentaram como oposição ao golpista de ocasião. Estou identificado quem são essas entidades a fim de ver se, no conjunto, terão força para frear o anseio ditatorial de Gesta de Melo.

Motivo

         Gesta, que carinhosamente se refere a mim como “jornalistinha de Brasília”, não revela oficialmente os motivos de sua decisão de deixar a presidência da Confederação de Atletismo.

         Mas é fácil concluir que o cartola quer fugir de futuras acusações de irresponsável, diante de um possível fracasso da equipe de atletismo olímpica, nos Jogos de Londres, 2012.

Se isso ocorrer, como está se desenhando,  retrataria um péssimo perfil desse esporte nobre, no país que receberá os Jogos de 2016.

         Assim, fora do poder, Gesta pretende escapar das críticas e de responder por tanta irresponsabilidade ao longo de duas décadas de gestão.

Dinheiro

Nesse tempo, não faltou muito dinheiro público para turbinar as finanças da Confederação de Atletismo.

         Levantamento preliminar que realizei, mostram que nos últimos 10 anos Gesta de Melo recebeu em torno de R$ 150 milhões dos cofres públicos – patrocínio da Caixa Econômica Federal e Lei Agnelo Piva.

         Porém, no mesmo período o atletismo, com poder encastelado na distante Manaus, não construiu um só centro de treinamento, nem por convênio.

Pior: nossos atletas conquistaram apenas três medalhas olímpicas: prata no revezamento 4x100m nos Jogos de Sydney; bronze com o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, em Atenas, 2004, e ouro com Maurren Maggi, no salto em distância, nos Jogos de Pequim.

Poder

         Fracassado na gestão esportiva, Gesta se apressa em largar o poder, mas não o comando da entidade.

 Afinal, na CBAt trabalham familiares seus – mulher e filhos, inclusive –, me informaram pessoas próximas ao cartola, num legítimo caso de nepotismo esportivo – modalidade não olímpica...

Com certeza a saída de Gesta do comando do atletismo é uma excelente notícia para o esporte nacional, como um todo. Mas não da forma como ele deseja, através da ilegalidade e fugindo dos princípios e normas democráticas, justamente para não responder pelos fracassos de sua gestão.

Assim, não, fujão!

Por José da Cruz às 16h49

O agitado roteiro de um repórter que ainda tem bom fôlego

Desculpem a ausência por quase 24 horas. Para um processo de comunicação instantânea como a internet e de relações diárias com os leitores, pelo blog, isso é sério.

É que, desde quinta-feira, estou no Rio de Janeiro para entrevistas, e não houve tempo de ficar à frente do computador atualizndo as mensagens, o que faço agora, já madrugada de sábado, 12 de fevereiro.

Nas minhas andanças, conversei com atletas, ex-atletas, dois presidentes de federações, um gestor internacional de esportes e ganhei tempo almoçando com dois empresários.

Estive no Comitê Olímpico Brasileiro, junto com meu amigo Gil Castello Branco,  um especialista no controle dos gastos públicos, que dirige a ONG Contas Abertas, em Brasília. Fomos recebidos pela cúpula que pensa e estrutura sobre o esporte olímpico no país.

Esclareci dúvidas que aqui já lancei em forma de críticas e obtive informações sobre o uso dos recursos públicos, aplicados na preparação de nossos atletas. E tive uma preliminar de como os Jogos de 2016 estão sendo preparados.

       O resultado dessas entrevistas publicarei a partir de domingo, pois neste sábado tenho mais uma viagem, rumo ao Sul do país.

E, no retorno a Brasília, uma passagem por São Paulo, onde concluirei a série de entrevistas que programei.

Nessa correria, sinto que darei conta do recado, apesar de desacostumado da vida agitada de repórter, que diariamente sai da toca na gostosa rotina de buscar informações, fora dos três poderes da República, onde mais atuo em Brasília, de paletó e gravata.  

       Até aqui, à moda esportiva, estou com bom fôlego, e tenho ótimo material para municiar bons debates por longo tempo.         

Por José da Cruz às 00h30

10/02/2011

Copa 2014: ... e os trens não entram nos trilhos

        Quatro anos depois de o Brasil ter sido indicado pela Fifa para sede da Copa do Mundo de 2014, o projeto de construção de um Monotrilho (Linha Ouro), em São Paulo, orçado em R$ 2,86 bilhões, não tem nem sequer projeto básico.

      Não entrou nos trilhos, literalmente, ou descarrilou antes do tempo, como queiram. Há vagões para todos os gostos...

Linha de ouro

       A informação consta  do relatório do ministro Valmir Campelo, do Tribunal de Contas da União,  que estou lendo e me arrepiando com o que nele consta. Este é o primeiro relatório de fiscalização do TCU sobre os gastos públicos nas 12 cidades-sedes à Copa 2014.

       Até a suspensão da obra da tal “Linha de Ouro” já foi sugerida. Está no relatório do Tribunal:

       “O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio da Recomendação nº 79/2010, recomendaram ao Estado de São Paulo, ao Secretário da Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos e ao diretor presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo a suspensão da Concorrência Internacional nº 42209213 (Construção do Monotrilho).

 Motivo da recomendação: “Inexistência do projeto básico”.

Ou seja, lançam uma concorrência internacional sem projeto básico. Tudo dentro do previsto, claro. Algo assim: quanto mais atrasar o projeto, melhor, pois aí nem concorrência terá...

Por tudo isso, me parece muito sugestivo – para não dizer um deboche – o nome de batizado do monotrilho, “Linha de Ouro”. Que tal?

Em Brasília

Já em Brasília, o escândalo envolve a construção de outro trem de luxo, o chamado “Sistema Veículo Leve sobre Trilhos”, ligando o Aeroporto ao Setor Hoteleiro da capital da República.

Conforme a matriz de responsabilidades apresentada pelo ex- governador José Roberto Arruda, e validada pelo Governo Federal, o valor da obra era de R$ 364 milhões.

“No entanto, o contrato firmado com o Consórcio Brastram (Via Engenharia, Mendes Júnior, Alstom e Altram\TCBR) é da ordem de R$ 1,558 bilhão”, diz o relatório do TCU.

Entenderam a matemática? quatro vezes mais.

Arruda é aquele distinto senhor que perdeu o cargo de governador do DF, depois que foi investigado pela Polícia Federal, acusado de receber muita grana fora da boca do caixa. Ora, ora, a Polícia ficar se envolvendo com tais bobagens.

Dúvidas

       Sinceramente, tenho as minhas dúvidas nesse caso.

       Acredito que os R$ 364 milhões que estão a Matriz de Responsabilidade seja a parte que compete ao Governo Federal.

       Deve haver outras fontes, como recursos que seriam obtidos junto ao BNDES, financiamento externo etc. Porque, convenhamos, um trem que vai rodar cerca de 12km por apenas R$ 364 milhões?

Mas, enfim, o relatório do Tribunal de Contas é oficial e indica que além de São Paulo também o trenzinho de Brasília saiu dos trilhos antes de começar a rodar...

Agora, vamos esperar pela composição que carregará a grana para pagar os, digamos, funcionários das obras.

Aí, surgirá a turma do “assalto ao trem pagador”, para fechar a série.

E ainda faltam três anos para a bendita Copa do Mundo...

Como dizem os mineiros: “Trem doido, sô”...

Por José da Cruz às 19h39

Copa 2014: TCU identifica superfaturamento quadruplicado

Primeiro relatório do Tribunal de Contas da União mostra que orçamento do Veículo Leve sobre Trilhos, em Brasília, saltou de R$ 364 milhões para R$ 1,55 bilhão, quase cinco vezes mais...

Há "indícios de fragilidade" na estrutura do Ministério do Esporte para fiscalizar obras, segundo o TCU

        “Estouro significativos em orçamentos, falta de transparência em atos do governo, graves irregularidades nos projetos,  atraso no início de obras” ...  

        Aí está, em resumo, o primeiro relatório do Tribunal de Contas da União sobre os preparativos das 12 cidades-sedes para a Copa do Mundo de 2014.

        O documento será apresentado amanhã pelo ministro relator, Valmir Campelo. Porém, o repórter Lúcio Vaz, do Correio Braziliense, leu o relatório e produziu reportagem, que está hoje no principal jornal da capital da República, com o seguinte título "Bola fora nas obras da Copa".

Repetindo 2007

        Diante das evidências, os riscos de superfaturamento são enormes. A ilegalidade poderá  vir com termos aditivos contratuais, contratos emergenciais e aportes desnecessários de recursos federais. Tal qual já se viu, há quatro anos, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Ministério omisso

        Há mais de um ano o governo federal firmou matrizes de responsabilidades, fixando as competências da União, Estados e Municípios envolvidos com a preparação da Copa 2014.  Sobre isso, assim se manifestou Valmir Campelo.

        “As matrizes de responsabilidades não estão sendo rigorosamente observadas pelos diversos entes federativos envolvidos no evento, dado que existe divergência nos valores previstos e descumprimento de diversos prazos determinados".

        E acrescentou:

        “Esse fato indica possível fragilidade no processo de acompanhamento por parte do Ministério do Esporte, característica que dificulta muito as ações de controle".

        Até hoje, por exemplo, Orlando Silva não enviou ao TCU as matrizes de responsabilidades para as obras nos portos e aeroportos, firmadas há um ano, "dificultando a transparências das ações", afirmou Valmir Campelo.

        Como se observa, o Ministério do Esporte, sob o comando de Orlando Silva, repete, na prática, a estratégia fracassada do Pan 2007, quando não respondia em tempo hábil os questionamentos do Tribunal de Contas.

        Orlando Silva, o único ministro do governo Lula que pediu, brigou, insistiu para continuar no governo, foi designado pela presidene Dilma Rousseff para comandar as obras públicas da Copa de 2014.

Superfaturamento

         Segundo a reportagem de Lúcio Vaz, “o projeto de construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Brasília, por exemplo, tinha orçamento de R$ 364 milhões na Matriz de Responsabilidades. No entanto, o contrato firmado com o consórcio Brastram tem o valor de R$ 1,55 bilhão.”

 Carregando "bufunfa" milionária, o trenzinho do GDF já saiu dos trilhos

Além disso, uma fiscalização concluída em dezembro do ano passado indicou graves irregularidades na obra do VLT de Brasília, com apenas 2% da obra concluído. A obra está paralisada e o contrato suspenso.

        Voltarei ao assunto, pois há informações importantes sobre os investimentos em mobilidade urbana, estádios e aeroportos.

Por José da Cruz às 00h22

Futebol, fogo e carnaval

Por Jirlan Biazattti

Carnaval e fogaréu

A coisa tá tão feita no Vasco que tem gente torcendo para pegar fogo em São Januário. Assim, o time não corre o risco de ser rebaixado no Campeonato Carioca, copiando a decisão das escolas de samba do Grupo A

Luto

O Brasil jogou tão mal contra a França que o goleiro Júlio César já entrou em campo de luto, com uma faixa preta no uniforme.

Luta

Será que o Steven Seagal também andou dando umas aulas para o Hernanes?

UFC

A próxima luta do século será entre o atleta da Lazio e o Anderson Silva.

Botinada

Nem deu para sentir saudades do Felipe Melo...

Empate

Difícil escolher o pior: o futebol da Seleção de Mano Menezes ou a nova camisa canarinho.

Segundo lugar

Nem em amistoso o Cristiano Ronaldo consegue superar o Messi.

Presente de grego

Será que o Carlos Alberto foi bem recebido pelos profissionais do departamento médico do Grêmio?

Troco

O tricolor gaúcho ainda conseguiu se livrar do atacante Leandro. O jogador, que fez um golzinho em 2010, chegou em São Januário para suprir o lugar de Carlos Alberto. É a famosa troca de seis por meia dúzia.

Amor à camisa

O que será que o Túlio vai alcançar primeiro: o milésimo gol ou o milésimo time na carreira?

Masters

Rivaldo, Rogério Ceni, Roberto Carlos e Ronaldo. O Paulistão 2012 de Showbol promete!

Lei seca

Apreenderam a carteira de motorista do Imperador. É a velha máxima: se for dirigir, não beba. Se for beber, chame o Adriano.

Solidário

Seria bom o Flamengo ficar de olho aberto com o Ronaldinho Gaúcho. Vai que o Adriano precise de um motorista na próxima farra?

Mais embaixo

A CBF estuda a criação da Série E em 2012. E os torcedores do Gama ainda achavam que a quarta divisão era o fundo do poço...

Por José da Cruz às 00h07

09/02/2011

Copa 2014: PCdoB se une ao DEM; Petta fica chupando o dedo

Por Marcelo Ribeiro      

         Realizada às pressas, a reunião do Comitê Municipal do PCdoB de São Paulo decidiu pela participação do partido na gestão de Gilberto Kassab (DEM) assumindo uma secretaria a ser criada; Secretaria da Copa de 2.014.

        O encontro que deveria acontecer hoje foi antecipado para ontem à noite, o que pode ter impossibilitado a participação de um número maior de membros do Comitê Municipal, exatamente os contrários à participação do partido na administração paulistana (tantas vezes alvo de críticas dos históricos Aldo Rebelo e Jamil Murad).

        Articulado diretamente pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, o ingresso do PCdoB no secretariado municipal culminaria com a indicação do seu cunhado, Gustavo Lemos Petta, secretario de esportes de Campinas para o cargo.

    Contudo, o vazamento da indicação desgastou o nome de Gustavo, bem como o temor de se vincular ao ministro uma percepção de favorecimento e nepotismo.

        O PCdoB deve apresentar dois nomes ao prefeito para avaliação: Nádia Campeão, engenheira agrônoma, e Wander Geraldo, conhecido como liderança de movimentos comunitários em São Paulo.

        Ambos não dispõem de preparo técnico para assumir as ações referentes à Copa. Mesmo a parca experiência anterior de Nádia à frente de projetos esportivos não a credencia para funções tão importantes que envolvem a realização do maior evento esportivo mundial, a Copa do Mundo.

        A decisão do Comitê Paulistano do PCdoB ainda precisa passar pelo crivo da direção nacional da legenda.

        Restam as perguntas:

1)   - a prefeitura de São Paulo precisa mesmo criar uma nova secretaria para a Copa?

2)   - uma ação setorial da estrutura existente não resolveria a demanda a ser criada, sem a necessidade de onerar a cidade?

Por José da Cruz às 10h14

Brasil x França: dia da redenção?

Pas de déjà-vu*

 

         Me lembro bem daquele 12 de julho de 1998. Época de férias. Praia. Sol. Todo o cenário que combina com futebol. E porque não com uma final de Copa do Mundo. Queria ter me lembrado mais daquela Copa, mas só consigo me lembrar daquele 12 de julho.

        No dia da final, estava em Fortaleza. Lembro-me que pintaram meu rosto: metade verde, metade amarelo. Lembro-me dos gols de cabeça de Zidane, da cara de decepção dos adulto. Lembro-me do barulho dos fogos, só utilizados quando um jogador francês fora expulso de campo.

        Lembro-me do último gol francês e do apito do juiz ecoando pela televisão.

        A primeira coisa que fiz quando retornamos ao hotel após o jogo foi ir ao banheiro e tirar toda aquela tinta que, já seca, cobria todo o meu rosto. A água tingida em um azul tosco descia pelo ralo da pia. As pequenas porções de tinta que sobravam no rosto, perto do cabelo, no canto do nariz, que só sairiam com a ajuda da minha mãe.

        Tinha 9 anos. Foi minha primeira grande decepção esportiva. Não a primeira grande tristeza, essa veio com a morte de Senna, em 1994. Mas esta fora uma fatalidade, não vem ao caso.

        Pois bem, eis que a vida me deu (e porque não daria?) uma segunda chance. Não para abater os meus demônios, acho uma expressão muito forte. Mas para, talvez, selar de vez aquela história mal contada, soltar aquele grito entalado na garganta, ver os fatos se sucederem de uma outra forma. Acabar com aquela sensação de “poderia ter sido de outro jeito”.

        Espero poder me lembrar bem do dia 09 de fevereiro de 2011. Na mesma Paris. No mesmo Stade de France. As mesmas nações, as mesmas camisas amarelas e azuis. Frente a frente. De novo. Só que dessa vez estarei lá. E espero que o espírito daquele menino de 9 anos, presente naquele 12 de julho em Fortaleza, esteja lá comigo.

        O azul pode ser o da camisa dos Bleus. Mas é o mesmo azul de esperança, feito pelas mãos de um menino, que tingiu a pia daquele hotel naquele 12 de julho. O mesmo azul que vem da junção do verde e do amarelo.

*Sem traumas

 

Flávio Botelho, 21 anos, estudante de Jornalismo na UnB e atualmente intercambista no IUT de Lannion, na França. No twitter: twitter.com/flaviotbotelho

Ingresso para o jogo: 13 anos depois...

Por José da Cruz às 08h26

08/02/2011

Futebol: Câmara garante vitória da cartolagem

 

        Um dos remanescentes da Bancada da Bola, o deputado baiano, José Rocha (BA), viu seu relatório de mudanças na Lei Pelé (nº 9.615/98)  ser aprovado hoje, na Câmara dos Deputados. A discussão começou em 2005.

        As mudanças dificultam as saídas dos jogadores dos clubes, que terão mais compensações a pretexto de gastos na formação dos profissionais, como se isso fosse real.

        Na mesma Medida Provisória aprovada – na qual foi embutida o relatório de José Rocha – a Câmara criou as duas novas modalidades de Bolsa Atleta, anunciadas aqui neste espaço na semana passada.

        As mudanças ainda serão votadas no Senado Federal.

        A notícia completa está aqui.

Por José da Cruz às 23h07

Cunhado de Orlando Silva cotado para a Secretaria da Copa, em SP

      Por Marcelo Ribeiro

         Em outubro de 2.008 o deputado federal Aldo Rebelo, ícone maior do PC do B e figura de inquestionável integridade, apontava Gilberto Kassab como representante de uma política atrasada.

        Em entrevista publicada pela Foha On Line, Aldo demonstrava descontentamento com o jeito de se fazer política do representante do DEM.

        Àquele momento seria inimaginável pensar que o PC do B sequer cogitaria compor um governo de coalizão capitaneado por Kassab.

        Acusado de enriquecimento ilícito (aumentou o seu patrimônio em 300% em curto período), envolvido em investigações do ministério público, Kassab era o “patinho feio” da política paulista.
        Hoje, discute-se a participação do partido na administração paulistana, ocupando uma secretaria a ser criada especialmente para os comunistas: a Secretaria Municipal da Copa de 2014.

        A composição está sendo acertada pessoalmente pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, e pode culminar na indicação de seu cunhado, Gustavo Petta, ex-secretário de Esporte de Campinas, para o cargo e derrotado na última eleição à Câmara dos Deputados.  

        A futura secretaria responderia por todas as ações e projetos envolvendo a Copa do Mundo, incluindo a construção do estádio que será cedido ao Corinthians e que deve sediar jogos da competição, à ações envolvendo o turismo e a infra-estrutura da cidade.

        Em suma, campo propício para interagir com empreiteiras, construtoras e outras empresas do gênero. Acuado por Dilma, preterido por Henrique Meirelles, Orlando e seu grupo buscam ganhar terreno em São Paulo.

        A reunião do comitê paulistano do partido deve determinar não só a participação da agremiação no governo de Kassab, mas os rumos do próprio PC do B.

Por José da Cruz às 20h56

PCdoB avalia proposta de Kassab para assumir Secretaria da Copa

Jornal Cruzeiro do Sul

        Sorocaba (SP) – Cinquenta e um membros do diretório municipal do PCdoB paulista se reúnem amanhã para discutir se o partido aceita a proposta do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para assumir a futura Secretaria Municipal da Copa de 2014, pasta que será criada para coordenar o evento na capital.

        A sigla avalia que a oferta do prefeito, que estaria preparando sua ida para o PMDB, indica uma movimentação indiscutível de Kassab em direção aos partidos de esquerda aliados da presidente Dilma Rousseff. Como aliar-se ao DEM é uma decisão polêmica, a definição deve levar em conta a posição do presidente nacional do partido, Renato Rabelo.

        Embora vejam com simpatia a sinalização de mudança do prefeito e o convite - já que o assunto vem sendo conduzido pelo ministro do Esporte, Orlando Silva -, os comunistas querem discutir as perdas e os ganhos dessa adesão. "O Kassab está sentindo que não tem espaço no campo em que atuou na eleição passada. É o Kassab que está se deslocando, não a base do governo Dilma", ressaltou Fernando Henrique Borgonovi, da União da Juventude Socialista e membro do diretório municipal. "Vemos a movimentação do Kassab com satisfação, mas isso não quer dizer que esse processo de incorporação do PCdoB seja automático", ponderou.

        Nos bastidores do diretório nacional, a questão é vista com cautela. "O partido não está unido em relação a isso", afirmou um dirigente. Alguns líderes questionam a estratégia de Kassab, que estaria tentando criar uma terceira força política em São Paulo (além de PT e PSDB) para disputar a sucessão do tucano Geraldo Alckmin em 2014.

        Na primeira reunião do diretório no ano, o dirigente Wander Geraldo da Silva prevê um debate acalorado, mas descarta desde já que a eleição de 2014 entre em pauta. "Não faremos um debate sobre 2014", avisou. Silva diz que o fato de Kassab ainda pertencer ao DEM não impedirá o PCdoB de integrar a gestão municipal, uma vez que a saída do prefeito do DEM em direção ao PMDB é dada como certa.

Por José da Cruz às 17h37

Bolsa Atleta: nada de lista nem de pagamento...

          Enquanto cuida das obras da Copa do Mundo, viajando pelo país, o ministro do Esporte não tem  tempo para assinar a lista dos contemplados com a Bolsa Atleta de 2010!!!

        Leiam a mensagem que recebi sobre o assunto. É de doer, ministro Orlando Silva! Qual a resposta?

1)  Fevereiro de 2011!

        Mas a lista de contemplados pela Bolsa Atleta que não saiu é a de janeiro de dois-mil-e-dez!!! 2010!!!

2) – Realmente,  nem os leitores nem a imprensa se interessam pelo assunto. Mandei diversas cartas para os jornais Folha de SP e O Globo, nos últimos dois anos, lamentando o tratamento dispensado aos atletas pelo Ministério do Esporte (eles propõem ao Atleta reconhecer seu talento dando Bolsa Atleta para ajudar na sua formação, depois falam: “Você merece, mas a gente não vai pagar!) e fui absolutamente ignorada. Só recebi respostas-padrão. Um abraço, Cruz, não desanime! Nem se deixe intimidar!

Por José da Cruz às 07h49

07/02/2011

Alckmin vai terceirizar gestão esportiva em São Paulo

Por Marcelo Ribeiro

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, está dando mostras da seu modo de governar. Não que os paulistas já não conhecessem os métodos desse político, que exerceu outros cargos eletivos no Estado.

Depois de nomear alguém sem o devido aparato técnico para a função de Secretário de Esportes, Alckmin anuncia que vai dinamizar investimentos e resultados na área com uma solução supostamente mágica e revolucionária: terceirizar a gestão e controle de centros de treinamentos, conjuntos de atletismo e práticas esportivas e demais próprios ligados ao Esporte e ao Lazer (conjuntos esportivos em geral).

No pacote entrarão as creches e até uma pousada na Ilha do Cardoso.

Alckmin e seu secretário de Esportes, Pagura, sofrem do mesmo mal que afeta o Ministro Orlando Silva: ausência de planejamento estratégico.

Contudo, até que ponto essa ausência não é proposital? Com a eventual terceirização abre-se espaço para uma série de empresas ligadas a políticos (vide o caso da merenda escolar e a parentela da primeira dama) prestarem serviços ao governo paulista.

Nas próximas eleições vamos terceirizar o voto!

Por José da Cruz às 18h01

Egito x CBF

Circula na rede

Por José da Cruz às 17h24

06/02/2011

Dinheiro público financia o Panna Knock Out Brasil...

                O Instituto Plataforma Brasil aprovou no Ministério do Esporte projeto para captar R$ 785 mil destinados a desenvolver o “Panna Knock out Brasil”.

        Sabem do que se trata? Aí vai:

        “O Panna Knock out Brasil holandês é uma nova forma de futebol de rua criado na Holanda. “Panna” é uma gíria holandesa/surinamesa para o ato de passar a bola entre as pernas do adversário”.

        Entenderam?

        O governo abre mão de impostos que arrecada para investir no Panna Knock out Brasil...

Estupidez ou burrice?

        Com o devido respeito, mas que cabeça brilhante aprovou este projeto? Esse sujeito continua empregado no Ministério do Esporte? Ninguém o questionou sobre tamanha estupidez? Ou é burrice, mesmo!!! Ou ambas? Tem comissão nisso?

1.   - Num país onde falta dinheiro para pagar a Bolsa Atleta;

2.   - Falta dinheiro para instalar áreas de esportes nas escolas;

3.   - Faltam, prioritariamente, escolas para muitos...

4.   - Falta dinheiro para colocar em funcionamento a piscina do curso de Educação Física da Universidade de Brasília, há quatro anos desativada...

5.   - Num país em que o Orçamento da União ainda não foi sancionado – e estamos em fevereiro – porque os técnicos do governo quebram a cabeça fazendo ajustes para cortes, os chamados “contingenciamento” -, isto é, reduzir gastos....

        ... no entanto, o mesmo governo, via Ministério do Esporte, abre mão de seus impostos para investir num tal de Panna Knock out Brasil?

        Não há mais nada importante para aplicar dinheiro do imposto que pagamos?

        Só isso serve para demonstrar nas mãos de quem está o rumo do esporte brasileiro, do país que receberá uma Olimpíada...

         ATENÇÃO!!!!

        Ninguém se apercebeu que a falta de prioridades para o esporte serve justamente para isso, a criação de “esportes” por espertos, para ganhar dinheiro fácil nas costas do contribuinte?    

Por José da Cruz às 23h06

"Os políticos e as Olimpíadas"

       Artigo publicado hoje na página de Opinião do jornal O Estado de S.Paulo aborda as questões jurídicas da criação da Autoridade Pública Olímpica e da Empresa Brasileira de Legado Esportivo e a respectiva “cobiça dos políticos pelos dois órgãos...”

        Confira aqui

Por José da Cruz às 22h30

Esporte por Esporte

Por Sérgio Siqueira 

NO DEVIDO LUGAR - Naquela revolta tipo quebra-quebra da torcida corintiana, o carro de Ronaldão escapou incólume. Estava no estacionamento preferencial dos idosos.

CASO SÉRIO - O Corinthians entra em campo. Ronaldo Fenômeno não joga; está machucado. Um caso sério de... orgulho ferido.

NÃO ERROU - foi então que Ronaldo se deu bem nesse Corinthians x Palmeiras. Não desperdiçou um só lance.

TREINO - Zagueirão Ralf deu um soco na nuca do atacante Dinei, do Palmeiras. Estava só treinando para chefe de torcida organizada.

EXEMPLO - É vendo os jogadores do Corinthians batendo nos adversários como se, do peito pra baixo tudo fosse canela, que se entende por quê eles não podem reclamar quando as torcidas mal-organizadas vem pra cima deles com paus e pedras.

SANTO FORTE - Não adiantou nada o ataque do Palmeiras fazer o diabo em campo; o São Jorge que baixou no terreiro de Julio César foi dose pra cavalo.

GRATIDÃO - O Tite pode agradecer a vitória ao goleiro Julio César, mas o emprego ele deve ao Felipão.

CARAS E BOCAS - Com a derrota, as caretas do Felipão foram muito melhores de se ver na TV do que se ouvir o que ele disse na coletiva.

A ARTE DA ESCOLHA - Entre ver Ronaldinho Gaúcho jogar no Flamengo contra o potente Boavista e não ver Ronaldo Fenômeno no Corinthians x Palmeiras, a melhor opção foi ver o Ricardo Gomes levar o Vasco da Gama à incrível série de dois jogos invictos. Vasco é Vasco; o resto é o Vasco...

Por José da Cruz às 22h14

O silêncio do Presidente Carlinhos

         Publiquei, neste domingo, manifestação do presidente da Confederação Brasileira de Remo, Wilson Reeberg, sobre o problema que enfrenta com as obras no Estádio do Remo, no Rio de Janeiro.

        Porém, desde 2009, tento entrevista com o presidente da Confederação de Basquete, Carlos Nunes, o Carlinhos. Nada de resposta.  Diante do longo silêncio, tomo a liberdade de publicar a entrevista que o repórter Carlos Guilherme Ferreira, do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, fez com Carlinhos, em maio de 2009.

        São quase dois anos, mas é o que temos de mais recente. Agradeço ao conterrâneo Carlos Alex, técnico gaúcho, que recuperou a entrevista, e ao amigo Alcir Magalhães Filho, editor do Clipping do Basquete, que colocou na rede. Vejam nas mãos de quem está o nosso basquete.      

A entrevista

Por Carlos Guilherme Ferreira 

Zero Hora // 7 de maio de 2009

        Substituto de Gerasime Bozikis, o Grego, na presidência da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), o gaúcho Carlos Nunes, 65 anos, assume com apoio de Hortência. Mas precisará superar contradições: presidente da Federação Gaúcha (FGB) desde 1994, o dirigente fala em restringir as re-eleições na CBB. Também deixa como herança uma execução de R$ 428 mil contra a FGB, na Justiça. Ontem, ele falou a ZH e admitiu parcela de culpa pela ausência do time masculino em Olimpíadas desde 1996 – afinal, era da diretoria de Grego.

 Zero Hora – Como o senhor pretende voltar às Olimpíadas?

Carlos Nunes – Essa cartinha na manga eu não tenho. O que temos é um projeto de agregação. Os ícones têm de

ser ouvidos para nos indicar o caminho. Em agosto temos a Copa América e queremos força máxima.

ZH – O senhor manterá os técnicos das seleções?

Nunes – Por enquanto, vamos manter a estrutura. Menos no feminino, até porque estamos convidando a Hortência

para ser diretora.

ZH – O senhor trabalhou por 11 anos na gestão Grego. Também é culpado pelo time masculino não

jogar Olimpíada desde 1996?

Nunes – Claro. Se eu fazia parte da diretoria, evidente que tenho minha parcela de culpa, assim como contribuição

no que foi feito de bom.

ZH– O que deu errado?

Nunes – Faltou um trabalho mais consistente, uma aproximação com o pessoal que atua lá fora. Os jogadores não

vieram se integrar à seleção.

ZH – O senhor quer permitir apenas uma re-eleição. Por quê?

Nunes – O basquete precisa ser oxigenado. Com uma direção que se perpetua há desgaste natural. Então, oito anos

está de bom tamanho.

ZH – Mas o senhor ficou 15 anos na FGB e ampliou o mandato em seis meses, no fim de 2008. Por

quê?

Nunes – Antes não havia quem quisesse assumir. A eleição sempre foi por aclamação. Agora houve duas chapas, e o

que fizemos? Composição. Haverá aclamação de novo. Se eu tivesse perdido aqui (na CBB), iria entregar.

ZH – Quem vai assumir?

Nunes – Já tenho o sucessor. O presidente será o doutor Gilson Kroef e o vice, Carlos Thunm, ex-jogador do

Corinthians e da Sogipa.

ZH – Como o senhor avalia sua gestão na FGB?

Nunes – Para mim, sempre vou dizer que foi boa.

ZH – Existe um processo de R$ 428 mil movido pelo Estado contra a FGB. Se refere a quê?

Nunes – Isso aí é um processo que já está na fase final. Foi uma... é juro sobre juro de uma (interrompe)... Para dizer a verdade eu não lembro do que é. Mas era do tempo da administração do Britto (governo Antônio Britto, entre 1995-1998), e eles fizeram uma competição. A prestação de contas não foi devidamente... Houve um ou dois itens que foram glosados (suprimidos). Só isso. Mas já foi regularizado.

ZH – Foi regularizado, então?

Nunes – Está sendo.

ZH – Há recursos para pagar?

Nunes – Nós não vamos pagar. Vamos fazer a prestação de contas pendente. Daria o total.

ZH – A CBB tem contrato de R$ 44 milhões com a Eletrobrás. O contrato vai até quando?

Nunes – Termina em 2012.

ZH – Quanto resta para ser investido, e como será?

Nunes – Bom, isso não posso dizer porque nem vi o contrato. Só posso tomar posse na CBB quando houver o

registro da ata que nos elegeu. Aí, sim, vou ver os contratos.

ZH – Mas houve posse hoje (ontem) pela manhã.

Nunes – Essa posse era mais simbólica. Na verdade, temos de esperar o registro da ata. Como os presidentes

estavam aqui, fizemos a posse para evitar maiores custos.

ZH – Quanto tempo irá levar?

Nunes – No máximo, cinco dias.

Por José da Cruz às 21h50

Estádio do Remo I - Segue do debate

        Com atraso de uma semana, publico a mensagem que recebi do presidente da Confederação Brasileira de Remo (CBR), Wilson Reeberg, referente às obras que se realizam no Estádio do Remo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro.

        Como o texto ultrapassou o espaço disponível – o assunto é complexo e foi detalhado, mais uma vez –, publico em duas mensagem, sendo que, na última está a posição da direção do CBR.

        Agradeço a atenção do presidente da confederação que contribui, assim, para o diálogo democrático com todos os que se interessam pelo esporte, em geral, e o remo, em particular.

        Aos que desejarem debater, peço que mantenham o nível que se exige entre opositores.

        O espaço está disponível para receber opiniões diversas.

 

Prezado Cruz:

 

        Desculpe a demora, mas precisei pesquisar um pouco, para traçar um perfil exato da verdade, que é muito diferente do que alguns apregoam, seja por desconhecimento ou pura má-fé. 

        Assinalei em vermelho as sucessivas derrotas sofridas pelo Ministério Público e pela Federação de Remo do Rio de Janeiro, compondo um quadro muito diferente dos que alardeiam que  "bastaria um toque da CBR para mudar tudo isso..." 

        Não citei os números dos processos, para não ficar entediante, mas posso fazê-lo, se você quiser. Tire suas próprias conclusões.

        Estou à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas.

        Abraço,

        Wilson Reeberg 

 

ESTÁDIO DE REMO

BREVE HISTÓRICO JURÍDICO-ADMINISTRATIVO

 

7/12/1994: O Estado do Rio de Janeiro firma com o Município do Rio de Janeiro um Termo de Cessão de Uso do estádio de remo, pelo qual o Município ali instalará uma escola de música e desenvolverá atividades de serviços públicos, inclusive nos setores de desporto e lazer.

 

7/12/1995: o Município do Rio de Janeiro, mediante Termo de Cessão de Uso, transfere o estádio de remo para a Glen Entertainment Comercio, Representações e Participações Ltda., destinando-o ao uso como complexo integrado de bar, restaurante, mini-shopping, casa de espetáculos, espaços para reuniões, convenções, estúdio para gravação de vídeos ou filmes, admitida a exploração de publicidade no local.

 

12/9/1996: O Estado do Rio de Janeiro é reintegrado na posse do estádio, através de medida liminar em Ação de Reintegração de Posse por ele movida.

 

22/9/1997: o Estado do Rio de Janeiro firma Termo de Cessão de Uso com a Glen, autorizando-a a explorar o imóvel da mesma forma acordada com o Município.

 

15/6/1999: assinado o primeiro aditivo ao Termo de Cessão de Uso, autorizando a Glen a arrendar espaços do estádio a terceiros.

 

8/1/2002: assinado o segundo termo aditivo, que define o início da contagem do prazo de cessão, de 10 anos, a partir da inauguração das obras de recuperação do estádio, e elege a Confederação Brasileira de Remo ou a Federação de Remo do Rio de Janeiro, para assinarem convenio com a Glen, para uso do estádio.

 

12/12/2005: assinado o terceiro termo aditivo, pelo qual o Estado do Rio de Janeiro  assume a responsabilidade pelas obras que interessam à realização dos Jogos Pan-Americanos. Dentre estas, insere-se a implosão da arquibancada do bloco II e sua reconstrução.

continua...

Por José da Cruz às 12h19

Estádio do Remo II - continuação

Histórico Jurídico-Administrativo (conclusão)

20/5/2003: o Ministério Público Estadual ajuíza ação contra o Estado, o Município e a Glen, requerendo seja decretada a nulidade da permissão de uso , sob o argumento de que não foi feita licitação. 

9/11/2005: sentença favorável de 1ª instância, decretando a nulidade da permissão de uso e a devolução do estádio ao Estado do Rio de Janeiro. 

27/12/2006: O Ministério Público estadual consegue liminar para sustar a implosão da arquibancada do bloco II, a qual não é cumprida. Uma semana depois (3/1/2007),  o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspende a liminar, sendo que em 31/7/2007 o processo é extinto sem julgamento do mérito. 

25/1/2007: A Federação de Remo do RJ e os clubes que ocupam os boxes do bloco III assinam acordo com o Estado e retiram seus pertences do local, para as obras do Pan-Americano. Ao final dos Jogos, retornam aos boxes  e a FRERJ consegue liminarmente a posse dos boxes e da torre de chegada.  

10/10/2007:  num primeiro julgamento, a 10ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça do RJ, por unanimidade,  mantém parcialmente a decisão de 1ª instância, no sentido do Estado retomar a posse do estádio de remo, porém reconhece que o Estado poderá dar ao bem a destinação que lhe aprouver, inclusive outorgando-o a particulares, até mesmo à Glen, desde que observe os procedimentos legais (licitação).

 17/6/2008 -  o Ministério Público estadual ajuíza ação requerendo, em caráter liminar, a decretação de nulidade das licenças de obras e paralisação das mesmas, além da restituição do imóvel ao seu estado anterior. Sem previsão de julgamento. 

10/9/2008: a mesma 10ª Câmara Civil dá provimento por unanimidade a recurso da Glen e do Estado do RJ, diante da documentação fornecida pelo Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, que reconhece que a cessão de uso em questão se enquadrava na hipótese de dispensabilidade de processo seletivo, com base no artigo 24 da Lei nº 8666/93.

10/6/2009: a Justiça concede a imissão definitiva da Glen na posse dos boxes e da torre de chegada.  A  partir desta decisão, todo o estádio de remo está de posse da Glen. 

2010: o Ministério Público do RJ entra com recurso no Superior Tribunal de Justiça contra decisão da 10ª Câmara Civil. Sem previsão de data de julgamento.

 15/10/2010 - Juiz da 21ª Vara Federal do RJ nega pedido de liminar em duas ações conexas, uma movida por Luiz José da Silva Barros,  outra pelo Ministério Público Federal, requerendo, entre outras coisas, a paralisação das obras,  suspensão do Termo de Permissão de Uso por ausência de constituição de enfiteuse, e determinação para que o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) envie um técnico ao estádio, para inventariar as avarias e avaliar se as obras realizadas atentam  ou não contra o patrimônio público. Entre os motivos para negar a liminar, o juiz  citou:  o estádio de remo não é tombado pelo IPHAN, sendo somente o espelho dágua objeto de tombamento; ao IPHAN, no caso, compete zelar para que as obras não afetem a visibilidade e a utilização do espelho d´água e isso vem sendo respeitado pela Glen;   o projeto da Glen foi aprovado pelo IPHAN; quanto a enfiteuse, o estádio não está situado em terreno de marinha, acrescido de marinha, terreno marginal, terreno nacional interior nem é imóvel próprio nacional. Ademais, o decreto que, em tese,  exigiria a constituição de enfiteuse para a cessão/permissão de uso do terreno (Decreto 14.654, de 1921) encontra-se revogado desde 25/4/1991. 

29/11/2010: Juiz da 8ª Vara Civil do RJ julga improcedente pedido da Federação de Remo do RJ no sentido de  paralisar as obras da Glen, ter a cessão exclusiva do direito de uso do estádio de remo, além de indenização por danos morais. O magistrado considerou que tanto o Poder Executivo quanto o Judiciário já se posicionaram acerca da  validade da ocupação do local pela Glen, e condenou a FRERJ ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios. 

7/12/2010 o Ministério Público do RJ ajuíza ação visando impedir a e exercer atividades econômicas no estádio de remo, inclusive para sustar a inauguração dos cinemas. Sem previsão de data de julgamento.

POSIÇÃO DA CBR

Ao assumirmos a presidência da CBR, em 17 de agosto de 2009, já encontramos uma situação consolidada, com amplo respaldo judicial e administrativo, pois que vigente uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, reconhecendo a legitimidade do termo assinado entre o Estado e a Glen, como demonstrado acima. Esta situação permanece inalterada. 

Existe, portanto, um reconhecimento judicial de que sendo o estádio de remo um próprio do Estado do Rio de Janeiro, cabe a este, por direito, dar-lhe a destinação que julgar conveniente. Foi o que o Estado fez, cedendo seu uso à Glen, que detém a posse integral do imóvel.  

Existe também um agente fiscalizador, que é o Ministério Público, o qual, desde 2003, vem discutindo em juízo com o Estado do Rio de Janeiro sobre a legitimidade da cessão de uso firmada entre o Estado e a Glen. 

A CBR exerce suas funções dentro da estrita legalidade e por isso não pretende afrontar decisões judiciais, nem intervir na posição do Estado do Rio de Janeiro, por entender que sua gestão sobre o próprio patrimônio é legitima.

Por José da Cruz às 12h14

05/02/2011

Confronto dos extremos

        A edição de Esporte da Folha de S.Paulo publica neste sábado reportagem de Rodrigo Matos - "Extremos" - mostrando as diferenças no trato dos treinamentos olímpicos, particularmente no taekwondo.

        A realidade não muda muito para outras modalidades.   

        Em 2004, Diogo foi quarto colocado nas Olimpíadas de Atentas, ao perder para um sul-coreano na decisão da medalha de bronze, peso até 68 kg.

        Na ocasião, ele detonou: “Por mais que a gente batalhe nosso sacrifício não é recompensado. A gente merecia mais apoio do governo e dos empresários”.

        Mais apoio?

        Bolsa Atleta

        Lei de Incentivo ao Esporte

        Lei Piva

        Patrocínios das estatais????

        No entanto, segundo a reportagem de Rodrigo Matos, a prefeitura de São Caetano, interior de São Paulo, cortou os recursos que repassava à equipe de takwondo, na qual treinava Diogo Silva.

        Observem como cada vez mais faz sentido a expressão “desordem no esporte”, que uso para demonstrar a falta de hierarquia na gestão dos fundos públicos.

        Acrescento a “confusão institucional”, como já demonstrei em várias mensagens: o dinheiro – e muito – sai de várias fontes, mas concentrando-se na elite.  

        Leiam aqui o que Rodrigo Mattos escreveu.

        Disputa por vagas olímpicas gera discussão

Por José da Cruz às 14h52

04/02/2011

Paraolímpicos: cresce o patrocínio da Caixa

             A repórter Érica Romão divulga na edição de hoje do jornal “Lance”, do Rio de Janeiro, que a Caixa Econômica Federal passará de R$ 9 milhões para R$ 10 milhões o patrocínio ao Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB).

            É uma espécie de prêmio ao desempenho da equipe de atletismo, que se colocou em excelente terceiro lugar no recente Mundial da Nova Zelândia.

            Em 2004, ainda segundo Érica, primeiro ano da parceria Caixa-CPB, o patrocínio era de R$ 1 milhão. O dinheiro aumentou e os resultados também.

Loterias

            Além desse reforço, o Comitê recebe recursos das loterias federais, em torno de R$ 25 milhões, em 2010.

            Sem dúvida, a estratégia da Caixa de vincular o nome paraolímpico à sua marca é elogiável. Afinal, trata-se de uma instituição que tem, por sua atuação de crédito, íntima relação com vários segmentos sociais, Brasil afora.

            Mas como a parceria começou em 2004 já é tempo de a Caixa pensar num projeto que não se limite à entrega de recursos ao esporte de rendimento, mas que ofereça aos deficientes uma estrutura bancária capaz de recebê-los em suas agências.

            Isso não acontece nem para deficientes auditivos, visuais, cadeirantes, etc. Pelo menos aqui em Brasília.

            E como se trata de um órgão do governo federal, o exemplo seria oportuníssimo, de enorme repercussão e poderia se tornar referência para outras entidades.

Investimentos

            Em segundo lugar: está provado que com recursos, planejamento e metas os resultados aparecem. É assim que o CPB já tem belas jornadas para contar sobre desempenhos internacionais do judô, natação, futebol de cinco, do atletismo etc.

            Porém, o patrocínio da Caixa ainda é ínfimo se comparado com o universo de um dos problemas mais graves no esporte olímpico ou paraolímpico, os recursos para a base, para a iniciação esportiva.

            Acredito que Caixa tenha condições de desenvolver projetos que ofereçam, pela prática de atividades físicas específicas, a perspectiva de melhores condições de vida e cidadania aos deficientes.

            Projetos que não se limitassem aos já realizados pelo Comitê Paraolímpico, mas que alcançasse a escola, prioritariamente.

            Os novos horizontes para as crianças, principalmente, daria a elas uma vida de mais otimismo, diminuindo-lhes o sofrimento.

            Essa comunidade, que engloba milhões de jovens brasileiros, pode ter como exemplo os atletas paraolímpicos, cujas histórias de vida arrepiam e emocionam.  

            Atletas que se formaram graças ao patrocínio da Caixa e, por isso, seus depoimentos têm enorme apelo e ganham mais credibilidade, porque são histórias reais.

Por José da Cruz às 20h04

Esporte por Esporte: as bobagens da rodada

Por Sérgio Siqueira

NADA SE PERDE - O golaço do velho magrão Rivaldo mostra que nem tudo está perdido para Ronaldo Fenômeno. Os anos não pesam; o que conta é o peso.

PREMONIÇÃO - Vasco 0 x 0 Volta Redonda, não era jogo, era premonição: o Vasco não tem volta, não vê a redonda.

BOA VONTADE - Euforia em São Januário: com o empate o Vasco marcou o seu primeiro ponto no campeonato carioca. Ricardo Gomes já vai chegando de pé direito. Vai assumir um Vasco invicto e com uma defesa que não toma gol há mais de 90 minutos.

DE MÁ VONTADE - Perseguição da mídia flamenguista: "Vasco tropeça em casa contra o Volta Redonda". Desde quando empate não é vitória para o Vasco?!?

TRI...COLOR - Ah sim, deu a louca no Fred. Ele marcou três dos três gols no jogo Fluminense 3x1 Duque de Caxias. Três, num jogo só. Mas foi contra o Duque de Caxias...

OVAÇÃO - Corinthians foge de ovos da torcida. Faz sentido, galinhagem para esse time, só dentro de campo. E, não é nada, não é nada, até que enfim esse time foi ovacionado nesta temporada.

A FÁBULA DO OVO - Dirigentes e jogadores corintianos agora já sabem o que significa aquela fábula do ovo de Colômbia: Andrés Sanchez não consegue botar o Timão em pé.

Brasil 2 x 0 Colômbia

JÁ GANHOU - O Brasil Sub-20 entrou em campo já como vencedor. Nenhum país no mundo tem mais títulos de favorito do que o Brasil.

SONO - Aos 2 minutos a defesa abriu. Gol! Casemiro de Abriu. Tá certo, já era quase uma hora da madrugada, o gol de saída na Colômbia teve o efeito de uma droga, mas o sono foi mesmo por causa do jogo.

O NOME - O garoto até que joga bem, mas o nome não ajuda: Diego Maurício. Isso é mais ou menos assim como Cristo Antônio, Wanderlino Frederico...

BANDAGEM - Neymar jogou "no sacrifício". Entrou em campo com um curativo na coxa esquerda. Só não deu para ver direito se era um Band-Aid ou uma bolsa-família. Ao que tudo indica, era Emplastro Poroso Sabiá. Ah sim, e aquele cabelo dele tinha Gumex.

LAVAGEM - Certamente as Farc se infiltraram no vestiário brasileiro e fizeram uma lavagem cerebral no Oscar. Os guerrilheiros convenceram o garoto de que ele chuta bem de fora da área.

PRELEÇÃO - No segundo tempo deu para sentir claramente que o time do Brasil entendeu perfeitamente todas as instruções táticas e técnicas de Ney Franco. A Colombia foi muito melhor em campo o tempo todo.

GOLAÇO - Aí, aos 46' do segundo tempo, ao famoso apagar das luzes, veio o golaço de Diego Maurício. Foi lindo. Uma pintura. E foi mais bonito ainda porque ele estava impedido. Imagine a cara dos argentinos até domingo às 11 da noite.

DESMANCHA PRAZER - Foi então que, aos 47' o técnico substituiu Neymar. Desliguei a TV na hora.

Por José da Cruz às 15h21

Romário joga pelada na Barra, enquanto fatura salário de deputado

No jornal Extra, hoje

            Entre o carpete da Câmara dos Deputados e a areia da praia, o recém-empossado deputado federal Romário (PSB) deu mostras de que prefere sempre a segunda opção.

Nesta quinta-feira (ontem), por volta de 17h, enquanto transcorria a primeira sessão legislativa no Parlamento neste ano, o ex-atleta participava de um outro tipo de sessão: uma animada pelada de futevôlei na praia da Barra da Tijuca, acompanhado de amigos inseparáveis da bola.

Romário — a exemplo de muitos parlamentares — até chegou a pisar no Congresso, recebeu presença e, logo depois, pegou o avião e voltou ao seu reduto eleitoral. No caso, o Estado do Rio de Janeiro, em mais um dia de sol escaldante e muita praia.

No Congresso, a sessão começou às 14h e terminou às 18h40m. Como não era deliberativa — e não havia ordem do dia —, as ausências registradas não contaram para descontar os salários. A presença não era obrigatória. Entretanto, houve quem trabalhasse duro: parlamentares de vários estados do Brasil apresentaram 170 projetos de lei, uma emenda constitucional, cinco projetos de resolução e três projetos de lei complementar.

De acordo com informações obtidas pelo EXTRA, Romário teve sua presença registrada na Câmara às 10h17m. Como não havia votações, esse registro pôde se dar em uma das portarias, quando o parlamentar é visto por funcionários da Secretaria Geral que ficam nas entradas. Ou pôde se dar com o deputado colocando o dedo em uma das máquinas que lêem impressão digital espalhadas pelo Congresso, inclusive no plenário. Esse tipo de registro chama-se presença de Casa.

            No final da sessão legislativo no Parlamento, havia poucos deputados federais. Um deles era o deputado Jean Wyllys (Psol), também novato em Brasília. Houve ainda quem aproveitasse cada segundo da sessão para legislar: o deputado Hugo Leal (PSC), por exemplo, apresentou dois projetos de lei; e o deputado Otávio Leite (PSDB) apresentou 13 projetos. As informações constam do site da Câmara (www.camara.gov.br).

— Decido ficar até o fim porque foi a primeira vez que uma sessão foi presidida por uma mulher — disse Wyllys.

Por José da Cruz às 14h56

Jogos Mundiais Militares: o risco de cortes no orçamento

Mesmo apresentando um cronograma atualizado em todas as frentes de preparação para os V Jogos Mundiais Militares do Rio de Janeiro, resultado de um planejamento que envolveu 19 ministérios, com a marca da organização das Forças Armadas, o comando do evento enfrenta a apreensão de ver os recursos necessários nesta reta final entrarem na cota de “contingenciamento” do governo federal.

A matéria completa está no portal da ONG Contas Abertas.

Escreverei outras matérias sobre os V Jogos Mundiais Militares. A próxima será sobre a preparação da equipe nacional, que disputara o evento do Rio, de 16 a 24 de julho. 

Por José da Cruz às 11h34

Para aliviar o noticiário pesado

De José Simão, na Folha de S.Paulo, hoje, e na rádio Band News

       Ronaldinho Gaúcho se poupa na estréia para não prejudicar a noitada

       Calendário 2011: o Carnaval caiu em março e o Corinthians caiu em fevereiro

       Corinthians x Tolima: Toliminado!

       Tolima 2 x 0 Togordo

       O Corinthians foi eliminado na Pré-Libertadores. Na próxima, corre o risco de cair já no sorteio das chaves...

Por José da Cruz às 10h42

03/02/2011

Bolsa-Atleta: o descaso do Ministério do Esporte

O Ministério do Esporte gastou R$ 11,6 milhões, de 2010 até janeiro de 2011, com a empresa Brasfort Administração e Serviços Ltda, que fornece pessoal para atuar em vários setores do órgão, entre eles o Bolsa Atletas. Os dados constam do Portal da Transparência, do Governo Federal.

 Enquanto isso, centenas de concursados aptos a serem admitidos esperam por decisão do Ministério do Esporte para serem admitidos.

Direitos negados

É assim que o ministério do Esporte contribui absurdamente para que, nas barbas do governo, sejam desrespeitados direitos trabalhistas, como horas extras, por exemplo.

        E isso ocorre porque o Ministério já inclui no contrato com a Brasfort os valores correspondentes às horas extras. Porém, a empresa fica com o dinheiro e não repassa a quem de direito, os funcionários que trabalham além do horário normal.

 

E quem é a Brasfort?

        É “uma empresa enrolada”, segundo a revista Veja, desta semana.

        “A Brasfort ganhou dois contratos para ceder os motoristas que vão conduzir os veículos da Câmara e do Senado. A empresa pode receber até R$ 8,4 milhões ao final de ambos os contratos. E de quem é a Brasfort? De Robério Negreiros Filho, preso em 2004 pela Polícia Federal por envolvimento em esquema de fraudes num contrato da Brasfort com o Tribunal de Contas da União. Negreiros Filhos e a empresa são réus em várias ações na Justiça Federal de Brasília”, - diz a nota da coluna Radar, de Veja, assinada por Lauro Jardim.

Efetivo

        No Bolsa-Atleta trabalham 16 funcionários, sendo APENAS dois concursados, 11 terceirizados e três estagiários.

        Os teceirizados recebem em média um salário mínimo para trabalhar das 8h às 12h e das 13h15 às 18h.

        Já os estagiários trabalham das 8h às 14h ou das 12h às 18h e, para isso, ganham R$ 520,00.

        Ou seja, 80% da força de trabalho do Bolsa-Atleta é de terceirizados, e esses ganham em torno de um salário mínimo e não recebem pelas horas extras que cumprem.

É essa a “democracia comunista”...

Pagamento

Hoje é dia 3 de fevereiro e o pagamento a Bolsa-Atleta de janeiro ainda não saiu.

Pior: fora os contemplados nas categorias Olímpica e Paraolímpica, as demais ainda não têm a listagem divulgada. Não se sabem quem é quem este ano, o que provoca estresse, apreensão entre os candidatos.

Enquanto isso, o calendário avança, os treinos não param, a programação de viagem tem que ser feita etc.

Imagino que a equipe do Bolsa-Atleta do Ministério esteja com a listagem pronta, isto é, com os nomes devidamente selecionados. Mas o Ministério do Esporte tem pouca grana (R$ 40 milhões) para suportar a entrada, principalmente, de atletas da categoria Pódio, com R$ 15 mil mensais para cada um. Logo, serão preciso cortes...

E se é isso, que não se culpem os funcionários, como se costuma dizer quando um serviço do governo vai mal. Nada disso!  

O Ministério e a Brasfort que se expliquem, porque é muito dinheiro público enriquecendo a empresa e pagamento miserável para os envolvidos no trabalho.

A Delegacia do Trabalho do DF e o Tribunal de Contas da União poderiam ver isso mais de perto.

Por José da Cruz às 15h35

Complô contra Ronaldo Fenômeno

         Aproveito a série de jogos de ontem, pela Taça Libertadores e campeonatos regionais, para arejar as idéias.

Folga para respirar e parar, um pouco, de escrever só sobre tragédias financeiras e corrupção no esporte.

Assim, abro espaço para Sérgio Siqueira, que me manda mais esses torpedos aí embaixo. À tarde volto à rotina das notícias.

1. - Há um evidente complô dos jogadores do Corinthians contra o Ronaldo Fenômeno. Todo mundo passa a bola pra ele.

2. - Os melhores lances do jogo Ronaldinho Gaúcho x Nova Iguaçu foi o jogo de cintura das bandeirinhas.

3. - Os colombianos perceberam a estratégia “carrossel” adotada por Tite e, gentilmente, botaram o Corinthians na roda.

4. - Agora, o Corinthians está num sério dilema: não sabe se vai priorizar o campeonato de xadrez ou dominó. O primeiro pode ser mal interpretado; o segundo vai derrubando o que ainda está de pé.

5. - Você viu aquela arrancada do Ronaldo Fenômeno? Pois você não está maluco nem distraído... Ninguém viu.

6. - Essa derrota acachapante do Corinthians foi a maior vitória do São Paulo nesta temporada.

 7. - O Corinthians ontem na Colômbia teve Ramirez expulso no segundo tempo. Aí ficou com apenas nove jogadores em campo. Não, Ronaldo não foi expulso; apenas não jogou o tempo todo.

8. - Elano está fazendo tanto gol pelo Santos, quanto Neymar faz no Sub-20. Mas Ronaldinho Gaúcho já começou batendo mais falta no Flamengo do que os outros dois juntos o ano inteiro. 

9. - A única vantagem do Corinthians ontem à noite sobre o Tolima foi não usar calções amarelos e aquilo roxo. Aquilo era, no bom sentido, a camisa dos colombianos.

10. - Ricardo Gomes pega o Vasco da Gama e ainda diz que aceita o "desafio". Desafio é pegar um time no topo da tabela. Assim como anda o Vasco, qualquer série de cinco ou seis derrotas já é sucesso garantido.

Por José da Cruz às 11h27

Ronaldinho estreia e emociona. Grêmio vence e avança ...

         Com gol oportunista de Wanderley, o Flamengo venceu o Nova Iguaçu e salvou a estreia de Ronaldino no clube da Gávea.

        Ao final, cena emocionante.

        Somente o craque no gramado, agradecendo e reverenciando à fanática torcida.

        Interação total.

        Algo assim: Ronaldinho e Flamengo, tudo a ver.

        Depois, falou com os repórteres, com humildade.

        “Só tenho que agradecer à turma aí, me carregando”, disse o gaúcho, referindo-se aos companheiros e à falta de entrosamento com a equipe.

        No final, cabeça baixa, revelou, ainda emocionado:

        “Todo mundo tem um pouquinho de Flamengo dentro.”

        Duvido!

        Pergunta isso para um fluminense, um botafoguense, um gremista!!!

        Vascaíno não vale...

        Ah, sim: na noite de estreia de Ronaldinho Gaucho o Grêmio deu o primeiro passo para a conquista da Libertadores.

        Já o Corinthians...

Por José da Cruz às 00h17

02/02/2011

Alunos do Projeto Grael vencem Regata Cidade do Cabo-Rio de Janeiro

Assim como a vitória dos paraolímpicos do atletismo, terceiro lugar no Mundial da Nova Zelândia, que ontem divulguei, o Brasil conquistou outra grande vitória internacional, na vela – modalidade que mais medalhas deu ao nosso esporte olímpico, num total de 16.

E quem conta essa odisséia de atravessar o oceano, partindo da Cidade do Cabo, na África do Sul, ao Rio de Janeiro, é o jornalista Murillo Novaes, sempre com texto vibrante em suas reportagens ou boletins sobre a vela nacional.

Melhor: não é apenas mais uma vitória da vela, mas de um projeto que tem os irmãos Grael no comando. É o Projeto Grael de vela náutica, formador de homens e de atletas. A todos esses campeões, parabéns. E ao Amigo Murillo, obrigado por me ceder o seu texto. Aí vai:

Conquista inédita

No dia 15 de janeiro, precisamente 40 anos depois de primeira largada na Cidade do Cabo, zarpou a tradicional prova Cape Town – Rio 2011, e ontem, terça-feira, 17 dias depois, uma tripulação de brasileiros venceu a regata, pela primeira vez.

E não eram brasucas quaisquer.

Oriundos de escolas públicas de Niterói, estes quatro heróis populares brasileiros, com seus gestos simples, sorrisos fáceis e sobrenomes comuns, honraram a mais alta tradição do mais nobre dos esportes, no mais desafiador de seus palcos, o oceano puro.

Samuel Gonçalves, 23 anos;

Alex Sandro Mattos, 21 anos;

Hallan Batista, 22 anos

Allan Tavares, 18 anos.

Com humildade e coragem eles se juntaram a outros três sul-africanos, no veleiro City of Cape Town da Marinha de lá e se lançaram ao desafio das 3.600 milhas (5.793 Km), que hoje separam estes dois continentes, que já foram um só, nos tempos de Pangea, há milhões de anos.

Finda a jornada, estes cidadãos comuns – não fosse a ousadia de Torben, Lars e Axel Grael e de Marcelo Ferreira, artífices do Projeto Grael, em Niteroi, estariam, talvez, confinados em uma existência exígua --, hoje celebram um feito raro.

Amplificado pela história de vida destes quatro pequenos titãs da odisseia cotidiana de nosso povo, a conquista deles encantou o mundo e, não à toa, chegou hoje (ontem) ao Jornal Nacional para ganhar a divulgação que exemplos deste tipo merecem (veja o vídeo aqui).

Samuca, com quem tive a honra de dividir o Atlântico em nossa travessia de S40 de Floripa ao Rio, resumiu com simplicidade o encontro que o uniu, quase 11 anos atrás, ao Projeto Grael.

“Minha vida é dividida em antes e depois de entrar no projeto”.

Lars Grael, que fundou o projeto-mãe e depois o ampliou em suas passagens pelos governos federal e de São Paulo, foi também sintético na sua avaliação:

“Hoje este não é mais o Projeto Grael, é o projeto Samuel, o projeto Alex, o projeto Allan, com e sem ‘h’. Perdemos o controle, ele foi apropriado por uma nova geração que vai além da simples profissionalização na área náutica e também começa a obter resultados esportivos relevantes. E isso é muito bom”, disse com emoção. 

Este reles escriba, testemunha ocular de muito do que é feito em águas nacionais e universais, dedica este relato de hoje a estes quatro meninos. Os meninos que a despeito do que o “destino” havia traçado para eles, assim como na fábula da formiguinha surda que justamente por não ouvir que não conseguiria chegou ao topo, vieram, viram e venceram.

E para desespero dos reacionários, dos cultores do passado, dos detratores da simplicidade de nosso povo, dos elitistas de plantão, eles entrarão em qualquer iate clube do mundo pela porta da frente, com a cabeça erguida e com a certeza silenciosa dentro de seus corações: eu sou um campeão!

Murillo Novaes

Por José da Cruz às 19h11

Ronaldinho Gaúcho, craque desde guri

       Desse aluno a professora Catarina não esquece nunca mais. Houve dias em que ela insistia para que o garoto, com sua inseparável bola de futebol, entrasse na escola. Ele enrolava daqui e dali até esgotar o horário e o portão fechar. Então, com uma boa desculpa, Ronaldinho escapava para o Estádio Olímpico, onde seu irmão, Assis, treinava no Grêmio.

        Com apenas 8 anos de idade, o guri já fazia estrepolias com a bola e chamava a atenção de quem o via jogar nas peladas pelos campos de Porto Alegre e arredores. Mas aula, que era bom, não mesmo.

Quando indagado em casa como tinha sido o dia na escola, Ronaldinho respondia: “Na aula não fui muito bem, mas no jogo, no recreio, fiz cinco gols...”

        Certa vez, a professora Maria Catarina Ribeiro Gigoski, do colégio Santa Tereza de Jesus resolveu chama-lo às falas, bem ao estilo gaúcho. “Olha aqui, guri, se tu não estudares, o que pensas que vais ser na vida?”

        Cabeça baixa em sinal de respeito, olhos voltados para cima a resposta foi curta e direta:

        “Jogador de futebol”.

        Encarregada, ainda hoje, de acompanhar os alunos fora das atividades de aula, Catarina reconhece que aquele guri dentuço, de origem muito humilde, estava absolutamente certo, determinado, até, no que pretendia. Ela, ao contrário, viu sua pedagogia escolar ser superada por um astro do futebol: “Como me enganei! Anda bem!”

Flamengo

        O garoto dos arredores de Porto Alegre, onde nasceu no dia 21 de março de 1980, é, aos 30 anos, a sensação de hoje no país todo. De volta ao Brasil, ele vestirá logo à noite a mais desejada camisa de futebol que um jovem aspirante a craque deseja, a do Flamengo.

Reportagem

        Em 2006, passei cinco dias em Porto Alegre garimpando informações para escrever um perfil de Ronaldinho Gaúcho. Ao lado do fotógrafo Ronaldo de Oliveira, fiz 23 entrevistas, inclusive com Assis e dona Miguelina, a mãe do atleta.

        O resultado foi uma reportagem de cinco páginas no Correio Braziliense – lamentavelmente não disponível pela empresa: “O guri que encantou o mundo”.

        Conto mais alguns dos principais trechos da reportagem para, assim, homenagear o retorno de Ronaldinho ao futebol brasileiro. E que ele consiga, com a ginga que encantou o mundo, nos premiar com o retorno do belo futebol que sempre teve.

Parceria

        Desde os 6 aos de idade, Ronaldinho jogava de tudo: na rua, areia, campo, society. Até dentro de casa, nos dias de chuva, driblando mesas e cadeiras, sempre acompanhado pelo Bombom, seu cachorrinho de estimação. 

        Certa vez, faltou um jogador para fechar  time do bairro Guarujá, que enfrentaria a turma da rua Araranguá, às margens do Rio Guaíba, em Porto Alegre.

        “Tem um piá (garoto, em gauchês) ali que joga direitinho’, arriscou um parceiro, apontando para Ronaldinho, à beira do gramado. Tinha 8 anos, pequeno e franzino para jogar com os marnanjos de 12, 13, 14 anos. Mas, na falta de um, vem tu mesmo...

        “Ele simplesmente jogou muito, detonou, sem medo. Fez coisas com a bola que ninguém acreditava. Todos ficaram impressionados”,  me contou Ronaldo Eli Pereira dos Santos, que levou o filho, Tales, para a pelada. Tales tornou-se amigo de Ronaldinho e é um dos advogados do craque, desde que ele foi para o exterior.

“Ronaldinho simplesmente desafiava os outros com a bola nos pés. Criava sempre. Era impossível  contê-lo” contou Augusto de Mello, que tinha dois filhos, Renato e Marcelo, no New Kids, time de garotos.

Show

        Numa viagem ao interior do estado gaúcho para um amistoso de futsal, o time do New Kids hospedou-se num hotel. Perto da meia-noite, a algazarra corria solta. O hoje médico Augusto Bandeira de Mello, um dos responsáveis pela equipe, decidiu colocar ordem naquela bagunça e lá se foi para o quarto do barulho.

        “Que surpresa”! me contou, emocionado com o que encontrou.

        Ronaldinho estava deitado na cama, com a cabeça apoiada sobre as mãos Pernas cruzadas, ele fazia embaixadinhas, sorrindo como sempre, enquanto os companheiros contavam alto: 213, 214, 215... A vibração era inevitável, pois se tratava da arte de um menino de apenas oito anos...”

Picolés

        Com visão sem igual, o pai de Ronaldinho, João Ademar Moreira – já morto – se orgulhava de ver o outro filho, Assis, jogando. Mas quando cartolas se aproximavam da família para falar sobre contratos, João avisava:

“Esse (Assis) é bom! Mas vocês precisam ver o que está lá em casa...”

        Depois das peladas, João pendurava um saco plástico cheio d´água na cantoneira de uma das traves. E desafiava Ronaldinho: “Cada saco que tu furares vale um picolé’. As tentativas iam à exaustão, mas sempre com alegria e sem perder a vontade de acertar, cada vez mais.

Por José da Cruz às 12h14

Presidente Dilma receberá atletas paraolímpicos

        Mudança de rumos:       

        Nesta quarta-feira, em que o noticiário do futebol predomina na imprensa esportiva, motivado pela estréia de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, a presidente Dilma Rousseff esquece a preferência nacional por um tempo para receber a delegação do atletismo paraolímpico, no Palácio do Planalto.

        O encontro, às 15h, será para homenagear os atletas que neste início de temporada colocaram o Brasil em terceiro lugar no ranking do atletismo paraolímpico, depois do Mundial da Nova Zelândia, encerrado no domingo.

        Com isso, ficou suspensa a audiência que o ministro Orlando Silva teria com os atletas, às 14h, no Ministério do Esporte, já que ele acompanhará a delegação ao encontro com Dilma.

Oportuno

        Para contribuir na divulgação das boas propostas, aproveito para publicar a mensagem que recebi do professor baiano Welington Araújo, que assina o blog http://www.esportemrede.blogspot.com.

        A mensagem-proposta  de Welington ganha dimensão considerando-se que o Ministério do Esporte, na falta de uma política que defina prioridades, tem comprometido boa parte do dinheiro público para esportes profissionais, como o futebol, por exemplo. Confiram:

        “Eis um momento ímpar para responder aos dirigentes a altura, sobre o descaso com o esporte nacional, em especial, com o paraolímpico.

Mas o que acontecerá? Os esforços, empenho e sucesso deles servirão de moeda de troca, junto àqueles que quase nada fazem para que o mesmo sucesso se materialize. Fotos serão tiradas, vídeos produzidos e reproduzidos e as imagens correrão o país e o mundo.

Orlando Silva e Agnelo Queiroz, em tempos e espaços distintos, apertarão as mãos dos felizes e sorridentes atletas que educados e gentis que são, retribuirão. Abraços e mais fotos e imagens.

Depois...bem, depois, tudo será como antes no quartel de abrantes.

Parabéns aos atletas paraolímpicos que, pela enésima vez, nos deixam orgulhosos e que os mesmos tornem este ato de encontro com o secretário e o governador, em um ato político, entregando-lhe uma carta com reivindicações objetivas para o investimento público para o público brasileiro.

Esporte para todos e não apenas para alguns! Eis a palavra de ordem.”
        Welington Silva 

Por José da Cruz às 11h05

01/02/2011

Paraolímpicos do atletismo, parabéns

        O atletismo paraolímpico brasileiro é a terceira força do planeta. Conquistou 30 medalhas – 12 ouros, 10 pratas e oito bronzes – no Mundial da modalidade, na Nova Zelândia. Terminou à frente dos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Atrás das potências China e Rússia.  

        Tenho reservado pouco espaço para o debate paraolímpico, cujos competidores e técnicos, sabe-se bem, têm problemas em dobro e reconhecimento público de menos.

        Desculpem. O resultado de vocês é um puxão de orelhas que recebo humildemente.

Festa

        Nsta quarta-feira, 2 de fevereiro, a delegação do atletismo será recebida pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, às 14h.

  

        Já o governador do DF, Agnelo, deverá se encontrar com a grande campeã candanga, Shirlene Coelho, ouro no dardo, com recorde da competição (32,22m), e bronze no disco.

        Com 35,95m, Shirlene mantém, desde o ano passado, o recorde mundial do dardo. É uma das estrelas do grupo.

    Treino e sacrifício

        Shirlene treinou todo segundo semestre do ano passado no Parque da Cidade, numa área sem demarcação, sem o conforto de uma cabine para trocar de roupa, sem um armário para guardar os equipamentos. Nada.

        Vez por outra, a recordista mundial ia à pista do Centro Olímpico da Universidade de Brasília, mas as condições por lá são catastróficas, e o terreno é um convite a contusões sérias. Pegava o ônibus e voltava aos treinos no Parque.

  

Desavença

        Tudo porque a direção do CIEF tinha desavenças com Domingos Guimarães, o Mingo, técnico de Shirlene, que é professor da rede pública.

        Assim, fechou as portas à campeã mundial. O Cief – órgão da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Shirlene é cidadã brasileira e brasiliense, cujos impostos que paga transformam-se, também, em salários para a direção do Cief, de ontem e de hoje.

        Que tal?

        Bueno, mesmo acompanhando sua atleta longe da competição – Mingo não foi convidado para ir a Nova Zelândia – o técnico é, também, um campeão mundial.

        Parabéns, Professor, pelo empenho e dedicação à fenomenal atleta. Conheço o seu método de trabalho e sei que o carinho e incentivo que dispensa são importantíssimos para a evolução dos resultados.

Políticas

        Assim como na judô e natação, o atletismo coloca-se entre as potências do mundo. Resultado de uma política financeira que começou em 2001 com recursos das loterias federais e que ganhou, mais tarde, o reforço de patrocínio da Loterias Caixa.

        Está claro que o esporte em geral não precisa de ajuda nem de apoio, mas de investimentos e políticas bem definidas, de longo prazo. O resultado está aí.

Por José da Cruz às 22h51

O lado obscuro da fartura do dinheíro público para o esporte

            O repórter Rodrigo Mattos publica na edição de Esporte da Folha de S.Paulo, hoje, reportagem sobre a escolha de Henrique Meirelles para o cargo de Autoridade Pública Olímpica. Na mesma edição, tem outra boa reportagem:

        “Pacote da União inclui até o surfe”.

        Tratam-se dos recursos orçamentários do Ministério do Esporte para 2011 e a preparação de atletas para os Jogos de Londres, no ano que vem, de Rio 2016.

        E nessa última que me fixo, para comentar declaração do Ministério do Esporte – acredite, há gente no Ministério que se manifeste. Não abertamente, pois não há nome de ninguém. Simplesmente "a assessoria Ministério do Esporte informou". 

        Diz assim:

        “O Ministério é uma pasta de todos os esportes, não apenas dos olímpicos e paraolimpicos”.

        E, ao argumentar sobre a concentração de várias fontes de financiamentos (orçamento, Lei Piva,  patrocínios estatais, Lei de Incentivo etc) assim se defendem as autoridades do governo:

“O entendimento do ministério é que as entidades e respectivas modalidades mais bem organizadas do esporte brasileiro devem ser premiadas e não penalizadas  por receberem apoio de outras fontes”

Para um ministério cujos gestores não conseguem gastar nem a metade do orçamento anual – e isso é comum nos oito anos de governo Lula – nada mais poderia se esperar se não respostas tão escorregadias, como “o ministério é de todos...”

De uma autoridade ministerial deveria vir algo mais inteligente, argumentado. Mas não! Não esperem isso dos camaradas.

Afinal, quais as prioridades do Ministério para o uso do dinheiro público?

Que metas fixou para os esportes individuais e para os coletivos?

Que critérios são aplicados para a distribuição dos recursos, considerando que 19 modalidades têm patrocínio estatal, recursos das loterias etc?

Quem faz o controle do uso desse dinheiro vindo de tão variadas fontes? O ministério? O Comitê Olímpico?

Onde está concentrado, enfim, o planejamento olímpico para 2012 e 2016, para que se conheçam os valores financeiros efetivos a serem aplicados na preparação dos atletas?

O Ministério do Esporte tem isso? Duvido!

Gostaria muito de ver o planejamento do Comitê Olímpico, a origem e aplicação dos recursos. Acredito que isso exista. Divergências à parte, a turma de lá sabe que se não fixar metas o barco afunda.

Mas, paralelamente, também gostaria de ver o planejamento da Confederação de Vôlei, Desportos Aquáticos, Basquete e Atletismo. Pronto. Essas quatro.

Na prática, quero ler o que cada entidade envolvida fará com o dinheiro que recebe dos patrocinadores, confrontando com a proposta do COB e, claro do Ministério do Esporte. Só aí já temos três fontes de recursos e três instituições trabalhando com o mesmo foco olmípico.

Finalmente: que a Confederação de Desportos Aquáticos apresente seu plano de uso do dinheiro público, inclusive da Lei de Incentivo, para que se confronte com as outras fontes. Neste caso, a CBDA tem quatro fontes de recursos:

- Patrocínio dos Correios

- Lei de Incentivo

- Lei Piva

- Orçamento do Ministério do Esporte

Qual a participação de cada um desses órgãos e qual a programação individual?

Temos isso? Em caso positivo, o Ministério do Esporte tem quem fale, quem se manifeste?

Afinal são recursos PÚBLICOS! temos o direito de conhecer a destinação.

Ou estamos diante do esbanjamento total, do dar pelo dar, da fartura sem limites, do descontrole oificial?

Por José da Cruz às 16h10

Gestão capenga: o esporte que se lixe

             O deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE) até que tentou. Mas com o argumento que o fim da legislatura sugere “limpar” as gavetas, o projeto de lei que ele havia apresentado em 2008, limitando em dois mandatos de dois anos cada um a gestão dos cartolas do esporte foi para espaço, isto é, “arquivado”.

        A medida era saneadora. E se aplicaria apenas às entidades que desejassem continuar recebendo recursos públicos.

Aula

        O argumento do deputado ao apresentar o seu projeto é uma aula de cidadania para um país que se diz “olímpico” mas ainda é amador na gestão do esporte, a partir de um ministério de predominância política.

        “A alternância de poder no comando de entidades que administram o patrimônio de uma coletividade é medida usada para reduzir as probabilidades de vícios e tentações de quem tem autoridade em demasia e por longo tempo”, argumentou o deputado Santiago.

        “Este projeto de lei não pretende interferir na autonomia das associações desportivas, protegida pelo art. 217, da Constituição Federal. No texto proposto, elas continuam com liberdade para dispor em seus estatutos sobre sua organização e funcionamento, como bem quiserem, ao mesmo tempo em que saboreiam frutos de uma boa gestão ou sentem o amargor de administrações amadoras ou contra o bem comum.

        O que se pretende aqui é simultaneamente incentivar a prática da rotatividade de poder nas associações dirigentes e de prática esportiva beneficiárias de recursos públicos e cuidar da aplicação desse dinheiro, investido a título de benefícios fiscais, financiamento público, patrocínio de empresas estatais”.

Canetadas                                  

        Com o arquivamento, sabe-se lá quando outra proposta do gênero irá tramitar. Enquanto isso, os cartolas se perpetuam em suas cadeiras.

E, com a caneta na mão para liberar recursos às federações, fazem exatamente o que o deputado buscava acabar: “reduzir as probabilidades de vícios e tentações de quem tem autoridade em demasia e por longo tempo”.

 

Por José da Cruz às 15h24

"Ronaldinho, um trem pagador"

        Aí vai a série deste início de semana, produzida pelo jornalista Sérgio Siqueira, de olho na rodada dos regionais de amanhã, com a estréia de Ronaldinho Gaúcho, no Flamengo, e na Libertadores, com Corinthians e Grêmio em campo.

Mais como observador e crítico do que como torcedor de arquibancada, Sérgio produz o humor curto, que em poucas palavras sintetiza o espírito irônico e momentâneo do futebol.

BILHETERIA - Torcedores do Flamengo vão lotar o Engenhão nesta quarta-feira para o jogo Ronaldinho Gaúcho x Iguaçu. Mais de 20 mil bilhetes já foram vendidos. Só de ida. Depois do jogo tem pagode.

O TREM - Afora futebol, Flamengo prevê R$ 200 milhões em retorno de marketing com Ronaldinho. Então, está provado: Ronaldinho não é um bonde; é um trem pagador.

REFORÇO DE PESO – Para não perder, prematuramente, a vaga na Libertadores, reforçará o ataque do Corinthians contra o Tolima, amahã, na Colômbia: Ronaldo Fenômeno fica no banco.

O JEITO – Pronto; Ronaldinho é o velho menino do Rio. Ele tem mais jeito de carioca do que de jogador do Flamengo.

NAUFRÁGIO - Com Dinamite não há caravela que não afunde. Pelo visto a solução é Ricardo Teixeira autorizar Eurico Miranda a contratar Arthur Nuzman para as obras de transformação do túnel de São Januário em caverna. Futebol sério no Brasil é a pior viagem.

CRUZ - A cruz do Vasco não é de Malta; é o time. Cruz, credo!

FULANOS - O Santos é líder do campeonato paulista. Sem Neymar e sem Ganso. Resta saber o que será de Elano, com a volta de sicrano e beltrano.

PÉ FRIO - Em jogo que tinha Lula na tribuna com a camisa modelo pizza mista do E. C. São Berinthians, nem São Bernardo nem Corinthians tinham qualquer chance de vitória.

OPERÁRIO - Já como um dos primeiros colocado do campeonato paulista, Felipe Scolari diz que seu time é "operário". Só falta querer agora que o Lula vire a casaca.

Leia mais no  http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/

Por José da Cruz às 10h19

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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