Blog do José Cruz

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31/01/2011

Real Madrid registra o maior faturamento mundial

Especialista em análise sobre a economia dos clubes profissionais, o paulista Amir Sommogi divulga mais um estudo que demonstra o potencial do futebol mundial.

Desta vez o clube em questão é o Real Madrid, que nos últimos anos, registrou evolução em suas receitas, posicionando-se como o clube com maior faturamento do esporte global.

     

“Atualmente o time de Madrid gera mais receitas que as principais franquias das Ligas Americana e também entre todos os times do futebol mundial”, diz o estudo de Amir, para a Crowe Horwat RCS, empresa de auditoria e consultoria, com sede em São Paulo.

Globalização

Na temporada 2000-01,início da primeira gestão de Florentino Perez, que foi o idealizador do projeto de globalização do clube, as receitas geradas eram de 149 milhões de euros. Uma década depois o clube apresentou evolução constante em seu faturamento, e na última temporada (2009-10), com receita total de 442,3 milhões de euros, a evolução foi de 197%.

Projeto

        A íntegra do trabalho de Amir é a seguinter.

O projeto de expansão global de seus negócios é sem dívida um case no mercado esportivo global. Isso comprova que o desenvolvimento comercial da marca do clube passou pelo fortalecimento da relação da entidade com inúmeras marcas patrocinadoras, e também pela criação de projetos diretamente para o torcedor, em diferentes pontos do planeta.

Atualmente o Real Madrid se considera uma entidade geradora de conteúdos e entretenimento e não mais um clube de futebol.

A estratégia foi fundamentada nas contratações dos maiores astros do futebol global, explorando a paixão que esses ídolos impactam em consumidores, da Espanha e principalmente do exterior. O impacto se dá tanto em projetos comercias, como no fortalecimento da marca do clube.

Receitas

Um bom exemplo do sucesso comercial do projeto foi a evolução das receitas de marketing do clube que em 2001, eram de 38,6 milhões de euros, valor que ultrapassou 140 milhões de euros em 2010, evolução de 270% no período.

A atual administração, novamente sob o comando de Florentino Perez, fundamentou sua estratégia de crescimento para os próximos anos no investimento pesado de grandes estrelas do futebol global como Cristiano Ronaldo e Kaká, o técnico português José Mourinho e jovens craques como Özil, Khedira e Ángel di María.

Em 2010 a folha salarial do Real Madrid foi de 192,2 milhões de euros e a expectativa é que em 2011 atinja 210 milhões de euros. O clube apresentou nos últimos dois anos superávits do exercício, mesmo com o incremento de suas despesas.

Somados os superávits das temporadas 2008-09 e 2009-10, a lucratividade do Real Madrid foi de 45,4 milhões de euros. Isso foi possível porque o clube gerou cerca de 41 milhões de euros em alienação de imobilizado nesses dois anos, referente às transferências de seus atletas. Além disso, ainda considerando as duas últimas temporadas, o clube gastou 35,2 milhões de euros em juros bancários.

        Para realizar seu projeto, o Real Madrid teve que buscar recursos no mercado financeiro e ampliou também suas dívidas com entidades esportivas, já que são os valores a pagar pela contratação de seus atletas.

Em 2009, os compromissos com bancos e entidades esportivas pela contratação de jogadores representaram 77% de sua dívida líquida, percentual que caiu para 73% em 2010. Na temporada 2004-05 a participação dos bancos e clubes credores na composição do endividamento era de 34%.

Endividamento

Em 2008-09 o clube apresentou o maior endividamento de sua história, 490,4 milhões de euros, valor que foi reduzido em 5% atingindo 467,1 milhões de euros em 2010. Essa ampliação do endividamento do clube foi ocasionada especialmente pelo acréscimo de suas dívidas bancárias em 2009, que se ampliaram em cerca de 11% em 2010.

Já as dívidas contraídas pela contratação de seus atletas cresceram 76% de 2008 para 2009. No exercício de 2010 as obrigações com a aquisição de jogadores apresentaram diminuição de 23%, o que significa redução de 52,8 milhões de euros.

O plano do clube é ampliar consideravelmente suas receitas para financiar todo o seu projeto, o que ocorreu em 2010, com o crescimento de 11% nas receitas ou 35 milhões de euros, sendo que 87% foi fruto do incremento dos recursos gerados com o Estádio Santiago Bernabéu. Nesse período a dívida líquida do clube foi reduzida em 23 milhões de euros.

Assim o futuro financeiro do Real Madrid dependerá do sucesso comercial de seus projetos. Segundo seu orçamento na temporada 2010-11 o clube espera faturar 450 milhões de euros, um aumento de 1,7%. A dúvida é saber se será suficiente para equilibrar as contas, em virtude de suas obrigações financeiras futuras.

Por José da Cruz às 20h34

Conversa de torcedor

         Os jornalistas Roberto Naves e Sérgio Siqueira são meus amigos de longa data.  A dupla tem em comum o gosto pelo futebol e as sacadas irônicas, que evoluem no melhor estilo de uma conversa de arquibancada.

        Naves assinou durante alguns anos a coluna “Gandula”, no Correio Braziliense. Sérgio, que teve no rádio o seu ponto forte, produzia quadrinhas bem rimadas sobre o futebol gaúcho, quando por lá trabalhava.

        Hoje, sem se conhecerem, eles travaram o seguinte diálogo, por meu intermédio, e surgido de uma brincadeira de Naves, que é flamenguista. O vascaíno Sérgio respondeu com humor e conversa acabou assim:   

Naves: O Vasco está melhorando, agora já perde para time grande...

Ségio: Mas, até agora, o Vasco não jogou com time grande...

Naves: Ah, é? Então, enquanto isso, fiquem com este lençol que o Thiago Naves manda para a torcida enxugar as lágrimas, depois do desmoronamento de São Januário, no domingo...

        Estou aguardando a reação vascaína.

Por José da Cruz às 18h57

Dinheiro para publicidade do Ministério do Esporte supera Bolsa Atleta

                    Enquanto destina apenas R$ 40 milhões para a Bolsa Atleta – o mesmo valor dos dois últimos anos – o Ministério do Esporte gastará R$ 44,2 milhões em publicidade e outros R$ 48,3 milhões com o futebol profissional.  

Confirma-se assim, a evidente falta de política, metas e prioridades: os R$ 48,3 milhões  servirão para implantar controle de acesso e monitoramento por TV em estádios de futebol. O valor é 20% amais do que o destinado para a Bolsa Atleta.

É um legítimo “circo de horrores com o dinheiro público”. Diante disso, um cálculo é inevitável: se apenas a METADE do dinheiro que será gasto em publicidade e monitoramento do futebol fosse aplicado na Bolsa Atleta o Ministério DUPLICARIA o número de competidores beneficiados.

Comparações

Pior: o Ministério do Esporte destinou APENAS R$ 13,6 milhões para ações do “esporte educacional”, conforme o orçamento de 2011.

        Mas o mesmo ministério aplicará espetaculares R$ 111,8 milhões ao “apoio à Copa do Mundo 2014”.

Isso que o ex-presidente Lula havia dito que dos cofres públicos não sairia um só tostão... Será que a presidente Dilma rousseff sancionará o orçamento com essa aberração?

Péssimo gestor

        Mas o que estarrece, mesmo, é que diante de tanta fartura orçamentária o Ministério do Esporte revela-se péssimo gestor do bem público, em detrimento de programas importantes, como o Bolsa Atleta.

        Enquanto as autoridades ministeriais alegam “falta de recursos” para aumentar os beneficiários da bolsa, em 2009 as mesmas autoridades gastaram APENAS 39% do orçamento. Isto é, foram incapazes de ter programas e ações que consumissem, no mínimo, 50% do dinheiro disponível.

Catástrofe

        Em 2010 a catástrofe foi maior, pois a execução orçamentária do Ministério do Esporte foi de 37%, ou seja, pouco mais de um terço do que tinha caixa. Os dados são oficiais, do SIAFI e me foram fornecidos por técnicos da ONG Contas Abertas.

        Que explicações Orlando Silva – que teve mandato ministerial estendido, mais por insistência do que por competência – dá para essa incompetência no uso do dinheiro público, em comparação com o argumento de “falta de recursos”?

Bolsa Pódio

        Este ano o governo deverá contemplar, também,  o Atleta Pódio, conforme publiquei nas mensagens anteriores. Trata-se do competidor que está entre os 20 melhores do ranking mundial em sua respectiva modalidade.

        A bolsa é de R$ 15 mil mensais, valor bem próximo do que recebe o governador de São Paulo – o principal Estado do país – R$ 18,6 mil.

Há distorções evidentes nesse valor, e se observa que o governo quis premiar seus atletas de ponta, pois permite o recebimento de patrocínios, paralelamente.

Mais uma vez o dinheiro concentra-se na elite, em detrimento da base, onde a necessidade de dinheiro é bem maior, pois os atletas em formação não têm a mesma visibilidade dos olímpicos e, por isso, estão sem patrocínios e sem apoio de suas confederações, num histórico desmando nacional.

Os atletas de ponta, ao contrário, com R$ 15 mil mensais, são altamente beneficiados pelos patrocinadores estatais e por valorizadíssimos contratos de empresas particulares que vinculam suas marcas aos nomes famosos.

E que despesa terão nossas estrelas, se já têm seus treinamentos e viagens financiados pelas respectivas confederações?

        Sugiro a leitura dos dois documentos que regulamentam a Bolsa Atleta: a Medida Provisória 502/2010 e a Portaria 151/2010.

Por José da Cruz às 10h27

30/01/2011

Domingueiras do futebol

Por Sérgio Siqueira

Um pintor! -  O Vasco não precisa de treinador. Tem que contratar um pintor. É o único jeito daquele time ver a cor da bola.

O resto - Vasco é Vasco, o resto é o resto. Mas muito melhor.

São Bernardo 2 x 2 Corinthiano - Lula e dona Marisa foram ao estádio 1° de Maio vestindo a camisa do E.C. São Berinthians: metade de um e metade de outro. Uma tentativa de anular o pé-frio.

O Cara - Lula como torcedor é um razoável e bem remunerado presidente de honra do PT; como corinthiano é um Vicente Matheus azarado.

A Luva - Aquela camisa mista caiu em Lula como um luva: parecia uma pizza.

Premonição - Com Lula de camisa mista só poderia dar no que deu: ninguém venceu.

Lá e cá - Com que distração Lula prestava atenção ao jogo. Se tivesse ficado em casa não teria visto nada da partida da mesma forma.

Reforço - Mesmo desfalcado de Ronaldo, o time reserva do Corinthians é bem melhor que o titular quando joga reforçado pelo Fenômeno.

Um ou outro - Se quiser ter mais sorte, o Corinthians agora vai ter que decidir: joga com Lula na arquibancada, ou com Tite no banco. Os dois ao mesmo tempo é peso demais.

Agora vai - O jornalista Roberto Naves, ex-companheiro no Correio Braziliense, que assinava com muito humor a coluna "Gandula", acaba de me telefonar e comenta:

     "O Vasco está melhorando; agora, já perde para time grande..."

      Quanta maldade!

Por José da Cruz às 22h52

Futebol candango: mais convidados que pagantes...

        Finalizando a série sobre clubes de Brasília, o jornalista Walter Guimarães apresenta os números oficiais sobre a participação do Brasiliense na Série A do Campeonato Brasileiro de 2005.

        Os números revelam uma realidade que eu tive a oportunidade de constatar: fraudes nos borderôs são produzidas para iludir o fisco e justificar a participação de dinheiro público em atividades profissionais que enriquece a muitos. E isso era um "fenômeno" nacional.  

Por Walter Guimarães

Campeonato Brasileiro 2005 – Série A

Brasiliense FC – competições locais:

·      27,3% dos torcedores que compareceram aos jogos eram policiais 

·      44% dos torcedores pagaram ingresso das partidas, os outros 56% faziam parte dos torcedores de “R$0,50” 

·      70% dos jogos tiveram mais convidados do que pagantes 

·      Em 13 partidas havia mais de 2 mil policiais, nas arquibancadas, além do efetivo em campo e cercanias do estádio.

Campeonato Brasiliense

      Voltando à realidade das competições regionais: a discussão deveria se voltar para a falência do futebol candango. Somente com a ajuda do governo local a bola continua rolando.

      Ora, se há dinheiro público envolvido, qual o critério de escolha adotado pelos dirigentes para colocar torcedores nos estádios?

        Todos sabem do uso político do esporte. Assim, o ideal seria a retirada de qualquer ajuda. E que sobrevivam as agremiações que tenham gestores profissionais, que saibam administrar seus times. Sobrevivam, enfim, os clubes que conseguirem convencer a iniciativa privada a bancar seus déficits.

Por José da Cruz às 18h30

Campeonato Candango III: números da decadência

Por Walter Guimarães

Campeonato Brasiliense 2010

Total de ingressos: 138.658 (aumento de 4% em relação a 2009);  ·      Média de Público: 2.010

Ingressos de R$ 1,00: 91.096 (66%) - aumento de 105% em relação a 2009

  ·      Percentual de cortesia por time:

   o  Botafogo: 88%

   o  Brasiliense: 83%

   o  Atlético Ceilandense: 55%

   o  Luziânia: 48%

   o  Dom Pedro: 47%%

   o  Gama: 36%

   o  Brasília: 14%

   o  Ceilândia: 4%

Total arrecadado pelos 8 clubes: R$ 206.700,84 (queda de 23% em relação a 2009)

·      Renda líquida por time:

   o  Gama: R$ 156.231,88

   o  Brasiliense: R$ 38.529,68

   o  Ceilândia: R$ 25.490,83

   o  Dom Pedro: R$ 2.945,28

   o  Luziânia: (- R$ 766,16)

   o  Atlético Ceilandense: (- R$ 1.664,48)

   o  Brasília: (- R$ 1.799,75)

   o  Botafogo-DF: (- R$ 12.265,44) 

Campeonato Brasiliense 2011 (até a terceira rodada)

Média de Público: 1.367 ; ·      Ingressos de R$ 1,00: 6.757 dos 15.042 ingressos (45%)

   o  Brasiliense: 68% de cortesias

   o  Gama: 29% de cortesias

Análise:

     Os números comprovam que boa parte dos torcedores não pagam por seus ingressos. A discussão sobre o Gama cobrar R$ 20,00 por uma arquibancada também deveria ser deixada de lado. O presidente do clube, Paulo Goyaz, afirma que "não “dirige uma empresa beneficiente”. 

Por José da Cruz às 17h58

Campeonato Candango II: só falta escancarar os portões

         Não é de hoje que o futebol brasiliense é financiado por muito dinheiro público. Desde o tempo em que Roriz – aquele ex-governador corrupto, a tal ponto que renunciou ao cargo de senador para não sair de lá escorraçado por seus pares. Não que seus pares sejam santos, mas não é o caso, agora...

        Depois foi a vez de Arruda, outro denunciado por meter a mão na grana alheia. Foi preso, freqüentou o isolamento de uma cela na Polícia Federal, onde se deprimiu. Mas não se tem notícias se foi o suficiente para o distinto senhor se corrigir.

        Ou seja, o futebol do Distrito Federal, lamentavelmente, está intimamente associado a pessoas, também do governo, que não têm currículo, mas ficha corrida. Sobre isso, o Ministério Público está instruindo processos e mais processos que tramitam no Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

        Faço esse comentário para apresentar o segundo artigo da série do jornalista Walter Guimarães, sobre a fragilidade dos jogos de futebol de Brasília e suas rendas. Em resumo: pelos números apresentados, não ficam dúvidas sobre a temeridade de aqui se construir um estádio para até 71 mil expectadores. Vejam ai.

Por Walter Guimarães

        Assustador mesmo é fazer um levantamento dos campeonatos passados, em Brasília.

        Em 2009, 33% dos ingressos vendidos em jogos do Campeonato Brasiliense foram de valor simbólico.

        Em 2010 os convidados dobraram para 66% dos 138.658 ingressos que passaram pelas catracas dos estádios.

        O Brasiliense é o time com o maior número de cortesias. Em 2009 o Jacaré teve uma média de 2.652 torcedores em suas partidas, mas na verdade, apenas 545 pagavam ingresso.

        Já em 2010, dos 36 mil ingressos do time, 30 mil foram cortesias. Aqui vale lembrar que o novo Mané Garrincha vai ter capacidade para 71 mil torcedores. Apenas um devaneio...

Renda líquida

        Essas cortesias refletem diretamente na renda líquida das partidas e do campeonato. Há dois anos, o Gama recebeu um pouco mais que o dobro de torcedores em relação ao Brasiliense. Mas, mesmo sem chegar à final do torneio, arrecadou 15 vezes que o principal.

        Assim, feita a comparação da soma das rendas de todas as partidas de 2009 e 2010, se verifica que, mesmo com um aumento de cinco mil torcedores no ano passado, a arrecadação total caiu 23%. Impressionante: simples assim, mais torcedores, menos dinheiro no caixa dos clubes...

A culpa é da Polícia...

        Em todo caso, essa prática não deveria assustar mais ninguém. Na Série A do Brasileirão de 2005, o número real de pagantes era mascarado pelos dirigentes do Brasiliense, o representante do Distrito Federal no torneio nacional.

        A desculpa dada pela direção do clube era o número de “policiais torcedores" que não precisavam pagar pelo ingresso. Entendia-se como “policiais” não apenas os civis, militares e federais, mas também o contingente dos Bombeiros e Detran-DF, já que uma lei distrital os beneficia de pagar ingresso em qualquer espetáculo público. É ou não e a casa da Mãe Joana?...

Maior segurança do mundo

        Nos borderôs, ainda disponíveis no site da CBF ( http://www2.cbf.com.br/php/tabela.php?ct=1&cc=35&aa=2005 ), é possível encontrar algumas das partidas mais seguras da história do futebol mundial.

        No jogo contra o Flamengo eram 7.820 “policiais” presentes entre os 26 mil torcedores.

        Já contra o São Caetano-SP eram 5.500 dos 7.180 torcedores, este com certeza, um jogo histórico. Será que os ladrões e bandidos da região sabiam disso...

        Na próxima mensagem, mais números em detalhes.

Por José da Cruz às 17h37

Campeonato Candango: nem ingresso de 1 Real atrai torcedor

         Seguidamente, comento sobre o Elefantão que está sendo construído em Brasília para a Copa 2014. E com o apoio de colegas publico informações sobre o “Campeonato Candango”.

        O jornalista Walter Guimarães, pesquisador e estudioso desse assunto, acaba de me enviar mais um levantamento sobre a realidade sobre o futebol profissional na Capital da República.

        O resultado serve para confrontar o interesse do público com a capacidade do futuro Estádio Mané Garrincha, que terá 45 mil lugares, no mínimo, e 72 mil, no máximo.

        Os números levantados por Walter mostram que não se justifica ter uma bela gaiola de luxo para receber quatro ou cinco jogos do Mundial de 14.

        Porque, por enquanto, só há discursos dos que querem ver o gigante sair do chão, pois é aí que a comissão rola fácil para o bolso de muita gente.

        Não há certeza de que o futuro “Estádio Nacional de Brasília” receberá eventos culturais em volume que justifique tamanho investimento. É só folclore. As empresas estrangeiras que aqui estiveram para uma possível parceria foram embora e nada de concreto aconteceu. Concreto, mesmo, é a massa que vai cimentar o novo estádio.

        E se nos detivermos na análise dos números do Campeonato Candango, aí sim, a situação é pavorosa. Confiram:

 

Por Walter Guimarães

        

        Desde o Campeonato Brasileiro de 2005, quando o Brasiliense utilizou a desculpa da presença maciça de policiais nas partidas da Série A, os borderôs da Federação Brasiliense de Futebol contabilizam ingressos com valores simbólicos para sócios torcedores e convidados.

        Mesmo com essa prática os estádios continuam vazios. Nos últimos três anos a maior média de público beira duas mil pessoas. 

        No dia 15 de janeiro, pela 1ª rodada, o CFZ-DF recebeu o Brasiliense no estádio do Bezerrão, na cidade do Gama. Estiveram presentes 671 testemunhas, sendo 133 “convidados”, com ingressos de R$ 1,00.

        Esse valor é apenas para questões contábeis. E os convidados puderam escolher à vontade seus lugares, pois a capacidade do estádio é de 20.385 pessoas. Ou seja, naquela partida foram utilizados apenas 3,3% dos lugares do elefante “branco e verde”, reformulado entre 2006 e 2008, por quase R$ 70 milhões.

Clássico

        No outro dia, no mesmo local, tivemos Gama x Atlético Ceilandense, com 2.342 torcedores, sendo 542 na categoria de R$ 1,00.

        Com duas diferentes categorias, os associados têm “entrada assegurada nos jogos que o Gama for mandante”, em todo caso, não há qualquer desconto ou valor de ingresso estipulado no site oficial.      Assim, com a entrada assegurada é preciso apenas entrar. O torcedor paga uma mensalidade de R$ 20,00 e fica isento do ingresso. Dessa forma o objetivo de ajudar na arrecadação de fundos para o time não será atingido.

        Na segunda rodada, em 19 de janeiro, o maior clássico distrital – Brasiliense x Gama – aconteceu na Boca do Jacaré. Nessa partida, 57% dos 3.915 torcedores não pagaram ingresso. Foram 2.200 pessoas que entraram “na faixa”, pois o time do ex-senador Luiz Estevão não possui nenhum programa de sócio torcedor, pelo menos no seu atualizado site da Internet.

        Outro ponto que chama atenção é a não devolução de ingressos dessa categoria. Todos os lugares de R$ 1,00 disponibilizados são usados quando se trata de Serejão. 

Percentual

        Na sequência do campeonato os números devem aumentar, pelo menos se for levado em consideração o último confronto do Brasiliense, contra o Botafogo-DF. Assustadoramente, 2.442 dos 2.896 torcedores foram de R$ 1,00. É um percentual de 85% dos presentes. Vale o reforço, apenas 454 pessoas realmente pagaram para assistir o jogo.

Campeonatos passados

Mais números

        Na próxima mensagem publicarei mais informações de Walter Guimarães, que fez uma retrospectiva dos campeonatos do Distrito Federal de anos anteriores. Os números também são de arrepiar...

Por José da Cruz às 13h57

29/01/2011

Autoridade Pública Olímpica terá 484 cargos de confiança

        A Autoridade Pública Olímpica (APO), que será liderada pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é um consórcio criado pela Medida Provisória 503/2010.

        A MP é a terceira na pauta de votações na reabertura do Congresso Nacional, dia 2 de fevereiro.

        Presidente do BC no governo Lula, Henrique Meirelles pode não ser um especialista em esportes, mas é homem de firmeza na gestão pública, sabe suportar pressões – como os que queriam a baixa de juros – tem diálogo político e, principalmente, confiança e trânsito entre banqueiros e investidores internacionais.

        E como a Olimpíada 2016 vai além de um evento esportivo, com investimentos particulares e públicos expressivos – obras, transporte, infraestrutura etc – o nome é ótimo para o esporte.

        Melhor: dá tranqüilidade a presidente Dilma Rousseff, pois a escolha é sua e, com isso, eliminou a dependência de gestão política partidária. E, claro, com o perfil de Meirelles, o Brasil ganha representatividade expressiva no trato das questões olímpicas. 

O que é?

        Autoridade Pública Olímpica é um consórcio formado pelos três governos – municipal, estadual do Rio de Janeiro, e federal –, que foi criada pela Medida Provisória nº 503.

        Conforme a Medida Provisória, a APO terá 484 cargos de confiança, isto é, contratados sem concurso.

        Os salários variam de R$ 1.000,00 a R$ 22.100,00. O maior número de vagas, num total de 92, concentram-se no salário de R$ 15 mil mensais.

        Como será uma instituição com trabalho altamente técnico, imagino que Henrique Meirelles será rigoroso na contratação do pessoal, não transformando a APO em cabide de empregos.

O outro lado

        Já imaginou? Se Orlando Silva não tivesse esperneado tanto para continuar grudado á cadeira de ministro do Esporte, hoje ele estaria desempregado.

        O anúncio de que Henrique Meirelles comandará a Autoridade Pública Olímpica (APO) deixa claro que a presidente Dilma Rousseff queria Orlando longe de seu governo.

        Mas a força do PCdoB, mesmo ainda inexpressivo em termos de representação parlamentar – 13 deputados e dois senadores – foi decisiva para mantê-lo no cargo, mais pela história do próprio Partido do que pela expressão do nome indicado.

        Ainda no ano passado, Orlando trabalhava para também comandar a APO, o que lhe garantiria amplos poderes no esporte nacional, não só pela importância dos cargos como pelos orçamentos que comandaria.

        Mas, prevendo que Dilma não o aturaria como Autoridade Olímpica, ele insistiu para continuar ministro, e conseguiu.

        Assim, Orlando Silva fica confortável no Ministério do Esporte, pois terá quatro anos para pavimentar a sua candidatura a deputado federal, por São Paulo.

        Entenderam a jogada? Esperto esse baiano apreciador de tapioca, não?    

Por José da Cruz às 18h28

Henrique Meirelles presidirá a Autoridade Pública Olímpica

       Está no blog de Lauro Jardim, na Veja.com

        Dilma Rousseff bateu o martelo: Henrique Meirelles integrará o seu governo. Meirelles comandará a Autoridade Pública Olímpica (APO), órgão que coordenará as ações do governo para o planejamento e a entrega das obras necessárias à realização da Olimpíada 2016.

 Numa palavra, caberá a Meirelles tocar as obras dos Jogos, espantando o temor do atraso e do superfaturamento.

Por José da Cruz às 16h46

Um fato para não esquecer. Lamentavelmente!

         Um ano depois do episódio, ocorrido ontem, é oportuno lembrar a triste censura do COB sobre o livro da professora, pesquisadora e autora, Kátia Rubio. Mas, para o bem de todos – da imagem do esporte, inclusive – tal censura não evoluiu, pois o presidente Carlos Nuzman retrocedeu em seu autoritarismo.

        Ao publicar a mensagem, também presto homenagem a Kátia Rúbio, autora de inteligente e produtivo trabalho de recuperação da história do esporte e sobre a aplicação dessa atividade na formação do caráter dos jovens.

Atos e fatos para lembrar, mas não necessariamente comemorar

Katia Rubio

http://blog.cev.org.br/katiarubio/

Hoje esse blog faz um ano!!
Seria um bom motivo para comemoração não fosse o fato dele ter nascido como desdobramento de uma arbitrariedade. Sendo assim, fico na dúvida entre comemorar e refletir sobre o passado e o futuro.
Como trabalho com memória e história oral quero deixar registrada minha lembrança sobre esse episódio para que no futuro ele não seja lembrado como uma situação que gerou muita polêmica, mas que não passou de um mal entendido.

Há exatamente um ano eu recebia uma notificação extra-judicial do Comitê Olímpico Brasileiro determinando que eu recolhesse meu livro Esporte, educação e valores olímpicos pelo uso, SEM AUTORIZAÇÃO, da palavra “olímpicos” na capa. O passo a passo dessa história pode ser visto nesse blog, inclusive com as cópias de todos os documentos recebidos e enviados.

Em alguns momentos penso que esse episódio está perdido em minha história. Em outros parece que foi ontem. Não vou discutir a arbitrariedade porque na época várias pessoas me ajudaram a gritar a plenos pulmões sobre isso, entre eles Alberto Murray Neto, Juca Kfouri, José Cruz, no Brasil, Barbara Schausteck, Wanderley Marchi Jr., companheiros da ALESDE, Andrew Jennings, na Inglaterra, Gustavo Pires, em Portugal, apenas para citar os mais próximos.  Laercio Pereira do CEV, que me deu esse blog de presente.Sem contar os muitos colegas dos Estudos Olímpicos por esse mundo afora como Andy Miah da Inglaterra, Holger Pröess, da Alemanha e meus queridos Profs. Roland Renson, da Bélgica e Horacio Capel, da Espanha, que pautaram o tema em diferentes fóruns internacionais. Do ponto de vista concreto vejo a questão como a extrapolação do poder de determinar quem pode ou não estudar, pesquisar, divulgar, publicar um tema tomado como valor universal, na concepção de Pierre de Coubertin. Para quem estuda o Olimpismo e suas transformações ao longo do último século bem sabe o quanto as questões comerciais e materiais alteraram a ordem das coisas no mundo olímpico, transformando os valores também em objeto de consumo e não de reflexão e análise.

Há também o outro lado da questão que não é da ordem do material, mas do sensível.

Falo daquela sensação amarga de viver uma espécie de terror ao longo dos 7 dias que o processo durou. Da impressão de pequenez e fragilidade diante de uma instituição poderosa e onipotente capaz de dobrar as colunas mais rígidas de nossa sociedade. Do terror pelo sofrimento das pessoas mais próximas e queridas que nada entendiam sobre o que estava acontecendo. Da voz trêmula de meu pai perguntando se eu corria mesmo o risco de ser processada e presa e, juntamente com minha mãe, assistir ao programa do Juca, na ESPN, e perguntar ao final se aquilo tudo tinha mesmo acabado. Curioso perceber que para essas lembranças o tempo parece não ter passado. Tudo parece ter ocorrido ontem, muito embora eu desejasse acreditar em mim mesma quando digo que tudo passou. Talvez tenha passado sim, mas a lembrança permanece viva.
Sigo em frente, pesquisando, publicando sobre temas olímpicos. Tenho uma predileção pela história de todos aqueles que marcaram seu tempo e seu grupo social com algum feito diferenciado, seja ele micro ou macro. Acredito na capacidade de transformação desse mundo por conta da determinação de quem se envolve com o que acredita. Por isso estudo a história dos atletas olímpicos, de cada um deles, em diferentes momentos da história, tenham eles conquistado medalhas ou não.

E credito que continuarei a fazê-lo após 2012, 2016, 2020, independente do local onde os Jogos Olímpicos irão acontecer, de quem será o diretor da EEFE, o presidente da República ou do COB. O tema olímpico permanecerá ao alcance de todos aqueles que tiverem interesse, e compromisso, por desvendá-lo.

E sobre a determinação em seguir e perseguir nossos ideais, sou levada a acreditar que esse (ou aquele) episódio provou que independente do tamanho ou da força de uma instituição o compromisso com os valores é uma força capaz de agregar, multiplicar e transformar. Por isso sigo adiante.

Por José da Cruz às 11h31

28/01/2011

Histórias do Esporte: Toninho Cerezo, o “Palhacinho Dureza”

        O ex-craque, Toninho Cerezo, era, na infância, o palhacinho “Dureza”. Seu pai, o palhaço “Moleza”. Cerezo conta com emoção a carreira vitoriosa e as conquistas no Troféu Bola de Prata, no programa Histórias do Esporte, hoje às 21h, na ESPN Brasil (canal 70 da Net).

        Depois de viajar pelo Brasil, o repórter Marcelo Gomes apresenta hoje a primeira edição de “Histórias do Esporte”.

        O programa, mensal, aborda a atividade física sob enfoque mais humano, e busca tirar do anonimato dezenas de atletas que tentam brilhar como competidores de alto nível.        

        Acompanhem a emocionante história do jovem Antônio Carlos Maciel, segundo melhor atleta de lançamento de dardo do país. É um caso exemplar do drama que atletas pobres em início de carreira são submetidos.

        Morador de um barraco localizado às margens da rodovia Ayrton Senna, Maciel foi amamentado pela cadela da família nos primeiros dias de vida e teve seu talento descoberto depois de atirar uma pedra de uma das passarelas da rodovia - o objeto atingiu o carro da professora Luciene, que decidiu ajudá-lo.

        A esgrimista Cléia Guilhon, de Brasília, filha de mãe solteira e que tenta superar os obstáculos para chegar às Olimpíadas de 2012 também está no programa, além da nadadora Fabíola Molina, o boxeador Patrick Teixeira, lutador sombrio que é fã de Bruce Lee.

Combate à corrupção

        Na parte “esporte e política”, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, fugiu das perguntas polêmicas (continua o mesmo!) de Marcelo Gomes, na entrevista sobre os R$ 2 bilhões de investimentos para que Brasília se torne sede da Copa 2014.

        No seu lugar, falou a população, durante a Corrida de Combate à Corrupção, em dezembro, na Esplanada dos Ministérios, competição que Agnelo se exibiu como se fosse um combatente dos deslizes políticos e da gestão pública. Logo quem!!

        “Fazemos um jornalismo investigativo, com foco no esporte, mas que traz à tona a vida e as dificuldades das pessoas que vivem por de trás desses personagens. Muitas vezes nos emocionamos e nos envolvemos pessoalmente com alguns dramas”, conta Marcelo Gomes, roteirista do programa.  

Por José da Cruz às 20h04

Bolsa Atleta II: pódio valorizado com R$ 15 mil para cada um dos melhores

        A Medida Provisória nº 502/2010, criando mais duas categorias da Bolsa Atleta – Base e Pódio – é a segunda na pauta de votações do Congresso Nacional.

        O ano legislativo começa no próximo dia 2, e a expectativa é que o documento seja aprovado logo nas primeiras sessões.

Valores

        Conforme a MP 502/2010, os valores da Bolsa Atleta para 2011 são os seguintes:

 

            Categoria Base     R$    370,00

    Estudantil            R$    370,00

    Nacional              R$    925,00

    Internacional       R$ 1.850,00

    Olímpica              R$ 3.100,00

    Paraolímpica        R$ 3.100,00

     Atleta Pódio         R$15.000,00

Para que se tenha uma idéia do que representam R$ 15 mil para a categoria “Pódio”, compare-se o valor com os R$ 18.700,00 que ganha o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o principal estado da federação.

Quem se enquadra nas duas novas categorias?

Confira o que diz a MP 502/2010:

       Base – Atletas de 14 a 19 anos de idade, que tenha obtido até a terceira colocação nas modalidades individuais de categorias e eventos previamente indicados pela respectiva confederação ou que tenham sido eleitos entre os 10 melhores atletas do ano anterior em cada modalidade coletiva e que continuem treinando e participando de competições nacionais.

 

        Pódio – Atletas de modalidades olímpicas e paraolímpicas individuais que estejam entre os 20 melhores do mundo em sua prova, segundo ranqueamento oficial da respectiva federação internacional. Deverão ser indicados pelas confederações às quais estiverem filiados, em conjunto com o Comitê Olímpico ou Paraolímpico e com o Ministério do Esporte.

 

Critérios

        Depois de ter “liberado geral” nos primeiros anos, concedendo bolsas para modalidades sem expressão, diante da limitação de recursos no orçamento – R$ 40 milhões anuais para o programa Bolsa Atleta – o Ministério do Esporte adota medidas mais duras para selecionar os bolsistas.

        Com isso, espera repetir o vexame e a ilegalidade de ter atletas aptos à Bolsa mas não atendê-los por falta de dinheiro.   

        A partir da aprovação da MP, para receber o benefício os atletas de ponta deverão, além de ter disputado as últimas olimpíadas/paraolimpíadas,  comprovar participação em provas do circuito mundial de sua modalidade, no ano anterior ao que pleiteia a bolsa.

        Somente com esse critério, o Ministério do Esporte eliminou mais de 200 candidatos olímpicos e paraolímpicos que disputaram os Jogos de Pequim, em 2008. Porém, eles não estiveram no circuito mundial seguinte, enquadrando-se assim na nova norma para receber o dinheiro.

Novos limites

        Porém, o que mais contribuirá para reduzir o número de bolsistas em geral – adequando a quantidade aos R$ 40 milhões/ano disponíveis – é a determinação de que 85% da verba (R$ 34 milhões) serão aplicadas nas para modalidades olímpicas e paraolímpicas, e 15% (R$ 6 milhões) para as não olímpicas.

        Na próxima mensagem, recursos no orçamento, equipe de trabalho, e fim da série.

Por José da Cruz às 10h56

Cuidado! Eurico vem aí...

A experiência do ex-craque Zico na direção do Flamengo foi meteórica.

Roberto Dinamite enfrenta crise no Vasco da Gama, depois da derrota de ontem para o Boa Vista, 3 x 1.

Carreira de cartola não é fácil para ex-craques!

Pior: a crise vascaína poderá provocar reação da torcida, com a campanha "Volta Eurico”...

  É SÓ O QUE FALTA !!! 

Por José da Cruz às 00h25

27/01/2011

Bolsa Atleta I: mais de cinco mil competidores já ficaram fora do programa

        Ao contrário de 2008, quando a Bolsa Atleta atendeu a todos os inscritos, o Ministério do Esporte deixou 2.632 candidatos sem o benefício, em 2009, por falta de recursos no orçamento.

Em cinco anos, entre 2005 e 2009, 5.489 atletas aptos a receberem a Bolsa ficaram fora do programa. A lista dos contemplados de 2011 ainda não foi concluída.

Orçamento

        Em vigor desde 2005, a Bolsa Atleta começou inicialmente com R$ 30 milhões anuais, ainda no tempo em que Agnelo Queiroz era o ministro do Esporte.

            O dinheiro já era escasso, mas o programa, ainda no início, tinha pouca divulgação e atendia os mais destacados  competidores de alto rendimento.

        As pretensões cresceram e o orçamento também, chegando aos atuais R$ 40 milhões, a mesma verba de 2010.

        Assim, a partir de 2007, o Ministério do Esporte passou a atender atletas de modalidades não-olímpicas e de pouca expressão, como “luta de braço”, “poewer bíceps”, “aeromodelismo”, “levantamento terra”, entre outros.

Prejuízo

        No balanço que realizei, identifiquei que 5.489 atletas aptos a receberem a Bolsa ficaram sem o benefício, entre os anos de 2005 e 2009.

        O balanço geral dos “sem-Bolsa” é o seguinte:

                2005: 1.148

                2006: 1.072

                2007:    637

                2008: todos contemplados

                2009: 2.632

                2010: lista não concluída

        Atletas contemplados:

                2005:    975

                2006:    854

                2007: 2.171

                2008: 3.313

                2009: 2.958

                2010:    157*

* Só atletas olímpicos e paraolímpicos; faltam as demais categorias”. A bolsa será paga em 2011.

Mudanças

         Na próxima menagem abordarei sobre as novas categorias da Bolsa Atleta e os respectivos valores que serão pagos em 2011.

Por José da Cruz às 14h50

Copa 2014: ministro do Esporte se reunirá com governador Alckmin

        O ministro do Esporte, Orlando Silva, reúne-se amanhã cedo com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

        Ele se atualizará sobre a preparação da cidade para receber a Copa do Mundo de 2014.

        O assessor do ministro para assuntos de futebol, Alcino Reis, estará no encontro, às 8h, no Palácio dos  Bandeirantes.

Almoço

        Hoje, em São Paulo, Orlando Silva participará de um almoço político incentivado pelo Palácio do Planalto, “de apoio ao deputado Marco Maia, candidato do governo na disputa pela presidência da Câmara".    

        Local: Restaurante Dinho´s, na Alameda Santos. Não conheço, mas deve ser bom. E com tapioca no cardápio, imagino.

        Ah!!! Uma tapioquinha de aperitivo!!! Água na boca!

Mais política

        À tarde, o ministro Orlando tem reunião com o presidente do PT, Edinho Silva. Mas até ontem não estava confirmado encontro dele com o ex-ministro da Fazenda, Delfim Neto

        Como se vê, o ministro trabalha, sim, apesar de em sua agenda oficial constar “nenhum registro para este dia”.

Por José da Cruz às 09h11

26/01/2011

Fluminense contrata a bela Natália Falavigna

                   Os companheiros do UOL Esportes, no Rio de Janeiro, informam que o Fluminense contratou Natália Falavigna, do taekwondo, bronze nos Jogos de Pequim, em 2008.

Gazeta do Povo (Curitiba)

A lutadora é a terceira atleta olímpica no tricolor carioca, que já conta com o nadador Kaio Márcio, recordista mundial nos 200m borboleta, e o judoca Flávio Canto, bronze em Atenas, 2004.

A notícia é ótima, mas me lembra o Vasco da Gama, nos tempos de Eurico Miranda. Por isso, fico com a pulga atrás da orelha.  

Em 1999, na ânsia de “ganhar tudo” no Pan de Winnipeg, Canadá, o cartola contratou mais de 100 atletas de várias modalidades, para vestirem a camisa do clube, como se ali tivessem surgido e se formado.

Encerrado o evento continental, veio a crise e Euricão deu uma banana para os atletas. Muitos nem sequer receberam o valor acertado. Um fracasso de parceria. Decepções, choros, enfim.

Fenômeno

É comum vermos clubes e empresas associaram suas marcas próximo de grandes eventos. Depois, caem fora  Estará agora, com o Fluminense, se repetindo o fenômeno cíclico da temporada olímpica?

Dúvidas

            Não se sabe quanto Natália receberá do Fluminense nem que compromissos a atleta assumiu com o clube, em troca do patrocínio.

            Certo é que a Confederação de Taekwondo receberá, este ano, R$ 1,2 milhão das loterias federais. Além disso, terá recursos do projeto Petrobras, que envolve outras quatro modalidades: boxe, esgrima, remo e levantamento de peso.

            As  dúvidas são as seguintes:

1. – Com o dinheiro que receberá do Fluminense, Natália Falavigna financiará sua preparação olímpica ou dependerá de verbas da confederação, vindas das loterias da Caixa?

2. – Se o dinheiro do patrocínio inclui a sua preparação, sobrará, claro, mais recursos à confederação de taekwondo;

3. – Mais: os recursos recebidos pela confederação de Taekwndo de patrocínio da Petrobras – via Lei de Incentivo ao Esporte – incluem o treinamento de Natália e os seus demais gastos rumo a Londres 2012?

4. – Finalmente: Natália também será beneficiada com recursos do Ministério do Esporte destinados à Confederação de Taekwondo, via Comitê Olímpico?

            Observem como temos várias fontes de recursos, atraídos pela fama de uma só atleta.

Gostaria muito de conhecer os projetos de cada uma dessas entidades para poder demonstrar como o dinheiro se concentra na cúpula e, por isso não chega à base, na iniciação. Isso é real na maioria das confederações com apoios estatais e dos cofres do Ministério do Esporte.

Por José da Cruz às 17h17

Remo: esporte olímpico enfrenta conflito comercial na Lagoa

     No domingo, pedi que o presidente da Confederação Brasileira de Remo, Wilson Reeberg, se manifestasse oficialmente sobre os rumos do Estádio do Remo, na Lagoa, Rio de Janeiro, diante das obras que a empresa Glen está realizando na área, transformando rapidamente aquele histórico espaço esportivo num lucrativo centro comercial.

     Ontem à noite, o presidente me informou, gentilmente, que só poderá me atender no fim de semana, devido aos compromissos de sua agenda.

     Compreendo, pois os tempos no remo, de fato, são outros, com gestão profissional. Wilson Reeberg disse em sua mensagem: “E quero apresentar-lhe a história toda bem documentada, para seu melhor julgamento”.

 Debate

            Tomo a liberdade, porém, de reproduzir um documento que o conceituado site http://www.remolivre.com/ publicou sobre o assunto. O mesmo também me foi enviado por pessoas intimamente ligadas ao esporte, a fim de manter o debate em dia neste blog.

            O documento em questão é uma “análise”, feita pelo próprio Reeberg, em 2003, que não invalida a sua manifestação que virá.

            E faço isso porque a “Análise do Termo de Permissão de Uso do Estádio de Remo pela Glen”, assinado por Wilson Reeberg, é impressionantemente bem detalhado, facilitando o entendimento diante da complexidade do tema.

            Melhor: já em 2003, o hoje presidente da CBB, que se elegeu para dar guinada indispensável ao remo, previa que a Glen, de posse da área desde 1997, por concessão do Município do Rio de Janeiro, usaria o espaço mais para comércio do que para desenvolver o esporte.

        Além disso, esta questão serve de exemplo e alerta para as relações comerciais que serão realizadas em profusão por outras modalidades esportivas, até os Jogos Olímpicos de 2016.

Grave

            O assunto é grave. Gravíssimo. Acredito que o próprio Comitê Olímpico Brasileiro esteja acompanhando o assunto de perto. 

        Em um só parágrafo da análise de Reeberg essa situação preocupante está bem clara:

       “A GLEN deseja transformar o Estádio de Remo em um complexo gastronômico e de lazer, dotado de amplo estacionamento. Para isso, pretende ocupar todas as áreas livres do Estádio, inclusive reduzindo a área atualmente usada pelos clubes. Não restará nenhum espaço para crescimento futuro do esporte.

       A exposição, a seguir, pretende demonstrar que a permissão de uso do Estádio de Remo pela GLEN e a destinação que lhe quer dar esta empresa são nocivas aos interesses do Remo carioca e brasileiro.”

            A leitura preliminar do documento está aqui e é indispensável para que melhor possamos analisar, depois, como o presidente Wilson Reeberg está tratando esta realidade.

Por José da Cruz às 11h08

Governo tem R$ 622 milhões para publicidade neste ano

Da ONG Contas Abertas

 

Por Amanda Costa

 

Maior anunciante do país, o governo federal tem à disposição R$ 622,8 milhões para aplicar em publicidade neste ano.

Deste valor, o equivalente a R$ 210,3 milhões referem-se a anúncios diretamente vinculados à Presidência da República, que tem o maior orçamento entre todas as pastas dos Três Poderes.

Ao todo, 54 órgãos têm orçamento para anúncios neste ano. Na prática, é como se cada um dos 190,7 milhões de brasileiros tivessem que pagar R$ 3,27 para serem informados sobre os atos públicos.

A reportagem completa está aqui.

Por José da Cruz às 10h13

25/01/2011

Copa 2014: prazos não cumpridos; o orçamento dispara

        A repórter Adriana Brum, da Gazeta do Povo, de Curitiba, é mais uma profissional da imprensa que está atenta aos gastos públicos com as obras para a Copa 2014.

        No domingo, o jornal publicou reportagem sobre o assunto. Adriana mostra como gambiarras burocráticas são acionadas para explicar que as obras, em atraso, estão em dia. Em resumo: os prazos já foram alterados e os valores, claro, também...

        “Ainda faltam três anos e meio para a bola começar a rolar na Copa de 2014. Já se esperava que os preparativos estivessem em andamento, com sons das obras de mobilidade urbana e infraestrutura pelas 12 cidades que vão receber jogos do Mundial. Mas a história não é bem assim.

        Em Curitiba, nenhum dos nove planos de melhoria visando ao evento da Fifa saiu do papel – conforme dados fornecidos pelo site Copa 2014 – Transparência em 1.º lugar, da Controladoria-Geral da União”.

        A reportagem completa está aqui.

Por José da Cruz às 22h19

Joaquim Cruz critica falta de investimento na base

“Nada mudou. O Brasil tem um problema sério: esporte de base”

 

        Entrevista do medalhista olímpico nos Jogos de Los Angeles, 1984, à repórter Amanda Romanelli, que está na Nova Zelândia cobrindo o Campeonato Mundial de Atletismo Paraolímpico.

        "A situação do Brasil não mudou. Não houve nenhuma reforma para colocar o esporte nas escolas. Sem essa reforma não vai, é como garimpar em mina que não tem diamante. Eu esperava alguma mudança já no ano passado (após a escolha do Rio como sede olímpica, ocorrida em 2009), mas não houve e vamos ficar nessa briga até não sei quando", declarou, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

"O ex-atleta, há quase três décadas fora do País, cita como exemplo a dificuldade para se encontrar novos nomes no atletismo. Lembra que Maurren Maggi, atual campeã olímpica do salto em distância, e Jadel Gregório, do salto triplo, estão na reta final da carreira e não têm tantos anos mais pela frente... Um bom parâmetro será o Mundial de Daegu, Coreia do Sul, entre 27 de agosto e 4 de setembro. A expectativa, no entanto, não é de grande desempenho. Atualmente, a maior aposta é depositada em Fabiana Murer, de 29 anos, saltadora com vara campeã mundial indoor em 2010."

Leia a entrevista

Por José da Cruz às 12h23

Orçamento do Ministério do Esporte é o que mais cresce, mas por conta do abuso parlamentar

Influenciado pela realização da Copa 2014 e dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o orçamento do Ministério do Esporte foi o que mais cresceu dentre todos os órgãos governamentais, comparativamente aos anos de 2009 e 2010. Na ponta do lápis, evoluiu 63%, saltando de R$ 1,5 bilhão, na previsão inicial do ano passado, para quase R$ 2,5 bilhões em 2011.

O restante da matéria está no site www.contas.abertas.com.br.

Voltarei a escrever sobre este assunto, pois há muito o que se comentar, principalmente sobre os recursos da Bolsa Atleta -- preparo matéria especial –, em comparação com outras destinações do dinheiro público.

Por José da Cruz às 10h50

24/01/2011

O futebol do interior e a importância histórica do São Bento

Por Marcelo Leandro Ribeiro    

         Muitas vezes incorremos no erro de visualizar o futebol brasileiro como representado por apenas as duas dezenas de clubes que participam da série principal do campeonato, esquecendo a história de uma gama de agremiações centenárias e seus municípios.

        Clubes como a Ponte Preta, o Guarani, e principalmente o São Bento de Sorocaba, apresentam contribuições significativas para a história do futebol brasileiro, e por que não, internacional?

        Cidade operária, Sorocaba já abrigava partidas de futebol entre trabalhadores ingleses contra combinados locais em 1891 (estudos apontam partidas desde 1870 em Sorocaba – conhecida como Manchester Paulista dado seu desenvolvimento fabril, o que incidia, também, em forte presença estrangeira entre seus habitantes).

        Ou seja, jogava-se futebol na cidade alguns anos antes de Charles Miller desembarcar em nossas terras com duas bolas debaixo do braço e muita vontade em jogar o esporte aprendido fora.  Em vez de ter ido para a Inglaterra, poderia mui bem ter parado no então distrito sorocabano de Votorantim e participado dos primeiros clássicos internacionais do Brasil.

        Na região de Sorocaba surgem também os primeiros times dedicados exclusivamente à pratica do futebol, destacando-se o Sport Club Savoia – surgido em 01º de janeiro de 1900, ligado aos trabalhadores italianos, cujos jogadores, transferidos para fábricas em São Paulo, ajudariam a fundar o Palestra Itália (hoje Palmeiras). Uma década mais tarde surgiria entre a colônia espanhola o São Bento de Sorocaba.

        Vemos aí um fenômeno interessante: os clubes locais –formados basicamente por operários humildes - organizavam-se em torno das suas colônias de origem. Findo o Savoia, o São Bento rapidamente assumiu a condição de representante máximo do futebol regional, expandindo sua força para além dos bairros espanhóis. Formava-se ao lado de Guarani e Ponte Preta o trio de ferro que sempre impressionou e não raramente humilhava os grandes clubes em confrontos.

        Formado e controlado por operários, era o São Bento centro de referência, gravidade e interação de toda uma comunidade, mas como tudo, a cobiça atiçou alguns oportunistas que perpetuaram-se na direção do clube por aproximadamente uns oitenta anos dos seus quase cem de história. Entre advogados e comendadores, reeleitos vereadores, o São Bento teve de tudo em seu comando. Gente que muito e nada valem, que na boa vontade ou na ladroagem não foi capaz de levantar o São Bento, que aos poucos, foi tendo seu patrimônio dilapidado.

        Primeiro foi a estrutura do clube, com negociações estranhas de jogadores, gente valendo muito e saindo por pouco, ou gente valendo nada vindo por muito. Seu estádio – o grande Humberto Reale-, quase no centro, foi sendo abandonado até ficar inviabilizado para a prática esportiva. Muita gente ligada à especulação imobiliária – entre eles ex-dirigentes do clube - sonha em colocar as mãos no terreno que fica em área nobre da cidade.

        Depois, foram os rebaixamentos, as voltas heróicas, os novos tombos. Todos em razão de ausências de projetos de gestão esportiva. Nem o Comendador Alfredo Metidieri, presidente do clube por 15 anos e também mandatário por uma gestão da Federação Paulista de Futebol sequer apresentou algo parecido com um plano de atuação para o clube.

        Nos últimos tempos o São Bento sobrevivia de forma sorumbática. Com um calendário nacional que entende que futebol é coisa para apenas vinte clubes, ficava o Azulão restrito aos inócuos meses do paulista.

        Acabou o Paulistinha, acabou o futebol para quase todas cidades paulistas. A lógica do calendário brasileiro e a desestruturação do clube acabou por afetar seu maior patrimônio: a torcida. Antes unânime entre a grande colônia, passou o São Bento a dividir espaço com São Paulo, Palmeiras, e outros. Os jovens perderam a referência, deixaram o gosto de freqüentar estádios (que estádio? O Humberto Reale estava desativado, e a Prefeitura cedeu seu estádio municipal, do outro lado da cidade). A derrocada do São Bento foi entristecendo uma parte da cidade que sempre teve a alegria e o colorido como marca.

        Chegou-se a um momento em que se reagia ou se decretava o fim do clube, seguidamente saqueado por usurpadores. A decisão foi pela reação, e novamente, nas terras onde de fato surgiu o futebol brasileiro, chega-se a um feito histórico: hoje a torcida comanda o clube.

        O São Bento é um dos únicos clubes de futebol do Brasil a prestar contas publicamente. Renegocia dignamente seu passivo, adquirido nos anos de má gestão e picaretagem e já não está estatelado.

        É certo que ainda vai cambalear em alguns momentos, mas imerge das cinzas com a dignidade que falta aos gestores em nosso País. Interessante que a torcida cresce numa faixa jovem de idade. O orgulho de torcer pelo clube local voltou com a transparência da gestão. Derrotas são meros detalhes quando se sabe que o que está sendo construído é sólido. Estranho apenas é que a administração municipal, de quem nunca foi solicitado recursos financeiros, não compreenda a importância histórica e cultural do clube.

        Mais que futebol, o São Bento representa as aspirações daqueles que construíram a cidade. Uma espécie de revanchismo parece ter tomado conta do prefeito Vitor Lipi, de quem as pessoas que foram extirpadas da direção do clube são próximas. Defende-se em Sorocaba que o São Bento, assim como deveriam ser Guarani e Ponte Preta, XV de Piracicaba, etc, por força de lei, fossem transformados, ou melhor, oficializados como patrimônio cultural dos seus municípios, e como tal pudessem receber, não as benesses financeiras que alimentam a maioria dos cartolas, mas a atenção necessária para sua recuperação. O São Bento é exemplo de gestão administrativa e esportiva. 

Marcelo Leandro Ribeiro – Consultor de Empresas, trabalhou com Gestão Pública, Biossegurança e Planejamento para várias empresas e órgãos públicos. 

Por José da Cruz às 23h22

Dilma recebe Marta e promete "atenção" ao futebol feminino

        O ministro do Esporte, Orlando Silva, esteve hoje com a presidente Dilma Russeff. 

        Não foi para despachar,mas para levar ao Palácio do Planalto a prestigiada e consagrada Marta, eleita pela Fifa como a melhor do mundo, pelo quinto ano consecutivo. 

Depois da audiência, Marta disse que Dilma “dará atenção maior ao futebol feminino”...

Mais ou menos o que disseram Lula, FHC, Itamar, Collor, Sarney, Geisel ...

É claro que este tipo de apoio não é competência do primeiro mandatário da Nação. Para isso existe a CBF. Mas como Ricardo Teixeira não faz nada pelas mulheres no esporte, os políticos entram no espaço e dizem coisas que não vão cumprir.

Marta, esperta em campo, é ingênua diante dos políticos e cartolas. 

“Espero que isso (o apoio) realmente aconteça para que haja algo melhor para as meninas que jogam aqui no Brasil. Hoje estamos vivendo um momento legal no futebol feminino e espero que não seja passageiro.”

Mais uma vez nossos destaques do esporte são usados – literalmente é a expressão, usados – por políticos espertos, como esse ministro Orlando Silva.

Há anos o futebol feminino, um dos nossos orgulhos no esporte, sofre nas mãos de Ricardo Teixeira. Arrogante e machista, ele não usa a fortuna que a CBF tem para um campeonato nacional que promova as mulheres e contribua para valorizar as jogadoras, disputadas por times estrangeiros.

Enquanto isso, o discurso político se repete no cancioneiro da ilusão:

“Vamos dar atenção...”

Por José da Cruz às 17h47

Piscinas da Vila Olímpica de Sobral (CE) são usadas como aquários

O ex-prefeito de Sobral, no Ceará, Leônidas Cristino (PSB), gastou R$ 5 milhões na construção de uma vila olímpica, numa área de 60mil metros quadrados.

O nome oficial do espaço é vistoso e, com dinheiro público, faz homenagem a um político que se acomoda em qualquer galho, desde que esteja sempre por cima e perto do poder: “Vila Olímpica Ciro Gomes”.   A Constituição proíbe o uso de nomes de pessoas para promoções pessoais.

Ministro

“Cristino, que deixou o cargo em dezembro para assumir o Ministério dos Portos, não concluiu a obra, que começou há cinco anos”, revelou a repórter Andreza Matais, autora da reportagem publicada no domingo, na Folha de S.Paulo.

Ainda segundo Andreza Matais, uma das empresas responsáveis pelo projeto, a Tecnocon Tecnologia em Construções Ltda, doou R$ 51 mil pra a campanha de Cristino à reeleição em 2008.

Deboche

O mais impressionante nesta história foi a declaração do atual prefeito de Sobral, Veveu Arruda, do PT sobre a maluquice de seu antecessor:

“A obra, ousada, é uma alternativa caso o Rio de Janeiro não comporte os Jogos Olímpicos de 2016”.

 Mesmo depois dessa declaração, o prefeito continua solto.

Piscina-aquário

Ainda não há previsão para inaugurar a “Vila Olímpica Ciro Gomes”.

Mas as duas piscinas já estão em uso: servem de criadouro de peixes. Isso mesmo, as piscinas viraram um aquário gigantesco, enquanto a garotada espera para começar os treinos de natação... Que tal?

O piso da pista de atletismo, importado do Canadá por R$ 1,1 milhão, está guardado numa sala.

A Vila Olímpica de Sobral consumiu dinheiro dos orçamentos municipal, estadual e federal, sendo R$ 2,6 milhões de emendas de parlamentares, informa a repórter.

Análise

        Está aí o aproveitamento político em nome de um grande evento, os Jogos Olímpicos. Usam o dinheiro público de forma irresponsável numa obra sem prazo para terminar, que deve ter sido superfaturada para beneficiar o bolso de meia dúzia de espertos.

        E a população que se lixe, porque o dinheiro da empreiteira está garantido e o da doação para a campanha do ex-prefeito Cristino também.

        E o sujeito ainda se tornou ministro...

        É o Brasil olímpico rumo a 2016...

        Agora vai!

Por José da Cruz às 15h06

CBF: calote de R$ 124 mil

Na Folha de S.Paulo, hoje

FILIPE COUTINHO
         A CBF se recusa a pagar multas no valor total de R$ 124 mil por descumprir o Estatuto do Torcedor e foi inscrita na lista de devedores do Estado de São Paulo, um dos candidatos a ser a sede da abertura da Copa de 2014.

Com carta branca do governo de São Paulo para decidir o estádio do Mundial na capital paulista, Ricardo Teixeira é ao mesmo tempo presidente da CBF e do comitê local da Copa-2014, responsável por avaliar as arenas do país, cujas obras estão orçadas em mais de R$ 5 bilhões.

O comitê, junto com os parceiros da Fifa, vai ganhar do governo federal isenções fiscais de R$ 900 milhões.

Em 2010, enquanto Teixeira negociava a sede de São Paulo entre o Morumbi e um novo estádio, a CBF passou a ser alvo de processo.

O motivo: não respeitar o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto Torcedor, uma das principais medidas do governo federal para tentar organizar a realização de eventos esportivos.

Foram nove infrações apuradas pelo Procon-SP, durante operações-surpresa entre 2003 e 2006. A CBF não conseguiu comprovar, por exemplo, que forneceu informações básicas sobre partidas, como o sorteio de árbitros, a divulgação de regulamentos e as súmulas de jogos.

Como a entidade comandada por Teixeira não pagou as multas, o Procon acionou a Procuradoria do Estado para levar o caso à Justiça.

PENHORA

Agora, a CBF corre o risco de ter bens penhorados até pagar o governo paulista.

"Em processos de cobrança como esse, é feita primeiro a penhora, para se ter uma segurança jurídica de que haverá bens ou dinheiro para se pagar a dívida", afirma Marcelo Aquino, procurador do Estado de São Paulo.

O valor de R$ 124 mil foi baseado no Código de Defesa do Consumidor. Foi "graduado de acordo com a gravidade da infração, a vantagem auferida e a condição econômica do fornecedor [CBF]".

A reportagem procurou a CBF, que não quis comentar o assunto, alegando que está "rigorosamente em dia com qualquer instituição".

Em agosto, a Folha mostrou que a CBF carrega em sua contabilidade diversas dívidas e multas em várias instâncias de governo, enquanto só em 2010 faturou mais de R$ 200 milhões.

Só no Ministério da Fazenda, a confederação aparece como parte em mais de cem processos. Em 2009, a entidade já havia sido obrigada a pagar uma multa de R$ 3 milhões por sonegação de imposto de renda.

A CBF também aparece na lista de devedores do governo federal, que vai financiar mais de R$ 10 bilhões para obras relacionadas ao evento organizado por Ricardo Teixeira e pela Fifa. As dívidas são mantidas em sigilo.

Por José da Cruz às 14h15

23/01/2011

Estádio Mané Garrincha: 30 mil anos para pagar

         Quase um mês depois de ter assumido o Governo do Distrito Federal, o governador Agnelo Queiroz ainda não teve tempo para formar um gabinete de assuntos sobre a Copa do Mundo.

        Ninguém foi nomeado para responder pelo cargo, como se não estivéssemos a três anos do evento.

        Deixar a Copa na cota da Secretaria de Esporte é uma irresponsabilidade governamental. É uma obra gigantesca que não pode absorver o trabalho de ações específicas de uma secretaria dessas.

Enquanto isso...

        Recebi do jornalista Walter Guimarães um estudo – ele é especialista nisso – sobre a primeira rodada do Campeonato Brasiliense de Futebol, realizada no domingo passado (16). Não espero pela rodada deste domingo (23) porque não mudará absolutamente nada. Confiram o que diz Walter:

        Resolvi fazer algumas previsões após passear pelos borderôs da primeira rodada do Campeonato Brasiliense de Futebol.

        Ainda está fora dos meus cálculos o maior clássico distrital entre Brasiliense x Gama, jogado nesse meio de semana, com 3.915 testemunhas !!! Essa multidão presente deve ser considerada como casa cheia, perto do que os números da primeira rodada mostram:

        a) - CFZ x Brasiliense:

                671 testemunhas

                133 convidados

                538 pagantes

                Renda líquida: R$ 1.939,82
        b) - Brasília x Botafogo-DF:

                582 pagantes

                Renda líquida: R$ 904,74
        c) - Formosa x Ceilândia:

                1.130 pagantes

                Renda líquida: R$ 2.973,40
        d) - Gama x Ceilandense:

                2.342

                   542 convidados

                1.800 pagantes

                Renda líquida: R$ 14.026,64
 
        Não é para ficar feliz?? O Candangão está dando lucro !!! Na primeira rodada, depois de meses de espera dos ansiosos torcedores locais, a renda total foi de R$ 19.844,60.

        Fazendo uma previsão muito, mas muito otimista, se for mantido esse valor em todas as rodada da primeira fase, se terá um total de R$ 280.000,00

        Se na segunda fase, mesmo com apenas dois jogos por rodada, mas com os 4 melhores times, for possível manter a média, soma-se mais R$ 120.000,00

        Nas finais, quem sabe com "verdadeiras casas cheias", em jogos de ida e volta, possa-se arrecadar mais R$ 100.000,00

        Total de arrecadação: R$ 500.000,00

        Infelizmente isso é uma alucinação, pois, numa previsão mais ponderada, acredito que não será arrecadado nem a metade disso...

Novo estádio

        E o novo Mané Garrincha, com 71 mil lugares, custará algo perto de R$ 1 bilhão??? Se forem arrecadados mesmo os R$ 500.000,00, em 2 mil anos o dinheiro arrecadado no futebol candango pagaria a obra.

        Mas isso se toda a arrecadação fosse repassada para a construção do estádio. Na verdade, ainda segundo os borderôs, a Federação Brasiliense ficou com R$ 1.614,50 nessa primeira rodada.

        Fazendo o mesmo cálculo com essa receita, no final a Federação terá recebido algo perto de R$ 35.000,00. Aí, seria necessário algo perto de 30 mil anos...

Em tempo

        A média de público, contando com os inexplicáveis "convidados", foi de 1.181 torcedores, algo perto de 1,7% da capacidade do novo estádio.

        Como comparação, passo alguns dados do Campeonato Pernambucano, que depois de 17 partidas contabilizadas pelos borderôs, tem média de 8.545.

        O Santa Cruz, que junto com o Gama vai disputar a Série D do Brasileiro, jogou duas partidas no Arruda e colocou mais de 20 mil pessoas em ambas, contra os não tão tradicionais América-PE e Ypiranga-PE. Já arrecadou R$ 249.700,00 em renda, ou seja, a metade da previsão positiva para o DF todo.
        Que me desculpem os candangos, mas Copa do Mundo aqui não faz qualquer sentido.

Por José da Cruz às 18h31

Estádio do Remo da Lagoa cede espaço para estacionamento de cinema

        Recebi de Alberto Murray Neto a indicação para ler o site Remo 2016, atrativo, bem elaborado, ótimas matérias e opiniões e um contador regressivo aos Jogos Olímpicos de 2016.

       Porém, ao chegar pela primeira vez nesse site me surpreendo com a notícia que estão reduzindo cada vez mais o espaço do histórico Estádio do Remo da Lagoa, no Rio de Janeiro.  De tal forma que até o tanque para o aprendizado do remo foi detonado, para dar lugar ao estacionamento de cinemas.

Lembrançaa

        Fui várias vezes ao Estádio do Remo assistir competições inesquecíveis entre as guarnições do Vasco, Botafogo e Flamengo.  Naquela área, dezenas de atletas recebiam ensinamentos do saudoso técnico Buck, do Flamengo:  Gilberto Gehrardt, Oscar Sommer, os irmãos Trombeta e Trombetinha, enfim. Foi ali que também conheci os Irmãos Carvalho, que por anos foram nossos representantes olímpicos

Parceria

        Na pesquisa que fiz sobre o assunto identifiquei que  Estado do Rio de Janeiro investiu R$ 13 milhões nas reformas da área para o Pan 2007. Mas que, em seguida, a Glen Entertainments Ltda ali iria inaugurar 14 lojas, dois restaurantes e seis cinemas.

        Deve ser uma dessas parcerias público-privada, que prefeituras ou governos estaduais fazem com investidores.

        E como o Pode Público não tem tradição em fiscalizar suas áreas, deixa o parceiro à vontade para agir de forma voraz, estendendo as garras da ganância pelo lucro imediato, em detrimento de projetos de longo prazo do esporte. É o que deve estar ocorrendo no Estádio do Remo da Lagoa.

        Ou seja, já se observa evidente o legado comercial em área do esporte, limitando o espaço para a expansão de uma das mais belas modalidades olímpicas, que tem na centenária regata das universidades Cambdrige x Oxford, em Londres, o expoente maior.

Por José da Cruz às 17h43

O doping burocrático da enganação ministerial

        Oportuna reportagem de Daniel Brito, na Folha de S.Paulo, hoje, sobre os problemas financeiros do Ladetec, único laboratório nacional credenciado pela Agência Mundial Antidoping. A reportagem está na mensagem anterior a esta.

        Porém, chama atenção o zelo incomum do Ministério do Esporte para com os recursos que destina ao Laboratório.

        "O governo brasileiro tem a necessidade de saber o tipo de administração e as fontes dos recursos dos laboratórios", declarou a assessoria do Ministério ao jornalista Daniel.

        Mais: “Precisamos aferir os itens que compõem os preços do Ladetec e a compatibilidade com o mercado mundial, para o laboratório passar a ter parâmetros comparativos", finaliza a nota.

         Três assuntos:

1.   – O Ministério do Esporte não tem o mesmo zelo sobre a administração dos recursos públicos que repassa às confederações esportivas, entre elas as dos “camaradas” do Desporto Escolar e Universitário. O Ministério do Esporte não se fixa no riquíssimo dinheiro público que as confederações em geral recebem de patrocínios das estatais e da Lei Piva e, como se não fosse suficiente, despeja mais grana sabe-se lá para quê!

2.   – Quando diz que “precisamos aferir os itens que compõe os preços do Ladetec e a compatibilidade com o mercado mundial”, os burocratas da informação do Ministério do Esporte fazem jogo de palavras. Querem dizer que estão estudando a possibilidade de mandar fazer os exames no exterior. Ou seja, mais gastos e, claro propinas que deverão render desse negócio. Isso depois de gastar alguns milhões nas instalações do Ladetec. Aguardem para conferir.

3.   – É indispensável que o Ministério do Esporte publique em sua página ou mostre ao repórter Daniel Brito o contrato com o Ladetec, para que se conheça o que compete a cada organismo, principalmente porque ambos são do governo federal; qual a contrapartida do Ladetec diante dos recursos liberados pelo Ministério do Esporte?

    Esse é o ponto de partida para melhor se poder analisar a questão.

Finalmente:

     Enquanto finge se preocupar com o bom uso do dinheiro público pelo Ladetec, o Ministério do Esporte tira do foco a sua incompetência para com o assunto. Isso está claro na própria reportagem de Daniel Brito: “Apenas 8 das 30 entidades filiadas ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro) submetem seus atletas a testes antidopagem nas competições nacionais de adultos”.

     Mas o Brasil quer ser top 10 olímpico...

     Quanta enganação e cinismo. 

Por José da Cruz às 12h37

Doping: o controle financeiro

Na Folha de S.Paulo, hoje

Laboratório credenciado para fazer antidoping passa por auditoria que definirá se pode subsidiar testes para confederações olímpicas

DANIEL BRITO

        Único laboratório brasileiro credenciado na Wada (Agência Mundial Antidoping), o Ladetec está passando por uma auditoria a pedido do Ministério do Esporte.
        Técnicos da Coppead, o instituto de pesquisa de administração da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), analisam as contas do centro de análises desde setembro do ano passado.
Está sendo avaliado se há condições de os exames antidoping terem seus preços reduzidos ou serem até mesmo gratuitos para as confederações de esportes olímpicos. A previsão é que o resultado da auditoria saia em março.
        Apenas 8 das 30 entidades filiadas ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro) submetem seus atletas a testes antidopagem nas competições nacionais de adultos.
        Uma análise pode custar de R$ 530 a R$ 1.000.
Desde 2005, o Ladetec consegue manter sua aparelhagem atualizada e dentro dos padrões exigidos pela Wada por meio de injeções financeiras do ministério.
        Por se beneficiar de verba pública, a contrapartida do laboratório seria subsidiar exames às confederações.
No final de 2010, por exemplo, o centro de pesquisas recebeu um equipamento alemão que pode detectar hormônios de crescimento nas amostras dos atletas.
        Sem essa máquina, o Ladetec poderia perder o credenciamento da Wada.
        Ela custou R$ 550 mil e foi adquirida pelo Ministério do Esporte. Tal qual os dez equipamentos que chegaram há seis anos e foram utilizados no Pan do Rio, em 2007.
        O laboratório recebeu um aporte financeiro de aproximadamente R$ 5 milhões da pasta. São esses mesmos equipamentos os utilizados atualmente para fazer os cerca de 4.500 exames anuais.
        "O governo vem com esse discurso: "Eu dei de graça, por que você não me dá um desconto?". Mas dar desconto por quê? Porque aí é presente de grego", diz Francisco Radler, chefe do Ladetec.
        Ele diz que o faturamento do laboratório é suficiente só para mantê-lo funcionando.
        Além dos exames de dopagem, o Ladetec faz controle de carnes bovinas para o Ministério da Agricultura e análises para a Petrobras.
Segundo Radler, o centro arrecada R$ 4 milhões anuais, distribuídos de forma "quase" igualitária entre as três atividades.
        "Mas 18% do meu faturamento eu pago em taxas à universidade. Minha folha salarial custa R$ 120 mil mensais, porque os técnicos são todos contratados, além dos custos operacionais, que são altíssimos", cita Radler.
        "Minha lucratividade é muito pequena", completa.
Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério do Esporte evitou comentar sobre o que será feito ao final da análise da Coppead.
        "O governo brasileiro tem a necessidade de saber o tipo de administração e as fontes dos recursos dos laboratórios", declara, por e-mail.
        "[Precisamos] aferir os itens que compõem os preços do Ladetec e a compatibilidade com o mercado mundial, para o laboratório passar a ter parâmetros comparativos", finaliza a nota.

Estatizar é a solução, dizem especialistas

        Uma das queixas do neozelandês David Howman, diretor-geral da Wada, ao combate ao doping no Brasil é a falta de uma agência ligada ao governo federal.
        É assim que funciona na Austrália e no Reino Unido, países modelo nessa área.
        A crítica foi feita à Folha em entrevista exclusiva em novembro do ano passado.
        Francisco Radler, do Ladetec, e Eduardo De Rose, membro da Wada, são partidários de David Howman.
        "Somente a criação de uma agência nacional pode fazer com que o governo subsidie um número maior de exames", afirma De Rose, da área de controle de doping do COB (Comitê Olímpico Brasileiro).
        Radler é fatalista. "Se não tiver um organismo de fomento para o investimento, a gente vai fechar", prevê.
        O Brasil possui uma agência de combate ao doping, a ABA (Agência Brasileira Antidoping), mas ela está ligada ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro).
        De Rose contou que representantes do governo brasileiro já foram a Portugal e Austrália em busca de informações para se criar um órgão regulador. Mas sua criação está distante.
        Cuba e Colômbia também possuem laboratórios e agências ligadas à União.
"Na Colômbia, cobravam US$ 50 por amostra. Fomos à Wada cobrar, era dumping [preço inferior ao mercado]. Daí os colombianos aumentaram para US$ 150. Claro, é o governo quem banca", relata Radler. (DB)

Por José da Cruz às 12h05

Educação física como componente curricular: comprovada a omissão do Governo

       Educação física como componente curricular é tema freqüente neste espaço. Seguidamente critico a falta de um trabalho integrado dos órgãos do governo afins ao assunto.

        Agora, mais uma vez, recebo esclarecedora e oportuna contribuição do professor Lino Castellani Filho, da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas.

        Ex-presidente do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, ele também foi titular da Secretaria Nacional de Desenvolvimento do Esporte e Lazer, entre 2003 e 2006.

Omissão

        Depois de ter participado da organização do 1º e do 2º Encontro de Gestores da Educação, a terceira edição não foi realizada, quebrando um importante ritmo dos debates sobre a questão.

        Consequência dos termos da Carta de Brasília, documento final do 2º Encontro de Gestores da Educação, em 2006? Não se sabe.

        Até porque, nem o Ministério da Educação nem o do Esporte, por seus titulares, promotores do evento, assinaram a Carta de Brasília. Assim, o assunto limita-se aos discursos de ocasião, mas sem o envolvimento efetivo dos órgãos ministeriais.

        O fato, por si só, já demonstra o desinteresse dessas autoridades sobre o importantíssimo assunto, e confirma as críticas que surgem seguidamente neste espaço, diante de tamanha e irresponsável omissão.

        Para que os estudiosos sobre o assunto – e o público, em geral – não fossem prejudicados, a Direção Nacional do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte decidiu, em sua última reunião realizada em Porto Alegre – 27 a 29 de novembro de 2009 – dar publicidade à “Carta de Brasília”, documento resultante do II Encontro Nacional de Gestores em Educação.

        Tenho plena convicção de que ela (Carta de Brasília) lhe mostrará a seriedade com que esse assunto é tratado no meio acadêmico da Educação e Educação Física/Ciências do Esporte em nosso país e tenho a expectativa de que ela lhe traga evidências do quão equivocado é buscar fazer dela, Educação Física Escolar, correia de transmissão dos objetivos da política esportiva brasileira”, escreveu o professor Castellani.

        O texto integral da "Carta de Brasília" está neste link.

Por José da Cruz às 01h43

21/01/2011

Voando baixo

         Garantido no cargo por mais quatro anos, o ministro do Esporte, Orlando Silva, desfilará pelas engarrafadas pista do Distrito Federal com um  "carrinho" de R$ 74.765,00.

         Este é o preço do Ford que o Ministério acabou de comprar para que o ministro se desloque com mais agilidade.

        Se o carro anterior estava pifando, agora já não há mais desculpas para o ministro ir ao outro lado da Esplanada conversar com o seu colega do Ministério da Educação e tentar, com oito anos de atraso, incluir a atividade física, no mínimo, na rotina escolar. 

Por José da Cruz às 19h51

Depois de dominar o Esporte, PCdoB quer espaço no Ministério da Cultura

 Com a reabertura do Congresso Nacional, no dia 2 de fevereiro, reiniciarão as pressões políticas-partidárias por cargos dos segundo e terceiros escalões do governo.

Meus colegas que cobrem a área política contam que a Petrobras e demais estatais – Infraero, Correios, Eletrobrás etc – são as preferidas dos deputados e senadores do PMDB, principalmente. E onde o esporte entra nesta história?

Entra a partir do PCdoB, que domina o Ministério do Esporte, reduto de ex-diretores da União Nacional dos Estudantes (UNE). Ali, o ministro Orlando Silva trabalha para estender o poder do partido em geral, e do seu grupo, em particular, a outros órgãos governamentais.

No primeiro mandato do governo Lula, o PCdoB destinou a Secretaria Nacional de Esporte e Lazer para o PT, que mantém o cargo até hoje. A estratégia seria receber uma secretaria num outro ministério, o que não ocorreu.

A voracidade do PCdoB, a exemplo do que ocorre com outros partidos, não cessou. Agora, no início do ano, os “camaradas” voltaram ao ataque, conforme troca de emails que recebi de um deles, indignado porque “esqueceram-se de mim”, como afirmou.

Tática

            O ponto de partida dos comunistas é o Ministério da Cultura, da ministra Ana de Hollanda, do PV, onde o PCdoB  já domina a Ancine com o cineasta Manoel Rangel, ex-presidente da UBES, a irmã caçula da UNE.

            A proposta demonstram, porém, a divisão do PCdo B: o grupo de Orlando Silva contra os históricos do partido, entre eles a deputada Jandira Feghali, o que tem fragilizado a unidade da sigla.

            Uma das mensagens, assinadas por Javier Alfaya, da Coordenação Nacional de Cultura do PCdoB, reconhece “dispersão e inexperiência” do partido nos primeiros anos do governo Lula. Confira a mensagem de Alfaya.

            “Companheiros, Companheiras e Camaradas:

            Estamos construindo uma nova etapa  política que é  fruto da grande vitória do projeto Dilma e do crescimento especifico do PCdoB. Ao lutarmos pela ampliação das áreas de influencia do partido no novo governo, faz-se necessário entender que o quadro é muito diferente daquele encontrado por nós no inicio do 1 ° governo Lula. Naquele então havia muita dispersão e inexperiência, tanto nossa como de outros que chegaram à administração central pela primeira vez. O quadro partidário na esfera cultural mudou , num espaço de pouquíssimos dias , de maneira muito significativa.

            Nossa experiência nestes oito anos indica que devemos agir agora de forma muito coesa e organizada, com clareza de métodos e objetivos. Queremos ampliar nossa colaboração no MINC. É um pleito justo devido à nossa significativa participação no Ministério, em outras esferas administrativas, como estados e municípios , assim como pelo crescimento  eleitoral do Partido, sendo também uma necessidade do próprio processo de afirmação das  políticas inovadoras criadas e/ou propostas nestes últimos anos.

            Sendo assim, devemos reforçar e defender as articulações da coordenação de nosso coletivo e do comitê central. Tem sido dias de muita ligação telefônica, mas também de grande dificuldade de encontro e reunião, devido à dispersão das festas e da transição política. É um problema. Para resolver isso estou acertando com o presidente do partido e de outros companheiros como Jandira e Orlando uma reunião no inicio do ano para acertarmos nossas opiniões, visando a reunião com a ministra Ana de Holanda. A data da reunião com ela ainda está em aberto, há uma proposta da equipe dela que seja dia 6 de janeiro. Estamos tomando providencias para adiantar esse momento, por enquanto dependemos de uma resposta da equipe da ministra. Tentaremos com ela diretamente. Nosso ministro Orlando está com essa incumbência, a pedido nosso (grifo meu).

            Acho que devemos evitar qualquer ação que possa criar problemas à nossa unidade e o jeito com que chegamos às demais forças e personalidades que provavelmente estarão no Ministério. Vejamos o exemplo dos esportes. Houve
movimentos, usando nomes nossos inclusive, que poderiam nos debilitar. O partido agiu firme e acabou fazendo valer sua posição. Mandarei notícias sobre esse assunto até o dia 31.”

Mudanças de rumo

        O desentendimento entre grupos do PCdoB obrigou o presidente do partido, Renato Rabelo, entrar em campo. Ninguém mais ficou dizendo o que fazer. E nem se soube se a reunião com a ministra da Cultura foi realizada. Uma reunião sobre este assunto, durante a Bienal da UNE, neste fim de semana, também foi suspensa. Os articulistas devem ter sido enquadrados por Rabelo.

Análise

            Essa mensagem de Javier Alfaya reforça o que tenho escrito: o Ministério do Esporte está nas mãos de políticos interessados mais nos cargos do poder – ou cabides de emprego – e na gestão de verbas do que em elaborar proposta e projetos eficazes e de longo prazo para o setor.

            Mais: com esta mensagem fica bem claro o motivo de o ministro Orlando Silva insistir tanto para não largar a cadeira do poder. Ele já conhece os meandros da articulação na Esplanada dos Ministérios e tentará usar o seu prestígio – se é que tem – para levar adiante a proposta de o PCdoB ocupar cargos em outros ministérios. E, no caso do Ministério da Cultura, fica bem à feição para que os projetos da mulher do ministro, a atriz Ana Petta, sejam, digamos, "melhor apreciados".

Por José da Cruz às 10h28

20/01/2011

Turbinada olímpica: mais R$ 11,8 milhões dos cofres públicos

         O Ministério do Esporte liberou R$11,8milhões para o Comitê Olímpico Brasileiro, conforme o Diário Oficial da União.

         Nos últimos 10 anos temos muito dinheiro no esporte de rendimento, mas pouca fiscalização e desperdícios revelados pelo TCU. 

         Porque, uma coisa é o uso irregular de boa parte do dinheiro; outra é, assim mesmo, ser perdoado pelo órgão fiscalizador, o Tribunal de Contas.

 

Atenção

         Senhores Fiscais! Investiguem o dinheiro olímpico! Não se limitem a confrontar a nota fiscal e o valor da compra! O buraco é mais embaixo! 

        Cruzem os repasses do Ministério do Esporte com os recursos dos patrocinadores públicos, com as captações da Lei de Incentivo; quem está recebendo o quê? Gastos onde? 

        Muitas confederações têm várias fontes para a mesma finalidade. Isso está muito claro!

        E, se tiverem tempo, mergulhem um pouco, não precisa ser fundo, nas prestações de contas da confederações de Desporte Escolar e na de Desporto Universitário.       

        Desculpem-me a ousadia, mas aí vai uma sugesão de roteiro para o exaustivo -- sei bem que é assim -- trabalho de vocês. É a contribuição de quem também quer transparência na aplicação de verbas do governo federal.

 

Qual o destino?

1. - Mais de R$ 100 milhões das Loterias da Caixa repassados ao COB, em 2010;

2. – R$ 266,9 milhões da Lei de Incentivo investidos no esporte olímpico entre 2007 e 2010, via confederações;

3. – R$ 150 milhões/ano de sete estatais – Casa da Moeda, Infraero, Caixa Econômica,Petrobras, Eletrobrás, Banco do Brasil e   Correios – para 21modalidades. Essas prestações de contas são auditadas?

4. - Que benefícios têm as confederações de Natação e Tênis com o patrocínio da Gol?

5. - Para que servem os patrocínios das estatais, se o Ministério do Esporte invesirá R$11 milhões no treinamento olímpico?

6. - Porque estas fortunas não são aplicadas, também, nas categorias menores, onde estão os atletas em formação?

 

Repasses do Ministério do Esporte para o COB

Valor:R$ 2.339.713,94

Objetivo: diárias e passagens aéreas para atletas e oficiais, da equipe de vela em competições internacionais;

 

Valor:R$5.326.395,86 

Objetivo: passagens aéreas e diárias para atletas e comissão técnica do atletismo, badminton, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, esqui aquático, ginástica artística, ginástica trampolim, hóquei sobre a grama, judô, karatê, levantamento de peso, lutas associadas, maratona aquática, natação, nado sincronizado,patinação, artística, pentatlo moderno, remo, saltos ornamentais, squash, taekwondo, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo e vela.

 

Valor: R$ 2.404.478,85 –

Objetivo: alimentação, diárias, passagens aéreas, hospedagem e transporte terrestre para atletas, técnicos e gestores esportivos (leia-se“cartolas”) nacionais, no intercâmbio com outros profissionais eatletas.

 

Valor: R$1.738.057,52 –

Objetivo: passagens aéreas, transporte terrestre, hospedagem, diárias e recursos humanos para implantação de programa de avaliação científica.

Por José da Cruz às 16h29

Marca olímpica Rio 2016 é questionada por ONG americana

No Estado de S.Paulo, hoje

Bruno Lousada
         O presidente da ONG americana Telluride Foundation, Paul Major, vai cobrar esclarecimentos do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 sobre a suspeita de que a marca olímpica, lançada no último réveillon, na Praia de Copacabana, seja plágio do símbolo da instituição que comanda no Estado do Colorado, nos Estados Unidos.
Reprodução
Reprodução: As logomarcas do Rio 2016 e da Telluride Foundation

           "Embora seja um grande elogio que o Rio 2016 use um logotipo semelhante à nossa marca, é preocupante, já que tivemos um incidente semelhante há cerca de 6 anos"", disse Major ao Estado, referindo-se ao episódio da logomarca do carnaval de Salvador, em 2004.

         Na ocasião, ele mandou um e-mail aos organizadores do evento, em que ameaçava recorrer à Justiça caso o símbolo do carnaval baiano não fosse mudado. "Eu tenho todos os direitos reservados do logo, publicado pela primeira vez em dezembro de 2000. O trabalho de vocês, intitulado "Carnaval de 2004 Salvador do Brasil", é essencialmente idêntico ao do nosso logotipo e claramente o usou como base"", relatou Paul Major no documento obtido pelo Estado. "No aconselhamento do meu advogado, exijo que vocês cessem imediatamente a utilização e distribuição de todos os trabalhos derivados desse logotipo." A ONG resolveu depois amenizar o caso.

         Agora, a princípio, o presidente da ONG não pensa em processar o Comitê Organizador dos Jogos do Rio. "Nós não estamos interessados em uma briga com o comitê. Amamos a Olimpíada e gostaríamos de ser solidários. No entanto, estamos a rever essa questão com o nosso advogado de marcas"", destacou, sem dar mais detalhes. "Direito nacional e internacional é muito complicado nessa área. Espero fazer contato, em breve, com a Rio 2016 para discutir.""

          Em entrevista recente, o sócio e diretor de criação da Agência Tátil Design, Fred Gelli, criador da logomarca Rio 2016, negou que a marca olímpica seja plágio do símbolo da ONG.

          "Não conhecíamos essa marca da fundação (americana). Não houve nenhuma referência, em nenhum momento, a ela ou a qualquer outra ao longo de nosso processo criativo"", garantiu. "A inspiração foi orientada pelo briefing da Rio 2016, que, entre outras coisas, recomendou que a marca fosse carioca, brasileira, traduzisse os valores dos Jogos e do movimento olímpico internacional"", comentou.

          O Comitê Organizador Rio 2016 já informara, em nota oficial, que "realizou uma extensa busca mundial de marcas que tivessem elementos presentes na marca dos Jogos Rio 2016. E tanto o comitê (local) quanto o Comitê Olímpico Internacional (COI) avaliaram que as marcas encontradas na busca não apresentavam conflito com a marca dos Jogos Olímpicos do Rio"".

Por José da Cruz às 12h54

19/01/2011

COB usou verbas do esporte para reformar sede alugada

         O Comitê Olímpico Brasileiro pagou com dinheiro que recebeu das loterias federais – destinado prioritariamente à preparação de equipes de competição – reformas na sede alugada a partir de 2006, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

         Entre outros investimentos foram colocados mármore e granito, benfeitorias que os fiscais do Tribunal de Contas da União consideram “voluptuárias”.

        O aluguel do prédio de quatro andares em quatro mil metros quadrados não foi revelado. Em 2006, o COB recebeu R$ 68,8 milhões das loterias, segundo a Caixa Econômica Federal.

       É nessa sede que estão instaladas, além da administração e direção do COB, o Instituto Olímpico, Academia Olímpica, Acervo do Museu Olímpico, auditório e biblioteca, com acervo de aproximadamente 16 mil volumes, entre livros, publicações, relatórios etc

Oficial

         Os dados oficiais estão no processo 007.890/2007-0, do Tribunal de Contas da União, referentes à auditoria nos recursos recebidos pela Lei Agnelo Piva (que destina 2% das loterias federais aos comitês Olímpico e Paraolímpico), quando foram identificadas várias irregularidades na forma de usar o dinheiro público.

Legal

O aluguel de imóveis com recursos públicos para a administração do esporte olímpico é considerado “legal” pelo TCU.

        Na ampla defesa que apresentou sobre o assunto, em 2006, a direção do COB argumentou que o próprio TCU já havia se pronunciado sobre a legalidade de alugueis de prédios para a administração do esporte olímpico, conforme as Decisão 176/1999 da Primeira Câmara, Acórdão 59/1993, do Plenário, e Acórdão 133/1997, da Primeira Câmara.

Mas...

        Porém, o que os fiscais questionam são as benfeitorias realizadas no prédio. Confira:

        “Todos os argumentos sustentados pelo COB podem ser considerados válidos em se tratando de obras de adequação visando à plena utilização do prédio. Não nos parece, todavia, que seja aplicável a toda a questão em exame, pois o COB efetivamente realizou investimentos no edifício, algumas dessas benfeitorias inclusive podem ser consideradas como voluptuárias, como por exemplo, instalação de mármore e granito para a nova sede. Na hipótese, o investimento beneficiou substancialmente o proprietário, posto que não foi impelido pelo locatário a desonerar o aluguel, medida que, a nosso ver, não atendeu ao interesse público. O Comitê certamente não está impedido de realizar investimentos em imóveis de terceiros, desde que o faça com recursos próprios.”

Decisão

        E qual a decisão do ministro relator do TCU, José Jorge, sobre esta constatação dos fiscais, que influenciou na redução de investimentos para os atletas?  Uma proposta, apenas. Exatamente assim:

“Alertar ao COB que evite realizar investimentos voluptuários em propriedade de terceiro”.

Por José da Cruz às 19h30

COB implantará "células multifuncionais"

            Para que o leitor tenha ideia de como é complexo o trabalho de fiscalização e controle dos gastos públicos, leia, a seguir, os argumentos do Comitê Olímpico Brasileiro sobre os motivos de ter parcelado o pagamento de um determinado contrato, com recursos da Lei Agnelo Piva. A informação está no processo 7.890/2007, do Tribunal de Contas da União:

          “Temos a melhor expectativa de que a partir do próximo mês de novembro, quando "estartaremos" nova planificação de trabalho, saindo da atual disposição de áreas de trabalho por incumbência, para estrutura funcional matricial, estaremos criando reais condições para implantação de células multifuncionais, mais indicadas à superação do relatado".

Por José da Cruz às 17h36

18/01/2011

Dinheiro destinado aos atletas paga plano de saúde de burocratas do basquete

           Uma pequena parte do dinheiro das loterias federais que se destina à preparação de atletas olímpicos foi usado durante três meses para pagar o seguro-saúde de funcionários e seus dependentes da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

            O valor, R$ 8.565,70, é pequeno – de um total de R$ 23,9 mil para a administração da sede da confederação –, mas o abuso é espetacular. O dinheiro público beneficiou 31 pessoas.

            A irregularidade foi identificada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) durante auditoria nas prestações de Contas de 2005/2006 do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), referente às verbas da Lei Agnelo Piva, que repassa 2% das loterias federais para os esportes olímpicos e paraolímpicos.      

           O COB não viu ilegalidade no ato. Mas para os fiscais da Controladoria Geral da União (CGU), que também avaliaram a auditoria, “as despesas (com recursos da Lei Piva) devem estar intimamente relacionadas ao atendimento dos atletas."

           Porém, o relator do processo, ministro José Jorge, achou tudo normal e acatou as explicações do Comitê Olímpico Brasileiro.

        Como tenho escrito, sobra dinheiro no esporte. Agora, até para pagar plano de saúde de burocratas.

Abuso

        Outro abuso da cartolagem foi pagar despesas com a realização de assembleias de confederações esportivas. O dinheiro era colocado na conta de “Formação de Recursos Humanos”. Que tal?

        Numa amostragem dos fiscais, três confederações escorregaram na legalidade: Ciclismo, Handebol e Judô. As três gastaram R$ 67 mil com suas assembléias em 2006 e privaram os atletas de acesso a esse dinheiro.

        Alguém foi responsabilizado, no mínimo? não, não foi.

Falta de transparência

        O Relatório do TCU afirma que faltam informações do COB sobre “Procedimentos Licitatórios”.

        “Há uma relação incompleta de certames (licitações), acarretando prejuízos à transparência das informações”.

        Mais: “Em 2006, faltam as Concorrências 09, 010, 015, 016; bem assim, as "cartas convite" 012, 024, 035, 040 a 046 e 059 a 065. Também, não foram encontrados registros de pregões ou inexigibilidades no ano de 2006.

O pior

        Para responder a relatórios do TCU e da CGU, o COB pagou R$ 29.971,98 de honorários advocatícios. De onde saiu o dinheiro? Das loterias!!!

        Mas o COB se explicou: "Trata-se de despesa à conta de recursos próprios, quitada, por equívoco, com recursos oficiais e já ressarcidos conforme ANEXO 7.”

        Ah, bom. Houve engano. Ufa! Nessa o atleta se salvou...

Advogados

        Mas o COB contratou, sem licitação, alguns dos os melhores escritórios de advogados do país: H.B Cavalcanti e Mazzillo Advogados. Daudt, Castro e Olinto Advogados; Damas e Pereira Advogados Associados; Dain, Gandelmann e Lacé Brandão; Bhering Advogados; Nélio Machado Advogados.

        Sobre isso, assim se manifestaram os fiscais, diante dos argumentos de legalidade do ato, oferecidos pelo Comitê Olímpico Brasileiro:

        “É  forçoso reconhecer alguns aspectos das alegações do COB. Primeiro que os escritórios contratados pelo COB de fato estão inseridos entre os mais afamados do meio jurídico.”

        “... as contratações do COB de fato não são regidas pela Lei nº 8666/1993, possuindo no campo infra-legal um Manual de Gestão de Compras e Contratações a fim de atender aos princípios constitucionais norteadores do trato com a “res pública” (coisa do povo). Finalmente, outro ponto passível de acolhimento é fato de que o COB não dispõe dos profissionais contratados, a ponto de prescindir dos aludidos serviços”.

Ok. Mas...

“Considerando os pontos acima, verificamos que o COB tem alertado a sociedade acerca da insuficiência de recursos destinados ao esporte olímpico no Brasil. Tais considerações são importantes, pois o Comitê de um lado se ressente da falta de recursos, mas de outro demonstra possuir caixa suficiente para cobrir as despesas com escritórios de advocacia famosos. Não veríamos maiores problemas, caso o aludido Comitê utilizasse recursos próprios para tal intento. (grifo é meu).

        Apesar das irregularidades – e os gestores usam essa lei desde 2001, logo sabem muito bem como aplicar o dinheiro – o relator do processo, ministro José Jorge, fez “recomendações”, fixou prazo para o cumprimento de algumas exigências burocráticas e só.

         O relatório e o acórdão da auditoria do TCU estão aqui.

         Leia mais: na Folha de S.Paulo desta quarta-feira, o repórter Daniel Brito publica reportagem sobre este assunto.

Por José da Cruz às 23h17

Agendas, contratos e licitações

         A agenda do ministro do Esporte, Orlando Silva, já é outra, bem diferente do que apresentava o site do ministério, até hoje pela manhã.

        Agora, pode-se visualizar o que o ministro do Esporte fez ontem, na semana passada etc.

        Acho que a turma da FSB já assumiu a área de comunicação do Ministério do Esporte, como estava previsto na agenda particular de Orlando Silva.

E já faz a primeira mudança: escancara alguns compromissos do chefe para confirmar que ele estava em Brasília, trabalhando e não em São Paulo e Rio, com reuniões políticas, como publiquei. Mas também não diz muito, como por exemplo, "reunião e despacho interno".

        Se por um lado ficou melhor, porque teremos a agenda oficial, por outro piorou, pois a agenda particular é completamente diferente do que está publicado no site do Ministério. Qual está valendo? Não sei.

Sugestão: publiquem as duas. Problema resolvido e não permite especulações. Aí, quem quiser se esconder do ministro aposta na agenda de mentirinha...

TCU & FSB

        Como divulguei na mensagem anterior, a FSB tem mesmo contrato com o Tribunal de Contas da União (TCU).

        O acerto ocorreu sem licitação, mas com aparo legal, claro. A FSB foi contratada para treinar profissionais da área de Comunicação do TCU.

        Para tanto, o Tribunal pagou R$ 210,8 mil à FSB em 2010. O trabalho deve ter sido bom, pois o contrato foi renovado por mais um ano, até dezembro de 2011.

Curiosidade

        Diante dessa relação tão próxima, fico curioso. Como o ministro Luiz de Carvalho vai descascar o abacaxi de ter suspendido a contratação da FSB pela Embratrur, por R$ 40 milhões/ano, alegando “irregularidades na concorrência, que poderiam resultar em prejuízo ao erário”?    

Por José da Cruz às 15h25

FSB assume área de comunicação do Ministério do Esporte: R$ 15 milhões/ano

        Apesar de a agenda oficial do ministro do Esporte, Orlando Silva, não prever atividades para hoje, tive acesso à sua agenda particular, que apesar de prever reuniões de interesse do governo federal, não é publicada na página do Ministério.

        Uma das principais audiências será com a direção da FSB Comunicações, que venceu concorrência de R$ 15 milhões anuais para dirigir a área de imprensa do ministério.

        Com isso, o ministro retorna á rotina da Esplanada dos Ministérios, depois de vários dias no circuito São Paulo/Rio, onde fez vários contatos políticos, como aqui revelei. Mas só até quinta-feira, porque na sexta-feira ele já tem mais compromissos na capital paulista.

Novidade

        Oito anos depois de ter assumido o comando do Ministério do Esporte o PCdoB profissionaliza, enfim, a assessoria de imprensa do órgão, de olho na divulgação dos atos de sua competência para a Copa 2014 e Olimpíadas 2016.

        Caracterizada por não responder aos jornalistas que fazem perguntas fora do roteiro, o atual comando da área terá, agora, uma equipe da FSB Comunicações, empresa com 30 anos de experiência no setor e que já tem como cliente outros órgãos governamentais, como o Ministério da Saúde, além do Tribunal de Contas da União (TCU).

        Conforme agenda particular do ministro, estarão presentes os seguintes diretores da FSB: Marcos Trindade, Francisco Brandão, Moisés Gomes, Flávio Castro, meu ex-companheiro de Correio Braziliense, Gustavo Krieger, e Maria Cláudia Bacci.  Pelo ministério, Marizete Mundim e Iris Campos acompanharão Orlando Silva.

Vitória

        Depois de vencer licitação com outras sete empresas concorrentes, a FSB, favorita de Orlando Silva – antecipei o resultado com dois meses de antecedência, lembram?  –firmará contrato de R$ 15 milhões anuais com o Ministério do Esporte.

        O contrato deste ano já tem R$ 9.653.422,60 empenhados para pagamento imediato. Imagino que a equipe de jornalistas que será escalada pela FSB terá um dos melhores salários do setor na Esplanada dos Ministérios.

Frustração

        O mesmo roteiro, porém, a FSB Comunicações não conseguiu cumprir com a Embratur, via Ministério do Turismo. Lá, o contrato era bem mais polpudo: espetaculares R$ 40 milhões anuais para assessoria de imprensa e relações públicas, visando divulgar o Brasil olímpico e do futebol no exterior.

        A concorrência da Embratur selecionou três agências que dividiriam o trabalho: Ogilvy e Máquina da Notícia, além da FSB.

        Segundo o ministro-substituto do TCU, Luiz de Carvalho, houve irregularidades na concorrência promovida pela Embratur.

        Tais irregularidades “poderiam resultar em prejuízos ao erário, em razão do caráter competitivo da concorrência, da insegurança jurídica pela falta de clareza do edital e da possibilidade de ineficiência, em decorrência da remuneração horas/homem”.

        O processo que tem o ministro Luiz de Carvalho como relator deverá voltar à pauta do TCU em fevereiro.

Em casa

        Há expectativa para o resultado do processo no Tribunal de Contas da União. Afinal, uma das empresas vencedoras da concorrência da Embratur, a FSB, já presta serviços ao Tribunal. Não sei se houve licitação, estou verificando.

Por José da Cruz às 10h39

Uma Copa na lama

Sérgio Siqueira      

  Não é nada, não é nada, a verba de R$ 780 milhões anunciada pelo governo Dilma para a reconstrução das cidades soterradas "pelas chuvas" na região Serrana do Rio de Janeiro, não é nada mesmo.

        A destinação não chega nem a fazer cócegas no valor de R$ 750 milhões estimado para a reconstrução do estádio Mané Garrincha, em Brasília, afora o custo da iluminação e do gramado. Seria de morrer de rir, não fosse a triste realidade de continuar em pranto pelos que morreram sem, sequer, poder chorar.

        É que reconstruir Teresópolis, Petrópolis, Nova Friburgo, Itaipava, São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro, Areal, Três Rios, Bom Jardim, Duas Barras, a região Serrana como um todo, não tem a prioridade, nem a mesma importância, ou a mesma urgência que aprontar estádios para a Copa do Mundo de 2014 e fazer a pista para os Jogos de 2016.

        Se tivesse, o governo não teria deixado de aplicar, nos últimos sete anos, R$ 1 bilhão e 800 milhões na prevenção de enchentes - como revela o site Contas Abertas (www.contasabertas.org.br).

        Um governo que se preze, um país que tenha consciência, que tenha as duas coisas - amor próprio e alma - não troca a paixão ao futebol pelo amor ao próximo. Até porque, o próximo, é ele próprio.

        Certo? Nem tanto. A Gávea estava em festa por Ronaldinho Gaúcho no dia em que a enxurrada começava a riscar a serra carioca do mapa.

        O Botafogo celebrou, neste domingo (16) em ritmo de samba e folia, o seu novo time para este promissor ano de 2011. E, porque a vida não pára, o domingo foi de futebol. Em canal aberto ou paper-view.

        Um governo que se preze e um país que tenha espírito de solidariedade, não poderia admitir - em tempo nenhum de sua História, que um só tijolo fosse colocado numa obra sequer de reconstrução de um estádio "porque a Copa do Mundo vem aí", antes que as cidades da região Serrana do Rio fossem reerguidas de cada um de seus escombros e trazidas de volta à vida "porque o Brasil é um país sério".

        Replay, para que não haja dúvida: nenhum tijolo, antes da vida voltar ao normal nas cidades destruídas pela hecatombe que desmorona o Brasil de todos os gentílicos - cariocas, mineiros, gaúchos, nordestinos.

        A Copa do Mundo é nossa? Então, com o Brasil não há quem possa... Eeêta esquadrãode ouro! Sobram dinheiro e bondade nas burras públicas para essa irreversível comoção mundial da bola, como sobrarão dinheiro e bondade para os Jogos de 2016, tão inadiáveis quanto a promoção da Fifa - entidade superior que, com a seleção de empresas nacionais que estiverem envolvidas com a Copa, serão cercadas de benesses próprias dos deuses do esporte.

        Pelo conjunto da obra, elas - a Fifa e as empresas - serão agraciadas com uma isenção fiscal que, nessa corrida do ouro, ultrapassa a cifra de R$ 1 bilhão e 200 milhões em impostos que deixarão de ser recolhidos aos cofres governamentais.

        Do jeito que, até aqui, os governos tem levado as catástrofes naturais na esportiva, pelo mundo do direito e da justiça, a reconstrução de cidades e regiões atingidas pelas tragédias que se repetem em efeito cascata pelo Brasil, por jurisprudência ou macabra isonomia, deveriam merecer a mesma atenção, o mesmo dinheiro, o mesmo selo de bondade, a mesma comovente solidariedade do governo.

        Alguém já sabe qual o nível de isenção fiscal que será concedido às empresas encarregadas, desde já, a reerguer cidades cobertas pelas avalanches desnaturadas? Decerto, não; ninguém ouviu falar, posto que ninguém disse nada a respeito até agora.

Sérgio Siqueira é jornalista e assina o blog Sanatório da Notícia.

Por José da Cruz às 00h17

17/01/2011

COB projeta Brasil 2016 no top 10 do mundo

O superintendente executivo de esportes do Comitê Olímpico Brasileiro, Marcus Vinicius Freire, projeta o esporte brasileiro entre os 10 do mundo nos Jogos Rio 2016.

Em entrevista ao Terra, ele fala sobre os centros de treinamentos e o trabalho com as confederações. Confira aqui. 

Por José da Cruz às 19h02

Coisas do futebol do interior paulista

         Na freqüente troca de informações com leitores, recebi uma que me chamou a atenção, pois trata de assuntos que aqui temos debatido muito: os clubes de futebol do interior.

        Há poucos dias me referi à riqueza da CBF em comparação com o abandono dos seus filiados, fora da elite do futebol.

        Em outra ocasião tratei dos recursos do Ministério do Esporte para o futebol profissional, como os R$ 92 mil que saíram do Orçamento do governo em 2010 para o Uberlândia Esporte Clube de Minas Gerais.

        Assim, pedi ao Marcelo Ribeiro, assíduo colaborador deste blog, que transformasse a informação numa nota para publicar. O assunto é tratado de forma preliminar, mas no momento oportuno será aprofundado.

Marcelo Leandro Ribeiro

        Sorocaba, cidade com população de cerca de 580 mil pessoas, no interior paulista, sede administrativa de uma região com milhões de habitantes, possuí um clube de futebol que em 2013 completará 100 anos. Trata-se do São Bento, clube revelador de craques do passado como Oberdan Cattani, Paraná, Nestor e tantos outros.

        Tida como modelo de gestão administrativa, a atual diretoria do clube passa sufoco para gerir o time sem os antigos esquemas de um passado relativamente recente.

Depois que assumiram, alguns ‘apoios’ desapareceram, mais ainda depois que o clube, após noventa e tantos anos, resolveu prestar contas de seus gastos e arrecadações publicamente.

Os poucos parceiros que ficaram são as empresas mais sérias e que têm, de fato, compromissos com o futebol e com o esporte da região.

        Mais estranho que o sumiço de certos apoios é que prefeitos da região, como Carlos Piveta, de Votorantim, estão empenhados seriamente em conseguir parceiros para o clube. Chegam a ligar pessoalmente para grupos empresariais, enquanto o prefeito de Sorocaba, Vitor Lipi, recusa-se a sequer receber uma comissão do time para discutir um projeto de apoio ao São Bento.

O clube, sabe-se bem, além de importância esportiva tem relevância histórica, social e cultural para o município. Marcar uma reunião com empresários e defender investimentos privados na agremiação esportiva, nem pensar. Ter vergonha ou ojeriza ao São Bento, para grande parte da população de Sorocaba é o mesmo que ter ojeriza pela própria cidade. E é isso que Vitor Lipi está transmitindo.

        Será que o prefeito de Sorocaba estaria interessado em acabar com o principal clube de futebol profissional da sua cidade? Quais interesses o levam a ficar estático enquanto a região se mobiliza pelo Glorioso Azulão?

        Convém destacarmos dois pontos: a atual diretoria do São Bento assumiu um clube endividado e com um passivo trabalhista altíssimo – fruto de uma sucessão de gestões que usaram do clube descaradamente para dar vazão a projetos políticos; o clube não pediu em momento algum recursos públicos, solicitou apenas boa vontade da equipe do prefeito Vitor Lipi.

        No momento oportuno faremos uma discussão aprofundada sobre quais interesses movem investimentos e ações relacionadas ao futebol e aos clubes do interior, bem como clubes extremamente tradicionais como o São Bento, Guarani, América do Rio de Janeiro, e tantos outros que foram usados por décadas.

Por José da Cruz às 18h06

16/01/2011

Afinal, quais os resultados obtidos com o dinheiro liberado pelo Ministério do Esporte?

      Publico alguns convênios que o Ministério do Esporte assinou em 2010, muitos deles ao apagar das luzes. Assim, emitindo a nota de empenho até 31 de dezembro, garantiu o pagamento dos valores com o orçamento de 2011, na conta “restos a pagar”.

        Vou encaminhar esta lista para o Tribunal de Contas da União e Ministério Público Federal. Tenho informações de que o “I Encontro de Esporte e Lazer da Cidade do DF e Entorno” não foi realizado. 

        Fui ao local anunciado e nada encontrei. O endereço era fantasma. Perguntei daqui e dali durante dois dias. Nada. Uma fonte me informou que os R$ 200 mil para o "Encontro" fortaleceram o caixa de um candidato ao governo do Distrito Federal.

        Para evitar denúncia falsa, o Ministério do Esporte deveria exibir a prestação de contas desse "Encontro de Esporte e Lazer", ao qual nenhum presidente de federação de Brasília compareceu porque nunca ouviu falar sobre a reunião.

Resultados

        Seria bom, também, que a população conhecesse os resultados das equipes ou atletas do desporto escolar e universitário conquistaram nos eventos financiados pelo governo e o que isso significa para o crescimento, promoção e valorização do esporte no país. Mais: o Ministério do Esporte deveria exibir quais as metas e  prioridades ao liberar o dinheiro. Existe isso ou são apenas atos de benemerência?

Convênios 2010

Evento: Campeonato Brasileiro de Rugby;

Beneficiado: Confederação Brasileira de Desporto Universitário;

 

Valor: R$ 302.526,08

Evento: Transporte das delegações das Olimpíadas Escolares 2010;

Beneficiado: Confederação Brasileira de Desporto Escolar

 

Valor: RS 1.208.554,72

Evento: Sul-americano Escolar, em Lima (Peru);

Beneficiado: Confederação Brasileira de Desporto Escolar;

Valor:  R$ 1.051.216,00

 

Evento: Campeonato Mundial de Basquete para Deficientes;

Beneficiado: Assoc.Bras. de Desporto para Deficientes

Valor: R$ 235.955,12

 

Evento: I Encontro de Esporte e Lazer da Cidade do DF e Entorno;

Beneficiado: Instituto Comunidade Participativa – ICP

Valor: R$ 200.000,00

 

Evento: Liga do Desporto Universitário – Fase final;

Beneficiado: Confederação Brasileira do Desporto Universitário

Valor: R$ 1.011,413,80

 

Evento: 1º Pan-americano Escolar / Uberlândia (MG);

Beneficiado: Confederação Brasileira de Desporto escolar

Valor: R$ 1.748.892,00

 

Evento: Liga Universitária Regional – Etapa Sul-Sudeste, Centro-Oeste;

Beneficiado: Confederação Brasileira de Desporto Universitário;

Valor: R$ 800.711,92

 

Evento: Liga Universitária Brasília Regional;

Beneficiada: Confederação Brasileira de Desporto Universitário;

Valor: R$ 800.711,92

 

Evento: Competições internacionais;

Beneficiada: Confederação Brasileira de Desporto Escolar;

Valor: R$ 708.104,90

 

Evento: Implantação de Núcleos de Categorias de Base do Esporte de Alto Rendimento em Futebol, para viabilizar a formação de atletas através de protocolos próprios, referendados aos dados de avaliação de ex-atletas de alta performance da modalidade.

Beneficiada: Colégio Brasileiro de Atividade Física, Saúde e Esporte (Cobrase);

Valor: R$ 349.786,20;

 

Evento: implantar equipes de futebol nas categorias pré-mirim, infantil, juvenil e juniores.

Beneficiado: Uberlândia Esporte Clube;

Valor: R$ 92.000,00.

Por José da Cruz às 23h50

Ronaldinho Gaúcho: a análise de Tostão

Na Folha de S.Paulo, hoje

TOSTÃO

Mentiras coletivas


Investidores, marqueteiros e cartolas fingem que contrataram o melhor jogador do mundo


        O SER HUMANO, para sobreviver e construir a civilização, teve de reprimir, negar e sublimar seus instintos e vários desejos.
Para isso, pagou um preço, como mostrou Freud em um de seus melhores livros, "O Mal-Estar na Civilização". Hoje, o mal-estar é ainda maior.
        O ser humano costuma também fingir e mentir por hábito, necessidade, compulsão ou sem-vergonhice. Todos os anos, governantes, principalmente os de países mais ricos, se fingem de anjos e se reúnem para discutir os gravíssimos problemas da fome, ambientais, de aumento da temperatura do planeta e outros. Nada fazem para valer.
        Todos os anos, especialistas mostram as soluções técnicas para prevenir os gravíssimos problemas ocasionados pelas chuvas, e as autoridades sobrevoam as áreas das tragédias. Nada fazem para valer.
        No futebol, dirigentes e investidores do Flamengo fingem que contrataram o melhor do mundo. Torcedores eufóricos e iludidos acham que agora o time ganha tudo. Marqueteiros promovem um produto que não mais existe. Parte da imprensa trata a contratação de Ronaldinho como se fosse a de Romário, quando ele deixou o Barcelona para o Flamengo com o título de melhor jogador do planeta.
        Desde a Copa de 2006, Ronaldinho é um jogador de dois passes excepcionais e um ou outro drible espetacular, sem sair do lugar. Para os grandes times da Europa, é muito pouco. Desistiram dele.
Será suficiente para o Flamengo e para o futebol que se joga no Brasil? No Milan, quando o técnico era Leonardo, Ronaldinho ensaiou uma grande recuperação, mas logo a chama se apagou.
        A dedicação, a disciplina, a renúncia a muitos prazeres e, principalmente, a consciência do mundo que o cerca, condições necessárias para um craque se manter em forma por um longo tempo, são incompatíveis com a vida de celebridade e de riqueza. Há exceções. Messi, Iniesta e Xavi, como disse Casagrande, no Arena Sportv, além de craques, são pessoas normais.
        Ronaldinho parece uma mercadoria, um boneco guiado por controle remoto, que sorri e fala sempre a mesma coisa e com a mesma cara.
        Ronaldinho não é Ronaldo. O torcedor do Corinthians, honrado em ter na equipe um dos maiores jogadores da história, aplaudiu Ronaldo, mesmo sem jogar ou jogando mal.
        O flamenguista não vai fazer o mesmo. Quer títulos. Ronaldinho não tem o carisma e o prestígio de Ronaldo. Terá de ser excepcional.
        Ronaldinho, acorde!

Por José da Cruz às 22h19

Ópera dos Vivos

            Ainda em merecidas férias, o ministro do Esporte, Orlando Silva, tinha uma programação cultural-social, na noite deste sábado, em São Paulo, ao lado de sua mulher, Tininha Peta: assistir o sugestivo espetáculo “Ópera dos Vivos”, pela Companhia do Latão.

        A expectativa é que o casal também compareceria à festa de aniversário do cantor e compositor Jorge Mautner, no Rio, mas a agenda ministerial não fazia referência à viagem.

        Na manhã deste domingo Orlando Silva tem entrevista por telefone ao radialista Jesse Nascimento, do programa Globo na Rede, na capital paulista.  A permanência de Orlando à frente do Ministério do Esporte, Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil estão na pauta do jornalista.

Reuniões

        Enquanto não vem para Brasília, o que ocorrerá só na terça-feira, quando ele começará, de fato, o ano de 2011, o ministro do Esporte continuará em São Paulo, e Rio de Janeiro, onde tem mais encontros.

        Inicialmente com a correligionária Nádia Campeão, que já foi secretária de Esportes de São Paulo e, em 2003, disputou com Agnelo Queiroz a vaga de titular do Ministério do Esporte. No mesmo dia receberá o Secretário de Organização do PCdoB, Walter Sorrentino.

        À tarde, o ministro terá reunião com o nadador César Cielo e Flávia Cielo, mãe do premiadíssimo e recordista atleta. Até agora não consegui descobrir o assunto da pauta.

        Finalmente, terça-feira o ministro estará em Brasília, mas só até quinta à noite, porque na sexta-feira terá um café da manhã com Edinho Silva, do PT, em São Paulo, claro.

Nova agência de imprensa

        Importante mesmo será a reunião de terça-feira em Brasília, quando Orlando Silva receberá a cúpula da FSB, empresa de comunicação que venceu a concorrência para dirigir a área de assessoria de imprensa do Ministério do Esporte, resultado que divulguei com dois meses de antecipação, pois apesar de enfrentar fortes empresas, a FSB tratava-se de uma preferência ministerial.

        Tudo, porém, foi na mais clara e transparente lisura. Acertei no resultado por acaso, claro!

        A alta cúpula da FSB estará presente no primeiro encontro com o novo cliente: Marcos Trindade, Francisco Brandão, Moisés Gomes, Flávio Castro, Gustavo Krieger e Maria Cláudia Bacci.

        Como se observa, uma agenda ministerial exaustiva para quem prepara o país à Copa de 2014 e Olimpíadas 2016.

Por José da Cruz às 01h37

Ronaldo, Ronaldinho, Flamengo & Cia.

Encerrando a semana em que ocorreu o retorno de Ronaldinho Gaúcho a um clube brasileiro, sugiro a leitura do esclarecedor artigo de Erich Beting, "E os jogadores tomaram conta do clube".

        Especialista em marketing esportivo, ele também chama para a reportagem publicada no site da Máquina do Esporte, sobre o mesmo assunto. 

        Quem gosta de futebol, suas transações milionárias e relações dos clubes - o Flamengo, em particular - com patrocinadores vai apreciar, com certeza.

Por José da Cruz às 00h15

15/01/2011

AON Seguros e o Comitê Olímpico Brasileiro

        Recebi do advogado paulista, Alberto Murray Neto, a mensagem abaixo.  

Trata-se de assunto que foi tratado pela imprensa, inicialmente, em 2005, mas, periodicamente, vem à tona pelas dúvidas que suscita.

        Principalmente, porque não se tem acesso às prestações de contas do COB junto ao Tribunal de Contas da União.

        Em decorrência, encaminhei consulta ao Comitê Olímpico Brasileiro, cuja resposta também publico.

        Alberto Murray é neto do ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Sylvio de Magalhães Padilha.

        Até outubro de 2008 integrou a assembléia geral do COB. Por seu prestígio como advogado, conhecimento sobre os temas olímpicos e trabalho que desenvolve pela promoção e valorização do esporte foi membro da Corte Arbitral do Esporte, com sede em Lausanne (Suíça), até recentemente.

A mensagem de Alberto

        Durante anos, o ex-atleta Marcus Vinícius Freire acumulou cargos de direção no Comitê Olímpico Brasileiro e na empresa multinacional AON Seguros.

        Nada contra, desde que não fosse a AON Seguros a seguradora oficial do COB, e seu diretor, Marcus Vinícius, o chefe das nossas delegações olímpicas.

        Ressalte-se que nunca houve qualquer tipo de licitação pública para que a AON Seguros fosse contratada pelo COB.

        Certa vez, Juca Kfouri denunciou o fato em seu concorrido e competente blog. A assessoria de imprensa da patota arvorou-se em dizer que não havia licitação porque a AON não recebia dinheiro do COB. Recebia uma comissão das companhias de seguros as quais contratava.

        Pensam que somos idiotas.

        Ora, se a AON Seguros ganha tais comissões, é porque foi escolhida pelo COB para fazer esse serviço em seu nome. E há no mercado, pelo menos, umas cinco empresas que podem fazer exatamente o que faz a AON.

        Por que então o COB escolheu a AON como seguradora Oficial, sem licitação, como obriga a lei?

        Será que o fato de Marcus Vinícius Freire ter sido, ao mesmo tempo, diretor da AON e figura importante no COB teve alguma influência na escolha?

        Não sei. Até porque esse tipo de pergunta irrita o mandatário do COB, fazendo-o piscar e sacudir ainda mais a sua cabeça.

        Fosse eu o presidente do COB, nunca permitira que isso ocorresse. Há um evidente conflito de interesses.

        Hoje, Marcus Vinícius é funcionário contratado do COB. Lá exerce uma função de nome pomposo. E me diz uma fonte do próprio Comitê que seu salário mensal supera os R$ 50.000,00. Será isso mesmo?

        Quem paga essa conta? Eu, tu, ele, nós, vós, eles, pagadores de impostos. Quem financia o COB é o dinheiro público da Lei Piva.
        O COB guarda a sete chaves a sua folha salarial gigantesca.
Há muito o que se investigar nessas relações entre o COB e suas contratadas.
        A relação COB, AON Seguros e Marcus Vinícius Freire é apenas uma das vertentes que merece esclarecimentos.”
        http://albertomurray.wordpress.com/


Resposta do Comitê Olímpico Brasileiro

        A AON é uma das corretoras que prestam serviço para o Comitê Olímpico Brasileiro.

         A AON não é uma seguradora. A AON é uma das duas maiores corretoras de seguro do mundo, especializada na análise de riscos e formatação de sinistros no setor de entretenimento e esportes.

        A tomada de preços das seguradoras é feita pelas corretoras, a partir do estudo que elas fazem para um determinado "produto" do COB. Da mesma forma, a remuneração das corretoras é feita pela seguradora escolhida pelo COB. Não há pagamento do COB às corretoras. Elas recebem das seguradoras de acordo com os procedimentos do mercado segurador.

        As licitações são feitas sob a forma de tomada de preços junto às seguradoras. No caso específico das corretoras, não há a necessidade de licitação, já que elas não cobram do COB pelos serviços de consultoria e desenho de seguros.”

Por José da Cruz às 18h43

Rio 2016: Unidos pela fé

       O leitor Rodrigo me enviou a seguinte mensagem:

       "Então...ainda sobre o símbolo olímpico, tem um blog cristão chamado Unidos para fé, que tem um logo bem parecido com do do RIO 16.
       Faz sentido. Aí está a incrível coincidência entre as imagens dos bonequinhos dançantes.

         

Por José da Cruz às 16h37

Governador do DF segue prática dos corruptos Roriz e Arruda, no futebol

         Na quarta-feira passada, depois de constatar a precariedade da rede hospitalar da cidade, onde muitos pacientes são atendidos no chão por falta de macas, o governador do Distrito Federal, o médico Agnelo Queiroz, tomou uma importante decisão: determinou que o Banco de Brasília doasse R$ 870 mil para financiar oito clubes do futebol profissional do Distrito Federal, no Campeonato 2011.

        A notícia, que não foi divulgada pela imprensa local, está no site do Brasiliense FC:  http://www.brasiliensefc.com.br

Primeiro ato

        A medida de benemerência, primeiro ato oficial do governador ao esporte da cidade, ocorreu 12 dias depois de ter assumido o poder e dois meses após 11 bebês terem morrido de infecção hospitalar na UTI neonatal do Hospital da Asa Sul, no centro da capital da República.

        Ironicamente, esse hospital e referência em obstetrícia e atendimento neonatal da rede pública. Em decorrência da gravidade do quadro, o hospital continua sem atender a gestantes.

        Mas o futebol local, em que um dos líderes é o ex-senador cassado, Luiz Estevão, vai muito bem obrigado, agora turbinado por verba pública.

        O ato de Agnelo Queiroz repete o que seus antecessores, os consagrados corruptos Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, fizeram em suas gestões, com valores bem maiores que os R$ 870 mil de agora.

        Além dos seis clubes de Brasília, a generosidade de Agnelo alcança um clube que nem pertencem à Federação de Futebol do Distrito Federal: Bosque, de Formosa, Goiás.

        Ou seja, dinheiro que poderia servir para a compra emergencial de macas e medicamentos hospitalares da cidade financiará o futebol de outro estado. Tal qual agiu Roriz e Arruda, de quem Agnelo Queiroz é íntimo amigo.

 Agnelo (D) dá continuidade às benemerências com dinheiro do Banco de Brasília, a exemplo do que fez seu amigo Joaquim Roriz

Memória

        Roriz, como se sabe, teve o mandato mais rápido de um senador da República. Ficou apenas quatro meses no Senado Federal.

        Ele renunciou ao mandato em junho de 2007 para não ser cassado, depois de um escândalo que envolvia o mesmo Banco de Brasília. A operação Aquarela levou à prisão do então presidente do BRB, Tarcísio Franklin de Moura, integrante de um grupo que usava o Banco para simular transações bancárias, repassando o dinheiro para Roriz e mais cinco pessoas, conforme processo em andamento. O Ministério Público pediu a devolução de R$ 233 milhões aos cofres públicos.

Mais escândalos

        No lugar de Roriz assumiu o suplente Gim Argelo. Também acusado de corrupção renunciou ao cargo de relator do Orçamento da União de 2011.

        Já o ex-governador Arruda, por sua vez, que foi hóspede da Polícia Federal por quase um mês, em 2010, depois de um espetacular golpe nos cofres públicos do Distrito Federal, conforme revelam relatórios oficiais.

        O passado de Arruda não é limpo. Em 2001 ele deixou o Senado depois de ter violado o sigilo do painel eletrônico.

        Nova ironia: o dono do Brasiliense FC, Luiz Estevão, que hoje se beneficia de verbas do Banco de Brasília, órgão sempre na crista dos escândalos financeiros locais, também foi senador da república.

        Mas, por não ter andado nos trilhos seus colegas cassaram o seu mandato em 2000 por “falta de decoro”.

       0s escândalos com diheiro público para o futebol profissional do Distrito Federal rendeu vários processos, que ainda tramitam no Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

       Leia aqui a notícia completa sobre a doação do Banco de Brasília ao futebol do Distrito Federal.

 

Por José da Cruz às 12h46

14/01/2011

Vôlei, patrocinado pelo Banco do Brasil, ganha R$ 2,5 milhões do Ministério do Esporte

        A poderosa e vitoriosa Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que mantém há duas décadas a mais longa e bem-sucedida parceria nacional, com o Banco do Brasil, encontrou nova mina para financiar a modalidade, a partir das categorias de base: o Ministério do Esporte.

        É de lá que sairão R$ 2.528.033,72 para financiar a preparação das equipes infanto-juvenis, que nas Olimpíadas de 2016 deverão estar com 19 ou 20 anos.

        Além do patrocínio do Banco do Brasil – cujo valor não é divulgado – e dos R$ 2,5 milhões do Ministério do Esporte, a Confederação de Vôlei receberá R$ 3 milhões da Lei Agnelo Piva.

Lote 2010

        O convênio entre o Ministério do Esporte e a CBV é mais um de um lote liberado pelo ao apagar das luzes de 2010, quando a verba foi empenhada. Assim, o dinheiro sairá do orçamento deste ano a título de “restos a pagar”.

Basquete

        No mesmo pacote, a Confederação de Basquete também foi beneficiada com R$ 2,1 milhões para as seleções feminina e masculina sub-19.

Outras liberações

        Depois de uma varredura pelo Diário Oficial da União dos últimos dias, identifiquei as seguintes liberações do Ministério do Esporte, além das que divulguei na mensagem anterior.

        Confederação Brasileira de Tênis de Mesa

        R$ 1.419.610,36 – Para treinamento da seleção no Brasil e no exterior.

        R$ 948.609,22 – Para treinamento da equipe paraolímpica

        Confederação Brasileira de Ciclismo

        R$ 876.540,94 – Para treinamento da equipe BMX

        Confederação Brasileira de Badminton

        R$ 2.816.698,15 – Para manutenção do Centro de Treinamento de Deodoro, no Rio de Janeiro

        Confederação Brasileira de Lutas Associadas

        R$ 1.015.186,36 – Para treinamento da equipe olímpica

        Confederação Brasileira de Tiro Esportivo

        R$ 426;511,04 – Preparação da equipe olímpica

        Comitê Paraolímpico Brasileiro

        R$ 1.422.391,76 – Preparação da equipe aos Jogos de Londres 2012

        Confederação Brasileira de Handebol

        R$ 1.860.248,00 – Preparação da seleção olímpica

Por José da Cruz às 12h55

13/01/2011

Ministério do Esporte abre o cofre de olho em 2016

        O orçamento da União de 2011 ainda não foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff, mas o Ministério do Esporte já abriu o cofre e garantiu bom dinheiro para a preparação de atletas aos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio, e Parapan-americanos, em novembro, em Guadalajara, México.

Tiro esportivo

        O tiro esportivo receberá R$ 1.509.562,00 para a preparação das seleções olímpica de 2016.  A modalidade terá mais R$ 2 milhões da Lei Agnelo Piva, via Comitê Olímpico Brasileiro.

        Outras confederações serão contempladas pelo Ministério do Esporte. No mesmo esquema? Não está na hora de termos um órgão centralizador e, principalmente, harmonizador do esporte olímpico?

Ciclismo

        Para a Confederação de Ciclismo vai R$ 1.318.200,64 . O dinheiro financiará atletas brasileiros em eventos nacionais e internacionais. Outros R$ 2,3milhões estão garantidos da Lei Piva.

Paraolímpicos

        Já o caixa do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) será turbinado com R$ 1.407.724,44, dinheiro que sairá também do orçamento do Ministério do Esporte.

        O reforço destina-se à preparação da equipe nacional que disputará os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em novembro.

        Mantendo a tradição dos últimos sete anos, a Loterias Caixa é a principal financiadora dos paraolímpicos. Em 2010 o patrocínio foi em torno de R$ 9 milhões.

        Outra fonte de recursos do Comitê Paraolímpico é a Lei Agnelo Piva, cujos valores de 2010 ainda não foram divulgados. Em 2009, o CPB recebeu R$ 21,2 milhões.

Análise da notícia

        Insisto: não falta dinheiro para o nosso esporte. Nem instituições, nem cartolas, nem atletas. Falta gestão.

        Aí está a prova: o Ministério do Esporte está turbinando setores que já tinham o controle do Comitê Olímpico Brasileiro, em detrimento do desporto escolar, prioridade constitucional, e do esporte na base, na iniciação.

        O recado é o mesmo de sempre: o dinheiro público está concentrado na cúpula, na elite, onde  já tem muita grana dos patrocínios estatais – Caixa, Petrobras, Infraero, Casa da Moeda, Banco do Brasil, Eletrobrás e Correios.

        Será que as autoridades ministeriais conversaram com os dirigentes do COB para avaliar se é oportuna ou necessária a liberação de mais dinheiro para quem já está recendo da Lei Agnelo Piva?

        Será que as confederações contempladas já não estão recebendo de outras fontes para o mesmo fim?

        Afinal, quem controla a distribuição de verbas públicas para a o esporte olímpico: o Ministério do Esporte ou o Comitê Olímpico Brasileiro?

        Ou, quem sabe, estamos diante de uma evidente disputa de benemerências em que os dois órgãos, público e privado, medem forças em silêncio?   

Por José da Cruz às 23h26

"A dura rota do ouro"

        A Revista ESPN deste mês circula com uma oportuna reportagem de Leonardo Mendes Júnior. Em  “A dura rota do ouro”, ele ouviu ex-atletas consagrados – Lars Grael, Ana Moser, Paula, Joaquim Cruz, Rogério Romero, entre outros.

   Leonardo também ouviu a minha opinião e a de Juca Kfouri sobre o assunto e, ao final, elaborou seis propostas básicas para que o nosso esporte passe por transformações que não se esgotam na realização de bilionários eventos internacionais.      

Por José da Cruz às 21h45

O esporte precisa de políticas públicas

NA Folha de S.Paulo, hoje

 

TENDÊNCIAS/DEBATES

ALBERTO MURRAY NETO

        As autoridades recém-empossadas devem criar políticas públicas de esporte social. É preciso mudar a mentalidade esportiva do país. Nosso edifício esportivo está alicerçado nos clubes. Essa estrutura vem se desfazendo rapidamente.

É essencial que encontremos caminhos seguros para o esporte olímpico. As dificuldades de transporte em metrópoles como São Paulo e entraves econômicos afastaram os atletas dos clubes. E estes, com raras exceções, restringem as suas atividades desportivas, sem que haja contrapartida.

O setor privado encolheu as possibilidades da prática da educação física e o Estado não agiu para compensar essa falta. A escola é o campo em que se deve semear a implantação da mentalidade esportiva.

Esporte de alto nível não deve ser função estatal em países carentes de outras prioridades. O Estado deve despejar os seus recursos no esporte para todos. Não que o Estado deva estar completamente alijado do esporte de alto rendimento.

Mas, em vez de sustentá-lo, deve assessorá-lo, defendê-lo, possibilitá-lo. O desenvolvimento do futebol é pura consequência daquilo que constitui o fundamento da minha tese. Desde criança, o contato com a bola como um brinquedo forma no brasileiro a intimidade com o futebol. Por que não fazer o mesmo com outras modalidades?

É preciso vontade política. As escolas públicas devem ter praças esportivas adequadas para professar aulas de educação física prazerosas aos alunos. A cadeira da educação física deve ser inserida na grade escolar com a mesma relevância das demais disciplinas.

Cabe ao Estado firmar convênios com as universidades, para que os alunos aprendam os valores olímpicos. O Estado também pode influenciar os clubes para que retomem as atividades desportivas e aceitem em seus quadros atletas militantes, das camadas pobres da população. Praças esportivas públicas devem ser colocadas à disposição em horários alternativos, até mais tarde e com segurança.

Competições de massa, como os Jogos Abertos do Interior, devem ser valorizadas. Seria bom refundar as "turmas volantes esportivas", como fez São Paulo no passado, em que atletas das capitais percorriam o interior fazendo "esporte de demonstração" para difundi-lo.

Esporte é educação, saúde, desenvolvimento e meio ambiente.

Não há como dissociar o esporte dos demais setores governamentais. As pastas de esporte devem agir em conjunto com as outras, por convênios, buscando propagar a educação física como um fator fundamental para o crescimento sustentado do país.

A USP possui excelentes centros de treinamentos, que não são aproveitados. O Cepeusp, projetado para os Jogos Pan-Americanos de 1975, que seriam em São Paulo, está absolutamente sucateado. Isso mostra que o esporte não tem sido prioridade. É necessário recuperá-lo e torná-lo um centro de desenvolvimento do esporte universitário.

Em 1939, quando o esporte no Brasil era uma atividade desregulamentada, Sylvio de Magalhães Padilha, atleta finalista olímpico, criou o Defe (Departamento de Esportes e Educação Física). Foi o embrião da Secretaria do Esporte.

Fizeram-se as primeiras leis do esporte, regulamentou-se a atividade do professor de educação física. Criaram-se competições de massa.

Os conjuntos desportivos Baby Barioni e Ibirapuera foram feitos para atender ao povo da cidade. Após isso, muito pouco foi feito. São Paulo precedeu a União na criação de políticas públicas no esporte.

Defendo uma Agência Nacional de Esporte independente e dirigida por técnicos, para colocarmos em prática a política pública desportiva de longo prazo.  

ALBERTO MURRAY NETO, 45, é advogado, árbitro da Corte Arbitral do Esporte, na Suíça, diretor da ONG Sylvio de Magalhães Padilha e autor do blog Alberto Murray Olímpico ( www.espn.com.br/albertomurrayneto).

Por José da Cruz às 17h34

12/01/2011

Craque da Copa de 1966 doa o próprio corpo para faculdade de medicina

Marcelo Leandro Ribeiro

         Doar é diferente de dar ou jogar fora. Jogar fora é se desfazer em ato de desprezo, de anúncio de inutilidade inconteste. Dar é simplesmente entregar sem se preocupar a quem, também com certo desinteresse. Agora doar é orientar a cessão de algo, é o despojar-se de um bem ou recurso em função de uma causa maior.

        Alguns doam seu tempo, recursos ou dinheiro. Fazem das doações momentos frugais e aprazíveis, rápidos como a um átimo de tempo, ou duradouros como a lembrança de um sorriso na primavera.

        Ademir resolveu se doar. Literalmente. Ele que proporcionara alegrias a milhares de pessoas com seu jeito alegre, os traquejos  tímidos que sumiam enquanto corria. O vai não vem sobre os zagueiros.

        Aprendi a jogar futebol com ele. Nisso ele falhou, pois não me transformei em craque nem consigo acertar um lançamento de quarenta metros como faziam Gerson e Pita. Driblar então, nem pensar. Mas seus passos serenos e as histórias do seu tempo me fizeram um homem melhor. Ou nem tanto, como diria meu avô, pois me transformei em torcedor de dois santos: o glorioso São Bento de Sorocaba e o majestoso São Paulo.

        Ademir jogou nos dois clubes. Na Copa de 1966, naquele fiasco histórico protagonizado pela nossa Seleção ele esteve entre os convocados. Foi um dos poucos jogadores poupados das duras críticas da torcida. No retorno não esmoreceu. Foi campeão pelo Tricolor paulista e continuou com suas atividades de jogador, o que ainda perduraria por mais uns quinze anos.

        Depois que encerrou a carreira Ademir de Barros, ou o Paraná, como se tornou conhecido, sem as pompas e o dinheiro das gerações de craques de embuste que surgiriam depois dele, passou a dar aulas para garotos com e sem talento (meu caso) que gostavam de futebol. Nunca fez diferença entre seus alunos. Hoje ao menos duas gerações de sorocabanos, transformados pelo destino em médicos, engenheiros, professores ou operários o agradecem nas ruas a cada reencontro.

        Ao acaso, me lembrei de um fato inusitado. Paraná resolveu ir além dos atos de entrega em vida. Doou-se sim à humanidade. Fez registrar-se em ato oficial a sua vontade de permanecer como elemento de estudo, entregando seu corpo após a morte à faculdade de medicina da PUC Sorocaba (SP).

        Vísceras, tendões, músculos, cortes histológicos, pele, tudo ficará a disposição dos estudantes sorocabanos. Fará de seu corpo e da sua entrega um ato atemporal, acima dos clubes e da rivalidade do futebol. Estará além de enterros e sepulturas, ficando na lembrança com o doce sorriso de criança e o andar rápido e atencioso. Um dia quando puderem reproduzir um homem através de uma amostra, usem seu corpo: o craque permanece vivo em cada um de nós.

Para saber mais

    

 Paraná, homenageado logo no início da carreira

        O atacante Paraná, que chegou à Seleção Brasileira na Copa da Inglaterra, em 1966, destacou-se, inicialmente, no São Bento, em 1964. Dali foi para o São Paulo FC, onde jogou até 1972. Foi bicampeão paulista em 1970-71.

       Marcelo Leandro Ribeiro, desocupado por vocação (embora trabalhe vinte horas por dia), tem tomado de empréstimo o Blog do Cruz por pura preguiça de montar um para si. Quando resolve trabalhar é especialista em Biossegurança, consultor em saúde e segurança do trabalho, já tendo sido premiado no Brasil e no Exterior por trabalhos de combate à doenças ocupacionais.

Por José da Cruz às 22h56

Brasil, o país do futebol

Por Sérgio Siqueira

Do Sanatório da Notícia

http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/

Gávea lotada para ver a apresentação oficial de Ronaldinho Gaúcho como, digamos, jogador do Flamengo. A torcida rubro-negra como se vê é pura Bolsa-Família. Ou então, hoje não é 12 de janeiro, quarta-feira, um dia útil para quem tem mais o que fazer nesse País.

Por José da Cruz às 17h02

Ronaldinho Gaúcho: Prefeitura de Porto Alegre rompe com projeto social do craque

Marcelo Leandro Ribeiro

         Na esteira da oficialização do vínculo entre Ronaldinho Gaúcho e o Flamengo, a Prefeitura de Porto Alegre rescindiu contrato com o instituto do atleta.

        A Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre mantinha uma parceria – bem remunerada- com o Instituto Ronaldinho Gaúcho (IRG), administrado pelo agente e irmão do jogador, o polêmico Roberto de Assis.

        A Secretária de Educação Cleci Jurach alega interferência de Assis no contrato vigente e a tentativa de se aumentar os repasses da administração municipal em até 160%.

        O Instituto teria recebido mais de R$ 1.400.000,00 em 2.010 para dar assistência a 700 crianças de até 14 anos. Cada criança teria custado ao erário público R$ 2.078,00 por ano, conforme a imprensa gaúcha.

        Para 2.011 Assis queria receber quase R$ 4.000.000,00. Diante da abusiva tentativa de renegociação Cleci Jurach solicitou à Procuradoria Geral do Município a interrupção do vinculo entre as partes. O contrato da Prefeitura com o IRG era o mais caro mantido pela administração municipal.

 Suspeitas 

        Instalado numa ampla área e atendendo 700 crianças da zona sul de Porto Alegre, a entidade sobrevive quase que unicamente com recursos públicos.

        A família de Assis e Ronaldinho teriam entrado apenas com o terreno e a manutenção das equipes de limpeza e segurança, sobrando ao poder público as contas mais pesadas.

        Além dos recursos da Secretaria de Educação o IRG recebeu, segundo dados do Tribunal de Contas do Estado, outros aportes de recursos da Prefeitura de Porto Alegre, totalizando R$ 5.300.000,00, e mais R$ 2.000.000,00 do PRONASCI, Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania.

        Os vereadores Adeli Sell (PT) e DJ Cassiá (PTB) já encaminharam pedido de explicações sobre o gasto de verbas públicas e a regularidade com que os repasses eram feito ao IRG. As crianças passarão a ser atendidas por programas da Prefeitura já existentes.  

Por José da Cruz às 12h05

11/01/2011

Ministério do Esporte: mais uma intromissão no futebol profissional

   Conforme anunciei no ano passado, o Ministério do Esporte  equipará os estádios de futebol com câmaras de segurança.

        A Portaria nº 10, de 10 de janeiro de 2011, publicada no Diário Oficial da União de ontem,  constitui comissão de licitação para:

       “Contratar empresa ou consórcio de empresas para o fornecimento de equipamentos, implantação e manutenção dos sistemas de controle de acesso e monitoramento de imagens dos estádios das Séries A e B do Campeonato Brasileiro”. A Comissão será presidida por Guilherme Calhao Motta.

O que diz a lei?

        O “novo Estatuto do Torcedor, sancionado em junho de 2010, diz o seguinte:

 

           “Art. 18.  Os estádios com capacidade superior a 10.000 (dez mil) pessoas deverão manter central técnica de informações, com infraestrutura suficiente para viabilizar o monitoramento por imagem do público presente.” (NR) – Nova Redação.

        Essa exigência é antiga, vem do Estatuto anterior, de 2005. E é reforçada como um avanço que está no próprio site do Ministério do Esporte:

        “Outra mudança é a ampliação da obrigação de estádios que deverão manter central técnica de informações, conforme proposta do Ministério do Esporte. Antes o limite era de arenas com capacidade para 20 mil torcedores e, com a lei, mudou para 10 mil. Os eventos esportivos deverão ter infraestrutura suficiente para viabilizar o monitoramento por imagem do público presente e das catracas de acesso aos estádios.” (o grifo é meu)

Relaxamento

        Os clubes enquadrados na lei, os que disputam as Séries A e B tomaram a providência? Equiparam-se? Nada disso.

        Então, quem vai cumprir a lei?

        A Casa da Mãe Joana! Ops, desculpe, o Ministério do Esporte.

        E quem vai pagar a conta: o torcedor, o público em geral, até o que não gosta de futebol, porque o dinheiro sairá do orçamento do Ministério do Esporte, ou seja, dos impostos que pagamos.

Intromissão

        É mais uma intromissão do poder público na iniciativa privada, livrando-a de suas obrigações em lei e assumindo os seus compromissos.

Esperteza

        Entenderam? O Ministério do Esporte – ou o ministro Orlando Silva – propôs estender a exigência da lei também para os clubes da Série B do Brasileirão.

        Depois, esperou pelo cumprimento da lei. Como a cartolagem, desobediente por interesse, não atendeu à ordem legal, o governo, bonzinho, a tal “Mãe Joana”, entra em campo para cumprir a lei.

        Não é bizarro?

        Pois bizarro deverá ser o dinheiro que muita gente vai ganhar neste negócio.

        É só o TCU ficar atento e a CGU marcar em cima.

        E se não houver maracutaia, então o negócio será marmelada.

        Depois dessa, só falta o ministro anunciar quanto o governo emprestou ao Flamengo para contratar Ronaldinho...

Por José da Cruz às 22h52

Entidade de vereadora do PCdoB lidera ranking de repasse de verbas

Correio Braziliense, hoje

 

Por Leandro Kleber

 

         Se a ONG Bola pra Frente, dirigida pela ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues, vereadora pelo PCdoB em Jaguariúna (SP), estivesse em uma competição por busca de dinheiro em 2010, poderia ser considerada campeã.

A instituição foi a mais bem contemplada com recursos orçamentários do Ministério do Esporte, que continua sob o comando de Orlando Silva (PCdoB), entre todas as entidades sem fins lucrativos do país.

Os R$ 13 milhões repassados pela pasta por meio do programa Segundo Tempo à ONG, que mudou de nome e agora atende por Pra Frente Brasil, são superiores, inclusive, à verba destinada a vários governos estaduais e prefeituras.

Desse total, quase R$ 7 milhões foram pagos à entidade 16 dias antes do primeiro turno das eleições, em 3 de outubro.

Leia aqui a reportagem completa.

Por José da Cruz às 18h11

A criatividade dos torcedores é maravilhosa

        Leiam o que escreveram internautas, Brasil afora, sobre a recente negociação de Ronaldinho com o Flamengo.

        Imperdível, aí vai uma amostra:

·         Dizem q qdo era pqueno, A$$i$ não jogava futebol de botão; ele preferia futebol de moeda!

·         A$$i$ ainda não vendeu sua alma pro diabo porque está analisando as outras propostas.

Por José da Cruz às 11h07

10/01/2011

Nilton Santos: "Eu faço o que gosto e ainda me pagam"

        Cheguei atrasado e peguei só os últimos 20 minutos do excelente programa da TV Brasil, nesta segunda-feira à noite, sobre a Copa do Mundo de 1958, na Suécia.

        A produção faz algum tempo, pois tem depoimentos de Didi, que já morreu, e de Nilton Santos, há bom tempo enfermo, lamentavelmente.

        Hoje apresentaram o primeiro jogo – Brasil 3 x 0 Áustria   e o segundo – Brasil 0 x 0 Inglaterra.

        Na próximo programa (vou conferir dia e horário para divulgar) serão duas excelentes partidas dos brasileiros contra a Rússia e País de Gales.

Entrevistas

        Tive a felicidade de conviver muitos anos com Nilton Santos, quando ele morava aqui em Brasília. E com ele fiz várias entrevistas.

        Numa delas estava Pelé, quando era ministro do Esporte. Eu trabalhava no Correio Braziliense,  e a idéia foi do então diretor de redação, Ricardo Noblat.

        A entrevista durou quatro horas, com pausa para almoço, contos de “causos” e muita risada. 0s repórteres Roberto Naves e José Antônio Alves também participaram da entrevista. Inesquecível.

        Na Copa de 58 Pelé tinha 17 anos. Um guri.

        Segundo Nilton Santos, o futuro Rei tomava café da manhã na casa de loiríssimas suecas, encantadas com a cor negra do jovem craque.

        “Conta aí, Negrão, se tô mentindo!” – provocou Nilton Santos, concluindo.

        “E tu ainda pegavas o almoço. O marido da loira ficava orgulhoso de te receber em casa... ”

        Pelé deu uma gargalhada: “Pô, Nilton, tu estás me entregando!!!”

Programa

        Agora, vendo o programa, voltei a ouvir uma declaração de Zagallo. No primeiro jogo de 1958, Nilton, que jogava na lateral esquerda, avançou e tocou a bola para Mazola, que devolveu  na entrada da área. Com um toque, Nilton deslocou o goleiro austríaco.

        Era o primeiro gol brasileiro no início da longa campanha rumo ao pentacampeonato.

        Pois bem. Zagallo afirma que combinara com Nilton Santos que lhe daria cobertura na defesa, recuando da ponta esquerda, quando ele avançasse.

        Nilton garante que nunca houve tal combinação.  E ainda brincava: “O Zagallo não se conforma de não ter participado do primeiro gol”.

        Nilton Santos avançou porque viu espaço aberto na defesa austríaca. Gritou e disse impropérios para Mazola devolver a bola. No embalo, ele já estava dentro da área esperando para concluir. E assim foi.

        Contam que quando o técnico Feola viu Nilton avançar para o ataque, levantou-se e começou a gritar: “Volta, Nilton, volta”!

        Nilton foi em frente e deu no que deu.

        Quando correu para o banco, Feola foi ao encontro do craque: “Boa, Nilton, muito boa jogada!!!”

        Enfim. Nestes dias em que  Ronaldinho dominam o noticiário esportivo, aqui está um pouco de saudosismo, que revelam o contraste dos tempos.   

        Um tempo em que  o dinheiro não era tão importante quanto o prazer de jogar bola. Tanto que ele costumava dizer:

        “Eu faço o que gosto e ainda me pagam...!”      

Por José da Cruz às 23h47

Não percam, neste momento! Liguem a TV

    TV Brasil está transmitindo neste momento, 22h47 de segunda-feira, uma retrospectiva da Copa do Mundo de 1958.

    Depoimentos maravilhos. Jogadas inesquecíveis.

    Não percam! Liguem a TV, equeçam Ronaldos e Ronaldinhos e se deliciem com o futebol em que a camisa pesava mais que a mala de dinheiro.

  

Por José da Cruz às 22h48

Marta, Messi e Ronaldinho

Por Sérgio Siqueira

Do Sanatório da Notícia

http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/

  Marta abusou. Pela quinta vez é eleita a melhor do mundo. Mas a Fifa não apita nada nas eleições do País do Futebol. Aqui, o povo elegeu Dilma.

  Marta é o Messi do futebol feminino. Ele tem emprego garantido; ela prova que futebol é pra homem: "preciso arrumar um time para jogar".

 E Flamengo elegeu Ronaldinho Gaúcho. Aqui, o craque aparece envergando a jaqueta do Milan com listras horizontais.

 Pronto, era o que o futebol carioca mais queria: Ronaldinho Gaúcho com a camisa do Flamengo, em listras verticais.

Por José da Cruz às 18h56

Ponte Preta aprova projetos de R$ 13,6 milhões na Lei de Incentivo ao Esporte para formar jogadores

        Na mesma linha do São Paulo FC, Santos, Grêmio, Atlético, Palmeiras e outros clubes de futebol, a Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas, formará  atletas de alto rendimento com verbas da Lei de Incentivo ao Esporte. Como já se debateu nete espaço, trata-se de dinheiro público.

        Foram aprovados dois projetos, totalizando R$ 13,6 milhões para o tradicional clube do interior paulista.

        Já a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa terá até dezembro deste ano para captar R$ 4,2 milhões destinados a quatro iniciativas, entre elas a realização de eventos nacionais e internacionais no Brasil.

        Outros projetos aprovados para captação de recursos da Lei de Incentivo ao Esporte:

        Instituto Barrichello Kanaan

        R$ 796.267,20

        Projeto educacional de basquete

 

        Prefeitura Municipal de Corupá (SC)

        R$ 116.488,44

        Construir  uma pista de skate

 

        Associação Luz e Ação

        R$ 2.214.626,86

        Projeto de vôlei de praia Campeões de Areia – Halley e Pedro Solberg

 

        Associação Saque de Ouro

        R$ 704.680,20

        Torneio Torneio Challenger de Tênis, em São Paulo

 

        Confederação Brasileira de Tênis de Mesa

        R$ 2.074.130,59

        Realização de eventos nacionais e internacionais no país

 

        Confederação Brasileira de Tênis de Mesa

        R$ 737.361,22

        Circuito Brasil de Maratonas Populares de Tênis de Mesa

 

        Confederação Brasileira de Tênis de Mesa

        R$ 931.000,53

        GP Brasil de Clubes

 

        Confederação Brasileira de Tênis de Mesa

        R$ 531,120,02

        Sacando para o Futuro – Grande Rio

 

        Confederação Brasileira de Canoagem

        R$ 1.145.097,24

        Estruturação e Apoio às Entidades Filiadas à Confederação

        Brasileira de Canoagem - Caiaque Rotomoldados

 

        Federação de Vela do Estado do Rio de Janeiro

        R$ 1.735.064,79

        Calendário Match Race 2011

 

        Instituto Parada Vital

        R$ 2.314.616,55

        Bicicletários do Metrô

        

       Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação

      Campeonato Mundial de Patinação Artística

      R$ 4.177.331,45

 

Por José da Cruz às 15h26

09/01/2011

Ronaldinho: negociação com Palmeiras foi num clima “esdrúxulo”

        Os repórteres Bruno Uliana e Fabrício Crepaldi do www.lancenet.com.br acabam de publicar reportagem com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, narrando o clima em que se desenvolveram as negociações para o clube ter Ronaldinho Gaúcho.

        – A negociação ocorreu em um clima, no mínimo, esdrúxulo. Não gosto de fazer acusações pessoais, mas tudo ocorreu de maneira não habitual.
Nunca vi um negócio como esse. Na história, não tenho memória de uma negociação esdrúxula como essa – declarou ele, ao LANCENET!

          – Foi uma negociação singular. Nós fomos muito pacientes, mas achei que já tinha ultrapassado todos os limites. Interrompemos as conversas porque não havia mais condições de continuarmos um negócio nesses termos – completou.

        A reportagem completa está aqui

Por José da Cruz às 23h40

Bah, tchê!

Do UOL Esporte

Protesto Tricolor: em resposta ao caso Ronaldinho, torcedores lotam treino no Olímpico, em Porto Alegre 

Por José da Cruz às 20h51

08/01/2011

Ronaldinho: o guri que se divirta

        Que me perdoem os gremistas roxos e fanáticos.

        Mas ao anunciar que está fora da disputa pela conquista do valorizado jogador, a direção tricolor do Olímpico se livrou de uma furada.

        Toda a articulação de Assis, durante uma semana, para repatriar o irmão, fazendo leilões com valorizada cobertura da imprensa reforçou a tese de que o futebol pentacampeão mundial ainda é frágil na sua gestão.

        A estratégia foi espetacular. Assis expôs o produto como joia de primeira grandeza e esperou os lances: quem dá mais? A disputa elevou a valorização, claro.

        Melhor: mesmo silencioso, o craque foi o foco das atenções, e a sua imagem, vestindo camiseta preta, repercutiu mundo afora, exibindo discretamente valorizadíssima marca esportiva: a Nike, agradecida, mandará seu parceiro conferir o próximo extrato bancário.

        Enquanto isso, Ronaldinho, de expressivo sorriso dentuço – espécie de marca registrada de atrativo visual – parecia debochar da correria dos cartolas atrás de muito dinheiro para tê-lo em campo.

        Assis busca, prioritariamente, garantias para que o contrato do irmão seja cumprido. E o milionário acerto ocorrerá num país em que os clubes não conseguem pagar a bilionária dívida do fisco. Precisam das muletas de uma frágil Timemania... e ainda dependem da receita que vem da TV para saldar as contas.

        Com o devido respeito, mas o que é Ronaldinho no futebol mundial atual?

        Quem se lembra da sua última grande atuação a ponto de merecer primeira página, como já ocorreu em bons tempos?  

        Qual o grande clube europeu entrou nessa disputa que enlouqueceu torcedores e dirigentes brasileiros?

        O simpático Ronaldinho demonstrou que, lamentavelmente, está mais para festa do que para o campo! Mais para a farra do que para a bola.       

        No Flamengo, Ronaldinho deverá render bom dinheiro pela estratégia de marketing, a exemplo do que ocorreu com o Fenômeno,  no Corinthians. Rende até sem jogar.

        Já no Grêmio haveria, antes, uma “colisão de estrelas”. Renato Gaúcho é ídolo da torcida. E sabe se valorizar como técnico da mesma forma dos tempos em que foi craque.  

        Mais: Ronaldinho retornaria ainda com a mágoa de ter saído do time gaúcho pela porta do fundo. Não acredito que seu retorno ao Olímpico seria de “coração aberto”.

        A torcida gremista até o receberia assim, eufórica, com apreço e lágrimas.

        Mas Ronaldinho, com certeza, voltaria mais pelo cofre recheado do que pelo ardor à camisa que o projetou mundialmente. Isso não existe mais, sabe-se bem.

        Portanto, que seja feliz no Flamengo.

        Mesmo porque, esse tipo de estrela se adapta mais à noite carioca que nos pampas do Sul.

        Deixa o guri se divertir. E vamos torcer para, quem sabe, ele volte a mostrar o futebol que um dia nos encantou.

Por José da Cruz às 18h53

Copa 2014: Mudança de contrato limita lucro de Ricardo Teixeira

“Não havia intenção de roubar dinheiro da Fifa”, diz Comitê Organizador Local”.

Folha de S.Paulo, hoje

Hudson Corrêa

        Rio – O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, recuou e mudou a forma de distribuição de lucros do COL.

        Em 26 de novembro, alterou o contrato social do Comitê Organizador Local da Copa-14, que havia sido registrado na Junta Comercial do Rio em maio de 2008.

        Antes da mudança, feita na própria Junta, Teixeira podia teoricamente ficar com todo o lucro do comitê. Agora, em tese, o limite é 0,01%.

        Esse é o percentual de participação societária do mandatário no COL. A CBF tem 99,99% das ações do comitê.

        Teixeira fez a modificação dez dias após o jornal "Lance" publicar que o cartola poderia ficar com todo o lucro.

        Tal distorção seria possível porque a 17ª cláusula do contrato social dizia: "A distribuição de lucros poderá ser feita, a critério dos sócios, sem guardar proporção com as respectivas participações no capital social".

        Na alteração do contrato, Teixeira retirou essa parte do texto. Assim, a distribuição dos ganhos deve ser proporcional ao número de ações.

        Logo após o cartola registar o contrato social em 2008, o procurador da Junta Comercial Gustavo Tavares Borba, encarregado de analisar o pedido de registro do COL, apontou que a possibilidade de distribuição desproporcional de lucro era irregular.

        Para ele, a cláusula violava "a transparência financeira e administrativa" da CBF.

        Mesmo com o parecer, Teixeira não se mexeu. A alteração só foi realizada mais de dois anos depois, quando o caso foi parar na imprensa.

        "Não havia qualquer objetivo de fazer uma coisa incorreta. Então, por que não fazer uma alteração para que fique claro que não havia intenção de roubar dinheiro da Fifa?", disse o diretor de comunicação do COL, Rodrigo Paiva.

        "O primeiro contrato foi feito junto com a Fifa, dentro da legislação brasileira", ressaltou Paiva. "Gente da imprensa, que não gosta do Ricardo Teixeira, usou isso para dizer que havia alguma irregularidade", acrescentou.

        Segundo ele, todo o lucro será aplicado no futebol.

        Além de recuar no sistema de distribuição de lucros, Teixeira também revogou a cláusula que previa dar cotas do COL a funcionários como prêmio por seu desempenho na administração do comitê.

        Numa terceira medida, o presidente da CBF decidiu que o Comitê Organizador Local vai renunciar a uma eventual isenção de impostos que possa ser concedida pelo governo como incentivo para a realização da Copa.

        Para tanto, colocou cláusula no contrato dizendo que o comitê não "usufruirá de qualquer isenção de tributos que venha a ser concedida em caráter específico". 

Por José da Cruz às 11h41

07/01/2011

Palmeiras também formará jogadores profissionais com dinheiro público

O governo federal é o mais novo investidor no futebol da Sociedade Esportiva Palmeiras, onde aplicará R$ 18,6 milhões, com dinheiro do imposto de renda via Lei de Incentivo ao Esporte.

O time do Parque Antártica só perde para o São Paulo FC, que já levantou R$ 19,8 milhões da mesma lei, desde 2007. Cruzeiro, Grêmio, Santos, Ponte Preta, entre outros, já aprovaram projetos com a mesma finalidade: formação de jovens talentos.

Dos três projetos para captação de recursos, um deles reserva R$ 1,2 milhões para a Academia de Tênis do Palmeiras.

O restante – 17,4 milhões, vão para a formação de atletas, construção do Centro de Treinamento São Roque, campos auxiliares e pavimentação externa dessas áreas.

Legal, mas imoral

O recurso PÚBLICO será usado para que o Palmeiras forme atletas e os negocie, principalmente, com clubes do exterior, onde o “pé de obra” com a marca Brasil tem cotação valorizada.

            A renda dessas transações engordará o bolso dos agentes ou empresários de jogadores e o caixa de uma entidade particular, o clube de futebol. E todos darão risadas, batendo com as mãos na barriga...

Repito: ambos – empresários e agentes – vão ganhar muita grana usando verba PÚBLICA sem qualquer despesa, ônus, fiscalização, nada.

Vergonhoso, mas a ação é legal porque tem o apoio do governo, via Ministério do Esporte, que aprova os projetos, e do Congresso Nacional que desvirtuou os objetivos da Lei de Incentivo, justamente para beneficiar quem já tem muito.

Legal, mas de imoralidade gigantesca.

Por que?

Porque enquanto o governo investe no futebol profissional, deixa de aplicar esse dinheiro em áreas com gravíssimos problemas sociais, principalmente em saneamento, educação e saúde.

Miséria

Ontem mesmo, a presidente Dilma reuniu 11 ministros para apresentar sua proposta de combate à miséria no país.

Lá estavam os ministros da Educação e da Saúde, entre outros. Esporte não foi convidado. E mesmo se fosse não iria, pois este ano ainda não deu as caras na Esplanada dos Ministérios.

Deve estar tratando dos assuntos da CBF, pois como o próprio Ricardo Teixeira declarou, “seria importante manter Orlando Silva à frente do Ministério do Esporte. Ele será muito útil aos nossos interesses”.

E “interesses” de Ricardo Teixeira sabe-se lá que significam. Logo...

Ponte Preta

            Já a Associação Atlética Ponte Preta, de Campinas, foi mais modesta em seu projeto e aprovou “apenas” R$ 5,8 milhões para construir o seu Centro de Treinamento e formar atletas profissionais.

            Lembro que, além dessa “forcinha” aos clubes de futebol, o governo também já oferece outras vantagens, como o parcelamento da dívida dos clubes para com o INSS, Imposto de Renda e FGTS, cujo calote chegou a R$ 2 bilhões.

            Mais: previsto para ser paga em cinco anos, a cartolagem amiga dos parlamentares conseguiu estender o prazo para 180 meses, irrisórios 12 anos. Ou seja, dívida interminável ou impagável, como queiram.

            Voltarei ao assunto na próxima mensagem, analisando outros projetos aprovados na área olímpica, onde há várias indagações.

Por José da Cruz às 12h25

06/01/2011

"Jogos de Verão UNE" têm verba de R$ 400 mil do Ministério do Esporte

        O Diário Oficial da União desta quinta-feira publica portaria destinando R$ 400 mil para os “Jogos de Verão UNE”.

        A Universidade Federal do Rio de Janeiro será a gestora dos recursos.

        Estranho I

        A portaria não dá detalhes sobre o contrato. Fico na dúvida: trata-se da União Nacional dos Estudantes, a histórica UNE, que realizará um evento esportivo?

        Em caso positivo, qual o motivo de a UFRJ ser a gestora dos recursos?  

        A UNE está inadimplente? Está devendo prestação de contas? Não gastou outros valores recebidos conforme o plano de aplicação apresentado?

        O Ministério do Esporte poderia se manifestar a respeito ou continuará em silêncio como nos quatro anos passados?

        Estranho II

        Os sites da UNE e da UFRJ não fazem qualquer referência aos Jogos de Verão.

        Aliás, ali não há nenhuma manifestação ao assunto “esporte”.

        Estranho III

        A UNE realizando evento esportivo?

        Para que servem as Confederações de Desporto Escolar e a de Desporto Universitário? Não é da competência delas realizar competições esportivas?

        A propósito, o COB não realiza os Jogos Escolares e os Jogos Universitários Brasileiros? Agora a UNE entra na parada?

        Estranho IV

        Qual o motivo de o Ministério do Esporte classificar Jogos de Verão da UNE na categoria “Esporte de Alto Rendimento”?

        São atletas de nível olímpico que vão participar?

        Sinceramente, muito estranha essa programação.

        Fico impressionado com a facilidade que o governo libera dinheiro (quase meio milhão de reais) para eventos que não servem para nada. O desperdício é evidente.

        Está aí um projeto que merece muita atenção da Controladoria Geral da União e do TCU.  

Por José da Cruz às 23h00

05/01/2011

Ministério do Esporte: agora vai?

        O Ministério do Esporte comprou mil licenças de um software com sistema de informações documentais para controle de processos e outros serviços.

        Quem se deu bem foi a empresa Ikhon – Gestão, Conhecimentos e Tecnologia Ltda, de Brasília, que faturou R$ 1.004.990,00.

        Mil licenças? Terá o ministério mil funcionários?

Enquanto isso:

        Agenda do ministro para hoje:

        “Nenhum registro para este dia”.

        E a Esplanada dos Ministérios pegando fogo com debates e decisões importantíssimas neste início de governo, cortes orçamentários em discussão, enfim.

Dúvidas

        Será que nos próximos quatro anos o ministro terá a humildade de atravessar a rua e ir conversar com seu colega ministro da Educação sobre atividade física na escola?

        Irá o ministro Orlando Silva no prédio ao lado do Ministério do Esporte levar sugestões para o ministro da Saúde sobre um trabalho integrado de governo ou continuará agindo sozinho como se o esporte, individualmente, resolvesse todos os problemas próprios dos colegiais: saúde, educação, violência, formação integral etc?

       Tem alguém no governo tratanto desse assunto de forma global ou vamos continuar na base do "cada um por si" e "cargos para todos"?

       Afinal, não é isso que o PMDB está fazendo? Por que o PCdoB não pode imitar, não é mesmo?

       Quantas dúvidas, quanta vergonha!

Por José da Cruz às 17h24

Tostão comenta sobre a logomarca Rio 2016

        Em sua coluna de hoje na Folha de S.Paulo, Tostão comenta sobre o símbolo que virou polêmica. Confiram:                      

       “Quando vi a logomarca da Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, pensei imediatamente em uma chupeta de criança. Só depois percebi que eram três pessoas ligadas pelos pés e pelas mãos. Linda a imagem e o significado, representando a união dos atletas e dos povos.
        Mas não é a realidade. O mundo e os atletas de alto rendimento lutam pelo poder, pela fama e pelo dinheiro, sem dar muita importância aos valores éticos. Há exceções. São elas que nos salvam.
        Os criadores da marca estão sendo acusados de plágio. A imagem é muito parecida com a do Carnaval da Bahia de 2004, que é muito parecida com a da Telluride Foundation, que é muito parecida com uma pintura do artista francês Henri Matisse ("A Dança").
        É muito difícil ser completamente original.
        A ideia não surge do nada. Só os gênios conseguem. Refiro-me ao plágio inconsciente. É preciso separá-lo do plágio intencional, que tem de ser combatido e punido.”

                        Quem desejar comentar sobre este assunto será bem-vindo. Mas, por favor, não vamos brigar. Na boa!

Por José da Cruz às 15h34

04/01/2011

Com dinheiro em caixa, judô é destaque em pódios internacionais

         Enquanto é bombardeada pelos gravíssimos problemas nos aeroportos brasileiros, provocando prejuízo aos usuários, a Infraero dá uma boa notícia para o esporte. A direção da empresa confirmou para 2011 a renovação de patrocínio com a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) pelo sexto ano consecutivo

        Surpreendentemente, porém, apesar da evolução da modalidade, com conquistas internacionais importantes, os valores são os mesmos da temporada passada: R$ 1,5 milhão e mais R$ 250 mil para o projeto “Avança Judô”.

Fontes

        Os valores totais da receita da CBJ em 2010 ainda não foram divulgados em seu site, mas em 2009 a confederação recebeu R$ 10,2 milhões de patrocínios. Entre os parceiros estão, além da Infraero, o Bradesco, Cielo, Scania e Ticket.

        Com outras receitas, como recursos da Lei Agnelo Piva, da qual recebeu R$ 2,5 milhões, a Confederação de Judô teve um faturamento total de R$ 13 milhões, em 2009. Os dados estão no balanço da CBJ.

        Além disso, entre 2007 e 2008, o judô teve o caixa fortalecido com R$ 3,8 milhões da Lei de Incentivo ao Esporte.

Resultados

        Com dinheiro, os judocas das equipes nacionais tiveram bom desempenho em eventos internacionais, em 2010.

        Segundo a assessoria de imprensa da Infraero foram conquistados 258 pódios em 30 eventos disputados, média de 8,5 conquistas por competição. Leandro Guilheiro e Rafael Silva foram os que mais ganharam títulos no exterior, seis cada um.

Análise I

        Apesar dos ótimos recursos, com a CBJ registrando superávit de R$ 3 milhões, em 2009, e excelentes resultados das equipes de várias categorias, recebo reclamações de atletas e pais de jovens judocas. Ambos pedem para não serem identificados temendo represálias. Lamentavelmente, isso é  normal, estamos no Brasil.

        O problema é que o dinheiro concentra-se na preparação de equipes e não chega à iniciação, à base, onde estão muitos atletas prontos para evoluir em suas respectivas categorias. E, sem incentivo, nem sempre podem viajar para competições que lhes garantam evolução no ranking e, assim, aumentar o número de competidores por um lugar no pódio.

        Isso se repete na maioria das modalidades olímpicas. 

        Vou tentar uma entrevista ao presidente da CBJ, Paulo Wanderley, para esclarecer sobre esta questão.

Análise II

        O atleta vitorioso – espécie de outdoor ambulante – é uma excelente vitrine para o patrocinador. Entrevistas, viagens, pódios, fama, tudo contribui para dar visibilidade à marca das empresas que investem no esporte.

        No caso do judô, e mesmo com o apoio financeiro recebido, nossos atletas carregam um peso a mais em seus uniformes, pois a Infraero é responsabilizada pelo caos nos aeroportos do país, como que se verifica neste início de ano.

        E isso ocorre porque os partidos políticos, vorazes devoradores de cargos públicos e com perfis mais para a corrupção do que para a construção, insistem em assumir no lugar de gente especializada. É o que a presidente Dilma quer impor em seu governo, mas o PMDB briga para manter a confusão nomeando seus partidários.

Repercussão

        A revista The Economista publicou recentemente reportagem sobre os eventos esportivos no Brasil – Copa e Olimpíada – que atinge diretamente a Infraero, mesmo sem ser citada.

        Em uma conferência em novembro, Giovanni Bisignani, diretor-executivo da International Air Transport Association (Associação Internacional de Transporte Aéreo), definiu a infraestrutura de transporte aéreo do Brasil como um "desastre crescente". E afirmou que se o país quiser evitar uma "vergonha internacional" precisa mudar imediatamente. "Mas não vejo progresso e o relógio está correndo", acrescentou.

Por José da Cruz às 21h12

Ronaldinho Gaúcho perderá de goleada para Orlando Silva

Por mais que se estenda a novela sobre o futuro clube de Ronaldinho Gaúcho, ainda assim ele perderá feio para o ministro Orlando Silva

O “sai Orlando”  X “fica Orlando”, na composição ministerial da presidente Dilma Rousseff, durou dois longos meses, recorde na negociação política-partidária nacional.

Até o final desta semana, Ronaldinho saberá onde seu irmão, Assis, conseguiu emprego para ele.

Depois da pelada, começa o expediente? E Ronaldinho, que nem começou,  já pede água. "Ai meu Deus do céu, não vai dar certo!"

Agenda

        Enquanto isso, quatro dias depois de iniciado o ano e instalado o novo governo, o ministro Orlando continua sem trabalhar.

        A sua agenda, na página do ministério mantém a mesma informação dos último 10 dias: “Nenhum registro para este dia”.

        Assim como Ronaldinho, que festeja a vida nas noites cariocas, Orlando Silva deve estar gozando merecidas férias, depois de tanto suar para não deixar a cadeira ministerial.

Por José da Cruz às 10h41

03/01/2011

Rio 2016: "Logos para evitar"

        Quando postei a primeira mensagem sobre o assunto “marca olímpica 2016”, na madrugada de sábado, não imaginei que o assunto demandaria discussão tão acalorada.

        E do debate vieram agressões. Suspendi dezenas de respostas às mensagens recebidas para não ser indelicado.

        Principalmente, porque não fiz acusações. Apenas uma indagação diante das semelhanças que, sob minha observação, são muito evidentes.

        Depois que o Comitê Organizador divulgou a nota oficial sobre o assunto, no final desta segunda-feira, dei o tema por encerrado.

        Mas, desculpem-me, publico mensagem que recebi de um leitor reportando-me ao site da The Logo Factory Company, uma empresa especializada no assunto.

        O texto está em inglês, mas resumi os trechos principais. O original e as ilustrações que nos remetem ao tema em discussão estão aqui.

Em resumo é o seguinte:

 

“Logos para evitar
        Os logotipos nesta página estão entre os mais populares de todos os tempos.

        Vamos dar uma olhada nos logos mais usados e de forma exagerada de todos os tempos.

        Não nos levem a mal. Mas foram marcas consideradas ideias brilhantes quando foram concebidos. Mas isso foi há muito tempo. Desde então, elas se tornaram os conceitos mais banais de logos de todos os tempos. Eles devem ser evitados a todo custo

        Incorporar figuras humanas em um logo requer um pouco de coragem. O corpo humano é um mecanismo extremamente complexo, e usá-los sem os membros inferiores não é fácil.

        0 elemento gráfico sem pernas e sem mãos foi utilizado por quase todos os projetos do tema com figura humana, particularmente nas categorias de marcas de esportes.

        O homem é um estudo de caso para adaptabilidade. Mas se você está pensando em adaptá-lo para o seu logotipo é hora de voltar de novo à  prancheta.”

Por José da Cruz às 22h35

Marca dos Jogos Rio 2016: "nenhum conflito"

Referente à marca dos Jogos Olímpicos 2016, criada pela empresa Tátil Design e lançada no dia 31 de dezembro, onde se observa semelhanças com a identificação visual da ONG norte-americana Telluride Foundation, o Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 divulgou nota, conforme publicado no site http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/comite-rio-2016-emite-nota-sobre-suspeita-de-plagio

"O Comitê Organizador Rio 2016 realizou uma extensa busca mundial de marcas que tivessem elementos presentes na marca dos Jogos Rio 2016. E tanto o Comitê como o Comitê Olímpico Internacional (COI) avaliaram que as marcas encontradas na busca não apresentavam conflito com a marca dos Jogos Olímpicos Rio 2016."

Expectativa

Com este assunto encerrado, a expectativa é para a divulgação da marca dos Jogos Paraolímpicos, o que deverá ocorrer até o final do ano, também sob a orientação do Comitê Organizador Rio 2016.

Por José da Cruz às 17h34

A marca e o mascote: V Jogos Mundiais Militares

         

Por José da Cruz às 15h21

02/01/2011

Cielo não ganhou seu presente de Natal

        A crítica é curta, mas da pesada. Vem do campeão e recordista mundial , César Cielo.

        Publicada na revista “Poder”, de Joyce Pascowitch, as palavras do nadador ganham mais repercussão.

        Em entrevista que aborda sua vida fora das piscinas, o repórter Pedro Henrique França escreveu e, depois, arrancou de Cielo o seguinte:

        “O mesmo Cesão que afrontou  a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) após a Olimpíada na China ao declarar que não tivera nenhuma ajuda da entidade, endossa as críticas ao seu presidente. Seu presente ideal de Natal? “A saída do Coaracy (Nunes)”, diz. “Já virou uma brincadeira entre nós (nadadores), porque com ele nada muda”.

        Manifestação forçada? Nada disso.

        Na mesma entrevista, Cielo declarou: “Hoje não falo o que não gostaria que se tornasse público”.

        Logo, ao defender a saída de Coaracy da presidência da CBDA, onde está há 22 anos, Cielo manifestou o que gostaria que ganhasse espaço na mídia. E ganhou, pois outros companheiros já trataram do assunto, como o blog do Alex Pussieldi, da SporTV.

        Em 2009, Coaracy foi eleito para mais quatro anos. Assim, em 2013 completará 26 anos no cargo.

    Cielo e Coaracy, quando reinava a paz

Autoridade

        Medalha de ouro nos 50m livre nos Jogos de Pequim e no Mundial de 2009 – quando  também ganhou os 100m livre Cielo tem autoridade para se manifestar sem medo. Da mesma forma como ocorreu com o ex-judoca Aurélio Miguel, quando decidiu enfrentar a longevidade da família Mamede à frente da Confederação de Judô, nos anos 90.

        Mas se a recente campanha do Brasil em Dubai, no Mundial de piscina curta, foi a melhor da história nacional, por que “nada muda” com Coaracy Nunes à frente da CBDA?

        Tentarei conversar com Cielo sobre o assunto para ter detalhes. Particularmente, acredito que seja pelo mesmo problema de tantas outras modalidades, a falta de investimentos na base, na iniciação, o desperdício de talentos Brasil afora pela falta de um projeto de massificação do esporte.

        Certo é que César Cielo deixa a porta aberta para que outros atletas também saiam do silêncio e tenham a coragem de manifestar suas opiniões.

Omissão

        É impressionante a omissão dos competidores. Fogem da imprensa quando o assunto é debater sobre questões dos bastidores de suas respectivas modalidades.  Tudo para evitar represálias, que ainda existem entre a cartolagem em geral.

        Essa triste realidade nos leva à constatação de que a democracia – em que as manifestações públicas são asseguradas – ainda não chegou ao esporte olímpico brasileiro. Aqui, os atletas ainda convivem com o autoritarismo e a ditadura dos cartolas. Raríssimos, quem sabe pela força de suas conquistas, como Cielo, têm a coragem de se manifestar sem meias palavras.  

        E quando isso ocorre, não provoca qualquer constrangimento nos dirigentes, pois o peso do poder que ocupam suplanta a vergonha de sofrerem um puxão de orelhas em público.

Por José da Cruz às 23h10

O primeiro milhão a gente nunca esquece

11 meses de trabalho e  alcanço o primeiro milhão de acessos.

É um número motivador para iniciar 2011.

Tenho consciência de que, com o apoio dos companheiros do UOL, foi aberto novo espaço para o debate democrático sobre o esporte, também fora das quatro linhas.

Obrigado aos leitores, colaboradores e a todos que contribuíram com mensagens de incentivo.

José Cruz

Por José da Cruz às 11h59

Ronaldinho, o driblador

Por Sérgio Siqueira

Sabe tudo

Ronaldinho Gaúcho chega ao Rio e dribla a imprensa.

Ora bolas, ultimamente é só quem ele consegue driblar.

FAZ SENTIDO

Páginas esportivas informam que Ronaldinho está na iminência de assinar com o Flamengo. Bolas, de novo! Faz sentido...

Com o preparo que ostenta há mais de quatro temporadas, o conhecido futebol malandro dos cariocas é muito mais adequado ao seu jogo que a correria dos gaúchos.

Na área

Ronaldinho, mesmo sem contrato com time brasileiro, já está na área, descansando "para quando o Carnaval chegar"

RONALDOS

Um desses Nenens Pranchas que sobram por aí diz que jogador velho e rico não rende dentro de campo.

Grandes coisas. Dá de goleada nas finanças da cartolagem.

Ou Ronaldo Fenômeno já estaria fora do Corinthians há muito tempo.

Do blog Sanatório da Notícia

http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/

Por José da Cruz às 11h20

Futebol profissional está fortalecido no Orçamento da União

            O orçamento de 2011 para o Ministério do Esporte reserva R$ 10 milhões para o “funcionamento de núcleos de categorias de base do esporte de alto rendimento”.

            Porém, o Ministério terá quatro vezes mais (R$ 44 milhões) para aplicar em “publicidade de utilidade pública”.

        Ou seja, a verba para uma das atividades fins do Ministério do Esporte – incentivar a formação de atletas – é suplantada pela publicidade do órgão, para divulgar mais a vaidade de seus gestores.

Detalhes

        O orçamento do Ministério do Esporte para 2011 será de R$ 2,4 bilhões. O valor é o dobro da proposta original apresentada pelo próprio ministério ao Congresso Nacional.

        O acréscimo ocorreu mais pela ganância dos parlamentares. Eles apresentaram R$ 1,058 milhão de emendas. São verbas para serem aplicadas em pequenas obras em seus redutos eleitorais: quadras, campos de futebol etc.

Alto rendimento

        O programa “Brasil no Esporte de Alto Rendimento”, que tinha proposta de R$ 843,4 milhões, foi acrescido de R$ 101 milhões. Porém, na reta final, perdeu R$ 66 milhões e ficou em R$ 878.177.443,00. 

      Houve outros cortes e acréscimos de recursos em várias ações do Ministério do Esporte.

        Por exemplo, a “Implantação de Infraestrutura para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016” perdeu R$ 63,2 milhões e ficou com R$ 307,1 milhões.

        Já para a “Preparação e Organização dos Jogos 2016” foram mantidos os R$ 82 milhões propostos pelo Ministério do Esporte.

Futebol

        O futebol profissional está fortalecido no Orçamento Geral da União.

        Bem disse o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, sobre a importância de manter o ministro Orlando Silva no comando do Esporte, pois ele “representaria os interesses do futebol no Congresso Nacional”.

        Em outras palavras: a Bancada da Bola tornou-se oficial, com representante do Executivo.

        O apoio às ações para a Copa 2014, que tinha verba proposta de R$ 80 milhões, recebeu um acréscimo de cerca de 40% e contará R$ 111,8 milhões.

Segurança

        Já a proposta do Ministério do Esporte para implantar sistema de “controle de acesso e monitoramento nos estádios de futebol” foi outra ação do Ministério do Esporte que teve verba cortada, mas nada de expressivo: dos R$ 52 milhões previstos, a Comissão de Orçamento aprovou R$ 48,3 milhões

        Como se tratam de números e assunto burocrático, voltarei ao assunto “orçamento” em novas mensagens.

        Lembro, porém, que os jornais deste domingo já anunciam que a presidenta Dilma deverá promover o famoso “contingenciamento” no orçamento. Ou seja: limitar por tempo determinado o uso dos recursos, suspendendo, assim, várias ações dos ministérios.

Por José da Cruz às 10h53

Marca Rio 2016: o debate esquentou!

        Depois do intenso debate e bombardeio que recebi sobre a marca dos Jogos Olímpicos Rio-2016, volto ao assunto neste domingo, 2 de janeiro.  

        Mais um leitor, que pede para não se identificar, envia a composição abaixo, sugerindo que a criação da agência Tátil teve origem artística no famoso quadro do francês Matisse.

        Nada de mais, pois Olimpíadas é um evento mundial. Buscar inspiração fora do país para adaptá-la à nossa realidade engrandece o trabalho.

        Insisto, porém, que os autores não tiveram a humildade de citar isso e preferiram dar longa explanação de como chegaram à marca, com incrível semelhança à histórica peça francesa.

        Pois o leitor me enviou o seguinte: removendo-se dois elementos do quadro de Matisse, eis a arte final:

      

     

Por José da Cruz às 10h22

01/01/2011

Criador da marca Rio 2016 já esperava por reação

        Sócio e diretor de criação da Agência Tátil Design, Fred Gelli, disse que já esperava que a logomarca dos Jogos Olímpicos Rio 2016 fosse alvo de comparação com outras.

        Ele até afirmou que vários desenhos ou símbolos ainda serão tidos como semelhantes à marca carioca. A declaração foi ao repórter Michel Castelar, do Lancenet.

        Leia aqui a reportagem completa.

Por José da Cruz às 21h59

Marcas olímpicas para todos os gostos

         Está aí, para os que reclamaram que só faço críticas internas.

         Atendendo aos pedidos, admirem a marca dos Jogos de Londres 2012.

         O presidente do Comitê Organizador do evento, Sebastian Coe, deu várias declarações para tentar explicar a tal marca, criada pela agência. Wolff Olins.

         Em vão, é uma coisa pavorosa, sem explicações.  E, considerando a grandiosidade olímpica, as marcas, em geral, estão deixando muito a desejar.

         Mas, comparada com a marca carioca, até que o Rio de Janeiro está em vantagem.

Por José da Cruz às 21h35

Presidenta Dilma

Alberto Murray Neto

        Há cerca de quarenta anos, a futura Presidente da República passou três anos trancafiada em uma cela. O motivo torpe que a levara ser privada de sua liberdade não fora outro senão o fato de discordar do governo golpista que se instalara no poder.
        Nada mais violento do que prender alguém injustamente. Pior ainda quando isso ocorre porque o preso – no caso, a presa – discorda com governo vigente.

        Quando se poderia imaginar, naquela época de chumbo do País, que aquela mulher presa, torturada psicologicamente por seus carcereiros, seria a primeira Presidenta do País?

        É inegável que o mundo dá voltas. Imaginem as caras dos oficiais de plantão se tivessem tido poderes sobrenaturais para prever o futuro e saberem que àquela "subversiva", anos depois, caberia dirigir os destinos da nação. O que teriam feito? Aliás, queria ver as caras desses mesmos sujeitos hoje, dia da posse.

        Naquela época de escuridão, as alternativas eram ser contra, ou a favor do regime. Não havia meio termo.

        Os golpistas usavam meios truculentos para impor aos brasileiros suas idéias. Foram os homens e as mulheres corajosas que, a seus modos, resistiram, não se calaram, puseram a cara para bater.

        O repúdio ao golpe de 64 deu-se por meio de manifestações de várias vertente, culturais, artísticas, musicais, literárias, esportivas, políticas e, também, pela luta armada contra o regime. Não se pode condenar quem pegou em armas para defender a democracia, a liberdade e a própria pele.

        Se violência gera violência, quem deu o primeiro passo nessa direção foram os golpistas. Hoje vemos que a resistência armada era um ato de ingenuidade. Mas foi uma ação louvável, de gente audaciosa que, mutatis mutantis, no final das contas, ajudou muito na redemocratização do Brasil.

        Não tenho medo de dizer que nunca aceitei, juridicamente, colocar no mesmo patamar de anistiados os golpistas e os que resistiram a ele. Uns foram agressores. Outros agiram em legítima defesa.

        Viva a nossa vizinha Argentina, que não deu refresco aos militares e afins que promoveram uma matança sangrenta aos que lhe faziam oposição.

        Dilma e suas 11 companheiras de cela foram heroínas, sim. Quando ocupei a Vice-presidência e Corregedoria da Junta Comercial do Estado de São Paulo, tive o privilégio de ter conhecido uma delas.

        As companheiras de prisão de Dilma, incluindo a própria, amadureceram bastante. Tiveram a percepção do que o mundo mudou. E assim espero que o mesmo tenha passado com os golpistas.

        Claro que não quero revanchismos, devaneios. Mas quero, sim, que se apurem as atrocidades que o torturadores perpetraram em vinte anos de golpe.

        A eleição de uma nova presidente, ainda mais com um resumo como este, renova a minha esperança no Brasil. O que me obriga a ficar reticente é olhar o ministério e ver algumas das mesmas caras de sempre. De gente que apoiou o regime que enfiou Dilma no cárcere.

        Espero que tenham sido esses os que mais tenham evoluído e bem conscientes de que o mundo e o Brasil mudaram. Mas que a turma do Sarney é difícil de engolir, ah isso certamente é.

Alberto Murray Neto  é um dos diretores da ONG Sylvio de Magalhães Padilha, Graduado em Advocacia pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, pós-graduado pela University of Toronto, Law School e ex-membro da Assembléia Geral do Comitê Olímpico Brasileiro

http://albertomurray.wordpress.com/

Por José da Cruz às 16h47

Marca 2016: as etapas da criação, segundo a Tátil

         Na página da Tátil Desing de Ideias está a descrição sobre as etapas para a criação da marca dos Jogos Olímpicos de 2016. Confira:

Paixão e Transformação

DESAFIO: O PROJETO DOS SONHOS

          Imagine uma marca que já nasceu com um enorme desafio: representar a Paixão e a Transformação de uma cidade e de um país inteiro e projetá–las para o mundo. Uma marca que precisava expressar união. Inspirar superação e otimismo.

Fugir dos clichês e ser, ao mesmo tempo, uma síntese que traduzisse o Rio de Janeiro como o endereço do maior evento esportivo do planeta em todos os lugares – entre cariocas, atletas e gente do mundo todo.

         Um projeto tão importante e desejado que conseguiu reunir 138 escritórios brasileiros de design e branding em torno do mesmo sonho: desenhar a marca que entraria para a história da nossa cidade e para a história dos Jogos Olímpicos.         Começava assim o projeto que deu à Tátil a alegria e o orgulho de criar a marca dos Jogos Olímpicos.

PROCESSO: INVESTIGAÇÃO, BRAINSTORMS, COCRIAÇÃO. O JEITO TÁTIL DE CONSTRUIR MARCAS

         Usando o design e o branding como ferramentas poderosas, a Tátil desenha ideias que conectam pessoas e marcas de uma maneira sustentável e geram experiências memoráveis.

        Acredita que, para manter relações sustentáveis com seus públicos, as marcas terão que assumir responsabilidades, contribuindo para a transformação do cenário em que vivemos hoje. Mais do que o design, mais do que a forma, cada marca precisa ter uma alma e um propósito. De um jeito coletivo, múltiplo, cocriativo, combinando inovação com aprofundamento, o que buscamos de verdade é revelar o propósito por trás de cada marca. Uma visão de futuro, refletida num conjunto de diretrizes e práticas diárias, a partir da qual a marca pode fortalecer sua presença na vida das pessoas e seu compromisso efetivo com a transformação do presente, gerando valor para todos.

O PROCESSO CRIATIVO

        Foi esse pensamento que nos guiou ao longo de todo o processo criativo. Reunimos uma equipe multidisciplinar no Rio e em São Paulo. Investigamos o universo da marca e suas edições anteriores, outras competições e eventos internacionais.

        Fomos entender as estruturas latentes por trás de Paixão, Transformação e Carioca. Criamos planetas Rio 2016 e polinizamos cada um deles com muitas referências, conceitos, tendências, artigos. Fizemos brainstormings para descobrir sua essência, seu propósito e como criar expressões e experiências relevantes.

        Mais de 40 pessoas participaram do processo, entre estrategistas, designers e redatores. As melhores referências eram trocadas e trabalhadas de forma coletiva. A marca final foi a mais cocriativa.

SOLUÇÃO - PAIXÃO E TRANSFORMAÇÃO

        Consolidamos esses aprendizados e escolhemos como inspiração uma ideia simples e ao mesmo tempo poderosa: o que torna a nossa cidade única e faz dos Jogos Olímpicos um acontecimento realmente grandioso são as pessoas, sua natureza, seus sentimentos e aspirações.

        Por isso, criamos uma marca que é essencialmente humana. Nascemos de uma mistura de povos. Acolhemos, com um abraço, todas as raças, credos, idades. Compartilhamos, de forma democrática, nosso céu, nosso mar, nossa gente feliz.

        Esse calor humano, que faz parte da natureza do carioca e do próprio espírito olímpico, é moldado pela natureza exuberante de uma cidade que nos inspira a viver com paixão e leveza, a gostar de conviver e compartilhar.

        A atmosfera da nossa paisagem se reflete na marca e na sua paleta de cores. O amarelo é feito do sol e da nossa essência calorosa, viva, alegre. O azul tem a fluidez da água que nos cerca e do nosso jeito descontraído de levar a vida. O verde traz nossas florestas e a nossa esperança, a visão sempre positiva e otimista que nos permite ir mais longe.

Juntos, diferentes países, atletas e povos se abraçam num movimento individual e coletivo que, num segundo olhar, revela um dos nossos cartões postais. Um Pão de Açúcar vibrante, que balança num gingado feito de alegria, união, celebração e amizade.

Essa forma sai do papel e ganha uma perspectiva tridimensional, com volumes, recortes. Relevos que desenham na nossa imaginação a topografia da cidade. Uma marca–escultura, infinita, que ganha texturas, vira forma, objeto. Uma marca lúdica, feita para ser experimentada.

        O logotipo expressivo, gestual, com as letras interligadas de forma fluida, reforça o desejo de união e a essência humana e acolhedora da marca, traduzindo a simpatia carioca. O desenho tipográfico exclusivo combina excelência e leveza, inspiração e atenção aos detalhes de modo único e proprietário.

Inspirada pela natureza do Rio, dos atletas e das pessoas, a marca Rio 2016 dos Jogos Olímpicos convoca à união, acende a vontade e o desejo de fazer juntos, de compartilhar saberes e talentos, de somar nossas forças e nossas aspirações para viver, realizar e transformar o presente e o futuro a partir de uma visão sustentável.

        É uma marca que transborda união, transformação, paixão e energia. É uma grande rede coletiva em movimento, um convite e uma inspiração para o Rio e para o mundo. http://tatil.psilva.com.br/projetos/paixao-e-transformacao/

Por José da Cruz às 09h23

Marca Rio 2016: plágio ou criação?

       De um atento leitor recebi a seguinte mensagem:

Comentário I

        Na pintura a óleo sobre tela, do francês Henri Matisse, (1869-1954), exposta no museu de São Petersburgo, na Rússia, observa-se a sensação rítmica de nús dançantes.

        A pintura evoluiu, mais recentemente, para a marca da entidade filantrópica norte-americana,Telluride Foundation (http://www.telluridefoundation.org).

        De forma grosseira, os organizadores do caranaval baiano de 2004 estilizaram a marca da Telluride Foundation, conforme as imagens abaixo, e que, agora, observa-se impressionante semelhança com a marca dos Jogos de 2016.

        Para um concurso que teve a participação de mais de 100 agências; para um evento histórico no país e depois do anúncio que aqui ateremos “os melhores Jogos das história olímpica”, eu esperava algo “bombástico”, criativo, principalmente, um símbolo para 2016 menos “requentado” de imagens já consagradas.

        Algo que desse aos estrangeiros, principalmente, a ideia da maravilhosa paisagem do Rio de Janeiro a partir de seu símbolo maior, o Pão de Açúcar, exposto com pouca expresão na marca aprovada e de difícil interpretaçãopara se guardar na memória como “marca olímpica”.

Comentário II

       Do presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, segundo release do Comitê Organizador do Jogos 2016: 

        “Gostaria de parabenizar a equipe do Rio pelo design escolhido para a marca Rio 2016, que é muito inovadora e criativa."

Por José da Cruz às 01h43

As marcas do Brasil esportivo

“Paixão e transformação” é a mensagem que a marca dos Jogos Olímpicos Rio 2016 procura transmitir. A  imagem foi revelada há pouco, no Rio de Janeiro.

“A paixão dos cariocas e brasileiros pelo esporte e pela celebração. E a transformação que os Jogos já estão trazendo para o Rio e para o Brasil”, resumiu o presidente do Comitê Olímpico, Carlos Arthur Nuzman.

A marca simboliza três pessoas se abraçando e formando o Pão de Açúcar, com as cores da Bandeira Nacional.

A criação foi da Agência Tátil, do Rio, selecionada entre oito finalistas. O processo durou cinco meses e na fase inicial teve a participação de 139 agências.

Comentário

        Particularmente, gostei mais da marca da candidatura carioca, bem mais atrativa e de mais fácil visualização.

        A próxima expectativa para os Jogos 2016 é para o mascote da competição. Façam suas apostas.

        Enquanto isso, relembramos que também já temos a marca para a Copa do Mundo de 2014, uma coisa horrorosa.

 

Por José da Cruz às 00h23

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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