Blog do José Cruz

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07/02/2010

Voltarei em breve

Prezados leitores

            Depois de seis meses de excelente relação com o UOL, despeço-me da  empresa e dos leitores.

            Mais uma vez o médico me alerta sobre a necessidade de dar prioridade à saúde. Nada de grave, mas é preciso dar atenção aos seus conselhos profissionais, apesar de minha natural resistência.

            Mas, que os opositores não se alegrem com o meu afastamento. Em breve voltarei ao combate diário, com fôlego renovado.

Que os cartolas, ministro e assessores não batam palmas.

A vigília continua,  pois, sempre que preciso, terei espaço no prestigiado blog de Juca Kfouri, para ali divulgar as notícias e denúncias, sempre que oportunas. Obrigado, Juca, pela parceria e amizade.

Agradeço ao companheiro Murilo Garavello, editor de Esportes do UOL pelo convite para ocupar valorizado espaço. Com certeza, Murilo, vamos nos reencontrar neste mundo de mudanças de nossa profissão;

Ao amigo Gil Castello Branco e eficiente equipe  da ONG Contas Abertas, onde tive minha trincheira de redação por seis meses, pela democrática e ética relação  profissional e valiosos ensinamentos transmitidos sobre as contas públicas.

Aos assessores de imprensa de órgãos púbicos em geral, que sempre atenderam aos meus pedidos, legais, para melhor informar;

Aos leitores, debatedores e críticos e, principalmente, aos colaboradores, muito obrigado por me terem prestigiado e contribuído para que tivéssemos um bom nível de debate sobre o esporte olímpico.

Apesar do afastamento da rotina continuarei na área como um atento atacante.

Deixo meu contato para os que desejarem se comunicar: jcruzz@uol.com.br

Abraço a todos, saúde

José Cruz

 

 

Por José da Cruz às 08h27

06/02/2010

2016: o legado por linhas tortas

Nas minhas andanças pelo Rio Grande do Sul leio os jornais de Porto Alegre.

Fora do futebol, repercute a notícia da visita de dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro aos principais clubes sociais da capital, Sogipa e Grêmio Náutico União.

         A proposta: usar a estrutura dos clubes para treinamentos de atletas de ponta.

         Ora graças a Júpiter, Netuno e Plutão, enfim o COB descobriu que os clubes são centros formadores de atletas. Ufa! Que progresso!!!

Confao

         Faz exatamente um ano que foi criado o Clube Nacional de Formação de Atletas Olímpicos, o Confao. E só agora, um ano depois, começa o diálogo. Repito para reforçar: um ano depois.

         Repararam a perda de tempo?

         É a tal estrutura do esporte, em que o COB se relaciona com as confederações e pronto. Mais ninguém opina. Como se não existisse esporte fora da elite gestora do dinheiro público. Exatamente isso.

Linhas tortas

         O Correio do Povo de Porto Alegre diz que o objetivo do COB é trabalhar com os atletas em condições de estarem nos Jogos de 2016.

         A estratégia é correta, mas chegamos a ela por vias tortas.

         O Brasil conquistou os Jogos Olímpicos na contra-mão do que se fez em outros países.

O evento virá para o Brasil antes que se tivesse uma estratégia para formar atletas.

         É o Brasil esportivo às avessas, de cabeça pra baixo.

         E vivemos tal realidade não por falta de dinheiro, mas de diálogo, principalmente.

         São sete anos de Ministério do Esporte, sem dizer a que veio;

         São sete anos que as loterias repassam recursos para o esporte olímpico, mas o dinheiro ficou concentrado nas confederações;

         São sete anos que as mesmas confederações recebem dinheiro, e muito, de patrocínio estatal (Banco do Brasil, Caixa, Eletrobrás, Petrobras, Infraero e Correios).

         Ou seja, é duplicidade de dinheiro público no mesmo bloco de confederações.

         E que evolução tivemos? Medimos o progresso apenas pela conquista de medalhas?

         Sete anos que os clubes, formadores de fato, ficaram alheios às relações  COB-Confederações. Ninguém conseguirá recuperar esse tempo.

Legado?

         Assim, com essa filosofia de trabalhar os competidores que já tem condições de chegar a 2016, veremos passar a chance de implantar um projeto de formação de atleta olímpico, o tal “legado”, repetido pelo COB como um mantra.

         Insisto: o COB faz certo ao agir, já, para evitar o vexame em casa. Mas com essa ação escancara que não nos adianta termos ministério específico para o esporte nem recursos suficientes, como tivemos, para nos tornarmos olímpicos.

Faltou o principal: gestão, políticas públicas e diálogo.

 

Por José da Cruz às 20h06

O fundo dos espertos

É do senador Álvaro Dias a mais recente proposta para ajudar os clubes de futebol a saírem do atoleiro de seus déficits financeiros.

O senador quer criar o “Fundo de Apoio à Reestruturação Financeira dos Clubes do Futebol” e apresentou projeto de lei que anda em ritmo rápido pelas comissões do Senado.

Além de incentivar o governo a se meter em assunto financeiro  da iniciativa privada, o projeto de lei é a mais uma péssima contribuição para com quem sempre se beneficiou dos cofres públicos.

Pior, pois muitos cartolas fraudaram o fisco e nem sequer foram punidos. Ao contrário, foram beneficiados com a tal Timemania, a fracassada loteria inventada por Agnelo Queiroz e sacramentada por Orlando Silva para ajudar a tapar um rombo dos clubes de mais de R$ 1,5 bilhão.

Em agonia, a Timemania é um fracasso espetacular e deverá ser sepultada até junho. É a resposta de reprovação do  apostador aos abusos impunes da cartolagem.

Como seria

        O tal Fundo de Apoio ao Futebol proposto por Álvaro Dias (PLS 57/07) seria assim constituído:

10% das transações de atletas com clubes do exterior;

10% da das bilheterias nos jogos

10% do valor da publicidade estática nos estádios.

15% da renda da CBF dos jogos da Seleção

10% da publicidade que utilize símbolos nacionais pela CBF.

        A CBF é riquíssima mas não está nem aí para os clubes, falidos, até faz sentido cobrar sua participação. O seu lobi será fortíssimo para derrotar o projeto. E conseguirá.

Deboche

        A segunda parte do projeto de Álvaro Dias é um deboche, pois prevê conceder isenção do Imposto de Renda às empresas que contribuírem para o Fundo.

Pensam que acabou? Pois tem mais: o projeto determina que o Ministério do Esporte também destine dinheiro do orçamento para o Fundo do Espertos... Ou seja, dinheiro do contribuinte para tapar o rombo da cartolagem. 

        O senador deveria ter vergonha de apresentar tal proposta, principalmente depois de ter presidido brilhantemente a CPI do Futebol.

        Os documentos que sua assessoria recolheu naquela ocasião e o relatório aprovado pela CPI são documentos  que mostra como aos cartolas enriquecerem ilicitamente, enquanto os clubes que dirigiam iam para o buraco.

Para completar esta barafunda, o projeto de Álvaro Dias tem parecer favorável de seu colega, Wellington Salgado, aquele de cabelos longos e encaracolados.

Em outras palavras: se o projeto de lei prospera a porta fica aberta para que outros esportes também se beneficiem da proposta de Álvaro Dias. Como o basquete, por exemplo, que tem em Wellington Salgado um cartola das antigas à frente de seu Universo.

Agora vai.

Por José da Cruz às 19h47

05/02/2010

COB autoriza livro de Katia Rubio

Em carta enviada nesta sexta-feira (5) à professora Katia Rubio, o COB informa que não adotará qualquer medida judicial ou extrajudicial em referência à citação da designação “olímpicos” e do símbolo olímpico no conteúdo do livro intitulado “Esporte, Educação e Valores Olímpicos”.

         Não obstante gozar o símbolo olímpico de proteção internacional por meio do Tratado de Nairóbi sobre Proteção do Símbolo Olímpico de 1981, do qual o Brasil é signatário, e as designações “olímpico” e olimpíada” de proteção via artigo 15, parágrafo segundo, da Lei 9.615, de 1988 (Lei Pelé), sua citação no conteúdo da obra destina-se, apenas, a informar sobre o movimento olímpico e suas atividades, disseminando o valioso este conhecimento sobre o Olimpismo.

 Embora o COB tenha se baseado tão somente no aspecto comercial do produto em questão (livro identificado por marca de titularidade do Comitê Olímpico Internacional) para lançar mão de expediente rotineiro que visa apenas resguardar os interesses do próprio Movimento Olímpico, o COB entende tratar-se de produção intelectual e, portanto, que seu conteúdo não fere os direitos do Comitê Olímpico Internacional, cuja proteção no território nacional cabe ao COB.

 Diante do exposto, o COB autoriza a publicação e a circulação do livro “Esporte, Educação e Valores Olímpicos”, tal como se encontra nas livrarias à disposição do público.

 Comitê Olímpico Brasileiro

 

 

Por José da Cruz às 18h23

O estranho silêncio sobre a CPI do Pan

         Em junho do ano passado, o senador Álvaro Dias e o deputado Miro Teixeira apresentaram requerimento para uma Comissão Mista de Inquérito no Congresso Nacional.

         Objetivo: averiguar denúncias de abusos com o dinheiro público nos gastos dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. O tal de R$ 4 bilhões, até hoje com prestação de contas escondida.

Pressão

         A pressão do Comitê Olímpico Brasileiro foi enorme e, de repente, parlamentares que apoiaram a iniciativa começaram a tirar suas assinaturas. Coisa de gente de duas caras, sem caráter, claro.

         Passou o tempo, e de repente, ninguém mais falou sobre o assunto.

         Nem os autores da proposta. Estranha desistência de quem bateu tanto, não é mesmo?

Coincidência

         Coincidentemente, no dia 24 de julho de 2009, Valéria Alves Fernandes Dias foi nomeada para “Gerente de Projeto da Representação Estadual do Rio de Janeiro da Secretaria Executiva do Ministério do Esporte”.

         E quem é Valéria Alves Fernandes Dias?

         É sobrinha do senador Álvaro Dias, um dos autores da CPI do Pan que, desanimado, quem sabe, com a debandada do apoio dos companheiros, também não brigou mais pela causa.     

         Valéria, a propósito, era funcionária do Senado, mas acabou demitida, na leva que tirou de cena parentes de senadores.   

Viagem

         Quatro meses depois que assumiu o cargo no ministério, Valéria foi representar o Brasil na Soccerex, a feira mundial de negócios do futebol, em Joanesburgo, na África do Sul.

         Está tudo registrado no Diário Oficial da União.

         Escrevi ao senador Álvaro Dias para saber se ele havia influenciado na contratação da sobrinha pelo Ministério do Esporte, mas não obtive resposta.

         Assim, sem CPI, e com os processos se arrastando no Tribunal de Contas da União devido a morosidade nas respostas dos envolvidos, o torcedor-contribuinte dos cofres públicos continua sem saber porque o Pan 2007 custou R$ 4 bilhões.

A dúvida sobre o uso da maior parte dos recursos cresce porque o Ministério do Esporte e o Comitê Organizador, que foi presidido por Carlos Arthur Nuzman, não tornam pública a prestação de contas.

 

 

Por José da Cruz às 17h08

04/02/2010

Proposta indecente I

       Em fins de 2003 publiquei reportagem no Correio Braziliense contando como o ministro Agnelo Queiroz ganhou diárias para ir aos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, mas teve as suas despesas pagas pelo Comitê Olímpico Brasileiro.

         O assunto virou escândalo nacional. Agnelo devolveu o dinheiro aos cofres públicos e passou a me odiar. Chegou a pedir minha demissão do Correio. Não conseguiu.

O “apaziguador”

         Certo dia, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes, me chamou para uma entrevista exclusiva, no Rio de Janeiro. Tinha algo “bombástico”, que ele só me revelaria pessoalmente.

         Dia seguinte, cedo, com autorização de meu editor à época, Paulo Rossi, lá estava eu em seu gabinete.

         

       Coaracy se enganou a meu respeito

         Conversa vai, conversa vem e nada de Coaracy, sorriso largo e brincalhão, me revelar a tal “bomba” jornalística.

         Lá pelas tantas ele me confessou:

         “Fui designado por presidentes de confederações e por Carlos Nuzman (do COB) para ser o pacificador entre você e o ministro Agnelo Queiroz. Vamos direto para o aeroporto. Eu vou ao Ministério do Esporte com você. O ministro está nos aguardando para um almoço. Vocês vão apertas as mãos e acabar com essa briga”.

A resposta

         A resposta foi curta e indignada:

         - Presidente Coaracy, o senhor falhou em sua missão

         E retornei sozinho para Brasília, de onde não deveria ter saído.

         Não suporto Agnelo, traidor.

 

Por José da Cruz às 19h19

03/02/2010

Futebol: Lei do Passe está pronta para voltar

         Ao votar o projeto de lei que altera a Lei Pelé (9.615/98) a Câmara dos Deputados vai ressuscitar a “Lei do Passe”.

         Trata-se do tema mais polêmico nas relações trabalhistas entre jogadores e clubes de futebol. O projeto, que seria votado hoje, foi adiado para a próxima semana para melhor debater a matéria.

         O fim do passe, a partir de 2001, é, segundo a cartolagem, o principal motivo para o fracasso financeiro dos clubes, pois a transação dos jogadores, antes feita pelas agremiações, passou a ter a participação dos “agentes Fifa”, ou empresários. Os clubes se queixam, também, que gastam na formação dos atletas e, depois, não recuperam o dinheiro na transação.

         Quando o assunto foi regulamentado – por influência do próprio Rei Pelé –, a idéia era de que a nova lei beneficiaria os jogadores. Eles teriam mais liberdade para negociar os seus contratos.

         Foi então que surgiu o empresário, mais preocupado com as milionárias transações de craques, para o estrangeiro, de preferência, do que o fortalecimento dos clubes.

Reforma

         A reforma da Lei Pelé está na Câmara dos  Deputados há nove anos. Quando terminou a CPI da CBF Nike, o deputado Silvio Torres apresentou um projeto de atualização da lei, mas a CBF segurou a tramitação através da bancada da bola.

        O tempo passou, e só em 2005 o governo federal encaminhou a sua proposta ao Legislativo, que deverá ir à votação na semana que vem. 

        Ocorre que na mesma proposta estão as mudanças nos repasses das loterias para o esporte, assunto que colocava em divergência o Comitê Olímpico e os Clubes Formadores de Atletas (Confao).

         Mas, numa reunião, hoje, os deputados Afonso Hamm, Silvio Torres, José Rocha, Eugênio Rabelo, Deley, Otávio Leite e Marcelo Teixeira chegaram ao consenso e tudo ficou definido conforme os interesses olímpicos e clubísticos.

Hora extra        

         O problema, agora, é o futebol. Alguns parlamentares alegaram que o projeto de lei do Executivo não fixa que os jogadores devem receber horas extras durante as concentrações e jogos noturnos.

         Como se trata de uma perda para o empregado, o Ministério do Trabalho sugeriu debater melhor a matéria, a fim de que não haja prejuízos.

        

        

 

Por José da Cruz às 20h14

Lei Pelé mudará, mas olímpicos e paraolímpicos não serão atingidos

         Um acordo suprapartidário que terminou há pouco, na Comissão de Turismo e Esporte, permitirá que seja votado na Câmara dos Deputados, possivelmente hoje, mudanças na Lei 9.615/98, a Lei Pelé.

         Entre as alterações está o aumento de 2% para 2,5% dos repasses das loterias federais para os esportes olímpicos e paraolímpicos, conforme antecipamos.

         Pelo acordo, vingará em plenário a proposta do COB, sem prejuízo para os clubes formadores de atletas (Confao), que ficarão com 0,5% das arrecadações anuais das loterias administradas pela caixa.

         Cálculos preliminares indicam que R$ 35 milhões serão repassados ao Confao.

         O acordo final na Comissão de Turismo e Esporte foi fechado entre os deputados Afonso Hamm, José Rocha, Silvio Torres, Eugênio Rabelo, Deley, Otavio Leite e Marcelo Teixeira.

CBDU e CBDE

         Outra mudança na legislação prevê que os 5% destinados aos desportos universitários e os 10% para o escolar, até agora administrados pelo COB, serão repassados às confederações respectivas.

         Com isso, os Jogos Escolares e Jogos Universitários, que desde 2002 eram realizados pelo Comitê Olímpico, deverá trocar de comando.

         A sessão da Câmara dos Deputados já começou e a proposta de reforma da Lei Pelé é o primeiro a ser votado na pauta, depois da retirada do projeto de lei do Pré-Sal, por acordo de lideranças.

Por José da Cruz às 15h54

Copa 2014: responsabilidades divididas

            Já está no ar a reportagem dos repórteres Leandro Kleber e Milton Júnior, da equipe da ONG Contas Abertas, sobre a Copa 2014.

Num trabalho de fôlego eles consolidaram mais de uma centena de dados – projetos, investimentos, desapropriações etc – fornecidos pelo Ministério do Esporte para oferecer informações até agora sem divulgação.

Mudança de rumos

         Ao contrário do que aconteceu nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, quando o Governo Federal foi o principal investidor nos projetos, para a Copa de 2014 o Palácio do Planalto dividiu responsabilidades entre as outras duas esferas, municipal e estadual, que se responsabilizarão por parte dos gastos (em torno de 34%) e dos empréstimos que buscarem nas entidades de crédito.

         Caixa Econômica e BNDES serão os principais financiadores, num total de 66% do orçamento apenas para mobilidade urbana.

         Os desembolsos para os projetos de mobilidade urbana, segundo as matrizes de responsabilidades ficaram assim distribuídos:

         Instituição           R$

                                    (em milhões)

Caixa Econômica            6.436,40

         BNDES                           4.926,60

         Governos estaduais        3.647,10

         Governos municipais       1.465,30

         Gov. Est. e Munic.                14,60

         Gov. Distrito Federal           348,30

         S.Clube Internacional          130,00

         C.Atlét. Paranaense            113,00

         S.Paulo FC                           90,00

         TOTAL                            17.171,30

 

A reportagem completa está em www.contasabertas.com

 

 

 

        

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Por José da Cruz às 13h25

02/02/2010

Copa 2014: enfim, a "matriz de responsabilidades"

         São Paulo e Rio de Janeiro são as duas cidades-sedes da Copa 2014 que consumirão mais recursos em projetos de mobilidade urbana.

         A capital paulista investirá R$2,8 bilhões na construção do monotrilho “Linha Ouro”.

         No Rio, o “Corredor T5” – ligando o Aeroporto do Galeão aos bairros da Penha e Barra da Tijuca – consumirá R$1,6 milhão.

Matriz

         Os dados estão na “Matriz de Responsabilidades”, lançada em 14 de janeiro, até agora em reserva, mas finalmente liberadas pelo Ministério do Esporte.

         Nessas matrizes referentes à “mobilidade urbana”, estão relacionadas as ações em cada sede do Mundial, os valores a serem investidos, e de quem é a responsabilidade pela obra, se do governo municipal ou estadual.

         São previstos gastos totais de R$ 17,2 bilhão.

Contas Abertas

         A equipe de jornalistas da ONG Contas Abertas trabalha na consolidação de centenas de dados das matrizes, para melhor apresentar a origem e destinação dos recursos.

Todas as informações estarão em reportagem, amanhã, no seguinte endereço: www.contasabertas.com

         Preliminarmente, já se apurou. investimentos de R$ 1,4 bilhão em desapropriações, R$ 343 milhões em projetos básicos e executivos e R$ 16,8 bilhões em obras, entre elas as de construção e reforma de estádios.

         Quatro fontes de recursos vão alimentar os projetos: municipal, estadual e financiamentos da Caixa e do BNDES.

Por José da Cruz às 19h23

Rio investirá R$ 12 milhões em equipe olímpica

A Prefeitura do Rio de Janeiro investirá R$ 12 milhões até 2012 na preparação de até 13 atletas de sete modalidades, com chances de bons resultados nas Olimpíadas de Londres.

O “Time Rio”, que será lançado amanhã, pelo Comitê Olímpico Brasileiro e Prefeitura carioca, é a primeira adesão ao Programa de Apoio ao Time Brasil.

Segundo o COB, o programa buscará apoio de prefeituras e governos estaduais “para complementar a preparação de atletas com vistas aos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e Rio, em 2016”.

A solenidade de amanhã será no Palácio da Cidade (rua São Clemente n. 360, Botafogo), às 10h.

Por José da Cruz às 19h15

COB pressiona para evitar mudanças na Lei das Loterias

         Em ofício de 19 de janeiro deste ano, enviado a parlamentares, o Comitê Olímpico Brasileiro posiciona-se radicalmente contra à emenda do deputado baiano José Rocha, para alterar os critérios de distribuição dos recursos das loterias federais, via Lei 10.264/2001.

         O projeto de José Rocha, mesmo aumentando de 2% para 2,5% o repasse das loterias federais para o esporte, provoca uma redução nos valores destinados ao COB.

Projeção

         Com base no que recebeu em 2009, o COB fez uma projeção, aplicado os percentuais defendidos pelo deputado, com as seguintes destinações:

         Clubes         20%

         COB            50%

         CPB             15%

         CBDE          10%

         CBDU          5%

Realidade

Assim, se esses percentuais fossem aplicados já no ano passado, o Comitê Olímpico seria o único dos beneficiados a ter os ganhos reduzidos, caindo de R$ 113 milhões para R$ 96 milhões.

Argumento

         “Frise-se que tal diminuição nos valores destinados ao desporto olímpico, de aproximadamente 13,5% acontece justamente no  momento em que, tendo liderado a vitoriosa campanha que levou à eleição da Cidade do Rio de Janeiro à sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o Comitê Olímpico Brasileiro e as Confederações Brasileiras Dirigentes de Esportes Olímpicos necessitam de maior afluxo de recursos para fazer frente às demandas geradas pela responsabilidade de serem os anfitriões de uma edição dos Jogos Olímpicos”, disse o presidente do comitê, Carlos Arthur Nuzman, que assina a exposição de motivos enviada aos deputados.

Clubes

         O que Nuzman não reconhece é que muitos clubes brasileiros são, de fato, os formadores de atletas e estão, há nove anos, fora do rateio de importantes recursos governamentais.

         É preciso lembrar que as confederações, além de receber da Lei das Loterias, têm outras fontes valorizadas, como o patrocínio das estatais, que financiam 18 modalidades olímpicas.

         Ou seja, há uma concentração de dinheiro nas mãos de poucos em detrimento daqueles que, de fato, trabalham com a principal matéria prima da competição, o atleta.

Egoismo

         É lamentável ver o Ministério do Esporte alheio a esse importantíssimo debate, o que demonstra a fragilidade de sua liderança no setor.

         Pior: ao defender mais brasa para o seu assado, o COB escancara a realidade do nosso esporte, onde a falta de diálogo com os entes afins é um problema crônico.

         Por conta disso, o Congresso Nacional legisla sobre o dinheiro do esporte de forma casual, na medida em que vão surgindo os problemas – ou os pedidos para entrar no rateio.

Mudanças

         Já que estamos nos preparando para um evento como os Jogos de 2016, porque o governo federal não provoca mudança radical nos critérios de uso do dinheiro público?

         Afinal, a economia do esporte olímpico tem sua base nos recursos governamentais, mas falta ao Executivo participar de forma ativa e efetiva na condução dos rumos de seu uso adequado.

         Da forma como há muito se opera, trabalha-se como se a evolução do esporte se medisse apenas pela conquista de medalhas, comos demais valores do esporte na formação educacional e do caráter de nossos jovens sendo totalmente desprezado.

         O egoísmo e a ganância predominam e o desperdício de dinheiro também.

Por José da Cruz às 10h37

Decisão antipática dos "Senhores dos Aneis"

         Num país de escassas publicações sobre temas olímpicos, um livro sobre o assunto nem sempre é bem recebido.

         O mais recente caso de “censura” a uma publicação do gênero – “Esporte, educação e valores olímpicos”– é do COB, a pretexto de que as expressões “olímpicos” e “olimpíada”, assim como os aros-símbolos dos tradicionais Jogos são propriedade do Comitê Olímpico Internacional.

Autora credenciada

         O livro é da jornalista, mestre em Educação Física, Doutora em Educação, Pós-doutora em Psicologia Social, Kátia Rubio. Mas não adiantam títulos nem argumentos de que a obra é, sim, rara no Brasil e chega em excelente momento.

         Notificada extrajudicialmente pelo COB, Kátia deverá retirar de circulação um livro que ensina didaticamente e com orientação pedagógica séria sobre olimpismo.

Inacreditável decisão num país em que as autoridades do esporte difundem que  Jogos do Rio de Janeiro deixarão “educação” como legado... Será?

Mas, veja, caro leitor, capa do livro que tanto incomoda os "Senhores dos Anéis".

Entrevista

         A seguir, a entrevista com a autora. Confiram:

José Cruz – Qual o conteúdo de sua obra?

Katia – É uma obra inédita no Brasil, produzida para crianças e jovens, sobre educação olímpica, para ser trabalhada em um projeto de educação, que nesse momento uma nação que será sede olímpica necessita.

José Cruz – Qual a alegação do COB para proibir a circulação do livro?

Katia – A alegação do COB é que não posso fazer uso do termo "olímpica", adjetivo e substantivo que pertencem ao COB. Sabendo das limitações do uso dos símbolos olímpicos, tomei, juntamente com o ilustrador, todos os cuidados para que os anéis ou qualquer outro símbolo não fosse utilizado indevidamente. A capa do livro mostra que lidamos com essa limitação. Mas o processo é por causa disso.

José Cruz – Como você avalia tal decisão?
Katia
– Essa decisão é arbitrária porque não temos materiais sobre educação olímpica e há uma demanda nacional por parte dos educadores para tratar sobre o tema com alunos do ensino fundamental e médio. Esse é o público que desejo atingir com essa obra.

José CruzVocê, inclusive, usou uma linguagem mais de aprendizado, é isso?

Katia – Utilizei todo o meu conhecimento, decodificando da linguagem acadêmica para o grande público, para que esse livro alcançasse o máximo possível de pessoas pensando não apenas na divulgação do olimpismo, caminho que já trilho há mais de ma década dentro da universidade, mas na preparação dessa nação para receber os jogos, seja como voluntários, seja como pessoas ligadas aos diferentes serviços que trabalharão recepcionando turistas, atletas, árbitros, imprensa, etc.

José Cruz – E sua publicação se torna mais valorizada por ter o aval acadêmico...
Katia
– Como fiz meu pós-doutorado no Centro de Estudos Olímpicos da Universidade Autônoma de Barcelona sei o que é ter a universidade como parceira na promoção e divulgação dos estudos olímpicos em um país e cidade que serão sede olímpica. É algo emocionante entrar em uma biblioteca e ver diferentes autores, de diferentes abordagens teóricas e conceituais escrevendo sobre história, economia, sociologia, filosofia, educação, psicologia e tudo o mais que tiver relação com esse mega-evento.

José CruzE essa é uma das funções acadêmicas...

Kátia – Nossa função na universidade é essa: observar algo que ocorre na sociedade e analisá-lo, discuti-lo e buscar respostas, alternativas e soluções para as questões que serão levantadas a partir dele. Esse é o meu papel como pesquisadora. Essa é a intenção dessa obra.

 

Ainda sobre este assunto, sugiro a leitura do blog de Erich Beting, no seguinte endereço

http://negociosdoesporte.blog.uol.com.br/arch2010-01-31_2010-02-06.html#2010_02-01_13_36_36-136381883-0

Por José da Cruz às 00h06

01/02/2010

Loterias, a excelente fonte para o esporte

Mais de R$ 600 milhões foram repassados ao esporte, entre 2003 e 2009, por conta da Lei 10.264/2001.

         Por essa lei, 2% das arrecadações totais das loterias federais são repassados aos comitês Olímpico e Paraolímpico.

         

         Confirma os valores acumulados dos últimos sete anos:

         Comitê Olímpico             R$ 509.589.997,00

         Comitê Paraolímpico       R$ 112.618.872,00

Garantia

         Ao contrário do que ocorria até 2000, o esporte tem, desde 2001, garantia de recebimento dos recursos das loterias federais.

         Assim, as confederações podem se planejar e programar seus eventos, no Brasil e no exterior bem como os ciclos olímpicos.

         O orçamento é reforçado pelos patrocínios de seis estatais – Eletrobrás, Caixa, Correios, Banco do Brasil, Infraero e Petrobras.

Disputa

         No caso dos olímpicos, o dinheiro das loterias é aplicado através as confederações, que apresentam seus projetos, analisados por comissão específica do próprio COB.

         É no rateio desse dinheiro que os clubes formadores de atletas (Minas Tênis, Pinheiros, Sogipa etc), querem entrar.

         O projeto e suas emendas estão na ordem do dia da Câmara dos Deputados, com parecer contrário do Comitê Olímpico, que comentarei a seguir.

Paraolímpicos

         Ainda esta semana publicarei a primeira parte de uma longa entrevista com o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Andrew Parsons.

Ele comentou em detalhes sobre o novo momento da entidade, agora pacificada e dialogando com a oposição de ontem.

 

Por José da Cruz às 17h43

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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