Blog do José Cruz

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31/12/2010

Secretário de Esportes de Alckmin teve nome vinculado a escândalos e acusações

        Depois que o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) divulgou o seu secretariado, recebi várias mensagens referentes à escolha de seu colega médico, Jorge Pagura, para o cargo de secretário de Esportes.

        Pesquisei, levantei dados, fiz consultas e entrevistas e, ao final, acabei premiado com o texto abaixo, de quem conhece o indicado e a realidade paulista mais de perto. Confiram.

 

Marcelo Leandro Ribeiro 


        A indicação do médico neurologista Jorge Pagura para a Secretaria Estadual de Esportes de São Paulo pelo governador eleito Geraldo Alckmin é mais midiática que funcional – ao menos para a classe esportiva do Estado.

        Médico de bons contatos e várias famas, afeito às colunas sociais e aos programas de auditório, Pagura é amigo daqueles que podem mantê-lo em evidência com a imagem sóbria, mesmo após seu nome ser envolvido em escândalos e acusações.
        Baterista e fã dos Beatles, apadrinhado de Ronnie Von, diretor de pólo aquático da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), diretor da Federação Paulista de Futebol, além da Federação Internacional de Natação, Pagura é também conhecido pelas suas intervenções e aparições televisivas após o atendimento a personalidades como a modelo Claudia Liz, o ator Gerson Brenner e o radialista Osmar Santos.

        Atender estrelas fez com que ele envergasse – merecidamente ou não – o título de um dos melhores neurologistas do mundo (e nem vamos questionar aqui a eficácia  de suas práticas médicas).

        Pagura tornou-se um homem de muitas faces, dirige entidades de esportes que não pratica, gosta de música, tem um bom círculo de amizades, atende no maior hospital do Brasil; mas não evidencia sua face suspeita: foi Secretário da Saúde do Prefeito Celso Pitta, além de íntimo de Maluf.

        Envolvido em escândalos, Pagura teve seu sigilo quebrado a pedido do Ministério Público, que investiga a participação da empresa Matmed com eventuais ligações com o agora secretário de esportes, na venda de medicamentos superfaturados para a prefeitura de São Paulo.

        Pagura, mesmo no PTB, pode ser considerado como legítima obra do malufismo: "Foi Maluf que fez!"

        A presença de espírito, o bom humor e fácil trânsito são apenas elementos aparentes para esconder o cartola com sede de poder para quem o esporte paulista – que já foi dirigido pelo premiado velejador olímpico Lars Grael – foi entregue.

        Com certeza, a Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo foi para alguém de mãos cheias...

        Assim, ao médico, que Deus guie suas mãos; ao Secretário, que fique atento, pois estaremos de olho na sua gestão.

  Marcelo Leandro Ribeiro - Consultor em Biossegurança, Especialista em Saúde e Segurança do Trabalho e Higiene Ocupacional

Por José da Cruz às 16h24

Rio-16 promete caça a "elefante"

Na Folha de S.Paulo

CIRILO JUNIOR
DO RIO

         Depois do alerta dado pelo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Jacques Rogge, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmou que os Jogos Olímpicos de 2016 não deixarão elefantes brancos na cidade.
         Segundo Paes, o projeto para a Olimpíada carioca prevê o aproveitamento de estádios já existentes (o Maracanã, por exemplo, está em reforma) e pouca construção de instalações novas.
         "A gente defende que tenha equipamento temporário, como tem no caso do Parque Olímpico [a ser erguido na Barra da Tijuca]. O Rio de Janeiro não vai construir muitos equipamentos novos. Basicamente, os estádios definitivos são os já existentes, Maracanã, Engenhão e Maracanãzinho", disse o prefeito.
         Ele deu a declaração logo após acompanhar a visita de Rogge a obras de infraestrutura urbana prometidas ao comitê olímpico pela organização dos Jogos de 2016.
         Na quarta-feira, Rogge havia quebrado o protocolo ao discursar em evento no Rio e pedir que haja atenção com o legado que os Jogos vão deixar para a cidade.
Ele manifestou preocupação com o fato de Pequim e Atenas, sedes das Olimpíadas de 2008 e 2004, respectivamente, terem deixado grandes construções que estão sem utilização.
         Ontem, Rogge observou o início das obras do metrô que ligará a Gávea, na zona sul, à Barra da Tijuca, na parte oeste da cidade. O governo do Rio garante que entregará a obra até o final de 2015.
         O representante do COI sobrevoou também a preparação do corredor expresso de 56 quilômetros que ligará a Barra a Campo Grande.
         A agenda de Rogge terminou no morro Pavão-Pavãozinho, onde ele conheceu o projeto da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) que foi implementado na favela.
         O presidente do COI não deu nenhuma declaração.
         Paes afirmou que o belga, que tem fama de sisudo, está "superanimado" com o que tem visto na sede dos primeiros Jogos na América do Sul.
         O vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, declarou que Rogge demonstrou bastante interesse pelo projeto da UPP e fez questionamentos sobre a segurança na cidade.
         "Fizeram muitas perguntas, e mostramos que a segurança está bem. Vamos continuar cumprindo nossa meta e vamos entregar a cidade segura", observou.

Por José da Cruz às 08h38

30/12/2010

Ministério do Esporte: balanço oficial

         Publico a notícia sobre o balanço de oito anos do governo Lula no Esporte, na versão oficial do titular da pasta, Orlando Silva. O release foi produzido pelos repórteres Breno Barros e Clara Mousinho, da assessoria de imprensa do ministério.

        "O ministro do Esporte, Orlando Silva, apresentou durante a última reunião do ano do Conselho Nacional do Esporte (17/12), o balanço dos oito anos de ações realizadas pelo Ministério do Esporte.

  Silva destacou que a pasta conseguiu desenvolver a infraestrutura esportiva do país e diminuir o déficit de instalações. “Mais de 12 mil contratos foram feitos para construir e reformar equipamentos esportivos no Brasil inteiro”.

        De 2003 a 2010, o Ministério do Esporte investiu quase R$ 3 bilhões em obras como quadras de esporte, ginásios, estádios, complexos esportivos, campos de futebol, pistas de atletismo, Praças de Juventude, entre outros.

        Silva também explicou que os programas sociais implantados pela pasta deram oportunidade à população brasileira de ter acesso ao esporte.

        O Programa Segundo Tempo, por exemplo, atendeu 3,8 milhões de crianças e jovens durante os oito anos do atual governo e os investimentos chegaram a R$ 700 milhões.

        No caso do Programa Esporte e Lazer da Cidade (PELC), foram investidos mais de R$ 150 milhões e 10, 6 milhões de pessoas tiveram acesso ao esporte em 1.277 municípios brasileiros.

Na área do esporte de alto rendimento, o ministro destacou a criação do programa Bolsa-Atleta, em 2005. “Nós conseguimos criar ações que vão fortalecer o esporte de alto rendimento e beneficiar atletas como o programa Bolsa-Atleta. É importante ressaltar que o beneficio está previsto em lei e está garantido aos atletas”, disse.

        Silva chamou atenção ainda que o Brasil está no centro dos megaeventos esportivos. “O Brasil entrou no circuito dos grandes eventos esportivos, fizemos o Pan e o Parapan e vamos fazer os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, os Jogos Mundiais Militares e a Copa da Fifa.”

Perspectivas
        O ministro afirmou que a expectativa do esporte para o próximo governo é positiva. “Dilma Rousseff, enquanto ministra, deu um suporte muito grande ao esporte. Eu espero que com a presidente assumindo o mandato, ela vai dar sequência e fazer um trabalho ainda mais intenso na área, até porque quem entregará a Copa do Mundo 2014 será a presidente Dilma.”

        De acordo com Orlando Silva, os próximos desafios da área são a integração do esporte com a educação e sensibilizar a população para praticar esporte como fator de qualidade de vida.      “Me assusta ler nos jornais a informação de que cresce a obesidade no Brasil e crescem as doenças que tem como causa a obesidade. Eu creio que uma aliança entre o esporte e a saúde será muito importante para que a atividade física ajude na qualidade de vida da população brasileira”.

Por José da Cruz às 23h00

Provocação entre gaúchos

      No melhor estilo democrático publico a mensagem que recebi e julgo oportuna colocá-la neste espaço. Mas, aviso, não tenho nada a ver com essa desavença entre tricolores e colorados gaúchos.

      Trata-se da resposta de quem se diverte com a situação do Grêmio, que terá que disputar a pré-Libertadores em 2011. Vejam no que deu:

        Se o Grêmio disputará apenas a Pré-Libertadores 2011, o Internacional disputou o ENEM 2010? E nem o Gauchão, e nem o Brasileiro e nem Mundial?

Por José da Cruz às 22h27

Copa 2014: faltam funcionários para fiscalizar gastos públicos, diz CGU

www.bol.uol.com.br

DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA

        A CGU (Controladoria-Geral da União), órgão responsável por auditar gastos públicos, não tem estrutura para fazer a análise de todos os projetos da Copa do Mundo de 2014. Segundo o ministro da CGU, Jorge Hage, faltam funcionários e tempo para o órgão realizar a fiscalização até mesmo dos 12 estádios previstos para o evento.

"Nossa equipe de engenharia é limitada, não temos condições. E o BNDES e o Ministério Público estão numa expectativa de fazer análise prévia de tudo. O banco só quer liberar depois da análise nossa", falou Hage.

        Leia toda notícia.

Por José da Cruz às 17h59

Futebol dos bons tempos

No Correio Braziliense desta quinta-feira

A fábula do Galo e do Peixe

E te digo aqui, no particular, que não troco nenhum Flamengo x Bangu de janeiro pelo mais quente Arsenal x Chelsea do inverno europeu.

Bernardo Scartezini

        Todo mês de dezembro é tudo sempre igual. Peru de Natal, Ano-novo. Amigo-oculto. Chato demais. Para piorar, semanas e mais semanas inteiras sem um único e miserável joguinho de futebol. Apenas aqueles campeonatos europeus, debaixo de neve, cheios de Levantes e West Bromwiches. E te digo aqui, no particular, que não troco nenhum Flamengo x Bangu de janeiro pelo mais quente Arsenal x Chelsea do inverno europeu.

        Ainda bem que, a cada dezembro, ainda temos Zico, o bom velhinho.

        No último domingones, o grande Arthur Antunes Coimbra armou mais um Jogo das Estrelas. Sua peladinha particular de final de ano. Normalmente esse é o tipo de troço que se faz no Maracas. Desta vez foi no Engenhão mesmo. E foi legal!

        O time do Zico venceu o Time dos Amigos do Zico por históricos 8 x 6.

        De boa, Zico e Romário jogando do mesmo lado é muita covardia... Ainda tinha o Leovegildo, nosso maestro Júnior, para dar aquele oi no meio-campo e amaciar as pelotas. O Andrade, com barriguinha de chope e fôlego curto, jogou por uns vinte minutinhos. Só para prestigiar. O Jorginho deu um gás ali na lateral-direita. Só para lembrar o Flamengo-1987 (um abraço pro Ricardo Teixeira). E para confirmar como ele fica bem mais elegante sem o gentil Dunga por perto.

        O Adílio, cabecinha branca e sóbria discrição, eles tiveram a fineza de emprestar para o outro time. Numas de equilibrar. No time do Adílio, a dupla de ataque estava formada por Renato Gaúcho & Túlio Maravilha. Genial. Túlio chutando para gol toda e qualquer bola que lhe acertasse nas canelas. Renato reclamando de Túlio, do juiz, do bandeira, da bola.

        Eu gostei daquela bola que o Júnior pegou pela direita e chutou por baixo, num toquinho, fazendo uma curva lá no alto, caindo na meia-lua bem ao alcance de Zico, que num pulinho tocou de calcanhar  para o Romário dentro da área. Aí o Romário, talvez surpreendido pelo improviso, deu uma ligeira engrossada, tocando para trás, para o vazio. Não deu em nada. Bem divertido ver uma linha de passe em que o Romário é quem dá a engrossadinha.

        O Peixe fez três gols. Um deles, me lembro bem, foi depois de uma enfiadinha do Galo no espaço exato e improvável entre dois adversários. Romário driblou o goleiro, tocou pro gol vazio, tu sabes como é.

        Zico jogou com um braço só. O outro ficou preso na tipoia, protegendo o ombro operado, por dentro da camisa. A ordem era ninguém bater no Zico. Ninguém nem encostou. Oras.

        E teve uma hora em que o Sheik Emerson recebeu uma daquelas esticadas com o padrão Zico de qualidade. O Sheik deu um pique, correndo pra valer atrás da bola, porque mesmo na mais elegante e cordial pelada tem que ter algum caboclo para correr. Em velocidade, ele olhou para esquerda, na idéia de abrir a jogada, mas Romário já estava guardando ar para as atividades parlamentares. Sheik Emerson teve de fazer o gol ele mesmo. Meio constrangido. Romário chegou em tempo de dar o abraço, uma risada. Zico chegou um pouco depois, andando na maciota. Aquele sossego que só o dono da bola tem.

 

Por José da Cruz às 11h03

29/12/2010

Pan 2007, Copa, Olimpíada e o enredo das contas públicas

         Peço licença ao companheiro Sílvio Barsetti, do jornal O Estado de S.Paulo, para comentar apenas uma resposta da ótima entrevista que fez com o ministro do Esporte, Orlando Silva.

Disse o ministro que ainda não existe um número final sobre quanto o governo vai desembolsar na Copa de 2014 e Jogos de 2016.

Opa! Isso é grave! Os documentos com os orçamentos dos eventos enviados à Fifa e ao Comitê Olímpico Internacional, com aval do Banco Central e Ministério da Fazenda, não são reais?

Teremos mudanças, então? Estamos diante do mesmo fenômeno do Pan 2007, que até hoje não se conhece nem o orçamento original nem o gasto oficial?

Leia aqui a entrevista.

O Globo

        Reportagem com manchete de capa, o jornal O Globo desta quarta-feira diz que “Governo só investiu 26% do previsto em seu orçamento de 2010”.

        Há poucos dias, publiquei os dados referentes ao Ministério do Esporte, em que mostrava como tinha sido sua execução orçamentária deste ano, até 19 de dezembro, também com informações dos amigos do Contas Abertas. Assim:

        Valor autorizado: R$ 2.209.348.031,00

        Gasto até agora:  R$     635.021.000,00

        Restos a pagar de 2009 pagos em 2010:  R$ 385.147.000,00

        Ou seja, pagamos mais as contas do ano passado do que as deste ano.

        Leia aqui reportagem de Regina Alvarez.       

 

Por José da Cruz às 17h19

Ganância, estresse e as lesões graves no esporte

Nossos craques do passado, felizes e descompromissados com a fama, jogavam mais machucavam-se menos. Fruto de um ambiente de menos estresse e pouca ganância, onde se jogava por amor à camisa.

        Se traçarmos um paralelo entre a prática esportiva dos tempos atuais e a desenvolvida em meados do século passado veremos, além da inigualável diferença física entre os atletas dos dois períodos, uma assombrosa alteração na percepção de realização e felicidade das equipes. Nítido o prazer e a paixão com que se praticava o futebol e os demais esportes.

        Não raro divertíamo-nos com as histórias descompromissadas de Garrincha, Nilton Santos, Rivelino ou Manga, e mais recentemente, Sócrates e Neto, que faziam do jogar futebol a sua primeira e única paixão. E se agiam de forma descompromissada, faltando a treinos, emendando fugas de concentrações com jogos importantes, nos quais eram e faziam a diferença, como as lesões não os perseguiam de forma tão assombrosa como ocorre atualmente com os craques da geração pós Ronaldo – o Gorducho?

        Temos um plantel de craques submetidos às agruras das lesões recorrentes: Ronaldo – o Gorducho –, Kaká – o Crente – e Paulo Henrique Ganso – o Gênio, que, em vez de constante alegria trazem-nos ausências e incertezas quanto aos seus futuros.

        Que são geniais, craques e dominadores da arte magistral de jogar futebol não se pretende negar. Mas por quê das lesões tão constantes? O que ocorre que não vemos felicidade em suas faces (salvo Ganso, que faz lançamentos mágicos com seu sorriso tímido)?

        Não vejo mudanças drásticas na prática esportiva; mesmo com a inovação de regras e equipamentos, o futebol continua sendo futebol, como o atletismo continua sendo atletismo.

O que mudou?

        O que mudou foi a ganância financeira que tomou conta da prática esportiva, tirando-a do campo das paixões e lançando-a como esperança de ganhos fáceis a milhões. Ganhos que podem se materializar na proporção de um a cada cem mil garotos que correm descalços pelo País. Esses, se sonham em se tornar craques, são o sonho de muitos empresários em busca do Pato (ou Ganso?) do dia. A ganância e visão ‘profissionais’ do esporte está lançando não só as aspirações dos atletas numa direção distinta da prática saudável e alegre, como transformando o esporte em fonte primária para ações desconexas das boas práticas (negociatas, lavagem de dinheiro, acertos por baixo do pano, viradas de mesa, etc).

        A cobrança em cima dos garotos é absurda. Não se pratica mais esportes por prazer, mas sim para se ganhar fortunas, para virar astro de propagandas de lâminas de barbear.  Joga-se para se ter mulheres e carrões, para abocanhar prêmios e milhões. Hoje a carreira de Garrincha, o mais alegre e inconseqüente dos nossos astros, não duraria mais que quinze dias, e em vez de Nilton Santos aconselhando-o veríamos um Ribeiro (que não eu) tentando vendê-lo para a Europa.

        Embora não nos atentemos, mesmo com todo aparato e estrutura dos clubes, não apenas as pancadas nas quatro linhas provocam as severas lesões que lançam sua ira constante contra nossos talentos. Não podemos ver o esportista desconexo da sua atividade profissional e como tal, está sofrendo a exposição a uma série de agentes oriundos do seu meio laborativo.

        E, hoje em dia, nenhum elemento incide mais sobre um atleta de alto rendimento que o stress das competições e da busca incessante por resultados: pois sem títulos e feitos não renova patrocínios, não chega à Seleção, não vira comentarista da Globo quando se aposenta, nada disso. Sem sucesso não há dinheiro, não tem carrão, não tem mansão pra substituir a laje do churrasco com os amigos (quando cair em desgraça vai sentir falta da laje e dos amigos de verdade). Tudo isso gera stress.

        Os elementos estressores do dia a dia de um atleta produzem um efeito drástico sobre seu corpo. Como todo trabalhador sofrerá efeitos aparentes e a curto prazo, e efeitos acentuados, crônicos e pouco aparentes até o desencadeamento de reações severas. Entre os efeitos imediatos constarão as dores de cabeça, enxaquecas, irritabilidades e dores nos olhos.

        Já entre os efeitos acentuados, crônicos e cumulativos, está a ativação do nosso sistema nervoso central através da ação dos estressores, a conseqüente atividade de formação reticular, a ativação do córtex adrenal, tudo isso desencadeando na ativação da produção e secreção de citocinas.

        A atividade de formação reticular vai incidir no aumento do tônus muscular, favorecendo o tensionamento da carga biomecânica dos músculos e tendões; a ativação do córtex adrenal vai provocar um desequilíbrio nos índices de cortisol e cortisona no corpo do atleta, com isso pode ocorrer um edema em tecidos distintos, e desse edema resultar uma compressão localizada de nervos.

         Por fim, com a liberação de citocinas, substância pró-inflamatória, pode ocorrer a inflamação e tendões.

        Combinados, esses fatores podem tanto levar a uma lesão grave quanto à manutenção ou reincidência de um determinado quadro depreciativo.

        Nossos craques do passado, felizes e descompromissados com a fama, jogavam mais e machucavam-se menos. Fruto de um ambiente de menos estresse e pouca ganância, onde se jogava por amor à camisa.

        Nilton Santos, a propósito, dizia frequentemente: “Faço o que gosto e ainda me pagam!” 

 Marcelo Leandro Ribeiro - Consultor em Biossegurança, Especialista em Saúde e Segurança do Trabalho e Higiene Ocupacional

Por José da Cruz às 08h48

28/12/2010

Cartola terá que devolver R$ 544 mil aos cofres públicos

A falta de prestação de contas e, mais tarde, a comprovação de irregularidades nos gastos de dinheiro público levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a condenar a Confederação Brasileira de Desportos de Participação e seu ex-presidente, Dieter Fanta, ao pagamento solidário de R$ 544.001,79, valor atualizado, ao Tesouro Nacional. A entidade está desativada desde 2003.

O processo é antigo, de 2002, quando o então Ministério do Turismo e Esporte repassou R$ 390 mil à confederação – à época Associação Olimpíadas Especiais Brasil.

O dinheiro seria aplicado no VIII Ciclo Nacional de Seminários de Treinamentos”, em Belém, Goiânia, Florianópolis e Salvador.

“Conclui-se que o débito a ser imputado ao responsável deva ser de R$ R$165.620,82 (cento e sessenta e cinco mil, seiscentos e vinte reais e oitenta e dois centavos), obtido da subtração entre o total repassado - R$ 390.850,00 - e o total comprovado na execução do objeto conveniado - R$ 225.229,18”, afirmou o ministro Aroldo Cedraz, em seu relatório.

Corrigidos os valores a devolução chega a R$ 544 mil.

Agora, os responsáveis têm 15 dias para pagar o valor da condenação ou recorrer da decisão.

Acórdão nº 7466/2010 – 2ª Câmara

Por José da Cruz às 16h00

27/12/2010

Clubes de futebol: dívida de R$ 3,5 bilhões e Timemania faz água

        A coluna “Painel FC”, da Folha de S.Paulo publicou a seguinte nota:

“O tamanho do rombo

        A dívida de todos os clubes brasileiros, de todas as divisões, soma R$ 3,5 bilhões. É o que mostra um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentado neste mês para o presidente Lula.      Nesse valor estão dívidas de todos os tipos: impostos, fornecedores, bancárias. O estudo, que foi encomendado pelo Ministério do Esporte, também dá sugestões de administração aos clubes”.

Resultado

        Bueno, agora está claro. Seguidamente publico aqui desembolsos do Ministério do Esporte para que a Fundação Getúlio Vargas realize estudos sobre o esporte brasileiro, ao custo de R$ 10 milhões cada um.

        Enfim, temos um resultado, algum dado divulgado. Já sabemos que a dívida total do futebol é de R$ 3,5 bilhões.

        Mas, se o Ministério do Esporte tivesse apenas dois competentes economistas realizaria o tal  “estudo”  gratuitamente, apenas analisando o balanço dos clubes publicados anualmente.

        De repente o ministério não tem dois economistas. Ou tem e não são competentes, sei lá. Então, é mais fácil contratar de fora, a gente paga.

Dívida e Timemania 

         Relembrando, só para o fisco os clubes devem mais de R$ 2 bilhões. O Flamengo lidera o ranking do calote com R$ 180 milhões.

        Não tenho os dados oficiais de 2008, mas em 2009 a Timemania abateu apenas R$ 24,2 milhões na dívida dos clubes para com o INSS, FGTS e Imposto de Renda.

           Já neste 2010 que está se apagando o abatimento até setembro era de apenas R$ 8,5 milhões.

        Ou seja, a média mensal de R$ 2 milhões em 2009 caiu para cerca de R$ 954 mil, este ano. Fracasso total. E isso ocorre por três motivos principais:

1)   a Timemania é uma loteria cara e paga muito pouco;

2)   a partir da negociação os clubes não podem mais atrasar os recolhimentos atuais do FGTS, Imposto de Renda e INSS. Como a folha de pagamento dos clubes da Série A, principalmente, é altíssima, os repasses para os impostos são proporcionais;

3)   e, também, porque o torcedor-apostador se apercebeu que ao apostar na Timemania estaria contribuindo para cobrir o calote dos cartolas. E não entrou nessa canoa furada, claro.

Perigo

        O perigo é que o recente estudo da Fundação Getúlio Vargas, agora na mesa presidencial, demonstrando a precariedade financeira dos clubes de futebol, inspire o governo a novo ato de benemerência para aliviar o tamanho do buraco negro, pois a Timemania está fazendo água, como se previa.

        É só o Congresso Nacional reabrir, em fevereiro, que começará a romaria da cartolagem para pedir socorro às excelências. Prepare seu bolso, torcedor!

Por José da Cruz às 23h01

Vila Olímpica: gestão da competência

        A ex-jogadora de vôlei, Ricarda – medalha de bronze nas Olimpíadas de Sydney 2000 – abriu, em pleno recesso, nesta segunda-feira, as portas da Vila Olímpica de Samambaia, no Distrito Federal, para receber o velejador Lars Grael, em visita àquela área que recebe 4.500 frequentadores por dia, em três turnos. 

        Com Lars estavam o futuro secretário de Esportes do Distrito Federal, o carateca e professor de educação física, Célio René, o ex-pivô da Seleção Brasileira de Basquete, Pipoka, (ouro no Pan de Indianápolis-1987), o diretor do Instituto Joaquim Cruz, Ricardo Vidal, e o técnico de saltos ornamentais, Ricardo Moreira.

Foto: Luiz Carlos Santana

Lars, Ricarda e Célio René

        A Vila Olímpica Rei Pelé é a primeira de uma série de 20 prometidas pelo ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que foi preso pela Polícia Federal e, agora, responde a vários processos por corrupção.

         “Funcionando em três turnos e em tempo integral não temos espaço ocioso”, orgulha-se a diretora, Ricarda, que dirige o Instituto Amigos do Vôlei, gestor do projeto da Vila Olímpica. Sábado e domingos o espaço transforma-se num grande clube social para a comunidade de Samambaia, quando as aulas de boas maneiras são estendidas aos familiares dos alunos.

        A dinâmica é simples: recursos bem administrados e educação pela prática esportiva para as crianças e familiares. Antes de ocuparem as instalações, todos passam por uma “aula de boas maneiras”, quando aprendem, inclusive, que aquele espaço foi construído com recursos públicos, isto é, da contribuição de cada usuário. Educação elementar.

        As decisões para o melhor funcionamento da Vila Olímpica são tomadas por um “Comitê de Governança”, que tem a participação de vários representantes da sociedade, entre eles Bombeiros, Polícia Militar etc.

        Faço o registro desta visita com o maior prazer, pois pude constatar que é possível aplicar na prática o que, aqui, temos discutido na teoria: o boa aplicação do dinheiro do governo em favor da comunidade usando o esporte para a educação dos jovens.

Aula

        Durante a visita, Lars Grael deu uma aula de política-esportiva aos 60 professores e estagiários da Vila Olímpica.  Com a experiência de premiado atleta internacional e de quem já foi secretário nacional de Esporte de Rendimento e secretário da Juventude, Esporte e Lazer do Estado de São Paulo, Lars voltou a afirmar ser indispensável o retorno das atividades físicas na escola para que se tenha uma formação integral dos jovens.

        Para o Distrito Federal, Lars sugeriu ao futuro secretário de Esportes, Célio René, que promova um inventário das instalações esportivas existentes na capital da República. E, conforme o resultado, que sejam recuperadas as áreas antes de construir novas instalações. “Construir o poder público constroi. O problema é a gestão e manutenção desses espaços”, disse Lars. “E que a gestão seja entregue a pessoas reconhecidamente comprometidas com os princípios do esporte e da educação”.

 

Por José da Cruz às 20h59

Ronaldo: “Time dos Sonhos”

Na Folha de S.Paulo, ontem

Coluna de Mônica Bergamo

A família de Ronaldo dobra de tamanho – e ele já planeja grandes festas com ela em 2011

        “As festas de fim de ano só trazem boas lembranças”, diz o craque Ronaldo. Na infância, ele invariavelmente ganhava uma bola de futebol, dos pais ou de algum parente. No fim da adolescência, já jogador de futebol, os Natais passaram a ser celebrados na casa de sua mãe, Sônia. Eram até 70 pessoas reunidas, na maior confusão. Neste ano, ele comemorou com a família mais próxima, que cresceu: além do nascimento de Maria Alice, em abril, o jogador reconheceu o filho Alexander, de cinco anos, do relacionamento com Michele Umezu. Ele conversou com a coluna sobre as alegrias deste ano e o otimismo com que chega a 2011: 

MELHORES LEMBRANÇAS 
Eu gosto de Natal, eu adoro o Natal. A minha maior lembrança dessa época na infância é a de que eu sempre ganhava uma bola de futebol de presente. Eu ganhava bola no Natal, ganhava bola no aniversário também. 
Quando eu era criança, a gente sempre passava o Natal reunido em alguma casa da família. Depois que eu me tornei jogador, as festas passaram a ser na casa da minha mãe. Nos últimos anos todos foram lá. Eram 40 familiares dentro de casa, dormindo com a gente. E na festa tinha mais gente ainda, 60, 70 pessoas. Meus pais têm muitos irmãos. Minha mãe tem sete ou oito. O meu pai, quatro. Eram tios, tias, primos, todos lá em casa. E sempre tinha alguém que se vestia de Papai Noel para alegrar a criançada. Nos últimos dez anos, quem se vestiu de Papai Noel fui eu. Neste ano, decidimos fazer a festa aqui em São Paulo. Mas com a família, assim, mais fechada, a minha e a da Bia. Meu pai, minha mãe, a família da Bia e a filharada. 

OS FILHOS 
A chegada de dois novos filhos foi uma coisa maravilhosa que me aconteceu neste ano. A Maria Alice, que é uma menina, e o Alex. Agora são dois casais, quer coisa mais perfeita do que isso? Eu sempre tive o sonho de ter muitos filhos e agora realizei o meu sonho. Mas agora eu já “fechei a fábrica”. Liguei os canais, fiz vasectomia. 
A chegada do Alex tá sendo muito boa, a convivência dele com a nossa família, comigo. Logicamente que a gente vai se aproximando aos poucos… Quando eu o vi pela primeira vez, foi maravilhoso. Ele veio correndo para mim, já foi logo me abraçando. E ele é corintiano, né? (Dando risada) Mais um corintiano na família! E ele foi superbem aceito na família. Na festinha da Maria Sophia (outra filha de Ronaldo que fez aniversário de dois anos na semana retrasada), ele foi o rei. É uma pena a gente não ter tido esses cinco anos de convivência, eu acompanhando tudo dele e ele também acompanhando tudo. A Michele começou o processo (de reconhecimento de paternidade) quando ele tinha três anos. A Justiça é lenta e demorou até a decisão final. Mas tudo são águas passadas, virou a página, acabou. As crianças tiveram zero ciúmes do Alex. Todo mundo está muito feliz com a chegada dele. Eles estão super entrosados. Quero ensinar a ele as coisas essenciais que a minha família me passou. O respeito às pessoas, os valores. E a humildade, que é como nós somos. Eu quero educar o Alex como eu fui educado. Ele vai morar em São Paulo com a mãe dele. Vamos nos ver bastante. Ele faz aniversário dois dias depois do Ronald (que também passou a morar na cidade) e da Maria Alice. Os dois nasceram no dia 6 de abril. Ele nasceu no dia 8 de abril. Então no ano que vem nós vamos fazer uma festa com três ambientes: um para os amigos do Ronald, que vai fazer 11 anos; outro para os amigos do Alex, que vai ter seis; e mais um para a Maria Alice, que vai completar um ano. O Ronald está chegando na adolescência, mas eu tenho muita tranquilidade em relação a ele. A gente está investindo muito na educação dos filhos. Por isso eu fico tranquilo, não tenho preocupação (em relação às drogas, por exemplo). A única preocupação que tenho com os filhos é em relação à segurança. É onde eu tenho o meu maior desfalque no fim do mês. Vamos entrar em 2011 no mesmo apartamento. Ainda estamos fazendo algumas reformas na casa que compramos. Mas eu acho que no ano que vem a gente consegue se mudar. 

DILMA 
E eu estou muito otimista com o Brasil. O país vai continuar no mesmo ritmo de crescimento. Eu fui para a Europa agora. Vejo o quanto eles lá estão sofrendo com essa crise econômica. E aí você valoriza o nosso crescimento. Eu tenho certeza de que isso vai continuar. O Brasil encontrou o seu espaço, assumiu o seu lugar no mundo. A gente apoia [a presidente eleita Dilma Rousseff] e torce muito para que ela faça um governo bom. Mas eu não revelo o voto, eu nunca digo em quem votei nas eleições. O presidente Lula, sempre que ele pediu, eu colaborei de alguma maneira. Eu fiz a campanha da certidão de nascimento (que incentivava que brasileiros que não tinham o documento fossem a um cartório fazer o seu registro). E algumas outras também. Eu estarei torcendo por ela (Dilma) e sempre disponível para ajudar. 

COPA 2014
A Copa de 2014 vai ser uma maravilha. Tô superotimista. Eu tenho certeza de que vamos dar um espetáculo. Num evento desse porte a gente sabe que não pode errar. E eu sei que as autoridades têm consciência disso. Vamos dar show.” 

Por José da Cruz às 08h02

26/12/2010

Atletismo: para entender a realidade

        A propósito do debate sobre o atletismo brasileiro, recuperei duas notícias do repórter Daniel Brito, da Folha de S.Paulo, publicadas em 18 de setembro deste ano.

Atletas saltam em colchão improvisado no Troféu Brasil

 DANIEL BRITO
 DE SÃO PAULO  

        A principal competição do atletismo nacional, o Troféu Brasil, não tinha um colchão adequado para os atletas do salto com vara.

        Com espumas à mostra, desgastado e macio demais, não amortecia a queda dos atletas que competiram ontem.

        Foi preciso uma lona para reforçar a proteção e evitar que os saltadores batessem com as costas no chão.

        Assim, no improviso, o paulista Fábio Gomes da Silva saltou 5,56 m e foi campeão da prova. A marca é um centímetro melhor que o recorde do campeonato, que pertencia a ele, de 2007.

Enquanto isso:

Presidente da CBAt pensa em reeleição em outras frentes  

DANIEL BRITO
DE SÃO PAULO

        Roberto Gesta de Melo é apenas o terceiro presidente da história da CBAt. O atletismo separou-se oficialmente da extinta CBD (Confederação Brasileira de Desportos) em 1977, quando Hélio Babo foi eleito presidente.

        Ele foi sucedido em 1983 pelo paulista Evald Gomes da Silva. Com um discurso de renovação, o advogado Roberto Gesta de Melo se apresentou como oposição na eleição de 1987 e assumiu o cargo no mês de janeiro.

        Ele é presidente da Consudatle (Confederação Sul-Americana de atletismo), membro do conselho da Iaaf (Associação Internacional de Federações de Atletismo) e recém-eleito presidente da AIA (Associação Íbero-Americana de Atletismo).

        Na Iaaf e na Consudatle, seu mandato vai até 2015. Na AIA, encerra-se em 2014. Gesta já está de olho em novas reeleições, para não deixar de participar dos Jogos do Rio de 2016. "Devo ser reeleito em todas", ele afirmou confiante.

Por José da Cruz às 21h59

As feras do Saldanha

Na Página de Opinião da Folha de S.Paulo, hoje

CARLOS HEITOR CONY

        RIO DE JANEIRO - Formar uma seleção de futebol nunca foi tarefa fácil. Formar um ministério também é difícil, ou melhor, é mais complicado. Em 1970, a escalação do escrete foi dramática, paredros, empresários, jornalistas, clubes do Rio e de São Paulo queriam seus preferidos no time principal.
        Acontece que um jornalista que se tornou técnico resolveu a questão na base das "feras". Dizia ele que o povo sabia quem era bom e bastava botar cada fera no lugar certo que tudo se resolveria, o Brasil seria tricampeão, como de fato foi. O time estava na boca de todos. Bem verdade que João Saldanha foi cassado, mas Zagallo manteve a escalação óbvia.
        Para formar o ministério, dona Dilma teve de pagar o mico. Com quase 60 milhões de votos, bem que poderia dar uma de João Saldanha e escolher livremente o seu ministério. Ledo e ivo engano!    

        Os compromissos de campanha, cobrados ferozmente pela base dita "aliada", obrigaram-na ao contorcionismo do qual resultou uma equipe quase toda desconhecida ( ou mal conhecida) do eleitorado.
        Políticos sem nenhuma afinidade com determinadas pastas foram consagrados, dando a impressão de que os novos ministros, com exceção de uma meia dúzia, estarão ocupando cargos para os quais não possuem nenhum credenciamento. Nem mesmo vontade política e administrativa de brilhar.
        Uma pena. Com um Executivo de tamanho porte, muitas questões se diluirão na burocracia, faltando a mão decidida de uma âncora sintonizada com as situações que forem criadas. O apetite pelos cargos ainda não acabou, faltam os escalões intermediários.
Por que não um ministro de quilhas e guindastes para os portos? Por que não um secretário de trilhos e dormentes para as ferrovias?

Por José da Cruz às 11h55

Atletismo: o desempenho do Brasil e dos países do Caribe

        Há poucos dias, o leitor Rogério Sampaio Domingues me enviou uma interessante análise sobre a população de países do Caribe e suas conquistas de medalhas em eventos do atletismo. 

        Sua contribuição foi a partir de um erro que cometi referente ao crescimento da população brasileira, em que publiquei seis milhoes de habitantes a menos. Rogério aproveitou o número e escreveu o seguinte: 

        O que são seis milhões de habitantes?

        Seis milhões de habitantes representam a metade da população de Cuba.

        Pois Cuba é uma potência esportiva e supera o Brasil, sistematicamente, em Jogos Olímpicos, Jogos Pan-Americanos, Mundiais de Atletismo, etc...

        Seis milhões de é o DOBRO da população da Jamaica.

        Pois a Jamaica conquistou seis ouros nos Jogos de Pequim, enquanto o Brasil a metade, três:

        Seis milhões de habitantes representam seis vezes a população de Trinidad e Tobago.

          Pois Trinidad e Tobago têm superado o Brasil sistematicamente no atletismo, desde as categorias de base, até o adulto. Confiram:

        Mundial Junior deste ano:  

        Trinidade e Tobago 16ª posição; Brasil 20ª posição.

        Último Mundial adulto – realizado em Berlim, em 2009:  Trinidade e Tobago 20ª posição; Brasil: bem, o Brasil saiu com as mãos abanando.

        E o que estes três  países do Caribe – Cuba, Trinidad e Tobago e Jamaica têm em comum ? O processo de detecção de talentos para o esporte começa na escola, onde há um potencial de alunos praticando atividades esportivas. No Brasil, nem educação física na escola pública temos.

        Este é um dos motivos, um dos fortes motivos bem identificados, na base.

        Com licença, Rogério, mas, particularmente, acrescento à sua valiosa análise outros dados, como a falta de pistas de ateltismo no país, a precariedade das existentes, como as do curso de Educação Física da Universidade de Brasílita -- as duas estão destruídas, impraticáveis; o pouco número de técnicos de atletismo etc.

        E muito obrigado por sua contribuição ao blog.

Por José da Cruz às 00h48

Divagações do mundo da bola: lavagem de dinheiro

Marcelo Leandro Ribeiro 

        A criatividade humana não tem limites, seja para o bem ou para o mal. No esporte nossos atletas são levados a realizar os mais distintos e escusos interesses quando suas atuações deveriam apenas contemplar a graciosidade e magia do esporte.

        Há muito sabemos que o esporte tornou-se elemento de cobiça de conglomerados poderosos, muitos dos quais utilizando-se de clubes e atletas com a única intenção de legalizar dinheiro obtido de forma não licita ou convencional para as pessoas de bem. Da lavagem pura e simples às apostas combinadas: o esporte é alvo de todo tipo de tramóia.

        Num passado recente tivemos o caso MSI, cuja parceria com o Corinthians levantou suspeitas do Ministério Público e cuja ação foi enterrada pela ausência de vontade política em se descobrir a verdade e desnudar a usurpação sofrida pelo clube de maior torcida de São Paulo (e os eventuais impostos que deixaram de ser pagos, entre outros fatores).

        Lava-se dinheiro de todas as maneiras com o esporte; desde a simulação de ganhos pós-exposição da marca em casos de certos patrocínios até inflando o número de presentes em estádios e eventos esportivos.

        Dias desses, conheci em São Paulo, numa dessas padarias típicas dos paulistas, um senhor que ouvindo minha conversa, e descobrindo que atuo no campo da saúde ocupacional veio me perguntar – inocentemente, acredito – se a função que ele exercia em determinados estádios, a mando de certo clube, poderia ter contribuído para uma lesão que ele apresentara recentemente (síndrome do túnel de carpo).

        Perguntei o que ele fazia e ouvi estupefato que ele passava horas girando catracas de estádios quando seu empregador – certo clube paulista sem estádio- jogava como mandante.

        Sem entender ao certo o que fazia esse senhor confessou involuntariamente que participava de um método arcaico, porém eficiente de se lavar dinheiro: ao girar catracas de estádios de forma compulsiva (e como ele, outros faziam a mesma coisa) ajudava a legalizar pouco a pouco pequenas quantias, sabe-se lá vindo e onde, e dando-lhes caráter legal, já que a venda de ingressos não exige comprovação de fonte.

        Isso lembrou-me de casos que estudei quando trabalhava em um escritório especializado no eixo Rio-São Paulo: donos de hotéis, pastores de igrejas e proprietários de empresas de ônibus, à sua maneira, faziam exatamente o mesmo: inflavam seus lucros através de pequenas inserções de dinheiro ilícito (ou de procedência não plausível), dando-lhe roupagem legal e até recolhendo impostos depois.

        Por fim, indiquei ao novo amigo, procurar não um médico especialista, mas um promotor público e relatar a sua interessante história.

        Depois dessa, como vamos confiar nos indicadores de público e renda dos estádios brasileiros? Se antes alteravam os indicadores pra baixo pra alguém ficar com alguns trocados, agora pode ser que estejam alterando pra cima...

        Em tempos de crise e de ausência de investimentos elevados na Europa, quem move as engrenagens do esporte nacional para repatriar Adriano, Ronaldinho Gaúcho e Alex?

        Muita gente lucra com as bandalheiras do esporte nacional, roubando nossos atletas e os torcedores, falindo clubes, dilapidando patrimônios, destruindo sonhos de garotos cuja única possibilidade de se realizarem é através da prática esportiva.

        Enquanto isso ocorre o Ministério dos Esportes distribui suas espórtulas aos cães.

Marcelo Leandro Ribeiro – Consultor em Biossegurança, Especialista em Saúde e Segurança do Trabalho e Higiene Ocupacional

 

Por José da Cruz às 00h19

25/12/2010

O pelotão Tricolor

Inspirando-se na memória de Nélson Rodrigues, o mais Tricolor dos tricolores – no ano em que se lembra três décadas de sua morte – o jornalista-ciclista, Wilson Teixeira, envia a sua homenagem aos torcedores do Fluminense, à qual me associo, por merecimento do clube campeão brasileiro de 2010.

 Ser tricolor não é um estado d´alma.

 É mais, muito mais do que isso.

 É uma manifestação de eternidade.

 E não importa se espírito inexiste.

 O manto sagrado, em grená, verde e branco, não cabe bem em     qualquer pessoa.

 Não há que ser comum. Nem incomum.

 Há, apenas, que ser transcendente.

 O resto... Bem, o resto é apenas o resto.

 E por ser o resto, não há que nominar.

 Eram talvez sete da manhã.

 Em algum lugar que desconheço o nome, a memória do Nélson dormitava.

 Almeida, o Sobrenatural, em estado de vigília estava.

 Foi quando arregalou seus olhos onipresentes.

 Estranhou a cena, posto que é Sobrenatural mas não é onisciente.

 "Acorda, Nélson, vem ver", convocou.

 Nélson acendeu um matarrato tragou, queixou-se da inexistência de café, pigarreou e, ao relancear os olhos na direção    indicada pelo indicador espantado de Almeida, a princípio desacreditou.

 As costas das duas mãos desenevoaram as vistas, e, ainda que desembaçadas, custou a crer.

 Arregalou os olhos.

 E, por fim, acreditou no visto.

 Os três ciclistas em grená, verde e branco,  solenes, pela estrada - as estrelas em ouro, naturalmente três, a refulgirem sobre  o coração - giravam.

 Regozijou-se. Emocionou-se.

 Matutou em alguma inédita frase de efeito. Preferiu nada dizer.

 Permitiu-se, apenas e tão somente, sentar-se ao meio fio e perguntar ao Sobrenatural:

 "Será que o Horta, em seus delírios grandiloquentes, quer, agora, gravar em carbono, por todo o sempre, a honra e a glória Tricolor?" 

 

   

       Ivam Mello, Maurício Gonçalves e Wilson Teixeira

 

 

Wilson Teixeira Soares, jornallista, ciclista, ex-conselheiro da ONG Rodas da Paz

Por José da Cruz às 21h16

Futebol 2011: encomenda da Natal. Será?

  

Por José da Cruz às 16h51

Feliz Dia de Natal

        A seis dias de a presidente eleita, Dilma Rousseff, assumir a Presidência da República, elejo a Mulher para homenagear neste Dia de Natal e também apresentar aos leitores os votos de Feliz 2011.

        E como se trata de um blog esportivo, escolhi a equipe de nado sincronizado do Brasil para ilustrar esta mensagem, pois reúne  mulheres-atletas de muito fôlego, indispensável à modalidade que praticam e o mesmo que a Presidente Dilma precisará no comando da Nação.

       E, apesar da beleza de seus movimentos e coreografias na água, é esporte ainda pouco divulgado. Por isso aí está a minha homenagem.

Gabriela, Pamela, Giovana, Joseane, Nayara e Lara   recebem o Prêmo Brasil Olímpico (Foto: Leonardo Velasco/Globoesporte.com)

Por José da Cruz às 09h13

24/12/2010

CBF: presentão de Natal

        Chegam a R$ 221 milhões anuais as os patrocínios da CBF. O mais recente, com visibilidade no uniforme dos jogadores, é com o grupo Seara, 27,12 milhões/ano, segundo a Folha de S.Paulo. Como é Natal, evito comentários para não perturbar o espírito de confraternização. Abaixo, os valores, para que os leitores “sonhem” com um futebol brasileiro mais mais valorizado e desenvolvido diante das arrecadações da CBF:

 

EMPRESA 

R$/ANO

Nike

   67,84

Itaú

   33,30

Seara

   27,12

AmBev

   25,42

Vivo

   16,95

PãoAçúcar

   10,17

Gillette

   10,17

VolksWagen

   10,17

Nestlé

   10,17

TAM

   10,17

TOTAL

221,48

Por José da Cruz às 10h49

23/12/2010

O dono da Jabulani

        O resultado final do Campeonato Brasileiro de 2010 não foi lá aquelas coisas para o torcedor André Souza. 

        Afinal, o seu Flamengo..., bem, deixa pra lá, porque o ano será inesquecível para este brasiliense, professor de educação física e apaixonado por futebol.

        Quando menos André esperava lá veio ela, bem acondicionada numa volumosa caixa, com pedestal para ser exposta, direto da Suíça, com nome e endereço corretos: Jabulani, a tradicional bola de grandes polêmicas na Copa do Mundo de 2014 chegou, enfim, às mãos de um dos vencedores do concurso promovido pela Fifa. 

        Mais dois brasileiros, um Niterói e outro de São Paulo, também foram contemplados com o valioso troféu de jogos específicos.

Marketing

        De acordo com a estratégia de marketing da Adidas, as bolas usadas em 62 jogos do Mundial são distribuídas entre torcedores de todos os continentes. Já as bolas dos jogos de abertura e de encerramento do Mundial foram para o Museu da Fifa.

        A cada jogo, os torcedores concorriam respondendo a um “quiz”, teste de conhecimentos  específicos sobre copas do mundo. Quem acertasse as respostas concorreria à bola daquela partida.

        Foi no jogo quatro do Mundial, Coréia do Sul 2 x 0 Grécia, que André decidiu participar, mas sem muita esperança de que, um dia, seria surpreendido com presente tão famoso.

        “Eu não sabia se via o jogo ou se respondia às perguntas do quiz. Tinha o tempo do jogo – 90 minutos mais o intervalo – para responder.  Decidi colocar o laptop no colo e fazer as duas coisas”, conta ele, com impressionante sorriso de felicidade.

        Houve expectativa, claro: “Quando terminou a Copa, recebi uma mensagem da Fifa avisando que a bola seria remetida depois do verão na Suíça. Esperei, mas  não tinha certeza de que o prêmio chegaria. Imagina, de tão longe, será que iriam cumprir o prometido?” - imaginou André, conhecendo bem como são essas coisas cá pelo Brasil.

         O prêmio, enfim, chegou esta semana e, com ela, um bonito certificado assinado pelo presidente da entidade, Joseph Blater, e pelo secretário geral, Jérôme Valcke, garantindo que a bola foi mesmo a do jogo Coréia do Sul x Grécia.

  As duas peças, bola e diploma, já decoram a sala principal do apartamento de André, em Brasília. Mas, vez por outra ele desfila com preciosidade, devidamente guardada na caixa, para mostrar aos amigos, curiosos. E também desperta o interesse de colecionadores de peças raras: “Não sei se vale, mas já me ofereceram R$ 50 mil por ela (a bola)”, diz André, que não pensa em se desfazer da preciosidade.

Por José da Cruz às 17h47

JUCA KFOURI: Oito anos de Lula


Na Folha de S.Paulo, hoje


O primeiro presidente torcedor de geral que o Brasil teve não fez o que dele se esperava


É FÁCIL medir como se saiu a gestão Lula no esporte em geral e no futebol em particular.
É fácil até mesmo comparar seus resultados com os oito anos de FHC.
Lula tomou posse sob o temor da cartolagem e sai do palácio adorado por Teixeira&Nuzman&cia.
FHC chegou ao poder apoiado por essa gente e, ao deixá-lo, tinha deixado-a mais do que ressabiada.
Sim, ponto para FHC, que de um modo ou de outro representava a elite brasileira.

Eis que em seu governo foram paridos o Estatuto do Torcedor e a Lei da Moralização, que FHC assinou como medida provisória em plena Copa do Mundo da Ásia, irritando a CBF a tal ponto que Ricardo Teixeira teve de ser convencido a muito custo para descer com a seleção campeã em Brasília.

Sim, melhor teria sido que FHC fosse ao encontro dos jogadores, com o que os pouparia daquela maratona desumana que culminou com Vampeta dando cambalhotas na rampa do palácio, além da humilhação oportunista a que se submeteu o ministro do Turismo e do Esporte de então, que implorou ao cartolão.

Lula, ao contrário, não só não teve o voto de nenhum dos cartolas mais proeminentes como os assustou logo de cara ao fazer questão de, generosamente, assinar como suas primeiras leis exatamente aquelas paridas no governo tucano.
No dia da assinatura prometeu que "nunca mais o torcedor seria tratado feito gado" e chamou a cartolagem da malsã ou coisa parecida. Lula, afinal, era torcedor de ir ver seu time na geral.

E foi só. De lá para cá, não só desdisse o que dissera como tratou de fazer elogios deslumbrados aos cartolas de todos os esportes, além de ter-lhes dado benesses e até uma Timemania, embora tão fracassada como equivocada. E o gado continua igual.

No entanto, só teremos Copa do Mundo e Olimpíada no Brasil por causa de Lula.
E apesar de ele não ter feito ruptura alguma, quase nada pela democratização do acesso ao esporte e pela prática esportiva como fator de prevenção de saúde, o saldo de seu governo acaba sendo, do ponto do vista do mercado, positivo.

Ainda mais com todas as isenções fiscais que concedeu aos barões, embora dele se esperasse mais que cultuar o mercado.
Que sua sucessora não se deslumbre e não se deixe levar pela sedução dos cartolas.
Já a coluna folga 30 dias. Viva 2011!

Por José da Cruz às 08h27

Doping: depois do atletismo o triatlo entra na dança

                Depois de sete casos registrados no atletismo, chegou a vez de o triatlo contribuir com o ranking negativo dos competidores flagrados pelo uso de doping, em 2010.

        A Confederação Brasileira de Triatlo suspendeu preventivamente os triatletas Raphael dos Santos e Henrique Siqueira de Oliveira, por terem sido flagrados em teste na etapa de Huatulco (México) da Copa do Mundo, no dia 8 de outubro.

        Raphael, 102º colocado no ranking mundial da temporada e quarto melhor brasileiro na lista, foi pego com o broncodilatador clembuterol.

        Já Henrique Oliveira é o terceiro melhor brasileiro e 89º do ranking da União Internacional de Triatlo.

        Ele não chegou a terminar a prova em Huatulco, mas testou positivo para a droga EPO (eritropoietina).

Dúvida

        Os dois precisaram sair do Brasil para que fossem reprovados no antidoping?

        E quando competem em provas nacionais, eles passam por exames ou isso ainda é artigo de luxo?

        Na prática, a equipe olímpica de atletismo e triatlo que se prepara para os Jogos de Londres 2012, com passagem pelo PanAmericano de 2011, em Guadalajara, está reduzindo. Temos reposições?

Por José da Cruz às 01h13

22/12/2010

Um carateca deverá ocupar Secretaria de Esportes do Distrito Federal

        Formado em educação Física, atleta e técnico e presidente da Federação Candanga de Caratê, Célio René, será indicado pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB) para ocupar a Secretaria de Esportes do Distrito Federal.

Célio René é um dos mais expressivos nomes do esporte local, respeitado por atletas e dirigentes pela carreira de atleta e dirigente formada em princípios éticos e morais.

Medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg (Canadá), Célio René também foi terceiro colocado no Mundial de Karatê, disputado no Rio de Janeiro, em 1998.

O nome escolhido pelo PRB será levado ao governador eleito, Agnelo Queiroz, pelo deputado federal eleito, Bispo Vitor Paulo, do Rio de Janeiro, já que a Secretaria de Esporte é quota desse partido.

Despedida

O velejador Lars Grael chegou a ser sondado por Vitor Paulo para ocupar a  Secretaria de Esportes.

Porém, ele e sua família estão de mudança para o Rio de Janeiro.

Em seu blog, Lars explicou:

“Sou mais brasiliense que muitos podem crer. Cheguei na cidade em janeiro de 1973 e desde então, morei 15 anos em Brasília. Tenho título de cidadão brasiliense concedido pelo GDF em 1999 e pela Câmara Legislativa em 2002. Sou Sócio Honorário do Iate Clube de Brasília. Mas o mar me espera. Não vivo sem ele”.

 

Por José da Cruz às 17h28

Orçamento 2011 aprovado na Comissão Mista. Agora vai

Por José da Cruz às 16h26

O próximo passo

        De meu primo e amigo Luiz Augusto Beck da Silva recebo esta charge produzida pelo Kibeloco.com.br que merece ser repercutida.

        A propósito, Luiz Augusto, advogado gaúcho e torcedor Colorado, é autor de um ótimo livro sobre o Estatuto do Torcedor, com a vantagem de que não publica apenas a legislação, mas faz comentários oportunos a todos que enfrentam filas para comprar seus ingressos.

    

    

Por José da Cruz às 11h45

Esporte não usa dinheiro para capacitar seu pessoal. Contratar serviços sem licitação é mais fácil

                O Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) – a contabilidade atualizada do governo federal – revela que o Ministério do Esporte tinha em seu orçamento deste ano R$ 2 milhões para “capacitação de recursos humanos para o esporte de alto rendimento”.

                Desse total, gastou apenas R$ 478 mil, ou seja, 27,88%, sendo que R$ 79 mil referem-se a despesas de 2009, isto é, entraram na conta do "restos a pagar".

                Em outro projeto  – Capacitação de servidores públicos federais – estão previstos R$ 300 mil para 2010. Mas só a metade do dinheiro foi usada.

                Já no projeto “Sistema Centro de Documentação e Informação do Ministério do Esporte” foram aplicados, até agora,  R$ 3.519,90 (23,36%) dos R$ 209 mil previstos no orçamento.

                Faço o registro –  com valores levantado pelos companheiros da ONG Contas Abertas – para mostrar o que chamei de “precariedade  funcional”, na mensagem anterior.  E, a isso, acrescendo a “precariedade da execução orçamentária”.

                Ou seja, há recursos para treinamentos e implantações de programas, mas são executados de forma frágil.

                Resultado:  em oito anos da atual administração não formaram quadros suficientes, a ponto de ser preciso contratar a Fundação Getúlio Vargas para realizar o que seria competência do próprio Ministério do Esporte.

Alerta

                Uma coisa são os funcionários de carreira, os que, na verdade, vestem a camisa, os que seguram a barra, os que entendem do assunto e, claro, os de piores salários.

                E tem os cargos de confiança, os chamados “comissionados”, os DAS  (Direção de Assessoramento Superior), contratados por livre escolha ministerial.

                Estes cargos – que estou levantando o número total – são preenchidos por correligionários. Isso ocorre em todos os ministérios. 

                Mas nem sempre são pessoas capacitadas para uma chefia, pois a maioria está lá para ocupar espaço no cabide e nem sequer conhece o assunto sobre o qual vai cuidar.

                E, repito: esta situação não é exclusiva do Ministério do Esporte. Lamentavelmente é prática secular, desde os tempos em que a sede da capital da República estava no Rio de Janeiro.

Por José da Cruz às 11h25

Ministério do Esporte: mais um contrato sem licitação

       Lendo o Diário Oficial da União - um jornal sem "figurinhas", mas de indispensável leitura diária -  desta terça-feira, 21 de dezembro, fico com certeza de que é muito precário o quadro funcional do Ministério do Esporte.

       De tal forma que a Fundação Getúlio Vargas foi contratada para a “prestação de serviços de monitoramento de projetos para a realização das Copas das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014.”

       Custo do trabalho para o qual o Ministério não tem gente capacitada para realizar: R$ 10 milhões. Sem licitação.

       Os detalhes do contrato estão no seguinte endereço:

       http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=21/12/2010&jornal=3&pagina=172&totalArquivos=228

Por José da Cruz às 10h53

Copa 2014: orçamentos não incluem itens essenciais; falta até grama

“Depois de gastar R$ 696 milhões, o Distrito Federal terá construído um estádio sem cobertura, sem telão, sem cabos de internet ou de transmissão de TV. Até mesmo sem gramado.

       Nenhum dos itens foi incluído na licitação para a construção do Estádio Nacional de Brasília, arena que receberá partidas da Copa do Mundo de 2014.”

       Quem revela esta preciosidade são quatro repórteres do Grupo UOL que foram a nove das 12 cidades-sedes da Copa 2014 e fizeram um balanço surpreendente.

       Lá pelas tantas eles afirmam:

       “Na Bahia, oficialmente, a construção da Arena Fonte Nova custará R$ 591,7 milhões. Mas, no total, o Estado da Bahia deve pagar em torno de R$ 1,6 bilhão.

       A reportagem, produzida por Bernardo Itri, Eduardo Ohata, Mariana Bastos e Rodrigo Mattos, está no seguinte endereço: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/849205-orcamentos-para-os-estadios-da-copa-2014-nao-incluem-itens-essenciais-falta-ate-grama.shtml

Por José da Cruz às 09h32

Bispo recusa comenda e impõe constrangimento ao Senado Federal

        Num plenário esvaziado, apenas com alguns parlamentares, parentes e amigos do homenageado, o bispo cearense de Limoeiro do Norte, dom Manuel Edmilson Cruz impôs um espetacular constrangimento ao Senado Federal, ontem.

        Dom Manuel chegou a receber a placa de referência da Comenda dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, das mãos do senador Inácio Arruda (PCdoB/CE).

        Mas, ao discursar, ele recusou a homenagem  em protesto ao reajuste de 61,8% concedidos pelos próprios deputados e senadores aos seus salários.
       “A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. De seguro, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la”.

       O público aplaudiu a decisão.

       O bispo destacou que a realidade da população mais carente, obrigada a enfrentar filas nos hospitais da rede pública, contrasta com a confortável situação salarial dos parlamentares.

       E acrescentou que o aumento “é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho”.

Por José da Cruz às 01h05

21/12/2010

Passione, ciclismo e drogas

No Correio Braziliense de hoje

Wilson Teixeira Soares

 

       Romolo Lazzaretti nasceu em Roma. Tornou-se ciclista. Especialista em corridas em velódromo, foi campeão italiano cinco vezes e faturou dois títulos europeus. Cultor do realismo ácido, técnico da seleção brasileira paraolímpica de ciclismo, Lazzaretti foi eleito, este ano, o melhor treinador de atletas paraolímpicos. Láurea que recebeu ontem na festa do Prêmio Brasil Olímpico, que o Comitê Olímpico Brasileiro realiza a cada ano.

 

       Entrevistei-o, recentemente, para o blog do jornalista José Cruz. Conversamos sobre um pouco de tudo. Do potencial dos ciclistas brasileiros para tornarem-se de fato competitivos nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, à questão do rarefeito incentivo para o ciclismo no Brasil. E, como não podia deixar de ser, tocamos no assunto doping. Que Lazzaretti domina com profundidade .

 

       O assunto é polêmico. Mas a um olhar  nem um pouco cínico, concreto, tangível, como afirma Lazzaretti, a corrida da Agência Mundial Antidoping (WADA) contra a dopagem é uma corrida condenada ao fracasso. Por simples razão: os laboratórios que desenvolvem drogas destinadas a promover artificialmente o aumento de rendimento de atletas rende rios de dinheiro, enquanto a batalha  contra as “bombas” não dá lucro a ninguém.

 

       Leandro Salim Kramp, hoje ciclista apenas amador, mudou-se, em passado recente, de armas e bagagem, para a Itália. Sonhava ingressar na elite do ciclismo mundial.  Treinou e competiu em equipe de jovens aspirantes ao estrelato. Tinha talento suficiente para, no olhar crítico de Lazzaretti, ingressar em uma equipe de ponta. Um dia, fez as malas e voltou para casa.

 

       As razões para o retorno de Leandro foram singelas.  Não queria se dopar. Não foi Lazzaretti quem me contou. Foi o próprio Salim: “Se eu não me dopasse, não sairia do lugar. Eu não queria me ´bombar´. Então, a única saída era voltar ao Brasil. Retornei”.

 

       Em linhas gerais, a dopagem, no ciclismo, funciona assim: um laboratório especializado em desenvolver  drogas esportivas cria um novo produto, que é testado em jovens ciclistas que aspiram ingressar na elite. Aprovada, a droga é, então, oferecida aos astros maiores do esporte, que firmam contratos com médicos e laboratórios. Lazzaretti conhece a história. E sabe que a “poção mágica” destina-se a sustentar um ciclista ao longo da temporada que ele definiu para competir.

 

       Drogas esportivas, no entanto, nenhum paralelo guardam com as drogas rotuladas de sociais. Como a  cocaína, a heroína, o crack. Não guardam semelhança e não se misturam. Ciclista profissional não consome drogas sociais. 

 

       A novela Passione, de Sílvio de Abreu, atualmente em cartaz na TV Globo, vendeu a ilusão de que o ciclismo seria um gancho da novela. Decisão que levou os envolvidos com a modalidade a acreditar que o esporte sobre duas rodas movidas a propulsão humana seria valorizado. Estimulando jovens a pedalar com o objetivo de tornarem-se atletas  de alto nível.

 

       Ciclistas profissionais, para os que consomem o folhetim global e nada entendem de esportes individuais que requerem resistência e força excessivas, estão a ser confundidos com viciados crônicos, desses que são capazes de matar a própria mãe a fim de obter dinheiro para adquirir mais uma dose. Ou de delirar que assassinou o pai.

 

       O consumo de drogas esportivas não é um hábito saudável. Em hipótese alguma. Assim como esporte de alto rendimento igualmente compromete a fisiologia de quem o pratica por longos anos. E só não é capaz de entender essa assertiva quem jamais treinou, sentado em um selim, 200 quilômetros a cada dia. Ou quem nunca teve a experiência de treinar durante um ano para, depois, correr uma maratona.

 

       Idealmente, nenhum atleta, seja de que modalidade for, deveria recorrer a substâncias consideradas ilícitas para ter melhor rendimento. Entre o ideal esportivo e a realidade das pistas  há, contudo, uma distância imensa. Mas nesse espaço  as drogas sociais, que fazem de pessoas comuns doentes crônicos, não provocam nenhuma paixão.   

 

Wilson Teixeira Soares, jornalista, ciclista, ex-conselheiro da ONG Rodas da Paz

Por José da Cruz às 17h26

Galo de terreiro ou frango assado?

Marcelo Leandro Ribeiro

       Nasceu o Filho do Ovo

              Nasceu o filho do ovo
              Vai ser galo de terreiro
              Ou frango assado no almoço

              Nasceu o filho mais moço
              Quando o frango fica fraco
              Retorna a gema do ovo” 

              (Sergio Sampaio – O filho do ovo)

       Depois de uma histriônica disputa de bastidores, em que desconhecemos os termos, senão o seu desfecho, o ministro Orlando Silva, conhecido por ter nome de cantor e gostar de tapioca, permanecerá no cargo. Vendedor de sonhos, pois nada de concreto fez além dos lobbies para trazer a Copa e as Olímpiadas para o Brasil, o ministro passará para a história como o agregado ministerial mais inconveniente que já existiu.

       Incapaz de perceber que ninguém o quer, Orlando aprendeu com seus amigos aquilo de mais ruim que ele poderia absorver: de Ricardo Teixeira assimilou o apreço pelo continuismo; de Andres Sanches, o desrespeito aos seus pares.

       Sua permanência mostra também que o PC do B está em suas mãos: o criador dobra-se perante a macambúzia criatura. Mas Copa do Mundo não é congresso da UNE. E a política de esportes do Brasil não pode se resumir a sediar eventos internacionais, dos quais –inevitavelmente- seremos meros coadjuvantes.

       Nos parece que satisfeita a sua vontade, Orlando agora caminha pra desgastar a Autoridade Pública Olimpica, criada exatamente por ele em associação ao presidente Lula. A APO agora lhe parece desnecessária, ou seria temerária? Se for o PC do B a emplacar o nome da APO com certeza o partido apoiará a sua formatação e criação, pois teria uma série de cargos em comissão e destacaria mais um de seus pseudo quadros para a função de mestre de cerimônias de luxo dos eventos esportivos que estão por vir.

       Contudo, se alguém quiser se apoderar da APO, antevendo a mega exposição que o cargo pode prover, podem ter certeza que o PC do B vai querer enterrá-lo a base de suas foices e martelos.

       Se eu fosse Dilma teria duas opções para a APO: um nome do meio esportivo e outro do meio político: o grande Sócrates serviria bem se a idéia for ter alguém com aceitação ou desenvoltura no meio esportivo e externamente a este; ou Michel Temer, caso a intenção seja botar freios na ânsia de poder e recursos de Orlando.

       Resta saber o que será de Orlando ao fim desse processo, se galo de terreiro ou frango assado no almoço.

Marcelo Leandro Ribeiro é especialista em Biossegurança, foi dirigente estudantil e assessor parlamentar, não gosta de tapioca e não pratica esportes; como gosta de trabalhar, deixou o movimento estudantil precocemente.

Por José da Cruz às 16h50

Ministério do Esporte gasta apenas 32% do orçamento e aplica mais em contas atrasadas do que nas de 2010

        Ao ser homenageado ontem pelo Comitê Olímpico Brasileiro o ministro continuista do Esporte, Orlando Silva, afirmou:

        “O desafio é triplicar o orçamento do esporte olímpico brasileiro para poder concorrer com igualdade com as potências do esporte”.

Verdades

        Se o assunto é orçamento, vamos aos números de 2010 para que não fiquem dúvidas:

        Total disponível para o Ministério do Esporte: R$2.229.479.471,00.

        Total gasto até 19 de dezembro: R$ 727.344.828,18.

        Em linguagem técnica: foi executado apenas um terço do orçamento disponível.

        Ou, se preferirem, apenas 32,62% do disponível.

        Nem 50%!!! Que tal?

Atenção

        O mais grave:

        Dos R$ 727.344.828,18 que o Ministério do Esporte gastou do orçamento de 2010, R$ 423 milhões foram de “restos a pagar”, isto é, contas do ano passado!

        Ou seja, em contas deste ano, efetivamente, o Ministério do Esporte pagou apenas R$ 304,5 milhões!

        Entenderam?

Grande gestor

        A gestão do ministro Orlando Silva gastou mais pagando contas penduradas do ano passado do que aplicando o dinheiro em novas frentes, este ano.

        E quer triplicar o orçamento do Ministério.

        Os valores acima publicados foram obtidos pela ONG Contas Abertas junto ao SIAFI – Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal. Ou seja, é tudo oficial.

Por José da Cruz às 00h23

Notícia triste

        Acabei de ler, como faço todo fim de jornada, o indispensável blog de Juca Kfouri.

        Ali está a notícia triste: sexta-feira próxima ele apresentará a última edição do CBN Esporte Clube, que completa 10 anos no ar.

        Quando celular não tinha rádio eu ouvia o CBN EC em radinho de pilha, até no cinema, com fone de ouvido.

        Minha agenda noturna era pautada para que eu não pedesse o programa de excelente atualização sobre esporte, com bons debates, críticas, entrevistas oportuníssimas e comentários.

        Devo muito do pequeno espaço que conquistei na mídia e no próprio UOL ao Juca, que por várias vezes me entrevistou no CBN EC

        Obrigado, Amigo. Vou sentir a tua falta, mas prestigiarei os novos companheiros que vão ocupar o horário.

        Com certeza os discípulos vão honrar o Mestre.    

Por José da Cruz às 00h12

20/12/2010

Bolsa atleta? que Bolsa?

       Tomo a liberdade de trazer para a página principal do blog mensagem que recebi da Senhora Marisa, mãe de atleta.

      "A Bolsa Atleta é uma piada, minha filha ficou esperando em 2009, em 2010... O Ministério do Esporte manda uma cartinha parabenizando o atleta, que fica esperando, esperando e não recebe nem um pedido de desculpas. Quando liga para pedir explicação, ouve um 'Ah, não tivemos verba'... Dezembro está no fim e ainda não saiu a lista de atletas contemplados pelos méritos do ano anterior! Que venham as Olimpíadas!"

      Com a palavra as autoridades do Ministério do Esporte para explicarem à Senhora Marisa e tantas outras mães de atletas que contam com a tal bolsa.

Por José da Cruz às 23h13

Orlando Silva, o continuista: a falta de respeito à renovação democrática dos cargos

       Enquanto participa da cerimônia de entrega do Prêmio Brasil Olímpico, no Rio de Janeiro, o ministro do Esporte, Orlando Silva, tem o seu nome confirmado para continuar à frente da pasta no governo da presidente Dilma Rousseff.

       Ao final de mais de um mês de disputas políticas de bastidores o PC do B conseguiu impor o nome que desejava e não o que a presidente gostaria de ter, uma mulher.

           O partido de Orlando Silva festeja a conquista, mas a história do esporte deverá lamentar a vergonha de ver uma autoridade lutar com unhas e dentes pelo continuísmo, numa evidente manifestação de falta de respeito à renovação democrática dos cargos.

       Deverá ser constrangedor o primeiro encontro do ministro com a presidente, pois ele se apresentará ocupando um cargo para o qual não foi convidado, mas imposto sabe-se lá por que força comunista.

Bons motivos

       Como expliquei em mensagem anterior, Orlando Silva tem bons motivos para continuar como ministro.

1.  – terá orçamento robusto de mais de R$ 2 bilhões para administrar, o que não significa muito, pois este ano a excelência conseguiu executar apenas 32,62% do orçamento que dispunha (R$2,2 bilhões);

2.  Poderá usar os recursos das emendas parlamentares para negociar acordos partidários, pois isso faz parte da regra suja do jogo na Esplanada dos Ministérios;

3.  Terá a oportunidade de, em quatro anos, se candidatar a deputado federal, o que não conseguiu este ano a pedido do presidente Lula. Para isso não faltarão recursos para turbinar as bases, como já ocorreu este ano, vergonhosamente.

Por José da Cruz às 20h59

A turma dos gulosos: emendas parlamentares dobram o orçamento original do esporte para 2011

       A proposta original do Ministério do Esporte para 2011 era de R$ 1.287.505.367,00 bilhão.

       Porém, ao chegar ao Congresso Nacional, o valor praticamente dobrou e chegou aos R$2.459.089.347,00.

       A diferença  – R$ 1.171.583.980,00   que engordou o orçamento foi devido às emendas dos parlamentares, que tradicionalmente são apresentadas.

       Emendas são recursos que deputados e senadores levam para as suas bases eleitorais a fim de aplicarem em pequenas obras esportivas, como quadras, ginásios etc.

       Pode até parecer uma boa ação, mas essas quadras não têm material de qualidade e nem sempre recebem manutenção da Prefeitura.

       Pior: os espaços são entregues à garotada sem a presença de um professor de educação física, o que poderia garantir um melhor aproveitamento do espaço para fins não só de lazer, mas de educação.

Arma poderosa

       As emendas são, antes de tudo, uma poderosa arma governamental.

       O dinheiro está assegurado no orçamento, mas até a sua liberação é um sufoco. Depende de muito prestígio do deputado ou senador. Isso em qualquer ministério.

       E isso ocorre porque o Palácio do Planalto autoriza a liberação da verba quando tem um projeto importante em votação e que determinada bancada – mineira, gaúcha, paulista etc – ou partido decidem votar contra.

       É aí que a “emenda entra em campo”.

       O assessor parlamentar do ministério conversa com o líder da bancada, por exemplo, e negocia a liberação dos recursos das emendas em troca do voto favorável aos interesses governamentais.

        A reversão do voto é automática, imediata, sem discussão. É o que se chama comumente de “é dando que se recebe”.

Por José da Cruz às 19h56

Futebol: espaço democrático

          Como este espaço é democrático e para que os gremistas não se queixem de que estou censurando suas mensagens publico esta que acabo de receber.

          

 

Por José da Cruz às 19h06

A chave do cofre é um bem muito valioso

         Estou na sede da ONG Contas Abertas, em Brasília, levantando informações sobre o orçamento da União para 2011, particularmente da área do Esporte.

        Quem me orienta nesta dura tarefa de analisar números bilionários – que não é o meu forte – é Gil Castello Branco, um especialista no assunto e amigo da imprensa também nestas horas de apertos e dúvidas orçamentárias.

        Enquanto isso, acompanho o final desta segunda-feira, penúltima semana do governo Lula e analisando as informações.

        Se Orlando Silva vier a ser confirmado para continuar à frente do Ministério do Esporte, como informam os companheiros da Folha UOL, ele terá um excelente orçamento para executar no ano que vem, de R$ 2,4 bilhões.

        Boa parte deste dinheiro irá para as bases eleitorais de deputados e senadores, são as chamadas emendas orçamentárias. E é exatamente isso que pesquiso neste momento.

        Porém, poderá enfrentar, logo no primeiro ano, o tal “contingenciamento”, isto é, suspensão de recursos, adiamento de projetos, como costuma acontecer a cada início de ano.

        Mas coloco duas questões preliminares que me parecem mais importantes, por enquanto:

1.    – se vier a ser confirmado no Ministério do Esporte, Orlando Silva ficará reconhecido nacionalmente como o político que mais lutou para não deixar o cargo. Sua insistência em ali permanecer e a persistência de seu partido, o PCdoB, em mantê-lo na pasta faz sentido, mas revela-se uma luta antidemocrática, antipática e suspeita.

2.    – e isso ocorre porque, fora do Ministério, o PCdoB ficaria sem o seu grande líder na liberação de recursos para as bases onde o partido busca se fortalecer paras eleições municipais, estaduais e federais. Foi assim que Orlando atuou na última eleição, de tal forma que os cinco municípios que mais receberam recursos do Ministério do Esporte em 2009 tinham candidatos intimamente ligados ao gabinete ministerial.

 

Poderá, numa composição de última hora com a presidente eleita, Dilma Roussef, ser “honrado” com o cargo de ministro “extraordinário” para assuntos olímpicos ou algo do gênero, a fim de que para o Esporte possa ir uma mulher, como é desejo da presidente que assumirá dia 1º de janeiro.

Mas aí está a questão: Orlando já conhece os bastidores orçamentários e sabe como executa-lo a fim de compensar os que desejam fortalecer o partido. Por isso tanta insistência para permanecer com a chave do cofre. É mais útil ao PCdoB, sem dúvida.

Por José da Cruz às 16h54

Orlando Silva deverá ser confirmado no Minitério do Esporte

       Orlando Silva deverá continuar á frente do Ministério do Esporte, informam de Brasíla o repórteres Ana Flor, Natuza Nery e Márcio Falcão, da Folha.com

       O anúncio oficial, que deverá ser feito ainda hoje, coloca fim à queda de braço entre o PCdoB e a presidente eleita, Dilma Roussef, que queria indicar uma mulher para dirigir o Esporte.

       Veja a notícia completa: http://www1.folha.uol.com.br/poder/848476-dilma-anuncia-padilha-e-outros-cinco-nomes-para-o-primeiro-escalao.shtml

Por José da Cruz às 16h07

Orçamento do Ministério do Esporte dobrará em 2011

        O Ministério do Esporte terá em 2011 o dobro de dinheiro que pediu ao Congresso Nacional.

        Da proposta original de R$1.287.505.367,00 que o Ministério do Esporte propôs ao Congresso Nacional, a relatora do orçamento, senadora Serys Slhessarnko (PT/MT), passou para R$ 2.459.089,347,00.

        O expressivo aumento deve-se, principalmente, às emendas dos parlamentares, dinheiro que deputados e senadores destinam às suas bases para a construção de quadras esportivas e ginásios, reformas de praças de esportes etc.

        Ainda hoje colocarei informações mais detalhadas sobre o orçamento do Ministério do Esporte.

Ranking

        O Orçamento da União deverá ser votado até quarta-feira, quando se encerram as atividades legislativas no Congresso Nacional.

        Conforme o relatório da senadora Serys, a área de esportes é o segundo mais baixo orçamento da Esplanada dos Ministérios, atrás apenas da Cultura, que ficou com R$ 2.097.758.607,00.

        Já o Ministério das Cidades, que tem vários projetos voltados para projetos urbanos das sedes da Copa do Mundo de 2014, ficou terá R$ 22 bilhões disponíveis.

Por José da Cruz às 15h12

Caridade com o dinheiro alheio

Marcelo Leandro Ribeiro 

A notícia de que o governo federal depositou trinta milhões de reais nas contas da União Nacional dos Estudantes, e que prepara mais um depósito de quinze milhões para o próximo ano com a finalidade de reerguer o histórico prédio da Praia do Flamengo, 132 no Rio de Janeiro vem cheia de demagogia e descaso com o erário público.

O ataque ao prédio da UNE – tomado ao clube Germânia no pós guerra e doado à entidade pelo presidente Getúlio Vargas, com quem Lula tanto acredita ter similaridades- representou, e ninguém nega isso, o inicio do golpe militar que lançou o país ao caos por aproximadamente duas décadas.

Com a justificativa de reparar o erro, o governo federal deposita uma quantia aviltante e que irá ser administrada sem controle ou intervenção pública da forma como a entidade estudantil quiser.

Com a ação populista, brincando com o dinheiro público, Lula promove um novo erro: se a intenção era reconstruir a sede da entidade, por que não o fez diretamente o governo federal, por meio de licitação, com acompanhamento dos investimentos, e com a devida economia de recursos? Quem fez a avaliação para o empenho e provimento dos recursos? Considerando que a entidade já possuía o valorizado terreno na zona sul carioca, e havia ganhado o projeto do escritório do mestre Oscar Niemeyer, seriam necessários mesmo quarenta e cinco milhões de reais para a sua execução? Lembro-me dos relatos de Aldo Arantes e Haroldo Lima – ex-dirigentes da UNE- sobre o antigo prédio. Ambos dividiam um quarto atrás do que seria o palco de um teatro interno no começo dos anos 60 naquela então pequena e empoeirada sede administrativa e política. Pelo que apontavam, o Clube Germânia, de pompa possuía apenas o nome.

Não que a UNE não mereça, o que não cola é a forma como a doação de aviltante cifra acabou dando-se, nem a justificativa de reparar-se erros do passado: se assim fosse, onde está o dinheiro para a reconstrução de jornais empastelados, gráficas incendiadas, sindicatos destruídos e vidas dilaceradas?

A transferência de recursos é mais um muito obrigado pelo comportamento pacifico, ordeiro e controlado da entidade por oito anos, e uma garantia de que os próximos quatro serão ainda mais amenos, com os estudantes do PC do B agindo como a quinta coluna de Dilma.

Reescrevendo a História

Parece que tem tornado-se prática à alguns comunistas querer reescrever a história, suprimindo das lembranças antigos companheiros de jornada ou transformando outros em vilões deploráveis. Não bastasse o (ainda) ministro Orlando Silva, ex-presidente da UNE, ir gradativamente suprimindo o nome de Agnelo Queiroz de tudo o que seja possível (a lei Agnelo/Piva já virou apenas lei Piva pra o Ministério dos Esportes), agora seguem seu exemplo os revolucionários de gabinete alocados na UNE.

Preocupada em fazer um grande ato político para marcar o inicio das obras da nova sede da UNE, a atual direção da entidade estudantil ligada ao PC do B convidou uma série de ex-dirigentes para o ato, mas o fez somente com a fração leal aos preceitos do partido. Ficaram de fora dezenas de quadros de extrema valia, alocados em outras forças políticas, ou mesmo no PC do B, porém descontentes com o rumo da entidade e do partido. Mas não basta isso. Procurei pelos seus nomes e feitos na documentação e arquivos que hoje compõem o centro de memória de juventude da entidade, e ali não estão. É como se não existissem.

Como em algum tempo não existirão quarenta e cinco milhões de reais do povo brasileiro doados a um grupo de estudantes. Farão parte apenas de uma vaga lembrança, assim como lembramos mui vagamente de uma UNE combativa e independente. 

Marcelo Leandro Ribeiro é especialista em Biossegurança, foi dirigente estudantil e assessor parlamentar, não gosta de tapioca e não pratica esportes, como gosta de trabalhar, deixou o movimento estudantil precocemente.

Por José da Cruz às 09h41

19/12/2010

Quem é o palhaço?

Na Folha de S.Paulo, hoje

ELIANE CANTANHÊDE

        Para os céticos e mal humorados de sempre, aqui vai uma excelente notícia: o Brasil está tão poderoso, mas tão poderoso, que não apenas vai solucionar o conflito do Oriente Médio como já começa a humilhar os países ricos. O resto do mundo que se cuide!
        A jornalista Érica Fraga mostrou que, com o aumento de 62% nos salários de deputados e senadores, o Brasil vai gastar mais com seus congressistas do que Estados Unidos, Japão e União Europeia!
        A remuneração anual vai a US$ 204 mil, mas não fica "só" nisso. O país é tão pródigo que lhes dá também auxílio moradia, passagens a rodo, correspondência grátis, carros com motoristas para uns, polpudos planos de saúde para todos. E, assim, os US$ 204 mil pulam para US$ 896 mil por ano.
        Que não venha essa imprensazinha brasileira, tão sem controle (por enquanto...), fazer comparações desagradáveis de mérito: o que os nossos parlamentares fazem aqui, o que os outros fazem por lá e o que os países e seus povos lucram -ou perdem- com isso.
        E o melhor da história é o efeito cascata: aumenta o salário dos parlamentares em Brasília, aumentam os salários dos parlamentares no país inteiro. Uma verdadeira festa às vésperas do Natal nesse Brasil tão varonil, cheio de encantos mis.
        O Tiririca não tem nenhum motivo para estar tiririca e está rindo de orelha a orelha desde que pisou no Congresso, confirmando que, ao contrário do que ele dizia, pior do que está sempre pode ficar.
        Os tiriricas de São Paulo e do resto do país estão de parabéns porque são mais espertos do que todo o mundo desenvolvido. Besta mesmo é quem paga conta, além, é claro, dos 14 milhões de miseráveis que continuam vivendo em condições medievais, à espera de um "futuro" que insiste em chegar antes para uns do que para outros.
        Pensando bem, o Tiririca não tem nada de palhaço. Os verdadeiros palhaços somos nós.

Por José da Cruz às 17h09

São todos "Tiriricas"

Na Folha de S.Paulo, hoje

CLÓVIS ROSSI

        O levantamento dessa excelente repórter que é Érica Fraga destroça o único suposto argumento para justificar o obsceno aumento para congressistas aprovado nesta semana. Ganhavam pouco, diziam.
        Talvez até ganhassem, mas o aumento aprovado é tão desproporcional que passaram a ganhar mais do que congressistas de todos os países relevantes. Quinze por cento mais, por exemplo, do que nos Estados Unidos, que têm uma economia 12 vezes maior.
        O "argumento" de que ganham pouco vem acompanhado de um raciocínio estapafúrdio, o de que, ganhando bem, não precisariam roubar. Se fosse verdade, o escroque-financista norte-americano Bernard Madoff não estaria preso.
        A obscenidade fica ainda mais revoltante porque revela características indeléveis do ser brasileiro. Não por acaso, é no Brasil que se dá a maior diferença entre o salário do congressista e a renda média da população (20 vezes praticamente, contra 4,4 vezes na Argentina, para ficar apenas na vizinhança).
        Ou seja, suas excelências fazem questão de reproduzir entre eles e os que deveriam representar a mesma distância que existe no conjunto do país, obscenamente desigual, por mais que o lulo-petismo se esforce para vender uma lenda, a da queda da desigualdade.
        A velocidade supersônica com que aprovaram o autoaumento de cerca de R$ 10 mil contrasta brutalmente com as letárgicas discussões em torno de um reajuste de R$ 10 (e não de R$ 10 mil) para o salário mínimo.
        Ainda bem que o Tiririca foi eleito. Ele não tem pudor em festejar a feliz coincidência entre sua primeira visita à Câmara dos Deputados e a aprovação do aumento. Pior: nem para dizer que nós é que somos os palhaços. Ninguém que aprovou o aumento usurpou o cargo. Foram todos eleitos pelos "tiriricas" cá de baixo. Bem feito.

Por José da Cruz às 17h06

Com água na boca

     O correspondente do WikiLeaks no Brasil presta mais um serviço de cortesia a este blog.

     Graças ao trabalho que ele realiza, publico, com exclusividade, o Menu que seria servido no jantar do casal Orlando Silva e Ana Petta, ontem, em São Paulo.

     Agora só falta descobrir os motivos da suspensão da reunião para 20 pessoas.

     Vendo a proposta da promotora do evento, Simone Sciorilli, que incluiu pontos de TV de plasma, arrisco apostar que a reunião seria mais para homenagear a atriz Ana Petta, por sua participação no especial da Record, "As mãos de meu filho", que foi ao ar ontem à noite.

     Vejam só que tristeza ficar privados destas preciosidades:

Jantar da Tininha

Data: 18/12/10

Local: Canto das águas

 

ENTRADA 

     Crostini de alcachofra, tomate, pesto de siciliano

     Panzotti de pupunha e brie

SALADA

     Verdes com legumes assados, nozes carameladas, balsâmico e feta

 

PRINCIPAL

     Medalhão de filé, molho malbec, sautè de cogumelo e tomatinho,

     risotto parmeggiano e tomilho

ou

     Salmão na lenha, legumes assados, molho aceto e alcaparras

ou

     Tortelli de Fonduta e damasco, creme às ervas

DO AÇUCAR

     Brulée de doce de leite

ou

     Mousse de chocolate da praça

BEBIDAS INCLUSAS

     Água com e sem gás

     Suco

     Refrigerante

     Cerveja

     Caipirinhas, Caipiroskas ,Saquerinhas

     Whisky Red  Label

     Chandom Brut

     Vinho Tinto- Tilia Malbec

     Café espresso (sic)

Observações

Taxa de Serviço incluso

Local exclusivo

TVS Plasma com sonorização

Assistência Técnica

Ponto extra/net

Por José da Cruz às 11h48

O ciclismo em debate: palavra de especialista

         Recebi do jornalista Afonso Morais, ex-ciclista profissional, a mensagem abaixo, que apresento em forma de comentário para contribuir no debate sobre ciclismo, iniciado na sexta-feira com a entrevista do técnico paraolímpico Romolo Lazzaretti:

        Peço licença para fazer um breve comentário para enriquecer o debate nesse precioso espaço. Pela minha experiência como ex-ciclista de alto rendimento, como jornalista especializado e por conhecer o senhor Romolo Lazzaretti, creio que o técnico tenha sido apenas infeliz na colocação destacada por alguns leitores desse blog e não racista ou coisa parecida.

        No entanto, concordo com o olhar vigilante e a preocupação do senhor Raul Lopes em resguardar as discussões nesse espaço de comentários preconceituosos e o parabenizo pela atitude. Mas não creio que tenha sido esse o caso.

        Na minha opinião, o Lazzaretti não contextualizou a resposta devidamente esquecendo-se de que no Brasil o ciclismo está longe de ser um esporte popular. Sendo um especialista, esqueceu de que a excelente entrevista escrita pelo colega Wilson Teixeira seria lida por um público desacostumado com a especificidade do ciclismo.

        Acho, sinceramente, que a intenção do Lazzaretti era a de destacar a origem ítalo-germânica dominante em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mais do que uma vantagem biológica, os ciclistas desses estados citados gozam realmente de uma estrutura financeira única no Brasil para a prática do esporte e, sobretudo, são acostumados com a cultura do ciclismo, trazida pela imigração principalmente italiana e alemã – onde o ciclismo só perde em audiência para o futebol.

        Por causa dessa tradição os europeus detêm a maioria dos títulos das Grandes Voltas ciclísticas mundiais (Tour de France, Giro de Itália e Volta da Espanha). Com exceção da competição espanhola, as demais são competições centenárias. Sem mencionar as “clássicas” (de apenas um dia), assim dominadas também pelos europeus.

        Esse resultado a meu ver se deve à larga experiência do Velho Continente que desenvolveu ao longo de todo esse tempo envolvido e apaixonado pelo ciclismo, métodos de treinamento, nutrição e equipamentos (bikes mais leves e eficientes) que só agora os norte-americanos estão alcançando. Mesmo assim, são apenas nove títulos estadunidenses (sete do Lance Armstrong e dois de Greg Lemond) no Tour de France até agora contra mais de 80 vitórias de belgas, franceses, italianos, alemães e outras nacionalidades européias.

        Não por coincidência, os únicos ciclistas brasileiros a emigrarem para o ciclismo profissional europeu, e com muito sucesso, são provenientes desses estados; o catarinense Murilo Fischer e o paranaense Luciano Pagliarinni. Além do pioneiro, o também paranaense e único brasileiro a vencer uma etapa da volta francesa, Mauro Ribeiro. Atualmente, dois ou três jovens ciclistas – todos dos referidos estados supracitados – correm nas categorias de base de equipes italianas aspirando uma vaga nos times europeus profissionais.

        Sobre a outra questão levantada pelos leitores realmente o ciclismo, assim como a natação, é um esporte para brancos. Pelo menos até agora. E não por uma questão racial ou social, mas biológica. Na natação, não vemos atletas negros em competições profissionais internacionais e em finais olímpicas. Não porque não têm recursos financeiros, mas porque suas constituições ósseas e musculares não os favorecem. Eles têm o esqueleto mais resistente e, por isso, mais pesado, e fibras musculares que não facilitam a prática do ciclismo.

        Por outro lado, essas mesmas características são determinantes em outras modalidades. No boxe e no atletismo – principalmente em provas de velocidade – os brancos são minoria. Quantas vezes vimos brancos correndo em finais olímpicas dos 100m e 200m e disputando cinturões de pugilismo na categoria Peso Pesado?

        Para ressaltar esse argumento, vale lembrar o exemplo de Jesse Owens, o negro norte-americano que humilhou Hitler e a dita “supremacia ariana” nas Olimpíadas da Alemanha, em 1936. Mesmo com treinamentos avançadíssimos para a época e os altos investimentos em substâncias anabolizantes, os nazistas viram Jesse bater os atletas de cabelos louros e olhos azuis nos 100m, 200m, 4x100m e no salto em distância e levar quatro medalhas de ouro para os EUA.

        Há exceções, claro. O ítalo-americano Rocky Marciano virou lenda ao se tornar o único pugilista branco por cinco décadas a conquistar o título mundial (apenas nos dias atuais, o ucraniano Wladimir Klitschko realizou o mesmo feito). No atletismo, o italiano Pietro Mennea venceu os 200m nas Olimpíadas de Moscou, em 1980 (importante lembrar que os EUA boicotaram os jogos), e o grego Kostas Kenteris repetiu o feito nos Jogos de Sydney, em 2000. Quatro anos mais tarde, entretanto, Kenteris não defendeu o título em casa por ter se recusado a fazer exame antidoping e levantou grande polêmica nas Olimpíadas de Atenas/2004.

        Eu mesmo tenho amigos negros no ciclismo nacional que apresentaram excelentes resultados. Mas, infelizmente, talvez não tivessem tanto destaque em competições profissionais intercontinentais. Apesar disso, como em toda regra, existem exceções. O ciclista brasiliense Robson dos Santos e um dos meus melhores amigos sagrou-se vice-campeão no Campeonato Mundial Máster dos Bombeiros (competição disputada por amadores) esse ano, em Seul. Segundo Robson, entre os quase 50 ciclistas que largaram apenas ele e um francês eram afro-descendentes. Sua vitória certamente se deve à sua dedicação e disciplina, claro, mas também a um diferencial biológico e ao talento nato que apenas um cientista poderia explicar.

        Há pouco tempo, alguns ciclistas negros têm obtido resultados excelentes em provas de velódromo (provas curtas em pista de velocidade) justamente devido a evolução dos treinamentos direcionados para utilizar a potência e a força muscular características do biótipo desses atletas. Mas, por enquanto, são ainda resultados isolados.

Por José da Cruz às 09h49

18/12/2010

Água no chope. O jantar foi suspenso

        A indefinição sobre os rumos do ministro do Esporte Orlando Silva, que tem como certa sua saída da pasta, mas aguarda a criação de um Ministério Olímpico, esfriou o ambiente para um jantar, hoje, em São Paulo. No bom português, entrou água no chope.

        Seria um encontro para 20 pessoas, ao custo de R$ 8.080,00. Mas o regabofe foi suspenso por quem encomendou, a atriz Ana Petta, mulher de Orlando Silva.

Especial

        Não sei se a reunião seria em homenagem a Orlando, que até ontem esperava ser confirmado no Ministério do Esporte ou para acompanhar “As mãos de meu filho”, de Érico Veríssimo, especial que a TV Record exibe hoje à noite, com Ana Petta no elenco.

        Estava tudo acertado, mas “Tininha”, como Ana é chamada pelos íntimos, suspendeu o jantar coordenado pela promotora de eventos, Simone Sciorilli.

Fonte: WikiLeaks, from Brazil, especial para o Blog do Cruz

Por José da Cruz às 11h46

17/12/2010

"É dando que se recebe"

        Até o  líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, o baiano Daniel Almeida, tentou interceder junto a presidente eleita, Dilma Rousseff, em favor da manutenção de Orlando Silva no Ministério do Esporte. Saiu frustrado.  

        Pior: ontem à tarde o presidente do PCdoB, Renato Rebelo, jogou a toalha sobre o assunto "Orlando"  e passou a se dedicar a outra frente: tornar, Apolinário Rabelo, irmão do ex-presidente da Câmara, Aldo Rabelo, secretário de Esporte do Distrito Federal. Outra parada dura.

        O problema, agora, é Agnelo Queiroz, que saiu corrido do PCdoB e se abrigou no PT, por onde se elegeu governador do Distrito Federal.      

       Por vontade própria - me contaram -, Agnelo não atenderia a quem o abandonou para apoiar Orlando Silva, no momento em que os dois não podiam cruzar o mesmo corredor.

       Mas o PCdoB foi parceiro na eleição de novembro e, agora, quer sua cota no secretariado do Distrito Federal. Gente gulosa, não é mesmo?

        Bueno, conto esta passagem para mostrar como são cínicas as relações políticas. Os inimigos de ontem se aproximam hoje, vão e voltam como se nunca tivessem se odiado.

        E se Orlando Silva vier a ocupar algum cargo de destaque no futuro governo federal, não tenham dúvidas: em determinado momento Agnelo vai ao seu encontro para, de mãos dadas, buscarem solução ou projeção para o Distrito Federal, consagrando a máxima do “é dando que se recebe”.

        E, assim, vivem felizes – às nossas custas – para sempre.

Por José da Cruz às 23h16

“Passione”, da TV Globo, causou um enorme prejuízo à imagem do ciclismo

Por Wilson Teixeira Soares

Jornalista, ciclista, ex-conselheiro da ONG Rodas da Paz

 

        Os ciclistas brasileiros têm condições para competir em igualdade com os melhores da Europa e dos Estados Unidos. A convicção é do italiano Romolo Lazzaretti Junior, 60, ex-ciclista profissional, especialista em pista (corrida em velódromo), que, em 14 anos de competições, faturou cinco campeonatos em seu país e dois títulos  europeus. Técnico da equipe de ciclismo do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Lazzaretti foi eleito o melhor técnico de atletas paraolímpicos de 2010.

        “Pela variedade multirracial do povo brasileiro, existe a possibilidade de, no eixo São Paulo-Paraná-Santa Catarina-Rio Grande do Sul, excelentes ciclistas desenvolverem-se. Os brasileiros dessa região nada têm a perder sob os pontos de vista físico e biológico, em relação aos europeus e norte-americanos”, afirma Lazzaretti.  

        "Piccolo", como era chamado na Itália, é sobrinho de Romolo Lazzaretti, um ciclista de renome na Europa, que venceu várias competições nas décadas de 20 e de 30 do século passado, entre elas etapas do Giro d´Italia e boas participações no Tour de France.

  Patrocínio

        O que falta para os ciclistas brasileiros ingressarem no seleto clube de inesquecíveis estrelas como Eddy Merckx e Fausto Coppi, e onde brilhou, até há pouco, Lance Armstrong? "Apoio, patrocínio, incentivo. Dinheiro", responde Lazzaretti, com a mesma franqueza toscana com que pontifica, em sua loja, em Brasília, sobre a  falta de apoio e de infraestrutura, que causa imensas dificuldades para os atletas locais se projetarem no cenário da elite nacional e internacional. 

        “Não há, no Brasil, a cultura da modalidade. Apesar disso, nos últimos 15 anos o ciclismo evoluiu em termos de conhecimento, treinamento e alimentação”, garante Romolo. "A defasagem que persiste é porque pouquíssimos ciclistas recebem pleno patrocínio para apenas treinar. Mas a realidade começou a se modificar a partir de 2009, quando o Banco do Brasil passou a patrocionar a Confederação Brasileira de Ciclismo.

        “A entrada do Banco do Brasil,  destinando R$ 1,5 milhão para a Confederação, conferiu nova dimensão ao ciclismo. Deu-se um salto de qualidade, na medida em que mais atletas puderam viajar e participar de torneios”,  festeja Romolo.

        Para o especialista, “esse apoio é fundamental para o Brasil chegar aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 com equipes competentes. Mas é indispensável investir nas categorias de base, nos jovens de 15 a 18 anos com talento já identificado".

 Medalhas 

        Ao final dos Jogos de Beijing, em 2008, a Grã-Bretanha foi revelou-se uma potência esportiva, na quarta colocação no quadro de medalhas, com 19 de ouro,13 de prata e 15 de bronze.  O que passou despercebido, no entanto, foi que a maioria dessas conquistas veio pela equipe britânica de ciclismo, que faturou oito de ouro, quatro de prata e duas de bronze, ou seja, 30% das medalhas conquistas pelos britânicos. 

        “São 28 provas no ciclismo olímpico, total, em 84 medalhas. Se o Brasil quiser se habilitar a algumas dessas medalhas, no masculino e no feminino, em 2016, deveria investir na criação de seleções permanentes no estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com cerca de R$ 120 mil ano, seria factível montar quatro equipes, integradas por cerca de 30 profissionais - receita Lazzaretti.

Importação

        E de técnicos, o Brasil dispõe? "Os poucos que poderiam ter projeção, recebem tão pouco que desistem de fazer um investimento tão alto para um retorno econômico a longo prazo", garante.  "A curto prazo, o Brasil necessita importar técnicos experientes de países que tenham um ciclismo competitivo e sem comprometimento com convocações política ou administração de egos", diz Lazzaretti. E aponta a razão.

        “Um técnico experiente tem que cuidar do grupo, não do "Pelé" ou do "Maradona". Se um projeto privilegiando esse modelo for implantado, é absolutamente possível trabalhar-se com um retorno de medalhas na faixa de 20%" - garante Romolo.

        Para essa meta ser atingida, é indispensável partir-se da concepção de que o percentual de medalhas possíveis está intimamente relacionado com o percentual de atletas que participam de competições.

Velódromos

        E em matéria de velódromos - as pistas a que Lazzaretti se refere -, qual a realidade brasileira? “O Brasil dispõe de velódromos. Temos o do Rio de Janeiro, construído para o Pan-2007, e os do do interior de São Paulo e do Paraná. Infelizmente, o velódromo de Brasília foi detonado pelo governo Arruda. Tiveram a idéia de reformá-lo. Para isso, a Caixa Econômica Federal destinou recursos da ordem de R$ 1,1 milhão e o GDF mais R$ 300 mil. Em vez de realizarem uma obra, racharam a pista ao meio. 

Doping

        Como ciclista profissional, Lazzaretti conviveu de perto com o doping. E tem plena consciência de que a utilização de substâncias proibidas pelas Agência Mundial Anti Doping (WADA) são recorrentemente usadas. E não apenas por ciclistas.

        “Quem finge que ignora que inúmeros atletas de alto rendimento consomem medicamentos cujo princípio ativo é a hidroclorotiazida, por exemplo, para evitar serem flagrados no exame anti dopagem, estão querendo enganar alguém, a si mesmo ou aos outros. Assim como medicamentos desse tipo são consumidos, igualmente aceleradores cardíacos, como a EPO, anabolizantes e outros dopantes facilmente encontrados no comércio paralelo também o são”, admite Piccolo.

Passione

        Isso, no entanto, nada tem a ver com o estigma que a novela Passione, da Rede Globo, na avaliação de Lazzaretti, colou na imagem dos ciclistas profissionais. "O folhetim de Sílvio de Abreu foi uma desgraça para o ciclismo. Não sei se propositalmente, envolveram o ciclismo e os ciclistas com drogas. E a lástima maior é que o ciclista da novela acaba se envolvendo com crack. Tem gente que pedala e que constantemente me pergunta se existe realmente alguma relação entre as drogas de uso esportivo e as de uso social, como maconha, cocaína, êxtase e crack. Foi um monstruoso desserviço. Causou um imenso prejuízo para a imagem do esporte, que vai demorar muito a ser recuperada. Infelizmente, agora todo mundo acha que para ser ciclista tem que se tomar bomba", protesta Romulo.

Por José da Cruz às 21h56

Portal Vermelho: Luciana Santos fala sobre os seus planos em Brasília

A futura ministra do Esporte, a pernambucana Luciana Santos, ainda não se manifesta como tal antes de ser anunciada oficialmente.

Mas como deputada federal eleita ela fala sobre os seus planos no Legislativo.

Confira a entrevista no Blog o PCdoB.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=143990&id_secao=1

Por José da Cruz às 19h46

Agora é oficial

Em 16 de setembro publiquei a seguinte mensagem:

 

Ministério do Esporte: suspeita de carta marcada em licitação milionária

 

Em Brasília, há rumores de que a FSB Comunicação é a agência favorita do ministro Orlando Silva para ganhar o contrato de R$15 milhões por ano, podendo ser estendido por mais quatro anos, para prestar serviços de assessoria de comunicação ao Ministério do Esporte. .

As suspeitas de que poderá haver favorecimento na concorrência aumentaram desde terça-feira

 

No Diário Oficial da União, hoje:

 

MINISTÉRIO DO ESPORTE

SUBSECRETARIA DE PLANEJAMENTO,

ORÇAMENTO E ADMINISTRAÇÃO

 

RESULTADO DE JULGAMENTO

CONCORRÊNCIA Nº 1/2010  

O Presidente da Comissão Permanente de Licitação do Ministério do Esporte, torna público que a licitante FSB Comunicação e Planejamento Estratégico Ltda., foi declarada vencedora do Certame Licitatório da Concorrência nº 01/2010, obtendo a nota final de 92,21.

GUILHERME CALHAO MOTTA –Comissão de Licitação 

Por José da Cruz às 18h52

PCdoB pressiona para manter Orlando Silva ligado ao esporte

        Notícia divulgada pelo portal oglobo.com informa que o ministro do Esporte, Orlando Silva, estaria cotado para o Ministério dos Jogos Olímpicos, que seria criado para acomodá-lo, depois que deixar a pasta do Esporte.

        Trata-se de mais uma tentativa lançada pelo PCdoB para manter Orlando Silva vinculado às questões do esporte, já que a presidente Dilma Rousseff quer uma mulher comandando o ministério.

        Fontes que trabalham no governo de transição não confirmaram essa intenção de Dilma criar um novo ministério, o que levanta as suspeitas de que o PCdoB pressiona para que Orlando não perca contato com o setor.

Autoridade Pública

        A proposta do PCdoB ocorre para pressionar o governo, porque, como já divulgamos há algum tempo, o consórcio da Autoridade Pública Olímpica (APO), formado pelas três esferas do governo (federal, estadual e municipal) entrou em conflito

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, protelou a aprovação do órgão na Câmara de Vereadores porque não quer Orlando como representante do governo federal.

        Hoje, Orlando Silva chamou a APO de “uma ficção”, isso depois de ter elogiado e assinado com o presidente Lula a Medida Provisória que criava o órgão, enviado ao Congresso Nacional em maio. Porém, sem ter sido votada em seis meses, a MP perdeu a validade.

Legado Esportivo

Também em maio, Lula assinou outra medida provisória, criando a Empresa Brasileira de Legado Esportivo - Brasil 2016 -, a ser dirigida por membros nomeados pelo presidente da República. A empresa, com sede no Rio, terá a função de órgão executor do projeto da Olimpíada em nível governamental.

Mas também essa MP não foi votada, perdendo a validade em novembro.

O governo preparou nova redação da proposta de criação da Empresa de Legado Esportivo e encaminhou na forma de medida provisória (nº 503/2010) ao Congresso, onde aguarda por votação.

Por José da Cruz às 17h45

Orlando Silva já se despediu dos funcionários

        Foi num ambiente de pouca alegria que o Ministério do Esporte fez a festa de fim de ano, ontem, tendo à frente o ministro Orlando Silva despedindo-se de seus assessores.

        Àquela altura ele já havia sido comunicado pela cúpula do PCdoB que a presidente eleita, Dilma Rousseff, tinha anunciado que o queria fora da cadeira ministerial.

        Mais: Dilma disse aos parlamentares do PCdoB que deixará para depois da posse a decisão sobre a Autoridade Pública Olímpica – consórcio formado por representes dos governos federal, estadual e municipal do Rio para gerenciar os Jogos de 2016.

        Ou seja, Orlando deverá ficar sem espaço no futuro governo. Uma fonte que circulou pelos bastidores do governo contou que o ministro cavou a própria sepultura. Quando ia ao Palácio do Planalto, por exemplo, passava direto pelo gabinete da chefe da Casa Civil, Dilma, e ia despachar com o Presidente Lula. As denúncias de irregularidades no Segundo Tempo também minaram a gestão, sem que o Orlando Silva tivesse tomado providências claras de combate à corrupção.

        A partir de novembro, Orlando passou a enfrentar a oposição de Agnelo Queiroz. Eleito governador do Distrito Federal, ele decidiu colocar seu partido, o PT, na disputa pelo cargo de Autoridade Pública Olímpica, para a qual  Orlando era cotado.

        Apesar de tentarem manter as aparências, Agnelo quer ver Orlando longe da Esplanada.

        Quando assumiu o ministério do Esporte, Orlando detonou todos os funcionários de confiança do ex-ministro, abrindo espaço para os antigos companheiros da União Nacional dos Estudantes (UNE).

        Bueno, aí está o panorama da sucessão, até agora. Mas, como dizia Ulysses Guimarães: “Em política até o impossível é possível”.

Por José da Cruz às 13h15

0 gato subiu no telhado...

        Depois de anunciar, ontem, a manutenção de mais três ministros – Educação, Fernando Haddad, Trabalho, Carlos Lupi, e Meio Ambiente, Isabella Teixeira – a presidente eleita, Dilma Rousseff,  já tem 23 nomes confirmados de sua equipe de 37 titulares.

        Hoje devem ser anunciados novos integrantes do futuro governo, entre eles o da deputada eleita Luciana Santos (PCdoB), cotadíssima para o Ministério do Esporte, conforme anuncei aqui há duas semanas.

        Pelo menos foi o que ficou encaminhado na reunião com Dilma, ontem, contrariando a cúpula do PCdoB que, liderada pelo presidente Renato Rabelo, foi mais uma vez interceder pela permanência de Orlando Silva no ministério.

        Em vão. A presidente eleita já manteve sete ministros de Lula e avisou que será a vez de o PCdoB dar sua contribuição para aumentar a cota feminina em seu governo.

Quem é

        Experiente em gestão pública, pois foi prefeita de Olinda por  em duas ocasiões, Luciana tem o perfil para colocar a casa em ordem, depois de oito anos de uma administração prioritariamente política e inundada por denúncias de corrupção no programa Segundo Tempo, que se tornou, inclusive, caso de polícia, com prisões, quebras de sigilos etc e tal.

Futuro

        E qual o futuro de Orlando Silva: se tornará autoridade pública olímpica – empresa criada com representantes dos governos Federal, Estadual e Municipal do Rio de Janeiro?

        Se isso ocorrer, o PCdoB vai tentar dar ao cargo de representação o status de “ministro”.

        Ou seja, o cara não quer perde a pose – e as mordomias – de jeito nenhum.

        Mas também isso não está definido, pois neste caso o PCdoB ficaria com dois ministérios, uma cota considerada alta para um partido ainda com bancada pequena no Legislativo: 15 deputados federais, eleitos em outubro, que representa o crescimento de duas cadeiras, e dois senadores.

Por José da Cruz às 08h40

16/12/2010

TCU: o parceiro ideal do Comitê Olímpico

        A benevolência do ministro do Tribunal de Contas da União, Raimundo Carreiro, foi decisiva para livrar de multas (valores não revelados) dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro, entre eles o vice-presidente da entidade, André Gustavo Richer, e o superintendente Executivo, Financeiro e Administrativo, Sérgio Lobo.

        A decisão do TCU é recente, de 8 de dezembro, mas trata de um processo antigo, nº 7.421/2006, que analisou despesas do COB de 2005, com recursos recebidos das loterias federais.

Agência de turismo

        Conforme o relatório dos técnicos do TCU, o processo envolve as relações do Comitê Olímpico e do Comitê Organizador do Pan-2007 com a empresa Tamoyo Internacional Agência de Viagens e Turismo, que presta serviços de vendas de passagens ao COB há cerca de uma década.

        Os técnicos do tribunal entenderam que “não houve uma concorrência pública,mas tão somente um processo de seleção para a contratação da agência de viagens”.

        Mais: a forma como a Tamoyo foi escolhida sugere que houve direcionamento em seu favor.

        Isso está claro em algumas exigências do COB para a seleção da empresa, como a de “ter sede no Rio de Janeiro e já ter prestado serviços para eventos esportivos internacionais, com comprovação, por meio de certidões ou atestados”.

        Tais  exigências, segundo o relatório, “afrontam os princípios da igualdade, da razoabilidade e da seleção de propostas mais vantajosa, conforme legislação específica, com direcionamento à contratação da Empresa Tamoyo que já prestava serviço ao COB”.

Atestados

        A evidência do direcionamento da seleção em favor da Tamoyo estão nos atestados exigidos que deveriam ser fornecidos por duas entidades internacionais que regulam o esporte olímpico, entre elas a Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), Associação dos Comitês Nacionais Olímpicos (ACNO), Comitê Olímpico Internacional ou Organização Desportiva Sul-Americana.

        “O edital impôs enorme diminuição da quantidade de possíveis licitantes. E, na mesma proporção, a redução da probabilidade de selecionar a proposta mais vantajosa”, escreveram os técnicos do TCU.

Decisão

        Porém o ministro relator, Raimundo Carreiro, ignorou a rigorosa análise, com informações que confrontaram a legislação sobre a contratação de serviços e, também, normas do próprio do Tribunal sobre o assunto.

        E o que fez o ministro? apenas “recomendações” e “sugestões” de praxe, como se nada de grave tivesse ocorrido.

        Neste caso específico fica evidente o uso de critérios diferenciados pelo próprio Tribunal.

        Em 2008, o Acórdão 43 que encerrava um processo da Infraero, já proibia a exigência de que a vencedora de uma determinada licitação tivesse escritório em localidade específica, “requisito que limita o caráter competitivo do certame e macula o princípio de isonomia previsto pelo artigo 3º da Lei das Licitações, nº 8.666/1993”.

        Ou seja, para o Comitê Olímpico Brasileiro o Tribunal de Contas da União continua sendo o parceiro ideal.

Por José da Cruz às 23h58

E vai rolar a festa...

         O Ministério do Esporte pagará R$ 3.374.128,00 à Fundação Instituto de Administração para (tomem fôlego):

        “Prestação de serviços de consultoria para apoiar a modelagem de gestão da fase inicial de atividades da Empresa Brasileira de Legado Esportivo S/A – Brasil 2016, e suporte técnico ao acompanhamento das ações do Governo Federal, necessárias à elaboração do Plano-Base Rio 2016”.

        Reparem: “... modelagem de gestão da fase inicial...”

        Quer dizer que, mais tarde, virá a fase intermediária e a final. Ou seja, mais R$7 milhões, imagino, totalizando R$ 10 milhões. Aí, pagando por etapas fogem da licitação. Entenderam?

        Em oito anos de governo Lula o Ministério do Esporte não conseguiu se estruturar com equipe para nem sequer “acompanhar ações do Governo Federal” no esporte.

        E depois ainda me criticam dizendo que estou perseguindo. Ora, ora, tomem vergonha e respeitem os pagadores de impostos e dêem destino mais proveitoso ao dinheiro público!

        Este tipo de consultoria é, no bom português, conversa pra boi dormir. Daí sairá um relatório para que a fatura seja paga. Mas ninguém vai ler, ninguém vai seguir orientação alguma.        

Por José da Cruz às 23h13

"Roth armou uma confusão para dar rigorosamente na mesma"

Três dias depois de eliminado da final do Mundial de Clubes, o Internacional de Porto Alegre ainda é notícia. Na edição de Esportes de hoje do Correio Braziliense, o jornalista Bernardo Scartezini assina mais uma crônica sobre futebol, de belo texto. Com licença, Berna, vou publicá-la.

 

O mito do turista desavisado

 

        Deixa ver se entendi. O Internacional de Porto alegre, campeão da Taça Libertadores-2010, em agosto, abriu mão de um campeonato brasileiro de futebol, título que não conquista há 30 anos, para disputar o Mundial de Clubes, em dezembro, contra sua xará Internazionale milano. Mas isso não acontecerá porque perdeu para um time do Congo.

        O vexame colorado em Abu Dhabi me fez lembrar do São Paulo de Tel~e Santana. Em dezembro de 1992, o São Paulo chegou a Tóquio pro antigoMundial. A enfrentar o Barcelona de Johann Cruyff. O Barcelona ainda não tinha Romário, mas tinha Hristo Stoichkov e Michael Laudrup no ataque. Cruyff ez pouco do campeão sul-americano. O São Paulo venceu de virada. Exato um ano depois, voltava ao Japão. O adversário era o Milan de Fabil Capello. Pouco importava  a eles que o São Paulo fosse o campeão. O time foi diminuído. Cerezo e Muller, considerados uns velhos decadentes. O São Paulo fez 3 x 3, um dos espetáculos mais vibrantes que tive a felicidade de ver. Gols de Palhinha, Cerezo, Muller.

        Pois a postura do Inter diante do Mazembe, do Congo, na terça-feira, teve algo daquele Barcelona, algo daquele Milan. Teve muito de algumas seleções brasileiras de tempos recentes que, se achando muito bacana, apresentou-se com epáfia, certo enfado, certa atitude condescendente. Porque era evidente que o Inter é muito mais time que o Mazembe, portanto venceria a qualquer momento, venceria daqui para pouco.

        Pois é... Agora os europeus otários somos nós. E os “turistas bobos” são eles.

        Quando o Mazembe fez seu primeiro gol, comecinho do segundo tempo, jogada de sangue frio de Kabangu diante de um estupefato Bolívar,  Inter tinha perdido várias e várias oportunidades  ao longo da primeira etapa. Jogando na maciota. Mas agora com o Mazembe na frente, o Inter voltou a ter o espírito voluntarioso de jornadas passadas a ser guerreiro (abraço pro Dunga). Passou a ter iniciativa no toque de bola e imprensou o Mazembe em seu campo de defesa. Uma blitz que não se vira antes.

        Celso Roth meteu a mão no time. Depois de entrar com três meias 9Tinga, Sóbis, D´Alessandro) para um único atacante fixo (Allecsandro), o colocrado se viu depois dos troca-trocas com três meias (Giuliano, Oscar, D´Alessandro) para um único atacante fixo (Damião).

        Ou seja, Roth armou uma confusão para dar rigorosamente na mesma. Da indolência inicial, o time, sem escalas, passou para uma vertigem ofensiva nervosa. Que acabaria lhe custando o segundo gol do Mazembe, de contra-ataque, Kuluyituka a pedalar diante de um assustado Guiñazu.

        Na véspera, os jogadores do Mazembe provocaram dizendo que não conheciam os do Inter. O treinador deles, Lamina N´Diiaye, dizia estar a esperar uma surpresa. Os brasileiros entraram na pilha. Roth respondeu que quem anuncia surpresa não faz nada.

        A surpresa do Mazembe, meu caro Roth, foi jogar de igual para igual. Foi partir pra cima. Sem retranca. Sem medinho. Como te diria o poeta Roberto Zimmerman, quando não se tem nada, nada se tem a perder. 

Por José da Cruz às 12h57

Marinha transforma quartel em centro de referência para atletas olímpicos

O Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan), no Rio de Janeiro, está sendo adaptado para se tornar base de treinamento de competidores do atletismo, levantamento de peso e boxe.

     

        Conforme noticiado pela Agência Brasil, a Marinha firmou convênio com a Construtora Norbert Odebrecht – que realiza as reformas no estádio do Maracanã – para desenvolver o projeto com capacidade para receber, também, jovens moradores de comunidades carentes na tentativa de descobrir talentos

        Além do espaço para a preparação, a Marinha dará suporte com auxiliares e fisioterapeutas ao quadro técnico cedido pelas confederações. Serão 18 atletas por ano, seis em cada uma das três modalidades. A construtora estima investir R$ 1,5 milhão por ano, cerca de R$ 1,4 mil por atleta a cada mês.

        Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, o almirante Álvaro Augusto Dias Monteiro afirmou que a Marinha já investiu mais de R$ 40 milhões na modernização do Cefan.

Segundo ele, a base foi escolhida pela Confederação Internacional de Atletismo como um centro de referência na América do Sul para o treinamento da modalidade, com clínicas e equipes preparadas para dar suporte aos atletas.

Por José da Cruz às 12h08

Folha de S.Paulo - Editorial

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Aumento imoral

Congressistas aprovam reajuste exorbitante dos próprios salários e mais uma vez dão mostras de sua desconexão com a sociedade

É sinal revelador de desconexão com a sociedade e de desconsideração pelo contribuinte o aumento salarial exorbitante que a Câmara e o Senado aprovaram ontem, beneficiando os próprios congressistas e parcela substancial da classe política.

Pelo projeto -um decreto legislativo, que não precisa da sanção presidencial para ser validado-, deputados, senadores, presidente da República, vice-presidente e ministros de Estados passarão a receber mensalmente R$ 26,7 mil, teto salarial do Poder Judiciário.

No caso do presidente e do vice, o reajuste será de 133,9%, uma vez que recebem hoje R$ 11,4 mil. O aumento para os ministros será ainda maior -o salário atual deles é de R$ 10,7 mil. São índices de reajuste extremamente elevados. Sugerem, ou reforçam, a imagem da elite política do país alheia, ou muito distante, da realidade.

Sem demagogia, não se deve ignorar que o salário do chefe do Poder Executivo e dos ministros estavam, de fato, depreciados, desde logo à luz das atribuições e responsabilidades que tais funções envolvem. Desde a década de 90, é sabido que muitos quadros qualificados deixaram a vida pública precocemente, atraídos pelas remunerações do setor privado.

Deveria haver, no entanto, uma maneira menos lesiva para a sociedade de corrigir tais distorções -por meio, por exemplo, de reajustes escalonados, menos estratosféricos e mais compatíveis com as circunstâncias do país.

Isso vale, e com muito mais razão, para o Legislativo. Os congressistas se autoconcederam ontem um aumento de 61,8%, contra uma inflação acumulada de 20% desde abril de 2007, quando houve o último reajuste. Só isso seria suficiente para provocar justa indignação. Ocorre que os R$ 16,5 mil que cada deputado ou senador recebe atualmente como salário correspondem a uma parte relativamente pequena do que custam, de fato, para o contribuinte.

Cada um dos 513 deputados tem à sua disposição, mensalmente, R$ 60 mil de "verba de gabinete", destinada à contratação de assessores (no máximo 25), em Brasília ou em seus Estados de origem. Recebem, também, o chamado "cotão", para gastos com passagens aéreas, correio, telefone. O valor do "cotão" varia, entre R$ 23 mil e R$ 34,3 mil, a depender da distância da residência do parlamentar. E há, ainda, R$ 3.000 de auxílio-moradia, inclusive para os que são do Distrito Federal.

O aumento, escandaloso em si mesmo, vem se somar a uma cultura corporativa de penduricalhos, regalias e flagrante descaso pelo dinheiro público. Considere-se, ainda, que tal reajuste, a ser concedido a partir de fevereiro de 2011, provocará, no caso do Legislativo, um efeito cascata para assembleias e câmaras municipais, estimado em pelo menos R$ 1,8 bilhão por ano. Não é algo que tenha grande impacto fiscal nas contas brasileiras -pode-se argumentar.

Trata-se porém, antes de mais nada, do impacto moral, da sinalização de descaso pela sociedade, do exemplo de desfaçatez que tal medida traduz.

Por José da Cruz às 11h39

Deputados festejam aumento de 61,8% em seus salários

CAPA DO CORREIO BRAZILIENSE

16 de dezembro de 2010

Foto de Daniel Ferreira/CB/DA Press

Por José da Cruz às 10h40

15/12/2010

Doping no atletismo: três casos em uma semana; sete em 2010

Comunicados da Confederação Brasileira de Atletismo

  9 de dezembro

         A Confederação Brasileira de Atletismo lamenta informar que o laboratório credenciado pela WADA/IAAF, com sede no Rio de Janeiro-RJ, comunicou a esta entidade que identificou nas amostras de urina A do atleta José Alessandro Bernardo Bagio, coletadas nos dias 09 de setembro de 2010, em controle fora de competição realizado na cidade de Timbó-SC, e 15 de setembro de 2010, em São Paulo-SP, durante o Troféu Brasil Caixa de Atletismo, a presença da substância proibida 19-Norandrosterona.

 14 de dezembro

         A Confederação Brasileira de Atletismo lamenta informar que o Laboratório credenciado pela WADA/IAAF no Rio de Janeiro comunicou a esta entidade, no dia 14 de outubro de 2010, que identificou, na amostra de urina do atleta Márcio dos Santos Matos (RS), coletada no dia 26 de setembro de 2010, na cidade de Foz do Iguaçu (PR), por ocasião da Maratona Internacional de Foz do Iguaçu, a presença da substância proibida Isometepteno.

 14 de dezembro

        A Confederação Brasileira de Atletismo lamenta informar que o Laboratório credenciado pela WADA/IAAF no Rio de Janeiro comunicou a esta entidade, no dia 27 de outubro de 2010, que identificou na amostra de urina do atleta Marcelo Henrique Rocha, coletada no dia 10 de outubro de 2010, na cidade de Campo Grande (MS), por ocasião da prova "Volta das Nações", a presença da substância proibida Prednisona e Prednisolona.

        Os flagrantes no atletismo tornam-se freqüentes. Já são sete  este ano.

Por acaso

        Grave, porém, é que o caso de Alessandro Bagio – que disputou as Olimpíadas de Atentas e a de Pequim – só se confirmou porque os exames foram realizados depois que a CBAt recebeu denúncia anônima de que o marchador havia consumido substância proibida, conforme noticiaram os repórteres Ivo Felipe e Luiz Paulo Montes, do Diário Lance.

        Bagio está suspenso desde 7 de dezembro e tem 21, enquanto aguarda julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da confederação. A pena poderá ser de até dois anos.

        O time de atletismo para o Pan de Guadalajara, em 2011 está encolhendo. E melhor parar logo com os exames antidoping ...

Por José da Cruz às 11h15

Com licença, Leitores

         Faço uma pausa nos assuntos do dia, futebol  – ainda na lembrança a espetacular vitória do Mazembe – e as falcatruas dos podres, digo dos Poderes, para prestar uma homenagem ao gênio Oscar Niemeyer.

  Niemeyer completa 103 anos

         Como diz a cronista Conceição Freitas, no Correio Braziliense:

        “Em se tratando de Oscar Niemeyer é preciso refazer as contas. Ele não está completando apenas 103 anos. Ele já viveu 103 séculos, a contar pela sua dedicação à arquitetura.”

        E conclui com a sabedoria de quem conviveu, como repórter, próxima do artista:

        “Niemeyer sabe que já está na eternidade.  O que ele quer é continuar respirando e o oxigênio dele se chama arquitetura”.

Minha escolha

        Na minha avaliação, a obra mais expressiva de Niemeyer é o Museu de Arte Contemporânea de Niteroi.

        Ali, o artista uniu a arquitetura arrojada à natureza beira-mar, com o conjunto sendo valorizado por um painel maior, o litoral do Rio de Janeiro logo ali em frente.

            Show!

Por José da Cruz às 10h27

14/12/2010

Concorrência no Ministério do Esporte: na mosca

 

 

Em mensagem do dia 16 de setembro anunciei que a empresa FSB Comunicação era a agência favorita do ministro do Esporte, Orlando Silva, para vencer a concorrência de assessoria de comunicação do Ministério. Valor do contrato: R$ 15 milhões anuais.

Mais: fontes do próprio Ministério do Esporte me disseram que a licitação era “pro forma”, isto é, para cumprir exigência, pois a decisão já estava tomada e a FSB venceria.

Resultado

Nesta terça-feira saiu o resultado e, na ponta do lápis a vencedora foi justamente a FSB Comunicação. Agora, só falta publicar no Diário Oficial e sair para o abraço.

Estranho

Não sou especiaista em licitação, mas ao ler as atas da Comissão de Licitação do Ministério do Esporte me deparei com uma dúvida.

Todas as empresas concorrentes entregam três envelopes contendo:

a)   Documentos de habilitação

b)   Proposta técnica

c)   Proposta de preço

        Na primeira reunião, no dia 7 de outubro, as oito empresas foram consideradas “habilitadas” a concorrer.

        No dia 13 de outubro foram abertos os envelopes com as propostas técnicas. Até então tais envelopes estavam lacrados, como revela a ata da reunião que tratou do assunto.

        Porém, há atas dos dias 7, 8, 13, 15, 20 e 28 de outubro que tratam justamente desse assunto, “analisar a documentação, no que se refere à qualificação técnica das empresas participantes da concorrência”.

        Ora, se no dia 13 de outubro os envelopes estavam lacrados, como é que a comissão analisou propostas nos dias 7 e 8 de outubro?

        Não é estranho? E todas as sete atas tem texto igual, idênticos, sem qualquer observação, algo assim, digamos, “pró-forma”.

        Bem, nada contra a FSB, onde tenho amigos trabalhando, inclusive, e sei que se trata de uma empresa de recohecida competência no mercado brasileiro.

        Mas, enfim, minha fonte estava correta. Ganhou a preferida do ministro Orlando Silva.

        Parabéns.

Por José da Cruz às 18h22

Rio 2016: aberta a corrida para patrocínio de empresa telefônica

        O patrocínio telefônico dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro será entregue a uma empresa com faturamento anual superior a R$ 1,5 bilhão;

        A exigência está na documentação que fixa critérios para o “processo seletivo de patrocínio das Olimpíadas Rio 2016, categoria Telecomunicações”, disponíveis desde ontem na sede do Comitê Organizador dos Jogos, no Rio.

        Além disso, a empresa deverá ter serviço de telefonia fixa com mais de 1,5milhão de assinantes ou assinaturas móveis (empresa de telefonia móvel) superior a 3 milhões.

Por José da Cruz às 17h15

Grande filme.Lançamento. Não percam!

Por José da Cruz às 16h31

Mas ué bah, tchê!

       Que  foi aquilo lá pras bandas dessa tal de Abu Dhabi?

        Faltou chimarrão pros guri?

 

Goleiro Ralabunda festeja às custas dos Colorados

 

       Tô triste pra caramba.

       Mas bah!, tristeza mesmo!!!

       Bueno, em solidariedade decreto luto e não se fala mais neste tal de Mundial de Clubes.

Por José da Cruz às 15h53

Pan 2007: enfim, a fraude comprovada e confirmada

               

        O Tribunal de Contas da União confirmou o que há muito a imprensa tem denuciado, a partir dos relatórios dos técnicos daquele órgão: dezenas de irregularidades foram identificadas na execução de vários projetos dos Pan 2007, no Rio de Janeiro, que resultaram em 36 processos.

        A conclusão de um desses processos é apresentada três anos e meio depois do evento, com a decisão do TCU de determinar ao Ministério do Esporte a “apropriação definitiva de R$ 11.776.197,00, retidos por decisão anterior, devido à sobrepreço apurado em contrato dos XV Jogos Pan-Americanos.”

Traduzindo:

        O Ministério firmou convênio com a empresa Fast Engenharia e Montagens S/A para serviços de infraestrutura temporária, conhecida por “overlays”, e locar equipamentos para a Vila Pan-Americana. Preço: R$ 55,4 milhões.

        Porém, durante visita às instalações, no Rio de Janeiro, técnicos do TCU identificaram:

a)   expressiva diferença entre os quantitativos de serviços pactuados e os efetivamente executados;

b)   cobrança em duplicidade de custos administrativos;

c)   aquisição de aparelhos de ar-condicionado em número superior ao requerido;

d)   falta de execução de itens contratados;

e)   inconsistência nos preços contratuais;

f)    pagamento de serviços sem documentação que comprove a execução.

        Diante disso, o TCU determinou, ainda em 2007, que o Ministério do Esporte suspendesse o pagamento  do restante do contrato, até concluir o processo.

        Neste tempo todas as partes foram ouvidas e, ao final, o ministro Walton Alencar Rodrigues, relator do processo, determinou que não se pagasse mais nada. 

        Mas, acredite, ainda cabe recurso da decisão. Porém, é para garantir o limite máxio de defesa, pois todas as partes já foram ouvidas. Nestes casos, dificilmente o relator muda seu voto, pois não há mais nada a ser apresentado como argumento contrário.

Fraudes

        A decisão do ministro Alencar Rodrigues deixa muito claro que neste contrato a turma do Ministério do Esporte relaxou de tal forma que teríamos um prejuízo de mais de R$ 10 milhões.

        Porém, a tentativa de fraude foi descoberta a tempo, e o Tribunal mandou segurar o dinheiro que, agora, é decisão definitiva.

        Particularmente, acho que o processo passará a ser caso de Polícia. Afinal, quem é o (ir)responsável que pagaria por serviços em dobro, serviços não realizados, compras sem notas fiscais? Quem chefiou o esquema?

        Em breve, esperamos, cenas de mais um capítulo da interminável novela:

       “Rio 2007, um legado inesquecível...”

Por José da Cruz às 09h01

Drogas, evasão escolar e... boa noite!

         O Jornal da Noite desta segunda-feira destaca o crescimento da riqueza, o fortalecimento da economia do país e a vexatória 75ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano, IDH.

        No Brasil, 60 milhões de pessoas com mais de 15 anos não completaram ensino fundamental. A maioria está fora da sala de aula porque precisa trabalhar. Outros desistem porque tiram notas ruins e a desmotivação provoca a evasão.

        Em Imperatriz, segunda maior cidade do Maranhão, a maioria das crianças sai das salas de aula e vai para o lixão, na tentativa de encontrar algo de valor para vender.

        Em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul, a professora Lucy Duarte visita as famílias quando o aluno desaparece da escola. É uma iniciativa de quem tem idealismo e não um programa de governo.

Prioridades

        E o que isso tem a ver com um blog de esportes? Tudo, porque estamos construindo um país olímpico, cuja riqueza dos gastos contrasta com a fragilidade do nosso ensino fundamental.

        Além disso, uma das prioridades do governo são as obras para receber a Copa do Mundo, enquanto a precariedade da educação contrasta com o orgulho de sermos a oitava economia do mundo.

        Na mesma linha da evasão escolar, o consumo de drogas estende-se por quatro mil municípios. Mais de um milhão de  brasileiros são dependentes do crack.

        Ponto consagrado da droga: rodoviária central de Brasília, a 300 metros dos ministérios da Educação, Saúde e Esporte; a 500 metros do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto, sedes do governo federal.

        Foi a notícia final do Jornal da TV.

        Boa noite!

Por José da Cruz às 00h52

O que quer dizer “sine qua non”?

RUTH DE AQUINO
Diretora da sucursal de Época no Rio de Janeiro

        Quando Lula usa e abusa da expressão “sine qua non”, ele pode estar certo de que a imensa maioria dos brasileiros não faz ideia do que isso significa. Nesses momentos, Lula fala, com orgulho, para a elite. Se é impossível para o brasileiro médio entender as sutilezas de um texto em português, o que dirá em latim? A presidente eleita Dilma Rousseff precisará redirecionar seus gastos se quiser tirar o povo da ignorância. Pode começar desistindo do Aerodilma.

        Mesmo com um avanço no segundo mandato de Lula, não há como festejar o resultado brasileiro na última avaliação de estudantes de 15 anos em 65 países. São seis os níveis de conhecimento da pesquisa conhecida como Pisa, na sigla em inglês (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Em matemática, 69,1% dos alunos brasileiros não passaram do nível 1, o pior de todos. Em leitura, quase metade (49,6%) dos brasileiros também ficou no nível 1. O estudo é feito a cada três anos e envolve países da OCDE (desenvolvidos) e convidados. O Brasil ficou em 53º lugar, atrás de Bulgária, Romênia, Tailândia, México, Chile, Uruguai e Turquia, entre outros. O melhor Estado brasileiro, o Distrito Federal, ainda ficou abaixo da média internacional.

        Nosso pior Estado, Alagoas, só foi melhor que o lanterninha no Pisa, o Quirguistão, um país que quase ninguém no Brasil nem sequer sabe localizar no mapa. É inacreditável que, depois de oito anos de mandato de um presidente de esquerda, uma economia pujante como a brasileira ainda esteja na rabeira do mundo em educação. Quando um aluno do 3º ano do ensino médio, Evanildo da Silva Costa, com 18 anos, não sabe quanto é 8 dividido por 4, o país inteiro deve ficar constrangido.

        Na média, a nota do Brasil em leitura melhorou entre 2000 e 2009. Mas as porcentagens escondem uma crueldade: na prática, segundo o relatório oficial, quem melhorou foram os alunos ricos, que já eram bem avaliados dez anos atrás. Os outros continuam com muita dificuldade para ler, entender, discernir.

        Existe em nosso país uma inversão assustadora de valores. Quando o palhaço Tiririca recebeu a maior votação de um deputado federal, mesmo sem saber ler e escrever direito (ou talvez por causa disso), políticos demagogos se apressaram em apresentar projetos para permitir a candidatura de analfabetos no Brasil. Como se fosse preconceito impedir alguém que não sabe ler de ocupar uma cadeira no Congresso. Lula adora a expressão. Seu governo devia ter investido mais para que o brasileiro médio pudesse entendê-la.

        É claro que cultura não rima necessariamente com honestidade, sabedoria e inteligência. Há os cultos que são ladrões e mal-educados. E os incultos que são honestos e educados. Mas o fato de um ex-torneiro mecânico ser o presidente mais popular da história do Brasil não pode tornar a falta de instrução uma qualidade. O escritor Marçal Aquino acha um erro que as escolas obriguem alunos a ler livros totalmente fora do contexto de sua vida – e a decorá-los: “O aluno acha a leitura um troço chato e passa a odiar o escritor”. Mais dramática é a situação de nossas escolas rurais, sem recursos. Professor de geografia dá aula de matemática. Aluno chega com fome e não consegue prestar atenção em nada. Isso é, para a oitava economia do mundo, uma humilhação.

        Em novembro do ano passado, num congresso científico, Lula afirmou que “a educação é condição sine qua non para o crescimento”. E continuou, arrancando risos: “Eu tô falando sine qua non porque o Caetano Veloso vai ouvir que tô falando sine qua non, e vai dizer ‘porra, como o Lula tá culto’”. O presidente agora adotou de vez a expressão, que quer dizer “indispensável”.

        Para Lula, hoje, “humilhação” é o avião presidencial precisar fazer escala em suas viagens internacionais. Deve ser constrangedor, não? Por isso, cinco anos depois de comprar um Airbus por US$ 57 milhões, o governo negocia a compra de outro Airbus por US$ 300 milhões. Nossos alunos de matemática podem tentar fazer uma conta simples: a diferença entre o Aerolula e o Aerodilma daria para construir quantas escolas e para alfabetizar quantos brasileiros em um ano?

Por José da Cruz às 00h11

13/12/2010

Modalidades com patrocínio da Petrobras têm menor reajuste no repasse da verba das loterias pelo COB

         As cinco modalidades que recentemente receberam patrocínios da Petrobras – boxe, esgrima, levantamento de peso, remo e taekwondo – são as que tiveram menores reajustes do Comitê Olímpico Brasileiro no rateio dos recursos das loterias federais para 2011, comparativamente aos valores destinados em 2010.

        Taekwondo foi a que teve menor salto quantitativo, reajuste de apenas R$ 70 mil (de R$ 1.130.000,00 em 2010 para R$ 1.200.000,00 no ano que vem). Já a Confederação de Remo ficou com um reajuste de R$ 92mil (de R$ 1.808.000,00 pra R$ 1.900.000,00).

        Conforme informação da assessoria do COB, ao fazer o rateio o órgão olímpico buscou “diminuir a diferença entre as confederações que já dispõem de patrocínios e as que ainda não contam com esse tipo de recurso”.

        No entanto, entidades como o atletismo, desportos aquáticos e vôlei, que têm valorizados patrocínios da Caixa, Correios e Banco do Brasil, respectivamente, mantiveram reajustes proporcionalmente maiores aos cinco esportes acima citado.

        Deve-se considerar, anda, que, além dos patrocínios, vôlei e desportos aquáticos são contemplados com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte.

Previsões

        Mesmo devendo alcançar este ano a arrecadação de R$ 150 milhões das loterias (Lei 10.264/2001), o COB trabalha com uma expectativa defasada de repasses em 2011 – R$ 130 milhões.

        Na prática isso não se confirma, pois a própria Caixa Econômica, administradora das loterias, faz estimativa de crescimento anual de até 20% nas apostas das loterias, o que repercute no aumento dos repasses para os esportes olímpicos e paraolímpicos.  Ou seja, o Comitê Olímpico deverá chegar ao final de 2011 com um superávit de mais de R$ 50 milhões, aproximadamente, repetindo a estratégia iniciada em 2001, quando as loterias passaram a colocar dinheiro no esporte.

Critérios

Para a definição dos valores o COB utilizou os seguintes critérios:

1.    resultados da Confederação em 2010;

2.    possibilidade de medalhas em Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-americanos Guadalajara 2011 e Jogos Olímpicos Londres 2012;

3.    atletas das Confederações que estejam entre os TOP 10 do mundo;

4.    patrocínios recebidos pelas Confederações;

5.    liberação do uso do uniforme de competição em eventos como Jogos Sul-americanos, Jogos Pan-americanos e Jogos Olímpicos.

Dos R$ 130 milhões que o COB estima receber em 2011, 10% serão aplicados no esporte escolar (R$ 13 milhões) e 5% no esporte universitário (R$ 6,5 milhões). Outros R$ 14 milhões ficarão disponíveis para projetos especiais apresentados pelas confederações de esportes individuais, preferencialmente.

Veja o quadro com os valores por modalidade: http://www.cob.org.br/noticias/noticias_interna.asp?id=16192

Por José da Cruz às 18h22

Agnelo é "o cara" ... de pau!

A surpresa na corrida deste domingo, em Brasília, início da campanha para combater a corrupção política foi a presença do governador eleito do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, espécie de “intruso” em um movimento alheio ao seu perfil.      

Durante a semana, a assessoria de Agnelo telefonou aos organizadores da prova – ONGs sem vínculo ou apoio político partidário – “encomendando a camiseta com o número 13”, lembrando seu registro de campanha eleitoral.

        Resposta dos organizadores:

“Se o senhor Agnelo quiser participar que entre no site da prova, pague 30 reais e faça a sua inscrição”. O abusado fez isso e correu com a camisa 506.

Indignado

        Fiquei indignado com a ousadia de Agnelo. Quando o vi na corrida, senti que ele tentava vincular o seu nome ao movimento de legalidade e totalmente realizado por organizações não governamentais e sem um só tostão de verba pública.

        Eu caminhava pela lateral da pista da Esplanada com os companheiros da ESPN Brasil, que aqui cobriam a prova. E gritei, quando Agnelo se aproximou,  alertando-o de que o ato era para combater ações que ele vem sendo investigado, de corrupção.

        Oportunista, ele riu como um debochado, mas o jornalista Afonso Morais o repreendeu, também, com bom tom de voz e indignação.

Com certeza, Agnelo entendeu que era um indesejado naquele ambiente de manifestação contrária às ações de políticos e partidos.  Mas ele não se manca, é cara de pau, mesmo.

Denúncias

        Conforme a revista Época e Veja divulgaram há poucos meses, Agnelo Queiroz é citado num inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal. Ele está sendo investigado como suposto beneficiado de um esquema de repasses de R$ 2,9 milhões do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, para a Associação João Dias de Kung Fu, no tempo em que o político ainda era ministro. Quem assinou a liberação do dinheiro foi o então secretário executivo do Ministério, o hoje ministro Orlando Silva.

        O relatório, do delegado Giancarlos Zuliani, sustenta, com base nas investigações, que a ONG de João Fias forjava a compra de materiais para as atividades das crianças matriculadas no Segundo Tempo  e apresentava notas fiscais frias para iludir a fiscalização.

         O dinheiro serviria para enriquecimento ilícito e caixa de campanha do PC do B, financiando, entre outros, o própiro João Dias,  que não conseguiu se eleger deputado distrital pelo PCdo B, o mesmo partido de Agnelo, à época (atualmente ele está no PT).

        Durante a campanha eleitoral para o governo do Distrito Federal, que acabou vencendo por falta de concorrente forte, Agnelo Queiroz conseguiu liminar na Justiça proibindo que a oposição divulgasse o da ONG de João Dias, numa evidente manifestação de censura à liberdade de informação, pois o processo da Polícia é real as reportagens também.

Protesto candango    

Brasília, a cidade mais humilhada nos últimos anos por conta das dezenas de denúncias de corrupção que aqui se praticam a partir da ação de políticos de todo o país, nos governos de ontem e no de hoje, levantou a bandeira de protesto realizando a corrida de rua.

        Modalidade que sintetiza a prática democrática do esporte,  as provas de 5km e 10km simbolizaram, também, o início da reação contra os bandidos que assaltam os cofres públicos.

        A corrida “Vamos vencer a corrupção” foi realizada na Esplanada dos Ministérios, com largada e chegada em frente ao Congresso Nacional, área central da Capital da República onde ocorre a execução orçamentária e, em decorrência, a ação dos corruptos que desfiguram o perfil da democracia.

        A prova foi promovida por quatro organizações: Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, ONG Contas Abertas, Instituto de Fiscalização e Controle e Comunidade de Inteligência Policial e Análise Evidencial, em parceria com outras instituições não governamentais.

Para saber mais: http://contasabertas.uol.com.br/WebSite/Noticias/DetalheNoticias.aspx?Id=361

Por José da Cruz às 11h29

12/12/2010

Lobby oficial: ministro Orlando Silva defenderá interesses do futebol no Congresso

Folha de S.Paulo, hoje

PAINEL

EDUARDO OHATA e BERNARDO ITRI  

Todos os gostos. O C13 oficializou o apoio à permanência de Orlando Silva Jr. no Ministério do Esporte. A entidade entende que, apesar de algumas divergências, Silva Jr. deu atenção às necessidades dos clubes. Na CBF, Ricardo Teixeira manifestou a mesma posição.

Inteirado.
Fábio Koff, presidente do C13, prevê que Silva Jr. terá importância em ações no Legislativo. "Ele será instrumental, nos próximos meses, para a aprovação de assuntos relevantes para o futebol brasileiro" (grifo meu), disse.

 

Minha análise

         Com esta revelação do Painel da Folha entende-se o motivo de Orlando Silva continuar agarrado à cadeira ministerial: será o representante do Clube dos 13 e da CBF no Legislativo.

        Isso está muito claro, muito explícito na manifestação do presidente do Clube dos 13.

        Releiam com atenção:

 

1.   “...Silva Jr deu atenção às necessidades dos clubes” .

 

2.   "Ele será instrumental, (grifo meu) nos próximos meses, para a aprovação de assuntos relevantes para o futebol brasileiro", disse Fábio Koff, presidente do Clube dos 13.

 

        Entenderam? É o loby institucionalizado, claro, vergonhsamente explícito, revelado sem meias palavras

        Não é uma vergonha para uma autoridade ser chamado de “instrumento” da cartolagem?

        A que preço Orlando Silva submete o cargo público, em lugar de servir aos interesses da Nação, do governo que assumirá? O preço da dignidade?

        O seu partido, o PC do B, não se envergonha de exigir um ministério para ali instalar um comandado da cartolagem do futebol, de Ricardo Teixeira? Uma sucursal do Clube dos 13?

        E se concorda, por quê? O que ganha com isso? Ganha ou não ganha? Tem dinheiro na parada ou não tem?

        E se Orlando Silva será “instrumental” para assuntos relevantes do futebol é porque jogará contra os interesses dos atletas. Que vergonha, ministro!

        Como será que a presidente eleita, Dilma Rousseff reagirá diante de tal revelação de duplo e suspeito emprego?

Já era assim

        De fato, como ministro de Lula, Orlando Silva liberou dinheiro à vontade para o futebol profissional, via Lei de Incentivo, enriquecendo o patrimônio dos clubes com o meu, seu, nosso dinheiro dos impostos.

        Mais: determinou que o Ministério do Esporte pague a compra dos equipamentos e instalações do sistema de circuito de TV nos estádios para controlar a violência e os brigões.

        Essa é uma exigência do Estatuto do Torcedor. Leiam:

    Lei nº 10.671/2003

    Art. 18.  Os estádios com capacidade superior a 10.000 (dez mil) pessoas deverão manter central técnica de informações, com infraestrutura suficiente para viabilizar o monitoramento por imagem do público presente. (Redação dada pela Lei nº 12.299, de 2010).

    Como ninguém cumpriu a lei, o Ministério do Esporte vai fazer o serviço.

    Entenderam porque Orlando Silva é “útil” ao sistema da cartolagem?

    Está tudo muito claro, e cumprimento os companheiros da Folha por este espetacular furo, revelando em poucas linhas o motivo da insistência de o ministro Orlando Silva não se desgrudar da cadeira ministerial.

Por José da Cruz às 08h46

11/12/2010

Brasília faz corrida e marcha contra a corrupção

        A corrupção em todos os níveis de governo ocorre, lamentavelmente, Brasil afora.

       Porém, é a Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes, sedes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, que se concentra o símbolo mais expressivo – e triste – desta mazela que a todos indigna, mas de poucos recebe reações críticas.

       Pois é na Esplanada, com largada e chegada em frente ao Congresso Nacional –  a maior expressão da democracia – que neste domingo será disputada a 1ª Corrida de Combate à Corrupção. Serão duas provas, uma de 10km e outra de 5km, e uma caminhada de protesto contra os corruptos.

       A atividade esportiva, a partir dos recursos governamentais, está entre os segmentos em que a corrupção é praticada com maior intensidade nos últimos anos.

Apoios

       O velejador Lars Grael, uma das expressões do esporte nacional, Carmem de Oliveira, primeira brasileira a vencer a São Silvestre, o ex-carateca Altamiro Cruz, o Didi, confirmaram presença. Dos Estados Unidos, o medalhista de ouro olímpico, Joaquim Cruz, mandou mensagem de solidariedade.

       Esta é a primeira manifestação pública sem participação de entidades oficiais, depois do sucesso da campanha “Ficha Limpa”, que se realiza no país. O objetivo é tornar o evento nacional com edições anuais.

       A corrida é promovida pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, ONG Contas Abertas, Instituto de Fiscalização e Controle e Comunidade de Inteligência Policial e Análise Evidencial, em parceria com outras instituições não governamentais.

Depoimento

       “Mais importante que a vitória é participar desta manifestação pública, para se chamar a atenção da população sobre a necessidade de o povo se mobilizar para combater os atos de corrupção”, disse a corredora brasiliense Maria Sandra Dias, que já ganhou as maratonas de Curitiba e Porto Alegre.

Perdas

       Atualmente, o Brasil está em 75º lugar no ranking dos 180 países mais corruptos, segundo a ONG Transparência Interncional. Estima-se que as perdas anuais cheguem a R$ 70 bilhões por conta de atos corruptos na União, nos estados e municípios.  

       Um recente estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a corrupção pode prejudicar seriamente o desempenho econômico de um país, “na medida em que afeta as decisões de investimentos, limita o crescimento econômico, altera a composição dos gastos governamentais, causa distorções na concorrência, abala a legitimidade dos governos e a confiança no Estado.”

       “O custo da corrupção representa todo o montante de recursos que deixa de ser aplicado no país (seja

em atividades produtivas, saúde, educação, tecnologia etc.) porque é desviado para o

pagamento das práticas corruptas”, diz o estudo da Fiesp.

Por José da Cruz às 16h37

"O cavalo empacou", nada de ofensivo

         O leitor André enviou mensagem dizendo que foi um "desrespeito" a forma como tratei o desempenho de Baloubet du Rouet, nos Jogos Olímpicos de 2000.

        Como o valioso animal refugou na última passagem e frustrou as pretensões de o Brasil ganhar uma só medalha de ouro, escrevi que “o cavalo empacou”.

        É possível que outros leitores também tenham entendido a mensagem de forma contrária a que pretendi colocar. Assim, volto ao assunto em respeito a todos para explicar o que significa a expressão que usei.

        Inicialmente, Caro André, ao contrário de sua manifestação, falo sobre o assunto sabendo muito sobre ele.

        São 40 anos de jornalismo, 25 de cobertura esportiva e admirador das provas de salto e adestramento do hipismo. Mais: eu estava naquele evento de Sydney, cobrindo os Jogos para o Correio Braziliense.

0 salto elegante do famoso animal

        Nossa frustração de não ter medalha de ouro em Sydney – foram seis de prata e seis de bronze – se concentrou no último dia e na última prova, repare bem, com torcida voltada para o desempenho de um conjunto.

        Era a nossa última esperança. E, apesar da fama e da qualidade do animal, apesar do nível do cavaleiro,  o cavalo refugou. Algo impensável para a fama dele. Jornais australianos, naquela época, falavam que Baloubet estava avaliado em US$ 5 milhões. Em Atenas, ele mostrou seu valor inigualável, mas naquele  2000 não era o seu dia.

Simbolismo

        Assim, quando escrevi que o "cavalo empacou" simbolizei que "O Brasil esportivo empacou".  E aí está a minha falha. Explico: ao final dos Jogos de Sydney, escrevi um balanço para o jornal com o mesmo título (O cavalo empacou).

        No texto, analisei a situação do Brasil olímpico. Éramos – e somos – tão amadores na gestão dos recursos, na identificação de talentos, na formação de atletas, no diálogo entre as instituições, na dependência do dinheiro público, na ausência da atividade física na escola, na valorização dos professores, no desperdício de nossa geografia propícia para a prática de todas as modalidades, na incompetência ministerial que chegamos ao final de uma olimpíada dependendo do desempenho de um cavalo famoso  para termos uma só medalha de ouro.

        Em todas as outras 25 modalidades que disputamos havíamos falhado, provas individuais e coletivas. Restava uma e o desempenho não dependia só da técnica humana, mas de um alazão talentoso para a competição, tricampeão da Copa do Mundo.

        Mas Baloubet du Rouet não nos deu essa alegria que, sob outro enfoque, se revelou oportuna.  Tivesse vindo o ouro, Brasil sairia do 52º lugar naqueles jogos e subiria para a 32ª posição. E daria a idéia de que estávamos bem e, quem sabe, muito do que foi feito entre 2000 e agora não tivesse saído do papel. Mesmo assim, continuamos amadores – ou relapsos, sem particularizar.

        Bem, aí está o esclarecimento que sugere continuar o debate, tanto sobre o assunto em geral quanto sobre o nosso amadorismo olímpico e do esporte em geral.

Por José da Cruz às 12h06

10/12/2010

Retrospectiva I: as fontes de recursos para o esporte

         O retorno da delegação olímpica brasileira sem medalha de ouro dos Jogos de Sydney, em 2000, representa a fronteira de novos tempos na economia do esporte nacional. Mas, independentemente dos recursos que vieram, não podemos afirmar, ao final desta década, que estamos bem encaminhados para nos colocarmos entre as potências mundiais.

         Em 2000, esperamos até a última prova para apostar que um cavalo de valor milionário e de nome charmoso – Baloubet du Rouet – ajudasse o país a um único pódio dourado. Em vão: o cavalo empacou. E além do cavaleiro competente, Rodrigo Pessoa, a nação inteira se frustrou. Assim, iniciamos a década – e o século XXI – com a convicção de que, sem dinheiro, não seria possível formar, treinar e competir em nível olímpico. O discurso dos cartolas ecoou na Esplanada dos Ministérios e os recursos começaram a surgir.

          Em nível estatal, apenas o Banco do Brasil – pioneiro no patrocínio ao esporte, a partir de 1986, com a Seleção Brasileira de Basquete – Correios e Caixa, investiam no setor. Com a visibilidade que cada vez mais a televisão oferecia às competições de alto rendimento outros órgãos de governo entraram em campo, como a Petrobras, Eletrobrás, Infraero e, mais recentemente, a Casa da Moeda.

Esperanças

          Em 2001 tínhamos a expectativa de que, mesmo sem medalha de ouro nos Jogos de Sydney, a prata conquista pelo revezamento masculino 4x100m, era o incentivo para que a modalidade deslanchasse. Nada disso. O atletismo, ao contrário, mergulhou no fim desta década numa crise sem igual na sua história, com sete atletas confirmados no exame de doping.

Maurice Greene (EUA) cruza à frente de Claudinei Quirino: Brasil prata no revezamento 4x100m

             Mas, entre uma frustração e outra vieram compensações. Primeiro, com Gustavo Kuerten, que em 2001 fechou o tricampeonato de Roland Garros encerrando praticamente sua vitoriosa carreira em torneios do Grand Slam.

Guga, tricampeão em Roland Garros

           No ano seguinte, nova conquista mundial. Num esporte de poucas emoções para o torcedor, mas altamente competitivo mundo afora, Robert Scheidt chegou hexacampeonato mundial da classe Laser, em Cape Cod, nos Estados Unidos.

          Com isso, manteve a tradição de ser o Brasil um país de tradições na vela, já que essa modalidade é a que mais contribuiu para conquistas olímpicas (13 no total), sendo cinco vindas pelo empenho de Torben Grael.

         A conquista de Guga, seu carisma e estilo simples de se relacionar com os fãs e a relação fraterna que tinha com o seu técnico, Larry Passos, incentivou o Banco do Brasil a investir num projeto de popularização do tênis. Mas a proposta naufragou e passamos a década com altos e baixos na modalidade, e sem ninguém que repetisse os feitos do simpático catarinense Guga Kuerten.

        Porém, de que valiam os talentos sem uma proposta, no mínimo, para o desenvolvimento esportivo de rendimento, a partir da base? De que valiam os títulos, se não para exaltar nossos ídolos, se nas escolas sequer era praticada atividade esportiva – e continua assim – aulas de ginástica ou afins?

Neste panorama, 2002 chegava ao final e, com ele, a era de oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso. Houve investimentos de estatais no espore, é verdade, mas com enfoque de marketing voltado para as marcas patrocinadoras, e não em um projeto que contemplasse a descoberta e formação de talentos, uma carência que se observa ainda hoje, 10 anos depois...

Surpresa

          Ao apagar das luzes chegou-me às mãos um documento precioso: a proposta de uma Medida Provisória criando a Agência Nacional do Esporte. O idealizador era o então secretário executivo do Ministério do Esporte e Turismo, José Luiz Portela.

         Apesar de bem argumentada, a criação de um novo órgão, que abrigaria correligionários de FHC no governo e Luiz Inácio Lula da Silva, que se iniciaria a 1º de janeiro de 2003, mostrava-se medida antipática. Significava uma espécie de intromissão no novo governo, “continuísmo” do poder anterior. E assim a proposta foi abortada no próprio Palácio do Planalto.

Enfim, um ministério

         Uma das primeiras medidas do Governo Lula foi criar um ministério específico para o Esporte, que se fortaleceu politicamente sob o comando do parceiro de longos anos, o PCdoB. O então deputado federal, Agnelo Queiroz – hoje governador eleito do Distrito Federal – foi escolhido ministro do novo órgão na Esplanada dos Ministérios. 
         Médico e deputado que atuou por oito anos na oposição, Agnelo chegou ao Ministério com fortíssimo apoio da comunidade esportiva. Afinal, foi o autor do projeto de lei idealizado por seu principal assessor à época – Gil Castello Branco, hoje dirigindo a ONG Contas Abertas – criando repasses das loterias federais para o esporte.

         A proposta, apresentada ainda em 2000, repassava – e repassa até hoje – 2% das arrecadações loterias federais para os esportes olímpicos e paraolímpicos. Porém, sem onerar os cofres públicos, pois o valor sai dos prêmios aos vencedores.
           “É a redenção do esporte”, vibrava o presidente do Comitê Olímpico Carlos Nuzman. Mas ele temia que FHC não tornasse o projeto em lei, pois o autor era um deputado do PCdoB. Assim, Nuzman apelou ao seu amigo, o senador Pedro Piva (PSDB/SP), que apresentou no Senado proposta como a de Agnelo, com mínimas alterações, que acabou aprovado primeiro.

            A estratégia foi correta, pois os dois projetos foram apensados, voltando à Câmara, onde o deputado petista, Gilmar Machado, relatou com voto favorável. Assim, foi sancionada a Lei 10.264/2001, batizada como “Agnelo Piva”. Pela primeira vez o esporte de rendimento tinha recursos garantidos para planejar o ciclo olímpico. E as loterias revelaram-se grandes financiadoras do esporte. Só em 2009, repassaram R$ 141 milhões aos olímpicos e não olímpicos. Outros R$ 307 milhões para o Ministério do Esporte.

Por José da Cruz às 16h18

Retrospectiva II: as questões políticas e de polícia

            Orçamento da União, patrocínios das estatais e Lei Agnelo Piva não eram suficientes para a sede de recursos dos cartolas. E isso aconteceu nestes últimos oitos nãos. A ponto de se poder afirmar, repetindo o presidente Lula, que “nunca antes na história deste país” o esporte teve tantas fontes de recursos e tão volumosas quantias.

            Assim, com perspectivas de tornar o Brasil um país olímpico, o Congresso Nacional aprovou em 2007 a Lei de Incentivo ao Esporte, no moldes da Lei Rouanet de apoio à Cultura.

            Originalmente, os recursos seriam para aplicar em projetos de iniciação. Porém, a gula olímpica e outro tanto de interesses políticos, desvirtuou a proposta.

            O que se tem, de fato, é que a Lei de Incentivo concentrou-se na elite do esporte, a partir do Comitê Olímpico Brasileiro e de clubes de futebol poderosos, como o São Paulo F.C, que pela força de suas marcas podem captar generosos recursos de empresas como Bradesco, Camargo Correa, Mercedes Benz, Nestlé, Petrobras, Gerdau, Cemig, Scania, Itau, Fiat etc.

            Em resumo: entre 2007 e outubro de 2010, o Ministério do Esporte aprovou projetos que poderiam captar até R$  1.095.154.028,00. Porém, apenas R$ 266,9 milhões foram captados junto ao empresariado que ainda não aderiu de todo a inovadora forma de patrocinar o esporte.

          

             De qualquer forma, é mais uma fonte que se soma aos recursos das estatais (R$ 175 milhões, em 2009) e Lei das Loterias (10.264/2001).

Gestão

            Para uma estrutura olímpica sem recursos, até 2000, o Brasil esportivo é desde 2001 bem suprido de recursos, mas com fortíssima participação do Estado, quer por patrocínios diretos (estatais), quer por participação popular (loterias) ou via isenção fiscal (Lei de Incentivo).

            Porém, ao entrar com os recursos o Estado não participa da gestão de boa parte da verba, o que acabou por criar um recente conflito entre o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro.

            Isso porque a Medida Provisória 502/2010, ainda a ser votada no Congresso Nacional, prevê que os comitês Olímpico e Paraolímpicos deverão firmar compromissos de metas antes de receberem os recursos das loterias, o que até então era dispensável.

            A medida, tomada unilateralmente pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, desagradou a Nuzman e o afastamento entre os  visível.

 A dupla já não é a mesma dos tempos do Pan 2007

Clubes

            Assim o que antes era problema – falta de recursos financeiros – hoje provoca desencontros entre políticos e dirigentes.

            Sem dúvida,faltou nestes oito anos de governo Lula uma gestão mais segura dos recursos públicos. Os clubes esportivos, tradicionais formadores de atletas, como Pinheiros, Minas Tênis, Sogipa e União, de Porto Alegre, Flamengo, Fluminense e Botafogo, no Rio, foram alijados das verbas oficiais.

            Houve protestos e reuniões, mas a previsão de incluí-los no rateio da verba oficial não passou disso, promessa...

            Para ter um Ministério publicamente fortalecido, o governo Lula também contou com dois programas sociais de grande alcance: a Bolsa Atleta – que distribui em torno de R$ 30 milhões anuais – e o Segundo Tempo.

O Segundo Tempo é o “Esporte na Escola”, dos tempos de FHC, mas que neste governo tornou-se um dos maiores focos de corrupção no Ministério do Esporte.

            Tanto, que até a Polícia de Combate ao Crime Organizado agiu para combater as denúncias. Houve prisões em Brasília depois de identificado que os recursos liberados pelo Ministério do Esporte não chegavam às crianças, mas nas contas-correntes de exportes diretores de ONGs fantasmas. Brasil afora a cena se repete, sem que o Ministério do Esporte consiga controlar os desmandos por falta de equipe de fiscalização.

            E isso ocorre porque o Ministério tornou-se um forte reduto político, para tristeza e revolta dos petistas. Inicialmente com Agnelo Queiroz e, depois, com seu ex-secretário executivo, Orlando Silva.

            Orlando representa uma facção do PCdoB com origens na União Nacional dos Estudantes.  Foi  por isso que seu gabinete tornou-se um ninho de ex-dirigente da histórica instituição que tem sede no Rio.

            Com predominante perfil político-burocrático, faltou ao Ministério estrutura competente para aproveitar os recursos financeiros disponíveis e apresentar ao país uma proposta, no mínimo, de plano de desenvolvimento do esporte de longo prazo.

            É fato que o governo realizou três Conferências Nacionais do Esporte para tanto. Mas foram reuniões de cunho altamente político partidário e com propostas tão inexpressivas que revelam a real ausência de uma cultura esportiva no país. Futebolisticamente somos fortes, e só.

            Pela falta de experiência na gestão pública e sem assessoria capaz de dirigir o setor a partir de metas bem fixadas, o próprio orçamento ministerial tornou-se infrutífero para atender às necessidades do espore. Apesar dos valores crescentes ano a ano – fortemente inflado pelas emendas parlamentares – o orçamento teve desempenho pífio a cada exercício. Primeiro pela contingenciamento do próprio governo; depois pela falta de projetos consistentes.

Por José da Cruz às 16h01

Retrospectiva III: prioridade ao futebol

          Assim, o Ministério do Esporte tornou-se executor de um orçamento em que as entidades ligadas ao PCdoB – as ONGs, principalmente – passaram a ser privilegiadas através de programas específicos, como o Segundo Tempo e contratos para eventos específicos, como os das Confederações de Desportos Escolar e Universitário, também dominadas pelo partido.

            Nada que assuste, claro, pois Orlando Silva repete o esquema que é comum nos demais ministérios loteados na Esplanada, em Brasília, difundindo a máxima do “é dando que se recebe”.


Esporte e educação

            Neste panorama, o governo Lula encerra seu mandato orgulhando-se de ter sido o maior repassador de dinheiro para o alto rendimento. Mas não pode dizer o mesmo sobre o esporte educacional. Aí, a falha começou ao descumprir o artigo 217 da Constituição Federal, que determina que os recursos públicos para o esporte devem ser aplicados, prioritariamente na área escolar. Somos tão frágeis neste aspecto que apenas 53% das escolas públicas do país tem um espaço para os alunos realizarem atividades físicas.

Futebol

            Ex-torcedor de arquibancada, fanático corintiano, peladeiro de fim de semana como todo brasileiro apaixonado por futebol, o presidente Lula não deixou a cartolagem abandonada. Assim que assumiu o governo, em janeiro de 2001, Lula escalou Agnelo Queiroz para promover a aproximação do Palácio do Planalto com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

            O cartola estava desgastado com duas CPIs – do Futebol, no Senado, e da CBF Nike, na Câmara dos Deputados – que identificaram no caixa preta do futebol brasileiro uma fonte espetacular de corrupção, graças à quebra de sigilos fiscais e bancários.

            Foi na casa do então diretor do Jornal do Brasil, Nascimento Brito, que se realizou o contato para a tal aproximação. Como testemunha, o poderoso ex-presidente da Fifa, João Havelange.

            Acordo feito, Ricardo Teixeira visitou Lula dois meses depois e a paz da cartolagem com o Poder da República estava selada. Os entendimentos se fortaleceram, a ponto de Ricardo Teixeira ter se referido a Lula como “meu grande amigo”, na festa de encerramento da temporada oficial de futebol, há poucos dias.

 

O futebol bem próximo do Poder da República

            Foi neste ambiente de camaradagem que o governo tratou de beneficiar os clubes, inicialmente com a Timemania. A loteria caçula da Caixa repassava para o torcedor-apostador o ônus de pagar o rombo de R$ 2 bilhões aos cofres públicos.

            Por muitos anos, dirigentes espertos não repassaram ao fisco os valores recolhidos dos atletas referentes ao INSS, Imposto de Renda e Fundo de Garantia. A dívida cresceu e se tornou impagável. A Timemania surgiu para tapar o buraco, mas está se mostrando insuficiente e novas medidas deverão vir em breve.

            A força do futebol no governo Lula foi tal, que a proposta original para que os clubes saldassem seus débitos era de 60 meses. Mas uma emenda apresentada na reta final da votação elevou esse prazo para 180 meses. “E se houvesse mais tempo aumentaríamos este prazo”, gabava-se o então presidente do Flamengo, Márcio Braga, um dos líderes que fez aprovar a Timemania.

            Não é só isso. Ao editar o Estatuto do Torcedor, o governo federal pretendeu colocar ordem nos estádios. E determinou que campos de futebol com capacidade superior a 20 mil torcedores deveriam ter circuito interno de TV para controlar os brigões.

            Nada disso foi cumprido. Resultado: o Ministério do Esporte está investido R$ 50 milhões para equipar alguns estádios, o que demonstra mais uma intromissão do Estado em negócios da iniciativa privada altamente rentável.

Dinheiro no futebol profissional

            Sobre isso, é oportuno lembrar como o dinheiro público está financiando o enriquecimento de clubes de futebol.

            O São Paulo FC, por exemplo, já captou em torno de R$ 18 milhões da Lei de Incentivo ao Esporte. Boa parte do dinheiro vai para a formação de atletas que, mais tarde, são vendidos ao exterior. A renda do negócio é incorporada ao patrimônio do tricolor – ou de outros clubes que usam o mesmo recurso. Ou seja, enquanto o governo abre mão de parte de seus impostos para tornar o país potência esportiva, clubes profissionais usam o dinheiro para aumentar suas rendas e patrimônios.

            Foi neste panorama que o Rio de Janeiro sediou os Jogos Pan-Americanos de 2007, com orçamento inicial de R$ 450 milhões e custo final de R$ 3,8 bilhões.

            Assunto polêmico e de gastos suspeitos que ainda hoje ilustram vários processos no Tribunal de Contas da União, o Pan-2007 tornou-se referência para o Brasil receber outras competições internacionais.

Eventos

            Com participação ativa do presidente Lula, o Brasil foi escolhido para a sede do Campeonato Mundial de Futebol de 2014 e, mais tarde, das Olimpíadas Rio 2016.

            Não por acaso o Mundial vem parar no Brasil. Trata-se de mais uma etapa da estratégia que Lula traçou com Ricardo Teixeira, usando a força da imagem da Seleção Brasileira, mundo afora. A idéia era tornar o país conhecido e admirado pela camisa canarinho e carisma de seus craques, mas com duas metas individuais: aumentar o prestígio de ambos capazes de tornar Ricardo Teixeira Presidente da Fifa, e Lula ser lembrado para um honroso cargo na ONU.

            Assim, despede-se o presidente Lula de seu governo de oito anos com forte generosidade ao esporte de rendimento, ao contrário da base, totalmente à míngua, desassistida por falta de políticas específicas. As ações realizadas neste sentido são inexpressivas.

Contrastes

            E se hoje temos o desafio de preparar eventos grandiosos e de fortíssimo apelo econômico-financeiro, como a Copa das Confederações, do Mundo, Olimpíadas e Paraolimpíadas, envergonha-nos observar que não temos uma estrutura esportiva integrada entre Estados e Municípios, confederações esportivas, federações, governo, educação e esporte. E, pior, constatar o espetacular desperdício de talentos que se perde por falta de iniciativas públicas.

            Os ministérios afins – Esporte, Saúde, Educação, Meio Ambiente, Turismo etc – não dialogaram em 10 anos para que tivéssemos um projeto integrado que levasse o esporte, prioritariamente, às escolas e atuasse como  apoio à formação do caráter dos jovens, incentivador para o desenvolvimento físico e intelectual.

            Orgulha-se o Presidente Lula de encerrar o seu governo com o país entre as 10 economias mais fortes do mundo. Mas nos entristece constatar que diante de tal riqueza ainda estamos em 75º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), para cujo cálculo influenciam ações nas áreas da educação e da saúde.

Lembrança

            Diante disso, ainda hoje, 10 anos depois, me venha à lembrança uma entrevista com nosso tenista maior, Gustavo Kuerten, o Guga.

            Nos Jogos de Sydney, em 2000, queria saber o que faltava para que o Brasil se tornasse uma potência olímpica. Uma política de esportes, quem sabe? – indaguei.

            Desengonçado como é seu estilo, cabelos em desalinho, Guga coçou a cabeça e resumiu:

            “Pô, cara! Se a gente não tem uma política de saúde nem de saneamento para os garotos como podemos pensar em esporte?”

            Quem sabe a próxima presidente, Dilma Roussef, possa se voltar para esta realidade a partir da valorização do esporte na escola, exigência constitucional ignorada pelos governos que encerram a década.

Por José da Cruz às 15h19

Dinheiro das loterias para o esporte

            Repasses da Caixa Econômica de janeiro a outubro/2010, que destina 2% das loterias federais para os esportes olímpicos e paraolímpicos (Lei 10.264/2010):

            Comitê Olímpico                  R$ 114.797.000,00

            Comitê Paraolímpico            R$   24.418.000,00

Previsões

            Como os últimos testes da Megasena – a que mais rende – têm acumulado, isso significa que os valores das apostas crescem, aumentando, claro, os repasses para o esporte.

            Nos próximos dias a assessoria de Imprensa da Caixa (que faz a divulgação oficial) informará os valores até novembro.

            Pelos meus cálculos o COB chegará ao final do ano com R$ 150 milhões só das loterias, contra uma previsão de R$ 100 milhões, do próprio Comitê. Terá ganho de 50%.

            Este dinheiro destina-se a financiar projetos das confederações e despesas administrativas do Comitê Olímpico.

Por José da Cruz às 10h19

Doping: campeã mundial na cadeia

Na Folha de S.Paulo, hoje

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

            Dezenas de pessoas foram detidas ontem, na Espanha, em uma megaoperação contra o doping em diversas províncias espanholas.

            A operação, denominada Galgo, foi feita a pedido de um tribunal de Madri e teve como um dos alvos Marta Domínguez, campeã mundial dos 3.000 m com obstáculos em Berlim-2009, e o seu treinador, Cesar Perez.

            Foram realizadas buscas na casa de Marta e Cesar, assim como nas de outros treinadores e médicos suspeitos -como o premiado técnico Manuel Pascua Piqueras, especializado em treinamento com velocistas, o médico Eufemiano Fuentes e o ex-ciclista Alberto León. Os dois já foram flagrados há quatro anos na operação Puerto, que desmontou uma vasta rede de doping sanguíneo.

            Segundo a imprensa espanhola, Marta Domínguez, que deixou temporariamente as competições por estar grávida, é acusada de fornecer substâncias dopantes proibidas a outros atletas. Mas a própria Marta não era consumidora desses produtos.

            A Galgo, nome da raça de cães de corrida de origem espanhola, foi, de acordo com a imprensa local, a segunda maior operação antidoping na Espanha, depois de Puerto, que atingiu vários ciclistas do país.

Por José da Cruz às 08h23

09/12/2010

Projeto Grael: lição de cidadania

               “Águas Limpas”, uma parceria entre o Projeto Grael, a empresa Águas de Niterói, a Clin e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, desenvolve rotina de retirada do lixo flutuante da Baía de Guanabara.

            Para executar a tarefa foi adquirida uma embarcação especial. Também foram capacitados três ex-alunos formados pelo Projeto Grael para a sua operação.

            No primeiro final de semana de dezembro de 2010, após fortes chuvas na região, batemos um recorde de lixo flutuante retirado da enseada de Icaraí: foram recolhidos cerca de 300 quilos de lixo flutuante, inclusive um barco de oferendas com cerca de dois metros.

 

   A limpeza na Baia de Guanabara promovida pelo Projeto Grael tornou-se rotina 

Para saber mais: http://www.projetoaguaslimpas.blogspot.com

 

Por José da Cruz às 23h53

Copa 2014: a esperteza dos empresários gestores dos estádios

         Volto às questões dos estádios para a Copa 2014. Nem tanto a demora na construção, pois não tenho dúvidas de que ficarão prontas. Basta colocar operários em três turnos que os gigantes sairão do chão.

        O problema é o elevado custo das obras e a esperteza dos empresários. Explico:

        O bilionário brasileiro Eike Batista está de olho na administração do Maracanã. Também com foco nas Olimpíadas 2014 criou uma empresa para gerenciar negócios do esporte e diversão, a IMGX, sócia do grupo norte-americano IMG, conforme informou a imprensa carioca.

        Agora, é a vez de a Traffic anunciar que também quer administrar o Maracanã.

        E com certeza virão outras estrangeiras com o mesmo objetivo de fincar pé na nova arena multiuso carioca.

O jogo

        A questão é que na hora de fazer as “Parcerias Público Privadas” – dividindo os custos da obra entre governo e empresa vencedora da licitação – ninguém aparece, como ocorreu no Maracanã, aqui em Brasília e, recentemente, no Estádio de Natal.

        Resultado: o governo, para honrar o compromisso com a Fifa, abre os cofres e paga a conta da reforma ou construção do estádio, onerando significativamente seus orçamentos e promovendo cortes em investimentos sociais prioritários.

        O Maracanã, entra na sua terceira modernização, entre 2002 e 2010. A de agora está orçada em R$ 720 milhões. Somando as duas anteriores é coisa pra lá de R$ 1 bilhão.

        Tudo pronto, inauguração festiva e lá se vai o gigante para a iniciativa privada “administrar a arena”.

        Não é uma beleza? Na hora de pagar a conta da reforma o ônus é do Estado ou município –do contribuinte, por extensão.

        Mas quando se trata de faturar e contabilizar o lucro, o benefício é da iniciativa privada.

        Claro que transferir a gestão dos estádios é correto. Mas a que custo?

        Não tenham dúvidas de que na ponta do lápis haverá prejuízos.

        Com certeza o contrato de parcerias com Traffic, Eike Batista ou seja lá com quem for, em Brasília ou Manaus, no Rio ou em Natal, haverá cláusula fixando carência de cinco a dez anos para que o dinheiro comece a ser repassado ao governo. Isso estava previsto.

        Muito se escreveu quando o Brasil conquistou o direito de receber a Copa. Falamos sobre atrasos, gastos e prejuízos. Agora, tudo se concretiza. E estamos apenas no início do processo.

Por José da Cruz às 12h25

Obrigado, Goiás. Valeu!

Por Sérgio Siqueira

http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/

             GRÊMIO E FLAMENGO DERROTAM O GOIÁS

O Goiás já não é lá essas coisas, imagine enfrentando o Independiente, lá na Argentina, fingindo não ver o olho grosso do Grêmio na Libertadores e a secada do Flamengo pela gloriosa Sul-Americana. Deu no que deu...

 GOL 

Aos 20 minutos de jogo o Independiente marcou o primeiro gol do Grêmio e do Flamengo contra o Goiás.

EL LOCO

Um minuto depois, Rafael Moura - El Loco do Goiás pensou que tinha acabado com a alegria dos secadores.

COMBINADO

Seis minutos após veio o segundo gol de tricolores e rubro-negros no Avellaneda. Parra fez de retruque. Mas valeu um só: Combinado Independente/Gremio/Flamengo 2x1 Goiás.

SENTADO

Como retruque não estava valendo dois, o atacante Parra teve que fazer mais um. Resolveu sentar na frente do zagueiro Marcão para fazer o terceiro gol do seu time. Grêmio e Flamengo iniciaram aquecimento para a prorrogação e cobrança de pênaltis. Meteram álcool nas veias.

PAU E PAU 

O Independiente pensa que joga como time argentino; ele só bate como time argentino.

PRATO FEITO 

Que fome de bola tem esses jogadores do Independiente. Iam na bola como se fosse um prato de comida. Não saiam da zona do agrião.

EGO 

Em craque argentino não se entra de primeira. Basta dar tempo pra pensar: ele sempre quer fazer mais do que sabe.

PERFEIÇÃO 

É impressionante como aquele zagueiro Marcão erra com perfeição uma rebatida atrás da outra na defesa do Goiás. É preciso muita dedicação para chegar a esse ponto.

PRORROGAÇÃO 

O desgaste físico que seria um castigo para os jogadores foi um cansaço para os torcedores.

EXCEÇÃO À REGRA - Nem sempre não perde o pior em campo. O perdedor de ontem fez por merecer não ganhar.

ALEGRIA, ALEGRIA 

No primeiro gol do Independiente, o torcedor gremista pulou de alegria; no segundo, ele e a namorada pularam de alegria; no terceiro a namorada gremista e o amigo gremista do namorado gremista pularam de alegria vendo como o gremista pulava de alegria; no último pênalti do Independiente, o gremista saiu pulando sozinho de alegria... E o Carnaval chegou mais cedo nas ruas de Porto Alegre.

EM CASA 

Pobre do Goiás! No segundo tempo da prorrogação deu bola na trave, teve gol anulado, meteu um sufoco nos argentinos, jogou como se estivesse no Serra Dourada: quer dizer, fez tudo certinho para perder mais uma em casa. Parecia só mais um jogo pelo Brasileirão. Foi um sertanejo cantando milonga. Acabou em tragédia como qualquer tango.

MAL BATIDO 

Para cobrar o pênalti daquele jeito, melhor seria o Felipe ter batido de cabeça.

SADISMO

Nada cai do céu para o Grêmio. O Goiás jogou 90 minutos, esperou passar a prorrogação e foi perder nos pênaltis para, só então, classificar o time gaúcho para a Libertadores. Não é nada, não é nada, isso serve de consolo: o Goiás botou o Grêmio na parada, mas com requintes de sadismo.

MALANDRO 

Já o Flamengo, como de hábito no Brasileirão inteiro, não fez força para nada. Nem mesmo para entrar de mão-beijada na Sul-Americana. O azar é que seu treinador não é chegado a títulos internacionais...

O CHORO - Há sempre um enorme prazer em se ver um torcedor argentino chorando. Mas de alegria, dói.

PRÓXIMO ANO - O Goiás não perdeu o título da Sul-Americana; perdeu o ano de 2011 inteirinho. Mas não há nada como uma boa Segundona para reabilitar. Perguntem ao E. C. Bahia, ao Grêmio, Fluminense...

Por José da Cruz às 08h08

GRÊMIO NA LIBERTADORES!

               

 Líder do ranking da CBF

            A Confederação Brasileira de Futebol divulgou o Ranking Nacional dos Clubes (RNC).

          O Grêmio, apesar de ter terminado o Brasileirão em quarto lugar, lidera a lista, com 2.159 pontos, seguido pelo Corinthians, 2.137. Atual campeão nacional, o Fluminense é apenas o 11º colocado.

            Confira o ranking:  

            http://www.cbf.com.br/media/30704/ranking.pdf

 

 

A torcida avisou

que vai rolar a festa...

Por José da Cruz às 00h54

08/12/2010

A insistente persistência de Orlando Silva

            A presidente eleita, Dilma Rousseff, já confirmou 16 ministros de seu governo.

            E nada de sair o nome do Ministério do Esporte.

            Mas se o atual titular, Orlando Silva, tem o apoio do seu partido (PCdoB), o que estaria atrasando tanto o anúncio de sua continuidade?

            Será que não é para dar tempo de o ministro se mancar e sentir que a imposição não está agradando e Dilma quer, mesmo, mudança?

            A situação está ficando constrangedora!

Por José da Cruz às 20h50

CBF age rápido e impede votação de projeto de lei que permite apenas uma reeleição de cartolas

  O projeto de Lei do deputado Geraldo Magela (PT/DF) impondo o limite de uma reeleição para cartolas de confederações, federações e clubes foi abortado minutos antes da votação, hoje, na Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados.

        O autor da manobra foi o influente assessor parlamentar da poderosa CBF, Wandemberg Santos Machado.

Wandemberg convenceu o relator do projeto, deputado Jilmar Tatto (PT/SP), a não apresentar o o parecer, que era pela aprovação do projeto.

O parlamentar, obedientemente,  acatou os argumentos do representante de Ricardo Teixeira no Congresso Nacional.

        O assunto voltará à apreciação só no ano que vem, pois ontem foi a última sessão da Comissão de Turismo e Esporte.

        O relator, favorável à aprovação do projeto, assim se manifestou:

Vejo como meritórias, portanto, as iniciativas desses Parlamentares de impor o limite de uma única reeleição para o cargo de presidente de entidade de administração do desporto e quem o houver sucedido ou substituído no curso do mandato. A medida de determinar a inelegibilidade de cônjuge e parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do dirigente eleito para o mandato com exercício imediatamente anterior às eleições, constante do PL nº 4.397, de 2008, do Sr.Magela, me parece também oportuna.”

Obediência

        Num plenário esvaziado devido o final do ano legislativo, o assessor da CBF tentou agir diretamente junto à Mesa da Comissão de Turismo e Esportepara tirar o projeto da pauta, mas foi frustrado.

        Em seguida, dirigiu-se ao relator, Jilmar Tatto

e, juntos, redigiram o pedido de retirada do projeto, como manda o protocolo.

        Continua evidente a influência de Ricardo Teixeira junto ao Congresso Nacional. Seus assessores agem às claras, como se decretassem ordens.  Suas atitudes e resultados favoráveis humilham o Poder do Legislativo e reduzem a importância de um parlamentar que se curva aos interesses do dono do futebol brasileiro.

 

Para saber mais:

Projeto de lei: http://www.camara.gov.br/sileg/integras/618768.pdf

 

Relatório de Jilmar Tatto: http://www.camara.gov.br/sileg/integras/818613.pdf

Por José da Cruz às 18h13

Mensagem de leitor sobre a deputada Luciana Santos

Referente à notícia que publiquei, de que a deputada eleita, Luciana Santos (PCdoB), estava cotada para ser ministra do Esporte, recebi algumas mensagens que referendam a idoneidade dela.

Como fiz referência às denúncias de irregularidades durante seu mandato na Prefeitura, coloco o espaço do blog à disposição para divulgar uma das manifestações que recebi.

A mensagem

“Cruz, primeiramente parabéns pelo blog, uma ilha de resistência contra os que insistem em achar que dinheiro público é pra ser distribuído entre os amigos e também contra os que acham que investir em esporte é promover mega-eventos que ignoram sua essência: uma bela ferramenta de formação social.

Sobre a Luciana Santos: moro em Recife e acompanho a carreira política dela desde os tempos de movimento estudantil.

Nunca fui eleitor dela, pois não simpatizo com o partido, mas posso te dar o testemunho de que ela é uma referência em honestidade por aqui, e o seus dois mandatos de prefeita em Olinda, sucedendo antigos "coronéis" da cidade foram marcados pela tão louvada inversão de prioridades: os que mais precisavam de políticas públicas sempre foram privilegiados.

Não a vejo como tão entendida no assunto esporte, mas não deve deixar solta a safadeza como foi feito nos últimos anos...

Assim espero, e até acredito.

Um abraço, e continue na luta!”

Rodrigo

(Publico apenas o primeiro nome do leitor para resguardar a identidade)

Por José da Cruz às 15h57

Mais dinheiro para o esporte: binnnggooo!!!

           O esporte poderá ser contemplado com mais uma rica fonte de renda a partir de 2011.

            A previsão está no projeto de lei 2.944/2004, que regulamenta as atividades de bingos e caça-niqueis, atualmente ilegais.

         

            Na sessão de ontem na Câmara dos Deputados, o projeto, de autoria do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) perdeu a urgência, mas deverá voltar à pauta em poucos dias.

            Depois, a proposta ainda irá ao Senado, onde a votação deverá ocorrer só em 2011, segundo informa a Agência Câmara.

            Segundo a proposta, o controle das vendas das cartelas será diretamente ligada a uma instituição oficial, a fim de que o imposto devido caia na conta do governo instantaneamente.

            O rateio das arrecadações está assim previsto: 80% para premiações; 14% para a área da saúde, 1% para segurança pública, 1% para o esporte e 1% para a cultura. Os restantes 3% ficarão com a casa credenciada.

            Saiba mais:

         http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/POLITICA/151862-CAMARA-APROVA-URGENCIA-PARA-PROJETO-SOBRE-A-LEI-KANDIR.html 

Por José da Cruz às 12h00

Cronista Esportivo

            Hoje é Dia do Cronista Esportivo

            Abraço aos companheiros que trabalham no setor.

            Há bom tempo, Tostão é a minha referência de cronista.

            Por sinal, foi o grande nome ausente na homenagem aos Campeões de 70, na festa da CBF.

            Seus textos são imperdíveis!

            No passado, João Saldanha, cujos comportamento ético e profissional muito me orientaram na profissão.

                 "Vida que segue"         

Por José da Cruz às 11h49

Alô, Polícia!!!

            Ricardo Teixeira e Fifa querem criar a Escola Brasileira de Futebol no Morro do Alemão e favela da Rocinha, informa o colunista Ancelmo Gois, em O Globo.

            Mal a Polícia conseguiu limpar o morro das mazelas dos traficantes, outra máfia já quer invadir o espaço. 

            O Povo do Morro não merece!

Por José da Cruz às 11h04

Inter vai ao Mundial de Clubes

 

                                                      

                                                              BOA VIAGEM!!!

Por José da Cruz às 10h48

Independiente x Goiás

Desculpem, Goianos!

É HOJE ...

Por José da Cruz às 10h36

Brasília: contrastes, prioridades e a ética política

Vejam estas notícias:

     1.    – Os hospitais particulares de Brasília fecharam as portas para receber pacientes de hospitais públicos. Motivo: o Governo do Distrito Federal deu calote de R$ 170 milhões;

     2.    – O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo prevê corte de R$ 12 bilhões no Orçamento da União, logo no início do governo de Dilma Rousseff. Vem dureza por aí com impacto, inclusive, nas obras do PAC;

     3.    – O relator do Orçamento Federal para 2011, senador Gim Argelso, demitiu-se da função.

Ex-corretor de imóveis chegou ao Senado como suplente de político sério, Joaquim Roriz que renunciou porque foi pego com a mão na massa.

   Gim poderá enfrentar a Comissão de Ética no Senado e, se levarem a sério as gravíssimas denúncias, até ser cassado.

   Se isso ocorrer, será o quarto senador por Brasília a sair correndo para não enfrentar o camburão. Os outros foram:

   Luiz Estevão

 

   José Roberto Arruda

 

     Gim e "mestre" Rorirz

Motivos

Reportagem da Folha, ontem, revelou que Gim Argello incluiu em sua relação de emendas para 2011 o repasse de R$ 250 mil para uma ONG controlada por uma amiga, Wilma Magalhães, que foi condenada pela Justiça Federal por evasão de divisas no escândalo dos Anões do Orçamento, nos anos 90.

 

Aberração

   Pois é neste ambiente, de:

a)   calote do GDF aos hospitais particulares, provocando um caos espetacular no sistema de saúde local;

b)   de corte no orçamento federal com repercussão nas contas do Distrito Federal;

c)   e de senador fugindo de cargos para não cair nas mãos da polícia

... que Brasília insiste em construir um estádio de futebol para 72 mil pessoas ao custo de R$ 750 milhões.

Algo como se não houvesse nada mais sério e urgente para nossos políticos tratarem, como formar uma geração ética que honre a capital da República.

Particularmente a história deste estádio em Brasília me deixa indignado e, com certeza, quem defende a monstruosidade nunca precisou passar pela emergência do serviço de saúde local.

       CONTRASTE NA CAPITAL DA REPÚBLICA:

      MISÉRIA e DESCASO x OSTENTAÇÃO INÚTIL

 

Por José da Cruz às 01h42

07/12/2010

Assim tá demais!!!

De Ilimar Franco, na coluna Panorama Político de O Globo, hoje:

O drama do PCdoB

            “Na sexta-feira, a presidente eleita, Dilma Rousseff, fez um apelo ao presidente do PCdoB, Renato Rabelo pela renovação.

            Ela sugeriu que o partido apresentawsse outros nomes para o Ministério do Esporte, já que o ministro Orlando Silva estaria com seu destino garantido: a Autoridade Pública Olímpica.

            A pasta vai ser mantida nas mãos dos comunistas. O nome mais forte para assumir o ministério é o da ex-prefeita de Olinda (PE) e deputada federal eleita,  Luciana Santos”.

 Luciana: ministeriável da vez

Pesquisa

            Aproveitei a notícia de Ilimar para pesquisar sobre a nova candidata à possível vaga de Orlando Silva e encontrei a seguinte notícia na imprensa pernambucana:

           Em abril deste ano, o desembargador José Ivo de Paula Guimarães, do Tribunal de Justiça do Estado (TJPE), decretou o bloqueio de bens da ex-prefeita de Olinda Luciana Santos, a pedido do Ministério Público.

           Luciana e outros seis funcionários da administração de Olinda foram acusados de fraudes em licitação pública.

            Conforme a imprensa, o município pagou mais de R$ 7 milhões à empresa Citéluz Serviços de Iluminação Urbana, para a manutenção da iluminação pública em Olinda. A denúncia do Ministério Público é que a licitação teria sido direcionada. A empresa também teve os bens bloqueados.

            Mas um mês depois, em maio, a 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça cassou a liminar e desbloqueou os bens de Luciana Santos. O processo, porém, continua.

            Agora, para assumir a Autoridade Pública Olímpica a presidente Dilma terá que combinar com o prefeito do Rio, Eduardo Paes e com o presidene do COB, Carlos Nuzman.

Por José da Cruz às 13h42

COB inaugura primeiro Centro de Treinamento Time Brasil

Três anos e meio depois do Pan 2007 o “legado”, enfim, entra em campo.

            O Comitê Olímpico Brasileiro anuncia para quinta-feira a inauguração do Centro de Treinamento Time Brasil, nas instalações do Parque Aquático Maria Lenk, no Rio de Janeiro.

            Com o apoio da Prefeitura carioca, a primeira fase do CT terá espaço para as práticas de natação, nado sincronizada, saltos ornamentais, polo aquático, taekwondo, ginástica artística, levantamento de peso, ciclismo, boxe e patinação artística.

  

Nado sincronizado: treinos no CT Maria Lenk

            Até maio de 2011 serão inaugurados o Centro de Treinamento de Levantamento de Peso, o Laboratório Olímpico e a Sala de Força e Condicionamento.

            A montagem do CT Time Brasil funcionará com o apoio da Samsung, GE, Recoma, Movement, P&G e Ziva, e patrocínio da Casa da Moeda.

Reação

            A inauguração do CT do Comitê Olímpico Brasileiro ocorre três meses depois que o governo federal criou, por medida provisória (nº 502), a “Rede Nacional de Treinamentos”, vinculada ao Ministério do Esporte, composta por centros de treinamento de alto rendimento, nacionais, regionais ou locais, articulada para treinamento de modalidades dos programas olímpico e paraolímpico, desde a base até a elite esportiva”.

            Diz o artigo 17 da mesma Medida Provisória que o trabalho será “em coordenação com o Comitê Olímpico Brasileiro e Comitê paraolímpico Brasileiro...”

            A questão é: compete ao Estado cuidar da formação de atletas? Constitucionalmente, não.

            Desde 1988, quando foi aprovada nossa Carta Magna, elevou-se o esporte a direitos do cidadão. No governo Lula tornou-se “questão de Estado”.

            Ora, isso é óbvio, só faltava dizer. Afinal o esporte tem grande interesse público, pois é parte importante na formação do caráter dos jovens, tem repercussão na economia, na geração de empregos, na afirmação da identidade nacional com equipes representativas em eventos no exterior, etc, etc, etc.

            Mas compete ao governo envolver-se com a formação de atletas de rendimento? Competidores profissionais?

            Qual a diferença entre um jogador de vôlei e um de futebol, ambos das seleções respectivas? E é para esses que o Ministério do Esporte deve se voltar? O Sistema Nacional do Esorte (COB, confedeações, federações, clubes e atletas) não é estrutura suficiente e que deve ser respeitada quando falamos de esporte de alto rendimento? É preciso o Governo Federal “intervir”  numa área para a qual não tem competência nem pessoal afim?

            Por que não age com a mesma desenvoltura em “esporte educacional”, esse sim, de competência exclusiva do Estado, mas totalmente abandonado, há mais de 10 anos?

Fato real

            O que ocorre é que o governo é o grande financiador do esporte olímpico e paraolímpico, e na visão socialista dos que dirigem o setor deve haver a participação de representantes do Estado na gestão de tais recursos.

            Mas a questão não foi discutida. É tratada à distância por cartolas e políticos. O Congresso Nacional se omite e o tempo passa sem que se tenha uma estrutura, de fato, bem definida, com atribuições e limitações de atuações bem delimitadas.

            Prova de que há tal conflito é a ausência do ministro do Esporte, Orlando Silva, na solenidade de quinta-feira, no Rio. Conforme o comunicado do COB, seu nome não está na lista dos que confirmaram presença.

Texto completo da Medida Provisória 502/2010: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Mpv/502.htm

Por José da Cruz às 12h25

“Situação financeira dos clubes não é tranquila. Dívidas se acumulam a cada ano”

            No melhor estilo politiqueiro, o ministro do Esporte, Orlando Silva – candidato a “Orlando, o eterno” – discursou na festa dos melhores do ano da CBF, ontem, no Rio:

            “Nossos clubes estão cada vez mais bem fortalecidos com capital de investimento, trabalho eficiente e competente para manter nossos craques no Brasil”.

            É possível que não tenha chegado às mãos do ministro a análise do balanço financeiro dos 20 principais clubes brasileiros, realizado pela Crowe Horwath RCS – especializada em marketing esportivo. Caso contrário, ele mudaria seu discurso.

Realidade

            Ao encerramento de mais um Campeonato Brasileiro, a euforia dos resultados contrasta com a situação financeira dos clubes.

Os balanços analisados nos últimos seis anos pela Crowe Horwath demonstram perdas acumuladas crescentes a cada temporada.

            Nos últimos dois anos, por exemplo, somente dois clubes apresentaram superávits acumulados:

1.    - Corinthians: R$ 16,7 milhões

2.      - São Paulo: R$     2,7 milhões.        

            O “efeito Ronaldo”, a grande estratégia de marketing do Corinthians – e a principal no futebol brasileiro em todos os tempos – fez a diferença para que o resultado positivo tivesse diferença tão grande sobre o segundo colocado, o tricolor paulista.

            “Outro aspecto importante foi que o Corinthians conseguiu manter as despesas, mesmo elevadas, em um patamar abaixo da receita gerada”, disse o analista Amir Somoggi, da Crowe.

Evolução

            Com base nos balanços publicados Amir analisou o desempenho financeiro entre 2004 e 2009.

            “Nesse período, os 20 clubes com maiores receitas do futebol passaram de montante consolidado de R$ 821 milhões, em 2003, para R$ 1,57 bilhão, em 2009.  A evolução foi de 91% nesses seis anos”.

Déficits

            Porém, no mesmo período, os déficits acumulados dos clubes ultrapassaram R$ 1,2 bilhão, devidos o aumento das despesas e dívidas com o governo federal.

            “Em 2007 e 2008 essas despesas impactaram as finanças de muitos clubes que aderiram à Timemania”, explicou Somoggi.

            Para o analista paulista, “a situação dos 20 clubes que mais faturam no Brasil não é tranqüila, pois os números demonstram um acumulado de perdas a cada ano”.

            Qual a saída?

            “Para que os clubes apresentem equilíbrio financeiro, seria necessário reduzir as despesas ou maximizar as receitas. Esse é o grande desafio dos dirigentes do futebol para os próximos anos”, aposta Amir.

Cortes

            Observem, leitores, que tal desempenho dos clubes ocorre mesmo com o governo injetando dinheiro no futebol profissional através das seguintes iniciativas:

1.    – Lei de Incentivo ao Esporte. Só o São Paulo captou mais de R$ 16 milhões de dinheiro de impostos que o governo abre     mão em favor do futebol.

2.    – Timemanina, que dividiu o calote dos clubes para com o fisco em 120 meses

3.    – Instalação e manutenção de sistema fechado de TV nos estádios para controle das torcidas.

          Ou seja, o governo abre mão de investimentos em áreas prioritárias como a saúde para aplicar em atividade altamente profissional e rentável.

Porque, uma coisa é a análise que Amir faz, com competência reconhecida, analisando o balanço dos clubes.

Outra é o caixa dois, onde se escondem grandes negócios e as transações com agentes e dirigentes.

Finalmente

          Amir Somoggi alerta que “é necessário reduzir as despesas ou maximizar as receitas”.

          E a sugestão ocorre no momento em que a presidente eleita, Dilma Rousseff anuncia que cortes no Orçamento da União em 2011 atingirão até obras do PAC.

          Tudo isso ocorre a menos de quatro anos de recebermos a Copa do Mundo.

Por José da Cruz às 10h23

O regabofe da CBF

Sérgio Siqueira

http://sanatoriodanoticia.blogspot.com

         Depois de ser afagado pelo aplauso de quem não gosta, a famosa vaia, durante a abertura oficial da premiação do Brasileirão 2010, no teatro Municipal do Rio de Janeiro, Ricardo Teixeira subiu para um camarote ao lado do presidente Lula, do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do prefeito do Rio, Eduardo Paes e do Ministro dos Esportes, Orlando Silva. Fosse nos velhos e bons tempos, o audaz guerrilheiro Zé Dirceu e seus aliados não perderiam uma chance com essa para mudar o Brasil.

            Mostrando que, cada vez mais o Brasil sabe menos de futebol, o time dos melhores do campeonato ficou formado por três jogadores do Corinthians, terceiro colocado; dois do Cruzeiro, vice e dois do Fluminense, campeão. Vasco, Santos, Grêmio e São Paulo completaram o selecionado.

            Mais inconveniente do que Andrés Sanchez do Corinthians que tentou ser engraçado, foi o rei da tapioca, Orlando Silva que tentou ser político. Usou o palco iluminado para fazer um discurso mal-disfarçado em prol de sua permanência no Ministério do Esporte.

            Sanchez não conseguiu terminar o que mal começara a dizer.

            Foi defenestrado do pequeno púlpito com uma gentil homenagem da platéia que, aos gritos de "sem ter nada", "sem ter nada", tripudiava o centenário do Corinthians.

            A premiação teve dois grandes erros:

            1) deu a Conca o troféu de craque do campeonato. Bolas, Neymar só falhou este ano quando demorou para mandar Dorival Júnior para o Atlético de Minas;

            2) elegeu Muricy Ramalho, o melhor técnico do Brasileirão - uma injustiça, deveriam ter-lhe dado o prêmio de melhor do mundo de todos os tempos: fez o Fluminenses ser campeão.

            A festa corria com todo mundo jogando pra torcida, quando os caras de pau de pernas curtas entraram em campo e fizeram das coxias do futebol um palanque pornopolítico. Sabe-se lá porque, dessa vez, ninguém conseguiu nem sequer roubar a cena. Nada foi roubado, a não ser a nobreza do esporte, uma vez mais surrupiada.

            A pandilha não tem pena. Sem mais o que pegar para justificar a inauguração de uma nova promessa, voltaram ao título do México, em 70 e reuniram quase tudo que restou da Seleção de Ouro em cima do palco. Como a memória brasileira - olá Millôr - "vai só até à Missa de 7° Dia", fingiram que esqueceram Pelé e a Copa de 58, a que escancarou as portas para o penta mundial.

            O País do Futebol fez uma festa sem o Rei do Futebol. Sem o Atleta do 2° Milênio. Só o mundo inteiro não entende como isso é possível. A CBF sabe. Talvez seja por isso mesmo que, apesar dos pesares, o Brasil é penta. Talvez seja por isso mesmo que já não é decacampeão.

            E lá estavam os campeões de 70, trêmulos- muito mais pelo tempo do que pela emoção que os organizadores do evento queriam sugar dos velhos craques para repassar à platéia e aos telespectadores. Pelé não estava. Quem é rei, sempre será majestade. É como dizia o slogan de uma dessas centenas de rádios Cultura: - Quem é bom não se mistura.

            Pois foi nesse momento solene que um arauto oficial lançou a pedra fundamental de mais uma proposta: a criação do Fundo de Pensão dos Atletas Profissionais, sob o singelo e sutil sentimento de evitar que eles andem pedindo dinheiro e cadeiras de rodas por aí - "já que a carreira é curta".

            Lastimável ver aqueles craques de bola, vestidos de terno e gravata, sapatos apertados sem o conforto das traves nos pés, abraçando políticos de cartola como se fossem gente como a gente. Foi de uma ternura infinda ver João Havelange beijando aqueles senhores todos mais velhos do que ele, transformando-os em comendadores de fitinhas no pescoço. Foi o "bicho" da rodada.

            Ao fim e ao cabo, a festa serviu para o lançamento oficial da carreira de Ronaldo Fenomeno como cartola de chuteiras. Ainda de chuteiras. Logo elas estarão como coisas comuns dependuradas na sala da diretoria do Corinthians. É corintiano, louco; louco de corintiano. E tem bala na agulha pra chegar a tanto. Mais que um ex-goleador, é um novo mecenas do futebol. Andando com quem anda, ele que se cuide para não sair com uma mão na frente e outra atrás.

            Na festa de 2014, quem sabe lá, não será um dos homenageados por Havelange com um beijo e uma comenda no pescoço.

Por José da Cruz às 09h57

Festa dos melhores da CBF deixa convidados na rua. Ricardo Teixeira é vaiado

            Muita autoridade com convite na mão ficou do lado de fora do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, na premiação dos melhores do futebol de 2010, hoje à noite. Inclusive o zagueiro William, do Corinthians.  

            Mesmo em festa solene, com a presença do Presidente Lula, a CBF não acerta.

            Repete-se em solenidade oficial o que ocorre nos estádios. Só faltaram os cambistas.

            E o Estatuto do Torcedor não prevê punição para estas situações.

            Mas de que adiantaria?

Saudações

            Ricardo Teixeira discursou logo na abertura da solenidade. E foi vaiado assim que anunciaram sua fala. 

            O que será que ele andou fazendo? O anfitrião vaiado? bah!

            Teixeira saudou a todas as autoridades, menos o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman.

            Foi fiel às relações entre os dois, que se falam só por conveniência dos eventos que sediaremos.

            Já o ministro do Esporte, Orlando Silva, saudou Nuzman. É a chamada “hipocrisia social”. Puro protocolo.

Puxa saco

            Na ânsia de obter o apoio da cartolagem para permanecer no cargo, Orlando Silva defendeu a aprovação, pelo Congresso Nacional, do projeto de lei que remunera os clubes formadores de atletas.

            Em outras palavras: é a volta da lei do passe, da escravatura do atleta.

            Em vez de defender quem faz o espetáculo, os jogadores de futebol, Orlando fica do lado mais safado do esporte.

Discurso

            Estranho, muito estranho o presidente Lula não ter discursado. Logo numa festa em que o tema era uma de suas paixões, o futebol, pelo qual foi generoso, a ponto de criar uma loteria – a Timemania – para o apostador pagar a conta bilionária da sonegação fiscal dos cartolas.

            Será que ficou com medo de também ser vaiado por ser amigo de RT?

Amigos

            A festa no Rio foi realizada uma semana depois que a imprensa inglesa divulgou que o presidente Ricardo Teixeira recebeu propina de R$ 16 milhões da extinta ISL.

            E 10 dias depois que o jornal Lance divulgou que Ricardo Teixeira é sócio duplo e exclusivo do Comitê Organizador Local da Copa 2014,  enquanto os cofres públicos bancarão boa parte da festa.

            Com a cara de pau que o caracteriza, Ricardo Teixeira se apresentou como se fosse um homem idôneo, um ficha limpa.

            E para provar que tem prestígio ainda chamou o presidente Lula de “meu grande amigo”.

       Olha os "grandes amigos" aí, olho no olho

            Acho que foi aí que Lula avisou o cerimonial que não falaria mais.

            “Meu grande amigo”? Putz, Presidente, foi mal.               

COMBATA A CORRUPÇÃO CORRENDO

Dia 12 de dezembro

Esplanada dos Ministérios

http://www.venceremosacorrupcao.net.br

Por José da Cruz às 00h12

06/12/2010

Segundo Tempo não paga salários em Pernambuco

             Os 430 servidores contratados para o programa Segundo Tempo, da Secretaria de Esporte de Pernambuo, em convênio com o Ministério do Esporte, estão sem receber seus salários.

            A informação é do jornalista Magno Martins, publicada no jornal Folha de Pernambuco do dia 4 de dezembro.

            “Os funcionários estão distribuídos por 105 núcleos espalhados em 65 municípios.

            A maioria é estagiário e quando reclama seus direitos ainda sobre ameaça de demissão”, diz Magno Martins.

 O Segundo Tempo é o mesmo programa que, em Brasília, já levou cinco envolvidos para a cadeia, acusados de roubarem o dinheiro que deveria ir para a alimentação das crianças.  

 

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Dia 12 de dezembro

Esplanada dos Ministérios

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Por José da Cruz às 15h23

Minitério da Cultura coloca lenha na disputa pela sucessão no Esporte

Voltam a ferver os corredores do Ministério do Esporte com a demora de a presidente eleita, Dilma Rousseff, confirmar Orlando Silva no cargo. Muita gente está arrepiada por lá.

            Tudo porque neste fim de semana outra comunista, Jandira Feghali, ex-secretária de Cultura do Rio de Janeiro, foi citada como candidata ao Ministério da Cultura, pasta que está sendo muito disputada na Esplanada.

            E aí, o partido ficaria com dois ministérios? Esporte e Cultura? Alguém vai sobrar. A diferença é que o PC do B ainda não se manifestou sobre o apoio a Jandira, assim como fez com Orlando Silva.

            A classe artística apóia a permanência de Juca Ferreira (PV) no Ministério da Cultura, onde está desde o início do governo Lula, como secretário executivo de Gilberto Gil, inicialmente, e, desde o segundo semestre de 2008 como ministro.

            Ocorre que o PV não é da base aliada e isso dificulta a sua permanência.

 Pressa

Com apoio incondicional do PC do B, Orlando não tem o aval principal, de Dilma. Para a presidente, Manuela d´Avila estaria na cota feminina de sua equipe, conforme já comentei em outras mensagens.

            Argumento do PC do B que fez chegar ao gabinete da transição: “Além de ser pré-candidata à Prefeitura de Porto Alegre, em 2012, Manuela não tem experiência em assuntos do esporte”.

Ora, ora, e Orlando Silva, além de cantar, sabia o quê quando chegou em Brasília?

Sabia sobre a UNE e nada mais. Nem diferenciava entre um taco de golfe e um de beisebol.

Particularmente, acredito que Orlando ficará no Esporte. A não ser que Dilma faça valer a proposta de ter uma equipe feminina expressiva e ignore a indicação do PC do B.

Se isso ocorrer, ela começará um governo fortalecido pela decisão pessoal e não pela influência partidária.

 

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Dia 12 de dezembro

Esplanada dos Ministérios

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Por José da Cruz às 11h02

Sanatório da Notícia no Brasileirão

Sérgio Siqueira

Do http://sanatoriodanoticia.blogspot.com

ERRO FATAL

Ao apagar das luzes da véspera do último jogo pelo Brasileirão, a direção do Corinthians desafiou os astros e trocou flâmulas e camisetas com seu mais público e notório torcedor. Pediu, levou.

E no ano que vem, longe do Planalto, Lula será torcedor de arquibancada. O Corinthians que se cuide...

SUBIU PRA CABEÇA

Depois de muito esforço o fracasso, afinal, subiu à cabeça de Vanderlei Luxemburgo. Ele não conseguiu rebaixar nem Atlético e nem o Flamengo para a Segundona. Até nisso ele precisa dar um tempo para reciclagem.

BATALHOU, BATALHOU

O Guarani não era um time dentro de campo. Correu, bateu, dividiu, batalhou, batalhou... Depois, no aeroporto Santos Dumont, ainda reclamou à Infraero que perdeu a mala...

DE LABORATÓRIO

Aí, Emerson faz um gol de joanete, pelo meio das pernas do zagueiro e do goleiro do Guarani. Bem do jeitinho que, no intervalo, Muricy Ramalho mandou que ele fizesse.

O ATACANTE

Esse Washington é um grande atacante. Mal entrou em campo e saiu o gol de Fluminense. Foi ele quem, com os olhos, desviou a bola das mãos do goleiro.

CANSAÇO

Muricy disse que tirou Fred no meio do segundo tempo porque ele estava cansado. Só se estava cansado de cabecear por cima da trave.

DÚVIDA

Os torcedores tricolores não sabem o que lhe causou mais alegria: o título do Brasileirão 2010, ou aquele ano quando subiram direto da 3ª Divisão para a primeira. 

SEGUNDONA DE NOVO

Com o Cruzeiro de vice, Cuca mandou o Corinthians para segunda divisão da Libertadores da América. Vai disputar a pré-copa.

MELHOR EM CAMPO

O melhor nome do time do Corinthianas em campo nesse jogo contra o Goiás foi, disparado, o Luciano do Vale.

MAIS QUE MALA!

Aquele gol do Goiás não teve nada a ver com mala. Falaram na arquibancada, em baú da in/felicidade.

NO DEVIDO LUGAR

A diretoria do Corinthians se movimentou com malas e bagagens, fez o que pode e o que não pode para chegar ao título, mas dentro das quatro linhas, os jogadores se superaram e colocaram tudo nos devidos lugares.

COMPLEMENTOS

Com o Vasco é assim: quando faz 2 x 0 é contra o Ceará. A torcida ainda sai falando mal. Já o Grêmio, meteu uma trigina no Botafogo e ganhou o direito histórico de torcer contra o Goiás para entrar de lambugem na Libertadores.

Por José da Cruz às 00h39

05/12/2010

Depois de 26 anos...

                      PARABÉNS TRICOLORES!

                                        

                                     

    Abraço especial aos amigos

 

Gil Castello Branco e Gabriela, Quito Rossi,

 

BGil,  Delei, Marcos e Vítor Pinheiro e Felipe Campbell

 

Merecida conquista!

 

Por José da Cruz às 18h22

Sejam olímpicos!

Por Alberto Murray Neto

http://albertomurray.wordpress.com/


            Sou um OLÍMPICO. Por isso uso essa expressão. Assim como estimulo todos que seguem a filosofia Olímpica a usá-la. Ninguém é dono do espírito Olímpico de outrém.

            Por isso que meu Escritório já se dispõe a trabalhar de graça para quem for importunado por ser OLÍMPICO. Igualzinho ao que fizemos com a Eminente Professora Kátia Rubio, que não se intimidou e cujos argumentos jurídicos que utilizamos em nossa argumentação fez com que a cartolagem (nada) "olímpica" voltasse para casa com o "rabo entre as pernas".

            Foi um caso de proporções mundiais, repercutido na imprensa de vários Países, Acadêmicos de diversas localidades e cujo tópico chegou a ser incluído na pauta do Congresso Olímpico em Vancouver, no Canadá. (NR: Depois de tentar na Justiça impedir a circulação do livro “Esporte, Educação e Valores Olímpicos”, de Katia Rubio, alegando uso exclusivo da palavra “Olímpicos”, o COB retrocedeu e retirou a ação).

            Em recente entrevista dada à Revista Piauí, o presidente do COB reconheceu publicamente o erro, dizendo ter "sido um tiro no pé" e culpando o Sr. André Gustavo Richer, que havia assinado a agressiva e ilegal notificação extrajudicial contra a Professora Katia.

            O presidente do COB disse à revista Piaui que estava fora do País e "que mais nada sai daqui sem a revisão do meu advogado." Ou sejam deu atestado de bocó aos seus assessores que fizeram o ato agressivo contra a Professora.

            Tentando minimizar as coisas, o Ministério do Esporte deu à Professora Kátia Rubio, minha dileta amiga, de quem sou admirador, a medalha do Mérito Olímpico.

            O próprio Cob está tentando aproximá-la, cooptá-la, através de promessas de projetos conjuntos com a editora Casa da Palavra, que edita as (poucas) coisas de interesse do Comitê.

            Ocorre que Kátia Rubio, filha de metalúrgico do ABC, não se desvirtua com agrados vindos de quem quer que seja. Já me disse, várias vezes, que seu caráter não tem preço.

            Ela engrossa as fileiras daqueles que não gostam da atual administração olímpica brasileira. Assim como seus alunos e Colegas da Universidade de São Paulo.

            A produção científica do COB sobre o Olimpismo é nula em comparação com o que se faz no meio acadêmico.

            O Cob não somente não tem interesse no assunto, como não tem competência para fazê-lo.

            Eu desafio qualquer membro da diretoria do Comitê a debater Olimpismo comigo, com os Professores da USP e do Rio de Janeiro.

            A Academía Olímpica Brasileira ("AOB") não tem papel algum. Tem seus estatutos amarrados à presidência do Cob. Não produz nada. Desafio a mostrar uma única produção científica da AOB.

            Afianço que os professores que compõem a AOB, bem como as outras pessoas, dentre as quais eu me incluo, não estão satisfeitas com o COB e com a própria AOB. Somos da oposição.

            E justamente por isso, porque o COB não faz nada, nós produzimos nosso trabalhos Olímpicos por moto próprio.

            E a Professora Kátia Rubio  é um dos grandes expoentes Olímpicos do Brasil.

            O COB e o Ministério do Esporte só prestou atenção nela quando a Professora não intimidou-se e, lastreada nas leis, na doutrina e na jurisprudências, botou a nossa cartolagem para correr.

                  Queremos democracia no COB, já.

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Por José da Cruz às 17h12

A verdade que sai da Embaixada Americana no Brasil

                Ilimar Franco, em O Globo de hoje, transcreve telegrama confidencial da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília sobre as Olimpíadas de 2016.

              O documento foi obtido pelo Wikileaks – a organização do australiano Julian Assange, que desafia o sigilo dos negócios de Washington:

            0 telegrama fala sobre promessas do presidente Lula, entre elas a de que "o Brasil ganhará mais medalhas nos Jogos de 2016 do que nos anteriores".

            Comentário da Embaixada em Brasília: “embora não haja nenhum programa em curso para melhorar o desempenho dos atletas de ponta”.

            Com a palavra o ministro Orlando Silva e o presidente do COB, Carlos Nuzman.

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Por José da Cruz às 16h46

"Aqueles que acham pouco..."

            Luis, leitor deste blog, me alerta que a vitória na Fórmula Truck foi a segunda do Corinthians, neste domingo.

            Pela manhã, o time paulista sagrou-se  campeão da Taça Brasil de Futsal, 36 anos depois do último título.

            A vitória foi de 4x3 sobre os gaúchos de Carlos Barbosa, em jogo realizado em Jaraguá do Sul (SC).

            Na quadra rápida do futsal, na pista veloz da F-Truck deu Corinthians.

            E  os Gaviões da Fiel continuam cantando...

            “Aqueles que acham pouco...”

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Por José da Cruz às 16h29

Em primeira mão: Corinthians campeão!

 Calma, é no Brasileiro da Fórmula Truck!

A prova acabou agora, aqui em Brasília, e Roberval Andrade venceu, com um Scania, sagrando-se bicampeão da categoria.

 Primeiro título do Corinthians no ano de seu centenário.

Foi a quinta vitória do piloto na temporada, 20ª na carreira.

Na Truck também tem “um bando de loucos”...

Parabéns.

Já no futebol...  Bem, vamos aguardar os 90 minutos.

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Por José da Cruz às 15h25

Lula, campeão do Brasileirão!

Sérgio Siqueira

Do http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/

 

            Fluminense e Cruzeiro viraram francos favoritos ao título do Brasileirão-2010.

 

            Às vésperas da última e decisiva rodada, acaba de derrubar o Corinthians da disputa, Andres, não tinha mesmo nada a perder; Lula, no entanto, não poderia deixar fugir a oportunidade de se livrar da fama de pré-frio.

        

 

            Se der zebra e a mala branca do Guarani for mais forte que a reza do Fluminense e se Cuca persistir com a sua a mania de ser vice a vida inteira, não duvidem... As manchetes dos cadernos esportivos de amanhã serão: "Lula campeão do Brasileirão"!

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