Duas informações repercutem a conquista Rio 2016: uma fonte do Ministério do Esporte próxima ao ministro Orlando Silva garante que o Comitê Olímpico Brasileiro reforçará a equipe de trabalho com Joaquim Cruz.
Medalha de ouro nos Jogos de Los Angeles, 1984, Joaquim foi o grande ausente na festa brasileira em Compenhague.
Brasiliense, morando há 27 anos nos Estados Unidos, Joaquim Cruz é técnico de atletismo, na Califórnia. Além disso, ele integra a equipe de técnicos dos comitês olímpico e paraolímpico norte-americanos.
Sobra experiência ao ex-campeão para somar ao projeto de formação de novos atletas brasileiros.
A se confirmar a notícia, seria uma excelente contratação, a exemplo de outros ex-atletas que já trabalham no COB.
Tentei contato com Joaquim, mas ainda não obtive retorno. Discreto como é, acredito que ele nem se manifestará, por enquanto. Mas, foi feita a pergunta.
Educação
Vi na SporTV a entrevista de outro medalhista olímpico, Lars Grael.
Feliz com a conquista carioca, Lars lembrou que é preciso investir na base para termos representatividade forte, em 2016. “A base esta fraca”, declarou.
Um dos motivos para tanto? “Há muito, escola e atividade física estão dissociadas”.
É o que temos debatido aqui e será, com certeza, um dos temas que vamos comentar muitas vezes.
Não que a escola seja o local de formação de atletas. Mas é lá que está a concentração maior de jovens, onde se pode fazer, pela prática esportiva, a seleção dos talentos, encaminhando-os à formação profissional.
Mas...
Telefonei para um amigo do Ministério da Educação para saber como está este projeto da prática esportiva nas escolas públicas.
“Já procuramos o pessoal do Ministério do Esporte, mas eles não retornam nossos convites para debater sobre o assunto”.
Faz sentido. Recentemente, o ex-ministro da Educação, senador Cristovam Buarque, indagou ao ministro do Esporte como estava o “namoro” entre os dois ministérios, iniciado nos primeiros anos do governo Lula.
“Não passou de um flerte”, disse Orlando Silva, irônico.
Como se vê, a construção do país olímpico passa pela Esplanada dos Ministérios, com decisões políticas, mas onde o diálogo, por enquanto, está interrompido.
Por José da Cruz às 11h44
Luiz Roberto Magalhães é um repórter muito atento na cobertura em que trabalha.
Ele foi destacado pelo Correio Braziliense para ir à Dinamarca. De lá envia diariamente excelente material. Sem exageros.
Hoje, ele foi à coletiva da delegação brasileira e fez uma pergunta oportuna e inteligente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais ou menos assim:
“Depois de ter sido vaiado na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-americanos, em 2007, como o Senhor se sente retornando vitorioso ao Rio de Janeiro, tendo participado ativamente da campanha carioca que levou à conquista da sede olímpica?”
Lula começou a responder e foi, abrupta e indelicadamente, interrompido pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, que passou a falar em nome da maior autoridade do país.
O constrangimento de Lula ao ser interrompido foi visível.
Censura
Pior veio depois da coletiva, quando o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, censurou Luiz Roberto, criticando-o severamente, pela pergunta.
O repórter deu uma resposta elementar para quem convive com a liberdade de imprensa:
“Eu simplesmente fiz uma pergunta jornalisticamente correta”.
E complementou:
“Sua esposa (Márcia Peltier), que também é jornalista, sabe bem sobre isso”
Márcia não gostou do comentário e, solidária ao marido, engrossou a censura.
Amostra
Na festa da conquista carioca à sede dos Jogos de 2016 tivemos uma amostra de como a imprensa nacional será tratada daqui para frente.
Ou se faz perguntas dentro do roteiro pré-estabelecido ou seremos censurados em público.
A democracia brasileira que o COB exaltou na argumentação da candidatura do Rio não vale para as relações com a imprensa.
Por José da Cruz às 20h30
Não deixem de ler o Blog do Fininho. Simplesmente espetacular.
É a visão de ex-competidor e de quem continua envolvido com o esporte; de quem conhece sobre as dificuldades do atleta, de quem conhece a nossa realidade esportiva.
Aí vai uma amostra de seu artigo sobre Rio 2016:
“Quando pensamos em trazer as olimpíadas para o Brasil ao meu ver temos que ter um plano para os atletas. No Brasil sabemos que não adianta trazer um grande evento para cá, temos que trazer e os atletas tem que vencer. Brasileiro é exigente e não aceita apenas participar. Tem que ganhar. Agora, como vencer se não há estrutura para eles?”
http://blogdofininho.blog.uol.com.br
Por José da Cruz às 19h55
Como previ ontem, perdi e vou trabalhar mais.
Meus plantões no Tribunal de Contas e no Ministério Público se intensificarão. As leituras do Diário Oficial a União, que registra, também, as arbitrariedades “legais” do governo, vão se intensificar.
De qualquer forma, parabéns aos cariocas. Que tenham uma grande olimpíada.
Construções
Li o que foi possível sobre a candidatura carioca. Ouvi outro tanto. Fiquei atento aos discursos de hoje, na apresentação final, na Dinamarca.
Os projetos de modernidade do Rio de Janeiro são fantásticos. As arenas que serão construídas garantem que a cidade ingressará num novo ciclo esportivo.
Porém, em qualquer momento, li ou ouvi sobre o compromisso do governo e do comitê de candidatura com o nosso maior patrimônio: a juventude.
Geração
Nossos atletas para 2016 estão, hoje, em torno de 12, 13, 14 anos. Onde treina esse potencial? Que projeto temos para em sete anos formarmos talentos capazes de darem a prometida projeção esportiva? Que diálogo tem o Comitê Olímpico com os clubes, que deveriam ser de fato, formadores de atletas? Que projeto tem o governo federal na área do esporte integrado à educação?
Não se enganem meus caros amigos cariocas. A Olimpíada 2016 é mais um casamento de vaidades esportivas com oportunidades políticas. Os mais novos não entendem este idioma. Os mais velhos sabem muito bem a tradução.
Qual o motivo de tanto pessimismo? Simples: os senhores que estão à frente do Rio 2016 são, na maioria, os mesmos que estiveram no Pan 2007. Deu no que deu. Tivemos a festa mas até hoje pagamos a bilionária conta da irresponsabilidade financeira.
Assim, o tal “legado”, além de uma espetacular agressão à nossa capacidade de raciocinar é uma tentativa de piada mal acabada.
A candidatura vitoriosa tem projetos de concretos. Mas não tem um projeto concreto para a promoção e valorização dos jovens atletas.
Por José da Cruz às 12h49
Acompanhei a apresentação da candidatura do Rio de Janeiro e fiquei impressionado com a fluência do inglês do governador Sérgio Cabral.
Só depois, na fase de perguntas dos eleitores, quando Cabral respondeu às indagações em português, é que ficou claro o engodo: no discurso, o governador leu um texto previamente redigido. Treinou bem a pronúncia, enganou bem.
Assim é a candidatura carioca, um engano de nossas autoridades.
No campo da gestão do dinheiro público o Brasil esportivo responde a dezenas de gravíssimas irregularidades cometidas nos Jogos Pan-Americanos.
São R$ 20 milhões, até agora, que o TCU cobra devolução aos cofres públicos, sem explicações claras sobre o seu uso. E há mais uma dezenas de processos para serem julgados...
Entrando numa fria
Para se ter uma idéia de toda falsidade transcrevo o que diz o relatório do ministro do Tribunal de Contas, Marcos Vilaça, sobre apenas um pequeno tema do Pan-2007:
“Quanto aos condicionadores de ar, a empresa Fast apresentou novos elementos, inclusive cópia das notas fiscais que demonstram a aquisição de todas as unidades contratadas. É, portanto, bastante verossímil a hipótese de que os equipamentos existam fisicamente.
O que não se entende é o motivo pelo qual não houve ainda a sua apropriação pelo Ministério do Esporte, já que este não demonstrou até hoje perante o Tribunal, sua anexação ao patrimônio do órgão ou dos entes a que serão destinados”.
E conclui:
“Dos 1.628 equipamentos de ar-condicionadoadquiridos, 813, ou seja, metade, sequer foi instalada,por desnecessária. Trata-se de evidente desperdício de dinheiro público”. (este relato é de julho último)
É importante salientar que mais de 200 aparelhos não foram nem sequer tirados das caixas. Foram encontrados pelos auditores do TCU nas embalagens, fechadinhos. Mas o Ministério do Esporte honrou a compra, pagou tudo. Órgão sério está aí.
Afinal, senhor Ministro Orlando Silva, onde estão 800 aparelhos de ar condicionado? Que tal convocar a polícia carioca para localizá-los?
Sempre os mesmos
Reparem bem: são as mesmas pessoas que não respondem a essas e tantas outras indagações que, agora, estão na Dinamarca garantindo uma grande olimpíada em 2016. É o lado oculto da candidatura.
Geografia olímpica
Foi um bom recurso o mapa mundial usado na apresentação de Carlos Nuzman, mostrando o isolamento da América do Sul em eventos olímpicos. Deu bem a dimensão da fragilidade de nosso esporte ao longo dos anos.
Estranho
Para uma candidatura tão integrada como a do Rio de Janeiro, faltou o discurso do presidente do Comitê Paraolímpico, Andrew Parsons. O paraolimpismo tem apelo emocional e foi pouco explorado.
Burocracia e frieza
Que decepção o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obana. Burocrático e protocolar. Retornou ao seu país, em seguida. Quanta falsidade na emoção da primeira-dana Michelle Obana ao pedir votos para a sua Chicago.
Por José da Cruz às 09h20
Rio é a cidade favorita aos Jogos de 2016?
Madri sai logo na primeira rodada?
Tóquio não tem chances?
Obama está na Dinamarca porque há certeza na vitória de Chicago?
Não se iludam. Qualquer aposta com base nessas ou em outras manifestações é bobagem.
O voto é secreto e os “senhores dos anéis” já demonstraram, em outra época, que a corrupção também chegou ao bastidor olímpico. Logo, qualquer acordo para a eleição de hoje não é confiável.
Interesses
Quantos votos têm o ex-presidente do COI, Juan Antonio Samaranch? Assim como João Havellange tem “amigos” que lhe confidenciaram apoio incondicional ao Rio de Janeiro, o espanhol garante seguidores fieis.
E que influências têm no colégio eleitoral patrocinadores como Coca Cola, Xerox, Adidas etc? Antes de serem olímpicos, os Jogos são da economia. Logo...
Portanto, há muito mais por trás das revelações de otimismo que até aqui ouvimos. Há interesses políticos, de poderosos grupos, de prestigiadas empresas, enfim.
Políticos
Obama foi a Dinamarca para não parecer antipático diante dos dirigentes dos outros países. Ninguém pode lhe garantir certeza de vitória. E se sair da reunião esportiva sem a sede olímpica não terá imagem abalada.
Bem ao contrário do Brasil e do Rio, que, de saída, perdem mais de R$ 100 milhões só com o projeto de candidatura.
Estamos, enfim, a poucas horas da “maior concorrência do mundo”, no dizer do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman.
O problema é que de concorrência no esporte o Brasil entende pouco. O que se viu no Pan-2007 – ou melhor, o que não se viu de concorrência – é de arrepiar. Se for por aí...
Aposta
Aposto na zebra, Madri. Se perder, azar, era zebra mesmo. Se vencer, será a decepção da cartolagem nacional.
E se for Rio de Janeiro?
Bem, aí vou trabalhar muito mais, com plantão permanente no Tribunal de Contas, Ministério Público, Controladoria Geral da União, por aí.
Por José da Cruz às 00h57
A Folha de S.Paulo publicou, ontem, foto do alto comando da candidatura Rio-2016, na Dinamarca, liderada por Carlos Arthur Nuzman.
Ricardo Leyser Gonçalves, secretário nacional de Esporte, estava no grupo. Ele foi o homem forte do Ministério do Esporte no Pan-2007.
Porém, enquanto “reforça” a candidatura carioca lá fora, Ricardo explica-se no Tribunal de Contas de União (TCU) por gravíssimas irregularidades nos gastos pan-americanos, pelos quais ele era um dos responsáveis.
No total, o TCU mandou Ricardo Leyser devolver R$ 16,3 milhões aos cofres públicos ou apresentar justificativas em 15 dias, solidariamente com a empresa Fast Engenharia e Montagens S.A e Luiz Custódio de Freitas, fiscal do contrato.
É a segunda condenação de Leyser. A primeira foi em junho, num caso de superfaturamento de R$ 2,1 milhões na Vila Pan-americana.
Não é constrangedor uma candidatura olímpica, como a do Rio, contar com apoio de quem ainda tem sob suspeita a gestão das contas pan-americanas?
Irregularidades
Para que não fiquem dúvidas, o TCU determinou uma Tomada de Contas Especial, ou seja, um exame detalhadíssimo no processo. O caso é grave, mesmo.
Por exemplo:
Foram identificados indícios das seguintes irregularidades em apenas um processo do Pan-2007, que trata da infraestrutura temporária na Vila Pan-Americana.
a) serviços em quantitativos superiores aos medidos por equipe especializada e por auditores do TCU, com prejuízo de R$ 5.329.966,29 aos cofres da União;
b) pagamento de R$ 6.858.454,98 de serviços sem comprovação de execução;
c) pagamento em duplicidade de custos administrativos da contratada (a Fast Engenharia), no valor de R$ 4.163.562,36.
Verdades
O processo em questão foi aprovado no plenário do TCU em 17 de junho último.
Porém, só em 10 de setembro, quase três meses depois, é que saíram os comunicados aos envolvidos.
Aí os Correios estavam em greve. Quando tudo voltou ao normal, Ricardo Leyser Gonçalves já estava na Dinamarca.
Ele só receberá a intimação do TCU no seu retorno, na próxima semana. A partir daí, terá o prazo de 15 dias para se explicar. Mas, se faltarem provas que convençam os ministros do tribunal, terá que recolher os R$ 16 milhões.
Vejam bem: se o Pan-americano dá esta trabalheira, imagine se a Olimpíada vingar...
Por José da Cruz às 00h35
A subcomissão Permanente do Esporte do Senado Federal, ligada à Comissão de Educação, Cultura e Esporte já está constituída e deverá ser instalada ainda este ano.
Seus componentes:
Bloco Parlamentar da Minoria
Titulares:
Álvaro Dias (PSDB-PR)
Raimundo Colombo (DEM-SC)
Gilberto Goellner (DEM-MT
Suplentes:
Flávio Arns (Sem partido-PR)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Bloco da Maioria
Titulares
Wellington Salgado (PMDB-MG)
Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
Suplentes:
Gerson Camata (PMDB-ES)
Neuto de Conto (PMDB-SC)
Bloco de Apoio ao Governo
Titulares:
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Inácio Arruda (PCdoB - CE)
Suplente:
João Vicente Claudino (PTB-PI)
Por José da Cruz às 20h03
Depois da dispensa de licitação, na semana passada, o Ministério do Esporte contratou a Fundação Instituto de Administração, de São Paulo, no valor de R$ 2 milhões para:
- prestação de serviços de consultoria para elaboração de estudo dos impactos socioeconômicos dos Jogos Olímpicos Rio 2016;
- apoio na concepção da modelagem institucional e organizacional da Autoridade Pública (APO) e da Agência Nacional Antidoping (ANAD);
- apoio à estruturação da sistemática para suporte à base de prestação de contas dos convênios firmados pelo ME para a candidatura Rio 2016;
- e a implementação e disseminação da metodologia de gerenciamento de projetos.
Silêncio
O Ministério do Esporte não explica o mais importante:
1. – A Fundação foi contratada agora para este trabalho?
Em caso positivo, o ministro Orlando Silva tem como certa a vitória do Rio de Janeiro?
E se perder, vai pagar os R$ 2 milhões? O contrato não fala nada sobre isso.
2. – Ou a Fundação já realizou o serviço, na fase preliminar da candidatura do Rio aos Jogos de 2016?
Neste caso, o serviço foi realizado antes da contratação da empresa?
Como é que se explica, na administração pública, tal operação às avessas?
Enviei estas questões ao Ministério do Esporte na segunda-feira da semana passada.
Até agora, silêncio.
Por José da Cruz às 11h08
Irregular desde 1999 com prestações de contas de verbas federais, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) voltou a se beneficiar do dinheiro público, atropelando as normas da legalidade.
Depois de “irregularidades na execução financeira” dos R$ 269 mil que recebeu do governo, em 1999, a CBG ganhou mais R$ 173 mil, em 2002. Na hora de acertar as contas, mais uma reprovação.
Será que com essas pendências, que já duram até 10 anos, conforme o Cadastro do Governo Federal, a CBG poderia receber dinheiro das loterias, via Comitê Olímpico Brasileiro?
No entanto, para ela foram repassados R$ 4,7 milhões entre 2007 e 2008.
O mesmo ocorre com a Confederação de Badminton, que há sete anos deve explicações sobre míseros R$14,9 mil que recebeu em Brasília.
E o badminton também se beneficia do dinheiro das loterias, via Comitê Olímpico.
Pendurados
Entre as 85 entidades inadimplentes só com o Ministério do Esporte, chama atenção a Federação Brasiliense de Kung Fu.
Para ela foram destinados R$ 2 milhões. O projeto não evoluiu nas mãos dos lutadores devido a “irregularidades na execução física do objeto". Mas até hoje ninguém explicou o destino da grana. Caso de Polícia, como se vê.
Samba
A Escola de Samba da Portela também faz parte do time dos inadimplentes.
Motivo: em 2007, o Ministério do Esporte destinou R$ 1,8 milhão para a Portela promover os Jogos Pan-Americanos, no seu desfile do carnaval carioca.
Mas a prestação de contas ainda continua pendente.
Assim, se o Rio de Janeiro conquistar a sede olímpica dos Jogos de 2016, o Ministério do Esporte – patrocinador maior da campanha – terá que contratar outra bateria.
Na euforia, é capaz de a batucada olímpica custar outros R$ 1,8 milhão.
Por José da Cruz às 18h22
Dos vários atletas e ex-atletas que estão na Dinamarca, na campanha Rio 2016, dois se manifestaram, de forma indignada, sobre a falta de política para o esporte nacional. Eram outros tempos, claro.
O que falta para o Brasil ser potência olímpica?-- indaguei aos atletas, nos Jogos de Sydney, 2000, naquela olimpíada em que o cavalo empacou e voltamos sem medalha de ouro.
“Atletas temos muitos, e com bom potencial. O que não temos é estrutura. É nisso que as nossas autoridades têm que pensar, urgentemente. Ou seja, em criar uma estrutura para desenvolver o nosso esporte”. Hortência
“Temos talentos no Brasil, mas eles são mais resultado de uma pessoa acreditar em si e fazer um trabalho individual”. Gustavo Kuerten – Guga
E a entrevista terminava com uma pérola, autoria do psicólogo Robertto Shinyashiki, da equipe olímpica em Sydney, justificando a ausência de pódio de ouro:
“O que mata o nosso atleta é que tem um adversário do outro lado...”
Virada radical
O nadador de ouro olímpico, César Cielo, também estará na escolha da sede dos Jogos 2016, na próxima sexta-feira, na Dinamarca.
Ainda é recente a entrevista que César concedeu à imprensa, depois de sua inédita conquista nos Jogos de Pequim.
Em resumo, ele afirmou que não teve qualquer ajuda do governo e da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).
Nas revistas deste fim de semana César aparece sorridente em propaganda dos Correios. E até defende o Rio como sede olímpica.
O que aconteceu para que o brilhante nadador trocasse a indignação pelo elogio de forma tão rápida?
Estranha mudança, César Cielo, muito estranha ...
E o que mudou na estrutura do esporte nos últimos nove anos, comparativamente às declarações de Guga e Hortência, para que hoje abracem candidatura ousada, diante de desperdícios de dinheiro e instalações de luxo fechadas?
Por José da Cruz às 19h53
Dos 75 brasileiros que conquistaram medalhas nos Jogos de Pequim 28 (37%) estavam filiados a clubes brasileiros e 35 (47%) a clubes estrangeiros.
Nessa apuração foram considerados os jogadores de futebol, vôlei e vôlei de praia, masculino e feminino, que têm a maioria de seus atletas atuando no exterior.
As informações são do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao), justificando a necessidade de revisão nos critérios de distribuição do dinheiro oficial.
O assunto voltará ao debate, com certeza, depois sexta-feira. E, dependendo da escolha do Rio de Janeiro para sede olímpica, os rumos do debate serão opostos.
Cidade vitoriosa significará um COB fortalecido; caso contrário, o Confao ganhará força em seus argumentos e pretensões.
Tal raciocínio mostra como estamos atrasados em políticas para o esporte olímpico.
Somos capazes de gastar R$ 100 milhões numa candidatura de luxo e incapazes de um trabalho integrado entre as entidades afins, que envolvem o principal elemento para a prática esportiva, o atleta.
Por José da Cruz às 18h37
O Ministério do Esporte é um mau gestor de seu orçamento anual.
Mas usa a garantia de muita verba pública como um dos pilares da candidatura Rio-2016, como revela a Folha de S.Paulo, hoje. Como entender?
Repetindo o desempenho de anos anteriores, a execução orçamentária do Ministério do Esporte de 2009 é um fracasso. Vejam os números:
l. Orçamento aprovado R$ 1.469.970.374,00
2. Despesas efetivamente pagas R$ 125.211.018,50
3. Empenhado (está na boca do caixa)R$ 234.978.005,10
4. Contas de 2008 pagas em 2009 R$ 205.023.713,13
5. Total pago em 2009 R$ 330.234.731,63
Trocando em miúdos
Dos R$ 1,4 bilhão aprovado para 2009 o Ministério do Esporte gastou, efetivamente, R$ 125,2 milhões, isto é, menos de 10% do que dispóe. E já estamos em fins de setembro.
Somando esses pagamentos aos restos a pagar de 2008, honrados este ano, teremos um desempenho de R$ 330.234.731,61.
Mesmo com o reforço das contas do ano passado, ainda assim não se chega a 50% do orçamento disponível. Que tal?
Explicações
Para esse fracasso, as autoridades do Ministério argumentam que o governo impôs o “contingenciamento”, isto é, limite de gastos.
O dinheiro é liberado aos poucos, ao longo do ano. A crise da “marolinha” foi uma das responsáveis para tanto.
Dá para entender?
Ora, se para executar o orçamento o governo não consegue liberar as verbas, o que esperar se viermos, de fato, a ser a sede olímpica, com previsão de gastos em torno de R$ 39 bilhões?
O problema não é dinheiro; é gestão, mesmo. De um lado o Palácio do Planalto, que não descontingencia o orçamento; do outro, o Ministério do Esporte, que não sabe gastar, como já demonstrou nos últimos anos.
(Os valores aqui citados foram obtidos pela equipe do Contas Abertas, a meu pedido, junto ao SIAFI, atualizados até 20 de setembro).
Por José da Cruz às 17h19
José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.
Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.