Blog do José Cruz

Busca

30/11/2009

Ministério Público investiga Lei de Incentivo ao Esporte

A procuradora da República, Luciana da Costa Pinto, instaurou inquérito civil no Ministério Público Federal para apurar denúncia de fraudes em projetos da Lei de Incentivo ao Esporte.

          Três entidades são investigadas: Instituto Cappella Áurea, ABPA Marketing e Produção de Eventos Ltda e Confederação Brasileira de Futebol Sete Society.

          É o primeiro processo que o projetorecebe, dois anos depois de a Lei de Incentivo ao Esporte ter entrado em operação.

          Os detalhes do processo estão na Portaria n. 229, de 23 de novembro último, e se refere à suposta fraude na obtenção de incentivo fiscal por parte das entidades citadas.

 Enriquecimento ilícito

         A procuradora considerou que “os fatos narrados pelo denunciante podem configurar, em tese, atos de improbidade administrativa que causem lesão ao erário e enriquecimento ilícito”.

          Estou levantando os valores envolvidos na operação para voltar a informar.

Por José da Cruz às 22h14

Projeto Mané Garrincha segue seu rumo

           A tragédia dos últimos dias que desmoraliza a política de Brasília ainda não fez estragos nos destinos da cidade para receber jogos da Copa do Mundo de 2014. 

Mesmo com o diretor do escritório que dirige o assunto, Fábio Simão, envolvido nas denúncias de corrupção do governo Arruda, o cronograma para reconstruir o estádio Mané Garrincha é cumprido em seus detalhes.

 Simão foi afastado da chefia do gabinete do governador, mas não há informações se a sua liderança nos assuntos da Copa está preservada. 

Obras

Uma autoridade do Escritório Brasília 2014 me confirmou que o edital de licitação para a obra está na rua.

 

Feita a pré-qualificação das empresas, o GDF aguarda as propostas para decidir sobre a vencedora. Esta fase está a cargo da Secretaria de Obras e da Novacap. 

A previsão é que até 31 de dezembro seja divulgado o nome da construtora do estádio. As obras começariam e 30 dias, ou seja, até fins de janeiro.

 

    Projeto da parte interna do novo Mané Garrincha  

Clima

         O que se discute nos bastidores políticos e esportivos da cidade é se há clima para continuar tocando o assunto. Até os festejos de 50 anos da cidade estão ameaçados.  

A população está perplexa e decepcionada vendo as cenas de corrupção na Casa da Mãe Joana expostas publicamente, sem pudor.

As imagens em que o governador Arruda e seus principais assessores aparecem recebendo dinheiro do ex-secretário de governo, Durval Barbosa, são devastadoras.

 

Rumos

         Em decorrência, é difícil qualquer previsão sobre os rumos da política da capital da República em sua linha sucessória, pois o vice-governador, Paulo Octávio, também está na lista dos que receberam propinas.

 

         Pior: o presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, que assumiria no impedimento do governador e do vice, também foi flagrado carregando bom dinheiro.

         O destino político de Brasília é de escuridão total, mas os rumos da cidade são decididos na residência oficial do governador, que se chama, ironicamente,  Águas Claras.

Por José da Cruz às 10h53

29/11/2009

O governador panetone

            

              Governador Arruda e o vice, Paulo Octávio

Mesmo sendo um blog voltado para o esporte, não posso ignorar o gravíssimo momento político no Distrito Federal. 

Principalmente porque os personagens envolvidos estão intimamente ligados ao futebol, como comentarei em outras mensagens. 

O Correio Braziliense de hoje diz que os R$ 71 mil que o governador Arruda recebeu de seu ex-assessor, Durval Barbosa, era apenas uma “doação para compra de panetones, que seriam distribuídos a famílias de baixa renda”.
`       Já o vice-governador, Paulo Octávio, que nos anos 90 comandou a candidatura de Brasília à sede olímpica, em 2000, teria recebido R$ 51 mil. 

Como se observa, o esporte está cada vez mais vinculado a políticos e guloseimas. Depois do “ministro tapioca" temos, agora, o “governador panetone”.

        

 

 

 

Por José da Cruz às 12h12

28/11/2009

Homem forte da Copa 2014 envolvido em escândalo político

       

         Fábio Simão, Arruda e Ricardo Teixeira    (foto: P.Gualberto-17/9/08)

 

          O primeiro grande escândalo político-esportivo da era “Copa do Mundo 2014” foi revelado ontem e tem, entre outros personagens acusados de atos ilegais, o presidente da Federação Brasiliense de Futebol, Fábio Simão.

          Homem forte do futebol candango, Simão acumulava outros dois cargos no primeiro escalão distrital: era o chefe de gabinete do governador José Roberto Arruda e dirigia o escritório que prepara a cidade para o Mundial de 2014. 

          A operação da Polícia Federal foi deflagrada por determinação do Superior Tribunal de Justiça e Ministério Público Federal, com o objetivo de investigar um suposto pagamento de propina para parlamentares da base de Arruda – já apelidado de “mensalinho” – na  Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

Futebol

Fábio Simão, que na gestão passada era o homem forte do então governador Joaquim Roriz, manteve o prestígio com José Roberto Arruda, a ponto de conquistar o disputado cargo para dirigir as ações da cidade rumo ao Mundial de 2014.  

Era de Simão a responsabilidade pela licitação para construir o novo estádio Mane Garrincha, na capital da República, orçado em R$ 700 milhões. 

Ontem mesmo, o governador divulgou o afastamento de quatro assessores, entre eles Fábio Simão de sua chefia de gabinete. Porém, não mencionou se o mesmo continuará à frente das ações da Copa 2014.

 

Prestígio

O prestígio de Fábio Simão ultrapassava as fronteiras do Distrito Federal, e chegou aos gabinetes da poderosa CBF, dirigida por Ricardo Teixeira, que é amigo íntimo de Arruda (aquele que, como senador, fraudou o painel eletrônico).

Em maio deste ano entrevistei Fábio Simão, dois dias antes de sua viagem para Nassau, nas Bahamas.

Convidado de Ricardo Teixeira, ele participou da 59ª reunião da Fifa, quando foram divulgadas as cidades-sedes do Mundial no Brasil. 

Simão sabe muito sobre o assunto que dirigia. Tinha resposta para todas as perguntas e informações detalhadas das ações em andamento.  

Mais: conhecia as particularidades de cada uma das 17 cidades-candidatas à sedes do Mundial de Futebol. 

Desafiado a citar as 12 capitais que seriam escolhidas, Fábio Simão arriscou, com argumentos prós e contras de cada uma. Acertou todas.

 O noticiário completo sobre a operação da Polícia Federal está no noticiário político do UOL.

Por José da Cruz às 01h06

27/11/2009

Segundo Tempo: enfim, uma condenação

         Entre 2006 e 2007, a Federação Brasiliense de Basquete recebeu R$ 636 mil para desenvolver o projeto Segundo Tempo, do Ministério do Esporte.

         Apesar dos pedidos do Ministério, os dirigentes não prestaram contas, e o TCU agiu.

Resultado: Fernando Souza de Mello, presidente da Federação, e Marco Bajo, o Espanha, coordenador do projeto, terão que restituir R$ 1.039.341,84 (valor corrigido) aos cofres públicos.

         A reportagem sobre o assunto, de Thalita Kalix, está no Correio Braziliense de hoje.

 

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/11/27/esportes,i=157391/CARTOLA+DO+BASQUETE+E+CONDENADO.shtml

Por José da Cruz às 10h07

25/11/2009

GDF financiará novo Mané Garrincha

          

         

          Com capacidade para 72 mil pessoas, o novo Estádio Mané Garrincha, na capital da República, está orçado em R$ 700 milhões, isto é, R$ 100 milhões a mais do que foi revelado no primeiro semestre, quando o projeto foi apresentado.

 

         Palavra do secretário de Esportes, Aguinaldo de Jesus, durante debate sobre a Copa do Mundo de 2014, na Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília.

 

Dinheiro público

         O GDF esperou por parceiros, internacionais, inclusive, que estiveram na cidade avaliando sobre o investimento. Em vão. Ninguém se interessou.

 

         Principalmente porque os clubes de futebol de  Brasília são inexpressivos. Que atrativos oferecem jogos entre Brasiliense e Gama para lotar o moderno estádio?

 

Fora do futebol, também não há como ocupar os 70 mil lugares com espetáculos culturais mensais.

 

         Assim, na falta de parceiros, o governo vai tocar o projeto sozinho. Ao final, o “Estádio Nacional de Brasília”, como está sendo apresentado, receberá três ou quatro jogos pelo Mundial de Futebol. E depois?

 

         Depois, terá o mesmo destino de outros, como o de Manaus, Natal, Cuiabá etc. Ficarão como os estádios do Pan-2007: abandonados, sem público.

         É o que já acontece com o Bezerrão, no Distrito Federal. Totalmente reformulado com recursos públicos, abriga um time da Série C, o Gama.

Por José da Cruz às 23h18

TCU adia julgamento de processo do Pan 2007

         A sessão que seria reservada foi aberta, como é comum às quartas-feiras. E a decisão que se esperava, diante das irregularidades apuradas pelos auditores, foi adiada.

 

         Na reunião no Tribunal de Contas da União, o ministro Walton Alencar Rodrigues adiou o voto decisivo sobre mais um processo de gastos públicos nos Jogos Pan-Americanos.

 

         No entendimento do ministro, Ricardo Leyser Gonçalves, pelo Ministério do Esporte, e a empresa Fast Engenharia e Montagens Ltda, têm direito a mais tempo para se explicar sobre atos originalmente ilegais, na montagem de instalações temporárias para o Pan.

 

         Dependendo das explicações que forem apresentadas pelos envolvidos, as irregularidades constatadas poderão ser consideradas legais.

 

         Mas esse é apenas um processo. Ainda há mais de 10 na fila de julgamento.

Por José da Cruz às 23h06

Maracanã ainda sem projeto de reforma

            A edição de Esportes da Folha de S.Paulo, hoje, publica a seguinte manchete: “Palco da final da Copa não tem projeto”.

        

A reportagem mostra que o Maracanã não tem nem sequer proposta de reforma, apesar de ser um dos cenários da Copa das Confederações, já em 2013.

 

Ou seja, confirma-se a denúncia do deputado Silvio Torres (post abaixo), sobre a falta de ações, em geral, para receber a Copa do Mundo de Futebol.

 

          Leia a reportagem de Eduardo Arruda:

 

         http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2511200902.htm

 

Por José da Cruz às 17h58

Governo e CBF escondem prioridades para 2014

          Enquanto o Governo Federal patina na falta de tomadas de decisões, a Câmara dos Deputados – quem diria – adianta-se na estratégia de controle dos gastos públicos que serão investidos para a Copa 2014 e Olimpíadas 2016.

          Mas a decisão parlamentar esbarra na falta de colaboração do Ministério do Esporte e da CBF, que não informam sobre as prioridades levantadas pela Associação Brasileira de Infraestrutura de Base (ABDIB). O trabalho, que já está pronto, foi encomendado pelo Palácio do Planalto.

 

         O deputado Silvio Torres, presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, demonstra preocupação com o silêncio do governo, dois anos depois de o Brasil ter sido indicado como sede do Mundial. Confira.

 

José Cruz – A Comissão de Fiscalização Financeira  e Controle da Câmara dos Deputados realizou, entre junho e novembro, 11 audiências públicas para levantar dados sobre a organização da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Quais as conclusões?

 

Deputado Sílvio Torres - É evidente que não foi formatado um projeto estratégico para a Copa de 2014. Já lá se vão dois anos desde que a FIFA definiu o Brasil como sede do evento. Entre aquele momento e hoje, quase nada foi feito. Os integrantes da Subcomissão Permanente de Fiscalização e Controle dos Gastos Públicas com a Copa de 2014 ouviram representantes do governo, da sociedade, da iniciativa privada. E ficou claro que o desconhecimento a respeito do que precisa ser feito e de quanto necessita ser gasto para organizar a competição é, preocupantemente, uma incógnita. Não há nem sequer um interlocutor do governo sobre o assunto.

 

José Cruz - O governo federal e a CBF firmaram um convênio com a Associação Brasileira de Infraestrutura de Base (ABDIB) para que essa entidade realizasse um levantamento sobre as necessidades do país, em termos de infraestrutura, para a Copa de 2014. O ministro do Esporte, Orlando Silva, comprometeu-se, durante audiência pública conjunta realizada pelas comissões de Desenvolvimento Urbano, de Turismo e Desporto e  de Fiscalização e Controle a enviar esse documento à Câmara dos Deputados. O que revela o documento?

 

Sílvio Torres - A audiência pública aconteceu no dia 14 de novembro. Até hoje, no entanto, o documento não foi remetido a nenhuma das comissões. O ministro, ao abordar o assunto, informou que teria de consultar a CBF a respeito do encaminhamento à Câmara do levantamento feito pela ABDIB. Ao que parece, a CBF vetou essa possibilidade.

 

José Cruz - Na mesma audiência pública, Orlando Silva garantiu que o presidente Lula estava prestes a criar, finalmente, um Comitê Interministerial para gerir a participação do governo federal na organização da Copa. Como o senhor avalia a demora, já que até hoje o comitê não foi criado?

 

Sílvio Torres - Com preocupação. O governo federal, em virtude dos reflexos da crise econômica internacional, será o maior, para não dizer o principal, financiador da Copa de 2014. Foi, por sinal, obrigado a viabilizar, por intermédio do BNDES, uma linha para garantir as obras de construção ou reforma dos estádios das cidades-sede. Só posso creditar a demora na criação do Comitê ao atraso com que o Poder Executivo acordou para as urgências brasileiras para hospedar o maior evento midiático do planeta.

 

José Cruz - Quais os riscos desse atraso?

 

Sílvio Torres - Tudo caminha, até o momento, para a repetição do desastre que foi a organização dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. As licitações das obras dos estádios deveriam ter sido lançadas até o final do mês de agosto. A FIFA, ciente das dificuldades financeiras dos estados e das cidades-sede, postergou essa exigência.  Quem pode, em sã consciência, garantir que as obras terão início, no mais tardar, a primeiro de março de 2010, como exige a FIFA? O estado de Minas Gerais já informou que só concluirá o projeto executivo do Mineirão em março do ano que vem. Se isso ocorrer, estaremos frente a uma situação de alto risco. Porque, à medida em que os cronogramas forem deixados de lado, ocorrerá uma corrida contra o tempo que gerará desorganização, e isso criará espaço para a realização de despesas exageradas e desvio de recursos públicos.

 

José Cruz - Para evitar a repetição que caracterizou as despesas com os Jogos Pan-Americanos de 2007, a Comissão de Fiscalização e Controle viabilizou, em parceria com o Tribunal de Contas da União e os tribunais de contas dos estados e das cidades que receberão os jogos da Copa de 2014, a criação de uma Rede de Fiscalização e de um Portal de fiscalização. O que o Portal possibilitará?

 

Sílvio Torres - O portal de fiscalização dos gastos públicos com a Copa de 2014 será lançado em 15 de dezembro. O Portal disponibilizará informações detalhadas sobre todos os compromissos, as ações, os gastos públicos com a organização da Copa do Mundo no Brasil. Ao mesmo tempo, permitirá que os cidadãos façam denúncias sobre gastos excessivos, irregulares. A criação do Portal estrutura-se em um projeto de lei, apresentado na Câmara por mim e no Senado pelo senador Renato Casagrande. O projeto define não só a obrigatoriedade de serem publicadas informações detalhadas sobre ações, custos, contratos, licitações sobre as obras. Mas define, também, que caso essa obrigação não seja cumprida, o repasse das verbas, sejam elas do governo federal ou do BNDES, será interrompido.

 

 

Por José da Cruz às 08h08

23/11/2009

Pan 2007: TCU fará sessão reservada

          O Tribunal de Contas da União analisará em sessão reservada, amanhã, um dos mais polêmicos processos relativos aos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Respondem pela ação o secretário de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser Gonçalves, e a empresa Fast Engenharia e Montagem Ltda.

 O processo trata de irregularidades que a equipe de fiscalização do tribunal constatou em três contratos, para executar as estruturas de "overlay", ou seja, instalações temporária, locação de equipamentos, móveis, instalações elétricas, etc.

         Por exemplo, dos 1.628 equipamentos de ar-condicionado adquiridos, 813 não foram instalados, por desnecessários.

Entre as irregularidades apontadas pelo TCU destacam-se:

a) ausência de comprovação de prestação de serviços num total de R$ 4.136.092,10;

         b) cobrança por serviços contratuais e extracontratuais em quantitativos superiores aos medidos pelas equipes de fiscalização, no valor de R$ 5.329.966,19;

         c) pagamento de serviços no valor de R$ 6.858.454,98 sem comprovação de documentação;

d) cobrança em duplicidade de custos administrativos da contratada, conforme constatado a partir de exame de composição de custos dos preços unitários, no valor de R$ 4.163.562,36.

         e) liquidação irregular de despesas públicas, decorrente do pagamento de valores maiores que os apontados nos demonstrativos de quantitativos e serviços elaborados pelo órgão concedente.

         Apesar de secreta, espera-se que o resultado do julgamento seja tornado público.

Por José da Cruz às 22h04

BNDES no esporte olímpico

         Notícia que abre o Painel da Folha de S.Paulo de hoje, edição de Esportes:

 

Papai Noel

“O BNDES deve patrocinar três modalidades olímpicas visando os Jogos do Rio-16: vela, remo e taekwondo. O banco estatal já fez estudo sobre o investimento, ainda não divulgado, nesses esportes. O patrocínio do BNDES faz parte da estratégia do governo de injetar dinheiro das principais estatais nas modalidades olímpicas. O banco será o maior financiador dos Jogos e da Copa-14. Deve disponibilizar pelo menos R$ 15 bilhões para os eventos e deverá custear com empréstimos os principais gastos de infraestrutura.”

Governo bonzinho

         Depois do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Infraero, Eletrobrás, Correios e Petrobras, chegou a vez do BNDES.

         Para um país olímpico, a notícia é ótima.

         Ao contrário do que ocorria até 2001, com escassez de dinheiro público, agora há fartura. Será que, desta vez, a base será contemplada?

         Mas, enquanto o governo investe mais e mais, continuamos sem projetos que fixem metas e prioridades.

Mesmo com dinheiro do governo, falta um comando, pois o Ministério do Esporte é omisso também nesta questão.

Por José da Cruz às 17h22

21/11/2009

Ministério do Esporte não cumpre decisão do TCU

Em 24 de setembro de 2008, os ministros do Tribunal de Contas da União aprovaram, entre outras medidas, as seguintes ações ao Ministério do Esporte:

 

“Determinar ao Ministério do Esporte que demonstre o quantitativo de recursos privados e públicos aplicados por todos os entes governamentais na realização dos XV Jogos Pan-Americanos e III Jogos Parapan-Americanos de 2007, a fim de dar transparência à sociedade do total gasto com o evento e a real participação relativa de cada um dos envolvidos”.

 

“Apresentar, em 30 dias, o total de recursos arrecadados nos XV Jogos Pan-americanos e III Parapan-americanos, para fins de análise das receitas obtidas utilizadas como fonte de custeio dos Jogos em cotejo com o aporte final de recursos privados e das três esferas de governo, a fim de dar transparência na divulgação do aproveitamento das receitas auferidas no financiamento dos Jogos (os grifos são meus);

 

“Apresentar, em 30 dias, relatório conclusivo que contemple o inventário dos bens/materiais adquiridos com recursos federais, mediante contratos e convênios, para os Jogos Pan e Parapan-americanos, indicando quantitativos, especificações do bem/material, contratos/convênios originários, critérios para distribuição, instituições beneficiárias, e sua utilização pelos beneficiários, após terminado o prazo constante das Portarias SPOA/ME nºs. 071 e 178, ambas de 2007.

 

Processos

 

         As decisões referem-se aos processos 014.800/2007-3 e 008.860/2007-6, que têm como responsáveis Ricardo Leyser Gonçalves, Secretário do Comitê de Gestão dos Jogos Pan Americanos de 2007, e Carlos Arthur Nuzman presidente do Comitê Organizador dos Jogos.

 

Explicações

         Lá se vai mais de um ano dessa determinação e, até agora, o Ministério do Esporte não passou as informações à sociedade. É possível que até tenha atendido ao Tribunal, mas tem a obrigação de informar tais dados de forma oficial.

                          

         É impossível ao governo e as autoridades do esporte nacional falarem sobre recursos públicos para os Jogos do Rio 2016 sem terem explicado, claramente, sobre o destino do dinheiro do Pan 2007.

 

         Sem cumprir a decisão do TCU, os frequentes discursos do ministro Orlando Silva sobre “transparência nas contas públicas” serão entendidos apenas como manifestações de deboche.

Algo assim como comprar tapioca com cartão governamental.

 

Por José da Cruz às 18h10

20/11/2009

O escorregão do presidente Nuzman

          Carlos Arthur Nuzman deu uma escorregada feia na audiência pública de quarta-feira, na Comissão de Turismo e Esporte, na Câmara dos Deputados.

         Ao sugerir um projeto de lei que destine 1% dos recursos da telefonia para o esporte, o presidente do COB lembrou que repetia um gesto feito há 10 anos:

         “Porque vocês (deputados) lembram bem, é minha a proposta da Lei Agnelo Piva”, afirmou. 

 A proposta

         Não é verdade, presidente.

         A proposta original não é nem o ex-deputado Agnelo Queiroz nem o ex-senador Pedro Piva. 

         Conheço muito bem a história do projeto, pois tenho reportagens que publiquei e posso afirmar que a idéia de destinar recursos das loterias federais para os esportes olímpico e paraolímpico foi de Gil Castello Branco, à época assessor parlamentar de Agnelo, hoje diretor da ONG Contas Abertas.

          Agnelo apenas assinou o projeto. Digo “apenas” porque ele nem sequer sabia distinguir entre um taco de golfe e um de beisebol. Não entendia nada de esporte e muito menos de verbas das loterias. Nem levava fé que a proposta fosse em frente. Até se enredava ao dar entrevista sobre o assunto, lembro bem.

 Memória

         Quando o projeto foi encaminhado à mesa da Câmara dos Deputados, em 1999, entrevistei Carlos Nuzman, no lado externo do Palácio da Alvorada, logo depois de uma cerimônia em que Fernando Henrique Cardoso recebeu atletas olímpicos.

          Nuzman disse não conhecer o projeto e, por isso, evitaria se manifestar. Foi sincero.

 Reação

         Somente quando o projeto foi aprovado na Câmara é que Nuzman se acordou para a realidade e viu que o esporte tinha, enfim, uma boa proposta para captar recursos.

          Com medo de que a lei fosse vetada por FHC – seria difícil o presidente do PSDB sancionar uma proposta da oposição, pois Agnelo era do PC do B – o presidente do COB apelou ao senador tucano Pedro Piva, suplente de José Serra, que foi ser ministro da Saúde.

          Na verdade, o projeto de lei que o Piva apresentou era uma cópia grosseira do que vinha da Câmara.

          Mudou apenas os percentuais: Agnelo propunha 1,5% das loterias para o esporte; Piva exagerou e pedia 10%.

          Os dois projetos se encontraram e o relator foi o deputado Gilmar Machado (PT-MG), que em conversa com a gerência de Loterias da Caixa acertou o percentual de 2%.

       Justiça

         Faço o registro por questão de justiça.

          É claro que assessores parlamentares são pagos para ajudar na agenda de deputados e senadores. Mas para que a história não fique truncada é preciso corrigir distorções.

           No caso da Lei 10.264/2001, que ficou conhecida como “Agnelo Piva”, a idéia e o texto original foi de Gil Castello Branco.

          Com a experiência de conhecer muito bem sobre contas públicas, ele teve duas sacadas que foram fundamentais para o sucesso da proposta:

1.     – o dinheiro não sairia da parte que iria para o governo, mas dos prêmios das loterias;

2.     – os recursos seriam destinados diretamente aos comitês Olímpico e Paraolímpico.

         Com isso, evitou que o dinheiro entrasse no cofre central do governo e ficasse preso, como ocorre, atualmente, com as demais verbas das loterias.

 

Por José da Cruz às 17h04

19/11/2009

Olimpíadas, dinheiro e utopia

Entusiasmados com os Jogos Rio 2016 e a oportunidade de o Brasil se tornar uma “potência olímpica”, parlamentares da Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados estão convencidos de que falta dinheiro para o setor.

         Mas, as opiniões parlamentares não têm qualquer base.

         Faltam informações oficiais à própria Comissão de Turismo e Esporte.

 

É muito ou pouco?

Num levantamento que realizei há poucos dias identifiquei que só este ano R$ 771 milhões – verbas públicas – estão disponíveis para o setor,  sem levar em conta o orçamento do Ministério do Esporte, de pífia execução até agora (5,9%).

É muito dinheiro? É pouco? Quem recebe mais? Quem não recebe? Onde está faltando, na elite ou na base?

Enfim, não há informações neste sentido para que se possa afirmar que o esporte precisa de mais recursos.

Pior: quem deveria ter respostas para tais questionamentos, o Ministério do Esporte, não está nem aí.

Ao contrário, embarca na onda da euforia política e também pede mais e mais para o seu orçamento que, sabe-se, é uma piada caindo pelas tabelas.

 

Petrobras

         A Folha de S.Paulo publicou hoje uma reportagem mostrando que a Petrobras investirá mais recursos no esporte olímpico, via Lei de Incentivo.

         Extra-oficialmente, serão R$ 50 milhões de dinheiro novo.

         Mas, enquanto tudo isso parece uma fartura, ficamos sem parâmetros para dimensionar e, também, sem saber para onde vai tanto recurso público.

 

Utopia

         As autoridades do esporte aproveitam o momento de euforia política, esfregam as mãos, sorriem e os pedidos surgem à vontade.

         Lamentavelmente, tanta disposição e criatividade não são colocadas a serviço da elaboração de um plano integrado para desenvolver o esporte, com começo, meio e fim.

         Nem falo mais de política de esporte, pois isso é utopia, está bem claro.

Viemos de iniciativas isoladas e de ações político-pardidárias, que expõem a fragilidade do sistema e, principalmente, do Ministério do Esporte.

Quem tem o perfil das nossas carências esportivas? O COB? Os clubes? Federações? Não perguntem ao Ministério, pois a turma de lá também está querendo saber.

Neste emaranhado, a pasta de Orlando Silva revela-se apenas um agente de interesses oportunistas e cumprimento de ações sociais, como convém ao Palácio do Planalto. É o retrato do Brasil esportivo, rico e olímpico.

 

 

Por José da Cruz às 15h27

18/11/2009

Dinheiro da telefonia para o esporte olímpico

         A Comissão de Turismo e Esportes da Câmara dos Deputados debaterá, a partir de quarta-feira, projeto de lei que visa destinar recursos das contas telefônicas para financiar o esporte olímpico.

         A sugestão foi apresentada pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, na audiência pública de hoje, em Brasília.

         O dirigente trouxe o exemplo da Argentina, que está votando lei no mesmo sentido: 1% das contas telefônicas vão para os esportes, naquele país.

         Os argentinos esperam arrecadar 60 milhões de dólares anuais, aproximadamente R$ 102 milhões.

         É mais ou menos o que o COB receberá este ano das loterias federais.

 

Apoio

         O presidente da Comissão de Turismo e Esportes, deputado Afonso Hamm, disse que o momento é oportuno para aprovar a nova legislação.

Até o presidente Lula, um dos que mais trabalhou pela vitória do Rio 2016, deverá ser simpático à proposta, segundo Hamm.

 

Clubes

         A proposta de Nuzman surge no momento em que o Confao (Conselho de Clube Formadores de Atletas Olímpicos) – Pinheiros, Minas Tênis, Sogipa, Flamengo, entre outros – reivindicam participar do rateio dos 2% que as loterias repassam ao COB.

         O movimento do Confao começou em fevereiro, mas até agora não houve acerto entre as partes envolvidas.

         Nuzman revelou que está disposto a conversar com os dirigentes do Confao, mas defende que todos os demais clubes, os menores, inclusive, também sejam incluídos no projeto.

         “Antes de valores, tempos que ter princípios. O que é formar atleta?” - indagou Nuzman.

 

Entrave

         Na prática, o dirigente olímpico reativou um antigo problema, que no Brasil dificilmente se discute: a quem compete identificar e formar atletas? O que compete aos ministérios da Educação e Esporte? Qual o papel das universidades – que contam com excelentes espaços esportivos e faculdades de educação física – no processo?

 

Análise da notícia

         A repentina disposição de Nuzman de conversar com os dirigentes tem três  motivos básicos:

         1. A inoperância do governo, via Ministério do Esporte, em definir uma política para o setor. Com a dupla proposta, os clubes, em geral, entrarão no processo e poderão ficar com parte dos recursos da nova lei (da telefonia) que vier a ser aprovada;

         2. Ao sugerir uma nova fonte de recursos, Nuzman evitará que alguma medida governamental altere os percentuais que o COB já recebe das loterias, para repassar ao Confao.

         3. Em decorrência, o dirigente conseguirá, sem abrir mão dos recursos do COB, colocar os clubes no real desempenho de formadores de atletas, pois, sem eles, o Brasil continuaria capenga na identificação de competidores de nível olímpico.

Por José da Cruz às 19h23

O orçamento das ilusões

          Um grupo de ex-atletas liderados por Hortência, Nalbert e Paulão passa o dia de hoje no Congresso Nacional.

Ao lado de Orlando Silva, eles tentam convencer os parlamentares a aumentar o orçamento do Ministério do Esporte para 2010, até agora em torno de R$ 400 milhões.

A peregrinação repete-se anualmente e sempre tem sucesso.

Em 2008, o orçamento saiu de R$ 350 milhões para R$ 1,4 bilhão.

Mas, tanto esforço revela-se inútil, pois em janeiro o governo decreta o tal “contingenciamento” e o dinheiro fica preso. Este ano, por exemplo, o Ministério gastou apenas 5,9% de seu orçamento.

 

Rio 2016

         Em poucos minutos o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, explicará aos deputados da Comissão de Turismo e Esporte sobre os planos do Brasil para os Jogos de 2016.

         A reunião é transmitida em tempo real pela internet: www.câmara.gov.br

 

           

Por José da Cruz às 14h56

TCU fiscaliza Lei de Incentivo ao Esporte

            O Ministério do Esporte passa por auditoria do Tribunal de Contas da União.

         O objetivo é saber sobre a execução da Lei de Incentivo ao Esporte e se as prestações de contas estão em dia.

         Em dois anos foram aprovados 377 projetos, total de R$ 524 milhões.

         Mas, até agora, apenas R$ 157 milhões foram captados junto aos empresários.

         E há dúvidas se todo o dinheiro foi aplicado nos projetos afins, pois o Ministério não tem equipe de fiscalização para checar a execução das propostas.

Futebol

         Espero que os auditores do TCU avaliem a fartura de projetos aprovados para clubes de futebol.

         Volto ao assunto que já se discutiu outro dia: afinal, dinheiro público pode financiar atividades profissionais?

         As mais recentes propostas liberadas são bem claras:

         Santos        Projeto Meninos da Vila   R$ 4.171.957,33

         Cruzeiro      Equipes de base              R$ 1.651.891,50

         América       Equipes de base              R$ 2.744.639,00

         Grêmio        Ampliação do CT             R$ 2.310.147,00

Transferências

         Depois, é só checar na página da CBF a lista de jogadores vendidos para o exterior.

Santos, Cruzeiro, América e Grêmio já negociaram jovens atletas para outros países, em 2009.

         Ou seja, o governo abre mão de recursos do Imposto de Renda para investir no esporte e acaba patrocinando a formação de craques, que enriquecem o patrimônio clubístico e dos empresários.

Portaria

         A legislação da Lei de Incentivo também passará pela análise dos auditores do TCU.

         É a oportunidade de esclarecer sobre a liberdade para aprovar projetos usando “critérios de conveniência e oportunidade”, conforme a Portaria 208/2009, do Ministério.       

         Conveniência e oportunidade do esporte nacional ou das entidades proponentes? Ou do Ministério do Esporte?

         Como não há metas nem prioridades para o setor, fica a dúvida, claro.

Por José da Cruz às 01h54

17/11/2009

Destino do dinheiro das loterias

            Volto à mensagem de Rogério Real, escrita ontem.

         Ele perguntou sobre os repasses das loterias federais para outras áreas do governo, além do esporte.

         Embora não seja um assunto específico do blog, vou responder, pois obtive os dados oficiais.

Além disso, tratam-se de bons recursos dos apostadores que financiam vários programas do governo, e devem ser divulgados.

_____________________________________________   

Destinação                    2008               2009*

Ministério Esporte  R$ 241.100.010   R$ 165.633.970

Clubes de futebol   R$   33.141.365   R$   18.663.481

Comitê Olímpico    R$   93.821.583   R$   64.465.007

Com. Paraolímp.    R$   16.839.116   R$   11.376.176

Educação              R$ 512.261.003   R$ 353.165.497

Cultura                  R$ 161.317.091   R$ 111.766.331

Segurança             R$ 172.360.898   R$ 119.127.393

Saúde**               R$     3.379.108   R$     1.995.448

Seguridade Social  R$ 960.771.348    R$ 668.842.399

Apae e Cruz Verm.R$        435.913    R$       197.769

Receita Federal      R$ 618.638.385   R$ 390.758.210

_____________________________________________

*até setembro

**repasses começaram em 2008, através da Timemania

Fonte: Superintendência Nacional de Loterias e Jogos da Caixa Econômica

 

Caixa única

         Afora os recursos para os Comitês Olímpico e Paraolímpico, os demais vão para o caixa único do governo federal.

         Com o contingenciamento do orçamento (limitações de gastos), muitas vezes os recursos as loterias nem chegam ao seu destino, e servem para fortalecer o superávit do caixa.

         Já os recursos do esporte vão direto para os comitês Olímpico e Paraolímpico. Isso ocorre porque, ao elaborar a Lei n.10.264/2001, o legislador teve o cuidado de colocar artigo neste sentido, ou seja, evitando que o dinheiro passasse pelo caixa central do governo.

         Dos recursos destinados ao Ministério do Esporte, um terço é destinado às secretarias de Esporte estaduais e Distrito Federal.

         Finalmente: o restante do dinheiro arrecadado destina-se ao pagamento dos prêmios das loterias e despesas com administração.

Por José da Cruz às 00h39

16/11/2009

A omissão do governo no combate ao doping

          É da repórter Thalita Kalix a excelente matéria que o Correio Braziliense publica hoje – “Brasil não combate o doping”.

         A seguir, reproduzo três manifestações, para que o leitor tenha uma idéia do restante. O texto completo poderá ser lido no endereço que publico ao final.

         Eduardo de Rose, presidente da Comissão de Combate ao Doping, do Ministério do Esporte:

         “A Comissão foi criada para manter a legislação brasileira de acordo com a internacional. Eventualmente, ela poderia até fazer algo, mas não tem recursos para isso”.

         Alexandre Pagnani, presidente da Associação Basileira de Estudo e Combate ao Doping:

         “Montar a Comissão (de Combate ao Doping, do Ministério do Esporte), do jeito que ela está, simplesmente para se reunir uma vez por ano para aprovar a lista de substâncias, que por lei tem que passar por aprovação, e depois passa pelo Conselho Nacional do Esporte, está sendo inútil”.

         Victor Conte, fundador do Laboratório Balco, dos EUA, ligado ao  escândalo por uso de esteroides, como os velocistas Marion Jones e Tim Montgomery:

         “Você usa esteroides durante a pausa da temporada, porque é quando você constrói a base de sua força, e isso serve para vocês por meses adiante durante as competições. Tem que se aumentar os testes no quarto trimestre, que é quando os atletas usam as drogas. Mas, em vez de aumentar o número dos testes no quarto período, como eu aconselhei, eles reduzem pela metade. Ou eles estão promovendo o uso do doping ou eles são ignorantes”.

         Leia a matéria completa no seguinte endereço:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/11/16/esportes,i=154919/BRASIL+NAO+COMBATE+O+DOPING.shtml

Por José da Cruz às 10h17

15/11/2009

"Nunca antes na história deste país"...

         “Nunca antes na história deste país” é o título de um livro de memórias com as frases engraçadas e polêmicas do presidente Lula, que já está nas livrarias.

         O autor é o jornalista Marcelo Tas, âncora do programa CQC.

Com bom humor, ele comenta as citações que colecionou sobre os vários assuntos abordados publicamente pelo presidente.

Inclusive usando o futebol como argumento. Por exemplo, quando se referiu a não aprovação da CPMF, em 2007:

“Não tenho plano B (para a CPMF). O Corinthians tinha plano B e caiu”.

A revolução da Oportunidade

         Mas há outro livro, mais ou menos na mesma linha, que, de forma pioneira, com questões exclusivas do esporte.   

Trata-se de “A revolução da oportunidade – O esporte no primeiro mandato de Lula, segundo Lula”, autoria de Emile P.J.Boudens, um ex-assessor legislativo.

         A partir de sua longa vivência no Congresso Nacional, Boudens contribuiu com excelentes textos e livros para a literatura política-esportiva brasileira.

Debates

         É importante ler este livro, pois a transcrição de trechos de discursos de Lula ajuda a entender os rumos do nosso esporte.

         Principalmente porque o programa governamental foi elaborado por uma equipe do Partido dos Trabalhadores, mas o Ministério foi parar nas mãos do PC do B.

         Melhor: com transcrições fieis de trechos – comentados e analisados – o autor mostra algumas contradições do pensamento esportivo do Presidente Lula, ditas, é claro, no entusiasmo do discurso público.

         O livro, enfim, além de histórico, é uma ótima contribuição aos debates da atualidade esportiva nacional, inclusive os que são discutidos neste espaço.

Por exemplo:

         Segundo o livro, em 2 de outubro de 2003 o presidente Lula assim se expressou, no lançamento do programa Segundo Tempo:

         “Vejam como são construídas as escolas no Brasil. As escolas no Brasil são como uma caixa de fósforos. É um quadrado de cimento armado onde, quando muito, tem uma quadra de basquete ou futebol de salão, mas sem rede ou cesta. Então, é preciso mudar conceitualmente o tipo de escola que fazemos, o tipo de espaço para dar a essas crianças a oportunidade que somente a sociedade pode garantir”.

Aquisição  

“A Revolução da Oportunidade”, de 2007, é da Publit Soluções Editoriais, e pode ser solicitado no seguinte endereço:

www.publit.com.br

ou

Rua Miguel Lemos, 41, sala 605

22.071-000 – Copacabana – Rio de Janeiro

Financiamento do esporte

Em nova mensagem vou comentar sobre o outro livro de Emile Boudens: “O financiamento do esporte no primeiro mandato de Lula – 2003-2006”.

 

Por José da Cruz às 08h29

13/11/2009

Parabéns à torcida vascaína

         Peço licença aos especialistas, Juca, Antônio Maria e Neto, principalmente, para entrar numa área que não é minha especialidade.

         Apenas para cumprimentar, com atraso, os torcedores vascaínos. Já vivi emoções assim, quando o Grêmio também passou pela segundona, e bem sei o que significa um título e a volta à elite, conquistada por antecipação.

         Na festa, agora pelo campeonato, foi bonito ver o presidente Roberto Dinamite ir ao encontro da torcida, consolidando a  sua liderança de ontem e de hoje.

A imagem mostrou um contraste espetacular com o tempo, e se passou no mesmo cenário do Maracanã em que Dinamite, tantas vezes, festejou os gols que marcou pelo time que agora dirige com sucesso.

A recuperação do Vasco, enfim, é a marca de novos tempos em São Januário, depois de longos anos de direção truculenta.

Mas, o momento é de festa. Parabéns torcida vascaína.

Por José da Cruz às 23h45

Vem aí o portal de fiscalização da Copa e Olimpíada

         Será lançado em 16 de dezembro, em Brasília, o Portal de Fiscalização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

         É o primeiro resultado prático da Rede de Informações para a Fiscalização e Controle dos Gastos Públicos com o Mundial de Futebol e Olimpíadas no Brasil, criada oficialmente em 16 de agosto.

A iniciativa é das Comissões de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados, Senado Federal e dos Tribunais de Contas da União e os dos 12 estados e municípios envolvidos nos dois megaeventos.

A estrutura terá a participação de experientes técnicos em controle orçamentário, buscando evitar o desperdício de dinheiro ocorrido no Pan-2007. A ONG Contas Abertas também foi convidada a prestar assessoria à Rede.

Informações públicas

         O portal apresentará todas as informações de interesse público e dos órgãos fiscalizadores, em níveis municipal, estadual e federal.

Por exemplo:

Liberações de recursos oficiais

Empréstimos do BNDES aos municípios-sedes

Caderno de encargos assinados com a Fifa e COI

Os editais de licitações de obras

Contratos e relatórios de auditorias

Notas de empenho para pagamento

Prazos e metas de cada obra

Nome dos responsáveis pela aquisição de materiais etc.

Matriz

         Na reunião de ontem da Subcomissão de Controle da Copa 2014, na Câmara, deputados e representantes dos tribunais de contas envolvidos no processo e técnicos do Senado aprovaram a matriz que servirá de modelo para o controle dos gastos públicos.

Por exemplo, auditores de tribunais de contas dos estados poderão fiscalizar obras que utilizem recursos federais, sem a necessidade de deslocar pessoal de Brasília para as cidades-sedes da Copa.

Projeto de lei

         Para oficializar o trabalho, toda a orientação está em um projeto de lei comum que tramita simultaneamente na Câmara – apresentado pelo deputado Silvio Torres (PSDB-SP) – e  no Senado, pelo senador Renato Casagrande (PSB-ES).

         O documento é rigoroso e exige, entre outras medidas, que 60 dias após a aprovação do projeto de lei, o Ministério do Esporte apresente a “listagem de ações públicas para a Copa e para os Jogos Olímpicos”.  Ou seja, o que competirá a cada um dos três níveis de governo, com base nos respectivos cadernos de encargos.

         Outra exigência prevista no projeto é que nenhum recurso financeiro poderá ser liberado pela União ou BNDES sem a prévia inclusão da ação a que se destina, na respectiva listagem do Ministério do Esporte, que deverá aparecer, simultaneamente no Portal, a fim de que todos os órgaos envolvidos sejam informados ao mesmo tempo.

         O Portal da Copa e das Olimpíadas será, com certeza, um dos mais acessados no Brasil.

Por José da Cruz às 08h32

11/11/2009

Falta explicar o destino de R$ 30 milhões

         O Ministério do Esporte precisa explicar sobre os gastos de R$ 30 milhões do crédito suplementar que pediu ao Congresso Nacional, para fechar a conta da candidatura olímpica do Rio de Janeiro.

Faz parte da transparência das contas públicas, que o ministro Orlando Silva fala com frequência.

         Ontem à noite, em reportagem de Raphael Raposo, o UOL divulgou o valor oficial da candidatura carioca: R$ 85,6 milhões.

         Foi mais uma prestação de contas do Comitê de Candidatura, liderado por Carlos Arthur Nuzman, pois o custo do projeto é, de fato, o que já se conhecia desde agosto.

"Esse valor apresentado foi muito menos do que foi dito por aí, mas preferimos nos resguardar e mostrar os valores repassados posteriormente", disse Nuzman.      

Memória

“O que foi dito por aí”, na verdade, é a informação que divulguei, em setembro, que o Ministério do Esporte precisava de reforço de R$ 30 milhões em seu orçamento, para o mesmo fim: despesas na preparação da candidatura carioca.

Com isso, os investimentos subiram para R$ 115 milhões.

Na ocasião, o Comitê de Candidatura se surpreendeu e afirmou que não pediu mais nada, pois a conta estava fechada em R$ 85 milhões.

Veio a explicação do Ministério do Esporte: o dinheiro se destinaria a complementar “custos de logística” do projeto olímpico.

E concluía: “Isso significa que os R$ 30 milhões não se destinam integralmente ao Comitê de Candidatura e possivelmente nem sejam utilizados na totalidade”.

Ou seja, na prática a candidatura custou R$ 115 milhões, em duas frentes de investimentos: o Comitê de Candidatura e o Ministério do Esporte.

Realidade

         Como se observa, nada do tal crédito suplementar foi para o Comitê de Candidatura. Então, que despesa teve o Ministério do Esporte que justificasse tanto dinheiro?

         Uma das contas já foi apresentada. Foi o contrato, sem licitação, da  Fundação Instituto de Administração, para serviços de consultoria ao projeto olímpico 2016, ao custo de R$ 2 milhões.

         Falta explicar o destino de R$ 28 milhões. É preciso ter os valores reais de todas as contas para que não se repitam os enganos e atropelos ocorridos nas contas do Pan 2007, ainda abertas.

          Mas, como a assessoria do ministro Orlando Silva silencia e não responde às consultas que se faz, está aí um bom assunto para o Tribunal de Contas investigar.

Afinal, o ministério já é, mesmo, cliente antigo do TCU!

 

 

Por José da Cruz às 23h01

10/11/2009

Esporte tem R$ 2 bi do governo em 2009

            Concluída a pesquisa das seis estatais que patrocinam o esporte, aí está o balanço de 2009 mostrando o dinheiro que o esporte tem disponível na temporada, recursos apenas da área governamental.

           Alerto: dinheiro disponível. Se está sendo usado é outra conversa. O orçamento do Ministério do Esporte, por exemplo, tem execução de apens 5,9%, conforme já comentei.

           Em dezembro, publicarei o balanço final, pois as loterias contribuirão com mais recursos até lá.

Caixa Econômica Federal               

         Atletismo, ginástica, lutas e paraolímpicos   R$  47.000.000,00

Correios

         Desportos Aquáticos       *                          R$  10.000.000,00

         Futebol de Salão                                         R$    8.000.000,00

         Tênis                                                          R$    3.840.000,00

* natação, saltos ornamentais, maratona

   aquática, pólo aquático e nado sincronizado

Infraero

         Judô                                                          R$     1.750.000,00

Banco do Brasil

         Vôlei, vôlei de praia, futsal e iatismo            R$    60.000.000,00

Petrobras

         Handebol (patrocínio)                                 R$      1.000.000,00

         Handebol (Copa Petrobras)                         R$      4.500.000,00

         Surfe                                                          R$      1.000.000,00

         Tênis (Copa Petrobras)                               R$      6.800.000,00

Eletrobrás

         Basquete masculino                                    R$    11.000.000,00

         Sub-total                                                    R$  154.890.000,00

Lei de Incentivo ao Esporte                                   R$  300.000.000,00

Lei n. 10.264/2001 (2% das loterias federais)*    R$    99.730.730,00

* COB  e CPB , até setembro

Loterias Federais (ao Ministério do Esporte)          R$  217.376,824,00

Orçamento do Ministério do Esporte                    R$1.430.613.284,00

TOTAL                                                                R$2.202.610.838,00

 

 

Por José da Cruz às 22h42

Antidoping: os problemas do Ladetec

      Em matéria assinada pelo repórter José Eduardo Martins, a Folha de S.Paulo publica hoje que "Brasil pode ficar sem antidoping". E explica:

      “Único laboratório do país credenciado pela agência internacional será avaliado pela primeira vez. Funcionários precisam até esconder material que será usado em testes para entrar em território nacional sem passar pelas fiscalizações”.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1011200916.htm

 

Por José da Cruz às 16h47

09/11/2009

Repasses lotéricos ao COB e CPB crescem 12,5% em 2009

           Transcrevo os valores que as loterias federais repassaram para o esporte, entre janeiro e setembro deste ano.

Os dados, oficiais, representam a contribuição do torcedor-apostador ao desenvolvimento das atividades esportivas.

         Comitê Olímpico                      R$  84.624.145,36

         Comitê Paraolímpico                R$  15.106.591,01

         Ministério do Esporte               R$217.376.824,15

Análise da notícia

         O dinheiro recebido pelos comitês Olímpico e Paraolímpico refere-se à Lei n. 10.264/2001, que destina 2% das loterias federais a essas duas instituições.    Entre julho de 2003 e setembro de 2009, somente as loterias já contribuíram com cerca de R$ 600 milhões, com base nessa lei.

         Conforme a tabela da Superintendência Nacional de Loterias observa-se que há uma arrecadação crescente da Caixa com seus sorteios semanais, o que permite maiores repasses ao esporte.

         Em 2008, a média mensal de transferências para os dois comitês foi de R$ 9,2 milhões. Este ano, passou para R$ 11 milhões/mês, cerca de 12.5% a mais.

         O aumento deve-se, por exemplo, ao crescimento das apostas e maiores captações a cada prêmio acumulado.

É interessante observar que o Comitê Olímpico não trabalha com a expectativa desse aumento.

Com receio de ver frustradas as projeções, é norma usar os mesmos valores do ano anterior para promover o rateio entre as confederações esportivas no ano base.

Mas, como ocorre, de fato, um repasse maior do que o esperado o COB acaba recebendo mais do que o valor projetado no início de cada ano.

É uma espécie de “superávit”, cuja aplicação e impacto no esporte só se pode analisar no relatório final.

Clubes

         É oportuno lembrar que os clubes sociais formadores de atletas, liderados pelo Confao, estão de olho no dinheiro das loterias.

         Para não ficar no esquecimento, recordo que desde fevereiro deste ano o Confao mantém reuniões com o Ministério do Esporte, Caixa Econômica, Comitê Olímpico e Comissão de Turismo e Esporte da Câmara com o objetivo de aumentar de 2% para 2,5% os repasses das loterias.

         O aumento de 0,5% serviria para atender aos clubes formadores de atletas, o que daria em torno de R$ 30 milhões anuais.

         Até agora, porém, nenhuma decisão oficial, pois mudanças na lei dependem de votações na Câmara e Senado.

Estatais

         Recebi da Eletrobrás e Petrobras os valores investidos este ano no esporte.

         Com isso, já tenho os dados do quanto cada uma das seis estatais repassou ao esporte, este ano. É o assunto da próxima nota.

Por José da Cruz às 23h25

Orlando Silva não quer ficar sem comando

          Transcrevo a nota do Painel da Folha de São Paulo, hoje:

Pra ficar

O ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., já tem um plano armado com o presidente Lula para continuar na pasta e deixar de concorrer a uma vaga de deputado federal pelo PC do B, seu partido.

A ideia é criar um cargo executivo com mandato de no mínimo três anos para Silva Jr. coordenar, pelo governo, ações da Copa de 2014 e da Olimpíada do Rio-2016.

Se o martelo for batido, significa que, mesmo que Dilma Rousseff, pré--candidata do PT à Presidência, não vença, o atual ministro do Esporte terá um posto estatal garantido.

Análise da notícia

         Não conheço detalhes da proposta do presidente Lula, mas, na forma como a notícia está colocada, ele pode estar pensando em criar uma Agência Nacional do Esporte.

         Que outro tipo de organismo daria garantias para que Orlando Silva permanecesse no cargo, independentemente da vitória da candidata Dilma?

         Fernando Henrique Cardoso tentou fazer isso, ao apagar das luzes de seu governo.

A proposta era do então secretário Executivo do Ministério do Esporte, José Luiz Portella, que também presidiu a comissão que criou o Estatuto do Torcedor. A proposta não vingou.

Agora, se Lula decidir criar a agência reguladora, terá um político no comando, como sempre defendeu para as demais instituições do gênero, e não um técnico, como exige o perfil para este tipo de repartição.

O problema maior será se a oposição vencer o próximo pleito presidencial, pois terá que engolir o atual ministro do Esporte no comando de uma empresa governamental. É o que se chama apego ao cargo. O PT e o PC do B chegaram ao poder e não querem largar o comando.

Por José da Cruz às 18h48

08/11/2009

Repasses das loterias ao Ministério do Esporte

         O Ministério do Esporte recebeu R$ 217,3 milhões das loterias federais entre janeiro e setembro.

         O dinheiro é duas vezes e meio superior ao que o ministério aplicou de seu orçamento, R$ 84 milhões, até outubro, conforme publiquei na nota anterior.

Ou seja, a desculpa do governo de “contingenciar” o orçamento do ministério – proibir gastos – não tem sustentação, pois só o que veio das loterias da Caixa daria para atender a vários projetos.

Ora, se só as loterias repassaram R$ 217 milhões para o esporte, por que o Ministério gastou apenas R$ 84 milhões?

         A explicação é a seguinte:

         O dinheiro das loterias federais, administradas pela Caixa, não vai diretamente para o orçamento do Ministério do Esporte, mas para o caixa central, fortalecer a receita do governo, o tal "superávit".

          E o recurso só é liberado quando o Ministério da Fazenda bem entende ou alguém do ministério se interesse em pedir a grana.

Com isso, fica provado, mais uma vez, que o problema do esporte no Brasil não é falta de dinheiro, mas de gestão.

Na próxima nota apresentarei as destinações de parte do que as loterias federais arrecadam aos comitês Olímpico e Paraolímpico.

 

 

Por José da Cruz às 22h50

07/11/2009

Esporte gasta apenas 5,9% de seu orçamento

         A pouco mais de um mês de terminar o ano, o Ministério do Esporte registra uma péssima execução de seu orçamento financeiro.

         Dos R$ 1,4 bilhão da dotação inicial foram gastos apenas R$ 84 milhões, ou seja, irrisórios 5,9% do dinheiro disponível.

         É o pior desempenho de todos os órgãos dos poderes da República.

O Ministério do Turismo, por exemplo, executou 15,10% de seu orçamento (R$ 405,9 milhões)

Já o Ministério das Comunicações gastou 14,2% até agora (R$ 922 milhões),

Ou seja, três órgãos do governo federal com envolvimento direto na Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas 2016 são os que pior usam os recursos orçamentários disponíveis.

Juntos, Comunicação, Turismo e Esporte ficam em irrisórios 35% de aplicações de suas verbas.

         Os dados, atualizados até outubro passado, são oficiais e foram coletados no site do Contas Abertas (www.contasabertas.com.br) .

Repetição

         Na prática, o Ministério do Esporte repete 2008, quando dos R$ 1,4 bilhão que teve aprovado conseguiu aplicar apenas R$ 204,6 milhões, isto é, 14,54% sobre o disponível.

         O principal motivo desse fracasso é o contingenciamento que os ministérios da Fazenda e Planejamento impõem a cada início de ano, limitando os gastos, principalmente dos órgáos que têm maior número de emendas orçamentárias dos parlamentares (verbas para quadras, de esporte etc).

Copa e Olimpíadas

No caso do Esporte, parece que nenhum dos eventos conquistados pelo país – Copa do Mundo e Olimpíadas – sensibilizou o governo a ponto de permitir uma execução orçamentária adequada.

Talvez por isso mesmo, o Ministério do Esporte tenha solicitado verba suplementar de R$ 300 milhões, conforme divulgamos esta semana. Esse valor, contudo, tem destinação específica: Rio 2016.

Por José da Cruz às 12h32

06/11/2009

Ministério pede R$ 300 milhões para Rio 2016

         Já está no Congresso Nacional a proposta para obter crédito suplementar de R$ 300 milhões, encaminhado pelo Ministério do Esporte, destinados às  primeiras ações dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos 2016.

         Crédito suplementar é um dinheiro extra, fora do orçamento do ministério e com destinação específica.
Destinação

         Conforme a proposta, o dinheiro terá a seguinte destinação:

         R$ 100 milhões para apoio à infraestrutura física;

         R$ 200 milhões para as primeiras ações de organização dos Jogos 2016.

         O projeto está na Comissão Mista de Orçamento e deverá ser votado na próxima semana.

Porém, não há detalhes sobre a aplicação desses recursos, principalmente porque falta constituir o Comitê Organizador dos Jogos 2016, que deverá ser o gestor de boa parte do dinheiro público.

Segundo a assessoria do Comitê de Candidatura Rio 2016, “estão previstos aportes de recursos do governo no orçamento do Comitê Organizador em 2010, mas ainda não há um cronograma de liberação desses recursos”.

Tentarei obter informações junto ao Ministério do Esporte. Vamos ver se terei sucesso.

Por José da Cruz às 11h39

Copa 2014: entrave para acesso aos financiamentos

        A Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita o endividamento de estados e municípios, é um dos entraves para obter recursos do BNDES destinados às obras nos estádios de futebol, rumo à Copa 2014.

Até agora, nenhum empréstimo foi solicitado.

         As informações estão na reportagem de Guilherme Guimarães, publicada no jornal Brasil Econômico, mostrando, também, como o governo poderá driblar as dificuldades.

         Em outra reportagem, o repórter entrevistou o advogado Joseph M. Leccese, de um escritório norte-americano especializado em financiamentos de estádios e direito esportivo.

O especialista falou sobre a realidade das arenas brasileiras diante das exigências do Mundial de Futebol.

         Confira: http://www.brasileconomico.com.br/paginas/brasileconomicoglobal//2009-10-31

 

Por José da Cruz às 07h32

05/11/2009

Será que Daiane cumpriu estas etapas?

           

            O técnico de atletismo, Nilson Duarte Monteiro, um dos debatedores neste espaço, volta ao caso Daiane dos Santos apresentando as normas oficiais sobre os pedidos de atletas para usar medicamento considerado doping.

         Os texto ele obteve na página da Confederação Brasileira de Atletismo, mas vale para todos os atletas olímpicos, pois são normas da Agência Mundial Antidoping (Wada).

         A dúvida é: será que tais normas foram observadas por Daiane e a Confederação Brasileira de Ginástica?

         Confira o que diz a legislação da Wada.

Isenção de Uso Terapêutico (IUT)

         Uma Isenção de Uso Terapêutico (IUT) é emitida quando um atleta tem um problema de saúde e, após a utilização dos métodos tradicionais de tratamento para esse problema, ele necessita utilizar um medicamento que contém uma substância proibida, tudo isto sob prescrição médica.

         Quando essa necessidade existir, deverá ser apresentada uma solicitação de IUT para a confederação específica ou para a confederação brasileira do atleta, e o tratamento somente pode ser iniciado após a concessão da IUT ser aprovada.

Para quem solicitar a IUT?

         - Para a federação internacional da modalidade à qual pertence o atleta: todos os atletas inclusos no Grupo de Atletas Registrados para Testes da mesma, ou seja, todos que estiverem entre os 20 primeiros do ranking mundial de suas provas (incluídos todos os brasileiros nessa condição)

         - Para a confederação brasileira da modalidade do atleta: todos os atletas brasileiros, com exceção dos inclusos no item acima.

Tipos de IUT

         Existem dois tipos de Isenção:

         Abreviada – solicitada quando forem ser utilizados os chamados beta 2 Agonistas (tratamento de asma).

         Padrão ou Normal – solicitada para uso de todas as demais substâncias da lista de proibidas.

Concessão da IUT

         As IUTs internacionais são concedidas pelas federações internacionais das respectivas modalidades dentro de critérios próprios das mesmas.

         As IUTs nacionais são concedidas pela confederação respectiva após análise da solicitação pela Comissão de IUT, formada por três médicos.

Como solicitar a IUT

         Deve ser preenchido o respectivo formulário de solicitação, disponíveis nas respectivas confederações, os quais deve ser impressos, preenchidos em original e enviados a quem de direito (confederação brasileira ou federação internacional da modalidade do atleta).

         Os formulários podem ser escaneados e enviados por e-mail, para agilização do processo, mas é imprescindível que a documentação original seja encaminhada.

         Os formulários de IUT internacional podem ser enviados para a confederação brasileira da modalidade para encaminhamento à respectiva federação internacional.

         Os formulários e seus anexos devem ser enviados em envelope lacrado e assinado como “confidencial”.

 

Por José da Cruz às 14h12

04/11/2009

Futebol invade a Esplanada

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal aprovou a criação da Secretaria Nacional de Futebol e da Defesa dos Direitos do Torcedor.

A mais nova estrutura do Ministério do Esporte vai desenvolver, acompanhar e monitorar as atividades no âmbito do futebol e da defesa dos direitos do torcedor. Se não houver recurso em plenário, o projeto irá à sanção do Presidente Lula.

Secretário

         De direito, a Secretaria do Futebol passará a existir com o ato presidencial. Mas, de fato, ela já funciona desde março e tem como responsável Alcino Reis Rocha.

         Em agosto, inclusive, divulguei que o Ministério do Esporte havia reservado R$ 3 milhões para comprar móveis para a nova secretaria, conforme publicado no Diário Oficial da União, sendo R$ 510 mil para o primeiro lote.

         Caberá à Secretaria do Futebol monitorar os estádios, fornecendo, instalando e dando manutenção aos equipamentos de circuitos fechados de TV.

Depois, será a vez de credenciar os torcedores com uma carteirinha que, claro, alguma empresa fornecerá e ganhará bom dinheiro dos cofres públicos. A burocracia da Esplanada dos Ministérios chegará, enfim, ao mais popular esporte nacional.

 

           

 

Por José da Cruz às 17h57

03/11/2009

Política esportiva sob a ótica do PC do B

         Nenhum processo do Pan-2007 consta da pauta da reunião de hoje à tarde no Tribunal de Contas da União.

         Apesar disso, o ambiente político partidário no Ministério do Esporte anda muito tenso.

         Na conversa com um deputado próximo da cúpula do PC do B, soube que duas frentes do partido buscam marcar seus espaços na Esplanada dos Ministérios, já de olho num possível terceiro mandato do PT na próxima eleição presidencial.

         A disputa é entre a turma da União Nacional dos Estudantes (UNE) – três ex-presidentes ocupam postos chaves, a partir do ministro Orlando Silva – e a “velha guarda” do PC do B, liderada pelo secretário nacional de Esporte, Ricardo Leyser, apoiado pela paulista Nádia Campeão, que chegou a ser cotada para o ministério, em 2003.

Fraco

         Não fossem as denúncias de irregularidades com recursos públicos no Pan-2007, conforme investigações do TCU, Ricardo Leyser teria apoio do partido para o lugar do ministro Orlando Silva, pré-candidato a deputado federal.

         Porém, é o secretário executivo, Wadson Nathaniel Ribeiro, que está fortalecido, no momento. Se, de fato, vier a ser ministro, a UNE se manterá no poder do mais alto cargo do esporte nacional, pois, assim como Orlando, Wadson presidiu a histórica entidade, entre 1995 e 1997. O outro ex-presidente da UNE é Ricardo Cappelli, que preside a comissão técnica da Lei de Incentivo ao Esporte.

Indecisões

         Apesar da farta distribuição de recursos para entidades de São Paulo, a candidatura de Orlando Silva a deputado federal ainda não está sacramentada.

         Inicialmente, porque o presidente Lula deseja mantê-lo no cargo para levar adiante os projetos da Copa 2014 e Olimpíadas 2016. Ou seja, o Planalto conta como certa a vitória do PT na próxima eleição presidencial.

         Mas há uma questão interna: o PC do B ainda não engoliu o interesse do baiano Orlando Silva sair candidato por São Paulo, onde tiraria votos, principalmente, do deputado Aldo Rebelo, que cumpre sua sexta legislatura, além de enfrentar o mais novo político do partido, o delegado  da Polícia Federal, Protógenes Queiroz.

         Protógenes coordenou a primeira fase da Operação Satiagraha, no ano passado, quando o principal alvo foi o banqueiro Daniel Dantas.

Ironicamente, é no Ministério do Esporte, comandado por seu partido, que o delegado encontrará farto campo para investigações, diante das denúncias de irregularidades com projetos do Segundo Tempo e Lei de Incentivo ao Esporte.

Mas, a candidatura é prioridade, claro, inclusive a de Orlando Silva, que aprendeu a lição rapidamente, usando o cargo público como trampolim político. É a tal “política esportiva” no país da Copa e da Olimpíada.

 

Por José da Cruz às 23h46

Desordem no esporte regada com muito dinheiro

O ministro do Esporte, Orlando Silva, anunciou que solicitará um crédito suplementar – mais um – ao Congresso Nacional.

O pedido será de R$ 300 milhões “para projetos necessários às olimpíadas”.

Fala-se muito em fiscalização e transparência, depois do rombo pan-americano. Mas pouco se exige responsabilidade das autoridades do esporte, que pedem pelo pedir, pois projetos, mesmo, onde estão?

Não seria o caso de o Tribunal de Contas da União agir preventivamente e solicitar o plano de ação do Ministério do Esporte e do próprio Comitê Organizador dos Jogos?

Candidatura

         No mês passado, denunciei que o Ministério do Esporte havia solicitado um reforço de R$ 30 milhões ao seu orçamento para “despesas da candidatura do Rio de Janeiro à sede olímpica.”

         Em seguida veio a informação que o Comitê Organizador não havia solicitado tal dinheiro. Criou-se um constrangimento ministerial sem igual, pois as explicações foram pouco esclarecedoras para justificar os gastos de R$ 115 milhões com a candidatura carioca.

         Agora, serão mais R$ 300 milhões, já para projetos olímpicos. Desse total, R$ 120 milhões vão para a preparação de atletas.

         E quem vai preparar os atletas? Convênios do Ministério do Esporte com prefeituras que desejarem investir numa determinada modalidade.

         É mais uma forma oportunista de colocar dinheiro público nas prefeituras em época de campanha, pois sabe-se que as prefeitura, na maioria, não têm estrutura para um projeto tão sério.

Desperdício

         E quem garante que depois da próxima eleição municipal o novo prefeito dará continuidade ao projeto? O próprio Ministério do Esporte, que passou todo ano de 2009 com seu orçamento pelas tabelas poderá honrar os projetos municipais?

         Em caso negativo, pois isso é comum ocorrer – basta ver os desmandos no Segundo Tempo –, a frustração dos candidatos a atletas será inevitável. E quem pagará pelo prejuízo de tal desgaste?

         Enfim, um mês depois de escolhida a sede olímpica de 2016 não se viu uma só ação integrada do governo federal, inicialmente com os ministérios afins, e muito menos com o Comitê Olímpico Brasileiro.

         Estamos sem rumo. É cada um por si. A desordem no esporte continua. Pior: regada com muito dinheiro.

Por José da Cruz às 15h09

02/11/2009

Atletismo se prepara para 2016

            Será em São Paulo, em 11 e 12 de dezembro, o 4º Fórum Atletismo Brasil, com a participação de atletas, treinadores, representantes de clubes e das Federações estaduais.

         Na ocasião será elaborado o Projeto 2010-2016, que norteará as ações da CBAt – promotora do encontro – na preparação dos atletas para o Jogos do Rio 2016, e para as competições internacionais, como as Olimpíadas de Londres 2012; Campeonatos Mundiais de 2011, 2013 e 2015; Pan 2011 e 2015.

Principais itens da pauta

- Planejamento do Atletismo do Brasil no período 2010/2016
- Critérios de convocações das seleções, no período 2010/2016
- Programas de apoio da CBAt no período 2010/2016
- Programa de combate ao doping
- Programa de Apoio a Centros de Descoberta de Talentos
- Preparação de seleções para Mundiais de menores e de juvenis
- Busca de resultados no período de 2010/2016
- Programa de preparação da Seleção Olímpica Jogos de 2012 e 2016
- Programa de Centros Nacionais de Treinamento
- Objetivos e metas do planejamento 2010/2016

Ratificação

Segundo a assessoria da CBAT, as decisões do Fórum são ratificadas pela Assembléia Geral da Confederação, reunida extraordinariamente logo após encontro.

Além dos temas propostos, os participantes podem propor outros itens para o debate. E a decisão, como aconteceu nos três Fóruns anteriores, se dará por votação eletrônica.

 

Por José da Cruz às 19h46

Sapatos e coturnos presidenciais

Faço uma pausa no noticiário esportivo para ver o que acontece nos demais órgãos da República.

Vejam, por exemplo, o que encontrei no site da ONG Contas Abertas – www.contasabertas.com.br –, que por sinal, está entre os meus favoritos.

“A Presidência da República empenhou (reservou em orçamento) R$ 73 mil para a compra de 1.782 sapatos masculinos pretos de couro legítimo, bico quadrado, forro interno todo em couro e palmilha antitranspirante, e R$ 4,3 mil para a aquisição de 18 coturnos pretos de couro.”

Estranhos

         Do tradicional “Carrinho de Compras” do Contas Abertas – que trafega pelo site todos os domingos – constam itens curiosos, muito estranhos, até, como “pavios para lamparina”.

         Porém, ressalta o próprio site Contas Abertas:

“A princípio, não existe nenhuma ilegalidade nem irregularidade neste tipo de gasto feito pela União. A intenção de publicar essas aquisições é popularizar a discussão em torno dos gastos públicos junto ao cidadão comum, no intuito de aumentar a transparência e o controle social, além de mostrar que a Administração Pública também possui, além de contas complexas, despesas curiosas.”

Vá ao site e confira o noticiário de cada domingo. Ou você se indignará ou dará, no mínimo, boas risadas.

www.contasabertas.com.br

Por José da Cruz às 08h46

Mensagem de Joaquim Cruz

         Recebi de Joaquim Cruz – ouro nos 800m, Jogos de 1984 – mensagem que transcrevo na íntegra. Confiram:

 

Cruz,

Como vai, tudo bem?

Li o artigo de Welington Silva e acho que ele se esqueceu da realidade de uma criança de família pobre no Brasil.

A sociedade nos condiciona para encarar a "busca insana pelo sucesso" para sobreviver. Cresci numa época em que, se você era de familha humilde, cursar a universidade ficava longe da nossa realidade.

Tínhamos que estudar como louco para competir com os filhos de papai por uma vaga na universidade federal, uma vaga nos concurso para empregos.

Hoje, ainda temos que domir na porta do hospital para competir por uma consulta.

Fui super competitivo e trabalhei de acordo porque a sociedade me condicionou assim, mas nunca precisei burlar o sistema para tirar oportunidades dos outros atletas e enriquecer com o esporte que, por sinal, ainda era amador.

Não me esqueci da minha raízes, da minha educação ética e moral e dos jovens como o maratonista Marilson Gomes, que dependem dos seus esforços físicos naturais para obter uma vitória na vida. 

Eu não quero debater como professor, mas aí está a minha opinião.

 Um abraco,

 Joaquim

 

Por José da Cruz às 07h55

01/11/2009

A busca insana pelo sucesso

Diante do interesse e dos debates sobre o tema “doping”, em geral, e “Daiane dos Santos”, em particular, transcrevo artigo de Welington Silva*, um dos debatedores deste espaço, publicado originalmente em seu blog – http://esportemrede.blogspot.com, que aconselho consultar. 

O assunto, polêmico e sempre atual, é tratado, também sob a ótica de quem busca a fama no esporte a qualquer custo. A linguagem é de fácil entendimento, para os leigos no assunto, inclusive. Confiram:

 

         “O objetivo central de qualquer atleta em uma competição esportiva é a vitória. Para tanto, muitos treinam duro e com muito afinco e outros, além de também treinarem duro e com bastante afinco, se utilizam de outros recursos para potencializar sua performance como, por exemplo, substâncias estimulantes (efedrina, anfetamina) e outras, conhecidas genericamente pelo nome de doping.

Além das substâncias estimulantes temos, também, a morfina e a codeína, que são das classes dos narcóticos; as testosterona, nandrolone, stanozolol, das classes dos anabolizantes entre outras, sendo estas as mais famosas até o momento e utilizadas em larga escala nos ambientes de diferentes academias de musculação onde, muitas vezes, o próprio professor de educação física é quem incentiva a utilização sob o argumento de auxiliar no desenvolvimento da estética corporal.

Muitas dessas substâncias têm, também, uso profilático e de tratamento de doenças, como a anemia, o hipogonadismo não sendo, portanto, necessariamente e exclusivamente de uso para melhoria da estética corporal nem obtenção da performance atlética, mas é deste caso que iremos tratar aqui.

Nesse particular, o doping, considerado como uma substância que pode ser natural ou sintética, objetiva a melhora do desempenho atlético.

Existe quem afirme que o uso de substâncias dopantes não se restringe aos atletas de alto nível, mas, também, nos atletas noviços, ainda em formação, muitos que estão ainda no nível das competições escolares. É importante pontuar também, que o seu uso vem de épocas remotas. Existem relatos da sua utilização já entre os gregos, nas olimpíadas antigas, tendo em comum a otimização do gesto esportivo.

Na modernidade, esses acontecimentos são bem mais freqüentes e aparecem geralmente quando um atleta é flagrado em plena competição da qual participa. Os visados são quase sempre os que obtêm melhores marcas. Os próprios atletas se olham de forma desconfiada quando percebem um competidor obtendo marcas importantes, que se aproximam do recorde da competição, por exemplo. É como se todos carregassem nas costas a marca dos relatos históricos de casos de doping.

Esta questão foi pauta em vários meios de comunicação no Brasil no início do mês de agosto, nas semanas que antecederam o Mundial de Atletismo em Berlim. Nada mais, nada menos do que cinco atletas da seleção nacional de atletismo foram submetidos a um teste antidoping de surpresa no dia 15 de junho e foram pegos.

Todos eles faziam uso do hormônio eritropoetina (EPO). Este hormônio aumenta o nível de glóbulos vermelhos no sangue, potencializando a troca de oxigênio e, assim, elevando a resistência ao exercício físico. De fácil absorção pelo organismo, já que o próprio ser humano produz o hormônio, o fator surpresa foi essencial para a detecção do doping.

Vários foram os atletas, principalmente aqueles históricos do atletismo brasileiro como o Joaquim Cruz e o Robson Caetano que comentaram o fato. Todos eles se esqueceram, apoiados pela mídia, de mencionar o que realmente, na essência, está por trás da busca insana pelo rendimento, pelo sucesso e, no limite, pela quebra do record: a lógica própria do sistema capitalista que faz com que tudo se transforme em mercadoria, inclusive a performance humana.

O tripé que sustenta o esporte performance – eficiência, eficácia e rendimento – não pode ser mantido pelo uso simples e natural dos treinamentos esportivos, por mais que estes estejam, nos dias de hoje, altamente evoluídos.

Se a droga lícita que o atleta utiliza não tem substância dopante a mesma tem, ao menos, substâncias que aliviam as dores dos treinamentos excessivos o que, ao fim e ao cabo, busca também, concomitante com as drogas ilícitas, potencializar, de alguma forma, o treinamento do atleta, pois o objetivo central é vencer, vencer e vencer, somente assim, terão condições de acessar um lugar no pódium da vida.

Não é a toa que as formas de utilização de substâncias dopantes andam a passos largos em relação aos testes de detecção destas e já se fala até no doping genético. Mas isso é assunto para uma outra postagem."

*Professor. Graduado em Educação Física pela UFBa, mestre em Engenharia de Produção/Mídia e conhecimento pela UFSC e doutorando em educação pelo PPGFACED/UFBa.

 

Por José da Cruz às 08h58

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

© 1996-2009 UOL - O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.