Blog do José Cruz

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31/12/2009

Que 2010 nos traga ...

O debate efetivo para implantar a atividade física nas escolas públicas

Uma proposta para desenvolver o esporte olímpico                                

Integração entre as entidades que dirigem o setor

Definição de competências entre a União, Estados e Municípios

Melhor distribuição e aproveitamento dos recursos públicos para o esporte

A votação, pelo TCU, dos processos do Pan-2007

O julgamento dos processos com denúncias de falcatruas nas contas do Pan

Maior participação dos atletas nos debates que lhes dizem respeito

Eliminação dos corruptos, pelo voto, nas eleições de outubro

E que tenhamos, prioritariamente, S A Ú D E!

Abraço a todos que me prestigiaram nestes quatro meses no UOL.

 

Por José da Cruz às 20h07

Pan 2007: os inquéritos continuam

       Em razão de outra denúncia feita por este Blog (www.espn.com.br/albertomurrayneto/), tenho o prazer de informar que em 26/10/2009 o Ministério Público Federal instaurou Inquérito Civil para investigar a contratação da sociedade Fields Comunicação Ltda, SEM licitação pública, para os Jogos Pan Americanos do Rio 2.007.

O link da Portaria está no Blog

www.espn.com.br/albertomurrayneto

Pela moralização do esporte brasileiro.

Saudações Olímpicas.

Alberto Murray Neto

Por José da Cruz às 09h58

Atletismo em debate: a vez de Gesta de Melo (1)

Prezado Dr. Murray

Li, há pouco, em seu blog, os comentários feitos à mensagem que lhe enviei sobre o seu artigo "A Jovem Campeã Mundial e o Marketing do Rio 2006".

Realmente, considero o debate salutar e imprescindível para o esclarecimento de fatos e a busca da verdade. Suas posições, como as de todos que discutem as coisas do desporto, apontando possíveis falhas e indicando prováveis correções de rumo, serão sempre por mim recebidas com a devida atenção.

Quando assumi a CBAt, em janeiro de 1987, encontrei a Entidade falida, sem recursos para pagar o aluguel da sede e os poucos funcionários no final do mês, que estava próximo. Muito mais ainda, havia que ser reposta uma quantia significativa à época, gasta indevidamente. Não havia perspectivas de obtenção de patrocínio, não existia qualquer desportista cadastrado e nenhum critério sequer para convocação de atletas para compor seleções nacionais.

Desportistas atingiam índices para Campeonatos Mundiais e para Jogos Olímpicos e não viajavam. Não havia uma única pista sintética em condições normais de sediar um evento ou cronometragem eletrônica. Era o caos absoluto e muitos estão aí como testemunhas vivas do que ocorria.

Nesses primeiros anos, foram empresas de minha família que assumiram o pagamento de diversas obrigações e me garantiram cumprir todos os compromissos de campanha, entre os quais o de que nenhum atleta que obtivesse índice deixaria de representar o país, evidentemente nos eventos internacionais de responsabilidade da Confederação.

Depois, começaram a surgir patrocínios isolados, alguns para atividades específicas como o Troféu Brasil, outros que só se concretizavam no final do ano, quando já se fazia muito tarde para a temporada.

A partir de 1995, as coisas começaram a melhorar. O COB passou a atender as Confederações e, na medida do possível, a auxiliá-las, criando mecanismos para captação de recursos, como se deu posteriormente com a Lei Agnelo/Piva. Mas isso, é claro, não era suficiente.

Assim, passo a prestar-lhe as seguintes informações :

1. De início, gostaria de corrigir um equívoco. A atleta Bárbara Leôncio obteve o título de campeã mundial de menores no dia 15 de julho de 2007 (e não em 2005), em Ostrava, na República Tcheca, e ela vem sendo contemplada no "Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Jovens Talentos" desde 1º de janeiro daquele ano. Ou seja, seis meses antes de seu notável feito. Portanto, na verdade, a CBAt antecipou-se na ajuda à atleta, cabendo melhor, no caso, o dito popular "É melhor prevenir do que remediar".

2. Igualmente, uma segunda correção. O excelente trabalho social feito pelo professor Paulo Servo vem recebendo ajuda financeira da CBAt anteriormente à conquista da Bárbara. Com a criação do "Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Centros de Descoberta de Talentos", em 1º de janeiro de 2006, esse Projeto, entre outros, vem sendo auxiliado. Novamente : "Deus ajuda a quem cedo madruga".

3. Concordo inteiramente com suas colocações do item 3 de seus comentários. É para mim inacreditável que não haja uma política nacional para o desporto, especialmente no âmbito escolar, em todos os seus níveis. E não percebo (oxalá esteja equivocado), uma mudança radical imediata nesse estado de coisas, apesar dos esforços de algumas autoridades constituídas, de forma isolada.

E exigir-se de Confederações nacionais, que deveriam ter nas escolas a base fundamental na formação de sua futura elite desportiva, resultados exponenciais, a nível olímpico, é de um primarismo que entendo não ser compartilhado de sua parte. Mais adiante, voltarei a esse assunto.

Por conseqüência, depende-se do trabalho de poucos profissionais abnegados dispersos pelo país, com precárias condições locais e ações isolados de clubes, prefeituras etc. Além dos Programas e recursos das Confederações, irrisórios para suprir essa imensa lacuna, que não é de sua responsabilidade direta.

4. Assim que a CBAt, em 2006, obteve recursos para a criação do "Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Centros de Descoberta de Talentos", vários Projetos foram considerados.

Em 2006, foram atendidas 12 Entidades, assim como em 2007 e 2008; e em 2009, 20.

Todas as vezes, a exemplo do que ocorre com os demais Programas implementados pela CBAt, foram estabelecidos critérios prévios, para recebimento do benefício.

Para resumir o assunto, na medida do possível, em 2010, serão apoiados diretamente 20 (vinte) Centros, quais sejam :

Categoria "A "
1. Projeto Atletas com Futuro - Abreu e Lima/PE; 2. Mexam-se Talentos - Guariba/SP; 3. Instituto Lançar-se para o Futuro - Curicica/RJ; 4. Correndo para o Futuro - Sertãozinho/SP; 5. Esporte Guarulhos - Guarulhos/SP; 6. Ribeirão Preto - Ribeirão Preto/SP; 7. Mangueira - Rio de Janeiro/RJ; 8. Pé-de-Vento - Petrópolis; 9. Organização Campineira de Atletismo-Orcampi/UNIMED - Campinas/SP; 10. Rio - Rio de Janeiro/RJ; 11. CASO - Sobradinho/DF; 12. Associação Metodista de São Bernardo do Campo - São Bernardo do Campo/SP; 13. Caldeira de Alvarenga - Santa Cruz/RJ.

Categoria "B "
1. Da Rua para a Pista e da Pista para o Brasil - Paranavaí/PR; 2. Projeto Atletismo Campeão - Recife/PE.

Categoria "C "
1. Russas - Russas/CE; 2. Barra do Garças - Barra do Garças/MT; 3. Sorriso - Sorriso/MT; 4. Atletismo Esperança - Campo Mourão/PR; 5. Touros - Touros/RN.

Obs. : Além desses, a CAIXA apóia alguns Centros diretamente, ou por intermédio de agências, como é o caso do Centro de Joaquim Cruz, em Brasília, e do Professor Eugênio, em Londrina.

Também, algumas Federações Estaduais auxiliam outros Centros com recursos repassados pela CBAt no "Programa de Apoio a Federações Estaduais". Outras, como a Paulista, têm um Programa complementar ao da CBAt, com a participação de outros patrocinadores.

A decisão sobre os critérios adotados partiu de Comissão instituída pela CBAt para tratar especificamente de Programas de Apoio e Centros de Treinamento para Jovens Talentos e de Campeonatos Mundiais de Menores e de Juvenis, que se reuniu duas vezes em 2009, e está assim constituída :

Coordenador : Carlos Alberto Cavalheiro. Atletas medalhistas olímpicos : Arnaldo de Oliveira Silva, Claudinei Quirino da Silva, Edson Luciano Ribeiro, Vicente Lenilson de Lima, Treinadores : Adauto Domingues, Roberto Ribeiro de Andrade, João Paulo Alves da Cunha, Émerson Perin, Paulo Servo Costa, Marcelo dos Santos Lima, Vânia Maria Ferreira Valentino da Silva, Tânia Fernandes de Paula Moura, Adriano da Costa Vitorino, Anselmo Antônio Pereira, Osvaldo Luiz Milani, Leandro Aparecido Cardoso.

Obs. : Os treinadores que constituem essa Comissão tiveram atletas medalhistas em Campeonatos Mundiais de Menores e/ou de Juvenis, no período de 2005 a 2009.

Os critérios estabelecidos pela Comissão, em 26 de setembro de 2009, foram depois referendados pelos demais atletas medalhistas olímpicos e treinadores das seleções adultas, em 27 do mesmo mês, e finalmente aprovados no IV Fórum "Atletismo do Brasil", realizado em São Paulo, no início deste mês, por votação eletrônica, pela comunidade atlética nacional (constituída por cerca de 130 pessoas: atletas das seleções que participaram dos últimos Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais de Adultos; seus treinadores; treinadores de atletas medalhistas em Mundiais de Menores e de Juvenis; atletas medalhistas olímpicos; representantes dos clubes melhor classificados no Troféu Brasil de Atletismo anterior e Presidentes de Federações Estaduais).

Os critérios são os seguintes :
Categoria "A " - Projetos que tiveram atletas medalhistas nos Campeonatos Mundiais de Menores e de Juvenis, no período de 2005 a 2009.

Categoria "B " - Projetos que tiveram atletas integrantes de seleções brasileiras em Campeonatos Mundiais de Menores e de Juvenis, no período de 2005 a 2009.

Categoria "C " - Outros Centros selecionados pela acima referida Comissão.

Os Projetos "Medalha de Ouro", de Pernambuco, e "Crescer - Corrida para um Futuro Melhor", do Ceará, também foram analisados pela Comissão. Por sinal, o primeiro está sendo contemplado no corrente ano. Foi decidido que, no momento, como não se sabe os valores que a CBAt vai dispor em 2010, 20 Centros estão assegurados. Caso se consiga recursos superiores ao previsto, outros polos poderão ser incluídos no Programa. De qualquer modo, no que se refere a Pernambuco, em que há uma das Federações de Atletismo mais atuantes do país, o Presidente Warlindo Carneiro da Silva Filho ficou de nos dar uma posição sobre apoio local ao Projeto. No caso do Ceará, onde a CBAt tem o seu principal Centro de Treinamento de Jovens Talentos, em convênio com a Universidade de Fortaleza - UNIFOR, e para onde estarão, em poucos dias, se deslocando dois treinadores cubanos, a idéia é procurar esses Projetos isolados para encontrar soluções compartilhadas, sem dispersão.

Mais ainda, a CBAt espera contratar alguns dos jovens treinadores brasileiros com atletas medalhistas em Campeonatos Mundiais de Menores e de Juvenis para percorrer o Brasil visitando centenas de pequenos Centros e competições locais, em uma garimpagem de talentos, já que não podemos contar com a rede escolar para esse fim. Claro que este não é o trabalho ideal, mas é a ação possível de se executar. Vimos conversando com esses técnicos e o entusiasmo é enorme.

5. Sobre os corredores de saltos que tratei, de raspão, em minhas primeiras considerações, apenas para enfatizar a questão da Bárbara, procurarei explicar-me melhor. Claro que esse gesto isolado nada significa. A idéia, no entanto, é motivar as autoridades constituídas a fazer algo de concreto em favor do Atletismo, principalmente nas escolas.

Certamente, o ideal, nesse aspecto é a construção de várias centenas de pistas Brasil afora, algumas não necessitando inclusive de possuir material sintético, pelo seu elevado custo. Entretanto, no mínimo, é possível sonhar que, ao menos, um corredor de saltos possa ser feito em muitas escolas e que isso estimule governantes a complementar essa obra com a edificação de uma pista completa.

Nada menos que a campeã olímpica de salto em distância, Maurren Maggi prontificou-se a ser a madrinha do projeto e a deslocar-se aos mais longínquos rincões para apoiar essa iniciativa. A CBAt está preparando, também, uma pequena cartilha elucidativa de como construir esses corredores.

Além disso, a CBAt está pretendendo, a exemplo do que já fez em duas vezes anteriores, reunir os Secretários Estaduais do Desporto (já os de Educação, parece-me fugir de nossa alçada), para discutir o Atletismo e os planos para 2016, de forma abrangente, almejando um trabalho conjunto. Esse assunto foi tratado na Assembléia Geral Extraordinária da Confederação realizada no corrente mês, porém se chegou à conclusão que é melhor agendar esse Encontro para 2011, pois, em razão das eleições no próximo ano, poucos resultados práticos iríamos obter, eis que muitas autoridades estarão se afastando de seus cargos para disputar outros postos.

6. A realidade deve ser encarada de frente e, de fato, não é possível o Brasil pretender tornar-se uma nação olímpica sem criar um sistema desportivo integrando todos os segmentos do desporto, com ênfase para o escolar. Essa é, no meu entendimento, a tarefa principal do Ministério do Esporte ou de qualquer outro órgão equivalente.

A propósito do Atletismo, nesses últimos 23 anos, gostaria de fazer algumas considerações, que penso só fazem reforçar algumas de suas teses, com exceção das conclusões.

Quando assumi a CBAt, em janeiro de 1987, encontrei a Entidade falida, sem recursos para pagar o aluguel da sede e os poucos funcionários no final do mês, que estava próximo. Muito mais ainda, havia que ser reposta uma quantia significativa à época, gasta indevidamente. Não havia perspectivas de obtenção de patrocínio, não existia qualquer desportista cadastrado e nenhum critério sequer para convocação de atletas para compor seleções nacionais.

Desportistas atingiam índices para Campeonatos Mundiais e para Jogos Olímpicos e não viajavam. Não havia uma única pista sintética em condições normais de sediar um evento ou cronometragem eletrônica. Era o caos absoluto e muitos estão aí como testemunhas vivas do que ocorria.

Nesses primeiros anos, foram empresas de minha família que assumiram o pagamento de diversas obrigações e me garantiram cumprir todos os compromissos de campanha, entre os quais o de que nenhum atleta que obtivesse índice deixaria de representar o país, evidentemente nos eventos internacionais de responsabilidade da Confederação.

Depois, começaram a surgir patrocínios isolados, alguns para atividades específicas como o Troféu Brasil, outros que só se concretizavam no final do ano, quando já se fazia muito tarde para a temporada.

A partir de 1995, as coisas começaram a melhorar. O COB passou a atender as Confederações e, na medida do possível, a auxiliá-las, criando mecanismos para captação de recursos, como se deu posteriormente com a Lei Agnelo/Piva. Mas isso, é claro, não era suficiente.

A situação da CBAt passou a se estabilizar somente em 2001, com o patrocínio sistemático e progressivo da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL às nossas atividades. No entanto, como é notório, o Atletismo e outras modalidades só poderão alcançar outro patamar com uma mudança nos rumos do desporto, mormente educacional. Essa deve ser a prioridade de nossas autoridades, e não o estabelecimento de metas ilusórias de conquista de medalhas em competições de altíssimo nível, sem a necessária mudança no sistema.

De qualquer sorte, como ilustração, aponto os seguintes fatos, ocorridos nos últimos 23 anos:

Medalhas olímpicas obtidas de 1988 a 2008 (20 anos): 6

Medalhas em Campeonatos Mundiais de Adultos, Indoor, de Juvenis, de Menores, de Meia Maratona e de Maratona em Revezamento, e Copas do Mundo de Atletismo e de Maratona (1987 a 2009) - 48

Esses dados, comparados com vários outros países, não é tão irrelevante
.

Por José da Cruz às 09h08

Atletismo em debate: Gesta de Melo (2)

Levemos em conta, por outro lado, os Jogos Olímpicos de Beijing, última edição do evento, em que se pode ter uma clara visão das dificuldades na obtenção de medalhas no Atletismo, mesmo por países possuidores de invejável sistema de organização desportiva. Em exemplo que costumo destacar, o Brasil, dentre 202 países que competiram no Atletismo, com mais de 2.000 atletas, obteve uma medalhas de ouro (a primeira de uma mulher sul-americana em toda a história da competição).

A Alemanha, que tinha 69 medalhas de ouro, a Finlândia 49, a Suécia 21, e a França e o Canadá 14, não obtiveram em Beijing uma sequer. Da mesma forma que a China, que organizou os melhores Jogos da história, dispondo de recursos incalculáveis na preparação de seus atletas.

Somando a medalha brasileira a sete finais, tomando em conta as condições desfavoráveis que enfrentamos e comparando esses dados com os de outras nações, não creio que se possa desmerecer o trabalho realizado, a duras penas, pelo Atletismo.

Da mesma forma penso quanto a todo o período citado.

Outrossim, muitos de nossos atletas são extremamente bem preparados e temos treinadores de primeira grandeza. Nélio Alfano Moura (único técnico campeão olímpico, na mesma prova do Atletismo, no masculino e no feminino), Luiz Alberto de Oliveira (que treinou medalhistas olímpicos de ouro de diferentes países), Carlos Alberto Cavalheiro (no Qatar, e voltando para o Brasil para somar esforços), Ricardo Antônio D'Angelo, para citar apenas alguns, são respeitados em todo o mundo e altamente requisitados para proferir palestras e seminários. Há anos, a CBAt propicia a muitos deles a participação em campings de treinamentos com outros especialistas estrangeiros, ou traz para o país experts em diferentes especialidades atléticas. Mas precisamos mesmo muito e muito mais de intercâmbio e evolução.

Agora, com os reflexos positivos do RIO 2016, a CBAt está encontrando diversos parceiros para colocar em prática os seus projetos. Em Uberlândia, já se encontra o Professor Luiz Alberto de Oliveira e cinco treinadores cubanos em atividade em um novo Centro de Treinamento de Alto Nível, que conta com a inestimável parceria do SESI de Minas Gerais. Em São Paulo, a CBAt está assinando, com o Dr. Walter Feldman, Secretário Municipal de Esportes, convênio para instalação de outro Centro de Treinamento, a funcionar a partir do mês de março, com a conclusão da pista sintética, no Centro Olímpico, comandado pela Magic Paula, sob o controle técnico do Professor Nélio Moura. No Rio de Janeiro, já foi assinado convênio com a Marinha do Brasil, para Centro de Treinamento no CEFAN, em modernas instalações.

Novo técnico cubano, Justo Navarro, consagrado em seu país, foi liberado, poucos dias atrás, por CUBADEPORTES, para vir ao Brasil unir-se na preparação de nossos atletas. Apresentei ao COB o nome de outros cinco cubanos, que nos interessam sobremaneira, formadores de medalhistas olímpicos. Dois ucranianos, indicados por Sergey Bubka, estão vindo no início do próximo ano, assim como dois poloneses, apontados por Irina Szewinska, a atleta com maior número de medalhas olímpicas no Atletismo e atual Presidente do Comitê Olímpico Polonês, assim como Bubka é do Ucraniano. Estão em vias de acertar conosco um treinador holandês indicado por Carlos Alberto Cavalheiro e outro bielorusso referendado por Luiz Alberto de Oliveira.

A idéia central é dar suporte permanente e não apenas eventual a essa notável geração de novos treinadores brasileiros e seus atletas. Em princípio, os atletas permanecerão com seus técnicos, acompanhados pelos treinadores chefes de grupos de provas.

Sobre o medo de atletas e treinadores, o Atletismo nada tem a temer. Pelo contrário, pergunto qual é a entidade desportiva que reúne os principais integrantes de todos os seus segmentos e os consulta, nos Fóruns "Atletismo do Brasil ", por meio de escrutínio secreto, para decidir soberanamente sobre os seus programas e aplicação de recursos. Porquê alguém teria medo de apresentar sugestões de interesse de todos? Pessoas que pensam diferente devem, essas sim, temer expor as suas idéias, que certamente protegem interesses individuais ou localizados. Não sei de melhor maneira para afastar proposições descabidas, que mereceriam imediatamente o repúdio de ampla maioria.

7. Tratando das questões do Atletismo, que são de responsabilidade direta da CBAt, posso lhe afirmar que toda boa idéia é bem vinda e temos muito a aprender. Se você tem ou sabe de alguma sugestão concreta sobre qualquer ponto em relação a nossas ações, por favor, ajude-nos apresentando-as. Elas serão analisadas e, se as respostas não agradarem, podemos submetê-las à discussão da comunidade atlética nacional. Porquê não mudar, se algo melhor se apresenta?

O que penso, pessoalmente, sobre os Jogos Olímpicos no Brasil, é que podem ajudar muito na evolução do desporto nacional. É talvez a grande oportunidade de se iniciar uma mudança na mentalidade olímpica de muitos. Certamente, e disso não tenho a menor dúvida, bem mais difícil seria pensar em transformações radicais sem esse desafio.

8. Sobre o desporto escolar, já me alonguei em alguns dos itens anteriores.

9. Sobre a minha opinião a respeito da realidade do desporto nacional, também já discorri acima, em alguns momentos.

10. Eu jamais imaginei a trajetória da atleta Bárbara Leôncio como "cor de rosa", o que seria tolice de minha parte ou de qualquer outro. Muito pelo contrário, pelo que tenho acompanhado, é uma história dificílima de superação e que está longe das condições ideais. O que coloquei sobre o assunto foi apenas a ajuda que a CBAt tem dado, direta ou indiretamente, à atleta em sua carreira.

Fala-se, há muito, de lei para o esporte, disciplinando o voto dos atletas. Já levei essa questão, da qual sou partidário, várias vezes à Assembléia Geral da CBAt para discussão. A maioria decidiu por aguardar a regulamentação em lei, que nunca sai. Assim, propus e consegui aprovação para que os Fóruns "Atletismo do Brasil", com todos os segmentos representados (atletas de alto nível, treinadores de seleções adultas e de atletas medalhistas em Campeonatos Mundiais de Menores e de Juvenis, medalhistas olímpicos, representantes dos principais clubes e Presidentes de Federações Estaduais - cerca de 130 pessoas) decidam as questões fundamentais da modalidade, como a aprovação dos Programas e a aplicação de recursos. E essas pessoas é que podem dizer se estão ou não satisfeitas com a administração atual, pronunciando-se nas votações secretas, procedidas eletronicamente, ou da forma que bem entendam.

Por fim, não creio que segmentos especializados da imprensa devam votar em pleitos de Entidades esportivas e nem penso que jornalistas o queiram, para não perderem a sua condição de críticos isentos, que podem se manifestar livremente sobre quaisquer assuntos.

Atenciosamente,
Roberto Gesta de Melo - Presidente da CBAt


Por José da Cruz às 09h06

30/12/2009

Atletismo, segue o debate. Alberto Murray responde

        Sobre a atleta Bárbara Leôncio e a respectiva resposta do presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, assim se manifestou Alberto Murray Neto:

            "Meu Caro Gesta,

Em primeiro lugar louvo seu espírito democrático. Sempre que necessário, Você vem a público expor suas idéias. Essa não tem sido a regra no comando do olimpismo nacional.  Nuzman não quis debater comigo no Senado Federal, como foi largamente anunciado. Agradeço pela resposta.

No mesmo tom, permita-me, pois, elaborar alguns comentários sobre sua resposta:

1 – Excelente saber que em 2.007 a CBAt incluiu Bárbara Leôncio e sua família em um programa de incentivo. Embora ela tenha obtido o título mundial em 2.005 e a ajuda tenha vindo somente dois anos depois, a verdade é que nunca é tarde para começar.

2 – Que bom que o trabalho social feito pelo Professor Paulo Servo tenha finalmente obtido reconhecimento e, principalmente, ajuda financeira. Como disse, nunca é tarde para começar, embora sempre tenha sido da opinião de que o amparo a esse sério projeto desenvolvido na Escola Municipal Silveira Sampaio já deveria ter começado há mais tempo.

3 – O trabalho do Professor Paulo Servo é mais uma prova daquilo que sempre professo. Os resultados esportivos obtidos no Brasil não são fruto de uma plataforma político esportiva, desenvolvida pelas nossas autoridades esportivas, que vá da escola elementar até as universidades, passando pelas forças armadas. O esporte vive de abnegados, como o Professor Servo que, lutando contra todas as adversidades, conseguem realizar algo e, após muito esforço, obter algum reconhecimento. Enquanto esse for o “módulo esportivo” do Brasil, continuaremos patinando em nossos resultados internacionais.

4 – A propósito, tomo a liberdade de indagar à CBAt, se além da ajuda dada ao trabalho competente do Professor Paulo Servo, o mesmo tratamento é conferido a outros projetos sociais no atletismo, igualmente sérios? Vou citar apenas dois, que já revelaram recordistas estaduais e fundista de nivel nacional: Projeto Crescer – Corrida Para Um Futuro Melhor, em Aratuba (CE); e Projeto Medalha de Ouro, em Igarassú (PE).

Esses dois projetos já revelaram talentos. Vivem de forma paupérrima, enfrentando as piores dificuldades existentes em um País como o nosso, em que o esporte social é relegado ao segundo plano e aonde não há mentalidade Olímpica.

5 – Sobre os cinco corredores de saltos no Rio de Janeiro, claro que não podemos ignorar. Mas, convenhamos, cinco corredores de saltos em um País que será sede Olímpica e quer construir campeões, não significa rigorosamente nada para massificar o atletismo. Se o Rio 2.016 não elaborar uma agenda social ampla, de inclusão através do esporte e dos pilares dos ideais olímpicos, será mais um caminhão de dinheiro público jogado no lixo, ou nos bolsos de alguém, como foi a terrível experiência do Pan, em que nem uma só estação de metrô foi construída, não obstante o super faturamento de 1.000%, cujas contas são objeto de processos no TCU e de Inquérito Civil no Ministério Público Federal, em Brasília. Joaquim Cruz, que tem um projeto social no atletismo no Distrito Federal, até hoje espera a sua tão decantada pista de atletismo.

6 – Você sabe que não ligo muito para medalhas Olímpicas. Prefiro ter um País de praticantes de esporte do que parcas medalhas. De qualquer forma, temos de convir que apenas uma medalha de ouro nesses 25 anos, acrescidas de pouquíssimas pratas e bronze, significam que algo deu errado. E não podemos ignorar esse fracasso. É claro que poderá haver estatísticas de toda ordem e, em algumas delas, dizer-se que o atletismo nacional prosperou. Com todo acatamento, não acho isso. Nesses 25 anos, o seu, nosso atletismo, patinou, sofreu com a legislação e com a falta de programas. Os resultados em Olimpíadas e Mundiais são irrelevantes para um País de enorme potencial, como é o Brasil. Nossos Atletas são despreparados. Foi comum ouvi-los dizendo após a fracassada jornada em Pequim “que a prova estava muito forte e a classificação ficou difícil”. Nosso Técnicos, muito competentes, não ganham o que merecem e lhes falta mais intercâmbio. Claro que nunca irei revelar as fontes, que têm medo de retaliações. Mas se um dia, pudessem os nosso Atletas e Técnicos falar livremente, o que ouviríamos não seria diferente do que eu escrevo aqui. O mundo esportivo vive sob a égide do medo. Assim, ficam calados.

7 – É por isso tudo, porque tudo está inquestionavelmente errado, é que sou favorável a mudanças profundas nos conceitos que hoje norteiam o esporte Olímpico no Brasil. É necessária uma revolução que derrube a orientação elitista. Uma rebelião aonde não bastará, apenas, cair de quatro, mas mergulhar de cabeça para modificar uma ideologia que se mostrou fracassada. Jogos Olímpicos no Brasil são uma  boa coisa? Se seguirmos o exemplo do Pan Americano, a resposta clara é não. E como são exatamente as mesmas pessoas que organizaram o Pan Americano que, pelo menos por enquanto, estão à frente do Rio 2.016, nada leva-me a crer que será algo diferente. Ninguém fica competente de um dia para o outro. O Brasil não precisa de investimentos maciços em “elefantes brancos” superfaturados. Há um povo pobre que quer bem mais, inclusive, o direito de praticar esportes.

8 – A solução do esporte no Brasil está nas escolas. Não adianta nada o COB contratar (sem licitação pública) um consultor norte-americano para tentar forjar campeões. É tempo perdido, ignorância, ou má fé, o governo federal criar uma Agência de Governo (e não uma Agência de Estado), para descobrir fórmulas mágicas para brotar medalhistas olímpicos.

9 – Somente quando o COB (hoje uma entidade rica, às custas do dinheiro do povo) e o governo federal deixarem de lado suas vaidades para, ao contrário do que se faz hoje, desenvolver uma política de base, de longo prazo, poderemos sair desse estágio letárgico em que se encontra o esporte brasileiro. Enquanto isso perdurar, os esportes, o atletismo também, vão viver de ações isoladas, de abnegados, como aqueles que coordenam os projetos sociais listados acima neste texto. E vão continuar passando anos e anos sem ganhar nada. Repito que uma medalha de ouro em 25 anos significa um modelo equivocado.

10 – Sobre a trajetória “cor de rosa” da Atleta Bárbara Leôncio, com todo respeito, acredito que deva haver uma discrepância de informações entre a história oficial e o que se ouve, em off, de gente ligada ao Atletismo. Aliás, é necessário dar voto aos Atletas e Técnicos, bem como a segmentos especializados da imprensa, para as eleições dos poderes desportivos do Brasil. Certamente eles têm melhores condições do que nós de dizer se estão felizes, ou não, com a administração que recebem. É muito triste conversar com um Atleta e ele, ou ela, dizer-lhe: “Mas não publica em meu nome porque eles podem me prejudicar.” Se as administrações forem boas, não há porque temer a ampliação dos colégios eleitorais.  

Agradecendo mais uma vez por sua audiência e atenção, envio os votos de Feliz 2.010.

Saudações Olímpicas. Alberto Murray Neto"

 

Por José da Cruz às 17h04

29/12/2009

Arruda, antes da compra dos panetones

  

         O riso do deboche e da hipocrisia

Por José da Cruz às 22h37

A carreira de Bárbara Leôncio

Referente ao artigo de Alberto Murray Neto, que ontem publiquei, recebi a seguinte resposta do presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta de Melo:

Senhor Murray,

Tomei conhecimento, por intermédio do blog do jornalista José Cruz, no UOL, de artigo de sua autoria, intitulado "A Jovem Campeã Mundial e o Marketing do Rio 2016".

A propósito, faço os seguintes esclarecimentos:

1. A atleta Bárbara Leôncio da Silva, que é a nossa jovem campeã mundial, tem 18 anos, completados em 07 de outubro último.

Ela iniciou-se no Atletismo em 2005, no Projeto "Correr, Saltar e Lançar-se para o Futuro", criado pelo professor Paulo Servo Costa, na Escola Municipal Silveira Sampaio, em Curicica, no Rio de Janeiro.

O professor Paulo Servo, por sinal, desenvolve, há muitos anos, projetos sociais ligados ao Atletismo, que têm recebido o reconhecimento nacional e internacional, e revelado muitos atletas para as seleções brasileiras de base.

No momento, depois de muitos esforços, enfrentando dificuldades e condições adversas de treinamento, o projeto está utilizando as instalações da Vila Olímpica de Mato Alto, com pista sintética, graças à ação conjunta do Professor Paulo, do Professor Carlos Alberto Lancetta, Presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, e da Prefeitura do Rio.

2. A atleta Bárbara Leôncio recebe ajuda financeira da CBAt, desde janeiro de 2007, por intermédio do Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Jovens Talentos". Em 2008 e 2009, essa ajuda vem sendo de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais) mensais.

3. O Projeto "Correr, Saltar e Lançar-se para o Futuro", no qual a atleta está inserida, é, por seu turno, atendido, pelo Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Centros de Descoberta de Talentos", desde a implantação deste Programa.

O Instituto "Lançar-se para o Futuro", que é coordenado pelo professor Paulo Servo, conforme informações prestadas pela Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, auxilia a atleta com o pagamento do aluguel da casa onde reside com sua família, alimentação, assistência médico-odontológica e acompanhamento nutricional.

4. Outrossim, o seu treinador Paulo Servo é partícipe do "Programa CAIXA/CBAt de Apoio a Treinadores", recebendo atualmente R$ 1.100,00 (hum mil e cem reais) mensais, justamente na qualidade de técnico específico da atleta Bárbara Leôncio.

5. Durante os Campeonatos Mundiais de Atletismo em Berlim, contatei com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e a CBAt colocou à disposição da Prefeitura material sintético idêntico ao utilizado em Jogos Olímpicos para a construção de cinco corredores de salto em estabelecimentos de ensino do Rio. O primeiro a ser instalado será exatamente na Escola Silveira Sampaio, que revelou a Bárbara.

6. A atleta competiu em todos os Campeonatos Brasileiros realizados nos últimos anos, não procedendo absolutamente a informação de que a mesma não dispunha de recursos para participar sequer de uma competição nacional, o que pode ser facilmente comprovado pela própria atleta. Em 2008, ela tomou parte em diversas competições estaduais do Rio de Janeiro e de São Paulo, dos Campeonatos Brasileiros de Menores, de Juvenis e Sub-23, das Olimpíadas Escolares, dos Campeonatos Sul-Americanos de Menores e de Juvenis, de dois Torneios Internacionais na Bolívia e dos Campeonatos Mundiais de Juvenis.

Em 2009, ela participou de 18 (dezoito) eventos estaduais; 2 (dois) Campeonatos Brasileiros - os de Juvenis e Sub-23 -, do Troféu Brasil de Atletismo e dos Campeonatos Sul-Americanos de Juvenis, em um total de 22 (vinte e duas) competições.

7. No momento, o Prefeito Eduardo Paes, aí sim em um dos primeiros efeitos do RIO 2016, está elaborando, com sua equipe técnica, um ousado programa de apoio a atletas, nos quais está incluída com destaque Bárbara Leôncio.

Atenciosamente,
Roberto Gesta de Melo - Presidente da CBAt”

Por José da Cruz às 16h53

28/12/2009

Copa do Mundo: CGU fiscalizará

DECRETO N. 7.034, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2009

 

Art. 1º Será dada ampla transparência às ações do Governo Federal para a realização da Copa do Mundo de Futebol que se realizará na República Federativa do Brasil no ano de 2014, a fim de permitir seu pleno  acompanhamento pela sociedade.

 

§ 1º O Portal da Transparência do Poder Executivo Federal divulgará, em seção denominada "Copa 2014", os dados e informações referentes à realização do evento.

 

§ 2º Caberá à Controladoria-Geral da União - CGU promover a publicação dos dados e informações necessários ao cumprimento deste Decreto.

Art. 2o Os órgãos e entidades que administrem recursos e bens da União, inclusive mediante patrocínio, incentivos fiscais, subsídios, subvenções e operações de crédito, fornecerão à CGU os dados e informações necessários para a plena consecução dos objetivos deste Decreto.

 

Art. 3º Compete ao Ministro de Estado do Controle e da Transparência

disciplinar, ouvidos os órgãos federais que mantenham interface com a matéria, o conteúdo da seção "Copa 2014", que espelhará, no âmbito do governo federal, as obras, serviços, compras e outras iniciativas, compreendendo, entre outros, os seguintes elementos:

 

I - programa e ação governamental;

II - fontes de recursos e órgãos executores;

III - cronograma do empreendimento;

IV - editais;

V - contratos, convênios e instrumentos equivalentes;

VI - fotografias;

VII - operações de crédito realizadas por instituições financeiras oficiais de fomento;

VIII - licença do órgão ambiental e autorização do órgão  responsável pelo patrimônio cultural, quando for o caso; e

IX - relatório simplificado de acompanhamento da execução.

 

Parágrafo único. Ato do Ministro de Estado do Controle e da Transparência definirá os termos e prazos para envio dos dados e informações que comporão a seção "Copa 2014", observado o disposto no caput.

 

Art. 4º Para fins do disposto no inciso VII do art. 3o, as instituições financeiras oficiais de fomento deverão enviar à CGU informações sobre a operação de crédito, tais como tomador e beneficiário, fontes de recursos, cronogramas de desembolso e de pagamento, vencimento, valor, garantias do contrato e da operação, situação da operação e, quando couber, sobre o empreendimento e seu acompanhamento.

 

Art. 5º Os órgãos e entidades da administração pública federal que firmarem acordos de cooperação técnica, convênios, contratos de repasse ou equivalentes com outros entes públicos ou privados relacionados com a realização do evento deverão fazer deles constar cláusulas específicas relativas à publicidade dos dados e informações nos termos deste Decreto.

 

Art. 6º As disposições deste Decreto não se aplicam aos dados e informações imprescindíveis à segurança dos eventos ou cujo sigilo esteja previsto na legislação.

 

 

Por José da Cruz às 16h29

Transparência olímpica

         Depois da iniciativa do Congresso Nacional, o Governo Federal também adota critérios para fiscalizar e dar transparência aos gastos com a Copa do Mundo, Olimpíadas e Paraolimpíadas.

         Estratégia para despistar ou será para valer? Confira os dois atos do Presidente Lula:

 

DECRETO N. 7.033, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2009

 

Art. 1º Será dada ampla transparência às ações do Governo Federal para a realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos que se realizarão na República Federativa do Brasil no ano de 2016, a fim de permitir seu pleno acompanhamento pela sociedade.

 

§ 1º O Portal da Transparência do Poder Executivo Federal divulgará, em seção denominada "Olimpíadas 2016", os dados e informações referentes à realização dos eventos.

 

§ 2º Caberá à Controladoria-Geral da União - CGU promover

a publicação dos dados e informações necessários ao cumprimento

deste Decreto.

 

Art. 2º Os órgãos e entidades que administrem recursos e bens da União, inclusive mediante patrocínio, incentivos fiscais, subsídios, subvenções e operações de crédito, fornecerão à CGU os dados e informações necessários para a plena consecução dos objetivos deste Decreto.

 

Art. 3º Compete ao Ministro de Estado do Controle e da Transparência

disciplinar, ouvidos os órgãos federais que mantenham interface com a matéria, o conteúdo da seção "Olimpíadas 2016", que espelhará, no âmbito do governo federal, as obras, serviços, compras e outras iniciativas, compreendendo, entre outros, os seguintes elementos:

 

I - programa e ação governamental;

II - fontes de recursos e órgãos executores;

III - cronograma do empreendimento;

IV - editais;

V - contratos, convênios e instrumentos equivalentes;

VI - fotografias;

VII - operações de crédito realizadas por instituições financeiras

oficiais de fomento;

VIII - licença do órgão ambiental e autorização do órgão

responsável pelo patrimônio cultural, quando for o caso; e

IX - relatório simplificado de acompanhamento da execução.

 

Parágrafo único. Ato do Ministro de Estado do Controle e da Transparência definirá os termos e prazos para envio dos dados e informações que comporão a seção "Olimpíadas 2016", observado o disposto no caput.

 

Art. 4º - Para fins do disposto no inciso VII do art. 3o, as instituições financeiras oficiais de fomento deverão enviar à CGU informações sobre a operação de crédito, tais como tomador e beneficiário, fontes de recursos, cronogramas de desembolso e de pagamento, vencimento, valor, garantias do contrato e da operação, situação da operação e, quando couber, sobre o empreendimento e seu acompanhamento.

 

Art. 5º Os órgãos e entidades da administração pública federal que firmarem acordos de cooperação técnica, convênios, contratos de repasse ou equivalentes com outros entes públicos ou privados relacionados com a realização dos eventos deverão fazer deles constar cláusulas específicas relativas à publicidade dos dados e informações nos termos deste Decreto.

 

Art. 6º As disposições deste Decreto não se aplicam aos dados e informações imprescindíveis à segurança dos eventos ou cujo sigilo esteja previsto na legislação.

 

 

Por José da Cruz às 16h28

A Jovem Campeã Mundial e o Marketing do Rio 2016

Do blog de Alberto Murray Neto       

  Uma das melhores jogadas de marketing da candidatura carioca aos Jogos Olímpicos de 2016 foi levar à apresentação final, na Dinamarca, aquela jovem atleta, de 16 anos, campeã mundial de atletismo.
  Não fossem as intenções meramente eleitoreiras, o ato, apesar de midiático, poderia ser elogiado. A interpretação que se poderia dar é de que, ao expor nossa jovem talento ao mundo, o Brasil iria, finalmente, cuidar de sua juventude, dar aos pobres condições e acesso à pratica de esportes e lapidar os destaques para representar o País em competições internacionais. 
  Mas, na prática, toda a simbologia que se pretendeu dar é absolutamente mentirosa. O que os nossos organizadores olímpicos queriam era somente usar a garota para sensibilizar os corações do colégio eleitoral. Nada, além disso.
  Não muito antes da apresentação havida na Dinamarca, que selou o Rio de Janeiro como sede olímpica para 2.016, aquela mesma jovem atleta não dispunha de dinheiro para participar de uma competição nacional.

  Quem é do atletismo sabe disso, pois circularam e-mails a esse respeito. O que mudou na vida daquela jovem campeã mundial? Nada, coitada. Ganhou um título importante, revelou-se um talento a ser cuidado, teve sua imagem explorada para o marketing de 2016 e, nem por isso, foram-lhe dadas condições melhores de vida e treinamento.

  Ela foi usada como instrumento de merchandising e, na sua inocência pueril, deixou-se entusiasmar pelos homens do poder. Tentem ver como anda a vida dela e de sua família hoje. A cartolagem e a politicalha que estavam com a campeã na Dinamarca, nunca tiveram qualquer influência na sua carreira. Ao usá-la, quiseram fazer parecer que teriam sido os grandes responsáveis pelo seu sucesso.

  E como ela, há muitos jovens talentos no Brasil, que não têm, absolutamente, qualquer apoio dessas autoridades. Na nossa ONG Sylvio de Magalhães Padilha trabalhamos com jovens da comunidade de Paraisópolis. Cooptamos jovens que nunca haviam visto uma pista de atletismo, usado sapatos de prego e, vários deles, sequer posto os pés em um tênis de corrida. Damos a eles iniciação esportiva e educação olímpica verdadeira.

  Muitos dos nossos jovens Atletas já despontam na provas estaduais, obtendo resultados extraordinários. Uma Atleta, em especial, tem um talento nato para o atletismo. Vivendo em Paraisópolis, passou a integrar a nossa Equipe e, pouco tempo depois, já era campeã brasileira na categoria menores, tendo sido convocada para servir ‘a Seleção Brasileira. Se alguém disser que essa menina surgiu como fruto de uma política esportiva do Brasil, estará mentindo. Como todos os outros, é um talento que foi achado, que está sendo cuidado e lapidado por nossa equipe técnica.

   Nossa grande preocupação vai muito, mas muito além dos extraordinários resultados que ela vem conquistando. Claro que se for possível, sentiremos orgulho em ter ajudado a formar uma Atleta Olímpica. Mas o que damos a ela é uma educação olímpica, a consciência de que pelo esporte pode-se formar gerações melhores, independentemente de medalhas.

   Ela pode, sim, estar no Rio 2016. Está sendo formada para isso, também. Fazemos um trabalho junto à família da Atleta, tentando minimizar as dificuldades que enfrentam no dia a dia. Que nenhum político ou cartola ouse dizer que tem alguma influência na formação pessoal e atlética dessa jovem talento. Aliás, dessa gente que está aí, queremos distância.

Alberto Murray Olímpico

Por José da Cruz às 15h18

21/12/2009

A paciência olímpica de Joaquim Cruz

          Joaquim Cruz é um dos homenageados do Comitê Olímpico Brasileiro, na festa desta noite, 21 dezembro.

          É uma homenagem merecida, mas que nos remete ‘a lembrança de que seu feito, ao ganhar os 800m nos Jogos de 1984, foi a última conquista de ouro olímpico do atletismo nacional em provas de pista.

          É uma derrota espetacular para os gestores de nosso esporte. 

          Pior: há 25 anos Joaquim Cruz espera por uma pista de atletismo para desenvolver projetos sociais-esportivos.

          Promessa dos governantes de Brasília – imaginem!

Todos os capítulos

          Todos os capítulos desta triste história acompanhei como repórter. É a imagem de como um campeão olímpico é tratado em sua própria terra natal.

1991

O então governador Joaquim Roriz recebeu Joaquim Cruz pela primeira vez, no Palácio do Buriti. E prometeu que construiria uma pista em Taguatinga, cidade satélite de Brasília, onde nasceu o campeão olímpico.

1995

Roriz encontrou-se pela segunda vez com Joaquim Cruz. Deu desculpas de político e renovou a promessa, agora também diante de Carmem de Oliveira,  a primeira brasileira a ganhar a Corrida de São Silvestre (1996).

1999

Durante evento esportivo no Sesi, Roriz afirmou que, “agora sim, construirei a pista”. Mais uma vez Carmem de Oliveira estava presente.

2000

Nove anos depois da primeira promessa mas com a mesma cara de pau, o político – que governou o Distrito Federal por quatro vezes – voltou a  empenhar sua palavra (?). A expressão de Joaquim Cruz já revelava a total decepção com o governante.

2005

Joaquim Roriz mandou o então secretário de Obras, Tadeu Filippelli para explicar o inexplicável. O ex-triatleta Leandro Macedo acompanhou Joaquim Cruz e testemunhou mais uma mentira.

 

 2009 

         Este ano, foi a vez do governador José Roberto Arruda e assessores receberem Joaquim Cruz.

         A mesma promessa de Roriz foi agora reafirmada pelo governador, o tal que pegava dinheiro num escritório da cidade para comprar panetones e distribuir entre os pobres.

         Dá para acreditar? Não, não, nos panetones eu até acredito, mas me refiro ‘a obra da tal pista!

         Com alguns cabelos brancos e já sem o entusiasmo de 18 anos atrás, Joaquim Cruz ouviu os repetidos argumentos políticos de ocasião.

2011

Enfim...

          Sebastian Coe, que ficou em segundo lugar na prova em que Joaquim Cruz foi campeão olímpico, é o atual presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.
          Joaquim Cruz, além de professor de educação física, trabalha com atletas olímpicos e paraolímpicos nos Estados Unidos.
 As fotos que ilustram esta memória são do Centro de Documentação do Correio Braziliense e do Arquivo Público do Distrito Federal.

Por José da Cruz às 20h43

19/12/2009

Desculpem o silêncio, mas...

Prezados leitores:

Na última quarta-feira precisei de atendimento urgente, num hospital de Brasília.

Por lá fiquei na UTI até hoje à tarde.

Graças a Deus e ao excelente atendimento médico estou ótimo.

Valeram todas as investigações clínicas neste já desgastado esqueleto, mas tudo não passou de um susto.

Ufa! Ainda bem.

Porém, por recomendações médicas, vou parar duas semanas. Aproveitarei o final de ano para recuperar as energias e voltar com vontade redobrada em 2010.

Nova mensagem

Até segunda-feira colocarei a mensagem final de 2009.

Ela sintetiza tudo o que aqui discutimos nestes quatro meses de convivência.

No mais, muito obrigado a todos que me prestigiaram, lendo ou escrevendo. A participação efetiva de muitos foi fundamental para que se consolidasse este espaço, voltado ao debate de nosso esporte.

Saúde e um excelente 2010 para todos.

Por José da Cruz às 17h48

15/12/2009

O suspeito segredo do ministro do Esporte

          O ministro do Esporte, Orlando Silva, insiste em manter escondida a proposta de Medida Provisória criando a “Empresa de Excelência Esportiva – Brasil Esporte", mesmo depois que tornei público o documento, na quinta-feira. 

         Naquela mesma data, o ministro presidiu reunião do Conselho Nacional do Esporte, em Brasília e, inacreditavelmente, não fez qualquer referência à MP que altera, inclusive, a Lei Pelé (n. 9.615/98). 

   

        Ministro Orlando Silva irritou-se com a divulgação da MP 

         Conversei com alguns membros do Conselho. Eles ficaram surpresos com a notícia que leram em meu blog e o silêncio ministerial. 

         Ou seja, a mais alta instituição de assessoria ao gabinete de Orlando Silva ignora sobre os rumos do nosso esporte.

Isso demonstra como as principais questões são tratadas em nivel governamenta: em silêncio e, por isso, de forma suspeita.

Democracia

         Na prática, propor criar uma nova instituição governamental – no caso a “Empresa de Excelência Esportiva” – sem discutir com os órgãos afins, nem mesmo o Conselho Nacional do próprio ministério, é um golpe.  

É a forma mais vergonhosa de preparar o continuísmo, quando este governo chegar ao fim, pois o próprio ministro Orlando é o candidato ao cargo de presidente, indicado por políticos interesseiros.

No bom português é querer “se arrumar”, “se dar bem”, independentemente de quem vier a ocupar o Palácio do Planalto a partir de 2011.  

         Ou seja, tudo feito às escondidas, quando deveria ser público, pois a prática democrática assim recomenda.

Por José da Cruz às 12h53

14/12/2009

Copa 2014: Rede de fiscalização entra no ar amanhã

A Rede de Fiscalização e Controle da Copa de 2014 lança nesta terça-feira o seu Portal na internet.

A Rede é integrada pelas:

Comissões de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados e do Senado Federal;

Tribunal de Contas da União;

Tribunais de Contas dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Amazonas e Mato Grosso;

Tribunais de Contas dos Municípios de São Paulo, do Município do Rio de Janeiro, dos Municípios da Bahia e dos Municípios do Ceará. 

Objetivo

O objetivo da rede - esclareceu o deputado Sílvio Torres, autor do projeto - é evitar que se repitam os desperdícios ocorridos com a organização dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro.

 Informações

         O Portal  de Fiscalização da Copa de 2014, que será hospedado no sítio do Senado Federal, informará sobre:

Obras

Auisição de materiais permanentes

Área de governo a ser atendida

Cronograma e programação e execução das obras

Publicação do edital de licitação

Contratação

Conclusão da ação

Origem dos recursos

Definição do responsável pela contratação

Execução e condução do contrato

Legado das ações

Definição de indicadores

Resultados e benefícios em favor da população.

Prioridade 

Para garantir que as informações sobre licitações, contratações e pagamentos a serem realizados com recursos públicos para a realização do Mundial do Brasil sejam transmitidas, a iniciativa fixa que nenhum recurso será liberado pela União ou pelo BNDES sem a prévia inclusão da ação no Portal.

Endereço 

www.senado.gov.br/fiscaliza2014

Por José da Cruz às 18h35

13/12/2009

O impressionante desabafo de Diego Hypolito

O ginasta Diego Hypolito, em depoimento sincero à revista Veja, retrata a decadência de nossa estrutura esportiva.

Lá pelas tantas, ele diz que o ministro do Esporte, Orlando Silva, “tentou me ajudar”, referindo-se ao mau momento que passou, depois dos Jogos de Pequim.

                                                 gimartisticawordpress.com

      

Vergonha

É vergonhoso para o Senhor, ministro, para a sua pasta, tentar  
”ajudar" um atleta olímpico.

O esporte olímpico, o esporte de um país que será sede olímpica não pode sobreviver de “ajudas”, mas de projetos e de metas, o que falta na estrutura que o Senhor dirige.

Se um atleta do nível de Hypolito precisa de “ajuda”, o que dizer dos que ainda não chegaram a esse estágio?

Leia o depoimento e veja, ministro Orlando Silva, se já não passou da hora de tratar do assunto com seriedade, em vez de ficar elaborando projetos para criar uma empresa de esportes sem pé nem cabeça.

O depoimento

 É muito feio o que acontece no Brasil com o esporte olímpico. Entendo que exista uma crise financeira no mundo, entendo milhões de coisas.

Minha queda na Olimpíada foi ruim? Foi. Mas não ia desistir por causa de um tombo. Eu me senti desvalorizado quando perdi cinco patrocínios individuais que tinha, por causa do tombo.

No entanto, até ali foram muitas vitórias consecutivas. Desde o fim de 2003 tenho resultados excelentes. E de uma hora para outra perder todos os patrocínios... Não é possível.

No Brasil, a gente tem que ser mais do que herói. Além de ficar sem patrocínio, eu não recebia salário no Flamengo.

Tive uma reunião com o ministro do Esporte, que tentou me ajudar. O COB me ofereceu psicólogo e nutricionista. Eu tenho clube supostamente, porque amo o Flamengo, mas salário eu não recebo.

Não posso fazer uma imagem de que tudo está certo, se está tudo errado”.  

 

Por José da Cruz às 13h34

11/12/2009

Bolsa-Atleta: exigências para se candidatar

Exclusivo

A proposta do Ministério do Esporte ampliando as categorias no programa Bolsa-Atleta tem as seguintes exigências, conforme o Anexo I da Medida Provisória que será enviada ao Congresso Nacional, possivelmente este ano.

                        

Atleta de Base

Valor proposto: R$ 371,04 (mensais)

         Atletas a partir de 10 anos, com destaque nas categorias de base do esporte de rendimento, tendo obtido até a terceira colocação nas modalidades individuais de categorias e eventos previamente indicados pela respectiva confederação ou que tenham sido eleitos entre os 10 melhores atletas do ano anterior em cada modalidade coletivas, na categoria indicada pela respectiva confederação e que continuem a treinar para futuras competições nacionais.

 

Estudantil - R$ 371,04

         Para atletas de 12 a 20 anos que tenham participado de eventos nacionais estudantis reconhecidos pelo Ministério do Esporte, tendo obtido até a terceira colocação nas modalidades individuais ou que tenham sido secionados entre os 24 melhores atletas das modalidades coletivas dos referidos eventos.

 

Nacional - R$ 927,60

         Atletas que tenham participado do evento máximo da temporada nacional e/ou que integrem o ranking nacional da modalidade, e que em ambas as situações tenham obtido até a terceira colocação, e que continuem a treinar para futuras competições nacionais. Os eventos máximos terão, necessariamente, o respectivo aval das federações e serão indicados pelas confederações afins.

 

Internacional - R$ 1.855,20

         Atletas que tenham integrado a seleção nacional de sua modalidade esportiva representando o Brasil em campeonatos sul-americanos, pan-americanos ou mundiais, obtendo até a terceira colocação, e que continuem a treinar para futuras competições internacionais. Os eventos serão necessariamente indicados pelas respectivas confederações.

 

Olímpico e Paraolímpico - R$ 3.092,00

         Atletas que tenham integrado as delegações olímpica e paraolímpica de sua modalidade esportiva e que continuem treinando para futuras competições internacionais.

 

Ouro - R$ 15.000,00

         Atletas de modalidades olímpicas e paraolímpicas individuais que estejam ranqueados entre os 10 melhores do mundo em suas respectivas provas e que tenham chances reais de obter medalhas nos próximos Jogos Olímpicos e/ou Paraolímpicos, conforme critérios a serem definidos pelas respectivas confederações, COB, CPB e Ministério do Esporte.

Regra geral

         Conforme a MP à qual tive acesso:

1.                 A Bolsa-Atleta atenderá, prioritariamente, atletas das modalidades olímpica e paraolímpica. Dependendo da disponibilidade financeira poderão ser atendidos atletas das modalidades não oficiais. Neste caso, a palavra final caberá ao Conselho Nacional do Esporte.

2.                 As bolsas serão concedidas pelo prazo de um ano, num total de 12 pagamentos mensais. Os atletas que já receberem o benefício e conquistarem medalhas olímpicas e/ou paraolímpicas, bem como os da categoria “Atleta Ouro” terão prioridade para renovação de seus benefícios.

3.                 Não serão beneficiados atletas da categoria “máster”.

4.                 A MP não faz referência aos atletas que têm patrocínio.

5.           Os demais critérios para executar o programa Bolsa-Atleta serão fixados em regulamentação específica.

 

 

        

 

        

Por José da Cruz às 18h38

"Atleta de Ouro" receberá R$ 15 mil mensais

             O governo federal deverá lançar em 2010 mais duas categorias de Bolsa-Atleta, conforme a Medida Provisória (MP) elaborada pelo Ministério do Esporte que ontem divulguei (post abaixo).

         "Atleta de Base" e "Atleta de Ouro" são as novas categorias que vão se juntar às já existentes desde 2004: Estudantil, Nacional, Internacional e Olímpico e Paraolímpico.

Patrocínios

            Pela Medida Provisória que será enviada ao Congresso Nacional, as bolsas poderão ser concedidas para atletas que já têm patrocínio. Mas será vetada àqueles que recebem salários de entidade esportiva.

            Já na categoria Atleta de Ouro, a bolsa será destinada aos competidores com “reconhecida probabilidade de obtenção de medalha nos próximos jogos olímpicos e paraolímpicos.” 

            Só serão aceitos atletas colocados entre os 10 primeiros do ranking mundial de sua respectiva modalidade.

Valores

            A Medida Provisória ainda não foi divulgada oficialmente pelo Ministério do Esporte, mas conforme a proposta à qual tive acesso os valores mensais das bolsas para 2010 são os seguintes:

Categoria                      Valor

Atleta de Base                 R$     371,04

Estudantil                        R$     371,04

Nacional                          R$     927,60

Internacional                   R$  1.855,20

Olímpico/Paraolímpico     R$  3.092,00

Atleta de Ouro                R$ 15.000,00

 

Programa Atleta de Ouro

            Além das novas bolsas, o governo criará o “Programa Atleta de Ouro”, exclusivamente para competidores de modalidades individuais olímpicas e paraolímpicas.

            O programa se destina a competidores ranqueados entre os 20 primeiros do mundo.

            Neste caso, os técnicos dos atletas contemplados receberão “ajuda de custo”, conforme o item VII do Art. 4º da proposta de MP.

            O orçamento para este programa ainda não estão definidos, mas será o suficiente para financiar treinamentos no exterior e até compra de equipamentos e material esportivo de alta performance.

Tramitação

            A proposta de medida provisória está em análise na área jurídica do Palácio do Planalto, conforme me informou um parlamentar. 

            Feitos os ajustes, o presidente Lula encaminhará o documento ao Congresso Nacional.            A partir deste momento, todas as propostas estarão valendo e o Congresso tem 60 dias para votá-las.

            Como o governo tem maioria na Câmara e no Senado, dificilmente a medida provisória será derrotada.    

            Porém, poderão ser apresentadas emendas acrescentando ou suprimindo no texto original.

 

 

 

 

Por José da Cruz às 00h22

10/12/2009

Medida Provisória da "Brasil Esporte" está pronta

           Vem aí a Empresa Brasileira de Excelência Esportiva – Brasil Esporte, que integrará o Sistema Brasileiro de Desporto.

A nova instituição terá um presidente, escritórios nos estados e no exterior e desenvolverá ações paralelas às do Ministério do Esporte.

A proposta original, em forma de medida provisória (MP), está pronta e será analisada pela área jurídica do Palácio do Planalto antes de ser enviada ao Congresso Nacional pelo Presidente Lula.

Novidades

A MP também altera a Lei Pelé,n.9.615/98. Li o documento, e apresento as principais novidades que o governo prepara, para tentar tornar o Brasil uma potência olímpica.

A proposta, que já havia sido antecipada pelo ministro Orlando Silva, foi elaborada exclusivamente nos gabinetes do Ministério do Esporte, sem consultas ao Conselho Nacional de Esportes ou comitês Olímpico e Paraolímpico.

Rede Nacional

A Brasil Esporte terá a finalidade de “implementar a Rede Nacional de Treinamento, explorar economicamente e fomentar o desenvolvimento de atividades e tecnologias com vistas ao desenvolvimento do desporto brasileiro”, por meio de várias ações.”

Para tanto, a Brasil Esporte poderá contratar pessoal técnico e administrativo.

Presidente

A Brasil Esporte, que terá sede em Brasília, funcionará nos moldes das “agências reguladoras” (Anatel, Aneel, Anvisa etc), instituições que não tem o agrado do presidente Lula por serem órgãos reguladores altamente técnicos.

Por tal motivo a opção foi criar uma “Empresa”, em que haverá o predomínio político e todas as suas implicâncias que já se conhece muito bem.

Nos bastidores do Congresso Nacional dão como certa a indicação do ministro Orlando Silva para presidir a nova Empresa, que se ocupará da organização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Metas

A MP prevê que o dinheiro das loterias, que desde 2001 vão para os comitês Olímpico e Paraolímpico, será fiscalizado. 

Tais recursos serão aplicados conforme um “Termo de Parceria” com o Ministério do Esporte, visando ao cumprimento de cada confederação contemplada com verba oficial.

Atualmente, os comitês Olímpico e Paraolímpico não se submetem a este controle.

Bolsa-Atleta

Além das quatro já em vigor, são criadas duas categorias: Atleta de Base e Atleta de Ouro.

A Atleta Ouro será para competidores que ocuparem até o 10º lugar do ranking mundial em suas respectivas modalidades.

Em outra mensagem publicarei os valores previstos para cada uma das seis categorias.

CidadesOlímpicas

Para os municípios que desejarem desenvolver programas olímpicos e paraolímpicos, com recursos do Ministério do Esporte.

Os requisitos para pleitear a parceria estão sendo elaborados.

Jogos Olímpicos de2016

“A União poderá transferir recursos ao Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos – Rio 2016 – independentemente de comprovação do tempo mínimo de atividade regular, inclusive para aplicação em recursos de capital, mesmo que para início de construção de obra civil.”

Mandatos

As chapas que concorrerem a cargos eletivos de federações, confederações e comitês deverão ter a “duração dos mandatos do presidente, do vice-presidente e dos demais cargos eletivos”.

Mas nada diz sobre a possibilidade de reeleição dos dirigentes.

Novidades

As demais novidades sobre a Medida Provisória comentarei em próximas mensagens.

           

 

Por José da Cruz às 09h21

09/12/2009

Corrupção

         Hoje é Dia Internacional de Combate à Corrupção.

         Faço o registro lembrando que no esporte, sabem todos, há muito se erradicou esta mazela.

         Ainda bem.

         Memória

Para quem esqueceu dos raríssimos casos que, um dia, o esporte enfrentou, transcrevo um texto que encontrei em  empoeirado relatório do Tribunal de Contas da União, uma legítima peça de museu, claro.

O assunto é sobre o já longínquo Pan-Americano do Rio de Janeiro, financiado, na maioria, pelo governo federal:

Refere-se ao Convênio 001/2007, e diz assim:

Quatro fatos que representam potencial prejuízo ao erário:

a)                 ausência de comprovação, mediante documentação hábil, dos aparelhos de condicionadores de ar, que deveriam ter a propriedade transferida para o Governo Federal, ao final da execução do contrato, no valor de R$ 4.136.092,10;

 

b)                cobrança por serviços contratuais e extra contratuais em quantitativos superiores aos medidos pelas equipes de fiscalização e do TCU, no valor de R$ 5.329.966,19;

 

c)                 pagamento de serviços no valor de R$6.858.454,98 para os quais não restam demonstradas, por falta ou deficiência de documentação comprobatória as suas execuções ou adequações de seus quantitativos e preços à sua natureza ou à sua duração;

 

d)                 cobrança em duplicidade de custos administrativos da contratada, conforme constatado a partir  de exame de composição de custos dos preços unitários, no valor de R$ 4.163.562,36.

Luminosidade

         Teve um outro caso, inexpressivo, claro, quando se comprou 500 tochas e... – bem, isso foi muito sem importância, nem vale a pena perder tempo com coisas menores, não é mesmo?

         Então tá.

Por José da Cruz às 17h29

E a tal transparência no basquete?

         E o que é feito do presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Carlos Nunes?

        

Durante a campanha, Carlinhos, como é conhecido, prometeu transparência nas contas da confederação.

         Até agora, nada de informação sobre o assunto. Nem sobre a auditoria da gestão anterior se tem notícia.

         No Rio Grande do Sul, onde Carlinhos presidia a federação gaúcha, o basquete está a um arremesso do abismo. Sabem quantos clubes disputaram o campeonato, este ano? 4.

Exatamente, quatro, se preferirem por extenso. Mas o campeonato chegou ao final com apenas dois. Um saiu da competição e o outro foi afastado pelo tapetão.

         Brevemente contarei mais detalhes sobre o caos do basquete do Rio Grande e o que anda ocorrendo pela CBB.

Fórum de atletismo

         Joaquim Cruz chegou dos Estados Unidos, onde mora, visitou a família em Brasília e foi para São Paulo.

                    

            Campeão olímpico dos 800m, Joaquim participará da reunião do IV Fórum Atletismo Brasil, com outros 150 desportistas para definir os rumos da modalidade, rumo aos dois próximos ciclos olímpicos, Londres e Rio de Janeiro.

             O Fórum é promovido pela Confederação Brasileira de Atletismo, e ocorrerá sem que o governo federal tenha definido sobre a prática da educação física na escola pública.

Qual o papel da escola no contexto esportivo nacional? Principalmente, como utilizar o esporte como ação complementar para fortalecer o ensino e a formação do caráter dos jovens

O que dizem os ministérios do Esporte e da Educação sobre esses assuntos? Chegaram a conversar alguma vez nos sete anos do atual governo? 

Correção

Há poucos dias comentei sobre processo do Ministério Público, para apurar “possíveis irregularidades em repasse de verbas federais relacionadas à Lei de Incentivo ao Esporte, envolvendo a Confederação de Futebol Sete Society."

Na verdade, quem está sendo investigada é a Confederação de Futebol Sete Society do Brasil, que é outra entidade, bem distinta da primeira.

Faço a correção para evitar possíveis prejuízos a quem nada tem a ver com o processo.        

Esporte por esporte

         O jornalista Sérgio Augusto Siqueira, que assina o blog “Sanatório da Notícia”, inaugura novo espaço onde exibe refinada crítica que dá gosto ler.

         É “Esporte por Esporte”, com análise das modalidades olímpicas, do futebol, claro, e, coisa rara, do esporte paraolímpico.

         Confira: http://www.esporteporesportevirtual.blogspot.com

 

 

        

 

Por José da Cruz às 00h47

08/12/2009

Clubes formadores de atletas continuam sem resposta

         O fim do ano está aí e o Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao) não sabe como começará 2010.

         O movimento, iniciado em fevereiro e liderado pelo Minas Tênis, Pinheiros e Flamengo, entre outros, para entrar no rateio da verba recebida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), empacou na Câmara dos Deputados.

         Os benefícios para o Confao estão no projeto que reforma a Lei Pelé (n.9.615/98, mas nem mesmo a votação do Orçamento  da União está fácil de ser decidida este ano. Quanto mais legislação esportiva!

         Enquanto isso, os dirigentes contam apenas com a promessa do Ministro do Esporte, Orlando Silva, que se comprometeu repassar recursos do orçamento para os clubes, a partir de janeiro.

Será? ..

Que rumos?

Senhores do esporte, senhores políticos, senhores cartolas: dois meses depois de o Rio de Janeiro ter sido confirmado como sede olímpica, qual a grande ação integrada entre os governos (federal, estadual e municipal), o COB e os clubes, para termos uma estratégia, uma matriz rumo a 2016?

Por José da Cruz às 20h50

07/12/2009

Ministério do Esporte atropela a Constituição

          Uma reportagem de Eduardo Arruda e Johanna Nublat, na Folha de S.Paulo, uma repercussão no UOL Esportes e um discurso indignado do senador Gilberto Goellner adiaram as pretensões do Ministério do Esporte levar adiante – e no grito – uma licitação de R$ 80 milhões.

         A licitação era para a compra de equipamentos de controle de acesso de torcedores nos estádios, monitoramento de imagens e cadastramento de torcedores.

         Porém, como a Folha revelou, alguns itens do edital favoreciam a escolha da empresa sul-africana Dex Security Solutions. É o que se chama de "licitação dirigida".

         As denúncias já foram encaminhadas pelo senador ao Tribunal de Contas da União e Ministério Público da União.

Abuso

         Independentemente da esperteza das autoridades ministeriais, questiono: recursos públicos podem pagar investimentos em patrimônios da iniciativa privada?

         Acredito que não. Tal competência é dos clubes e da CBF.

O próprio Estatuto do Torcedor fixa a exigência. Clubes com capacidade para mais de 20 mil pessoas têm que instalar tais equipamentos de monitoramento.

O Estatuto é de 2003 e, seis anos, depois, ninguém fez absolutamente nada.

Surge, então, o Estado, mais uma vez, para suprir a incompetência alheia e desembolsar dinheiro do contribuinte, enquanto a CBF fatura milhões com patrocinadores.

Desrespeito

Além disso, o ministro Orlando Silva e seus assessores atropelam a Constituição Federal, que determina o seguinte.

    

Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados:

...

II - a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento;

Esta intromissão do Estado nos negócios do futebol é um absurdo.

É preciso que os órgãos competentes esclareçam, de vez, se o dinheiro do contribuinte pode ser investido em iniciativas particulares e profissionais.

Por José da Cruz às 19h40

06/12/2009

Como eles roubaram o jogo

        Na contagem regressiva para a Copa do Mundo de Futebol sugiro a leitura de um livro indispensável para os torcedores:

                      

 

O autor, David A. Yallop, inglês, não conta sobre jogos inesquecíveis, jogadores exemplares, craques de ontem e de hoje. Mas analisa ricos detalhes sobre os “segredos dos subterrâneos da Fifa”.

Com 365 páginas, o livro tem em João Havelange, ex-presidente da Fifa, um dos personagens principais.

Apesar de ter sido lançado em 1998, a publicação continua atual e ajuda a entender muitas decisões da Fifa, ainda hoje.

         A contra-capa do livro, que transcrevo logo abaixo, é uma amostra do que o leitor vai encontrar.

Resumo

         “O que aconteceu com o futebol arte de craques como Pelé, Garrincha, Di Stefano e Puskas?

         Para o jornalista inglês David Yallop, este futebol foi vendido pela Fifa, por muito dinheiro, para emissoras de TV e poderosas multinacionais, transformando arte em mero comércio. Em Como eles roubaram o jogo Yallop revela como o esporte foi descaracterizado em um processo que, segundo ele, teria começado com a eleição de João Havelange para a presidência da Fifa.

         Yallop chega a questionar a lisura do nosso bicampeonato em 1962, no Chile, e relembra escândalos recentes, como o problema dos jogadores tetracampeões com a alfândega brasileira, ou o banimento do argentino Maradona do esporte, após ser pego em um exame antidoping em 94 – um doping que teria sido autorizado informalmente pela Fifa para garantir a presença do astro na Copa.

         É possível não concordar com as opiniões de Yallolp, mas é inegável que ele expõe muitas das mazelas que assolam o esporte mais popular do mundo em um livro fundamental para compreender o que levou o futebol a transformar-se na grande indústria que é – e que ele poderá vir a ser no século XXI.”

 

Como eles roubaram o jogo

Editora Record

(021) 2580-3668

www.record.com.br

Por José da Cruz às 23h17

Obrigado, valeu

 Por volta da 1 hora da madrugada, este blog alcançou a expressiva marca de 500.000 acessos em 113 dias de trabalho. Média de 4.440 acessos diários.

Ainda estou longe do objetivo de ter maior participação, nos debates, principalmente, mas nem um pouco frustrado com o resultado. Pelo contrário, há muito a festejar.

Assunto novo

O assunto que trato – “antipático”, como já escreveram – ainda é novo em portais esportivos, e sequer havia referência sobre o interesse do desportista em debater temas como legislação, orçamento, corrupção no esporte etc.

O UOL ousou apostar no assunto e abriu este espaço em momento oportuno, diante dos grandes eventos esportivos marcados no calendário brasileiro.

Mundo oculto

Assim, os apaixonados por esporte descobrem, aos poucos, que há outro mundo fora das quatro linhas, das piscinas, dos tatames, das arquibancadas, enfim.

E que muito do que ali ocorre é discutido e planejado no Congresso Nacional e fora dele, em confortáveis salas, com senhores de terno e gravata cercados de mordomias e, lamentavelmente, ainda sem a participação ativa e efetiva da representação dos atletas.

Por isso, este mundo do esporte ainda é difícil de conhecer em detalhes. Tal universo é, muitas vezes, ocultado por poderosos interesses, que também envolvem, de forma oportunista, objetivos políticos partidários.

Num país olímpico e pentacampeão no futebol, o nosso esporte ainda depende da “ajuda” do governo, o que revela o nosso amadorismo na gestão do setor.

Decisões

Mas hoje é domingo, vamos nos preparar para as grandes decisões do futebol, nos dois extremos da tabela.

É dia de ver a festa das torcidas, de ficar na expectativa de quem vai exibir a faixa de campeão e lamentar os que enfrentarão a Segundona, em 2010.

Amanhã voltarei à rotina de nossos temas.

Obrigado a todos os leitores que contribuíram para manter este blog ativo.

Em particular aos amigos do UOL; à equipe do Contas abertas, pelo espaço físico e apoio técnico que me oferecem; e ao companheiro Juca Kfouri, parceiro de longo tempo de saudáveis ideais esportivos.

Por José da Cruz às 10h00

04/12/2009

Grêmio com time titular contra o Flamengo

 

      De um colaborar anônimo   

 

Por José da Cruz às 16h10

03/12/2009

Tocha Pan-Americana teve aumento de 169%

Festejada em todo o país como símbolo histórico de eventos esportivos, a tocha dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro teve custo unitário de R$2.042,00, aumento de 169% sobre a proposta original, R$ 759,00.

 

Já em ritmo de Olimpíadas 2016, muitos convênios do Pan 2007 estão longe de um esclarecimento final.

Mesmo os temas que tratam de assuntos luminosos, como a confecção da tocha, nem sequer mostram luz no fim do túnel, tal o desencontro de informações entre o Comitê Organizador (CO-Rio) e o Ministério do Esporte.

Pior: 

Cada processo do Pan que vai a julgamento, lá vem surpresa. Como ontem, quando o Tribunal de Contas da União fixou 30 dias para que o Ministério do Esporte responda sobre "elementos" que já deveriam ter sido encaminhados àquele órgão há mais de três meses.

 

Em outra decisão, o TCU pede ao ministério de Orlando Silva esclarecimento sobre tomadas de contas especiais de seis convênios, totalizando R$115,1 milhões.

Tocha

Mas o que chama atenção é o Convênio 005/2007, uma confusão, sem exageros.

Em janeiro de 2007, o Ministério do Esporte repassou R$ 4,7 milhões ao Comitê Organizador do Pan (CO-Rio) – Convênio 005/2007 – para organizar a “cerimônia de revezamento da tocha”.

Desse valor seriam confeccionadas 4.000 tochas, ao custo de R$ 1.563.466,67 milhão, conforme o plano original do CO-Rio.

Primeiro desencontro: a proposta da empresa que fabricou o artefato era de R$2.922.700,00.

Aditivo

         Em agosto de 2007, o Ministério do Esporte fez um aditivo ao Convênio 005/2007 e lá se foram mais R$ 1.190.255,00 para o Comitê Organizador fechar a conta da corrida da tocha.

         Passa o tempo e os auditores do TCU foram fiscalizar a execução do tal convênio.

Surpresa! Em vez de 4.000 tochas encontraram no depósito da Marinha apenas 448 peças, assim: 82 novas, 347 usadas e 19 quebradas.

         No faz e refaz das contas da confusão os auditores concluíram que foram confeccionadas apenas 500 tochas, ao custo de R$ 1.021.000,00.

 

Barbaridade!

         Diz o relatório do Tribunal, de 24 de setembro de 2008, encaminhado ao ex-ministro Marcos Vilaça:

         “Cabe conferir destaque ao custo unitário da tocha, que saltou de R$ 759,00 (projeto original do CO-Rio) para R$ 2.042,00 a unidade.”

         A questão é confusa mesmo, e o TCU quer que o Ministério do Esporte esclareça em que estágio se encontra essa e tantas outras contas que ainda não fecharam.

         No item 1.9.3, pede, textualmente análise de “impropriedades apontadas”  na matéria, posicionamento do Ministério a respeito “bem como documentação comprobatória”. Assim:

         “comprovação/destinação do montante de R$ 641.500,00, relativo à diferença entre o valor de R$ 1.021.000,00 liberado para a execução de 500 unidades, e o previsto na proposta da empresa executora de R$ 379.500,00, ante a ausência de justificativas circunstanciadas acerca da vertiginosa elevação do custo unitário da tocha de R$ 759,00 para R$ 2.042,00”.

    

         Oscar, o Mão Santa, em 2007

 

                O relatório dos auditores do TCU sobre o assunto tem expressões do tipo:

         “...ausência de elementos satisfatórios acerca da execução do Convênio 005/2007”

 

         ” ... declaração fornecida pela Secretaria do Pan do Ministério do Esporte deixa evidente o quão nebulosa e contraditória é a fundamentação da execução desse convênio...”

 

         “... ausência de documentos comprobatórios no tocante à expressiva elevação do custo unitário de confecção das tochas...”

 

         “... abrangência e superficialidade quanto ao detalhamento da reformulação das metas, bem como dos fatos que ensejaram a solicitação do Temo Aditivo” (de R$ 1.190.255,00)


         “... ausência de recibos e de comprovantes de pagamento”

 

         Finalmente, e não menos duro e duvidoso para o TCU sobre a real necessidade do termo aditivo de R$ 1.190.255,00:

         “... cuja justificativa para sua constituição (do termo) se encontra permeada de informações e declarações conflitantes entre a Secretaria do Pan do Ministério do Esporte e CO-Rio...” 

 

Panorama

         Enfim, é o panorama de um evento realizado há quase três anos, enquanto as mesmas autoridades políticas e esportivas já vivem no ritmo eufórico de Rio 2016...

 

Obs: os números e citações entre aspas foram obtidos em relatório oficial do Tribunal de Contas da União.

Por José da Cruz às 11h56

02/12/2009

TCU fixa prazo para o Ministério do Esporte se explicar

         O Tribunal de Contas da União voltou a cobrar do Ministério do Esporte respostas que já deveriam ter chegado àquela corte, sobre gastos realizados nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

         O ministro-relator, Walton Alencar Rodrigues, alega que ainda não foram cumpridas diligências de Tomadas de Contas Especiais de seis convênios firmados em 2007 com o Comitê Organizador (Co-Rio) e Prefeitura do Rio, totalizando R$ 115milhões.

Vila

         Um dos convênios trata das obras de infraestrutura na Vila Pan-Americana.

         Depois das auditorias do TCU, o ministro solicitou esclarecimentos ao Ministério do Esporte sobre algumas dúvidas no uso do dinheiro, mas não obteve resposta.

         Diante disso, determinou uma Tomada de Contas Especial – rigoroso exame para se ressarcir de eventuais danos aos cofres públicos – nas despesas de R$ 4,5 milhões, só na Vila Pan-Americana.

              Vila Pan-Americana: contas públicas ainda em aberto

 

Repetência

         A mesma negligência ministerial, dois anos e meio depois do Pan-2007, repete-se em outros cinco convênios.

Agora, o TCU fixou prazo de 30 dias para a pasta do ministro Orlando Silva se explicar.

Cópia da decisão foi enviada à Casa Civil da Presidência da  República.

Por José da Cruz às 19h52

01/12/2009

Brasília 2014: Sérgio Lima é o gerente

         O turbilhão de denúncias de corrupção que ameaça afundar o Governo do Distrito Federal ainda não fez estragos diretamente no projeto de Brasília cidade sede do Mundial 2014.

         Apesar da queda de Fábio Simão, homem forte da CBF e do próprio governador José Roberto Arruda, do qual era chefe de gabinete, o Escritório da Copa é gerenciado por Sérgio Lima da Graça.

Carioca, formado em educação física, Sérgio Lima  ocupou, nos anos 90, o Departamento de Educação Física e Desporto do GDF – hoje Secretaria de Esportes.

Correções

         Conversei há pouco com Sérgio Lima, que fez duas observações importantes:

Ao contrário do que era público, ele foi sempre o gerente do Escritório Brasília 2014.

“Fábio Simão era o gerente de fato, por sua proximidade com o governador e íntimo de Ricardo Teixeira. Mas eu era de direito, pois Fábio não podia ocupar dois cargos na estrutura do governo”, explicou.  “Assim, não houve mudanças no comando e o projeto continua sendo executado”.

Sobre orçamento: o novo estádio Mané Garrincha prevê investir R$ 500 milhões, e não R$ 700 milhões como afirmou o secretário de Esportes, Aguinaldo de Jesus, informação que publiquei recentemente.

Uma revisão no projeto original permitiu reduzir o custo da obra em R$ 200 milhões, segundo Sérgio Lima.

Recursos

         Apesar de o orçamento do GDF prever para 2010 apenas R$ 50 milhões para o novo Mané Garrincha, Sérgio Lima garante que não faltará recursos para tocar a obra.

         “Os R$ 50 milhões são para a saída do projeto. O restante virá da venda de terrenos no Setor Hoteleiro Norte. A previsão é que os recursos das vendas vão suprir as necessidades da obra”.

         Ao contrário do Setor Hoteleiro Sul, o Norte ainda dispõe de muita área para ser comercializada, e construções de hotéis estão previstas no projeto de preparação da cidade para a Copa 2014.

A falta de leitos na capital da República foi uma das deficiências apontadas pela inspeção da FIFA.

Análise da notícia

         A população de Brasília está abalada com as denúncias de corrupção e escândalos na da cúpula do governo e da Câmara Distrital.

         Com mais de 500 frentes de obras – expansão de rodovias, por exemplo – a cidade não poderá parar, independentemente do conflito político em que o governador Arruda se meteu.

         Como a crise não será permanente e há expectativas para os 50 anos da cidade, em 2010, a população terá que conviver por algum tempo com a apuração das denúncias e a rotina cotidiana.

Algo como “a cidade não pode arar”, principalmente porque o governo está legalmente constituído.

         É nesse contexto que se inclui as obras do Mané Garrincha.

Não se sabe, porém, se o agravamento do problema, como o enfraquecimento de Arruda, sem apoio partidário, levará a crise para o impasse.

Se isso ocorrer, será o caos geral e, aí sim, o projeto da cidade-sede 2014 estará ameaçado.

 

 

Por José da Cruz às 20h09

A força econômica de Barcelona e Real Madrid

      Em tempos de recessão da economia espanhola, Barcelona e Real Madrid dão show de crescimento em suas movimentações financeiras e mostram a espetacular força do futebol.

         Em 2008, o faturamento conjunto das duas principais equipes daquele país chegou a 791,8 milhões de euros, ou R$ 2,06 bilhões.

         É um crescimento tão expressivo que supera, de longe, os R$ 1,4 bilhão que os 21 maiores clubes brasileiros movimentaram no mesmo período.

       

            Crescimento no faturamento/2008          

              15%         11,8%                       

Análise

         A informação está na análise da Crowe Horwath RCS Auditoria e Consultoria, de São Paulo, assinada por Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão esportiva.

         “O que mais chama a atenção na atual conjuntura da economia espanhola, em recessão, é ver que Barcelona e Real Madrid permanecem faturando cada vez mais, tanto com projetos de marketing, contratos de mídia e recursos gerados com seus estádios”, avalia Somoggi.

         A projeção dos orçamentos dos dois clubes revela um faturamento consolidade de 827 milhões de euros para a temporada 2009-2010, evolução de 4%.

PIB

         O estudo mostra ainda que o faturamento consolidado de Real Madrid e Barcelona vem se tornando cada vez mais importante para a economia espanhola. Nos últimos nove anos, apresentou evolução de 98 pontos percentuais.

         Na temporada 2000/2001 representava pouco mais de 0,038% das riquezas produzidas pelo país; em 2008/2009, essa representatividade já é de 0,075% do PIB espanhol. 

         Assim, com a retração da economia naquele país e em se mantendo a evolução da receita dos dois clubes na próxima temporada, a projeção da Crowe Horwarth RCS é qe o faturamento dessas duas potências esportivas atinja 0,079% das riquezas geradas pela Espanha e ultrapasse 0,10% na temporada 2012-2013.    

Ou seja, para cada 1.000 euros produzido no país, 1 euro será proveniente da dupla Barca-Real. Atualmente, esse índice é de 0,75 euro.

Contraste

         A realidade desses dois clubes contrasta com o futebol brasileiro, em campanha pelo hexacampeonato mundial. Sistemas de gestão, claro. Profissionalismo x amadorismo.

         Por aqui ainda vivemos a fase de passar o chapéu na Esplanada dos Ministérios para fechar as contas anuais. Diante da incompetência de muitos cria-se loterias para saldar o calote de gestões obscuras.

         Vivemos as emoções de um final de Campeonato Brasileiro espetacular. Mas, nos bastidores, a realidade econômica e financeira é outra, triste e preocupante.

         Que balanço apresentam os clubes, por exemplo, para explicar quanto apuraram com a venda de seus atletas? E não são poucos. Segundo a CBF, só este ano o Brasil exportou 970 jogadores; em 2008 foram 1.176.

        

 

 

 

 

 

Por José da Cruz às 11h19

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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