A Caixa Econômica Federal é contrária ao aumento dos repasses das loterias para os esportes olímpicos e paraolímpicos, segundo o vice-presidente de Loterias, Moreira Franco (ex-governador do Rio de Janeiro), em entrevista ao blog.
A medida implicaria na redução dos prêmios das loterias administradas pela Caixa.
Com isso, segue o impasse entre o Confao (Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos) e os comitês Olímpico e Paraolímpico.
Os dirigentes do Confao querem entrar no rateio da Lei 10.264/2001, que repassa 2% das loterias para os olímpicos e paraolípicos. Pedem 30% do dinheiro disponível anualmente.
De 2008 até julho deste ano, o COB recebeu R$ 168,2 milhões, e o Comitê Paraolímpico, R$ 28,1 milhões.
O dinheiro, porém, limita-se às confederações, não chegando à base, à iniciação, o que provocou a indignação dos presidentes dos clubes formadores. Há outras alternativas em jogo, motivos dos próximos comentários.
Entrevista
José Cruz – O Senhor já sabe sobre o interesse do Comitê Olímpico Brasileiro e dos clubes sociais de aumentarem de 2% para 2,5% o repasses das loterias federais (Lei n.10.264/2001) para os esportes olímpicos e paraolímpicos?
Moreira Franco – Sim, tomei conhecimento por meio do Projeto de Lei 359/2005, que trata da matéria. (1)
José Cruz – A Caixa já está conversando sobre o assunto, com vistas a alterar a Lei n. 10.264/2001 (Lei Agnelo Piva)?
Moreira Franco – A Caixa já se manifestou contrária ao referido Projeto de Lei, pois, como a Lei Agnelo Piva (n. 10.264/2001) define que a parcela dos recursos destinados ao COB e CBP deve ser deduzida da premiação, o aumento em questão significaria reduzir o valor dos prêmios distribuídos pelas Loterias Federais em 0,5%.
José Cruz – Seria uma medida inoportuna?
Moreira Franco – Trata-se de medida extremamente prejudicial para as loterias, para os seus beneficiários legais e, em última instância, para a sociedade, pois com a diminuição da atratividade dos prêmios, poderá haver também redução na arrecadação e no volume de recursos repassados a esses beneficiários (Esporte, Cultura, Seguridade Social, Educação, Segurança Pública e Saúde).
José Cruz – Mas além do projeto no Senado, há outro, na Câmara dos Deputados, com o mesmo objetivo, aumento dos repasses de 2% para 2,5%. Qual a sua avaliação?
Moreira Franco – Tenho a convicção que o melhor caminho para o incremento do volume de recursos gerados pelas loterias federais para o esporte, como também para os demais beneficiários legais, é aumentar o percentual da arrecadação que é destinada aos prêmios, haja vista o ciclo virtuoso que se aplica aos jogos lotéricos no mundo todo. O Brasil ocupa apenas a 43ª posição no ranking de vendas (de loterias) per capita por ano, o que comprova que ainda temos muito o que crescer.
A tese de Moreira Franco é resumida na seguinte equação:
Maior percentual destinado a prêmios = produto mais atrativo = aumento da arrecadação = aumento dos repasses aos beneficiários legais |
José Cruz – Está nos planos da Caixa a criação de uma loteria específica, para fortalecer a preparação dos atletas, caso o Rio de Janeiro ganhe a sede olímpica de 2016?
Moreira Franco – Esta ação não está nos planos da Caixa por se tratar de medida que depende de autorização legislativa específica, a qual deve ser conduzida pelo Ministério do Esporte, caso seja do seu interesse.
Por José da Cruz às 12h44
Treinador de Maurren Maggi e do panamenho Irving Saladino, ambos ouro olímpico no salto em distância, Nélio diz, lá pelas tantas:
“A gente vai para mundiais para ganhar medalhas esporádicas, e sempre em quantidade muito pequenas. É o acaso.”
E o motivo da realidade?
“Se considerarmos que dos 200 milhões de brasileiros, 40 milhões têm condições de fazer esporte, falar só em finais é contentar com muito pouco, sem dúvida. Mas quantas pessoas fazem atletismo no Brasil hoje? Temos 20 mil inscritos na CBAt e talvez mil e poucos sejam ativos. Essa é a nossa população.”
Ou seja, confirma-se a tese de que faltam projetos para massificação.
A entrevista completa está no seguinte endereço: http://www.correiobraziliense.com.br/impresso
Por José da Cruz às 11h09
O Comitê Paraolímpico Brasileiro é duplamente atendido pelas loterias da Caixa Econômica: é patrocinado pelo banco, desde 2004, e recebe valores da Lei das Loterias.
Patrocínio
2004 R$ 1.000,00
2005 R$ 3.418.800,00
2006 R$ 3.800.000,00
2007 R$ 4.886.000,00
2008 R$ 6.394.800,00
2009 R$ 6.800.000,00 (até julho)
Lei das Loterias (n.10.264/2001)
2001 R$ 3.161.460,31
2002 R$ 8.619.582,90
2003 R$10.159.765,61
2004 R$12.083.145,61
2005 R$12.511.266,77
2006 R$12.144.098,69
2007 R$14.632.747,26
2008 R$16.839.116,35
2009 R$11.376.176,19 (até julho)
Curso
Para evitar ser surpreendido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por possíveis irregularidades no uso de verbas públicas, o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) promove, de hoje até terça-feira, um curso sobre prestação de contas, convênios e licitações.
O evento, em Brasília, ministrado por especialistas em contas públicas, inclusive do TCU, conta com a presença de 37 representantes de todas as associações e confederações ligadas ao movimento paraolímpico, e que são beneficiadas com recursos públicos.
Por José da Cruz às 23h46
Pergunta do leitor Jarbas Pereira pergunta:
“O Ministério do Esporte poderia coordenar as ações para que o dinheiro total (orçamento, loterias, etc) seja aplicado com mais eficiência ou isso é inconstitucional?”
A resposta será detalhada, para facilitar o entendimento.
O dinheiro do esporte tem as seguintes origens:
1. Orçamento governamental (via Ministério do Esporte)
2. Estatais: BB, Caixa, Infraero, Correios, Petrobras e Eletrobrás;
3. Lei 10.264/2001
a) 2% das arrecadações das loterias vão para o COB e CPB
4. Lei de Incentivo ao Esporte (n. 11.438/2006)
a) cerca de R$ 300 milhões anuais, via isenção fiscal;
5. Timemania (Lei n. 11.345006)
a) 20% para abatimento da dívida fiscal dos clubes de futebol
b) 3% para o Ministério do Esporte distribuir:
1) 1/3 para clubes sociais
2) 2/3 para secretarias de Esporte dos estados e DF;
c) 2% para o COB e CPB.
Gestão
Apesar das várias fontes de recursos, o Ministério do Esporte não é o gestor, de forma integrada, a fim de evitar o duplo acesso ao dinheiro pela mesma entidade esportiva.
Isso ocorre porque o Ministério tornou-se um ente político, quando deveria ser, prioritariamente, técnico.
Diálogo
Além disso, não há diálogo com os demais ministérios, como os da Educação e da Saúde, para que fosse elaborado uma proposta de governo para o setor.
Assim, temos uma temos é uma política de partido.
Observem, também, o Conselho Nacional de Esporte. Não há, nele, representantes das estatais. E são justamente elas que mais colocam dinheiro no setor.
Enquanto isso...
É por esses motivos que os clubes se uniram e decidiram brigar para entrar no rateio das loterias (dinheiro que vai para o COB e CPB);
Em decorrência dessa desordem institucional, o dinheiro não chega na base, para garantir renovação, com equipes competitivas;
Assim, por falta de diálogo e decisões governamentais que não se definiu, nem no governo FHC nem no atual (quase 16 anos ou quatro ciclos olímpicos), como oferecer a elementar prática da educação física às crianças em idade escolar.
Fica claro, pois, que esporte não é prioridade de governo, apesar do discurso oficial.
Por José da Cruz às 18h07
Interessados em intensificar as relações com a cartolagem, a Bancada da Bola – parlamentares que defendem os interesses do futebol no Congresso Nacional – acaba de marcar um valioso gol, via projeto de lei n. 141/2009, que trata da Reforma Eleitoral.
Na Câmara dos Deputados, ol projeto recebeu emenda proibindo doações de clubes, federações, confederações a políticos ou partidos e em campanhas.
No Senado, porém, defendendo mudanças no projeto, para torná-lo mais brando, o senador mineiro, Eduardo Azeredo, disse que a proposta vinda da Câmara era muito restritiva.
Nesse sentido, ele vai trabalhar para que as doações do futebol continuem chegando aos políticos.
O objetivo dos parlamentares é que o projeto de lei passe a valer já nas eleições de 2010. Para tanto, terá que ser encerrado até 30 de setembro, antes de ir à apreciação do presidente Lula.
O projeto esteve para ser aprovado ontem, nas comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e na de Ciência e Tecnologia (CCT).
Porém, um pedido de vista coletivo ao projeto adiou sua apreciação para a semana que vem. Se o documento não for aprovado até o final de setembro, valerá para 2010 a legislação que está em vigor, isto é, as doações do futebol às campanhas dos políticos estarão liberadas.
Mais informações: http://congressoemfoco.ig.com.br/
Por José da Cruz às 11h41
Para que não ficar apenas nas citações, vamos aos números.
Além do orçamento do Ministério do Esporte, da Lei de Incentivo e dos repasses as loterias federais para os comitês Olímpico e Paraolímpico, há as parcerias das estatais, que patrocinam 16 modalidades.
Na medida em que recebermos as informações solicitadas, vamos colocando os valores no blog.
Caixa Econômica Federal
Em 2009, a Caixa investirá R$ 47 milhões em projetos esportivos, incluídos os do Comitê Paraolímpico Brasileiro e Circuito de Corridas de Rua (valores não revelados).
Investimentos na Confederação de Atletismo (em R$)
2009 13.500.000,00
Correios
Apoia a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos desde 1991. Diante dos resultados de visibilidade da imagem, a empresa adotou mais duas modalidades em 2008, o futsal e o tênis.
Os valores das parcerias para este ano são os seguintes:
Confederação de Desportos Aquáticos R$ 10.000.000,00
Confederação de Futebol de Salão R$ 8.000.000,00
Confederação de Tênis R$ 3.840.000,00
Infraero
Patrocina o esporte desde 2007.
Investimentos em 2009
Confederação Brasileira de Judô R$ 1.500.000,00
Projeto “Avança judô” R$ 250.000,00
Banco do Brasil
Começou a apoiar o esporte em 1987, com a Seleção Brasileira de Basquete. Em 1991 migrou para o vôlei.
O BB têm por política não divulgar os valores individuais de seus investimentos.
Para 2009 anuncia que aplicará o total de R$ 60 milhões nas seleções e vôlei, circuito de vôlei de praia, futsal e iatismo.
Nessa última modalidade, o BB decidiu patrocinar, desde 2005, a dupla Robert Scheidt e Bruno Prada, oito vezes campeões mundiais de vela, classe laser..
Além disso, mantém o projeto “Embaixadores do Esporte”, que trabalha com ex-campeões do vôlei – Maurício, Carlão, Marcelo Negrão e Paulão –, divulgando a modalidade. Recentemente, o ex-tenista Gustavo Kuerten entrou no seleto grupo dos embaixadores.
Novos números
Em próximas edições informarei sobre os valores aplicados pela Petrobras e Eletrobrás, as duas últimas estatais que ainda não repassaram os valores oficiais.
Da mesma forma, comentarei sobre a execução financeira do Ministério do Esporte, Bolsa Atleta, Lei de Incentivo ao Esporte e repasses de verba pública, via loterias federais, para a Confederação Brasileira de Clubes e comitês Olímpico e Paraolímpico.
Por José da Cruz às 21h28
Em respeito ao debate democrático, volto ao assunto do estádio de Cuiabá para a Copa do Mundo de 2014, cujo governo estadual tinha um projeto,mas decidiu contratar outro, sem licitação, por falta de tempo.
Em comunicado, a Secretaria de Turismo de Mato Grosso alega que “houve confusão ao comparar um estudo preliminar com o projeto básico executivo”.
Lembro, porém, que a informação sobre o abuso governamental não foi invenção, mas do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Antônio Joaquim. Uma autoridade que merece crédito, pois.
Explicações
Em resumo, a nota recebida repete algumas informações já publicadas, antes de conhecermos a versão do primeiro projeto elaborado. Mas destaca:
“Apesar de não ter havido licitação, o Governo de MT realizou tomada de preços de outros projetos, modalidade prevista em lei, escolhendo o da GCP Arquitetos pelo seu conceito e pela economia que proporcionará na construção da Arena;”
O comunicado governamental informa, ainda, que, “finalizado o projeto básico e executivo da nova arena, promoverá licitação para contratar a empresa construtora do estádio.”
O outro lado
Reforço que o Governo do Estado do Mato Grosso não tinha apenas um “projeto preliminar” – como citou –, elaborado pelo escritório de Eduardo Castro Mello.
Tinha, na verdade, um projeto detalhado, a partir do diagnóstico da situação física e apresentação de plantas baixas de todas as áreas do novo estádio, como cobertura, concepção estrutural, vestiários, estacionamentos, área de imprensa, tribuna de honra, restaurantes, bares, acessos, avaliação ambiental, etc.
Finalmente
É claro que cada governo das cidades-sedes ao Mundial de 2014 buscará o projeto que melhor atenda aos seus interesses.
Mas gastar, em tempos de crise, com a elaboração de dois projetos para apenas um estádio de futebol é exorbitante, porque tal despesa é feita com o dinheiro de quem paga imposto.
Enfim, estamos apenas no começo do processo. Ainda faltam cinco anos para a Copa do Mundo e já temos um debate deste tamanho, com apenas uma cidade. Como são 12 sedes, Imaginem o que vem pela frente...
Por José da Cruz às 21h18
A conquista pelo Rio de Janeiro da sede dos Jogos de 2016 – a escolha será em 2 de outubro, na Dinamarca – poderá dar ao Brasil mais um sorteio semanal, a loteria olímpica.
A Caixa Econômica Federal silencia sobre a iniciativa, mas a proposta está no caderno de encargos elaborado pelo Comitê Organizador dos Jogos, Carlos Arthur Nuzman à frente.
Ou seja, se o Rio vier a vencer, o dinheiro da nova loteria deverá fortalecer as finanças para a realização dos dois eventos, os Jogos Olímpicos, programados para serem realizados de 5 a 21 de agosto, e os Paraolimpicos, de 7 a 18 de setembro de 2016. Mas, se o governo federal decidir por não criar o teste, o orçamento olímpico não sofrerá prejuízos.
Conforme o dossiê de candidatura, as olimpíadas e paraolimpídadas “não estarão dependentes do lançamento da loteria”.
Cadernos
O tal caderno de encargos da candidatura, na verdade, são três, luxuosamente produzidos, fartamente ilustrados e com mínimos detalhes sobre o Rio de Janeiro e o Brasil.
Com um total de 600 páginas, os documentos foram elaborados por uma equipe de 500 especialistas em olimpíadas, do Brasil e consultores estrangeiros. Só nesta fase, a candidatura envolveu informações de 12 ministérios e teve custo de produção em torno de R$ 80 milhões.
O valor da candidatura é bem próximo do que o Comitê Olímpico recebeu das loterias federais, em 2008, R$ 93 milhões, para serem aplicados na preparação de atletas profissionais.
Detalhes
A escolha da sede olímpica é a mais complexa e valorizada concorrência do mundo, que exige dos candidatos finais – Madri, Rio de Janeiro, Chicago e Tóquio – a apresentação de dados e garantias minuciosas, sempre com o aval maior dos governos municipal, estadual e federal.
Por exemplo, já estão definidos pelo Comitê de Candidatura dos Jogos do Rio de Janeiro os clubes onde as centenas de equipes deverão treinar. Os contratos com 150 hotéis garantindo acomodações para a família olímpica – dirigentes e visitantes – também estão firmados.
Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, 54% das instalações esportivas já existem; 26% serão construídas e 20% serão temporárias. O torneio de futebol estáa programado para começar em 3 de agosto - em caso de vitória brasileira -, dois dias antes da abertura oficial, com sedes no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.
Por José da Cruz às 07h47
O governador de Mato Grosso, Blairo Borges Maggi, não precisava gastar R$ 14 milhões para elaborar às pressas um projeto de estádio para receber os jogos da Copa do Mundo, como contamos em matérias abaixo.
Não precisava porque já era dono de um projeto que foi usado, inclusive, para eleger Cuiabá, junto à Fifa, como uma das sedes da Copa.
Porém, alegando que a obra original tinha custo elevado (R$ 500 milhões), decidiu rasgar a proposta e chamar outra empresa, fugindo da tal licitação, recurso público-administrativo que dá transparência nas ações governamentais.
Bingo
Quem ajudou a esclarecer o fato foi o engenheiro Eduardo Castro Mello, que tem escritório em São Paulo, autor do primeiro projeto.
Quando na madrugada ele viu na página do UOL a foto do estádio de Cuiabá, ilustrando a chamada para a matéria que escrevi sobre o assunto, o arquiteto Eduardo Castro Mello estranhou:
“Ops! este estádio é o meu projeto, mas não vale mais!”
Em seguida, Castro Mello me escreveu para esclarecer: “Meu projeto foi detonado. Já tem outro."
Ou seja, o governador pagou duas vezes para ter um só projeto.
De fato, já vimos este filme. E cada vez me convenço mais de que o Pan-2007 foi de um aprendizado espetacular...
Fica registrado neste blog, pois, o primeiro escândalo com dinheiro público rumo à Copa de 2014.
Por José da Cruz às 08h44
O jornalista Orlando Morais é o assessor de imprensa do governo do Estado de Mato Grosso. Há pouco, ele me telefonou desde Cuiabá para explicar os motivos pelos quais o governo do Estado náo realizou a tal licitação para elaborar o projeto do estádio de futebol: prazo exíguo. Entre a escolha das cidades-sedes e a apresentação do projeto à Fifa era pouco mais de um mês. Diante disso, o governo se valeu de recurso na legislação do estado para fugir da licitação. Tudo legal, garante Morais. Assim, a empresa paulista GCP Arquitetos foi a escolhida para elaborar o projeto do estádio, ao custo de R$ 14 milhões, pagos pelo contribuinte. Conforme Orlando Morais, a empresa em questão é especializada em projetos ambientais, com perfil ecológico, adequado ao tema que o governo do Mato Grosso elegeu para 2014: “Copa da sustentabilidade”... Deloitte O jornalista Morais também confirmou a contratação de uma empresa para assessorar o governo na preparação da Copa do Mundo, conforme divulguei. A eleita foi a Deloitte, que, igualmente, escapou da licitação por ser de reconhecida capacidade para o trabalho em questão. Também, tudo legal. Como eu disse, na informação da tarde, já vimos este filme.
De fato, o Pan-2007 fez escola. Serviu para um aprendizado impressionante.
Por José da Cruz às 23h31
Especialista em texo, o jornalista Walter Guimarães é, também, um muito bom em matemática.
Vejam só as contas que ele fez para demostrar a aventura de Mato Grosso com a construção de seu estádio.
“Segue uma pequena análise sobre o custo do Verdão, estádio que será construído em Cuiabá.
Nos últimos seis anos, os times do Mato Grosso arrecadaram um total de R$ 642.632,00 na disputa da Série C, o que dá a média de R$ 107.000,00 por ano.
Então para pagar o estádio, contando apenas a renda dos times nos Brasileiros, e com toda a renda sendo repassada para o estado (o que não acontece), seriam necessários apenas 3.700 anos para pagá-lo.
Isso contando que todos os times joguem lá (nesses anos disputaram a Série C: Cuiabá, União, Vila Aurora, Luverdense, Mixto, Operário, Cacerense e Jaciara).
Torcedores
Outro detalhe, nesses seis anos, foram 81.136 torcedores aos jogos. O Verdão vai ter 40 mil lugares, ou seja, o total de pagantes nesses anos quase cabe em dois jogos do novo estádio.
Desculpe a confusão dos números, mas acho que deu para entender... Reconheço que não levei em conta o estadual, mas mesmo assim acho que vale como referência”.
Walter Guimarães
Por José da Cruz às 22h40
A cinco anos da realização da Copa do Mundo, já se identificam agressões ao orçamento público de governos municipais das cidades sedes ao evento de 2014.
O primeiro caso de desrespeito à legislação ocorreu em Mato Grosso, que tem na capital, Cuiabá, uma das 12 sedes do Mundial. O governo do estado contratou, sem licitação, o projeto executivo para construir o estádio municipal.
Motivo da pressa: falta de tempo.
Custo da brincadeira: R$ 14 milhões.
Além disso, o governo contratou uma “consultoria técnica” de R$ 400 mil mensais, pagos também atropelando as normas legais, isto é, sem licitação.
A construção da nova praça de esportes está orçada em R$ 400 milhões.
As informações são do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Antônio Joaquim, hoje, em Brasília, em conversa com o deputado Silvio Torres.
“Vamos ver muito desses casos. Começa a se repetir para a Copa do Mundo o que ocorreu com a preparação do Rio de Janeiro para o Pan-americano de 2007. Mas vamos agir", prometeu Silvio Torres, que preside a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara federal.
Rede de informações
Silvio Torres presidiu hoje a solenidade que criou uma rede para troca de informações entre os tribunais de contas das 12 cidades-sedes, os respectivos estados, o Tribunal de Contas da União e as comissões de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara e do Senado.
A convite, a ONG Contas Abertas prestará consultoria sem qualquer custo para o Legislativo.
O presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, acredita que a ação preventiva chamará a atenção da população, que deverá se interessar em saber como está sendo gasto o dinheiro público.
Análise
O filme sobre a preparação do país para grande eventos já vimos e é um desastre pavoroso. O Pan-2007 é o exemplo mais triste neste sentido.
A rede de integração entre tribunais de contas, TCU e Legislativo é a novidade. Disposição para combater o abuso existe, ficou claro na reunião de hoje.
Mas só o tempo poderá mostrar a eficiência dessa iniciativa, porque do outro lado do campo de jogo está o poderoso time dos cartolas do futebol amparados por espertos políticos.
Por José da Cruz às 17h46
O Campeonato Mundial de Atletismo terminou no domingo, mas ainda repercute por aqui.
Recebemos mais uma mensagem do presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, que transcrevemos na íntegra, incentivando o debate de todos.
Sobre suas indagações nos pronunciaremos. Diz a mensagem:
Senhor Jornalista,
Estando de partida de Berlim, pude ler rapidamente, em seu blog, a matéria intitulada "Um péssimo Mundial de Atletismo".
Sucintamente, gostaria de informar-lhe o seguinte :
1. Sobre a maior parte das considerações genéricas apresentadas pelo especialista Fernando Franco, concordo totalmente, até porque são de consenso da comunidade desportiva, há décadas, quais sejam, a inexistência de uma política nacional para o desporto escolar e a falta, em muitos casos, de cursos de Educação Física que formem profissionais em disciplinas específicas.
O jornalista e eu próprio, por sinal, tratamos desses assuntos em sua coluna no "Correio Braziliense", algum tempo atrás.
2. A propósito da matemática do ranking mundial na convocação de atletas, informo que:
a) a equipe brasileira, em Berlim, acabou constituída por 42 atletas.
b) desses, 30 estão entre os 40 primeiros do ranking mundial de 2009, em suas especialidades (no caso dos revezamentos, entre as 15 melhores equipes do mundo).
c) no caso da maratona e da marcha atlética outros parâmetros têm sido adotados, que levam em conta resultados do ano anterior (maratona e marcha 50 km); ranking comparado, que considera apenas três atletas por país etc. Se alguém tem outro pensamento a respeito do critério a ser adotado nessas provas, gostaria de conhecê-lo para consultar uma segunda opinião de outros especialistas no assunto, como os treinadores que dedicaram sua vida na formação desses desportistas.
Por sinal, com o nível da maratona masculina em Berlim, não se pode, penso eu, desmerecer a participação dos atletas brasileiros, que ficaram em 16º, 19º e 23º lugares, cabendo ao Brasil a 6ª posição entre países.
d) restam, assim, três jovens atletas, com largas perspectivas em seu futuro desportivo, que foram a Berlim e não estão entre os 40 primeiros em suas provas, que são ;
Sabine Heitling - campeã pan-americana dos 3.000 com obstáculos de 2007.
Fábio Silva - campeão pan-americano do salto com vara de 2007.
Júlio César Miranda de Oliveira - campeão mundial de menores em 2003 e medalhista de bronze nos Campeonatos Mundiais de Juvenis em 2004.
Dessa forma, seria importante saber que convocação específica poderia ser colocada em dúvida, para que o Conselho Técnico da CBAt pudesse se pronunciar a respeito. De outra forma, fica difícil entender os argumentos contrários à constituição da delegação brasileira a Berlim.
Atenciosamente.
Roberto Gesta de Melo – Presidente da CBAt
Por José da Cruz às 13h01
O repórter Thales Calipo, do UOL, produziu excelente matéria sobre o recente relatório da Casual Auditores, referente ao balanço financeiro de 21 clubes da Série A. A reportagem começa assim:
“Em 2008, o Corinthians disputou a Série B, mas seu rendimento financeiro conseguiu ser melhor do que quando estava na elite. Além de ter registrado superávit de R$ 10,8 milhões na última temporada, o maior entre os 21 times analisados, o impacto da presença de Ronaldo na equipe, neste ano, pode fazer com que o clube ameace a liderança do São Paulo no que diz respeito apenas às receitas conquistadas”.
A reportagem completa está no seguinte endereço: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2009/08/25/ult59u200960.jhtm
Por José da Cruz às 12h51
Juca Kfouri publica em seu blog (http://blogdojuca.blog.uol.com.br) comentário sobre os erros das arbitragens no futebol. E levanta a tese da arbitragem eletrônica para tentar acabar com as injustiças em campo. Peço licença, Juca, para contribuir com o debate que sugeres. Escrevi reportagem sobre o assunto, no Correio Braziliense – “A bola e a dúvida” –, em 2006. Tinha a manifestação do médico espanhol, Francisco Belda, do Centro de Saúde de Alqueiras, em Múrcia (ESP). Pesquisador sobre o assunto arbitragem no futebol, Belda declarou ao Jornal Inglês de Medicina: “Dentro de seu ângulo de visão, as pessoas só podem se fixar em um objeto de cada vez. E o árbitro, para assinalar um impedimento, tem que trocar em três momentos o objeto de sua visão: mirar o jogador que carrega a bola e ficar atento ao momento do passe; identificar o jogador mais adiantado que vai receber a bola; e identificar o último homem da defesa. Essa percepção está além da capacidade da visão humana”. E o bandeirinha, claro, passa pela mesma movimentação. O problema, enfim, poderia ser solucionado com a implantação da “bola inteligente”, como já ocorre em alguns jogos de vôlei. Conforme a proposta tecnológica, a bola e as caneleiras dos jogadores seriam equipadas com minúsculo chip, que transmitiria informações para uma TV, na beira do gramado, sobre a movimentação em campo. A Fifa, porém, resiste ao projeto ,que já teve teste da Adidas, inclusive. Solução Qual a solução? “Acabar com o impedimento”, ousou sugerir o doutor Belda, à Real Federação Espanhola de Futebol e à Uefa. Personalidade do esporte, o eterno craque Tostão, setenciou: “Acabar com o impedimento é um absurdo. Seria um desastre para o futebol”. A proposta de Belda está mais travada que projeto de lei no Congresso Nacional brasileiro.
Por José da Cruz às 12h07
Três funcionários terceirizados do Ministério do Esporte telefonam para protestar: tiveram os seus salários reduzidos em até 50%.
A decisão deve fazer parte da contenção de gastos do ministério, que teve 80% do seu orçamento contingenciado, isto é, proibido de gastar até segunda ordem.
A medida do contingenciamento é do Palácio do Planalto, que aperta o cinto para enfrentar a crise econômica. A mesma crise que o presidente Lula diz ter sido uma “marolinha” e que já passou...
A indignação maior dos funcionários é porque o Ministério do Esporte está gastando uma fortuna na reforma de suas salas e, principalmente, na compra de modernos móveis para a nova Secretaria do Futebol.
Vou dedicar a manhã de hoje para buscar informações sobre tal fato.
Por José da Cruz às 07h57
Professor Fernando Franco indaga: Por que os recursos da “Lei Agnelo Piva” são administrados pelo COB e não pelo Ministério do Esporte?
Esclarecimento
A Lei Agnelo Piva é a de número 10.264/2001, que repassa os 2% das loterias federais aos comitês Olímpico e Paraolímpico. Para mim, é a Lei das Loterias, por dois motivos:
1. – Não gosto de Agnelo Queiroz. Ele usou o poder de ministro do Esporte para me censurar e prejudicar profissionalmente. Com outro jornalista, Juca Kfouri, disse mentiras sobre ele, difamou. Acabou processado e perdeu a causa. Portanto, me refiro ao ex-ministro só em caso extremo.
2. – Já o ex-senador Pedro Piva (PSDB-SP), que era suplente de José Serra, ou seja, senador sem voto, simplesmente copiou o projeto de lei de Agnelo, trocou os percentuais de repasse e apresentou no Senado. E por que fez isso? Porque Agnelo era do PC do B, e dificilmente um deputado da oposição teria um projeto sancionado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Para evitar o prejuízo, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, foi se socorrer do amigo, Piva, que era tucano, mesmo partido de FHC. Deu no que deu: o projeto foi aprovado e apelidado de “Agnelo Piva”.
Ministério x COB
O dinheiro das loterias sai direto da Caixa Econômica para o cofre do Comitê Olímpico, para não passar pelo governo.
Foi uma ótima sacada do legislador ao bolar a lei (também, outra história que ainda contarei com detalhes, pois acompanhei passo a passo). Pois, se a grana fosse ao Ministério do Esporte e de lá para as confederações, corria-se dois riscos:
a) ao cair na conta comum do governo, a verba poderia ser contingenciada, isto é, ter o seu uso suspenso, como ocorre atualmente com o orçamento do próprio Ministério do Esporte;
b) como a gestão do Ministério do Esporte é política, o dinheiro das loterias poderia ser usado com fins eleitoreiros, como ocorre com boa parte dos recursos do programa Segundo Tempo.
Assim, o gestor da Lei das Loterias é o COB, que tem uma equipe para analisar os pedidos de recursos e outra para avaliar as prestações de contas, auditadas pelo Tribunal de Contas da União.
Por José da Cruz às 00h12
Dando uma pausa nos debates – saudáveis e democráticos – sobre o atletismo, vamos para o futebol, mas fora das quatro linhas.
Acaba de sair o esperado relatório da Casual Auditores Independente, que pelo quinto ano consecutivo analisou o balanço de 21 clubes de futebol.
O resultado da equipe liderada por Carlos Aragaki e Amir Somoggi é isento de paixões clubísticas, claro.
Fontes de renda
Conforme a Casual, a venda de ingressos é apenas o sexto item na fonte de receitas dos principais clubes de futebol do país. A transferência de jogadores, com 28%, seguida das cotas de TV (24%), lideram o ranking das captações financeiras, conforme a Casual, empresa paulista especializada em clubes de futebol.
Receitas geradas
Os 21 clubes com maiores receitas no futebol brasileiro foram responsáveis pela movimentação de R$ 1,4 bilhão, indica o estudo. Isso significa uma evolução de 69% nos últimos cinco anos.
“O estudo da Casual Auditores referente a 2008 demonstra que as receitas dos clubes, excluindo os recursos com as transferência dos atletas, apresentaram melhora de cerca de 39% em três anos, principalmente com bilheteria, sócios, patrocínios e cotas de TV”, analisa Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão de clubes de futebol, da Casual.
Transferência de jogadores
A fonte representa 28% dos recursos gerados pelos 21 clubes analisados. E, comparado com 2007, a venda de jogadores caiu cerca de 13%, alcançando a cifra de R$ 397 milhões. As maiores evoluções foram da Portuguesa, Vitória, Internacional, Palmeiras, Botafogo e Cruzeiro.
Departamento de futebol
Pela primeira vez, a Casual apresenta resultado operacional do Departamento de Futebol. A dupla Gre-Nal lidera o ranking, com o Inter à frente (R$ 24,3 milhões), seguido do Grêmio, com R$ 22,3 milhões. Portuguesa de Desportos, Fluminense e Botafogo fecham o pódio dos cinco primeiros.
O interessante é que, mesmo com operações superavitárias, o balanço dos departamentos de futebol dos clubes analisados indicou uma diminuição de 8% em relação ‘a amostra de 2007.
Voltaremos com novas informações sobre o Balanço da Casual.
Por José da Cruz às 14h00
É com muito orgulho que transporto para este espaço a mensagem de uma especialista, Ana Moser, eternizada no seleto Hall da Fama do Vôlei.
Ana dirige o projeto Instituto Esporte & Educação (www.esporteeducacao.org.br), que criou, e apresenta, com autoridade, o seguinte comentário:
“Só tenho a acrescentar na discussão o seguinte: o problema do esporte na escola é pensar SOMENTE em competições escolares e busca de talentos. Antes disso a escola pública deve ser da universalização do acesso à educação motora e ao esporte. Se não cumprirmos isso, é elitismo pensar em escola como celeiro de atletas.
Mesmo porque é uma mentira, porque hoje em dia não se dá Educação Física direito para todos, nem se faz esporte competitivo na escola. A discussão filosófica é mais uma desculpa para a inércia.
Começa a fazer com que todo mundo das escolas pratiquem esporte para ver se a coisa não avança rapidamente.”
Por José da Cruz às 12h36
O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta de Melo, acatou as proposta que fiz, na crítica de domingo, após o fracasso da delegação brasileira no Mundial de Berlim.
Em mensagem (publicada abaixo), Gesta de Melo acredita ser oportuna uma reunião do Conselho Nacional do Esporte para analisar sobre os rumos da modalidade, assim como o diálogo com as demais instituições da estrutura do esporte nacional.
Finalmente, o presidente da CBAt me convida para visitar a sede da entidade, em Manaus, e conhecer o trabalho realizado e o planejamento para o atletismo.
Agradeço a atenção do convite, mas não é necessário tal deslocamento. Tenho em meus arquivos o depoimento que Gesta de Melo fez na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, em 26 de novembro de 2008, com fartura de números e detalhadas informações.
Em outras mensagens tratarei deste assunto com a atenção e destaque que merece, até para tentar entender como um dirigente experiente, com 20 anos de poder, e recursos financeiros disponíveis ainda não conseguiu resultados mais expressivos do esporte que dirige, em eventos internacionais.
Mensagem
A seguir, a íntegra da mensagem do presidente da CBAt:
Senhor Jornalista
Tomamos conhecimento de matéria no seu blog sob o título : " Quais as explicações ? ".
No que diz respeito estritamente à Confederação Brasileira de Atletismo, informamos-lhe que :
1. Concordamos inteiramente que deva ser convocada uma reunião urgente do Conselho Nacional para avaliar os planos do esporte, os do Atletismo em particular, e esperamos poder tomar parte nessa sessão.
2. Da mesma maneira, também concordamos que as Comissões de Esporte da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, se assim o entenderem, devem convocar os dirigente da CBAt para quaisquer explicações sobre a modalidade.
3. Igualmente, deve a Frente Parlamentar do Esporte e outras organizações afins investigar sobre o uso do dinheiro no esporte.
4. Outrossim, a CBAt já realizou três "Fóruns Nacionais Atletismo do Brasil "para decidir os rumos da modalidade, por votação eletrônica, com a participação de mais de 200 desportistas (os principais atletas em atividade, os medalhistas olímpicos, os principais treinadores e os presidentes de Federações Estaduais), com a presença ainda de desportistas exponenciais de outras disciplinas desportivas.
Assim, no corrente ano, dentro dessa mesma ótica, iremos convidar os ilustres desportistas Lars Grael, "Magic"Paula e outros igualmente importantes para, ao lado dos atletas de nossa modalidade, debater as questões do Atletismo, com destaque para planejamento, orçamento e gastos. Sempre colocamos, em primeiro plano, o amplo intercâmbio de opiniões para a devida evolução. Para nós, não é idéia nova e os nomes sugeridos são excelentes, como é óbvio.
5. Na mesma linha, penso que o Fórum Nacional de Secretários de Esporte e outros organismos similares devem, realmente, se reunir, tomar conhecimento dos fatos, discutir e agir para o progresso do esporte. Aguardamos a oportunidade de ser convidados para participar de Encontro dessa natureza.
6. Importante, ainda, é estudar a matemática dos gastos com o Atletismo. Queremos debater esse assunto com todos os órgãos pertinentes.
7. Por fim, reconhecemos os seus esforços no sentido de acompanhar as diversas manifestações desportivas do País e, portanto, lhe convidamos para, na próxima semana, aceitar nosso convite de visitar a nossa sede e, utilizando o tempo que se fizer necessário, informar-se pormenorizadamente de todas as questões relativas ao Atletismo, mormente às que dizem respeito a estratégias de ação e despesas, expressando seus pontos de vista de forma incondicional.
Atenciosamente.
Roberto Gesta de Melo
Presidente da Confederação Brasileira de Atletismo
Por José da Cruz às 11h06
O Comitê Olímpico Brasileiro aplica o critério da “meritocracia” para distribuir os recursos que recebe das loterias federais (Lei n. 10.264/2001) entre as confederações esportivas.
A lei em questão determina que 2% das arrecadações das loterias federais sejam destinados aos esportes olímpicos e paraolímpicos. No ano passado, o COB recebeu R$ 93 milhões. Este ano a expectativa é que os repasses cheguem a R$ 110 milhões.
É importante dizer que 5% do que recebe, o COB aplica nas Olimpíadas Universitárias, e 10% nos Jogos Escolares, conforme determina a lei.
Confira quanto cada modalidade receberá este ano das loterias federais, cujas despesas realizadas são auditadas pelo Tribunal de Contas da União.
Modalidades com campeões olímpicos ou conquista de mais de uma medalha em Jogos Olímpicos:
R$ 2,5 milhões
Atletismo
Desportos Aquáticos
Judô
Vela
Voleibol
Modalidades com campeões pan-americanos e/ou histórico olímpico
R$ 2,3 milhões
Ginástica e Handebol
Hipismo
Basquete
Modalidades em desenvolvimento com resultado sul-americano, pan-americano e mundial
R$ 1,6 milhão
Canoagem
Ciclismo
Remo
Tênis de mesa
R$ 1,4 milhão
Boxe
R$ 1,3 milhão
Tênis
Tiro esportivo
R$ 1,2 milhão
Triatlo
R$ 1 milhão
Taekwondo
Modalidades em desenvolvimento com resultado sul-americano
R$ 900 mil
Esgrima
Lutas
R$ 800 mil
Badminton
Hóquei sobre grama
Levantamento de peso
Pentatlo Moderno
Tiro com arco
R$ 800 mil
Desportos no Gelo
R$ 600 mil
Desportos na Neve
Por José da Cruz às 08h28
Fora do ranking dos 32 primeiros países do Mundial de Atletismo, as autoridades do esporte nacional precisam repensar, urgentemente, sobre os rumos do setor.
Principalmente porque, trata-se de um país com pretensões olímpicas, com população numerosa e fartura de recursos humanos e financeiros.
O ministro do Esporte, Orlando Silva, deveria convocar uma reunião urgente do Conselho Nacional do Esporte para avaliar os planos do esporte, como um todo, e o atletismo e a natação em particular.
As comissões de Esporte da Câmara dos Deputados e do Senado Federal deveriam suspender as pautas das reuniões da próxima terça-feira e convocar os presidentes das confederações afins e do Comitê Olímpico Brasileiro para explicarem sobre os vexames no atletismo e natação.
Da mesma forma, a Frente Parlamentar do Esporte, que reúne deputados e senadores para defenderem projetos de leis do esporte, também deveriam investigar sobre os rumos do dinheiro do esporte.
O Conselho Nacional de Atletas, não o dirigido pelo COB, mas o que tem Lars Grael e Magic Paula como expoente deveria ser reativado para dar sua contribuição ao esporte nacional.
O Fórum Nacional de Secretários de Esportes deveria se reunir urgentemente com o mesmo objetivo e indagar se a candidatura olímpica do Rio de Janeiro é, de fato, prioridade esportiva do país.
O Tribunal de Contas da União deveria apressar a apresentação dos relatórios finais com os gastos do Pan-2007, para que se constate se somos, mesmo, péssimos gestores do dinheiro público.
Como se observa, não faltam instituições de esporte. Falta, repetimos, um plano de desenvolvimento – para não dizer uma política integrada de governo, separando muito bem o esporte educacional do profissional.
E dinheiro? Só a Caixa Econômica Federal repassou R$ 64,3 milhões à Confederação Brasileira de Atletismo, nos últimos nove anos. R$ 13,5 milhões só em 2009. E o dinheiro das loterias, via Comitê Olímpico, média de R$ 2,5 milhões anuais? É muito, é pouco?
Enfim, é preciso explicar essa matemática do fracasso.
Por José da Cruz às 13h21
Com uma contusão no joelho, Maurren Maggi não conseguiu saltar como esperava. E o Brasil retorna do Mundial de Atletismo de Berlim sem um único pódio.
Mesmo com delegação numerosa, 47 atletas, encerramos um péssimo período para o nosso atletismo, em dia de vitória de Rubinho, na Fórmula 1, e de mais um título da Seleção de Vôlei feminino.
Conforme anunciamos, aí vai a entrevista com o professor Fernando Franco, do Centro de Estudos de Atletismo. Ele se dedica à análise de tempos e marcas dos atletas para projetar desempenhos nos principais eventos.
A exemplo das duas últimas olimpíadas e dos dois últimos campeonatos mundiais de atletismo, as previsões foram impecáveis, o que demonstra a importância desse estudo, ignorado pela Confederação Brasileira de Atletismo.
Blog – A matemática do ranking mundial deve ser respeitada para futuros eventos?
Fernando Franco – Na minha avaliação, deveria ser o primeiro critério para formar a equip. Atleta classificado acima de 40º lugar no ranking mundial não deveria viajar.
Blog – O Brasil tem uma geração de atletas juvenis que dê melhor perspectiva em eventos internacionais?
Fernando Franco – Não acredito. Falta estrutura, principalmente. Aproximadamente, 80% dos nossos melhores atletas estão concentrados em apenas duas equipes. São poucos técnicos para muitos atletas. Muitos dos nossos jovens que vão aos campeonatos mundiais de suas categorias participam das finais de suas provas. Mas ficam nisso, não evoluem. Param. Seus adversários, ao contrário, avançam, e dois ou três anos depois estão disputando olimpíadas e mundiais.
Blog – Qual o motivo?
Fernando Franco – Observe: no último Campeonato Brasileiro juvenil, os 5.000m feminino teve apenas quatro atletas. E temos fartura de jovens, em 26 estados, mais o Distrito Federal. Na Jamaica, o campeonato juvenil teve a participação de equipes de 36 escolas. Aqui, isso (escola como identificação de atletas) é proibido pelos “filósofos da educação física”. Mais: a graduação nas faculdades de educação física é dirigida para o formando trabalhar em academias. Os alunos não são incentivados a conhecer modalidades esportivas, como o atletismo. Tudo isso contribui para que tenhamos poucos técnicos, poucos clubes, poucos atletas e, consequentemente, dificuldade de renovação.
Blog – Ou seja, é preciso uma política integrada, pois formar equipes competitivas leva muito tempo?
Fernando Franco – Se a prática de educação física e do atletismo não for para as escolas, acredito que nem em 2016 teremos uma representação competitiva. Continuaremos ser um mero país coadjuvante.
Por José da Cruz às 12h47
Coluna do Tostão, como sempre, imperdível. Principalmente hoje, na Folha de S.Paulo.
Confira:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2308200926.htm
Por José da Cruz às 11h16
Um dia antes da abertura do Mundial de Atletismo, a UOL Esportes publicou reportagem que realizei com o professor Fernando Franco, que dirige o Centro de Estudos de Atletismo, em Brasília. Recuperamos a entrevista, que republicamos, abaixo, para demonstrar que não foram afirmações levianas ou enganosas, mas com base em estudo sério sobre o desempenho de cada atleta na temporada. Depois do Mundial, voltaremos a entrevistar Fernando Franco UOL – Quem está mais perto de medalha? Fernando Franco – Fabiana Murrer. Isso se saltar acima de 4,70m. Ela é a segunda do mundo, com 4,72, feito no Troféu Brasil, em junho. Mas depois não passou mais dos 4,60. (Nota do blog: Fabiana foi eliminada ao derrubar o sarrafo na terceira tentativa para superar os 4,65m) UOL – Depois dela quem vem em termos de resultado? Fernando Franco – Tá difícil. Mas, se acertar o salto, a Maurren pode beliscar o pódio. Mas terá que fazer acima 6,80m (satou 7,04 nas Olimpíadas de Pequim). Ela está em sétimo lugar no ranking, com 6,90m, feitos em maio. Está fora de competição para entrar num evento forte como o Mundial. (Nota do blog: Maurren classificou-se à final com salto de 6,68m. Keila Costa também avançou, com 6,66m. As duas saltam neste domingo, a partir das 11h15) UOL – Com base em que faz essas afirmações? Fernando Franco – Na regularidade do atleta e na performance durante o último ano. Tudo isso é baseado no ranking da IAAF, que permite fazer as projeções. (Nota do blog: a Confederação Brasileira de Atletismo ignora os estudos e projeções para tentar melhorar a formação de nossas equipes) UOL – E no masculino? Fernando Franco – Não dá pensar em medalha. Nem com injeção na barriga. Até os atletas que recentemente foram acusados de doping não conseguiram bater recordes de 10 anos, como os 200m, de Claudinei Quirino (19s89). Pior é a situação dos 100m, que já dura 20 anos, batido em 1988, por Robson Caetano, com 10 segundos, cravados. UOL – A situação é tão grave assim? Fernando Franco – Muito grave. Quando muito podemos pensar em final. UOL – Com que, por exemplo? Fernando Franco – Com Jadel Gregório, se saltar acima de 17,16. (Nota do blog: Jadel foi à final. Saltou 16,89 e terminou em oitavo lugar)
Por José da Cruz às 08h32
José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.
Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.