Blog do José Cruz

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31/10/2010

Presidente Dilma, o esporte e o primeiro desafio

"Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras"

A quatro anos da Copa 2014 e a seis dos Jogos Rio 2016, a presidente eleita, Dilma Rousseff, que assumirá dia 1º de Janeiro não tem propostas para o esporte em geral.

Seu programa para o setor não foi apresentado na campanha, como se este não fosse um país com pretensões olímpicas. Na teoria, pelo menos. Já na prática...

        Assim, sem perspectivas para o setor, mas com muitos gastos pela frente em termos de obras, Dilma tem um primeiro desafio que, quem sabe, poderá ser resolvido pelo presidente que deixará o Planalto, Lula da Silva.

Trata-se de aprovar a criação da Autoridade Pública Olímpica (APO), entidade em parceria com os governos Municipal e Estadual do Rio de Janeiro para atender a um dos compromissos do governo federal com o Comitê Olímpico Internacional

A aprovação da APO (Medida Provisória n.503/2010) depende do Congresso Nacional.  A questão maior é: quem será a autoridade a ser indicada por Dilma?

Senado

Se a MP for aprovada ainda este ano, Lula poderá nomear o ministro do Esporte, Orlando Silva, para o cargo, como gratidão. Antes, o indicado precisará ser sabatinado pelo Senado, onde o clima de festa e de pressa para acabar o ano deverá facilitar o processo, agradando ao chefe maior, Lula da Silva.

Quem sabe, será pelo esporte que o país ficará sabendo sobre a força do PMDB no futuro governo de Dilma Rousseff.

Isso porque o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), já havia manifestado que gostaria de ter um correligionário à frente da Autoridade Pública Olímpica. Agora, com o vice-presidente da República do PMDB,  veremos se valerá a influência de Michel Temer para decidir a questão.

        É oportuno lembrar que, independentemente de forças partidárias, o nome de Orlando Silva para o cargo cresce na medida em que foi o único nos últimos oito anos que enfrentou o poder do Comitê Olímpico Brasileiro.

        Para o governo federal, que participará com cerca de R$ 27 bilhões para preparar o Rio aos Jogos de 2016, será necessário ter um gestor que enfrente o principal gestor, Carlos Arthur Nuzman, nesse empreendimento gigantesco.

Presente

        É possível que Lula tenha acordo com Dilma para deixar o cargo com esta situação encaminhada pró-Orlando Silva. Sua relação com o Congresso Nacional, onde ainda tem força e carisma, poderão ser decisivas para tal.

A própria Medida Provisória 503, que cria a Autoridade Pública Olímpica foi redigida de forma a facilitar a vida do atual ministro do Esporte.

        Em seu parágrafo quarto da 19ª cláusula, há exigência de que o cargo de diretor executivo da APO seja ocupado por quem tenha formação universitária.

        Já o cargo de Presidente da  APO, ou seja a autoridade máxima do consórcio, não há exigência de curso superior, atendendo, assim, ao perfil do ministro Orlando Silva, que não concluiu o curso de Direito, conforme revelou seu currículo, quando assumiu o cargo. Ou seja, para os subalternos exige-se qualificação. Já para os cargos superiores...

Ministro

        Diante desse quadro, ficará a expectativa da indicação do ministro do Esporte que, com a ação da Autoridade Pública Olímpica, terá sua atividade reduzida às rotinas ministeriais e a gestão de um orçamento que deverá chegar a R$ 3 bilhões em 2011.

        Sobrará tempo ao novo ministro, quem sabe, para tentar reorganizar projetos importantes, como o Segundo Tempo.

Pelo desleixo da gestão e fiscalização atuais e pelo perfil de um programa eleitoreiro, o Segundo Tempo tornou-se foco de corrupção permanente, revelando o primeiro prédio da Esplanada dos Ministério um  “ficha suja”de lastimáveis lembranças.

Por José da Cruz às 21h59

A sujeira é própria da democracia

O brilho aparente é só externo       

        Repórter da Rádio CBN comentava, há pouco, sobre a limpeza nas ruas de Brasília.

        Nada de propaganda eleitoral, nada de santinhos espalhados pelo chão, postes e muros – sim, Brasília tem muros! – sem banners, cartazes de candidatos, enfim, uma lindeza.

        Não se iludam caros Leitores.

        Cuba também tem ruas limpas quando realiza suas eleições. No entanto...

        Na verdade, a sujeira faz parte da democracia em época eleitoral ou fora dela.

        Quando termina o pleito, por exemplo, a limpeza pública deixa as ruas um brilho.

        Mas quando começa o ano legislativo a imundice volta com toda força.

Por José da Cruz às 10h08

Tropa de Elite II: o voto e a farsa em pele de cordeiros

        O filme Tropa de Elite II escancara a vergonhosa realidade do sistema policial brasileiro e, por extensão, o degradante perfil político, a partir do Congresso Nacional.

       Além da trama, o filme é um documentário atual que desmoraliza os partidos e os políticos, entes participativos da corrupção por tradição e omissos nas soluções por conveniência.

       E onde entra o esporte nessa miséria?

       É que o filme se desenvolve no Rio de Janeiro olímpico, síntese das demais capitais da trágica disputa entre Polícia x bandido, com as bênçãos do Poder.

Rio  Pan-Americano, cuja direção não está nem aí para explicar seus gastos ao público que pagou a conta bilionária.

Rio das mentiras maravilhosas, como as que a tenta nos convencer de que os grandes eventos esportivos são as soluções para as tragédias sociais que matam diariamente, com ou sem tropas de elites.

Hoje é dia de eleição. E de desabafo pelo voto.

Cuidado com os candidatos de riso largo e fácil, principalmente os disfarçados em pele de cordeiro.

Por José da Cruz às 00h50

30/10/2010

Para relaxar a tensão pré-eleitoral

       Tenho muitos assuntos para escrever, mas diante do circo das campanhas eleitorais – que finalmente acabaram – continuo publicando as críticas do jornalista Sérgio Siqueira, colecionadas de seu blog, o Sanatório da Notícia (http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/)

       Afinal, também gosto de humor, e como hoje não tem horário-eleitoral...

       Segunda-feira retorno aos assuntos normais – e antipáticos de denúncias de corrupção no esporte. Tem cada uma!!!

Agora vai

 

Na foto da TV Globo o cerimonial do engole-sapo, antes do debate de sexta-feira.

Vejam quanta ternura no olhar e nos lábios dos candidatos.

As expressões demonstram que um acabou de engolir o sapo do outro.

Não é emocionante o fingimento do poder?

 

O DESCOBRIDOR

No governo Lula só uma coisa superou a sequência de escândalos: as oportunas descobertas de reservas de petróleo em camadas de pré-sal.

JUSTIÇA

Para não continuar sendo cega, a Justiça deveria intimar o presidente Lula para corrigir a prova de português do Tiririca.

FUTURO

A Assembléia de São Paulo resolveu convocar Tiririca para provar se sabe ler e escrever.

O TRE decidiu que Tiririca não é obrigado a nenhum teste para mostrar que não é analfabeto.

Na próxima eleição, ele tem tudo para ser eleito presidente da República.

A COR DO PECADO

O TSE devolveu o mandato de deputado federal a Cleber Verde, expulso do INSS onde trabalhava por ter sido condenado pelo pecado de cometer fraudes nas aposentadorias. 

O tribunal descobriu que o ministro da Previdência, Carlos Gabas, anulara a punição ao funcionário.

Agora, além de ser consagrado deputado Cleber Verde vai receber os salários "atrasados" que não lhe foram pagos desde 2003. Imagine se Cleber, ao invés de Verde, fosse maduro.

Por José da Cruz às 16h01

29/10/2010

Eleições: nem tudo é Tiririca

Do blog Sanatório da Notícia

http://sanatoriodanoticia.blogspot.com/

 

Por Sérgio Siqueira

 

Curiosidade

Agnelo Queiroz vai disputar o segundo turno ou o Segundo Tempo em Brasília?

Diz-me com quem andas...

 

Quem foi?

Joaquim Roriz disse que “O julgamento do Supremo foi teatro do absurdo".

E quem foi o  Ionesco?

Se o Senhor não souber vou perguntar para Dona Weslian.

 

Amigo do Zorro

Para marqueteiro de Serra debate terá "respostas programáticas".

Para esse tonto, qualquer pergunta é problemática.

A próxima atração

No último debate da TV, indecisos perguntam. Todos quererem saber quando e onde foram os outros debates. Na história do Brasil esta é a primeira disputa pela presidência da República em que o último será o primeiro.

Preparado para consolidar o conceito de que a Rede Globo decide as eleições no Brasil, esse novo campeão de audiência vai ter o título de "Rei Momo”:  primeiro e único.

Por José da Cruz às 22h20

28/10/2010

Segundo Tempo joga lama na campanha ao governo do Distrito Federal

        A candidata ao governo do Distrito Federal, Dona Weslian Roriz  atacou o seu adversário, que já foi ministro do Esporte.

       Weslian denunciou nos programas de rádio e televisão que Agnelo Queiroz teria recebido dinheiro do programa Segundo Tempo. Coisa pouca, mixaria de R$ 256 mil.

       Agnelo pode até não ser santo – e quem o é? – mesmo porque já foi comunista, hoje é petista, vermelho que só!  Mas pegar dinheiro alheio? Duvido!

       Mesmo como ministro não consta que tenha se beneficiado. Nem recebendo viagens e mordomias do Comitê Olímpico Brasileiro, que gosta de agradar políticos da Esplanada.

       Ah, sim, estou lembrando: teve um caso, em 2003 no Pan-Americano de Santo Domingo. Consta que Agnelo teve suas contas pagas pelo COB, se não me engano... Mas ele jurou que até devolveu o dinheiro de suas diárias aos cofres públicos. Então tá, nada demais, esquece.

Censura

       Com nome de origem latina – Agnellu, diminutivo de agnus, que significa “cordeirinho”, “dócil”, “obediente” –,  o ex-ministro rugiu como um forte quando viu seu nome na lama da propaganda política: foi à Justiça e censurou, em plena democracia, o espaço de Dona Weslian.

       Tudo por bobagem. Dona Weslian  só divulgou o que a revista Época  já havia publicado  na edição de 31 de maio deste ano. O seguinte:

       “Agnelo Queiroz, candidato do PT ao governo de Brasília é acusado de receber R$ 256 mil desviados de programa do Ministério do Esporte”.

       Portanto, além de ser uma denúncia, pois nada está comprovado, a notícia é velha, não tem novidade...

       Claro que o Segundo Tempo é manchete em vários jornais do país como foco de corrupção, que o Ministério do Esporte não soube combater.

       Há dois dias, por exemplo, o projeto de Americana, no interior de São Paulo, fechou as portas para apurar as denúncias de irregularidades. Também mixaria, coisa de R$ 4 milhões, por aí...

Indícios e suposições

       Além do mais, o que o delegado Giancarlos Zuliani Jr, da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado, identificou na Operação Shaolin são apenas “indícios” de que Agnelo Queiroz “teria” se valido de sua condição de ex-ministro do Esporte para se beneficiar de um “suposto” esquema de desvio de recursos pertencentes a associações que receberam verbas do Segundo Tempo. A declaração está assinada pelo delegado, conforme Época publicou.

       Grifei as expressões “indícios”, “teria” e “suposto” para demonstrar que nada está confirmado, pois o processo, em andamento apura os responsáveis.

       Portanto, Dona Weslian, com o devido respeito, mas a sua assessoria exagerou levando ao ar a denúncia de uma segunda testemunha, Geraldo Nascimento de Andrade, que teria visto Agnelo recebendo dinheiro – os tais R$ 256 mil – numa rua escura de Sobradinho.

       Ora, ora! Que coisa feia Agnelo! Ops, desculpe: “Que coisa feia, Dona Weslian!

       Políticos entram em cada roubada!!!

Por José da Cruz às 19h34

Ministério do Esporte turbinou com verbas municípios de seus candidatos

       Os cinco  municípios que mais receberam recursos do Ministério do Esporte em 2009 tiveram candidatos intimamente vinculados ao Ministério do Esporte, na eleição de 3 de outubro.

        Confirma-se com esses dados oficiais que a máquina do governo trabalha, efetivamente, em favor de seus funcionários-candidatos.

        Repete-se a história do "é dando que se recebe".

        Alguns têm sucesso. Outros...

        Confira quem-é-quem:

1º) Campinas (SP)

Valor: R$ 10.035.239,92

Candidato: Ricardo Petta, a deputado federal pelo PCdoB. Petta foi presidente da UNE, ex-secretário de Esportes de Campinas (até abril de 2009); é irmão da mulher do ministro Orlando Silva, Ana Cristina.

Eleição 2010: 28º suplente, com 60.156 votos;


2º) Araraquara (SP)

Valor: R$ 9,8 milhões

Região de influência de Ricardo Petta;

3º) Manaus (AM)

Valor: R$ 4,7 milhões

Candidata: deputada Vanessa Grazziotim, PC do B

Eleição 2010: eleita senadora com 672.920 votos;

 

4°) Juiz de Fora (MG)

Valor: R$ 4 milhões

Candidato: Wadson Ribeiro, ex-presidente da UNE que largou a faculdade de medicina para ser secretário executivo do Ministério do Esporte até abril deste ano. 

Eleição 2010:candidato a deputado federal teve 54.494 votos, em 14ª suplência


5º) Maringá (PR)

Valor: R$ 3,7 milhões. 

Região de influência de Ricardo Gomyde (PCdoB), ex-assessor do ministro Orlando Silva.

Eleição 2010: com 44.560 votos é o 12º suplente à Câmara dos Deputados

 

Fontes: Siafi e Tribunal Superior Eleitoral

 

Por José da Cruz às 08h33

COPA 2014: Pacote de renúncia fiscal é deboche do Governo

Do blog de "Alberto Murray Olímpico"

www.espn.com.br/albertomurrayneto

      Enquanto os nosso pobres Atletas não têm dinheiro para treinar, pera viver condignamente, o governo brasileiro, mais uma vez, abaixa o traseiro para a poderosa FIFA.

     O pacote de renúncia fiscal lançado pelo poder público federal é um escárnio. Ora, o bom de uma Copa, segundo eles, não é a geração de divisas para o País?

     Qual é o sentido, então, de dar benefícios fiscais a uma entidade privada e riquíssima? Ou tributos não são divisas?

     Ah, tá, o caderno de encargos da FIFA exige, argumentam os governantes e a cartolagem. Que se dane o caderno de encargos da FIFA.

     Em primeiro lugar, esse caderno de encargos é uma papelada obsoleta. Segundo, a FIFA não pode exigir do Brasil o mesmo que exigiu da Alemanha.

     Se querem uma Copa do Mundo de Futebol no Brasil, tem quer ao nosso modo e dentro das possibilidades de uma nação pobre, carente de suas necessidades básicas.

     A cartolagem e o políticos que nos governam são covardes. Têm medo de, ao contrário, exigir da FIFA que trate o Brasil como merece. Quem acha que o Brasil ficará mais rico com a Copa do Mundo está desinformado.

     Há estudos que provam isso. Eventos Esportivos não  tornam um País mais rico.

     Como sempre digo, os dirigentes do Brasil não são patriotas. Não estão comprometidos com o Brasil. Estão, sim, comprometidos até o pescoço com as entidades internacionais que representam e com as quais fazem os seus conchavos, que tanto mal tem causado ao Brasil.

Por José da Cruz às 08h21

27/10/2010

Brasil perde até R$ 69 bilhões/ano com corrupção

       Um relatório da equipe técnica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) exibe quanto custa a corrupção ao Brasil.

       Este estudo conclui que o custo médio da corrupção no Brasil é estimado entre 1,38%  a 2,3% do PIB, isto é, de R$ 41,5 bilhões a R$ 69,1 bilhões (em reais de 2008). 

Diz o relatório:

       “Com estas estimativas, é possível calcular quanto o custo da corrupção representa nas contas do país e também os benefícios que os brasileiros poderiam obter caso a corrupção percebida fosse reduzida.”

       A íntegra do documento está no seguinte endereço:

http://www.fiesp.com.br/competitividade/downloads/custo%20economico%20da%20corrupcao%20-%20final.pdf

Por José da Cruz às 17h25

O equilíbrio brasileiro no ranking da corrupção

          O Relatório da ONG Transparência Internacional coloca o Brasil na 69º posição entre os 178 países que estão no ranking da corrupção.

          O Índice varia de 0 a 10. Dinamarca, Nova Zelândia e Singapura empatam em primeiro, com 9,3 pontos.

               O Brasil nos últimos anos

A  N  O    

PONTOS

POSIÇÃO

2006

3,3

70º

2007

3,5

72ª

20008

3,5

 80ª

2009   

  3,5    

  75ª

2010

  3,7

  69ª

Informações detalhadas: http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2010/results

Por José da Cruz às 12h45

Depois das denúncias, Segundo Tempo fecha em Americana (SP)

       As suspeitas que levantei em 2009 e as comprovações dos companheiros do jornal O Liberal, de Americana, no interior paulista, confirmam que o Segundo Tempo daquela cidade, coordenado pela Federação Paulista de Xadrez, está com inúmeras irregularidades. A Polícia Federal já investiga o caso. 

       Será que o Ministério Público Federal, que mandou arquivar o processo, vai reabrir o caso diante das evidências de fraudes comprovadas?

       Confira a reportagem publicada na edição de hoje de O Liberal

Por Ana Carolina Leal e Diego Juliani

 

        Americana (SP) - O projeto Segundo Tempo chega ao fim sexta-feira em Americana. Segundo o coordenador geral do programa no município, José Alberto Ferreira dos Santos, as atividades serão paralisadas para adequações. Em 29 de agosto, o LIBERAL publicou reportagem na qual revela que o projeto, iniciado em 2005, não condiz com a realidade alardeada pelo governo federal.

        Entre abril e a última semana de agosto, a reportagem realizou uma verdadeira peregrinação pelos núcleos onde é realizado o programa na tentativa de descobrir se os R$ 4,7 milhões repassados pelo Ministério dos Esportes em 2009 estavam sendo bem investidos - desse total, a Prefeitura de Americana deu como contrapartida R$ 856 mil.

        A busca por informações terminou com a certeza de que o número de cadastrados não está de acordo com os participantes realmente ativos, a alimentação não é nutritiva, os espaços não são apropriados, nem todos os professores são devidamente habilitados e os materiais esportivos são de péssima qualidade.

        Questionado sobre quais seriam as adequações, o coordenador foi enfático. "Adequações em cima da própria reportagem que vocês fizeram", disse. Santos, no entanto, afirmou que o problema não é a estrutura ou a qualidade da alimentação, mas o número de participantes do projeto. "O maior problema é a evasão. Não posso continuar com essa evasão de crianças."

        No site do Ministério dos Esportes a cidade possui mais de 13 mil alunos inscritos no projeto, que tem a chancela da Federação Paulista de Xadrez, cuja sede fica na capital paulista. Segundo o coordenador geral do programa, apenas 7,8 mil estão matriculados, sendo que somente 4,5 mil freqüentam realmente as atividades.

        Ele também confirmou a informação de que os alunos estão sendo avisados sobre a paralisação das atividades. "Ainda estou aguardando um documento do Ministério, mas já estamos avisando as crianças", afirmou. De acordo com Santos, o projeto será retomado no município provavelmente no ano que vem, porém, ainda não há data definida. A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa do Ministério do Esporte na noite de ontem, mas ninguém foi localizado para comentar o assunto.

        No final do mês passado, a Procuradora da República, Heloisa Maria Fontes Barreto, requisitou, por meio de ofício, um exemplar do jornal O LIBERAL do dia 29 de agosto deste ano para ter acesso a matéria que fala sobre as irregularidades do projeto. Por intermédio da secretária, a procuradora informou que pretendia avaliar o teor da reportagem para saber se a matéria poderia instruir um procedimento interno já existente sobre o projeto ou se seria o caso de abertura de uma nova investigação.

        O procedimento a qual a magistrada se refere, trata-se do primeiro contrato assinado entre o Ministério dos Esportes e a Federação Paulista de Xadrez. Uma cópia do documento já foi encaminhada para a Polícia Federal e, a oficial, para a CGU (Controladoria Geral da União).

Por José da Cruz às 10h14

26/10/2010

Segundo Tempo: um jogo de xadrez

        O Ministério Público Federal determinou o “arquivamento” de um processo do Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, que destinou R$ 4,7 milhões para a cidade de Americana, interior paulista.

        Apesar disso, a procuradora da República, Heloisa Maria Fontes Barreto, continua investigando o assunto. Cópia dos documentos que analisou ela encaminhou à Polícia Federal para aprofundar investigações.

Jogo de xadrez

        Em 2008, o Ministério do Esporte contemplou a Federação Paulista de Xadrez (FPX) como executora do Segundo Tempo, e não a Prefeitura de Americana, como ocorre em vários municípios.

        Por quê uma federação, sem experiência em atividades sociais de campo e sem pessoal capacitado para instalar 70 núcleos do Segundo Tempo?

        Horácio Prol Medeiros, então presidente da federação, em 2009, justificou que processos com prefeituras são burocráticos, dão mais trabalho para contratar pessoal – 70 coordenadores e 140 monitores, exigindo concurso etc. Já com entidades particulares o processo é mais ágil, mais simples.

Estrutura

        Quer dizer que a Federação tem estrutura para contratar 210 funcionários especializados? Todos com carteira assinada e recolhendo impostos regularmente, exigências do próprio Ministério do Esporte?

        Além disso, para aprovar o projeto, o Ministério exige apresentar comprovação de que a entidade tem competência técnica para atuar. A federação preenche esse requisito? Que experiência tem no setor, fora do tabuleiro de xadrez?

        E o pessoal contratado pela Federação de Xadrez é habilitado para lidar com crianças? foram selecionados profissionais de educação física como exige a lei?

        Estamos, em resumo, diante de um convênio inédito no país com uma federação de xadrez para desenvolver o Segundo Tempo, onde três atividades esportivas são exigidas, sendo duas coletivas, como futebol e handebol, por exemplo.

O outro lado

        O que Horácio não explicou é que o prefeito de Americana, Diego de Nadai, pertence ao PSDB e não ao PC do B, partido do ministro Orlando Silva, que, à época da assinatura do convênio, era candidato a deputado federal por São Paulo.

        Também chama atenção que o ex-vice-presidente da Federação Paulista de Xadrez, José Alberto Ferreira dos Santos, era o presidente do PPS em Americana.

        O acordo para a assinatura do convênio foi feito pelo então secretário nacional de Esportes Educacionais, Júlio Filgueiras, um dos coordenadores da abortada campanha de Orlando Silva.

Investigação

        Entre abril e a última semana de agosto o repórter Gustavo Atoniassi, do jornal O Liberal, de Americana, visitou os núcleos do Segundo Tempo da cidade.

        E o que encontrou?

        Crianças em menor número do que as registradas, alimentação sem nutrição exigida pelo Ministério do Esporte, espaços inadequados para a prática esportiva, alguns professores sem habilitação a função e material esportivo de péssima qualidade. Essas informações já estão na Polícia Federal.

 Estranho

        Consultas que realizei, indicaram que o Ministério do Esporte nunca realizou auditoria no Segundo Temo de Americana no local de execução do projeto.

        No entanto, a Controladoria Geral da União determina que isso ocorra com os convênios cujos valores sejam superiores a R$ 2 milhões.

        E se bem averiguarem observarão que o Segundo Tempo em Americana começou oito meses depois de liberada a primeira parcela. O dinheiro que não foi usado nesse período retornou aos cofres públicos? 

        Quando comecei a me interessar por esse assunto, no ano passado, não havia uma só referência no site da Federação Paulista de Xadrez sobre o projeto de R$ 4,7 milhões com o Ministério do Esporte. Estranho esconder tão importante e milionária parceria.

        As informações só surgiram muito depois que encaminhei os primeiros questionamentos à federação.

        Enfim, esses são os fatos que colecionei e aqui disponho para que os leitores vejam como o Segundo Tempo se transformou na maior vergonha brasileiro em termos de projeto social.

        Até prisões já foram realizadas aqui em Brasília, cujo processo do Segundo Tempo é tão rumoroso que respinga, inclusive, em candidato ao governo do Distrito Federal.    

Por José da Cruz às 11h51

25/10/2010

Rio 2016: detalhes dos custos da candidatura olímpica

A candidatura vitoriosa do Rio aos Jogos Olímpicos 2016 custou R$ 90.134.840,00 aos cofres públicos.    

Na contrapartida, o Comitê Olímpico Brasileiro desembolsou cerca de 10% do valor total, R$ 917.424,00.

Os dados constam do site Portal da Transparência e  do Acórdão nº 2458/2010, do Tribunal de Contas da União (TCU), que cobra prestação de contas das despesas. Do Rio, o Comitê Olímpico Brasileiro informa:

        “O Comitê Olímpico Brasileiro já prestou contas de todos os Convênios firmados com o Ministério do Esporte para a Candidatura Rio 2016, dentro dos prazos estabelecidos. A prestação de contas destes convênios encontra-se no Ministério do Esporte para análise do órgão.”

Detalhes

        Do total gasto com a candidatura, R$ 31,5 milhões (um terço do total) foram  contratados diretamente pelo Ministério do Esporte. Assim:

        Publicidade:      R$   6.595.000,00

        Consultorias:    R$ 24.752.000,00

        O COB, por sua vez, destinou outros R$ 23,9 milhões para consultorias nacionais e internacionais.

        No total foram R$ 48,7 milhões só com as tais consultorias. É mais que o dobro dos investimentos anuais da Petrobras em cinco modalidades: taekwondo, remo, levantamento de peso, remo e esgrima.

Dependência

        Tantas consultorias indicam que estamos profundamente dependentes de técnicos em eventos, e pouco ficou de legado nesse sentido na preparação do Pan 2007.

        Pior: pelas despesas do Ministério do Esporte têm-se uma visão realista da fragilidade técnica desse órgão que quer ditar normas sobre o setor no país. Inacreditável tanta ousadia!       

Trabalhadores

        No mesmo Acórdão, o TCU quer saber “se os trabalhadores designados pelo COB trabalharam integralmente nas atividades desses convênios (de candidatura), de forma a justificar a indicação dessa força de trabalho como contrapartida dos referidos convênios”.       

         Sobre essa questão, assim se manifestou o Comitê Olímpico:

        “Além dos colaboradores contratados diretamente pelo Comitê de Candidatura Rio 2016, o Comitê Olímpico Brasileiro disponibilizou alguns de seus funcionários na força-tarefa em prol da candidatura. Estes funcionários trabalharam integralmente nas atividades firmadas pelos convênios.”

        Os processos detalhados sobre a candidatura carioca estão no seguinte endereço:

http://www.portaldatransparencia.gov.br/rio2016/paginas/gastos-candidatura.asp 

Por José da Cruz às 17h29

Imperdível. Palavra de especialistas: Magic Paula e Thomaz Bellucci

        Duas excelentes reportagens – críticas sem serem ofensivas e atuais que confirmam o que aqui tenho escrito – foram publicadas no domingo no jornal O Estado de S.Paulo, assinadas pelos repórteres Amanda Romanelli e Antero Greco.

        Na primeira entrevista, Magic Paula fala sobre o novo projeto para cinco modalidades olímpicas, patrocinadas pela Petrobras. Respondeu, entre outras perguntas:

        Você defende uma atuação maior do Ministério do Esporte?

        Paula – Quando você está no poder público, tudo é muito lento. Não existe a agilidade da iniciativa privada. Acho que é também papel do Ministério, mas tem de ser construído em conjunto. Porque o Ministério pode achar que é de um jeito, o COB pode achar que é de outro, as confederações, de outro ainda. Tem que existir unidade e, muitas vezes, não se fala a mesma língua.

Thomaz Bellucci

        Na outra entrevista, o tenista Tomaz Bellucci sugere que Gustavo Kuerten seja mais participativo e avalia que “os técnicos (de tênis) no Brasil são muito fracos. Falta qualificação”.

        E conclui com uma frase que aqui é repetida à exaustão:

        “O que falta não é verba...”

        Leiam as entrevistas nos seguintes endereços:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101024/not_imp628991,0.php

 

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101024/not_imp628990,0.php

Por José da Cruz às 11h07

Bola na trave, homenagem a Pelé

Por Sérgio Siqueira

 

       

        Por algum bom tempo, Ronaldinho Gaúcho passou ao mundo a impressão de que surgia um novo Pelé; agora Neymar aparece como o mais notável talento que o futebol brasileiro oferece aos fanáticos de todas as torcidas.

 

        Mas, no dia do seu 70° aniversário, o Rei deixou sua mensagem.

 

        Aquele penalti de Neymar, camisa 70 às costas, perdido contra o Grêmio de Presidente Prudente, time que renegou sua própria cidade e carrega o peso da lanterna no Brasileirão, disse tudo: a ninguém nesse mundo é dado o direito da ousadia de, um dia, ser Pelé.

 

        A bola na trave foi a maior homenagem que Pelé recebeu de aniversário.

Por José da Cruz às 10h12

"Tapioca ensaboada"

Sugiro a leitura de comentário Blog do Paulinho, sobre o debate de sexta-feira entre Juca kfouri e o ministro do Esporte, Orlando Silva, na Folha de S.Paulo:

http://www.midiasemmedia.com.br/paulinho/?p=22764

No Blog do Juca, o detabe está disponível:

http://blogdojuca.uol.com.br/category/autopost/

Mais sobre o assunto no blog de Alberto Murray Neto:

http://albertomurray.wordpress.com/

Por José da Cruz às 09h45

24/10/2010

O golfe, o dinheiro e a crise

         Agora modalidade olímpica, o golfe tem recursos públicos de R$ 5,3 milhões, captados junto à Lei de Incentivo ao Esporte e administrados pela Confederação Brasileira de Golfe.

        Objetivo: Reestruturação da modaliade

        Público a ser beneficiado: 2 mil pessoas.

        É uma bela tacada.

        Já a Federação Paulista da modalidade conseguiu R$ 300 mil também pela Lei de Incentivo ao Esporte para um projeto que atenderá a 15.000 atletas.

        Ou seja, só em dois projetos serão 17 mil atletas atendidos.

        Isso nos dá a garantia de termos um time forte em 2016? Não sei, não sei.

        Visitei na internet as páginas da Confederação de Golfe e da Federação Paulista e não encontrei uma só referência aos projetos para esses recursos.

        Como se trata de dinheiro público, seria muito bom que o Ministério do Esporte acompanhasse a execução dos planos apresentados. Faz isso? Não faz, nem com o golfe nem com qualquer outra modaliade.

        E não faz por falta de pessoal preparado para analisar prestações de contas. É por isso que, mais tarde, fica respondendo a processos do Tribunal de Contas da União, com desculpas de ocasião. 

Enquanto isso...

        O repórter Fernando Itokazu publica na edição de Esporte da Folha de S.Paulo, hoje: “Em crise, Brasil disputa Mundial de Golfe”.

        A modalidade atuará sem o jogador Felipe Navarro, líder do ranking nacional, cortado por  “indisciplina” pela Confederação Brasileira de Golfe.

        Segundo a CBG, Felipe não cumpriu todo programa de treinamento nos Estados Unidos.

        O  pai do atleta, Rafael Navarro – também técnico da seleção brasileira – disse que o filho retornou do exterior para tratar de uma depressão.

        Em decorrência do corte de Felipe, Rafael Navarro pediu para sair da direção técnica da equipe.

        E atirou: o corte do filho foi uma questão política  que prejudica o desempenho do golfe brasileiro.

        Em resumo:

        as questões políticas continuam influenciando na gestão do esporte que hoje, ao contrário de ontem, já não pode alegar falta de recursos financeiros para justificar seus fracassos internacionais.

Por José da Cruz às 11h12

23/10/2010

"Travessuras brasileiras"

       A brasileira Ana Marcela Cunha sagrou-se campeã mundial de maratona aquática 2010 ao terminar em terceiro lugar a oitava etapa da competição, no Emirado de Al Fujairah.

       A suíça Suwamm Oberson venceu a prova e a francesa Aurelie Muller foi vice.

       Ana Marcela confirma a boa safra de nadadores brasileiros na modalidade, seguidora de Poliana Okimoto, campeã mundial de 2009, com nove vitórias em 11 etapas.

Tradição

       Ao fazer esse registro de excelente resultado para o esporte nacional lembro que o Brasil tem tradição em águas abertas.

       Pelo feito de Ana Marcela Cunha volto no tempo à  “travessura” de Ana Mesquita, a paulista que em 1993 concluiu os 36km do Canal da Mancha, com o recorde latino-americano de 9h40min.

Livro indicado

       Hoje modalidade olímpica, a maratona aquática é disputa para poucos. Assim, quem desejar conhecer mais sobre detalhes dessa aventura, solitária na hora da prova, volto a sugerir o livro de Ana Mesquita – “A Travessura do Canal da Mancha”, considerado o maior desafio para os atletas da modalidade.

 

       Escrito com detalhes que levam o leitor a compartilhar da emoção da travessia, o livro  não é apenas uma descrição técnica da preparação, execuçao e conclusão da prova de 36km.

       É, principalmente, o registro de um feito expressivo para o nosso esporte que não pode ficar no anonimato e é preciso ser lembrado, sempre que possível.

A autora mantém o blog: http://anamesquita.zip.net

        

Por José da Cruz às 13h07

Advogado Luiz Felipe Santoro analisa sobre verba recebida pelo IBDD

         Transcrevo a mensagem que recebi do presidente do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo (IBDD), advogado Luiz Felipe Santoro, reportando-se ‘a crítica que fiz esta semana, sobre a destinação de recursos do Ministério do Esporte ao Instituto que dirige, sendo ele membro da Comissão Técnica que analisa projetos da Lei de Incentivo ao Esporte.

        Esclareço, inicialmente, que o recurso se destinou a fim específico de um trabalho contratado pelo Ministério e sua origem é orçametária, isto é, não da Lei de Incentivo.

        “Obrigado pelo espaço que vc democrática e pacientemente me concede, Cruz. Enviei aquele texto anterior (abaixo) para reflexão, que parafraseia seu post e acrescenta informações publicadas no seu blog em 18/10, pois reputo ser a Ana Moser uma das pessoas mais íntegras e corretas que já conheci no Esporte.

        Se estamos debatendo pessoas, vc tem todo o direito de pensar "A Ana Moser pode integrar o CNE - órgão que indica membros para a Comissão da Lei de Incentivo - e presidir entidade que recebe verba pública da mesma Lei de Incentivo pois a conheço e sei que é honesta; o Santoro não pode integrar a Comissão da Lei de Incentivo e presidir entidade que recebe verba pública do ME pois não o conheço e não sei se é honesto".

        Mas se estivermos discutindo conceitos e princípios, as duas situações me parecem bastante semelhantes. Acho que consegui te mostrar onde queria chegar.

        Achei injustiça vc utilizar as expressões "imoral", "abuso de poder", "atendimento a amigos" mas segue o jogo... Abraço, Santoro. Luiz Felipe Santoro”

        Anteriormente, Dr. Santoro remeteu a seguinte mensagem:

        “P/ reflexão: "Membro do CNE recebe verba da Lei de Incentivo para Instituto que dirige. O Instituto Esporte e Educação (IEE), com sede em São Paulo, receberá R$ 165 milhões em 4 anos de patrocínio da Petrobras por projetos aprovados na LIE. Objetivo: “Desporto Educacional”. O projeto (nº x) saiu sem muito esforço, pois a presidente do IEE, Ana Moser, que assina o documento, tem bons amigos no gabinete do ministro Orlando Silva. Afinal, Moser é integrante do CNE, órgão que indica 3 membros para a Comissão Técnica que analisa projetos da Lei de Incentivo ao Esporte. Fica a dúvida e o questionamento: alguém que atua no próprio Ministério – como colaboradora, que seja – pode ser beneficiada por recursos públicos da Lei de Incentivo para a instituição que ela mesma preside? Haverá uma prestação de serviços – cuja importância é indiscutível – e, claro, deverá ser remunerada. Mas é uma atitude moralmente aceitável? Aproveitar-se dos amigos do poder em benefício da instituição que dirige?"

Minha análise

         Os recursos que o Instituto Esporte e Educação, de Ana Moser, recebeu, da Petrobras, teve projeto aprovado por comissão específica da Lei de Incentivo ao Esporte.

        Ali, vários projetos são rejeitados e ela submeteu suas propostas a isso.

        O recurso repassado ao IBDD é orçamentário, para trabalho específico que poderia ser realizado por outras instituições, inclusive o IBDD, desde que analisadas propostas afins.

        Mas esse é o meu ponto de vista e respeito o do Dr. Santoro. O espaço, democrático, está aberto para outras manifestações, pois o assunto é oportuníssimo. O que se discute não são os valores liberados, mas a forma como isso ocorre e os critérios do Ministério do Esporte.

        Segue o debate

        José Cruz

Por José da Cruz às 11h03

22/10/2010

Atores públicos do Pan 2007 já respondem ao TCU por irregularidades em contratos do Rio 2016

       Três anos depois do Pan 2007, cujo rombo oficial ainda não foi divulgado e nenhum irresponsável punido, e a seis anos das Olimpíadas do Rio, o tumulto financeiro dos dois grandes eventos se unem na gestão do Ministério do Esporte, liderado por Orlando Silva.

        Uma recente resolução do Tribunal de Contas da União – que em termos de punição não quer dizer muita coisa, mas escancara a irregularidade, no mínimo – mostra a ousadia dos gestores do dinheiro público, que agem à luz do dia, sem o mínimo de vergonha e certos da total impunidade.

         E quem está envolvido na confusão milionária: gestores públicos do Pan 2007...

O caso

         Em setembro do ano passado, publiquei informação de que o Ministério do Esporte contratou a Fundação Instituto de Administração, de São Paulo, para “realizar estudo de impactos sócio-econômicos dos Jogos Olímpicos Rio 2016”.

         Custo do serviço: R$ 2.058.800,00. Isso mesmo, mais de dois milhões de reais, para um trabalho entre 23 de setembro de 2009 e 28 de fevereiro de 2010.

         Na semana passada, o Tribunal de Contas da União concluiu análise sobre o caso e determinou:

        “aprofundar a análise do Contrato nº 64/2009 (com a tal Fundação) quanto à existência de dano ao erário, e seja realizada a citação e/ou audiência dos responsáveis arrolados a seguir, pela aprovação da justificativa de preços e pela celebração do Contrato nº 64/2009 com a Fundação Instituto de Administração, ante os indícios de contratação antieconômica para a Administração. (grifos meus)

Quem é quem

        O ministro do TCU, Benjamin Zimler, cita os “responsáveis” (?) que terão que se manifestar frente à Corte para explicar sobre o contrato 64/2008, com indícios de antieconomicidade. São eles:

        Rui Batista dos Reis (Assessor Técnico), pela elaboração do parecer de aprovação;

        Ricardo Leyser Gonçalves (Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento)

        Wadson Nathaniel Ribeiro (Secretário Executivo do Ministério do Esporte), pela manifestação de acordo com o parecer;

       José Lincoln Daemon responsável pela assinatura do Contrato nº 64/2009 com a Fundação Instituto de Administração. (os grifos em vermelho são meus)

        Entenderam?

        O escândalo do Pan 2007 não foi digerido e já estão com outro no forno.

       Publico essa notícia com memória para cumprir o dever de informar.

      Mas há esperança, expectativa de que alguém será responsabilizado pela marmelada que acabaram de fazer? Alguém vai devolver a grana que foi paga a mais?

      Sinceramente? Duvido.

       Preparo outra informação também sobre Rio 2016, que saiu na mesma Resolução do TCU e que poderá colocar o Comitê Olímpico Brasileiro em situação de “inadimplência” , isto é, não poderá receber recursos públicos por falta de prestação de contas. Será?

Por José da Cruz às 11h48

21/10/2010

Membro da Comissão da Lei de Incentivo recebe verba do Ministério do Esporte para Instituto de Direito que dirige

    O Instituto Brasileiro de Direito Desportivo (IBDD), com sede em São Paulo, receberá R$ 55.669,92 do orçamento do Ministério do Esporte.

       Objetivo:

       “Subsidiar o Ministério do Esporte na realização de Consultas Públicas, com vistas à promoção do debate acerca do Estatuto do Torcedor”.

       O convênio (nº 749.443/2010) saiu sem muito esforço, pois o presidente do IBDD, Luiz Felipe Guimarães Santoro, que assina o documento, tem bons amigos no gabinete do ministro Orlando Silva.

       Afinal, Santoro é membro da Comissão Técnica que analisa projetos da Lei de Incentivo ao Esporte.

       Fica a dúvida e o questionamento: alguém que atua no próprio Ministério – como colaborador, que seja – pode  ser beneficiado por recursos públicos do próprio órgão para a instituição que ele mesmo preside?

        Haverá uma prestação de serviços – cuja importância é discutível – e, claro, deverá ser remunerada.

        Mas é uma atitude moralmente aceitável? Aproveitar-se dos amigos do poder em benefício da instituição que dirige?

Por José da Cruz às 17h10

Presidente da Confederação de Basquete é questionado sobre escândalo

       Alcir Magalhães Filho, que diariamente edita o excelente Clipping do Basquete, encaminhou a seguinte mensagem ao presidente da Confederação Brasileira de Basquete, sobre o escândalo de ter uma assessora em seus quadros negociando jogadoras da Seleção Brasileira. Confira: 

Prezado Sr.Carlos Nunes 

       Ao ler a noticia abaixo (reportagem de Daniel Brito, na Folha de S.Paulo de ontem), me encontrei entre um misto de estarrecido com o que estava lendo ou a existência de falta de gestão dentro basquete brasileiro.

       O que mais vem nos impressionando que acontecem as coisas e o normal são as respostas : NÃO SABIA DE NADA.

       Sr.Carlos Nunes, se confirmando esta noticia, lógico depois de vc tomar conhecimento, que providencias serão tomadas?

       Será aberta alguma sindicância para apurar os fatos e comunicar a comunidade do basquete ? 

       Serão tomadas as providências que o caso requer ou será empurrado para debaixo do tapete, para cair no esquecimento???

       Como mencionamos anteriormente esta noticia veiculada também na ESPN.COM.BR, realmente coloca não somente a assistente técnica em situação desconfortável, mas a sua gestão perante ao basquete brasileiro,  ainda mais quando a própria diretora do basquete feminino (Hortência) diz :

       "Eu desconheço qualquer atividade da Janeth neste ramo, mas ela sabe que não pode. Não pode de jeito nenhum ganhar dinheiro com atleta e trabalhar em comissão técnica de seleção. Vou conversar com ela", prometeu."

CLIPPING DO BASQUETE

 

 

Por José da Cruz às 12h00

Revelação do basquete tem como empresária Janeth, auxiliar da Seleção Brasileira

           A reportagem de Daniel Brito, publicada ontem na Folha de S.Paulo, confirma que já ocorre no basquete o que acontece no futebol.

        O dinheiro da Lei de Incentivo ao Esporte está financiando a formação de jovens talentos que, mais tarde, são vendidos para clubes estrangeiros, enriquecendo o bolso dos empresários, disfarçados de dirigentes esportivos. (José Cruz)

Por Daniel Brito

Na Folha de S.Paulo de ontem

        A ala-pivô Damiris (foto), revelação brasileira no Mundial feminino adulto de basquete, tem como empresária Janeth Arcaín. Não haveria problemas se a ex-jogadora não fosse auxiliar técnica da mesma seleção que a jovem defendera na Europa, há um mês.

        Paulista de Ferraz de Vasconcelos, município da porção leste da região metropolitana de São Paulo, Damiris, 17, surpreendeu ao fazer um duplo-duplo (dois dígitos em dois fundamentos) contra a Espanha, terceiro jogo do Brasil na República Tcheca: dez pontos e dez rebotes.

        Damiris e Janeth estão juntas desde 2006. A ex-atleta só passou a integrar as equipes nacionais no ano passado, quando o gaúcho Carlos Nunes assumiu a presidência da CBB (Confederação Brasileira de Basquete) e nomeou Hortência Marcari como diretora do basquete feminino.

Janeth foi uma indicação de Hortência para a comissão técnica do adulto e da seleção feminina sub-15, para a qual foi nomeada treinadora.

        "Não vejo problema nenhum. Dá para conciliar as duas funções", disse a treinadora da seleção e empresária à Folha, por telefone.

        As entidades desportivas, quase sempre, combatem os casos em que uma mesma pessoa acumula um cargo técnico e gerencia as carreiras de atletas, por serem atividades incompatíveis.

        Principalmente nas categorias de base, quando os jogadores ainda não possuem vínculos com empresários.

        "Estou com a Damiris desde antes da seleção. Se for um problema para a seleção, então a gente toma as providências", disse Janeth, sem se prolongar na resposta.

        Damiris admite que é alvo de comentários maldosos por parte de algumas companheiras. "Muita gente diz que só estou na seleção porque a Janeth é minha empresária", comentou. "Mas ela [Janeth] não entra em quadra por mim. Quem joga e faz cesta sou eu", conta a ala-pivô.

        A empresária tem discurso afinado ao de sua atleta e garante que faz parte "dos ensinamentos" de seu centro. "O que eu sempre digo [no centro de treinamento] é que nós somos a ponte para que elas alcancem seus objetivos na carreira", explicou Janeth.

        "Não fui eu que convoquei a Damiris. Não sou a treinadora. Foi o Carlos [Colinas]. Todas as pessoas do basquete sabem que ela [Damiris] está na seleção porque merece", justificou a ex-jogadora.

        Foi no centro de treinamento de Janeth, em Santo André, que a ala-pivô começou a jogar, ainda com 13 anos. Quando completou 15, Damiris foi mandada para o Marista, de La Coruña, na região da Galícia, na Espanha.

        Permaneceu apenas quatro meses e voltou para o centro de Janeth, em São Paulo.

        A empresária a colocou no Jundiaí, pelo qual disputa as semifinais do Paulista juvenil contra o Santo André, em datas ainda não definidas.

        A ex-ala do Brasil deixou as quadras em 2007 para se dedicar ao IJA (Instituto Janeth Arcaín), que captou mais de R$ 2,3 milhões por meio da lei de incentivo ao esporte entre 2007 e 2008.

     E a renda dessa transação vai para o bolso do empresário ou empresária.

     Em resumo: nosso dinheiro está enriquecendo o patrimônio alheio, quando deveria ser aproveitado em atividades mais urgentes, como escolas e saúde. (José Cruz)

Por José da Cruz às 10h04

20/10/2010

Orlando Silva x Nuzman: quem perde é o esporte

         O secretário de Esporte de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser Gonçalves, demonstrou em uma frase o nível das relações entre o governo e o Comitê Olímpico Brasileiro.

        Ao se manifestar sobre o convênio da Petrobras e o Instituto Passe de Mágica, assinado na segunda-feira, beneficiando cinco confederações, Leyser afirmou que “a gestão dos recursos para o esporte devem ser mesmo descentralizadas”.

        A declaração vem de quem tem ficha suspeita no TCU.

        Por mais aprovados que sejam os processos que Ricardo Layser coordenou no Pan 2007 pesam sobre seus atos gestões suspeitas de várias irregularidades, conforme vários relatórios do próprio tribunal.

        Portanto, sua manifestação é para lá de inoportuna, mas reflete o quanto deseja se manter no cargo para ganhar vaga no grupo que vai cuidar da preparação dos Jogos Rio 2016.

Azedume

        Se a ausência de representante do Comitê Olímpico Brasileiro à solenidade da Petrobras, na segunda-feira, já criava suspeição, com essa manifestação de Ricardo Leyzer confirmou-se o azedume das relações institucionais.

        Junte-se a isso – é bom lembrar – a imposição do Governo Federal de colocar representante do Ministério do Esporte no grupo que decide sobre o destino do dinheiro público – das loterias – no Comitê Olímpico.

        Governo Federal e COB escancaram, publicamente, que a disputa por hierarquia é briga de cachorro grande e o tom amistoso de outros tempos acabou.

        Como as questões são políticas, é possível que o governador reeleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (abaixo, ao centro), seja chamado para colocar ordem no tatame.

Realidade

        Isso demonstra outra realidade que tenho manifestado frequentemente: há uma desordem institucional no esporte brasileiro. E o responsável – ou seria irresponsável? – é o ministro Orlando Silva, que não soube conduzir, na prática, o ordenamento hierárquico das instituições.

        Ao contrário, tratou do assunto de forma política quando a própria Lei Pelé (n° 9.615/98) já orienta sobre a questão.

        Estamos às vésperas de grandes eventos internacionais;

        Temos empresas públicas e privadas injetando dinheiro no esporte de rendimento – e escolar, agora, como fez a Petrobras;       

        Temos instituições que atendem a todos os segmentos;

        São mais de 15 mil clubes no país, o suficiente para criar vários centros de treinamentos sem necessidade de novas construções;

        Mas não temos comando eficiente e autoridade à altura de um ministro de Estado.

        Pior: Orlando Silva, quer se perpetuar no poder ocupando, à força, a presidência da Empresa Brasileira de Legado Esportivo.

        É uma intromissão governamental vergonhosa a dois meses de mudança no Executivo, sem precedentes na história política recente do país.

        É um comportamento que nos remete à suspeita de que, se não ocupar tal cargo, o ministro de hoje poderá ficar desempregado amanhã.

        Tudo isso é, em resumo, uma vergonha para um país olímpico.       

Por José da Cruz às 18h43

Ministério do Esporte paga até despesa com boate itinerante

       Inconformado com a notícia do Circuito Country – que publiquei ontem à noite (leia, abaixo) – fui buscar na nota de empenho do Ministério do Esporte a explicação para o texto truncado que não esclarecia nada.

O documento mostra que o ministério liberou R$ 750 mil e os restantes R$ 75 mil foram investidos pelos organizadores, totalizando R$ 825 mil, que divulguei no post anterior.

Já o objetivo real da despesa é o seguinte, com transcrição direta da nota de empenho:

 

“O CIRCUITO COUNTRY OESTE PAULISTA, TEM COMO ESTRATEGIA DE ACAO, INTEGRAR DURANTE OS 8 DIAS DE EVENTO, AS COMUNIDADES DOS MUNICIPIOS ATENDIDOS E ENTORNO, A EXPERIMENTACAO E CONSUMO DOS DIVERSOS ELEMENTOS CULTURAIS, ESPORTIVOS, DE LAZER E DE EDUCACAO,ATRAVES DA OFICINA DO COWBOY, DEMONSTRACOES DAS MODALIDADES ESPORTIVAS, APRESENTACAO DE SHOWS SERTANEJOS,BOATE ITINERANTE, STAND ONDE PROFISSIONAIS DA SAUDE CONSCIENTIZARAO OS PARTICIPANTES DO EVENTO, SOBRE A IMPORTANCIA DA PREVENCAO DAS DST, DA DIABETES E DA HIPERTENSAO”.

 

Afora a data do evento – os tais oito dias – que estranhamente não aparece no empenho, o restante está mais claro.

E se observa que até despesas com “boate itinerante” foi paga com dinheiro público, dinheiro dos impostos do povão.

Isso sim é gestão eficiente. Agora vai.

Testemunha ocular

Transcrevo para este espaço a mensagem do jornalista Walter Guimarães, que seguidamente contribui com o blog.

Walter se refere à festa country, no interior paulista. Confira:

       “Cruz, algumas coincidências são inexplicáveis.

Pois bem, no feriado da semana passada eu fui para Taciba (SP). Calma, eu não fui para nenhuma Festa Country. Apenas fui visitar um casal de amigos paranaenses que se mudou para lá há seis meses.

Ao ler a sua mensagem eu fiquei estupefato. Taciba é o lugar mais calmo que conheci nos últimos anos.

Passei quatro dias na cidade sem ter visto um único "cowboy".

Na internet é possível achar imagens do tal Rodeio Show da cidade, e o que chama a atenção é a falta de público.

Tenho a opinião que festas assim devem ser cada vez mais incentivadas, mas não acho que seja pelo Ministério do Esporte, pois muita coisa além do rodeio está envolvido.

Pagar bandas sertanejas com recurso do ME?? Absurdo !!!! Meu amigo, posso afirmar que R$ 825 mil é uma fortuna para a economia da cidade.”

Veja o mapa da localidade:

http://maps.google.com/maps?ll=-22.38918,-51.287808&z=15&t=h&hl=pt

 

Bem, se alguém souber a data da festa country solicito informar. Assim, quem desejar dançar às custas do orçamento público poderá aproveitar, porque, de resto, todos nós já estamos dançando...

 

Obs: para melhor entender esta realidade leia a notícia abaixo, a primeira da série "country".

Por José da Cruz às 00h19

19/10/2010

Ministério do Esporte gasta R$ 825 mil com festa country

         Na falta de melhores projetos para gastar dinheiro, o Ministério do Esporte destinou R$ 825 mil para animar uma festa cavalar, o Circuito Country Oeste Paulista.

         Quem vai receber a polpuda grana de quase um milhão de reais é a Associação de Rodeio Completo de Taciba, também conhecida por “Os Tropeiros”.

         Mas bah! Que tal?

        O Ministério do Esporte comunica como o dinheiro público será gasto: 

       “O Circuito Country Oeste Paulista, tem como estrante os 8 dias de evento, as comunidades dos mo, á experimentação e consumo dos diversos elem de lazer e de educação, através da OFICINA DO Calidades esportivas, apresentação de Shows Sertnd”  (sic) 

        Alguém entendeu essa redação incompreensível? Pois foi assim, para enredar a cabeça, que saiu publicado no Diário Oficial da União, faltando letras e palavras.

       Não seria o caso de o autor passar por um teste de bafômetro?

A festa continua

     “Profissionais da saúde conscientizarão sobre a importância da prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis”. Entenderam?

      O Ministério do Esporte financiará um rodeio, atividade altamente profissional, rentável, destinada à elite e ainda fará ação que compete ao Ministério da Saúde.  

      É, sem dúvida, uma bela ação desportiva!

Por José da Cruz às 21h48

Prêmio Brasil Esporte: reunião da comissão julgadora custa R$ 45,9 mil

        A empresa A3 Brasil Promoções de Eventos Ltda. receberá R$ 45.992,17 para organizar a reunião da comissão julgadora do 2º Prêmio Brasil de Esporte e Lazer de Inclusão Social, em Brasília.

        O prêmio total é de R$ 320 mil para os três primeiros colocados em cinco categorias: dissertação, monografia, relato de experiência, ensaio e mídias.

        Sinceramente: o Ministério do Esporte não tem funcionários capazes de realizar uma simples reunião? É preciso contratar uma empresa especializada em grandes eventos?

Desatenção

        Deixei passar o prazo e não inscrevi duas reportagens na categoria "mídias", uma sobre “Corrupção no programa Segundo Tempo” e outra sobre ”O desperdício olímpico do Pan 2007”.

        Será que eu ficaria entre os três primeiros?

        Sei não, a turma de lá não aprecia muito o que eu escrevo, por mais sério que seja...

        Fica para o ano que vem.

        Até lá terei outros escândalos para escrever, com certeza. Assunto naquela casa da Esplanada dos Ministérios é o que não falta.

        Ah, sim: o valor da reunião acima corresponde ao pagamento de 12 bolsas-atletas, categoria Estudante, durante um ano.

Por José da Cruz às 11h15

18/10/2010

Investimentos da Petrobras serão de R$ 265 milhões até 2014

         A Petrobras investirá, até 2014, R$ 265 milhões em esportes de alto rendimento e educacional (sem fins competitivos) por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, média de R$ 66 milhões/ano.

         No alto rendimento 110 atletas estão selecionados para receberem R$ 20 milhões por ano,assim distribuídos para as seguintes confederações:

         Boxe                   R$ 5.000.000,00

         Taekwondo          R$ 4.400.000,00

         Remo                  R$ 4.100.000,00

         Esgrima              R$ 3.300.000,00

         Levantam.Peso    R$ 3.100.000,00

         “Trabalharemos com metas anuais. Quem não conseguir atingir o objetivo poderá perder o benefício", afirmou a ex-jogadora de basquete e presidente do Instituto Passe de Mágica, Magic Paula, que será responsável por gerir esses recursos.

         O anúncio do patrocínio foi feito hoje à tarde, em São Paulo

         A escolha dos esportes deveu-se à potencialidade olímpica das modalidades. Somadas as cinco atividades, 211 medalhas são disputadas por elas nos Jogos Olímpicos.

Esporte educacional

         Já o esporte educacional receberá R$ 165 milhões em quatro anos, contemplando sete projetos que serão geridos pelo Instituto Esporte e Educação, da ex-jogadora de vôlei, Ana Moser.

Por José da Cruz às 18h49

Copa 2014: estratégias de marketing podem dobrar receitas dos clubes

        Os novos estádios para a Copa 2014 e uma melhora do ambiente de negócios do futebol brasileiro podem fazer com as receitas com bilheteria, que atingiram R$ 250 milhões em 2009, possam se converter em uma fonte mais ampla, alcançando até R$ 430 milhões, em 2014.

        A previsão é da Crowe Horwath RCS, empresa de auditoria e consultoria, com sede em São Paulo.

        Esse novo conceito de geração de receitas no mercado brasileiro é chamado de “matchday” – “dia do jogo”, na Europa, e engloba, além das receitas com venda de ingressos, outros recursos como o consumo nos bares, restaurantes, lojas, camarotes etc.

        “Em um cenário otimista, a projeção da Crowe Horwath RCS é que o mercado brasileiro de clubes de futebol pode encerrar 2014 produzindo mais de R$ 520 milhões em receitas com estádios, sendo 30% desse montante resultado de novos serviços para o torcedor além da compra dos ingressos”, diz Amir Somoggi, da Crowe, especialista em marketing esportivo.

Naming rights

        Os novos estádios poderão também trazer para o nosso mercado uma tendência cada vez mais comum nos EUA e Europa, os contratos de “naming rights”. Nesse caso, uma determinada marca coloca o seu nome na arena, por um contrato de longo prazo.

        “O naming rights é uma receita estratégica para novas arenas e é muito útil, não apenas para ampliar as receitas do estádio, mas também para auxiliar no financiamento da obra”, explica Somoggi.

        Segundo o estudo da Crowe Horwath RCS, os maiores contratos de naming rights do mundo encontram-se nos Estados Unidos.

         Por exemplo, a parceria do time de beisebol New York Mets com o Citigroup. Valor do negócio: US$ 400 milhões em 20 anos, que representa nada menos que metade do valor investido para a construção da arena.  

        “Outro contrato bastante representativo é o acordo do time de basquete New Jersey Nets com o Barclays, acordo também de US$$ 400 milhões em 20 anos”.

        Os casos mais emblemáticos no futebol são do Emirates Stadium, do Arsenal, cujo contrato assinado superou US$ 178 milhões.

        A parceria é de 15 anos pelo naming rights e sete anos pelo patrocínio oficial ao Arsenal e o Allianz Arena, em Munique (contrato foi de US$ 115 milhões), por um período de 15 anos.

       A Alemanha é o país mais adiantado nesse aspecto atualmente no futebol europeu.

 

Por José da Cruz às 17h49

COB sai enfraquecido com nova parceria da Petrobras

 Análise da notícia

           Primeira patrocinadora da Lei de Incentivo ao Esporte, ao liberar R$ 25 milhões para o Comitê Olímpico Brasileiro, em 2007, a Petrobras inaugura hoje um ciclo inédito no esporte nacional.

            O patrocínio para cinco modalidades, através do Instituto Passe de Mágica, da ex-jogadora de basquete, Magic Paula, tem duplo significado para a gestão do esporte

            Positivo: fortalece as confederações que não ficam mais na dependência exclusiva dos recursos das loterias federais;

            Negativo: enfraquece o poder centralizador de recursos financeiros do Comitê Olímpico Brasileiro.

            E por quê enfraquece? Porque o COB teve aprovado projeto de R$ 22,5 milhões, pela Lei de Incentivo ao Esporte. E a captação poderia ser junto à Petrobras, parceira do primeiro investimento, em 2007.

            No entanto, observa-se que a preferência da estatal foi para um projeto inovador, para fortalecer modalidades individuais que, até agora, poucos recursos recebiam da Lei Piva.

Bastidores

            Bem que o COB tentou evitar a parceria que hoje se concretiza. Primeiro, convidando Magic Paula para trabalhar na equipe Rio 2016. Ela não aceitou.

            Depois, pressionando a Petrobras para não fechar o acordo, a fim de que os recursos fossem geridos pelo próprio COB. Em vão.

            Líder por sua própria índole, Paula apresenta-se com perfil para renovar a gestão do esporte a partir do trabalho com cinco confederações agora apoiadas por uma estatal reconhecida internacionalmente.

            Melhor:  as confederações – esgrima, remo, levantamento de peso, taekwondo e boxe têm presidentes com no máximo um ano de mandato. Ou seja, são jovens dirigentes, longe do perfil dos que se perpetuam no poder. Isso significa oxigenação para o esporte respirar novos ares, quem sabe inovadores.

            E outras confederações poderão ser anunciadas em breve, pois o projeto integral de Magic Paula ainda não está fechado pelo grupo que administra os recursos da Lei de Incentivo, no Ministério do Esporte.

Revés

            Para o presidente do COB, Carlos Nuzman, trata-se de um segundo revés em um mês.

            O primeiro foi quando o presidente Lula anunciou, em solenidade no Palácio do Planalto, que o Ministério do Esporte participaria da gestão dos recursos das Loterias federais, conhecida por Lei Piva. Esse eraum desejo antigo do ministro Orlando Silva.

            Agora, o Ministério do Esporte aprova  recursos da Lei de Incentivo a cinco modalidades, mas com gestão centralizada de Magic Paula, ex-secretária Nacional de Esporte e desafeto de Carlos Nuzman.

Fato negativo

            Essas disputas de bastidores ocorrem porque, como tenho escrito, há fartura de fontes para financiar o esporte, o controle saiu das mãos do COB e, principalmente, por não temos um órgão centralizador de uma política para o setor.  

            Isso é péssimo para o contexto esportivo nacional, a luta de poderes a seis anos de recebermos as Olimpíadas.

            As questões técnicas se juntam às políticas. E, pior, outras mudanças poderão ocorrer a partir de janeiro, quando um novo presidente assumir o Palácio do Planalto.

            A disputa não terminou, pois ainda há muito dinheiro e outro tanto de vaidades em jogo.

Por José da Cruz às 14h15

Petrobras investirá até R$ 20 milhões em projeto de Magic Paula para cinco esportes

NO UOL ESPORTE

 

Gustavo Franceschini

        A Petrobras anunciará hoje um investimento de R$ 15 a R$ 20 milhões em um projeto do Instituto Passe de Mágica, da ex-jogadora de basquete Magic Paula.

    A verba será repassada via Lei de Incentivo ao Esporte, e vai ajudar financeiramente cinco esportes: boxe, levantamento de peso, taekwondo, esgrima e remo.

        O projeto vem sendo negociado desde julho. As confederações participaram da elaboração do projeto junto com a ex-jogadora. A ideia é que a verba da Petrobras viabilize a criação de novos atletas, fortaleça as seleções já existentes e amplie a infra-estrutura das cinco modalidades, que não costumam atrair muitos patrocinadores.

        O processo todo, no entanto, é tratado em sigilo. O lançamento oficial deve contar com a presença do presidente Lula, e acontecerá no teatro Gazeta, em São Paulo.

        O martelo foi batido no dia 5 de outubro, na última reunião da comissão técnica da Lei de Incentivo ao Esporte, no Ministério do Esporte. Na ocasião, o projeto do Instituto Passe de Mágica foi aprovado parcialmente.

        Segundo a pasta comandada por Orlando Silva Jr., o envio de algumas certidões é o único impedimento para a publicação no Diário Oficial, o que deve acontecer sem problemas.

        Apesar de estar prestes a ser lançado, o projeto é tratado de forma sigilosa pelas partes envolvidas. Tanto Paula como a Petrobras foram consultados pela reportagem do UOL Esporte, mas disseram que as informações serão detalhadas na segunda-feira (hoje).

        As confederações envolvidas no processo também foram orientadas a não divulgar detalhes. “Nós recebemos o convite e sei que teríamos uma reunião com eles antes [do anúncio]. Mas, infelizmente não tenho muita coisa para divulgar”, disse Fernando Tovar, gerente técnico da Confederação Brasileira de Levantamento de Peso.

        A parceria deve repassar a verba para as confederações envolvidas. O procedimento significaria um aumento considerável no orçamento das entidades, que atualmente só recebem da Lei Piva, que repassa dinheiro de loterias federais ao esporte.

Atualmente, remo, levantamento de peso, esgrima, boxe e taekwondo arrecadam R$ 5,7 milhões por ano pelo benefício.

        Só o vôlei, por exemplo, recebe R$ 2,5 milhões, por conta dos resultados obtidos recentemente.

        Com uma nova fonte de renda, as entidades “nanicas” podem ganhar em independência. Responsável pela transferência das verbas da Lei Piva para as confederações, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) deixa de ser peça tão fundamental na sustentação desses esportes.

 

Por José da Cruz às 10h18

17/10/2010

Nuzman quer mais dinheiro público. Mais???

          Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur  Nuzman, voltou a pedir mais dinheiro para que o esporte nacional tenha resultados expressivos.  

        Disse Nuzman:

        “Sem recursos, não tem performance. Quando a gente ouve alguém dizer que (o Brasil) deveria ganhar mais medalhas, isso parte de pessoas completamente fora de sentido. Precisamos de recursos públicos e de patrocinadores”, explicou.

        Não entendi. O que quer dizer “pessoas completamente fora de sentido”?

        Critico frequentemente a fartura de dinheiro público destinado ao olimpismo. E publico números, sempre volumosos. Sou um “fora de sentido?”

              Tudo bem, desafio abrir as contas para vermos sentido no uso dos recursos que o esporte recebe.

        De minha parte, entrarei com os números oficiais dos seguintes repasses públicos:

a)   Loterias federais (Lei Piva)

b)   Lei de Incentivo ao Esporte

c)   Orçamento da União

d)   Sete estatais que financiam 16 modalidades

e)   Bolsa Atleta (3 mil atletas contemplados)

        Mas gostaria de conhecer o plano de aplicação dos recursos da Lei Piva (2% de todas as loterias para os esportes olímpicos e paraolímpicos) das confederações que têm patrocínios de estatais, e as respectivas previsões de gastos encaminhadas a essas empresas.

Débito

        Para pedir mais dinheiro, Presidente, é preciso deixar as contas bem claras. E isso não ocorre. Três anos depois do Pan 2007 não sabemos nada de nada do bilionário gasto suspeito de dezenas de irregularidades.

        Vamos ser sinceros, presidente Nuzman: não temos um plano centralizado para desenvolver o nosso esporte. Chega de discursos, de lamúrias e desculpas.  

        Quem é o responsável pelo desperdício das instalações do Pan 2007? Ginásios, quadras, pistas, piscinas, estádios fechados, sem um atleta aproveitando privilegiado espaço? E o Senhor ainda reclama que nos faltam centros de treinamento?

        E o que dizer da ociosidade dos clubes sociais, Brasil afora, com os quais o COB não dialoga para aproveitar o tal trabalho integrado que nos falta?

A verdade

        O COB e o Ministério do Esporte medem forças para demonstrar quem tem mais poder e enfrentam o seguinte dilema: o Comitê Olímpico depende do dinheiro público e o Ministério quer ser agente ativo na gestão dos recursos, sem ter competência para tal, porque o pessoal do ministro Orlando Silva é muito ruim também nesse quesito.

Por José da Cruz às 16h35

16/10/2010

Basquete, ginástica, muito dinheiro e a falta de renovação

        A repórter Cristiano Cipriano Pombo publica a seguinte reportagem na Folha de S.Paulo deste sábado:

 

Brasil se vê fora do pódio no Mundial

GINÁSTICA ARTÍSTICA
Com pouca renovação, seleção almeja top 24

        “A seleção feminina de ginástica artística inicia hoje sua luta para participar pela terceira vez da Olimpíada.
        Em Roterdã, na Holanda, onde tem início o maior Mundial de todos os tempos em participação de ginastas - são 572-, o Brasil entra como incógnita e sem expectativa de chegar ao pódio.
        Pela primeira vez desde 2004, o país não tem um atleta entre os destaques do torneio -posto que vinha sendo suprido por Diego Hypólito, recém-operado no pé esquerdo. E, no caso do feminino, o Mundial será um duro teste para a seleção, que sofre para encontrar novos talentos.
        "A equipe renovou pouco. Mas é que não podemos arriscar agora, isso leva tempo e exige critério. Temos que trazer a melhor equipe que temos e é essa de agora", diz a técnica Viviane Cardoso.”

Análise da notícia

        A reportagem segue com outras informações, mas o fundamental está aí.

        Há poucos dias publiquei uma entrevista da técnica do Flamengo, Georgette Vidor. Ela afirmava o que agora vem de forma oficial, da Confederação Brasileira de Ginástica: não renovamos e estamos a menos de dois anos dos Jogos de Londres.

Basquete

        Das viravoltas acrobáticas de nossos ginastas para a quadra de basquete:

        O Globo, hoje, publica que Hortência não gostou do trabalho do técnico Colinas no Mundial feminino. Poderemos ter mudanças na direção técnica  para o Pré-Olímpico na Colômbia, no ano que vem.

        Chama atenção outra declaração, que o projeto basquete visa os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

        Observo que, aos poucos, a cartolagem está tratando das Olimpíadas de Londres como se não fossem importantes. Ops! Isso é grave! Estão prevendo algum fracasso? Despencaremos no quadro de medalhas?

Finalmente:

        O que há de comum entre ginástica e basquete?

        Ambas modalidades – e todas as demais olímpicas – têm dinheiro, muito dinheiro; têm gente do ramo envolvida, como a Rainha Hortência, ou seja, gente com experiência.

        O basquete, em particular, tem direção renovada, mas não rejuvenescida. E aí está o problema. Gestão, meus caros leitores, gestão, tecla desgastada que tanto bato.

        Não adianta ter dinheiro se faltar gestão, planejamento, fixação de prioridades e metas. Até parece que sou especialista escrevendo essas obviedades...

        Resultado: nas quadras das cambalhotas e da bola na cesta estamos sem renovação. Palavras oficiais!

        E não é por falta de dinheiro. Repito: o esporte olímpico tem muita grana, muita mesmo, de várias fontes.

        Apresentem as contas, Senhores, mostrem onde o dinheiro está sendo aplicado, onde está sendo gasto, quem está ganhando o quê!. Nesse aspecto, cobrança, sou especialista, sim.

        Ministro Orlando Silva, faça valer sua autoridade de agente fiscalizador e peça as contas. E mostre as contas. Não as esconda como fez no Pan 2007, cujo relatório final é uma incógnita até hoje. Assim agindo, o uso do dinheiro público fica sob suspeita, até prova em contrário.

Por José da Cruz às 09h48

14/10/2010

CBDU e CBDE receberam R$ 22 milhões do Ministério do Esporte em seis anos

        No dia 1º de junho de 2009, o Ministério do Esporte entregou R$ 175.625,00 para a Confederação Brasileira de Desportos Universitários – CBDU, com sede em Brasília.

        Justificativa oficial para gastar a grana:

        “Participação do Brasil em uma competição de alto nível internacional, realizando o congraçamento dos estudantes universitários, através da prática sadia do esporte, visando, além do desenvolvimento da personalidade, a promoção de intercâmbio social”.

        Local da competição: não se sabe

Período: ignorado

Tipo de competição: não divulgado

Nº de pessoas na delegação: e houve delegação?

Chama a atenção que em fevereiro de 2009 o Ministério já havia liberado R$ 110.500,00 com a mesma finalidade. A justificativa é idêntica, tal  e qual.

Ou seja, foram duas liberações, dois processos. Assunto bom para o Tribunal de Contas da União ou o Ministério Público Federal investigarem em detalhes.

Esse é mais um exemplo de como o Ministério do Esporte esbanja dinheiro  sem visar qualquer tipo de retorno.

Balanço

        Realizei um levantamento entre janeiro de 2004 e agosto de 2010 e conclui que nesse tempo o Ministério do Esporte fez 16 repasses à CBDU para atividades diversas, totalizando R$ R$ 11.713.415,00.

        Qual o retorno que o setor teve nos últimos seis anos que justificassem tal investimento?

Desporto Escolar   

        Para a Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE) o Ministério do Esporte dirigido por Orlando Silva repassou R$ 10,9 milhões, também em 16 parcelas, que variam de R$ 78 mil (para uma “seletiva de futebol”) a R$ 3,7 milhões (participação nos Jogos dos Países de Língua Portuguesa).

        A maior parte desses recursos foi aplicada em viagens para “debater sobre os rumos do esporte escolar” e competições, muitas inexpressivas.

Duplicidade

        Como se sabe, o Comitê Olímpico Brasileiro é o gerente dos recursos das loterias federais destinados aos desportos escolar e universitário.

        Em 2009, o COB contou com R$ 11 milhões para realizar os Jogos Escolares e R$ 5,5 milhões para os Jogos Universitários.

        Paralelamente, CBDU e CBDE também realizam suas competições nacionais. Deveríamos, na prática, ter uma espetacular seleção de atletas saídos desses eventos. No mínimo, o crescimento e fortalecimento desses setores. Temos isso?

        É o que chamo de “desordem no esporte”. Temos várias fontes de recursos, liberados com facilidade espantosa; várias instituições e outro tanto de gestores. A confusão é total e o resultado prático é zero, nulo, inexistente.

        A crítica não é feita em desempenhos de um ou dois anos, mas de sete anos consecutivos.

Concluo que o governo gasta uma fortuna para nada. O desperdício é público e oficial.

Por José da Cruz às 12h34

13/10/2010

Paraolímpicos: a força da bolsa atleta

 

        Com parceria das Loterias da Caixa, que já dura mais de oito anos, o Comitê Paraolímpico Brasileiro tem nas bolsas para atletas uma das programações responsáveis pela evolução dos competidores em nível internacional.

O fortalecimento da modalidade avalia-se pelo quadro de medalhas nos Jogos de Pequim, em 2008, quando o Brasil terminou em inédito nono lugar.

Foram 47 medalhas (16 ouro, 14 prata e 17 bronze), contra as 33 obtidas em Atenas. Dessas conquistas, 15 vieram nas provas de atletismo e 19 da natação.

Nesta entrevista, o presidente do Comitê Paraolímpico, Andrew Parsons, explica sobre o sistema de bolsa atleta, um dos programas decisivos para que os brasileiros se coloquem entre os melhores do mundo.

José Cruz – Como funciona o sistema de bolsa para os atletas de ponta do CPB?

Andrew Parsons – Além do programa Bolsa Atleta do Governo Federal há dois processos do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB).  O primeiro engloba os atletas do Programa de Atletas Alto Nível e é desenvolvido em parceria com as Loterias Caixa, que patrocina individualmente 28 atletas de ponta. Recebem diferentes valores de patrocínio 19 atletas do atletismo (sendo seis atletas-guias), oito da natação e um do judô, totalizando um patrocínio de R$ 1.029.600,00 anuais. A seleção dos patrocinados é feita entre o CPB e a Caixa.

        O segundo processo atende aos atletas que pertencem às seleções permanentes do CPB e que não se enquadram nem na Bolsa Atleta nem no Loterias Caixa Atletas Alto Nível. É destinada a esses atletas uma bolsa de R$ 1.000,00 e para os atletas-guias R$ 750,00, mensais.

        As seleções permanentes funcionam em todas as cinco modalidades individuais - atletismo  (16 atletas), natação (28), halterofilismo (16), tiro esportivo (oito) e esgrima (seis).  Para finalizar, há o Projeto Ouro, que atende atualmente 13 atletas, do atletismo, natação, ciclismo, remo, judô e bocha, com chances reais de conquistar a medalha dourada em Londres 2012. Ele não dá bolsa ao atleta, mas lhe propicia todas as condições para que chegue às Paraolimpíadas em condições de brigar pelo primeiro lugar na sua prova, financiando suplementação, acompanhamento de profissionais especializados, equipamentos, treinamentos.  Os planos são individualizados, mas há uma expectativa de que os atletas recebam um investimento de R$ 100 mil/ano cada em sua preparação.


Cruz - A Bolsa Atleta Pódio (R$ 15 mil mensais), a ser implantada em 2012 pelo Ministério do Esporte, mudará algo nessa programação do CPB?

Andrew – Certamente irá mudar positivamente a programação do CPB, pois será mais recurso sendo destinado à preparação dos atletas individualmente. Como os detalhes do programa ainda não foram divulgados, não temos como precisar o impacto que terá. Como você mesmo já mostrou neste blog, temos um alto número de marcas brasileiras entres as 20 melhores do mundo. O número de atletas no Top 20 de sua modalidade ainda é volumoso. Nas modalidades por você citadas: no atletismo, 93 marcas no Top 20 (57 masculinas e 36 femininas), sendo 36 atletas no Top 20 (23 homens e 13 mulheres); na natação, 131 marcas no Top 20 (43 femininas e 88 masculinas), de 33 atletas, sendo 11 mulheres e 22 homens; na esgrima, uma atleta com uma marca no Top 20; no tiro esportivo, dois atletas com três marcas; e no halterofilismo, 15 marcas de 13 atletas. Não sabemos se todos os atletas nessa posição serão contemplados pela nova bolsa.

Cruz - Os atletas da base também são contemplados com bolsas?

Andrew Além da Bolsa Atleta do Governo Federal, cujo direito é conquistado nas Paraolimpíadas Escolares, os jovens talentos paraolímpicos são contemplados nas seleções permanentes de jovens, já citada. Também trabalhamos a base do esporte por meio do projeto Clube Escolar Paraolímpico e das Paraolimpíadas Escolares. Enquanto o primeiro atende cerca de 800 crianças de oito estados, através de 18 projetos de clubes e associações para a iniciação esportiva, a segunda reuniu no mês passado mais de 800 jovens de 14 a 20 anos de idade na maior competição paraolímpica do mundo nessa faixa etária. Foram três dias de competições em dez modalidades, para os atletas de 22 unidades da federação. Ao final, o Rio de Janeiro se sagrou campeão e os coordenadores técnicos das modalidades puderam identificar novos talentos dos quais muito, com certeza, estarão nas Paraolimpíadas do Rio de Janeiro 2016.
Cruz - O paraolimpismo nacional terá alguma modalidade nova em Londres 2012 ou 2016?

Andrew – Das 20 modalidades do programa paraolímpico só não estivemos presentes em Pequim 2008 com o rúgbi em cadeira de rodas, o tiro com arco e a esgrima em cadeira de rodas. Estamos trabalhando para que as três participem de Londres 2012. Reconhecemos que o para o rúgbi será mais difícil, mas em 2016, com as vagas de país sede, obviamente teremos representantes em todas as modalidades.
Cruz - Em aproximadamente quanto por cento será renovada a equipe para 2016? E como está sendo realizado o trabalho de renovação?

Andrew – É muito difícil afirmar um percentual, hoje são 20 modalidades no programa paraolímpico. Os programas do CPB têm planejamento integrado. Desta forma, o trabalho de renovação que fazemos é permanente, propiciando o acesso de novos talentos ao esporte através do Clube Escolar Paraolímpico e das Paraolimpíadas Escolares, que também servem para a identificação de atletas promissores, que são então encaminhados para as seleções permanentes jovens. 

Planejamento:

Andrew – Além disso, os novos recursos angariados junto ao Ministério do Esporte, como os R$ 20 milhões que tiveram o repasse recentemente anunciados, irão não só contemplar, com valores diferenciados, cada uma das 20 modalidades do programa paraolímpico sob a coordenação do CPB, como também irão fortalecer o Projeto Ouro, e implementar o Projeto Medalha, que alcançará, a princípio, 30 atletas com um investimento de R$ 60 mil/ano em cada um, e o Projeto Geração 2016, que atenderá, em sua fase inicial, 20 atletas com R$ 40 mil/ano cada.

Por José da Cruz às 18h41

11/10/2010

Orlando Pinóquio Silva: promessas & mentiras

Folha de S.Paulo - 18 de março de 2008 

Candidatura a 2016 pode mudar até educação física  

 

        Com um olho na candidatura olímpica a 2016 e outro no alto rendimento, as escolas formam um dos alicerces do plano nacional esportivo formulado pelo Ministério do Esporte.

        A pasta já discute com o Ministério da Educação alterações no currículo da educação física escolar para promover a massificação do esporte e, assim, aumentar a base de onde saem os atletas de ponta.

        Cerca de R$ 30 milhões do orçamento do Esporte neste ano serão destinados a ações nesse sentido.

        "Para Londres ganhar o direito de organizar os Jogos de 2012, foi muito importante o trabalho que fez nas escolas. Esse foi um dos pilares da candidatura", declara o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr.

        "O Brasil pode aprender com Londres. Não existe alternativa para massificar a prática de esporte a não ser associá-lo à educação", reconhece Silva Jr.

        O documento, produzido em conjunto por Esporte e Educação, tentará quantificar a infra-estrutura presente nas escolas.

        "Detectamos que metade das escolas não tem [equipamentos]. Agora queremos garantir que as escolas não sejam construídas sem eles", explica.

        "Até 2016 terão se passado oito anos. O trabalho que começar agora pode ter efeito."

        Outra iniciativa do ministério é a adaptação do programa social Segunda Tempo às escolas.

"O Segundo Tempo jamais será um programa que universaliza o esporte no país se não adentrar a escola. Temos de ter uma visão mais ampla", argumenta Júlio Filgueira, secretário nacional de Esporte Educacional da pasta do Esporte.

No caso das escolas que não têm quadras, a idéia é associá-las a áreas esportivas das comunidades ou até a clubes locais.

"Vamos cruzar esporte estudantil com detecção de talentos para direcionar talentos ao alto rendimento. Já capacitamos 3.000 profissionais para essa função e começamos de municípios de menor Ideb – índice criado pelo MEC a partir das taxas de repetência e notas dos alunos para estabelecer metas de melhoria até 2022."

 

Dois anos e oito meses depois

Senhor Ministro do Esporte:

O que foi feito, na prática, das promessas acima?

Onde estão atuando  os 3.000 profissionais capacitados para atuar nas escolas?

Quantas escolas receberam equipamentos para a prática esportiva?

Quantas escolas foram incluídas no programa Segundo Tempo?

O espaço continua disponível, Senhor Ministro Orlando Silva, para divulgar a verdade sobre suas manifestações há mais de dois anos.

Por José da Cruz às 22h33

Basquete perde também no Sub-15: o silêncio dos inocentes

 Por Frederico Batalha 
          Seguindo os passos do selecionado adulto, o Brasil ‘perdeu bem’ – 'nos detalhes' – para a Argentina, na noite deste sábado, por 71 x 65 (37 x 36 no primeiro tempo), na grande decisão do Campeonato Sul-americano Sub-15 Masculino – 2010, disputado na cidade de Pasto, na Colômbia.
          Esta é mais uma derrota de um time brasileiro para os argentinos na base masculina, ou seja, a freguesia permanece!
          Vale ressaltar que na fase inicial desta competição, o Brasil já havia perdido para o time argentino, contudo, com uma diferença bem mais dilatada – 77 x 55 (22 pontos de diferença).
Análise da notícia
Por José Cruz
          Frederico Batalha chama atenção que nossas categorias de base seguem os passos da adulta. Isso é perigosíssimo, pois a base existe para que haja renovação.
           Afinal, por que a Argentina, com área e população bem menores que o Brasil consegue nos superar no tênis e no basquete? Pior: ocupa lugar de detaque internacional enquanto amarguramos derrota sobre derrota?
           Qual o dever de casa que eles fazem e nós ainda não aprendemos, apesar da fartura de recursos disponíveis para o esporte, em geral, e o basquete em particular?
           Enquanto isso, continuamos com o silêncio dos inocentes, nossas autoridades do basquete.    
           Inocentes? 

Por José da Cruz às 16h13

Legados do Pan: táxi de bandidos com segurança da Polícia

        O mais recente legado dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, foi exibido pela TV Globo, no domingo e hoje de manhã.

No cronograma para a Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016 o setor do crime organizado é o que mostra evolução mais rápida e eficiente, com a total omissão do Estado.

Fantasmas

        Depois de a bandidagem tomar conta da cidade, agindo à vontade, dia e noite, colocando a população sob permanente apreensão, a categoria dos taxistas fantasmas é a que atua com desenvoltura surpreendente.

        A reportagem da TV mostrou que o setor está tão evoluído que já existe até o “Ponto da Polícia”.

        Ou seja, o crime está institucionalizado e legalizado no segundo aeroporto internacional mais movimentado do país, o Galeão.

        Gravações mostraram que a Polícia negocia por até R$ 20,00 o estacionamento de um carro que não tem licenciamento para funcionar como táxi, mas tem placa de táxi e a identificação falsificada na capota, ameaçando os que atuam legalmente.       

        A guerra está declarada.

        É essa turma que já recepciona os turistas que visitam o Rio de Janeiro e, com certeza, crescerá até 2014.

        Ou seja, o turista usará um táxi de bandidos, mas com segurança policial.

        Tudo muito claro, muito legal, coisa séria mesmo.

Quadrilha

        Como o segmento de táxi é concessão municipal, conclui-se que funcionários da Prefeitura do Rio de Janeiro façam parte da quadrilha.

        É o aprendizado que o Pan repassou para o Executivo e ajudou a Cidade Maravilhosa a se tornar sede olímpica.

        Agora vai.

Por José da Cruz às 11h22

10/10/2010

Bah! ele tá chegando, tchê!!!

Por José da Cruz às 02h57

08/10/2010

Cidades Esportivas: o jogo de empurra para 2016

Os repórteres Bruno Doro e Gustavo Fraceschini, do UOL Esporte, anteciparam os investimentos do governo federal nos próximos anos, para tentar tornar o país uma potência esportiva.

As notícias transcrevi neste blog e, uma delas, me chama atenção. É a que trata da Medida Provisória que autoriza criar “Cidades Esportivas”.

Com o devido respeito às autoridades do Ministério do Esporte, mas a proposta é de uma falta de consistência fenomenal.

Ao envolver as prefeituras no processo, o governo acena com duas possibilidades:

a)  Ninguém vai se interessar, pois as prefeituras têm déficits enormes em seus orçamentos, além de não terem alcançado esse estágio de integrar esporte e educação. Nem mesmo os recursos da Lei de Incentivo se interesaram em captar.

b)  No ano que vem teremos eleições municipais e será um período completamente perdido com campanhas eleitorais. Portanto, se alguma coisa acontecer, só em 2012, ou seja, a quatro anos dos Jogos Rio 2016. Logo, o governo está brincando de fazer esporte, e com medidas inexpressivas tenta dizer ao povo que faz alguma coisa. Em resumo, não faz nada, só ilude.

Clubes

       Enquanto isso, os principais centros de formação de atletas, os clubes, são esquecidos, totalmente ignorados.

       Há uma enorme ociosidade nessas áreas durante a semana que poderia ser aproveitada em projetos integrados das federações com os clubes.

       As tradicionais AABBs, do Banco do Brasil, tem mais de 1.500 centros esportivos em todo o país. Porque não usá-los para identificar talentos e treiná-los adequadamente?

       Isso implicaria em projetos integrados com o Ministério da Educação, a fim de se ter um maior número de professores de educação física, com salários adequados e profissão valorizada.

       Mas fazer isso é difícil para essa turma que aí está. É melhor empurrar a questão para a prefeitura, para ver se ela resolve. De preferência para uma prefeitura cujo titular seja amigo, daqueles que não cumprem o programa e depois têm que dar explicações onde o dinheiro foi parar. Como ocorre, com freqüência, com o Segundo Tempo.

Por José da Cruz às 22h25

07/10/2010

O mistério das cidades-esportivas

NO UOL ESPORTES

 

Bruno Doro e Gustavo Franceschini

      Além da reportagem desses repórteres publicada ontem no UOL e que transcrevi para o blog, eles escreveram mais esta, abaixo.

    


        Dentro da Medida Provisória (de alto rendimento) assinada por Lula  está o projeto Cidade-Esportiva. A ideia é que municípios sirvam como base para uma modalidade, em um processo de integração nacional de iniciativas isoladas que existem.
        O problema é que o Ministério do Esporte ainda não decidiu quantas serão escolhidas e quais serão os critérios para tanto. O empecilho é o orçamento para 2011, que ainda não foi liberado. A pasta já admite, no entanto, que fará investimentos na infra-estrutura das escolhidas.

        A conta é simples. Para os anos de 2009 e 2010, foram somados o orçamento do Ministério do Esporte para o programa Brasil Campeão dos dois anos (R$133 mi e R$ 706 mi), os R$ 80,2 milhões usados pelo Bolsa-Atleta e os repasses da Lei Piva ao COB (R$ 322,8 mi), sempre no mesmo período.

        Além disso, entram na conta os patrocínios, também nos dois anos, de Petrobras ao handebol, da Caixa a esportes como atletismo e ginástica, dos Correios para esportes aquáticos e tênis e Infraero ao judô (total de R$166,15 mi) e o limite de R$ 400 milhões de renúncia fiscal anual da Lei de Incentivo.

        Para 2011 e 2012, os valores de patrocínios e o orçamento do ME com seu programa de esporte competitivo (apesar do Contas Abertas já ter anunciado que, para 2011, o orçamento para esse programa deve chegar a R$ 843 mi) foram replicados e a verba da Lei Piva ganhou acréscimo de 15% (segundo a Caixa, a arrecadação das loterias aumentaram em 17% desde janeiro). O limite da Lei de Incentivo também foi mantido.

        O cenário parece bonito, mas não é assim tão brilhante. É verdade que essa verba é disponibilizada pelo governo federal. Mas o esporte verde-amarelo não consegue usar nem metade disso.

        E a pasta de Orlando Silva Jr. é o maior exemplo disso. Em 2009, o programa Brasil Campeão teve orçamento de R$ 133 milhões, mas o Ministério só usou R$ 58 milhões do total.

        Em 2010, até agora, os números são ainda mais baixos: dos R$ R$ 706 milhões previstos em orçamento, apenas R$ 12 milhões foram usados. Segundo o Ministério, o baixo aproveitamento é resultado de contingenciamento.

        O problema é que com a Lei de Incentivo, que, teoricamente, trabalha também com a iniciativa privada (apesar de usar, no fim das contas, dinheiro público dos impostos), o aproveitamento das verbas aprovadas também é baixo.

        Criada em 2007, a Lei deveria ter usado, até agora, R$ 1,2 bilhão, mas aprovou apenas R$ 700 milhões. E, o pior: quem teve projetos aprovados só conseguiu captar (encontrar parceiros que aceitam investir no projeto esportivo em troca de desconto nos impostos) 30% disso.

        “Esse baixo aproveitamento mostra que o mundo do esporte ainda não conseguiu se preparar para receber esse dinheiro disponibilizado.

        Muita gente consegue aprovar seu projeto na Lei e acha que todos os problemas acabaram. Mas não oferecem um projeto bom para o investidor.

        A Lei de Incentivo é uma grande ferramenta para o esporte, mas não pode ser a única”, explica Gustavo Cruz, da consultoria ISG.

        O resultado disso é que o Brasil pode chegar a 2012 sem aproveitar a maior parte do dinheiro que o governo federal disponibiliza.

        Nos primeiros dois anos do ciclo olímpico, dos R$ 2,1 bilhões oferecidos, só R$ 798 milhões foram usados.

        Nesse ritmo, até 2012 o esporte verde amarelo vai usar apenas R$ 1,4 bilhão, apenas 37% do que poderia ter aproveitado no período.

 

Por José da Cruz às 10h26

Governo federal pode disponibilizar quase R$ 4,5 bi ao esporte no ciclo Londres-2012

 NO UOL, hoje

Bruno Doro e Gustavo Franceschini 

        No mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma série de medidas para o esporte que ficou conhecida como MP do Alto Rendimento.

        A medida provisória só reforça uma imagem que se consolida no Brasil nos últimos anos: o governo federal se tornou o grande mecenas do esporte no país.

        Em quatro anos, Brasília pode disponibilizar quase R$ 4,5 bilhões para o setor.

        O número representa mais que o triplo investido no ciclo olímpico que antecedeu Pequim-2008.

        Na época, o poder público investiu R$ 1,3 bilhão e conseguiu trazer três ouros, quatro pratas e oito bronzes, terminando no 23º lugar no quadro de medalhas.

        O resultado não foi sequer o melhor da história do Brasil, que agora projeta estar entre os dez que mais sobem ao pódio em 2016, quando os Jogos serão no Rio de Janeiro. 

        O UOL Esporte fez o levantamento para 2012 abrangendo a maior parte dos investimentos de Brasília para o ciclo olímpico de Londres.

        Foram levados em conta projetos do Ministério do Esporte para o esporte de competição, o dinheiro das loterias da Lei Piva, a renúncia fiscal da Lei de Incentivo e os patrocínios de empresas estatais.

        O total é de R$ 4,3 bilhões disponibilizados, sem incluir dados das estatais Banco do Brasil e Eletrobrás, que ainda não responderam aos pedidos da reportagem.

        O primeiro é o grande parceiro do vôlei nacional e investiu, no ciclo olímpico de 2008, R$ 209 milhões.

        O segundo apóia a Confederação Brasileira de Basquete e ainda patrocina o Vasco da Gama.

Contas.

        A conta é simples. Para os anos de 2009 e 2010, foram somados o orçamento do Ministério do Esporte para o programa Brasil Campeão dos dois anos (R$133 mi e R$ 706 mi), os R$ 80,2 milhões usados pelo Bolsa-Atleta e os repasses da Lei Piva ao COB (R$ 322,8 mi), sempre no mesmo período. 

        Além disso, entram na conta os patrocínios, também nos dois anos, de Petrobras ao handebol, da Caixa a esportes como atletismo e ginástica, dos Correios para esportes aquáticos e tênis e Infraero ao judô (total de R$166,15 mi) e o limite de R$ 400 milhões de renúncia fiscal anual da Lei de Incentivo.

        Para 2011 e 2012, os valores de patrocínios e o orçamento do ME com seu programa de esporte competitivo (apesar do Contas Abertas já ter anunciado que, para 2011, o orçamento para esse programa deve chegar a R$ 843 mi) foram replicados e a verba da Lei Piva ganhou acréscimo de 15% (segundo a Caixa, a arrecadação das loterias aumentaram em 17% desde janeiro). O limite da Lei de Incentivo também foi mantido.

        O cenário parece bonito, mas não é assim tão brilhante. É verdade que essa verba é disponibilizada pelo governo federal. Mas o esporte verde-amarelo não consegue usar nem metade disso.

 Execução orçamentária

        E a pasta de Orlando Silva Jr. é o maior exemplo disso. Em 2009, o programa Brasil Campeão teve orçamento de R$ 133 milhões, mas o Ministério só usou R$ 58 milhões do total. 

        Em 2010, até agora, os números são ainda mais baixos: dos R$ R$ 706 milhões previstos em orçamento, apenas R$ 12 milhões foram usados. Segundo o Ministério, o baixo aproveitamento é resultado de contingenciamento.

        O problema é que com a Lei de Incentivo, que, teoricamente, trabalha também com a iniciativa privada (apesar de usar, no fim das contas, dinheiro público dos impostos), o aproveitamento das verbas aprovadas também é baixo.

        Criada em 2007, a Lei deveria ter usado, até agora, R$ 1,2 bilhão, mas aprovou apenas R$ 700 milhões. E, o pior: quem teve projetos aprovados só conseguiu captar (encontrar parceiros que aceitam investir no projeto esportivo em troca de desconto nos impostos) 30% disso.

        “Esse baixo aproveitamento mostra que o mundo do esporte ainda não conseguiu se preparar para receber esse dinheiro disponibilizado.

        Muita gente consegue aprovar seu projeto na Lei e acha que todos os problemas acabaram. Mas não oferecem um projeto bom para o investidor. A Lei de Incentivo é uma grande ferramenta para o esporte, mas não pode ser a única”, explica Gustavo Cruz, da consultoria ISG.

        O resultado disso é que o Brasil pode chegar a 2012 sem aproveitar a maior parte do dinheiro que o governo federal disponibiliza.

        Nos primeiros dois anos do ciclo olímpico, dos R$ 2,1 bilhões oferecidos, só R$ 798 milhões foram usados. Nesse ritmo, até 2012 o esporte verde amarelo vai usar apenas R$ 1,4 bilhão, apenas 37% do que poderia ter aproveitado no período.

Por José da Cruz às 10h24

Autor anônimo. Muito bom, obrigado pela remessa

Por José da Cruz às 23h47

06/10/2010

Frei Betto pisou na bola

Lino Porto*

 

        Neymar é rebelde, arrogante, deslumbrado, inconseqüente, imaturo, explosivo, agressivo, insubordinado, boçal e inconformado. Bater em Neymar virou o esporte nacional, a unanimidade da vez.

 

        Além de tais “atributos”, Neymar é um jovem de 18 anos. Um cristão verdadeiro deveria compreender e perdoar os excessos de todo jovem. Acrescento aos adjetivos acima que Neymar é também um artista da bola. Um artista pode tudo. Artista e jovem, mais ainda. Evidente que esse “pode tudo” é poético, e não literal. Mas há outra qualidade que os arautos da vida certinha ainda não perceberam no garoto: Neymar sorri. Já perceberam o sorriso simples do menino? Riso de moleque maroto. Nisso, mais do que nos dribles, ele bem lembra Garrincha, outro “inconseqüente”.

 

        As cabeças pensantes deveriam era preocupar-se com o jeito como aquele sorriso puro está lentamente desaparecendo dos nossos gramados, graças às sucessivas botinadas que vem levando dentro e fora do campo. Às botinadas dos marcadores o craque sabe intuitivamente como se livrar. As de fora é que são as piores: vêm de gente que nunca chutou uma bola, mas que sabe usar as palavras como chuteiras de zagueiros brucutus. Contra estas “chuteiras intelectuais”, Neymar não tem como se defender.

        Como muitos meninos negros deste país, ele nasceu pobre, estudou pouco e sonhou em um dia ficar rico, driblando seu destino histórico. “... se tornar rico e famoso sem precisar dar duro nos estudos” escreveu sabiamente Frei Betto em seu artigo. E é isso mesmo! Exatamente como o seu amigo Lula, caro Frei.

 

        Neymar precisa mesmo é de uma defesa com craques do seu nível, “cabeças da área pensante” como Frei Betto, como René Simões, gente que deveria perceber o jovem artista talentoso acima do moleque arteiro, acima do guri encrenqueiro.

        Mas os nossos intelectuais da bola vêm fazendo exatamente o jogo oposto, o jogo europeu do Dunga: em primeiro lugar a hierarquia, o controle, o esquema tático. Nada de dribles, nada de fugir da lógica convencional, nada que nos remeta ao verdadeiro futebol brasileiro que encantou o mundo e moldou nosso jeito brasileiro de ser. Nada de Canhoteiro, de Leônidas, de Dadá Maravilha, de Romário (não o deputado), de Adoniran Barbosa, de Noel Rosa, de Mário Quintana, do Barão de Itararé! Nada de brincalhões, de inconformados, de sorridentes! Nada de moleques! Queremos futebol de homens sérios, sisudos, compenetrados, um jogo de burocratas, de robôs previsíveis! Ou Neymar se enquadra no nosso establishment esportivo ou trataremos de terminar o serviço que os beques de hoje fazem com a conivência de juízes omissos...

 

        Frei Betto pisou na bola. René Simões foi enganado pelo quique da pelota. Ambos foram driblados por Neymar. Juntaram suas vozes eloqüentes ao coro óbvio dos burocratas e conformados. Frei Betto deixou-se trair até por sua juventude como dominicano. Esqueceu que ele próprio foi um jovem artista rebelde, quando corajosamente enfrentou as botinas (chuteiras) da ditadura militar que queria nos impor um país “certinho”, no qual a hierarquia (esquema tático) tinha de ser cegamente obedecida, onde jamais poderíamos afrontar qualquer general (treinador). O religioso esqueceu-se até mesmo de seu maior ídolo: o rebelde Jesus Cristo, (“arrogante”, afrontou os poderosos da época; “explosivo”, deu chibatadas nos vendilhões do templo; “inconformado”, deu o próprio sangue por seu povo).

 

        Claro que a comparação de Neymar com Cristo é meramente ilustrativa. Desço, pois, na escala: Che Guevara também era rebelde, insubordinado e bastante agressivo com seus adversários. Fidel Castro idem. Ambos cometeram crimes bárbaros, mas dispõe de vasto crédito junto ao nosso bom Frei. Já o pobre jogador do Santos parece ter cometido um crime imperdoável: afrontou o óbvio ridículo do nosso futebol, onde o treinador boa-praça (se ainda fosse o transgressor Saldanha!) tem de ser mais estrela que o craque que decide o jogo.

 

        “Não se conforma de a bola não ser só dele”... “Estamos criando um monstro”... Entristece-me esta unanimidade de mentes teoricamente bem pensantes que, entre o burocrata e o artista, cerram fila ao lado do burocrata.

        Pois eu nado na contracorrente: eu acho que o monstro somos nós. Nós somos os zagueiros botinudos tentando (em vão) pará-lo. Nós somos os treinadores “europeus” tentando (em vão) disciplinar a anarquia do futebol. E que maravilhoso ele não se conformar que a bola não seja só dele! Isso é uma qualidade louvável, caro Frei, jamais um defeito condenável.

 

        Quem tem cérebro (mas não sabe jogar bola), deve proteger o diamante Neymar com extremo carinho. A lapidação virá naturalmente, com o tempo. Não tenho dúvida de estarmos diante de um artista, com todas as máscaras que um artista possui, com todas as faces de um artista verdadeiro, intuitivo, agressivo, natural, faces que são os nossos próprios rostos quando jovens, que são aqueles nossos sonhos irrealizados.

 

        Neymar é jovem. Daqui a 15 anos por certo ainda ouviremos falar seu nome. Não sei por onde andará o bom treinador Dorival Júnior em 2025. Torço para que não venha a ser lembrado apenas como “aquele técnico que o Santos demitiu por causa do Neymar”...

        Eu sonho em ser Neymar. Alguém aí sonha em ser Dorival?

*Lino Porto, 48 anos, poeta

 

Por José da Cruz às 19h25

Diego Hypólito será operado na Suíça

 Nota oficial do Comitê Olímpico Brasileiro

     "O ginasta Diego Hypólito será operado nesta quinta-feira, dia 7, em Zurique, na Suíça. Após ser examinado, pelo Dr. Beat Hintermann, um dos maiores especialistas do mundo em lesões no tornozelo, foi constatada a necessidade de uma cirurgia no tornozelo esquerdo do ginasta.

    Diego será operado no Hospital Kantonsspital Liestale.

    De acordo com o Dr. José Carlos Cohen, médico especialista que acompanha Diego Hypólito, será feita a reconstrução dos ligamentos interno e externo do tornozelo esquerdo,  e também uma artroscopia.

    É estimado um prazo de três meses para a recuperação do atleta.

    Diego Hypólito também está acompanhado na Suíça de seu médico particular, o Dr. Robson De Bem. 

    A viagem de Diego à Suíça foi decidida em comum acordo pelo COB, Confederação Brasileira de Ginástica, Flamengo, pelos médicos José Carlos Cohen e Robson De Bem e pelo próprio atleta."

     Desejo que a cirurgia seja um sucesso. Boa sorte, Diego

 

Por José da Cruz às 19h02

A esperteza do ministro

         Repercutiu a notícia divulgada ontem, com o ministro do Esporte, Orlando Silva, defendendo a “desburocratização dos processos de licitação no Brasil”.

        Ele quer “eliminar etapas para a compra de materiais ou serviços pelas entidades públicas”.

        Vantagem: agilizar as obras da Copa 2014 e Olimpíadas 2016,  está no Lancenet.

        Entenderam? É o pulo do gato, isto é, aquela malandragem para fugir de uma licitação a pretexto de ganhar tempo.

    

        Está claro o que escrevi há quatro, cinco, seis meses: as obras atrasam para, na exigüidade do tempo, fugir-se dos processos legais de contratação de serviços.

Pan mal explicado

        O ministro nem saiu de uma enrascada fenomenal que envolve assessores de seu ministério, ainda ligados a várias irregularidades no Pan 2007, e já está pensando em “agilizar processos” para os próximos eventos?

        E não adianta o Tribunal de Contas da União isentar fulano ou beltrano das tais manobras irregulares, pois o relatório é claro em citar dezenas de imundices praticadas, como pagamentos em dobro, por serviços não prestados, por materiais não entregues, enfim.

Memória

        No ano passado escrevi que em 2007 encontrei Orlando Silva no gabinete do então ministro Marcos Vilaça, no TCU, pedindo para não realizar algumas licitações, devido os atrasos nas obras para o Pan.

        Orlando Silva desmentiu, claro, pois seu discurso é o da “transparência e lisura”.

        Mas guardo a entrevista de Marcos Vilaça dizendo: "estou explicando ao ministro que não é possível contratarmos nada sem licitação”. A entrevista foi em pé, na porta de seu gabinete, diante de Orlando Silva, assessores e técnicos do TCU. Tudo muito claro, portanto.

Auditorias

        Além disso há o caso do dinheiro público despejado no esporte.

        O Ministério do Esporte, os comitês Olímpico e Paraolímpico e as confederações precisam passar por uma rigorosa, severa, detalhada auditoria do TCU ou Ministério Público.

        Fiquem de olho no projeto Segundo Tempo, que já se tornou caso de polícia, com prisões, inclusive, e até envolvendo denúncias sobre o ex-ministro Agnelo Queiroz, como revelaram as revistas Veja e época

        O Brasil o precisa entrar “limpo” na sua gestão esportiva para receber os Jogos 2016.

        Não só os atletas devem passar por exames antidoping, mas os dirigentes precisam provar que estão aptos a exercerem seus cargos, exibindo atestado de idoneidade ética e moral para lidar com o dinheiro público.

        Os escândalos ocorridos nas confederações de Judô, Tênis,Vela e, mais recentemente Taekwondo motivam esse alerta e sugerem ação imediata das autoridades fiscalizadoras desse valorizado patrimônio da União, o dinheiro do contribuinte.  

Por José da Cruz às 11h36

05/10/2010

Atletismo, mais um escândalo. Geisa, ouro no Mundial Juvenil e esperança para 2016, é pega no antidoping

COMUNICADO OFICIAL DA CBAt

A Confederação Brasileira de Atletismo lamenta informar o que se segue:

1. No dia 03 de agosto de 2010, a CBAt recebeu do oficial Anti-Doping da IAAF, Dr. Gabriel Dollé, comunicado de que o exame de urina da amostra "A", da atleta GEISA RAFAELA ARCANJO, coletada no dia 20 de julho de 2010, durante os Campeonatos Mundiais de Atletismo de Juvenis, na cidade de Moncton, Canadá, havia constatado a presença da substância proibida Hidroclorotiazida.

2. Em conformidade com as regras da IAAF, a CBAt solicitou à atleta, no mesmo dia 03 de agosto de 2010, a apresentação de suas razões para a presença da substância proibida em sua urina. A atleta apresentou suas justificativas no dia 06 de agosto de 2010, nas quais informou que não fazia ou faz uso de substâncias proibidas e que havia somente tomado produtos para emagrecimento (chá verde e óleo de cártamo) por sua conta, sem informar, inclusive, aos Treinadores do Centro Nacional de Treinamento de Atletismo, com sede na cidade de Uberlândia, MG, onde integra o grupo permanente de atletas em treinamento. A CBAt encaminhou as explicações da atleta, após tradução, para a IAAF, em 09 de agosto de 2010, informando que a mesma solicitava a análise da amostra "B" de sua urina e audiência no STJD da CBAt, em conformidade com as Regras da própria IAAF.

3. Paralelamente às providências acima, em função de a atleta integrar o Programa de Centro de Treinamento da CBAt, foi constituída uma Comissão para apuração dos fatos, sob a Presidência do Superintendente Técnico da entidade, Professor Martinho Nobre dos Santos e tendo como membros o Dr. Thomaz Mattos de Paiva, Presidente da Agência Nacional Anti-Doping da CBAt e o Professor Luiz Alberto de Oliveira, Coordenador Técnico do Centro Nacional de Treinamento na cidade de Uberlândia.

A Comissão apresentou seu relatório concluindo que a atleta ingeriu suplementos alimentares sem o devido conhecimento de seus treinadores ou de médico, apesar de todas as instruções e determinações do Centro em contrário, advertindo do risco que isso representava.

4. A CBAt recebeu da IAAF, no dia 11 de agosto de 2010, comunicado de que não tinha aceito as explicações da atleta e determinava sua suspensão provisória até a definição do caso, informando, ao mesmo tempo, data para o exame da amostra "B" da urina da atleta.

5. O exame da amostra "B" da urina da atleta foi realizado no dia 1º de setembro de 2010, pelo laboratório credenciado pela WADA de Montreal, Canadá.

6. No dia 05 de outubro de 2010, a IAAF comunicou à CBAt o resultado do exame da amostra "B", confirmando o resultado da amostra "A", determinando a suspensão da atleta e informando que a mesma poderá sofrer penalidade que variará de advertência pública até dois anos de suspensão.

7. Desta forma, a CBAt suspende provisoriamente a atleta até seu julgamento pela Comissão Disciplinar Nacional do Atletismo (1ª Instância do STJD do Atletismo).
Manaus, 05 de outubro de 2010
Roberto Gesta de Melo,
Presidente da CBAt

Por José da Cruz às 19h28

Assembleia toma decisão inédita na Confederação de Taekwondo afastando presidente

          A decisão da assembleia geral afastar o presidente da Confederação de Taekwondo,  Jung Roul King - como conta o repórter Jorge Corrêa, no UOL Esportes - deve ter feito  o presidente do COB, Carlos Nuzman tremer.

          Além de Nuzman não estar acostumado com decisões que venham de baixo, na hierarquia do esporte, não é de seu feitio ver o mandato de um cartola ameaçado por quem deveria lhe dar sustentação.

          Bendita democracia que dá esses poderes às assembléias.

            Quantas outras confederações carecem da mesma decisão, mas falta coragem aos presidentes de federações estaduais?

            Com certeza, uma dezena. No mínimo. Seria salutar para o esporte se a moda pegasse.

            Como tenho escrito, mais do que nunca é preciso abrir a caixa preta das finanças do esporte brasileiro.

            Há fartos recursos de várias fontes, muitos repasses e poucos resultados, com muita gente se queixando que não vê a cor do dinheiro.

            A decisão no Taekwondo foi tomada para que se realize uma sindicância, diante de denúncias de irregularidades na entidade.

           Já tivemos crises enormes, como nas confederações de Judô – que afastou o eterno presidente Mamede; na Confederação de Tênis, do poderoso Nelson Nastás; na Vela, onde o Comitê Olímpico precisou intervir de fato e de direito para evitar que o barco afundasse, literalmente.

            Mas uma assembléia tomar a decisão como essa do Taekwondo é uma ótima notícia, pois mostra que os dirigentes do esporte começam a usar a autonomia que têm para agir. Bom, muito bom.

Por José da Cruz às 15h08

Ministério do Esporte gasta R$ 12 milhões para nada

         Entre 2005 e 2010 o Ministério do Esporte aplicou R$ 12 milhões na Rede de Centros de Excelência Esportiva, conhecida como Rede Cenesp. Números oficiais do SIAFI, obtidos junto aos amigos da ONG Contas Abertas ( www.contasabertas.com.br ).

        Essa rede é formada por nove universidade para “apoiar o esporte através do desenvolvimento, aplicação e transferência de métodos e tecnologias, capacitar recursos humanos, avaliar atletas”, etc.

        Fui ao site do Ministério do Esporte buscar informações sobre o assunto. Mas o que há de mais atual é uma portaria de 2002, isto é, do governo anterior!!!

        Tentei ler os “Relatórios”. Nada. Nem a página está disponível. Ops! Se o dinheiro saiu tem que ter resultado!

        Principalmente, porque a Rede Cenesp trabalha com um quadro de profissionais de fazer inveja, liderados por 50 doutores e 45 mestres. Observem a informação oficial.

 

        Aí está, Caro Leitor, mais um exemplo de como é a gestão no Ministério do Esporte. Aplica-se uma fortuna mas não se sabe onde nem os resultados e muito menos quem foi beneficiado.

        Se é que tem algum resultado já que beneficiado tem, alguém foi o gestor dessa grana toda.

        E é essa mesma turma que está cuidando de preparar o Brasil para os Jogos de 2016. Agora vai.

        Quem desejar saber mais informações mas não encontrar nada atualizado vá no seguinte endereço: http://www.esporte.gov.br/snear/cenesp

 

Por José da Cruz às 10h48

04/10/2010

PC do B fortalece bancadas para tentar manter Ministério do Esporte

 Por Walter Guimarães

        Apesar do fracasso nas urnas dos assessores do ministro Orlando Silva, há bons motivos para o PC do B soltar alguns fogos: suas bancadas cresceram, na Câmara e no Senado.

         Isso significa mais lenha no partido para o ministro Orlando Silva negociar cargos, no caso de uma vitória de Dilma, no segundo turno.

         Mesmo com a expectativa frustrada da vitória para o Senado do cantor Netinho, sempre entre os dois mais indicados nas pesquisas, a bancada na Casa aumentou para dois senadores, com a eleição da hoje deputada federal amazonense, Vanessa Grazziotin, que se juntará ao senador Inácio Arruda(CE).

 

Resultado dos candidatos ao Senado pelo PC do B:

 

AM - Vanessa Grazziotim - 2ºlugar  - eleita

AC - Edvaldo Magalhães - 3º

AL - Eduardo Bonfim - 4º

MG - Zito Vieira - 4º

RN - Sávio - 6º

RS - Abigail Pereira - 4º

SP - Netinho - 3º

 

Deputados

            Já na Câmara dos Deputados a bancada do partido do ministro Orlando Silva passou de 12 para 15 deputados, com o destaque para a reeleição de nove parlamentares.

            Da bancada atual, o carioca Edmilson Valentim não conseguiu ser reeleito. Vanessa Grazziotin irá para o Senado, e Flávio Dino quase leva o pleito de governador do Maranhão para o segundo turno, mas Roseana Sarney  totalizou impressionantes 50,08% dos votos válidos e liquidou a fatura por apenas 2.330 votos.

 

Foram reeleitos:

AC - Perpétua Almeida

AP - Evandro Milhomem

BA - Daniel Almeida e Alice Portugal

CE - Chico Lopes

MG - Jô Moraes

PI - Osmar Junior

RS - Manuela d’Ávila

SP - Aldo Rebelo

 

Os novos deputados, alguns deles que já passaram pela Casa são:

BA - Edson Pimenta

CE - João Ananias

PE - Luciana Santos

RJ - Jandira Feghali

RS - Assis Melo

SP - Delegado Protógenes Queirós

O peso da coligação

            É interessante observar que esses dois últimos parlamentares se elegeram por causa dos votos de colegas de coligação.

            O gaúcho Assis Melo com apenas 41.141 votos, aproveitou a excelente votação da deputada Manuela d’Ávila para vir na garupa da bela gaúcha.

            Outros 15 deputados tiveram mais votos do que ele e não conquistaram vaga, como Luciana Genro, com mais de 129.000 votos. Ou seja, Assis Melo obteve menos de 1/3 da filha do governador eleito, Tarso Genro e estará no Parlamento em 2011.

Delegado

            O mesmo ocorreu com o delegado Protógenes, que estava na coligação do midiático Tiririca.

            O não menos midiático delegado recebeu 94.906 votos, sendo que o deputado Sílvio Torres, conhecido por trabalhar e combater questões do esporte, obteve 107.035 votos, ficando como terceiro suplente de sua coligação, liderada pelo PSDB.

            Por mais que a derrota do Netinho e do cunhado de Orlando Silva, Gustavo Petta, que ficou como quinto suplente de sua coligação para uma vaga na Câmara Federal, o ministro Orlando Silva deve estar feliz porque bancada forte é tudo o que ele mais desejava para não perder o emprego.

Por José da Cruz às 18h46

Ministério do Esporte é reprovado no vestibular das urnas. Ainda bem!

           Ao ocupar pela primeira vez uma pasta na Esplanada dos Ministérios, o PC do B aprendeu a lição rapidamente com os vizinhos: escolher alguns de seus mais destacados assessores e turbinar suas cidades e regiões com dinheiro público disfarçado de projetos sociais.

          Quatro anos depois, os escolhidos do ministro aparecem como candidatos ao Legislativo estadual ou federal.

          É assim, usando o Executivo, que os partidos fortalecem suas bancadas no Legislativo. Prática antiga, deplorável, vergonhosa, pois a campanha é feita com dinheiro do contribuinte onde é explícito o abuso do poder.

            Porém, por ser debutante no sistema, o resultado dos candidatos do ministro Orlando Silva foi pavoroso. Dos gabinetes do Ministério do Esporte ninguém foi aprovado no vestibular das urnas. 

          João Ghizoni –  foi secretário nacional de Esporte Educacional do Ministério do Esporte. Candidato ao Senado por Santa Catarina ficou em quinto lugar na disputa por uma das duas cadeiras.

          No ano passado, Ghizoni reconheceu  “que é muito difícil fiscalizar os núcleos do programa Segundo Tempo, implantados por ONGs”, conforme notícia divulgada pelo O Globo.  

         No Rio de Janeiro, quatro ONGs que receberam R$ 12 milhões, no total, não cumpriram o planejado.  O Ministério do Esporte ainda não informou para onde foi o dinheiro que deveria ter sido aplicado em atividades esportivas-educacionais com crianças carentes.

           Ricardo Gomyde – foi ex-presidente da União Nacional dos Estudantes, a histórica UNE e,mais recentemente, assessor especial do ministro Orlando Silva.

          Mesmo com o apoio político e de projetos direcionados para o Paraná, Gomyde não conseguiu se eleger deputado federal.  Com 44.560 votos é o 12º suplente na fila de espera.

           Wadson Ribeiro é outro ex-presidente da UNE que não se elegeu. Em 2007 deixou os estudos de medicina  em Minas Gerais para ser nomeado secretário executivo do Ministério do Esporte.  

          Wadson  não aprendeu a lição das urnas e se tornou birrepetente, pois em 2006 já havia sido derrotado para deputado estadual, também pelo PC doB. 

          Wadson deverá voltar para o mesmo cabide, digo, gabinete, no Ministério do Esporte.

          Cleone Garcia – funcionário de carreira do Banco do Brasil desde 1983, anda de galho em galho em vários órgãos do Executivo. Está no Ministério do Esporte há 11 anos. Como chefe do setor de prestação de contas do Ministério do Esporte – setor que o TCU já pediu agilidade no trabalho – candidatou-se a deputado distrital pelo PC do B de Brasília. Mesmo prometendo “apoiar as ONGs do esporte” – reconhecidamente o buraco negro da corrupção do Segundo Tempo – Cleone não se elegeu.

          Gustavo Petta – Foi secretário de Esportes de Campinas, uma das regiões do Estado de São Paulo mais contemplada com recursos do Minsitério do Esporte, particularmente o Segundo Tempo. Também foi presidente da UNE em duas ocasiões.

          É irmão da mulher do ministro Orlando Silva, daí tanta deferência do titular da pasta. Não adiantou prestígio político nem a grana solta dos cofres públicos.

          Perdeu para deputado federal e ficou em 28º lugar na interminável fila de espera dos suplentes.

          Petta ainda corre o risco de ser processado por ter usado o mailing do ProUni do Ministério da Educação para fazer propaganda eleitoral. A denúncia, divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo, deixou os bolsistas preocupados, pois o banco de dados com o endereço dos beneficiados contém, também informações financeiras sobre cada um. Os tentáculos da UNE invadem o Ministério da Educação. 

         Apolinário Rebelo  - é irmão do deputado Aldo Rebelo, e até março deste ano foi diretor de esportes universitários do Ministério do Esporte, apesar de em seu currículo não constar que tenha concluído curso superior. Sua experiência com o esporte foi ter "organizado um clube de futebol em Viçosa (ES)", onde nasceu. Candidato a deputado distrital, pelo PC do B, do Distrito Federal, ficou em 83 lugar para um plenário de 24 cadeiras. 

Por José da Cruz às 18h09

Membros da Comissão de Turismo e Esporte da Câmara têm bom resultado nas urnas

        Uma das comissões com boa visibilidade na Câmara dos Deputados é a de Turismo e Esporte, porque é ali que são tratados, preliminarmente, os assuntos da Copa do Mundo e Olimpíadas, entre outros. Veja como foram os atuais integrantes da Comissão:

Titulares: 

Lupércio Ramos - PMDB/AM - concorreu a dep.Estadual - 1º suplente

Lídice da Mata - PSB/BA - eleita para o Senado

Arnon Bezerra - PTB/CE - reeleito

Eugênio Rabelo - PP/CE - esperando definição da lei Ficha Limpa

José Airton Cirilo - PT/CE - reeleito

Marcelo Teixeira - PR/CE - 1º suplente

Paulo Henrique Lustosa - PMDB/CE - 1º suplente

Profª Raquel Teixeira - PSBD/GO - não se candidatou

Carlos Eduardo Cadoca - PSC/PE - reeleito

Fábio Faria - PMN/RN - reeleito

Afonso Hamm - PP/RS - reeleito

Otávio Leite - PSDB - reeleito

Valadares Filho - PSB/SE - reeleito (mais votado do Estado)

Jackson Barreto - PMDB/SE - não se candidatou

Jilmar Tatto - PT/SP - reeleito

Walter Feldman - PSDB/SP - 4º suplente

Resumo: Dos 16 integrantes, exatamente oito se reelegeram e uma foi para o Senado

Suplentes:

Jurandil Juarez - PMDB/AP - 1º suplente

José Rocha - PR/BA - reeleito

Marcelo Guimarães - PMDB/BA - 2º suplente

Thelma de Oliveira - PSDB/MT - 1º suplente

Wellington Fagundes - PR/MT - reeleito (mais votado no Estado)

José Mendonça Bezerra - DEM/PE - não se candidatou

Marcos Antônio - PRB/PE - 4º suplente

Rômulo Gouveia - PSDB/PB - não se candidatou

Hermes Parcianello - PMDB/PR - reeleito (2º mais votado no Estado)

Alex Canziani - PTB/PR - reeleito

Ratinho Junior - PSC/PR - reeleito (mais votado no Estado)

Manuela d’Ávila - PC do B/RS - reeleita (mais votada no Estado)

Paulo Roberto Pereira - PTB/RS - não se candidatou

Deley - PSC/RJ - 3º suplente

Fernando Lopes - PMDB/RJ - 6º suplente

Edinho Bez - PMDB/SC - reeleito

Albano Franco - PSDB/SE - não eleito para o Senado

Laurez Moreira - PSB/TO - reeleito

Vicentinho - PT/SP - reeleito

Arnaldo Jardim - PPS/SP - reeleito

Sílvio Torres - PSDB/SP - 3º suplente

Resumo: Dos 22 suplentes 10 se reelegeram.

Por José da Cruz às 16h05

Mais um inquérito no Ministério do Esporte

         Um simples repasse de R$ 20 mil do Ministério do Esporte para a Prefeitura de Governador Valadares, em Minas Gerais, acaba em ação judicial.

        Está no Diário Oficial da Justiça, de hoje:

        O procurador da República EdilsonVitorelli Diniz Lima determinou instaurar inquérito civil para “apurar irregularidades na execução do Contrato firmado entre o Ministério do Esporte e a Prefeitura de Governador Valadares para a construção de cobertura metálica em quadra poliesportiva”.

        A confusão ocorreu em 2007, na gestão do ex-prefeito, José Bonifácio Mourão, do PSDB.

Por José da Cruz às 12h16

Zico: o passado também explica a sua saída do Fla

            A saída de Zico do Flamengo está intimamente ligada ao passado do clube, que nos remete a 2000, quando a CPI do Futebol, no Senado, descobriu cobras & lagartos nos caixas pretas dos principais times de futebol.

            Um passado rubro-negro que se agravou, hoje com uma dívida de R$ 277 milhões. O Flamengo é o quinto no rankig dos clubes da Série A com elevados passivos.

            O primeiro é o Fluminense, 319,7 milhões, segundo a Casual Auditores, empresa de São Paulo, que faz os cálculos a partir dos balanços contábeis dos respectivos clubes.

Uma década de história

            Recuperei o depoimento de um ex-presidentes do Flamengo à CPI do Futebol. O tema era sobre o acordo do clube com a ISL, empresa de marketing que investiria no clube carioca, prioritariamente pagando suas dívidas. E serve para ilustrar a forma amadora como as questões do clube eram tratadas. Amadoras ou má fé?

Edmundo Silva: um Rolando Lero na CPI do Futebol

            Era  o ano de 2001 e, a pedido da CPI, a Justiça autorizou a quebra do sigilo  bancário e fiscal dos principais  clubes.  O relatório é uma preciosidade para a história da economia do futebol nacional.

            Transcrevo um dos diálogos mais pitorescos na CPI entre o relator da comissão, o então senador catarinense Geraldo Althoff  e  o presidente do Flamengo, à época, Edmundo dos Santos Silva (foto).

              

            Observem como o cartola enrola, dribla e enrola mais para responder a uma simples pergunta....

Senador GERALDO ALTHOFF Quanto o Flamengo devia antes de assinar o contrato com a ISL e quanto deve exatamente hoje em grandes números?

EDMUNDO DOS SANTOS SILVA Em dezembro de1999, a dívida do Flamengo era de aproximadamente R$ 118 milhões. Estavam contabilizados exercícios futuros – que não é dívida – de R$ 3 milhões. Esse valor era resultado de exercícios futuros. Essa foi a dívida na época da ISL.

GERALDO – Minha pergunta foi clara. Gostaria de saber quanto o Flamengo devia antes de assinar contrato com a ISL?

EDMUNDO – Então, em 31 de dezembro de 1999, essa é a resposta. A ISL aportou no Flamengo, somente em dezembro, US$ 3 milhões, o que

equivalia a R$ 13 milhões. Então, antes ...

GERALDO – Não, vamos esclarecer.

EDMUNDO – A dívida era de R$ 118 milhões. Está aqui.

GERALDO  – Cento e dezoito? E ao término da rescisão contratual da ISL de quanto era a dívida?

EDMUNDO – Ao término, não sei, posso falar em dezembro de 2000. Em dezembro de 2000, a dívida do Flamengo era de R$ 136 milhões.

Conclusão do relator, Geraldo Althoff

            “Do depoimento do senhor Edmundo dos Santos  Silva, constata-se que o Flamengo não somente desrespeitou a cláusula contratual com a ISL (que faliu e rompeu com o Flamengo) que priorizava o pagamento das dívidas do Clube mas, durante a vigência do contrato, houve um incremento do endividamento do Flamengo, algo de difícil compreensão se levarmos em conta a magnitude do contrato. Observasse, portanto, má gestão dos recursos derivados do acordo com a ISL.”

Relatórios

            O relatório final da CPI do Futebol tem quatro volumes, cerca de 1000 páginas. Estou passando os olhos para colher outras preciosidades, pois o que ali está escrito, repito, é oficial, com base em documentos, auditorias e quebras de sigilos.

            Recupero essa memória para que fique mais fácil entender que o momento vivido pela atual direção do clube é uma herança maldita que se arrasta há mais de uma década. 

            Ou seja, além de administrar  toda a grandiosidade patrimonial do clube  a atual direção tem o histórico passivo a perturbar. 

            Foi num ambiente com esse passado, onde os corvos de ontem ainda rondam a Gávea, que Zico se meteu. Não agüentou, claro.

 

Por José da Cruz às 11h55

Mais 30 dias de campanha: querem nos enlouquecer!!!

Agnelo, levando de barbada, deu gargalhadas...

Sem considerar a longa experiência de Dona Wesley Roriz

É isso mesmo, sem termos por onde escapar.

Vire-se, eleitor!

Por José da Cruz às 00h01

03/10/2010

Excelências, do campo para o plenário. Agora vai

            Danrlei, ex-goleiro do Grêmio, e do Grêmio Esportivo Brasil, de Pelotas, onde encerrou carreira, está eleito deputado federal pelo PTB do Rio Grande do Sul.

      

            Dos pampas retornará à Câmara dos Deputados o gaúcho Afonso Hann, ex-presidente da Comissão de Turismo e Esporte e que, na juventude, foi goleiro também do Grêmio Esportivo Brasil, de Pelotas. Na defesa o time parlamentar está reforçado.

            Romário, do PSB é um dos mais votados no Rio de Janeiro.  Em plenário, disputará popularidade com Tiririca. 

            Estou ansioso para ver um debate na Comissão de Educação e Cultura, Tiririca e Romário discutindo sobre a prática da educação física nas escolas. Imperdível!

            Artilheiro em campo e nas urnas, Romário deverá atuar no time de frente do Congresso Nacional, nas peladas de quarta-feira à noite, ao lado de Deley, craque do Fluminense nos anos 80. Deley retorna para o seu terceiro mandato.    

            Bebeto - campeão mundial - e o lutador Popó deverão desfalcar o time esportivo de parlamentares.  

            Já o deputado Silvio Torres, de São Paulo, faz boa votação pelo PSDB e deve vir para mais um mandato.

            Sem o mesmo domínio de bola dos outros craques eleitos, ele é bom na defesa dos interesses do esporte.

            É, também, o mais aguerrido parlamentar contra o poder da CBF e da Bancada da Bola, no Congresso Nacional.

            Ricardo Teixeira está feliz da vida com essa reeleição...

            

Por José da Cruz às 20h20

Brasil vota, pobre mas feliz

Na Folha de S.Paulo

CLÓVIS ROSSI

       SÃO PAULO - O Brasil que vai hoje às urnas é, na essência, do seguinte tamanho social: metade dos eleitores (67,5 milhões) ganham, no máximo, até dois salários mínimos.
Seria preciso torturar os fatos para dizer que pertencem à classe média, esse paraíso a que foram conduzidos 30 milhões de brasileiros segundo o ufanismo em voga.

Dos eleitores brasileiros, 13 milhões (10%, pouco mais ou menos) é pobre, pobre mesmo. Ganham menos de um salário mínimo. Figuram entre os 28 milhões excluídos do sistema público de aposentadoria e auxílios trabalhistas.

São, portanto, ninguém.

Também no capítulo educação, a pobreza é radical: 49% dos eleitores fizeram, no máximo, o curso fundamental.

Nesse país que tanto seduz a mídia estrangeira, mais de 60% de seus alunos não têm a capacidade adequada na área de ciências. No exame mais recente, o Brasil ficou em 52º lugar entre 57 países, no quesito ciência.

Alguma surpresa com o fato de que a sétima ou oitava potência econômica mundial é apenas a 75ª colocada quando se mede o seu desenvolvimento humano?

Não tenhamos medo das palavras: o Brasil que vai às urnas é um país pobre, obscenamente pobre para o seu volume de riquezas naturais, território e população.

É também obscenamente desigual, apesar da lenda de que a desigualdade se reduziu. É impossível reduzir a desigualdade em um país que dedica ao Bolsa Família (12,6 milhões de famílias) apenas R$ 13,1 bilhões e, para os portadores de títulos da dívida pública (o andar de cima) a fortuna de R$ 380 bilhões, ou 36% do Orçamento-2009.

Ainda assim, é um país mais feliz do que era há oito anos ou há 16 anos. Fácil de entender: "O pobre quer apenas um pouco de pão, enquanto o rico, muitas vezes, quando encosta na gente, quer um bilhão", já ensinou mestre Lula.

Por José da Cruz às 12h05

Faça justiça com as próprias mãos

           Corrija os seus erros da última eleição e, hoje, escolha aqueles que serão, de fato, os seus representantes.

 

        

        Contribua para eleger os melhores candidatos para o país e não para atender aos seus desejos e interesses exclusivos.

        Para refrescar a memória, lembro os versos de Noel Rosa:

               “E o povo, já pergunta com maldade,

                Onde está a honestidade, onde está a honestidade!!!”

        Vote com honestidade a partir da escolha consciente.

 

Por José da Cruz às 00h03

02/10/2010

Basquete: Colinas e Magnano são a ponta do iceberg

         “Carlos Colina e sua consciência tranquila e o grande Rubén Magnano são escolhas de vocês.

         Se eu escrevesse uma linha contra em março, era crucificado... e o fui.

         Agora a culpa é deles? NÃO!!!

         Eles são profissionais e vieram atrás do que a CBB podia fazer por eles: dólares e euros.”

Artigo

         Leiam o restante do oportuno artigo no seguinte endereço: http://maisbasquete.blogspot.com/

         A análise é de um professor de Educação Física e técnico de basquete e especialista em educação, Carlos Alex Soares.

         Ele sabe o que é conviver com a angústia de ter bom material humano e não saber o que fazer com a garotada. Algo que ocorre de cidade a cidade, Brasil afora, porque, como ele diz – e está certo – o dinheiro se concentra na cúpula, na elite.

         A base? Ora, a base, lixe-se a base!

         Carlos Alex desenvolve seu trabalho – e que trabalho – na distante Pelotas, extremo sul do Rio Grande, onde o conheci numa de minhas idas àquela cidade. Lá morei e ainda tenho família. Ficamos amigos e conversamos sempre que vou por lá.

         Deve ter outro “Carlos Alex” no extremo Norte do país, mais um no Nordeste, enfim; se não no basquete, no tênis de mesa, no ciclismo, no remo, no vôlei, enfim, enfrentando o mesmo dilema: a base!,  

         E o que deve responder o presidente Carlinhos da CBB, ex-presidente da Federação Gaúcha de Basquete , hoje à frente da CBB?

         A base? Ora a base!!  

         Pois é, Carlinhos, o resultado está nas campanhas de nossas equipes, agora sob sua inteira responsabilidade.

         E nós continuamos esperando a sua resposta, como esperamos de Grego...

         E quando vier conversar não diga que faltam recursos. Não! o que eu quero saber é o que estão fazendo com tais recursos, boa parte de dinheiro público.

Por José da Cruz às 18h45

Vôlei masculino desacelera, mas a culpa é do regulamento

      Conforme comentei no início da tarde, vale o pote de ouro.

Está no UOL Esportes

Sob gritos de "palahaçada", improvisado Brasil perde para Bulgária e vai à chave mais fácil do Mundial

De Roberta Nomura
Em Ancona (Itália)

Por José da Cruz às 18h17

BASQUETE: Só falta contratar o "detalhe"

             Dois basqueteiros que não perdem um lance travaram a troca de emails  que publico com a autorização deles, Alcir Magalhães Filho e Odair Viola Sabbag.

            Alcir é um dos maiores divulgadores desse esporte no país. Circula diariamente por milhares de endereços com um eficiente clipping eletrônico sobre o que há de mais atual sobre o basquete. Odair é ex-jogador profissional, que passou por vários times paulistas, entre eles o Palmeiras.

            A conversa tem a participação de outro basqueteiro, Berquó, hoje, preside o grupo Confraria dos Amigos do Basquete.

CAPÍTULO I

            Avaliação do presidente da Confederação Brasileira de Basquete ,Carlos Nunes, sobre nossa participação nos Mundiais.

            “O Mundial poderia ter sido melhor. Mas é que eu sempre digo: os detalhes entraram em quadra.”

 Presidente Carlos Nunes, nos avise quando o "detalhe" desembarcar em Congonhas...

 

CAPÍTULO II

email de Alcir Magalhães Filho

            Li as declarações abaixo no  blog Bala na Cest (http://balanacesta.blogspot.com/)

            Parece que virou moda:  toda vez que o basquete não obtém os resultados desejados, os envolvidos utilizam a mesma retórica do passado, explicada com a palavra "DETALHES".

            Meus amigos o que mais se ouvia no passado era: perdemos nos detalhes, faltaram detalhes para vitória, faltaram detalhes para isto, para aquilo....

           Será que não estão faltando detalhes na gestão do basquete brasileiro para torná-lo vitorioso?

            Não será  por falta de detalhes,  que deverá haver mudanças no corpo executivo da entidade maior do basquete brasileiro?

           Não será que por falta de detalhes,  que a gestão atual não muda o passado presente na sua  gestão?

            Até quando, por falta de detalhes,  o basquete brasileiro vai ficar fora dos pódios das grandes competições?

            Torcemos para que SÃO DETALHE ajude o basquete brasileiro ir para  olimpíada de 2012. elo visto, somente apelando para ele, pois se ficarmos de fora de mais esta olimpíada,  o pobre detalhe será culpado de tudo. Aí, fica fácil gerir culpando o pobre detalhe que não pode se defender.

CAPÍTULO III

Detalhe + entrosamento (Berquó volta à troca de emails com a seguinte historinha)

            Aqui em Goiânia, tinha um fanático fazendeiro que não entendia porque o seu time não vencia o campeonato de futebol.

            Ele colocava uma grana preta no time, contratava jogador todo dia e nada... Inconformado foi conversar com o técnico

            - Por que este time não ganha o campeonato?

            - O time é bom, diz o técnico. Mas falta entrosamento.

            - Uai, só falta esse? Responde o cartola – onde ele tá, fala o preço que mando comprar este tal "entrosamento", agora. Eu quero é ser campeão..." !!

            E Berquó conclui sua mensagem:

            O problema é o DETALHE, nas seleções masculina e feminina?

            Pois com esta grana toda que tem, por que a Confederação Brasileira de Basquete não contrata cinco detalhes para o time masculino e outros cinco para o feminino? Aí meu chapa, seremos imbatíveis!!!

 

CAPÍTULO IV 
Sabbag conclui com o que há de mais real, não só no basquete, mas nas demais confederações:

            “As instituições estão blindadas, este é um problema cultural no Brasil, desde a sua descoberta. CBB e federações blindadas. Sempre os mesmos? Ninguém está nem um pouco preocupado. Uma pergunta: sobrevivem de quê?”

Por José da Cruz às 15h56

A nova ordem do esporte mundial

            Já classificada à próxima fase do Campeonato Mundial, na Itália, a  Seleção Brasileira de Vôlei masculino passa por um dilema: perder o jogo de hoje à tarde, para a Bulgária.

            Assim, o time de Bernardinho ficará em segundo lugar no grupo e terá adversários teoricamente mais fracos, na próxima etapa, a partir de segunda-feira.

            Fugirá de imediato, por exemplo, de um confronto com Cuba ou Rússia.

            Bernardinho já admite usar alguns “reservas” no jogo de hoje para ganharem volume de jogo.

bahianoticias.com.br

            Ou seja, poderemos ter um time mais fraco em quadra, e uma derrota não seria um escândalo.

A questão é:

     Qual a diferença entre perder propositalmente para pegar adversários mais fracos na fase seguinte e – voltando no tempo e às pistas – aquela aliviada no acelerador do brasileiro Felipe Massa, da Ferrari, para ajudar o companheiro de equipe, Fernando Alonso, avançar na classificação do campeonato de Fórmula 1?

            Nenhuma diferença. Nos dois casos usam a regra do jogo para tirar benefícios.

            Principalmente porque, em ambos os casos, acelerando ou saltando na rede, o título vale dinheiro, muito dinheiro, justamente o que simboliza a nova ordem do esporte mundial.

            Algo assim: esqueçam os resultados e coloquem o foco no pote recheado de grana.

Por José da Cruz às 10h54

O esporte pode tudo!!!

Em véspera de eleição, cujos candidatos majoritários não apresentaram seus programas detalhados – e nos debates ninguém tocou sobre as questões da educação e do esporte –, é oportuna a leitura do artigo abaixo, do professor de EF Welington Silva.

Também doutor em Educação, ele assina o blog Esporte em Rede (http://www.esportemrede.blogspot.com/), que está entre os meus favoritos  e onde fui buscar esse texto.

Weligton Silva

                Utilizo-me do título do mais recente livro do professor Vitor Marinho de Oliveira para refletir sobre o movimento das Conferências Municipais de Esporte que aconteceram em praticamente todo o país e que conta com a sua terceira edição. O livro faz parte da nova coleção questões da nossa época e “integra os projetos comemorativos dos 30 anos da Cortez Editora”

            Já a III Conferência do Esporte é fruto da política do governo, oriunda do aconselhamento do Banco Mundial e que objetiva o propósito de democratizar o debate em torno do esporte e da sua função social. A forma encontrada pelo organismo internacional para a aproximação do estado com a sociedade civil foi o modelo das conferências, que aconteceram não só em relação ao esporte, mas, também, em relação à comunicação, à educação entre outros.

            No que diz respeito ao esporte, a impressão que fica lendo alguns documentos e ouvindo algumas explanações sobre o mesmo é de que realmente, tal como expressa o título do livro já citado, o esporte pode tudo!!! Fenomenologicamente, colocamos o mesmo “entre parênteses”, e o analisamos de forma isolada, descontextualizada “de todo o processo histórico que o produz” e reproduz, “deixando de lado as condições materiais de sua existência”.

            Nesse sentido, um discurso humanista de cunho existencial cola no esporte aspectos sociais que intrínseca e imediatamente não é função do mesmo. Para além do seu caráter lúdico e agonista, o mesmo assume a função de tirar as crianças e jovens das drogas, “é eficaz no processo de ressocialização, é prática democrática, proporciona saúde, combate a violência, reintegra deficientes físicos”, etc, etc. Um verdadeiro elixir salvacionista, receita e remédio para todos os males da sociedade capitalista.

            A Universidade Federal de Goiás, através dos pesquisadores do GEPELC (Grupo de Estudo e Pesquisa de Esporte, Lazer e Comunicação) vem analisando os documentos produzidos na primeira e na segunda Conferências Nacionais do Esporte e o que eles têm encontrado se caracteriza como uma “avalanche semântica” onde “um conjunto de funções, de atribuições, de qualidades são coladas ao esporte (...)”.
            É o esporte enquanto “desenvolvimento humano”, como “promotor da qualidade de vida”, da “cidadania”, o esporte como “ferramenta da paz”,toda uma gama de atributos e qualidades que apresentadas “entre parênteses” só contribuem para a mistificação do próprio esporte e de todos esses elementos colados ao mesmo.


            Nesse sentido, destituído de qualquer referência sócio-histórica, passamos a pensar as políticas públicas de esporte e lazer descoladas tanto da política quanto do público, transformando o objetivo democrático das Conferências em democratismo, puro sofismas, falácias, verdadeiro exercício ideológico no sentido clássico do termo, de falseamento da consciência.


            Para irmos de encontro a esses e outros fatores, sugiro que façamos um esforço de estudo e análise sobre o que estar prescrito nas leis que regem o esporte e nas formulações presentes nos documentos das Conferências já realizadas e cotejemos com a realidade concreta do nosso país, explicitada, dentre outros, no documento Habitat, da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado no dia 2 de março e que aponta o Brasil como o país mais desigual da América Latina, onde os 10% mais ricos da população controlam 50,6% das riquezas do país, enquanto que os 10% mais pobres detêm apenas 0,8% isso tudo apesar do Brasil ser hoje a oitava maior economia do mundo.


            Para àqueles que acham que esses dados são apenas para economistas e sociólogos, sugiro então que se debrucem apenas sobre os documentos das Conferências e analisem, tomando os mesmos como referências, o que foi realmente realizado e que setores foram mais privilegiado no desenvolvimento das políticas de esporte dos governos.


            Helvétius, nos ensina o Vitor Marinho, no bojo da revolução burguesa, afirmou que a educação pode tudo. O desenvolvimento histórico demonstrou que nem tanto e interrogou sobre de qual educação se tratava. Aprendamos com a história e interroguemos: o esporte pode tudo? De qual esporte estamos falando? Para quem praticar? Sobre quais estruturas e modo de produção e reprodução da existência? Esporte para todos ou esporte para poucos?

Por José da Cruz às 10h41

01/10/2010

Nuzman: basquete pode ficar fora dos Jogos Rio 2016

         Pedindo licença aos companheiros do UOL Esportes, transcrevo a notícia abaixo, conforme entrevista de Nuzman a SporTV

No UOL Esportes

Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e do Comitê Orgsanizador do Rio 2016, Carlos Artur Nuzman admitiu nesta sexta-feira que teme que o basquete brasileiro não dispute as Olimpíadas cariocas. A Fiba (Federação Internacional de Basquete) cancelou a vaga automática para o Reino Unido em 2012 e ainda não anunciou o formato do torneio para 2016.

“Estamos trabalhando para isso não acontecer, para que o Brasil tenha sua vaga garantida como sede dos Jogos. Mas a federação da modalidade não deu ao Reino Unido a vaga no basquete em Londres-2012 e acho que gostaram da ideia”, falou o dirigente, em entrevista ao SporTV.

Em 2012, a Fiba alegou falta de estrutura da modalidade no Reino Unido para não dar vaga para os britânicos. O Reino Unido não tem, atualmente, uma seleção de basquete competitiva no feminino e, no masculino, o time joga a segunda divisão do basquete europeu - apesar de contar com atletas da NBA, como Ben Gordon ou Luol Deng.

A situação é bem diferente do Brasil. A seleção masculina verde-amarela, apesar de estar longe das Olimpíadas, no masculino, desde Atlanta-1994, tem um histórico vitorioso na modalidade. É dono de três títulos mundiais (dois no masculino, um no feminino) e ganhou cinco medalhas olímpicas (uma prata e dois bronzes no feminino, dois bronzes no masculino).

No último campeonato mundial, o time masculino terminou em 9º lugar no torneio disputado na Turquia. O feminino, quarto colocado na competição em 2006, disputa no sábado o 9º lugar na edição da República Tcheca. A performance do time masculino, inclusivo, foi elogiada por Nuzman.

“O exemplo do técnico da seleção brasileira de basquete é muito bom. O argentino (Rubén) Magnano mudou a forma da seleção se apresentar. Independentemente do resultado, aconteceu uma mudança de atitude. Ninguém passa do 9º lugar para ser campeão mundial, mas a mudança começou”, falou o dirigente.

Por José da Cruz às 15h56

IMPERDÍVEL: O caso Neymar

No Correio Braziliense de hoje

FREI BETTO        

                     "Onde falta educação campeia a perversão"

         Neymar tem 18 anos de idade. É uma revelação como jogador de futebol. Joga pelo Santos, o mesmo time que projetou Pelé. E joga bem, muito bem. A diferença entre ambos é que Pelé procedia com educação em campo.

        Neymar é rebelde. Não entra apenas para jogar. Entra para lutar: xinga o técnico, os adversários, até os parceiros de time. Neymar tem pavio curto. Age na base do olho por olho, dente por dente. Não se conforma de a bola não ser só dele.

         O então técnico do Santos, Dorival Júnior, em seu papel de educador (como todo técnico deveria fazer), puniu Neymar por mau comportamento. Por falta de ética, suspendeu-o de jogo. De um jogo importante, contra o Corinthians, em 22 de setembro. A diretoria do Santos, em vez de apoiar o técnico, decidiu apoiar Neymar. Foi como se a escola expulsasse o professor ofendido pelo aluno.

        Dorival Júnior foi demitido e Neymar, escalado para o jogo contra o Corinthians. Adiantou pouco. Neymar não fez gol e o Corinthians ganhou por 3 X 2.

        Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, fez o que o Santos deveria ter feito: puniu o jovem atleta. Mostrou-lhe os limites. Se Neymar quer ver seu talento brilhando nos jogos, terá que aprender a dominar sua fúria. Aprender a saber perder. E admitir que ele pode muito. Mas não pode tudo.

        O futebol já foi esporte. Hoje, é competição. Já foi arte. Hoje, é violência. Já foi fator de integração social. Hoje, acirra disputas entre torcidas enfurecidas. Os estádios, em dia de jogo, parecem penitenciárias em dia de visitas. Policiais por todos os lados, torcedores revistados, armas apreendidas. 

       Os jogadores mais se parecem atletas de luta-livre. Entram em campo para trucidar o adversário. Predomina a agressão verbal e física. As faltas não resultam da disputa de bola. São premeditadas e visam a imobilizar o adversário, de preferência mandá-lo para fora de campo ou mesmo para o hospital. 

       Os valores democráticos são negados pelo ethos guerreiro do futebol que se pratica hoje. Os times entram em campo imbuídos de espírito revanchista. Por trás de cada jogador há o jogo de poder dos cartolas. Os atletas valem pelo que representam monetariamente. São tratados como produtos de exportação. E, num mundo carente de heróis altruístas, eles ocupam o vácuo. São idolatrados, invejados, imitados.

        Na cabeça de milhares de crianças e jovens, eis um modo de se tornar rico e famoso sem precisar dar duro nos estudos. Basta ter a habilidade de fazer a bola obedecer a vontade que se manifesta nos pés.

        Gigante adormecido não é apenas o Brasil. É também a nossa seleção, desde a conquista do pentacampeonato. Agora ela acorda. Acorda para a Copa de 2014, que terá o Brasil como palco. Alguns bilhões de dólares estão em jogo. Por isso, o que parece uma simples partida entre dois times é, para cartolas e investidores, laboratório destinado a transformar gatos em leões.

        O Brasil não pode, em 2014, repetir o vexame de 1950. Naquela Copa, no jogo final, em pleno Maracanã, o Uruguai ganhou do Brasil por 1 X 0. Naquela época, o futebol ainda era esporte. Os estádios não se pareciam a coliseus nem os atletas a gladiadores. E os cartolas torciam mais por seus times que por suas contas bancárias.

        Bons jogadores não brotam de um dia para o outro. São preparados desde a infância. Os clubes mantêm escolinhas de futebol. Muitas exigem dos alunos frequência à escola formal e boas notas. Isso é bom. Mas não o suficiente. Essas crianças deveriam também aprender o que significa ética nos esportes. Valores e direitos humanos. Para que, mais tarde, alucinadas pela fama e pela fortuna, não se transformem em monstros suspeitos de cumplicidade com traficantes e de homicídios hediondos.

        Alguém já refletiu em que medida o bullying, que tanto assusta as escolas, é reflexo do que se passa em nossos estádios? Onde falta educação campeia a perversão. Se a lei do mais forte é o que predomina aos olhos da multidão, como esperar uma atitude diferente de crianças e jovens carentes de exemplos de generosidade e solidariedade?

        Nosso futebol, tão bom de bola, não estaria ruim da cabeça? Não teria se transformado num imenso cassino monitorado por quem angaria fortunas? Faz sentido, num país civilizado, atletas, símbolos de vida saudável, posarem de garotos-propaganda de bebidas alcoólicas?

        Há que escolher entre Olímpia e Roma, maratona e coliseu. E conhecer a diferença entre os verbos disputar e aniquilar.

Por José da Cruz às 11h59

A queda de Zico, pela ética e dignidade.

             Zico não resistiu tanta pressão de ex-dirigentes e se demitiu da direção do Flamengo, na madrugada.

            É caso raro um diretor se afastar de um clube para preservar a ética e a dignidade, como ele mesmo demonstrou.

            Essa passagem relâmpago de Zico pelo clube onde se consagrou como craque mostra o nível da gestão da instituição de futebol mais popular do país, que não é culpa da presidente Patrícia Amorim, mas de administrações que deterioraram a credibilidade rubro-negra ao longo dos tempos.

          E é com esse tipo de gente que a Presidência da República se relaciona para ajudar a “fortalecer” a gestão, via Ministério do Esporte, mas sem exigir, em qualquer momento, profissionalização da administração ou idoneidade dos gestores.

            Até quando Patrícia Amorim resistirá à pressão que derrubou Zico?

Por José da Cruz às 07h58

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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