Blog do José Cruz

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31/08/2010

Copa 2014: Ministérios do Esporte e Turismo gastam R$ 11 milhões em projetos burocráticos

                Em apenas dois meses – junho e julho – a burocracia do Ministério do Esporte gastou R$ 8,5 milhões em quatro projetos para a Copa do Mundo 2014.

            Cerca de 50% desse valor foi destinado à Fundação Getúlio Vargas (R$ 4 milhões), que desenvolve projeto voltado para a implantação do Sistema Nacional de Controle de Acesso e Monitoramento de Torcedores em Estádios de Futebol.

            Opa! Isso não seria competência da CBF ou do Clube dos 13?

            É o Governo Federal que tem que cuidar, também, da segurança dos torcedores nos estádios? Não basta promulgar as leis sobre o assunto?

            Estaremos diante da intromissão do Estado nas questões particulares do futebol?

Casa Brasil em Johannesburg

            Mais gastos: para organizar a Casa Brasil na Copa do Mundo da África do Sul o Ministério do Esporte pagou a bagatela de R$ 3 milhões.

             0 valor é quase o dobro dos R$ 1,7 milhão destinado ao 1º Pan Escolar, que terminou domingo passado, em Juiz de Fora (MG), quando apenas cinco países compareceram ao evento.

Soluções caras

            Outro gasto já por conta de 2014: R$ 1.457.400,00.

            O dinheiro destina-se à empresa Calandra Soluções, sem licitação.

            Objetivo: “Implantação da solução de Gestão de Informações e Participação Colaborativa que será adotada para acompanhamento e controle do Plano Diretor da Copa 2014”.

            Entenderam? Eu também.

            Então, está tudo muito claro.

Turismo

            Já o Ministério do Turismo foi mais modesto nos gastos até agora e aplicou R$ 2,9 milhões no primeiro semestre deste ano por conta da Copa 2014.

            Também nessa área a Fundação Getúlio Vargas (FGV) é executora do projeto. Que custou R$ 1.4 milhão (dividido em duas parcelas) para realizar “mapeamento estratégico  do turismo para a Copa 2014.”

            Outra parceria a FGV é para a capacitação de profissionais do turismo para a Copa 2014, ao custo de R$ 1.491.650,00.

            Agora vai.

Por José da Cruz às 13h55

30/08/2010

Demolição ou queima de arquivo?

 A principal obra para a Copa 2014, até agora, foi a demolição de um estádio, o da Fonte Nova.

Mas aquilo que ocorreu no domingo foi implosão ou queima de arquivo?

Quem provoca é o jornalista Roberto Naves, ex-companheiro do Correio Braziliense, criador do personagem Gandula, o boneco torcedor sem time, mas sempre irônico e debochado, que irritava torcedores de todas as cores, sempre que aparecia nas páginas do jornal, às segundas-feiras.

O Gandula continua no Correio, e Roberto Naves, que ensaia novos rumos no jornalismo, mantém a inspiração para transformar em humor os fatos do futebol com impressionante facilidade.

Convidei Naves para criar um personagem para este blog. O espaço está garantido e, com certeza, o humor quebraria a dureza dos temas que aqui são tratados.

Vamos lá, Roberto Naves, assunto não falta para mostrares o teu talento.

Por José da Cruz às 22h41

Relações perigosas: CBF já havia sonegado R$ 14 milhões em 2000

                 Foto: Blog doPlanalto

      

               Ricardo Teixeira, Presidente Lula e ministro Orlando Silva: o sorriso do deboche

            Aproveito a reportagem-furo de Filipe Coutinho na Folha de S.Paulo de domingo –  “Receita multa CBF por sonegação” – para  trazer fatos que servem de “memória” à gestão que se realiza nessa tal CBF.

            Não é a primeira vez que a entidade dirigida por Ricardo Teixeira sonega impostos federais. A entidade é caloteira histórica. Em 2000, a CBF sonegou mais de R$ 14 milhões à Receita Federal.

            As informações  estão no relatório da CPI da CBF Nike, de 2001. Está escrito:

            “O fato de a CBF não acompanhar, de modo adequado a legislação tributária brasileira tem feito com que a entidade deixe de recolher tributos de acordo com a lei.”

             Além disso, irregularidades nas áreas contábil e financeira contribuíram  para que a Receita Federal autuasse a CBF em mais de R$ 14 milhões.

            A CBF foi autuada pela Receita Federal em 2000, por irregularidades diversas, dentre elas sonegação de imposto de renda, de Cofins, de CSLL, além de omissão de receita e de fraude fiscal, com a criação de receitas, indevidamente.

            Pelo processo 15374.000839/00-03, encerrado em 30 de março de 2000, a CBF está obrigada a pagar R$ 8.378.778,62 por omissão de receitas, glosa de custos de bens e serviços.

            Já em outro processo – 15374.000840/00-84, a Confederação necessita rcolher ao caixa da Receita R$ 6.029.882,18, devido a falta de recolhimento da Confins. A soma total da autuação é, assim, de R$ 14.408.660,80.

            Um caso raro de omissão de receita envolve o recebimento de R$ 10 milhões referentes ao pagamento feito pela Nike à Umbro, em nome da CBF, para pagar a multa rescisória do contrato CBF/Umbro.

            Essa importância passou a fazer parte do contrato CBF-Nike, como receita da CBF. Mas não foi declarada à Receita Federal. E o imposto de renda relativo àquela importância também não foi pago.”

Automóvel  Volvo

            O relatório da CPI da CBF Nike, tem o seguinte registro, que julgo oportuno publicar, para mostrar como a CBF é administrada:

            A CBF adquiriu em 10 de maio de 1995 um veículo marca Volvo, importado, completo, com todos os acessórios disponíveis, teto solar, 2.300 cilindradas, no valor de R$ 68.199,00 – equipamento, na época a US$ 76.542,pela cotação do dólar flutuante do dia (US$1 = 0,891), comprado da Vocal Comércio Veículos Ltda, nota fiscal 171.413.

            Pouco mais de um ano depois, em 10 de julho de 1996, o próprio Ricardo Teixeira adquiriu esse automóvel da CBF, pagando apenas R$ 49.000,00, ou US$ 45.526,52 pela cotação do dia. O veículo foi comprado por Teixeira com um desconto de R$ 40% sobre o valor pago pela CBF.

            O Relatório da CPI da CBF Nike tornou-se livro, editado pela Casa Amarela. Mas Ricardo Teixeira foi à Justiça e tirou a publicação das prateleiras. Censura.

            O documento torna-se valioso porque registra dados obtidos com a quebra de sigilos fiscal e bancário da CBF, federações e clubes.

             “A CPI investigou as contas da CBF. Seus trabalhos mostraram à exaustão a administração ruinosa da entidade, cujos recursos são malbaratados em despesas duvidosas e não justificadas, em altos salários e remunerações indevidas; em doações políticas destinadas a sustentar influências no Parlamento, para desempenhar o papel de “bancada da bola”.          

              As investigações comprovam que Ricardo Teixeira, presidente da CBF há três gestões, usa os recursos da entidade máxima do futebol como se fosse uma de suas empresas. Por exemplo, fez a CBF pagar despesas com sete escritórios de advocacia para defesa de seus interesses como pessoa física”.

            É esse senhor que dirige o Comitê Organizador da Copa do Mundo. O mesmo que é recebido na Esplanada dos Ministérios e Palácio do Planalto com tapete vermelho e abraços calorosos do presidente Lula e ministro Orlando Silva.

      

Por José da Cruz às 10h40

Leão morde CBF em R$ 3 milhões

Na Folha de S.Paulo de domingo

Receita multa a CBF por sonegação

Entidade pagou R$ 3 mi ao Fisco por abater ilegalmente despesas com viagens de jornalistas, juízes e advogados

FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA

A CBF foi autuada pela Receita Federal e pagou R$ 3 milhões ao fisco (incluindo multa, juros e impostos devidos) por sonegação de Imposto de Renda.
A entidade foi acusada de usar verbas para bancar jornalistas, juízes e advogados e abater essas despesas no pagamento do imposto. A dívida se arrastou de 2002 a 2009, quando a CBF pagou a multa para não ser inscrita na Dívida Ativa da União e levar o caso a público.
O processo foi mantido em segredo uma vez que, na esfera administrativa, qualquer autuação da Receita Federal é sigilosa. Foram ao menos duas derrotas no Ministério da Fazenda antes de a dívida ser paga.
E o débito da CBF com a Receita pode ser ainda maior. Levantamento feito pela Folha mostra que a confederação aparece como parte em 103 processos abertos no Ministério da Fazenda desde 2003. Só neste ano a confederação vai faturar mais de R$ 200 milhões com seus patrocinadores.
A acusação contra a CBF surgiu em 2002, quando a entidade foi alvo de investigação da Receita. Segundo o auto de infração, a CBF bancou viagens, com direito a hotel, para "jornalistas, membros do Judiciário, familiares de dirigentes e outros não envolvidos nas atividades da CBF".
Na prática, a entidade declarou que essas despesas eram "essenciais" e "incorridos no intuito de realizar seu objeto social". Por isso, a entidade usou os valores para deduzir do Imposto de Renda. "A exposição pública e divulgação geram patrocínios e nada mais natural do que proporcionar passagens e hospedagem a pessoas relacionadas com esses contratos", justificou a CBF no processo da Receita Federal.
O expediente não só foi recusado pelo fisco como também resultou em multa de 75% do valor do imposto devido. No total, a dívida foi calculada em R$ 1,19 milhão -ou R$ 3 milhões em valores de 2009, quando foi paga.
"Tais despesas foram consideradas como feitas por mera liberalidade pela entidade e, portanto, como não dedutíveis", diz o relatório da Receita.
O mesmo artifício para sonegar imposto, segundo a Receita, foi utilizado com escritórios de advocacia. A entidade fez pagamentos com "valores superiores aos acordados nos contratos" e tentou utilizar o montante para abater do imposto. Além disso, a CBF, de acordo com a investigação, não provou que o serviço foi prestado.
As irregularidades foram encontradas inclusive nos serviços que foram comprovadamente realizados. Entre eles, a contratação de advogados para acompanhar inquérito policial de interesse de Ricardo Teixeira, presidente da CBF.
"Os serviços só podem ser entendidos como prestados às pessoas físicas e nunca à pessoa jurídica da CBF", diz o relatório da Receita.
Em 2001, mesma época das irregularidades apuradas pela Receita, a entidade sofreu uma devassa da CPI da CBF na Câmara dos Deputados. O relatório final pediu 13 indiciamentos de Teixeira por crimes fiscais.
Além de comandar a CBF, Teixeira é o presidente do Comitê Local da Copa-2014, que avalia os estádios brasileiros orçados em mais de R$ 5 bilhões. O governo pretende ainda dar isenções fiscais de R$ 900 milhões para os parceiros da Fifa e do comitê organizador do Mundial.

OUTRO LADO

Confederação diz que gastos eram "essenciais"

Por meio de assessoria, a CBF informou que não comentaria a multa da Receita. No recurso apresentado no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que negou as alegações da CBF, a entidade diz que os gastos foram usados para abater o Imposto de Renda porque eram "essenciais".
Sobre o pagamento de viagens para jornalistas, a entidade afirmou que as passagens foram pagas para garantir divulgação. A confederação também questionou a tributação de gastos com advogados. "O simples fato de não haver aditivo escrito não é razão para se glosar [tributar] a despesa."
A maior parte da dívida de R$ 3 milhões, em valores de 2009, deve-se à cobrança de juros e multa de 75%.
No processo, a CBF afirmou que a Selic, taxa básica de juros, era ilegal e a multa "confiscatória".
(FC)



Por José da Cruz às 01h27

29/08/2010

Rio 2016: a matemática das medalhas e os compromissos do COB

  Por Walter Guimarães

      O Jornal O Estado de S. Paulo de sexta-feira publicou matéria sobre o desempenho do Brasil nos Jogos da Juventude, em Cingapura. Tive a surpresa de ler declarações do “ad aeternum” chefe da delegação brasileira, Marcus Vinícius. 

      Quer dizer que o COB prometeu incentivar os destaques brasileiros, escolhendo atletas para participarem de projetos especiais? Mas parece que o discurso entre o Nuzman e o Marcus Vinícius não batem. Afinal, o COB tem ou não atletas?  

      Na abertura dos jogos em Cingapura, Nuzman, com medo de passar vergonha, tirou a responsabilidade pela delegação brasileira, conforme entrevista na Folha. Agora com sete medalhas a coisa muda??? 

      E que medalhas são essas? Não quero diminuir o valor dos atletas, esses sim os verdadeiros heróis olímpicos, mas vale lembrar que os EUA ganharam apenas quatro de ouro em Cingapura. 

      Não dá para acreditar que fomos bem. Mesmo com outra proposta, incluindo competições de revezamento com atletas de diferentes países, as delegações não foram com seus melhores atletas. Os jogos de Londres já estão chegando, só são mais 700 dias, e depois o mundo esportivo se volta para terras brasilis. E quantas medalhas será que o Nuzman e sua trupe imaginam ganhar por aqui? 

      De 1988 para cá, entre os países sedes não considerados então potências desportivas, tivemos a Coréia do Sul, Espanha, Austrália e Grécia. Na tentativa de projetar 2016, resolvi pegar o número de medalhas conquistadas por esses países nas duas Olimpíadas anteriores, comparando com as medalhas ganhas em seus domínios. 

      Coréia do Sul:  Montreal-76: 6 medalhas (boicotaram os jogos de Moscou-80);  Seoul-88: 33 medalhas;

      Espanha: Los Angeles-84: 5 medalhas; Barcelona-92: 22 medalhas;

      Austrália: Barcelona-92: 27 medalhas; Sydney-00: 58 medalhas 

      Grécia: Atlanta-96: 8 medalhas; Atenas-04: 16 medalhas 

      Os oito anos que antecederam a Rio-2016 foram justamente os jogos de Pequim-2008. Se o Brasil tiver o mesmo desempenho da Grécia, ou seja, o pior de todos dos países acima, deveremos ganhar 30 medalhas em 2016, já que conseguimos 15, em Pequim. 

      Vale uma pequena análise sobre o que aconteceu com esses países após sediarem os Jogos.

Coréia do Sul: depois de Seoul-1988 sempre ficou entre os 10 países que mais ganharam medalhas. Se for levado em consideração a classificação por medalhas de ouro, acabou na 12ª colocação em Sydney-2000, mas ganhou mais medalhas do que Romênia e Holanda, respectivamente 11ª e 8ª no quadro. Está entre as 10 potências do olimpismo.

Espanha: nunca havia ganho mais de seis medalhas antes dos jogos de Barcelona, aliás, ganhou seis  justamente em Moscou, quando houve o maior boicote da história. Depois, sempre esteve na frente do Brasil no quadro de medalhas; apenas em Atenas o Brasil conquistou mais ouros, mas no geral a Espanha levou vantagem de nove medalhas. Do que era, está bem acima.

Austrália: Os aussies, já nos jogos que antecederam Sydney-2000, mostraram a força que chegariam competindo em casa. Desde Atlanta-1996, se firmou como a quarta grande potência. De lá, até Pequim-2008, em números brutos de medalhas, sempre esteve nessa posição. 

Grécia: o tão esperado retorno das Olimpíadas às origens também trouxe frutos para os gregos. Conseguiram dobrar o número de medalhas em oito anos, mas é o país que mais demonstra a falta de preocupação com um legado esportivo. Depois de ganharem oito medalhas em Atlanta-1996, ganharam 13 em Sydney e finalmente 16 na sua capital. Nos jogos seguintes ficaram com apenas quatro medalhas, nenhuma de ouro.

      E o Brasil, o que esperar???

      Honestamente eu sonhava no país como uma nova Austrália. Mas não consigo imaginar de ver só sorrisos nos nossos atletas durante a cerimônia de encerramanto. Teríamos condições de sonhar com algo perto de 50 medalhas? Acho que não. Viraríamos uma Espanha, quem sabe?

      Infelizmente, com o atual quadro, estou convencido que seremos felizes com um arroz à grega...


 

Por José da Cruz às 18h09

28/08/2010

Ciclismo: um bicampeão mundial anônimo

                                    No país do velódromo milionário fechado, no Rio de Janeiro, os ciclistas fazem história na pista, mas com limitações que só o esporte brasileiro é capaz de explicar.

Por Afonso Morais

            O Brasil acaba de conquistar um lugar de destaque no cenário mundial do ciclismo.

            Pela segunda vez consecutiva o catarinense Soelito Gohr (foto) sagrou-se campeão do mundo de estrada na categoria LC1 – para ciclistas que possuem algum tipo de restrição nos membros superiores –, no último final de semana, no Campeonato Mundial do Canadá de Ciclismo Paraolímpico.

          Foto: ss.esp.br

            Para completar a glória brasileira e a do técnico da seleção nacional paraolímpica de ciclismo, o italiano Rômulo Lazzaretti, o Brasil dominou o pódio com o paulista Lauro Chaman em segundo e o brasiliense João Schwindt na terceira colocação.

            Por se tratar de uma modalidade de paradesporto não é de se estranhar que poucos no Brasil souberam do desempenho impecável da delegação brasileira em terras canadenses ou conhecem os ciclistas responsáveis por registrarem o nome do país na história do ciclismo mundial. Afinal, as atividades paradesportivas nunca tiveram a mesma atenção dos esportes olímpicos.

            O curioso é que a um ano e meio das Paraolimpíadas de Londres, em 2012, e a pouco menos de seis anos dos Jogos Rio 2016, o ciclismo paraolímpico ainda tenha tão pouca visibilidade no Brasil.

            Exemplo do descaso foi o campeonato brasileiro da modalidade disputado em Brasília, no final de junho passado. O evento não conseguiu atrair o público e a mídia que gostaria. Sem público, sem prestígio.

            Segundo a organização, a Federação Metropolitana de Brasília – que nem sede própria tem e, por incrível que pareça, elegeu o seu presidente por meio do apoio de cartolas do futebol da capital federal – criou alguns entraves para autorizar a realização da competição. Nem mesmo a ambulância do Corpo de Bombeiros foi cedida pelo governo. Para atender os atletas foi alugada uma ambulância particular.

            Pela importância do Campeonato Brasileiro esperava-se que pelo menos as autoridades ligadas ao esporte do Governo do Distrito Federal aparecessem. Mas, ao contrário do que acontece em outras competições oficiais mais populares, não houve sequer um representante do governo distrital para premiar os atletas.

            Importante lembrar que o campeão mundial Soelito Gohr e os outros dois ciclistas que completaram o pódio no Canadá estavam presentes. Teria sido uma ótima oportunidade para muitos conhecerem os candidatos à medalha de ouro nos Jogos Paraolímpicos de Londres.

Perdas e ganhos

            Outra constatação é que o domínio verde-amarelo dos ciclistas paraolímpicos que se viu no Canadá ainda está longe de colorir a elite do ciclismo no Brasil. Soelito Gohr é a prova irrefutável deste fato.

            Ocorre que, além de bicampeão mundial paraolímpico, o catarinense já foi campeão brasileiro de estrada e venceu algumas das mais disputadas competições também na categoria elite já que a sua deficiência não o impede de competir com os outros ciclistas profissionais.

            Mas, por viver os dois lados, Soelito experimentou emoções de naturezas diferentes mas de intensidades semelhantes no último final de semana.

            Logo depois de sentir a alegria de conquistar o inédito segundo título de campeão mundial de ciclismo paraolímpico, o catarinense recebeu a triste notícia de que a equipe pela qual compete profissionalmente no Brasil (Scott/Marcondes César/São José dos Campos) foi excluída pela União Ciclística Internacional das competições continentais por não cumprir as normas exigidas pela entidade.

            Isso significa que o primeiro bicampeão mundial da história do ciclismo brasileiro está com o futuro incerto a partir de agora.

            Depois de ser escolhida pela UCI para integrar a elite do ciclismo profissional mundial e participar de duas competições ao lado dos melhores ciclistas do planeta, o Brasil agora passa pelo vexame de não honrar os seus compromissos e ver a principal equipe do país ser expulsa do calendário internacional por não pagar salários aos atletas.

            Assim que desembarcou no Brasil com o título, Soelito Gohr recebeu o telefonema do técnico José Carlos Monteiro com a promessa de que a equipe será mantida e de que a situação irá melhorar.

            “A verdade é que a notícia desanima um pouco. Mas com a minha vitória acredito que outras portas se abrirão”, afirmou Gohr.

            Pode ser. Mas para o sucesso do ciclismo do país é preciso que a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) estabeleça metas e crie o planejamento para manter os atletas motivados e formar a base para uma nova geração de talentos.

            O exemplo da Austrália e da Inglaterra devem ser seguidos. Afinal, foi investindo no ciclismo que os galeses figuraram – pela primeira vez na história do país – na terceira posição do quadro de medalhas em Pequim há dois anos.

            Para 2012 já é tarde. Que venha 2016!

Por José da Cruz às 19h34

27/08/2010

O lado positivo da Copa 2014

            

            Advogado e especialista em marketing esportivo, Ricardo Ognibene, da One Sports Business, de São Paulo, fez um estudo sobre os impactos positivos da Copa do Mundo 2014, com base em dados de instituições nacionais, entre elas a Fundação Getúlio Vargas.

           As informações demonstram o que significa a realização de um grande evento esportivo para a economia e sociedade nacionais, a partir de investimentos bilionários e geração de frentes de empregos.

           O estudo é apresentado em momento oportuno, pois pode ser confrontado com os valores das aplicações governamentais, aqui já publicados, para melhor orientar os debates prós e contras da Copa 2014 no Brasil.

Os números maiores

            US$ 100 bilhões de investimentos em infraestrutura

            US$ 3,5 bilhões em investimentos em estádios

            3,5 milhões de empregos, aproximadamente

            1% de aumento no PIB no ano da Copa

            40 bilhões de pessoas na audiência televisiva

Potencial do mercado do futebol brasileiro

            132,98 milhões de pessoas entre 16 e 69 anos interessadas em futebol

Distribuição dos investimentos em infraestrutura (aproximadamente R$ 100 bilhões de recursos públicos e privados)

            53% Mobilidade urbana

            12% Hotelaria

            12% Saneamento

            7,7% Energia

            4,3% Aeroportos e portos

            4% Segurança

            3,9% Estádios

            2,8% Saúde

            0,1% Telecomunicações

Principais dimensões

            Impacto na imagem interna e externa do país

            Visibilidade para os investidores e fontes de fomento

            Desenvolvimento em diversos setores da economia (infraestutura, turismo, esporte,

            lazer, hotéis, mídia)   

            Grande impulsionador para sediar outros megaeventos, como as Olimpíadas 2916

            Mobilização de associações, entidades e da sociedade em geral

            Desenvolvimento também nas cidades não sedes (suporte em treinamentos,

             concentrações e turismo)

            Oportunidade de maior mobilização do PAC

            Estímulo  a cultura esportiva e profissionalização dos esportes, principalmente    o futebol

            Oportunidade de valorizar e liderar o movimento pró meio ambiente

            Ampliação da participação do Estado no movimento de sustentabilidade

            Mais informações sobre o assunto na página da One Sports Business: www.onesports.com.br

Por José da Cruz às 11h31

Só 12% do PAC da Copa foram liberados

Do Contas Abertas       

                Para não ficar só nas hipóteses, temos, enfim, dados oficiais sobre investimentos para a Copa do Mundo de 2014. Melhor: eles constam do portal de transparência da Controladoria Geral da União (CGU).

                E os números mostram que as críticas, até agora, não foram em vão. Reparem:

                Desde janeiro R$ 17,2 bilhões estão à disposição das 12 cidades-sedes para projetos de mobilidade urbana e estádios, aí incluídos os recursos do chamado “PAC da Copa” – Programa de Aceleração do Crescimento.

                A distribuição dos recursos está na Matriz de Responsabilidades, isto é, o que compete aos governos Federal, Estadual e Municipal em termos de obras e aplicações de recursos.

                Pois bem, dos R$ 17,2 bilhões, apenas 12% foram liberados, em torno de R$ 2,1 bilhões para obras de mobilidade urbana em Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador. E só.

                As outras cidades-sedes ainda não apresentaram seus projetos para receber a grana.

                Desses recursos, apenas o contrato com Belo Horizonte consta do portal de transparência da CGU – R$ 1.024 bilhão. Os contratos das outras duas cidades  -- Porto Alegre e Salvador -- ainda não foram lançados no documento oficial de controle dos gastos públicos com a Copa 2014.

                Os dados completos sobre o assunto foram coletados pela repórter Amanda Costa, da ONG Contas Abertas (www.contasabertas.com.br), onde pode ser lida a reportagem completa.

 

 

               

Por José da Cruz às 11h23

26/08/2010

Esporte escolar chega ao fundo do poço

                                         

                                                     crédito da foto: blog.cancaonova.com

                                              

                 A triste realidade da falência do desporto escolar no Brasil constata-se nos 1º Pan-Americano Escolares, que termina domingo, em Juiz de Fora (MG).

            Apenas seis países – entre eles o Brasil – disputam o evento, promovido pela Confederação Brasileira de Desporto Escolar.

            Pior: são somente seis das 28 modalidades olímpicas em jogo: atletismo, basquete, futebol, handebol, natação e vôlei.

            Houve provas em que estudantes de Juiz de Fora foram convocados para que a competição se realizasse.

Irresponsabilidade

            Estamos falando de um evento continental, oficializado pela Federação Internacional de Esporte Escolar.

            Foi para essa brincadeira de faz de conta que o Ministério do Esporte desembolsou R$ 1,7 milhão. Sobra dinheiro e falta responsabilidade.

Vexame

            O vexame maior em Juiz de Fora ocorreu no torneio de basquete masculino. Apenas a equipe do Brasil, representada pelo Colégio Santa Doroteia, de Brasília, entrou em quadra.

            Para que tivesse um campeão, a organização escolheu um colégio da cidade e fizeram disputa no sistema “melhor de cinco jogos”.

            Primeiro e segundo lugares garantidos. Na final, Brasil 1 (representado por Brasília) venceu pelo apertado placar de 131 x 21...

            O mesmo ocorreu com o basquete feminino: Brasil 1 enfrentou o Brasil 2.

            Na natação foram disputadas apenas oito provas, quatro masculinas e quatro femininas.

            Já no atletismo os homens foram à pista em apenas três provas. As mulheres em cinco.

            Reparem o nível técnico do Pan realizado no país que receberá as Olimpíadas de 2016.

            E o que dizer dos gestores que aprovaram essa geringonça?

            E do governo federal que desperdiça, como se não houvesse problemas nas nossas escolas públicas?

 

Por José da Cruz às 19h15

Ministério eficiente

         Divulguei ontem que o Ministério do Esporte empenhou recursos para projetos em Recife, onde o PC do B – partido do ministro Orlando Silva – têm candidatos a deputados.

         Ao final, citei que o ministério também empenhou R$ 1,7 milhão para que a Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE), realize o 1º  Pan-Americano Escolar, até 30 de agosto próximo.

         O evento é em Juiz de Fora, interior mineiro, coincidentemente a mesma cidade pela qual o ex-secretário executivo do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro, é candidato a deputado federal, pelo PC do B.

         Wadson é um ex-estudante de medicina que acabou convocado para atuar no Ministério do Esporte, no segundo cargo mais importante da pasta. Nada demais.          

         Afinal, quando Agnelo Queiroz era ministro, seu secretário nacional de Esporte Educacional era um médico urologista. Vejam o salto de qualidade que tivemos no setor...

         Bem, vamos ficar só na notícia, pois a imprensa tem limitações da legislação eleitoral para fazer críticas a candidatos. 

         Mas quanta bobagem, pois nem há o criticar nestes fatos, não é mesmo?

 

Por José da Cruz às 12h47

Rumo a 2016: piscinas da Faculdade de EF da UnB estão interditadas há quatro anos

      

 

No país de promessas e desperdícios de dinheiro público, a realidade desmente o discurso das autoridades, de que o “legado olímpico” é  ganho garantido para a população.

            Uma das mais importantes universidades do pais, a UnB, instalada na capital da República, há quatro anos está com as três piscinas do Centro Olímpico fechadas. Leiam a notícia oficial.           

Por Thais Antônio

Da Agência de Notícias da Universidade de Brasília

           O diretor do Centro Olímpico, da Universidade de Brasília, André Luiz Teixeira Reis, conta que as instalações das piscinas acabaram interditadas depois da confirmação de vazamentos, em 2006. "A interdição se fez necessária porque estava havendo muito desperdício de água", conta.

Apesar da identificação do problema, um laudo técnico para comprovar o estado de risco das piscinas só foi realizado três anos depois do fechamento. Mesmo com o relatório em mãos, ainda hoje não existe um orçamento do custo da reforma.

Segundo o diretor de obras da Prefeitura, Arnaldo Gratão, as piscinas estão paradas por falta de recursos. Com a aprovação da emenda parlamentar - de R$ 600 mil, feita por um deputado federal de Brasília, - a Prefeitura começou a elaborar a licitação da obra, mas ainda aguarda o desbloqueio do dinheiro.

Arnaldo admite que a UnB ainda não tem uma base de cálculo para estimar o custo da revitalização, mas adianta que o valor não será suficiente para realizar a reforma completa do local.

“Precisamos fazer um cálculo dos custos para estudar as possibilidades de complementação do recurso disponível e, só então, poderemos iniciar o processo de licitação”, explica Arnaldo.

“A piscina faz uma falta enorme para as atividades de graduação, extensão e recreação”, lamenta.

PREJUÍZO – O pedagogo Diney Alves é um dos coordenadores do projeto Segundo Tempo, que realiza atividades esportivas com alunos da rede pública de ensino do Distrito Federal no Centro Olímpico (CO).

Ele diz que, desde a interdição das piscinas, o público atendido - formado por crianças e adolescentes em vulnerabilidade social - diminuiu. “A piscina sempre foi o principal atrativo dos projetos de extensão. O CO perde muito sem as atividades aquáticas”, destaca.

Comentário

A notícia refere-se a uma faculdade de educação física, de onde saem profissionais para ajudar a formar atletas.

Estamos falando de uma universidade PÚBLICA, cujo governo brigou, no bom sentido – ou sabe-se lá como – para conquistar a sede olímpica de 2016.

No entanto, é dessa forma, desleixada, que o governo federal trata o seu patrimônio esportivo, com o principal prejuízo refletindo no patrimônio maior, que é o aluno.

 É o Brasil rumo aos Jogos de 2016...

Agora vai.

Por José da Cruz às 11h04

25/08/2010

O marketing esportivo no banco dos réus

O gesto é conhecido: Oscar, ainda jovem, vibrando nos tempos em que projetava se tornar o "Mão Santa".

    

Histórica, porém, é a foto com a marca do Banco do Brasil na camisa da Seleção Brasileira de Basquete, no Mundial da Espanha, em 1986, registro das origens do marketing esportivo na área governamental.

É por conta dessa relação que está na Justiça de Brasília um processo inédito nas relações do nosso marketing esportivo.

O caso

O Banco do Brasil divulga o ano e 1991como o início de seu primeiro contrato de marketing, quando lançou o projeto “A Grande Sacada”, com a Confederação Brasileira de Vôlei.

O ex-funcionário do BB, Heleno Fonseca Lima discorda e quer reconhecimento e correção histórica.

Idealizador da parceria do banco com a Confederação de Basquete, quando assessorava a direção do BB, Heleno argumenta:

“A área de marketing do Banco do Brasil objetivou apagar, gradativamente, qualquer manifestação de anterioridade da campanha original (com o basquete). Trata-se de uma falsidade histórica para se apoderar dos méritos desta inovação que deu certo, em 1986, quando, inclusive, uniformizamos a torcida organizada”.

O outro lado

A assessoria do BB, por sua vez, argumenta que tomou o ano de 1991 como base porque foi a partir daí que se iniciou uma campanha institucional de longo prazo, e não momentânea, como ocorreu com o basquete.

A campanha, a propósito, visava vincular a marca do banco a uma modalidade que contribuísse para que a instituição renovasse a sua clientela, o que acabou acontecendo, ao longo dos anos.

“A Grande Sacada”, sem a menor dúvida, é uma reprodução não autorizada da Campanha criada em 1986”, contrapõe Heleno Lima, que se ampara na Lei de Direito Autoral para sustentar seus argumentos.

História

Heleno lembra que em 1985 o então presidente do Banco, Camilo Calazans, queria patrocinar o Flamengo.

Sob o argumento de que isso não tinha amparo legal, Heleno sugeriu o patrocínio a uma “instituição nacional”. Era época do Mundial de Basquete e, assim, surgiu a parceria.

O processo na 15ª vara Cível de Brasília tem o número 2010.01.1.0124414-4, e dele constam declarações de Camilo Calazans e outras autoridades da época confirmando a versão de Heleno Fonseca.  

Por José da Cruz às 18h47

Ministério do Esporte: ação entre amigos candidatos

            O vereador Luciano Siqueira, de Recife, recebe a notícia de que o Ministério do Esporte empenhou R$ 2,8 milhões para “modernizar e requalificar a pista de atletismo do Centro Esportivo Santos Dumont”, na capital pernambucana.

            Em momento oportuníssimo, Luciano poderá incluir a informação em seus discursos de candidato a deputado estadual, pelo PC do B de Pernambuco, mesmo partido do ministro do Esporte, Orlando Silva, que tem a chave do cofre. 

            Por extensão, a notícia beneficiará outra candidata do PC do B de Recife, Luciana Santos, candidata à Câmara Federal. 

            Ministro bonzinho!!!

            É aquela história de usar a pasta ministerial em favor de correligionários, a fim de aumentar as bancadas estaduais e federais do partido – como ocorre com o PMDB e outros que dão apoio ao governo federal. Tudo em casa.

Pan Escolar

            Em outro empenho, o Ministério do Esporte garante R$ 1,7milhão à Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE) para o 1º Pan-Americano Escolar, que se realiza até 30 de agosto próximo, em Juiz de Fora (MG).

            Mas Jogos Escolares não é com o Comitê Olímpico Brasileiro?

            Está aí a tal "desordem no esporte" que frequentemente me refiro.

            Quando o evento é nacional é com o COB; quanto é internacional é com a CBDE.

            Coisas do país olímpico

           

 

 

 

Por José da Cruz às 15h53

Parte do equipamento de segurança do Pan foi entregue depois do evento

                O relatório do Tribunal de Contas da União que trata dos investimentos em segurança pública e das delegações durante os Jogos Pan e Parapan-Americanos de 2007 tem um registro curioso: o atraso na entrega das aquisições, inclusive de 17 aeronaves.

            No total o governo federal investiu R$ 562 milhões no setor. Ou seja, meio bilhão de reais para aquisição de armas, munições, aparelhos de comunicação e 1.807 viaturas de vários tipos.

            Apenas a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) adquiriu 443 itens distintos para a implantação de infra-estrutura da segurança. Custo: R$ 415 milhões.

Atrasos

            Desse total, a SENASP não havia recebido integralmente, até 24 de agosto de 2007, data posterior ao término dos Jogos Parapan-amerianos, 84 itens (18,8%); recebeu parcialmente 22 itens (4,9%) e recebeu integralmente 337 do total das compras.

            “ Deve-se reconhecer, porém, que os itens críticos e essenciais foram recebidos a tempo”, diz o relatório do Tribunal.  

            Entre os bens atrasados estavam 17 aeronaves. Elas não haviam sido recebidas pela SENASP até 5 de novembro de 2007, data de encerramento do relatório. Ou seja, cinco meses depois de realizados os Jogos do Pan e Parapan.

            A segurança dos Jogos foi feita de forma integrada pelas policiais Federal, Civil, Militar, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, Defesa Civil, Polícia Rodoviária Federal  e Força Nacional de Segurança. 

            Time de choque está aí, pra bandido nenhum botar defeito. Mas, passado o Pan, o confronto voltou às ruas aumentando o temor da população.

            Algumas aquisições para segurança do Pan

                        1.807 viaturas, equipamentos, armamento e munições

                        2 estações de rádio base transportáveis

                        790 estações fixas

                        4.700 etações móveis

                        9.956 rádios portáteis.

            Já a Polícia Rodoviária Federal foi contemplada com:

                        200 motocicletas Harley Davidson

                        36 viaturas Blazer

                        10 veículos GM/Astra

                        1.600 coletes balísticos

                        50 carabinas 5.56 MD97LM

                        16.000 cartuchos calibre 5,56x45mm etc.

            Balanço

                        Só a Polícia Rodoviária contabilizou a prisão de 295 criminosos durante a operação do Pan 2007, apreensão de 48 armas, entre granadas, fuzis, metralhadoras e mais de 8.124 munições, 131kg de drogas, 9.907 esferas de haxixe, recuperação de 121 veículos, etc.

Por José da Cruz às 14h39

Ministério da Educação também veta exclusividade ao uso de expressões olímpicas

 

Por Afonso Morais

            A polêmica proposta para tornar exclusiva do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) os aros olímpicos e expressões como “olimpíadas”, “olímpica” e suas derivações foi barrada, também, pelo Ministério da Educação.

            Antes, a proposta do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, já havia sido detonada pelo Senado Federal e Tribunal Regional de Justiça do Rio de Janeiro.

            A manifestação ministerial está num memorando (nº272), encaminhado à Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal.

            O documento responde à consulta do presidente da casa, senador José Sarney – que recebeu a proposta de Nuzman para alterar a Lei Pelé (que regula o esporte nacional) – tornando exclusivo do COB expressões e imagens ligadas ao olimpismo.

            “Entendemos que tais alterações podem vir ocasionar dificuldades de ordem jurídia na realização de alguns eventos relacionados ao desporto educacional”, diz o documento do MEC, de abril, mas só agora revelado.

            O Ministério do Esporte recebeu a mesma consulta do Senado. Mas, como de costume, se omitiu e fugiu do debate sobre a proposta de Carlos Nuzman.

            O que motivou a resposta do Ministério da Educação foi o pedido do cartola ao presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP), para suprimir a parte final do parágrafo segundo do artigo 15 da Lei Pelé.

            Dizia a tal proposta: “...de modo que nenhuma entidade em território nacional possa fazer uso das expressões “Olímpica” e “Olimpíada” e suas variações, ainda quando se tratar de eventos vinculados ao desporto educacional e de participação”.

Explicação

            Segundo Nuzman, a intenção era “apenas” assegurar direitos de exclusividade de todas as expressões diretamente ligadas às Olimpíadas do Rio de Janeiro.

            Mas, se as alterações sugeridas pelo dirigente fossem acatadas seria necessária a autorização dele para se utilizar, até o encerramento dos Jogos 2016, as palavras “Olimpíadas”, “Jogos”, “Olímpicos”, “medalhas” e até o numeral “2016”.

            A restrição impediria até de se usar o nome da cidade do Rio de Janeiro – sob pena de responder a processo judicial por perdas e danos e concorrência desleal –, já que a palavra “Rio” também constava na lista de restrições do COB.

Memória

            No final de 2009, a oito dias do fim do ano legislativo, Nuzman enviou a Sarney ofício no qual justificava o seu pedido para ampliar as exigências do Ato Olímpico para “melhor proteger as marcas, símbolos e as designações relativas aos Jogos Rio 2016”. Em março deste ano, em outra carta-ofício, o dirigente esportivo reiterava a urgência do pedido.

            Na época, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) reagiu com veemência e declarou que “a maneira usada pelo presidente do COB pode engessar o processo democrático e não é possível cercear o direito de usar determinadas expressões”.

            Na audiência pública realizada em abril na CE, os senadores criticaram a manobra e rejeitaram de maneira irônica e unânime a sugestão polêmica para alterar as duas leis federais.

            Em janeiro deste ano, o COB também tentou tirar das prateleiras, o livro “Esporte, Educação e Valores Olímpicos”, da escritora e professora Kátia Rubio, da Universidade de São Paulo, alegando o uso indevido dos símbolos olímpicos.

            Em maio, confirmei que o COB moveu processo contra a rede de supermercados carioca Guanabara por veicular a campanha publicitária “Olimpíadas Premiadas”, durante os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

            Até agora perdeu em todas as instâncias e cabe apenas mais um recurso. O desembargador Celso Ferreira, da 15ª Câmara Cível do TJRJ julgou a ação como “impertinência, demanda temerária, descabimento, atitude maliciosa ou, no mínimo, ingênua”.

NR – É um prazer contar com a colaboração do jornalista Afonso Morais, que já cobriu vários eventos esportivos internacionais, o mais recente as Olimpíadas de Atenas. Ele estará aqui com freqüência, pois tem o faro de repórter investigativo. E,o melhor, gosta do que faz.

 

 

Por José da Cruz às 01h32

24/08/2010

Copa 2014: reforma do Castelão consome mais que saneamento em Fortaleza

          O governo do Estado do Ceará investirá R$ 623 milhões no estádio Castelão, em Fortaleza, para receber a Copa do Mundo de 2014. Mas o mesmo governo está aplicando, entre 2009 e 2010, R$ 547 milhões em obras de saneamento em todo o estado (redes de tratamento de esgoto e água tratada).

     Atualmente, apenas 52% da população de todo o estado é atendida por saneamento básico.

    O futebol, liderado pelo oportunismo político, se sobrepõe às necessidades básicas da população.

Governo federal

    Referente aos repasses do governo federal para Fortaleza, os valores são, igualmente, bem menores dos que investidos no Castelão. Ese ano,a área da saúde recebeu 362.1 milhões, e a da educação com R$ 8,7 milhões.

 Saúde

    Saneamento está intimamente ligado à qualidade de vida e saúde da população. E o que é saúde?

    O termo foi definido como resultado das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, aceso e posse da terra e acesso a serviços de saúde.

    Ou seja, são necessárias ações integradas de vários setores governamentais, econômicos, principalmente, para atingir a melhor qualidade de vida da população. 

    A seguir, o comprometimento do Governo do Ceará para o estádio, com dados da Controladoria Geral da União:

Investimentos Previstos

 

Etapa

Investimentos (em R$ milhões)

Responsabilidade

 

Recursos

Execução

 

Projeto Básico

5,80

Governo Estadual

Governo Estadual

 

Obras

400,00

Governo Federal (Financiamento BNDES)

Governo Estadual

 

Obras

217,20

Governo Estadual

Governo Estadual

 

Valor total: 623,00 milhões.

 

Por José da Cruz às 12h01

23/08/2010

O neocomunismo a “serviço” do esporte

                                                          "O Instituto Contato, presidido por Rui de Oliveira, 

                                                           membro do PCdoB,é a entidade privada sem fins

                                                            lucrativos que mais recebeu recursos do Ministério

                                                            do esporte neste ano por meio do programa Segundo 

                                                            Tempo, R$ 6,9 milhões" (*)      

                                                                         

                A reportagem “Neocomunismo mistura Marx com Celebridades”, publicada ontem no jornal O Estado de S. Paulo, é exemplo de como a política partidária aproveita os cargos públicos para avançar em seus interesses.

                De autoria da repórter Malu Delgado, o texto completo está no seguinte endereço e sugiro sua leitura: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100822/not_imp598558,0.php

                Entre outras informações, a repórter comenta sobre a filiação do músico e apresentador Netinho ao PC do B. É uma estratégia para dar popularidade ao partido.

                Na mesma matéria, tem a informação de que o PC do B  aumentou em 69% as filiações em todo o país – de 187 mil pra 268 mil políticos. Só em São Paulo as filiações cresceram 32%.

E daí?

                Mas o que tudo isso tem a ver com futebol e esportes olímpicos?

                É que o comandante desse salto é o ministro do Esporte, Orlando Silva, um dos líderes do PCdoB.

                Ele usou o cargo, o prestígio do poder e o orçamento do Ministério do Esporte para turbinar projetos em estados e municípios onde já tinha base partidária, como o interior de São Paulo.              

                Qual a vantagem? O partido precisa mostrar crescimento na próxima eleição estadual e federal; precisa ver suas bancadas crescerem e, com isso, ter poder de negociação para conquistar novos cargos com o futuro governo. Em troca de votos em plenário, claro.

                No Ministério do Esporte, Orlando Silva turbinou os principais cargos com ex-amigos da União Nacional de Estudantes.

                Ou seja, inexperientes burocratas no serviço público. Como não tinham capacidade para produzirem nada, contratavam serviços de terceiros. Sem licitação, na maioria, como já se comentou por aqui.

                É assim que ocorre o uso do dinheiro e da máquina pública a serviço de partidos.

Realidade

                Sobre a destinação de verba orçamentária o leitor deve ler a reportagem  “Segundo Tempo: entidades ligadas ao PCdoB foram beneficiadas por programa” .

                 O texto completo – esclarecedor  – está no seguinte endereço: http://contasabertas.uol.com.br/WebSite/Noticias/DetalheNoticias.aspx?Id=213

                O trabalho, de relevância pública, é da ONG Contas Abertas (www.contasabertas.com.br), que publicou os dados com base em informações oficiais do Sistema Integrado da Administração Financeira (Siafi).

Repetição

                O que o PC do B fez no Ministério do Esporte é o mesmo que os ministros da Saúde, Educação, Transportes, etc, fazem em suas pastas. O mesmo que o PSDB fez nos oito anos de Fernando Henrique Cardoso.  Historicamente é isso.

                Talvez por esse envolvimento e interesses políticos o ministro Orlando Silva não se ocupou de assuntos sérios e gravíssimos problemas do esporte. Essa é a crítica principal: faz  um discurso hipócrita, com frases de efeito e voz eloqüente de cantor famoso, como se fôssemos idiotas. Não somos, ministro.

                Resultado: chegamos ao final da primeira década de um novo milênio sem um plano, no mínimo, para identificar e formar atletas. Repare: estamos falando do Ministério do Esporte do Brasil! Disso, o PCdoB deve ter muita vergonha.

                Faltou ao ministro tempo para atravessar a rua na Esplanada dos Ministérios e  conversar com seu colega da Educação, Fernando Haddad, para um trabalho integrado de governo na educação física escolar. Oito anos perdidos.

                Em outubro, o ministro poderá até festejar o aumento de bancadas do PC do B nas eleições estaduais e federal.

                Porém, deveria se envergonhar de ter desviado o foco principal de seu trabalho, dando prioridade à política partidária, usando o dinheiro público para tanto.

                Mas, este é um país de políticos sem vergonha.

(*) Reportagem publicada pela ONG Contas Abertas  (www.contasabertas.com.br), em 29 de julho de 2010.

Por José da Cruz às 19h33

Custo do Verdão é seis vezes maior que investimentos federais na saúde de Cuiabá

                    O Estádio José Fragelli, “Verdão”, terá capacidade aumentada de 40 mil para 42,5 mil torcedodores. As reformas estão orçadas em R$ 454 milhões. Desse total, R$ 330 milhões virão como financiamento do BNDES.

          Para que se tenha uma idéia desse valor, fizemos as seguintes comparações com os repasses do Governo Federal para Cuiabá, em 2010:

                    Bolsa Família: R$  9.783.141,00

                    Saúde              R$74.756.451,66

                    Educação         R$  3.931.290,23

              

           

          Os repasses federais para Cuiabá destinados a áreas prioritárias são infinitamente menores, comparados com os investimentos estaduais na reforma de um estádio de futebol. O Bolsa Família, carro chefe do governo na área social, é apenas 2% do que o Estado investirá para modernizar o Verdão. Já a Educação, com seus R$ 3,9 milhões, representam menos de 1% dos gastos com o estádio para a Copa do Mundo.

 

Investimentos Previstos

 

Etapa

Investimentos (em R$ milhões)

Responsabilidade

 

Recursos

Execução

 

1. Projeto Básico

14,20

Governo Estadual

Governo Estadual

 

2. Obras

330,00

Governo Federal (Financiamento BNDES)

Governo Estadual

 

2. Obras

110,00

Governo Estadual

Governo Estadual

 

Valor total: 454,20 milhões.

 

Fonte: Controladoria Geral da União

Por José da Cruz às 16h22

22/08/2010

O país olímpico faz água na gestão esportiva

                                            

   “Eu topo o seguinte desafio: acaba com as confederações e eu dirijo tudo”!     

           As declarações do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, à repórter Mariana Bastos, na Folha de S.Paulo de hoje são de estarrecer.

            Em resumo, o dirigente diz que não compete ao COB formar atletas. Mas quem recebe dinheiro para tal? Não é o COB, que repassa os recursos das loterias para as confederações, conforme projetos apresentados?

            E as confederações não recebem, também, patrocínios dos Correios, do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobras, Infraero, Eletrobras e Casa da Moeda?

            “Não somos responsáveis pelos resultados das confederações”, diz Nuzman!

            Opa, Presidente! Mas são instituições diretamente ligadas ao COB! Elas formam a assembléia do COB!

            Não são essas que o elegeram e lhe dão sustentação há mais de 10 anos?

            Não é para as confederações que o Senhor repassa os recursos públicos do esporte?

            Não são os cartolas que o Senhor defende como eficientes gestores?

            E porque o Senhor diz, agora, que clube é que deve formar atletas? O COB dialoga com os dirigentes de clubes formadores? O COB repassa recursos para os clubes formadores?

            Não é o COB o gestor das verbas para o desporto escolar e universitário desde 2001? Se o COB  não tem nada a ver com formação de atletas por que promove os Jogos Escolares?

Na parede

            As respostas de Nuzman revelam que o dirigente antecipa desculpas para um possível fracasso brasileiro em próximas olimpíadas.

            Estamos sem hierarquia no comando do esporte brasileiro.  Diante dos holofotes e da fartura de dinheiro que virá, todos querem ser o comandante do barco. Nuzman  e os cartolas das confederações sabem que não há tempo para detectar talento, hoje, para estar pronto em 2016. Tem que trabalhar com o que temos. E o que temos é um time fraco para o tamanho e potencial humano da juventude brasileira.

            Talvez por isso o presidente da Confederação de Atletismo, Gesta de Melo, já esteja tratando de cair fora do barco.

Resposta

            As respostas de Nuzman são, também, justificativas para o que disse o presidente Lula, na abertura da 3ª Conferência Nacional do Esporte, em julho, aqui em Brasilia:

            Dirigindo-se ao ministro do Esporte, Orlando Silva – que não tem qualquer liderança no setor – Lula disse, indignado, diante de uma platéia de três mil pessoas (que vieram à Conferência com viagem, hospedagem e alimentação pagas pelo Ministério do Esporte):

            “Orlando, eu já te falei que é preciso cobrar metas dos nossos dirigentes. Não é só dar dinheiro. Tem que cobrar metas de resultados e fiscalizar”.

            Querem puxão de orelhas mais vergonhoso do que esse? Mas  Lula fala essa verdade oito anos depois de ter assumido o governo. Deixou o esporte nas mãos de políticos inexperientes e quer resultados. Ora, ora, Senhor Lula!!!

Inédito

            Por isso, Nuzman diz agora – como está na reportagem – que “estamos preparando uma projeção de desempenho, e a meta vai ser divulgada anda este ano, baseado em medalhas”.

            Isso é inédito, Senhores.  Nuzman nunca quis fazer projeção antes de uma olimpíada. NUNCA! Nuzman está contra a parede, porque recebeu muito dinheiro e os resultados são pífios, inexpressíveis.

Intervenção

            “Eu topo o seguinte desafio: acaba com as confederações e eu dirijo tudo”!

            Mas como, Presidente? Intervenção geral? É uma nova diagramação para a estrutura do esporte?

            E quem vai se reportar ao Senhor, as federações, os clubes, com os quais o Senhor não quis dialogar, em nome da hierarquia? Ou isso é o reconhecimento da irresponsabilidade de muitos cartolas?

Reconhecimento

            Sinceramente, essa sua manifestação é um claro reconhecimento de que a desordem no esporte existe mesmo.

            E se agravou neste ano, depois que o Ministério do Esporte inventou criar a Empresa Brasileira de Legado Esportivo – Rio 2016 e a tal Autoridade Pública Olímpica. São instituições políticas para dar emprego aos partidários.

            E o presidente Nuzman sentiu-se ameaçado em seus poderes, já que o dinheiro para os Jogos Olímpicos 2016 passarão pela entidade pública criada por medida provisória, mas perto de não ser nem instalada. (falarei sobre isso amanhã).

           Para piorar, não são boas as relações de Nuzmam com muito presidente de confederação. O ambiente olímpico não está num bom momento.

Desordem

            Enfim: o Ministério do Esporte não dialoga com o da Educação, com o da Saúde, com o COB. É o dono do orçamento, mas péssimo gestor. Tanto que por conta de um de seus projetos – o segundo tempo – muita gente já foi parar na cadeia. Caso de Polícia.

            As federações apenas dão sustentação aos presidentes de confederações que, por sua vez, sustentam Nuzman. São responsáveis, TAMBÉM na desordem olímpica.

            Os atletas são maioria, mas omissos, têm medo de se manifestar. Uma vergonha.Lars Grael até que tentou dar autonomia para a Comissão Nacional de Atletas, a fim de que não fosse uma instituição chapa branca. Em vão. O velejador ficou sozinho no barco...

            E, para encerrar: o Conselho Nacional de Esportes nada mais é do que um órgão “balança-cabeça”, como ovelhas obedientes que concordam com as bobagens ditas pelo ministro Orlando Silva. E estamos a seis anos de receber os Jogos do Rio. Agora vai.

 

           

             

Por José da Cruz às 11h55

A desordem no esporte olímpico

                         

                 Por quê riem esses senhores: Orlando Silva, Sérgio Cabral,

                 Lula, Carlos Nuzman e Eduardo Paes?

 

          Imperdível a reportagem do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman à repórter Mariana Bastos, da Folha de S.Paulo, na edição deste domingo.

            As respostas de Nuzman CONFIRMAM o que tenho escrito há mais de 10 anos: há uma DESORDEM ESPETACULAR NA ESTRUTURA DO NOSSO ESPORTE.

            Mais: há um desmando, falta de liderança, um desperdício inacreditável de dinheiro público que repercute na falta de projetos para detectar talentos.

            Mas o governo continua com seus cofres escancarados, despejando dinheiro pelo ladrão para o alto rendimento, em detrimento de projetos básicos para a juventude.

            É lamentável começar um domingo de belo sol em Brasília lendo uma reportagem tão grosseira, triste, até, que demonstra a IRRESPONSABILIDADE DE NOSSOS DIRIGENTES em geral e dos políticos em particular.

            Leiam a entrevista no link.

            http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2208201015.htm

            Mais tarde colocarei comentários às respostas de Nuzman para justificar minha denúncia da tal desordem no nosso esporte de rendimento.

Por José da Cruz às 10h06

21/08/2010

Futebol ganha de goleada sobre Educação em BH

                                

           A reforma do estádio Mineirão (70 mil pessoas) custará R$ 426 milhões ao governo estadual.      

       Ou seja, é o equivalente ao que o governo federal repassou este ano para a área de saúde de Belo Horizonte (R$ 461 milhões). 

        Já para o Bolsa Família, os investimentos foram de R$ 34,5 milhões, isto é 8% do custo da reforma de um estádio de futebol.

        Pior: para a área de educação os repasses federais foram de R$ 22 milhões: apenas 5% do valor obras no Mineirão.          

        O futebol, como se vê ganha de goleada sobre a educação da capital mineira e se equipara em importância à saúde pública, em termos de recursos federais.

Investimentos Previstos

 

Etapa

Investimentos (em R$ milhões)

Responsabilidade

 

Recursos

Execução

 

Projeto básico

17,80

Governo Estadual

Governo Estadual

 

Obra Fase 1

8,30

Governo Estadual

Governo Estadual

 

Fase 2 e 3

300,00

Governo Federal ( BNDES)

Governo Estadual

 

 Fase 2 e 3

100,00

Governo Estadual

Governo Estadual

 

Valor total: 426,10 milhões.

 

Fonte: Controladoria Geral da União

   

Por José da Cruz às 19h47

Portal faz concurso para logotipo da Copa

         A logomarca da Copa 2014 anunciada pela Fifa, na África do Sul, provocou críticas, ironias e muito humor ao desenho das mãos entrelaçadas formando a taça.
         A marca, que é essa coisa horrorosa,

                       

já está escolhida e não será mudada.     

 Concurso            

         Mas, o Portal 2014 abriu espaço para que brasileiros e estrangeiros enviem suas propostas de logotipo, na certeza de que poderíamos ter marca mais criativa, se houvesse concurso em vez de uma agência exclusiva para criá-la.

         Para participar, os candidatos deverão enviar até três desenhos por meio do hotsite do Portal 2014  -
http://www.copa2014.org.br/desafio/

         O melhor logo será eleito pelos leitores.

        O vencedor receberá um prêmio de R$ 3 mil.

         Inscrições: até o dia 20 de outubro de 2010, às 18 horas.

         Saiba mais: http://www.copa2014.org.br/desafio/

 

 

 

Por José da Cruz às 11h03

"Vivaldão" custará R$ 515 milhões

                                                 

         Localizado entre o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e o Centro Histórico de Manaus, o Estádio Vivaldo Lima, conhecido como Vivaldão, será reconstruído para os jogos da Copa 2014. Conforme o Governo do Estado do Amazonas, a capacidade do estádio será de aproximadamente 48 mil pessoas.

         O projeto prevê a construção de cobertura fixa para as arquibancadas, restaurante, estacionamento subterrâneo para carros e ônibus e acessos planos para portadores de necessidades especiais. O estádio também terá sistema de reaproveitamento de água da chuva e ventilação natural para redução do consumo energético.

Investimentos Previstos

 

Etapa

Investimentos (em R$ milhões)

Responsabilidade

 

Recursos

Execução

 

1. Projeto Básico

15,00

Governo Estadual

Governo Estadual

 

2. Obras

375,00

Governo Federal (Financiamento BNDES)

Governo Estadual

 

2. Obras

125,00

Governo Estadual

Governo Estadual

 

Valor total: 515,00 milhões.

 

Fonte: Controladoria Geral da União

Por José da Cruz às 10h45

20/08/2010

Informações importantes

     1. - Os endereços para acompanhar a "transparência nos gastos públicos" da Copa 2014 estão na coluna dos links, à esquerda do blog.

     2. - Há um erro de fotografias que precisa ser corrigido:

     A foto do estádio Mané Garrincha, em Brasília, que aparece na página do Tribunal de Contas da União, é a primeira versão, não vale mais.

                                

        Sob o argumento do Governo do DF de "redução dos gastos" foram promovidas mudanças, e o projeto final, já está em construção, é o seguinte:

                               

Por José da Cruz às 19h31

Copa 2014: transparência sem mistérios

          Aí estão os principais endereços para quem desejar acompanhar a “transparência” dos gastos públicos na preparação da Copa do Mundo de 2014.

         Pelos sites que divulgo o leitor poderá ver, inclusive, o que compete a cada cidade-sede, estados envolvidos e à União, em termos de obras, investimentos, responsabilidades financeiras, contratos, licitações, etc.

         O site da Controladoria Geral a União (CGU) informa em que estágio estão as obras públicas.

         Basta clicar na cidade sede para ter informações atualizadas.

         Por exemplo, em termos de aeroportos, das 12 sedes apenas o de Natal está com as obra em andamento.

FISCALIZAÇÕES

1 – Tribunal de Contas da União   

http://portal2.tcu.gov.br/portal/page/portal/TCU/copa2014

 2 - Controladoria Geral da União        www.portaltransparencia.gov.br/copa2014/_include/destaques/destaque1.asp

 3 - Congresso Nacional     

   http://www5.senado.gov.br/fiscaliza2014

INFORMAÇÕES OFICIAIS

1 - Matriz de responsabilidade

http://www.esporte.gov.br/assessoriaEspecialFutebol/copa2014/compromissosCopa2014.jsp

 2 - Impactos econômicos    http://www.esporte.gov.br/arquivos/assessoriaEspecialFutebol/copa2014/estudoSobreImpactosEconomicosCopaMundo2014.pdf

 3 - Acervo de Experiências para a Copa 2014 – Ministério do Esporte

      http://copa2014.questionpro.com

4 – Ministério do Turismo

http://www.turismo.gov.br/turismo/programas_acoes/qualificacao_equipamentos/Bem_Receber_Copa.html

INFORMAÇÕES GERAIS

         Sindicato da Arquitetura e da Engenharia

         http://www.copa2014.org.br

Por José da Cruz às 15h31

O dinheiro da Timemania

        Na troca de informações com Dr. Ítalo, ontem (post  “Empresa de Legado Esportivo subiu no telhado”) publiquei uma informação errada.

        Em vez de 1%, que informei, a Timemania repassa 3% para as Santas Casas de Misericórdia.

        0ficialmente, é a seguinte a distribuição do dinheiro da Timemania:

46% - para o valor dos prêmios;

22% - para os clubes que aderiram à loteria;

20% - para o custeio e manutenção do serviço;

 3% - para projetos esportivos na rede de educação básica e

         superior e para ações dos clubes sociais;

 3% - para o Fundo Penitenciário Nacional;

 3% - para as Santas Casas de Misericórdia;

 2% - Comitês Olímpico e Paraolímpico;

 1% - para a seguridade social.

(fonte: Ministério do Esporte)

Por José da Cruz às 15h22

Nova geração do atletismo

          Mais quatro brasileiros se classificaram para a fase final do torneio de atletismo dos Jogos Olímpicos da Juventude, em Cingapura:

         Paulo Sérgio dos Santos Oliveira (salto triplo)

         Antonio César Rodrigues (200 m)

         Thiago Braz da Silva (salto com vara)

         Natânia Habitzreiter (400 m com barreiras).

         Agora, o Brasil tem nove finalistas, dos 15 representantes do País na modalidade.

         Outros cinco já haviam se qualificado nas duas primeiras rodadas:

         Leandro Pitarelli (400 m)

         Caio Cézar dos Santos (salto em distância)

         July Ferreira (2.000 m com obstáculos)

         Jéssica Carolina dos Reis (100 m) e Joseilton Cunha (1.000 m).

         Mais informações no site oficial dos Jogos, acesso pelo link:

http://www.singapore2010.sg/public/sg2010/en.html

Ou no site da Confederação Brasileira de Atletismo

http://www.cbat.org.br/noticias/noticia.asp?news=4138

Fonte: Assessoria de Imprensa da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt)

 

Por José da Cruz às 10h35

Natação: atitude rara e digna

Está no UOL Esportes:

         O campeão olímpico e mundial Cesar Cielo pediu que todos os recordes conquistados com a ajuda dos supermaiôs sejam cancelados.  

         O brasileiro comentou que agora a natação deve voltar à realidade e que os tempos batidos durante a era dos trajes tecnológicos são irrelevantes para os atletas.        

         Cielo, dono dos recordes mundiais dos 50 m e 100 m livres, disse que a decisão da Fina (Federação Internacional de Natação), que baniu os supermaiôs das piscinas desde 1º de janeiro, não colocou um ponto final no assunto.        

         “Eu não vejo razão para manter uma marca de 46s91 se mal estamos chegando aos 48 [segundos]. O mais importante é ganhar, e não quebrar o recorde mundial”, reforçou Cielo, que foi derrotado nos Estados Unidos pelo anfitrião Nathan Adrian, que marcou 48s15.”

 

Por José da Cruz às 10h18

Copa 2014: “Impacto econômico de R$ 183 bilhões”

            Quem garante esta cifra é o Governo Federal. 

            O Brasil tem, sim, estudos que mostram os Impactos Econômicas da Realização da Copa 2014 no Brasil.

            Ontem, nos debates com os leitores, informei que não conhecia tais estudos.

            Mas, na pesquisa que fiz encontrei um documento do Ministério do Esporte, que pode ser lido na íntegra no seguinte endereço:        

   

http://www.esporte.gov.br/arquivos/assessoriaEspecialFutebol/copa2014/estudoSobreImpactosEconomicosCopaMundo2014.pdf 

 

            Transcrevo, a seguir, um resumo do documento, que está escondido, quando deveria ser público. Principalmente porque a edição é da melhor qualidade: 

• O Ministério do Esporte, por meio da consultoria contratada Consórcio Copa 2014, em especial da empresa consorciada Value Partners Brasil Ltda, com experiência no setor esportivo internacional, desenvolveu um modelo econométrico a fim de calcular os potenciais impactos econômicos resultantes da realização da Copa do Mundo no Brasil.

 

• Para tanto, foram analisados em dois tipos de impactos: os diretos, os quais estão diretamente relacionados ao evento, e impactos indiretos, os quais são contabilizados causados pelo estímulo às atividades econômicas de outros induzidos pelos efeitos diretos, ou seja, “recirculação” do dinheiro na economia.

 

• Os impactos econômicos potenciais resultantes da realização da Copa do Mundo podem chegar a R$ 183,2 bilhões, dos quais R$ 47,5 bilhões (26%) são diretos e R$ 135,7 bilhões indiretos (74%)

 

• Os benefícios econômicos diretos da Copa do Mundo são resultado do crescimento/incremento em dimensões pré definidas, as quais

foram contabilizadas em cada uma das variáveis de cálculo do PIB, já considerando os efeitos de importações:

            - investimentos em infraestrutura: R$ 33 bilhões:

            - turismo incremental: R$ 9,4 bilhões

            - geração de empregos: 330 mil permanentes e 380 mil temporários

            - aumento no consumo das famílias: R$ 5 bilhões;

            - arrecadação de tributos: R$ 16,8 bilhões

Boa leitura

            Bem, como o documento é grande deixo o leitor ‘a vontade para entrar no endereço acima e se atualizar, pois há muita informação, com gráficos, inclusive.

Por José da Cruz às 09h26

Lula,uma contribuição ao esporte

         Apesar de ter sido escrito há mais de um mês, o artigo a seguir é de extrema atualidade e merece ser divulgado.

        Quem assina é uma prestigiada autoridades do nosso esporte, o velejador Lars Grael, de tradicional família de desportistas com premiações olímpicas.

Ex-secretário nacional do Esporte e ex-secretário da Juventude, Esporte e Lazer do Estado São Paulo, reconhecido como gestor idôneo, o artigo de Lars ganha em credibilidade e sugere retomar-se um debate que já dura anos: a perpetuação dos cartolas no poder. Confiram.

 

“Nos noticiários de hoje (6 de julho de 2010), atribui-se ao Presidente Lula, uma declaração feita em sua viagem pela África de que as mudanças no futebol também deveriam ocorrer na direção da CBF.

Comparou até sua atuação sindical quando teria limitado o mandato do Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos para 8 anos. Louvável!

Ele reconhece que nada pode fazer quando se trata de uma entidade de direito privado como a CBF, mas sua contribuição é conceitualmente valiosa, apesar de sua prática reconhecidamente democrática na política brasileira ser conflitante com sua política externa.

 

A política externa brasileira atual é marcada, dentro de outras características, pela forma de legitimar e defender tiranias e ditaduras de alguns países da África, da República Islâmica do Irã, Cuba e das neo-Repúblicas Bolivarianas lideradas pela Venezuela de Hugo Chávez.

A gestão esportiva brasileira precisa ser oxigenada, renovada, modernizada e merece tomar uma belo banho de transparência. Nosso modelo de governança esportiva é majoritariamente arcaico, coronelista, corporativista, pseudo-amador e patrimonialista.

Sabemos que democratizar o sistema não será nada fácil, mas é o único caminho para o incremento da credibilidade do esporte brasileiro. Não podemos generalizar e temos grandes gestores em diversas entidades.

 

O Comitê Paraolímpico Brasileiro já deu passos largos rumo a sua democratização e consequente pacificação.

 

A Confederação Brasileira de Remo trocou sua direção e aprovou novo estatuto democrático e transparente.

 

A Confederação Brasileira de Vôlei possui gestão empresarial impecável apesar de manter o rodízio do poder à moda antiga.

Importante é que o Presidente Lula tenha trazido o tema ao debate.”

Lars Grael

Por José da Cruz às 23h45

19/08/2010

Empresa de Legado Esportivo 2016 subiu no telhado

                O governo do Presidente Lula pode terminar sem que a Empresa Brasileira de Legado Esportivo – Brasil 2016 seja instalada. A Autoridade Pública Olímpica vai pelo mesmo caminho.

                As medidas provisórias (488 e 489/2010, respectivamente) – que criam as duas instituições – não foram votadas na Câmara dos Deputados e perderão a validade no próximo 22 de setembro, com o Congresso Nacional em recesso branco. Ou seja, não se vota nada.

                Com isso, a intenção de o governo deixar seu esquema para as Olimpíadas armadas e controladas pelo atual ministro do Esporte, Orlando Silva, pode sair pela culatra.

                É bom lembrar que o ministro, que é do PC do B, deixou de se candidatar a deputado federal por São Paulo para atender a indicação de Lula de se tornar “Autoridade Pública Olímpica”.

Prazos

                As MPs 488 e 489 foram assinadas pelo presidente Lula no dia 12 de maio, publicadas no Diário Oficial da União no dia seguinte e já no dia 14 estavam na Câmara.

                Passaram-se 60 dias regulamentares e não foram votadas. Automaticamente, as MPs foram reeditas e o prazo final esgota-se agora, em setembro. Pela regra do jogo o Palácio do Planalto não pode editar outra MP sobre o mesmo assunto.

Previsões

                Alguns parlamentares acreditam que o governo poderá incluir as duas medidas em outras MPs. Isso é comum.

                 Por exemplo, numa medida provisória sobre salário mínimo pode entrar um artigo que trate da importação de vacina contra a gripe suína.

                Estranho, parece “pegadinha”, mas vá lá entender os políticos.

                Porém, um assessor judiciário da Secretaria da Mesa da Câmara dos Deputados me garantiu que isso não é possível. Se fizerem e passar será uma espetacular fraude legislativa.

                O que pode ocorrer, então?

                O governo mandar um projeto de lei em regime de urgência, aí sim, pode.

                Mas...

                Projeto de lei tem tramitação demorada. A não ser que seja votado por acordo de liderança, isto é, aquela votação em que a maioria diz sim sem saber para onde vai o barco.

Problema

                A turma do ministro sabe muito bem que se houver segundo turno presidencial, até 30 de outubro ninguém aparecerá no Congresso Nacional. Ou seja, nada de votação.

                Dia 2 de novembro é feriado, uma terça, e a reabertura do Legislativo começará com um feriadão...  Afinal, a turma estará cansada da campanha...

                A semana de 8 a 12 de novembro servirá para que as lideranças partidárias acertem a pauta de votação, pois há muitos assuntos na ordem do dia e o Congresso entrará em recesso em 22 de dezembro.

                Semana seguinte, dia 15, feriado, virá alguém a Brasília?

                Finalmente: mesmo que o governo insista com um projeto de lei, o Congresso Nacional que se reunirá após as eleições não será mais o mesmo.

                Muitos parlamentares serão eleitos prefeitos; outros perderão as eleições. Essa turma nem aparece mais por aqui. Normalmente vai para o exterior, passar o Natal com a família, aproveitando as passagens que o Legislativo oferece com o dinheiro do povão.

Disputa

                Os políticos sabem muito bem que o Ministério do Esporte no governo Lula se valorizou, tanto pela fartura do dinheiro que ali circulou como pela visibilidade que ofereceu aos executivos.

                Com a proximidade dos Jogos Mundiais Militares, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíada, Paraolimpíada e Gay Games, “tá assim” de político interessado em ser autoridade Pública Olímpica, ministro do Esporte ou presidente da Empresa Brasileira de Legado Esportivo.

                O índice de desemprego cairá, com certeza.

                De resto, é ficar de olho no rumo dos R$ 10 milhões que o governo liberou para abrir o capital da Empresa Brasil 2016, que está na iminência de morrer antes de nascer.

Por José da Cruz às 16h16

Caem as apostas na Timemania

                Criada para pagar o calote dos clubes de futebol ao INSS, Receita Federal e FGTS, a Timemania é um fracasso de apostas.

                As arrecadações caem, o que significa que a dívida dos clubes – cerca de R$ 2 bilhões – não será paga somente com o dinheiro do torcedor-apostador.

           O balanço do primeiro semestre da Caixa Econômica mostra que os repasses da Timenania foram apenas um terço do total arrecadado em 2009.

                Mas, as loterias federais continuam sendo as principais financiadoras do esporte, em geral, e do olímpico e paraolímpico, em particular. Confiram os últimos balanços, com dados oficiais.

Repasses das loterias

                                             2009 / R$                   2010 1º semestre

Comitê Olímpico              119.852.000                         61.604.000

Comitê Paraolímpico        21.295.000                          10.871.000

Ministério Esporte          307.279.000                        157.361.000

Repasses para o futebol

Timemania                         24.282.000                            8.588.000

Loteca e Lotogol                 7.425.000                            3.621.000                        

 

Por José da Cruz às 12h43

"O garoto de 30 milhões de euros"

Excelente artigo do jornalista Bernardo Scartezini,na edição de hoje do Correio Braziliense. Confiram:

 

·         O garoto Neymar tu conheces. Roman Abramovich  também o conhece. O obscuro e arquimilionário dono do Chelsea botou uma grana pesada em cima da mesa. Agora o pessoal do Santos quer convencer ($$) o menino a ficar por aqui um pouco mais. Ele ficou de pensar, dar resposta até amanhã. A família de Neymar acha que seria uma boa ($$) ele ir para a Inglaterra. Neymar parece confuso. Dia desses, bateu boca com jornalista, à toa, por conta dessa história. O empresário do jogador, Wagner Ribeiro, admite que o guri muda de opinião a todo momento. Neymar tem 18 anos de idade.

·         Manhã de domingo, Chelsea na tevê com o West Bromwich, primeira rodada da Premiere League. Atual campeão, o Chelsea abriu a temporada no mesmo ritmo da anterior. Meteu seis gols — três do marfinense Drogba, dois do francês Malouda e unzinho do inglês Lampard. Eu fiquei vendo aquele time jogar, jogar muito — e a me perguntar: o que faria Neymar por lá?

·         O mais bobinho deles pegou 18 jogos de suspensão: Anelka foi afastado da seleção francesa por xingar Raymond Domenech em África-2010. O capitão Terry, titular absoluto da equipe e reserva moral do clube, caiu em desgraça ao ser pego com a mulher de outro. E vale lembrar que o sabichão Luiz Felipe Scolari, campeão mundial e o escambau, só durou oito meses ali. Perguntado sobre a breve passagem de Felipão, Terry disse que até gostava do treinador — “eu e mais dois ou três”.

·         O genioso Ballack não está mais no Chelsea, voltou à Alemanha. Mas talvez o clube ainda seja ambiente hostil para um garoto abusado como Neymar, que chegaria com o moicano em riste & as canelas franzinas.

·         Na verdade, te confesso que nem sei o que acharia pior: Neymar ser sabotado pelos donos do pedaço ou ser adotado como malinha júnior pelos malas seniores.

 

·         A ver o time do Santos. Boa parte de sua graça está/esteve no clima entre os garotos, a bailarem antes e depois de cada gol. Um ar colegial que deu nova vida ao opaco futebol guerreiro, futebol brahmeiro que pairava ao redor. E Mano Menezes, como tantos outros, reconheceu essa virtude imensa e chamou a turma para o time nacional. Neymar, tratado com todo o carinho no Santos, chegou à Seleção também com jeitinho.

 ·          E saberão cuidar do garoto lá em Londres?

 ·         Devia ser essa a pergunta a interessar a Neymar e sua família — e a mim, a ti, a todos os amantes do futebol. Seria uma pena Neymar se perder por aí.

·         Neymar tem em Robinho um amigo escolado. Robinho, então sob orientação do mesmo empresário de Neymar hoje, deixou o Brasil aos 21 anos, já bicampeão nacional, para gramar no Real Madrid de Raul & Guti. Pediu para ser vendido ao Chelsea, parou no Manchester City, foi emprestado ao Santos, agora periga parar no Fenerbahçe, no Schalke 04. Robinho ainda não é — talvez nunca seja — o jogador que poderia ser. 

 ·         Neymar também já passou pelo Real Madrid. Ele viajou com o pai para ver se gostava de lá. Tinha apenas 14 anos. Pediu para voltar depois de uma semana. Agora a diferença é que, se for para o Chelsea, não vai ser tão fácil...
     Bernardo Scartezini escreve às quintas-feiras no Super Esportes

bernastones@hotmail.com



Por José da Cruz às 11h02

Prezado Leitor

         Raul Lopes pergunta em sua mensagem, que publiquei há pouco:

         “Não existe nenhuma equipe econômica que esteja planejando os eventos sobre o prisma da lucratividade e/ou retorno (Copa do Mundo)? Sim ,pois se vamos gastar 10 num elefante branco,que este gere 50(espécie ou investimento) que para este fim (creio eu) estamos entrando nesta audaciosa aventura”

         Caro Raul:

         Dizem os marqueteiros: “Esporte provoca emoções e emoções vendem”.

         E o Brasil entrou na “emoção” de trazer grandes eventos: Copa do Mundo, Olimpíadas e Paraolimpíadas.

         Há dois tipos de custos: os que envolvem diretamente as competições – estádios, equipamentos, segurança, hospedagem – e as extra-campo, como aeroportos, transportes, aumento da rede hoteleira etc.

         Nesse segundo aspecto ganham as cidades, claro. Mas é preciso haver uma Copa do Mundo para fazer crescer a linha de metrô?

         Bem, este é outro assunto. O que importa é que vamos construir estádios caríssimos sem previsão do que fazer com eles depois.

         Brasília terá um estádio para 71 mil pessoas; Cuiabá: 42 mil lugares;Manaus: 48 mil.

         Nesta fase de conquista de eventos a euforia é geral, como se viu. Governos de todos os partidos se abraçam e choram. Depois, caem na real.

         Por exemplo: teremos 12 sedes na Copa do Mundo. Cada estádio fora Rio, São Paulo, Porto Alegre e BH, terá, no máximo quatro jogos.

         Repare o custo da obra para receber apenas quatro jogos.

         O Sindicato das Empresas da Construção Civil, Sinaenco – que tem grande interesse nesses eventos, claro – estima que a manutenção dos estádios é de 2% anuais sobre o valor da obra.

         O de Brasília custará R$ 800 milhões, ou seja, cerca de R$ 1,6 milhões só para mantê-lo em pé, a cada ano.

         Pior: que eventos terão Brasília, Natal, Cuiabá, Manaus para que voltem a lotar essas áreas? Aí entra a sua pergunta: alguém se preocupa com o retorno?

         O Manchester United é uma arena. É um centro de consumo com um campo de futebol no meio. Nossos estádios não estão projetados nesse sentido, o que é um atraso e prejuízo.

         Em 2008, grupos ingleses, americanos e portugueses, especializados na gestão de arenas estiveram em Brasília e aqui ficaram por dois meses, pesquisando o mercado.

         Interessavam-se em assumir o Estádio, após Copa, para trazer outros eventos, culturais, inclusive. Concluída as pesquisas, foram embora e não voltaram mais.

         A bomba está na mão do Governo do Distrito Federal. Como deve ocorrer com os governos dos demais estados.

         Os ministros do Esporte, do Turismo e o próprio presidente Lula falam em retorno, crescimento do fluxo de visitantes etc. Mas não conheço nenhum estudo oficial sobre isso.

         Semana passada fui ao Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Os aeroportos são de um desconforto espetacular, para ser irônico. Tecla batida, é verdade, que não vale repetir.

         Mas, o pior: a Sinaenco apresentou um dado durante debate aqui em Brasília que mostra o tamanho da confusão que nos espera:

         Nas vésperas e no dia do jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014, teremos um movimento de 600 pousos a mais no aeroporto da cidade onde se realizará o jogo. A maioria de jatos particulares e vôos fretados. Que tal? Estamos preparados para isso, mesmo sabendo que vamos sediar a Copa desde 2007?

         Apesar de termos condições de realizar grandes eventos, ainda não temos vocação para tal, porque as decisões são políticas e, aí, Amigo, a conversa é outra. Para complicar, teremos eleições municipais no ano que vem, mais transição de governo nos municípios-sedes. Sabe o que isso significa?

         Veja o que ocorreu com os estádios e arenas dos Jogos Pan-Americanos: fechados.

         Que eventos ali se realizaram depois do Pan? Que equipes treinam na piscina , no velódromo, na pista do Engenhão, enfim?

         E quem é responsável por isso? O COB? O  Ministério do Esporte? O governo do Estado do Rio? Ou a Prefeitura Carioca? A federação de esporte? Veja minha mensagem de ontem ‘a noite onde falo na fartura de instituições e dinheiro e falta de liderança, de comando, de hierarquia na estrutura esportiva do país.

         Ontem, no Congresso Nacional, conversando com uma autoridade do Palácio do Planalto, ela me falou que o governo está “preocupadíssimo” com três aspectos:

1.   – o atraso nas obras, em geral – urbanas, inclusive;

2.   – o elevado custo que isso terá para os cofres públicos;

3.   – a falta de perspectivas de retorno.

Acredito que, com isso, e longamente, responda a sua pergunta, Caro leitor. Ou seja, não temos quem esteja trabalhando com a possibilidade de termos retorno com Copa e Olimpíadas.

 Ao contrário do que muitos me acusam, não sou pessimista, mas realista. Trabalho com informações reais, como as que estão nesta mensagem.

 

 

Por José da Cruz às 10h09

Parabéns

Parabéns aos torcedores Colorados.

E não falo mais nisso.

Por José da Cruz às 00h03

18/08/2010

Dúvidas e certezas

                Há dúvidas sobre o funcionamento da Empresa Brasileira de Legado Esportivo – Brasil 2016 e da Autoridade Pública Olímpica (medidas provisórias 488 e 499/2010). Até amanhã esclarecerei o assunto.

         Crescimento

         Mas, se as duas novas instituições forem aprovadas, o esporte terá uma estrutura espetacular, com 20 instituições oficiais. Mão será por falta de órgãos que deixaremos de formar atletas. Nem de dinheiro, porque isso tem até saindo pelo ladrão. 

No Executivo         

1.   Ministério do Esporte

2.   Conselho Nacional do Esporte

3.   Conferência Nacional do Esporte

4.   Secretaria Nacional do Esporte

5.   Empresa Brasileira de Legado Esportivo

6.   Autoridade Pública Olímpica

7.   Secretarias Estaduais de Esporte

8.   Secretarias Municipais de Esporte

No Legislativo

1.   Comissão de Turismo e Esporte (Câmara)

2.   Comissão de Educação, Cultura e Esporte (Senado)

3.   Frente Parlamentar de Esporte (Congresso  Nacional)

Instituições privadas 

1.   Comitê Olímpico

2.   Comitê Paraolímpico

3.   Confederações

4.   Federações

5.   Clubes esportivos

6.   Confederação Brasileira de Clubes

7.   Conselho de Clubes Formadores de Atletas

8.   Confederação de Desporto Escolar

9.   Confederação de Desporto Universitário

 Dúvidas

a)   quem, tem a responsabilidade de identificar e formar atletas?

c)   há diálogo entre essas instituições, definindo parâmetros e limites de atuações?

d)   Os ministérios do Esporte e da Educação dialogam para que o esporte seja complementação da formação escolar?

e)   Para onde vão os seguintes recursos?

    Orçamento do Ministério do Esporte; 

    Lei das Loterias  (n.10264/2001);

    Sete estatais financiando 16 modalidades (Bco do Brasil,Caixa,Petrobras, Infraero, Eletrobras, Correios e Casa da Moeda); Bolsa Atleta; Lei de Incentivo ao Esporte (R$ 300 milhões anuais).    

Autoridades públicas e cartolagem em geral:

Esqueçam as vaidades e dialoguem!

Definam prioridades e metas!

O Conselho Nacional de Esporte tem representatividade de todos os setores para dar rumos ao esporte. Não pode ser apenas um órgão protocolar e de homologação dos atos ministeriais!

Por José da Cruz às 20h01

A Câmara já parou

      O deputado sergipano Pedro Valadares (DEM) foi o único que compareceu à reunião da Comissão de Turismo e Desporto, na Câmara dos Deputados.

         Sem quórum, a reunião foi suspensa, assim como todas as atividades na Câmara.       

         Caminhei por corredores vazios e encontrei pouquíssimos parlamentares, a maioria correndo, carregando suas maletas rumo ao aeroporto.

         O Senado realizava sessão, com três parlamentares em plenário. Ou seja, também sem condições de votar nada.

         Coloquei terno e gravata no dia errado...

                               

 

Por José da Cruz às 17h32

Terno e gravata

 

         A Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados tem reunião hoje, com vários assuntos na pauta.

         A expectativa: haverá quorum para deliberar e votar?

         Já estou de terno e gravata e vou lá para me atualizar sobre o nosso Legislativo.

         A pauta da reunião está no seguinte link:

         http://www.camara.gov.br/internet/ordemdodia/ordemDetalheReuniaoCom.asp?codReuniao=24488

Câmara

         Já na Câmara dos Deputados as duas Medidas Provisórias (488 e 489 – que comentei mais abaixo) estão na ordem do dia para discussão. Pauta: www.camara.gov.br

Terno e gravata

         Falando em gravata, lembrei-me de um artigo que escrevi, nos anos 80.

         O deputado federal Aloísio Paraguaçu não usava gravata nem sapatos. Era uma bata e sandálias.

         Numa sexta-feira, plenário vazio, ele foi ‘a tribuna e fez um discurso.

         Quando viram que o homem estava sem gravata, foi um Deus nos acuda.

         Entrevero dos bons, no melhor estilo gaúcho, de onde vinha Paraguaçu.

         Quiseram cassar seu mandato, mas levou só uma advertência.

         Escrevi um artigo: “O nó da dignidade”

         E lembrei que decisões extremas foram tomadas por homens corajosos quando estavam sem gravata.

         Por exemplo, Getúlio Vargas estava de pijama, quando puxou o gatilho do revólver;

         Jânio Quadros estava de bermuda, quando renunciou.

         Mas até hoje a gravata, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, é símbolo de respeito, de dignidade.

         Sem gravata nem me abrem as portas. Outras vezes demoram a atender.

         De gravata, me chamam até de “doutor”.

         No ministério do Esporte, nem de smoking sou atendido.

         Periga até ser confundido com o garçom...

 

Por José da Cruz às 11h32

17/08/2010

O capital está garantido: R$ 10 milhões

         A quatro meses de encerrar o governo, a Empresa Brasileira de Legado Esportivo S.A – Brasil 2016 já tem garantido o seu capital inicial: R$ 10 milhões.

Dividido em 10 mil ações ordinárias nominativas, o capital é subscrito integralmente pela União.

Trata-se daquela nova nstituição sobre a qual escrevi algumas mensagens abaixo,  que vai cuidar dos assuntos dos Jogos Olímpicos 2016.

         A operação financeira para constituir o capital foi realizada antes mesmo de o Congresso Nacional aprovar a criação da Empresa, o que poderá ocorrer esta semana, desde que os deputados resolvam vir a Brasília trabalhar, isto é , dar quorum em plenário para votação de projetos.

As medidas provisórias vigoram no momento em que o presidente da República encaminha o documento ao Congresso Nacional. E ao liberar R$ 10 milhões o governo mostra que está com pressa sobre o assunto olímpico .

Empenho e pagamento

         A nota de empenho do Ministério do Esporte para liberar a grana foi emitida no dia 5 de agosto.

         No dia seguinte o dinheiro já estava na conta corrente número 997380632 da agência 1607 do Banco do Brasil.

A mesma nota empenho tem a seguinte observação:

“Pagamento referente à constituição do capital social da Empresa Brasil 2016, criada pelo Decreto nº 7.258/2010, conforme autorização constante na Medida Provisória  488, de 12 de maio de 2010”.

         Os dados eu obtive junto ao SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira), o caixa preta do governo que registra toda a movimentação de dinheiro das contas oficiais.

Competência

         A criação da Empresa 2016 pode até ser oportuna.

         Afinal, o governo precisa de um ente intermediário com o Comitê Organizador das Olimpíadas e os governos municipal e estadual do Rio de Janeiro.

         A falta desse “meio campo” provocou a desordem nas contas públicas do Pan-2007.

         O problema é que a tal Empresa Brasileira de Legado Esportivo S.A – Brasil 2016 é vinculada ao Ministério do Esporte.

         E daí? É que será de sua competências, entre outras, “monitorar e fiscalizar a execução de convênios firmados entre a União, o Estado do Rio e o município do Rio de Janeiro”.

         Ora, já está provado, em oito anos do atual governo, que a turma que está no Ministério do Esporte – e que deverá ser transferida, em grande parte, para a nova Empresa – não é boa na gestão do dinheiro público.

         Pelo contrário, é um desastre atrás do outro, um legítimo atropelo, no bom português. 

         Além do Pan, o programa Segundo Tempo é exemplo de má gestão, como já foi provado pela polícia. Muita gente foi presa por desviar o dinheiro que deveria ir para jovens atletas.

          Serão partidos e políticos que vão lidar com muitos bilhões de reais até 2016.

          E o pessoal do Ministério do Esporte,repito, não sabe gastar a grana: paga contas em dobro, paga pelo o que não recebe, contrata sem licitação, enfim.

         Voltarei ao assunto com mais detalhes, inclusive comentando sobre a omissão, em tese, da Universidade brasileira do processo de preparação dos Jogos Olímpicos 2016.

Por José da Cruz às 19h24

Esporte ganhará novas estruturas

         A Câmara dos Deputados deve votar até quinta-feira duas medidas provisórias que mudarão a estrutura do esporte brasileiro.

         As referidas medidas já estão em vigor, desde que foram assinadas pelo Presidente Lula, mas poderão sofrer alterações em plenário. São elas:

         MP 488 de 12 de maio de 2010

         Cria a Empresa Brasileira de Legado Esportivo S.A – Brasil 2016, com personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio, vinculada ao Ministério do Esporte.

         A Brasil 2016 terá sede no Rio de Janeiro e poderá manter escritórios em outros estados.

         Os que gostam de cabide de emprego que comecem a conversar com os políticos...

         A Empresa será dirigida por um Conselho de Administração e uma Diretoria Executiva.  A composição, o funcionamento, as atribuições e o prazo de gestão de seus membros serão definidos pelo estatuto.

         Detalhe: a Brasil 2016 será dissolvida em dezembro de 2018, isto é, dois anos e meio depois da realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Empregão é isso aí.

         MP 489 de 12 de maio de 2010

         Cria a Autoridade Pública Olímpica (APO).

         Objetivo:  coordenar a participação da União,do Estado do Rio e do município do Rio de Janeiro na preparação e realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos  de 2016, especialmentepara assegurar o cumprimento das obrigações por eles assumidas pertante o Comitê Olímpico Internacional.

         Presidente: O presidente da APO será indicado e nomeado pelo presidente da República, com mandato de quatro anos, após aprovação pelo Senado Federal, permitida a recondução.

         Sobre essas duas medidas provisórias comentarei no momento em que estiverem sendo votadas.

         Antecipo, porém, que o ministro do Esporte, Orlando Silva, é candidato preferencial de Lula para presidir a APO.

         Ou seja, tem emprego garantido no próximo governo, independentemente de quem vier a ser  o presidente da República.

         A briga ficará com os demais partidos, que vão disputar a cadeira no Ministério do Esporte.

         Bem que o presidente Lula anunciou que Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil iriam gerar muitos empregos.

Por José da Cruz às 15h54

Gesta articula saída da CBAt

          Vinte e três anos depois de ter assumido a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roberto Gesta de Melo começa a se despedir do cargo. Depois dele, o cartola mais antigo no poder é Coaracy Nunes, da Confederação de Natação.

         Apesar de ter mandato garantido até 2012, Gesta articula composição com o presidente da Federação de Pernambuco, Warlindo Carneiro da Silva, na cabeça de chapa, e José Antônio Fernandes, da Federação Paulista, para vice-presidente.

         Pessoas próximas do poder da CBAt me informaram que Gesta sente-se desgastado com os rumos da modalidade que ele dirige há mais de duas décadas e decidiu sair, mas ainda sem anunciar a data precisa.

         Além dos gravíssimos problemas de doping, que culminaram com o fim da equipe adulta da Rede de Atletismo (SP), os resultados internacionais são pífios diante do volume de dinheiro que a Confederação recebe anualmente.

         No domingo passado, a Folha de S.Paulo publicou reportagem de Daniel Brito sobre o assunto, com dados do Centro de Estudos de Atletismo, de Brasília. Na mesma ocasião, o blog de Alberto Murray Neto antecipou a decisão do cartola (HTTP://albertomurray.wordpress.com/).

         A Caixa Econômica Federal é a patrocinadora da CBAt desde 2001, ou seja, dois ciclos olímpicos e meio.

         Nesse tempo tem repassado valiosos recursos ‘a modalidade, como R$ 13,5 milhões previstos no orçamento deste ano.

         Além disso, a CBAt recebe em torno de R$ 2,5 milhões anuais da Lei das Loterias.

         Gesta esta conversando com os presidentes de confederações, fazendo consulta prévia de apoio aos seus candidatos.

Porém, a presidente da Federação de Brasília, Carmem de Oliveira – ex-campeã da São Silvestre –, ainda não foi privilegiada com este contato, talvez porque seja uma das que faz oposição a Gesta de Melo.

Por José da Cruz às 14h36

A volta de Joaquim Cruz

      Joaquim Cruz, que há 28 anos mora nos Estados Unidos, pode estar retornando ao Brasil.

Medalha de ouro nos 800m dos Jogos de Los Angeles (1984), ele evita falar sobre o assunto.

     Perguntei ao Comitê Olímpico Brasileiro, se Joaquim Cruz estava sendo “repatriado”, de fato.

A reposta não acrescenta e apenas diz que “Joaquim integra o Conselho de Esportes dos Jogos 2016”.

    Como o tal Conselho exigirá trabalho permanente, Juca – como é conhecido na família – deve mesmo estar retornando.

    Desde o último dia 5 ele se reúne com autoridades do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos.

   Nos debates, expõe sua longa experiência no esporte norte-americano, mais recentemente com a estrutura e atletas paraolímpicos.

  É uma realidade bem distinta da nossa, a partir da educação física nas escolas.

  Joaquim é nome de peso para integrar o comitê organizador das Olimpíadas, sem dúvida.

  Mas, particularmente, gostaria de vê-lo integrado aos trabalhos do Instituto Joaquim Cruz, que mantém em Brasília.

  Aqui, o trabalho é com a juventude, voltado para a formação do caráter dos garotos pela prática esportiva, que ele também conhece a fundo. Aí estão as suas origens.

  É o oposto do que ele enfrentará na grandiosidade de um evento olímpico, principalmente lidando com vícios políticos e governamentais e costumes nem sempre éticos, como se viu no Pan 2007. O impacto que sofrerá será enorme, pois não é próprio do seu convívio.

 Sobre isso, os relatórios do Tribunal de Contas da União são fartos em exemplos, e seria uma oportuna leitura para Joaquim Cruz começar a se readaptar ‘a nossa realidade.

 

Por José da Cruz às 12h03

A festa continua: R$ 5,7 milhões

O Ministério do Esporte vai pagar R$ 5.700.000,00 (isso mesmo, cinco milhões e setecentos mil reais para – tome fôlego:

“Prestação de serviços de consultoria especializada para apoio na atualização e complementação de estudos técnicos e mercadológicos, relativos ao novo autódromo e as instalações olímpicas e assessoramento no detalhamento do orçamento não-cojo, com vista a realização do XXXI Jogos Olímpicos e XV Jogos Paraolímpicos Rio 2016”

Quem realizará o trabalho é a  Fundação Getúlio Vargas, escolhida sem licitação, “conforme documentos constantes dos autos do processo”.

O processo, claro, deve ser sigiloso.

Quem autoriza o gasto milionário é José Lincoln Daemon, subsecretario de Planejamento, Orçamento e Administração do Ministério do Esporte.

Ratificado por: Waldemar Manoel Silva de Souza.

Traduzindo

        “Não-Cojo” é o orçamento das despesas extra-Jogos Olímpicos,  como obras viárias, expansão de metrô etc.

        O orçamento “Cojo” é específico das despesas dos Jogos – competições, hospedagens de atletas, equipamentos etc.

 

Por José da Cruz às 09h52

A medalha da vergonha

          O escândalo financeiro dos Jogos Pan-Americanos de 2007 é mais uma medalha da vergonha no pódio da gestão esportiva brasileira.

          O Tribunal de Contas da União reconhece, três anos depois, que foram praticadas ilegalidades com o dinheiro público, mas,mesmo assim, absolve os gestores dando legalidade às fraudes.

          Assunto velho? Sem novidades? Falta de assunto para um blogueiro que retorna ao texto depois de uma “folga” de seis meses?

          Nada disso. Temos desafios maiores, mas não podemos deixar no esquecimento as mazelas oficiais de ontem.

Explicações

          Pedi ao Tribunal de Contas da União para ler as justificativas apresentadas pelos envolvidos nos indícios de superfaturamentos, pagamentos de obras não realizadas, pagamento de contas em dobro, de material não recebido etc.

          Resposta do TCU: “Não é possível ter acesso aos autos do processo”.

          Aguardo respostas sobre o mesmo assunto do Ministério do Esporte e Comitê Organizador do Pan-2007.

Inocente

          Vamos,então, ao que é público, os relatórios dos auditores e votos dos relatores.

          Recentemente, o ministro Walton Rodrigues inocentou de culpa os envolvidos em um dos mais escandalosos processos do Pan.

          Trata-se do contrato entre o Ministério do Esporte com a empresa Atos OriginServiços de Tecnologia da Informação Ltda. O superfaturamento foi de R$ 112 milhões.

          Resumidamente, o argumento do ministro  Walton para mandar arquivar o processo é o seguinte:

          “O Pan foi um evento complexo, não havia experiência anteior que pudesse orientar os gestores quanto às múltiplas e concorrentes demandas desse tipo de empreendimento”.

          Ou seja, gestores incompetentes rasgam as leis das licitações e são premiados com a impunidade.

Puxão de orelhas

          Vez por outra, o TCU dá um puxão de orelhas nos aprendizes da gestão pública – muitos pendurados em cabides políticos.

          Mas é apenas um ato protocolar, para exibir um pouco de, digamos “rigidez” do Tribunal.

          Aí vai um exemplo que tirei do relatório do ex-ministro Marcos Vilaça, sobre o tema “Governo e Organização dos Jogos”.

          “Neste ponto sou categórico. O Ministério do Esporte a quem cumpria o papel de principal ator governamental da gestão dos Jogos, foi o maior responsável  pelo planejamento precário que permeou o evento. O Estado, o Município e o Co-Rio também são responsáveis (grifos meus).

          Em resumo: sem experiência, os tais gestores meteram os pés pelas mãos e a gastança foi para o espaço.

          O TCU reconhece isso, mas absolve os envolvidos e manda arquivar os processos.

          Que bela notícia para os “responsáveis” que tem a Copa do Mundo e as Olimpíadas pela frente...

          O ministro do Esporte, Orlando Silva, e o ex-presidente do Co-Rio, Carlos Arthur Nuzman, responsáveis maiores pelo Pan 2007, devem explicações sobre o uso do dinheiro público que administraram.

          Silenciar é reduzir a credibilidade de seus futuros atos em eventos maiores, como as Olimpíadas 2016.

Por José da Cruz às 07h32

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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