Blog do José Cruz

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20/12/2011

Mudança de rumo

Prezado Leitor,

Seguindo orientação da área técnica do UOL, este blog está mudando para novo endereço, a partir do primeiro minuto desta quarta-feira, 21 de dezembro: http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/

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Agora vai.

Por José da Cruz às 16h21

19/12/2011

A fragilidade de Ricardo Teixeira e aproximação de Romário

             Protocolar, política e educadamente, Romário argumenta que foi ao encontro de Ricardo Teixeira atendendo a convite do amigo – agora porta-voz da CBF – Ronaldo. Pode dizer que o encontro foi, também, para interceder pelos segmentos sociais, como o dos deficientes, que ele defende.

            Porém, continuo com a pulga atrás da orelha. Romário é a voz do futebol, no Congresso Nacional, que repercute na mídia. E este não é o melhor momento para Ricardo Teixeira tê-lo como opositor. 

            É sintomática a aproximação, justamente na semana em que RT se afastava da assembléia da FIFA e da liderança – temporária, diz o cartola – do Comitê Organizador da Copa.

            Fora dessas frentes, Ricardo Teixeira se fragiliza e facilita a articulação para ressuscitar a proposta de uma CPI da CBF.

Deve ser por isso que o senador mineiro, Zezé Perrela, o eterno líder do Cruzeiro, faz campanha velada para lançar um possível candidato à CBF. Ninguém fala oficialmente sobre isso, mas o experiente cartola movimenta-se neste sentido. Bem ao estilo mineiro, trabalhando em silêncio.

É neste panorama que vejo mais um motivo para a aproximação de Romário à CBF. Mas a realidade desse encontro só saberemos em 2012, durante a atuação parlamentar do Baixinho – com o devido respeito, excelência.

Enquanto isso...

            Relendo o relatório da CPI da CBF Nike, realizada em 2011, encontrei a seguinte preciosidade, com informações a partir da quebra de sigilos bancário e fiscal:

            A CBF efetuou transferências para o exterior no mercado flutuante, tipo 04, no período de novembro de 1995 a março de 2001, no valor de US$9.738.423,02, sendo US$ 2.123.850,55 a título de Capital Brasileiro de Curto Prazo – Operações com ouro, representando 21,81% das transferências no mercado flutuante.

            “Essas operações trazem informações incompletas, pois não indicam qual o país de destino nem o nome do recebedor no exterior. Chama atenção também o fato de serem os únicos contratos da CBF, ao longo do período janeiro/1995 a março/2001, a serem realizados na moeda dólar-ouro.

            “Cabe, portanto, solicitar ao banco que efetuou a operação, (o HSBC Bank Brasil S.A., na época Banco Bamerindus) e à própria CBF, através de seus representantes, informar o país de destino desses recursos, assim como o recebedor no exterior.

            “Ricardo Teixeira, ao depor, não soube explicar o motivo dessas transferências em dólar-ouro. Posteriormente, em correspondência de 19 de abril último (2001), informou apenas que “os saldos da conta corrente da CBF no Bamerindus eram automaticamente aplicados sem risco, já que extratos anexos demonstram que as taxas anexas eram prefixadas”. Continuou sem explicar os motivos de a CBF ter feito essas transferências para o exterior e para quem” – encerra o capítulo sobre o assunto.

Entenderam?

            A CBF, entidade “sem fins lucrativos”, fazia aplicações e remessas para o exterior já em 2001 !!!  Mas não se sabe para onde nem para quem.

            E o dinheiro dessas remessas e aplicações foi obtido em nome de uma instituição do nosso patrimônio cultural, a “Seleção Brasileira”, que é a galinha de ovos de ouro da CBF. Apresenta-se com as cores nacionais, desfila com a Bandeira Nacional Brasileira e entoa o Hino Nacional de nosso país. Mas nenhuma parte dos lucros que obtém reverte em favor de projetos para projetos sociais infantis que usem o futebol como instrumento. Ao contrário, parte da grana foi parar no exterior...

            O relatório da CPI, cujo trecho transcrevi aí em cima, é assinado pelo atual ministro do Esporte, Aldo Rebelo, então deputado federal, e por Silvio Torres, à época também deputado.

Cópias do documento foram enviadas à Polícia Federal, Banco Central, Receita Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas, Procuradoria Geral da República, Presidência da República, enfim. Há 10 anos, uma década. E nada aconteceu.

Agora, com RT sob fogo cruzado e fragilizado politicamente, são argumentos assim que incentivam alguns parlamentares a recriar a CPI da CBF. Se isso acontecer, vamos ver qual será a atuação do deputado Romário, principalmente.

Por José da Cruz às 10h02

18/12/2011

Regressão histórica

 Como não sou especialista em futebol, ficarei só na repercussão do que vi na TV e do que ouvi depois do jogo. Foram manifestações tão evidentes que até nos envergonham como penta-campeões mundiais.

Por exemplo, ao ser indagado se o nível econômico do futebol europeu era o diferencial sobre o brasileiro, para a qualidade de jogo apresentada pelos espanhóis, Guardiola respondeu que o time do Barcelona “tem custo euro zero”... Ou seja, o time é formado em casa, na base, com dois ou três vindo de fora!

E sobre o nível técnico apresentado este ano ele se voltou ao Brasil de outras décadas. “Vocês (brasileiros) jogavam assim” ...

Sem comentários.

Quando morava em Brasília, Nilton Santos já alertava para o fim dos campos de peladas, que ele adorava freqüentar. Era ali que se descobriam os futuros craques.

Hoje, são as luxuosas e numerosas peneiras. O garoto precisa pagar para ser avaliado. Quantos talentos que não têm nem como chegar ao campo da seleção ficam sem a oportunidade de se exibirem?

O que o Barcelona mostra em campo é o que a Seleção tricampeão exibia. Toque de bola. E o Santos não tem isso. Ao contrário, queria se livrar da bola, tirá-la de seu campo. Sufocado, não conseguiu.

Não é oportuno ficar avaliando se Messi é melhor que Neymar. Ambos são craques, cada um no seu time. A avaliação é: as escolinhas de futebol são eficientes? Com toda a sofisticação e turbinadas por dinheiro da Lei de Incentivo ao Esporte – só o São Paulo F.C já levou mais de R$ 25 milhões – são melhores que os campos de pelada?

E nossos técnicos, que ficam vomitando esquemas e armações, são práticos nos treinamentos para dizer que a bola precisa ir de pé em pé, com precisão, como o Barcelona demonstra?

Parece ser tudo muito simples, mas é uma lição renovada que recebemos, revelando como regredimos no tempo.

Muricy Ramalho está começando a entrevista. Lá vem explicações, mas elas estão lá atrás, nas origens que nos esquecemos.

 

Por José da Cruz às 16h18

Não havia espaço para zebra

Por Geraldo Hasse

            Si, como no, 4 a 0 foi pouco.

            Neymar amarelou, Ganso entrou na roda, Edu Dracena estava tresnoitado e por aí se foi esse tosco Santos do Muricy, que nunca pareceu tão parvo.

            Fuso horário? Frio? Grama sintética? Noites maldormidas em colchões orientais? Saudade da família? Pressão das "moscas torcedoras"? Assédio da marquetagem?

            Há mil desculpas para a derrota, mas todas as adversidades eram previsíveis, a começar pela excelência do Barcelona, que faz todo mundo de joão-bobo, mas em movimento rumo ao gol.

            É inacreditável que uma equipe técnica milionária não

tenha o antídoto para uma estratégia tão rasteira. Parecia que o Santos tinha sido contratado como sparring.

            A cada patacoada brasileira no exterior fica claro que o futebol canarinho abisonhou-se na dança dos milhões. As estrelas não correm atrás do prejuízo porque, para elas, não faz diferença perder ou ganhar. Seus salários são sagrados e, em último caso, taí a Justiça do Trabalho para lhes dar ganho de causa, justamente a eles que se tornaram parceiros-cúmplices das manifestações mais extremadas do Capital, como a Lavagem de Dinheiro e outras jogadas.

            O Brasil estás prestes a adaptar leis para agradar a Fifa, promotora da Copa do Mundo 2014, e não há quem ouse colocar o guizo no rabo do gatão.

            Agora, voltar do Japão com quatro nas costas é como passar a noite num baile e não pegar ninguém. O time do Barcelona deu uma aula de futebol, disse Neymar logo após o jogo, com a tranquilidade de quem se adaptou perfeitamente ao chip de bom menino que passou a usar nos últimos meses.

            "Que a derrota sirva como lição", disse ainda o novo prodígio da propaganda brasileira, mas quem acredita que as estrelas da Vila tenham tempo para calçar as chuteiras da humildade?

 

* Por uma TV a cabo vimos no final da tarde de sábado o GP Carlos Pellegrini, no hipódromo de San Izidro em Bs Aires. Vinte e três cavalos em 2.400 m. Na reta final, faltou meia cabeça para o brasileiro Veraneio alcançar o argentino Expressive Halo. Já sabíamos que não havia espaço para zebra.

 

Geraldo Hasse, jornalista gaúcho, é colaborador deste blog 

Por José da Cruz às 12h04

A queda da cartolagem

            Justamente na ocasião em que o Brasil se prepara para receber os maiores eventos esportivos mundiais, Copa 2014 e Olimpíada 2016, os dois principais expoentes do esporte do país se afastam de seus cargos, sob ameaças de revelações bombásticas.

            Primeiro foi João Havelange, que saiu da assembléia do Comitê Olímpico Internacional (COI). Motivo: suspeita de corrupção o levaria a julgamento, com risco de expulsão do órgão. Seria um vexame olímpico ao até então “respeitado” ex-presidente da Fifa.

            Assim, o processo que denunciaria Havelange por atos corruptos, envolvendo propinas pagas pela empresa de marketing, ISL,  foi suspenso. Algo como ocorre no Congresso Brasileiro: quando o deputado sente que não tem saída, renuncia e escapa da degola. A turma é esperta, aqui e lá fora...

            Agora, Ricardo Teixeira afasta-se da Fifa e do Comitê Organizador da Copa, “até janeiro”...  A notícia foi divulgada por Blatter, como que exibindo um troféu por tirar o brasileiro da luta pela presidência da Fifa.

Enfraquecimento

            Não há dúvidas de que a queda de Havelange – depois de um reinado de quase meio século no esporte – enfraqueceu Ricardo Teixeira. E está claro que, assim como o Comitê Olímpico Internacional, também a Fifa tem documentos que incriminariam Mister Teixeira, tornando-o candidato à expulsão sumária.

            Enfim, os dois brasileiros estão vergonhosamente fora de seus principais cargos, depois que jornalista escocês, Andrew Jennings, expôs ao mundo o esquema de corrupção no Comitê Olímpico Internacional e Federação Internacional de Futebol, Fifa.

            E não são fatos novos! Desde 1992 Jennings já denunciava a malandragem para escolher cidades-sedes e as relações perigosas com empresas de marketing para que todos ganhassem, e muito!

Ousadia

            Pois é neste exato momento de enfraquecimento de Ricardo Teixeira, que o ex-craque Romário vai ao encontro do distinto senhor. O cartola está em debandada, como quem foge da polícia para não ser preso, e o deputado arrisca seu prestígio ao lado do ex-patrão, suspeito de corrupto e de jogar sujo?

            Romário não precisava ir a RT pedir ingressos da Copa para deficientes, como alegou. Poderia ter apresentado emenda na discussão da Lei Geral da Copa, na Câmara dos Deputados. A CBF teria que cumprir o decidido.

            Em resumo: quem poderia supor que chegaríamos ao final do ano com este quadro de debandada explícita?

            O pior é que, afastados, encerram-se os processos, deixando a impressão que somente os dois são os culpados. E nós, brasileiros, nunca saberemos os reais motivos da “expulsão voluntária” das excelências. Nem o valor do lucro.

Por José da Cruz às 00h25

17/12/2011

Messi x Neymar

Por Geraldo Hasse

            O choque do século? Pode ser. Se o argentino é um reloginho preciso, o brasileiro é um bailarino espetacular. Temos aí um pega equivalente ao de um Federer contra Nadal. Ou algo como um dos grandes duelos de box da história. Sempre lembrando que o jogo final da Copa Toyota não é um mano-a-mano, mas um choque entre 22 atletas orientados por dois treinadores e preparados por equipes enormes, das quais fazem parte fisicultores, médicos, psicólogos e o diabo.

            Por isso ninguém quer perder este Barcelona x Santos, mesmo sabendo que a beleza original do futebol está sendo esmagada – irremediavelmente, talvez – pelo excesso de manipulação imposta pelo dinheiro.

            Entonces: se o estrelismo deixar, se o nervosismo permitir, se outros ismos não interferirem, talvez tenhamos um partida memorável. Pela lógica, dá Barcelona, mas a zebra pode entrar em campo de preto-e-branco, assim como se vestiu de colorado em 2006.

             O Santos é uma lenda, mas o time espanhol reinventou o futebol, tornando-se a base da seleção campeã do mundo de 2010. Joga simples, bola no chão, com os jogadores trocando passes e se deslocando. Tem dois ou três craques, Messi no esplendor, mas a maior parte do time tem regularidade e precisão. ]

            Vi grandes equipes jogando mais ou menos assim, a começar pelo Santos de Pelé, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Cruzeiro de Dirceu Lopes, o Inter de Falcão-Carpegiani, o São Paulo de Dario Pereyra-Pedro Rocha, o Atlético Mineiro de Paulo Isidoro e outros “tisius”, como falou Telê Santana.

            Diante de times assim quase irresistíveis, a tentação dos adversários é dar porrada. Messi e Neymar são safos, mas nunca se sabe. O Santos não é o favorito, mas pode engrossar, desde que Muricy comece por mandar alguém virar a sombra do narigudinho genial, mas sem apelar para a violência. Com Messi sem espaço, o jogo pode ficar interessante de se ver.

            No mais, que Ganso chute e Neymar corra com a bola. Seria muito bom ver os meninos da Vila se esquecer dos seus carros chiques, seus brincos de diamante, as roupas de grife, os cabelos pintados, contratos milionários, carreiras estelares. Dentro de campo, como ensinaram Pelé e outros Santos (Djalma, Nilton etc.), o que vale é bola na rede.

            Um abraço e bom jogo, galeras!

Geraldo Hasse, jornalista gaúcho, é colaborador deste blog.

Por José da Cruz às 18h21

Cala a boca, Edson

             Ótimo artigo na revista ESPN, deste mês. Confira:

Por Caio Maia
            Coloquemos a culpa no Edson, esta figura que habita o corpo que um dia foi de Pelé. Edson, agora, é “embaixador” da Copa do Mundo no Brasil, aquela que aconteceria sem dinheiro público. E que acontecerá quase que só com ele, uma boa parte indo parar nos bolsos errados.

            É natural, porém, que Edson se empolgue com a possibilidade e ver no Brasil a competição que Pelé venceu três vezes, e cujo significado e simbolismo conhece tão bem. Se empolgar com a Copa, entretanto, é uma coisa, servir de escudo para Ricardo Teixeira, outra totalmente diversa. Até porque, Edson foi colocado neste papel justamente para que Teixeira parasse de bancar o imperador. Ninguém pediu a ele que defendesse o cartola, nem isso faz qualquer bem à Copa 2014.

            Quando diz que “nada foi provado contra Ricardo Teixeira”, Edson demonstra, além de subserviência, desconhecimento. Não conhece, pelo jeito, o Código Civil, que define como prova:  I – Confissão; II documentos; III – testemunha; IV presunção; V – perícia. Ou seja, há numerosas e abundantes provas contra Ricardo Teixeira, ainda que ele não tenha sido condenado por causa delas.

            Pelo menos, Edson não foi ao extremo de, como Ronaldo, dizer que não se faz Copa com hospital. O que, diga-se, é a mais pura verdade. Nem se faz hospital com Copa, apesar do que se quer fazer crer. Não se faz nada, aliás, com Copa, a não ser dinheiro para a meia dúzia de sempre. Mas teremos Copa, e continuaremos sem hospitais.

            Pelé e Ronaldo, porém, ao parecem preocupados com isso. Fariam bem em pelo menos ficar quietos.

Caio Maia é diretor de Redação da ESPN Revista

Por José da Cruz às 18h03

16/12/2011

A grande decisão presidencial

      Excelente notícia do Palácio do Planalto para este final de ano:

         A presidenta Dilma Rousseff vetou o uso de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para obras da Copa do Mundo e Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

         A proposta, aprovada pelas excelências parlamentares, envolvia verba de R$ 5 bilhões que, com certeza, faria a festa de muita empreiteira e políticos amigos.

Justificativas

         “Os empreendimentos – Copa e Olimpíada – já possuem linhas de crédito disponíveis para o seu desenvolvimento”, argumentou a presidenta.

Mais:

         “A proposta desvirtua a prioridade de aplicação do FGTS, que deve continuar focada nos setores previstos na Lei, que demandam elevado volume de recursos e são fundamentais para o desenvolvimento do país”.

         Os setores da saúde e educação, principalmente, agradecem por tanta lucidez presidencial na gestão do bem público.

         São decisões assim que contribuem para que cresça a confiança na Presidenta Dilma, como mostram as pesquisas.

         Enfim, será que vai?

Por José da Cruz às 17h37

Os negócios suspeitos do futebol e o apoio oficial

            Notícia extra-oficial: depois de uma reunião com o ministro do Esporte, Aldo Rabelo, o secretário nacional de Futebol, Alcino Reis Rocha, teria apresentado o pedido de demissão “irrevogável”, me contaram.

            Alcino era um dos remanescentes da turma do ex-ministro Orlando Silva. Ele incentivou o contrato com o Sindicato das Associações de Futebol, no polêmico episódio para cadastrar torcedores.

            Pelo serviço, que não foi realizado, o Ministério do Esporte desembolsou R$ 6,5 milhões. Logo que assumiu, há 50 dias, o ministro Aldo Rebelo determinou a devolução da grana. Não sei se o dinheiro já retornou às origens.

Negócio privado

            Independentemente da confirmação da saída de Alcino Reis, a questão principal é: qual o motivo para o Ministério do Esporte, um órgão do Poder Executivo Federal, se envolver com um negócio privado como o futebol? Um negócio suspeito de falcatruas milionárias? Um negócio que, explorando as emoções que oferece ao torcedor, aproveita-se para promover a lavagem de dinheiro, como foi mostrado em investigações da Polícia Federal?

            O ministro Aldo Rebelo sabe muito bem o que é o bastidor dessa instituição bilionária. Ele presidiu a histórica CPI da CBF Nike , em 2001, e escreveu um livro contando sobre as trapaças que encontrou. À época, suas entrevistas eram indignadas, quando se referia às dezenas de irregularidades encontradas com as quebras de sigilo bancário e fiscal da CBF e de vários clubes.

            Pois é essa instituição, suspeita de encobrir crimes financeiros, como relataram autoridades fiscais, recentemente, em Brasília, que o governo dá cobertura financeira. Primeiro, criando uma loteria – a Timemania – para que os clubes paguem o calote ao Imposto de Renda, INSS e Fundo de Garantia. A dívida supera os R$ 2 bilhões. Porém, entre 2008, quando começou a funcionar, e 2010, a Timemania repassou miseráveis R$ 68,4 milhões aos cofres públicos. A cartolagem ri à vontade.

            Além disso, o Ministério do Esporte privilegia a instituição “futebol” com recursos públicos da Lei de Incentivo ao Esporte. Só em 2010 foram destinados R$ 29,7 milhões. Boa parte do dinheiro para os tais negócios suspeitos denunciados pelos fiscais do governo. Outro tanto vai para a formação de jogadores que, depois, são negociados no exterior, enriquecendo o bolso dos agentes internacionais. Em resumo, é o Estado financiando um negócio rentável e  altamente suspeito em sua legalidade.

            O Brasil sagrou-se pentacampeão mundial sem que o Estado ou os governos se envolvessem com a gestão do futebol. Quando muito recepcionava os campeões no Palácio do Planalto. Agora, apóia um negócio que deveria ser fiscalizado por ele, Estado. Mas não é. Ao contrário, tornaram-se parceiros íntimos.             

Por José da Cruz às 08h44

15/12/2011

Onde andará Gabiru?

No Correio Braziliense

Por Bernardo Scartezini

            Será que o Muricy Ramalho tem conseguido conciliar o sono? Não me refiro ao fuso horário. Hoje é quinta-feira. A esta altura dos acontecimentos, quando você, incauto leitor, estiver a ler esta coluna, o time do Barcelona estará passando/terá passado a patrola sobre o Al Sadd, o desafortunado campeão catariano que lhe cruzou o caminho no Mundial de Clubes. Qualquer resultado diferente de um sacode do Barcelona pode ser encarado como uma hecatombe de proporções mazembísticas.

            O que nos leva a Barcelona x Santos, jogo mais antecipado do ano como a final do Mundial. O campeão europeu chegando numa vibração diferente daquela do campeão sul-americano. Afinal, ainda no último sábado, o Barça esteve a bater o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Uma vitória de virada que levou a equipe catalã à ponta do Campeonato Espanhol.

            Já o Santos, cá entre nós, há quanto tempo não vinha levando a sério seus compromissos? No Brasil, temos a mania, um tanto por conta do calendário, um tanto por desleixo, de colocar o boi na sombra depois de vencer a Libertadores. Passar meses e meses por conta do Mundial de dezembro. O Santos fez figuração no Brasileiro-2011, fiando-se na glória conquistada.

            Ou seja, enquanto o Santos passou à larga boa parte da temporada, o Barcelona vem babando. Pergunte ao Mourinho. Claro que, na hora H, a rapaziada santista vai correr atrás da pelota. Nem que seja por instinto de preservação. Mas será que o botão de liga/desliga é assim fácil de fazer funcionar? Será que o Barça não entrará naturalmente mais ligado na partida? Qual foi mesmo a última grande atuação do Santos?

            Receio que estes últimos meses tenham aumentado um pouco mais o abismo que separa as equipes. O abismo que é também o abismo entre este Barcelona e os demais times do planeta. Pois o Barça é tudo isso que conhecemos — e também vai sempre um pouquinho além disso.

            Gostamos de dar ênfase ao Messi, por ser tremendo craque, mas o Barça é todo um coletivo, uma engrenagem à perfeição. Iniesta y Xavi ganharam recentemente a companhia de Fábregas y Sánchez. O que era bom ficou melhor. A turma da frente não guarda posição, morde a saída adversária, gosta de ter a bola pra si, sabe manejá-la sem pressa, não erra passes. Um pouco mais atrás, uma troca de olhares entre Puyol, Piqué y Busquets é o suficiente para que mudem de lugar e façam o time assumir outra movimentação, outra formação. Sem que Guardiola precise trocar jogadores.

            (Aos 42 minutos da segunda etapa, no Bernabéu, Daniel Alves abre como ponteiro e Puyol parte com a bola pela direita. O placar marca 3 x 1 — eles seguem atacando.)
            Só não me pergunte como o Muricy vai fazer isso parar. Muricy, pela onda que tira e pelos cobres que recebe, deve saber mais do que eu. Talvez tenha falado sério ao dizer para seus jogadores se divertirem. Ou talvez monte uma retranca grossa lá atrás e fique esperando Neymar resolver. Eu não apostaria meus tostões nisso. Mas se deu certo pro Inter do Gabiru...


Bernardo Scartezini escreve às quintas-feiras no Super Esportes

Por José da Cruz às 18h35

Heroínas olímpicas brasileiras

          Sugiro a leitura do artigo da professora Katia Rubia, psicóloga e escritora sobre assuntos olímpicos. Ela participou da audiência púlbica de ontem, na Comissão de Turismo e Esporte, na Câmara dos Deputados.

         Seu artigo começa assim:

         Que a história das mulheres no esporte é uma grande aventura que mescla drama e emoção acima da média, ninguém duvida. Desde sempre essa situação envolveu luta por direitos, condições mínimas de igualdade e a superação do preconceito seja ele racial, econômico ou de gênero.”

         ...

         E termina assim?

         Entendo que vivemos novos tempos para a mulher na sociedade e no esporte. Tempos esses que ainda não expressam de fato a importância que as mulheres passaram a ter para o esporte brasileiro, e para isso basta ver a curva ascendente de participação nas últimas edições dos Jogos Olímpicos e os resultados obtidos pelas atletas brasileiras na última edição olímpica em Pequim. Mas acredito que essa é uma condição irrefutável. E espero que dirigentes, técnicos e patrocinadores tenham a sabedoria de enxergar esse cenário para não retardar ainda mais esse processo que tem rendido bons frutos. A ignorância pode ser perdoada. A má intenção não.”

         O artigo completo está aqui

Por José da Cruz às 12h30

14/12/2011

Eu vejo o futuro repetir o passado

       Numa reunião histórica – pelo nível dos debatedores e importância dos temas abordados –, que reuniu algumas de nossas estrelas do olimpismo, a Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados expôs hoje os extremos do poder Legislativo: é a indispensável Casa para o debate das grandes questões brasileiras; mas está muito atrasada no encaminhamento das políticas para o esporte.

Sequência

        As dificuldades enfrentadas por Aída dos Santos, quando foi a única mulher na delegação aos Jogos de Tóquio, 1964 (quarta colocada no salto em altura) continuam hoje, meio século depois, apesar das evoluções técnicas, independência feminina e expressivo volume de dinheiro aplicado no setor.

         Passou o tempo, e os resultados das atletas olímpicas vieram e evoluíram, mais por insistência e persistência das mulheres do que por ações integradas de todos os agentes envolvidos, como família, clubes federações, governos etc.

Crescimento

         A participação feminina em olimpíadas, por exemplo, revela a predominância de projetos para a categoria masculina.

         "Dos 1.678 atletas que já representaram o Brasil em olimpíadas, apenas 390 foram mulheres", disse a psicóloga e pesquisadora Katia Rubio, da Universidade de São Paulo.

         "Porém, apesar desse distanciamento, a proporção das conquistas de medalhas – considerando o número de eventos que participaram – é favorável ao sexo feminino: 16% x 13%  dos homens.

Realidade

         No contexto da formação e projeção de atletas, a representante do Ministério da Educação, Clélia Brandão, deu a dimensão da realidade da nossa precariedade em termos de políticas públicas para o setor:  apenas 56,7% das escolas brasileiras têm uma quadra esportiva. Pior: dessas, apenas 40,3% têm um professor de educação física à disposição dos alunos! Que tal?

Propostas

             É neste panorama que Cássia Damiani, do Ministério do Esporte entrou no debate de hoje com propostas que demonstram como estamos perdidos, apesar de já sermos um país olímpico.

         Na falta de uma política integrada de governo para ações pedagógicas-esportivas visando, prioritariamente, a formação cultural e do caráter dos jovens, e, em seguida, o alto rendimento, a pasta do ministro Aldo Rebelo anuncia que fortalecerá o futebol feminino, uma atividade ignorada pela CBF, porque não é rentável.

         Sob o ponto de vista político, faz sentido, pois o futebol tem espetacular apelo. E, pelo abandono da mulheres futebolistas, a iniciativa ministerial pode se tornar numa oportuna peça de campanha eleitoral. Entenderam?

Bastidores

         Primeira brasileira a conquistar medalha de ouro olímpico (1996), Jaqueline Pires, levou a discussão na reunião de hoje para os bastidores do esporte.

         Campeã no vôlei de praia, ela questionou, na década de 1990, o pagamento de salários aos atletas da Seleção masculina, pela Confederação de Vôlei, o que não ocorria com as mulheres.

         Sua ousada atitude lhe custou o abandono das autoridades, fechando-lhe as portas para qualquer atuação no Brasil, numa prática que se repete ainda hoje com quem fizer crítica ao sistema de gestão do nosso esporte olímpico.

         O assunto é grave, um desrespeito aos princípios democráticos, pois tira da discussão – por ameaças e medo – o principal elemento da prática esportiva, o atleta. Sob este enfoque, o esporte não tem nada a ver com “educação”: é censura real e triste.

Preconceitos

         A reunião se encaminhava para o final quando a professora Katia Rubio, autora de 15 livros na área da história e psicologia do esporte, trouxe à mesa temas ignorados nos debates: o preconceito racial e assédio sexual.

         “Na entrevista com uma ex-atleta, ela me revelou que foi assediada pelo técnico durante quatro anos”, revelou Katia, dando a dimensão do problema.

         Por tudo isso, aqui contado resumidamente, é que a reunião de hoje na Comissão de Turismo e Esporte tornou-se histórica. Porque levantaram questões  graves, mas que não são discutidas por atletas,  técnicos, dirigentes e muito menos pelos políticos. Ficou o ar a idéia de que com este ponto de partida “agora vai...” Será? duvido!

Repetição

         Mas, mesmo em ritmo de Olimpíada 2016, patinamos na solução de problemas sérios e antiguíssimos, enquanto o Estado se omite de abrir a caixa preta do esporte para lhe dar o rumo efetivo que exige. Não de "mais recursos financeiros, mais apoio", mas de metas, prioridades e gestão. Na falta disso, inventa entrar numa área que não lhe compete, o futebol.

         Este panorama me leva, mais uma vez, aos versos do poeta Cazuza, em uma de suas expressões maiores da nossa música, em “O tempo não para”:

         Eu vejo o futuro repetir o passado

           Eu vejo um museu de grandes novidades...”

Omissão

           Deley, Romário, Danrley e Popó -- todos ex-atletas -- não participaram da reunião de hoje. Romário e Popó estiveram no local do encontro, mas com passagens efêmeras. 

Por José da Cruz às 20h50

A ONU fracassou!

            O companheiro Mozart de Carvalho publicou no facebook discussão que circula na rede. E eu transporto o assunto para este espaço.

            A ONU resolveu fazer uma pesquisa em todo o mundo. E enviou carta para o representante de cada país com a pergunta:

            "Por favor, diga honestamente qual é a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo".

            A pesquisa foi um grande fracasso. Sabe por quê?

            Todos os países europeus não entenderam o que era "escassez".

            Os africanos não sabiam o que era "alimento".

            Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre o que era "opinião".

            Os argentinos mal sabem o significado de "por favor".

            Os norte-americanos nem imaginavam o que significava "resto do mundo".

            O Congresso brasileiro está até agora debatendo o que é "honestidade".

Por José da Cruz às 11h58

13/12/2011

As mulheres e o esporte de rendimento

            Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964, a carioca Aída dos Santos foi a única mulher na delegação brasileira. Terminou em quarto lugar no salto em altura.

            Ousadas, elas avançaram. Nos Jogos de Pequim, em 2008, dos 277 atletas brasileiros 133 eram mulheres.

            Melhor: com duas medalhas de ouro, uma de prata e três de bronze. Conquistas inéditas no atletismo, judô e taekwondo.

            Hoje, aos 74 anos, Aída estará em Brasília, para fazer uma análise sobre esta evolução em quase meio século olímpico. Ela participará do debate sobre “As mulheres no esporte”, às 15h, na Comissão de Turismo e Esporte da Câmara dos Deputados.

            Aída dividirá a mesa de debates com outras estrelas nacionais: Jaqueline Silva (vôlei de praia), Leila Barros (vôlei) e Amanda Miranda (futebol).

            Das competidoras para a área acadêmica, e a representante será a jornalista, psicóloga e escritora Katia Rubio, da Escola de Educação Física e esporte da Universidade de São Paulo. Autora de 15 livros acadêmicos na área da psicologia do esporte e estudos olímpicos, Katia é referência nacional e internacional em estudos olímpicos.

            O programa desta tarde, como se observa, oferecerá teoria e prática conjugadas sobre mulheres no esporte. Sabemos do que elas são capazes. Mas nos faltam programas para que o potencial brasileiro feminino tenha evolução e representatividade maiores, a partir da prática da educação física nas escolas públicas nacionais.  

     

    Aida dos Santos com garotos do

    Insituto que ela dirige, em Niterói

Por José da Cruz às 23h40

Corinthians é campeão, também, em público. Disparado!

              Apesar de o Campeonato Brasileiro de Futebol ter sido um dos mais disputados dos últimos anos, o público nos estádios não teve o crescimento proporcional às emoções, que levaram a decisão do titulo para a última rodada.

            O público da Série cresceu apenas, 0,4% em relação a 2010.  E, comparado a 2009, o melhor ano até hoje no critério de “pontos corridos”, a queda de público foi de 16%.

            “Uma das principais razões para isso foi o início das obras para a Copa 2014 no Maracanã e Mineirão, refletindo nos jogos de clubes importantes”, analisou Amir Somoggi, da BDO RCS, a quinta maior empresa de auditoria no país.

Campeão

            O Corinthians foi o campeão em público, levando 557.252 torcedores aos seus jogos, seguido do Bahia, com 432.087, e São Paulo, em terceiro lugar, com 408.210 mil pessoas. O Flamengo foi apenas o quarto colocado, com 389.473, e o Internacional fechou o “top five” com 345.565 torcedores.

            Já o Vasco da Gama, vice do Brasileirão, ficou em sétimo lugar: 320.895 pessoas, atrás do Coritiba, em sexto, 339.989.

Números

            Os principais números do Campeonato Brasileiro 2011 são os seguintes:

Receitas

            Renda bruta total                             R$ 117,7 milhões

            Renda bruta média p/partida        R$ 309,6 mil

            Renda líquida total                         R$ 68,2 milhões

            Renda líquida média p/partida     R$ 179,6 mil

Público

            Público total                           5,7 milhões

            Média de público                 14.976

            Preço médio ingressos (bruto)     R$ 20,79

            Preço médio ingressos (líquido) R$ 12,05

           

            Em resumo:

            Os clubes brasileiros continuam com baixo número de torcedores nos estádios, mesmo os que figuram no topo do ranking de público e renda da competição.

Evolução da renda

            Já em termos de renda, “as últimas edições da Série A mostram uma constante evolução do preço médio do ingressos, segundo Amir Somoggi. “Isso contribuiu para que o Campeonato Brasieiro não apresente queda tão acentuada na renda bruta com vendas de ingressos”, explicou.

            O preço médio dos ingressos em 2011 cresceu 4% em relação a 2010 e 125% comparados co 2005.

            “Na Europa, há muito tempo, os clubes perceberam que a diversificação de serviços nos estádios é fudamental para que as receitas por torcedor evoluam e não fiquem restritas somente à venda dos ingressos dos jogos”.

            Segundo Somoggi, “embora tenhamos um campeonato extremamente competitivo em campo, nossas ações de marketing para levar público aos estádios ainda são da “era da pedra lascada”.

Por José da Cruz às 19h47

Sobre o autor

José Cruz cobre há mais de 20 anos os bastidores da política e economia do esporte, acompanhando a execução orçamentária do governo, a produção de leis e o uso de verbas estatais na área esportiva. Esteve nas Olimpíadas de Seul-1988 e Sydney-2000 e trabalhou no Correio Braziliense, onde foi subeditor de Esporte, e no Jornal de Brasília.

Sobre o blog

Fora das quatro linhas, das raias da natação ou atletismo, das quadras, há outro universo de emoções. São as milionárias fontes de financiamento do esporte, a maioria de origem governamental, de aplicações nem sempre claras, e, por isso, de difícil investigação. É nos bastidores do Ministério do Esporte, dos comitês Olímpico e Paraolímpico, do Tribunal de Contas da União e no Congresso que buscamos informações de interesse público. Nesse trabalho jornalístico a cobertura é sistemática. O debate também. Participe.

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