Blog do José Cruz

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30/09/2009

Senado cria subcomissão do Esporte

           A subcomissão Permanente do Esporte do Senado Federal, ligada à Comissão de Educação, Cultura e Esporte já está constituída e deverá ser instalada ainda este ano.

Seus componentes:

Bloco Parlamentar da Minoria

Titulares:

Álvaro Dias (PSDB-PR)

Raimundo Colombo (DEM-SC)

Gilberto Goellner (DEM-MT

Suplentes:

Flávio Arns (Sem partido-PR)

Papaléo Paes (PSDB-AP)

Bloco da Maioria

Titulares

Wellington Salgado (PMDB-MG)

Sérgio Zambiasi (PTB-RS)

Suplentes:

Gerson Camata (PMDB-ES)

Neuto de Conto (PMDB-SC)

Bloco de Apoio ao Governo

Titulares:

Eduardo Suplicy (PT-SP)

Inácio Arruda (PCdoB - CE)

Suplente:

João Vicente Claudino (PTB-PI)

 

Por José da Cruz às 20h03

O silêncio do ministro

          Depois da dispensa de licitação, na semana passada, o Ministério do Esporte contratou a Fundação Instituto de Administração, de São Paulo, no valor de R$ 2 milhões para:

          - prestação de serviços de consultoria para elaboração de estudo dos impactos socioeconômicos dos Jogos Olímpicos Rio 2016;

- apoio na concepção da modelagem institucional e organizacional da Autoridade Pública (APO) e da Agência Nacional Antidoping (ANAD);

- apoio à estruturação da sistemática para suporte à base de prestação de contas dos convênios firmados pelo ME para a candidatura Rio 2016;

- e a implementação e disseminação da metodologia de gerenciamento de projetos.

Silêncio

O Ministério do Esporte não explica o mais importante:

1. – A Fundação foi contratada agora para este trabalho?
         Em caso positivo, o ministro Orlando Silva tem como certa a vitória do Rio de Janeiro?

E se perder, vai pagar os R$ 2 milhões? O contrato não fala nada sobre isso.

2. – Ou a Fundação já realizou o serviço, na fase preliminar da candidatura do Rio aos Jogos de 2016?

Neste caso, o serviço foi realizado antes da contratação da empresa?

Como é que se explica, na administração pública, tal operação às avessas?

Enviei estas questões ao Ministério do Esporte na segunda-feira da semana passada.

Até agora, silêncio.

Por José da Cruz às 11h08

29/09/2009

Confederações fogem das prestações de contas

            Irregular desde 1999 com prestações de contas de verbas federais, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) voltou a se beneficiar do dinheiro público, atropelando as normas da legalidade.

         Depois de “irregularidades na execução financeira” dos R$ 269 mil que recebeu do governo, em 1999, a CBG ganhou mais R$ 173 mil, em 2002. Na hora de acertar as contas, mais uma reprovação.

         Será que com essas pendências, que já duram até 10 anos, conforme o Cadastro do Governo Federal, a CBG poderia receber dinheiro das loterias, via Comitê Olímpico Brasileiro?

         No entanto, para ela foram repassados R$ 4,7 milhões entre 2007 e 2008.

         O mesmo ocorre com a Confederação de Badminton, que há sete anos deve explicações sobre míseros R$14,9 mil que recebeu em Brasília.

         E o badminton também se beneficia do dinheiro das loterias, via Comitê Olímpico.

Pendurados

         Entre as 85 entidades inadimplentes só com o Ministério do Esporte, chama atenção a Federação Brasiliense de Kung Fu.

         Para ela foram destinados R$ 2 milhões. O projeto não evoluiu nas mãos dos lutadores devido a “irregularidades na execução física do objeto". Mas até hoje ninguém explicou o destino da grana. Caso de Polícia, como se vê.   

Samba

A Escola de Samba da Portela também faz parte do time dos inadimplentes.

Motivo: em 2007, o Ministério do Esporte destinou R$ 1,8 milhão para a Portela promover os Jogos Pan-Americanos, no seu desfile do carnaval carioca.

Mas a prestação de contas ainda continua pendente.

Assim, se o Rio de Janeiro conquistar a sede olímpica dos Jogos de 2016, o Ministério do Esporte – patrocinador maior da campanha – terá que contratar outra bateria.

Na euforia, é capaz de a batucada olímpica custar outros R$ 1,8 milhão.

          

Por José da Cruz às 18h22

28/09/2009

Cabeça de atleta

         Dos vários atletas e ex-atletas que estão na Dinamarca, na campanha Rio 2016,  dois se manifestaram, de forma indignada, sobre a falta de política para o esporte nacional. Eram outros tempos, claro.

       O que falta para o Brasil ser potência olímpica?-- indaguei aos atletas, nos Jogos de Sydney, 2000, naquela olimpíada em que o cavalo empacou e voltamos sem medalha de ouro.

         “Atletas temos muitos, e com bom potencial. O que não temos é estrutura. É nisso que as nossas autoridades têm que pensar, urgentemente. Ou seja, em criar uma estrutura para desenvolver o nosso esporte”.  Hortência

 

        “Temos talentos no Brasil, mas eles são mais resultado de uma pessoa acreditar em si e fazer um trabalho individual”. Gustavo Kuerten – Guga

          E a entrevista terminava com uma pérola, autoria do  psicólogo Robertto Shinyashiki, da equipe olímpica em Sydney, justificando a ausência de pódio de ouro:

         “O que mata o nosso atleta é que tem um adversário do outro lado...”

Virada radical

          O nadador de ouro olímpico, César Cielo, também estará na escolha da sede dos Jogos 2016, na próxima sexta-feira, na Dinamarca.

         Ainda é recente a entrevista que César concedeu à imprensa, depois de sua inédita conquista nos Jogos de Pequim.

Em resumo, ele afirmou que não teve qualquer ajuda do governo e da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

         Nas revistas deste fim de semana César aparece sorridente em propaganda dos Correios. E até defende o Rio como sede olímpica.

         O que aconteceu para que o brilhante nadador trocasse a indignação pelo elogio de forma tão rápida?

         Estranha mudança, César Cielo, muito estranha ...

         E o que mudou na estrutura do esporte nos últimos nove anos, comparativamente às declarações de Guga e Hortência, para que hoje abracem candidatura ousada, diante de desperdícios de dinheiro e instalações de luxo fechadas?

Por José da Cruz às 19h53

Rumos do esporte

         Dos 75 brasileiros que conquistaram medalhas nos Jogos de Pequim 28 (37%) estavam filiados a clubes brasileiros e 35 (47%) a clubes estrangeiros.

         Nessa apuração foram considerados os jogadores de futebol, vôlei e vôlei de praia, masculino e feminino, que têm a maioria de seus atletas atuando no exterior.

         As informações são do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao), justificando a necessidade de revisão nos critérios de distribuição do dinheiro oficial.

         O assunto voltará ao debate, com certeza, depois sexta-feira. E, dependendo da escolha do Rio de Janeiro para sede olímpica, os rumos do debate serão opostos.

         Cidade vitoriosa significará um COB fortalecido; caso contrário, o Confao ganhará força em seus argumentos e pretensões.

         Tal raciocínio mostra como estamos atrasados em políticas para o esporte olímpico.

Somos capazes de gastar R$ 100 milhões numa candidatura de luxo e incapazes de um trabalho integrado entre as entidades afins, que envolvem o principal elemento para a prática esportiva, o atleta.

Por José da Cruz às 18h37

27/09/2009

Orçamento dos horrores

O Ministério do Esporte é um mau gestor de seu orçamento anual.

Mas usa a garantia de muita verba pública como um dos pilares da candidatura Rio-2016, como revela a Folha de S.Paulo, hoje. Como entender?

Repetindo o desempenho de anos anteriores, a execução orçamentária do Ministério do Esporte de 2009 é um fracasso. Vejam os números:

l.  Orçamento aprovado                       R$ 1.469.970.374,00

2. Despesas efetivamente pagas          R$    125.211.018,50

3. Empenhado (está na boca do caixa)R$    234.978.005,10

4. Contas de 2008 pagas em 2009     R$    205.023.713,13

5. Total pago em 2009                       R$    330.234.731,63

Trocando em miúdos

Dos R$ 1,4 bilhão aprovado para 2009 o Ministério do Esporte gastou, efetivamente, R$ 125,2 milhões, isto é, menos de 10% do que dispóe. E já estamos em fins de setembro.

Somando esses pagamentos aos restos a pagar de 2008, honrados este ano, teremos um desempenho de R$ 330.234.731,61.

Mesmo com o reforço das contas do ano passado, ainda assim não se chega a 50% do orçamento disponível. Que tal?

Explicações

         Para esse fracasso, as autoridades do Ministério argumentam que o governo impôs o “contingenciamento”, isto é, limite de gastos.

O dinheiro é liberado aos poucos, ao longo do ano. A crise da “marolinha” foi uma das responsáveis para tanto.

Dá para entender?

         Ora, se para executar o orçamento o governo não consegue liberar as verbas, o que esperar se viermos, de fato, a ser a sede olímpica, com previsão de gastos em torno de R$ 39 bilhões?

         O problema não é dinheiro; é gestão, mesmo. De um lado o Palácio do Planalto, que não descontingencia o orçamento; do outro, o Ministério do Esporte, que não sabe gastar, como já demonstrou nos últimos anos.

          

(Os valores aqui citados foram obtidos pela equipe do Contas Abertas, a meu pedido, junto ao SIAFI, atualizados até 20 de setembro).

Por José da Cruz às 17h19

26/09/2009

Doping, para não esquecer

         Mesmo com a  proximidade da decisão sobre a sede olímpica de 2016, volto ao foco de um assunto interno que não pode ser esquecido: o escândalo do doping no atletismo.

         Leiam a manifestação de Nilson Duarte Monteiro, de Brasília, um dos técnicos nacionais que mais debate o assunto com autoridade. Nilson lê, estuda, conversa, troca informações, enfim   para se manter atualizado.

         Diante de suas respostas fica uma questão em aberto: o escândalo pode ser maior?

Cruz - O volume de atletas dopados no atletismo, no mesmo ano, surpreendem?

Nilson - Surpreende pela eficácia da CBAt, mas, não me surpreende pela quantidade. Poderia ser até maior.

Cruz - Como assim?

Nilson - Se os atletas limpos que sabem de atletas que se dopam, deveriam denunciar para CBAt. Muitos não o fazem por medo (são ameaçados por aqueles que se dopam), por crendice de que denunciando podem ser chamados de delatores, covardes, etc. Só que quem delata um procedimento desse está apenas reivindicando seus direitos de cidadão cumpridor das regras da boa prática esportiva.

Cruz – Não é estranho a Rede ter os seus velocistas denunciados e, agora, surgirem atletas da BM&F?

Nilson – Muito estranho mesmo, até parece uma guerra velada.

Cruz - Algo assim como “se você me denunciou eu também vou te denunciar”?

Nilson – Mais ou menos por aí.

Cruz – Então, o técnico Jayme Neto tinha razão ao afirmar que havia outros casos escondidos?

Nilson  – Eu penso que o Jayme se referia ao grupo dele, ou seja, que não eram só os que foram flagrados, que outros, também, se utilizavam do mesmo tratamento. Porém, ele poderia estar se referindo a outros grupos. Quem vai saber?

Cruz - Você acha que o fato de termos apenas duas equipes fortes (BM&F e Rede) contribui para que os atletas se dopem para  não ficarem fora das seleções que representam o país?

Nilson – Não acredito que para estar na seleção nacional os atletas tenham que ser prioritariamente dessas duas equipes, mas, para terem um salário compatível com suas performances, só essas duas equipes têm condições de dar e, para estar nessas equipes alguns atletas ou grupo de atletas precisam adotar práticas ilícitas.

Cruz - Os dirigentes e a própria CBAt devem saber disso, imagino, o que facilita a atuação para combater os abusados?

Nilson – Não acredito que os dirigentes e nem a CBAt saibam que atletas se dopam para poder aspirarem ingressar nessas equipes.

Cruz -  As corridas de fundo – as de rua, principalmente – são um foco que a CBAt deveria ficar mais atenta?

Nilson – Concordo, porém, o foco não é os exames antidoping em competição, mas, os fora de competição.

Cruz - Na sua avaliação, nosso melhor fundista, Marilson Gomes dos Santos, deveria se submeter voluntariamente ao antidoping, já que vai para a Maratona de Nova Iorque, uma prova festiva, que não leva o doping em conta?

Nilson - Dizem que ele é testado constantemente, não pela CBAt, mas, pela IAAF. Eu penso que ele e seu técnico deveriam sim, se voluntariar a exames regularmente para não pairar qualquer dúvida sobre a lisura de suas marcas e feitos.

Cruz - Nos Jogos de Seul, em 1988, Bem Johnson foi para o sacrifício. Anos depois ficou-se sabendo que os velocistas norte-americanos também estavam no gancho. Corre-se o risco de o mesmo acontecer com o recordista Usain Bolt?

Nilson – Sinceramente? Não acredito que o Usain Bolt venha a ser pego dopado, pelo menos a curto prazo. Ele, por natureza, é um enorme talento, um fenômeno, possamos assim dizer. Porém, a evolução dele de 2007 para 2008 foi fenomenal, o que deixa muita gente com a pulga atrás da orelha.

Cruz - Mas há muito dinheiro atrás dessas marcas...

Nilson - O que me deixa cético quanto a ele ser alvo do combate ao doping é enormidade de dinheiro que ele dá de retorno para os organizadores de competições, para os patrocinadores, para as entidades que regulam o esporte, etc. Para você ter uma idéia, num GP de atletismo após o Mundial, antes da aparição dele, o estádio estava meio vazio, ou meio cheio, dependendo da ótica. Assim que foi se aproximando a hora da prova dele, o estádio lotou totalmente. Isso mostra de que o cara é uma atração de que se não pode prescindir. Aí...  

Cruz - O atual momento é péssimo para o atletismo, o mais nobre dos esportes olímpicos. Isso pode refletir nos patrocínios internos?

Nilson - Já está refletindo. O próprio Grupo Rede, nas palavras de seu presidente, vai reduzir drasticamente os investimentos no esporte depois desse escândalo. Isso já é um reflexo negativo, fora os outros patrocinadores que não vão querer ver suas marcas ligada a um fraudador. Isso é extremamente negativo.

Cruz - Além dos profissionais, também os juvenis estão se dopando. É um desafio a mais para a CBAt, em termos de futuro, já que as equipes menores também entram no mesmo vício?

Nilson - Infelizmente essa prática está contaminando as bases, e não é de hoje, venho alertando isso há anos. O garoto vê que seu ídolo se dopar para alcançar a glória, a independência financeira, o que ele faz? Segue o exemplo. Se o cara faz, por que não eu?!

Cruz - O que a CBAt deve fazer para combater esse mal?

Nilson - Eu penso que a CBAt está jogando parte do seu dinheiro pelo ralo ao aplicar uma maior quantidade de teste em competição. Mas, por outro lado, se ela investir todo o seu recurso na aplicação em teste fora de competição sem um critério, ou seja, ir na hora certa e no lugar certo, estará igualmente jogando dinheiro fora.

CruzEntão...?

Nilson - Os atletas e técnicos que tenham conhecimento e se sintam lesados de que um atleta ou grupo esteja fazendo uso de substâncias ilícitas, que geralmente são utilizadas em treinamento, deveriam denunciar essa prática danosa. Só assim o combate será efetivo, como aconteceu com o pessoal do técnico Jayme Neto. Aquilo foi pura e simplesmente delação ou a CBAt acertou no milhar, o que eu não acredito.

 

 

Por José da Cruz às 10h00

25/09/2009

Rio 2016

R$ 38 BILHÕES

         É o orçamento do para o Rio de Janeiro ficar prontinho e receber as Olimpíadas de 2016. Será?

         Dia 2 de outubro conheceremos a cidade-sede.

         O valor está no caderno de encargo da candidatura carioca, dividido em três bem elaborados e ilustrados volumes.

         São dois orçamentos.

         1. – Cojo:

É a sigla de Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos.

É o orçamento das ações estratégicas e operacionais de 2016.

         Algo como se fosse a previsão dos gastos da atividade fim, os jogos, especificamente, a adminsitração da Vila, competições, premiações etc.

         2. – Não-Cojo:

         É o orçamento com os investimentos dos governos municipal e estadual do Rio de Janeiro, além do federal, nas obras de infraestrutura – aeroporto, expansão do metrô etc.

Valores

         O orçamento foi elaborado em valores de hoje e projetados para 2016. 

         Resumo dos custos:  

2008                                                 2016

Cojo           R$    5,6 bilhões    R$    7,5 bilhões

Não-Cojo    R$ 23,2 bilhões     R$ 31,1 bilhões

Totais        R$ 28,8 bilhões   R$ 38,6 bilhões

Argumentos

As autoridades olímpicas nacionais afirmam no caderno de encargos que o evento se beneficiará de investimentos “já garantidos” de US$ 240 bilhões do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal.

         Afirmação para estrangeiro ler e acreditar, claro. 

Garantias

         Estamos falando de um evento que será realizado daqui a sete anos. Até lá, outros dois governos vão se suceder no Palácio do Planalto, no Estado do Rio e na cidade carioca.

         Estamos falando, repito, de políticos, de partidos opostos que não se entendem, como já demonstraram no Pan-2007, que neste aspecto foi um desastre total.

         E, independentemente de terem que honrar o que os atuais governos assumiram para realizar as Olimpíadas no Rio – se a cidade for, de fato, a vencedora – os futuros presidentes poderão dar novos rumos ao PAC.

         Quem pode garantir que os compromissos de hoje serão honrados amanhã?

Nem os bigodudos de hoje se comparam aos de ontem, quando bigode era sinal de respeitabilidade. Temos isso no nosso Congresso Nacional?

        

Por José da Cruz às 10h42

24/09/2009

Boa notícia para o DF

         É do Ministério do Esporte que chega, enfim, uma boa notícia.

E faço questão de comentar, pois é o lado oposto às críticas que faço à falta de ações do governo no desporto escolar. Trata-se de uma pequena ação mas, enfim...

         Foram liberados R$ 350 mil para o Centro Interescolar de Educação Física (Cief), a melhor área para a iniciação esportiva na capital da República.

         O dinheiro financiará a volta do projeto Geração Campeã, que mais adiante contarei sobre ele.

Equipamentos

         Além da compra de equipamentos para a pista de atletismo – blocos de partida, dardos, pesos, colchões, barreiras etc, o dinheiro pagará o uniforme, transporte e alimentação de 63 jovens atletas, entre eles deficientes físicos, treinados por professores da rede pública.

         Foi na pista do Cief que treinaram Joaquim Cruz, medalha de ouro olímpico; Eronildes Nunes de Araújo, tricampeão pan-americano dos 400m com barreiras; Carmem de Oliveira, primeira brasileira a vencer a São Silvestre, Marilson Gomes dos Santos, bicampeão da Maratona de Nova York, e por aí vai.

Estrutura

         Para chegarem ao Geração Campeã, os atletas são selecionados nos Centros de Iniciação Desportiva (CIDs), projetos extra-curricular desenvolvido nas escolas públicas do Distrito Federal.

         Está provado, é possível. Com recurso e boa gestão, tudo funciona. Basta a ação política, a decisão política.

O problema é que, mais tarde, essa ação e a decisão tornam-se cobrança, digamos... política, como ocorreu no passado, no mesmo Centro.

Mas, deixo isso para outro dia, porque hoje é preciso comemorar a conquista do Cief.

O projeto

         O Geração Campeã, desenvolvido no início do governo passado, no mesmo Cief, oferecia iniciação para alunos da rede pública em quatro modalidades: atletismo, natação, vôlei e handebol.

         Eram três patrocinadores estatais, cujas marcas eram divulgadas nos uniformes dos atletas.

         Depois de quatro anos de atuação, quando o projeto estava embalado, as estatais – de energia elétrica (CEB), água (Caesb) e o Banco de Brasília abandonaram o contrato.

Pior: o governo distrital não reagiu. Ignorou o potencial que ali se formava e deixou os jovens ao abandono do esporte.

Final

Acompanhei aquele final triste, de muito choro e incompreensão, porque, na inocência de competidores menores, os garotos não entendiam como um projeto de resultados era capaz de falir.

Costumo perguntar: Quem paga o prejuízo dessa frustração prematura? Quem conseguirá motivar novamente um jovem que sofreu tal derrota?

Enfim, mesmo nas mãos dos governos renovo as esperanças. Espero que, com recursos federais e participação distrital, a iniciação esportiva prospere, diante de tantos recursos destinados pelo Ministério do Esporte às atividades profissionais, como o futebol.

Por José da Cruz às 18h28

O governo se curva à CBF

         O Ministério do Esporte comprará, instalará e manterá, com dinheiro público, claro, "sistemas de controle de acesso e monitoramento de imagens dos estádios" com capacidade para mais de 20 mil torcedores.

         A portaria n. 124, publicada no Diário Oficial da União de ontem apresentou os nomes da comissão de licitação para a contratação da empresa especializada nesse tipo de serviço.

Oficial

         A informação de que o Ministério do Esporte arcará com as despesas foi confirmada por sua própria assessoria de imprensa, mas ainda não se tem o valor total do projeto.

         Trata-se da mais recente intromissão do Governo em negócios privados altamente rentáveis, como o futebol profissional.

Quem deveria estar cuidando do assunto, a riquíssima Confederação Brasileira de Futebol (CBF), nem sequer foi incomodada. Isso já demonstra o crescimento de poder do presidente Ricardo Teixeira, chefe da Copa de 2014.

         Além do mais, com a disposição do governo de gastar dinheiro público a CBF fingiu-se de morta, como lhe convém, pois tem a certeza de que o torcedor-apostador pagará mais esta conta.

Torcida legal

A iniciativa do Ministério chegou com seis anos de atraso, pois essa exigência já era prevista no Estatuto do Torcedor (Lei n.10.671/2003):

Art. 18. Os estádios com capacidade superior a vinte mil pessoas deverão manter central técnica de informações, com infra-estrutura suficiente para viabilizar o monitoramento por imagem do público presente.

O artigo 37 previa, inclusive, a destituição de dirigentes no caso de desobediência ao Estatuto do Torcedor

Desmoralização

         No entanto, o que aconteceu: ninguém cumpriu a lei, e o governo entrou em campo.

Por mais que se tente entender a medida é difícil aceitar um órgão do primeiro do escalão do governo tão omisso e frágil como o Ministério do Esporte para fazer cumprir a legislação.

         Ora, se o Estatuto do Torcedor já previa essa medida, porque o ministro Orlando Silva não formou uma comissão para aplicar a lei?

         Ao contrário, esperou seis anos, e no lugar da punição aos cartolas a eles mais uma vez se aliou.

Assim, diante da omissão de tantos, o governo assumiu a lei que sancionou e vai cumprí-la, no lugar dos clubes e da CBF.

Por José da Cruz às 00h12

23/09/2009

Doping no atletismo: rotina

         Virou rotina a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) divulgar casos de doping na modalidade.

         O mais recente é da corredora juvenil Jenifer do Nascimento Silva, o 15º caso do ano, anunciado hoje.

         A mais nobre modalidade do esporte olímpico enfrenta um escândalo histórico no Brasil.

         É a oportunidade de parar com tudo, lavar a roupa, sacudir os tênis e recomeçar. A partir da renovação da presidência da CBAt, há 22 anos no poder.

Por José da Cruz às 19h33

A cara do Brasil

          É do deputado Beto Albuquerque o mais recente projeto de lei para incentivar os investimentos na construção, reforma ou modernização de estádios para a Copa 2014.

         A proposta do parlamentar transforma as despesas realizadas pelos clubes – o Internacional e o São Paulo, por exemplo – em “crédito fiscal”.

         Posteriormente, o valor acumulado nesse “crédito” poderá ser usado para compensar débitos fiscais de qualquer tributo federal do clube construtor.

Futuro

         Encalhado na demorada tramitação de projetos de leis na Câmara, a proposta de Beto Albuquerque talvez nem seja apreciada até 2014.

         O mesmo deverá ocorrer com outra dezena de propostas, sempre voltadas para beneficiar uma atividade reconhecidamente rentável, como o esporte profissional.     

          Mesmo assim,não é demais lembrar que o futebol, nosso maior patrimônio cultural-esportivo, é, sistematicamente, beneficiado por ações do governo para tirar a administração clubística do atoleiro.

Gestão

         O próprio vice-presidente de Loterias da Caixa Econômica, o ex-governador do Rio, Moreira Franco, já discursou sobre isso ao alertar que, fora das quatros linhas, falta gestão ao nosso futebol. 

         Por exemplo: há alguns anos, os clubes de futebol foram incluídos no Refinanciamento Fiscal – Refis --, iniciativa do governo para receber débitos fiscais da Receita, INSS e FGTS de diferentes credores, inclusive os clubes de futebol. 

Mais tarde, veio outro Refis. Em vão. Em governos passados, os clubes foram beneficiados com legislação para pagarem suas dívidas: da renda de cada jogo oficial seriam abatidos 5%, imediatamente repassados ao fisco. 

Mais um "tô nem aí", e a conta já passava de R$ 1 bilhão.

A salvação

Veio, enfim, a medida “salvadora”: chamaram o torcedor-apostador e implantam a Timemania, que repassa recursos para o abatimento do calote.

No projeto de lei, a dívida deveria ser quitada em 60 meses. A pressão dos cartolas foi tanta que o prazo esticou para 240 meses, ou 20 anos.

Hoje, a Timemanina é um fracasso. As apostas caem e o sorteio se revela sem atrativos; não pegou, paga prêmios pequenos, comparativamente com as demais – sena, quina, loteca.

Enfim, faço o comentário para mostrar como nossos políticos são criativos quando o assunto é futebol.

No entanto,pouco se observa em termos de projeto de lei para usar o esporte como um apoio efetivo à educação dos jovens em idade escolar.

Abre-se o cofre, com fartura, para o bem material, como a construção de arenas, patrimônio que se coloca como prioridade sobre a formação cultural da juventude.

Por José da Cruz às 18h22

A empresa punida foi outra

         Ricardo Leyser, que representou o Ministério do Esporte no Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos, explica que a Fundação Instituto de Administração (FIA) nunca teve o seu contrato nem os pagamentos suspensos pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Pesquisei e faço a correção: quem passou por esse constrangimento, determinado pelo Tribunal Foi outra empresa, a Fast Engenharia e Montagens S/A.

         A FIA – que ontem foi beneficiada por contrato sem licitação – continua recebendo em dia as parcelas de seu trabalho referentes ao Pan-2007.

         Ainda na segunda-feira passada o Ministério pagou a 14ª parcela à FIA, no valor de R$ 648.862,50, totalizando R$ 11 milhões de um total de R$ 12 milhões.

Estagiários

         Em sua mensagem, Ricardo Leyser diz que “a informação sobre estagiários foi levantada por um técnico (do TCU) e não foi aceita nem mesmo pela Secretaria de Controle Externo, ou seja, nem foi levada adiante por sua extrema fragilidade”.

         Sobre a Fundação Instituto de Administração, Leyser garante que “vários auditores do TCU afirmam que o modelo adotado pelo ministério foi adequado e deveria ser desenvolvido para aplicação em eventos semelhantes”.

TCU    

        Não é bem assim.

        O Acórdão 1553/2007 do Tribunal de Contas, também sobre o Pan, trata do acordo com a Fast Engenharia, diz, textualmente, em seu item 14, que “a fiscalização, de fato, vem sendo promovida por estagiários da Fundação Instituto de Administração, ... que não detém competência formal para a tarefa ora questionada”.

A realidade

         Feitos os registros, lembro que esse negócio de a denúncia não ter sido aceita é relativo. 

         O próprio ministro-relator do Pan-2007, Marcos Vilaça, confirmou várias irregularidades no processo das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Pan-Americanos.

         Nem por isso puniu os responsáveis. Ao contrário, com base nos “argmentos recebidos” os isentou de culpa.

         Culpados, então, devem ter sido os auditores, que não deveriam ter sido tão rigorosos em suas missões, não é mesmo? Ora, ora.

Etapas

         Ricardo Leyser argumenta que os jornalistas se valem de “documentos antigos do TCU” que, depois, passam por outras etapas, são anulados e já não vale mais nada. 

         E por que jornalista se apega a documento antigo?

         Porque o documento original, o que é feito pelo auditor, na frente de trabalho, diante do assunto que ele cuida; é o documento mais quente, de valor real. É documento técnico e não político. É, enfim, o relatório isento da influcência política.

         Depois, já na fase final do processo, dependendo do órgão, do ministro, da autoridade envolvida, o relator passa a ser “bonzinho”.

Marcos Vilaça demonstrou isso com frieza impressionante no processo do Pan 2007. Até Carlos Nuzman escapou e as irregularidades passaram a ser, acreditem, regulares.

         Particularmente, não tenho dúvidas sobre o trabalho dos auditores do TCU. São técnicos, profissionais rigorosos no desempenho de suas funções. São pessoas que trabalham com a legislação do lado e, sobretudo, com a indignação de ver o dinheiro público escorrer pelo ralo, diante da esperteza de muitos.

 

 

 

Por José da Cruz às 17h01

Palavra de especialista

A mensagem a seguir chegou em forma de comentário para o blog.

Transporte para este espaço por considerar o seu conteúdo um oportuno exemplo sobre a gravidade do tema que aqui se trata, envolvendo, mais uma vez, o MInistério do Esporte.

A mensagem 

"Sou um ex-aluno da FEA-USP (FAculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) e, atualmente, curso pós-graduação nos EUA.

Esta notícia sobre a participação da FIA num contrato de R$2milhões e, anteriormente, num outro contrato de espantosos R$12 milhões, tem que ser investigada a fundo, pois nunca vi uma prestação de serviço de consultoria em tal valor.

Além disso, como notado pelo TCU, boa parte dos funcionários da FIA são alunos da FEA-USP que trabalham em estágios de meio-período, ou seja, é impossível cobrar um valor desses seja de quem for.

Por último, a FIA se utiliza de estrutura da FEA-USP, que vem ser uma entidade pública também.

Então, há um duplo conflito de interesses em relação à coisa pública. Espero que a direção da FEA e a reitoria da USP também tomem conhecimento deste "grave" fato.

Abraços
Thiago Ojea"

 

          Vejam que o depoimento é de um ex-aluno, que conhece os bastidores da instituição, que trabalha com professores de uma das mais respeitadas entidades educacionais do país, a Universidade de São Paulo.

          O Ministério Público e o TCU, que já investigam essa situação, têm aí valioso depoimento.

Por José da Cruz às 08h26

Parceiros antigos

          A oito dias da escolha da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, tendo o Rio na disputa, o governo federal, por seu Ministério do Esporte, expõe, mais uma vez, a forma nada eficiente de administrar os recursos públicos.

         A informação que publiquei anteriormente, sobre o contrato de R$ 2 milhões, sem licitação, do Ministério do Esporte com a Fundação Instituto de Administração (FIA), de São Paulo, é a continuidade de uma relação que nasceu nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007.

         Já naquela época, os contratos entre Ministério-FIA eram considerados irregulares pelo Tribunal de Contas da União.

Caso grave

         O caso, agora, é mais grave. E, apesar de ser novidade para muitos, não é estranho para quem atua na fiscalização dos gastos públicos.

         Em fevereiro deste ano, o advogado paulista, Alberto Murray Neto, já havia encaminhado denúncia ao TCU e ao Ministério Público sobre supostas irregularidades do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), na elaboração do documento de candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos de 2016.

Ex-membro do COB, Murray Neto referiu-se à contratação de serviços sem licitação pública. E, entre elas, encontrava-se a FIA, dessa vez recebendo R$ 12,9 milhões.

Segundo Murray Neto, o Ministério do Esporte também contratou a  Fundação Getúlio Vargas (FGV) para atuar no projeto Rio 2016, ao custo de R$ 11,9 milhões, igualmente sem licitação.

O COB, por sua vez, usou recursos públicos para pagar a Events Knowledge Services, que ajudou no caderno de respostas da primeira fase da campanha carioca aos Jogos Olímpicos.

Explicações

         À época dessa denúncia, no primeiro semestre deste ano, assessores do Ministério do Esporte afirmaram que os contratos com a FIA e a Fundação Getúlio Vargas tinham respaldo legal com base na Lei de Licitações, n. 8666.

Relações

         As relações extra-licitações entre o Ministério do Esporte e a Fundação Instituto de Administração (FIA) são antigas.

         A dupla teve acordos nos Jogos Pan-Americanos de 2007, quando a empresa paulista assinou contrato com o ministério de Orlando Silva. Custo da brincadeira: R$ 12 milhões.

Tiro pela culatra

         Porém, técnicos do Tribunal de Contas da União descobriram que a FIA trabalhava com estagiários para realizar um trabalho pelo qual o Ministério do Esporte pagou para ter atuação profissional.

         Diz o relatório do Tribunal que “a fiscalização de um dos contratos (com a FIA) era exercida por apenas um servidor do Ministério do esporte”. O restante era feito por estagiários.

Impropriedades

         Além disso, o relator do processo no TCU, o então ministro Marcos Vilaça – hoje aposentado –, afirmou que o acordo entre o Ministério do Esporte e a FIA estava cheio de impropriedades e irregularidades.

Uma das irregularidades: o Ministério pagava por trabalho não realizado. Isso, a rigor, foi constatado pelos auditores do TCU em outras frentes do Pan 2007.

Segundo Vilaça, na execução do trabalho da FIA constatou-se:

Deficiência de procedimentos na fiscalização, acompanhamento e controle;

Significativa diferença apurada entre serviços e quantidades previstas e executadas;

Ausência de formalização de termos aditivos contratuais e conveniais.

         Em decorrência, o ministro conseguiu aprovar no colegiado do TCU a suspensão do pagamento das parcelas que o Ministério do Esporte ainda devia à FIA, em torno de R$ 3,5 milhões.

Por José da Cruz às 23h26

22/09/2009

Começou a festa olímpica

          O Ministério do Esporte está confiante na vitória do Rio de Janeiro aos Jogos de 2016.

De tal forma que até contratou, sem licitação, a Fundação Instituto de Administração, para cumprir as seguintes tarefas:

Serviços de consultoria para elaboração de estudos dos impactos sócios econômicos dos jogos olímpicos Rio 2016;

Apoio na concepção da modelagem institucional e organizacional da autoridade pública olímpica e da Agência Nacional Antidoping;

Apoio à estruturação da sistemática para suporte à base de prestação de contas dos convênios firmados pelo Ministério do Esporte para a candidatura Rio 2016;

Implementação e disseminação da metodologia de gerenciamento de projetos.

Valor do contrato: R$ 2.058.800,00

Os dados desse contrato foram publicados no Diário Oficial de hoje, sob o título “Extrato de dispensa de licitação n. 147/2009”.

Como se observa, não falta dinheiro ao nosso esporte.

         Só falta os senhores dos anéis cravarem, na urna olímpica, os votos para a Cidade Maravilhosa.

         Agora vai.

          Confira:

          http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?data=22/09/2009&jornal=3&pagina=116&totalArquivos=168

         Quem é?

         Conforme o seu próprio site, "a Fundação Instituto de Administração – FIA – é uma entidade privada sem fins lucrativos estabelecida em 1980 por iniciativa de professores do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade - FEA/USP."

           "Desde a sua criação, cerca de 3 mil projetos foram realizados nas três linhas básicas de atuação da instituição - consultoria, pesquisa e educação, capacitando-a para desenvolver estudos e prestar serviços nos mais variados campos de especialização da Administração".

 

 

Por José da Cruz às 19h17

21/09/2009

Curiosidades lotéricas

         Já comentei sobre a importância das loterias federais, uma das principais fontes de receita do esporte olímpico, paraolímpico e do futebol

         Para que o leitor tenha idéia sobre o volume de dinheiro, leiam as informações que obtive junto à Superintendência Nacional de Loterias e Jogos da Caixa Econômica. Confiram:

 

De 2003 a julho de 2009, as loterias arrecadaram:

R$ 31.239.701.431,49

Principais destinações:

         Esportes                        R$  2.016.231.078,03   

         Educação                       R$  2.815.843.104,59

         Cultura                           R$     890.957.860,00

         Segurança                      R$     938.942.810,68

         Saúde                            R$         5.374.556,70

         Seguridade social            R$   5.299.885.043,03

         Receita Federal               R$   3.481.632.720,72

         APAE/Cruz Vermelha       R$         2.074.064,44

         A diferença entre o valor arrecadado e as principais destinações pagam os prêmios e taxa de administração da Caixa.

Torcedor-apostador

         Costumo usar essa expressão porque reflete a realidade: o apostador nacional, de olho num bom prêmio, torna-se fiel financiador de projetos sociais do governo.

         Porém, nem sempre o dinheiro chega ao seu destino.

         Ao contrário do que ocorre com os comitês Olímpico e Paraolímpico, cujas destinações vão direto aos seus caixas, a grana das demais caem no cofre comum do governo federal – o Tesouro.

         E o que ocorre? Liberar verba do Tesouro é um sufoco.

         Pior: quando o governo promove o tal contingenciamento no orçamento (limitações de gastos), também o dinheiro das loterias fica bloqueado.

Azar da saúde, da educação, da segurança, cultura...

 

Por José da Cruz às 22h49

Copa 2014: Manaus ameaçada de perder sede

          O projeto de Manaus para construir o estádio que receberá os jogos da Copa do Mundo de 2014 “está mal”, na avaliação de uma autoridade do governo que participa das reuniões com o BNDES, em Brasília, sobre o financiamento das obras.

         “Mal” quer dizer: nem o projeto está definido o que atrasará o cronograma, já apertadíssimo. Assim, a capital amazonense corre o risco de ser descartada pela Fifa como uma das 12 sedes do Mundial de 2014. Há poucos dias voltaram os comentários de que a Fifa insistirá em ter apenas 10 sedes.

A confirmação das sedes ocorrerá em dezembro de 2010, na reunião do Comitê Executivo da Fifa. Na ocasião, também será decidido sobre as sedes de abertura e encerramento do Mundial.

Prazos

Conforme cronograma da Fifa, os estádios deverão estar prontos em dezembro de 2012, para vistoria final, pois em 2013 será realizada a Copa das Confederações. Ou seja, estamos a 40 meses do limite.

Experientes engenheiros do setor imobiliários afirmam que a construção de um estádio, nos moldes dos que estão projetados, demora em torno de três anos.

Para cumprir os prazos as obras deverão começar em janeiro de 2010, impreterivelmente. Será?

Reuniões

A equipe do Governo Federal que cuida das finanças para a Copa do Mundo de 2014 reativou hoje as reuniões semanais com os representantes das 12 cidades-sedes.

         Nesses encontros, iniciados na semana passada, no Centro Cultural do Banco do Brasil – sede do governo enquanto se reforma o Palácio do Planalto –, quatro, cidades apresentaram detalhes de seus projetos.

O objetivo é comum: conseguir financiamento do BNDES para a construção ou reforma dos estádios e verbas do orçamento federal para obras de melhorias das cidades.

Financiamentos

         Conforme uma autoridade do governo que participa das reuniões – com representantes da Casa Civil, BNDES, Ministérios do Turismo, Cidade e do Esporte – “há muita preocupação” com o atraso das obras.

         Principalmente porque a assinatura de um contrato de financiamento demora, há necessidades de garantias para o endividamento dos municípios ou estados. Depois, vêm os prazos para licitações que, ocasionalmente, podem até serem anuladas por uma empresa derrotada no processo. E o tempo vai passando.

Cerca de 10 técnicos do BNDES acompanham as reuniões. Eles já anunciaram que o banco financiará 75% do valor total das obras, com o limite de R$ 400 milhões para os empréstimos.

Apesar da insistência, não consegui o calendário das reuniões. Apenas a informação de que quatro cidades se apresentaram na semana passada. A expectativa do governo é encerrar os encontros esta semana, apreciando dois projetos por dia.

 

           

 

Por José da Cruz às 17h15

Entrevista olímpica

          No dia 1º de setembro encaminhei entrevista ao presidente do Comitê de Candidatura Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman. Até hoje, sem resposta. Para que não fiquem só as críticas, abri, como de costume, espaço ao Comitê de Candidatura. Em vão.

           Estamos a 11 dias da eleição da cidade-sede. Por isso, acho oportuno publicar as principais perguntas, para que não fiquem dúvidas sobre o meu interesse no assunto.

           As perguntas encaminhadas – e que foram recebidas, segundo me informa a assessoria do presidente Carlos Nuzman, são as seguintes:

         Depois dos visíveis desencontros entre os governos municipal, estadual e federal ocorridos no Pan-2007, acarretando sobrecarga de gastos ao Governo central, qual a sua expectativa para o trabalho de 2016, caso o Rio seja vencedor?

           O orçamento, já elaborado, está sujeito a correções ao longo do processo?

         Na sua avaliação, construir um projeto olímpico no Brasil é prioritário, considerando a precariedade do nosso esporte de base, a partir da falta de educação física nas escolas e da  falta de um projeto de formação de atletas?

         Quais as garantias de que o projeto olímpico será desenvolvido com o cumprimento de todas as exigências da legislação, como licitações, por exemplo, ao contrário do que ocorreu no Pan-2007?

           Da mesma forma, como evitar o esbanjamento de recursos, como a compra de equipamentos desnecessários (aparelhos de ar condicionado, por exemplo), ou pagamento de serviços que não foram realizados, conforme atestam auditorias do TCU?

            A partir da existência de um Comitê Organizador dos Jogos, quem, de fato, tem o comando das ações? Como é a hierarquia desse processo, que inclui o governo federal como o principal financiador da candidatura e dos jogos?

         Não é temerário partir para um evento grandioso e bilionário, como as olimpíadas, num país carente de política de esportes e sem um trabalho integrado de estado e município para o uso das instalações em projetos afins?

         Finalmente: o Senhor poderia listar a situação atual das instalações usadas no Pan-2007, isto é, quem é responsável pelos referidos espaços e se os mesmos estão sendo ocupados? 

Obrigado pela atenção

José Cruz

Por José da Cruz às 08h44

20/09/2009

Corajoso depoimento

Transcrevo a mensagem que recebi do presidente da Federação de Badminton do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Nagato, referindo-se aos últimos temas aqui debatidos.

Seu depoimento é corajoso e, quem sabe, o que tantos outros dirigentes gostariam de dizer, mas silenciam diante do poder maior.

Leiam:

Realmente, ainda não consegui ver o detalhamento das despesas das confederações. Pelo menos, nos sites não é fácil encontrar algo. E os resumos no site do COB são pouco esclarecedores.

As federações também são pouco ouvidas na hora de se discutir orçamento. É o que você colocou. Praticamente são ouvidas de 4 em 4 anos.

Eu até acho justo que se utilize parte da verba das loterias para manutenção de sede, já que muitas entidades têm apenas este recurso e a sede é, às vezes, o CT da entidade.

Mas seria melhor se a verba utilizada fosse aberta para entendermos melhor o que é esta manutenção da sede. Hoje, é um número vago. Transparência é tudo. E é o que menos vemos. Será que um dia a gente chega lá?

Eu, que sou de federação, gostaria pelo menos de ter alguma verba para discutir, já que a das loterias não chega até nós e a da Lei de Incentivo ao Espore só chegam aos "famosos".

Um dia, quem sabe, a gente pare de tirar dinheiro do bolso para sustentar o esporte.

Ricardo Nagato

Por José da Cruz às 16h23

Está tudo resolvido

            

Os clubes sociais-esportivos receberão recursos do Ministério do Esporte, a partir de 2010, para treinar competidores de alto nível.

         A fonte, do próprio Ministério, disse que a decisão saiu durante reunião do ministro Orlando Silva com dirigentes do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao), em São Paulo.

         Os recursos para tanto virão das loterias, na parte que cabe ao Ministério. Em 2008, essa verba foi de R$ 241 milhões. Por lei, um terço desse total é repassado às secretarias estaduais de esporte de todo o país.

COB está salvo

         Originalmente, a proposta para atender o Confao era tirar 30% da verba do COB. Em 2008, esse percentual representaria R$ 28 milhões. Muito pouco, se comparado aos R$ 85 milhões da candidatura Rio 2016.

         Com tal decisão, o Comitê Olímpico continuará com os seus recursos intactos, como queria.

Decisão

A decisão ministerial saiu depois da negativa da Caixa Econômica Federal, na quarta-feira, de reduzir os prêmios das loterias que administra para beneficiar, mais, o esporte.

         Como se sabe, 2% do que as loterias arrecadam anualmente vai para o COB e Comitê Paraolímpico. O dinheiro, porém, sai do prêmio que é entregue aos ganhadores de cada uma das 10 loterias da Caixa.

Paz

         Assim, Orlando Silva resolve o problema do Confao – cujos principais clubes abrigam a maioria dos atletas de ponta do país – e deixa o COB em paz.

         Mais uma vez o Ministério do Esporte aplica solução emergencial para problemas que se perpetuam na estrutura sob sua gestão.

E adia o debate sobre as fontes de recursos para o setor – orçamento, loterias, patrocínio de seis estatais e R$ 300 milhões da Lei de Incentivo – e sua divisão entre confederações, federações e clubes.

         Enfim, está tudo resolvido. E se alguém ainda ficou sem dinheiro é só gritar, porque o ministro é bonzinho e resolve logo.

        

 

Por José da Cruz às 01h01

19/09/2009

O judô no gelo

          Volto à “Desordem no esporte”, publicada ontem, para complementar a análise.

1.     – temos fartura de clubes com boa estrutura; ociosos, porém, na maioria;

2.     – a maior parte dos atletas olímpicos está concentrada em clubes;

          3. – os recursos oficiais da Lei das Loterias (10.264/2001) não chegam a essas instituições nem a esses competidores;

          4. – os patrocínios das estatais também não atendem a esse potencial de competidores de ponta;

          5. – o COB limita-se a dialogar com as confederações, que ignoram o potencial e a importância dos clubes, criando-se uma oposição antipática ,inoportuna, nada democrática e que não contribui para o desenvolvimento do esporte;

          6. – finalmente: os recursos oficiais são usados, na maioria, na promoção de eventos e despesas administrativas das sedes das confederações.

Prestações de contas

         As prestações de contas que o COB faz anualmente sobre a aplicação dos recursos da Lei das Loterias confirmam que o dinheiro tem apenas um destino: as confederações.

         Essas entidades são atendidas conforme as previsões anuais que apresentam e pelo critério da “meritocracia”. Ou seja, a modalidade que tem melhor resultado olímpico ganha mais recursos. É assunto para outro dia.

         Os tais demonstrativos sobre o que foi realizado pelas confederações estão disponíveis na página do COB (www.cob.org.br). É uma apresentação burocrática, algo para "lavar as mãos". O que interessa, mas não se tem acesso são, insisto, as prestações de contas.

Levantamento

         Pesquisei os dados disponíveis sobre algumas aplicações dos recursos da Lei das Loterias e encontrei 18 confederações usando os recursos, também, na “manutenção da sede”.

         Entre elas, as de basquete, canoagem, atletismo, vôlei, hipismo, lutas associadas, badminton, desportos aquáticos, ciclismo, levantamento de peso etc. O dinheiro que deferia ser aplicado na atividade fim (atleta), perde-se na burocracia administrativa.

          Constatei, também, que há duplicidade de dinheiro. Explico:

         A Confederação Brasileira de Atletismo, por exemplo, usou parte dos recursos da Lei das Loterias para promover o Troféu Brasil de Atletismo.

         Mas, na sua própria página, a CBAt (www.cbat.org.br) exibe o patrocinador do evento: Troféu Brasil Caixa de Atletismo.

         Então, onde entra o dinheiro do patrocinador (Caixa) e o da Lei das Loterias? Ou o mesmo evento é usado para captar recursos das duas fontes? E a prestação de contas para uma entidade é a mesma da outra?

Demais modalidades

         O mesmo vale para a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, que promoveu o Troféu Maria Lenk com o patrocínio dos Correios. Mas as despesas do evento aparecem, também, nas promoções financiadas pela Lei das Loterias.

         O tênis, por sua vez, realizou o Campeonato Brasileiro Infanto-Juvenil com recursos das loterias. E até onde vai o patrocínio dos Correios à Confederação?
         Enfim, são dúvidas assim que poderiam ser esclarecidas se as prestações de contas fossem abertas, como deveriam.

          Como isso não ocorre, ficam os questionamentos e as críticas, na expectativa de que o Ministério do Esporte, como autoridade maior do setor, se manifeste. Será? Duvido!

Conclusões

 Insisto: estamos falando de recursos públicos. Portanto, não é exagero pedir clareza sobre o seu destino. 

 Afinal, se o dinheiro não está chegando ao atleta olímpico, como afirma o Confao, deve estar sendo aplicado em outras iniciativas que precisam ser expostas. E com justificativas que se sobreponham, de fato, à prioridade maior, que é a formação e  treinamento de competidores.

 Da forma como está, é difícil entender. Pois se falta de dinheiro para pagar passagem aos judocas, financiar atletas do desporto no gelo é prioridade?

          Repito: pagar treinamento de atleta de desporto no gelo nos Estados Unidos, é prioridade para o nosso esporte que, segundo Carlos Nuzman, ainda precisa de mais recursos?

         Se o sistema é o da meritocracia, o judô não deveria estar recebendo, quem sabe, parte dos recursos que se dilui no gelo, sem resultados?

         Enfim, a discussão continua. Voltarei ao tema, pois há mais informações disponíveis para se debater.

Por José da Cruz às 17h07

Notícias na madrugada

Transcrevo pora o blog duas mensagens de ex-atletas. Uma de Ana Mesquita, que foi nadadora de provas longas. Professora de Educação Física, fez mestrado em Comunicação e Semiótica.

A outra de quem assina apenas Antônio, também especialista na área de Educação Física, formador de atletas.

As duas mensagens estão no contexto do principal debate que tivemos hoje, a partir da notícia da falta de recursos da Confederação de Judô para pagar passagens para suas competidoras.

Confira:

 Agasalho oficial

“Eu era nadadora. Em 1993 atravessei o Canal da Mancha e bati o recorde latino-americano.

Eu vivia na luta para conseguir algum patrocínio, mas quando alguém se mostrava indignado por eu não ter "nem apoio do governo para representar o país", costumava discordar, porque o Canal da Mancha não é prova oficial, não tem seletiva nem convocação, e eu tinha decidido por mim mesma que queria cruzá-lo.

Levei uma bandeira do Brasil no barco, mas também era eu quem a queria lá. Além disso, eu pensava: num país como o Brasil, com tantas carências, seria um absurdo o dinheiro público patrocinar minha travessura. (“A travessura do Canal da Mancha” é o nome do livro que lancei em abril e que conta a história toda).

Mas então aconteceu que eu fui nadando umas provas do campeonato mundial, sempre viajando dura, sozinha, tendo que buscar no lugar da prova alguém para me acompanhar.

Classifiquei-me para a final do campeonato 1993-94, que seria na Itália. Campeonato oficial, com o aval da FINA. Decidi telefonar na CBDA e ver se eles pagavam a passagem, para mim e para meu técnico.

Disseram que não tinham dinheiro e nem insisti. Mas então, quando cheguei na Itália, tinha lá um diretor da CBDA, acompanhado pela esposa. Foi aprender como se organizava uma prova, segundo me disseram.

Ambos tinham agasalho da equipe brasileira de natação, mas eu não. Quando fui receber meu troféu, a esposa do diretor me emprestou o dela...

Também me disseram que a CBDA não pagou a passagem da esposa, o que eu até acredito.

Mas um atleta que vai competir não deveria ter prioridade em relação ao cartola? Acho que, aqui no Brasil, isso nunca é o que acontece, o que explica o caso do judô. Afinal, os dirigentes alocam os recursos, e eles querem conhecer o mundo...”

Ana Mesquita

 

O que mudou?

“Fui atleta durante muito tempo. Depois, parei de competir fui cursar educação física. Fiz pós-graduação em treinamento desportivo.

Atuo como técnico faz mais de 10 anos. Formei campeões estaduais e brasileiro, atletas medalhistas em sul-americano, categorias menores e juvenis. Ou seja, faz mais de 20 anos que vivo diariamente com o esporte, seja iniciação ou rendimento.

A pergunta: o que mudou nas políticas esportivas nessas últimas duas décadas? muito pouco.

Claro, foram criados programas interessantes como bolsa atleta leis de incentivos, entre outras coisas. Até ai tudo bem. Certas leis realmente repassam essas verbas através das entidades esportivas.

Mas, aí vem a outra pergunta: para quem e como elas realmente são aplicadas? E, e se são aplicadas, de fato, para quem são destinadas?

Muito pouco chega a quem precisa desses recursos. A maioria fica no meio do caminho. Mas, fazer o quê, se o povo aceita...?”

 Antônio

Por José da Cruz às 23h44

18/09/2009

Correção

         Na reportagem “A desordem do esporte”, mais abaixo, errei feio em um número.

São 55,3 milhões de associados nos clubes nacionais, e não 55 mil, como publiquei.

Quem me puxou as orelhas foi o leitor Álvaro, ao qual agradeço pela atenção.

Desculpem a minha falha.

Por José da Cruz às 19h42

A que ponto chegamos!

         Ao abrir o caderno de esporte da Folha de S.Paulo de hoje, leio a reportagem de José Eduardo Martins, com a seguinte manchete:

         “Judocas pagam para competir”

         Começa assim:

         “Os piores tempos do judô brasileiro até parecem estar de volta. Depois do fracasso no Mundial de Roterdã, em agosto, na Holanda, as sete atletas que vão disputar a Copa do Mundo da Inglaterra a partir de amanhã tiveram de pagar as suas próprias passagens aéreas para competir na Europa”.

Inacreditável

         A Confederação Brasileira de Judô foi contemplada com R$ 2,5 milhões das loterias federais, via Comitê Olímpico.

         Outros R$ 1,5 milhão veio, também este ano, da patrocinadora oficial, a Infraero. Ou seja, são R$ 4 milhões.

         É pouco?

         Não sei, pois não conheço as necessidades da CBJ.  As contas das confederaçõs e do COB sobre verbas são sigilosas.

         Mas se é pouco, como alegou o presidente da entidade, Paulo Wanderley, ao repórter da Folha, então o planejamento está errado, pois o COB tem dinheiro para atender às necessidades dos atletas olímpicos.

         Além de distribuir o dinheiro entre as confederações pelo critério da “meritocracia”, o COB tem, ainda, o Fundo Olímpico, onde acumula dinheiro para as necessidades de emergência.

Apelo

         Senhor ministro do Esporte, Orlando Silva.

         A denúncia da Folha de S.Paulo é gravíssima.

         Dê um tempo na sua campanha para deputado federal e se atenha aos problemas de sua pasta. Eis aí um problemão para o Senhor se ocupar no fim de semana.

         Telefone ao presidente do COB, Carlos Nuzman, que está em campanha olímpica na Europa e questione sobre esta vergonha nacional.

         Como o Senhor, Ministro, pode apoiar a candidatura aos Jogos do Rio de Janeiro se nossos melhores atletas pagam do bolso para viajar?

         Tal barbaridade não lhe provoca indignação?        

Não exagerei        

          De

pois que coloquei a última mensagem no blog, achei que tinha exagerado no título – A desordem do esporte.

Texto redigido com indignação, pelo material que estamos analisando, foi a melhor forma de demonstrar que estamos, de fato, sem rumo.

De fato, náo foi exagero.

Por José da Cruz às 15h30

A desordem do esporte

         No recente encontro que tive em Brasília com o presidente da Confederação Brasileira de Clubes, Arialdo Boscolo, recebi farto material informativo, que contribui para reforçar a tese que aqui tenho defendido, da falta de política e rumos para o esporte nacional.

Mais: o dirigente respondeu a todas as indagações e dúvidas que eu tinha, inclusive sobre a aplicação do dinheiro que a CBC recebe da Timemania. Ao contrário de outros dirigentes, Boscolo não fugiu da imprensa.

Memória

Os clubes sociais, Brasil afora, têm, hoje, na sua maioria, espaços ociosos para a prática de esportes, enquanto o governo e políticos em geral se preocupam com a construção, mais e mais, de quadras e ginásios.

Os números sobre os clubes escondem uma realidade que poucos conhecem.

Segundo o IBGE, temos:

13.826 clubes

55.304 .000 associados

300 mil empregos diretos

Estratégia

         Foi nesse universo que se originou, em março último, o Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao), reunindo, inicialmente, oito tradicionais agremiações:

Vasco da Gama, Flamengo e Fluminense, do Rio de Janeiro, Pinheiros e Corinthians, de São Paulo, União e Sogipa, de Porto Alegre e Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte.

         Desses, seis são centenários. Ou seja, têm muita história. Tanto que, quando o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) foi fundado, em junho de 1914, esses clubes já congregavam a sociedade em seus respectivos estados, incentivando a prática esportiva.

Mais números

         Atualmente, os oito clubes fundadores do Confao reúnem 9.129 atletas federados de equipes de ponta e de base de modalidades olímpicas;além de 1.122 profissionais do espore e 5.343 crianças e jovens em cursos de formação esportiva.

         Tais dados foram divulgados quando o Confao foi criado. Como até hoje, no entanto, permanece o impasse sobre o acesso desse órgão aos recursos públicos, vale a pena repetir para mostrar as distorções do nosso esporte.

         O número mais expressivo dessa realidade contrasta com a política (ou falta de) no uso do dinheiro oficial:

         Dos 277 atletas que integraram a delegação brasileira, nos Jogos de Pequim, 213 foram formados e/ou são mantidos por clubes sociais.

Nível inaceitável

         Os argumentos sáo dos próprios dirigentes do Confao, um conselho, repetimos, da Confederação Brasileira de Clubes. Observem:

         “A criação do Confao foi motivada pela insatisfação dos clubes com a falta de reconhecimento ao trabalho fundamental executado por eles, na formação de atletas e pela falta de apoio financeiro.”

         Mais:

         “A postura de alguns órgãos, em especial o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), ignorando os verdadeiros formadores e mantenedores de atletas e equipes olímpicas brasileiras, que são os clubes, chegou a um nível inaceitável pelo nosso segmento”.

E os recursos?

         “No último ciclo olímpico, foram repassados ao COB cerca de R$ 288 milhões, oriundos da lei 10.264/2001 (repasses das loterias), visando à manutenção de atletas. Entretanto, apesar de 77% (213) dos 277 atletas que integraram a delegação brasileira em Pequim serem originários de clubes, estes não receberam qualquer benefício, nem mesmo a reserva de ingressos para os torneios em que seus atletas atuaram”.

         Que tal?

         A análise dessa realidade farei no próximo artigo.

Mas já fica evidente a desordem no sistema esportivo olímpico nacional”.

Porque, temos:

1.     instituições que não dialogam;

2.     recursos que não chegam onde estão, de fato, os atletas;

3.     um ministério que não busca dar rumo a essa gravíssima situação.

Por José da Cruz às 00h04

17/09/2009

Rápidas da pré-madrugada

         O Conselho Nacional de Esporte elegeu os três representantes da sociedade civil para a comissão técnica que analisa projetos da Lei de Incentivo ao Esporte.

         São eles: Luiz Felipe Santoro, do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo, a ex-presidente da Confederação Brasileira de Ginástica, Vicélia Florezano, e Alberto Martins, do Comitê Paraolímpico Brasileiro.

Esqueceram-se de mim

         O Ministério do Esporte está abolindo o nome de Agnelo Queiroz da Lei 10.264/2001 – conhecida por “Agnelo Piva” –, que destina 2% das loterias federais aos comitês Olímpico e Paraolímpico.

         Agnelo, ex-ministro do Esporte apresentou a proposta original dessa lei, quando deputado federal.

Posteriormente, o senador Pedro Piva (PSDB-SP), reescreveu o projeto e o apresentou no Senado.

Quando a lei foi sancionada, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, ficou conhecida por “Agnelo Piva”.

         Mas é o próprio Ministério do Esporte que, agora, esconde o nome de seu ex-ministro.

Em duas reportagens que a assessoria de imprensa do Ministério publicou nesta quinta-feira, refere-se à “Lei Piva”, na maior parte dos textos. Apenas uma vez o outro autor é citado.

Numa das reportagens, sobre a reunião do Conselho Nacional de Esporte, apenas Piva é lembrado.

         Não há manifestação oficial sobre a medida, mas pode-se supor que seja pelo seguinte motivo:

Há poucos meses, Agnelo saiu brigado do PC do B. Coisas  da política e de políticos.

Pouco tempo depois, caiu de paraquedas no PT-DF, para ser candidato a governador da capital da República.

Seria esse motivo que o nome de Agnelo começa a ser esquecido no Ministério do Esporte? Represália ao ex-ministro, como se ali fosse um reduto exclusivo dos comunistas?

Bueno, eles que se entendam.

Mas bem que poderiam substituir os dois por “Lei das Loterias”. Afinal, é daí que sai o dinheiro para financiar o esporte.

Controle    

         O Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), que registra o movimento de caixa do governo federal, terá um identificador específico para que se acompanhar todas as despesas com dinheiro público, na organização da Copa 2014.

         A proposta do deputado Silvio Torres (PSDB-SP), aprovada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, da Câmara, foi sugerida pela equipe técnica da ONG Contas Abertas, e será encaminhada, agora, aos órgãos do governo que tratam do assunto.

         A criação do identificador permitirá que as despesas da União com a Copa de 2014 sejam monitoradas em seu menor nível, como já ocorreu no acompanhamento das despesas do Pan-2007, facilitando a identificação de todas as despesas e possíveis irregularidades.

Ex-candidato  

           Perto de disputar a Série B, em 2010, o Fluminense tem uma dívida milionária e um ex-candidato a “salvador” desse que é um dos grandes patrimônios do futebol brasileiro

         Com um rombo de R$ 300 milhões em seu cofre – R$ 100 milhões só para com o fisco e, o restante, em processos trabalhistas, principalmente – poucos se atreveriam a enfrentar tempestade deste tamanho.

         Mas, um grupo de “amigos” – e bota amigo nisso ... – não conta mais com o salvador das Laranjeiras.

Ex-craque que fez sucesso com a camisa do tricolor carioca na década de 80, o hoje deputado Deley não quer se tornar cartola.

“Gostaria muito de ajudar o meu Fluminense, nas não será desta vez”, me disse Deley.

         A dúvida é a dívida, que assusta?

         “A dívida assusta, mas não há dúvidas sobre uma prioridade, a família”.

         Depois de oito anos com idas e vindas entre Volta Redonda, sua terra natal, e Brasília, Deley revelou que a família cobra muito a ausência dele.

         E assumir a presidência do Flu o afastaria mais de casa.

Rumos do atletismo

Reunião de gente grande, em Manaus.

A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) reúne, amanhã e sábado, membros do Conselho Técnico, da Comissão de Atletas e do Conselho de Clubes.

Presidentes de federações estaduais também estarão presentes no debate preliminar de um tema importante: ações do atletismo para o período 2010—2016.

As decisões serão submetidas aos participantes do 4º Fórum Atletismo do Brasil, constituído por representantes de toda a comunidade atlética nacional.

Por José da Cruz às 20h45

O "bolo" se esfarela pelo caminho

         Deslocando-me entre uma comissão e outra da Câmara dos Deputados, ontem à tarde, consegui conversar rapidamente com o deputado Otávio Leite, do PSDB do Rio de Janeiro.

         É desse parlamentar a proposta para que o Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao), entre no rateio do dinheiro das loterias, via Comitê Olímpico Brasileiro.

         Como se sabe, uma comissão, com dirigentes da Caixa Econômica, inclusive, discutirá o assunto, a partir de terça-feira.

         Mas, em resumo, o deputado Otávio Leite disse o seguinte:

“Há necessidade de fazer crescer o bolo para dividi-lo, depois”.

         E o que significa isso? Aumentar os recursos para o esporte. Mais grana, mais dinheiro. 

Gestão

         Há bom tempo tenho demonstrado, com números reais, que não faltam recursos ao esporte. Falta gestão. O próprio Ministério do Esporte é péssimo gestor de seu orçamento. Brevemente mostrarei os números.

         De olho na visibilidade que o futebol e os esportes olímpicos oferecem, o governo atual abriu os cofres e distribui dinheiro sem critérios, como ocorre com a Lei de Incentivo ao Esporte.

         O desperdício é incrível.

Balanço

         Portanto, é indispensável que o grupo  formado na Comissão de Turismo e Esporte, para discutir sobre novas fontes de recursos, visando “aumentar o bolo”, realize, prioritariamente, um levantamento sobre o que temos hoje.

Será que as excelências parlamentares têm esse dado?

Sabem quanto dinheiro vem das estatais? Quantas modalidades são atendidas?

E quando já captou a Lei de Incentivo?

E para onde foi o dinheiro?

Que retorno tais investimentos oferecem, de fato,para o crescimento de nosso esporte ou formação de novos valores?

Quanto é o patrimônio do Fundo Olímpico, administrado pelo COB?

       Será que o grupo que vai realizar o tal estudo tem noção de quantos clubes sociais-esportivos temos hoje no país – boa parte históricos – e quantos atletas olímpicos eles abrigam?

E quanto esses clubes recebem do “bolo do governo” para formar os atletas que são, de fato, os nossos competidores de ponta?

Bobagem

         Sem esses dados, qualquer discussão é bobagem. Não se iludam, é perda de tempo. E de dinheiro.

         Parem, Excelências, de discutir sobre novas fontes de recursos financeiros. Dêem uma chance às fontes de recursos humanos. 

         O “bolo” a que se refere o deputado Otávio Leite está grandinho. E as fatias que já são repartidas se esfarelam pelo caminho, sem chegar à base, à iniciação.

         Sobre tudo isso preparo um balanço,para breve.

         Não há necessidade de reduzir os prêmios das loterias para beneficiar, mais, o esporte.

         É só refazer a divisão das fatias do bolo, pois há dinheiro para todos. O próprio COB, com um mínimo de humildade, precisa descer da sua hierarquia para dialogar com a base.

         Em resumo, sobra dinheiro, sobra prepotência olímpica e falta diálogo entre os segmentos afins.

 

Por José da Cruz às 11h31

16/09/2009

Rápidas da madrugada

Copa 2014

         O ministro do Esporte, Orlando Silva, afirmou que o Brasil poderá perder duas cidades-sedes para a Copa de 2014. Ficariam só 10.

         Confirma o que escrevi há duas semanas, conforme me revelou uma autoridade do futebol, muito próxima a Ricardo Teixeira, presidente da CBF.

A notícia ministerial foi dada em Porto Alegre, na terça-feira.

Orlando Silva confirmou, inclusive, os motivos para a decisão extrema, ratificando, também, o que informei: a Fifa está preocupada com a morosidade do Brasil no início das obras dos estádios. A notícia completa está em www.maquinadoesporte.com.br

Lei de Incentivo

         O Conselho Nacional de Esportes reúne-se nesta quinta-feira, no auditório do Ministério do Esporte.

         Na pauta: eleição de três representantes da sociedade civil para a comissão técnica que analisa projetos da Lei de Incentivo ao Esporte.

Os cargos são disputadíssimos.

Mandato dos cartola

         Tramita na Câmara dos Deputados projeto de lei (N.4862/2009) que limita a quatro anos o mandato de dirigentes de entidade esportiva contemplada com recurso público.

         A proposta é do deputado Paulo Rubem Santiago (PDT/PE), que fixa os mandatos em dois anos, com direito a apenas uma reeleição.

         Assunto polêmico que assusta os cartolas, mas o próprio Palácio do Planalto também articula encaminhar proposta ao Legislativo, no mesmo sentido.

         Com uma diferença: mandato de quatro anos e uma reeleição.

Sono tranquilo

         As autoridades do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico Brasileiro terão sono tranqüilo: nenhum processo foi julgado na sessão do Tribunal de Contas da União, desta quarta-feira, referente aos gastos dos Jogos Pan-Amerianos de 2007.

         Extra-oficialmente, soube que no TCU não se falará no assunto Pan-2007 até o dia 2 de outubro, quando se saberá se o Rio conquistou a vaga olímpica para 2016.

         É a contribuição do Tribunal à candidatura carioca, para evitar que repercuta no exterior os desmandos aqui praticados com o dinheiro público, na realização de evento esportivo.

         Já no Rio de Janeiro,  os bandidos não contribuem. E segue o tiroteio urbano, em Ipanema e arredores, inclusive. Legado do Pan.

Por José da Cruz às 20h56

Impasse lotérico-olímpico

            O aumento dos repasses das loterias federais para o esporte olímpico e paraolímpico depende dos rumos da candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas 2016.

         Se a Cidade Maravilhosa tiver sucesso contra Madri, Chicago e Tóquio na eleição de 2 de outubro, o Congresso Nacional fará uma grande revisão na legislação, a partir da Câmara dos Deputados.

         Caso contrário, o tratamento será proporcional à derrota carioca, e dificilmente o esporte será contemplado com mais dinheiro público.

Ônus

         O certo é que a Caixa Econômica Federal não está disposta a repassar para o apostador o ônus de reduzir o prêmio das 10 loterias que administra para aumentar o dinheiro do esporte.

         Isso ficou claro na reunião de ontem, na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, entre parlamentares e o vice-presidente de Loterias da Caixa, Moreira Franco. 

         Uma das  propostas, do deputado Silvio Torres (PSDB-SP), aumenta de 2% para 2,5% a destinação do dinheiro previsto na Lei 10.264/2001, que atende aos comitês Olímpico (COB) e Paraolimpico (CPB).

         Com isso, as duas entidades manteriam os 2% que já recebem, e os 0,5% iria para o Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao).

No ano passado, COB e CPB receberam R$ 110 milhões das loterias federais. O dinheiro, porém, não sai do caixa do governo, mas dos prêmios pagos aos ganhadores. Assim, aumentar o percentual seria prejudicar o apostador.

Confao

          À reunião de hoje compareceu o ex-jogador de vôlei, Bernard Rajzman, do Comitê Olímpico Brasileiro.

Mas nenhum representante dos clubes sociais-esportivos foi convidado.

E foi nesse segmento que surgiu o Confao, que reivindica entrar no rateio do dinheiro do esporte, via loterias federais.

Decisões

         Enquanto a decisão sobre o Rio-2016 não sair, uma comissão discutirá sobre as alternativas para resolver o impasse entre clubes sociais-esportivos e COB.

         A próxima reunião será na terça-feira e dela participarão representantes da Caixa, Ministério do Esporte, deputados da Comissão de Turismo e Esporte, liderada pelo deputado Afonso Hamm (PP/RS), e o secretário da mesma Comissão, James Lewis.

         O impasse nesse assunto impede que a reforma da Lei Pelé (n. 9.615/98 seja votada.

Em decorrência, cresce a pressão dos clubes de futebol, que têm interesse na nova legislação, e do próprio Confao, que deseja ver seu pleito atendido.

Dados

 Conforme dados oficiais, o Brasil está em 43º lugar no ranking mundial de apostas de loterias. E isso se deve muito à baixa premiação oferecida: cerca de 35% da arrecadação.

          Os restantes 65% tomam diversos destinos, entre eles o imposto de renda, Fundo Nacional Penitenciário, Fundo Nacional da Cultura, Comitês Olímpico e Paraolímpico, Ministério do Esporte, Seguridade Social, etc.

Propostas

         Além da proposta de Silvio Torres, também o deputado Otávio Leite apresentou projeto de lei, reduzindo em 30% o que COB e CPB recebem atualmente.

         Calculado sobre os valores anuais das loterias, esse percentual corresponderia a cerca de R$ 30 milhões anuais para o Confao.

         Se uma dessas propostas não vingar, o Ministério do Esporte poderá entrar em campo e repassar parte do que também recebe das loterias.

         Esse panorama, porém, só será definido em 2 de outubro. E, ironicamente, os rumos do dinheiro do esporte brasileiro está no voto de eleitores estrangeiros, que constituem o conselho do Comitê Olímpico Internacional.

         Ou seja, se o Rio se tornar olímpico, não faltará grana. Caso contrário...

Por José da Cruz às 17h43

Vai sobrar para o torcedor-apostador

         Reunião importante – com portas fechadas – na manhã desta quarta-feira, na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados.

         O vice-presidente de Loterias da Caixa Econômica, Wellington Moreira Franco, vai ao encontro de seus ex-colegas para debater sobre um assunto que se arrasta por mais de três meses: alterações na Lei 10.264/2001.

         A tal lei destina 2% das arrecadações das loterias federais aos comitês Olímpico e Paraolímpico.

         É muito dinheiro em disputa.

Entre 2003 e julho deste ano, o COB recebeu R$ 509,4 milhões.

Para o Comitê Paraolímpico foram R$ 91,3 milhões.

Candidato

         De olho nesses recursos, o Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao) se candidatou a entrar no milionário rateio.

         Faz sentido, pois dos 277 atletas brasileiros que foram aos Jogos Olímpicos de Pequim, 213 (77%) estavam vinculados a algum clube, justamente aonde a grana das loterias não chega.

Resistência

         Mas, o COB não aceita abrir mão da grana que recebe já há oito anos. Qual a alternativa?

O negócio é aumentar o repasse das loterias  para o esporte, de 2% para 2,5%.

Pois a reunião de hoje é justamente para debater sobre este aumento de 0,5.

O percentual pode até ser pequeno, mas aplicado sobre o que as loterias arrecadam anualmente é dinheiro expressivo.

Vejam a conta:

Em 2008 a Caixa arrecadou R$ 5,7 bilhões só com as loterias (Megasena, Quina, Loteca, Timemania etc).

Ao se aplicar 0,5% sobre esse valo, teríamos em torno de R$ 28,5 milhões, que seriam destinados aos clubes.

Sou contra

Conforme entrevista que publicamos há poucos dias, Wellington Moreira Franco disse ser contra qualquer aumento nos repasses para o esporte.

 “Porque o dinheiro sai do prêmio, e não da parte que toca ao governo. Os apostadores não vão gostar”, argumentou Moreira Franco.

Mas...

         Ex-deputado federal e ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco é político. Faz o discurso do “sou contra”, mas...

         Assim, na reunião de hoje, é possível que saia acordo que agrade aos olímpicos e paraolímpicos. Depois, é só acertar com o Ministério da Fazenda e fazer o projeto de lei com essa proposta andar pelo Congresso Nacional.

Final feliz

         Se tudo sair dessa forma, os dois comitês continuariam com suas cotas de 2% intocáveis, e os clubes teriam dinheiro garantido para financiar a formação de seus atletas.

Tudo graças ao torcedor-apostador, que, sem chiar, continua financiando o esporte de rendimento.

Triste

         O lado triste da história: ela revela como falta diálogo entre as autoridades do esporte. Na hierarquia, o COB, no topo da pirâmide, só conversa com os presidentes das confederações, justamente quem garante sustentação permanente a Carlos Arthur Nuzman no poder.

         As federações, por sua vez, ficam isoladas e os clubes, nem se fala. Já os atletas... E isso já dura oito anos, desde que a Lei 10.264/2001 entrou em campo.

         E o que faz o Ministério do Esporte? Vai apagando o fogo a cada incêndio, em vez de centralizar o debate sobre a fartura do dinheiro, vindo de vários setores, e normatizar, de vez, o assunto.

         É a tal falta de gestão, que tanto denuncio.

 

Por José da Cruz às 01h06

Rápidas da madrugada

           Ainda pré-candidato à Câmara dos Deputados, o ministro do Esporte, Orlando Silva, terá sua campanha turbinada, amanhã, em São Paulo.

 Disfarçada de homenagem, a campanha terá na liderança presidentes de clubes sociais, que oferecerão um jantar a Orlando Silva, do PC do B.

 É a segunda homenagem ao ministro, nos últimos 90 dias. A primeira foi em junho, no seu aniversário, também em São Paulo.

 Na prática, o ministro quer gerar notícia e marcar seu espaço na política paulista (ele é baiano), pois o PC do B ainda nem escolheu os seus candidatos. Haja pressão...

Tênis

Jornalista Sérgio Siqueira envia mais uma bem humorada contribuição.

Inspirado na espetacular vitória do argentino Juan Martin del Potro, sobre Roger Federer, na final do Aberto de Tênis do EUA, ele escreveu:

# E agora a velha teima:

   Pelé ou Maradona; Del Potro ou Guga?

# Roger Federer imaginou que Del Potro era só um trote.

# O suíço, quando ouviu falar em Del Potro, pensou que se tratava de um cavalo paraguaio.

# Maradona é um cara de sorte: com Del Potro em evidência, ninguém vai notar a sua saída da Seleção Argentina.

 

Dica de leitura

O leitor que assina “Paralaxx” sugere a seguinte leitura, a propósito dos debates sobre a candidatura olímpica Rio 2016:

"Legados de Mega Eventos Esportivos".

Trata-se de uma coletânea de pesquisas e artigos esclarecedores sobre o assunto que domina os debates olímpicos, a 16 dias da escolha da sede dos Jogos de 2016

O download da coletânea pode ser através do site do Conselho Federal de Educação Física (Confef) – www.confef.org.br

 

Rio 2016

 

         Depois da Câmara dos Deputados, o Senado Federal entrou no lobby pela candidatura do Rio aos Jogos de 2016, cuja indicação da cidade-sede será no dia 2 de outubro.

         Ontem, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou projeto da Presidência da República garantindo um conjunto de ações, denominado “Ato Olímpico”. É uma exigência do Comitê Olímpico Internacional.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) questionou sobre a liberação geral de visto para estrangeiros da “família olímpica”, durante os Jogos de 2016.

Para ele, tal permissão poderia ser “temerária” para a segurança do evento.

O relator do projeto de lei, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), explicou que essa concessão seria apenas para os visitantes ligados diretamente ao evento, como os atletas, técnicos e dirigentes

O projeto ainda será votado em outras quatro comissões, inclusive a de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), para avaliação das questões jurídicas sobre o assunto.

Ao agilizar a votação do projeto de lei, as autoridades do esporte nacional poderão usar as garantias do governo federal e do Congresso Nacional no lobby que fazem junto aos eleitores internacionais.

Por José da Cruz às 23h43

15/09/2009

Mais dinheiro para o esporte. Bingo!

O esporte nacional está perto de ser beneficiado com mais uma fonte de renda: dinheiro vindo dos bingos, dos caça-níqueis e até de cassinos.

         A proposta para reativar essas atividades será votada amanhã, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

O relator é o deputado Régis de Oliveira, do PSC de São Paulo. Se aprovado, o projeto vai ao Senado Federal.

Fundo

         Vários projetos sobre “bingos” tramitam na Câmara dos Deputados. Tais documentos foram “apensados”, como se diz na prática legislativa, e o deputado Régis de Oliveira, escolhido relator, apresenta, agora, seu texto final.

Entre os projetos está o de seu colega, Valdemar Costa Neto, que propõe, também, “criar o Fundo Social da Fome, Cultura e Desporto – FSFCD”.

Tal fundo receberá recursos dos bingos, com estimativa de renda anual de R$ 230 milhões, segundo o deputado relator. Entre os gestores do fundo está o Ministério do Esporte.

Uma vez legalizado, os jogos poderão render aos cofres públicos em torno de R$ 6,5 bilhões anuais, em impostos.

Vazio

         Em 2004, o presidente Lula proibiu, por medida provisória (n. 168), a prática de bingos e caça níqueis no país.

         A medida foi aprovada na Câmara e rejeitada no Senado. Criou-se o impasse ou um “vazio legal”. Ficou o espaço para apresentar propostas de reabertura do negócio que faz a alegria de muitos e a pobreza de outro tanto.

Gol contra

         A proposta para reativar bingos volta ao Congresso Nacional dando um drible em quem desejava derrubá-los de vez.

         Os deputados Antônio Carlos Mendes Thame, Antônio Carlos Biscaia, Antônio Carlos Pannunzio e Neucimar Fraga, apresentaram projetos de leis proibindo a atividade de jogos em suas várias modalidades.

         O relator Régis de Oliveira rejeitou todas essas proposta e apresentou o seu substitutivo reativando os jogos.

Cassinos

         Um dos projetos, de Vicentinho Alves (TO), prevê, inclusive, a abertura de cassinos.

         Seu argumento: “Navios aportam em nossa costa e abrem seus cassinos. Vôos fretados partem semanalmente das nossas principais capitais rumo à Argentina, ao Uruguai, ao Paraguai, em busca de entretenimento nos seus cassinos.” É melhor deixar o dinheiro aqui, para combater a fome e fomentar o esporte...

Memória

         Originalmente, os bingos eram legislados pela Lei Zico (mais tarde substituída pela Lei Pelé). Só era concedida uma permissão para a abertura de uma casa de aposta através de uma entidade esportiva: clube, federação, confederação etc.

         Embora muitos tenham se dado bem, a maioria se deu muito mal. Até hoje há milionárias cobranças judiciais, do fisco, principalmente.

Centenas de entidades esportivas alteraram a razão social para fugir das cobranças. Em vão. Os processos continuam acumulando juros e mais juros.

Crise

         Os bingos e jogos de azar foram responsáveis pela primeira grande crise no governo do presidente Lula, envolvendo, inclusive, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil.

Em 2004, o então subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República, Waldomiro Diniz, teve uma fita divulgada, em que aparecia negociando propina com o empresário de bingos, Carlinhos Cachoeira, para a campanha de Rosinha Matheus ao governo do Estado do Rio de Janeiro.

As denúncias foram tão graves que Lula não teve dúvidas: proibiu os bingos, mas o Congresso Nacional deixou espaço para o retorno.

 

Por José da Cruz às 09h15

Rápidas da madrugada

     O advogado Paulista, Alberto Murray Neto dará uma entrevista ao jornal americano New York Times, na quarta-feira.

     “Serei capaz de falar porque eu sou absolutamente contra os Jogos no Brasil e sobre a luta para limpar o Movimento Olímpico no Brasil”, antecipa.

Alberto Murray é neto de Sylvio de Magalhães Padilha, que presidiu o Comitê Olímpico Brasileiro entre 1963 e 1990.

     Formado em Educação Olímpica pela Academia Olímpica da Grécia, Alberto Murray esteve presente em todas as olimpíadas, desde 1972.

               O blog Alberto Murray Olímpico está no seguinte endereço:

      http://albertomurray.wordpress.com/

Economia olímpica

         Em tempos de decisão sobre a sede dos Jogos de 2016 – no dia 2 de outubro, com o Rio de Janeiro disputando a vaga – indico um bem elaborado documento de técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

         “Leitura econômica dos Jogos Olímpicos: financiamento, organização e resultados” – de Marcelo Weishaupt Proni,Lucas Speranza Araújo e Ricardo Amorim.

         O estudo analisa a realização e os impactos dos eventos sobre as regiões-sede e os países dos Jogos de Barcelona (1992), Sydney (2000) e Pequim (2008)     .

         A apresentação do trabalho chama a atenção “para os prováveis benefícios que o Rio de Janeiro teria, caso fosse escolhido como sede dos Jogos de 2016, mas põe em relevo a necessidade de uma gestão democrática para garantir transparência no uso dos recursos públicos”.

         Temos isso?

         A íntegra do documento está aqui:

         http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/publicacoes/tds/td_1356.pdf

Talentos

         O Ministério do Esporte anuncia um audacioso plano para 2010.

         Dez mil jovens passarão pela “Detecção e Avaliação de Atletas de Alto Rendimento”, conforme a proposta orçamentária encaminhada pelo governo federal ao Congresso Nacional

         Investimento de R$ 10 milhões.

         Custo de cada avaliação: R$ 1.000,00

         Quem vencerá a licitação para desenvolver o milionário plano?

         É o Brasil inventando moda e gastando muito para descobrir atletas, material humano que se identifica naturalmente, em outros países, nas aulas de educação física.

         Temos isso?

Basquete

         Há 20 dias espero pelas respostas do presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Carlos Nunes. Enviei perguntas, por exemplo, sobre os salários pagos na CBB, resultado da auditoria realizada nas contas da entidade etc.

Como da vez anterior, Carlos Nunes só prometeu. Silencioso, ele demonstra que não gostar de esclarecer nada à imprensa, mesmo sendo gestor de muito dinheiro público.

Lamentavelmente, não temos isso.

 Patrocínio

         A Olympikus patrocinará os comitês Olímpico e Paraolímpico brasileiros até 2016.

         Mas, se o Rio de Janeiro conquistar a sede dos Jogos, o contrato será suspenso em 2010.

Nesse caso, COB e CPB terão que entrar na concorrência liderada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), com disputa das grandes marcas mundiais do esporte: Nike, Adidas, Puma.

Por José da Cruz às 23h28

13/09/2009

Uma dura entrevista

         O principal nome da nova geração do remo brasileiro, Ailson Eráclito, despontou em meio a uma realidade social extremamente pobre.

Além de exibir a fragilidade da estrutura do nosso esporte, sua  carreira – “de fome, desmaios e miséria” – é um contraste espetacular com o bilionário sonho do país candidato olímpico.

         Aos 20 anos, o amazonense Ailson entrou para a história do remo ao se sagrar vice-campeão mundial, na República Tcheca, em agosto. Ele desceu a raia com um single skiff, peso leve. A medalha de prata que trouxe é inédita para o nosso esporte.

         Formado pela insistência do técnico Manasseh Barbosa, Ailson não tem, nem sequer, a bolsa atleta. Ganhou uma do Ministério do Esporte, em 2007, mas o dinheiro nunca chegou à sua conta.

         No ano passado, foi a vez do Governo do Pará oferecer bolsa ao remador. Aguarda o dinheiro até hoje. Já as promessas do ministro, Orlando Silva, de construir uma garagem de barcos às margens do Rio Negro, em Manaus, nunca se concretizaram.

Resultados

         Há 30 dias, Ailson voltou a ter resultado internacional. Ele foi o único remador sub-23 a disputar a etapa do Mundial da Polônia, para adultos. Terminou em sexto lugar, à frente, de alguns favoritos, numa prova em que a média de idade era 36 anos.

         No domingo, Ailson venceu a Regata da Marinha, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro, contra tradicionais guarnições cariocas.

         O próximo compromisso do jovem talento será de quinta-feira a domingo, na Copa Pinheiros, evento internacional na raia da USP, em São Paulo.

Realidade

O projeto que Manesseh desenvolve em Manaus – Remo Social – é resultado de um intercâmbio entre o clube Tuna Luso, de Belém, e a Liga Náutica Estadual do Amazonas. Sua entrevista é dura, mas, além de real, é uma aula de experiência no esporte.

 “Poderíamos ter conseguido tocar melhor o projeto se o Criança Esperança tivesse continuado conosco, quando nos atendeu em 2007, e nos deu um grande impulso. Se o Banco da Amazônia também tivesse continuado nos ajudando no transporte de nossos atletas, com fez por dois anos, 2005/2007. Enfim política descontinuada não deixa que uma estrutura cresça e se fixe em definitivo”, explica Manesseh.

A dura entrevista

      José Cruz – O Remo Social, também projeto de iniciação, tem apoio estatal?

      Manasseh – Até três meses atrás atendíamos mais de 350 crianças, jovens e adolescentes. Mas, sem condições financeiras para mantê-los tivemos que reduzir para 60. No ano passado, conseguimos um patrocínio experimental da Petrobras, que fornecia passagem de ônibus para os jovens, merenda, roupas de treino e dinheiro para realizarmos os festivais. Mas o convênio acabou e até agora não renovaram.

      José Cruz – O Senhor já pediu ajuda ao governo?

      Manasseh – Quero deixar claro que nenhum apoio direto foi dado em tempo algum. Em Belém, Ailson completou sua preparação quando competia quatro vezes ao ano no campeonato paraense, sob os cuidados do técnico da Tuna Lusa, o Lindão, que cuidava dele como um filho.

      José Cruz – Mas, e o governo?

      Manasseh – Pedi pessoalmente ao ministro dos esportes (Orlando Silva), em 2006, patrocínio para a construção de nossa garagem náutica. Ele me disse que faria isso, mas nada aconteceu. Nossos barcos estão, há 26 anos, no sol e na chuva se estragando, diminuindo em muito a oferta de vagas em nosso projeto. Depois, pedi ao Djan Madruga (ex-secretário nacional do Esporte). Ele me disse que o ministério não agracia este tipo de pedido. Meu Deus, será que podemos fazer remo de qualidade sem garagem, com o material num terreno baldio emprestado e sem rampa para a descida dos barcos?

      José Cruz – Mas o seu projeto é social, antes de tudo...

      Manasseh – Trabalho para tirar os garotos dos vícios das ruas. Já atendi mais de 18.500 crianças jovens e adolescentes em 26 anos de luta. Trabalho para dar a eles um sonho para se manterem vivos, pois chegam quase mortos às nossas mãos, fracos, raivosos, tristes, sem esperanças, verdadeiros trapos humanos. Mas daqui saem prontos e fortes para enfrentarem a dureza de vida com suas realidades.

      José Cruz – A situação é de miséria,mesmo?

      Manasseh – Na nossa região, quando tiramos a merenda das aulas de remo, perdemos mais de 200 meninos, pois a merenda era a principal motivação deles. As crianças chegavam a desmaiar, alguns enjoar, fraquejar, ter dor de cabeça, e não ter força para explicar o que estava acontecendo. É triste, mas é real.

      José Cruz – O Ailson passou por isso?

      Manasseh – Ailson já desmaiou várias vezes, podem acreditar. No dia da chegada dele, do exterior, sua mãe me falava dos diversos dias que faltou comida em sua casa. “Você já viu um pão dormido ser dividido em 12? Pois já fizemos isso várias vezes”, disse ela.

      José Cruz – Enfim, o que fazer?

      Manasseh – Eu gostaria que todos enxergassem a dura e cruel realidade de nosso país, que tem mais de 60 % de sua juventude encarcerada, por falta de opções de ocupação de seu tempo ocioso com algo produtivo e instrutivo. Que os políticos saiam de seus gabinetes e cheguem nas comunidades e convivam com esta dura realidade. Acorde! Nosso país esta insuportável para vivermos e ficará assim também para as classes privilegiadas. E que esse feito do Ailson possa sensibilizá-los, para uma mudança de visão de vida comunitária, e passem a fomentar mais e mais a prática do esporte como forma de salvar a nossa juventude.

 

 

Por José da Cruz às 20h53

Professor Lino Castellani

Recebo do Professor Lino Catellani, especialista em políticas educacionais e educação física, oportuna mensagem, que trago para este espaço de debates.

O Professor Lino ocupou a Secretaria Nacional de Esporte e Lazer do Ministério do Esporte, de 2003 a 2006.

Ex-presidente do Colégio Brasileiro de Ciência do Esporte, tem autoridade para tratar do assunto ao qual se reporta, no caso ministério, orçamento, políticas do setor etc. 

“Prezado Cruz.

Primeiramente, parabéns pelo seu blog. Vida longa a ele!

Bem... Sobre o assunto em pauta, você sabe de minha posição acerca da política esportiva brasileira. Já tivemos oportunidade de conversarmos - menos do que gostaria, é certo - sobre o tema.

Penso que a questão central está relacionada ao fato de nossas entidades de administração do esporte possuem personalidade jurídica de direito privado, o que, em última instância, limita a ação estatal/governamental.

Outra variante importante já a reportei a você, em outra ocasião, a qual batizei de "sindrome de Estocolmo", lembra-se? Pois é... Tem a ver com a terceirização da política esportiva realizada pelo PT em nome do PC do B e o significado da presença desse partido à frente do Ministério do Esporte.

Não lidar com essa questão é nos contentarmos com o periférico, deixando o principal de lado.

Abraços Lino”

 

Por José da Cruz às 19h00

O dinheiro do esporte IV

          Depois de informar sobre os investimentos de quatro estatais – Banco do Brasil, Caixa, Correios e Infraero (ainda faltam a Eletrobras e Petrobras) em projetos esportivos, obtive novo e expressivo número:

R$ 2.016.231.078,03  

É o total de repasses das loterias da Caixa ao esporte, entre 2003 e julho de 2009.

Nesse total não estão incluídos os valores dos patrocínios da Caixa, que já informamos em mensagem anterior.

Ou seja, as parcelas e destinos discriminados abaixo correspondem ao cumprimento de leis, como a da Loteria Esportiva, a de n. 10.264/2001 (2% das arrecadações totais das loterias vão para os comitês Olímpico e Paraolímpico), etc.

Parcelas

2003    R$ 223,9 milhões

2004    R$ 263,4 milhões

2005    R$ 289,6 milhões

2006    R$ 267,6 milhões

2007    R$ 326,2 milhões

2008    R$ 385,0 milhões

2009    R$ 260,2 milhões

Destinos

         Ministério do Esporte      R$   1,3 bilhão (1)

         Clubes de futebol            R$ 100 milhões (2)

         Comitê Olímpico             R$ 509 milhões (3)

         Comitê Paraolímpico       R$ 91,3 milhões (3)

Balanço

         Ao final da série apresentarei um balanço mostrando o total do dinheiro público aplicado no esporte de rendimento.

Ainda faltam algumas informações para encerrar o assunto que incluirá, também, dados sobre a Timemania e Lei de Incentivo ao Esporte.

Objetivos

         Além de tornar público dados tão importantes, a apresentação de tais números tem dois objetivos:

         a. – mostrar que o esporte de rendimento é altamente dependente do governo federal, com mínima participação da iniciativa privada;

         b. – subsidiar a tese que defendo de que não faltam recursos financeiros ao esporte para que se tenha melhores resultados; falta, porém, definição de metas, prioridades e, principalmente, gestão e liderança governamental.

     Fonte: Superintendência Nacional de Loterias e Jogos da Caixa

1.      o Ministério distribui o valor recebido entre as secretarias de Esporte estaduais;

2.      repasses da Loteria Esportiva;

3.      2% das arrecadações totais das loterias destinam-se ao COB e CPB.

           

        

 

Por José da Cruz às 01h05

12/09/2009

Lei de incentivo para o futebol

         O governo federal financia, desde 2007, investimentos de clubes de futebol profissional, entre elas a formação de jogadores, via Lei de Incentivo ao Esporte.

         Conforme dados do gestor do programa, o Ministério do Esporte, só o São Paulo Futebol Clube já aprovou projetos em torno de R$ 14 milhões, inclusive para a construção de alojamento para atletas, vestiários, arruamento e estacionamento de veículos.

         Um dos projetos do tricolor paulista, no valor de R$ 8 milhões, destina-se à “formação de alta peformance e aprimoramento de jovens atletas, na faixa etária de 10 a 15 anos”.

         Em outro projeto, o São Paulo constroi um centro de reabilitação esportiva e fisioterápica, no valor de R$ 2,7 milhões, também com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte.

         Já o Santos FC poderá se beneficiar de R$ 4 milhões para o projeto “Meninos da Vila”, espaço das categorias de base para abastecer as equipes principais.

Em Minas Gerais, o Clube Atlético Mineiro abastece o seu Núcleo de Formação Esportiva com R$ 3,8 milhões. Grêmio, de Porto Alegre, e Ipatinga MG, também aprovaram projetos para captar recursos pela  mesma Lei.

O Criciúma FC, de Santa Catarina, ao contrário, usa os recursos da Lei de Incentivo ao Esporte para “formação de atletas de futebol não-profissional”.

Renda

         As escolinhas dos clubes, além de formarem jogadores para suas equipes principais, são a maior fonte de renda das agremiações, segundo a Casual Auditores, empresa de marketing esportivo, de São Paulo.

         Em 2008, a venda de jogadores para o exterior foi principal fonte de receita, com 28% do total, acima da cotas de TV (24%), em segundo lugar, conforme a análise de balanços financeiros dos 21 principais clubes nacionais, feita pela equipe da Casual.

         Em 2007, segundo a mesma fonte, a venda de jogadores representou 34% nas receitas dos clubes nacionais.

A lei

         A Lei de Incentivo ao Esporte (n. 11.438/2006) era uma proposta de isenção fiscal que, originalmente, destinaria recursos para projetos de formação de atletas olímpicos, à exceção do futebol, por suas peculiaridades profissionais.

         Os projetos se tornaram abrangentes e passaram a financiar, inclusive, competições esportivas, como corridas de automóveis. Emerson Fittipaldi, por exemplo, aprovou R$ 15 milhões para o “Campeonato Mundial de Automobilismo”.

Renúncia fiscal

         Anualmente, o governo federal renuncia, em torno de R$ 300 milhões dos impostos que recebe, para aplicar em iniciativas do setor.

         No entanto, na aprovação da lei, parlamentares ligados ao futebol conseguiram tirar do texto a proibição para o futebol. Assim, o governo tornou-se financiador da formação de jogadores que, vendidos, enriquecem o patrimônio financeiro dos clubes.

Atualmente, os gestores liberam projetos sem muitos critérios – a não ser, claro, o de preencher os requisitos mínimos. Mas sem a garantia de que o incentivo governamental refletirá no crescimento e/ou fortalecimento de nossas equipes.

Recursos
         A aprovação de um projeto no Ministério do Esporte não significa dinheiro no bolso.

         Na etapa seguinte, os interessados deverão captar os recursos junto aos doadores (pessoas físicas ou jurídicas) que poderão abater os valores no imposto de renda devido ao governo federal.

         De 2007 até agora, o ministério aprovou projetos num total de R$ 476,7 milhões. No entanto, só foram captados R$ 143,9 milhões.

         O prestígio da entidade beneficiada – um São Paulo Futebol Clube, um Comitê Olímpico Brasileiro, por exemplo – são decisivos para obter a parceria dos doadores, já que a lei, por ser nova, ainda é pouco conhecida, dificultando a conquista de adesões.

 

Exemplos de projetos aprovados

 

Associação dos Mutuários e Moradores do Conjunto Santa Etelvina e Adjacências

Projeto: Cre-ser-ndo com Qualidade de Vida.

São Paulo // R$ 2.129.784,50

 

Associação Desportiva Classista Mercedes-Benz

Projeto: esporte de rendimento

São Paulo // R$ 1.955.018,15

 

Associação Desportiva Classista Mercedes-Benz

Projeto: Esportes de Escolas  de Associação

São Paulo // R$ 1.441.941,90

 

Associação Esportiva e Cultural Forrobol Esporte e Arte

Projeto social forrobol

Minas Gerais // R$ 1.765.433,00

 

Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável

Rio de Janeiro // R$ 3.159.909,30

 

Associação Joseense Ciclismo de Base

Primeira Equipe Continental do Brasil para Disputa do Calendário Nacional das Américas e Europa

São Paulo // R$ 2.259.825,10

 

Cruzeiro Esporte Clube

Formação de equipes de base de futebol

Belo Horizonte // R$ 1,6 milhão

 

Associação Desportiva São Caetano

Projeto Atletas do Futuro

São Paulo // R$ 2.775.989,14

 

Santos Futebol Clube

Projeto Meninos da Vila

São Paulo // 4.171.957,00

 

Instituto Emerson Fittipaldi

Copa do Mundo de Automobilismo

São Paulo // R$ 15.389.307,86

 

Confederação Brasileira de Judô

Patrocínio

Rio de Janeiro // R$3.627.756,20

 

Círculo Militar – Vila Militar

Reforma da Pista de Atlestismo e Construção de Alojamentos - Brasil Vale Ouro

Rio de Janeiro // R$ 5.696.437,50

 

Grêmio Football Portoalegrense

Ampliação e Qualificação do Centro de Formação e Treinamento

Porto Alegre // 2.310.147,12

 

Fundação Aquarela

Atletismo de Excelência

São Paulo // 3.765.427,45

 

Confederação Brasileira de Golfe

Projeto: Golfe competitivo

São Paulo // R$ 1.531.644,40



Por José da Cruz às 00h28

Atletismo & Xapuri

         Para os que pedem boas notícias, aí vão duas, do Amazonas e do Acre, mostrando que o blog tem espaço para todos os segmentos.

         Os rumos do atletismo para o período de 2010 a 2016 serão discutidos nos próximos dias 18 e 19, em Manaus.

Convidados pela Confederação Brasileira de Atletismo, vão estar presentes cinco integrantes do Conselho de Clubes, os dois presidentes de federações às quais os membros do Conselho de Clubes são vinculados, nove membros do Comitê Técnico e os 11 membros do Conselho de Atletas (medalhistas em Jogos Olímpicos).

As decisões da reunião serão submetidas aos participantes do 4º Fórum Atletismo do Brasil, constituído por representantes de toda a comunidade atlética nacional.

Pintando a Cidadania

O Ministério do Esporte mostra-se mais ativo nos projetos sociais do que nos que envolvem as suas atividades fim.

 Menos mal, embora seja matéria para bom debate. Vejam aí.

         As comunidades pobres de Xapuri, no Acre – que se tornou mundialmente famosa pelo trabalho de Chico Mendes –, receberá o programa Pintando a Cidadania.

         É nessa cidade que será implantada uma fábrica de bolas de tecido ecológico, informa a assessoria do ME.

         A matéria prima dessas bolas será o látex de seringueiras nativas, e o produto final, em torno de 90 mil unidades/ano, beneficiará  a garotada das escolas da região.

Ocupação

         Gerencio de Bem, que dirige o Pintando a Cidadania, explica que o projeto dará ocupação a 320 moradores da floresta e de Xapuri.

A novidade nessa nova frente de produção é que as bolas serão totalmente recicladas. As bolas ecológicas já são confeccionadas na Penitenciária de Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, oferecendo ocupação a 300 presidiários.

Dados o Siafi, que registra a movimentação financeira do governo federal, o Pintando a Cidadania tem dotação orçamentária de R$ 13,4 milhões para este ano.

Desse tota, já foram empenhados R$ 4,3 milhões, mas, até agora, o Ministério do Esporte pagou somente R$ 142mil. É muito pouco para a extensão social do projeto.

 


 

Por José da Cruz às 00h05

11/09/2009

Dinastia Paraolímpica

           Num país com cerca de 25 milhões de pessoas com alguma deficiência física, a literatura sobre o assunto ainda é extremamente escassa, principalmente na área esportiva.

          Por isso, deve ser festejada a publicação histórica  – “Dinastia Paraolímpica, a inserção social em movimento”, que está sendo lançada neste final de semana, na Bienal do Livro, no Rio de Janeiro.

A obra foi produzida durante as Paraolímpíadas de Pequim, em 2008, e apresenta uma bela coleção de fotos das 20 modalidades esportivas disputadas, trabalho dos fotógrafos Mike Ronchi e Graziella Miletti.

As imagens, na maioria sobre o momento máximo de um atleta na disputa, individual ou coletiva, são complementadas com texto do jornalista Sérgio Siqueira, que não economizou emoção para melhor sensibilizar os leitores.

Dinastia Paraolímpica destina-se, também, aos leigos, pois conta a história do movimento, mundo afora, e comenta, de forma didática, sobre as regras das 20 modalidades esportivas.

Depois do Rio de Janeiro, haverá lançamento em Brasília, em data a ser marcada.

 

Por José da Cruz às 21h00

Alegria e tristeza

         Ao derrotar Sebastian Coe nas Olimpíadas de 1984, em Los Angeles, Joaquim Cruz ganhou a medalha de ouro nos 800 metros.

         Hoje, o inglês Coe é o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

         Joaquim Cruz mora nos Estados Unidos, onde atua como técnico de atletismo e assessora aos comitês Olímpico e Paraolímpico daquele país.

         Pelo o que representa para o esporte nacional, Joaquim Cruz poderia estar trabalhando no Brasil, onde, inclusive, já tem um instituto que leva o seu nome, em Brasília, envolvendo projeto com 130 crianças, apoiado pela Caixa.

         Aqui, seria referência de expressão para o esporte, em geral, e o atletismo, em particular.

         Pelo seu passado histórico, Joaquim poderia estar na delegação que defende os Jogos de 2016 no Rio de Janeiro. Mas também nunca foi convidado.

         Joaquim Cruz tem um orgulho e uma tristeza em sua carreira:

         Orgulha-se de ter sido o primeiro brasileiro a ganhar a medalha de ouro olímpica, em provas de pista.

         E entristece ao lembrar que foi o último a concretizar tal feito, há 25 anos.

Moral da história: somos capazes de elaborar projetos olímpicos competitvos,mas falhamos na formação de novos ídolos

Assim como Gustavo Kuerten, a era de ouro de Joaquim Cruz passou em branco.

Por José da Cruz às 17h23

10/09/2009

Candidatura olímpica

O Congresso Nacional ainda não votou o projeto de lei n. 33/2009, que trata de suplementação orçamentária de R$ 30 milhões ao Ministério do Esporte.

O dinheiro destina-se ao pagamento de despesas da candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos de 2016, conforme a exposição de motivos.

Originalmente, o Ministério do Esporte havia conseguido uma suplementação de R$ 85 milhões, dos quais repassou R$ 52,4 milhões ao Comitê de Candidatura.

Com mais R$ 30 milhões que pediu chega-se a  R$ 115 milhões para tentar fazer olimpica a Cidade Maravilhosa. Tudo muito bem explicado nas exposições de motivos ministerial.

Mas ...

          No mesmo dia em que publiquei esta informação, o Comitê da Candidatura, surpreso, respondeu que não pediu mais dinheiro ao governo, e que havia recebido apenas R$ 52,4 milhões. Mais: que o restante - para completar os R$ 85 milhões necessários - veio da iniciativa privada. Ou seja, o Comitê de Candidatura fechou a sua conta.

 Porém...

         O Ministério do Esporte, em nota oficial, afirmou que os R$ 30 milhões a mais serviriam para “complementar os custos da candidatura”.

         Assim, "se o dinheiro vier a ser aprovado, quitará convênios em aberto, consultorias contratadas pelo governo federal, despesas de viagens etc”.

E concluía a nota: “Isso significa que os R$ 30 milhões não se destinam integralmente ao COB (no caso o Comitê de Candidatura) e possivelmente nem sejam utilizados na totalidade”.

Ora, se não vai ao COB e nem é possível saber se será usado na totalidade, como explicar a justificativa do projeto de lei, onde se lê que o dinheiro “se destina a atender a candidatura do Rio de Janeiro...”? Que conta esquisita! Por favor, excelências!         

Explicações

          E o que afirmava a nota do Comitê de Candidatura? Pasmem:

         “Assim, em caso de aprovação do referido projeto de lei (33/2009, que pede suplementação de R$ 30 milhões), o Comitê avaliará, naquele momento, a necessidade de solicitar a liberação da verba no seu total ou em parte. (o grifo é meu)

         Ou seja, o Comitê ainda vai avaliar se precisará ou não do dinheiro, pois, na prática, repito, já fechou a sua conta!

         Qual o motivo para voltar a este assunto?

         Porque as duas entidades tentaram mostrar que a candidatura não tinha preço elevado, ou superfaturado .

         Agora, lendo o projeto de lei, fica provado que teve. Ou, como no Pan 2007, calcularam mal os valores.

         São R$ 115 milhões, repito,  e não os R$ 85 milhões que o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman – também presidente do Comitê de Candidatura – havia anunciado inicialmente.

O que virá?

         Se o dinheiro vai para o Rio ou ficará no Ministério é outra história.

         Se a conta será paga pelo Ministério do Esporte ou não, também não é o caso, por enquanto.

         Se o Comitê de Candidatura vai receber o que o Ministério lhe deve... sei lá.

         O que interessa, agora, é mostrar que a minha informação, que gerou protestos e notas oficiais, estava corretíssima.

         A conta passou de R$ 85 milhões, originalmente informados.

         E o valor vai além do que o COB recebeu das loterias federais em 2008, R$ 90 milhões , para atender a todo o esporte olímpico nacional.

         Imagine o quem vem por aí, se a tal candidatura vingar...

 

 

       

 

        

 

Por José da Cruz às 11h36

Histórias do Pan

         Para a realização dos Jogos Pan e Parapan-americanos foram assinados vários convênios entre o Ministério do Esporte e o Comitê Organizador, Rio 2007. Em alguns casos, o Ministério do Esporte contratava o serviço diretamente.

Para cada convênio o TCU abriu um processo. Atualmente, 12 já foram concluídos. Em breve publicarei o resultado resumido de cada um, pois o trabalho de pesquisa é longo.

         Outros cinco ainda estão sendo analisados ou instruídos. Um deles (n. 013.500/2009-9) foi convertido em Tomada de Contas Especial (TCE), isto é, será feita uma investigação mais profunda, mais rigorosa, devido à gravidade das irregularidades encontradas.

         É o processo que trata da contratação de serviços de hotelaria para a Vila Pan-Americana.

Exemplos

         Vejam alguns exemplos de convênios celebrados entre o Ministério do Espore e o Comitê Organizador do Pan-2007, objetos de análise do TCU:

         R$  1.293.412,12 – aquisição de passagens aéreas para membros da delegação brasileira

         R$  1.953.610,40 – confecção de figurinos, adereços e alegorias para as cerimônias do Pan e Parapan-americanos

         R$52.287.383,00 – serviços de áudio e vídeo, nas instalações esportivas, não-esportivas e Vila Pan-Americana

         R$21.545.702,10 – contratação de empresa especializada em organização de eventos para produção executiva

         R$     339.222,24 – aquisição de bandeiras,bandeirinhas,mastros e cintos.

         R$  1.989.343,81 – cunhagem de medalhas do Pan e Parapan-americanos

Famoso

         Um dos processos que se tornou famoso foi o de número 017.127/2007-2, sobre a contratação das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Pan e Parapan-americanos, sem licitação, sob a alegação de “emergência”, entre outras.

         Detalhe: o Rio soube que sediaria o Pan em 2002. Emergência? Custo da festa: R$ 21,5 milhões.

No processo estavam envolvidos, principalmente, o presidente do Comitê Organizador, Carlos Arthur Nuzman, e o representante do governo federal no referido comitê, Ricardo Leyser Gonçalves.

Inicialmente, Vilaça rejeitou o argumento da “emergência”, apresentados pela defesa:

“A emergência não pode ser creditada a algum fato imprevisto. A necessidade de realização das cerimônias  e mesmo sua data já eram conhecidas pela administração pública em 2002, quase cinco anos antes do evento”.

E o relator continuou batendo, ao reconhecer os argumentos da Unidade Técnica:

“No que se refere à responsabilidade do CO-Rio nos eventos, concordo com a opinião manifestada pela Unidade Técnica e pelo MP/TCU. A incapacidade de planejamento e despreparo gerencial da entidade contribuiu decididamente para a dispensa indevida de licitação, o que autoriza a aplicação de multa do art. 58 de nossa Lei Orgânica aos seus gestores”.

Mas...

“Acredito, entretanto, que existem circunstâncias atenuantes que devem ser avaliadas e que têm reflexos na delimitação de sua responsabilidade” – escreveu Marcos Vilaça, desmanchando-se em argumentos que, aos poucos foi livrando os envolvidos.

“Assim sendo, divirjo da proposta da Unidade Técnica e do Ministério Público (aplicação de multas) e voto por que o Tribunal adote o acórdão que ora submeto ao plenário”.

E qual foi o acórdão:

Aceitar as justificativas, entre elas a tal “emergência”, arquivando-se o processo.

Missão cumprida, lá se foi Vilaça gozar a sua merecida aposentadoria.

Por José da Cruz às 00h21

09/09/2009

Rede de Informações sobre a Copa 2014

Os presidentes dos Tribunais de Contas do Estado de Minas Gerais e do Distrito Federal ainda não manifestaram interesse em assinar o protocolo de intenções que cria a Rede de Informações para fiscalizar os gastos do governo federal na Copa de 2014.  

A criação da Rede ocorreu no dia 25 de agosto, na Câmara dos Deputados, e o protocolo foi assinado pelo deputado Sílvio Torres, presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, pelo presidente do TCU, ministro Ubiratan Aguiar, pela senadora Mariza Serrrano e pelos presidentes dos Tribunais de Contas do Estados do Mato Grosso, Pernambuco, Amazonas, Rio Grande do Sul, e pelos presidentes dos Tribunais de Contas dos Municípios do Rio de Janeiro e da Bahia.

Amanhã, quinta-feira, a partir das 9h30, na sede do TCU, a Rede de Informações realizará a sua primeira reunião de trabalho.

Na ocasião, vão aderir ao protocolo de intenções os presidentes dos Tribunais de Contas dos Estados do Paraná, do Ceará, de São Paulo, do Rio e o presidente do Tribunal de Contas do Município de São Paulo.

De acordo com a pauta da reunião, cada presidente de tribunal apresentará seu planejamento de fiscalização e controle dos gastos com as obras de organização da Copa de 2014.

Em seguida, será debatido o formato de acompanhamento por cada Tribunal de Contas e avaliação da proposta de criação de um fórum, na internet, para troca de informações. (Fonte: Assessoria de Imprensa da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados)

 

Por José da Cruz às 18h14

Lei de Incentivo ao Esporte

         O Ministério do Esporte aprovou mais um lote de projetos para captação de recursos pela Lei de Incentivo ao Esporte.

         Confira quem está no páreo para buscar o dinheiro via isenção fiscal:

Associação Itajaiense de Incentivo ao Desenvolvimento Esportivo e Social
4º Jogos Aberto de Verão
Cidade: Itajaí - SC
Valor aprovado para captação: R$ 794.131,00

Confederação Brasileira de Futebol de Salão
Revelando talentos, formando cidadão através do Futsal no Ceará
Cidade: Fortaleza - CE
Valor aprovado para captação: R$ 495.028,72


Prefeitura Municipal de Açucena
Açucena em Ação
Cidade: Açuçena - MG
Valor aprovado para captação: R$ 406.444,20


Confederação Brasileira de Damas
78º Campeonato Mundial de Jogo de Damas de 100 Casas
Cidade: São Caetano do Sul - SP
Valor aprovado para captação: R$ 1.321.477,50


Federação Eqüestre de Alagoas
Campeonato Brasileiro de Jovens Cavaleiros 2009
Cidade: Maceió - AL
Valor aprovado para captação: R$ 704.371,28


Clube dos Paraplégicos de São Paulo
Campeonato Brasileiro Basquetebol em Cadeira de Rodas
Cidade: São Paulo - SP
Valor aprovado para captação: R$ 416.738,70



Por José da Cruz às 17h51

A Torre de Babel

Em dezembro do ano que vem termina o governo do Presidente Lula. Em oito anos, o ministro do Esporte, Orlando Silva, viajou Brasil afora. E pelo mundo também. O mesmo ocorreu com o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Mas os ministros não conseguiram atravessar o canteiro central da Esplanada dos Ministérios para dialogar sobre um assunto comum às duas pastas, o esporte na escola, como instrumento de apoio à formação educacional dos jovens. 

         Em duas ocasiões, os ministros foram convidados, pela Câmara e Senado, para debaterem sobre o assunto. Não compareceram.

Namoro e deboche

         Quando ministro da Educação, logo no início do governo Lula, o hoje senador Cristovam reuniu-se com o então ministro de Esporte, Agnelo. “Era o começo de um namoro” brincou o senador, há poucos dias, durante encontro com Orlando Silva.

         -- E no que deu tal namoro? – indagou Cristovam.

         “Não passou de um flerte”, resumiu o ministro, com um sorriso algo assim, um deboche.

Realidade

         Conto estas passagens para mostrar a realidade do esporte educacional no país, onde temos fartura de instituições, como mostrarei abaixo. 

         Falta, porém, quem lidere o diálogo para termos um ponto de partida nessa discussão sobre o desporto escolar, tema que envergonha as instituições do governo pela omissáo e falta de iniciativa.

E o que temos, afinal?

a)   em  nivel do Executivo

Ministério do Esporte

Secretaria Nacional do Esporte

Conselho Nacional de Esporte

Fórum Nacional de Gestores e Secretários do Esporte

Conferência Nacional do Esporte (duas edições, em sete anos)

Comissão Nacional de Atletas (desativada)

b)   em nível do Legislativo

Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados

Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal

Frente Parlamentar do Esporte

c)    Sistema Nacional do Esporte (Lei Pelé)

Comitê Olímpico Brasileiro

Comitê Paraolímpico Brasileiro

Confederações esportivas

Confederação Brasileira de Desporto Universitário

Confederação Brasileira de Desporto Escolar

Comissão Desportiva Militar do Brasil

Federações esportivas (estaduais)

Clubes

Atletas

d)   Iniciativas privadas

Conselho Nacional de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos

Congresso Brasileiro de Clubes

Confederação Brasileira de Clubes

Fórum Nacional de Gerentes e Gestores de Clubes

Fórum Nacional de Profissionais do Esporte de Clubes

 

É a Torre de Babel do  esporte.

           

Por José da Cruz às 00h25

Futebol e eleição

         E é de um um político de Brasília, com relação próxima a Ricardo Teixeira, a informação, que dará muita discussão, choro e ranger de dentes.

         Diz a autoridade que a Fifa ainda não engoliu esse negócio de 12 sedes para o Mundial de 2014. E, em breve – ou seja, até dezembro – baterá o martelo em 10 capitais. Duas vão sambar sob o argumento da falta de iniciativa governamental para dar largada aos projetos. Ou falta de estrutura hoteleira, coisas do gênero.

Futuro

         Na euforia futebolística para receber o Mundial de 2014, o que pouco ou nada se discute é sobre o futuro dos estádios no pós-Copa.

Manaus, por exemplo, com uma arena para 40 mil pessoas. O estádio lotará em três ou quatro jogos pelo Mundial. E só!

         Será um investimento financeiro espetacular, endividando o Estado com empréstimos caríssimos para três jogos? Que clássico regional voltará a lotar o Estádio de Manaus? O mesmo ocorrerá em Brasília, Cuiabá, Natal, enfim.

Herança

         As projeções de especialistas indicam que a manutenção dessas áreas custa, anualmente, 2% do valor investido. Ou seja uma obra de R$ 600 milhões exigirá que os governos destinem R$ 1 milhão mensalmente para que a arena seja bem protegida.

         A alegria dos dirigentes de hoje, festejando a sede da Copa em seus estados, será o desespero dos governantes de amanhã. Já vimos este filme, no Pan, por exemplo.

Políticos

         Cidade sem tradição no futebol, mesmo assim Brasília não fica fora do cenário e contribui com um ingrediente valioso no contexto do esporte: políticos.

         Estou para ver casamento mais fiel do que cartolas e políticos. Há exceções, claro. E muitas. Mas, em tese, as excelências adoram uma aproximação com os donos da bola.

         A se confirmar a notícia confidenciada do corte de duas cidades-sedes, haverá discursos e protestos. Afinal, alguém terá que “defender os interesses” de seu eleitorado, custe o que custar.

Horror

         A propósito de tudo isso, cito o livro “O horror político”, de Jacques Généreux, do Instituto de Estudos Políticos de Paris. Diz ele que “o horror não é econômico, mas político”.

         E escreve, com todas as letras, que se encaixam na realidade do casamento político-futebolístico:

         “Se ainda existe algum interesse pelos ‘excluídos’, pelos pobres, em suma, pelos ‘inúteis’, é pelo fato de ainda serem eleitores”.

         Que se construam estádios, pois.

Por José da Cruz às 23h17

07/09/2009

O momento do basquete

         É de Pelotas, Rio Grande do Sul, que vem uma mensagem de gente que vive o basquete no seu dia-a-dia, que conhece, na quadra, as dificuldades para tentar fazer o esporte do interior evoluir; de quem se mantém atualizado, Brasil afora: professor e técnico Carlos Alex.

         Decidi trazer a mensagem de Carlos Alex para o blog, pois há colocações e questionamentos pertinentes, provocadores, até, para que todos possam se manifestar e manter, em bom nível, o debate sobre o momento de nosso basquete.

Leiam a mensagem:

A seleção classificou-se para o Mundial e ainda venceu a Copa América.

Entretanto, eu quero técnicos brasileiros. Mas, me peguei em um dilema: em quadra, a rotação do time brasileiro era sensacional, muito diferente dos padrões anteriores.

Como posso dizer que Moncho Monsalves não fez parte do que estava programado (não esqueçamos que o Brasil não se classificou para os Jogos Olímpicos de 2008)?

Como posso querer um (técnico) brasileiro, se não conseguíamos desenvolver o jogo de velocidade (nossa tradição) e organização tática (estilo europeu), que, agora, está trazendo vitórias com uma equipe pouco diferente de alguns anos?

Ouvi, minutos atrás, o Carlinhos (Carlos Nunes, presidente da CBB) dizer que vai esperar novembro para decidir com Moncho; que não vai ir contra a posição da equipe e que é hora de dar espaço para novos técnicos, que estão surgindo. Dúbio.

Com certeza não falava do Neto (assessor técnico). Quem poderia manter o nível de jogo do basquete brasileiro próximo do padrão internacional, com autoridade e respeito dos atletas e da CBB sendo brasileiro?

O nome já circulou por aí...

Por José da Cruz às 19h54

Jogos Mundiais Militares

         Passada a euforia pela conquista da Copa América de Basquete, voltamos à realidade da nossa economia do esporte.

         Depois da primeira série sobre a proposta do orçamento do Ministério do Esporte para 2010, apresentamos, agora, as principais metas da pasta no programa “Esporte de Alto Rendimento – Brasil Campeão”.

         Nesse programa há várias ações, como a Bolsa Atleta, que já comentamos, mas que voltaremos a tratar, para esclarecer as dúvidas e, inclusive, a visão do próprio Ministério do Esporte sobre o assunto.        

Jogos Militares

         A ação que mais consumirá recursos do governo federal em 2010 no Esporte de Alto Rendimento é a que trata dos V Jogos Mundiais Militares, marcado para o Rio de Janeiro, em 2011 – Os jogos da paz, seu lema.

         Ou seja, 2010 será um ano de preparação para o evento que reunirá mais de quatro mil competidores.

         Conforme a proposta orçamentária enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional, serão investidos R$ 584,1 milhões em várias ações preparatórias aos Jogos Mundiais Militares. Confira:

 

         Vila Olímpica                                  R$ 300.000.000,00

         Adequação instalações esportivas  R$   15.458.000,00

         Infra-estr.tecnológ e comunicação R$ 140.000.000,00

         Preparação das equipes brasileiras  R$   22.923.097,00

         Serviços de segurança                    R$   30.000.000,00

         Gestão e administração                  R$   75.755.356,00

 

Ministério da Defesa

         Apesar de os investimentos para os Jogos Mundiais Militares estarem na proposta de orçamento do Ministério do Esporte, a maior parte do o dinheiro, na prática, virá do Ministério da Defesa – uma das promotoras dos jogos – conforme documento oficial.

Ou seja, haverá repasses da Defesa para o Esporte, que executará a ação. Quem sabe, devido à experiência que acumulou na gestão da verba dos Jogos Pan-Americanos, cuja prestação de contas ainda não foi concluída pelo TCU.

         Em termos financeiros, a participação do Ministério do Esporte nessa conta será de apenas R$ 3,6 milhões.

O que são?

         Os V Jogos Mundiais Militares serão realizados no Rio de Janeiro em julho de 2011, reunindo cerca de sete mil pessoas, sendo 4.900 atletas e 1.800 delegados, representantes de mais de 100 países.

         O Brasil participará com uma delegação de 250 atletas, inscritos em todas as modalidades do programa: atletismo, basquete, boxe, hipismo, esgrima, futebol, iatismo, judô, natação, orientação, pára-quedismo, pentatlo militar, pentatlo moderno, pentatlo naval, pentatlo aeronáutico, taekwondo, tiro, triatlo, vôlei e vôlei de praia.

Histórico

A primeira competição  dos Jogos Mundiais Militares ocorreu em 1995, em Roma. Mais de quatro mil atletas de 93 países disputaram 17 modalidades esportivas.

Os jogos seguintes ocorreram em Zagreb (1999), Catânia (Itália/2003) e Hyderabad (Índia). O evento é promovido pelo Conselho Internacional do Esporte Militar com o apoio dos órgãos afins do país onde está a cidade-sede.

Por José da Cruz às 19h11

O tamanho do nosso basquete

         Com um jogo bonito, vistoso, vibrante e emocionante até o final, a Seleção Brasileira de Basquete mostrou, na quadra do adversário, Porto Rico, o tamanho do basquete de nosso país.

         E confirmou o que tenho escrito neste espaço, do que somos capazes no esporte, ainda um pouco acanhado, esondido por falta de gestão.

         Enfim, abro espaço para os elogios, para a “notícia boa”, como muitos leitores reclamam.

         É de justiça que se faça este reconhecimento.

         É de justiça reconhecer o desempenho técnico e a garra dos jogadores.

         Foi uma vitória maiúscula, confirmando o nosso potencial que, lamentavelmente, boa parte está no exterior.

         O vôlei já passou por isso. Depois, repatriou as principais estrelas e tornou a competição nacional gigantesca.

         Ganha o público, o esporte e o patrocinador, a TV.

         Torço para que o presidente Carlos Nunes tenha o apoio de quem precisar para que se tenha uma grande competição nacional e mude, de vez, os rumos do nosso basquete. Que tem histórias de vitórias inesquecíveis, sabe-se bem.

         Desejo finalmente, que Carlos Nunes também atenda aos questionamentos da imprensa.

Minha entrevista continua na fila. Desde o tempo em que ele era candidato.

Parabéns atletas. Parabéns ao técnico Moncho Monsalves, que cumpriu a missão para a qual foi contratado.

Futuro

O noticiário do UOL Esportes diz que o técnico espanhol balaça  no comando da equipe, mesmo com o apoio dos jogadores.

 

E até poderá entregar o cargo, na chegada ao Brasil.

 

Conforme me disse um dirigente próximo do presidente Carlos Nunes, Moncho soube que estava sendo tratada a sua substituição, para depois da Copa América. O novo técnico seria um croata, indicado pela FIBA.

 

 

Por José da Cruz às 10h31

06/09/2009

Novo técnico no basquete?

  

          Há uma semana recebi a informação de que o técnico Moncho Monsalves deixaria a Seleção Brasileira masculina, logo após a Copa América, que termina hoje.

Para o seu lugar viria um experiente croata, cujo nome não me foi revelado, mas que chegaria respaldado pela Federação Internacional de Basquete.

Apesar de a fonte ser confiável, decidi confirmar com o presidente da Confederação de Basquete, Carlos Nunes.

Aproveitei para fazer uma entrevista maior. E lá foram 10 perguntas. As respostas não vieram, sete dias depois.

         Não é a primeira vez que o presidente Carlos Nunes não me responde. Quando candidato à presidência da CBB, não retornou pedido de entrevista, à época em que eu ainda trabalhava no Correio Braziliense.

A entrevista

         Assim, transcrevo as perguntas que encaminhei ao presidente, para que o leitor também fique na expectativa da manifestação oficial.         

 

Tenho a informação de que, encerrada a Copa América, o contrato do técnico Moncho Monsalve será rescindido. Para o seu lugar deverá ser contratado um croata, com salário entre US$ 20 mil e US$ 25 mil. O que o Senhor pode adiantar?

 

Já saiu o resultado da auditoria das contas da gestão anterior da CBB? Que empresa realizou o trabalho? O resultado está disponível para se apreciar? Na mesma linha, a situação financeira da CBB é está estável?

 

A reforma do Estatuto da CBB já foi aprovada. O Senhor pode disponibilizar uma cópia? Quais os principais avanços, comparando com o documento anterior?

 

O estatuto fixa os valores das recompensas para os membros da diretoria? O Senhor pode divulgar?

 

Qual o projeto efetivo para desenvolver a base do basquete, em nivel nacional?

 

Qual, em linhas gerais, o planejamento do basquete, visando o seu crescimento, até 2013?

 

Como são aplicados os recursos da Lei 10.264 (recursos das loterias federais, via COB) e do patrocínio da Eletrobras? A CBB tem outras fontes de renda?

 

Procede a informação de que foi preciso devolver a Eletrobrás cerca de R$ 300 mil, devido à reprovação da prestação de contas da gestão anterior? Em caso positivo, que despesas foram glosadas?

 

Por que a CBB leva dirigentes estaduais aos eventos internacionais? quantos e quais presidentes já foram beneficiados com viagens?

 

Finalmente: é grande a evasão de atletas para outros países? O Senhor pode disponibilizar os números sobre a saída de nossos jovens nos últimos dois anos?

 

Obrigado pela atenção

José Cruz

 

 

 

Por José da Cruz às 14h29

Está tudo combinado

         O patrocínio da CBF ao congresso de delegados da Polícia Federal não é um fato isolado nas relações de órgãos do governo com a poderosa instituição do futebol nacional.

         É, apenas, mais um capítulo na intimidade entre poderes distintos que deveriam ser distantes.

         O patrocínio é, enfim, a evolução de uma política de intimidades que começou pelo Palácio do Planalto. O fato eu contei  numa  reportagem,publicada no Correio Braziliense, em 26 de setembro de 2004. O trabalho foi realizado junto com minha então colega de redação, Helayne Boaventura, da Editoria de Política, sob o título:

         Lula Futebol Clube

         Em resumo é o seguinte:

         De um lado, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, precisava “limpar a barra” junto ao Palácio do Planalto. Com as denúncias de irregularidades identificadas no futebol nacional pelas CPIs do Senado e da Câmara, o então presidente Fernando Henrique Cardoso fechou as portas do Executivo aos cartolas em geral.

Novos tempos

Em 2003, Lula chegou ao poder. Corintiano apaixonado, ex-torcedor de arquibancada, ele via na Seleção Brasileira um valorizado cartão postal para promover o Brasil no exterior em “jogos de paz”.

Para tanto, era preciso promover a aproximação entre a CBF e o Palácio do Planalto. O escalado para o trabalho foi o então ministro do Esporte, Agnelo Queiroz .

No Rio de Janeiro, o ex-diretor do Jornal do Brasil, José Antônio do Nascimento Brito, promoveu um jantar, facilitando o encontro de Agnelo com João Havelange, quando os ponteiros foram acertados. Desde então, o caminho do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ficou aberto para transitar pelos poderes da capital da República.

Interesses mútuos

         Políticos próximos do presidente Lula garantem que a aproximação entre Lula e Ricardo Teixeira tem objetivos comuns e faz parte de uma estratégia maior.

         Usando a Seleção Brasileira para promover “jogos da paz”, como ocorreu no Haiti, em 2004, e o prestígio do nosso futebol no exterior Lula acumularia dividendos para, somados a outras ações sociais no exterior, se tornar candidato ao Prêmio Nobel da Paz.

         Ricardo Teixeira, por sua vez, ganharia apoio político do então internacional Lula para se candidatar à presidência da Fifa.

Sustentação

         A ação palaciana teria valioso instrumento de sustentação: usar o projeto Pintando a Liberdade para distribuir material esportivo a países pobres, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores.

O material – bolas, em geral, redes, bolsas, agasalhos etc – é produzido por presidiários, num bem bolado trabalho integrado entre os ministérios da Justiça e Esporte. Para cada três dias de trabalho, o presidiário ganha o abono de um dia em sua pena.

         Eis a estratégia, o que facilita entender porque Congresso Nacional, TCU, Palácio do Planalto, Polícia Federal, enfim, se tornaram íntimas da CBF.

Cronologia da troca de favores

2003

Janeiro

# Agnelo se encontra com João Havelange para acertar encontro entre Lula e Ricardo Teixeira

Fevereiro

# Jogadores da Seleção Brasileira vestem a camisa do programa Fome Zero no amistoso com a China (0 x 0).

# Agnelo dá o ponta-pé inicial no amistoso entre Santos em São Paulo, na Vila Belmiro.

Maio

# O presidente Lula sanciona a Medida Provisória n. 79, a Lei de Moralização do Futebol (Estatuto do Torcedor). Veta, porém, o artigo que previa fiscalizar atos dos cartolas pelo Ministério Público.

Setembro

# Agnelo, ainda como ministro do Esporte, participa com Ricardo Teixeira de um churrasco, no Rio, comemorativo à conquista do título de campeã mundial pela Seleção Sul-17.

# Agnelo viaja no mesmo avião da delegação da CBF, logo após o jogo em Manaus, Brasil 1 x 0 Equador, pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

Outubro

# CBF determina que jogos pelo Campeonato Brasileiro arrecadassem alimentos para o programa Fome Zero.

2004

Fevereiro

# No jogo da Seleção Brasileira com a Irlanda, em Dublin (0x0), Seleção Brasileira entra em campo com faixa divulgando a campanha Fome Zero.

Julho

# Depois da vitória da Seleção Brasileira sobre a Argentina (2 x 0),pela Copa América, Agnelo perfilou-se ao lado dos jogadores e acabou sendo homenageado com uma medalha de campeão. No extremo da fila, o jogador Luizão ficou sem a sua medalha.

Agosto

# Seleção Brasileira faz jogo pela paz no Haiti, com a presença do presidente Lula, sacramentando a aproximação com Ricardo Teixeira.

A partir de 2005

# Doação de material esportivo para países da América Central e África. A mais recente remessa foi para o Haiti. Confiram notícia divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores:

A Embaixada do Brasil no Haiti e o o Batalhão Brasileiro da Força de Paz promoveram a doação de bolas para realização de atividades esportivas na colônia de férias em Cité de Soleil, bairro de Porto Príncipe. A iniciativa ocorreu no dia 12 de agosto de 2009.  

         O material foi enviado pelo Ministério do Esporte e produzido pelo Projeto "Pintando a Liberdade”. Além da doação, o Contingente garantiu o fornecimento de água potável e leite em pó durante a realização do evento. O COH (Comitê Olímpico Haitiano) também foi apoiado por integrantes da Engenharia Militar, que executaram reparos nas estruturas esportivas utilizadas.

Errei 

Cometi um erro de digitação e apaguei a mensagem anterior, publicada no sábado, em que comentava a notícia de Juca Kfouri: “CBF patrocinará o Congresso Nacional de Delegados da Polícia Federal.”

Desculpem a minha falha técnica, e, para náo ficar em débito, repito a nota.

         Em resumo, eu criticava essa aproximação.

         Em 2001, durante as CPIs da CBF Nike (na Câmara dos Deputados), e a do Futebol, no Senado, policiais federais integraram um espetacular grupo de apoio aos parlamentares, ao lado de técnicos do Banco Central, do TCU, do Ministério Público e do próprio Congresso. Eles cumpriram ações para a quebra de sigilo bancário e fiscal da CBF, à época acusada de várias irregularidades.

         Agora, patrocinados pela entidade maior do futebol, que isenção terá a PF para cumprir, se preciso, futuras missões na Casa do Futebol?

         Essa aproximação, por sinal, é mais uma de Ricardo Teixeira, que abraça, assim, os poderes da República, a partir do Palácio do Planalto, como contamos acima.

Depois, foi a vez do Congresso Nacional, patrocinando parlamentares importantes nas tomadas de decisões legislativas.

E, finalmente, o próprio Tribunal de Contas. Lembram que o ex-ministro Marcos Vilaça chefiou uma delegação da Seleção Brasileiro em jogo no exterior, este ano? Ou seja, instituições responsáveis por fiscalizar são beneficiadas pelo fiscalizado.

         Como diria o poeta-cantor, em ritmo embalado: “Ta dominado, ta tudo dominado...”

 

 

 

 

Por José da Cruz às 09h18

04/09/2009

Orçamento do Ministério Esporte cresce 5,4%

         O Orçamento Geral da União é, para o leigo, um espetacular quebra-cabeças de números, siglas e terminologias específicas.

Mas, traduzido por especialistas, torna-se compreensível. Fui buscar ajuda com os amigos do Contas Abertas para melhor explicar sobre a previsão orçamentária do Ministério do Esporte para 2010.

         O documento integra o  Projeto de Lei encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional, que vai nomear um relator, receber emendas e, finalmente, voltar à mesa do presidente da República para sancioná-lo. Vamos lá.

         O orçamento do Ministério do Esporte para 2010 é de R$ 407,7 milhões, 5,4% sobre o deste ano (R$ 386,9 milhões), em valores correntes.

Maior despesa

         Pela proposta, o Ministério do Esporte propõe gastar R$ 215,5 milhões no programa Segundo Tempo. É a conta que lidera as aplicações para 2010.

         Em segundo lugar, vem o programa “Brasil no Esporte de Alto Rendimento – Brasil Campeão”, com previsão de R$ 67,7 milhões. Isso representa aumento de R$ 7 milhões sobre os valores deste ano.         

         E em terceiro no ranking dos gastos está o programa Esporte e Lazer nas Cidades, com R$ 29,3 milhões, crescimento em torno de 50% sobre 2009.

Mudanças

         Como explicamos, o projeto de lei orçamentária é uma proposta do governo e, no Congresso, passará por profundas mudanças.

         Assim,a previsão do terceiro colocado deverá saltar para o primeiro.

Por que? Porque é no programa Esporte e Lazer nas Cidades que são incluídas as emendas para a construção de quadras esportivas, fazendo crescer o orçamento significativamente.

         Para se ter uma idéia, vejam o que ocorreu em 2008:

         O Projeto de Lei Orçamentária encaminhado ao Congresso totalizava R$ 285,2 milhões. Quando foi aprovado e enviado à sanção presidencial estava em espetacular R$ 1,3 bilhão, turbinado pelas emendas dos parlamentares.

         Prestem atenção: o projeto de lei do governo foi aumentado em cinco vezes, pelas excelências!

         O mesmo deverá ocorrer agora, pois é uma operação que se repete tradicionalmente.

Execução

         O fato de ter orçamento aprovado não quer dizer dinheiro garantido.

         Os gastos vão depender do gestor, e  o Ministério do Esporte nem sempre tem se mostrado eficiente.

         Observem a evolução registrada em 2008, especificamente nessa pasta:

         Projeto de lei do governo                   R$   284,2 milhões

         Projeto aprovado pelo Congresso      R$1.392,7 bilhão

         Gasto (executado) pelo Ministério      R$   572,7 milhões

Ou seja, o Ministério do Esporte usou menos de 50% do orçamento que dispunha. Sobrou grana.

Além da ineficiência do gestor, isso ocorre, muitas vezes, porque o governo contingência o orçamento, isto é, limita os gastos. Quando libera, nem sempre há tempo para licitar os projetos programados, o que contribui para a má execução orçamentária.

Novidades.

         Na próximas mensagens, tratarei sobre os principais programas orçamentários para 2010, em que se destaca, por exemplo, os V Jogos Mundiais Militares, que serão realizados no Rio de Janeiro, em 2011.

 

Por José da Cruz às 07h56

03/09/2009

Bolsa Atleta sofre cortes para 2010

         O Ministério do Esporte reduziu drasticamente o orçamento da Bolsa Atleta para 2010.

Dos R$ 40,4 milhões reservados para este ano, o valor caiu para R$ 20 milhões, em 2010.

         Com isso, cairá, também, o número de bolsistas atendidos:    

3.372 atletas em 2009

1.402, no ano que vem.

         Os números constam do Projeto de Lei Orçamentária para 2010, encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional.

Com o apoio dos técnicos da ONG Contas Abertas (www.contasabertas.com.br), vamos analisar, a partir de hoje, alguns números do Ministério do Esporte. Deixamos claro, porém, que uma coisa é o orçamento; a outra é sua execução, isto é, quanto o ministério consegue gastar do valor autorizado.

Depois que é aprovado no Congresso e sancionado pelo presidente da República, o orçamento costuma sofrer um “contingenciamento”, isto é, o governo limita alguns gastos por determinados meses, liberando os valores de acordo com os rumos da economia nacional.

Sobre o Bolsa Atleta, já solicitamos à assessoria do Ministério do Esporte informações sobre a redução dos valores do Bolsa Atleta. Ficamos no aguardo.

Por José da Cruz às 18h46

Copa 2014: alerta do TCU

Está no www.tcu.gov.br       

 

   "O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro, demonstrou preocupação com a aproximação da Copa do Mundo de 2014 e alertou para as poucas ações práticas de infraestrutura e planejamento adotadas pelo Brasil.

         O ministro citou como exemplos o atraso das obras de reforma do Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, e o Trem de Alta Velocidade entre Rio de Janeiro e São Paulo “que parece caminhar para um triste desfecho”. 
      Raimundo Carreiro propôs que seja encaminhada ao Poder Executivo, por intermédio da Casa Civil e da Presidência da República, uma série de recomendações para gerenciar a organização da Copa."(transcrito na íntegra do site do TCU, via assessoria de imprensa)

 

 

Por José da Cruz às 12h48

02/09/2009

Democracia do silêncio

          O atraso do governo federal em apresentar as prioridades de obras nas cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014 já preocupa autoridades do Tribunal de Contas da União.

         Para evitar o que ocorreu no Pan-2007, quando muitas licitações nem puderam ser realizadas por falta de tempo, o ministro Raimundo Carreiro fez alerta, conforme nota que transcrevo abaixo, publicada há pouco no site do TCU (www.tcu.gov.br).

         “O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro, demonstrou preocupação com a aproximação da Copa do Mundo de 2014 e alertou para as poucas ações práticas de infraestrutura e planejamento adotadas pelo Brasil.

         O ministro citou como exemplos o atraso das obras de reforma do Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, e o Trem de Alta Velocidade entre Rio de Janeiro e São Paulo “que parece caminhar para um triste desfecho”. 
      Raimundo Carreiro propôs que seja encaminhada ao Poder Executivo, por intermédio da Casa Civil e da Presidência da República, uma série de recomendações para gerenciar a organização da Copa.”

 

 

Por José da Cruz às 22h26

O Brasil olímpico

         É difícil entender os senhores dos anéis. Elogiar a segurança do Rio de Janeiro? O interessante é que o relatório do COI com essa aberração sai justamente no dia em que mais uma criança morre, vítima de bala perdida, na Cidade Maravilhosa.

         Não se duvida que o Rio tenha condições de sediar o evento olímpico de 2016. Com o dinheiro disponível, garantido pelos cofres públicos é fácil contratar especialistas em olimpíadas e, então, se organiza a competição tão almejada pelo governo, principalmente.

         O que é difícil de entender é por que os governos municipal, estadual e federal, ao lado do Comitê Olímpico, não se mobilizam com o mesmo entusiasmo para tornar este país uma potência esportiva?

         Melhor: porque não se reúnem para introduzir, prioritariamente, o esporte na escola, a fim de que nossas crianças e jovens tenham uma formação mais íntegra e confiável?

Essa seria a verdadeira contribuição que políticos e cartolas poderiam dar à educação e, por extensão, ao esporte e ao país, na tentativa de termos um futuro político menos corrupto e ganancioso do que o de hoje.

 

Por José da Cruz às 16h20

Atletismo passado a limpo

         A repórter Thalita Kalix completa hoje a terceira de uma série de reportagens no Correio Braziliense, passando a limpo o atletismo brasileiro. Excelente material, reconheço.

         Na reportagem de ontem, o ex-velocista Robson Caetano avalia que “a preguiça entra na pista.” Para ele, que detém o recorde brasileiro dos 100m (10s), desde 1988, há 21 anos, portanto, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) não tem culpa no problema.  E explica:

“Não é ela que entra na pista”, argumenta Robson, simplista.

         Para o entrevistado, “os garotos de hoje não treinam. Se treinassem, o recorde (do próprio Robson) já teria caído.”. E conclui, crítico: “É falta de vergonha”.

Comentário

         Além de Robson, outros ex-atletas já se manifestaram com o mesmo argumento. Alegam que, antes de 2000, era preciso mostrar resultados para ganhar um bom patrocínio.

         Hoje, ao vencer um GP juvenil, o campeão já conquista uma Bolsa Atleta, um dos motivos que pode contribuir para relaxar nos treinos.

         Porém, não é correto isentar a CBAt, sob a alegação de que a entidade não entra na pista. Não entra mas faz o planejamento, promove os eventos e deve acompanhar, no mínimo, as evoluções técnicas. Se não faz isso, apenas desembolsa o dinheiro, o que é um desperdício. O resultado, enfim, está na pista.

Quebra-cabeça

         Hoje, é a vez de Joaquim Cruz se manifestar na reportagem do Correio. E mata a charada logo na primeira frase de seu depoimento: “A nossa estrutura política do espore se parece com peças de um quebra-cabeça. Cada órgão governamental que cuida da formação da criança brasileira funciona isoladamente, com metas individuais.”

         Ou seja, enquanto clubes, federações e confederações devem cuidar do esporte de rendimento, o governo tem a obrigação de ditar políticas para o esporte escolar. Não faz isso. Assim, a prática esportiva não contribui nem sequer para a formação integral da educação dos jovens.

Por José da Cruz às 07h36

01/09/2009

Futebol na Esplanada

          O dinheiro ainda não foi liberado, mas está reservado: R$ 3 milhões.

Conforme registro no Diário Oficial da União, a empresa Cartoon Produtos e Serviços Integrados Ltda foi contratada pelo Ministério do Esporte para comprar móveis.

         O Ministério registrou os preços para “aquisição de mobiliário em geral”. Fontes do próprio órgão informam que a mobília irá para a nova Secretaria Nacional de Futebol.

Mudanças

         A Secretaria Nacional do Futebol é o mais novo órgão estatal para opinar num negócio estritamente privado. As suas dependências, no prédio do Ministério do Esporte, passam por grande reforma.

         Com o fortalecimento das relações do governo federal com a cartolagem, beneficiada por farto dinheiro público, o Ministério  do Esporte terá um gabinete à altura para receber as excelências que, em Brasília, já recebem milhões da Timemania e a Lei de Incentivo ao Esporte. É o futebol estatizado.

LOTE 1
QTDADISCRIMINAÇÃO DOSVALORVALOR 
ESTIMADAEQUIPAMENTOSUNITÁRIOS R$TOTAL R$
15MESA EXECUTIVA        11,041.43     165,621.45
15CRENDEZA EXECUTIVA          4,555.19       68,327.85
3MESA DE REUNIÃO OVAL           7,539.37       22,618.11
EXECUTIVA
12MESA DE REUNIÃO CIRCULAR          5,997.20       71,966.40
EXECUTIVA
15MESA DE CANTO          1,060.00       15,900.00
15MESA DE CENTRO          1,069.24       16,038.60
15VOLANTE COM PRATELEIRA             709.02       10,635.30
15ARMÁRIO MÉDIO           2,406.55       36,098.25
4 prateleiras internas
15ARMÁRIO MÉDIO           3,064.93       45,973.95
2 prateleiras e suportes para pastas
15ARMÁRIO BAIXO          1,609.37       24,140.55
15ARMÁRIO BAIXO COM RODÍZIO          2,178.65       32,679.75
PORTA DE VIDRO
VALOR TOTAL DO LOTE 1 R$   510,000.21

 

       

 

Por José da Cruz às 11h08

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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