Blog do José Cruz

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30/08/2009

O judô fora do pódio

         Assim como o atletismo, o judô brasileiro retorna sem medalhas do Mundial de Roterdã. É um inesperado retrocesso, pois isso náo ocorria desde 2001.

         Entre as mulheres, duas das seis judocas da seleção foram à disputa do bronze, Sarah Menezes e Rafaela Silva, mas perderam e terminaram a competição em quinto lugar.

Houve frustrações, claro, pois Sarah (-48kg) e Rafaela (-57kg), ganharam ouro no Mundial júnior, em outubro de 2008.

         O resultado é péssimo para o esporte brasileiro. Mas, pior, para as autoridades nacionais.

Ao contrário dos argumentos de antes, de que faltava verba para preparar as equipes, agora o dinheiro existe.

Agora, não! Desde 2001, quando as loterias começaram a cumprir a Lei 10.264/2001, que repassa 2% das loterias federais aos comitês Olímpico e Paraolímpico.

         Este ano, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) conseguiu renovar o patrocínio com a Infraero, além de ser uma das entidades do esporte mais bem contempladas pelo COB.

         A disponibilidade financeira da CBJ em 2009 é a seguinte:

                  Comitê Olímpico    R$ 2.500.000,00

                  Infraero                R$ 1.750.000,00*

* R$ 250 mil destinam-se ao projeto “Avança judô”.

Vamos aguardas as explicações das autoridades do esporte.

Por José da Cruz às 17h51

Negócio em família

            Na semana em que o ministro do Esporte, Orlando Silva, receberá homenagem dos clubes sociais, em São Paulo, mais uma denúncia de escândalos surge na pasta que dirige.

          Em reportagem na edição de hoje do Correio Braziliense, a repórter Izabelle Torres conta como ocorrem “Negócios entre amigos”, naquele órgão do poder Executivo.

         Conforme a denúncia, o Ministério ignora as leis que combatem o nepotismo, com “casos em que as relações pessoais se misturam com a vida profissional” .

         Pior, diz Izabelle Torres: “Há casos em que a máquina pública  banca e beneficia a mesma família, graças ‘a influência  política que um dos seus integrantes exerce.

         A denúncia, desta vez, envolve o coordenador do Departamento de Programas Socais de Espore e Lazer, Luiz Roberto Malheiros.

 “Sua mulher, Cláudia Marins, faz parte de um cadastro de formadores do Programa Esporte e Lazer das Cidades.

         Apesar de Cláudia ter sido uma das 80 aprovadas em seleção para dar treinamentos, é seu marido que indica quem atuará no próximo curso. Resultado: Cláudia é uma das mais requisitadas e, em alguns casos, entra como “convidada” do palestrante oficial. Para cada treinamento, o ministério paga R$ 6.400,00.

Por José da Cruz às 10h55

29/08/2009

Impasse olímpico

         A Caixa Econômica Federal é contrária ao aumento dos repasses das loterias para os esportes olímpicos e paraolímpicos, segundo o vice-presidente de Loterias, Moreira Franco (ex-governador do Rio de Janeiro), em entrevista ao blog.

         A medida implicaria na redução dos prêmios das loterias administradas pela Caixa.

         Com isso, segue o impasse entre o Confao (Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos) e os comitês Olímpico e Paraolímpico.

Os dirigentes do Confao querem entrar no rateio da Lei 10.264/2001, que repassa 2% das loterias para os olímpicos e paraolípicos. Pedem 30% do dinheiro disponível anualmente.

De 2008 até julho deste ano, o COB recebeu R$ 168,2 milhões, e o Comitê Paraolímpico, R$ 28,1 milhões.

         O dinheiro, porém, limita-se às confederações, não chegando à base, à iniciação, o que provocou a indignação dos presidentes dos clubes formadores. Há outras alternativas em jogo, motivos dos próximos comentários.

Entrevista

José Cruz – O Senhor já sabe sobre o interesse do Comitê Olímpico Brasileiro e dos clubes sociais de aumentarem de 2% para 2,5% o repasses das loterias federais (Lei n.10.264/2001) para os esportes olímpicos e paraolímpicos?

Moreira Franco – Sim, tomei conhecimento por meio do Projeto de Lei 359/2005, que trata da matéria. (1)

 

José Cruz – A Caixa já está conversando sobre o assunto, com vistas a alterar a Lei n. 10.264/2001 (Lei Agnelo Piva)?

Moreira Franco – A Caixa já se manifestou contrária ao referido Projeto de Lei, pois, como a Lei Agnelo Piva (n. 10.264/2001) define que a parcela dos recursos destinados ao COB e CBP deve ser deduzida da premiação, o aumento em questão significaria reduzir o valor dos prêmios distribuídos pelas Loterias Federais em 0,5%.

 

José Cruz – Seria uma medida inoportuna? 

Moreira Franco – Trata-se de medida extremamente prejudicial para as loterias, para os seus beneficiários legais e, em última instância, para a sociedade, pois com a diminuição da atratividade dos prêmios, poderá haver também redução na arrecadação e no volume de recursos repassados a esses beneficiários (Esporte, Cultura, Seguridade Social, Educação, Segurança Pública e Saúde).

 

José Cruz – Mas além do projeto no Senado, há outro, na Câmara dos Deputados, com o mesmo objetivo, aumento dos repasses de 2% para 2,5%. Qual a sua avaliação?

 

Moreira Franco – Tenho a convicção que o melhor caminho para o incremento do volume de recursos gerados pelas loterias federais para o esporte, como também para os demais beneficiários legais, é aumentar o percentual da arrecadação que é destinada aos prêmios, haja vista o ciclo virtuoso que se aplica aos jogos lotéricos no mundo todo. O Brasil ocupa apenas a 43ª posição no ranking de vendas (de loterias) per capita por ano, o que comprova que ainda temos muito o que crescer.

 

A tese de Moreira Franco é resumida na seguinte equação:

 

Maior percentual destinado a prêmios = produto mais atrativo = aumento da arrecadação = aumento dos repasses aos beneficiários legais

José Cruz – Está nos planos da Caixa a criação de uma loteria específica, para fortalecer a preparação dos atletas, caso o Rio de Janeiro ganhe a sede olímpica de 2016?

Moreira Franco – Esta ação não está nos planos da Caixa por se tratar de medida que depende de autorização legislativa específica, a qual deve ser conduzida pelo Ministério do Esporte, caso seja do seu interesse.  

Por José da Cruz às 12h44

Palavra de especialista - Atletismo

          Muito boa e oportuna a entrevista do repórter Luiz Roberto Magalhães, na edição de hoje do Correio Braziliense, com o técnico Nélio Moura, sobre o momento do atletismo brasileiro.

         Treinador de Maurren Maggi e do panamenho Irving Saladino, ambos ouro olímpico no salto em distância, Nélio diz, lá pelas tantas:

         “A gente vai para mundiais para ganhar medalhas esporádicas, e sempre em quantidade muito pequenas. É o acaso.”  

         E o motivo da realidade?

         “Se considerarmos que dos 200 milhões de brasileiros, 40 milhões têm condições de fazer esporte, falar só em finais é contentar com muito pouco, sem dúvida. Mas quantas pessoas fazem atletismo no Brasil hoje? Temos 20 mil inscritos na CBAt e talvez mil e poucos sejam ativos. Essa é a nossa população.”

         Ou seja, confirma-se a tese de que faltam projetos para massificação.

A entrevista completa está no seguinte endereço: http://www.correiobraziliense.com.br/impresso

 

 

 

 

 

 

Por José da Cruz às 11h09

O dinheiro do esporte III - Paraolímpicos

         O Comitê Paraolímpico Brasileiro é duplamente atendido pelas loterias da Caixa Econômica: é patrocinado pelo banco, desde 2004, e recebe valores da Lei das Loterias.

 

         Patrocínio

2004    R$ 1.000,00

2005    R$ 3.418.800,00

2006    R$ 3.800.000,00

2007    R$ 4.886.000,00

2008    R$ 6.394.800,00

2009    R$ 6.800.000,00 (até julho)

 

Lei das Loterias (n.10.264/2001)

2001    R$  3.161.460,31

2002    R$  8.619.582,90

2003    R$10.159.765,61

2004    R$12.083.145,61

2005    R$12.511.266,77

2006    R$12.144.098,69

2007    R$14.632.747,26

2008    R$16.839.116,35

2009    R$11.376.176,19 (até julho)

 

Curso

         Para evitar ser surpreendido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), por possíveis irregularidades no uso de verbas públicas, o Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) promove, de hoje até terça-feira, um curso sobre prestação de contas, convênios e licitações. 

O evento, em Brasília, ministrado por especialistas em contas públicas, inclusive do TCU, conta com a presença de 37 representantes de todas as associações e confederações ligadas ao movimento paraolímpico, e que são beneficiadas com recursos públicos.

Por José da Cruz às 23h46

28/08/2009

O dinheiro do esporte II

Pergunta do leitor Jarbas Pereira pergunta:

“O Ministério do Esporte poderia coordenar as ações para que o dinheiro total (orçamento, loterias, etc) seja aplicado com mais eficiência ou isso é inconstitucional?”

A resposta será detalhada, para facilitar o entendimento.

O dinheiro do esporte tem as seguintes origens:

1. Orçamento governamental (via Ministério do Esporte)

2. Estatais: BB, Caixa, Infraero, Correios, Petrobras e Eletrobrás;

3. Lei 10.264/2001

      a) 2% das arrecadações das loterias vão para o COB e CPB

4. Lei de Incentivo ao Esporte (n. 11.438/2006)

      a) cerca de R$ 300 milhões anuais, via isenção fiscal;

5. Timemania  (Lei n. 11.345006)

      a) 20% para abatimento da dívida fiscal dos clubes de futebol

      b) 3% para o Ministério do Esporte distribuir:

                   1) 1/3 para clubes sociais

                   2) 2/3 para secretarias de Esporte dos estados e DF;

      c) 2% para o COB e CPB.

Gestão

         Apesar das várias fontes de recursos, o Ministério do Esporte não é o gestor, de forma integrada, a fim de evitar o duplo acesso ao dinheiro pela mesma entidade esportiva.

         Isso ocorre porque o Ministério tornou-se um ente político, quando deveria ser, prioritariamente, técnico.

Diálogo

         Além disso, não há diálogo com os demais ministérios, como os da Educação e da Saúde, para que fosse elaborado uma proposta de governo para o setor.

Assim, temos uma temos é uma política de partido.

Observem, também, o Conselho Nacional de Esporte. Não há, nele, representantes das estatais. E são justamente elas que mais colocam dinheiro no setor.

Enquanto isso...

É por esses motivos que os clubes se uniram e decidiram brigar para entrar no rateio das loterias (dinheiro que vai para o COB e CPB);

Em decorrência dessa desordem institucional, o dinheiro não chega na base, para  garantir renovação, com equipes competitivas;

Assim, por falta de diálogo e decisões governamentais que não se definiu, nem no governo FHC nem no atual (quase 16 anos ou quatro ciclos olímpicos), como oferecer a elementar prática da educação física às crianças em idade escolar.

Fica claro, pois, que esporte não é prioridade de governo, apesar do discurso oficial.

     

Por José da Cruz às 18h07

A força da bancada da bola

Interessados em intensificar as relações com a cartolagem, a Bancada da Bola – parlamentares que defendem os interesses do futebol no Congresso Nacional – acaba de marcar um valioso gol, via projeto de lei n. 141/2009, que trata da Reforma Eleitoral.

Na Câmara dos Deputados, ol projeto recebeu emenda proibindo doações de clubes, federações, confederações a políticos ou partidos e em campanhas.

No Senado, porém, defendendo mudanças no projeto, para torná-lo mais brando, o senador mineiro, Eduardo Azeredo, disse que a proposta vinda da Câmara era muito restritiva.

Nesse sentido, ele vai trabalhar para que as doações do futebol continuem chegando aos políticos.

O objetivo dos parlamentares é que o projeto de lei passe a valer já nas eleições de 2010. Para tanto, terá que ser encerrado até 30 de setembro, antes de ir à apreciação do presidente Lula.

O projeto esteve para ser aprovado ontem, nas comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e na de Ciência e Tecnologia (CCT).

Porém, um pedido de vista coletivo ao projeto adiou sua apreciação para a semana que vem. Se o documento não for aprovado até o final de setembro, valerá para 2010 a legislação que está em vigor, isto é, as doações do futebol às campanhas dos políticos estarão liberadas.

Mais informações: http://congressoemfoco.ig.com.br/

 

 

Por José da Cruz às 11h41

27/08/2009

O dinheiro do esporte

         Para que não ficar apenas nas citações, vamos aos números.

Além do orçamento do Ministério do Esporte, da Lei de Incentivo e dos repasses as loterias federais para os comitês Olímpico e Paraolímpico, há as parcerias das estatais, que patrocinam 16 modalidades.

Na medida em que recebermos as informações solicitadas, vamos colocando os valores no blog.

Caixa Econômica Federal

Em 2009, a Caixa investirá R$ 47 milhões em projetos esportivos, incluídos os do Comitê Paraolímpico Brasileiro e Circuito de Corridas de Rua (valores não revelados).

Investimentos na Confederação de Atletismo (em R$)

2009 13.500.000,00

 

Correios

Apoia a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos desde 1991. Diante dos resultados de visibilidade da imagem, a empresa adotou mais duas modalidades em 2008, o futsal e o tênis.

Os valores das parcerias para este ano são os seguintes:

Confederação de Desportos Aquáticos         R$ 10.000.000,00

Confederação de Futebol de Salão               R$   8.000.000,00

Confederação de Tênis                                R$   3.840.000,00

 

Infraero

Patrocina o esporte desde 2007.

Investimentos em 2009

Confederação Brasileira de Judô                  R$ 1.500.000,00

Projeto “Avança judô”                                 R$    250.000,00

 

Banco do Brasil

Começou a apoiar o esporte em 1987, com a Seleção Brasileira de Basquete. Em 1991 migrou para o vôlei.

O BB têm por política não divulgar os valores individuais de seus investimentos.

Para 2009 anuncia que aplicará o total de R$ 60 milhões nas seleções e vôlei, circuito de vôlei de praia, futsal e iatismo.

Nessa última modalidade, o BB decidiu patrocinar, desde 2005, a dupla Robert Scheidt e Bruno Prada, oito vezes campeões mundiais de vela, classe laser..

Além disso, mantém o projeto “Embaixadores do Esporte”, que trabalha com ex-campeões do vôlei – Maurício, Carlão, Marcelo Negrão e Paulão –, divulgando a modalidade. Recentemente, o ex-tenista Gustavo Kuerten entrou no seleto grupo dos embaixadores.

Novos números

Em próximas edições informarei sobre os valores aplicados pela Petrobras e Eletrobrás, as duas últimas estatais que ainda não repassaram os valores oficiais.

Da mesma forma, comentarei sobre a execução financeira do Ministério do Esporte, Bolsa Atleta, Lei de Incentivo ao Esporte e repasses de verba pública, via loterias federais, para a Confederação Brasileira de Clubes e comitês Olímpico e Paraolímpico.

Por José da Cruz às 21h28

O estádio de Cuiabá

Em respeito ao debate democrático, volto ao assunto do estádio de Cuiabá para a Copa do Mundo de 2014, cujo governo estadual tinha um projeto,mas decidiu contratar outro, sem licitação, por falta de tempo.

Em comunicado, a Secretaria de Turismo de Mato Grosso alega que “houve confusão ao comparar um estudo preliminar com o projeto básico executivo”.

Lembro, porém, que a informação sobre o abuso governamental não foi invenção, mas do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Antônio Joaquim. Uma autoridade que merece crédito, pois.

Explicações

 Em resumo, a nota recebida repete algumas informações já publicadas, antes de conhecermos a versão do primeiro projeto elaborado. Mas destaca:

          Apesar de não ter havido licitação, o Governo de MT realizou tomada de preços de outros projetos, modalidade prevista em lei, escolhendo o da GCP Arquitetos pelo seu conceito e pela economia que proporcionará na construção da Arena;”

O comunicado governamental informa, ainda, que, “finalizado o projeto básico e executivo da nova arena, promoverá licitação para contratar a empresa construtora do estádio.”

O outro lado

         Reforço que o Governo do Estado do Mato Grosso não tinha apenas um “projeto preliminar” – como citou –, elaborado pelo escritório de Eduardo Castro Mello.

         Tinha, na verdade, um projeto detalhado, a partir do diagnóstico da situação física e apresentação de plantas baixas de todas as áreas do novo estádio, como cobertura, concepção estrutural, vestiários, estacionamentos, área de imprensa, tribuna de honra, restaurantes, bares, acessos, avaliação ambiental, etc.

Finalmente

         É claro que cada governo das cidades-sedes ao Mundial de 2014 buscará o projeto que melhor atenda aos seus interesses.

Mas gastar, em tempos de crise, com a elaboração de dois projetos para apenas um estádio de futebol é exorbitante, porque tal despesa é feita com o dinheiro de quem paga imposto.

Enfim, estamos apenas no começo do processo. Ainda faltam cinco anos para a Copa do Mundo e já temos um debate deste tamanho, com apenas uma cidade. Como são 12 sedes, Imaginem o que vem pela frente...

Por José da Cruz às 21h18

O bingo olímpico

          A conquista pelo Rio de Janeiro da sede dos Jogos de 2016 – a escolha será em 2 de outubro, na Dinamarca – poderá dar ao Brasil mais um sorteio semanal, a loteria olímpica.

A Caixa Econômica Federal silencia sobre a iniciativa, mas a proposta está no caderno de encargos elaborado pelo Comitê Organizador dos Jogos, Carlos Arthur Nuzman à frente.

Ou seja, se o Rio vier a vencer, o dinheiro da nova loteria deverá fortalecer as finanças para a realização dos dois eventos, os Jogos Olímpicos, programados para serem realizados de 5 a 21 de agosto, e os Paraolimpicos, de 7 a 18 de setembro de 2016. Mas, se o governo federal decidir por não criar o teste, o orçamento olímpico não sofrerá prejuízos.

Conforme o dossiê de candidatura, as olimpíadas e paraolimpídadas “não estarão dependentes do lançamento da loteria”.

Cadernos

         O tal caderno de encargos da candidatura, na verdade, são três, luxuosamente produzidos, fartamente ilustrados e com mínimos detalhes sobre o Rio de Janeiro e o Brasil.

Com um total de 600 páginas, os documentos foram elaborados por uma equipe de 500 especialistas em olimpíadas, do Brasil e consultores estrangeiros. Só nesta fase, a candidatura envolveu informações de 12 ministérios e teve custo de produção em torno de R$ 80 milhões.

O valor da candidatura é bem próximo do que o Comitê Olímpico recebeu das loterias federais, em 2008, R$ 93 milhões, para serem aplicados na preparação de atletas profissionais.

Detalhes

         A escolha da sede olímpica é a mais complexa e valorizada concorrência do mundo, que exige dos candidatos  finais – Madri, Rio de Janeiro, Chicago e Tóquio – a apresentação de dados e garantias minuciosas, sempre com o aval maior dos governos municipal, estadual e federal.

         Por exemplo, já estão definidos pelo Comitê de Candidatura dos Jogos do Rio de Janeiro os clubes onde as centenas de equipes deverão treinar. Os contratos com 150 hotéis garantindo acomodações para a família olímpica – dirigentes e visitantes – também estão firmados.

         Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, 54% das instalações esportivas já existem; 26% serão construídas e 20% serão temporárias. O torneio de futebol estáa programado para começar em 3 de agosto - em caso de vitória brasileira -, dois dias antes da abertura oficial, com sedes no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.

Por José da Cruz às 07h47

26/08/2009

O primeiro escândalo

O governador de Mato Grosso, Blairo Borges Maggi, não precisava gastar R$ 14 milhões para elaborar às pressas um projeto de estádio para receber os jogos da Copa do Mundo, como contamos em matérias abaixo.

Não precisava porque já era dono de um projeto que foi usado, inclusive, para eleger Cuiabá, junto à Fifa, como uma das sedes da Copa.

Porém, alegando que a obra original tinha custo elevado (R$ 500 milhões), decidiu rasgar a proposta e chamar outra empresa, fugindo da tal licitação, recurso público-administrativo que dá transparência nas ações governamentais.

Bingo

Quem ajudou a esclarecer o fato foi o engenheiro Eduardo Castro Mello, que tem escritório em São Paulo, autor do primeiro projeto.

Quando na madrugada ele viu na página do UOL a  foto do estádio de Cuiabá, ilustrando a chamada para a matéria que escrevi sobre o assunto, o arquiteto Eduardo Castro Mello estranhou:

“Ops! este estádio é o meu projeto, mas não vale mais!”

Em seguida, Castro Mello me escreveu para esclarecer: “Meu projeto foi detonado. Já tem outro."

Ou seja, o governador pagou duas vezes para ter um só projeto.

De fato, já vimos este filme. E cada vez me convenço mais de que o Pan-2007 foi de um aprendizado espetacular... 

Fica registrado neste blog, pois, o primeiro escândalo com dinheiro público rumo à Copa de 2014.

Por José da Cruz às 08h44

Copa da sustentabilidade

         O jornalista Orlando Morais é o assessor de imprensa do governo do Estado de Mato Grosso.

         Há pouco, ele me telefonou desde Cuiabá para explicar os motivos pelos quais o governo do Estado náo realizou a tal licitação para elaborar o projeto do estádio de futebol: prazo exíguo.

Entre a escolha das cidades-sedes e a apresentação do projeto à Fifa era pouco mais de um mês. Diante disso, o governo se valeu de recurso na legislação do estado para fugir da licitação. Tudo legal, garante Morais.

Assim, a empresa paulista GCP Arquitetos foi a escolhida para elaborar o projeto do estádio, ao custo de R$ 14 milhões, pagos pelo contribuinte.  

Conforme Orlando Morais, a empresa em questão é especializada em projetos ambientais, com perfil ecológico, adequado ao tema que o governo do Mato Grosso elegeu para 2014: “Copa da sustentabilidade”...

 

Deloitte

O jornalista Morais também confirmou a contratação de uma empresa para assessorar o governo na preparação da Copa do Mundo, conforme divulguei.

A eleita foi a Deloitte, que, igualmente, escapou da licitação por ser de reconhecida capacidade para o trabalho em questão. Também, tudo legal.

Como eu disse, na informação da tarde, já vimos este filme.
          De fato, o Pan-2007 fez escola. Serviu para um aprendizado impressionante.

 

 

 

Por José da Cruz às 23h31

25/08/2009

Matemática do Mundial

Especialista em texo, o jornalista Walter Guimarães é, também, um muito bom em matemática. 

Vejam só as contas que ele fez para demostrar a aventura de Mato Grosso com a construção de seu estádio.

Segue uma pequena análise sobre o custo do Verdão, estádio que será construído em Cuiabá.

Nos últimos seis anos, os times do Mato Grosso arrecadaram um total de R$ 642.632,00 na disputa da Série C, o que dá a média de R$ 107.000,00 por ano.

Então para pagar o estádio, contando apenas a renda dos times nos Brasileiros, e com toda a renda sendo repassada para o estado (o que não acontece), seriam necessários apenas 3.700 anos para pagá-lo.

Isso contando que todos os times joguem lá (nesses anos disputaram a Série C: Cuiabá, União, Vila Aurora, Luverdense, Mixto, Operário, Cacerense e Jaciara).

Torcedores

Outro detalhe, nesses seis anos, foram 81.136 torcedores aos jogos. O Verdão vai ter 40 mil lugares, ou seja, o total de pagantes nesses anos quase cabe em dois jogos do novo estádio.

Desculpe a confusão dos números, mas acho que deu para entender... Reconheço que não levei em conta o estadual, mas mesmo assim acho que vale como referência”.

Walter Guimarães 

Por José da Cruz às 22h40

Copa 2014, começou a festa

       

         A cinco anos da realização da Copa do Mundo, já se identificam agressões ao orçamento público de governos municipais das cidades sedes ao evento de 2014.

         O primeiro caso de desrespeito à legislação ocorreu em Mato Grosso, que tem na capital, Cuiabá, uma das 12 sedes do Mundial. O governo do estado  contratou, sem licitação, o projeto executivo para construir o estádio municipal.

Motivo da pressa: falta de tempo.

Custo da brincadeira: R$ 14 milhões.

         Além disso, o governo contratou uma “consultoria técnica” de R$ 400 mil mensais, pagos também atropelando as normas legais, isto é, sem licitação.

A construção da nova praça de esportes está orçada em R$ 400 milhões.

         As informações são do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Antônio Joaquim, hoje, em Brasília, em conversa com o deputado Silvio Torres.

         “Vamos ver muito desses casos.  Começa a se repetir para a Copa do Mundo o que ocorreu com a preparação do Rio de Janeiro para o Pan-americano de 2007. Mas vamos agir", prometeu Silvio Torres, que preside a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara federal.

Rede de informações

Silvio Torres presidiu hoje a solenidade que criou uma rede para troca de informações entre os tribunais de contas das 12 cidades-sedes, os respectivos estados, o Tribunal de Contas da União e as comissões de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara e do Senado.

A convite, a ONG Contas Abertas prestará consultoria sem qualquer custo para o Legislativo.

         O presidente do TCU, Ubiratan Aguiar, acredita que a ação preventiva chamará a atenção da população, que deverá se interessar em saber como está sendo gasto o dinheiro público.

Análise

         O filme sobre a preparação do país para grande eventos já vimos e é um desastre pavoroso. O Pan-2007 é o exemplo mais triste neste sentido.

A rede de integração entre tribunais de contas, TCU e Legislativo é a novidade. Disposição para combater o abuso existe, ficou claro na reunião de hoje.

Mas só o tempo poderá mostrar a eficiência dessa iniciativa, porque do outro lado do campo de jogo está o poderoso time dos cartolas do futebol amparados por espertos políticos.

 

 

Por José da Cruz às 17h46

Atletismo: segue o debate

  

O Campeonato Mundial de Atletismo terminou no domingo, mas ainda repercute por aqui.

         Recebemos mais uma mensagem do presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, que transcrevemos na íntegra, incentivando o debate de todos.

         Sobre suas indagações nos pronunciaremos. Diz a mensagem:  

 

Senhor Jornalista,

   Estando de partida de Berlim, pude ler rapidamente, em seu blog, a matéria intitulada "Um péssimo Mundial de Atletismo".

   Sucintamente, gostaria de informar-lhe o seguinte :

   1. Sobre a maior parte das considerações genéricas apresentadas pelo especialista Fernando Franco, concordo totalmente, até porque são de consenso da comunidade desportiva, há décadas, quais sejam, a inexistência de uma política nacional para o desporto escolar e a falta, em muitos casos, de cursos de Educação Física que formem profissionais em disciplinas específicas.

       O jornalista e eu próprio, por sinal, tratamos desses assuntos em sua coluna no "Correio Braziliense", algum tempo atrás.

   2. A propósito da matemática do ranking mundial na convocação de atletas, informo que:

   a) a equipe brasileira, em Berlim, acabou constituída por 42 atletas.

   b) desses, 30 estão entre os 40 primeiros do ranking mundial de 2009, em suas especialidades (no caso dos revezamentos, entre as 15 melhores equipes do mundo).

   c) no caso da maratona e da marcha atlética outros parâmetros têm sido adotados,  que levam em conta resultados do ano anterior (maratona e marcha 50 km);  ranking comparado, que considera apenas três atletas por país etc. Se alguém tem outro pensamento a respeito do critério a ser adotado nessas provas, gostaria de conhecê-lo para consultar uma segunda opinião de outros especialistas no assunto, como os treinadores que dedicaram sua vida na formação desses desportistas.

   Por sinal, com o nível da maratona masculina em Berlim, não se pode, penso eu, desmerecer a participação dos atletas brasileiros, que ficaram em 16º, 19º e 23º lugares, cabendo ao Brasil a 6ª posição entre países.

   d) restam, assim, três jovens atletas, com largas perspectivas em seu futuro desportivo, que foram a Berlim e não estão entre os 40 primeiros em suas provas, que são ;

      Sabine Heitling - campeã pan-americana dos 3.000 com obstáculos de 2007.

      Fábio Silva - campeão pan-americano do salto com vara de 2007.

      Júlio César Miranda de Oliveira - campeão mundial de menores em 2003 e medalhista de bronze nos Campeonatos Mundiais de Juvenis em 2004.

    Dessa forma, seria importante saber que convocação específica poderia ser colocada em dúvida, para que o Conselho Técnico da CBAt pudesse se pronunciar a respeito. De outra forma, fica difícil entender os argumentos contrários à constituição da delegação brasileira a Berlim.

 

   Atenciosamente.

   Roberto Gesta de Melo – Presidente da CBAt

 

 

Por José da Cruz às 13h01

Balanço do Futebol II

         O repórter Thales Calipo, do UOL, produziu excelente matéria sobre o recente relatório da Casual Auditores, referente ao balanço financeiro de 21 clubes da Série A. A reportagem começa assim:

         Em 2008, o Corinthians disputou a Série B, mas seu rendimento financeiro conseguiu ser melhor do que quando estava na elite. Além de ter registrado superávit de R$ 10,8 milhões na última temporada, o maior entre os 21 times analisados, o impacto da presença de Ronaldo na equipe, neste ano, pode fazer com que o clube ameace a liderança do São Paulo no que diz respeito apenas às receitas conquistadas”.

         A reportagem completa está no seguinte endereço: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2009/08/25/ult59u200960.jhtm

Por José da Cruz às 12h51

A bola e a dúvida

  Juca Kfouri publica em seu blog (http://blogdojuca.blog.uol.com.br) comentário sobre os erros das arbitragens no futebol. E levanta a tese da arbitragem eletrônica para tentar acabar com as injustiças em campo.

         Peço licença, Juca, para contribuir com o debate que sugeres.

Escrevi reportagem sobre o assunto, no Correio Braziliense – “A bola e a dúvida” –, em 2006. Tinha a manifestação do médico espanhol, Francisco Belda, do Centro de Saúde de Alqueiras, em Múrcia (ESP).

         Pesquisador sobre o assunto arbitragem no futebol, Belda declarou ao Jornal Inglês de Medicina:

“Dentro de seu ângulo de visão, as pessoas só podem se fixar em um objeto de cada vez. E o árbitro, para assinalar um impedimento, tem que trocar em três momentos o objeto de sua visão: mirar o jogador que carrega a bola e ficar atento ao momento do passe; identificar o jogador mais adiantado que vai receber a bola; e identificar o último homem da defesa. Essa percepção está além da capacidade da visão humana”.

E o bandeirinha, claro, passa  pela mesma movimentação. O problema, enfim, poderia ser solucionado com a implantação da “bola inteligente”, como já ocorre em alguns jogos de vôlei.

         Conforme a proposta tecnológica, a bola e as caneleiras dos jogadores seriam equipadas com minúsculo chip, que transmitiria informações para uma TV, na beira do gramado, sobre a movimentação em campo. A Fifa, porém, resiste ao projeto ,que já teve teste da Adidas, inclusive.

Solução

Qual a solução? “Acabar com o impedimento”, ousou sugerir o doutor Belda, à Real Federação Espanhola de Futebol e à Uefa.

Personalidade do esporte, o eterno craque Tostão, setenciou:

         “Acabar com o impedimento é um absurdo. Seria um desastre para o futebol”.

         A proposta de Belda está mais travada que projeto de lei no Congresso Nacional brasileiro.

 

 

Por José da Cruz às 12h07

Apertem os cintos

Três funcionários terceirizados do Ministério do Esporte telefonam para protestar: tiveram os seus salários reduzidos em até 50%.

A decisão deve fazer parte da contenção de gastos do ministério, que teve 80% do seu orçamento contingenciado, isto é, proibido de gastar até segunda ordem.

A medida do contingenciamento é do Palácio do Planalto, que aperta o cinto para enfrentar a crise econômica. A mesma crise que o presidente Lula diz ter sido uma “marolinha” e que já passou...

A indignação maior dos funcionários é porque o Ministério do Esporte está gastando uma fortuna na reforma de suas salas e, principalmente, na compra de modernos móveis para a nova Secretaria do Futebol.

Vou dedicar a manhã de hoje para buscar informações sobre tal fato.

Por José da Cruz às 07h57

Lei das Loterias

         Professor Fernando Franco indaga: Por que os recursos da “Lei Agnelo Piva” são administrados pelo COB e não pelo Ministério do Esporte?

 Esclarecimento

A Lei Agnelo Piva é a de número 10.264/2001, que repassa os 2% das loterias federais aos comitês Olímpico e Paraolímpico. Para mim, é a Lei das Loterias, por dois motivos:

1.     – Não gosto de Agnelo Queiroz. Ele usou o poder de ministro do Esporte para me censurar e prejudicar profissionalmente. Com outro jornalista, Juca Kfouri, disse mentiras sobre ele, difamou. Acabou processado e perdeu a causa. Portanto, me refiro ao ex-ministro só em caso extremo.

2.     – Já o ex-senador Pedro Piva (PSDB-SP), que era suplente de José Serra, ou seja, senador sem voto, simplesmente copiou o projeto de lei de Agnelo, trocou os percentuais de repasse e apresentou no Senado. E por que fez isso? Porque Agnelo era do PC do B, e dificilmente um deputado da oposição teria um projeto sancionado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Para evitar o prejuízo, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, foi se socorrer do amigo, Piva, que era tucano, mesmo partido de FHC. Deu no que deu: o projeto foi aprovado e apelidado de “Agnelo Piva”.

Ministério x COB

O dinheiro das loterias sai direto da Caixa Econômica para o cofre do Comitê Olímpico, para não passar pelo governo.

Foi uma ótima sacada do legislador ao bolar a lei (também, outra história que ainda contarei com detalhes, pois acompanhei passo a passo). Pois, se a grana fosse ao Ministério do Esporte e de lá para as confederações, corria-se dois riscos:

a)    ao cair na conta comum do governo, a verba poderia ser contingenciada, isto é, ter o seu uso suspenso, como ocorre atualmente com o orçamento do próprio Ministério do Esporte;

b)    como a gestão do Ministério do Esporte é política, o dinheiro das loterias poderia ser usado com fins eleitoreiros, como ocorre com boa parte dos recursos do programa Segundo Tempo.

Assim, o gestor da Lei das Loterias é o COB, que tem uma equipe para analisar os pedidos de recursos e outra para avaliar as prestações de contas, auditadas pelo Tribunal de Contas da União.

Por José da Cruz às 00h12

24/08/2009

O balanço do futebol

Dando uma pausa nos debates – saudáveis e democráticos – sobre o atletismo, vamos para o futebol, mas fora das quatro linhas.

Acaba de sair o esperado relatório da Casual  Auditores Independente, que pelo quinto ano consecutivo analisou o balanço de 21 clubes de futebol.

O resultado da equipe liderada por Carlos Aragaki e Amir Somoggi é isento de paixões clubísticas, claro.

Fontes de renda

Conforme a Casual, a venda de ingressos é apenas o sexto item na fonte de receitas dos principais clubes de futebol do país. A transferência de jogadores, com 28%, seguida das cotas de TV (24%), lideram o ranking das captações financeiras, conforme a Casual, empresa paulista especializada em clubes de futebol.

Receitas geradas

Os 21 clubes com maiores receitas no futebol brasileiro foram responsáveis pela movimentação de R$ 1,4 bilhão, indica o estudo. Isso significa uma evolução de 69% nos últimos cinco anos.

“O estudo da Casual Auditores referente  a 2008 demonstra que as receitas dos clubes, excluindo os recursos com as transferência dos atletas, apresentaram melhora de cerca de 39% em três anos, principalmente com bilheteria, sócios, patrocínios e cotas de TV”, analisa Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão de clubes de futebol, da Casual.

Transferência de jogadores

A fonte representa 28% dos recursos gerados pelos 21 clubes analisados. E, comparado com 2007, a venda de jogadores caiu cerca de 13%, alcançando a cifra de R$ 397 milhões. As maiores evoluções foram da Portuguesa, Vitória, Internacional, Palmeiras, Botafogo e Cruzeiro.

Departamento de futebol

Pela primeira vez, a Casual apresenta resultado operacional do Departamento de Futebol. A dupla Gre-Nal lidera o ranking, com o Inter à frente (R$ 24,3 milhões), seguido do Grêmio, com R$ 22,3 milhões. Portuguesa de Desportos, Fluminense e Botafogo fecham o pódio dos cinco primeiros.

O interessante é que, mesmo com operações superavitárias, o balanço dos departamentos de futebol dos clubes analisados indicou uma diminuição de 8% em relação ‘a amostra de 2007.

Voltaremos com novas informações sobre o Balanço da Casual.

 

Por José da Cruz às 14h00

Palavra de especialista

É com muito orgulho que transporto para este espaço a mensagem de uma especialista, Ana Moser, eternizada no seleto Hall da Fama do Vôlei.

Ana dirige o projeto Instituto Esporte & Educação (www.esporteeducacao.org.br), que criou, e apresenta, com autoridade, o seguinte comentário: 

 

“Só tenho a acrescentar na discussão o seguinte: o problema do esporte na escola é pensar SOMENTE em competições escolares e busca de talentos. Antes disso a escola pública deve ser da universalização do acesso à educação motora e ao esporte. Se não cumprirmos isso, é elitismo pensar em escola como celeiro de atletas.

Mesmo porque é uma mentira, porque hoje em dia não se dá Educação Física direito para todos, nem se faz esporte competitivo na escola. A discussão filosófica é mais uma desculpa para a inércia.

Começa a fazer com que todo mundo das escolas pratiquem esporte para ver se a coisa não avança rapidamente.”

Por José da Cruz às 12h36

A resposta de Roberto Gesta de Melo

    

         O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta de Melo, acatou as proposta que fiz, na crítica de domingo, após o fracasso da delegação brasileira no Mundial de Berlim.

         Em mensagem (publicada abaixo), Gesta de Melo acredita ser oportuna uma reunião do Conselho Nacional do Esporte para analisar sobre os rumos da modalidade, assim como o diálogo com as demais instituições da estrutura do esporte nacional.

         Finalmente, o presidente da CBAt me convida para visitar a sede da entidade, em Manaus, e conhecer o trabalho realizado e o planejamento para o atletismo.

         Agradeço a atenção do convite, mas não é necessário tal deslocamento. Tenho em meus arquivos o depoimento que Gesta de Melo fez na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, em 26 de novembro de 2008, com fartura de números e detalhadas informações.

         Em outras mensagens tratarei deste assunto com a atenção e destaque que merece, até para tentar entender como um dirigente experiente, com 20 anos de poder, e recursos financeiros disponíveis ainda não conseguiu resultados mais expressivos do esporte que dirige, em eventos internacionais.

 

Mensagem

        

A seguir, a íntegra da mensagem do presidente da CBAt:

 

 

Senhor Jornalista

 

   Tomamos conhecimento de matéria no seu blog sob o título : " Quais as explicações ? ".

No que diz respeito estritamente à Confederação Brasileira de Atletismo, informamos-lhe que :

 

   1. Concordamos inteiramente que deva ser convocada uma reunião urgente do Conselho Nacional para avaliar os planos do esporte, os do Atletismo em particular, e esperamos poder tomar parte nessa sessão.

 

   2. Da mesma maneira, também concordamos que as Comissões de Esporte da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, se assim o entenderem, devem convocar os dirigente da CBAt para quaisquer explicações sobre a modalidade.

 

   3. Igualmente, deve a Frente Parlamentar do Esporte e outras organizações afins investigar sobre o uso do dinheiro no esporte.

 

   4. Outrossim, a CBAt já realizou três "Fóruns Nacionais Atletismo do Brasil "para decidir os rumos da modalidade, por votação eletrônica, com a participação de mais de 200 desportistas (os principais atletas em atividade, os medalhistas olímpicos, os principais treinadores e os presidentes de Federações Estaduais), com a presença ainda de desportistas exponenciais de outras disciplinas desportivas.

 

      Assim, no corrente ano, dentro dessa mesma ótica, iremos convidar os ilustres desportistas Lars Grael, "Magic"Paula e outros igualmente importantes para, ao lado dos atletas de nossa modalidade, debater as questões do Atletismo, com destaque para planejamento, orçamento e gastos. Sempre colocamos, em primeiro plano, o amplo intercâmbio de opiniões para a devida evolução. Para nós, não é idéia nova e os nomes sugeridos são excelentes, como é óbvio.

 

   5. Na mesma linha, penso que o Fórum Nacional de Secretários de Esporte e outros organismos similares devem, realmente, se reunir, tomar conhecimento dos fatos, discutir e agir para o progresso do esporte. Aguardamos a oportunidade de ser convidados para participar de Encontro dessa natureza.

 

   6. Importante, ainda, é estudar a matemática dos gastos com o Atletismo. Queremos debater esse assunto com todos os órgãos pertinentes.

 

   7. Por fim, reconhecemos os seus esforços no sentido de acompanhar as diversas manifestações desportivas do País e, portanto, lhe convidamos para, na próxima semana, aceitar nosso convite de visitar a nossa sede e, utilizando o tempo que se fizer necessário, informar-se pormenorizadamente de todas as questões relativas ao Atletismo, mormente às que dizem respeito a estratégias de ação e despesas, expressando seus pontos de vista de forma incondicional. 

 

   Atenciosamente.

 

   Roberto Gesta de Melo

   Presidente da Confederação Brasileira de Atletismo

 

Por José da Cruz às 11h06

O dinheiro das loterias

        O Comitê Olímpico Brasileiro aplica o critério da “meritocracia” para distribuir os recursos que recebe das loterias federais (Lei n. 10.264/2001) entre as confederações esportivas.

         A lei em questão determina que 2% das arrecadações das loterias federais sejam destinados aos esportes olímpicos e paraolímpicos. No ano passado, o COB recebeu R$ 93 milhões. Este ano a expectativa é que os repasses cheguem a R$ 110 milhões.

         É importante dizer que 5% do que recebe, o COB aplica nas Olimpíadas Universitárias, e 10% nos Jogos Escolares, conforme determina a lei.

         Confira quanto cada modalidade receberá este ano das loterias federais, cujas despesas realizadas são auditadas pelo Tribunal de Contas da União.

Modalidades com campeões olímpicos ou conquista de mais de uma medalha em Jogos Olímpicos:

R$ 2,5 milhões

Atletismo

Desportos Aquáticos

Judô

Vela

Voleibol

Modalidades com campeões pan-americanos e/ou histórico olímpico

R$ 2,3 milhões

Ginástica e Handebol

Hipismo

Basquete

 Modalidades em desenvolvimento com resultado sul-americano, pan-americano e mundial

R$ 1,6 milhão

Canoagem

Ciclismo

Remo

Tênis de mesa

R$ 1,4 milhão

         Boxe

R$ 1,3 milhão

Tênis

Tiro esportivo

R$ 1,2 milhão

Triatlo

R$ 1 milhão

Taekwondo

 Modalidades em desenvolvimento com resultado sul-americano

R$ 900 mil

Esgrima

Lutas

R$ 800 mil

Badminton

Hóquei sobre grama

Levantamento de peso

Pentatlo Moderno

Tiro com arco

R$ 800 mil

         Desportos no Gelo

R$ 600 mil

Desportos na Neve

 

Por José da Cruz às 08h28

23/08/2009

Quais as explicações?

      Fora do ranking dos 32 primeiros países do Mundial de Atletismo, as autoridades do esporte nacional precisam repensar, urgentemente, sobre os rumos do setor.

         Principalmente porque, trata-se de um país com pretensões olímpicas, com população numerosa e fartura de recursos humanos e financeiros.

         O ministro do Esporte, Orlando Silva, deveria convocar uma reunião urgente do Conselho Nacional do Esporte para avaliar os planos do esporte, como um todo, e o atletismo e a natação em particular.

         As comissões de Esporte da Câmara dos Deputados e do Senado Federal deveriam suspender as pautas das reuniões da próxima terça-feira e convocar os presidentes das confederações afins e do Comitê Olímpico Brasileiro para explicarem sobre os vexames no atletismo e natação.

         Da mesma forma, a Frente Parlamentar do Esporte, que reúne deputados e senadores para defenderem projetos de leis do esporte, também deveriam investigar sobre os rumos do dinheiro do esporte.

         O Conselho Nacional de Atletas, não o dirigido pelo COB, mas o que tem Lars Grael e Magic Paula como expoente deveria ser reativado para dar sua contribuição ao esporte nacional.

         O Fórum Nacional de Secretários de Esportes deveria se reunir urgentemente com o mesmo objetivo e indagar se a candidatura olímpica do Rio de Janeiro é, de fato, prioridade esportiva do país.

         O Tribunal de Contas da União deveria apressar a apresentação dos relatórios finais com os gastos do Pan-2007, para que se constate se somos, mesmo, péssimos gestores do dinheiro público.

         Como se observa, não faltam instituições de esporte. Falta, repetimos, um plano de desenvolvimento – para não dizer uma política integrada de governo, separando muito bem o esporte educacional do profissional.

         E dinheiro? Só a Caixa Econômica Federal repassou R$ 64,3 milhões à Confederação Brasileira de Atletismo, nos últimos nove anos. R$ 13,5 milhões só em 2009. E o dinheiro das loterias, via Comitê Olímpico, média de R$ 2,5 milhões anuais? É muito, é pouco?

         Enfim, é preciso explicar essa matemática do fracasso.

 

Por José da Cruz às 13h21

Um péssimo Mundial de Atletismo

         Com uma contusão no joelho, Maurren Maggi não conseguiu saltar como esperava. E o Brasil retorna do Mundial de Atletismo de Berlim sem um único pódio.

         Mesmo com delegação numerosa, 47 atletas, encerramos um péssimo período para o nosso atletismo, em dia de vitória de Rubinho, na Fórmula 1, e de mais um título da Seleção de Vôlei feminino.    

Conforme anunciamos, aí vai a entrevista com o professor Fernando Franco, do Centro de Estudos de Atletismo. Ele se dedica à análise de tempos e marcas dos atletas para projetar desempenhos nos principais eventos.

         A exemplo das duas últimas olimpíadas e dos dois últimos campeonatos mundiais de atletismo, as previsões foram impecáveis, o que demonstra a importância desse estudo, ignorado pela Confederação Brasileira de Atletismo.

Blog – A matemática do ranking mundial deve ser respeitada para futuros eventos?
Fernando Franco
– Na minha avaliação, deveria ser o primeiro critério para formar a equip. Atleta classificado acima de 40º lugar no ranking mundial não deveria viajar.   

Blog – O Brasil tem uma geração de atletas juvenis que dê melhor perspectiva em eventos internacionais?

Fernando Franco – Não acredito. Falta estrutura, principalmente. Aproximadamente, 80% dos nossos melhores atletas estão concentrados em apenas duas equipes. São poucos técnicos para muitos atletas.  Muitos dos nossos jovens que vão aos campeonatos mundiais de suas categorias participam das finais de suas provas. Mas ficam nisso, não evoluem. Param. Seus adversários, ao contrário, avançam, e dois ou três anos depois estão disputando olimpíadas e mundiais.

Blog – Qual o motivo?

Fernando Franco – Observe: no último Campeonato Brasileiro juvenil, os 5.000m feminino teve apenas quatro atletas. E temos fartura de jovens, em 26 estados, mais o Distrito Federal. Na Jamaica, o campeonato juvenil teve a participação de equipes de 36 escolas. Aqui, isso (escola como identificação de atletas) é proibido pelos “filósofos da educação física”. Mais: a graduação nas faculdades de educação física é dirigida para o formando trabalhar em academias. Os alunos não são incentivados a conhecer modalidades esportivas, como o atletismo. Tudo isso contribui para que tenhamos poucos técnicos, poucos clubes, poucos atletas e, consequentemente, dificuldade de renovação.

Blog – Ou seja, é preciso uma política integrada, pois formar equipes competitivas leva muito tempo?

Fernando Franco – Se a prática de educação física e do atletismo não for para as escolas, acredito que nem em 2016 teremos uma representação competitiva. Continuaremos ser um mero país coadjuvante.  

Por José da Cruz às 12h47

Tostão

Coluna do Tostão, como sempre, imperdível. Principalmente hoje, na Folha de S.Paulo.

          Confira:

          http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2308200926.htm

 

Por José da Cruz às 11h16

Memória

Um dia antes da abertura do Mundial de Atletismo, a UOL Esportes publicou reportagem que realizei com o professor Fernando Franco, que dirige o Centro de Estudos de Atletismo, em Brasília.

         Recuperamos a entrevista, que republicamos, abaixo, para demonstrar que não foram afirmações levianas ou enganosas, mas com base em estudo sério sobre o desempenho de cada atleta na temporada.

Depois do Mundial, voltaremos a entrevistar Fernando Franco

 

UOL – Quem está mais perto de medalha?

Fernando Franco – Fabiana Murrer. Isso se saltar acima de 4,70m. Ela é a segunda do mundo, com 4,72, feito no Troféu Brasil, em junho. Mas depois não passou mais dos 4,60.

(Nota do blog: Fabiana foi eliminada ao derrubar o sarrafo na terceira tentativa para superar os 4,65m)

 

UOL – Depois dela quem vem em termos de resultado?

Fernando Franco – Tá difícil. Mas, se acertar o salto, a Maurren pode beliscar o pódio. Mas terá que fazer acima 6,80m (satou 7,04 nas Olimpíadas de Pequim). Ela está em sétimo lugar no ranking, com 6,90m, feitos em maio. Está fora de competição para entrar num evento forte como o Mundial.

(Nota do blog: Maurren classificou-se à final com salto de 6,68m. Keila Costa também avançou, com 6,66m. As duas saltam neste domingo, a partir das 11h15)

 

UOL – Com base em que faz essas afirmações?

Fernando Franco – Na regularidade do atleta e na performance durante o último ano. Tudo isso é baseado no ranking da IAAF, que permite fazer as projeções.

(Nota do blog: a Confederação Brasileira de Atletismo ignora os estudos e projeções para tentar melhorar a formação de nossas equipes)

 

UOL – E no masculino?

Fernando Franco – Não dá pensar em medalha. Nem com injeção na barriga. Até os atletas que recentemente foram acusados de doping não conseguiram bater recordes de 10 anos, como os 200m, de Claudinei Quirino (19s89). Pior é a situação dos 100m, que já dura 20 anos, batido em 1988, por Robson Caetano, com 10 segundos, cravados.

 

UOL A situação é tão grave assim?

Fernando Franco – Muito grave. Quando muito podemos pensar em final.

 

UOL Com que, por exemplo?

Fernando Franco – Com Jadel Gregório, se saltar acima de 17,16.

(Nota do blog: Jadel foi à final. Saltou 16,89 e terminou em oitavo lugar)

 

 

 

 

 

Por José da Cruz às 08h32

22/08/2009

Viagem complicada

Das mensagens que recebi neste sábado destaquei uma, que transcrevo abaixo. Ela é assinada pelo jornalista Walter Guimarães.

Profissional respeitado, ele apresenta um exemplo sobre a realidade do nosso esporte, como a falta de diálogo e entrosamento entre as autoridades do setor. Resultado: desperdício de dinheiro.

 

A mensagem

“Cruz, quando junta dinheiro e poder tudo fica mais complicado.

Lembro do exemplo de um atleta brasiliense dos saltos ornamentais que foi disputar a Universíades em Belgrado há pouco mais de um mês.

O último dia de competição na capital sérvia foi em 10 de julho. As provas do Mundial de de Desportos Aquáticos de Roma, que o atleta também participou, começavam no dia 17 de julho, ou seja, uma semana depois da Universíade.

Por questões de emissão de passagens aéreas, o atleta teve que voltar para o Brasil, pois para a Universíades o bilhete foi emitido pela Confederação Brasileira de Desporto Univesitário (CBDU). Para o Mundial de Roma o bilhete foi emitido pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

Resumindo, o atleta estava a 1h35min de voo (Belgrado/Roma), mas teve que vir para o Brasil, enfrentando conexões, passar dois dias e voltar para a Europa.

Vale comentar que em qualquer site de reserva há passagens de U$250 de Belgrado para Roma, mas isso ficaria muito fácil e era preciso complicar a vida do atleta”.

 

Por José da Cruz às 22h34

"Eu vejo um museu de grandes novidades"

          No outro extremo das relações institucionais do esporte (confederações, federações, clubes, Comitê Olímpico, ministério, etc) está o patrocinador. Depois do sucesso da parceria do Banco do Brasil com o vôlei, as demais estatais – Correios, Caixa, Eletrobrás, Infraero e Petrobras – entraram em campo.

Elas investem parte de suas verbas publicitárias em projetos do atletismo, natação, judô, ginástica, futsal, basquete, vela, tênis, saltos ornamentais, enfim. Só em 2007, ano do Pan do Rio de Janeiro, as estatais aplicaram mais de R$ 300 milhões no setor.

         Além disso, as loterias federais tornaram-se parceiras através da Lei n. 10.264/2001. Foram R$ 93 milhões para o Comitê Olímpico, no ano passado, por exemplo.

Lei de Incentivos         

Há mais fontes de financiamento do esporte. A Lei de Incentivo reserva, desde 2007, em torno de R$ 300 milhões anuais, até para projetos de automobilismo. Recentemente, Emerson Fittipaldi aprovou no Ministério do Esporte projeto para captar R$ 15 milhões. Isso sem falar na Bolsa Atleta e orçamento federal. Ou seja, não falta dinheiro para preparar equipes competitivas.

Mas não há como analisar a aplicação do dinheiro, pois os relatórios são reservados. Pior: falta liderança que defina prioridades, algo que deveria ser responsabilidade do Ministério do Esporte, que se omite vergonhosamente. A Política Nacional de Esporte que existe é de brincadeira. E nem sequer conseguem tirar do papel, pois temos um ministério político, quando deveria ser técnico.

Silêncio

         Na pirâmide da estrutura do esporte,  a base de sustentação deste milionário sistema é o atleta, o ser  indispensável e insubstituível que movimenta toda a máquina, treinando ou competindo.

         De que adiantariam recursos financeiros sem competidores? Seria ridículo ter dinheiro, calendários, eventos e cartolas se faltasse quem transformasse as competições em produtos rentáveis.

         O atleta, enfim, é o ente mais forte, o mais poderoso nesta cadeia de resultados e rendas que se transformaram os eventos esportivos. Porque, como dizem os especialistas em marketing, “esportes provocam emoções e emoções vendem”.

         Mas é o atleta que também se revela frágil nas relações com o poder do sistema. Nem sequer faz força para ali interferir ou tentar fazer sua opinião ser ouvida. O atleta, na verdade, teme confrontar com a elite dos dirigentes. E essa omissão interessa ao sistema, pois perpetua os poderosos em suas cadeiras.

         Esta realidade é histórica e reflete outros setores frágeis do país. O político, por exemplo. Realidade tão histórica que está em “O tempo não pára”, do indignado poeta político Cazuza, numa espetacular crítica musicada, que pode ser adaptado ao esporte:

“Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades...”

             

Por José da Cruz às 16h32

Últimas esperanças

         É a Jamaica na velocidade e o Quênia nas provas de fundo. Acabou a maratona masculina do Campeonato Mundial de Atletismo, com dois quenianos em primeiro lugar, Abel Kirui (2h06min54s) e Emmanuel Kipchirchi (2h07min48s).

         O brasileiro Marilson Gomes dos Santos, bicampeão da Maratona de Nova Iorque, terminou em 16º lugar (2h15min13s). José de Souza ficou em 23º (16min40s).

         Com isso, ficamos na dependência das saltadoras, Maurren Maggi e Keila Costa, e do revezamento masculino 4 x 100, para não voltarmos sem medalhas da competição. Confira o desempenho nacional em campeonatos mundiais de atletismo.

 

Medalhas brasileiras

1983

Helsinque

Bronze

Joaquim Cruz

800 metros

1987

Roma

Bronze

José Luiz Barbosa

800 metros

1991

Tóquio

Prata

José Luiz Barbosa

800 metros

1993

Stuttgart

Sem medalhas

 

 

1995

Gotemburgo

Bronze

Luiz Antonio dos Santos

Maratona

1997

Atenas

Bronze

Claudinei Quirino

200 metros

1999

Sevilha

Prata

Claudinei Quirino

200 metros

 

 

Prata

Sanderlei Parrela

400 metros

 

 

Bronze

Raphael de Oliveira
Claudinei Quirino 
Edson Luciano 
André Domingos

Revezamento 4x100m

2001

Edmonton

Sem medalhas

 

 

2003

Paris

Prata

Vicente Lenilson 
Edson Luciano  
André Domingos  
Cláudio Roberto Souza

Revezamento 4x100m

2005

Helsinque

Sem medalhas

 

 

2007

Osaka

Prata

Jadel Gregório

Salto Triplo

 

Por José da Cruz às 09h50

21/08/2009

Mundial de Atletismo

Alerta oportuno do professor Fernando Franco, do Centro de Estudos do Atletismo:

         O melhor desempenho do Brasil em campeonatos mundiais da modalidade foi em 1999, em Sevilha.

         Naquele ano, participamos com uma equipe de 17 atletas. Eles trouxeram três medalhas:

         Claudinei Quirino (prata nos 200m) 

         Sanderlei Parrela (prata nos 400m) 

         Revezamento 4 x 100m (bronze)

         Agora, 10 anos depois daquelas conquistas, estamos na iminência de repetir o Mundial de 2003, quando nossa delegação,também com 17 atletas, retornou do Mundial de Paris sem uma só medalha. Regressáo.

         Antes da abertura da competição de Berlim, o professor Fernando Franco avaliou os tempos e marcas dos brasileiros e projetou os resultados para o Mundial de Berlim, confirmando todos, até agora. 

  Fernando Franco será nosso entrevistado no domingo, no encerramento do Mundial.

 

 

Por José da Cruz às 15h03

Futebol e salário

       

Para não dizerem que não falo de futebol, aí vai um dado curioso

         77% dos jogadores de futebol profissional no Brasil ganham até R$ 1.000,00

         13% ganham entre R$ 1.001,00 e R$ 9.000,00

         10% têm salários acima de R$ 9.000,00

         A informação é do decano dos advogados de esporte, Valed Perry, revelada no II Encontro Nacional sobre Legislação Esportivo-Trabalhista, que se realiza hoje, aqui em Brasília.

         O evento, promovido pelo Tribunal Superior do Trabalho, tem a participação de cerca de 500 advogados do esporte.

 

Por José da Cruz às 12h39

Confusão ministerial e olímpica

          Tomem fôlego, pois a nota é longa. Mas vale a pena ler a correspondência burocrática que recebi, para  melhor entender se for possível, sobre as relações do governo federal com as entidades civis do esporte.

         Na quarta-feira, informei que o governo federal solicitou ao Congresso Nacional um crédito suplementar de R$ 30 milhões, para fechar a conta das despesas da candidatura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

         Ontem, recebi mensagem indignada de uma autoridade do Comitê Olímpico, desmentindo minha informação. Encaminhei o documento oficial do Palácio do Planalto para comprovar a veracidade de minha informação. Não menti.

         Mais tarde, vieram os “esclarecimentos”, que, mesmo longos, publico abaixo, para que não fiquem dúvidas.

         Em resumo: o Ministério do Esporte solicitou ao Palácio do Planalto mais R$ 30 milhões para a candidatura carioca. O governo, por sua vez, encaminhou pedido de crédito, que será votado pelo Congresso Nacional. Mas, fica claro, não avisou ao Comitê Organizador que estava levantando mais recursos. Isto é, o Ministério do Esporte não informou aos interessados sobre esse, digamos, pequeno detalhe...

Finalmente: prestem atenção ao último parágrafo da mensagem do Ministério do Esporte.

O Ministério do  Esporte esclarece que:

Em 2008 o governo federal decidiu arcar com os custos da candidatura Rio 2016, avaliados à época em U$ 42 milhões.

Quando houve a negociação do crédito suplementar de R$ 85 milhões aprovado pelo Congresso Nacional também ficou definido que uma parte do financiamento da candidatura seria feita com recursos orçamentários de 2009. Ou seja, os U$ 42 milhões seriam divididos no orçamento governamental de 2008 e 2009.

Também foi decidido pelo Ministério do Esporte que os R$ 85 milhões não seriam destinados integralmente a convênios com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Uma parte seria utilizada pelo próprio ministério para contratação de consultorias, realização de campanhas de divulgação institucional da candidatura, produção de Cadernos de Legado do Rio 2016 e outras ações governamentais relacionadas à disputa.

Desde o início da candidatura, o Ministério do Esporte firmou 16 convênios com o COB para custear as ações relativas à candidatura nas distintas fases do trabalho. Esses 16 convênios resultam em um total de R$ 56.472.474,52 de desembolso do governo federal.

Os R$ 30 milhões de crédito suplementar solicitados ao Congresso Nacional (projeto de lei 33) destinam-se a complementar os custos da candidatura, conforme previsto em 2008. Se aprovados, serão utilizados de distintas formas: quitação de convênios em aberto, pagamento de parcelas pendentes com as consultorias contratadas pelo governo federal, complementação dos custos da logística de apresentação da candidatura na assembleia do COI em Copenhague dia 2 de outubro e cobertura de eventuais diferenças de paridade cambial. Isso significa que os R$ 30 milhões não se destinam integralmente ao COB e possivelmente nem sejam utilizados na totalidade.

O Comitê de Candidatura Rio 2016 esclarece que:

1 – Dos R$ 80 milhões solicitados em 2008 ao governo federal para a candidatura, o Comitê Rio 2016 conveniou um total de R$ 56.472.474,52 com o Ministério do Esporte. E deste montante, o Comitê, até o momento, recebeu efetivamente R$ 52.497.690,64 , restando R$ 3.974.783,88 a receber.

2 – O valor restante seria conveniado pelo Ministério do Esporte em 2009, o que não aconteceu até o momento em função do contingenciamento do orçamento federal. 

3- Mas, em paralelo, a credibilidade e o fortalecimento da candidatura atraíram o interesse crescente da iniciativa privada, através de patrocínios em espécie e serviços que somaram um total de R$ 37 milhões repassados por empresas privadas ao Comitê Rio 2016.

4 – Assim, em caso de aprovação do referido projeto de lei, o Comitê avaliará naquele momento a necessidade de solicitar a liberação da verba no seu total ou em parte.

 

 

Por José da Cruz às 12h12

Brasil e Jamaica

A três dias do encerramento do Campeonato Mundial de Atletismo, em Berlim, o Brasil, com 47 atletas, está em 37º lugar.  

O resultado não pode ser atribuído à falta de dinheiro para preparar a equipe. Só este ano, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) recebeu R$ 13,5 milhões de sua patrocinadora maior, a Caixa Econômica. Em 2008 foram R$ 12 milhões.

Na ponta do lápis: R$ 64,3 milhões de patrocínios, entre 2001 e 2009. Mais os recursos da Lei 10.264/2001, via Comitê Olímpico Brasileiro, em torno de R$ 2,5 milhões anuais.

Chances

         O desempenho nacional é pavoroso. Chegamos à reta final da competição com apenas quatro atletas tendo alguma chance e sob os quais recairá toda a pressão para que se ganhe uma medalha, ao menos:

Maurren Maggi, sétima do ranking mundial, e Keila Costa, 16ª , no salto em distância

Fabiano Peçanha, 11º no ranking dos 800m.

Marilson Gomes dos Santos, fora do ranking, pois este ano não correu a maratona.

Balanço

Depois dos Estados Unidos, na liderança do Mundial de Atletismo  – 12 medalhas (três ouros, quatro pratas e cinco bronzes) –,  vem a “poderosa” Jamaica, com nove conquistas. 

Detalhes:

A Jamaica tem duas medalhas de ouro a mais que os norte-americanos.

Com 10,9 mil quilômetros quadrados, a área da Jamaica é a metade da do Estado de Sergipe.

Com 2,1 milhões de habitantes, a população da Jamaica é menor que a de Brasília, com 2,5 milhões.

Que tal?

 

Por José da Cruz às 23h54

20/08/2009

Os entraves da Copa

            Passada a euforia das cidades vencedoras para receberem jogos da Copa do Mundo de 2014, os problemas entram na ordem do dia. Pior: não há encaminhamento de soluções. Cuiabá, por exemplo, vive um drama: terá que construir hotéis, mas depois da festa do futebol faltará movimentação turística para ocupar a rede. Diante dessa realidade, ninguém se atreve a investir no segmento.

         A deputada Thelma de Oliveira (PSDB-MT) está “extremamente angustiada”. E desabafa: “As autoridades do nosso estado sentem insegurança nos rumos da preparação para a Copa. Temos problemas graves a resolver, como saneamento básico. Mas, onde estão os recursos? Já tivemos reuniões com vários ministros e não sentimos firmeza nas suas respostas”

         Foi neste tom que se realizou hoje a quarta audiência pública sobre o s preparativos para a Copa, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, na Câmara dos Deputados. O tema da vez foi turismo.

Alerta

         Paulo Ratts, deputado do PMDB pelo Rio de Janeiro, alertou que construir hotéis pode provocar um colapso, mais tarde, porque muitas cidades não terão movimento de visitantes que justifique tal investimento.

         “Ainda não temos nem os custos dos investimentos que serão realizados pelo governo. Eu estou convencido de que o Brasil não está preparado para receber a Copa”, alertou.

         Na prática, o governo federal já garantiu que o BNDES terá linhas de créditos para investimentos, inclusive para a construção e reforma de estádios. Porém, há dúvidas: “Os estados, os municípios ou os clubes envolvidos na empreitada terão condições de honrar os financiamentos”? – indaga Rattes.

O outro lado

            A disposição do BNDES de abrir os cofres parece não ser o suficiente. O diretor-executivo da Associação da Indústria de Hotéis, César Gonçalves, lembrou que os juros dos empréstimos são altíssimos e o prazo de carência é pequeno, apenas cinco anos. “O negócio hoteleiro não dá retorno imediato. É preciso aumentar o prazo e reduzir os juros", sugeriu.

        

 

Por José da Cruz às 17h27

A conta cresceu

         Um dia depois de termos divulgado que a candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas de 2016 tem custo de R$ 80 milhões, soubemos que faltou dinheiro.

         Para o programa não ficar no prejuízo, lá vem mais R$ 30 milhões do governo federal, financiador da candidatura liderada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, via Comitê Olímpico Brasileiro.

A proposta para abrir crédito suplementar de R$ 30 milhões está no Projeto de Lei n. 33/2009, encaminhado pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional, pronto para votação. Quem conta sobre essa preciosidade é o deputado paulista Silvio Torres (PSDB, que preside a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle  da Câmara.       

Com base nessa informação fui buscar em anotações passadas dados sobre um pronunciamento do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, no primeiro semestre, na Câmara dos Deputados, para apresentar a candidatura carioca. Na ocasião, sem muito alarde, o dirigente revelou que a candidatura custaria R$ 120 milhões aos cofres federais.

         Em resumo, temos a seguinte matemática sobre a candidatura olímpica:

         R$ 85 milhões no orçamento de 2008;

         R$ 30 milhões de crédito suplementar, totalizando R$ 115 milhões, bem próximo dos R$ 120 milhões referidos por Nuzman.

Desembolsos

         Desse total, o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), a contabilidade do governo federal, registra pagamentos efetivos de R$ 48,3 milhões, conforme publicamos em nossa primeira mensagem, na terça-feira. Ou seja, o governo ainda desembolsará R$ 71,7 milhões, esperando aprovar R$ 30 milhões no Congresso Nacional, o que não será difícil.

         Esse fato faz lembrar o orçamento dos Jogos Pan-Americanos, que saltou de R$ 400 milhões para R$ 3,5 bilhões. Será que também erraram na previsão das contas da candidatura olímpica e precisaram bater novamente nas portas palacianas de Brasília?

         O acesso à mensagem do governo pedindo crédito suplementar pode ser pelo seguinte link:

 

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Projetos/PLN/2009/msg558-090715.htm    

Por José da Cruz às 23h06

19/08/2009

O ranking dos cartolas

          A Confederação Brasileira de Remo (CBR) tem novo presidente. É o ex-remador Wilson Reeberg, em substituição a Rodney Araújo, que ficou 18 anos no poder. Essa renovação foi possível graças a uma decisão judicial, que anulou o pleito em que Rodney garantiria mais quatro anos.

          A longevidade nos cargos de presidentes de confederações  é uma das questões mais polêmicas do nosso esporte. Sobre isso, o velejador Lars Grael defende que os mandatos sejam de quatro anos, com direito a uma reeleição. E só.

          O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta de Melo, que lidera o ranking dos cartolas mais antigos, está no poder desde 1987. Recentemente ele foi reeleito pela sexta vez. Mandará até 2013, ou seja, 22 anos de carreira. São sete ciclos olímpicos.

          Apego ao cargo ou falta de candidato? Se tivéssemos evolução na modalidade, até que se compreenderia. Na mesma linha de Gesta está Coaracy Nunes, da Confederação de Desportos Aquáticos, com mandato garantido até 2013, quando completará bodas de prata.

          São dirigentes que enfrentaram anos duros, com poucos recursos. Mas, a partir de 2001, o dinheiro começou a entrar nas contas das confederações. Muito dinheiro. E quais são os resultados, traduzidos em finais, pódios, medalhas, revelações nesta ou naquela modalidade?

          O ranking dos cartolas históricos é o seguinte:

          1. Roberto Gesta de Melo (Atletismo)   22 anos, reeleito para mais quatro anos 

          2. Coaracy Nunes (Natação)                21 anos, reeleito para mais quatro anos

          3. João Tomasini (Canoagem)              20 anos, reeleito até 2012

          4. Ricardo Teixeira (Futebol)                20 anos, reeleito até 2015

          5. Carlos Arthur Nuzman (COB)            14 anos, reeleito até 2013

          

 

 

 

 

     

          

Por José da Cruz às 16h31

Memórias e legados

         Para que o Rio de Janeiro tivesse um Pan-Americano tranquilo  - e teve -   o governo do Presidente Lula investiu R$ 562 milhões (mais de meio bilhão de reais) em ações de segurança. Recordo esse fato para ativar a memória olímpica.

         Com o dinheiro oficial, saiu o seguinte "carrinho de compras", como dizem os colegas aqui do Contas Abertas:

         500 carros para a polícia carioca

         8.253 rádios comunicadores

         1.356 armas, entre fuzis, carabinas e pistolas

         120 mil munições 

          Um centro de monitoramento por câmeras

          Diante do arsenal, discursou o então secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, hoje diretor da Polícia Federal: "O Estado terá mais capacidade de inteligência nas investigações. Será  possivel antever ações dos  criminosos".

          Palavras do Ministro do Esporte, Orlando Silva: "Todo esse equipamento ficará no Rio de Janeiro como legado para a segurança dos cariocas".

          Noticiário de hoje, dois anos depois do Pan: "A Secretaria de Educação do Rio de Janeiro suspendeu as atividades em escolas do centro da cidade, deixando 1.300 alunos sem aula. Motivo: um intenso tiroteio entre policiais e traficantes dos morros da Coroa e da Mineira".

          Quando o governo adquiriu o armamento, esqueceu de combinar com a bandidagem que havia um "legado" a honrar. Na dúvida, suspendam as aulas. 

          Esse fato mostra que uma coisa é o discurso oficial;a outra é o fato real. O carioca convive com o fato real. Mais: legado não é o carro de segurança nem o armamento; é a educação, que se faz, também, pelo esporte. Justamente o que nos falta em termos de política integrada de governo.

          Sobre isso, vamos comentar, em breve, mostrando como é o diálogo do governo, na Esplanada dos Ministérios.

         

 

Por José da Cruz às 10h55

Legados do Pan

As autoridades do esporte nacional, da Esplanada dos Ministérios, principalmente, podem ficar tranquilas: na plenária semanal, hoje, o Tribunal de Contas da União não votará um só processo referente às auditorias dos Jogos Pan-Americanos de 2007.

         A tranquilidade, porém, não vai durar muito, pois há volumosos documentos sendo preparados para as próximas semanas. Um dos mais polêmicos diz respeito ao sistema de segurança desenvolvido durante os Pan-2007, quando foram adquiridos vários equipamentos para combater a criminalidade no Rio de Janeiro.

          A propósito, já solicitamos ao Ministério do Esporte informações sobre a localização de todos os bens adquiridos para o Pan, como aparelhos de ar condicionado, computadores, equipamentos esportivos etc. Como tudo foi adquirido com recursos públicos é oportuno conhecer as instituições beneficiadas com o legado do Pan.

 

Por José da Cruz às 01h38

Balanço rápido

Apesar de burocrático, o balanço rápido deste primeiro dia de blog na Uol é indispensável.

Foram 18 mil acessos, o que evidencia dois fatos:

1.   – a força dos prestígios de Juca Kfouri e da ONG Contas Abertas, que me apresentaram e sugeriram a leitura do blog;

2.– O interesse por um assunto importante, a economia do nosso esporte olímpico, que diz respeito a todos, pois envolve recursos públicos.

A todos que prestigiaram a estreia, lendo ou escrevendo; aos amigos, de Roma e Londres, inclusive, muito obrigado.

O espaço está aberto para divulgar fatos e promover o debate democrático.

Por José da Cruz às 01h10

18/08/2009

Vamos aos números

          A candidatura aos Jogos Olímpicos de 2016 é da cidade do Rio de Janeiro, mas quem paga a conta inicial de R$ 80 milhões é a União.

          A generosidade do governo Lula faz sentido: ao assumir a dívida, o presidente da República fortalece suas relações políticas com prefeitura e governo do Estado, de olho nos apoios que cobrará  na próxima eleição presidencial.

          Até agora, o Ministério do Esporte pagou R$ 48.383.908,20, apenas pela candidatura. A previsão é desembolsar mais R$ 32 milhões.

          Desse total, R$ 5 milhões foram para a Fields Comunicação Ltda, agência de publicidade de Brasília, contratada pelo Ministério do Esporte para divulgar a candidatura Rio 2016. Os valores sáo do SIAFI, obtidos pela equipe do Contas Abertas, a nosso pedido.

           Em 2008 ocorreram pagamentos do Ministério do Esporte a Fields Comunicação, mas não especificados como sendo em favor da candidatura, razão pela qual deixamos de considerar neste levantamento.

Opção

          Para um país pobre de atletas altamente competitivos, só esse valor em publicidade já é exorbitante, pois corresponde a 50% do que a Confederação Brasileira de Atletismo receberá este ano, como patrocínio da Caixa Econômica. 

          O dinheiro poderia ser direcionado aos atletas em formação, mas a opção do governo e do COB é pelo exibicionismo olímpico.

 

 

 

 

Por José da Cruz às 10h15

Candidatura olímpica

O Brasil olímpico convive com extremos inacreditáveis. De um lado, gasta exorbitantes R$ 43 milhões – até agora – na candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos de 2016. De outro, acompanha o pífio desempenho de nossa delegação no Mundial de Atletismo. O total da empreitada está orçado em R$ 80 milhões.

Prioridades

         Com dinheiro público somos capazes de elaborar vistosos projetos, que colocam a candidatura brasileira na final da escolha da sede olímpica de 2016. Porém, os mesmos promotores da “eficiente” proposta olímpica são incapazes de desenvolver um trabalho integrado para uma melhor aplicação do dinheiro público e, consequentemente, formar equipes mais competitivas e menos participativas em eventos internacionais.

 

Resultado

         O resultado dessa política esportiva às avessas, liderada pelo PC do B, partido sem tradição no setor, está no desmando da gestão do dinheiro que sai do orçamento da União.

Mesmo com fartura de jovens – 33 milhões em idade escolar – não temos seleções que nos levem à elite mundial do atletismo, da natação, do tênis, do ciclismo, do remo, enfim.

         Somos um país cujos dirigentes esportivos exigem muito dinheiro, mas se satisfazem com um mínimo de pódios. Uma medalha de ouro, de César Cielo (no recente Mundial de Natação), por exemplo, é motivo de festas intermináveis, como se fôssemos uma potência na modalidade. Enfim, sobram pobreza, de um lado, e esperteza, de outro.

          Para  melhor entender sobre tais gastos, solicitamos à ONG Contas Abertas um levantamento no SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira, a contabilidade do Governo Federal). Os dados, que surpreendem, sáo motivos do próximo comentário.

   

 

 

Por José da Cruz às 00h48

14/08/2009

Primeira mensagem

 

        Nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000, o desempenho brasileiro ia de mal a pior. A esperança de ganharmos única medalha de ouro ficou para o último dia, e dependia do desempenho de um cavalo de origem nobre, Baloubet du Rouet, com Rodrigo Pessoa na rédea. Mas o cavalo empacou. Empacou como o Brasil esportivo, até então sem dinheiro, com limitadíssimos investimentos públicos.

         No dia seguinte à tragédia cavalar, decidi ouvir alguns de nossos atletas sobre o que faltava para que o Brasil se tornasse uma potência olímpica. A resposta mais surpreendente foi de Gustavo Kuerten: “Pô! Se o Brasil não tem política de saúde para os guris, como vamos defender uma política de esportes olímpicos? A saúde e a educação vêm antes!” Lá se vão nove anos dessa preciosa manifestação. Mudou?

         Mudou muito. Desde 2001, há milionários investimentos em dinheiro. Seis estatais – Banco do Brasil, Caixa, Correios, Petrobras, Eletrobrás e Infraero – sustentam 21 modalidades mais os paraolímpicos. Há recursos da Lei 10.264/2001, que repassa 2% das loterias federais aos esportes olímpicos e paraolímpicos.  Veio a Bolsa Atleta, a Lei de Incentivo; o orçamento do Ministério do Esporte tornou-se robusto, e até a cartolagem do futebol foi beneficiada por uma loteria, a Timemania, para que o torcedor-apostador pagasse a conta do bilionário calote oficializado.

 

Enquanto isso...

 

         No outro extremo, há fartura de denúncias de corrupção com o dinheiro público; constatações do TCU de irregularidades no uso de verbas oficiais – e outro tanto de perdões. Há lamentações dos clubes formadores de atletas, sem acesso ao dinheiro disponível. Sobram reclamações e instituições do esporte; faltam gestão e transparência em todos os niveis.

         O trabalho que hoje iniciamos  neste precioso espaço é a continuação de uma jornada de 10 anos, abordando os bastidores desse universo, muitas vezes oculto, do esporte. Enfrentamos portas fechadas, silêncio das autoridades, dificuldades de acesso às informações, entrevistas canceladas, tentativas de sufocar as críticas, enfim.

Porém, nada disso se compara à luta maior, dos atletas, personagens que ainda suportam muito da cartolagem. Mas, em inexplicável e surpreendente silêncio.

 

Por José da Cruz às 23h42

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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